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RISCO, VULNERABILIDADE E 
DANOS À SAÚDE DA POPULAÇÃO 
E AO MEIO AMBIENTE
PROGRAMA SAÚDE COM AGENTE
E-BOOK 25
MINISTÉRIO DA SAÚDE 
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
Brasília (DF) 
2023  
PROGRAMA SAÚDE COM AGENTE
E-BOOK 25
MINISTÉRIO DA SAÚDE 
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
Brasília (DF) 
2023  
RISCO, VULNERABILIDADE E 
DANOS À SAÚDE DA POPULAÇÃO 
E AO MEIO AMBIENTE
2023 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – 
Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, 
desde que citada a fonte.
A coleção institucional do Programa Saúde com Agente pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da 
Saúde: 
bvsms.saude.gov.br
Elaboração, distribuição e informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Gestão do Trabalho e da 
Educação na Saúde
Departamento de Gestão da Educação na 
Saúde
Coordenação-Geral de Ações Estratégicas 
de Educação na Saúde 
SRTVN 701, Via W5 Norte, lote D, 
Edifício PO 700, 4º andar 
CEP: 70719-040 – Brasília/DF 
Tel.: (61) 3315-3394 
E-mail: sgtes@saude.gov.br
 
Secretaria de Atenção Primária à Saúde
Departamento de Saúde da Família
Esplanada dos Ministérios, Bloco G,
7º andar 
CEP: 70058-90 – Brasília/DF 
Tel.: (61) 3315-9044/9096 
E-mail: aps@saude.gov.br
 
Secretaria de Vigilância em Saúde e 
Ambiente
SRTVN 701, Via W5 Norte, lote D,
Edifício PO 700, 7º andar 
CEP: 70719-040 – Brasília/DF 
Tel.: (61) 3315.3874 
E-mail: svs@saude.gov.br
 
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS 
MUNICIPAIS DE SAÚDE – Conasems
Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, 
Sala 144
Zona Cívico-Administrativo, Brasília/DF
CEP: 70058-900
Tel.:(61) 3022-8900
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Av. Paulo Gama, 110 - Bairro Farroupilha - 
Porto Alegre - Rio Grande do Sul
CEP: 90040-060 
Tel: (51) 3308-6000
 
Coordenação-geral:
Célia Regina Rodrigues Gil - MS
Cristiane Martins Pantaleão – Conasems
Hishan Mohamad Hamida – Conasems
Isabela Cardoso de Matos Pinto – MS
Leandro Raizer – UFRGS
Lívia Milena Barbosa de Deus e Méllo - MS 
Luciana Barcellos Teixeira – UFRGS
Organização:
Núcleo Pedagógico do Conasems
 
Supervisão - geral:
Rubensmidt Ramos Riani
Coordenação técnica e pedagógica:
Carmen Lúcia Mottin Duro - UFRGS
Cristina Fátima dos Santos Crespo – 
Conasems
Diogo Pilger - UFRGS
Fabiana Schneider Pires - UFRGS
Valdívia França Marçal – Conasems
Elaboração de texto:
Luiz Almeida da Silva
 
Revisão técnica:
Alayne Larissa M. Pereira - SAPS/MS
Andréa Fachel Leal – UFRGS
Camila Mello dos Santos – UFRGS
Carmen Lúcia Mottin Duro - UFRGS
Diogo Pilger – UFRGS
José Braz Damas Padilha – SVS/MS
Lanusa T. Gomes Ferreira – SGTES/MS
Michelle Leite da Silva – SAPS/MS
Patrícia da Silva Campos – Conasems
Wendy Payane F. dos Santos - SAPS/MS
Designer educacional:
Alexandra Gusmão – Conasems
Juliana Fortunato – Conasems
Pollyanna Lucarelli – Conasems
Priscila Rondas – Conasems
Colaboração:
Fabiana Schneider Pires – UFRGS
Josefa Maria de Jesus – SGTES/MS
Katia Wanessa Silva – SGTES/MS
Marcela Alvarenga de Moraes – Conasems
Marcia Cristina Marques Pinheiro –
Conasems
Rejane Teles Bastos – SGTES/MS
Roberta Shirley A. de Oliveira – SGTES/MS
Rosângela Treichel Saenz Surita – 
Conasems
 
Assessoria executiva:
Conexões Consultoria em Saúde LTDA
Coordenação de desenvolvimento gráfico:
Cristina Perrone – Conasems
 
Diagramação e projeto gráfico:
Aidan Bruno – Conasems
Alexandre Itabayana – Conasems
Bárbara Napoleão – Conasems
Lucas Mendonça – Conasems
Ygor Baeta Lourenço – Conasems
 
Fotografias e ilustrações: 
Banco de Imagens do Conasems
Freepik
Revisão ortográfica:
Gehilde Reis Paula de Moura 
 
Normalização:
Luciana Cerqueira Brito – Editora MS/CGDI
Valéria Gameleira da Mota – Editora
MS/CGDI
Brasil. Ministério da Saúde. 
Risco, vulnerabilidade e danos à saúde da população e ao meio ambiente [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde. Conselho Nacional de 
Secretarias Municipais de Saúde. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. – Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
xx p. : il. – (Programa Saúde com Agente; E-book 25)
Modo de acesso: World Wide Web: 
ISBN xxx-xx-xxx-xxxx-x 
1. Agentes Comunitários de Saúde. 2. Risco à saúde da população 3. Vulnerabilidade socioambiental e prevenção de desastres.
 I. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. II. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. III. Título. 
CDU 614
Ficha Catalográfica
Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2023/0xxx
Título para indexação: 
Risk, Vulnerability and Damage to the Health Population and Environment
Tiragem: 1ª edição – 2023 – versão eletrônica
http://www.saude.gov.br/bvs
Este é o seu e-book da disciplina Risco, Vulnerabilidade e Danos à 
Saúde da População e ao Meio Ambiente. Neste material, você verá que 
os danos causados por desastres naturais e/ou antropogênicos são, em 
sua maioria, irreparáveis, tanto para a sociedade como para a natureza. 
A degradação da fauna, da flora e as alterações físicas e psíquicas 
geradas na comunidade, próxima aos locais, são de difícil mensuração.
Embora existam legislações que discutam níveis aceitáveis de 
exposição, sabe-se, na realidade, que qualquer nível de exposição a 
substâncias que são tóxicas ao organismo humano, independente da 
intensidade/quantidade, é prejudicial à saúde humana. 
Com essas reflexões, estude este material com atenção e consulte-o 
sempre que necessário! 
Acompanhe também as teleaulas, a aula interativa e realize as 
atividades propostas para assimilar as informações apresentadas.
Bons estudos!
OLÁ, AGENTE!
ACE - Agente de Combate às Endemias
ACS - Agente Comunitário de Saúde
CNUC - Cadastro Nacional de Unidades de Conservação 
CEREST - Centros de Referência em Saúde do Trabalhador 
EA – Educação Ambiental
EPI - Equipamento de Proteção Individual 
ESP - Emergências em Saúde Pública 
PNLA - Portal Nacional de Licenciamento Ambiental 
PNRS - Política Nacional dos Resíduos Sólidos 
PNVS - Política Nacional de Vigilância em Saúde 
PP - Princípio da Precaução 
PV - Princípio da Prevenção
RENAST - Rede Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora 
SI - Sistemas de Informação
Sigercom - Sistema de Informações do Gerenciamento Costeiro e 
Marinho
Sinvas - Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde 
VA - Vigilância Ambiental
VE - Vigilância Epidemiológica 
VISA - Vigilância Sanitária
VISAT - Vigilância em Saúde do Trabalhador 
LISTA DE SIGLAS E 
ABREVIATURAS 
LISTA DE FIGURAS
10 - Figura 1 - A diferença entre perigo e risco.
14 - Figura 2 – Foto de lixão (depósito de lixo a céu aberto), com 
pessoas catando materiais de valor.
16 - Figura 3 - Ilustração de como o comportamento humano 
prediz desastres.
26 - Figura 4 - Lançamento de fumaça tóxica no meio 
ambiente.
32 - Figura 5 - Diferentes possibilidades de integração das 
vigilâncias em saúde
36 - Figura 6 - Principais sistemas de informações ambientais 
disponíveis para o acesso da população.
37 - Figura 7 - Identificando os agressores do meio ambiente.
39 - Figura 8 - Proteja as nossas matas: quem é o vilão?
50 - Figura 9 - Ações a serem tomadas por toda a equipe 
multiprofissional na ocorrência de eventos de desastre.
57 - Figura 10 - Procedimento para identificação, análise e 
redução do risco.
SUMÁRIO
7
18
RISCO E PERIGO: DIÁLOGO E REFLEXÕES 
POSSÍVEIS
RISCO À SAÚDE DA POPULAÇÃO: 
AVALIAÇÃO E PRIORIZAÇÃO DE 
RISCOS EM VIGILÂNCIA
INFORMAÇÕES AMBIENTAIS E SISTEMAS COMO 
FERRAMENTAS PARA MONITORAMENTO
DESASTRES E RISCOS DE EMERGÊNCIAS EM 
SAÚDE PÚBLICA (ESP): AVALIAR, AGIR E 
RECUPERAR
RETROSPECTIVA 
REFERÊNCIAS
34
46
52
59
VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL E 
PREVENÇÃO DE DESASTRES
61RISCO E PERIGO: 
DIÁLOGO E 
REFLEXÕES 
POSSÍVEIS
O conceito de risco 
é variável, pois 
possui múltiplas 
possibilidades, a 
depender do ponto 
de vista que se 
pretende abordar. 
8
Neste material, abordaremos o risco e o perigo relacionados ao meio 
ambiente e à saúde, fatores que estão, diretamente, ligados ao 
objetivo proposto.
Entender o que é risco e perigo, bem como saber diferenciá-los, 
torna-se uma necessidade constante. Esse conhecimento permite que 
os(as) ACE aprimorem seus olhares para as estratégias de orientação 
e participação na precaução e prevenção de riscos e na manutenção 
da saúde da população no seu território.
Embora o risco possa estar atribuído a questões positivas, na maioria 
das vezes, ele é definido como possibilidade de dano.
.
9
Porto (2000) classifica o risco como qualquer possibilidade de evento, 
podendo ser oriundo de diversificadas fontes e com potencial de 
causar danos à saúde, reversíveis ou não. Vale ressaltar que o dano 
pode ser abordado de diferentes formas, podendo ser em decorrência 
de atividades de trabalho e/ou doenças relacionadas ao trabalho 
(risco ocupacional), poluição ambiental, desastres naturais, desastres 
de origem tecnológica, desastres com material químico perigoso, 
desastres antropogênicos, acidentes, dentre outras possibilidades.
Para Kolluru (1996, p. 113), “um perigo é um agente químico, biológico 
ou físico (incluindo-se a radiação eletromagnética) ou um conjunto 
de condições que apresentam uma fonte de risco, mas não o risco em 
si”.
Um agente químico, perigoso, muito utilizado nas residências para 
limpeza de superfícies, é o álcool 70%, que, se for utilizado para essa 
finalidade, não tem risco de queimaduras. Embora seja perigoso, o 
risco é pequeno. Mas se for utilizado para acender fogo ou 
churrasqueira, o risco aumenta e pode causar danos à saúde 
humana.
Shinar, Gurion e Flascher (1991, p. 1095) afirmam que “(…) risco é um 
resultado medido do efeito potencial do perigo”.
De posse dessas observações, conclui-se que riscos e perigos 
permeiam o cotidiano da sociedade, pois todos estão expostos às 
questões ambientais, ainda que em diferentes proporções. O perigo, 
por si só, possui apenas a possibilidade de ocorrência do dano, porém, 
se for somado ao fator exposição, haverá uma certa probabilidade de 
que a situação de perigo ocorra e tenha o potencial de causar dano. A 
figura 1 ilustra bem a diferenciação descrita.
10
Figura 1: A diferença entre perigo e risco.
Observe que no exemplo da figura 1, vemos que o tubarão no mar é 
considerado um perigo, pois trata-se de um animal de grande porte, e é 
agressivo. Se o homem for agredido por ele, poderá ter lesões que podem ser 
graves ou até mesmo provocar a morte. Então, nesse caso, o perigo existe, 
mas se o homem não entrar no mar, onde estaria à exposição do perigo, ele 
não terá o risco de ser atacado pelo tubarão.
Fonte: 3tres3.com.br, 2020
11
No ambiente de trabalho, muitas vezes, não há a possibilidade de se 
evitar a exposição, fator esse que contribui, diretamente, para que o 
perigo esteja cada vez mais provável de acontecer.
Uma situação real que aconteceu, e acontece no Brasil, com o 
advento da pandemia causada pelo Sars-cov-2 (COVID-19), é que 
todo o ambiente de trabalho passou a ser um local perigoso para 
contaminação pelo vírus, tendo em vista que se trata de uma doença 
com transmissão por vias aéreas e aerossóis. Com as visitas 
domiciliares para identificação de focos endêmicos, limpeza de 
calhas e caixas d'água, dentre outras atividades realizadas os(as) 
ACE se expõem a diferentes ambientes; correm o risco de se 
contaminarem e também colocam as pessoas que moram naquela 
residência em risco de se contaminarem, caso o trabalhador esteja 
com a doença.
Em suas atividades laborais, os(as) ACE realizam: 
Vistoria de residências, depósitos, terrenos baldios e 
estabelecimentos comerciais para buscar focos endêmicos. 
Inspeção cuidadosa de caixas d’água, calhas e telhados. 
Aplicação de larvicidas e inseticidas. Orientações quanto à 
prevenção e ao tratamento de doenças infecciosas. 
Recenseamento de animais (TORRES, 2009, p. 16).
12
Pelo seu contato direto com a comunidade onde atua, o(a) ACE deve 
conhecer os principais problemas locais, bem como os determinantes 
e condicionantes da saúde da população no território onde trabalha. A 
fim de realizar essas atribuições, o(a) ACE fica exposto(a), no ambiente 
de trabalho, aos riscos de acidentes, tais como queda, agressão por 
cães e gatos, agressão por animais peçonhentos, intoxicação por 
larvicidas e inseticidas, bem como a outros riscos químicos, físicos e 
biológicos. São todas situações de perigo, que se transformam em 
risco porque o(a) ACE, em suas atividades, está propenso(a) a 
diferentes exposições ambientais.
Tendo em vista a diversidade de atividades realizadas pelo(a) ACE, em 
todas as situações de risco, há a necessidade de utilização de 
Equipamento de Proteção Individual (EPI), fator que protege o 
trabalhador e reduz possibilidades de danos à saúde em decorrência 
de contato com substâncias nocivas, tais como os agrotóxicos (BRASIL, 
2018a).
Na vida e no trabalho do(a) ACE, sua exposição a agentes nocivos à 
saúde se assemelha à da sua comunidade, razão pela qual deve 
sempre atuar contribuindo para redução dos riscos que causam 
danos à população.
Os(As) ACE contribuem na promoção 
e na prevenção da saúde, 
proporcionando a integração entre as 
diferentes vigilâncias. 
13
Ainda no ambiente de trabalho, mas pensando pelo lado da exposição 
da população, no território, há possíveis riscos, como: desastres 
naturais ou antropogênicos, como: o desabamento de estruturas; 
alagamento por excesso de chuvas e/ou por acúmulo de lixo; ventos 
fortes com destruição de estruturas; altas ou baixas temperaturas; 
rompimento de barragens; contaminação por rejeitos, dentre outros. 
Esses riscos precisam ser identificados e monitorados para que a 
possibilidade de causar impactos à saúde seja reduzida, a partir de 
ações eficazes que podem ser realizadas pelo(a) ACE.
Em uma determinada cidade, não há a estrutura 
correta de coleta, armazenamento (tratamento) e 
destino final do lixo, chamado de resíduo sólido, 
como requer as recomendações da Política Nacional 
dos Resíduos Sólidos (PNRS), estabelecidas pelo 
decreto nº 10.936/2022 (BRASIL, 2022a). Embora haja 
legislação específica, em vários locais, o lixo é jogado 
a “céu aberto” e, a cada dia, cresce a quantidade dos 
ditos “lixões” e, também, de lixos armazenados 
nesses locais, fator que facilita a proliferação de 
insetos, podendo ocasionar doenças, bem como 
aumento da possibilidade de alagamentos 
(MONTESSANTI, 2021).
Que tal uma Situação 
Problema?
14
Figura 2: Foto de lixão (depósito de lixo a céu aberto), com pessoas catando 
materiais de valor.
Vamos observar, na figura 2, o cenário de um dos lixões ainda existentes 
no país e refletirmos sobre os impactos ambientais que pode causar.
Analisando a figura 2, vê-se que esse cenário já nos é familiar, pois temos 
informações do problema e sabemos sobre os danos à saúde ambiental 
e à saúde humana que ele pode causar. O perigo existe, pois há, no 
território, um agente (lixo) que pode causar danos de várias origens e/ou 
favorecer a ocorrência de danos de outra ordem, como, por exemplo, o 
acúmulo de larvas e insetos transmissores de doenças.
Com o aumento da utilização de materiais descartáveis, tais como 
materiais de plásticos, embalagens de vidro, e, também, com a evolução 
dos modelos de telefones celulares e computadores, sendo esses 
materiais utilizados uma única vez ou por pouco tempo, vê-se o aumento 
na quantidade de resíduos produzidos. Isso acarreta a necessidade de 
proposição de ações para que esses materiais tenham um destino final 
adequado, conforme as recomendações da PNRS (BRASIL, 2022a) e para 
não constituírem problemas ambientais que geram riscos à saúde. 
Fonte:Prompilove / Shutterstock.com
15
Embora tenhamos esse marco regulatório, como temos um país tão 
grande em termos territoriais, a fiscalização eficaz por parte dos 
órgãos de controle torna-se um grande desafio, o que requer 
contribuição coletiva, fazendo com que a mudança individual seja a 
precursora para a mudança coletiva, pois em um país onde o 
consumismo impera, a mudança de comportamento torna-se um 
fator primordial para que a lei tenha os efeitos esperados.
Na busca de implementação satisfatória da PNRS foi publicado o 
Decreto nº 10.936, de 12 de janeiro de 2022, que detalha instrumentos 
para efetiva gestão de resíduos sólidos no país (BRASIL, 2022a). 
Ações como a segregação do lixo, o descarte correto de 
eletrônicos, a redução de consumo de materiais que são de difícil 
degradação pela natureza, tais como plásticos e vidros, são 
situações que merecem uma reflexão mais aprofundada e uma 
mudança de atitude tanto nas ações individuais, como no 
posicionamento social, cobrando da sociedade e do Estado o 
cumprimento da legislação e a proteção ambiental para o 
cumprimento da PNRS.
Condições como: contaminação do solo, 
contaminação dos leitos de rios, acidentes com 
material perfurocortante, mau cheiro, aumento 
do número de roedores, insetos e atração de 
animais peçonhentos são possibilidades que o 
cenário apresenta no território.
16
Quais as possibilidades de 
ações do(a) ACE frente a 
esse cenário?
Sugestões:
1 - Fomentar na sociedade o desenvolvimento de ações alinhadas à 
PNRS, sobretudo para a correta destinação de lixo (resíduos sólidos).
2 - Conscientizar a sociedade quanto aos riscos de doenças, 
acidentes e intoxicações que as comunidades estão expostas pela 
deposição irregular de lixo.
3 - Conscientizar a sociedade quanto ao acondicionamento e 
deposição correta do lixo.
4 - Discutir nos órgãos de gestão local e com a equipe da UBS ações 
para melhorar a gestão ambiental para o cumprimento da 
legislação e a redução do risco, estimulando a compostagem, 
reciclagem, reuso e coleta seletiva.
Figura 3: Ilustração de como o comportamento humano prediz desastres.
Fonte: CULTURA MIX. COM, s.d
Vamos logo! Aqui 
quando chove, alaga.
Viu como lixo na rua 
faz diferença?
Observa-se que são várias as possibilidades de atuação do(a) ACE 
no cenário de identificação de risco e perigo no território, a depender 
da realidade local, da capacidade de ação e da articulação com a 
comunidade e o poder público. 
Com o entendimento das reais necessidades individuais e coletivas 
do seu território, o(a) ACE deve buscar e discutir com a comunidade o 
que é prioridade, tanto do ponto de vista da opinião popular, quanto 
do ponto de vista da análise profissional, pois inserir a população 
como articuladora ou até protagonista de mudança é um fator 
primordial para o sucesso de qualquer ação proposta. A mudança de 
comportamento e de cultura requer que o sujeito assuma a 
responsabilidade individual e coletiva, entendendo-se como agente 
da mudança e, consciente da necessidade de promoção e proteção 
da saúde humana e do meio ambiente, reflita sobre as diferentes 
responsabilidades, as quais devem ser compartilhadas com toda a 
sociedade.
17
RISCO À SAÚDE DA 
POPULAÇÃO: 
AVALIAÇÃO E 
PRIORIZAÇÃO DE 
RISCOS EM 
VIGILÂNCIA
19
O PP foi formulado pela primeira vez pelo direito germânico, na 
década de 70. Embora possa ser pensado para diversos 
aspectos da vida cotidiana, sua origem foi relacionada com o 
pensamento de que a sociedade poderia contribuir para 
redução da degradação ambiental se, ao se empoderar de 
informações, ainda que pelo senso comum, conseguisse 
identificar a possível relação entre a degradação e a 
ocorrência de risco à saúde da população. Ainda que não 
tivessem estudos científicos que comprovassem a relação 
existente, mas fossem identificadas situações de ameaça de 
danos sérios ou irreversíveis, poderia ser utilizado o PP (CEZAR; 
ABRANTES, 2003).
Para se entender os potenciais riscos à 
saúde da população e para que o(a) 
ACE consiga aprender as formas de 
ação e proteção à saúde da 
população, há a necessidade de se 
entender os conceitos que permeiam o 
risco, como o Princípio da Precaução 
(PP) e o Princípio da Prevenção (PV).
Princípio da Precaução (PP)
20
No Princípio 15 da Declaração RIO/92 (UNITED NATIONS, 1992, p. 6), fica 
estabelecido que:
No ano corrente (2023), após 31 anos da RIO-92, ainda vivenciamos a 
contínua luta pela redução dos desmatamentos, da poluição 
ambiental, da destruição da camada de ozônio, enquanto as 
concessões para o mercado financeiro continuam dando o tom, 
permitindo construções de usinas hidrelétricas, barragens, 
desmatamento, queimadas, dentre outros, sem a correta fiscalização 
e análise do possível dano ambiental e à saúde humana.
Com o processo de globalização e advento da tecnologia, o descarte 
de materiais oriundos, tais como baterias, computadores, celulares, os 
ditos lixos eletrônicos também se configuram em questões que 
precisam ser reguladas, pois as empresas realizam a degradação do 
ambiente, pela extração de matéria-prima e geração de resíduos e 
não se responsabilizam pelo gerenciamento e nem pelo destino final 
de forma correta. Diante do fato, questiona-se: qual o impacto 
ambiental e para a saúde humana que esses materiais provocam a 
curto, médio e longo prazo quando descartados de forma 
inadequada?
“De modo a proteger o meio ambiente, a abordagem 
precautória deve ser largamente aplicada pelos Estados de 
acordo com suas capacidades. Onde houver ameaça de dano 
sério ou irreversível, a ausência de absoluta certeza científica 
não deve ser utilizada como uma razão para postergar 
medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a 
degradação ambiental.”
21
No ano de 2020, foi editado no Brasil o decreto nº 10.240, reforçado no 
decreto nº 10.396/2022, que relaciona as normas para implementação 
da logística reversa, que obriga indústrias fabricantes, importadores, 
distribuidores e comerciantes de produtos a promoverem de forma 
sustentável o descarte correto e reciclagem dos materiais, resíduos e 
embalagens. Essa é mais uma forma de podermos cobrar a 
mudança do cenário ambiental relacionado ao descarte e destino 
final (BRASIL, 2022a; BRASIL, 2020).
No caso do lixo eletrônico, ainda há diversas discussões sobre as 
possibilidades de agravos à saúde e ao meio ambiente, logo, faz-se 
necessário invocar o PP, pois, embora não saibamos os efeitos diretos 
à saúde, tem-se o conhecimento dos agravos que o lixo não tratado e 
armazenado de forma inadequada pode causar ao meio ambiente, 
estando entre eles a contaminação do solo e das águas.
22
O Princípio da Prevenção (PV) é definido por situações em que a 
relação causa e efeito já é conhecida, como por exemplo: Inalação 
da poeira da sílica que causa a silicose (doença pulmonar), a 
relação da exposição ao chumbo sobre a saúde das crianças, o 
uso do tabaco na causa do câncer de pulmão, a exposição ao 
asbesto (amianto) na asbestose. Todas essas situações são 
questões já conhecidas que nos dão possibilidades de pensar em 
como promover a saúde das pessoas expostas, evitando que 
ocorra o dano (CAPELOZZI, 2001; PADULA et al, 2006).
 
Eventos tais como o uso de agrotóxicos no Brasil têm sido também 
uma das questões ambientais mais discutidas nos últimos tempos, 
tendo em vista as inúmeras possibilidades de agravos à saúde 
humana, degradação do meio ambiente, contaminação do solo e 
dos leitos dos rios, pois as dosagens e os tipos de agrotóxicos 
utilizados são prejudiciais à saúde, o que torna esse fator um sério 
problema de saúde pública. 
Vale lembrar que a amplitude da população exposta nas fábricas e 
em seus entornos, no combate às endemias, nas áreas agrícolas, 
no consumo dos alimentos eleva em grande monta a exposição ao 
agrotóxico direta ou indiretamente, estandoas pessoas e o 
ambiente sujeitos aos efeitos danosos à saúde (RIGOTTO; 
VASCONCELOS; ROCHA, 2014).
Princípio da Prevenção (PV) 
23
É sabido que a relação entre a exposição ao agrotóxico e a ocorrência 
de doenças se tornou um problema de saúde pública, desenvolvendo 
agravos como câncer, doenças respiratórias, doenças mentais, 
malformação fetal, intoxicações agudas, dentre outras. 
O Brasil é um dos países que mais utiliza agrotóxicos e, apenas, no ano 
de 2009, por exemplo, houve a utilização média de cerca de 5,2 
kg/habitante, estando mais concentrados nos estados do Mato 
Grosso, que atingiu a marca equivalente de 50 litros/habitante 
(LONDRES, 2010; OSAVA, 2011). 
Embora haja na legislação os ditos limites de concentração de 
agrotóxicos que são toleráveis pelos seres humanos, do ponto de vista 
fisiológico não há uma garantia de que a exposição não afetará a 
saúde humana a médio e longo prazo. Logo, para que se tenha 
segurança, a iniciativa é criar a cultura de tolerância zero para 
exposição a agrotóxicos, seja no ambiente, na água ou nos alimentos, 
assim, protegeremos a sociedade. Por se tratar de um problema que 
pode agravar a saúde pública, há estudos que ponderam em invocar 
o PP e cobrar a extinção do uso de agrotóxicos nas atividades 
alimentícias e ao ambiente, utilizando para o controle de pragas 
estratégias alternativas disponíveis (BARCELLOS; QUITÉRIO, 2006).
Para que o risco seja avaliado de forma eficaz, há de se ter um modo 
sistematizado para saber quais são as prioridades de monitoramento 
e ações, assim, Cezar e Abrantes (2003) propõem três fases distintas 
para orientar os agentes na tomada de decisão, sendo elas: 
23
Fase Inicial, compreendida como a observação; Fase Análise do risco, 
compreendida como a relação existente entre agentes que podem 
causar e/ou potencializar um dano; Fase Gestão do risco, que após 
identificar os pontos chave na etapa inicial e análise do risco, a equipe 
multidisciplinar deve delimitar ações estratégicas para atuação, com 
foco na redução dos potenciais danos. 
 
Diante dos fatos, há que se refletir: os fatores de comportamento de 
risco individual refletem a ocorrência de danos na coletividade e 
consequentemente na saúde comunitária?
24
25
Em seu território, localizado na região 
próxima à Amazônia, instalou-se uma 
empresa de extração de minério e uma 
usina de cana-de-açúcar. Um ano após 
o início das atividades, iniciou-se o 
aumento das consultas na Unidade 
Básica de Saúde por doenças 
respiratórias, fato que se intensificou no 
inverno, chegando a um aumento de 
200% no número de atendimentos. As 
pessoas se queixam do mau cheiro na 
cidade, da fumaça e da fuligem que 
ficam suspensas no ar. Os trabalhadores 
das duas empresas, também, se queixam 
das altas exigências e horas excessivas 
na jornada de trabalho, bem como do 
baixo salário que as empresas oferecem.
Na sua avaliação, no cenário ambiental 
descrito, há risco para a saúde da 
população? Como avaliar o risco à saúde 
da população local e priorizar estratégias 
para redução das ocorrências de 
doenças respiratórias? 
Vejamos uma 
Situação Problema
26
Os agravos à saúde decorrentes da exposição ambiental podem ter 
difícil definição de causa e efeito. Logo, as vigilâncias devem 
permanecer sempre atentas a sinais que se façam presentes em 
grande parte da população sem causa aparente e que possam estar 
relacionados a um novo fator que se instalou no território, como no 
exemplo, o caso das indústrias.
Figura 4: Lançamento de fumaça tóxica no meio ambiente.
Fonte: AGÊNCIA ENVOLVERDE JORNALISMO, 2018.
Em todos os possíveis casos de contaminação, há potencial risco à 
vida e à saúde da população, por isso deve ser considerado o PP, 
tendo em vista que, nesse caso, o risco de agravos à saúde humana 
tende a aumentar. Cabe a todos os profissionais que trabalham no 
campo da prevenção, sejam diretamente ligados à saúde ou não, 
atuarem na prevenção de situações de risco, trabalhando de forma 
integrada com a vigilância em saúde.
O sistema de vigilância em saúde é um dos principais pilares do 
Sistema Único de Saúde (SUS), instituído no ano de 2003 por meio da 
Secretaria de Vigilância em Saúde que, ligada ao Ministério da Saúde e 
de forma descentralizada, faz com que os preceitos estabelecidos pela 
legislação sejam cumpridos, atuando com ações educativas, 
fiscalizações, criação de normas e regras para o funcionamento de 
estabelecimentos. Trabalhando de forma independente, as vigilâncias 
estão distribuídas em: Epidemiológica, Sanitária, Ambiental e Saúde do 
Trabalhador.
Na Política Nacional de vigilância em Saúde (PNVS), publicada em 2018, 
é explícito o papel de contribuir para a integralidade na atenção à 
saúde, o que pressupõe a inserção de ações de vigilância em saúde 
em todas as instâncias e pontos da Rede de Atenção à Saúde do SUS, 
mediante articulação e construção conjunta. 
27
Que tal falarmos 
agora sobre a 
integração da 
Vigilância em 
Saúde?
28
Um dos principais desafios encontrados em nosso cotidiano é a 
possibilidade de integração das vigilâncias com a atenção básica, 
tendo em vista suas dificuldades de articulação e da proposta 
individualizada de atuação em cada setor. Das diferentes 
particularidades, o Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em 
Saúde (Sinvas) tem como principais responsabilidades o controle da 
água para consumo humano, controle de vetores, hospedeiros, 
reservatórios, animais peçonhentos, desastres naturais e acidentes 
com produtos perigosos (BARCELLOS; QUITÉRIO, 2006).
No que tange às atribuições do(a) ACE, observa-se íntima ligação com 
os fatores atribuídos à Vigilância Ambiental (VA) relacionada à saúde, 
situações cotidianas que permeiam o modo de trabalho e vida no 
território.
Quando o(a) agente realiza a busca 
de possíveis focos de vetores; faz a 
limpeza de locais e/ou objetos que 
acumulam água; realiza a aplicação 
de produtos para o controle de 
vetores; captura animais 
peçonhentos e busca animais que 
apresentam sinais de adoecimento e 
agressividade, ele(a) está 
contribuindo, a nível municipal, para 
um controle que perpassa, também, 
o Estado e todo o país, tendo em 
vista que as fronteiras estaduais são 
interligadas, e há a presença do(a) 
ACE em todo o território nacional.
29
Quanto às atividades desenvolvidas pela Vigilância Sanitária (VISA), 
observa-se que todos os processos relacionados com a saúde 
humana estão sob sua responsabilidade, cabendo à VISA fiscalizar o 
controle sanitário, bem como emitir alvarás de fiscalização e controlar 
a comercialização de produtos alimentícios, produção e distribuição 
de medicamentos, fiscalização de portos, sendo a única dentre as 
vigilâncias que possui poder de polícia para interditar e fechar 
estabelecimentos que não estejam em consonância com as 
recomendações estabelecidas pela vigilância (OLIVEIRA; CRUZ, 2015).
 
É válido ressaltar que, embora a VISA tenha o poder coercitivo, esse só 
é utilizado em casos específicos e de extrema necessidade, pois o seu 
principal fundamento é trabalhar de forma educativa, orientando à 
população quanto às formas corretas de trabalho com foco na 
proteção da saúde humana. Logo, configura-se como um órgão 
parceiro da sociedade na promoção da saúde e prevenção de 
doenças. 
Ainda que indiretamente, quando o(a) ACE identifica questões em seu 
território que ameaçam a saúde da população e/ou tem o potencial 
de degradar o ambiente, este(a) está contribuindo para o 
cumprimento das ações da VISA como, por exemplo, identificar a má 
qualidade de produtos relacionados à alimentação; a ineficácia de um 
agrotóxico no controle de insetos vetores de doenças; a 
comercialização clandestina de produtos alimentícios e/ou 
relacionados à saúde. Em todos esses casos, tanto o(a) ACE (embora 
não seja uma atribuição oficial) como qualquer pessoa da 
comunidade que tomar conhecimento, preocupado com o bem-estar 
de seu território,pode acionar a VISA para que ela faça a investigação 
e dê os devidos encaminhamentos necessários.
30
Quanto à Vigilância Epidemiológica (VE), observa-se que esta possui 
estruturas específicas de funcionamento, atuando na prevenção e no 
controle de doenças evitáveis; tem como foco de trabalho a proteção 
de fatores de agravos coletivos, em detrimento a problemas 
individuais. Entre suas ações, estão a coleta, análise, interpretação e 
divulgação de informações sobre problemas de saúde específicos, 
desenvolvidas de maneira sistemática e rotineira (CAVALCANTE; LUNA; 
ARAÚJO, 2018; BRASIL, 2021).
A VE possui papel, mundialmente, reconhecido, tendo em vista que 
atua e já atuou, diretamente, no caso de erradicação de doenças 
como a varíola, poliomielite, rubéola, difteria, além do controle de 
outras como tétano, coqueluche, sarampo, AIDS. Ademais, atua 
também nas notificações de doenças compulsórias, construindo 
importantes indicadores como taxas de mortalidade, morbidade, taxa 
de natalidade, coeficiente de mortalidade infantil, expectativa de vida 
ao nascer, dentre outros. O cenário epidemiológico mostra-nos que a 
VE atua de forma eficaz, protegendo a saúde da população (LEITE; 
ASSIS; CERQUE, 2003). 
O trabalho do(a) ACE também integra 
importantes ações do ponto de vista 
estratégico na VE, pois contribui 
cotidianamente para construção de 
indicadores e controle do cenário 
epidemiológico. 
31
As ações de controle de vetores e consequente redução de casos de 
dengue, chikungunya, malária, raiva, mordeduras de animais, 
agressão por animais peçonhentos são quesitos primordiais para se 
ter um cenário epidemiológico controlado, reduzindo a possibilidade 
de danos à saúde da população.
Cumpre destacar que, para efetivo diagnóstico e controle das 
situações de risco que permeiam o território, há a necessidade de 
fortalecimento do diálogo entre o(a) ACE, UBS e todas as vigilâncias 
que compõem a vigilância em saúde, pois o diálogo estreita as 
relações e aumenta a confiança da comunidade com a equipe 
(BRASIL, 2018b).
A Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) tem como principal 
objetivo promover saúde e reduzir os riscos decorrentes do trabalho 
em seus diferentes níveis, identificando vulnerabilidades 
socioambientais e intervindo de maneira eficaz em consonância com 
as demais vigilâncias para proteção da saúde dentro e fora dos 
ambientes laborais (BRASIL, 2021).
Desde a reforma sanitária, o movimento 
para a proteção da saúde do trabalhador 
tem sido discutido, havendo grandes 
avanços nas conferências de saúde do 
trabalhador e, posteriormente, com a 
criação da Rede Nacional de Saúde do 
Trabalhador e da Trabalhadora (RENAST), 
a criação dos Centros de Referência em 
Saúde do Trabalhador (CEREST), bem 
como a instituição da Política Nacional de 
Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, 
por meio da portaria nº 1.823/2012 (BRASIL, 
2012). 
32
O(A) trabalhador(a) ACE deve vislumbrar a VISAT por dois cenários, se 
reconhecendo como trabalhador(a), estando dessa forma exposto(a) 
a todas as intempéries do ambiente de trabalho e aos riscos de 
adoecimento, bem como reconhecendo as condições para outros(as) 
trabalhadores(as) de seu território. A descoberta de condições de 
trabalho análogas à escravidão, empresas que trabalham em 
situações clandestinas, que expõem seus trabalhadores a condições 
insalubres e indignas, são elementos que os(as) ACE podem atuar 
para contribuir na vigilância desses cenários, seja nas denúncias ou 
nas discussões com as equipes da estratégia de saúde da família.
Figura 5: Diferentes possibilidades de integração das vigilâncias em saúde.
Fonte: Adaptado - BRASIL, 2023.
VIGILÂNCIA 
EM SAÚDE
IMUNIZAÇÃO
ENDEMIAS
SISTEMA DE 
INFORMAÇÃO
CONTROLE 
DA ÁGUA
VIGILÂNCIA 
SANITÁRIA
PROMOÇÃO À 
SAÚDE
EPIDEMIOLOGIA
LABORATÓRIOS 
DE SAÚDE 
PÚBLICA
EDUCAÇÃO EM 
SAÚDE 
CAPACITAÇÃO
ZOONOSES
31
Observa-se que são variadas as possibilidades de integração das 
vigilâncias e também das unidades de atenção primária sendo, nesse 
caso, e em outros similares, de fundamental importância a atuação 
do(a) ACE para contribuir no trabalho conjunto dos atores que 
possuem o mesmo objetivo que é proteger e promover a saúde da 
população. 
 
As ações individualizadas são sempre importantes, ainda mais em 
condições de subdimensionamento de pessoal de trabalho, mas o 
trabalho em equipe, interdisciplinar e intersetorial enriquece as 
possibilidades de sucesso para o alcance do objetivo proposto e, 
consequentemente, faz com que a população do seu território tenha 
melhoria da qualidade de vida e saúde. Logo, entender a realidade do 
local onde vive e trabalha por meio de informações que sejam 
confiáveis deve ser um dos fatores a considerar.
33
INFORMAÇÕES 
AMBIENTAIS E 
SISTEMAS COMO 
FERRAMENTAS 
PARA 
MONITORAMENTO
Para que seja pensada 
e realizada qualquer 
ação de intervenção no 
território, há de se ter 
acesso a informações 
confiáveis que 
demonstrem a 
realidade do cenário. 
35
Do ponto de vista da gestão do risco, as informações ambientais e 
os sistemas de informação existentes assumem importante papel 
no tocante à consolidação dos dados, realização e divulgação de 
relatórios que demonstrem a realidade e a partir daí, a equipe 
multidisciplinar tenha condições de pensar nas questões prioritárias 
que ameaçam a vida em comunidade.
O acesso a informações confiáveis e de qualidade é um fator 
primordial para que sejam realizados o diagnóstico situacional e a 
gestão de risco efetiva. Quanto à questão ambiental, os Sistemas de 
Informação (SI) específicos são disponibilizados gratuitamente e 
permitem que as equipes multidisciplinares tenham em mãos 
dados já analisados sobre as condições ambientais e riscos dos 
territórios. Dentre os SI, podemos citar: Sistema de Informações do 
Gerenciamento Costeiro e Marinho – Sigercom, Portal Nacional de 
Licenciamento Ambiental – PNLA, dentre outros apresentados na 
Figura 6.
Fonte: Adaptado de (BRASIL, 2011) e atualizado em 11/02/2023.
Figura 6: Principais sistemas de informações ambientais disponíveis para o acesso 
da população.
Portal Nacional de 
Licenciamento
Ambiental – PNLA
https://pnla.mma.gov.br/
Portal da Biodiversidade 
https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/pr
ogramas-e-projetos/portal-da-biodiversidad
e
Serviço Florestal 
Brasileiro
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assunto
s/servico-florestal-brasileiro/
Gestão Territorial, 
Gerenciamento Costeiro 
e Gestão de Substâncias 
Químicas
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/age
ndaambientalurbana/gestao-territorial-geren
ciamento-costeiro-e-gestao-de-substancias
-quimicas
Sistema de Informações 
do Rio São Francisco – 
SisFran
http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/sisfra
n
Educação e cidadania 
ambiental
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/edu
cacaoambiental
Sistema de Informações 
Ambientais no Mercosul 
–Siam
https://www.mercosur.int/pt-br/sistema-de-in
formacao-ambiental-do-mercosul-siam/
Observação da terra http://www.obt.inpe.br/prodes/
Cadastro Nacional de 
Unidades de 
Conservação – CNUC
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/are
asprotegidasecoturismo/plataforma-cnuc-1
Para que o(a) ACE possa contribuir na 
construção de indicadores ambientais, precisa 
primeiro refletir sobre quais são as 
possibilidades de agravos, quem os faz e, 
posteriormente, ter um local específico para que 
possa buscar informações e assim identificar a 
evolução do agravo ambiental. 
36
https://pnla.mma.gov.br/
https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/programas-e-projetos/portal-da-biodiversidade
https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/programas-e-projetos/portal-da-biodiversidade
https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/programas-e-projetos/portal-da-biodiversidade
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/servico-florestal-brasileiro/
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/servico-florestal-brasileiro/
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/agendaambientalurbana/gestao-territorial-gerenciamento-costeiro-e-gestao-de-substancias-quimicashttps://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/agendaambientalurbana/gestao-territorial-gerenciamento-costeiro-e-gestao-de-substancias-quimicas
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/agendaambientalurbana/gestao-territorial-gerenciamento-costeiro-e-gestao-de-substancias-quimicas
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/agendaambientalurbana/gestao-territorial-gerenciamento-costeiro-e-gestao-de-substancias-quimicas
http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/sisfran
http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/sisfran
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/educacaoambiental
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/educacaoambiental
https://www.mercosur.int/pt-br/sistema-de-informacao-ambiental-do-mercosul-siam/
https://www.mercosur.int/pt-br/sistema-de-informacao-ambiental-do-mercosul-siam/
http://www.obt.inpe.br/prodes/
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/areasprotegidasecoturismo/plataforma-cnuc-1
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/areasprotegidasecoturismo/plataforma-cnuc-1
37
Caminhando nessa lógica, iremos refletir sobre as possibilidades de 
agravos e, posteriormente, identificar quais são os principais sistemas 
de informações disponíveis para que possamos consultar a realidade 
dos indicadores ambientais. Partindo desse princípio, podemos refletir, 
quem realmente são os agressores do meio ambiente? 
Você, ACE, conhece os agentes existentes no seu 
território que provocam alterações ao meio 
ambiente? Por que ocorrem? 
Você realiza ou já realizou alguma ação/atividade para reduzir danos 
ao meio ambiente?
As políticas públicas de saúde, meio ambiente, prevenção de 
desastres (naturais ou antropogênicos) existem e funcionam com 
efetividade no seu território?
Fonte: BING IMAGENS, s.d.
Figura 7: Identificando os agressores 
do meio ambiente.
Essa figura traz a 
demonstração de 
possibilidades de agravos à 
natureza, ações que, em 
nosso cotidiano, muitas 
vezes tendem a serem 
normalizadas por não 
possuir um impacto 
imediato, mas que com o 
passar do tempo, o 
acúmulo dessas ações 
causa danos ao meio 
ambiente. 
38
A Figura 7 permite a identificação de diversos agressores ao meio 
ambiente, mostra que de nove (A até I) possibilidades, apenas duas 
estão protegendo a natureza. O restante, poluição de automóvel, 
contaminação dos rios com lixos afetando os peixes, desperdício de 
água, derrubada de árvores, caça de animais e poluição sonora, todas 
são situações que degradam o ambiente, enquanto um deles planta 
uma muda de árvore e outra faz reciclagem de lixo. A tirinha tem todo 
o seu conteúdo voltado para a Educação Ambiental (EA).
Por apresentar imagens ilustrativas, a tirinha serve como 
impulsionadora do aprendizado e estimula a mudança 
comportamental individual e coletiva, pois mostra que em variadas 
possibilidades, diversos comportamentos, infelizmente, têm se tornado 
“natural” por parte da população, mas que, individualmente, estão 
degradando as principais fontes de subsistência na terra.
E por que não o(a) ACE utilizar 
essa estratégia de tirinhas para 
refletir com a sociedade os 
agravos causados em nosso 
cotidiano?
 
39
O desmatamento, a luta por terras indígenas, as queimadas 
propositais, também se configuram em questões ambientais 
complexas, pois envolve interesses capitalistas, tanto para a utilização 
da área territorial para plantações diversas, com foco no agronegócio, 
como para a comercialização ilegal de madeiras. Caso específico 
disso, temos a degradação da floresta amazônica, que tem sofrido 
com os ataques, aumentando assim as ondas de calor e reduzindo o 
volume de água e, consequentemente, a oxigenação do nosso 
planeta, fazendo com que a natureza fique mais propensa a 
desenvolver desastres naturais (MARQUES, 2022).
Fonte: BING IMAGENS, s.d.
Figura 8: Proteja as nossas matas: quem é o vilão?
 A figura 8 nos ajuda a refletir sobre a questão do desmatamento ilegal.
40
Essa tirinha mostra que cada um de nós, a começar pelas crianças, 
pode e tem o dever de cuidar da proteção ambiental. Dá a entender 
que as crianças chamaram a atenção do adulto, e ele se conscientizou 
e decidiu não mais cortar árvores. Essa tirinha tem uma ligação direta 
com a EA, pois demonstra o papel de protagonistas das crianças, bem 
como a possibilidade para que o(a) ACE, juntamente com a equipe 
multiprofissional, possa começar o trabalho de conscientização 
popular pelas crianças, na tentativa de desenvolver cidadãos com 
espírito crítico de proteção ambiental para as próximas gerações.
41
● No seu território, existem dados ambientais disponíveis e 
acessíveis? 
● Quais locais o(a) ACE pode buscar informações para entender 
o cenário do seu território a fim de realizar suas atividades de 
rotina e, principalmente, orientar a sua população? 
● Como as condições climáticas do seu território, tais como: 
tempo quente, tempo frio, vento, poeira, chuvas, têm interferido 
no aumento do número de casos de doenças/atendimentos na 
unidade de saúde? 
● As políticas públicas de saúde, meio ambiente, prevenção de 
desastres (naturais ou antropogênicos) existem e funcionam 
com efetividade no seu território?
O Ministério da Saúde possui diversos Sistemas de Informação (SI), 
compostos por diferentes indicadores. As informações são coletadas 
e inseridas no sistema e, posteriormente, esses dados são analisados 
e tornam-se indicadores úteis que nos permitem conhecer o cenário. 
A publicação Saúde Ambiental: guia básico para construção de 
indicadores (2011) mostra quais são as informações necessárias para 
alimentar o sistema e quais são as formas de se realizar o cálculo.
Frente a essa discussão, faz-se 
os seguintes questionamentos:
42
Para se pensar na construção de informações, deve-se levar em 
consideração as diferenças entre dado, indicador e índice. 
Compreender as diferenças faz com que tenhamos maior 
familiaridade na coleta dos dados e, posteriormente, na interpretação 
do indicador e do índice.
O dado coletado refere-se a um valor quantitativo referente a um fato 
ou circunstância, por exemplo, a temperatura do ambiente em um 
determinado momento, a quantidade de chuva no final de semana, o 
número de pessoas mortas com o desmoronamento ocorrido, o 
número de internações por envenenamento ou exposição a 
agrotóxicos, a concentração de poluentes na qualidade do ar, o 
número de mortes de crianças menores de cinco anos por infecção 
respiratória aguda, entre outras possibilidades que foram observadas, 
mas que ainda não sofreram nenhuma análise (BRASIL, 2011). 
O indicador tem a finalidade de sintetizar os dados que foram 
coletados e que, isolados, não nos dão informações precisas. Com o 
auxílio da estatística, os dados são analisados e transformados em 
informações. Por exemplo, com o dado de número de mortes de 
crianças menores de cinco anos por infecção respiratória aguda eu 
posso ter a informação do número de internações e, verificar se existe 
relação com a concentração de poluentes (BRASIL, 2011).
43
Observa-se que, não é o foco desta abordagem estimular que o(a) 
ACE faça a inserção de dados nos sistemas, mas, sim, que ele possa 
entender a dinâmica do funcionamento, com as principais 
identificações de possibilidades para a busca de informações para 
conhecer o seu cenário. 
Não só o conhecimento sobre informações ambientais, mas faz-se 
necessário, também, o acesso às informações sobre a saúde, que 
possui uma grande quantidade de sistemas, principalmente, com o 
apoio do DATASUS que compila e divulga diversas informações sobre 
a situação de saúde de todas as regiões do país, pelos sistemas 
oficiais do Ministério da Saúde.
 É importante ressaltar que, para construção de 
indicadores, há a necessidade de ter participação 
de toda a equipe multiprofissional, para que juntos 
possam decidir quais pontos podem ser 
considerados mais relevantes. 
44
Corvalán, Briggs e Kjellstrom (2000) trouxeram uma denominação de que 
para se construir um indicador é necessário que as informaçõessejam 
cientificamente válidas, isto é, haja relações conhecidas entre ambiente e 
saúde; seja representativo da realidade; seja construído com dados 
confiáveis e acessíveis. Outro ponto é que seja, também, socialmente, 
relevante, com a utilização de dados disponíveis a baixo custo; esteja 
relacionado a uma questão específica da temática ambiental e que 
tenha capacidade de ser entendida e interpretada por diferentes tipos de 
usuários.
 
A construção e efetiva divulgação de indicadores é um dos fatores 
essenciais para diagnosticar o estado de vulnerabilidades na 
comunidade e buscar subsídios para planejar intervenções.
Que tal uma Situação 
Problema?
Em um território X, o(a) ACE foi abordado(a) por 
moradores, e esses relataram que têm observado 
uma grande movimentação nas áreas mais 
afastadas, com a presença de caminhões com 
madeiras de grande porte. Eles suspeitam de 
desmatamento ilegal e tráfico de madeira de lei, mas 
como não possuem conhecimento sobre o que fazer, 
resolveram solicitar ajuda ao(a) ACE.
45
Sugestões:
1. O(a) ACE precisa comunicar a equipe para que a situação seja 
conhecida por todos, e as medidas sejam tomadas.
2. O(a) ACE precisa orientar os moradores sobre o que fazer caso 
aumente a presença de insetos e de outros animais que possam 
implicar riscos à saúde e, caso identifiquem, devem comunicar 
ao Meio Ambiente (Limpeza urbana) e à Vigilância Ambiental.
Há de se observar que, em muitos casos, a ação ilegal do homem na 
degradação da natureza contribui para a emergência ou 
re-emergência de doenças e/ou ocorrência de desastres naturais e 
antropogênicos. Portanto, a vigília, identificação e informação deve ser 
constante para que consigamos mensurar os indicadores de 
vulnerabilidade social, ambiental e de aumento do risco à saúde, 
devendo, para isso, termos fontes e informações confiáveis.
Quais as 
possibilidades de 
ações do(a) ACE 
frente a esse 
cenário?
DESASTRES E 
RISCOS DE 
EMERGÊNCIAS EM 
SAÚDE PÚBLICA 
(ESP): AVALIAR, 
AGIR E RECUPERAR
47
O que é um desastre?
Um desastre, independente da sua origem, não acontece sem que 
haja ameaças/sinais. Logo, a estratégia de conhecimento das 
realidades do território é um fator primordial para que as equipes de 
saúde e a comunidade possam pensar estratégias e monitorar os 
riscos, evitando assim que o desastre ocorra ou que a magnitude dos 
impactos seja reduzida (FREITAS; MAZOTO; ROCHA, 2018).
Segundo o Vigidesastres, os desastres podem ser classificados 
segundo as origens natural, tecnológica e acidentes com produtos 
químicos perigosos (BRASIL, 2022b).
DESASTRES NATURAIS 
Entre os desastres naturais que 
comumente acontecem em nosso país, 
podemos citar os geológicos que inclui 
eventos como deslizamentos, erosão e 
terremotos, sendo o último o de menor 
probabilidade em nosso país. Há, no Brasil, 
locais montanhosos que possuem 
estrutura irregular e que se tornam áreas 
de risco quando são exploradas e/ou 
habitadas.
48
DESASTRES DE ORIGEM HIDROLÓGICAS 
Os desastres de origem hidrológicas incluem inundações, 
enxurradas e alagamentos. Os extremos sempre causam 
prejuízos à população, longos períodos de chuva, em cidades que 
não há planejamento correto para drenagem, as inundações e os 
alagamentos são problemas recorrentes, ocasionando perdas 
para a população, desabastecimento das cidades, agravos à 
saúde e até mesmo a morte de pessoas.
49
Os desastres de origem climatológica estão ligados a longos períodos 
de seca, estiagem e incêndio florestal. O clima é uma das principais 
preocupações da era atual, pois o comportamento humano tende a 
contribuir para situações que estimulem a seca, estiagem e o incêndio 
florestal, levando ao aumento da poluição ambiental e ao aumento 
das temperaturas. O clima mais quente e seco resseca as florestas e 
faz com que a possibilidade de incêndio florestal aumente em grandes 
proporções.
O Ministério da Saúde (MS), juntamente com a Fiocruz, construiu o Guia 
de Preparação e Respostas do Setor Saúde aos Desastres, um 
instrumento suporte para que os municípios se organizem e, em 
conjunto com os órgãos competentes, construam seus próprios Planos 
de Preparação e Respostas do setor saúde para a ocorrência de 
desastres (FREITAS; MAZOTO; ROCHA, 2018). 
DESASTRES DE ORIGEM 
CLIMATOLÓGICOS 
IM
P
A
C
T
O
S
50
É válido observar que as situações de desastres causam agravos a 
curto, médio e longo prazo, sendo o setor saúde um dos que mais 
demandam tempo e recursos para o atendimento das vítimas, o que 
reforça a necessidade de construção de planos de ação para 
prevenção e atendimento a desastres. A figura 9 mostra as 
possibilidades de agravos e sua relação com o tempo, bem como o 
direcionamento para atendimento e monitoramento da comunidade, 
visando a reabilitação das pessoas e das cidades que foram afetadas 
com o desastre.
Fonte: Adaptado de FREITAS, et al., 2018.
Figura 9: Ações a serem tomadas por toda a equipe multiprofissional 
na ocorrência de eventos de desastre.
ESCALA TEMPORAL
HORAS - DIAS SEMANAS-MESES MESES-ANOS
● Resgate e 
Socorro;
● Traumas 
Agudos;
● Óbitos
● Atendimentos a 
casos de doenças 
transmissíveis e 
não transmissíveis.
● Vigilância de 
doenças 
transmissíveis.
● Vigilância de 
doenças não 
transmissíveis.
● Reabilitação de 
serviços essenciais.
● Atenção e 
vigilância de 
doenças 
crônicas.
● Vigilância de 
doenças não 
transmissíveis.
● Reabilitação e 
reconstrução.
46
Na situação de ocorrência de um desastre, independente da sua 
origem, o(a) ACE pode contribuir no fortalecimento das relações entre 
as vigilâncias, atenção primária e outros órgãos como defesa civil, 
orientando a população quanto aos fatores que devem ser 
observados no decorrer dos dias, tais como o desenvolvimento de 
sintomas característicos de contaminação, bem como estimular a 
sociedade quanto a sua participação no monitoramento das 
condições do ambiente.
Consulte o Material Complementar 
Classificação dos Desastres e saiba 
mais sobre o que você pode fazer 
para orientar as pessoas nessa 
situação. Clique aqui ou escaneie o QR 
Code.
51
https://conasems-ava-prod.s3.sa-east-1.amazonaws.com/ava/aulas/material-complementar-ace-disc-25-classificacao-dos-desastres-1683892850.pdf
VULNERABILIDADE 
SOCIOAMBIENTAL 
E PREVENÇÃO DE 
DESASTRES
A mera atribuição de questões sociais, de origem natural, econômicas 
e modo de vida, por si só não são capazes de mensurar o que a 
população pensa do sistema e sua confiança em questões sociais, a 
política de articulação, bem como o entendimento individual dos 
riscos e perigos que permeiam a sociedade e que lhe impomos sem 
conhecermos suas percepções (OJIMA, 2014).
Há uma intensa busca pela sustentabilidade, mas tais buscas têm 
levado em conta apenas aspectos inerentes ao meio ambiente, sem 
entender que o alcance da sustentabilidade não garante por si só a 
extinção da vulnerabilidade, nem das pessoas, nem das cidades, 
devendo para isso ter relações. A relação entre a saúde humana e os 
fatores do meio ambiente natural e alterado pela ação humana é 
denominado de Saúde Ambiental, tal articulação busca manter a 
sustentabilidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas, 
reduzindo o risco de vulnerabilidade, principalmente, a vulnerabilidade 
socioambiental (BRASIL, 2022c; OJIMA, 2014).
53
Entender o conceito de 
vulnerabilidade passa 
pelo entendimento das 
facetas que compõem 
a complexa arte de ser 
humano e viver em 
sociedade. 
54
O termo vulnerabilidade é comumente utilizado para designar a 
suscetibilidade das pessoas a problemas e danos de saúde, bem 
como o grau de risco a que está exposta uma população em sofrer 
danos por desastres naturais e/ou antropogênicos. A vulnerabilidade 
às doenças, à exposição ambiental e seus efeitos sobre a saúde se 
distribui de forma individualizada, levando em consideração aspectos 
como pobreza, grupos sociais, cultura, escolaridade,dentre outros 
fatores que denominam o acesso aos equipamentos sociais 
(BERTOLOZZI et al, 2009; OJIMA, 2014; BRASIL, 2022c). 
 
Ao se considerar todos esses aspectos e também as condições 
ambientais da cidade e suas particularidades, tais como instituição de 
programas de moradias, acesso à educação e aos serviços de saúde 
de qualidade, pode-se abordar e ampliar o termo para vulnerabilidade 
socioambiental, que leva em consideração os aspectos que estão 
relacionados à saúde humana e à saúde do ambiente (BERTOLOZZI et 
al., 2009; OJIMA, 2014; BRASIL, 2022c). 
É valido lembrar que entre os fatores que 
aumentam a vulnerabilidade socioambiental, 
além dos condicionantes relacionados às 
pessoas, ainda estão as mudanças 
ambientais resultantes da degradação 
ambiental, ocupação de áreas de proteção 
ambiental, desmatamento ilegal, poluição de 
águas, solos e atmosfera, que tornam 
determinadas áreas mais vulneráveis, fazendo 
com que haja o fator resultante de vidas 
precárias e saúde ambiental inadequada 
(BRASIL, 2022c).
55
O termo “determinantes comerciais de saúde” se refere a 
“estratégias e abordagens utilizadas pelo setor privado para 
promover produtos e escolhas que são prejudiciais à saúde”, 
interferindo em fatores como comportamentos e escolhas 
individuais relacionados a consumo e estilo de vida, e questões 
relacionadas à sociedade global, como riscos de consumo, 
economia política e globalização, podendo ser influenciados pelas 
dinâmicas: força motora, canais e resultados (KICKBUSCH, 2015; 
KICKBUSCH; ALLEN; FRANZ, 2016; OPAS, 2022).
Nesse tocante, ao pensar na relação entre determinantes 
socioambientais e redução de riscos de desastres, há de se 
pensar sobre:
• Qual a estrutura que compõe o cenário da saúde e do meio 
ambiente do seu território? 
• Como a estrutura está planejada e quais as possibilidades de 
atuação da equipe multiprofissional que está mais próxima da 
comunidade que pode ser afetada?
 
Na organização do SUS, os municípios têm a responsabilidade de 
executar as ações de saúde. Nessa perspectiva, cabe ao 
município a identificação e programação de ações efetivas para 
a construção de estratégias de proteção à saúde da população, 
devendo direcionar e buscar recursos adicionais quando 
necessário.
Os determinantes comerciais da saúde 
têm sido discutidos amplamente pois se 
configuram em elementos que podem 
aumentar a vulnerabilidade das 
pessoas.
56
Segundo Ojima (2014), são várias as possibilidades para se reduzir a 
vulnerabilidade socioambiental das pessoas, a começar pela 
reestruturação e adequação dos equipamentos sociais dentro de 
cada território. A organização de serviços sociais e estruturas de 
oportunidades, possibilitam o acesso de uma parcela mais ampla 
da sociedade, permitindo assim uma relativa redução de 
vulnerabilidades.
Da mesma maneira, associações de bairro bem estruturadas, 
atividades escolares, atividades religiosas, festas, proximidade de 
familiares no entorno do domicílio/bairro, todas estas variáveis 
contextuais podem ser fundamentais para a redução da 
vulnerabilidade socioambiental em determinados contextos.
Ações como: falta de vigilância da água para consumo humano; 
exposição humana a solos contaminados; exposição humana a 
poluição atmosférica; exposição humana a substâncias químicas e 
a acidentes com produtos perigosos, exposição humana à radiação 
ionizante e não ionizante e exposição humana a desastres são todas 
condições que elevam a suscetibilidade humana e do ambiente, 
contribuindo para a redução do potencial de análise do risco, pois, 
sem o entendimento da estrutura geral, há uma grande dificuldade 
de contar com a participação social na análise das prioridades para 
se pensar estratégias de prevenção do risco.
Quais são as estratégias para 
reduzir as vulnerabilidades e os 
riscos e fortalecer a população?
57
Fonte: Adaptado de MATA-LIMA et al. , 2013.
Figura 10: Procedimento para identificação, análise e redução do risco.
Um esquema, na figura 10, adaptado de Mata-Lima et al. (2013), mostra 
a possibilidade de atuação e gestão do risco para redução de 
desastres.
C
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TRATAMENTO DO RISCO
ENQUADRAMENTO
IMPORTÂNCIA DO RISCO
IDENTIFICAÇÃO DO RISCO COM 
PARTICIPAÇÃO POPULAR.
ANÁLISE DO 
RISCO HUMANO E 
AMBIENTAL
AVALIAÇÃO 
DO RISCO
58
Observa-se, na figura 10, que o processo se inicia com o 
enquadramento sobre o que é a condição de risco e qual a 
vulnerabilidade socioambiental relacionada; posteriormente, há a 
identificação do risco, incluindo a participação popular para que 
haja priorização do risco e, principalmente, comprometimento 
popular na hora da fiscalização e monitorização. Após elencados os 
riscos faz-se a priorização do risco; qual é mais importante e qual 
ameaça mais a vida neste momento? Após essa definição, 
estratégias são traçadas para a contenção do risco. 
A análise multiprofissional, com a contribuição 
particular do(a) ACE na identificação de aspectos de 
natureza econômica, social, ambiental, cultural, 
política e suas mediações, contribuem para que a 
vigilância em saúde tenha condições de identificar 
locais de maior impacto no território e priorizar ações 
de promoção, prevenção e recuperação da saúde do 
ambiente e da população (BRASIL, 2022c).
Observe que, independente da estrutura, em todas as etapas, há uma 
comunicação entre toda a equipe multiprofissional, monitorando, 
revendo, comunicando e consultando aos órgãos competentes. Esse 
processo deve ser cíclico, ou seja, funcionar todo o tempo juntamente 
com as ações. Todos esses passos se juntam para a construção de um 
plano de preparação e resposta do setor saúde à ocorrência de 
desastres, conforme recomendado por Freitas, Mazoto e Rocha (2018).
RETROSPECTIVA
Nesta disciplina, você tomou conhecimento de diversos temas que 
compõem o constante pensar saúde, ambiente e suas relações na 
ocorrência de doenças.
Conforme todos os pontos abordados, foi possível entender que as 
relações entre ambiente e saúde continuam sendo um desafio para a 
população e para os trabalhadores da saúde. Isso reforça, ainda mais, a 
necessidade de, cotidianamente, o(a) ACE realizar abordagens conscientes 
e adequadas para educação ambiental e em saúde da comunidade com 
a qual mantiver contato.
Agora amplie seu conhecimento! E para te dar uma mãozinha com essa 
tarefa, aqui, vai uma dica: assista à teleaula. Ela está repleta de 
informações adicionais para você recordar e refletir sobre essa temática. 
No nosso próximo encontro, abordaremos Noções de Primeiros Socorros.
Até lá!
60
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