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TROMBOSE VENOSA PROFUNDA INTRODUÇÃO A maioria das doenças venosas ou linfáticas cursam com edema, porque é uma doença da dificuldade de retorno venoso. Diferente da doença arterial, que na maioria das vezes não dá edema, mas sim tem dificuldade de acesso do sangue, de modo a gerar isquemia do membro (membro pálido, as vezes cianótico...). Ambos os casos podem cursar com sinais flogisticas CONCEITO: Doença que se caracteriza pela formação aguda (nos primeiros 15 dias, depois disso é crônica) de trombos em veias profundas dos membros inferiores (podem ocorrer em MMSS e em seios cerebrais) POR QUE VEIAS PROFUNDAS? Por que elas são responsáveis por 90% da drenagem venosa dos MMII EPIDEMIOLOGIA Acomete 5M de pessoas por ano nos EUA Ocorre embolia pulmonar em 10% dos casos de TVP (500k/ano) Embolia pulmonar é fatal em 10% das situações (50k/ano) Embolia pulmonar é responsável por pelo menos 15% dos óbitos hospitalares, qualquer que tenha sido a causa da internação. Diminuição do fluxo Agregação plaquetária Aderência do trombo a parede O trombo cresce em camadas (tipo casca de cebola, de forma que o núcleo do trombo é sempre mais organizado) - Quem emboliza é a cauda do trombo (desosrganizada) Tto com HEPARINA, anticoagulante, para impedir que o trombo progrida proximalmente, impedindo que a cauda do trombo embolize e vá para o pulmão provocando a embolia pulmonar Não é obrigado todo o coágulo se soltar e ir para o pulmão FATORES DE RISCO Idade > 40 anos Obesidade/ Sedentarismo Varizes Estrógeno/ ACO / Reposição hormonal Imobilização/ Paralisia Trauma Quimioterapia Gravidez/ Puerpério IAM/ ICC Trombofilias Neoplasia Infecção Vasculites/ SAAF Tipo e tempo de anestesia TEV prévio Aumento dos fatores II, VII, VIII, IX, X e XI Diminuição da Antitrombina III Diminuição do plasminogênio Resistencia da secreção da proteína C Hiper-homocisteinemia Síndrome nefrótica Causas genéticas Anticoagulante lúpico Anti-cardiolipina Policitemia vera TROMBOGÊNESE Desequilíbrio na tríade de Virchow: Para que o sangue seja líquido é preciso que o epitélio esteja íntegro, que o sangue esteja em movimento, e a cascata de coagulação esteja normal Estase sanguínea Alteração da coagulação Lesão endotelial Ocorre: CLASSIFICAÇÃO DA TVP PROXIMAL: veias poplíteas, femorais, ilíacas e cava. (Do joelho pra cima) DISTAL: apenas veias da perna (infra-poplíteas) Mais benigna, Tromboliza menos e produz menos repercurssão clínica PROXIMAL/DISTAL: envolve veias proximais e distais. Repercussão clínica bem maior TROMBOSE VENOSA PROFUNDA DIAGNÓSTICO CLÍNICO SINTOMAS Taquicardia, febre, mal-estar Dor (sintoma mais frequente) => panturrilha . Edema (empastamento da panturrilha) Temperatura (calor local) Circulação colateral - tentando compensar e encontrar um caminho para drenar a perna Palidez - isquemia Cianose EXAME FÍSICO Veias dilatadas superficiais (Sinal de Pratzz) Cianose (Phlegmasia cerulea dolens) Palidez (Phlegmasia alba dolens) Edema subcutâneo (Sinal de Godê ou Cacifo) Edema muscular (Sinal da Bandeira) (quando a perna está estendida, é para ela ser flácida, mas nesse caso ela não é, a panturrilha está dura, empastada) Dor a palpação muscular (Sinal de Moses): É uma dor intensa) - característico Dor a dorsoflexão passiva do pé (S. Homans): Ao levantar o pé em direção ao joelho refere muita dor - característico Dor excruciante, cianose intensa, hipotermia Membro tenso Pulsos arteriais ausentes (85%) e até Gangrena (55%) (como na imagem abaixo) Bolhas sero-hemorrágicas Choque (35%) Embolia pulmonar (22%) o Morte (32%) É uma emergência CIRÚRGICA! MÉTODOS AUXILIARES NO DIAGNÓSTICO O diagnóstico é clínico - doença muito grave! PEDIMOS UM DOPPLER APENAS PARA CONFIRMAR O DIAGNÓSTICO OU OBSERVAR A EXTENSÃO DA TROMBOSE NÃO ESPERAR O EXAME PARA COMEÇAR A TRATAR! MÉTODOS NÃO INVASIVOS: ULTRASSOM MODO B (JÁ SUFICIENTE): Imagem preto-branco em tempo real PESQUISA DA COMPRESSÃO VENOSA: Comprime a veia com o transdutor e se ela colabar é por que não tem trombo, mas se não colabar é por que tem trombo DUPLEX SCAN OU ECO-DOPPLER (DOPPLER PULSADO): Tudo que está em movimento fica colorido, permitindo observar o sangue e a ausência dele. Avalia simultaneamente a imagem e as características do fluxo, avaliando melhor o trombo parcial e as veias de calibres mais finos. PHLEGMASIA ALBA DOLENS (INFLAMAÇÃO BRANCA DOLOROSA) TVP ileofemoral Acontece pela repercussão hemodinâmica da trombose, porque ela vai fechar veias muito proximais da perna, o sangue chega ao pé, mas tem muita dificuldade de voltar => isquemia venosa e a pele fica pálida. EMERGÊNCIA CLÍNICA Grande intensidade do edema e da dor Palidez importante devido vasoespasmo Pulsos arteriais diminuídos e, as vezes ausentes. PHLEGMASIA CERULEA DOLENS (INFLAMAÇÃO AZULADA DOLOROSA – GRAVISSIMO E PRECISA DE TTO IMEDIATO): Ocorre em TVP íliofemoral e em TVP de colaterais Obstrução total das veias da extremidade TROMBOSE VENOSA PROFUNDA MÉTODOS SEMI-INVASIVOS: Os abaixo são utilizados quando se tem o diagnóstico da extensão proximal do trombo, já que os exames de cima não seriam bons pelos gases das alças intestinais e do conteúdo intestinal/fecal dificultando a visualização. Punção + contraste ANGIOTOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (cava e ramos) ANGIORRESSONÂNCIA NUCLEAR MAGNÉTICA (cava e ramos) • MÉTODO INVASIVO: FLEBOGRAFIA (PADRÃO-OURO): Falha de enchimento COMO É? Punciona uma veia de extremidade > injeta o contraste > observa a progressão no interior da veia através de métodos hemodinâmicos QUANDO FAZER (peguei informação de material antigo)? Uma paciente que chega com a perna inchada, quente, sem nenhum Sinal, você fez o doppler e não encontrou trombo. Confiamos na clínica e não no doppler, vamos continuar investigando, através da flebografia TTPA normal é em torno de 30. Se com seis horas o TTPA não está 1,5 vez ou 2,5 vezes o valor normal, podemos aumentar. Se o valor do TTPA deu baixo, temos que diminuir o gotejamento; se deu acima tem que aumentar) HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR OU FRACIONADA (USO SUBCUTÂNEO): POSSIBILIDADE DE TRATAR O PACIENTE AMBULATORIALMENTE TIPO MAIS ENCONTRADO Enoxaparina (CLEXANE) na dose única diária quase não se usa e a que usa mais é 1mg/kg de 12/12h NO MERCADO: 20mg, 40mg, 60mg, 80mg, 100mg (tendência de arredondar para o próximo) TEMPO DE HEPARINIZAÇÃO: Duração: 5 a 7 dias. INICIAR HEPARINA CONCOMITANTE COM ANTI- VITAMINA K (Marevan – ANTICOAGULANTE ORAL): Diminui os custos e as complicações (diminui hospitalização) POR QUÊ? O Marevan só começa a fazer efeito 36 a 48 horas após o início do uso, porque ela é uma droga de acúmulo. Nessas primeiras 36-48h, ele tem o efeito hipercoagulante, antes de se tornar anticoagulante, então está errado mandar o paciente para casa, pois nesses primeiros dias ele vai piorar a trombose, podendo fazer embolia pulmonar. Então, pra fazer AVK precisa começar a associar a heparina, seja ela fracionada ou não fracionada. Tem que ter cuidado na alimentação - evitar folhas verdes, carne bovina - que contenham vitamina K FISIOPATOLOGIA: Esse efeito inicial hipercoagulande decorre da inibição da proteína C e S, que fazem parte da cascata de coagulação, que são fatores anticoagulantes naturais, então aumenta a coagulabilidade. SUSPENDER A HEPARINA: Quando o INR estiver entre 2 e 3 por pelo menos 2 dias consecutivos: Suspende a heparina e mantém o Marevan/anticoagulante oral MANTER O USO DO MAREVAN: Conforme a causa e características da TVP. ESSE ANTICOAGULANTE É POUCO USADO AGORA: Mas ainda é usado em pessoas com baixo poder aquisitivo GANGRENA VARFARÍNICA: Início do Marevan sem o Clexane associado: TRATAMENTO DA TVP OBJETIVOS DO SUPORTE CLÍNICO: Aliviar sintomas (Dor, edema e limitação funcional). Coibir a progressão do trombo. Evitar recidivas. Prevenir a embolia pulmonar. Impedir a Insuficiência Venosa Crônica (IVC): Consequência de uma TVP não tratada adequadamente TRATAMENTO CLÍNICO DA TVP HEPARINA COMUM OU NÃO-FRACIONADA (USO CONTÍNUO): (MAIS USADA):INTRAVENOSA (EM BOMBA). Dose de ataque de 80ui/kg em bolus: Cerca de 5000UI em um jovem Manutenção com 18ui/kg/h: Em média 1000 unidades por hora Controle com TTPA a cada 6h: TTPA entre 1,5 e 2,5 vezes o normal TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NOVOS ANTICOAGULANTES (ORAIS): Mais caro - em torno de 300 por mês VANTAGENS: Pode medicar e mandar para casa em trombose distal ou sem muita repercussão hemodinâmica, diminuindo a necessidade de exames (para calcular INR no caso no Marevan) e de hospitalização QUAIS? RIVAROXABAN (Xarelto): Fazer após uma refeição para melhorar sua absorção 15mg de 12/12h por 21 dias 20mg ao dia após o 22º dia Mesma ação da heparina fracionada - inibe o fator Xa DABIGATRAN (Pradaxa): Precisa iniciar 7 dias de anticoagulante com o Clexane e, em seguida, inicia esse NOAC. Inibidor direto da trombina 150mg de 2/2h APIXABAN (Eliquis): Inibidor seletivo do fator Xa 10mg de 12/12h por 7 dias 5mg de 12/12h a seguir EDOXABAN (Lixiana): Inibidor seletivo do fator Xa 60mg ao dia a partir do 7º dia, na primeira semana tem que ser Clexane! Elevar membros, antiinflamatórios, hidratação, meias compressivas. ALGORITMO DE TRATAMENTO DA TVP: TVP DISTAL: 100% vai para tratamento clinico TVP PROXIMAL: Maioria vai para tratamento clinico FLEGMASIA ALBA DOLENS: Pode precisar ir para fibrinolítico FLEGMASIA CERULEA DOLENS: Urgência que a recomendação OFICIAL é para trombectomia, mas também pode ir para fibrinolítico e clinico FASCIOTOMIA (TRATAMENTO ENDOVASCULAR) QUANDO? Paciente com Flegmasia com síndrome compartimental aguda e sofrimento muscular intenso, precisando fazer incisões amplas para liberar essa musculatura EM SEGUIDA: Faz uma trombectomia TROMBECTOMIA (TRATAMENTO ENDOVASCULAR) CATETER DE FOGARTY: Um balão na ponta, com um guia metálico para poder dar torque > Introduz > insufla o balão > puxa e vem o trombo para fora EXPRESSÃO MANUAL PARA EXPULSAR O TROMBOSe não tiver esse cateter, pode ser uma sonda de Foley, ou nasogástrica, lavar com solução de heparina e fazer uma ordenha, para ajudar a quebrar o trombo, empurrando o trombo para ele sair pela incisão TROMBOSE VENOSA PROFUNDA FIBRINOLÍTICOS/ TROMBINOLÍTICO (TRATAMENTO ENDOVASCULAR): QUAIS? Estreptoquinase, Uroquinase e rTPA (mais usado) – ativador tecidual do plasminogênio recombinante COMO? Se liga ao plasminogênio do trombo > ativa a reação metabólica de auto-lise INDICAÇÕES: TVP extensa iliofemoral. Phlegmasia cerúlea dolens - fase aguda até 14 dias. Phlegmasia alba dolens. TVP do segmento axilo-subclávio. OBJETIVOS: Rápida melhora dos sintomas. Prevenção da síndrome pós-trombótica. VIAS DE ACESSO: MEMBROS INFERIORES (MAIS COMUM): Veia poplítea guiada pelo ultrassom | Veia femoral ipsilateral ou contralateral | Veia tibial posterior ou safena parva | Veias braquial, axilar e jugular interna. MEMBROS SUPERIORES: Veia braquial | Veia basílica. A síndrome de Cockett, também conhecida como síndrome de May-Thurner, é uma alteração que acontece quando a veia ilíaca esquerda é comprimida pela artéria ilíaca direita, apertando-a contra a coluna lombar Uma das causas de ter mais trombose na perna esquerda do que na direita IMPLANTE DE FILTRO DE VCI (TRATAMENTO ENDOVASCULAR) É uma exceção Retém trombos >3mm INDICAÇÕES ABSOLUTAS: Contraindicações ao uso de anticoagulantes. AVC recente nos últimos 3 meses. Cirurgia recente no sistema nervoso central (nos últimos seis meses). Doença péptica ativa com sangramento Pós-operatório de cirurgia de grande porte. Varizes de esôfago na vigência de sangramento Complicações hemorrágicas ou dificuldade no controle da anticoagulação. Embolia pulmonar mesmo após anticoagulação Trombo flutuante proximal (COM TEP prévio): Trombo dentro de uma veia proximal INDICAÇÕES RELATIVAS: Pacientes oncológicos com TVP. Trombo flutuante proximal (sem TEP prévia). Profilaxia em cirurgia de grande porte. Politraumatizados. TVP extensa atingindo VCI. Êmbolos sépticos e embolias paradoxais (teve uma trombose venosa e, por consequência, tem um AVE, principalmente quando tem comunicação de câmaras cardíacas, provocando assim complicações arteriais de processos venosas) O filtro consegue reter, pois no meio do fluxo sanguíneo é onde tem a maior velocidade, e o trombo fica nesse meio! E o próprio sistema fibrinolítico do sague dissolve o trombo que ficar preso no filtro! TROMBOSE VENOSA PROFUNDA TÉCNICA DE IMPLANTE: Realização em sala de intervencionismo guiado por USG ou por radioscopia (fluoroscopia) | Ecodoppler venoso prévio dos MMII é obrigatório para observar | Obrigatória a obtenção do termo de consentimento informado O filtro fica abaixo das veias renais! Só em casos específicos coloca acima ex.: trombose alta da VCI, ou trombose da veia gonadal esquerda, ou gestantes COMPLICAÇÕES DA COLOCAÇÃO DO FILTRO: Justifica o uso de filtro removível TROMBOSE DO LOCAL DE PUNÇÃO TROMBOSE DA VEIA CAVA INFERIOR MIGRAÇÃO DO FILTRO PERFURAÇÃO DA PAREDE VENOSA PERFURAÇÃO DE OUTRAS ESTRUTURA EMBOLIA PULMONAR RECORRENTE ABERTURA INCOMPLETA MAL POSICIONAMENTO FRATURA DA ESTRUTURA DO FILTRO