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F R E N T E 2 133 Seguindo essa lógica, os dirigíveis são preenchidos por um gás menos denso que o ar, como o hélio, para, assim, poderem flutuar Nos balões de ar quente, utilizam se me canismos para aquecer o ar interno ao balão, fazendo com que sua densidade seja menor que a do ar externo, a uma temperatura ambiente; assim eles sobem e podem flutuar No corpo humano, também atua a força de empuxo, devi do à atmosfera terrestre Porém, como a densidade do ar é de aproximadamente 1,2 kg/m3, em condições normais de tempe- ratura e pressão, e a densidade do corpo humano é da ordem de 103 kg/m3, a força de empuxo é cerca de mil vezes menor que a força peso e é, portanto, normalmente, desprezada Exercício resolvido 9 UFPB 2011 Um balão meteorológico é usado para analisar a atmosfera da Terra e fazer a previsão do tempo. A figura a seguir representa esse balão e a superfície da Terra. Considere para um dado balão meteorológico: • A massa do conjunto, material usado para confec- cionar o balão e dispositivo utilizado para se fazer as medições climáticas, é igual a 80 kg. • Apenas o volume ocupado pelo gás dentro balão deve ser considerado. • A densidade do ar onde o balão se encontra é de 1,2 kg/m3. • A densidade do gás no interior do balão é de 0,8 kg/m3. Com base nesses dados, é correto armar que o volu- me ocupado pelo gás no interior do balão, necessário para mantê-lo a certa altura acima do solo, é de: A 100 m3 b 200 m3 C 300 m3 400 m3 E 500 m3 Resolução: Considerando que o balão está em equilíbrio a certa altura acima do solo, a intensidade da força peso é igual à intensidade da força de empuxo. Assim: + = + = + = = ⇒ = P P E d Vg mg d Vg 0,8 V 80 1,2 V 0,4 V 80 V 200m gás balão gás ar 3 Alternativa: B Flutuação em líquidos Quando um objeto, sujeito apenas à força peso e à força de empuxo, tem peso maior do que o peso do volume total de fluido que ele desloca, esse objeto afunda. Ou seja, um objeto afunda quando a intensidade da força peso é maior que a intensidade da força de empuxo. Se o fluido for a água, por exemplo, qualquer objeto com densidade relativa maior que 1, ou seja, maior que a densidade da água, irá afundar. Se um objeto totalmente imerso em um líquido, em qualquer profundidade, tem densidade exatamente igual à do líquido, ele fica em equilíbrio sem se projetar para cima da superfície livre do líquido, já que a intensidade da força peso é igual à intensidade da força de empuxo. Porém, se o objeto tiver uma densidade menor do que a do líquido, ele vai à superfície e passa a flutuar em equi- líbrio, com uma porção submersa e outra porção emersa. No equilíbrio, a intensidade da força peso é igual à intensidade da força de empuxo, porém, para calcular a intensidade da força de empuxo, consideramos apenas o volume submerso. Atenção Um bloco de gelo não afunda em água porque tem densidade menor, de aproximadamente 0,9 g/cm3. Em líquidos com densidade menor que a do gelo, como o álcool, com densidade de aproximadamente 0,8 g/cm3, o bloco de gelo afunda (Fig. 25). Fig. 25 O gelo (dgelo ≅ 0,9 cm 3 ) flutua em água (dágua = 1 g/cm 3 ), mas afunda em álcool (dálcool≅ 0,8 g/cm 3 ) Um prego maciço de ferro afunda em água porque a densidade do ferro, de aproximadamente 7,8 g/cm3, é maior que a da água. Um navio, composto de milhares de pregos e chapas de ferro, não afunda, pois possui espaços vazios em seu interior, o que resulta em uma densidade menor que 1 g/cm3, ou seja, menor que a da água. M a ri y a n a M /S h u tt e rs to c k G e rt L a v s e n /S h u tt e rs to c k FÍSICA Capítulo 12 Hidrostática134 Exercício resolvido 10 Unesp Os tripulantes de um navio deparam-se com um grande iceberg desprendido das geleiras po- lares como consequência do aquecimento global. Para avaliar o grau de periculosidade do bloco de gelo para a navegação, eles precisam saber qual é a porção submersa do bloco. Experientes em sua atividade, conseguem estimar a fração submersa do volume utilizando as massas específicas do gelo, igual a 0,92 g/cm3, e da água salgada, igual a 1,03 g/cm3. Qual foi o valor da fração submersa calculada pelos navegantes? Resolução: Como o iceberg está em equilíbrio, a intensidade da força peso é igual à intensidade da força de empuxo, logo: P E mg d V g d V g d V g V V d d V V 0,92 1,03 V 0,89 V água sub gelo total água sub sub total gelo água sub total sub total ( )= ⇒ = ⇒ = ⇒ ⇒ = ⇒ = ⇒ ≅ Ou seja, a porção submersa representa cerca de 90% do volume total do iceberg. Mar Morto O Mar Morto é um lago de água salgada localizado no Oriente Médio. Seu nome se deve à alta concentração de sal, quase 10 vezes superior à dos oceanos, o que torna a vida por ali praticamente impossível. A elevada salinidade faz com que a densidade da água seja muito alta, de aproximadamente 1 350 kg/m 3 , maior que a densidade do corpo humano, de aproximadamente 1 060 kg/m 3 Isso possibilita que uma pessoa boie com grande facilidade Fig. 26 Devido à alta densidade da água, sem a ação de forças externas é im- possível afundar no Mar Morto Saiba mais v ic s p a c e w a lk e r/ S h u tt e rs to c k Verificação experimental do empuxo e peso aparente Uma das maneiras de verificar experimentalmente a existência da força de empuxo é com a utilização de uma balança. Considere um recipiente com água sobre uma balança. O peso total do conjunto vale 10 N, assim, a balança registra a força normal de módulo também igual a 10 N. Ao colocar no recipiente uma esfera mais densa que o líquido, suspensa por um fio, a indicação da balança au- menta para 12 N Esse aumento de 2 N na indicação da balança se deve à força de empuxo. Se o líquido exerce uma força na esfera para cima pelo princípio da ação e reação (terceira lei de Newton), a esfera exerce uma força no líquido para baixo resultando em um incremento na in- dicação da balança. 10 12 Fig. 27 Pesagem de esfera suspensa imersa em líquido. Antes de a esfera ser colocada na água, o dinamômetro (colocado no fio que a sustenta) indica 5 N, mesmo valor do peso da esfera. Ao ser imersa na água, uma força de empuxo de 2 N para cima é exercida na esfera. Assim, para que a esfera permaneça em equilíbrio, a força de tração no fio deve ser de 3 N, e o dinamômetro passa a indicar esse valor. P = 5 N T = 5 N 5 N Situação 1 3 N Situação 2 E = 2 N T = 3 N P = 5 N Fig. 28 Pesagem de esfera com indicações das forças que atuam sobre ela. A nova indicação do dinamômetro, T = 3 N, é o que cha- mamos de peso aparente, já que aparentemente o peso do objeto diminui Porém, sabemos que foi a força de empuxo para cima que alterou o valor indicado pelo dinamômetro. Se o fio for cortado e a esfera ficar no fundo do re- cipiente, a balança indicará o peso total do conjunto (recipiente + água + esfera), ou seja, 15 N. F R E N T E 2 135 15 Fig. 29 Pesagem de todo o conjunto somada. O peso aparente (Paparente) de um corpo é definido pela diferença entre a intensidade da força do peso do corpo no ar e a intensidade da força de empuxo. Paparente = P – E Imersão de um sólido em líquidos imiscíveis Quando um sólido está imerso em um recipiente con tendo dois líquidos imiscíveis de densidades diferentes, o cálculo do empuxo pode ser feito considerando o volume submerso em cada um dos líquidos = +E d V g d V g 1 A 2 B 2 1 A B Fig. 30 Objeto imerso em dois líquidos imiscíveis. Vazão Apesar de este capítulo ser dedicado ao estudo de fluidos em repouso, muitos fenômenos estão relacionados a fluidos em movimento, como a circulação do sangue em nosso corpo e o ar passando pelas asas de um avião. Por- tanto, vamos analisar agora uma característica importante dos fluidos em movimento, a vazão. A vazão (φ) de um fluido é definida pelo volume do fluido (ΔV) que atravessa uma seção transversal (A) de uma tubulação (Fig. 31) em um intervalo de tempo (Δt): φ = Δ Δ V t ∆s A A v Fig. 31 Fluido perpassando tubulação. No SI, a unidade de medida de vazão é o metrocúbico por segundo (m3/s) Porém, uma unidade bastante utilizada no cotidiano é o litro por segundo (L/s). 1 m3/s = 1 000 L/s Se, nessa tubulação, o fluido percorre uma distância Δs em um intervalo de tempo Δt, podemos relacionar a vazão com a área da seção transversal da tubulação (A) e a velo- cidade de escoamento (v): φ = Δ Δ = ⋅Δ Δ =V t A s t Av Exercício resolvido 11 UPE 2014 Um tanque de uma refinaria de petróleo deve ser preenchido com 36 000 m3 de óleo. Esse processo será realizado por um navio petroleiro que está carre- gado com 100 000 m3 de óleo. Sabendo que a vazão de transferência de óleo do navio para o tanque é igual a 100 litros por segundo, estime a quantidade de dias necessários para a conclusão da transferência. A 1 b 2 C 3 4 E 5 Resolução: O volume do tanque é: V = 36 000 m3 = 36 ⋅ 106 dm3 = 36 ⋅ 106 L A vazão de transferência de óleo é: φ = 100 L/s Assim, o tempo necessário para a conclusão da trans- ferência é dado por: V t t V 36 10 100 t 36 10 s 6 4φ = Δ Δ ⇒ Δ = Δ φ = ⇒ Δ = ⋅ Em dias, temos: n 36 10 24 3 600 4, 17 4 = ⋅ ⋅ ≅ Logo, são necessários 5 dias para a conclusão da transferência. Alternativa: E. Equação da continuidade Em fluidos não viscosos e incompressíveis, a densidade não varia ao longo do escoamento. Assim, em um intervalo de tempo Δt, o volume ΔV de fluido que passa por uma área A1 é o mesmo que passa por uma área A2 (Fig. 32). Portanto, a vazão nas duas seções transversais é a mesma. A1 A2 v1 v2 Fig. 32 Fluido escoando por tubulação com seções transversais de áreas distintas. φ1 = φ2 ⇒ A1· v1 = A2· v2 FÍSICA Capítulo 12 Hidrostática136 Essa equação, chamada equação da continuidade, mostra a relação entre a velocidade v de escoamento de um fluido e a seção transversal A de escoamento Quando diminuímos a seção transversal de uma tubulação, a ve- locidade de escoamento aumenta para manter constante a vazão Quando obstruímos a saída de água de uma manguei ra, por exemplo, o jato de água sai com mais velocidade, embora o fluxo seja constante Em uma torneira, a ação da gravidade faz com que a água seja acelerada e ganhe velo- cidade à medida que cai Pela equação da continuidade, à medida que a velocidade aumenta, o jato de água se torna mais estreito (Fig 33) Fig. 33 O jato de água de uma torneira afunila à medida que cai Equação de Bernoulli Quando um fluido não viscoso e incompressível escoa por uma tubulação, podemos aplicar o princípio da conser vação de energia mecânica para chegar a uma importante relação entre a pressão e a velocidade de escoamento de um fluido sob a ação da gravidade, denominada equação de Bernoulli + + = + +p dgh dv 2 p dgh dv 21 1 1 2 2 2 2 2 A 1 A 2 h 2 v 1 h 1 v 2 Fig. 34 Tubulação com seções transversais com áreas e alturas distintas. Ou seja, para qualquer ponto do fluido, + +p dgh dv 2 2 é constante, em que p é a pressão em determinado pon- to do fluido, d é a densidade do fluido, h é a altura em relação a um referencial, g é a intensidade do campo gravitacional e v é a velocidade de escoamento no ponto considerado. Uma conclusão importante dessa equação é o efeito Bernoulli, que estabelece que, nos pontos onde a veloci- dade de escoamento é maior, a pressão é menor. Ao relacionarmos esse conceito com a equação da continuidade, percebemos que, ao diminuir a área da seção transversal de uma tubulação, a velocidade de es- coamento aumenta, logo, a pressão diminui nesse ponto. São inúmeras as aplicações dessas equações em nos- so cotidiano. Na Medicina, é importante o conhecimento da hidrodinâmica para estudar o fluxo sanguíneo e as va- riações de pressão nas artérias e veias. Na Aeronáutica, as asas de um avião são projetadas para que o ar passe mais rapidamente pela parte superior, diminuindo assim a pressão e criando uma força resultante para cima, susten- tando o avião. Sustentação Fluxo de ar Menor velocidade Maior pressão Maior velocidade Menor pressão Fig. 35 Representação do fluxo de ar responsável pela força de sustentação da asa de um avião A sustentação está relacionada às diferenças de pressão e velocidade observadas na parte de cima e de baixo da asa Outro exemplo acontece durante uma ventania: o ar que passa em alta velocidade pelas janelas de uma casa faz com que a pressão diminua nessa região. Assim, devido a essa diferença de pressão entre o ar interno e o ar externo em movimento, as cortinas são puxadas para fora. n ik k y to k /S h u tt e rs to c k