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Disciplina | 
Introdução 
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DISCIPLINA 
CRISTIANISMO 
Cristianismo | 
Sumário 
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Sumário 
Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
2 O Início de Tudo -------------------------------------------------------------------------------------- 4 
3 Contexto histórico e geográfico ----------------------------------------------------------------- 8 
4 O Cristianismo Primitivo -------------------------------------------------------------------------- 17 
5 A Igreja na Idade Média -------------------------------------------------------------------------- 27 
5.1 Guerras Santas e Cruzadas ----------------------------------------------------------------------------------- 33 
5.2 Arte e Arquitetura Religiosa --------------------------------------------------------------------------------- 36 
6 Reforma e Surgimento do Protestantismo -------------------------------------------------- 39 
6.1 Os Massacres como Consequência do Protestantismo ----------------------------------------------- 47 
7 Cristianismo na Modernidade------------------------------------------------------------------- 47 
8 Teologia Cristã -------------------------------------------------------------------------------------- 52 
8.1 Doutrinadores Cristãos ---------------------------------------------------------------------------------------- 59 
8.2 Fé X Razão -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 64 
8.3 Problema do Mal e a Natureza de Deus ------------------------------------------------------------------ 66 
9 Aprofundamento ----------------------------------------------------------------------------------- 68 
9.1 Oficialização da Igreja ----------------------------------------------------------------------------------------- 68 
9.2 Santo Agostinho e a Ponte entre a Idade Antiga e a Idade Média -------------------------------- 69 
9.3 O Cristianismo no Século XX --------------------------------------------------------------------------------- 69 
10 Referências ---------------------------------------------------------------------------------------- 71 
 
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Cristianismo | 
Introdução 
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1 Introdução 
Com mais de 2 bilhões de seguidores, o cristianismo é uma das maiores religiões 
do mundo, cuja figura central é Jesus Cristo, pregador judeu que alegou ser o filho de 
Deus, executado pelos romanos por supostamente desafiar a autoridade imperial. A 
partir de sua morte e ressurreição, sua mensagem começou a ser propagada por seus 
seguidores, formando a base da religião cristã. Sua origem remonta ao século I, na 
região da Palestina, então parte do Império Romano. 
Ao longo dos séculos, o cristianismo se espalhou por todo o mundo e passou 
por diversas transformações e divisões, dando origem a várias denominações e 
vertentes e a uma história complexa e multifacetada, envolvendo questões teológicas, 
políticas, sociais e culturais. 
A compreensão da história do cristianismo é fundamental para entender muitos 
aspectos da cultura ocidental e da civilização global como um todo e continua a 
exercer uma influência significativa em muitos aspectos da vida moderna, desde a 
política e a moralidade até a arte e a literatura. Marcada por uma série de eventos 
importantes, como a Reforma Protestante, a Inquisição, o surgimento das primeiras 
universidades, a Revolução Industrial na religião. Além disso, o cristianismo tem 
desempenhado um papel importante em muitos movimentos sociais e políticos, como 
o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, a luta contra o apartheid na 
África do Sul e a defesa dos direitos dos trabalhadores em muitos países. 
Apesar de sua longa história e grande importância, o cristianismo, muitos críticos 
argumentam que a religião é responsável por conflitos e injustiças, enquanto outros 
apontam para o papel do cristianismo na história da escravidão e da colonização. Ao 
mesmo tempo, muitos cristãos continuam a encontrar significado e propósito em sua 
fé, e a igreja continua a desempenhar um papel importante em muitas comunidades 
em todo o mundo. Segundo aponta Elaine Pagels, há muitas visões diferentes sobre 
a figura de Jesus cristo e a mensagem por ele transmitida, daí a importância de 
examinar textos antigos, como os evangélicos apócrifos e outros escritos gnósticos, 
para entender as diferentes visões que surgiram no início do cristianismo. 
O Cristianismo tem muitas doutrinas, que apesar das diferenças de culto e de 
regras, dialogam em nome do que as une: a fé em Jesus Cristo, um judeu em raça, 
cultura e religião. Seus antepassados eram tradicionalmente conhecidos como 
hebreus, devido ao seu estilo de vida nômade. Para os judeus, independentemente de 
sua localização geográfica, Jerusalém é vista como um lugar sagrado, devido à sua 
Cristianismo | 
O Início de Tudo 
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importância religiosa e política. A cidade tornou-se o local do Grande Templo, o centro 
da religião judaica, após ser capturada pelos hebreus liderados pelo Rei Davi, por volta 
de 1000 a.C. Esse templo foi construído pelo Rei Salomão, filho de Davi. 
O Templo era considerado um local sagrado, onde os fiéis podiam oferecer 
orações e sacrifícios a Deus, e onde palavras sagradas eram lidas em voz alta pelo 
Sumo Sacerdote e seus auxiliares. Por acreditar em um único Deus, os judeus 
consideravam o Templo de Jerusalém como seu único santuário, o que impregnou o 
local de um respeito reverente. Foi lá que ocorreu a crise final da vida de Jesus, 
culminando em sua morte. 
Ao longo de sua história, os judeus sofreram diversos infortúnios e desastres, 
como a conquista de Jerusalém pelos babilônios em 587 a.C., que resultou na 
deportação de muitos judeus influentes para a Babilônia. No exílio, muitos judeus 
refletiram sobre suas desventuras e questionaram se haviam ofendido a Deus para 
justificar o castigo que receberam. 
Menos de meio século depois, os persas tomaram a Babilônia, permitindo que a 
maioria dos judeus retornasse à sua terra natal. Em torno de 520 a.C., a reconstrução 
do Templo começou, mas os judeus continuaram sob regimes estrangeiros até que, 
em 142 a.C., recuperaram sua terra e desfrutaram de independência por quase 80 
anos, antes de perdê-la novamente e, somente no século XX, recuperá-la 
definitivamente. 
 
2 O Início de Tudo 
O Cristianismo surgiu como uma seita judaica no primeiro século, mas com o 
passar do tempo, houve uma ruptura com o Judaísmo. Foi pelo Concílio de Jerusalém 
em 52 d.C. que o Cristianismo se desvinculou do Judaísmo de vez e surgiu 
definitivamente como uma nova religião. Nos primeiros séculos, os romanos 
perseguiram o Cristianismo, ocasionando a morte de milhares de mártires e 
dificuldades para a expansão cristã (BOGAZ, 2014). Inicialmente, os cristãos foram 
vistos como "judeus fervorosos", mas com o passar do tempo, a pregação cristã, que 
enfatizava Jesus Cristo como filho de Deus, fez com que os judeus os proibissem de 
pregar. Tal medida não foi suficiente, e os cristãos foram expulsos das sinagogas 
judaicas. Os cristãos, diferentemente dos judeus, passaram a adotar os livros do Novo 
Testamento, escrito após o advento de Jesus Cristo por seus apóstolos e que relata a 
Sua vida e dos primeiros acontecimentos da comunidade cristã nascente (BOGAZ, 
Cristianismo | 
O Início de Tudo 
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2014). 
A aproximação entre a Igreja e o Estado aconteceu porque o Cristianismo se 
propagou muito. Assim, perseguir os cristãos acabousendo prejudicial ao próprio 
Império Romano, que vivia uma crise religiosa e social e encontrou no Cristianismo 
apoio e respostas (BOGAZ, 2014). O Cristianismo começou a se espalhar a partir de 
Jerusalém, e depois em todo o Oriente Médio, acabando por se tornar a religião oficial 
da Armênia em 301, da Etiópia em 325, da Geórgia em 337, e depois a Igreja estatal 
do Império Romano em 380. Tornando-se comum em toda a Europa na Idade Média, 
ela se expandiu em todo o mundo durante a Era dos Descobrimentos (BOGAZ, 2014). 
A história do Cristianismo está repleta de perseguições, desde a época do 
imperador Nero até a destruição do Templo de Jerusalém. Os cristãos foram acusados 
de incendiar Roma em 64 d.C., o que levou Nero a perseguir e matar muitos cristãos 
(CURTIS, 2003). Os cristãos não escolheram lado e fugiram de Jerusalém, evitando a 
batalha que destruiu o Templo de Jerusalém, um símbolo e centro de poder religioso 
e político dos judeus. A destruição do Templo constituiu um elemento determinante 
para a religião cristã, que se separou cada vez mais de suas origens judaicas (CURTIS, 
2003). 
Os apóstolos Pedro, Tiago e João foram os líderes da Primeira Comunidade Cristã 
de Jerusalém. Eles foram considerados as colunas da comunidade e receberam a graça 
de pregar tanto aos gentios quanto à circuncisão (Carta aos Gálatas 2, 9). A 
comunidade cristã cresceu rapidamente após a morte e ressurreição de Jesus. A 
primeira aparição de Jesus ressuscitado relatada na Bíblia cristã ocorreu em Mateus 
28: 19-20, quando Jesus apareceu aos seus discípulos após a ressurreição, na região 
da Galileia, na atual Israel. Ele ordenou que seus discípulos fossem e fizessem 
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito 
Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que ele havia ordenado. Esse episódio é 
considerado uma comissão missionária, em que Jesus envia seus discípulos para 
espalhar a mensagem do Evangelho por todo o mundo. 
No início, o cristianismo era visto como uma seita do judaísmo, e havia um certo 
grau de continuidade entre as duas religiões. No entanto, como mencionado por van 
Inwagen (2006), houve uma ruptura gradual entre o cristianismo e o judaísmo, 
culminando no Concílio de Jerusalém, em 52 d.C, que desvinculou o cristianismo do 
judaísmo de vez. A partir daí, o cristianismo se estabeleceu como uma religião 
independente, com suas próprias crenças, práticas e tradições. 
No entanto, os primeiros cristãos enfrentaram muita perseguição por parte dos 
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O Início de Tudo 
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romanos, como descrito por Meister (2013). Os cristãos eram vistos como uma ameaça 
à estabilidade social e política do Império Romano e, por isso, foram perseguidos e 
martirizados. Muitos cristãos foram mortos em arenas de gladiadores, usados como 
tochas humanas ou crucificados, como Pedro e Paulo. A perseguição aos cristãos só 
diminuiu após o imperador Constantino se converter ao cristianismo e torná-lo a 
religião oficial do império no século IV. 
A mensagem cristã enfatizava a figura de Jesus Cristo como o filho de Deus, e 
sua vida e ensinamentos são registrados no Novo Testamento, que é a base das 
Escrituras cristãs. Como mencionado por Bogaź (2014), o cristianismo começou a se 
espalhar a partir de Jerusalém, no Oriente Médio, antes de se tornar a religião oficial 
da Armênia, Etiópia e Geórgia. Durante a Idade Média, o cristianismo se espalhou por 
toda a Europa e, durante a Era dos Descobrimentos, se expandiu pelo mundo todo. 
O problema do mal é uma questão que tem sido discutida pelos teólogos cristãos 
ao longo dos séculos, como observado por Sung (2003). A ideia de que um Deus 
onisciente, onipotente e benevolente permitiria a existência do mal é um paradoxo 
que tem sido objeto de muitos debates teológicos. Como o Livro de Jó e outras 
passagens das Escrituras cristãs mostram, o sofrimento humano e a dor são parte da 
experiência humana, mas os cristãos acreditam que Deus é capaz de trazer bem do 
mal e usar o sofrimento para cumprir os próprios propósitos. 
De fato, uma crença central do Cristianismo é que Deus pode trazer bem do mal 
e usar o sofrimento para cumprir Seus propósitos. Isso pode ser visto em diversos 
trechos da Bíblia cristã. Por exemplo, em Romanos 8:28, é dito que "Todas as coisas 
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus". Em outras palavras, mesmo que 
o mal e o sofrimento possam estar presentes na vida de um cristão, Deus pode usá-
los para trazer um bem maior. 
Além disso, a própria morte de Jesus na cruz é vista pelos cristãos como um 
exemplo de como Deus pode usar o sofrimento para cumprir Seus propósitos. Em 
Filipenses 2:8, é dito que Jesus "se humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até 
a morte, e morte de cruz". A morte de Jesus na cruz é vista pelos cristãos como um 
ato de amor supremo, no qual Jesus sofreu para redimir a humanidade dos seus 
pecados. 
Essa ideia de que Deus pode usar o sofrimento para cumprir Seus propósitos 
pode ser vista também na vida de diversos personagens bíblicos. Por exemplo, a 
história de José, filho de Jacó, em Gênesis 37-50, mostra como Deus usou a inveja e a 
traição de seus irmãos para colocá-lo em uma posição de autoridade no Egito, onde 
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O Início de Tudo 
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ele pôde salvar sua família da fome. Da mesma forma, a história de Jó, em Jó 1-42, 
mostra como Deus permitiu que Satanás causasse sofrimento em Jó, mas no final usou 
esse sofrimento para ensinar a Jó e seus amigos sobre a natureza de Deus e Seus 
propósitos. 
No entanto, é importante ressaltar que isso não significa que os cristãos devem 
buscar o sofrimento ou se alegrar com ele. Na verdade, a Bíblia cristã encoraja os 
cristãos a buscar a paz e a evitar o mal sempre que possível. Em Romanos 12:18, é dito 
que "se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens". E em 1 
Tessalonicenses 5:22, é dito que os cristãos devem "abstêm-se de toda forma de mal". 
Em resumo, os cristãos acreditam que Deus pode usar o sofrimento para cumprir 
Seus propósitos, mas isso não significa que eles devam buscar o sofrimento ou se 
alegrar com ele. Em vez disso, os cristãos devem buscar a paz e evitar o mal sempre 
que possível, confiando que Deus pode trazer bem do mal. 
Seguindo, o período de início da Patrística não possui uma data precisa, mas é 
caracterizado como uma transição a partir da segunda metade do século I, quando o 
texto bíblico foi escrito, e é marcado pelo surgimento dos pais e mães da Igreja 
Primitiva. Um marco inicial pode ser a instrução Didaquê, datada aproximadamente 
do ano 90. Além do tempo histórico, outros elementos caracterizam este período, 
como a distinção entre a igreja do Oriente e do Ocidente. Os Padres da Igreja exercem 
uma função perene e todo anúncio e magistério seguinte deve ser confrontado com 
o ensinamento deles. 
Os Padres apostólicos, pertencentes à primeira e segunda geração da Igreja após 
os apóstolos, são considerados cristãos de grande santidade e teólogos místicos. Eles 
sentiam a necessidade de aprofundar, refletir, registrar e intercomunicar os 
ensinamentos e rituais das Comunidades Cristãs, além de dar testemunho diante de 
autoridades e confrontar hereges e adversários das comunidades cristãs. São 
Jerônimo é considerado autor do primeiro estudo histórico deste grupo de teólogos. 
No entanto, no sentido da vivência do que significa Patrística, o Grande Apóstolo 
Paulo é considerado o "pai da patrística", juntamente com Pedro. Paulo é um aprendiz 
dos Apóstolos, dos quais recebeu a herança da mensagem dos Evangelhos e, a partir 
dos eventos da vida de Cristo, interpreta sua mensagem para os novos convertidos. 
Suas pregações e escritos demonstram a verdadeira mística dos cristãos de viver o 
ideal de Jesus Cristo, mesmo com grande especulação filosófica e teológica. (BOGAZ, 
Antonio Sagrado. 2014. P. 22)Cristianismo | 
Contexto histórico e geográfico 
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3 Contexto histórico e geográfico 
No ano 63 a.C., as legiões romanas invadiram a Palestina, anexando o território e 
estabelecendo um controle firme sobre a região. Enquanto a Roma imperial concedia 
alguma autonomia às suas colônias, desde que fossem submissas, pagassem seus 
impostos e mantivessem a ordem, os judeus resistiram à presença romana, 
preservando sua cultura e religião. Herodes, um líder local apoiado pelos romanos, foi 
coroado rei dos judeus e, em troca, a Roma ofereceu aos judeus considerável 
liberdade religiosa. 
O nascimento de Jesus ocorreu durante o reinado de Herodes, por volta do ano 
6 a.C. A religião judaica era notável por sua resistência à influência estrangeira, 
mantendo-se em grande parte à parte do mundo romano. Os judeus recusavam-se a 
adorar os deuses romanos e, embora respeitassem formalmente o imperador, sua 
devoção estava voltada a um só Deus. A religião era baseada em tradições antigas e 
rigorosas, incluindo a circuncisão dos meninos pouco tempo após o nascimento, a 
abstenção de certos alimentos e a observância rigorosa do sábado como um dia de 
descanso e oração. 
Devido ao rigor religioso, muitos judeus tinham dificuldade em servir no exército 
romano, embora alguns tenham servido. A cultura e religião judaicas eram distintas e 
únicas, e a persistência de sua identidade cultural e religiosa sob a dominação romana 
foi notável. A herança cultural e religiosa de Jesus era aquela da tradição judaica da 
época. 
Para compreendermos o contexto histórico dos fatos que envolveram o 
nascimento do Cristianismo, precisamos compreender o contexto social, político e 
geográfico desse período. 
O mundo judaico permaneceu como uma entidade cultural e religiosa distintiva 
dentro do vasto Império Romano. Dificilmente outra região do império sobreviveu 
como uma entidade tão diferente. Esta é a "miraculosa" tenacidade da religião judaica, 
que persistiu ao longo dos séculos. Essa cultura e religião, herdadas por Jesus, tinham 
Deus como sua força motriz. Deus era considerado "O Eterno", invisível, imortal, 
poderoso e conhecedor, com uma capacidade imensa de sentir amor e raiva. O ser 
humano foi criado à imagem de Deus, dotado de livre-arbítrio e o direito de escolher 
entre o bem e o mal. A obediência às leis de Deus seria recompensada com ajuda 
divina. Os judeus eram considerados filhos de Deus, e os hinos que eles cantavam, 
chamados salmos, expressavam sua confiança em Deus como sua força e refúgio. 
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Contexto histórico e geográfico 
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Segundo os hebreus, Deus estava em toda parte, presente no "templo sagrado" 
e no céu, com sua presença e conhecimento capazes de estarem em 10 mil lugares 
simultaneamente. A crença hebraica na perfeição e no poder divino coexistia com a 
compreensão da condição humana como imperfeita, capaz de praticar tanto o bem 
quanto o mal. A palavra "pecado" era usada para descrever a desobediência à vontade 
de Deus, não apenas em preceitos morais, mas também em regras formais e culturais 
formuladas por Moisés e registradas nos livros do Antigo Testamento. A descrença 
em Deus, incluindo o ateísmo e o agnosticismo, também era considerada um pecado. 
Embora alguns possam considerar a atitude dos judeus em relação a Deus 
subserviente, eles acreditavam que Deus era justo. Sua noção de justiça não se 
assemelhava a nada sobre a face da Terra. Deus recompensaria abundantemente 
aqueles que eram bons e justos, e seu amor ilimitado e eterno era citado duas dúzias 
de vezes no salmo 136. Por outro lado, a vingança justa de Deus recairia sobre aqueles 
que desobedecessem gravemente ou infringissem as regras sem se arrepender. Os 
judeus não aceitavam a ideia de um Deus injusto. Seu mundo seria destruído por um 
desastre natural ou por um conquistador estrangeiro que invadisse sua terra, 
acreditando terem merecido esse destino. 
Essas crenças judaicas foram absorvidas por Jesus desde a infância. Embora 
algumas delas tenham sido reformuladas por ele no final de sua curta vida, ele aceitou 
e sinceramente seguiu a maior parte dessas crenças. 
No período em que Jesus viveu, a Palestina era dividida em diversas províncias, 
sendo a Judeia, a Samaria e a Galileia as principais localizadas a oeste do Jordão, na 
região conhecida como Cisjordânia, e a Peréia e a Decápolis a leste do rio. 
O governante da Palestina na época era Herodes, o Grande, que obteve do 
Senado Romano o título de Rei dos Judeus, embora fosse conhecido por ser um 
homem ambicioso e cruel. Apesar disso, conseguiu conquistar a confiança dos 
imperadores romanos e o respeito dos judeus, sendo responsável por restaurar o 
Templo de Jerusalém (GALBIATTI.H. (Sup.). 1969, p.23). Este mesmo homem, foi quem 
ordenou a matança dos Inocentes na tentativa de eliminar Jesus ainda quando criança. 
As Principais cidades na narração evangélica são: 
• Na Judeia: Jerusalém (a Cidade Santa), Belém (onde nasceu Jesus) 
Ain Karin, Emaús Arimatéia, Efrém, Jericó, Betânia (a terra de Lázaro Marta 
e Maria); 
• Na Samaria: Samaria e Sicar; 
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• Na Galileia: Nazaré (terra de Nossa Senhora e infância de Jesus), 
Canaã (onde Jesus fez o primeiro milagre) Tiberíades, Magdala e 
Cafarnaum (terra de São Pedro). 
O mapa a seguir mostra a localização de cada cidade e ilustra sua importância 
como berço do Cristianismo na época de Herodes, o Grande, e de seu filho, Herodes 
Antipas, que ficou conhecido por mandar cortar a cabeça de João Batista a pedido de 
sua esposa Herodias. 
 
 
 
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De acordo com o evangelho de Mateus, três homens sábios ou magos que viviam 
em uma terra distante viram uma luz muito brilhante no céu noturno, que parecia 
chamá-los na direção da Palestina. Eles acreditavam que isso era um sinal do 
nascimento de uma criança muito importante e, por isso, recolheram alguns presentes 
e seguiram a estrela com a esperança, na verdade, a certeza de encontrar esse bebê 
extraordinário. "Vimos a estrela no Oriente e viemos adorá-lo", declararam (MATEUS, 
2:1-6). 
Essa história foi registrada por escrito e contada e recontada ao longo dos 
séculos, mas com a repetição, houve algumas alterações. A criança nascida tornou-se 
ainda mais importante e os personagens, mais prestigiados. Assim, os três sábios 
transformaram-se em três reis. Somente cerca de quinhentos anos depois, eles 
receberam nomes. 
Não se sabe ao certo o local do nascimento de Jesus. Marcos, autor do primeiro 
evangelho sobre a vida de Jesus, não o retrata. Outros autores se referiram a Belém, 
uma cidadezinha que ficava a uma manhã de caminhada de Jerusalém. Como a terra 
natal de Davi, herói da história dos judeus, Belém representava um local apropriado 
para o nascimento de alguém que seria aclamado como o salvador de seu povo. O 
livro de Lucas relata os pais de Jesus viviam em Nazaré, mas foram obrigados a ir para 
Belém por causa de um censo que estava para acontecer (LUCAS, 2:1-11). 
Diversos estudiosos e historiadores discutem a narrativa do censo em Lucas e 
outras questões relacionadas à historicidade da Bíblia, parte deles concordam que a 
narrativa do censo em Lucas é improvável do ponto de vista histórico. Por exemplo, o 
historiador romano Tácito, que escreveu sobre a história da Judeia no primeiro século, 
não mencionou nenhum censo que poderia ter afetado a região na época do 
nascimento de Jesus. Além disso, é improvável que as autoridades romanas tenham 
exigido que as pessoas viajassem grandes distâncias para serem recenseadas, já que 
o objetivo de um censo era coletar impostos e não incomodar as pessoas com viagens 
desnecessárias. 
Alguns estudiosos sugerem que a narrativa do censo em Lucas pode ter sido uma 
tentativa de conectar Jesus à linhagemde Davi, uma vez que Belém era a cidade natal 
de Davi. Outros argumentam que a história pode ter sido usada para destacar o papel 
de Jesus como salvador do povo judeu, nascido em um lugar simbolicamente 
importante. Em qualquer caso, a narrativa bíblica do censo é vista por muitos 
estudiosos como uma representação simbólica, em vez de um relato histórico preciso. 
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A cidade de Nazaré, situada na região da Galileia, é considerada por alguns como 
um possível local de nascimento de Jesus. O termo "nazareno" era utilizado para se 
referir aos seguidores de Jesus, e o próprio Jesus é descrito no Novo Testamento como 
"o Nazareno". Apesar de muitas pesquisas, os estudiosos modernos da Bíblia ainda 
não chegaram a um consenso sobre o local exato de seu nascimento. 
Os pais de Jesus eram José e Maria, embora Maria tenha se destacado mais na 
tradição cristã ao longo dos séculos. Além disso, diversas passagens bíblicas apontam 
que Jesus tinha irmãos, 
 
[...] Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado 
de fora, mandaram chamá-lo. Muita gente estava assentada ao 
redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão 
lá fora à tua procura” (MARCOS 3:31;32; MATEUS 12:46;47; LUCAS 
8:19;20). 
[...] Depois disto, desceu ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus 
irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias” (JOÃO, 
2:12). 
[...] Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa 
este lugar e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos 
vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser 
conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. 
Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Pois nem mesmo os 
seus irmãos criam nele (JOÃO, 7:3-5). 
 
Embora alguns estudiosos argumentem que essas passagens não 
necessariamente se referem a irmãos biológicos de Jesus, mas sim a parentes mais 
distantes ou amigos íntimos da família, a maioria concorda que a linguagem usada no 
texto sugere que os irmãos mencionados eram de fato irmãos de sangue de Jesus 
(BAUCKHAM, 2017; BLOMBERG, 2012; BOCK, 2002). 
Desde cedo, Jesus frequentou a sinagoga e aprendeu os principais ensinamentos 
dos livros do Antigo Testamento. Ele também aprendeu a ler e escrever, habilidades 
que não eram muito comuns entre a população de Nazaré. 
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Aos doze anos, viajou com seus pais até Jerusalém para celebrar a Páscoa, a data 
mais importante do calendário judaico. Na cidade, ele teve a oportunidade de ouvir 
ensinamentos de vários rabinos e a leitura de textos sagrados no templo. Seus pais o 
perderam de vista, mas o encontraram mais tarde "sentado entre os mestres, 
escutando-os e fazendo perguntas" com notável autoridade, explicando seu 
desaparecimento com a frase: "Não sabiam que eu deveria estar na casa do meu Pai?" 
(LUCAS, 2:41-52). 
Jesus trabalhou como carpinteiro e provavelmente aprendeu a trabalhar com 
pedra também. Presume-se que tenha produzido artigos de madeira para uso 
doméstico e equipamentos agrícolas como cangas, arados, portas, portões, cercas e 
celeiros espaçosos para os agricultores da região. Seu trabalho artesanal em pedra e 
madeira provavelmente lhe rendeu mais dinheiro do que a maioria dos trabalhos 
comuns da época (ALVAREZ, 2017; ORTEBERG, 2016; BLAINEY, 2012). 
Por volta dos anos 27 e 28 d.C., Jesus já estava profundamente envolvido com 
questões religiosas e políticas da época e logo pessoas que compartilhavam suas 
ideias começaram a segui-lo. Após algum tempo, ele tinha doze discípulos – 
remetendo às doze tribos de Israel. A maioria desses seguidores vivia perto do Mar 
da Galileia e alguns deles haviam sido discípulos de João Batista, que pregava ao longo 
do rio Jordão, que pregava uma antiga profecia segundo a qual Deus enviaria um 
novo rei Davi para libertar a Palestina do domínio estrangeiro. Essa profecia era 
mencionada no Antigo Testamento, que contém várias referências esparsas a grandes 
expectativas sobre a vinda de um salvador. 
Os evangelhos sinóticos relatam que Jesus também foi batizado por João Batista, 
provavelmente por imersão total no rio Jordão, enquanto bênçãos sagradas eram 
proferidas (MATEUS, 3:13-17; MARCOS 1:9-11; LUCAS 3:21-22). Esse episódio foi um 
marco na vida de Jesus, pois estava declarado que ele, e não seu primo João, era o 
filho de Deus. 
Não se sabe ao certo o local exato do batismo de Jesus, mas esse evento seria 
lembrado por muito tempo e, com o avanço do cristianismo, em poucos séculos o rio 
Jordão se tornaria o mais famoso dos rios no imaginário ocidental. 
Os registros das palavras proferidas por Jesus revelam claramente a história da 
vida rural na Palestina, da qual repetidamente retira parábolas que refletem 
ensinamentos morais e religiosos. A oração do Pai Nosso, proferida durante o Sermão 
da Montanha, apresenta um dos principais conceitos abordados por Jesus: “um reino 
governado pelo amor e pela misericórdia de Deus. A ideia já existia no coração de 
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muita gente, tanto na Palestina como em outros lugares, mas representava também 
um tempo que estava por vir” (BLAINEY 2015, p. 23). 
A sua transgressão do repouso sabático também se destaca nas escrituras. Por 
várias vezes, Jesus cura em dia de sábado, reivindicando a necessidade imperiosa de 
salvar vidas (Mc 3,4). Quando Jesus comenta a Torá (a Lei), a coletânea das prescrições 
divinas, o imperativo do amor ao outro desvaloriza todas as outras prescrições; até o 
rito sacrificial no Templo de Jerusalém deve ser interrompido perante a exigência de 
se reconciliar com o seu adversário (Mt 5,23-23). Em suma: tanto as curas como a 
leitura da Tora participam num estado de urgência provocado pela iminência da vinda 
de Deus. Jesus está convencido de que, dentro de pouco tempo, acontecerá a vinda 
de Deus que, com o seu julgamento, suprimirá todas as causas de sofrimento e reunirá 
os seus à sua volta, nada mais importa senão chamar à conversão. Os Evangelhos e o 
Talmude judeu falam concordantemente da tolerância chocante de Jesus quanto às 
suas atitudes e amizades. Tornou-se solidário com todas as categorias (CORBIN, 2009, 
p. 138) 
Para os judeus, o Messias não seria um Deus de amor, mas deveria ter liderança 
política. Eles esperavam um restaurador que lutasse contra a opressão, mas seria um 
líder terreno e não Divino. Os judeus esperavam um messias que reconquistasse o 
esplendor de Israel. Não foi a revolução que queriam, pois Jesus pregava a conversão, 
o amor, a paz e um novo tempo em Deus. Todos já sabiam qual era o Reino que Ele 
buscava e a serviço de quem Ele estava. Jesus ampliava, por um lado, a admiração, 
mas por outro o ódio daqueles que mais tarde seriam seus algozes. 
O apelo para seguir Jesus começa a quebrar as sociedades mais intocáveis: já não 
há necessidade de despedir-se dos seus nem de cuidar das exéquias do seu pai (Lc 
9,59-62). Este atentado aos escritos funerários e aos deveres familiares deve ter sido 
considerado totalmente indecente, escandaloso. Outro sinal de urgência: a 
necessidade de anunciar o Reino de Deus é tão imperiosa que os seus discípulos 
recebem a ordem de ir dar testemunho sem levar alforge nem sandálias nem saudar 
ninguém pelo caminho (Lc 10,4) (CORBIN, 2009, p. 136). 
Não somente para os judeus, mas também para os romanos, Jesus causava 
espanto. Logo perceberam que Jesus estava mexendo com o cotidiano de todos, pois 
não tinha medo de defender os que sofriam por causa dos poderosos. Neste sentido, 
toda elite econômica e religiosa estava buscando caminhos para calar Jesus. 
E foi nestes fatos que eles conseguiram levar Jesus a julgamento, colocando-o 
como inimigo dos judeus e também do império romano. Jesus mexeu na posição de 
Cristianismo| 
Contexto histórico e geográfico 
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alguns privilegiados, pois ensinava, curava, amava, corrigia e anunciava o Reino, ao 
contrário dos rabinos da época. Segundo Blainey (2015), 
 
Jesus foi um líder político e religioso. Alguns consideram que ele 
defendia os pobres contra os ricos, a Galileia rural, contra a elite de 
Jerusalém e o povo judeu, contra os invasores romanos. O que se 
percebe claramente é que tanto as autoridades judias quanto as 
romanas o viam como um perigo para seu prestígio ou sua 
autoridade, e uma possível ameaça à governabilidade nas 
respectivas esferas. Pôncio Pilatos, o governador romano que 
condenou Jesus à morte por crucificação, sabia que a Palestina era 
um lugar potencialmente turbulento. Cerca de 35 anos depois, uma 
séria revolta realmente ocorreu (BLAINEY, 2015, p. 32). 
 
Os Evangelhos sinóticos relatam a aparição de Jesus aos seus discípulos na 
Galileia após sua ressureição marcando a perpetuação de seus ensinamentos (Mt 
28:19-20; Mc 16:15-18; Lc 24:44-49): 
 
Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me 
foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas 
as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito 
Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho 
ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à 
consumação do século (Mt 28:18-20). 
 
Com base no primeiro relato de aparição de Jesus Cristo em Mateus 28:19-20, 
podemos explorar o contexto histórico e geográfico em que a cena ocorreu. Este 
trecho é conhecido como a "Grande Comissão", quando Jesus dá instruções finais a 
seus discípulos antes de sua ascensão aos céus. O versículo 19 começa com as palavras 
"Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações...", que se tornaram uma das mais 
conhecidas e citadas passagens da Bíblia. 
Para entender o contexto histórico e geográfico da Grande Comissão, é 
importante saber que a Palestina, a região onde Jesus viveu e realizou sua pregação, 
era parte do Império Romano na época. No ano 63 a.C., o general romano Pompeu 
Cristianismo | 
Contexto histórico e geográfico 
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conquistou Jerusalém, e a partir daí, os romanos exerceram controle sobre a região, 
incluindo a nomeação de governadores. 
Durante o ministério de Jesus, ele pregou principalmente na Galileia, uma região 
no norte da Palestina que fazia fronteira com a Síria. Na época, a Galileia era habitada 
principalmente por judeus e era considerada uma região menos importante do que a 
Judeia, onde ficava Jerusalém, o centro religioso e político do judaísmo. 
No entanto, mesmo com a aparente falta de importância da Galileia, Jesus 
escolheu muitos de seus discípulos de lá, incluindo Pedro, Tiago e João. Após sua 
morte e ressurreição, Jesus se encontrou com seus discípulos novamente na Galileia, 
conforme descrito em Mateus 28:16: "Os onze discípulos foram para a Galileia, para o 
monte que Jesus lhes tinha designado." 
Foi neste momento que ocorreu a Grande Comissão. Jesus instruiu seus 
discípulos a fazerem discípulos de todas as nações e batizá-los em nome do Pai, do 
Filho e do Espírito Santo. Essa instrução indicava que o evangelho não era apenas para 
os judeus, mas para todas as pessoas de todas as nações. 
O trecho também enfatiza a importância do batismo na fé cristã. O batismo era 
uma prática comum entre os judeus, mas a instrução de Jesus de batizar em nome do 
Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma indicação clara da doutrina da Trindade, que 
se tornou um dos principais pilares da teologia cristã. 
Além disso, o trecho também enfatiza a importância de ensinar e obedecer aos 
mandamentos de Jesus. Ele diz: "Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos 
tenho mandado." Isso indica que o evangelismo não é suficiente; os convertidos 
devem ser discipulados e instruídos nos ensinamentos de Jesus. 
O contexto histórico e geográfico do primeiro relato de aparição de Jesus em 
Mateus 28:19-20 é crucial para entender a mensagem central da passagem. Jesus 
instruiu seus discípulos a fazerem discípulos de todas as nações, enfatizando a 
universalidade da mensagem do evangelho e a importância do batismo e do ensino 
dos dogmas cristãos. 
Em resumo, a história da aparição de Jesus aos discípulos em Mateus 28:19-20 é 
um dos eventos mais significativos na tradição cristã. A partir deste relato, os 
discípulos foram encarregados de levar a mensagem do evangelho a todo o mundo, 
uma tarefa que continua até hoje para os cristãos em todo o mundo. 
Cristianismo | 
O Cristianismo Primitivo 
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Além disso, este evento também é importante no contexto histórico e geográfico 
do tempo de Jesus. A Judeia era então uma província romana, governada por Pôncio 
Pilatos, e a região estava dividida entre diferentes grupos religiosos e políticos, como 
os fariseus, saduceus, essênios e zelotes. O judaísmo era a religião dominante e os 
romanos eram vistos como opressores estrangeiros pelos judeus. Jesus foi crucificado 
pelos romanos por sua mensagem de amor e compaixão, mas sua morte não foi o 
fim. Seu retorno triunfal aos discípulos e sua mensagem de paz e redenção continuam 
a influenciar os cristãos em todo o mundo. 
A mensagem central de Mateus 28:19-20 é a Grande Comissão, que é a tarefa de 
levar o evangelho a todas as nações e batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito 
Santo. Essa mensagem foi cumprida pelos apóstolos e seus seguidores, e continua a 
ser uma missão importante para os cristãos hoje. Muitas denominações cristãs enviam 
missionários para outros países e muitos cristãos participam de missões em suas 
comunidades locais. 
Essa mensagem também tem implicações para a compreensão da natureza de 
Deus. A doutrina da Trindade é claramente expressa em Mateus 28:19-20, com a 
menção do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Essa doutrina afirma que Deus é uma 
unidade de três pessoas distintas, cada uma com sua própria personalidade e vontade, 
mas uma em essência. Essa doutrina tem sido alvo de debates e discussões ao longo 
da história cristã, mas continua sendo uma crença central para a maioria das 
denominações cristãs. 
Em conclusão, a história da aparição de Jesus aos discípulos em Mateus 28:19-
20 é uma parte fundamental da tradição cristã. Esse evento foi importante tanto no 
contexto histórico e geográfico do tempo de Jesus quanto para a compreensão da 
natureza de Deus. A Grande Comissão continua a ser uma tarefa importante para os 
cristãos em todo o mundo, e a doutrina da Trindade continua a ser uma crença central 
para a maioria das denominações cristãs. A mensagem de amor e compaixão de Jesus 
continua a inspirar os cristãos em todo o mundo, e sua influência continua a ser 
sentida em muitos aspectos da sociedade e da cultura ocidental. 
 
4 O Cristianismo Primitivo 
Foi na língua aramaica que o Evangelho foi espalhado oralmente. O Cristianismo 
Primitivo, que aconteceu após Ressurreição de Jesus, ficou conhecido pelo mundo 
pelo testemunho dos Apóstolos e de todos os que haviam convivido com Jesus. 
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O Cristianismo Primitivo 
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Oralmente e em aramaico, a mensagem foi espalhada. Na época de Jesus o Hebraico 
já não era mais usado, por isso o aramaico ganhou força e se estabeleceu como língua 
principal. 
O Cristianismo, religião que teve sua origem na Palestina, foi fundado por Jesus 
Cristo e seus discípulos, notadamente Pedro, Paulo e os 12 apóstolos. Na época, a 
Palestina pertencia ao Império Romano, que dominava a política e possuía um 
poderoso exército. A região não possuía um Estado judaico independente desde a 
tomada de Jerusalém por Pompeu em 63 a.C. Apesar de Augusto ter deixado o 
território de Herodes, após a morte deste em 37-4 a.C., para seus filhos, a Palestina 
era uma região desprezada, assim como seu povo. O imperador romano possuía 
poder ilimitado, o governo era moderadoe as províncias tinham autonomia. 
Durante o período do Cristianismo primitivo, que compreende os séculos I, II, III 
e parte do IV, os primeiros cristãos viveram sob o Império Romano e deram 
continuidade à obra de Jesus Cristo, fundando a Igreja e promovendo comunidades 
cristãs em todo o mundo. Esse período é caracterizado pela expansão do Cristianismo, 
apesar da oposição de líderes religiosos e do próprio Império Romano. 
Os primeiros cristãos enfrentaram perseguições e dificuldades em sua missão de 
propagar a mensagem de Jesus Cristo. Apesar disso, a religião se espalhou por todo 
o Império Romano, ganhando cada vez mais adeptos. As comunidades cristãs eram 
formadas por pessoas de diferentes classes sociais, e possuíam uma organização 
própria, com líderes religiosos e regras de conduta que buscavam seguir os 
ensinamentos de Jesus. (GONZALEZ, 2011) 
No final do século III, o Imperador Constantino se converteu ao Cristianismo e, a 
partir daí, a religião passou a ser tolerada e até mesmo incentivada pelo Estado 
romano. Em 325 d.C., ocorreu a abertura do Concílio de Niceia, que marcou o início 
de uma nova fase na história do Cristianismo, conhecida como a Idade Média. 
Nesse período, o Cristianismo se consolidou como a religião oficial do Império 
Romano e se tornou uma das principais forças políticas e culturais da Europa. A Igreja 
Católica passou a desempenhar um papel central na vida das pessoas, influenciando 
não só a religiosidade, mas também a política, a economia e a cultura em geral. 
Em resumo, o Cristianismo primitivo foi um período marcado pela expansão e 
consolidação do Cristianismo, apesar das perseguições e dificuldades enfrentadas 
pelos primeiros cristãos. Esse período foi fundamental para a formação da Igreja e 
para a propagação da mensagem de Jesus Cristo, que continua a ser seguida por 
Cristianismo | 
O Cristianismo Primitivo 
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milhões de pessoas em todo o mundo até os dias de hoje. 
O Cristianismo, uma das religiões mais influentes do mundo, teve sua origem na 
Palestina do século I, onde Jesus Cristo, Pedro e Paulo foram figuras fundamentais na 
sua fundação e disseminação. Para entendermos melhor esse contexto, é necessário 
conhecer as circunstâncias históricas e geográficas em que o Cristianismo surgiu e se 
desenvolveu. 
A Palestina, onde ocorreu a primeira aparição do Cristianismo, estava sob o 
domínio do Império Romano desde o ano 63 a.C., quando foi conquistada pelo 
general romano Pompeu. No período em que Jesus viveu, a região era governada por 
Herodes, um rei judeu nomeado por Roma. A Palestina era uma região periférica do 
Império Romano, com pouca importância econômica e política. A sociedade era 
dividida em classes, com uma pequena elite dominante e uma grande massa de 
camponeses e trabalhadores pobres. O povo judeu era monoteísta e a religião judaica 
era a principal referência cultural e religiosa da região. 
Foi nesse contexto que Jesus nasceu e iniciou seu ministério. Ele foi um pregador 
e líder religioso que percorreu a Palestina, ensinando a mensagem de amor e justiça 
de Deus. Ele atraiu uma grande quantidade de seguidores, que o reconheciam como 
o Messias, o salvador prometido pelo Deus de Israel. Jesus foi executado pelos 
romanos em Jerusalém, no ano 30 ou 33 d.C., acusado de sedição e blasfêmia. 
Após a morte de Jesus, seus seguidores continuaram a pregar sua mensagem e 
formaram uma comunidade religiosa. Pedro, um dos discípulos de Jesus, se tornou o 
líder dessa comunidade. Paulo, um judeu convertido ao Cristianismo, foi um dos mais 
importantes missionários e pregadores do Evangelho. Ele viajou por várias regiões do 
Império Romano, fundando comunidades cristãs e escrevendo cartas que se tornaram 
parte do Novo Testamento. Os apóstolos, doze discípulos escolhidos por Jesus, 
também tiveram um papel importante na disseminação do Cristianismo. (ENGELS e 
LUXEMBURGO, 2011) 
O Cristianismo primitivo, como ficou conhecido esse período, foi marcado pela 
perseguição aos cristãos por parte das autoridades romanas, que consideravam a 
nova religião como uma ameaça ao império e à ordem estabelecida. Apesar das 
perseguições, o Cristianismo continuou a crescer, atraindo cada vez mais adeptos. 
Entre os séculos I e IV, o Cristianismo passou por uma série de transformações e 
debates teológicos. As primeiras comunidades cristãs se organizaram em torno de 
líderes locais, como bispos e presbíteros. Surgiram divergências entre essas 
Cristianismo | 
O Cristianismo Primitivo 
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comunidades, especialmente em relação à natureza de Jesus e à sua relação com Deus. 
Esses debates culminaram na convocação de concílios, como o Concílio de Niceia, em 
325 d.C., que definiu os dogmas e a organização da Igreja. 
A disseminação do cristianismo primitivo não foi um processo fácil e foi muitas 
vezes marcado por perseguições e conflitos com outras religiões e sistemas políticos 
da época. Ainda assim, o movimento conseguiu se expandir e se consolidar como uma 
das principais religiões do mundo, com mais de 2 bilhões de seguidores em todo o 
planeta. 
Para entender melhor a origem e os primeiros passos do cristianismo primitivo, 
é importante examinar o contexto histórico e geográfico em que ele surgiu, bem como 
as figuras centrais envolvidas em sua fundação. Como já mencionado, a Palestina do 
século I era uma região dominada pelo Império Romano, que havia conquistado a 
região em 63 a.C. Embora os judeus mantivessem sua identidade cultural e religiosa, 
não havia mais um Estado judaico independente desde a tomada de Jerusalém por 
Pompeu. Além disso, a região era vista com desdém pelos romanos, que a 
consideravam culturalmente atrasada e pouco importante. 
Foi nesse contexto que Jesus Cristo surgiu e começou a pregar sua mensagem 
de amor, justiça e salvação. Embora haja divergências entre os estudiosos sobre a vida 
e a obra de Jesus, é amplamente aceito que ele nasceu na região da Judeia por volta 
do ano 4 a.C. e começou a pregar por volta dos 30 anos. Jesus atraiu um grande 
número de seguidores, que acreditavam em sua mensagem de que o Reino de Deus 
estava próximo e que todos deveriam se arrepender de seus pecados para serem 
salvos. (GONZALEZ, 2011) 
Entre os seguidores mais próximos de Jesus estavam seus discípulos, incluindo 
Pedro e Paulo. Pedro era um pescador da Galileia que se tornou o principal líder dos 
discípulos após a crucificação de Jesus. Paulo, por sua vez, inicialmente perseguiu os 
cristãos, mas depois se converteu após uma visão de Jesus ressuscitado e se tornou 
um dos principais líderes da Igreja primitiva. Ambos desempenharam um papel 
fundamental na difusão do cristianismo primitivo, fundando comunidades cristãs em 
várias partes do mundo romano. 
Pedro, também conhecido como Simão, foi um dos discípulos mais próximos de 
Jesus e considerado um dos líderes da Igreja Primitiva. Ele era pescador e foi chamado 
por Jesus para ser um de seus seguidores. Durante a vida de Jesus, Pedro teve 
momentos de fé forte, mas também negou Jesus três vezes, conforme registrado nos 
Evangelhos. Após a ressurreição de Jesus, Pedro tornou-se uma figura central na Igreja 
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Primitiva e pregou o evangelho em muitos lugares, incluindo a Palestina, a Ásia Menor 
e Roma. Ele foi considerado o primeiro bispo de Roma e é considerado pelos católicos 
romanos como o primeiro papa. Pedro foi martirizado em Roma durante a 
perseguição de Nero, por volta de 64 d.C., e muitas tradições afirmam que foi 
crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido. 
Paulo, também conhecido como Saulo de Tarso, era originalmente um 
perseguidor dos cristãos, mas teve uma experiência de conversão após uma visão de 
Jesus Cristo. Ele tornou-se um ardente defensor da fé cristã e pregou o evangelho em 
muitos lugares, incluindo a Ásia Menor, a Gréciae Roma. Paulo escreveu muitas cartas 
que se tornaram parte do Novo Testamento e que oferecem importantes orientações 
teológicas e práticas para a Igreja Primitiva. Ele foi preso em várias ocasiões por sua 
pregação e, segundo a tradição, foi martirizado em Roma durante a perseguição de 
Nero. 
Embora Pedro e Paulo tenham trabalhado juntos em algumas ocasiões, eles 
tiveram algumas divergências teológicas. Por exemplo, a carta de Paulo aos Gálatas 
descreve um conflito com Pedro sobre o papel da lei judaica na vida cristã. Apesar 
dessas diferenças, ambos foram figuras importantes na formação da Igreja Primitiva e 
na disseminação do cristianismo. 
Além disso, suas mortes também tiveram um impacto significativo na história da 
Igreja. A morte de Pedro em Roma e a subsequente tradição de sua liderança da Igreja 
de Roma ajudaram a estabelecer Roma como um centro importante do cristianismo 
primitivo. A morte de Paulo em Roma também teve um impacto significativo, já que 
ele era uma das figuras mais importantes da Igreja e suas cartas se tornaram uma 
parte fundamental do Novo Testamento. 
Em resumo, Pedro e Paulo são duas figuras importantes do Cristianismo 
primitivo, que desempenharam um papel fundamental na disseminação da fé cristã e 
ajudaram a estabelecer as bases teológicas e práticas da Igreja Primitiva. 
A disseminação do cristianismo primitivo não foi um processo linear, e foi muitas 
vezes marcada por conflitos e perseguições. A religião cristã era vista com 
desconfiança pelas autoridades romanas, que viam nela uma ameaça à estabilidade 
política e social do Império. Muitos cristãos foram perseguidos, presos e executados, 
incluindo Pedro e Paulo, que foram mortos durante o reinado do imperador Nero. 
Apesar dessas dificuldades, o cristianismo primitivo conseguiu sobreviver e se 
expandir. A partir do século IV, tornou-se a religião oficial do Império Romano, e a 
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Igreja Católica se tornou uma das instituições mais poderosas e influentes do mundo 
ocidental. Hoje, o cristianismo é a religião com mais seguidores em todo o mundo e 
continua a exercer um impacto significativo na cultura e na sociedade em todo o 
mundo. 
O contexto histórico e geográfico da época em que o cristianismo teve suas 
primeiras aparições é fundamental para entender como a religião se desenvolveu. A 
Palestina estava sob domínio romano desde 63 a.C., e a religião judaica era uma das 
religiões que coexistiam na região. A religião judaica, no entanto, tinha uma relação 
complexa com o Império Romano. A região era governada por um rei judeu, que 
exercia o poder com o aval dos romanos, e havia uma tensão constante entre a 
liderança judaica e o domínio romano. (GONZALEZ, 2011) 
Foi nesse contexto que Jesus nasceu e iniciou seu ministério. Ele pregou a 
mensagem do Reino de Deus e reuniu seguidores que se tornariam seus discípulos. 
Ele foi crucificado pelos romanos sob a acusação de sedição, mas seus ensinamentos 
continuaram a ser propagados pelos discípulos, que acreditavam que ele havia 
ressuscitado dos mortos. 
O cristianismo primitivo se desenvolveu em meio a um contexto de tensão entre 
os seguidores de Jesus e as autoridades romanas. Os primeiros cristãos eram 
frequentemente perseguidos e muitos foram martirizados por sua fé. No entanto, a 
religião continuou a crescer, e com o tempo se tornaria a religião oficial do Império 
Romano sob o imperador Constantino. 
Em resumo, a origem do cristianismo se deu na Palestina no século I, tendo sido 
fundado por Jesus e seus discípulos, notadamente Pedro e Paulo. A religião se 
desenvolveu em meio a um contexto de tensão com as autoridades romanas, e se 
espalhou pelo mundo greco-romano graças ao trabalho dos apóstolos. A 
compreensão do contexto histórico e geográfico é fundamental para entender como 
o cristianismo primitivo se desenvolveu e se tornou a religião que conhecemos hoje. 
Nesse contexto, os primeiros cristãos viveram em um contexto histórico e social 
marcado pela diversidade de culturas, religiões e sistemas políticos. A maioria deles 
era de origem humilde e trabalhava como artesãos, pescadores, agricultores e outros 
ofícios modestos. Essa diversidade social é destacada por Paulo quando ele diz que 
Deus não escolheu muitos sábios, poderosos ou nobres, mas preferiu os fracos, os 
humildes e os menosprezados do mundo para serem seus seguidores (1 Coríntios 
1:26-28). 
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Esses primeiros cristãos foram perseguidos e marginalizados pela sociedade 
romana, que os considerava uma seita perigosa e subversiva. Os cristãos eram 
acusados de ateísmo, já que não adoravam os deuses pagãos, e de canibalismo, já 
que supostamente comiam o corpo e o sangue de Jesus durante a celebração da 
Eucaristia. Além disso, o cristianismo era visto como uma ameaça à ordem social 
estabelecida, já que pregava a igualdade entre os homens e a submissão somente a 
Deus. 
Os primeiros cristãos também enfrentaram conflitos internos. Desde o início, 
houve divergências teológicas e doutrinárias entre os apóstolos e os líderes das 
diversas comunidades cristãs. Por exemplo, Paulo teve que enfrentar a oposição dos 
judeu-cristãos, que acreditavam que a adesão ao cristianismo exigia a observância 
estrita das leis e tradições judaicas, incluindo a circuncisão (Gálatas 2:11-21). 
Apesar dessas dificuldades, o cristianismo cresceu rapidamente, especialmente 
nas cidades cosmopolitas do Império Romano. Os primeiros cristãos eram conhecidos 
por sua solidariedade e generosidade, e muitos pagãos foram atraídos para o 
cristianismo por causa desses valores. Além disso, a mensagem cristã de amor, perdão 
e salvação pessoal era altamente atraente para as pessoas que viviam em um mundo 
violento, injusto e incerto. 
No entanto, a realidade dos primeiros cristãos era complexa e multifacetada. 
Embora a maioria dos cristãos vivesse em comunidades modestas e humildes, alguns 
eram membros da elite social e política. Por exemplo, a mãe de Constantino, o 
primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo, era uma cristã devota, e 
muitos dos primeiros cristãos eram soldados, funcionários públicos ou comerciantes 
ricos. Esses cristãos ricos e influentes muitas vezes se envolviam em conflitos e 
disputas por poder e influência dentro da igreja. 
Ademais, apesar da rápida propagação do cristianismo pelo mundo, o processo 
de desenvolvimento da fé cristã e sua disseminação não foram uniformes, uma vez 
que houve divergências teológicas e políticas que levaram à formação de diferentes 
vertentes cristãs. 
A história do desenvolvimento do cristianismo é extremamente complexa e 
multifacetada, mas podemos identificar alguns marcos importantes. O primeiro deles 
é a vida e obra de Jesus de Nazaré, cuja pregação do Reino de Deus e a convocação 
para a conversão foram o ponto de partida para o movimento cristão. Após a morte 
de Jesus, seus discípulos continuaram a pregar sua mensagem e a formar 
comunidades de fiéis. 
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A vida e obra de Jesus de Nazaré é um tema central para a compreensão do 
desenvolvimento da fé cristã. Jesus foi um judeu que viveu na Palestina no século I 
d.C. e sua pregação do Reino de Deus e a convocação para a conversão foram 
fundamentais para o início do movimento cristão. Ele rejeitou muitos dos 
ensinamentos e práticas do judaísmo contemporâneo e, em vez disso, enfatizou a 
importância do amor e da misericórdia. 
Após a morte de Jesus, seus discípulos continuaram a pregar sua mensagem e a 
formar comunidades de fiéis. Essas comunidades, conhecidas como igrejas, eram 
frequentemente lideradas por um bispo ou presbítero, e tinham como objetivo ensinar 
e praticar os ensinamentos de Jesus. Os primeiros cristãos enfrentaram muitos 
desafios, incluindo perseguição e discriminaçãopor parte do Império Romano e de 
outras religiões. 
No entanto, a fé cristã se espalhou rapidamente durante os primeiros séculos, 
principalmente por meio da pregação dos apóstolos e de seus seguidores. A partir do 
século IV, o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano, o que 
contribuiu significativamente para sua disseminação. 
No entanto, é importante ressaltar que, embora os cristãos compartilhassem a 
mesma fé em Jesus Cristo, havia muitas diferenças entre as comunidades cristãs em 
termos de crenças e práticas. Por exemplo, os cristãos orientais, como os coptas e os 
nestorianos, possuíam crenças distintas daquelas dos cristãos ocidentais, como os 
católicos e os protestantes. 
Além disso, houve muitas disputas e divisões ao longo da história da Igreja, 
incluindo o Cisma do Oriente e do Ocidente em 1054 e a Reforma Protestante no 
século XVI. Mesmo hoje, há muitas denominações cristãs diferentes, cada uma com 
suas próprias tradições e crenças. (VERDETE, 2009) 
Em resumo, o desenvolvimento da fé cristã foi um processo complexo e 
multifacetado, que envolveu a vida e obra de Jesus de Nazaré, a pregação dos 
apóstolos e seus seguidores, e a disseminação por meio de igrejas e comunidades 
cristãs em todo o mundo. Embora houvesse diferenças significativas entre essas 
comunidades, todas compartilhavam a mesma fé em Jesus Cristo como Salvador. 
Um segundo marco importante na história do cristianismo é a conversão do 
imperador romano Constantino, no início do século IV. A partir desse momento, o 
cristianismo deixou de ser uma religião marginal e passou a ser protegido e 
fomentado pelo poder imperial. Esse processo culminou no Concílio de Niceia, em 
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325, que definiu a doutrina da Trindade e estabeleceu a base teológica para o 
cristianismo ortodoxo. 
Outro marco importante na história do cristianismo foi a Reforma Protestante, 
no século XVI, liderada por Martinho Lutero. Esse movimento questionou a autoridade 
da Igreja Católica Romana e promoveu uma volta às escrituras sagradas como a base 
da fé cristã. A Reforma culminou na formação de diversas igrejas protestantes, que se 
espalharam pelo mundo, mas isso é assunto para outra hora, pois estudaremos à 
frente. 
No processo de disseminação do cristianismo pelo mundo, houve diferentes 
formas de propagação. Alguns foram por meio do comércio, como os missionários 
portugueses que levaram a fé cristã às Américas e África, enquanto outros foram por 
meio de conquista militar, como os espanhóis na América Latina. Além disso, houve 
também o trabalho de missionários, como São Francisco Xavier no Japão, que tentou 
converter os japoneses ao cristianismo. 
No entanto, a difusão da fé cristã não foi uniforme, pois houve resistência e 
oposição em muitas partes do mundo. Na Índia, por exemplo, onde havia uma rica 
tradição religiosa e filosófica, o cristianismo enfrentou dificuldades em se estabelecer. 
O mesmo ocorreu em países de tradição islâmica, onde a conversão ao cristianismo 
era vista como uma traição. 
Além disso, a própria diversidade teológica do cristianismo levou à formação de 
diferentes vertentes. As principais são o cristianismo ortodoxo, o catolicismo romano 
e o protestantismo, que possuem diferenças doutrinárias e litúrgicas significativas. 
Mesmo dentro dessas vertentes, há variações e diferenças regionais que tornam a fé 
cristã um fenômeno multifacetado. Em resumo, o desenvolvimento e disseminação do 
cristianismo foram processos complexos e multifacetados, que envolveram fatores 
políticos, sociais e religiosos. 
Essas diferenças teológicas e práticas, muitas vezes relacionadas à interpretação 
das Escrituras, geraram conflitos e divisões entre os cristãos, e foram abordadas em 
concílios ecumênicos como o Concílio de Niceia (325 d.C.), o Concílio de Éfeso (431 
d.C.) e o Concílio de Calcedônia (451 d.C.). Esses concílios procuraram estabelecer uma 
doutrina cristã unificada e reconhecer a autoridade de líderes religiosos como o Papa 
em Roma e o Patriarca de Constantinopla. 
Apesar desses esforços para estabelecer uma ortodoxia cristã, ainda existiam 
muitas diferenças entre as igrejas cristãs ao redor do mundo. Alguns dos fatores que 
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O Cristianismo Primitivo 
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contribuíram para essa diversidade incluem as diferenças culturais, linguísticas e 
políticas entre as diversas regiões do mundo, bem como as diferentes interpretações 
das Escrituras e a influência de filósofos e pensadores locais. Algumas das igrejas 
cristãs que surgiram fora do Império Romano incluem a Igreja Ortodoxa Oriental, a 
Igreja Copta, a Igreja Etíope e a Igreja Armênia. 
Ao longo dos séculos, a fé cristã continuou a se espalhar por todo o mundo, 
influenciando a cultura, a política e a sociedade em muitos lugares. Hoje, existem cerca 
de 2,4 bilhões de cristãos no mundo, pertencentes a várias denominações e tradições 
cristãs. A diversidade teológica e cultural entre esses cristãos continua a ser um tema 
importante de discussão e debate, e muitos esforços estão sendo feitos para 
promover a unidade e a compreensão mútua entre as diversas tradições cristãs. 
De fato, o desenvolvimento da fé cristã foi um processo complexo e que envolveu 
diversos fatores históricos, políticos e culturais ao longo dos séculos. Desde os 
primeiros cristãos até os dias de hoje, houve muitas mudanças na forma como a 
religião foi praticada e interpretada, e a diversidade de crenças e práticas entre os 
cristãos em diferentes épocas e regiões do mundo é notável. 
No início, a propagação da fé cristã era feita principalmente por meio da 
pregação dos apóstolos e seus seguidores. Eles se reuniam em comunidades cristãs, 
que se espalhavam por diferentes regiões do Império Romano, muitas vezes 
enfrentando perseguição e hostilidade das autoridades romanas e da população pagã. 
Através dessas comunidades, a fé cristã se espalhou rapidamente para outras partes 
do mundo, e a mensagem de amor e salvação que Jesus Cristo pregou encontrou 
ressonância em muitos corações. 
Com o tempo, a Igreja cristã começou a se estruturar e a estabelecer suas 
próprias instituições e hierarquia. Em 313 d.C., o imperador Constantino legalizou o 
cristianismo e o tornou a religião oficial do Império Romano, o que permitiu que a 
Igreja se expandisse ainda mais e se tornasse uma instituição poderosa. No entanto, 
essa institucionalização também levou a conflitos internos e disputas teológicas, que 
culminaram em cismas e divisões entre os cristãos. 
Um dos principais cismas na história do cristianismo foi o Cisma do Oriente, em 
1054, que resultou na separação entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja 
Ortodoxa Oriental. Mais tarde, no século XVI, ocorreu a Reforma Protestante, liderada 
por figuras como Martinho Lutero e João Calvino, que questionaram a autoridade e a 
doutrina da Igreja Católica e iniciaram novas correntes religiosas, como o luteranismo 
e o calvinismo. (VERDETE, 2009) 
Cristianismo | 
A Igreja na Idade Média 
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Hoje em dia, existem muitas denominações cristãs diferentes, cada uma com suas 
próprias tradições e interpretações teológicas. Algumas das principais denominações 
são a Igreja Católica, a Igreja Ortodoxa, as igrejas protestantes, como os batistas, 
presbiterianos e metodistas, e as igrejas pentecostais e carismáticas. 
Apesar das diferenças entre as denominações, todos os cristãos acreditam em 
Jesus Cristo como o Filho de Deus e o Salvador do mundo. Eles seguem seus 
ensinamentos e procuram seguir seu exemplo de amor e compaixão. Embora haja 
diferenças na interpretação da Bíblia e na prática religiosa, a fé cristã é baseada em 
valores comuns, como a bondade, a justiça e o amor ao próximo. 
 
“[...] amar a Deus de todo o meu coração, de todo o meu 
entendimento e com todas as forças, e amar o próximocomo a 
mim mesmo, é mais importante do que oferecer toda espécie de 
sacrifícios e ofertas.” (MARCOS 12: 33) 
 
5 A Igreja na Idade Média 
A Idade Média, também conhecida como período medieval, foi um período da 
história que se estendeu aproximadamente entre os séculos V e XV. Durante essa 
época, o cristianismo se tornou a religião dominante na Europa Ocidental e 
influenciou profundamente a cultura e a sociedade da região. Neste texto, 
discutiremos o contexto histórico do cristianismo na Idade Média e as mudanças 
sociais que ocorreram durante esse período. 
O cristianismo desempenhou um papel fundamental na história da Idade Média, 
influenciando as instituições sociais, a cultura e a política da época. A Igreja Católica 
Romana era a instituição religiosa mais poderosa e influente da época, tendo se 
tornado uma força política importante na Europa Ocidental. A hierarquia da igreja 
incluía o Papa, os bispos, os padres e os monges, cada um com um papel importante 
na vida religiosa e social da época. 
Durante a Idade Média, a Igreja Católica Romana desempenhou um papel 
fundamental na organização da sociedade. Por exemplo, as catedrais e as igrejas 
serviam como centros de educação, cultura e arte, além de fornecerem assistência 
social aos pobres e necessitados. Além disso, a Igreja Católica Romana estabeleceu 
um sistema legal e judicial para resolver disputas e crimes entre os membros da 
Cristianismo | 
A Igreja na Idade Média 
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sociedade. 
No entanto, nem todos os aspectos do cristianismo na Idade Média eram 
positivos. A igreja frequentemente usava sua influência política e religiosa para 
controlar a sociedade e limitar a liberdade individual. Além disso, a igreja 
frequentemente usava a ameaça de punição eterna para manter os fiéis sob controle 
e promover sua agenda política. 
Ao longo da Idade Média, houve mudanças significativas na sociedade e na 
economia que afetaram a posição e o papel da Igreja Católica Romana. Por exemplo, 
o crescimento do comércio e do artesanato no final do período medieval levou ao 
surgimento de uma nova classe social, a burguesia. Essa classe emergente desafiou a 
hegemonia da nobreza e da Igreja Católica Romana, o que levou a conflitos e disputas 
em toda a Europa. 
Além disso, o Renascimento, que começou no século XIV, trouxe uma nova onda 
de pensamento crítico e humanismo à Europa. Os artistas, cientistas e filósofos do 
Renascimento desafiaram a autoridade da igreja e exploraram novas ideias sobre a 
natureza humana e o universo. 
Também durante a Idade Média, houve uma série de reformas na igreja, incluindo 
o movimento reformista monástico liderado por São Bento e o movimento franciscano 
liderado por São Francisco de Assis. Essas reformas buscavam combater a corrupção 
e o luxo excessivo dentro da igreja e promover uma vida mais simples e ascética. Em 
resumo, a Idade Média foi um período de grande importância na história do 
cristianismo e da Europa Ocidental. 
O contexto histórico da Idade Média foi caracterizado por mudanças 
significativas nas estruturas sociais, políticas e econômicas da época. A partir do século 
V, com as invasões bárbaras e a queda do Império Romano do Ocidente, houve uma 
fragmentação política na Europa. Com isso, as instituições romanas foram 
gradualmente substituídas por estruturas feudais, baseadas no controle de terras e na 
lealdade pessoal entre senhores e vassalos. (BOUDIN, 2012) 
Além disso, o período foi marcado por grandes transformações sociais, como o 
crescimento das cidades e a emergência de uma nova classe social, a burguesia. A 
economia feudal baseada na agricultura cedeu lugar para uma economia de comércio 
e manufatura, o que possibilitou o surgimento de novas atividades econômicas e 
maior mobilidade social. 
Nesse contexto, a Igreja Católica desempenhou um papel importante na 
Cristianismo | 
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manutenção da ordem social e política. A igreja era responsável por oferecer 
assistência espiritual às pessoas, além de prestar serviços sociais e educacionais. Ela 
também exerceu influência política, sendo um dos principais poderes institucionais na 
época. Os papas tinham grande autoridade, não apenas dentro da Igreja, mas também 
na sociedade em geral. Muitas vezes, eles atuavam como mediadores em conflitos 
políticos e religiosos, e a Igreja era frequentemente convocada para resolver disputas 
entre senhores feudais. 
Durante a Idade Média, houve também grandes mudanças no próprio 
cristianismo. O período foi marcado por debates teológicos, controvérsias e cismas 
dentro da Igreja Católica. Um dos episódios mais marcantes foi a separação entre a 
Igreja do Oriente e a Igreja do Ocidente, que culminou no Grande Cisma do Oriente, 
em 1054. Outra disputa importante foi a Reforma Gregoriana, liderada pelo papa 
Gregório VII no século XI, que buscou reformar a igreja e combater a simonia e o 
nicolaísmo. (BOUDIN, 2012) 
Além disso, a Idade Média viu o surgimento de diversas ordens religiosas, como 
os beneditinos, os franciscanos e os dominicanos, que desempenharam um papel 
importante na expansão do cristianismo pelo mundo. Essas ordens se dedicavam à 
pregação, ao ensino, à assistência social e à conversão de não-cristãos. Eles se 
espalharam por toda a Europa, mas também chegaram a outras partes do mundo, 
como a África e a América Latina. 
Em resumo, o contexto histórico do cristianismo na Idade Média foi marcado por 
mudanças significativas nas estruturas sociais, políticas e econômicas da época, bem 
como por mudanças e controvérsias dentro da própria Igreja Católica. 
Outro aspecto que impactou profundamente o contexto histórico do cristianismo 
na Idade Média foi a expansão do Islã, que surgiu no século VII e se espalhou 
rapidamente pelo Oriente Médio e Norte da África. Com a conquista árabe da Síria, 
Palestina e Egito, a Igreja perdeu sua posição privilegiada e muitas igrejas e mosteiros 
foram convertidos em mesquitas. Além disso, as Cruzadas, que ocorreram entre os 
séculos XI e XIII, foram uma resposta da Igreja Católica à expansão islâmica, e tiveram 
impacto significativo na Europa Ocidental, com a abertura de rotas comerciais e 
culturais entre o Oriente e o Ocidente. 
Nesse contexto de mudanças sociais e religiosas, o cristianismo também passou 
por transformações significativas na Idade Média. A Igreja Católica se consolidou 
como uma das principais instituições da Europa, detendo grande poder político e 
econômico. A religião era um aspecto central da vida das pessoas, e as práticas 
Cristianismo | 
A Igreja na Idade Média 
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religiosas e a devoção aos santos eram uma parte fundamental da cultura popular. 
Porém, a Igreja também enfrentou desafios internos, como o cisma do Oriente, 
que dividiu a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Ortodoxa no Oriente. 
Além disso, a Reforma Protestante, iniciada no século XVI, trouxe uma série de 
mudanças na doutrina e nas práticas religiosas, e levou à criação de novas igrejas e à 
fragmentação do cristianismo ocidental. 
Em resumo, o contexto histórico do cristianismo na Idade Média foi marcado por 
profundas mudanças sociais, religiosas e políticas. O cristianismo se desenvolveu a 
partir de uma religião minoritária no Império Romano, e se tornou a religião 
dominante da Europa Ocidental. No entanto, a Igreja enfrentou desafios internos e 
externos ao longo desse período, e passou por transformações significativas que 
moldaram a história do cristianismo até os dias de hoje. 
Desde seus primórdios, a Igreja Cristã desenvolveu uma hierarquia para sua 
organização e administração. A palavra "hierarquia" vem do grego "hierarchia", que 
significa "governo sagrado". A hierarquia eclesiástica consiste em uma série de cargos 
e funções que se concentram em torno do bispo, que é o líder de uma diocese. Essa 
hierarquia inclui papas,cardeais, bispos, padres e diáconos, cada um com suas funções 
e responsabilidades específicas. (BOUDIN, 2012) 
A hierarquia da Igreja Católica tem suas origens no Novo Testamento, onde Jesus 
Cristo escolheu seus apóstolos para liderar sua Igreja. O papel de liderança foi dado a 
São Pedro, a quem Jesus deu a responsabilidade de ser o "rocha" sobre a qual a Igreja 
seria construída. Pedro se tornou o primeiro bispo de Roma e, posteriormente, o 
primeiro papa da Igreja Católica. 
Ao longo dos séculos, a hierarquia eclesiástica evoluiu e mudou, especialmente 
durante a Idade Média, período que se estendeu do século V ao século XV. Durante 
esse período, a Igreja Católica tornou-se uma das instituições mais poderosas e 
influentes da Europa. O Papa, como líder da Igreja, exerceu grande autoridade política 
e religiosa, tendo uma enorme influência sobre a sociedade e a política europeia. 
A hierarquia eclesiástica da Idade Média era altamente estratificada e hierárquica. 
O Papa era o líder máximo da Igreja Católica e exercia grande autoridade sobre bispos 
e clérigos. Os bispos eram responsáveis por liderar as dioceses, e os padres eram 
responsáveis por liderar as paróquias. Além disso, havia os diáconos, que ajudavam 
os padres nas suas funções e os subdiáconos, que auxiliavam os diáconos. 
Durante a Idade Média, a hierarquia eclesiástica também incluía os monges e os 
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frades, que viviam em comunidades religiosas. Esses homens eram responsáveis pela 
oração e pela contemplação, além de fornecer assistência aos necessitados. Eles eram 
liderados por abades e priores. 
A hierarquia eclesiástica da Idade Média era complexa e altamente organizada. 
A Igreja Católica controlava uma grande parte das terras europeias, e seus líderes 
exerciam um grande poder político e religioso. No entanto, essa hierarquia também 
era vulnerável à corrupção e ao abuso de poder. (BOUDIN, 2012) 
Durante a Idade Média, a Igreja Católica enfrentou muitos desafios e mudanças. 
A Reforma Protestante do século XVI, liderada por Martinho Lutero, questionou a 
autoridade da Igreja e levou à criação de muitas denominações cristãs. A Igreja 
Católica também enfrentou o desafio do Iluminismo do século XVIII, que promoveu o 
pensamento científico e racional em vez da autoridade da Igreja. 
Hoje, a hierarquia eclesiástica da Igreja Católica é composta por várias ordens 
distintas, cada uma com suas funções e responsabilidades específicas. No topo da 
hierarquia está o Papa, seguido pelos cardeais, arcebispos, bispos e padres. Cada um 
desses cargos tem suas próprias funções, que variam desde a administração de uma 
paróquia até a liderança de toda a Igreja. 
O Papa é considerado o líder espiritual da Igreja Católica, o sucessor de São Pedro 
e o Vigário de Cristo na Terra. É responsável pela governança da Igreja como um todo 
e tem autoridade sobre todos os outros cargos na hierarquia. O colégio dos cardeais, 
por sua vez, é responsável por aconselhar e apoiar o Papa em suas funções. 
A posição de cardeal é geralmente concedida a bispos e arcebispos que se 
destacam por seu serviço à Igreja e por sua liderança em suas dioceses. Eles são 
responsáveis por ajudar o Papa a governar a Igreja e, em alguns casos, são escolhidos 
para suceder o Papa como líder da Igreja. 
A posição de arcebispo é geralmente concedida a bispos que lideram dioceses 
importantes ou que têm uma posição de liderança em uma região geográfica 
específica. Os bispos, por sua vez, lideram dioceses menores e são responsáveis por 
administrar e liderar as paróquias em sua jurisdição. 
Os padres, por fim, são responsáveis por liderar e administrar as paróquias da 
Igreja. Eles são ordenados para o ministério sacerdotal após um longo período de 
estudo e formação e são responsáveis por oferecer os sacramentos, pregar o 
evangelho e liderar a comunidade da Igreja em sua área. 
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A Igreja na Idade Média 
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No entanto, a hierarquia eclesiástica nem sempre foi tão estruturada como é hoje 
em dia. Na Idade Média, a Igreja Católica era muitas vezes vista como uma das 
principais instituições de poder na Europa, com muita influência sobre a política e a 
cultura da época. 
Naquela época, a hierarquia eclesiástica era composta por várias ordens distintas, 
incluindo monges, frades e outros clérigos que trabalhavam em várias funções em 
toda a Igreja. Os monges, por exemplo, viviam em mosteiros e eram responsáveis por 
trabalhos manuais e intelectuais, como copiar manuscritos e produzir alimentos para 
a comunidade. 
Os frades, por sua vez, eram membros de ordens religiosas que trabalhavam nas 
comunidades, pregando o evangelho e oferecendo serviços de caridade. Eles também 
tinham um papel importante na educação e na produção de livros e outros materiais 
religiosos. 
Ao longo do tempo, a hierarquia eclesiástica mudou e evoluiu, mas a Igreja 
Católica permaneceu uma das principais instituições de poder na Europa e em todo o 
mundo. A hierarquia eclesiástica da Igreja continua a evoluir e mudar, mas a Igreja 
permanece uma das principais vozes morais e espirituais do mundo. Através dos 
tempos, a hierarquia da Igreja tem desempenhado um papel importante na 
organização e direção da Igreja. A hierarquia é composta por bispos, padres e 
diáconos, cada um com suas funções e responsabilidades específicas. A hierarquia 
eclesiástica da Igreja na Idade Média foi extremamente influente e moldou a 
sociedade e a cultura da época. (BOUDIN, 2012) 
A hierarquia na Idade Média foi composta por papas, bispos, arcebispos, padres 
e monges. O papa era o líder máximo da Igreja, tendo poderes espirituais e temporais. 
Os bispos e arcebispos eram responsáveis por governar dioceses e arquidioceses, 
respectivamente. Os padres e monges eram responsáveis pela realização de 
sacramentos e pregação do Evangelho. 
A hierarquia eclesiástica da Idade Média exerceu grande influência sobre a 
sociedade medieval, já que a Igreja era a principal instituição em muitos aspectos da 
vida, desde a educação até a assistência aos pobres. A Igreja possuía vastas 
propriedades e recursos, controlando grande parte da riqueza e da terra do período. 
Além disso, a Igreja exercia uma grande influência sobre as decisões políticas e sociais 
da época. 
No entanto, a hierarquia da Igreja na Idade Média não estava isenta de corrupção 
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e abusos de poder. O papado foi muitas vezes objeto de disputas políticas e o poder 
da Igreja foi frequentemente mal utilizado em benefício próprio. As cruzadas e a 
Inquisição são exemplos de momentos em que a hierarquia da Igreja na Idade Média 
agiu com violência e crueldade. 
Apesar das falhas da hierarquia eclesiástica na Idade Média, a Igreja continuou a 
desempenhar um papel importante na sociedade e na história europeia. A Reforma 
Protestante do século XVI trouxe mudanças significativas na estrutura da Igreja, mas 
a hierarquia e a influência da Igreja Católica permanecem até os dias atuais. 
 
5.1 Guerras Santas e Cruzadas 
Durante a Idade Média, a Europa Ocidental viveu uma época de intensa devoção 
religiosa, especialmente no cristianismo. Em meio a essa fervorosa atmosfera, surgiu 
um fenômeno que marcaria profundamente a história do continente: as guerras santas 
e cruzadas. 
As guerras santas, também conhecidas como "jihads" no islamismo, são conflitos 
armados que têm como objetivo defender ou expandir o território e a fé religiosa de 
uma determinada comunidade. Já as cruzadas foram expedições militares organizadas 
pela Igreja Católica com o intuito de reconquistar a Terra Santa (Jerusalém e regiões 
adjacentes) das mãos dos muçulmanos. 
O contexto social e religioso da época das cruzadas era extremamente complexo 
e marcado por tensões. Em primeiro lugar, havia o fato de que Jerusalém, considerada

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