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9 Unesp As cantigas que focalizam temas amorosos
apresentam-se em dois gêneros na poesia trovado-
resca: as “cantigas de amor”, em que o eu-poemático
representa a figura do namorado (o “amigo”), e as
“cantigas de amigo”, em que o eu-poemático repre-
senta a figura da mulher amada (a “amiga”) falando de
seu amor ao “amigo”, por vezes dirigindo-se a ele ou
dialogando com ele, com outras “amigas” ou, mesmo,
com um confidente (a mãe, a irmã, etc.). De posse des-
ta informação,
a) classifique a cantiga de Airas Nunes em um dos
dois gêneros, apresentando a justificativa dessa
resposta.
) identifique, levando em consideração o próprio
título, a figura que o eu-poemático do poema de
Cecília Meireles representa.
10 Uepa 2012 A literatura do amor cortês, pode-se acres-
centar, contribuiu para transformar de algum modo a
realidade extraliterária, atua como componente do que
Elias (1994)* chamou de processo civilizador. Ao mesmo
tempo, a realidade extraliterária penetra processualmen-
te nessa literatura que, em parte, nasceu como forma de
sonho e de evasão.
Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, EDUFSC. v. 41.
n. 1 e 2. pp. 83 110, abr. e out. de 2007. pp. 91 2. *Cf. ELIAS, N.
O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. v. 1.
Interprete o comentário apresentado e, com base
nele e em seus conhecimentos acerca do lirismo me-
dieval galego-português, marque a alternativa correta.
A As cantigas de amor recriaram o mesmo ambiente
palaciano das cortes galegas.
b “A literatura do amor cortês” reetiu a verdade so-
bre a vida privada medieval.
 A servidão amorosa e a idealização da mulher fo-
ram os grandes temas da poesia produzida por
vilões.
D O amor cortês foi uma prática literária que aos pou-
cos modelou o perfil do homem civilizado.
E Nas cantigas medievais mulheres e homens sub-
metem-se às maneiras refinadas da cortesia.
11 Considere as seguintes afirmações sobre o Humanis-
mo na literatura:
I. O Humanismo é o estilo de época que marca a
transição entre as artes medieval e renascentista
e, como seu nome indica, remete ao que é pró-
prio do pensamento humanista.
II. No Humanismo, a poesia ganha ares mais sofis-
ticados; conhecida ainda como cantiga ou como
poesia palaciana, era feita para ser declamada
nos saraus, mas perde o acompanhamento musi-
cal e ganha novas estruturas e figuras estilísticas.
III. Fernão Lopes foi um cronista e o primeiro his-
toriador de Portugal, responsável por renovar
o modo de contar a história de seu país, uma
vez que fazia o registro dos feitos do rei e dos
nobres, desprezando a participação social da “ar-
raia miúda” (o povo).
Está correto o que se arma em:
A I.
b I e II.
 III.
D I e III.
12 A respeito de Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) e do seu teatro,
é incorreto afirmar que:
A ele adequou a tradição dos autos e das farsas me-
dievais à nova mentalidade vigente na época.
b por meio de narrativas tradicionais ajustadas à lin-
guagem coloquial desse período, ele escreveu e
dirigiu peças que criticavam com maestria todos os
segmentos da sociedade.
 ele criticava a superficialidade dos nobres e a cor-
rupção do clero e dos magistrados, mas o ponto de
vista ainda era pautado nos valores cristãos e na
confiança na igreja enquanto instituição.
D o autor criticava as instituições do período, espe-
cialmente a corrupção na Igreja Católica.
13 São características importantes do teatro vicentino:
I. Os versos livres e brancos, que aproximavam o
texto do ritmo da fala cotidiana e despojada, con-
ferindo verossimilhança linguística às personagens
retratadas.
II. A presença de personagens-tipo, que destacavam
elementos criticáveis no caráter de determinada
classe social.
III. Os diálogos irônicos (carregados de duplo senti-
do), que construíam a cumplicidade com o público
e o levavam ao riso.
Está correto o que se arma em:
A I.
b I e II.
 III.
D II e III.
O poema a seguir é um dos textos mais conhecidos
do Cancioneiro geral, de Garcia de Resende. Leia-o
atentamente para responder às questões 14 e 15.
Cantiga sua partindo-se
Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d’esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
BRANCO, Roiz de Castelo apud RESENDE, Garcia de.
Cancioneiro geral. In: MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa
através dos textos. 29 ed. São Paulo: Cultrix, 1998. p. 67.
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 2 Trovadorismo, Humanismo e Classicismo: as origens da Literatura em Língua Portuguesa248
14 Indique elementos dessa cantiga que diferenciam
a poesia palaciana humanista das cantigas trovado-
rescas medievais.
15 Um dos aspectos que diferenciam a lírica amorosa
do Trovadorismo em relação à do Humanismo é evi-
denciado na natureza da relação entre o eu lírico e a
amada. No poema de Garcia de Resende, a expres-
são que comprova o que está sendo afirmado é:
A “senhora”.
b “meu bem”.
c “por vós”.
d “por ninguém”.
16 Fuvest
E chegando à barca da glória, diz ao Anjo:
Brísida. Barqueiro, mano, meus olhos,
 prancha a Brísida Vaz!
Anjo. Eu não sei quem te cá traz...
Brísida. Peço-vo-lo de giolhos!
 Cuidais que trago piolhos,
 anjo de Deus, minha rosa?
 Eu sou Brísida, a preciosa,
 que dava as môças aos molhos.
 A que criava as meninas
 para os cônegos da Sé...
 Passai-me, por vossa fé,
 meu amor, minhas boninas,
 olhos de perlinhas finas!
 [...]
VICENTE, Gil. Auto da barca do Inferno. (Texto fixado por S. Spina)
a) No excerto, a maneira de tratar o Anjo, emprega-
da por Brísida Vaz, relaciona-se à atividade que
ela exercera em vida? Explique resumidamente.
) No excerto, o tratamento que Brísida Vaz dispen-
sa ao Anjo é adequado à obtenção do que ela
deseja – isto é, levar o Anjo a permitir que ela em-
barque? Por quê?
17 Unicamp Leia os diálogos abaixo da peça “O Velho da
Horta” de Gil Vicente:
(Mocinha) – Estás doente, ou que haveis?
(Velho) – Ai! não sei, desconsolado,
 Que nasci desventurado.
(Mocinha) – Não choreis;
 mais mal fadada vai aquela.
(Velho) – Quem?
(Mocinha) – Branca Gil.
(Velho) – Como?
(Mocinha) – Com cent’açoutes no lombo,
 e uma corocha por capela.
 E ter mão;
 leva tão bom coração,
 como se fosse em folia.
 Ó que grandes que lhos dão!
VICENTE, Gil. O Velho da Horta, em Cleonice Berardinelli (org.),
Antologia do Teatro de Gil Vicente. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira/Brasília, INL, 1984, p. 274.
corocha: cobertura para a cabeça própria das alcoviteiras;
por capela: por grinalda;
leva tão bom coração: caminha tão corajosa;
Ó que grandes que lhos dão!: Ó que grandes açoites que
lhe dão;
a) A qual desventura refere-se o Velho neste diálo-
go com a Mocinha?
) A que se deve o castigo imposto a Branca Gil?
) Diante do castigo, Branca Gil adota uma atitude
paradoxal. Por quê?
O texto a seguir servirá de base para responder à
questão 18.
Corregedor Hou arrais dos gloriosos,
 passai-nos nesse batel!
Anjo Oh! Pragas nesse papel,
 para as almas odiosos!
 Como vindes preciosos,
 sendo filhos da ciência!
Corregedor Oh! Habeatis clemência
 e passai-nos como vossos!
Joane (Parvo) Hou homens dos breviários,
 rapinastis coelhorum
 et pernis perdiguitorum
 e mijais nos campanairos!
Corregedor Anjos, não sejais contrários,
 Pois não temos outra ponte!
Joane (Parvo) Beleguins ubi sunt?
 Ego latinus macairos.
VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. ______; SPINA, Segismundo (Org.).
Gil Vicente: O velho da horta, Auto da Barca do Inferno; Farsa de Inês Pereira.
Cotia: Ateliê Editorial, 2003. p. 159-60.
habeatis: tende;
homens dos breviários: homens de leis;
Rapinastis coelhorum / Et perniz perdiguitorum: Recebem
coelhos e pernas de perdiz como suborno;
Beleguins ubi sunt?: Onde estão os oficiais de justiça?;
Ego latinus macairos: Eu falo latim macarrônico;18 Segundo a crítica especializada na obra de Gil Vicente,
espanta a atualidade com que o autor medieval aborda
questões de ordem social e moral. O diálogo apre-
sentado, extraído da peça Auto da barca do inferno,
ilustra a avaliação dos críticos, pois,
A sendo o Corregedor um representante da justiça,
incorre na prática de suborno, caracterizando um
tipo de abuso do poder ainda hoje verificável nos
escândalos envolvendo prestadores dessa esfe-
ra profissional.
b dotado de malícia, o Parvo aproveita-se da boa von-
tade e da ingenuidade do Corregedor com o intuito
de ser o único beneficiário no julgamento do Anjo.
c o Parvo acusa o Corregedor para ter uma redução
do seu castigo, como hoje acontece em processos
de investigação criminal, nos quais um dos réus su-
jeita-se a delatar os seus comparsas.
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D o Corregedor está seguro de que, tendo foro privile-
giado, não se importa com o julgamento encenado
naquele instante, na esperança de lidar com as suas
questões em uma instância superior.
E importando-se bem pouco com a condenação, o
Corregedor faz troça das autoridades superiores
aparentando demência ao misturar o latim com o
português.
19 Uepa 2014 Analise os trechos abaixo, retirados da
peça Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente, e assinale
aquele que comunica ao leitor uma visão preconcei-
tuosa de caráter racial.
A Eu só quero prantear
este mal que a muitos toca;
que estou já como minhoca
que puseram a secar.
b Ó bebedores irmãos
que nos presta ser cristãos,
pois nos Deus tirou o vinho?
 Martim Alho, amigo meu,
Martim Alho, meu amigo,
tão seco trago o umbigo
como nariz de Judeu.
D Ó Rua da Mouraria,
quem vos fez matar a sede
pela lei de Mafamede
com a triste da água fria?
E Devoto João Cavaleiro
que pareceis Isaías,
dai-me de beber três dias,
e far-vos-ei meu herdeiro.
20 Unicamp 2016 Leia o soneto abaixo, de Luís de Camões:
“Cá nesta Babilônia, donde mana
matéria a quanto mal o mundo cria;
cá donde o puro Amor não tem valia,
que a Mãe, que manda mais, tudo profana;
cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
e pode mais que a honra a tirania;
cá, onde a errada e cega Monarquia
cuida que um nome vão a desengana;
cá, neste labirinto, onde a nobreza,
com esforço e saber pedindo vão
às portas da cobiça e da vileza;
cá neste escuro caos de confusão,
cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!”
Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/
bv000164.pdf>. Acesso em: 08 set. 2015.
a) Uma oposição espacial configura o tema e o signi-
ficado desse poema de Camões. Identifique essa
oposição, indicando o seu significado para o con-
junto dos versos.
) Identifique nos tercetos duas expressões que
contemplam a noção de desconcerto, fundamen-
tal para a compreensão do tema do soneto e da
lírica camoniana.
21 UFSCar Leia os textos I e II.
Texto I
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
[...]
Camões
Texto II
O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do
mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre
mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que
a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão. E, outra
coisa: o diabo, é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! Ah,
uma beleza de traiçoeiro – dá gosto! A força dele, quando
quer – moço! – me dá o medo pavor! Deus vem vindo:
ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho – assim é o
milagre. E Deus ataca bonito, se divertindo, se economiza.
ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas.
Comparando os textos I e II, identique a ideia comum
a ambos e transcreva uma informação de cada um de-
les para justicar a sua resposta.
Leia os textos a seguir para responder à questão 22.
Texto I
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita com olhar sfíngico e fatal,
O Ocidente futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
PESSOA, Fernando. Mensagem. Alfragide: Leya, 2013. p. 13.
Texto II
Eis aqui se descobre a nobre Espanha,
Como cabeça ali de Europa toda
[...]
Eis aqui, quási cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
CAMÕES, Luís de. “III”. Os Lusíadas. 4. ed. Lisboa: Ministério dos Negócios
Estrangeiros; Instituto Camões, 2000. p. 104. Disponível em: <http://cvc.
instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes/literatura-1/
182 os lusiadas/file.html>. Acesso em: 21 out. 2015.

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