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Tema 4 - Conceitos Básicos Sobre Reparo Tecidual

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Questões resolvidas

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Conceitos básicos sobre reparo tecidual
O conhecimento do processo cicatricial cutâneo e suas complicações, para a elaboração da abordagem
fisioterapêutica ao paciente com lesão cutânea.
Prof.ª Fernanda Seabra Schanuel
1. Itens iniciais
Propósito
A compreensão de todas as fases do processo cicatricial, suas características e eventos, é essencial para a
elaboração do plano terapêutico do fisioterapeuta dermatofuncional, principalmente na intervenção de
cirurgias plásticas e/ou reparadoras.
Objetivos
Reconhecer os principais mecanismos de lesão tecidual e suas complicações.
Identificar as características da resposta celular e vascular da fase inflamatória do reparo.
Analisar os componentes envolvidos na fase proliferativa e remodelamento.
Identificar os processos de fibrose e outras alterações cicatriciais.
Introdução
A cicatrização ou o reparo tecidual garante a formação de um tecido novo, no qual a integridade da pele foi
perdida. Esse processo é dividido didaticamente em 3 fases que se sobrepõem: a inflamatória, a proliferativa e
de remodelamento. 
O entendimento das fases que compõem o processo cicatricial é relevante para o fisioterapeuta traçar as
condutas necessárias para intervenção pertinente a cada fase. Por isso, neste conteúdo, você vai conhecer a
fisiologia de cada fase e da formação de um tecido cicatricial patológico, que necessitará também de
tratamento fisioterapêutico adequado. 
Veremos, também, como alterações cicatriciais podem prejudicar a funcionalidade do tecido, a amplitude de
movimento do paciente e o sucesso de uma cirurgia plástica, por exemplo. 
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1. Mecanismos de lesão tecidual 
Perda da integridade da pele
Alterações na epiderme e/ou derme
A pele é a principal barreira de proteção do nosso organismo contra agentes externos, desempenhando
inúmeras funções, tais como: revestimento de toda a superfície corporal, prevenção contra a perda excessiva
de líquidos e regulação da temperatura corporal.
Quando a pele sofre alguma lesão, ocorre interrupção da sua continuidade, alteração da arquitetura, perda da
sua estrutura e integridade. Se a sua integridade for perdida, todas as suas funções também poderão ser
afetadas. 
Classificamos as lesões na pele em agudas ou crônicas: 
Lesão aguda
Ocorre quando há cicatrização sem intercorrências, como as lesões de
incisões cirúrgicas aproximadas por suturas. 
Lesão crônica
Ocorre quando os danos ao tecido e o tempo de cicatrização são
prolongados, como nas lesões por pressão, conhecidas popularmente
como úlceras ou escaras. 
A princípio, qualquer lesão pode se tornar crônica. Existem alguns fatores que contribuem para uma
cicatrização deficiente.
Exemplo
O estado nutricional e imunológico do paciente, o diabetes mellitus e a fragilidade da pele. 
Antes de abordamos como a integridade da pele é perdida, devemos lembrar que a nossa pele é composta de 
epiderme e derme. Cada camada possui componentes e funções diferentes. 
Mas por que é importante relembrar isso? 
A epiderme é uma camada avascular, ou seja, não possui vasos sanguíneos. Desse modo, podemos nos cortar
com uma folha de papel e não sangrar, por exemplo, e dentro de alguns dias nem perceberemos onde foi a
lesão. Nesse processo chamado de regeneração, ocorre a substituição de células perdidas por células
semelhantes, mantendo por completo a estrutura e a função do tecido. 
Caso uma lesão alcance a matriz celular, componente abundante na derme, ocorre o processo de cicatrização,
no qual o tecido lesado é substituído por uma cicatriz, com forma estrutural e função satisfatórias, porém não
idêntica a uma pele normal. 
Cicatriz por segunda intenção.
As lesões podem cicatrizar por primeira ou segunda
intenção. A cicatrização por primeira intenção ocorre
quando as bordas da lesão são aproximadas, utilizando
suturas e colas cirúrgicas, por exemplo.
Já a cicatrização de segunda intenção ocorre nas lesões
com grande perda de tecido, onde as bordas da lesão estão
afastadas, por exemplo nas queimaduras graves. Nessas
lesões, o crescimento do tecido cicatricial começa a partir
das bordas, e o espaço é preenchido por tecido de
granulação. Em seguida, acontece a contração da lesão e a
reepitelização das lesões abertas.
A seguir, vamos abordar de que forma a integridade e a
funcionalidade da pele podem ser perdidas.
Lesões cirúrgicas ou corte
Técnicas cirúrgicas e lesões
Uma lesão cirúrgica consiste em um corte, geralmente, realizado por um objeto perfurocortante, como o
bisturi ou cânula de lipoaspiração. A maioria das lesões cirúrgicas se cicatriza por primeira intenção. 
Acompanhe a seguir algumas técnicas cirúrgicas para compreender como ocorre esse processo de
cicatrização e algumas complicações. 
Lipoaspiração
Consiste no uso de cânulas conectadas a um aparelho de sucção para
remoção de depósito de gordura, remodelando o corpo. Embora a
cicatriz aparente seja pequena, o tecido subcutâneo foi deslocado devido
ao movimento de vaivém da cânula. Esse movimento causa um trauma no
tecido, levando a um edema e sangramento, com aparecimento de
equimoses dias após ao procedimento. As cicatrizes geralmente ficam
bem discretas localizadas no sulco mamário, área pubiana e axilas. 
Abdominoplastia
É um procedimento no qual há remoção da gordura e de pele (flacidez)
da região do abdômen. A incisão é feita horizontalmente, entre o púbis e
a cicatriz umbilical, na altura das espinhas ilíacas ântero-superiores. O
tecido da região abdominal é descolado até o osso esterno, na região
mediana, e lateralmente até os arcos costais. O excesso de pele e/ou
gordura é removido no nível da incisão. O descolamento do tecido
abdominal causa uma lesão isquêmica, podendo ocorrer edema e
equimoses. 
Mamoplastia
Diversos procedimentos podem ser realizados nas mamas, como
diminuição, correção da queda (lifting), colocação de próteses (aumento)
e reconstrução. Existem 3 padrões comuns da incisão: ao redor da
aréola; outra vertical para baixo em direção ao sulco da mama; e em “T”
invertido. A principal complicação desses procedimentos é a deiscência
(abertura) da sutura, principalmente no ponto de encontro entre as
suturas horizontal e vertical. 
Ritidoplastia
Também conhecida como cirurgia de rejuvenescimento facial (lifting). A
incisão se inicia dentro do couro cabeludo na região temporal em curva,
prossegue em torno da orelha e termina na parte inferior do couro
cabeludo. Há também descolamento do tecido da face, levando a
edemas e equimoses. 
Rinoplastia
Cirurgia de correção do nariz para melhora da aparência ou proporção do
nariz, e/ou correção da respiração, como nos desvios de septo. As
incisões ficam escondidas no interior do nariz, quando é realizado o
procedimento fechado, ou na columela, tecido que separa as narinas,
quando o procedimento é aberto. O paciente fica com uma espécie de
gesso e tampão por uma semana aproximadamente para dar sustentação
ao nariz durante o processo de cicatrização. É comum aparecer
equimoses e edema na região central da face, principalmente abaixo dos
olhos. 
Blefaroplastia
A cirurgia de correção das pálpebras consiste na retirada de bolsas de
gordura nas pálpebras superiores e inferiores, além do excesso de pele,
para melhorar a aparência ao redor dos olhos e/ou melhorar a visão. As
cicatrizes ficam imperceptíveis dentro das estruturas naturais dos olhos,
como na prega da pálpebra superior e abaixo da linha inferior do cílio na
pálpebra superior. Também é comum aparecer equimoses e edema ao
redor dos olhos. 
Queimaduras: cicatriz e a reabilitação física do paciente
A queimadura é uma lesão traumática, com a destruição parcial ou total da pele, causada por contato com
agentes térmicos (calor ou frio), químicos, radioativos ou elétricos. 
As queimaduras podem receber diversas classificações, por exemplo, conforme a profundidade em primeiro,
segundo e terceiro graus. 
Queimadura de primeiro grau (superficial)
Atinge apenas a epiderme, resultando em eritema e edema, e o paciente
apresenta dor.
Queimadura de segundo grau(espessura parcial)
Atinge a epiderme e a derme, ocorrendo a formação de bolhas, e a dor do
paciente é acentuada.
Queimadura de terceiro grau (espessura total)
Atinge a epiderme, a derme e componentes mais profundos, como músculos
e tendões. Devido à profundidade da lesão, terminações nervosas também
são lesionadas, e o paciente pode não sentir dor.
Fisiologicamente, a cicatrização da lesão causada por queimadura acontece da mesma maneira que uma
cicatrização decorrente de qualquer outro trauma na pele.
Atenção
As cicatrizes de queimaduras podem apresentar hipertrofia e contratura da pele, comprometendo a
mobilidade da região onde está localizada. Por exemplo, queimaduras na região do tórax podem causar
perda da elasticidade e extensibilidade do tecido, além de dificuldade respiratória. 
O fisioterapeuta dermatofuncional não atuará somente na cicatriz, mas também na reabilitação física do
paciente queimado. É papel desse profissional:
 
Promover redução do edema e da dor, bem como aumento da extensibilidade do tecido lesionado,
mantendo ou aumentando a amplitude de movimento.
Prevenir ou diminuir complicações causadas pelas contraturas cicatriciais.
Impedir complicações cardiorrespiratórias.
Promover independência na deambulação e nas atividades de vida diária.
Além disso, o fisioterapeuta orienta o paciente quanto ao uso de vestimentas compressivas, placas de silicone
e bandagens terapêuticas. 
Lesão por pressão: definição, prevenção e cicatrização
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• 
As lesões por pressão são caracterizadas por um dano localizado na pele e nos tecidos moles subjacentes
resultante de uma compressão entre uma proeminência óssea do paciente e uma superfície externa por um
tempo prolongado e/ou intenso. Essas lesões podem apresentar-se como pele intacta ou uma lesão aberta. 
Segundo Edsberg (2016), as lesões por pressão são classificadas em quatro estágios de acordo com a
extensão do dano ao tecido: 
Estágio 1
Pele intacta com uma área de localização de eritema não branqueável.
Estágio 2
Perda parcial da pele com exposição da derme.
Estágio 3
Perda total da pele com exposição do tecido subcutâneo.
Estágio 4
Perda total da pele com exposição da fáscia, músculo, tendão,
ligamentos ou osso.
As lesões por pressão são crônicas e acometem indivíduos forçados à imobilidade, por exemplo, pacientes
acamados, cadeirantes ou que sofreram alguma lesão na medula espinhal. Os portadores desse tipo de lesão
apresentam dor, perda da produtividade e baixa qualidade de vida, além de alta taxa de morbidade e
mortalidade. 
O fisioterapeuta dermatofuncional atuará na prevenção dessas lesões, principalmente com a mudança
frequente de decúbito desses pacientes. 
Mudança de decúbito.
Estudos relatam que os ciclos de isquemia e reperfusão (I/R) são considerados um dos fatores cruciais para a
formação das lesões por pressão. Após um período isquêmico, ocorre reperfusão sanguínea, bem como
lesões celulares no tecido pressionado. 
Durante a isquemia, a pressão exercida sobre o tecido não permite que os nutrientes e o oxigênio cheguem a
esse local. O tecido reduz o metabolismo para preservar sua função. Quando o fluxo de sangue é
restabelecido (período de reperfusão sanguínea), há um aumento da tensão de oxigênio. Esse aumento
desencadeia uma cascata de eventos danosos, devido à alta produção de espécies reativas de oxigênio
(ERO), que excede a capacidade do tecido de eliminá-las, causando uma inflamação. 
O fisioterapeuta pode prevenir a formação dessas lesões por pressão, realizando frequentemente a mudança
de decúbito do paciente, fazendo com que o tecido não passe por longos períodos em isquemia. 
Dica
Um recurso utilizado é o colchão pneumático, que consiste em um dispositivo que infla e esvazia seus
compartimentos alternadamente, evitando, assim, a pressão constante entre a pele do paciente e a
superfície externa. 
Independentemente de como ocorreu a perda da integridade da pele, deve haver imediatamente um processo
de reparo da lesão. Esse processo é didaticamente dividido em 3 fases distintas que se sobrepõem:
inflamação, proliferação e remodelamento. 
A cicatrização, ou o reparo tecidual, é um processo complexo e envolve mecanismos celulares e bioquímicos,
resultando na formação de uma cicatriz com característica parecidas com uma pele normal, porém não
idêntica. 
Veremos, ao longo deste estudo, cada uma dessas fases bem como seus eventos. 
Mecanismos de lesão tecidual na pele
Veja a seguir os mecanismos de lesão tecidual na pele: perda da continuidade, cortes cirúrgicos, queimaduras
e lesão por pressão. 
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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Perda da integridade da pele
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Queimaduras
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Quando a pele sofre uma lesão, suas funções são afetadas, como a barreira de proteção e a regulação da
temperatura corporal. Com base em seu conhecimento sobre os mecanismos de lesão, marque a alternativa
correta.
A
A lesão por pressão é considerada uma lesão crônica, que cicatriza por segunda intenção.
B
O processo de regeneração acontece em todas as camadas da pele, mesmo atingindo a matriz extracelular.
C
As lesões por primeira intenção ocorrem quando há grande perda tecidual, como é o caso das queimaduras.
D
As lesões por segunda intenção ocorrem quando os bordos da lesão são aproximados, como nas escaras.
E
Na cirurgia de lipoaspiração, o processo cicatricial se limita ao local onde a cânula perfura a pele.
A alternativa A está correta.
As lesões por pressão, popularmente conhecidas escaras, são lesões crônicas, que cicatrizam por segunda
intenção, pois há formação de uma lesão aberta, devido a uma inflamação intensa. A regeneração tecidual
acontece quando o trauma não atinge a matriz extracelular. Caso isso ocorra, haverá um sangramento,
iniciando a resposta vascular da inflamação e todos os eventos da cicatrização. Quando em uma lesão os
bordos estão aproximados, ocorrem a migração e proliferação das células, levando ao fechamento mais
rápido. Quando uma lesão está aberta, como nas queimaduras ou escaras, é mais trabalhoso e complexo o
processo de cicatrização. Cirurgias plásticas são agressões teciduais que formarão cicatrizes no paciente.
O fisioterapeuta deve conhecer o método como é realizada e quais tecidos foram lesionados. Na
lipoaspiração, mesmo as cicatrizes sendo discretas, todo o tecido conjuntivo adiposo subcutâneo foi
agredido, ou seja, todo esse tecido passará por um processo de reparo.
Questão 2
A cirurgia plástica é uma especialidade da Medicina responsável pela restauração, reconstrução e alterações
do corpo. Ela é subdividida em reparadora ou estética. Sobre cirurgias plásticas, relacione as duas colunas
abaixo:
(1) Abdominoplastia 
(2) Lipoaspiração (3) Mamoplastia (4) Ritidoplastia 
(5) Rinoplastia
(6) Blefaroplastia
( ) Cirurgia de correção da mama. 
( ) Cirurgia de correção do nariz. 
( ) Cirurgia que consiste na retirada do excesso de pele no abdômen. 
( ) Cirurgia de correção das pálpebras.
( ) Cirurgia que consiste na retirada de gordura localizada.
( ) Cirurgia que consiste na retirada do excesso de pele na face com suspensão dos músculos faciais.
Assinale a alternativa com a sequência correta.
A
3-5-1-6-2-4
B
3-2-5-6-4-1
C
6-3-2-5-4-1
D
3-6-2-5-1-4
E
6-5-2-4-1-3
A alternativa A está correta.
A abdominoplastia corresponde à cirurgia para melhorar o aspecto do abdômen, retirando o excesso de
pele dessa região. Na lipoaspiração, há retirada do excesso de depósitos de gordura do tecido subcutâneo
através da sucção realizada por uma cânula, melhorando o contorno corporal. A mamoplastia consiste na
cirurgia de mamas, para melhorar aspecto estético ou reparar algum dano, como pós-câncer de mama. A
ritidoplastia, oulifting facial, consiste na retirada de tecido flácido do rosto, promovendo, assim, um
aspecto de rejuvenescimento ao paciente. Na rinoplastia, o cirurgião tem o objetivo de corrigir imperfeições
estéticas do nariz e/ou melhorar a respiração do paciente. Na blefaroplastia, ocorre a retirada de excesso
de pele e/ou bolsas de gordura na região das pálpebras.
2. Fisiopatologia da inflamação
Resposta vascular da inflamação
Você já ouviu a palavra inflamação e pensou em algo negativo, não é mesmo? Não é bem assim... 
A fase inflamatória é essencial para todo o processo de cicatrização. É a primeira resposta do tecido à
agressão. Sem as alterações que acontecem durante essa fase, outros estágios não ocorrem. Entretanto, uma
modificação dessas fases pode acelerar a reabilitação e reduzir os efeitos adversos, como a dor, inflamação
prolongada e o desuso, permitindo uma melhoria na capacidade funcional do paciente e o alcance dos
objetivos do tratamento de modo mais rápido. 
A resposta inflamatória se inicia imediatamente após o trauma e dura cerca de 4 a 6 dias. Pode ser
subdividida em resposta vascular e celular. Veja: 
Resposta vascular
Consiste na contração dos vasos sanguíneos e
na coagulação do sangue. Esse coágulo serve
como barreira protetora de microrganismos e
forma uma matriz temporária para a migração
de células.
Resposta celular
Consiste na migração de células de defesa que
irão realizar a limpeza do local da lesão, liberar
mediadores químicos e estimular a proliferação
de fibroblastos.
A fase inflamatória é caracterizada por calor, vermelhidão (eritema), inchaço (edema), dor e perda de função. 
O calor e a vermelhidão são respostas da vasodilatação dos vasos sanguíneos e do aumento de fluxo para o
local. 
O edema ocorre devido ao acúmulo de líquido liberado para o espaço intersticial em razão do aumento da
permeabilidade dos vasos sanguíneos. A dor é uma resposta à compressão das terminações nervosas
provocada pelo edema e pela liberação de substâncias inflamatórias. Caso o organismo não consiga combater
o agente agressor e controlar a resposta inflamatória, haverá perda de função. 
Quando o tecido sofre uma lesão, os vasos sanguíneos da região se rompem devido à lesão endotelial,
ocorrendo vasodilatação local e extravasamento de sangue e líquido para o espaço extravascular. 
Para conter esse sangramento, o organismo
inicia a hemostasia: uma resposta fisiológica
normal para interromper o extravasamento de
sangue e equilibrar as funções dos vasos.
 
A primeira etapa da hemostasia é a constrição
dos vasos sanguíneos, com a liberação de
serotonina e tromboxano A2.
 
Após a vasoconstrição, ocorre a formação do
coágulo pelas plaquetas, com a função de
proteger o tecido lesionado de contaminação e
formar um tampão.
E como esse coágulo é formado? Vamos ver as principais etapas: 
Adesão plaquetária
As plaquetas realizam a adesão ao colágeno
exposto das células endoteliais.
Agregação plaquetária
Com a chegada de mais plaquetas ao local, elas
se agrupam umas às outras.
Cascata de coagulação
Essas plaquetas liberam mediadores que
facilitam a coagulação.
A cascata de coagulação contém substâncias como trombina, que converte o fibrinogênio em fibras
denominadas fibrinas. Essas fibrinas se entrelaçam ao redor das plaquetas e hemácias, formando o tampão
plaquetário – conhecido como coágulo. 
Formação do coágulo sanguíneo.
Um evento chamado fibrinólise impede que esse coágulo continue a se formar e bloqueie toda a luz do vaso.
Nesse processo, ocorre a liberação de substâncias anticoagulantes, como a heparina, a antitrombina, a
prostaciclina e plasmina. 
Atenção
Drogas, como o ácido acetilsalicílico (aspirina), previnem a formação do coágulo, pois bloqueiam a
agregação das plaquetas. Pessoas com risco de formar pequenos coágulos, que podem bloquear o fluxo
sanguíneo para órgãos vitais como o coração, o cérebro e os pulmões, geralmente são aconselhadas a
utilizar essas drogas. Indivíduos que fazem uso de anticoagulantes devem suspendê-los antes de uma
cirurgia, por exemplo, pois essas drogas podem dificultar a cicatrização, uma vez que prejudicam a
hemostasia, inibindo a formação do tampão plaquetário e causando pequenos sangramentos. 
O coágulo formado pelas plaquetas também serve como uma matriz provisória para a migração de neutrófilos,
macrófagos, fibroblastos, entre outras células, até a área lesada. Nesse momento, ocorre a resposta celular. 
Resposta celular: processo de reparo
Ilustração 3D dos neutrófilos na circulação sanguínea.
Logo após a formação do coágulo, ocorre a liberação de substâncias, como histamina e bradicinina. Essas
substâncias causam uma dilatação dos vasos sanguíneos, aumentando o fluxo para facilitar a chegada de
células e substâncias na região da lesão. 
As plaquetas também liberam substâncias (fatores de crescimento) que induzem o recrutamento de células de
defesa (leucócitos) para o local da lesão, iniciando assim a resposta inflamatória. 
As primeiras células a chegarem, minutos após o trauma,
são os neutrófilos. Essas células desempenham um papel
de limpeza, pois produzem espécies reativas de oxigênio
que destroem as bactérias presentes, fagocitando-as. Os
neutrófilos também removem os componentes que foram
danificados da matriz extracelular.
Após poucos dias, os neutrófilos passam pela apoptose
(morte celular programada) e são substituídos por 
macrófagos. Os macrófagos são células de defesa com a
função de realizar fagocitose dos neutrófilos
remanescentes e de microrganismos, além de remover os
restos teciduais. Essas células também sintetizam espécies
reativas de oxigênio e fatores de crescimento. 
Saiba mais
São fatores de crescimento liberados pelos macrófagos, importantíssimos para o processo cicatricial: o
fator de crescimento transformante-beta (TGF-β), o fator de necrose tumoral-alfa (TNF-α) e o fator de
crescimento vascular endotelial (VEGF). Todos são importantes na migração celular e na formação de
novos vasos (angiogênese), assim como na proliferação celular e na produção da matriz extracelular.O
fator de crescimento transformante-beta (TGF-β) diferencia os fibroblastos em miofibroblastos, células
responsáveis pela contração da lesão. 
Sendo assim, macrófagos são células atuantes na resolução da fase inflamatória, desempenhando um papel
importante na transição entre inflamação e fase proliferativa. 
A diminuição do número de macrófagos durante a fase inflamatória pode atrasar o reparo de lesões. 
Fase inflamatória do processo de reparo.
O fisioterapeuta dermatofuncional desempenhará um papel fundamental nessa fase, pois poderá utilizar
diversos recursos, como o gelo, por exemplo. O papel desses recursos é reduzir o fluxo sanguíneo, a dor e o
edema e a liberação de mediadores químicos, auxiliando o paciente na mudança mais precoce para a fase
seguinte. 
Fisiopatologia da inflamação
Entenda a seguir a fisiopatologia da inflamação: as respostas vasculares e celulares. 
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Resposta inflamatória
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Resposta celular
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Questão 1
A inflamação é a primeira fase do processo de reparo tecidual. Sobre essa fase, marque a alternativa correta.
A
Os sinais clássicos da inflamação são dor, calor, palidez, perda de função e edema.
B
A inflamação é subdividida em resposta vascular e celular.
C
A resposta celular corresponde à chegada de fibroblastos para fechar o local da lesão.
D
A resposta vascular corresponde à vasodilatação dos vasos sanguíneos.
E
As primeiras células a chegarem ao local da lesão são os macrófagos.
A alternativa B está correta.
A inflamação é a primeira resposta do nosso organismo a um trauma. Ela é subdividida em resposta
vascular e celular. Na respostavascular, os vasos sanguíneos realizam uma vasoconstrição para conter o
extravasamento de sangue. A resposta celular consiste na chegada de células inflamatórias para realizarem
a limpeza do local. As primeiras células a chegar são os neutrófilos, seguidos dos macrófagos. Os
macrófagos liberam mediadores químicos (fatores de crescimento) que estimulam os fibroblastos a se
proliferarem. Caso um local esteja inflamado, o organismo produz 5 sinais clássicos: calor, rubor
(vermelhidão), edema, dor e perda de função.
Questão 2
Sobre resposta vascular, marque a opção que corresponde ao preenchimento correto das lacunas.
A resposta vascular do processo inflamatório consiste em _________ dos vasos sanguíneos, com a formação do
coágulo, realizado pelas _________. Após a formação do coágulo, ocorre a __________ dos vasos sanguíneos.
A
Vasodilatação/células endoteliais/vasoconstrição.
B
Vasoconstrição/células endoteliais/vasodilatação.
C
Vasoconstrição/plaquetas/vasodilatação.
D
Vasodilatação/plaquetas/vasoconstrição.
E
Vasodilatação/hemácias/vasoconstrição.
A alternativa C está correta.
Quando um tecido é lesionado, há o rompimento dos vasos sanguíneos, com extravasamento de sangue
para o espaço intersticial. Para conter essa disseminação de sangue, os vasos sanguíneos se contraem,
permitindo a ação das plaquetas, que realizam a coagulação. O coágulo formado protege o local da lesão
da entrada de substâncias danosas e forma uma matriz provisória para a chegada de células inflamatórias.
Para as células conseguirem chegar, os vasos sanguíneos se dilatam.
3. Regeneração tecidual e cicatrização
Fase proliferativa ou granulação
Cerca de 4 dias após o trauma e a inflamação, as células começam a se proliferar e se diferenciar, para
depositar o colágeno e substituir o tecido que foi destruído na lesão. Ocorre então a formação do chamado
tecido de granulação e eventos, como a reepitelização, a angiogênese, a síntese e deposição da matriz
extracelular e a diferenciação dos fibroblastos em miofibroblastos, células com propriedades contráteis. 
Em seguida, ocorre o remodelamento, a terceira fase do processo cicatricial, que consiste em um equilíbrio na
produção e deposição de colágeno. Essa fase tem início por volta do 8º dia após a lesão e pode durar até 1
ano ou mais. 
Veja o proceso de cicatrização em etapas. 
A fase proliferativa é caracterizada pela proliferação de células, por isso seu nome. Durante esse estágio,
muitos sinais e sintomas inflamatórios diminuem. 
Vamos agora nos aprofundar nessas fases, proliferativa e de remodelamento, e detalhar os seus respectivos
eventos. 
Comentário
É importante compreender que essas fases acontecem concomitantemente. O que difere são os
processos e a duração de cada uma. 
Reepitelização
Esse processo consiste na restauração da epiderme e se inicia algumas horas após a lesão. Nessa fase,
ocorre a proliferação e a migração dos queratinócitos, que estão na borda da lesão, formando uma “língua
migratória” para o centro da lesão e facilitando o seu fechamento. 
Processo de reepitelização.
Outras estruturas servem como reservatório de queratinócitos, como é o caso dos folículos pilosos, que
contêm células tronco epidérmicas. 
Os queratinócitos modificam sua estrutura e desfazem suas conexões laterais entre os outros queratinócitos
(desmossomos), ficando mais alongados, o que permite sua movimentação. 
Saiba mais
A reepitelização é induzida por fatores de crescimento liberados por plaquetas, macrófagos e
fibroblastos, tais como: fator de crescimento epidérmico (EGF) e fator de crescimento transformante-alfa
(TGF-α) e o fator de crescimento de queratinócitos (KGF). 
Angiogênese
A formação de novos vasos permite um aumento do transporte de fluidos, oxigênio, nutrientes e células para o
local.
Ilustração simplificada do processo de angiogênese.
A angiogênese garante a nutrição do tecido e a irrigação sanguínea necessárias para equilibrar a maior
demanda metabólica causada por um número maior de células no local. 
Esse evento é extremamente importante para sustentar a formação do tecido de granulação. As células
endoteliais proliferam, formando novos vasos a partir dos vasos pré-existentes. 
Saiba mais
A angiogênese também é mediada por fatores de crescimento fibroblástico (FGF) e de crescimento
vascular endotelial (VEGF); liberados por células endoteliais danificadas, macrófagos, queratinócitos e
fibroblastos. 
Fibroplasia
A formação do tecido de granulação consiste na angiogênese e na fibroplasia. 
A fibroplasia é a migração e a proliferação dos fibroblastos do tecido ao redor da lesão. 
Essa atividade dos fibroblastos é estimulada pelos fatores de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) e de
TGF-β, liberados pelas plaquetas e pelos macrófagos.
Exemplos de terapia manual.
Cicatriz na fase de remodelamento.
Fibroblastos
Os fibroblastos são células que sintetizam os componentes da matriz extracelular, como as fibras de
colágeno e elastina, responsáveis pela estrutura da nossa pele, pela força tênsil e pela elasticidade.
Os fibroblastos, pela ação do TGF-β, adquirem a expressão de alfa-actina de músculo liso (α-SMA) e se
diferenciam em miofibroblastos, células com capacidade contrátil. Essas células, ao se contraírem, aproximam
os bordos da lesão, fechando-a. 
O colágeno do tipo III depositado inicialmente é formado por fibras bem finas e está orientado de forma
paralela à nossa pele, formando, assim, uma matriz provisória. Essa matriz também contém os
glicosaminoglicanos, responsáveis pela hidratação do tecido e pela fibronectina, uma glicoproteína que faz
adesão das células à matriz extracelular. 
Esse novo tecido formado não é tão resistente, mas garante o fechamento da lesão e permite que a pele
restabeleça suas funções de proteção mecânica e de defesa do organismo. Essa deposição de colágeno uma
hora passa a ser mais equilibrada, com isso inicia-se a fase de remodelamento. 
Durante a fase proliferativa, o fisioterapeuta utiliza agentes
físicos que aumentam o fluxo sanguíneo e a taxa de
atividade enzimática, estimulando a deposição e a
progressão do colágeno em direção à fase de
remodelamento da cicatrização. A terapia manual é um
agente mecânico bastante utilizado, pois orienta as fibras
de colágeno que estão começando a ser depositadas.
Fase de remodelamento ou
maturação
O último estágio do processo cicatricial é chamado de remodelamento. Nessa etapa, a síntese de matriz
extracelular é reduzida e os componentes são modificados conforme a matriz é remodelada. 
A maioria das células endoteliais, macrófagos e miofibroblastos sofre apoptose, reduzindo a celularidade do
tecido de granulação. 
O colágeno depositado na fase anterior sofre
maturação, ou seja, o colágeno do tipo III,
depositado na fase proliferativa, é substituído
por colágeno do tipo I, com fibras mais grossas.
Devemos ressaltar que o colágeno do tipo I é o
principal componente da derme.
 
Com a maturação do colágeno, a força tênsil da
cicatriz é aumentada, ou seja, a lesão fica mais
resistente. Esse aumento de resistência se dá
pelo remodelamento das fibras de colágeno,
que agora estão dispostas em forma de cesto,
como no tecido conjuntivo denso não
modelado, conforme as linhas de tensão da
pele.
Esse processo de maturação é controlado por metaloproteinases (MMPs): enzimas que degradam os
componentes da matriz. Duas metaloproteinases são a colagenase, que degrada colágeno, e a elastase, que
degrada a elastina. 
A atividade das MMPs é controlada por inibidores teciduais das metaloproteinases (TIMPs). Para acontecer
um reparo tecidual normal, deve haver um equilíbrio entre as atividades das MMPs e das TIMPs. 
Fisiologicamente, a cicatriz possui características e funcionalidades bem próximas a uma pele normal, mas
não idêntica a um tecido não lesionado. 
Dica
Na fase de remodelamento, o fisioterapeuta pode atuar com agentes físicos que alteram o equilíbrio
entre a deposição e a reabsorção de colágeno, além de melhorar o alinhamento das novas fibras.Caso
uma cicatriz tenha tendência a ficar hipertrófica, por exemplo, podemos utilizar de placas de silicone,
bandagens elásticas e malhas compressivas, que aumentam a atividade das metaloproteinases. 
Veja o processo resumido do reparo tecidual em suas diferentes fases:
Sangramento (fase inicial)
Fase inflamatória
Fase proliferativa
Fase de remodelamento
Todos os estágios citados se referem a uma cicatrização fisiológica. Entretanto, existem alguns fatores que
podem atrapalhar esse processo, formando, assim, uma cicatriz patológica. Adiante, veremos alguns tipos de
cicatrização patológica, como é o caso da fibrose. 
A regeneração tecidual e a cicatrização
Acompanhe a seguir as duas fases da cicatrização: proliferativa e de remodelamento. 
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Aspectos gerais da cicatrização
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Fase de remodelamento
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A cicatrização é um processo complexo de 3 fases distintas que se relacionam e cujo resultado é a formação
de uma cicatriz. As células responsáveis pela produção e deposição de colágeno são os
A
queratinócitos.
B
macrófagos.
C
fibroblastos.
D
neutrófilos.
E
melanócitos.
A alternativa C está correta.
Os queratinócitos, células localizadas na epiderme, são responsáveis pelo processo de reepitelização. Os
macrófagos e os neutrófilos são células de defesa responsáveis pela limpeza do local da lesão. Os
fibroblastos são responsáveis pela síntese e deposição de colágeno. Os melanócitos são células
responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor à pele.
Questão 2
Durante a fase de remodelamento, haverá uma redução dos componentes da matriz extracelular. Analise o
trecho abaixo e marque a opção que corresponde ao preenchimento correto das lacunas:
O colágeno do tipo ____ é substituído pelo colágeno do tipo ___, pela ação da enzima ____________ .
A
I / III / elastase
B
III / I / colagenase
C
III / I / elastase
D
I / III / colagenase
E
I / III / metaloproteinase
A alternativa B está correta.
Durante a fase de remodelamento, há uma redução do número de células e a substituição do colágeno. O
colágeno do tipo III, composto for fibras bem delgadas (finas), que apresentam pouca resistência a trações,
é gradualmente substituído pelo colágeno do tipo I, com fibras mais espessas, ou seja, mais resistente.
Essa substituição é feita graças à ação de uma enzima denominada colagenase.
4. Fibrose e outras alterações cicatriciais
Cicatrização
O processo cicatricial
O processo cicatricial acontece rápida e satisfatoriamente. Conforme aprendemos, a cicatriz formada no final
desse processo tem um bom aspecto estético e funcional, com características semelhantes às do tecido não
lesionado, como cor, textura e elasticidade. 
A cicatriz fica quase imperceptível, com um equilíbrio na quantidade de tecido formado, sem excesso ou falta
de tecido na região, com o fechamento adequado da lesão, reestabelecendo as funções da pele. 
Entretanto, em algumas situações, a cicatrização pode não ser satisfatória, levando ao surgimento de
alterações cicatriciais. Pode haver excesso ou carência de tecido, formando assim cicatrizes hipertróficas ou
atróficas, queloide, fibrose e deiscências. 
Que tal revermos alguns eventos sobre o processo cicatricial? 
Relembrando
Vimos que a regulação da síntese e a deposição de colágeno são controladas por muitos fatores de
crescimento, como o TGF-β e o FGF. O fator de crescimento transformante-beta (TGF-β) estimula a
produção de colágeno do tipo III e do tipo I. O fator de crescimento fibroblástico (FGF) é produzido pelos
macrófagos, estimulando a angiogênese e a proliferação de fibroblastos. Vimos também que, após a sua
deposição, o colágeno passará por uma fase de remodelamento, na qual há a maturação de colágeno do
tipo III em colágeno do tipo I. Essa transformação é regulada pela atividade das metaloproteinases
(colagenase e elastase) e pelos inibidores teciduais das metaloproteinases (TIMPs). 
Um desequilíbrio na expressão das metaloproteinases pode contribuir para uma cicatrização atrasada ou
excesso de fibrose. 
Muitos estados patológicos, como carência nutricional, diabetes e infecções, podem levar à formação de
lesões crônicas, como as lesões úlceras. 
O excesso na produção dos fatores de crescimento TGF-β e FGF desempenham um papel importante na
formação de cicatriz excessiva, assim como o desequilíbrio entre a atividade das MMPs e TIMPs. 
Fibrose
A fibrose ocorre em resposta à produção desordenada e
desorganizada de colágeno.
A pele se apresenta com ondulações e depressões,
causando repuxamento e desconforto ao paciente. Muito
comum o seu aparecimento pós-cirurgia de lipoaspiração.
Queloide e cicatriz hipertrófica
A cicatriz hipertrófica e queloide são formadas devido à
deposição excessiva de colágeno, ou seja, uma fibrose excessiva. 
Esse colágeno foi assim depositado devido a um desequilíbrio em algum estágio da cicatrização: na migração
e proliferação celular, na inflamação, na síntese e secreção da matriz extracelular e fatores de crescimento, ou
no remodelamento dessa matriz. 
Cicatriz hipertrófica
A cicatriz hipertrófica se apresenta na pele como uma cicatriz elevada,
de coloração avermelhada, que permanece dentro dos limites da região
da lesão. Geralmente, surge dentro de 4 a 8 semanas após o fechamento
da lesão e continua se desenvolvendo pelos próximos 6 a 8 meses. Seu
aspecto elevado melhora após alguns anos, ficando quiescente, ou seja,
parando o seu crescimento. 
Cicatriz queloideana
O queloide, por sua vez, se caracteriza por uma massa que ultrapassa os
limites originais da lesão. De coloração rosa a púrpura, o queloide pode
ainda ser hiperpigmentado. Pode se desenvolver em qualquer lugar, de 3
meses a vários anos após lesão. Geralmente, não regridem
espontaneamente como as cicatrizes hipertróficas, crescendo de forma
contínua. 
Existem outras características que diferenciam as cicatrizes hipertróficas e queloides. São elas:
Contratura
As cicatrizes hipertróficas estão associadas às contrações cicatriciais, podendo levar ao
encurtamento do tecido e à redução da mobilidade articular, muito comum pós-queimaduras.
Incidência
As cicatrizes hipertróficas são mais comuns que os queloides.
Locais de predileção
Queloides se desenvolvem mais na parte superior do tronco, nas regiões com aumento de tensão
constante. Por exemplo, nos ombros, no tórax e nos lóbulos da orelha. Já as cicatrizes hipertróficas
não possuem um local predominante.
Raça
Pessoas de pele negra possuem mais tendência a formar queloides. As cicatrizes hipertróficas não
estão associadas com a coloração da pele.
Predisposição genética
As cicatrizes hipertróficas não possuem predisposição, enquanto os queloides, sim.
Observando as imagens a seguir, podemos notar as diferenças macroscópicas e microscópicas entre as
cicatrizes normal, hipertrófica e queloide. Histologicamente, essas cicatrizes contêm uma grande quantidade
de colágeno. 
Cicatrizes normais
As cicatrizes normais não apresentam alterações de colágeno. 
Cicatrizes hipertróficas
Nas cicatrizes hipertróficas, o colágeno está mais regular, com as fibras
dispostas paralelamente à superfície, sendo do tipo III e sem aspecto
nodular. 
Cicatrizes queloideanas
Nos queloides, o colágeno é do tipo I e III e suas fibras estão
desorganizadas, sob a forma de nódulos. Essas alterações são mais
encontradas na derme reticular. 
Cicatriz atrófica
Ilustração de cicatriz atrófica.
A cicatriz atrófica se apresenta com aspecto deprimido,
como pequenos buracos na pele, ou seja, são cicatrizações
abaixo da camada normal do tecido da pele. Seu
aparecimento é muito comum em sequelas da acne.
Também pode ser causada por acidentes, cirurgiasou
desordens genéticas.
Essa cicatriz é resultante da perda de estruturas
subjacentes, como fibras de colágeno e elastina, as quais
dão sustentação à pele. Essa perda pode ser causada por
uma fase inflamatória exacerbada ou pelo desequilíbrio da
atividade enzimática da degradação do colágeno realizado
pela colagenase.
Para atuar nas lesões atróficas, o fisioterapeuta deve utilizar recursos terapêuticos que estimulem a
proliferação tecidual. 
Lesões crônicas 
Quando ocorrem as lesões crônicas?
A lesão crônica acontece quando os danos ao tecido e o tempo de cicatrização são prolongados. Qualquer
desequilíbrio em qualquer fase da cicatrização leva a uma lesão crônica. 
Diversos fatores podem prejudicar a cicatrização tecidual, a nível tanto sistêmico quanto local, afetando as
etapas de reparo. Veja quais são estes fatores. 
Fatores locais
São fatores locais infecção, inflamação prolongada, vascularização prejudicada, síntese de colágeno, entre
outros. 
Infecção e inflamação prolongada
Uma lesão infeccionada impede o avanço para a próxima fase, pois ainda há presença de células de
defesa combatendo essa infecção. O resultado de uma inflamação prolongada é mais inflamação.
Vacularização prejudicada
Um menor aporte sanguíneo acarretará em menos oxigenação, células e nutrientes para o local, assim
como leva à formação de espécies reativas de oxigênio, prejudicando ainda mais a oxigenação do
tecido, causando uma inflamação.
Síntese de colágeno
Baixos níveis de fatores de crescimento levam a uma diminuição no recrutamento dos fibroblastos.
Com a síntese de colágeno diminuída, haverá menos contração da lesão, re-epitelização e,
consequentemente, atraso para a fase de remodelamento.
Como podemos perceber, um atraso em qualquer evento causa comprometimento da próxima etapa,
pois essas fases estão interligadas.
A maturação do colágeno também pode estar prejudicada. Estudos observaram uma grande
quantidade de MMPs nas lesões crônicas, resultando em uma degradação não controlada e em uma
nova deposição de componentes da matriz extracelular. Esse desequilíbrio prejudica ainda o
fechamento da lesão.
O fisioterapeuta atuará nessas lesões crônicas orientando o paciente sobre os cuidados com assepsia e
curativos, bem como sobre o uso de recursos terapêuticos com propriedades anti-inflamatórias, bactericidas
e estimuladores da deposição de colágeno, auxiliando no reparo cutâneo. 
Fatores sistêmicos
A respeito destes fatores, temos as condições clínicas do paciente, como a idade, o estado nutricional, baixa
ingestão de proteínas, as doenças metabólicas e o uso de medicamentos, por exemplo. Veja mais sobre cada
condição clínica:
Idade
Conforme envelhecemos, a atividade dos fibroblastos diminui; com isso,
a síntese dos componentes da matriz celular também fica prejudicada.
Estado nutricional
O estado nutricional também afeta a cicatrização. Os carboidratos,
juntamente com os lipídeos, são as primeiras fontes de energia no
processo de reparo. Entretanto, uma dieta rica em gordura pode
aumentar o infiltrado inflamatório e atrasar a reepitelização das lesões.
Baixa ingestão de proteínas e vitaminas
O atraso do reparo pode também ter como causa a baixa ingestão de
proteínas, que são a fonte para a síntese de colágeno, proliferação
celular e produção de anticorpos.
A vitamina C é utilizada também como precursora da produção de
colágeno. Você já ouviu falar de uma doença chamada de escorbuto? Ela
se caracteriza pela ausência de vitamina C, causando hemorragia
gengival, fraqueza muscular e irritação na pele.
Algumas vitaminas também são importantes para o reparo, como o zinco
e as vitaminas A, B e D.
Doenças metabólicas
As pessoas portadoras de doenças metabólicas, como a obesidade e o
diabetes, são conhecidas por apresentarem dificuldade na cicatrização
de lesões. Ambas apresentam uma elevada produção de substâncias
pró-inflamatórias, acarretando no aumento da fase inflamatória. Além
disso, há uma redução na irrigação sanguínea, que causa a formação de
EROs e ainda mais inflamação. A hiperglicemia também leva à produção
de estresse oxidativo.
Uso de medicamentos
Alguns medicamentos, tais como corticoides, podem prejudicar o reparo
tecidual por suprimir o processo inflamatório e diminuir a síntese de
colágeno.
Fibrose e outras alterações cicatriciais
Veja aspectos importantes sobre a formação das fibroses e outras alterações cicatriciais, incluindo as lesões
crônicas de pele. 
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A cicatriz atrófica
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Lesões crônicas
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Quando um paciente é submetido a uma cirurgia plástica, ele espera que a cicatriz formada pela incisão
cirúrgica tenha um aspecto estético e que não o limite de realizar suas atividades. Entretanto, poderá haver a
formação de um tecido que ultrapassa os limites da incisão, que não regride espontaneamente. O trecho
acima se refere à
A
fibrose.
B
cicatriz hipertrófica.
C
cicatriz atrófica.
D
queloide.
E
escara.
A alternativa D está correta.
A fibrose ocorre quando o colágeno é produzido de forma desorganizada, ficando com aspecto de pele
repuxada, com depressões. Na cicatriz atrófica, também ocorrem depressões na pele, porém é devido à
perda ou baixa produção de colágeno. A escara é uma lesão crônica, cujo tecido de granulação demora a
se formar, permanecendo aberta. As lesões com características hiperproliferativas são as cicatrizes
hipertrófica e queloide, que ficam com aspecto elevado, sendo sua principal diferença o limite da
proliferação do tecido. Nas lesões hipertróficas, essa proliferação não ultrapassa os bordos da lesão. Na
lesão queloide, há a formação de uma massa, que pode se proliferar de forma contínua.
Questão 2
A acne é uma doença da unidade pilossebácea, causada por tamponamento do poro do folículo piloso
associado com inflamação.Como sequela da acne, o indivíduo pode desenvolver uma
A
fibrose.
B
cicatriz hipertrófica.
C
cicatriz atrófica.
D
queloide.
E
escara.
A alternativa C está correta.
A fibrose ocorre quando o colágeno é produzido de forma desorganizada, ficando com aspecto de pele
repuxada, com ondulações. Na cicatriz atrófica, também ocorrem depressões na pele, porém é devido à
perda ou baixa produção de colágeno, muito comum como sequela da acne. A escara é uma lesão crônica,
cujo tecido de granulação demora a se formar, permanecendo aberta. As lesões com características
hiperproliferativas são as cicatrizes hipertrófica e queloide, que ficam com aspecto elevado.
5. Conclusão
Considerações finais
Como vimos, conhecer os eventos fisiológicos da cicatrização, com todas as características de cada fase, é
essencial para a atuação do fisioterapeuta, principalmente nas intervenções plásticas e reparadoras, tanto no
pré como no pós-operatório. 
Com relação à atuação do fisioterapeuta no paciente queimado, o profissional não somente atuará no tecido
lesionado, como também realizará as condutas para prevenção de contraturas, promover mobilidade do
paciente e retorno mais rápido às suas atividades diárias. 
Também concluímos que é muito importante identificar os mecanismos de formação de cicatrizes patológicas
para o fechamento do diagnóstico, do prognóstico e da condução do plano terapêutico. 
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Para encerrar, ouça os principais tópicos sobre o processo de reparo tecidual da pele.
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Explore +
Confira agora o que separamos especialmente para você!
 
Leia o artigo Biologia da ferida e cicatrização, de Maria de Fátima G. S. Tazima, Yvone Avalloni de Morais
Villela de Andrade Vicente e Takachi Moriya, e observe como os autores apresentam o evento complexo que é
o processo cicatricial.
 
Leia oartigo Cicatrização de Feridas: o fisiológico e o patológico, de E. C. Leal e E. Carvalho, e analise como a
diabetes mellitus pode interferir no processo de cicatrização.
 
Leia o artigo Cicatrizes hipertróficas e queloides, de Carluz Miranda Ferreira e Evaldo Alves D’Assumpção,
publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, e veja algumas terapias utilizadas para o tratamento
desses distúrbios cicatriciais.
Referências
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LANGE A. Fisioterapia Dermatofuncional aplicada à Cirurgia Plástica. 2. ed. Curitiba: Vitória Gráfica & Editora,
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SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana: uma abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed Editora, 2010.
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA. SBCP. Cirurgias e procedimentos. São Paulo: SBCP, 2017.
 
TAN, S.; DOSAN, R. Lessons from epithelialization: The Reason Behind Moist Wound Environment. The Open
Dermatology Journal, v. 13, n.1, jul., 2019.
	Conceitos básicos sobre reparo tecidual
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Mecanismos de lesão tecidual
	Perda da integridade da pele
	Alterações na epiderme e/ou derme
	Lesão aguda
	Lesão crônica
	Exemplo
	Lesões cirúrgicas ou corte
	Técnicas cirúrgicas e lesões
	Lipoaspiração
	Abdominoplastia
	Mamoplastia
	Ritidoplastia
	Rinoplastia
	Blefaroplastia
	Queimaduras: cicatriz e a reabilitação física do paciente
	Queimadura de primeiro grau (superficial)
	Queimadura de segundo grau (espessura parcial)
	Queimadura de terceiro grau (espessura total)
	Atenção
	Lesão por pressão: definição, prevenção e cicatrização
	Estágio 1
	Estágio 2
	Estágio 3
	Estágio 4
	Dica
	Mecanismos de lesão tecidual na pele
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Perda da integridade da pele
	Conteúdo interativo
	Queimaduras
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Fisiopatologia da inflamação
	Resposta vascular da inflamação
	Resposta vascular
	Resposta celular
	Adesão plaquetária
	Agregação plaquetária
	Cascata de coagulação
	Atenção
	Resposta celular: processo de reparo
	Saiba mais
	Fisiopatologia da inflamação
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Resposta inflamatória
	Conteúdo interativo
	Resposta celular
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Regeneração tecidual e cicatrização
	Fase proliferativa ou granulação
	Comentário
	Reepitelização
	Saiba mais
	Angiogênese
	Saiba mais
	Fibroplasia
	Fase de remodelamento ou maturação
	Dica
	Sangramento (fase inicial)
	Fase inflamatória
	Fase proliferativa
	Fase de remodelamento
	A regeneração tecidual e a cicatrização
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Aspectos gerais da cicatrização
	Conteúdo interativo
	Fase de remodelamento
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Fibrose e outras alterações cicatriciais
	Cicatrização
	O processo cicatricial
	Relembrando
	Fibrose
	Queloide e cicatriz hipertrófica
	Cicatriz hipertrófica
	Cicatriz queloideana
	Contratura
	Incidência
	Locais de predileção
	Raça
	Predisposição genética
	Cicatrizes normais
	Cicatrizes hipertróficas
	Cicatrizes queloideanas
	Cicatriz atrófica
	Lesões crônicas
	Quando ocorrem as lesões crônicas?
	Fatores locais
	Infecção e inflamação prolongada
	Vacularização prejudicada
	Síntese de colágeno
	Fatores sistêmicos
	Idade
	Estado nutricional
	Baixa ingestão de proteínas e vitaminas
	Doenças metabólicas
	Uso de medicamentos
	Fibrose e outras alterações cicatriciais
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	A cicatriz atrófica
	Conteúdo interativo
	Lesões crônicas
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências