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Causa incomum de abdome agudo na sala de emergência lipoma intestinal - série de casos e revisão de literatura

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Rev Med (São Paulo). 2021 jan.-fev.;100(1):78-83.
78
doi: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v100i78-83
Relato de Caso 
Causa incomum de abdome agudo na sala de emergência: lipoma intestinal - 
série de casos e revisão de literatura
Unusual cause of acute abdomen in emergency room: intestinal lipoma - 
case series and literature review
Nina Rosa Tenório Lira1, Matheus Dantas Gomes Gonçalves2, Rodrigo Santiago Moreira3, 
Raquel Nogueira C. L. Lima4, Diego Laurentino Lima5, Gustavo Henrique Belarmino Góes6, 
Balduíno Guedes Nóbrega Júnior7
Lira NRT, Gonçalces MDG, Moreira RS, Lima RNCL, Lima DL, Goes GHB, Nóbrega Júnior BG. Causa incomum de abdome agudo 
na sala de emergência: lipoma intestinal - série de casos e revisão de literatura / Unusual cause of acute abdomen in emergency room: 
intestinal lipoma - case series and literature review. Rev Med (São Paulo). 2021 jan.-fev.;100(1):78-83.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital da Restauração - CAAE nº 58711816.6.0000.5198, parecer nº 1.707.797.
1. MD, Cirurgia Vascular, Hospital Getúlio Vargas, Recife. https://orcid.org/0000-0003-3725-1615, nina_tl@hotmail.com.
2. MD, Cirurgia Geral, Hospital Getúlio Vargas, Recife. https://orcid.org/0000-0003-3469-1068, matheus.dantas@gmail.com.
3. MD, Cirurgia Torácica, Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Recife. https://orcid.org/0000-0001-7101-4862, rodrigo9.moreira@gmail.com.
4. MD, Pesquisadora, Nova Iorque, EUA. Faculdade Pernambucana de Saúde, Recife. https://orcid.org/0000-0002-0238-8374, raquelnogueiracordeiro@
gmail.com.
5. MD, Cirurgião Geral. Research fellow, Departamento de Cirurgia, Montefiore Medical Center, Nova Iorque, EUA. https://orcid.org/0000-0001-7383-
1284, dilaurentino@gmail.com.
6. MD, Universidade de Pernambuco (UPE), Recife, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3366-1182, gustavogoesmt@gmail.com
7. MD, Cirurgião, Departamento de Cirurgia do Aparelho Digestivo, Hospital Getúlio Vargas, Recife. https://orcid.org/0000-0002-1304-7006, bgnj@
ig.com.br.
Endereço para correspondencia: Raquel Nogueira C. L. Lima. 1741 Seminole Avenue. 10461 - Bronx - New York – USA. Email: raquelnogueiracordeiro@
gmail.com.
RESUMO: Os lipomas são lesões benignas formadas por 
células gordurosas adultas e circundadas por cápsula fibrosa. 
Esses tumores podem ser assintomáticos ou apresentar-se 
com uma variedade de sintomas, podendo evoluir como uma 
emergência cirúrgica ou serem erroneamente diagnosticados 
como doença maligna. Assim, descrevemos três casos de pacientes 
diagnosticados com lipomas gastrointestinais (um caso de intestino 
delgado, um caso de ceco, e o terceiro de sigmoide) após início 
de quadro clínico sugestivo de abdome agudo, os dois primeiros 
casos foram inicialmente abordados por via laparoscópica e 
posteriormente a ressecção e anastomose foram realizadas por vias 
extracorpóreas, através de uma incisão de Pfannenstiel. O terceiro 
caso teve abordagem laparotômica. O estudo foi observacional 
e retrospectivo com análise de prontuários médicos. Os lipomas 
do trato gastrointestinal são raros, porém devem ser lembrados 
como diagnóstico diferencial, principalmente nos pacientes 
que apresentam quadro de dor abdominal aguda, geralmente 
compatível com abdome aguda obstrutivo.
Palavras-chave: Abdome agudo; Lipoma; Pseudo-obstrução 
intestinal; Laparoscopia; Lesão benigna.
ABSTRACT: Lipomas are benign lesions formed by adult fatty 
cells, surrounded by a fibrous capsule. These tumors may be 
asymptomatic or present a variety of symptoms, which may occur 
as a surgical emergency, and may also be erroneously diagnosed 
as malignant disease. We report three cases of patients diagnosed 
with gastrointestinal lipomas (one case from the small intestine, 
another one from the cecum and the third one from the sigmoid) 
after the clinical presentation of acute abdomen, the first two cases 
were initially treated by laparoscopy and subsequently resection 
and anastomosis were performed by extracorporeal pathways 
through a Pfannenstiel incision. The third case had a laparotomic 
approach. The study was observational and retrospective with 
research of medical records. Lipomas of the gastrointestinal 
tract are rare, but should be included in the differential diagnosis, 
especially in patients presenting with acute abdominal pain, 
usually compatible with acute obstructive abdomen. 
Keywords: Acute abdomen; Lipoma; Intestinal pseudo-
obstruction; Laparoscopy; Benign lesion.
79
Lira NRT, et al. Causa incomum de abdome agudo: lipoma intestinal 
INTRODUÇÃO 
Os lipomas são lesões benignas formadas por células gordurosas circundadas por uma 
cápsula fibrosa1. Descritos pela primeira vez no trato 
gastrointestinal (TGI) por Bauer, em 1757, são uma 
condição rara, apesar de ser a neoplasia não epitelial mais 
comum no TGI2-4, podendo ser sésseis ou pediculados5.
As células adiposas que originam os lipomas são 
do tipo uniloculares, as mesmas que compõem o tecido 
adiposo comum6. Da cápsula dos lipomas partem septos 
da mesma natureza tumoral, os quais contém colágeno, e, 
portanto, determinam a consistência da massa1.
Os lipomas gastrointestinais podem ser 
sintomáticos ou não, apresentando risco de evoluir 
como uma emergência cirúrgica ou serem erroneamente 
diagnosticados como doença maligna1.
RELATO DOS CASOS
Relato do Caso 1 
Paciente do sexo masculino, 64 anos, com história 
de dor em flanco esquerdo há 30 dias, tipo cólica, sem 
alterações do hábito intestinal, associada a melena há 
10 dias, sem hematoquezia ou perda ponderal. Negava 
comorbidades, uso de medicações, etilismo e tabagismo. 
Única cirurgia prévia fora um apendicectomia há 25 
anos. Ultrassonografia (USG) abdominal do dia anterior 
à admissão evidenciava nódulo em hipocôndrio esquerdo 
sugestivo de espessamento de alça intestinal.
Paciente foi internado com hipótese diagnóstica 
de câncer de cólon, sendo realizada colonoscopia, que 
evidenciou doença diverticular dos cólons, de forma 
universal, não complicada. Esofagoduodenoscopia 
evidenciou pangastrite enantematosa leve. 
A investigação prosseguiu com tomografia 
computadorizada de abdome (Figura 1), que apresentou 
sinais sugestivos de invaginação intestinal envolvendo 
segmento jejunal e ocupando o flanco esquerdo, com 
extensão de aproximadamente 15 cm, sem definição 
clara de processos expansivos nem causas neoplásicas 
relacionadas.
Figura 1 - Caso 1: Tomografia computadorizada de abdome 
evidenciando sinal do alvo sugestivo de intussuscepção 
Descrição cirúrgica 1 
O paciente foi, então, submetido à abordagem 
laparoscópica, revelando alças de delgado em flanco 
esquerdo dilatadas e segmento de aproximadamente 5 cm 
endurecido com insinuação de uma alça em outra, além de 
aderências de alça de delgado em íleo terminal e aderência 
epiplóica. Posteriormente, foi realizada abordagem 
extracorpórea com uma incisão de Pfannenstiel, com 
ressecção de aproximadamente 15 cm do segmento de 
jejuno invaginado, sendo realizada anastomose jejuno-
jejunal término-terminal (Figura 2. A, A’, A’’). Notam-
se também áreas hemorrágicas na mucosa adjacente à 
lesão. No meso, foi identificado um linfonodo firme, 
acastanhado, medindo 0,6 x 0,4 x 0,3 cm.
Figura 2 - Caso 1: A. Segmento de intestino delgado ressecado; B. Tumoração polipoide jejunal; C. Anastomose entérica 
O paciente evoluiu clinicamente bem, sem 
intercorrências, recebendo alta hospitalar no 13º dia pós-
operatório. O estudo anatomopatológico do segmento 
de intestino delgado, previamente seccionado, medindo 
18,5 cm de comprimento e 3,0 cm de diâmetro, revelou 
serosa lisa e pardacenta. Na mucosa, a 7,5 cm da menor 
margem, foi observada tumoração polipoide, firme, 
pardo-amarelada, medindo 4,5 x 3,5 x 2,0 cm, mostrando 
invaginação para dentro do lúmen intestinal (Figura 3. 
A). Diagnosticado segmento de jejuno (intussuscepção); 
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Rev Med (São Paulo). 2021 jan.-fev.;100(1):78-83.
lipoma submucoso, ulcerado, medindo 4,5cm, associado 
a intussuscepçãoe serosite. Margens cirúrgicas livres de 
neoplasia. Um linfonodo mostrando hiperplasia folicular 
reativa.
Figura 3 - A. Segmento de intestino delgado acometido pela invaginação (Caso 1); B. Peça cirúrgica ressecada contendo íleo terminal, 
ceco, apêndice vermiforme e cólon ascendente (Caso 2); C. Tumoração em região e ceco com aspecto lipomatoso (Caso 2) 
Relato do Caso 2 
Paciente do sexo feminino, 40 anos, foi admitida 
na emergência com história de dor epigástrica que migrou 
para fossa ilíaca direita há dois dias, associada a vômitos. 
Negava comorbidades. Ao exame físico, apresentava dor 
à descompressão brusca em fossa ilíaca direita. Realizou 
USG de abdome o qual foi sugestivo de apendicite aguda.
Descrição cirúrgica 2 
A paciente foi submetida a abordagem 
videolaparoscópica no mesmo dia da admissão. Achados 
cirúrgicos foram apêndice vermiforme íntegro, pouco 
hiperemiado, com base invaginada e presença de aumento 
de volume inespecífico de ceco. Realizada liberação do 
bloqueio, de todo cólon direito pela linha avascular e 
parte do transverso; após ressecção da peça, foi realizado 
abordagem extracorpórea - uma incisão de Pfannenstiel 
foi realizada para retirada da peça e confecção de uma 
anastomose latero-lateral íleo-transverso com grampeador 
linear. Uma massa esferóide, fibroelástica de 8 cm de 
diâmetro no interior do ceco com invaginação parcial da 
base do apêndice foi encontrada. O apêndice encontrava-
se com aspecto normal (Figura 3. A).
Paciente evoluiu bem clinicamente, sem 
intercorrências, e recebeu alta no quinto dia de pós-
operatório. Em retorno ambulatorial, trouxe resultado 
de exame histopatológico: analisada peça cirúrgica de 
cólon direito e íleo terminal em monobloco, medindo 33 
cm de comprimento e diâmetro variando ente 2,5 e 4,5 
cm, recoberto parcialmente por epíplon. Quando aberto, 
a mucosa era conservada, amarelo-esverdeada, exceto no 
ceco onde foi observada formação tecidual pediculada, 
firme-elástica, com 6,0 x 6,0 x 3,5 cm. Superfície de corte 
da formação é de aspecto adiposo. Ainda em monobloco, 
apêndice com 7,0 x 0,8 cm, castanho-acinzentado com 
luz virtual. Não havia linfonodos no espécime (Figura 3. 
A’). Diagnóstico histológico: lipoma pediculado, ulcerado 
na submucosa do ceco. Colite crônica leve associada. 
Hiperplasia linfóide do apêndice cecal.
Relato do Caso 3 
Paciente do sexo feminino, 49 anos, foi admitida 
no setor de emergência com quadro de dor abdominal 
difusa intensa há três dias. Encontrava-se no 15º dia 
pós-operatório de histerectomia total com ooforectomia 
bilateral. Realizou TAC de abdome com contraste venoso 
que evidenciou coleções hipodensas em pelve, a maior 
medindo 10,8 x 8,3 x 4,7 cm e a direita, medindo 3,5 x 
2,9 x 2,3 cm, com pequena quantidade de líquido livre em 
cavidade abdominal; formação expansiva com densidade 
semelhante a gordura adjacente a parede do reto e 
herniação intra-abdominal de parte de alça de delgado, 
tecido adiposo e vaso mesentérico, circundando o 
sigmoide, porém sem definição de obstrução a montante.
Descrição cirúrgica 3 
A paciente, então, foi submetida a laparotomia 
exploradora de urgência cujos achados foram: moderada 
quantidade de secreção hemática em cavidade abdominal, 
sem sinais de sangramento ativo; ausência de pus ou 
secreção entérica. Identificada invaginação de todo 
o sigmoide para o reto; durante tentativa de redução 
da invaginação houve desvascularização extensa do 
sigmóide; “cabeça” da invaginação representada por 
lesão polipóide gigante de 6 cm em seu maior eixo, de 
possível linhagem lipomatosa. Apêndice vermiforme com 
aderência firme e área de inflamação junto à ligadura dos 
vasos gonadais direitos. Equipe cirúrgica optou foi realizar 
81
Lira NRT, et al. Causa incomum de abdome agudo: lipoma intestinal 
apendicectomia e sigmoidectomia com anastomose 
colorretal manual. 
Paciente evoluiu clinicamente bem, recebendo 
alta hospitalar no sétimo dia pós-operatório. O estudo 
anatomopatológico mostrou: material de cólon sigmoide 
– segmento colônico medindo 43 cm de comprimento 
e 5,9 cm no maior diâmetro, serosa lisa e pardacenta, 
notando-se área de solução de continuidade medindo 
6,0 cm de diâmetro a 16 cm da menor margem, onde 
é visualizada tumoração polipóide. Quando aberto, 
observa-se que a tumoração é elástica, medindo 6 x 4,5 
x 3,5 cm. Aos cortes, a tumoração é de aspecto adiposo. 
No meso adjacente, foram identificados quatro linfonodos 
pardo-amarelados, o maior medindo 1,5 x 0,8 x 0,5 cm. 
Apêndice vermiforme medindo 8 cm de comprimento 
e 1 cm no seu maior diâmetro, superfície externa lisa, 
parcialmente recoberta por material purulento (Figura 4). 
Diagnóstico histológico: lipoma pediculado e ulcerado 
do cólon sigmoide, colite crônica associada. Apêndice 
vermiforme dentro dos limites da normalidade.
Figura 4 - Caso 3 - A. Peça cirúrgica – sigmoide; B. Peça cirúrgica aberta contendo tumoração polipoide.
DISCUSSÃO
O lipoma intestinal apresenta incidência maior nas 
mulheres, sendo de duas mulheres para cada homem,7 o 
que acabou coincidindo com nosso presente relato. Em 
uma revisão de 64 portadores de lipomas sintomáticos, 41 
(64%) eram mulheres1. A idade mais comum é na quinta 
a sexta décadas de vida para o cólon, estando nossos dois 
casos fora da faixa etária padrão. Para intestino delgado, a 
faixa etária predominante é da sexta a sétima décadas,8,9 e 
neste caso, o paciente descrito encontra-se nesse intervalo.
O local mais comum para lipoma do TGI é o cólon, 
especificamente o ceco e o cólon ascendente. Nosso estudo 
descreve um caso no ceco e um em sigmoide, sendo este 
mais raro. O local onde o lipoma é mais comum é o íleo, 
sendo o jejuno mais infrequente, como identificado no 
Caso 1.
Segundo Mouaqit10 em sua revisão de 51 casos 
de intussuscepções intestinais em adultos induzidas por 
lipoma, 26 ocorreram no intestino delgado, sendo 21 de 
íleo e apenas 5 em jejuno. Vinte e três foram de cólon, 
sendo 3 de ceco e 3 de sigmoide. Sete foram de cólon 
ascendente, 6 de transverso e 4 de cólon descendente. 
Apenas 2 ocorreram no estômago, exemplificando a 
raridade dessa doença. Já D’Javid et al.1 revisou 278 casos, 
dos quais 44% localizavam-se entre a válvula ileocecal 
e a porção distal do cólon ascendente, antes da flexura 
hepática, 21,5% no cólon transverso e 34,5% no segmento 
mais distal, incluindo o reto.
Segundo Jiang7, após revisão de 33 casos, os sinais 
e sintomas mais comuns incluem dor abdominal (42,4%), 
sangramento retal (54,5%) e alteração do hábito intestinal 
(24,2%). Nossos três casos apresentavam como sintoma 
cardinal a dor abdominal, condizente com a literatura. 
Apenas o caso do lipoma de jejuno apresentou-se com 
outros sintomas associados, entre eles, melena; nenhum 
paciente apresentou mudança de hábito intestinal.
Geralmente os lipomas tornam-se sintomáticos 
quando superam os 2 cm de diâmetro, estando o tamanho 
do lipoma diretamente relacionado com complicações 
agudas, como obstrução e invaginação11. Os três casos 
relatados no presente artigo apresentavam grandes 
diâmetros, sendo o menor de 4,5cm e o maior, 6 cm. A 
complicação aguda mais frequente do lipoma intestinal é 
a intussuscepção11, como encontrado na literatura vigente.
A intervenção cirúrgica é mandatória em situações 
de obstrução, intussuscepção, perfuração ou hemorragia 
maciça causada pelo lipoma intestinal. Lipomas que 
não geram urgência cirúrgica, mas são sintomáticos, 
ou grandes (mesmo assintomáticos) também devem ser 
ressecados12.
Vários métodos cirúrgicos, como excisão 
local através de uma pequena incisão em dois pontos, 
ressecção segmentar do cólon e hemicolectomia, podem 
ser empregados para tratar um lipoma de cólon. Um 
importante critério a ser considerado na escolha do 
82
Rev Med (São Paulo). 2021 jan.-fev.;100(1):78-83.
procedimento é avaliar existência de intussuscepção, 
tamanho, localização do tumor e diagnóstico pré-
operatório correto7,13. O uso de técnicas minimamente 
invasivasdeve ser encorajado, devido a menor trauma 
cirúrgico e as vantagens já conhecidas da laparoscopia.
Com o avanço da colonoscopia e cauterização 
endoscópica, ressecção com laço pela colonoscopia 
tornou-se popular e tem provado ser um método 
terapêutico seguro, especialmente para lesões pequenas. 
No entanto, lipomas maiores que 2 cm de diâmetro estão 
associados a maior risco de perfuração, sendo preferível a 
abordagem cirúrgica7.
Kim et al.14 descreveram a remoção endoscópica 
de lipoma com um diâmetro máximo de 3,8 cm, assistida 
por injeção de solução salina com ou sem epinefrina 
na submucosa abaixo da lesão, sem complicações. 
Jiang7 relata resultado semelhante, com remoção segura 
endoscópica de um grande lipoma de 5 cm.
Porém é consenso na literatura que casos 
inadequados para ressecção endoscópica devem sempre ter 
a ressecção cirúrgica indicada, seja por via laparoscópica 
ou abordagem aberta, para o alívio dos sintomas e 
prevenção de intussuscepção e outras complicações12.
Conforme concluído por Jiang7, a remoção 
cirúrgica deve ser a escolha preferida nas seguintes 
situações: lipoma com diâmetro > 4 cm, com uma 
aparência séssil ou pedículo limitado; diagnóstico pré-
operatório incerto; lesões com sintomas significativos, 
especialmente o aparecimento de intussuscepção; 
envolvimento da camada muscular ou serosa; e lesão que 
não pode ser radicalmente ressecada por colonoscopia1-5. 
Visto que os três casos descritos no presente artigo 
configuraram emergência com complicações agudas, a 
conduta cirúrgica mostrou-se a mais adequada.
Como os lipomas são tumores benignos, a margem 
de ressecção livre de malignidade deve ser imediatamente 
verificada na sala de cirurgia usando biópsia de 
congelação, a fim de confirmar que o tumor é realmente 
benigno e evitar grandes ressecções intestinais. No 
entanto, se a malignidade não é excluída, o procedimento 
cirúrgico deve ser ampliado com dissecção linfonodal e 
ressecção intestinal radical2-6. Pela indisponibilidade de 
biópsia por congelação na emergência do nosso serviço, o 
que impossibilitou a análise no intra operatório, todas as 
lesões foram ressecadas com ampla margem de segurança.
CONCLUSÕES 
Este trabalho apresenta relevância por descrever 
três casos de uma afecção rara: lipoma gastrointestinal. 
Pela baixa prevalência, há dificuldade em realizar ensaios 
clínicos com maior número de pacientes, ressaltando a 
importância das séries de casos. Embora raros, os lipomas 
gastrointestinais devem ser lembrados como diagnóstico 
diferencial, principalmente nos pacientes que apresentam 
quadro de dor abdominal compatível com abdome agudo, 
obstrução intestinal e intussuscepção intestinal no adulto. 
Participação dos autores: Informamos para devido fins que o artigo foi confeccionado em conjunto pelo grupo de autores com o grau 
de participação seguinte: Coleta de dados (Lira NRT, Gonçalves MDG). Orientação organizacional e sobre a essência, argumentação e 
relevância do trabalho: Lira NRT, Nóbrega Júnior BG, Moreira RS. Análise, pesquisa dos artigos, leitura e exclusão de pesquisas não 
pertinentes ao envolvimento do tema escolhido: Lira NRT, Gonçalves MDG, Lima DL, Lima RNCL. Leitura e escrita do conteúdo: Lira 
NRT, Gonçalves MDG, Lima DL, Lima RNCL. Revisão do texto quanto a integridade e veracidade quanto as fontes utilizadas: Lira 
NRT, Gonçalves MDG, Moreira RS, Lima DL, Lima RNCL, Nóbrega Júnior BG, Goes GHB. Dessa forma, o grupo de autores certifica 
participação conjunta na confecção do artigo, esperando contribuir no tema em questão.
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