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Nos excertos “o mal que te crucia”, “que a amarás
um dia” e “pede humildemente a Deus que a faça”,
os pronomes em negrito estão, adequadamente, em
posição proclítica, haja vista a força atrativa exercida
pelo vocábulo “que”, presente nos referidos trechos
De acordo com a norma padrão, qual das sentenças
abaixo também se compõe de maneira adequada
quanto à colocação do pronome átono?
A Nada mantinha-se como antes.
b Se permita sempre amar os outros
 Trataria-se de uma nova vitória do time.
 Quando falará-se em ética na política?
E Aqui também se fazem boas ações.
20 UEL Leia
I Nem filhos, nem netos, ninguém lhe dava ouvidos
II Quando a viu na sala, dirigiu lhe a palavra
III Me avisaram do acidente por telefone
Nas frases anteriores, a colocação pronominal está
correta em:
A I, apenas.
b II, apenas.
 III, apenas.
 I e II, apenas.
E I, II e III.
21 UFPE Assinale a alternativa que não apresenta desvio
quanto à sintaxe de colocação do pronome oblíquo
átono
A Ah, quem és? Lhe pergunto, arrepiado.
Bocage.
b Te enganas, Cirene, pois até esse monte se sente abrasar
Antônio José.
 Suma-se, moleque.
José Lins do Rego.
 Dessa vez, me decidi. Vou viajar nessa máquina.
Jorge Amado
E Morto depois Afonso, lhe sucede Sancho II
Camões.
22 Unesp Leia o texto a seguir
Há anos que existe vazamentos tóxicos em todos os
rios do país, causando danos à fauna e à flora. Precisamos
sair da inércia ou essa situação levará-nos a um desastre
completo!
Carta de leitor a um jornal, comentando desastre ecológico
Nesse texto, há duas situações em que a norma-pa-
drão do português do Brasil é infringida.
a) Identifique as áreas da gramática em que ocor-
rem esses problemas: concordância, regência,
pontuação, colocação pronominal, ortografia etc.
) Redija novamente o texto, corrigindo-o.
23 PUC-PR Observe as frases:
1 Não pode calcular o prejuí
zo causado pelas chuvas. (se)
2 Faça o favor de enviar a car
ta, sem demora (lhe)
3. De fato, ninguém havia lembrado
 disso. (o)
4 Ela afirmou que o colega estava moles-
tando . (a)
Considerando-se a norma culta da língua, em qual-
quer dos espaços que se posicionem os elementos
colocados entre parênteses, cam corretas somente
as frases:
A 1 e 3.
b 2 e 4.
 2 e 3.
 1 e 2.
E 3 e 4.
24 FGV Observe a ocorrência da mesóclise nos seguin-
tes exemplos:
• veremos + o = vê-lo-emos;
• faríamos + os = fá-los-íamos;
• veríamos + a = vê-la íamos.
Assinale a seguir a alternativa em que a mesóclise
ocorre de acordo com a norma culta.
A Fa-los-ei.
b Entende-los ás.
 Partí-las-ás.
 Integrá-las-eis.
E Intui las-emos.
25 Uerj Leia o excerto a seguir
E que ainda não pôde se converter em estrelas.
Nesse excerto, a colocação do pronome pessoal
átono na locução verbal segue a norma coloquial
corrente no português do Brasil Reescreva o verso
por inteiro, reposicionando o pronome em uma ou-
tra colocação possível, segundo as normas do uso
culto padrão
26 Ufal Assinale como verdadeiras as frases em que a
colocação pronominal obedece à norma-padrão e
como falsas aquelas em que isso não ocorre
 Concluiria-se das respostas dadas a certeza de
que o aluno não levara a sério o estudo da matéria
ensinada
 Por mais que se justifiquem as razões por que ele
agiu assim, será difícil conceder-lhe o perdão.
 Tudo ficou suficientemente esclarecido; se conce-
derá àquele menino uma nova oportunidade.
 Dar-se-ão todas as explicações necessárias, con-
tanto que eles nos ouçam com atenção
 O funcionário não sujeitou-se aos exames exigidos
pela empresa que chamara-o com urgência.
27 Ufal O uso e a colocação dos pronomes estão corre-
tos na frase:
A Ver-lhe nos contenta a nós todos.
b Ajudemo lo, ainda que ele não nos seja grato.
 Estenderão-se até a noite as discussões entre tu
e mim.
 Os erros são muitos; convém que corrijamos-lo
E Impedir-lhe de falar não parece-nos justo.
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 14 Colocação pronominal44
28 Unesp 2017 Para responder à questão, leia a crônica
“Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), pu-
blicada originalmente em setembro de 1953.
Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se
apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um
seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância
porque tratava-se muito mais de um linguista que de um
encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas.
Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha
mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debai-
xo de cada pé, para melhorar o lustro Mas, como linguista,
cultor do vernáculo1 e aplicador de sutilezas gramaticais,
seu Afredo estava sozinho
Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeita-
dor, mas em quem a preocupação linguística perturbava
às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de
ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada2 quando
seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela
e perguntou lhe à queima roupa, na segunda do singular:
– Onde vais assim tão elegante?
Nós lhe dávamos uma bruta corda Ele falava horas
a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos
pedantismos que já me foi dado ouvir Uma vez, minha
mãe, em meio à lide3 caseira, queixou-se do fatigante ra-
merrão4 do trabalho doméstico Seu Afredo virou-se para
ela e disse:
 Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um
médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito
bão
De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de
fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado
perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca
tinha visto minha tia mais gorda Pois bem: chegou-se a
ela e perguntou-lhe:
 Cantas?
Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso
amarelo:
– É, canto às vezes, de brincadeira...
Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha
mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso ence-
rador:
– Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito,
não É excesso de gramática
Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, che-
gou-se a ela com ar disfarçado e falou:
– Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa
menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio
com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em pro-
grama de calouro!
E, a seguir, ponderou:
 Agora, piano é diferente Pianista ela é!
E acrescentou:
 Eximinista pianista!
(Para uma menina com uma flor, 2009.)
1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.
2 ressabiado: desconfiado
3 lide: trabalho penoso, labuta.
4 ramerrão: rotina
Observa-se no texto um desvio quanto às normas gra-
maticais referentes à colocação pronominal em:
A “Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho,
minha mãe ficava passeando pela sala com uma
flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lus-
tro.” (1o parágrafo)
b “Seu Afredo [...] tornou-se inesquecível à minha in-
fância porque tratava-se muito mais de um linguista
que de um encerador.” (1o parágrafo)
 “Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespei-
tador, mas em quem a preocupação linguística
perturbava às vezes a colocação pronominal.” (2o
parágrafo)
 “[...] seu Afredo, casualmente de passagem, parou
junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na
segunda do singular [...].” (2o parágrafo) (E) “Seu
Afredo virou-se para ela e disse: [...].” (4o parágrafo)
29 Mackenzie Assinale a alternativa que apresenta erro
de colocação pronominal.
A Você não devia calar-se.
b Não lhe darei qualquer informação.
 O filho não o entendeu.
 Se apresentar-lhe os pêsames, faça-o discretamente.
E Ninguém quer aconselhá-lo.
30 FMABC Assinale a alternativa em que todos os pro-
nomes pessoais estão colocados corretamente,
segundo o uso clássico da língua portuguesa.
A Eu o vi, não lhe falei, darei-te o livro.
b Eu o vi, falei-lhe, nada lhe direi.
 Nada dir-lhe-ei, não o estimo, Deus ajude-nos.
 Deus nos ajude! Não quero te ofender, mas vai-te
embora.
E Me dá o livro, que eu te devolvo assim que o ler.
31 Omec Assinale a frase em que há pronome enclítico
A Far me ás um favor?
b Nada te direi a respeito
 Convido-tepara a festa
 Não me fales mais nisso.
E Dir-se-ia uma incoerência
32 FCMSCSP Há um erro de colocação pronominal em:
A Sempre a quis como namorada
b Os soldados não lhe obedeceram às ordens
 Todos me disseram o mesmo.
 Recusei a ideia que apresentaram-me
33 UEM O oblíquo o coloca se proclítico (antes do verbo)
nos períodos abaixo, exceto em:
A Deus livre de um tropeço na prova!
b Como achou ontem.
 Não quis o rapaz aqui, mandei em-
bora.
 Talvez encontre na outra sala.
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Período pronominal (1919)
Há na história do pensamento brasileiro um alongado período, que
entrou a acentuar-se cerca de 1880 e cujo termo ainda não é possí-
vel predizer-se. Distinguem-no algumas feições curiosas, de ordem
intelectual e moral, as quais só ao futuro é dado apreciar e definir
com acerto. Abstraindo outras manifestações, satisfaz-me chamar-lhe
período pronominal, qualificativo que bem lhe caracteriza um dos
traços, e porventura abrange todos, ou explica-os. De fato, nesse
período domina o pensamento brasileiro a preocupação locativa do
pronome oblíquo.
É cousa comuníssima ouvir-se a um colegial como a um letrado, a um
negociante como a um repórter ou a um político o juízo eliminatório
de um livro ou de um escritor com o simples critério e enunciado de
que não sabe colocar pronomes Foi a mesma sentença com que
Valentim Magalhães fulminou, uma vez, em conversa e ar superior
um livro de alentado esforço. Não lhe importavam ideias nem estilo.
Estava arrasado o livro Foi isso há mais de quinze anos E é estranho
que em gente como a nossa, tão versátil em tudo, perdure ainda
e desde trinta anos essa preocupação, que assume o aspecto de
fetichismo, porque aí ao culto do ídolo não preside sempre, já não
digo a consciência do sentimento, o interesse e a inteligência do
objeto. E para não faltar em cousa alguma ao feitio sectário, tornou-se
fanatismo. Era a condição instintiva para vencer e dominar. E o caso
é que venceu e dominou. Renderam-se todos, uns contaminados da
convicção gramatical, outros por medo. A colocação dos pronomes
ficou sendo a pedra de toque do escritor: e escritor que não queira
ficar desmoralizado tem de aquilatar ali a sua linguagem. Do contrário,
a uma penada de repórter, que lhe enxergue um pronomezinho fora
do ponto, já ninguém lhe dá mais atenção nem apreço. O fato chegou
a ser obsessão. Os espíritos mais rebeldes, mais porfiados em inovar,
capazes de praticarem por gosto e insolência um solecismo para de-
notarem a sua independência, entibiaram ante o fetiche. A Medeiros e
Albuquerque ouvi dizer, por exemplo, que para satisfazer a imposição
geral, quando acabava os seus artigos, lia os logo, cantando os pro
nomes transviados, e ia pondo-os cada qual no seu lugar estabelecido
por decreto Igual tarefa tomavam os autores nas reedições de livros
e se era em livro de poesia, onde o verso não sofresse a desloca
ção pronominal, fazia-se até o sacrifício de toda uma estrofe Nunca
perdoei ao meu querido Raimundo Correia a mutilação de uma das
suas mais trabalhadas poesias, pela supressão de uma quadra, que
ele não pudera acomodar à legislação nova Eu também afinal sofri
o jugo, em vão revoltava-se o meu bom senso, e argumentava contra
a exótica tirania com que as razões do gosto pessoal, da índole da
língua, do exemplo de outras línguas tão desembaraçadas daquela
e de outras pelas cerebrinas; calei as razões e entreguei a cerviz à
canga da proclítica. Mas o jugo sentia-o sempre pesado, nunca o levei
convencido, e o tempo e o costume não conseguiriam fazer-me o calo
da indiferença. Ao contrário, crescia a minha irritação toda vez que se
renovava a prédica pública a serviço do fetiche gramatical. E essas
prédicas tão frequentes fazem-se a qualquer pretexto, no jornal e no
livro; até nos balcões que se tornou uso instalar à porta das gazetas
para a venda a varejo e barato dos segredos da linguagem raro é
o dia em que não apregoem a receita dos pronomes. E há sempre
quem compre o seu tostão de droga e recolha contente o seguro de
que leva no papelucho toda a ciência da língua.
À simples consideração do fato, poder-se ia concluir a declinação do
espírito literário no Brasil Pois só nos períodos em que escasseia a ca
pacidade criadora e o gosto de admirar, é que se desenvolve o pendor
da análise miúda, a preocupação das nugas linguísticas, e o dogma
tismo gramatical Mas o fato parece que tem uma significação moral
Foi em 1880 que apareceu na Revista Brasileira um artigo de Artur Bar-
reiros sobre a colocação dos pronomes. Era a primeira pessoa do Brasil
que reparava no assunto e ocupava-se dele. Anteriormente, mesmo em
Portugal, a não ser um só gramático, Ferreira Júnior, ninguém cogitara a
sério daquilo: surgia lá um ou outro reparo de estranheza de português,
culto ou inculto, ao acento brasileiro diferente do português, do mesmo
modo que nós aqui estranhávamos o acento dos portugueses recém-
-chegados, tão diferente do nosso. Tratava-lhes também ao provarem das
nossas frutas, assim como nós ainda não nos convencemos do decantado
sabor das cerejas nem das uvas deles que nos chegam com o gosto de
serragem, ou de fruta insípida, colhida antes de madura Mas brasileiro
que foi e viveu em Portugal, lá se lhe muda a convicção sobre as frutas
portuguesas, as primeiras do mundo, e português que veio e viveu no
Brasil, aqui se lhe a faz o paladar a nossa manga e goiaba, a ponto que
as prefere a quantas de além-mar. Tal qual com a expressão da nossa
linguagem e do nosso acento oratório: a mesma língua, mas um quer que
é tão diferente, que logo distingue para os menos atilados a nacionalidade
do que fala ou escreve.
Assim já o entendiam os que pensavam com o espírito desanuviado
Fetichismo: admiração exagerada, irrestrita, incondicional por uma
pessoa ou coisa; veneração;
Porfar: competir ou lutar por (algo); disputar;
Solecismo: algo imperfeito, falho; erro, falta;
Entibiar: enfraquecer, afrouxar;
Cerebrina: que adota ou prefere soluções intelectualizadas;
Cerviz: cabeça, pescoço;
Canga: peça de madeira us. para prender junta de bois a carro
ou arado; jugo;
Proclítica: relativa à próclise;
Nuga: coisa sem importância, inútil; insignificância, ninharia (mais
usado no plural);
Atilado: dotado de sagacidade; esperto, vivo;
eTexto complementar
R
e
p
ro
d
u
ç
ã
o
Página da Revista de Língua Portuguesa, de 1919

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