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150 Elvino Barros, Helena M. T. Barros & Cols. e aumentando a secreção de insulina em presença de glicose. O emprego da glibenclamida (gliburida) para tratamento do DM2 em idosos tem sido desen- corajado, porque há incidência duas vezes maior chance de hipoglicemia em idosos tratados, cuja capacidade de resposta dos receptores ~-adrenérgicos a níveis baixos de glicemia está reduzida. Considerando-se o comprometimento significativo da função renal pelo envelhecimento, a glipizida, metabolizada primariamente pelo fígado, é a sulfonilureia de escolha para emprego no ido- so. Embora a metformina, único representante das biguanidas com utilidade clínica, ofereça algumas vantagens sobre as sulfonilureias, como a ausência de hipoglicemia e de aumento de peso, a sua excreção predominantemente renal exige monitoração dessa função. A comparação entre tiazolidinedionas, rosiglitazona e pioglitazona no tratamento do DM2 em idosos demonstra au- mento da mortalidade por todas as causas citadas e pela incidência de insufi- ciência cardíaca congestiva nos pacientes tratados com rosiglitazona. PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTO AOS IDOSOS A prescrição para os idosos deve levar em conta os 5 "Is'' fundamentais da medicina geriátrica: iatrogenia, incontinência, imobilidade, instabilidade e quedas, insuficiência cognitiva. latrogenia - Como preceito, os idosos apresentam mais iatrogenia do que adultos e jovens, e sempre deve ser considerado esse risco, principalmente em pacientes ambulatoriais que se apresentam com um novo quadro agudo. Após o diagnóstico de uma reação adversa e a retirada do agente causal, o paciente sonolento, hiperativo, anorético, incontinente ou deprimido pode ter recuperação rápida desses comportamentos. Quanto mais curta é a meia-vida do fármaco, mais rapidamente o paciente se recupera. Incontinência - A urinária é mais frequente do que a fecal. Antagonistas a-adre- nérgicos, antipsicóticos e benzodiazepínicos diminuem a pressão ureteral, au- mentando a fuga de urina em pequenos jatos, também conhecida como incon- tinência por estresse. Parassimpáticomiméticos, antidepressivos e reposição hormonal aumentam a atividade do detrussor, aumentando a incontinência por urgência (ou imperiosidade). Anticolinérgicos, antiparkinsonianos e anta- gonistas a-adrenérgicos ocasionam esvaziamento incompleto da bexiga com incontinência por extravasamento. Prazosin (RR 2,5); clozapina ou risperi- dona-300/o dos pacientes; benzodiazepínicos (OR=l,44); inibidores seletivos da recaptação da serotonina (RR = 1, 72); reposição com estrógenos oral ou transdér1nico (RR> 1,5). O uso de diuréticos, que poderia ocasionar aumento das chances de incontinência por urgência, tem efeito equívoco, não podendo ser responsabilizados por incontinência urinária. Instabilidade e quedas - Depressores do sistema nervoso central, como bebi- das alcoólicas, benzodiazepínicos e antidepressivos, podem aumentar a chan- ce de quedas, enquanto os antipsicóticos e a metoclopramida induzem rigidez motora em quadros de parkinsonismo. Hipotensão ortostática por antipsicóti- cos, antidepressivos ou agentes cardivasculares e dipiridamol também podem ser motivo de quedas.