Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AULA 2 
COGNIÇÃO, ATENÇÃO E 
FUNÇÕES EXECUTIVAS 
Profª Camila Paraná 
 
 
2 
As funções executivas têm sido foco de atenção, nos últimos anos, por 
todas as áreas das neurociências. Inúmeros pesquisadores têm buscado 
aprofundar seus conhecimentos acerca desse constructo cognitivo para 
compreender melhor a relação dessas funções com o comportamento humano. 
Inicialmente, havia um maior interesse de estudo das funções executivas 
por profissionais das neurociências que atuam e estudam as alterações que 
ocorrem, decorrentes de lesões encefálicas adquiridas, transtornos do 
neurodesenvolvimento, transtornos psiquiátricos em geral e até mesmo alterações 
relacionadas ao envelhecimento normal ou patológico. Mais recentemente, 
observa-se que outros profissionais, além da saúde e da educação, como pessoas 
do mundo dos negócios, marketing, economia, etc. também buscam compreender 
melhor o funcionamento executivo. Esse interesse por diferentes áreas de 
conhecimento justifica-se pelo fato de as funções executivas serem recrutadas na 
maioria das nossas ações no cotidiano, seja no ambiente familiar, no trabalho ou 
nas nossas relações sociais e afetivas. 
Mas, afinal, o que são as funções executivas? Nesta aula, serão abordados 
os diferentes conceitos e modelos teóricos, assim como as bases neurais e a 
relação com o comportamento. 
TEMA 1 – CONCEITOS 
De acordo com o dicionário da International Neuropsychological Society, 
as funções executivas podem ser definidas como o conjunto de habilidades 
cognitivas necessárias para a execução de comportamentos complexos dirigidos 
a uma meta e para a adaptação a uma gama de exigências ambientais (Loring, 
1999, tradução livre da autora, p. 63). 
Funções executivas consistem em um conjunto de habilidades que, de 
forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar comportamentos a metas, 
avaliar a eficiência desses comportamentos, abandonar estratégias ineficientes a 
favor de outras mais eficientes e solucionar problemas (Malloy-Diniz et al., 2008). 
Independente da definição, autores concordam que as funções executivas 
estão relacionadas com a capacidade de direcionar um comportamento a um 
objetivo, sendo essas funções a base do nosso comportamento intencional e da 
nossa capacidade de autogestão. Se essas funções estão relacionadas à 
intencionalidade, entende-se então que são recrutadas em situações inéditas e 
complexas, em que o nosso repertório automatizado já não apresenta mais 
 
 
3 
potencial adaptativo. Assim, as funções executivas são essenciais para a 
adaptação dos indivíduos em um ambiente civilizado (Malloy-Diniz et al., 2018). 
Diversos autores consideram que as funções executivas englobam 
inúmeros componentes, tais como, a atenção seletiva, o controle inibitório, a 
memória operacional, a flexibilidade cognitiva e o planejamento, operações 
necessárias para gerenciar o comportamento humano. Uma ação orientada a um 
objetivo específico exige um plano de ação, o qual deve permitir alterações em 
seu curso sendo, portanto flexível e adaptativo (Gazzaniga; Ivry; Mangun, 2006). 
Considerando que não há um consenso na literatura acerca dos modelos 
teóricos e de quais componentes ou subcomponentes formam as funções 
executivas, os próximos temas desta aula abordarão essas questões de ordem 
mais teórica. 
TEMA 2 – MODELOS TEÓRICOS DE FUNÇÕES EXECUTIVAS 
As funções executivas estão relacionadas às habilidades necessárias para 
formular um objetivo: planejar, executar planos de modo eficiente e autocorrigir-
se de um modo espontâneo e confiável (Pereira, 2000). Conforme já citado 
anteriormente, não há na literatura um consenso em relação a uma única definição 
para esse constructo, pois existem diferentes teorias e modelos explicativos que 
definem e explicam o funcionamento das funções executivas (Malloy- Diniz et al., 
2008). 
Alguns autores definem as funções executivas como um único sistema, em 
que a presença de um dano seria responsável pelo comprometimento de diversas 
áreas. Outras teorias consideram as funções executivas como diferentes 
constructos. Independente do modelo, as limitações teóricas ainda estão 
presentes, não havendo um consenso em relação ao melhor modelo a ser 
adotado. 
A seguir, serão apresentados alguns modelos teóricos mais referenciados 
na literatura: 
 Modelo de Shallice e Norman (Shallice, 1982): modelo que integra 
conceitos da psicologia cognitiva e da neuropsicologia. Para esses autores, 
o processamento de informações ocorre por meio de dois modos 
diferentes, um automático e outro controlado. Os processos automáticos 
ocorrem quando o indivíduo possui um repertório de respostas 
 
 
4 
armazenadas. Já em situações novas, é preciso que ele seja capaz de criar 
respostas e planos de ação adequados, sendo estes os processos 
controlados, modulados pelo Sistema Atencional Supervisor (SAS). Esse 
mecanismo, o SAS, proposto por Norman e Shallice, é responsável pelo 
controle das respostas aos estímulos e pela seleção de comportamentos; 
 Modelo de Miyake, Friedman, Emerson, Witzki e Howerter (2000) – Modelo 
Fatorial: esses autores realizaram um estudo a fim de tentar responder à 
relevante questão de até que ponto algumas funções podem ser 
consideradas unitárias quando na verdade elas podem ser reflexo de 
mecanismos ou habilidades subjacentes. Nesse estudo, Miyake et al. 
(2000) “extraíram” estatisticamente o que é comum entre as tarefas 
selecionadas para analisar como diferentes funções se relacionam. Para 
tal, escolheram três funções consideradas importantes na literatura: 
flexibilidade, atualização e inibição. Os resultados evidenciaram que as três 
funções são claramente distinguíveis, mas não completamente 
independentes, pois apresentam componentes subjacentes comuns. 
 Modelo de Lezak, Howieson e Loring (2004): composto por quatro 
componentes: (1) volição, habilidade para estabelecer metas envolvendo a 
motivação e a autoconsciência; (2) planejamento, elaboração de um roteiro 
de ações para alcançar metas; (3) ação intencional, transição da intenção 
e do plano para o comportamento; (4) desempenho efetivo, 
automonitoramento da ação intencional, capacidade de avaliar se uma 
ação é efetiva e, caso não seja representa a flexibilidade de modificá-la. 
 Modelo de Sohlberg e Mateer (2010): formado pelos seguintes 
componentes: iniciativa e direção (comportamento de iniciativa), resposta 
inibitória (comportamento de parada), persistência na tarefa (manutenção 
do comportamento), organização de ações e pensamentos, pensamento 
criativo (criatividade, fluência e flexibilidade cognitiva) e conscientização 
(monitoramento e modificação do próprio comportamento). De acordo com 
essas autoras, esses seis componentes estão relacionados com diversos 
distúrbios cognitivos e comportamentais que podem ocorrer como parte de 
uma síndrome disexecutiva. 
 Modelo de Adele Diamond: esSe modelo entende que existem três 
habilidades principais, que são a inibição, a memória de trabalho e a 
flexibilidade e que outras habilidades, como planejamento, tomada de 
 
 
5 
decisão e monitoramento, são resultantes da integração dessas três 
funções nucleares (Seabra et al, 2014). 
 Modelo de Cicerone: divide as funções executivas em quatro domínios: (1) 
funções executivas cognitivas: habilidades envolvidas no controle e 
direcionamento do comportamento; (2) funções autorreguladoras do 
comportamento: regulação comportamental em situações em que a análise 
cognitiva não é suficiente para uma resposta adaptativa; (3) funções de 
regulação da atividade: responsável por prover iniciativa e continuidade a 
ações direcionadas a metas; (4) processos metacognitivos: relacionado à 
autoconsciência, ao ajustamento e ao comportamento social adequado 
(Seabra et al,2014). 
 Modelo de funções executivas quentes e frias: esse modelo divide as 
funções executivas em componentes quentes e frios, trazendo a ideia de 
que essas habilidades também estão relacionadas à regulação das 
emoções e do ambiente social. As funções executivas frias relacionam-se 
ao aspecto cognitivo, sendo observadas em situações com demandas 
mínimas de processos emocionais e motivacionais. Já as funções 
executivas quentes referem-se ao controle exercido em condições com 
significativa carga emocional e motivacional, como por exemplo em 
momentos em que é necessário regular um comportamento e tomar uma 
decisão. 
TEMA 3 – SUBCOMPONENTES DE FUNÇÃO EXECUTIVA 
Com base em diferentes modelos teóricos de função executiva, nota-se a 
existência de diferentes componentes, ou subcomponentes que formam este 
conjunto de funções. Dessa forma, independente do modelo adotado, faz-se 
necessário compreender cada um desses constructos. 
Antes de discorrer sobre os diferentes componentes executivos citados na 
literatura, é importante saber que as funções executivas se desenvolvem no 
primeiro ano de vida e só são consideradas maduras ao final da adolescência. 
Além disso, podem ser treinadas e estimuladas ao longo da vida. 
Para a maioria dos autores, as três primeiras funções executivas citadas 
abaixo são consideradas como funções nucleares, as quais servem de alicerce 
para outras funções executivas mais complexas. 
 
 
6 
3.1 Controle inibitório ou inibição 
Habilidade de controlar comportamentos inapropriados, colocando o 
indivíduo no controle de seus comportamentos, sejam eles influenciados por 
eventos externos, emoções, pensamentos ou tendências comportamentais 
prévias ou automáticas (Seabra et al., 2014). Inibir um comportamento está 
intimamente relacionado à capacidade de autocontrole. Assim, pode-se entender 
que uma pessoa impulsiva apresenta dificuldades relacionadas ao controle 
inibitório. 
No cotidiano, nos deparamos frequentemente com pessoas consideradas 
espontâneas e “sem freio”. Porém, até que ponto essa espontaneidade não é uma 
baixa capacidade de controle inibitório? A ausência de controle inibitório pode 
ocorrer por uma lesão cerebral adquirida ao longo da vida e pode estar associada 
a algum transtorno psiquiátrico, ou a alguma alteração no desenvolvimento. Em 
relação à espontaneidade ou não, o importante é saber que nenhum 
comportamento apropriado deve ultrapassar os limites e as regras sociais. 
3.2 Flexibilidade cognitiva ou flexibilidade mental 
Capacidade de mudar o foco de atenção, perspectivas, prioridades e 
regras. Adaptar-se ao ambiente e às suas demandas requer muita flexibilidade 
cognitiva. É a habilidade de lidar com situações novas sem ficar preso a padrões 
rígidos e preestabelecidos de comportamento. 
 Pessoas com falta de flexibilidade cognitiva tendem a apresentar um 
padrão rígido de comportamento, marcado por uma dificuldade em mudar o foco 
de processamento de uma ação ou de pensamento para outro. Nessa situação, 
observa-se uma repetição de um comportamento ou conduta inapropriada, 
mesmo quando há um feedback do ambiente. Dessa forma, pode-se entender que 
a flexibilidade tem um papel fundamental para a garantia de ajustamento das 
pessoas às exigências do ambiente (Seabra et al., 2014). 
3.3 Memória de trabalho ou memória operacional 
Memória de trabalho pode ser definida como a capacidade de 
armazenamento temporário de uma informação, enquanto fazemos uso dela. Ou 
seja, habilidade de sustentar uma informação em mente, por um curto período de 
 
 
7 
tempo, enquanto essa informação está sendo usada para resolver uma situação 
problema ou realização de uma tarefa (Seabra et al., 2014). 
 Apesar de se chamar memória, a memória de trabalho é considerada um 
tipo de função executiva, e não apenas um subtipo de memória, pois é entendida 
como uma função muito mais complexa do que apenas o armazenamento de uma 
informação. Além de armazenar um conteúdo por um período limitado de tempo, 
a memória de trabalho exige a manipulação, a organização e o sequenciamento 
de ideias/informações. 
No dia a dia, observamos a dificuldade de memória de trabalho quando nos 
deparamos com pessoas que não conseguem seguir instruções complexas. 
Nesse caso, a pessoa pode até guardar comandos e passos para atingir um 
objetivo, mas falham ao sequenciar e organizar as informações. O tema 5 desta 
aula trará exemplos de dificuldades nos diferentes componentes de função 
executiva. 
 Por fim, pesquisas têm revelado a importância da memória de trabalho nos 
processos de aprendizagem. Há fortes evidências de que a leitura, a escrita e o 
raciocínio aritmético demandam memória de trabalho. 
3.4 Planejamento 
Refere-se à identificação e organização de passos e elementos 
necessários para realizar uma intenção ou atingir um objetivo (Lezak, Howieson; 
Loring, 2004). Um plano pode ser definido como uma série de eventos 
estruturados que geralmente contêm uma ou mais metas. 
Entende-se que planejar algo é uma ação muito mais complexa do que se 
pode imaginar, pois essa função recruta outras habilidades, por exemplo: 
conceber alternativas, entreter ideias, controlar impulsos, desenvolver estratégias, 
estabelecer prioridades, fazer escolhas e tomar decisões. 
3.5 Tomada de decisão 
A tomada de decisão é uma função essencial para a relação satisfatória do 
indivíduo com a sociedade. A psicologia cognitiva entende que esse processo 
depende da capacidade de escolher uma opção entre diferentes possibilidades e 
parte do princípio que a pessoa usa o raciocínio lógico para solucionar seus 
problemas da melhor maneira possível. Diferentes modelos teóricos foram criados 
 
 
8 
para explicar como as pessoas tomam as decisões. A maioria desses modelos 
trazia definições valorizando apenas a racionalidade, entendendo que tomar uma 
decisão dependia apenas de uma análise racional de custo e benefício. Porém, 
estudos posteriores ressaltaram o papel da emoção no processo de tomada de 
decisão (Cardoso; Cotrena, 2013). 
3.6 Automonitoramento 
Essa habilidade de refletir sobre si mesmo, sobre suas habilidades, 
potencialidades e fraqueza está relacionada ao estabelecimento de uma 
sequência de comportamentos e à reflexão sobre o impacto de suas ações sobre 
outras pessoas (Malloy-Diniz, et al., 2018). 
3.7 Autorregulação emocional 
Habilidade executiva que inclui a habilidade de reconhecer e nomear 
nossas emoções e de manejar e modular a sua expressão de maneira adaptativa 
em relação ao contexto social (Meltzer, citado por Seabra, 2014). 
TEMA 4 – BASES NEURAIS DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS 
A organização cerebral das funções executivas e os sintomas que refletem 
seu comprometimento constituem aspectos complexos da neurobiologia humana. 
Seu estudo é essencial para a compreensão dos mecanismos que presidem as 
formas mais complexas do comportamento humano, que se manifestam no 
universo social, regidas pela qualidade e pela adequação das relações 
interpessoais (Lent, 2008). 
Ao pensar nas bases neurais das funções executivas, nos remetemos à 
parte mais anterior do cérebro, o lobo frontal, mais especificamente ao córtex pré-
frontal. 
A maior parte das funções do lobo frontal corresponde às funções 
executivas, sendo o lobo frontal responsável pelo controle das ações de 
antecipação, escolha de objetivos a serem alcançados, planificação, seleção 
adequada e vigilância do resultado obtido. O córtex pré-frontal, localizado 
anteriormente à área pré-motora do lobo frontal, é considerado o substrato 
neuroanatômico responsável pelas funções executivas. Áreas específicas do 
córtex pré-frontal (região dorsolateral e ventromedial) estão relacionadas aos 
 
 
9 
processos e operações das funções executivas, como os mecanismos de 
memória de trabalho, filtragem da informação, planejamento de ações e 
flexibilidadecognitiva (Gil, 2002). 
Diferentes regiões do córtex pré-frontal estão implicadas no funcionamento 
executivo. Além disso, uma mesma região pode desempenhar diferentes funções 
em momentos distintos, dada a capacidade de flexibilidade neuronal desta região 
cerebral. Dados recentes apontam a existência de uma hierarquia cognitiva 
formada por meio de uma rede neuronal que controla sistemas dinâmicos. 
Considerando tal hierarquia, entende-se a utilidade de dividir o funcionamento 
executivo em subcomponentes relacionados entre si, que operam em diferentes 
situações (Tirapu-Ustarroz et al., 2008). 
Três circuitos neurais são importantes para entender a localização de 
componentes executivos, assim como suas alterações (Malloy-Diniz et al., 2018): 
1. Circuito que envolve conexões entre o cíngulo anterior e estruturas 
subcorticais: quando este circuito encontra-se comprometido, podemos 
observar comportamentos de apatia, desmotivação e prejuízo no controle 
da atenção. Esse circuito também pode ser chamado de medial; 
2. Circuito dorsolateral pré-frontal: o acometimento dessa região cerebral 
pode ocasionar dificuldades de ordem cognitiva relacionadas ao 
estabelecimento de metas, capacidade de planejar, de solucionar 
problemas, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, abstração e 
julgamento; 
3. Circuito orbitofrontal: relacionado a mudanças de personalidade, ao 
comportamento impulsivo e à tomada de decisões imediatistas sem 
considerar consequências a longo prazo. 
Para facilitar o aprendizado, o quadro a seguir resume os principais 
componentes executivos e a sua localização no córtex pré-frontal: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Quadro 1 – Principais componentes executivos e a sua localização no córtex pré-
frontal 
Área / Circuito pré-frontal Componente de função 
executiva 
Circuito medial Controle atencional 
Automonitoramento 
Circuito dorsolateral Planejamento 
Flexibilidade cognitiva 
Memória de trabalho 
Circuito orbitofrontal Controle inibitório 
Avaliação de riscos 
Fonte: Elaborado pela autora. 
TEMA 5 – FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPORTAMENTO 
No dia a dia, inúmeras situações demandam a utilização das funções 
executivas tendo em vista a presença constante de elementos novos e situações 
inesperadas. Quando essas funções encontram-se comprometidas, o 
desempenho dos indivíduos em atividades complexas, sejam elas relacionadas 
ao trabalho, à vida familiar ou às atividades da vida diária, apresenta-se altamente 
prejudicado (Malloy-Diniz et al., 2010). Sohlberg e Mateer (2010) afirmam que 
esses sintomas, chamados disexecutivos, são responsáveis pelo 
comprometimento funcional sociocupacional e, portanto, responsáveis por 
dificuldades significativas de adaptação social, organização das atividades da vida 
diária e controle emocional. 
Nos temas anteriores desta aula, foram apresentadas as definições e 
possíveis áreas corticais de cada subcomponente das funções executivas. 
Conforme já citado anteriormente, o mau funcionamento executivo pode acarretar 
em prejuízos nas diversas esferas de nossa vida. Fica então o questionamento 
das possíveis causas de um mau funcionamento executivo. Essas possíveis 
causas também já foram citadas, de forma breve, nesta aula. Mas neste tópico 
será aprofundada essa temática, assim como exemplos de situações de disfunção 
executiva. 
Iniciamos pelas possíveis causas: 
O termo lesão encefálica adquirida é muito conhecido pelos profissionais 
da medicina, neuropsicologia etc. Para pessoas do mundo dos negócios, esse 
termo pode não ser tão óbvio. O nome já diz: esse grupo de lesões é adquirido 
em algum momento da vida do indivíduo, ou seja, a pessoa não nasce com essa 
 
 
11 
alteração. São exemplos de lesões: o traumatismo cranioencefálico, o acidente 
vascular cerebral (popularmente conhecido por derrame) e os tumores cerebrais. 
Quando essas lesões aparecem na região frontal do cérebro, a grosso modo, na 
sede das funções executivas, podemos observar mudanças importantes nos 
aspectos comportamentais. 
Outra possível causa de disfunção executiva é a presença de um transtorno 
do neurodesenvolvimento ou algum transtorno mental. São exemplos de 
transtornos do neurodesenvolvimento o transtorno do déficit de atenção e 
hiperatividade, o transtorno do espectro autista e a deficiência intelectual. Os 
demais transtornos mentais podem ser o transtorno depressivo, transtornos de 
ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, etc. Sabe-se que pessoas com esses 
quadros clínicos apresentam, em diferentes graus, um prejuízo de função 
executiva. 
Por último, devemos saber que muitas pessoas sem nenhuma condição 
clínica, como as citadas acima, podem apresentar algum prejuízo de função 
executiva devido a uma possível falta de estimulação. 
E como esse prejuízo se manifesta no dia a dia? Como podemos identificá-
lo? Após uma lesão cerebral, a identificação fica um pouco mais clara, visto que 
há uma causa conhecida que apareceu de forma muitas vezes abrupta, ou seja, 
decorrente da lesão, há uma sequela. Em quadros psiquiátricos ou por 
dificuldades decorrentes da falta de estimulação, essa percepção pode ser mais 
difícil. 
A seguir, alguns exemplos de comprometimento executivo: 
Um rapaz de 25 anos teve um traumatismo cranioencefálico. Após a alta 
hospitalar e alguns meses de recuperação em casa, retornou às suas atividades 
ocupacionais. Trabalhava como auxiliar administrativo em uma empresa e suas 
atividades diárias envolviam responder e-mails, atender telefone, fazer pequenos 
serviços para a sua chefe e organizar documentos. Após poucos dias de seu 
retorno, sua chefe o chamou para apontar alguns comportamentos que não 
existiam antes do acidente. Segundo o relato da chefia, o funcionário finalizava o 
seu dia de trabalho praticamente sem concluir nenhuma tarefa. Iniciava uma 
atividade, mas logo se dispersava e fazia outra coisa. Ao observar mais de perto 
a sua rotina, percebeu que havia uma dificuldade em estabelecer prioridades, 
além do prejuízo em seguir passos para alcançar metas. De forma mais simples, 
o funcionário até tinha a intenção de concluir algumas tarefas específicas naquele 
 
 
12 
dia, mas quando algo fora do esperado acontecia, ele se perdia e não conseguia 
retornar ao foco. Esse exemplo é clássico para visualizar dificuldades de 
planejamento. Esse caso está relacionado a uma lesão adquirida, mas podemos 
encontrar muitas pessoas sem histórico de lesão e/ou alguma patologia com 
prejuízo na habilidade de concluir tarefas e de alcançar metas definidas. 
Outro exemplo de disfunção executiva pode ser uma mãe que reclama que 
seu filho é muito distraído e que é preciso pedir uma coisa de cada vez, pois ele 
nunca consegue concluir as solicitações feitas. Nesse caso, a dificuldade pode 
não refletir um prejuízo de atenção por si só, mas sim de memória de trabalho, 
quando é preciso guardar as informações (pedidos feitos pela mãe), manipulá-las, 
organizá-las e gerenciá-las. Esta segunda etapa, mais complexa, exige a 
capacidade de sequenciar as ações. 
Um último exemplo refere-se à função de flexibilidade cognitiva. Podemos 
pensar em uma situação em que uma pessoa, João, com diagnóstico de espectro 
autista grau leve, apresenta rígidas rotinas. Certo dia, como de costume, dirigiu-
se ao ponto de ônibus, no mesmo horário de sempre. O ônibus costumava passar 
as 7:20 da manhã. Naquele dia, especialmente, João estava mais apreensivo, 
pois teria uma prova importante na faculdade. Às 7:25, outro ônibus passou e 
avisou as pessoas que o transporte que João esperava havia quebrado algumas 
quadras antes. Diante dessa situação, as pessoas do ponto de ônibus começaram 
a se movimentar. Uns ligaram para parentes, outros chamaram um transporte 
alternativo e alguns foram embora caminhando. Ao contrário, João permaneceu 
imóvel no ponto de ônibus. Esperou por quase uma horaaté que outro ônibus da 
mesma linha substituísse o quebrado. Ao chegar à faculdade, dirigiu-se até a sala 
de aula, onde encontrou o professor saindo da sala. Contou o ocorrido e, ao ser 
questionado de por que não buscou uma forma alternativa para chegar antes à 
universidade, João, sem compreender, apenas respondeu que ele se locomove 
todos os dias da mesma forma, com o ônibus da linha x. Esse exemplo reflete 
uma situação em que há uma dificuldade importante em mudar o foco de 
processamento de uma ação ou pensamento à outra. É difícil para essas pessoas, 
com dificuldade de flexibilizar, encontrar alternativas mais eficientes de acordo 
com a demanda inesperada do ambiente. Essas pessoas costumam ter grandes 
dificuldades em se adaptar frente a situações inusitadas, comuns ao cotidiano. 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
CARDOSO, C.; COTRENA, C. Tomada de decisão examinada pelo Iowa 
Gambling Task: análise das variáveis de desempenho. Revista Neuropsicologia 
Latinoamericana, v. 5, n. 1, p. 24-30, 2013. 
GAZZANIGA, M. S.; IVRY, R. B.; MANGUN, G. R. Neurociência cognitiva: a 
biologia da mente. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 
Gil, R. Neuropsicologia. São Paulo: Santos, 2002. 
LENT, R. Neurociência da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2008. 
LEZAK, M.; HOWIESON, D. B.; LORING, D. W. Neuropsychological 
Assessment, 4. ed. New York: Oxford University Press, 2004. 
LORING, D. INS Dictionary of neuropsychology. New York: Oxford University 
Press, 1999. 
MALLOY-DINIZ, L. F. et al. Neuropsicologia das funções executivas. In: 
FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 
2008. 
_____. Avaliação neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010. 
_____. Avaliação neuropsicológica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. 
MIYAKE, A. et al. The unity and diversity of executive functions and their 
contributions to complex “Frontal Lobe” tasks: a latent variable analysis. Cognitive 
Psychology, v. 41, n. 1, p. 49-100, 2000, 
PEREIRA, F. S. Funções executivas e funcionalidade no envelhecimento 
normal, comprometimento cognitivo leve e doença de Alzheimer. Tese 
(Doutorado em Medicina) – Faculdade de Medicina da Universidade de São 
Paulo, São Paulo, 2000. 
SEABRA, A. G. et al. Inteligência e funções executivas: avanços e desafios 
para a avaliação neuropsicológica. São Paulo: Memnon, 2014. 
SHALLICE, T. Specific impairments of planning. Philosophical Transactions of 
the Royal Society, v. 298, p. 199-209, 1982. 
SOHLBERG, M. M.; MATEER, C. A. Reabilitação cognitiva: uma abordagem 
neuropsicológica integrada. São Paulo: Livraria Santos Editora. 2010. 
 
 
14 
TIRAPU-USTÁRROZ, J. et al. Modelos de funciones y control ejecutivo (I). 
Revista de Neurologia, v. 46, n. 11, p. 684-692, 2008.

Mais conteúdos dessa disciplina