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1 
 
 
 
 
 
 
Vigilância em Saúde 
 
 
Unidade II 
 
 
Profa. Dra. Eriane Justo Luiz Savóia 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR-AUTOR 
 
Doutora em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente pelo Instituto de Botânica 
de São Paulo (IBt). Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade 
de São Paulo (FM/ USP). Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade São 
Judas Tadeu (USJT). Especialização em Pedagogia pela Faculdade São Bernardo 
(FASB). Professora na Faculdade de Medicina ABC, no curso de Gestão em Saúde 
Ambiental. Diretora de Gestão Ambiental no Serviço Municipal de Saneamento 
Ambiental de Santo André. Cargo efetivo de bióloga na Prefeitura de Santo André. Foi 
Gerente de Educação e Mobilização Ambiental, onde coordenou a construção 
participativa da Política Municipal de Educação Ambiental (2015). É presidente do 
Fundo Municipal de Gestão Ambiental e Secretária Executiva do Conselho Municipal 
de Gestão e Saneamento Ambiental de Santo André. 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 5 
1 A VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL ................................................................ 6 
1.1 AS QUESTÕES AMBIENTAIS ............................................................................... 6 
2 A ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL ..................................... 8 
2.1 VIGIAGUA ................................................................................................................ 9 
2.1.1 A POLUIÇÃO DAS ÁGUAS .............................................................................. 10 
2.1.2 O IMPACTO DA POLUIÇÃO DAS ÁGUAS NA SAÚDE ............................... 12 
2.2 VIGIAR ................................................................................................................. 13 
2.2.1 A POLUIÇÃO DO AR....................................................................................... 14 
2.2.2 OS EFEITOS DA POLUIÇÃO NA SAÚDE ..................................................... 17 
2.3 VIGIPEQ ................................................................................................................ 17 
2.3.1 POLUIÇÃO DOS SOLOS : ÁREAS CONTAMINADAS .................................. 18 
2.4 VIGIDESASTRES.................................................................................................. 22 
2.4.1. DESASTRES NATURAIS .................................................................................... 22 
2.5 VIGIFIS ................................................................................................................. 23 
2.5.1 RADIAÇÃO ........................................................................................................ 24 
3 VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR ................................................... 26 
3.1 O TRABALHO E O TRABALHADOR ................................................................ 26 
3.2 A ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR (VISAT) . 27 
 
 
3.3 A RENAST ............................................................................................................. 28 
3.4 A REDE SENTINELA .......................................................................................... 29 
3.5 OS CERESTS ........................................................................................................ 29 
3.6 A VIGILÂNCIA DO TRABALHADOR NA ATENÇÃO BÁSICA ...................... 30 
3.7 AS EMERGÊNCIAS NAS REDES SENTINELAS ............................................... 30 
4 COMUNICAÇÃO DO ACIDENTE DE TRABALHO............................................... 32 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 33 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 34 
 
 
 
 
 
 
5 
INTRODUÇÃO 
 
As atividades antrópicas, desde sua origem, sempre provocaram impactos no 
meio ambiente. O ser humano é parte integrante do meio e depende dele para 
sobrevivência. 
Com um histórico de degradação contínua do Planeta, é preciso também rever 
nosso papel, hábitos e costumes diante do meio e de nossas vidas, principalmente no 
que diz respeito à saúde. 
No final do século V a.C, Hipócrates, em sua obra “Dos ares, águas e lugares”, 
já relacionava aspectos ambientais como causa de adoecimento (GOUVIEIA, 1999; 
RIBEIRO, 2004). 
A saúde, meio ambiente e qualidade de vida são questões indissociáveis, 
porém, todas com interferência direta da busca incessante pelo progresso. 
 Para estabelecermos uma relação harmônica entre saúde e ambiente devem 
ser estudas medidas eficientes de identificação dos problemas, prevenção e controle 
por todas as esferas de governamentais, que surtam efeitos em nível local e global. 
Cabe ressaltar que meio ambiente é tudo aquilo que nos cerca, seja o meio 
externo, como paisagens naturais, florestas, cidades, por exemplo, ou seja interno, 
como nossa casa, escolas e ambiente de trabalho. 
O trabalho é um dos fatores condicionantes para a qualidade de vida. O 
ambiente em que ele ocorre, deve ser cuidadosamente pensado e planejado para que 
não provoque adoecimento. 
Nesta unidade trataremos de duas áreas da vigilância em saúde que abordam 
as questões ambientais e do trabalho, relacionadas com a saúde e qualidade de vida: 
a saúde ambiental e a saúde do trabalhador. 
Assim, percebemos que a vigilância em saúde, quando compreendida como 
um elo e articulação de saberes, é um excelente caminho para consolidar os princípios 
do SUS, contribuindo para o total equilíbrio da saúde da população (MONKEN, 
BARCELLOS, 2007). 
 
 
 
 
6 
1 A VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL 
 
Ao traçarmos a trajetória das questões relacionadas à saúde, da antiguidade 
até os dias atuais, nos fica claro que, inicialmente, as preocupações eram mais 
exclusivas com doenças, agentes etiológicos, formas de transmissão e medidas de 
controle a fim de evitar a disseminação. Tínhamos um viés mais epidemiológico e 
sanitário da saúde. 
Porém, ao longo do tempo percebe-se que o meio em que vivemos tem relação 
direta com nossa saúde e qualidade de vida. Os fatores ambientais que causam danos 
à saúde podem nos oferecer bases para mostrar as necessidades de melhorias do 
ambiente como determinantes de saúde (RIBEIRO, 2004). 
Não é possível desvincular as questões ambientais da saúde pública, já que o 
ser humano depende dos recursos naturais para sobreviver. A forma como tais 
recursos são utilizados é que precisa ser avaliada e repensada, visando um ambiente 
equilibrado e saudável. 
Dentro deste contexto, surge a vigilância em saúde ambiental, cujo objetivo é 
identificar e avaliar os riscos associados ao ambiente e buscar medidas de controle e 
proteção para a saúde. 
 
1.1 As questões ambientais 
 
Foi na pré-história, com a descoberta do fogo, que as modificações na 
paisagem e o depósito de poluentes no meio natural começaram a surgir, porém, de 
forma inconsciente. Posteriormente, quando surgiu a agricultura, o ser humano 
começou a agir e interferir de modo intencional no meio ambiente, realizando 
mudanças nos cursos d´água e introduzindo espécies vegetais de interesse em áreas 
diversas, por exemplo. 
Assim, podemos dizer que a poluição existe desde que o ser humano começou 
a interagir com o meio ambiente. Porém, a intensidade dos impactos evoluiu em 
grande escala ao longo do tempo e acompanhou o histórico do desenvolvimento 
industrial das cidades. 
Os sinais de degradação ambiental são evidentes em grande escala. 
Ecossistemas reduzidos, poluentes na água, ar e solo, bem como a intensificação do 
efeito estufa e aquecimento global, são exemplos dos impactos das atividades 
antrópicas no meio ambiente (BARCELLOS & QUITERIO, 2006). 
A Revolução Industrial, no século VXIII, inicia o processode substituição da 
mão de obra humana por máquinas e indústrias. O foco na produção em larga escala 
acelerou a exploração dos recursos naturais como matéria prima e contribuiu para a 
poluição ambiental em suas diversas formas. 
Os níveis de poluição ambiental aumentaram muito com o processo de 
industrialização e urbanização. Isto ocorreu não somente pelo fato de que a indústria 
lança para o meio ambiente poluentes das mais diversas fontes, mas também pelo 
fato de que os polos industriais trazem um aglomerado de pessoas nas proximidades. 
 
7 
O crescimento populacional, com grandes concentrações humanas, já 
configura uma fonte de poluição na medida em que geram resíduos. Além disto, exige 
mudanças no meio físico, com infraestrutura adequada, moradias, desmatamentos, 
acesso à água, afastamento de esgoto, destinação de resíduos, entre outros. 
Não podemos nos esquecer que o ser humano é parte do meio e depende dos 
recursos da natureza para sobreviver. Um ambiente degradado, significa má 
qualidade de vida e, consequentemente, impactos à saúde física e mental. 
Desta forma, podemos dizer que a crise ambiental apresenta alguns fatores 
chaves, tais como: crescimento populacional, demanda por energia e matéria prima e 
geração de resíduos. Como produto destes fatores, temos a poluição instalada no 
meio ambiente. 
A poluição, segundo a Política Nacional de Meio Ambiente, é definida como a 
degradação da qualidade ambiental, em decorrência de atividades que possam 
prejudicar a saúde, segurança e bem-estar da população; prejudiquem atividades 
econômicas e sociais; afetem as condições estéticas e sanitárias do meio e lancem 
materiais ao meio fora dos padrões ambientais estabelecidos por legislação pertinente 
(BRASIL,1981). 
Já há muitas evidências, ao logo do tempo, nos mostrando os impactos da 
poluição na saúde. Distúrbios respiratórios por inalação de poluentes atmosféricos, 
diarreias por ingestão de águas contaminadas, acidentes com materiais radioativos 
descartados de maneira incorreta, entre outros problemas. 
Um ambiente doente, torna as pessoas igualmente doentes. E é neste ponto 
que conseguimos compreender a interface entre saúde e ambiente. 
Perante o contexto, a vigilância em saúde ambiental vem fazer este elo saúde 
e ambiente, na medida que avalia os fatores ambientais que podem interferir na saúde 
humana e identificam forma de prevenir e controlar riscos e agravos à saúde. 
 
 
 
 
8 
2 A ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL 
 
O Sistema de Vigilância à saúde é responsável por ações diversas de vigilância 
para prevenção e controle de uma série de agravos à saúde. 
A Vigilância em Saúde Ambiental, como parte do Sistema Nacional de 
Vigilância à Saúde, engloba uma série de ações relacionadas aos fatores ambientais 
passíveis de interferência e impactos à saúde. Tem como foco identificar formas de 
prevenir e controlar os fatores de riscos ambientais relacionado às doenças ou outros 
danos à saúde 
As ações da vigilância em saúde são fundamentais devido à imensa 
degradação e impactos ambientais já sofridos pelo planeta ao longo dos anos. Esses 
problemas são intensificados quando nos referimos às áreas urbanas e focos 
industriais, por exemplo. 
No ano de 2005, o Ministério da Saúde emite a normativa 01/2005, que institui 
o Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental (SINVSA). 
A normativa em seu artigo 1º descreve a seguir: 
 
Art. 1º - O Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental - SINVSA 
compreende o conjunto de ações e serviços prestados por órgãos e entidades 
públicas e privadas, relativos à vigilância em saúde ambiental, visando o 
conhecimento e a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde 
humana, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de promoção da 
saúde ambiental, prevenção e controle dos fatores de riscos relacionados às 
doenças e outros agravos à saúde, em especial: 
 
I. água para consumo humano; 
II. ar; 
III. solo; 
IV. contaminantes ambientais e substâncias químicas; 
V. desastres naturais; 
VI. acidentes com produtos perigosos; 
VII. fatores físicos; e 
VIII. ambiente de trabalho. 
 
Para contemplar a referida normativa e abranger as diferentes áreas relativas 
à saúde ambiental, a coordenação geral de vigilância em saúde ambiental (CGVAM) 
divide-se em diferentes áreas de atuação, denominadas Vigiágua, Vigiar, Vigipeq, 
Vigidesastres e Vigifis, conforme figura 1. 
 
 
 
 
 
9 
Figura 1. Organograma da vigilância em saúde ambiental 
 
Fonte: Romão, 2019. 1 
 
 
2.1 Vigiagua 
 
O Vigiagua é o Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para 
Consumo Hum ano. Tal programa está baseado nas premissas do SUS e visa 
garantir para a população a distribuição de água de qualidade para consumo no Brasil. 
O programa contempla uma série de ações contínuas que devem ser adotadas 
pelas autoridades de saúde para garantir o acesso à água, tanto em questão de 
qualidade como em quantidade suficiente para a população. 
A água para consumo deve seguir os padrões de potabilidade conforme 
legislação do Ministério da Saúde, com a finalidade de garantir a saúde e prevenir 
impactos negativos à saúde pública por meio da água. 
 Este programa também fiscaliza a qualidade da água distribuída pelos estados 
através das diversas concessionárias e regulamenta poços profundos e rasos quanto 
a parâmetros químicos e biológicos, além da identificação de substâncias mais 
complexas provenientes de atividades humanas (ROMÃO, 2019). 
 
1https://teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6135/tde-
28022019095625/publico/RodrigoRomao_ORIGINAL_DR1483.pdf. Acesso em 23 jul.2020. 
 
 
10 
O Vigiagua tem um sistema chamado Sisagua, que disponibiliza informações 
sobre a qualidade das águas para abastecimento. Este sistema é alimentado por 
profissionais dos serviços de saúde e dos serviços de abastecimento de água e 
objetiva fornecer informações para a realização do gerenciamento de riscos à saúde. 
A análise dos dados deste sistema fornece bases precoces para a tomada de decisões 
para a prevenção aos agravos à saúde provenientes do consumo de água 
inadequada. 
O Ministério da Saúde estabelece que a água para consumo humano deve ser 
controlada, para que não haja problemas de saúde pública. Os procedimentos de 
controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano estão dispostos na 
Portaria MS nº 2.914/2011, que foi revogada, porém, com seu conteúdo validado pela 
Portaria de Consolidação nº 5 de 28 de setembro de 2017. 
 
2.1.1 A poluição das águas 
 
O planeta Terra é, com frequência, chamado de Planeta Água. Este fato ocorre 
devido a quantidade abundante disponível de água no planeta. 
A água é um recurso natural renovável e cobre aproximadamente 70% da 
superfície da Terra. 
Mas se engana quem pensa que, devido toda esta disponibilidade de água, 
este é um recurso inesgotável. Do total de água disponível, 97% é salgada e, portanto, 
imprópria para o consumo. Menos de 3% da água do planeta é doce, e destes, 2.5% 
estão nas geleiras. 
Sendo assim, temos uma pequena disponibilidade de água potável que, se não 
for bem cuidada, pode se esgotar. 
Vale também destacar que a disponibilidade de água no Brasil, não está 
distribuída de maneira uniforme quantidade de água doce disponível não está 
distribuída de maneira uniforme ao redor do globo. As maiores reservas das águas 
brasileiras estão na região norte, com menor densidade demográfica. Ao contrário da 
região sudeste, que tem grande concentração de pessoas e pouca água disponível, 
conforme demonstra a figura 2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
Figura 2. Distribuição de água e população por região do Brasil 
 
Fonte: Agência Nacional das Águas (rede social), 2017. 2 
 
O corpo humano possui em sua composição cerca de 70% de água.É este 
elemento que auxilia o controle da temperatura corporal, participa de atividades 
metabólicas, é usada para higiene, alimentação e lazer. Portanto, não há dúvida de 
que a água é um recurso essencial para a vida. 
A falsa ideia de que a água é inesgotável, muitas vezes condiciona 
comportamentos inadequados perante a este recurso, como o desperdício e a 
poluição, que contribuem para a escassez de água potável e de qualidade. 
O processo de introdução de qualquer substância, matéria ou energia que seja 
capaz de alterar as propriedades da água, é chamado de poluição hídrica. 
Há vários tipos de poluição hídrica, tais como: 
 Poluição sedimentar: causada pelo acúmulo de partículas em suspensão, 
provenientes de processos de erosão, assoreamento, desmatamento, 
mineração ou rompimento de barragens. O excesso de partículas na água 
bloqueia a luminosidade e interferem nos processos de fotossíntese de 
 
2 https://web.facebook.com/anagovbr/. Acesso em 20 jul.2020. 
https://web.facebook.com/anagovbr/
 
12 
organismos aquáticos, reduzindo a vida nestes ambientes e diminuindo a 
oxigenação da água. 
 
 Poluição Biológica: provocada pelo lançamento de matéria orgânica na água, 
normalmente ocasionada pelo lançamento indevido de esgoto doméstico ou 
industrial. Este tipo de poluição apresenta microrganismos patogênicos como 
bactérias, vírus, protozoários e vermes. 
 
 Poluição Química: causada por produtos químicos que são despejados nos 
corpos d´água. Podem ser lançados de maneira acidental ou intencional. 
 
 Poluição térmica: ocasionada pela alteração da temperatura da água, que 
pode se elevar ou diminuir, causando um impacto direto na população desse 
ecossistema. 
 
2.1.2 O impacto da poluição das águas na saúde 
 
Muitos agentes patogênicos podem chegar ao organismo humano por meio da 
água, seja pela ingestão ou contato. 
Agentes tóxicos lançados por acidente ou propositalmente também são 
capazes de ocasionar sérios danos à saúde, à medida que alteram as propriedades 
básicas da água, deixando-a imprópria para o consumo humano. 
Suspeitamos da poluição das águas, quando a mesma apresentar uma ou mais 
características como: possuir algum tipo de odor, parecer turva, apresentar algum 
sedimento no fundo ou apresentar algum gosto diferente. 
Encontramos em águas poluídas muitos agentes causadores de doenças, tais 
como vírus, bactérias, fungos, protozoários e vermes. A água também pode servir de 
criadouro de vetores de doenças, como por exemplo, mosquitos. Por isso, é 
considerada um veículo transmissor de doenças, caso não seja tratada para consumo 
humano. Esta transmissão pode ser direta, como a maioria das verminoses onde se 
ingere os ovos dos parasitas ou de forma indireta, como o caso da dengue, onde a 
água é um veículo de propagação do mosquito transmissor. 
Alguns microrganismos têm muita afinidade e facilidade em se reproduzir em 
meio aquático. Isto aumenta a dificuldade em elimina-los, contribuindo para a 
propagação de doenças. 
O quadro 1 a seguir destaca as doenças mais comuns de veiculação hídrica: 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Quadro 1. Principais doenças de veiculação hídrica 
 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. 
 
2.2 Vigiar 
 
Estruturado pelo Ministério da Saúde a partir de 2001, o Programa Vigiar tem o 
propósito de promover ações de vigilância para populações expostas à poluição 
atmosférica e desenvolver medidas de controle e prevenção visando a proteção 
integral à saúde, de acordo com as premissas do SUS. 
O programa enfoca ações prioritárias em regiões com grande potencial 
poluidor, mapeando os riscos à saúde pública, que embasarão o desenvolvimento de 
medidas preventivas. 
Para desenvolver as ações previstas pelo Vigiar, devem ocorrer algumas 
etapas, tais como: 
• Identificação dos municípios mais expostos aos poluentes atmosféricos; 
• Priorização ao desenvolvimento de ações preventivas às populações 
mais expostas e vulneráveis à poluição atmosférica; 
• Caracterização da situação de saúde dos municípios, por meio de 
estudos dos efeitos agudos e crônicos da exposição aos poluentes atmosféricos. 
A etapa de identificação ocorre por meio do sistema de informações obtido pelo 
instrumento de identificação dos municípios de risco (IIMR), que contém dados 
Doença 
Agente 
causador 
Transmissão 
Hepatite A Vírus 
Ingestão de água contaminada e contato com 
pessoas doentes 
Amebíase Protozoário Ingestão de água e alimentos contaminados 
Giardíase Protozoário Ingestão de água e alimentos contaminados 
Diarreia 
Bacteriana 
Bactéria 
(E. coli) 
Ingestão de água e alimentos contaminados 
Cólera Bactéria 
Ingestão de água e alimentos (frutos do mar) 
contaminados 
Leptospirose Bactéria 
Contato com água contaminada por urina de 
ou animais infectados ( ratos) 
Ascaridíase 
(lombriga) 
Verme 
Ingestão dos ovos na água ou em alimentos 
contaminados 
Dengue Vírus 
Transmissão indireta pela água. A água é o 
local de reprodução do inseto transmissor 
 
14 
referentes às condições ambientais, perfil industrial, frota de veículos, fontes e 
emissões de poluição, focos de calor e dados referentes a morbidade e mortalidade 
provocadas pelos poluentes atmosféricos. 
A partir do momento que um local é identificado e definido como uma área 
crítica para os episódios de poluição atmosférica, os Estados e/ou Municípios devem 
selecionar indicadores para que haja o monitoramento. Estes indicadores podem ser: 
• Indicadores de exposição: concentração de poluentes, número de 
veículos, mapeamento de ilhas de calor 
• Indicadores de efeitos: taxa de internações de pessoas do grupo de 
risco (menores de 5 anos e maiores de 60 anos), taxa de internação por doença 
respiratória, taxa de mortalidade de pessoas do grupo de risco. 
 
2.2.1 A poluição do ar 
 
Com aproximadamente 500 Km de extensão, a atmosfera exerce um papel de 
extrema importância para o planeta Terra. É nela que estão componentes de proteção 
à vida, como manutenção da temperatura pelo efeito estufa, controle de gases 
naturais essenciais à vida, vapor de água e filtros de raios solares. 
Os principais elementos químicos componentes da camada de ar da Terra são 
o Nitrogênio e o Oxigênio, nas proporções de 78% e 21% respectivamente. Os demais 
componentes são o gás carbônico e os gases nobres, além de vapor de água, poeira 
e outras substâncias lançadas no ar. 
Ao longo dos anos, a composição química da atmosfera tem variado um pouco, 
devido a deposição de poluentes, poeira, fuligem e gases estufa, que comprometem 
a qualidade do ar e afetando a saúde pública. 
A atmosfera é dividida em cinco regiões, conhecidas como troposfera, 
estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera, conforme figura 3. 
Cada camada tem sua função e importância, porém, em se tratando de poluição 
atmosférica, a troposfera é a mais atingida por produtos das atividades antrópicas. 
Os poluentes atmosféricos podem ser provenientes de emissões naturais, 
como vulcões e tempestades, ou por origem antrópica. Entre as emissões antrópicas, 
encontramos as fontes móveis, compostas principalmente pelos veículos 
automotores, e as estacionárias, que incluem as indústrias e fábricas. 
Vale destacar que as fontes móveis apresentam maior contribuição quando nos 
referimos à deposição de poluentes na atmosfera. 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Figura 3. As camadas da atmosfera 
 
Fonte: Suporte geográfico, 2017. 3 
 
As fontes móveis são as maiores responsáveis pela emissão de poluentes na 
atmosfera, o que as torna a principal causa de poluição do ar nas grandes cidades. 
Além disso, a combustão do carvão e petróleo, independentemente de sua fonte, é a 
principal causa geradora desses compostos na atmosfera (SILVA, 2009). 
Os poluentes podem ser classificados como primários ou secundários. 
Poluentes primários são os contaminantes emitidos diretamente pela fonte, como por 
exemploo monóxido de carbono emitido pelos escapamentos de carros. Já o poluente 
secundário são o resultado de reações químicas entre os poluentes primários e outros 
elementos que estão na troposfera, como é o caso do gás ozônio, formado a partir 
dos óxidos de nitrogênio em reação com a luz e umidade, por exemplo (figura 4). 
 
 
3 https://suportegeografico77.blogspot.com/2017/11/infografico-atmosfera_29.html. Acesso em 
01 ago.2020. 
 
https://suportegeografico77.blogspot.com/2017/11/infografico-atmosfera_29.html
 
16 
Figura 4. Fontes de Poluentes Atmosféricos 
 
Fonte: Cola da Web/Ecologia, 2020. 4 
 
Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb5), as 
substâncias poluentes do ar podem ser classificadas como: 
• Compostos de enxofre 
• Compostos de nitrogênio 
• Compostos orgânicos 
• Monóxido de Carbono 
• Compostos Halogenados 
• Metais Pesados 
• Material particulado 
• Oxidantes fotoquímicos 
 
Cada um dos poluentes é oriundo de diferentes fontes. A interação entre as 
fontes de poluição e a atmosfera é o que distingue o nível de qualidade do ar, que, 
por sua vez, determinará o tipo e intensidade dos efeitos adversos sobre quem os 
 
4 https://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/poluicao-do-ar. Acesso em 02 ago.2020 
5 https://cetesb.sp.gov.br/ar/poluentes/. Acesso em 02 ago.2020. 
https://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/poluicao-do-ar
https://cetesb.sp.gov.br/ar/poluentes/
 
17 
recebe, que podem ser as plantas, animais, seres humanos e até mesmo os materiais 
(Cetesb https://cetesb.sp.gov.br/ar/poluentes/). 
Na realidade, quando medimos a concentração de um poluente, estamos 
medindo o grau de exposição a partir de suas fontes de emissão e suas interações na 
atmosfera (NOGUEIRA, 2006). 
 
2.2.2 Os efeitos da poluição na saúde 
 
Os efeitos danosos da poluição na saúde humana já são conhecidos de longa 
data. Foi na década de 50 que ocorreu em Londres um dos episódios mais marcantes 
relacionados à poluição do ar. Foi em uma ação combinada de partículas em 
suspensão e dióxido de enxofre que se formou uma grande névoa que, em cinco dias, 
ocasionou na população muitas doenças, principalmente nas pessoas com problemas 
pulmonares ou circulatórios prévios. Neste período, a curva de mortalidade na cidade 
aumentou em 4 mil mortes, voltando à normalidade somente depois de dois meses 
(BRANCO, 2004). 
Diversas pesquisas e estudos já demonstraram que a poluição do ar tem 
gerado muitos problemas à saúde humana. Podemos destacar, por exemplo, o 
decréscimo das funções pulmonares, alterações no sistema imunológico, agravos às 
doenças respiratórias, principalmente em crianças, pessoas idosas e pessoas já 
portadoras de doenças prévias, como asma e bronquite, além de provocar o aumento 
de mortes intrauterinas e neonatais (SALDIVA, et al, 1994; PEREIRA et al, 1998; 
MARTINS et al., 2002; BAKONY et al., 2004; LIN, et al. 2004; CANÇADO, et al. 2006). 
A Organização Mundial da Saúde, estimou que em 2016 cerca de 600 mil 
crianças perderam a vida em decorrência de infecções respiratórias desencadeadas 
por episódios de poluição atmosférica. O relatório publicado em 2018 pela OMS, 
intitulado “Air Pollution and Child Health”, destaca a vulnerabilidade deste grupo 
quanto à poluição do ar e alerta para os riscos em desenvolver doenças crônicas no 
futuro, como as cardiovasculares. Além disto, enfatiza sobre os riscos de nascimentos 
prematuros em grávidas expostas a níveis mais altos de poluição. 
Diante das inúmeras evidências científicas sobre os danos da poluição 
atmosférica na saúde humana, não nos resta dúvida que estamos tratando um caso 
de saúde pública e risco à vida. 
 
2.3 Vigipeq 
 
Trata-se de um programa para desenvolver ações de identificação e prevenção 
à saúde de populações expostas a contaminantes químicos. 
Dentro deste programa, há subdivisões para ações em relação às populações 
expostas a solos contaminados (Vigisolo) e também a avaliação da exposição humana 
a contaminantes químicos presentes no ambiente (Vigiquin), como mercúrio, amianto, 
chumbo, benzeno e agrotóxicos. 
Todas as ações referentes a exposição às substâncias químicas têm como 
premissa promover o conhecimento, detectar os elementos contaminantes e realizar 
 
18 
o controle dos fatores ambientais de risco à saúde, das doenças ou de outros agravos 
à saúde da população exposta. 
As situações de exposição humana aos agentes químicos apresentam 
características muito específicas e devem ser analisadas passo a passo. 
O Ministério da Saúde propõe modelos de conduta proativa e reativa. O modelo 
de conduta proativa baseia-se no princípio da prevenção, tomando ações que se 
antecipam ao problema. Já o modelo reativo ocorre quando o problema já está 
instalado e as ações são propostas no intuito de amenizar os impactos provocados 
(figura 5). 
 
Figura 5. Modelo de atuação da Vigilância em saúde de populações expostas a contaminantes químicos 
 
Fonte: Ministério da Saúde, sd.6 
 
2.3.1 Poluição dos solos : áreas contaminadas 
 
Os processos industriais introduzidos no Brasil, trouxe junto com o 
desenvolvimento e progresso, a excessiva extração de recursos naturais e a grande 
recepção de resíduos e substâncias químicas. Com esta nova configuração de 
produção e trabalho, surgem também as áreas contaminadas. 
O crescimento populacional e a grande expansão urbana trouxeram diversos 
transtornos, como dificuldade na mobilidade e falta de locais para moradias, o que 
favoreceu a ocupação de áreas protegidas e locais com incertezas quanto a riscos e 
restrições, como as áreas contaminadas (FLORES SALINAS, 2017). 
 
6 https://www.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia-ambiental/vigipeq/vigisolo. Acesso 
em 21 jun.2020. 
https://www.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia-ambiental/vigipeq/vigisolo
 
19 
Uma área é considerada contaminada quando existe a comprovação da 
existência de substâncias ou resíduos, que nela tenham sido depositados, 
acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou 
até mesmo natural. 
Estes poluentes podem ser encontrados na superfície essa área, nas rochas, 
em materiais para aterro ou até nos lençóis freáticos e águas subterrâneas. 
Este tipo de poluição tem características muito peculiares, pois afeta 
principalmente regiões industrializadas, com concentrações urbanas no entorno ou 
então, áreas com atividade intensa de agricultura. As principais características da 
contaminação do solo é o poder de acumulação e a baixa mobilidade dos poluentes, 
fazendo com que os mesmos dificilmente se degradem com o tempo (SANCHEZ, 
2001). 
As áreas contaminadas podem trazer uma série de perigos à saúde que nem 
sempre são identificados de imediato. Habitar estas áreas ou estar muito próximos a 
elas nos expõe a poluentes tóxicos que podem entrar no organismo humano por 
inalação, ingestão ou até mesmo por contato. 
 
A história do Love Canal 
 
Um dos primeiros casos que retratam os impactos das áreas contaminadas, 
aconteceu nos Estados Unidos, na cidade de Niagara Falls em Nova Iorque. 
No ano de 1892, William Love pretendia criar um canal para gerar energia por 
meio de uma extensa cachoeira que ligaria a parte alta e baixa do rio Niágara. Os 
planos fracassaram e restou no local apenas as escavações para construção do canal. 
Em 1920 o canal foi adquirido pela empresa Hooker Chemical and Plastic 
Corporation, que ficou ativa de 1942 a 1953. Esta empresa utilizou a área do canal 
abandonado como depósito de resíduos químicos. Ao atingir a capacidade máxima, o 
local foi apenas coberto por terra e abandonado. Após a empresa fechar, o local foi 
ocupado por residências, incluindo a construção de uma escola. 
Na década de 70 era muito comum no local a ocorrência de odordesagradável 
e substâncias desconhecidas emergirem do solo. Neste período também foram 
identificados uma série de moradores com problemas de saúde, abortamentos, má 
formações congênitas e aumento na incidência de câncer. 
Quando houve a confirmação de que se tratava de área com contaminação 
industrial houve evacuação de toda a área, alocação das famílias em áreas seguras, 
a escola foi fechada e a empresa sucessora (OxyChem) investiu na remediação da 
área e indenizações ao governo. 
 
 
 
 
 
 
 
20 
Figura 6. Manifestações da população quatro décadas após o incidente 
 
Fonte: Stephen Hicks, 2015. 7 
 
 
Figura 7 Área da fábrica abandonada 
 
Fonte: Devastating disaster, 1978. 8 
. 
 
 
7 https://www.stephenhicks.org/2015/01/04/o-desastre-ambiental-do-love-canal-quatro-decadas-
depois/ Acesso em 23 jul.2020 
8 https://devastatingdisasters.com/love-canal-contamination-new-york-august-2-1978/ Acesso em 23 
jul/2020. 
https://www.stephenhicks.org/2015/01/04/o-desastre-ambiental-do-love-canal-quatro-decadas-depois/
https://www.stephenhicks.org/2015/01/04/o-desastre-ambiental-do-love-canal-quatro-decadas-depois/
https://devastatingdisasters.com/love-canal-contamination-new-york-august-2-1978/
 
21 
Condomínio Barão de Mauá 
 
O conjunto residencial Barão de Mauá, localizado na cidade de Mauá, em São 
Paulo, foi construído em 1996, com 54 prédios que abrigam aproximadamente 1.700 
famílias. 
Quatro anos após a construção, com diversas unidades já habitadas, dois 
funcionários faziam manutenção na bomba do condomínio quando foram atingidos 
por uma explosão vinda do solo. Um deles sofreu graves queimaduras e o outro não 
resistiu aos ferimentos. 
Ao se fazer a perícia no local foram identificados gases inflamáveis, como 
benzeno, clorobenzeno e trimetilbenzeno, provenientes de 450 mil toneladas de 
resíduos originalmente classes I, II e III. Vale lembrar que os resíduos classe I 
apresentam em suas propriedades físico-químicas substâncias perigosas, que podem 
apresentar risco à saúde pública e ao meio ambiente. 
O terreno em que foi construído o condomínio pertencia a Companhia 
Fabricadora de Peças (COFAP) e foi utilizado por cerca de 20 anos como lixão 
industrial. 
 
Figura 8. Visão aérea do condomínio Barão de Mauá 
 
Fonte: Diário do Grande ABC, 2001. 9 
 
Os riscos apontados nos dois casos descritos não nos deixam dúvidas sobre a 
importância da identificação e remediação das áreas contaminadas para preservar a 
saúde humana. 
 
9 https://www.dgabc.com.br/(X(1)S(uyuebg0aegiejt4bntttljea))/Noticia/2507268/barao-de-maua-
mais-do-mesmo . Acesso 23 jul.2020. 
https://www.dgabc.com.br/(X(1)S(uyuebg0aegiejt4bntttljea))/Noticia/2507268/barao-de-maua-mais-do-mesmo
https://www.dgabc.com.br/(X(1)S(uyuebg0aegiejt4bntttljea))/Noticia/2507268/barao-de-maua-mais-do-mesmo
 
22 
2.4 Vigidesastres 
 
Este programa tem como meta propor e desenvolver ações para redução de 
riscos decorrentes de desastres naturais, acidentes com produtos químicos a 
emergência radiológica e nuclear. 
As ações propostas visam a minimização do risco, gestão do desastre e 
recuperação de seus impactos. 
O vigidesastre tem ações articuladas também com políticas de mudanças 
climáticas, já que seus efeitos contribuem para agravos à saúde e meio ambiente. 
 
2.4.1. Desastres naturais 
 
São situações de risco e perigo, causados por processos naturais que 
impactam diretamente a saúde humana, danos ao meio ambiente, propriedades e 
serviços. 
Estes desastres têm várias origens e, segundo o Ministério da Saúde, podem 
ser classificados como: 
• Geológicos: terremotos, erosões, assoreamento, deslizamento, 
desabamento. 
• Hidrológicos: Enchentes, enxurradas, inundações, alagamentos. 
• Meteorológicos: Ciclones, furacões, tornados, ondas de calor. 
• Climatológicos: Incêndio em florestas, seca, estiagem. 
• Biológicos: pragas, epidemias, infestações. 
 
Os desastres causam situações muito específicas e podem causar impactos 
diretos à saúde ou então impactos que só serão descobertos ao longo do tempo. 
Atuar em situações de desastres naturais exige equipes multidisciplinares, já 
que são muitas áreas envolvidas. 
Tratando-se de desastres naturais, nos deparamos com dois importantes 
conceitos: 
Ameaça: refere-se a um fenômeno natural, tecnológica ou resultando de ações 
antrópicas que são capazes de causar danos à saúde, óbitos, danos materiais, ou 
degradação ambiental. 
Vulnerabilidade: Condição humana de característica social, ambiental ou 
econômica. 
Cada situação de desastre afeta diretamente o sistema de saúde, a medida que 
as providências e atendimentos devem ser imediatos a fim evitar maiores 
consequências. 
 
 
 
23 
Um exemplo de desastre natural no Brasil 
 
Em janeiro de 2011, na região serrana do Rio de Janeiro, houve a incidência 
de chuvas fortes que provocaram inúmeros deslizamentos. Foram mais de 900 mortes 
com cerca de 7000 pessoas desalojadas. 
Este desastre foi classificado pela ONU como o 8º maior deslizamento ocorrido 
no mundo nos últimos 100 anos. 
As chuvas duraram mais de 32 horas e fizeram com que os rios 
transbordassem, originando ondas que devastaram as casas. O volume de terra que 
deslizou atingiu áreas habitadas, arrancou árvores e deslocou pedras. 
 
Figura 9. Deslizamento na região serrana do Rio de janeiro em 2011 
 
Fonte: Shana Reis, 2011.10 
 
Embora situações como estas causem grandes impactos, elas podem ser 
prevenidas quando associadas aos serviços de meteorologia e estudos analíticos dos 
solos. 
 
2.5 Vigifis 
 
Trata-se da vigilância à saúde relacionada aos fatores físicos. O programa 
objetiva identificar e desenvolver ações protetivas relacionadas a exposição a 
 
10 http://www.usp.br/aun/antigo/exibir?id=6581&ed=1159&f=2 . Acesso em 23 jul.2020. 
http://www.usp.br/aun/antigo/exibir?id=6581&ed=1159&f=2
 
24 
radiações ionizantes e não ionizantes. Tal exposição refere-se à população em geral 
e também aos profissionais de saúde expostos a estas energias. 
 
2.5.1 Radiação 
 
A radiação é um processo físico onde a energia sai de uma fonte e se propaga 
no meio por ondas eletromagnéticas ou partículas. Pode ser proveniente de fontes 
naturais ou por equipamentos fabricados. 
As radiações não ionizantes são aquelas de baixa energia e estão sempre 
presentes em nosso cotidiano, como a luz, ondas de calor, micro-ondas, rádios e 
televisão. 
Já as radiações ionizantes apresentam níveis de energia bastante altos e são 
provenientes do núcleo de átomos, em um processo de ionização (ganho ou perda de 
elétrons). É o caso das radiações alfa, beta, gama e raio x. 
As radiações ionizantes, por suas propriedades de penetrar em tecidos vivos, 
são utilizadas em diagnósticos e tratamentos de saúde. Porém, caso haja exposição 
excessiva, podem ocorrer danos à saúde. 
 
Acidentes com radiação 
 
Em nossa história, já nos deparamos com diversos casos de desastres 
envolvendo elementos radioativos. 
Certamente um dos casos mais marcantes foi o acidente nuclear de Chernobyl, 
ocorrido em 1986, na antiga União Soviética. 
Com o descumprimento de diversos protocolos de segurança, um dos reatores 
da usina explodiu provocando morte de operadores e emissão de grande quantidade 
de material radioativo na atmosfera. 
Após o acidente, relatórios oficiais demonstraram que a demora para se 
identificar a gravidade do caso, levou a consequências desastrosas (SOUZA, et 
al,2014). 
Um aumento repentino e não previsto de pressão no reator provocou a 
explosão. A reação entre o oxigênio e o grafite da caixa que continha urânio provocou 
a combustão. Centenas de pessoas foram atingidas, seja diretamente ou algum tempo 
depois devido ao contato com a radiação. 
Pripyat, que era a cidade mais próximade Chernobyl também foi toda evacuada 
após o acidente, porém, a estimativa é que cerca de 90 mil pessoas tenham sido 
atingidas de alguma maneira pelo acidente. 
Pesquisas já comprovaram que as pessoas expostas de alguma forma à 
radiação nuclear têm o risco elevado de desenvolver algum tipo de câncer, 
principalmente em crianças (MARTUSCELLI, 2015). 
 
 
 
25 
Figura 10. Explosão do reator 4 em Chernobyl, 1986. 
 
Fonte: Getty images, 2019. 11 
 
Outro caso emblemático foi o acidente ocorrido no Brasil, em Goiânia, em 1987. 
Tudo ocorreu quando um instituto para tratamento de câncer desativa uma clínica e 
deixa para traz um equipamento de radioterapia, que utilizava como combustível o 
cloreto de Césio. 
Dois catadores de lixo encontram o equipamento e desmontam para vender as 
peças. Ao desmontar, encontram a cápsula contendo Césio 137 e, em alguns dias, 
sentem os primeiros sintomas de intoxicação radioativa, como náuseas, vômitos e 
diarreia. 
O dono do ferro ao ver a cápsula que continha 19 gramas de Césio, acredita 
ser um material muito valioso, já que a noite o material tinha um brilho velho compra 
a cápsula e, por ter um brilho verde azulado muito bonito. Ele leva este material para 
casa e apresenta à família e aos amigos. Em poucos dias, todos que tiveram contato 
com o material apresentam os sintomas de intoxicação. 
A primeira vítima fatal foi a sobrinha do dono do ferro velho, que ingeriu o 
material e faleceu um mês depois. Diante destes fatos, a esposa do dono do ferro 
velho, desconfia do material e leva até a vigilância sanitária da cidade, quando foi 
desvendado o mistério. 
Mesmo após anos do acidente, as pessoas contaminadas continuam em 
tratamento e são monitoradas. 
 
11https://www.tecmundo.com.br/ciencia/141908-chernobyl-causou-o-pior-acidente-nuclear-
historia.htm . Acesso em 23 jul. 2020. 
https://www.tecmundo.com.br/ciencia/141908-chernobyl-causou-o-pior-acidente-nuclear-historia.htm
https://www.tecmundo.com.br/ciencia/141908-chernobyl-causou-o-pior-acidente-nuclear-historia.htm
 
26 
3 VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR 
 
A vigilância em saúde do trabalhador integra um conjunto de ações das 
Políticas Públicas de Saúde e da Política Nacional de Saúde do Trabalhador, instituída 
pela portaria do Ministério da saúde nº 1.823/2012. 
A Política Nacional de Saúde do Trabalhador tem como principais objetivos a 
promoção à saúde, a prevenção de acidentes e danos relacionados ao trabalho. Para 
tanto tem como princípios básicos a universalidade e integralidade, o estímulo a 
educação continuada e o incentivo à pesquisa em saúde e segurança do trabalho. 
Os órgãos envolvidos para a aplicação desta política são o Ministério da Saúde, 
o Ministério do Trabalho e Emprego e a Previdência Social. 
A saúde do trabalhador é uma área da saúde pública que prevê estudos, 
propostas de prevenção, assistência e vigilância aos agravos à saúde relacionados 
ao ambiente de trabalho e faz parte do direito universal à saúde. 
 Consideramos como trabalhador toda pessoa que realize alguma atividade de 
trabalho, mesmo que não esteja exercendo suas funções no mercado formal ou 
informal. Deste modo, inclui-se também trabalho doméstico e familiar. 
Como um dos componentes do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, a 
Vigilância em Saúde do Trabalhador tem como principal foco integrar ações para 
identificar riscos e promover a prevenção e redução dos impactos à saúde decorrentes 
do ambiente de trabalho. Para tanto, conta com a participação dos trabalhadores em 
todas as suas etapas de planejamento de ações. 
Para conseguirmos transformar um ambiente de trabalho é necessário 
conhecer o sistema de trabalho para que possam ser planejadas formas de melhorias 
e intervenção, visando a proteção à saúde do trabalhador. 
 
3.1 O trabalho e o trabalhador 
 
O trabalho, ou a falta dele, é um importante fator condicionante para a 
qualidade de vida e, consequentemente, para a saúde do trabalhador e de suas 
famílias. 
Conforme exposto na figura 11 temos o trabalho como eixo central para 
determinar as condições de vida e de saúde das populações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
Figura 11. Determinantes sociais da saúde 
 
Fonte: Caderno da saúde do trabalhador. 12 
 
 
Em relação ao trabalhador, temos diferentes formas de inserção ao mercado 
de trabalho, tais como: 
• Empregador 
• Empregado: setor público ou privado 
• Trabalhador por conta 
• Trabalhador doméstico 
• Trabalhador familiar 
Entre estes tipos de trabalhadores, ainda temos aqueles que trabalham com 
carteira assinada, carteira não assinada ou em regime estatutário. 
Independente da forma como as pessoas estão inseridas no trabalho, é 
fundamental ter uma visão diferenciada no que se refere aos impactos do ambiente 
de trabalho na saúde trabalhador. 
 
3.2 A atuação da vigilância em saúde do trabalhador (VISAT) 
O objetivo da vigilância à saúde do trabalhador é vigiar o trabalho como forma 
de impedir que os trabalhadores adoeçam e possam melhorar a cada dia a qualidade 
 
12 
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/cadernoab_saude_do_trabalhador.pdf. Acesso 
em 01 ago.2020. 
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/cadernoab_saude_do_trabalhador.pdf
 
28 
de vida. É importante para identificar, controlar e monitorar os riscos e diminuir a 
probabilidade de doenças e acidentes ocupacionais. 
Para melhor compreendermos o campo de atuação desta vigilância, vamos 
diferenciar acidente de trabalho e doença do trabalho. 
Acidente de trabalho: é o acidente que ocorre durante o exercício da atividade 
laboral, podendo ocasionar morte ou lesão, redução permanente ou temporária da 
capacidade física ou mental para realizar o trabalho. 
Doença do trabalho: adquirida ou desencadeada em função das condições 
especiais dos trabalhos realizados. É o caso, por exemplo, das silicoses e 
pneumoconioses ocorridas pela inalação do amianto, das doenças ortopédicas por 
ações repetitivas ou até mesmo as condições de estresse laboral. 
A vigilância em saúde do trabalhador vai atuar baseada em um conjunto de 
normas especificas de saúde, ambiente e organização de trabalho, pautada no 
desenvolvimento de ações de promoção e prevenção à saúde, diminuindo desta forma 
os riscos profissionais. 
Os riscos profissionais podem ser classificados de acordo com sua origem, tais 
como: 
 Riscos Químicos: provocados por agentes químicos que possam penetrar no 
organismo pela pele ou vias respiratórias. Solventes, tintas, fumo, gases, 
fuligem, vapores, ácidos, sílica são alguns exemplos de sustâncias químicas 
que podem trazer danos à saúde. 
 Riscos Físicos: diversas formas de energia a que possam estar expostos os 
trabalhadores como tremores, vibrações, ruído, calor, frio, pressão, umidade, 
radiações ionizantes e não-ionizantes. 
 Riscos Biológicos: são os vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos 
que, em contato com o organismo humano, podem provocar doenças. 
 Riscos Ergonômicos: diversas formas de esforço físico, como levantamento 
de peso, postura inadequada, controle rígido de produtividade, situação de 
estresse, trabalhos em período noturno, jornada de trabalho prolongada, 
movimentos repetitivos. 
 Riscos de Acidentes: são todos os fatores que colocam em perigo o 
trabalhador ou afetam sua integridade física ou moral. Podemos citar alguns 
exemplos com trabalho em altura, espaços confinados, uso de prensas, 
máquinas de corte, entre outros. 
O modelo de atuação da VISAT tem como premissa a participação e a integração 
de setores. Todas as suas ações devem ser coordenadas pelas instâncias do SUS e 
articuladas pela Rede Nacional de Atenção à Saúde do Trabalhador (RENAST). 
 
3.3 A Renast 
A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, instituída pela portaria 
do Ministério da Saúde nº 2.728/2009,tem um importante papel de articulação com 
as diversas áreas do SUS, além de difundir as ações relativas à saúde do trabalhador. 
Esta rede é responsável pela execução de ações integrais à saúde do trabalhador. É 
composta pelos centros estaduais e regionais de referência à saúde do trabalhador 
 
29 
(CEREST) e por uma rede sentinela de serviços médicos e ambulatoriais de média e 
alta complexidade. 
 
3.4 A Rede Sentinela 
A rede sentinela é composta pelas unidades de saúde responsáveis por 
diagnosticar, investigar, tratar e notificar acidentes, agravos e doenças relacionadas 
ao trabalho. Além disto, é papel das sentinelas registrar no sistema de informação de 
agravos de notificação (SINAN-NET) os casos de doenças e acidentes de trabalho. 
Pode ser composta por hospitais, serviços de urgência, prontos socorros, tanto da 
rede pública como privada (figura 12). 
 
Figura 12. Composição da rede sentinela 
 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2020. 
 
 
3.5 Os Cerests 
Os centros de referência à saúde do trabalhador são locais de atendimento 
especializados ao trabalhador com doenças ou agravos relacionados às atividades 
laborais. 
Tem como principais objetivos: 
 Identificar a relação entre a doença, agravo e atividade de trabalho; 
 Planejar e oferecer ao trabalhador um conjunto de ações para minimizar os 
impactos causados na saúde pelo ambiente ou atividade de trabalho; 
 Promover suporte técnico por meio de educação continuada e coordenação de 
projetos pertinentes ao tema, no intuito de mitigar e prevenir os impactos das 
atividades laborais na saúde do trabalhador. 
 
30 
Os Cerests podem ser em nível estadual ou municipal, cada um com suas 
competências específicas. 
 
Atribuições do Cerest Estadual: 
 Elaborar e executar a Política Estadual de Saúde do Trabalhador; 
 Acompanhar planos de ação dos Cerests regionais; 
 Participar do pacto para definição da rede sentinela e contribuir para. ações de 
vigilância em saúde. 
 
Atribuições do Cerest Municipal: 
 Capacitar as redes de serviços de saúde com a promoção de capacitação 
permanente dos profissionais; 
 Apoiar a formulação de políticas em saúde do trabalhador; 
 Promover a atenção integral à saúde do trabalhador; 
 Sistematizar informações para a tomada de decisões em saúde do trabalhador; 
 Apoiar a estrutura da assistência de média e alta complexidade para atender 
aos agravos, conforme portaria GM 777/2004. 
 
3.6 A vigilância do trabalhador na atenção básica 
 
Para a realização da atenção básica na saúde do trabalhador existem alguns 
passos que devem ser realizados para planejamento e tomadas de decisões: 
Identificar o perfil demográfico da população economicamente ativa, dividida por sexo 
e faixa etária; 
 Listar as atividades produtivas com seus riscos inerentes; 
 Verificar a ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais das regiões; 
 Desenvolver programas de educação em saúde do trabalhador; 
 Desenvolver ações entre as diversas áreas visando soluções aos problemas 
identificados; 
 Encaminhar os casos de maior complexidade para os serviços especializado 
em saúde do trabalhador; 
 Investigar e notificar os casos; 
 Orientar os trabalhadores de forma individual e coletiva 
 
3.7 As emergências nas redes sentinelas 
Em casos de emergências relacionadas às atividades laborais, as atividades 
sentinelas devem prestar ações de assistência e informação. 
 
Assistência 
• Realizar diagnóstico; 
• Coletar dados que permitam correlacionar as atividades laborais com o agravo; 
 
31 
• Encaminhar ao INSS para a concessão dos benefícios que couber ao caso. 
Informação 
• Realizar as devidas notificações; 
• Cadastrar as atividades produtivas do local. 
 
A vigilância em saúde do trabalhador, embora tenha passado por grandes 
avanços em termos de legislação de apoio, criação das redes e tecnologias, também 
enfrenta muitos desafios. 
Ainda há escassez de informações relativas aos acidentes e doenças 
ocupacionais. 
Estas doenças ainda oneram muito os cofres públicos e há necessidade de 
intensa capacitação dos profissionais que atuam nesta área. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
4 COMUNICAÇÃO DO ACIDENTE DE TRABALHO 
 
Os acidentes de trabalho são muito comuns e, infelizmente nem sempre são 
contabilizados e notificados para que o trabalhador possa ser amparado. 
Quando estes acidentes ocorrem, seja durante a atividade laboral ou no trajeto 
ao trabalho, deve ser feita uma notificação ao Instituto Nacional do Seguro Social 
(INSS) para que o mesmo seja auxiliado. O mesmo vale para as doenças 
ocupacionais. 
 A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é um documento emitido pela 
empresa para reconhecer tanto um acidente ou a doença ocupacional. 
Esta comunicação é obrigatória até o primeiro dia útil após o acidente, podendo 
incidir multa caso a empresa não o faça. Em caso de morte, a comunicação é imediata. 
Esta comunicação é muito simples, já que pode ser realizada pelo sistema do 
INSS. Caso a empresa não comunique o acidente, outras pessoas poderão fazer, 
como o próprio empregado, algum dependente, médicos ou autoridades públicas. 
Existem três tipos de CATs que podem ser abertas: 
 CAT inicial: quando ocorre o acidente ou a doença ocupacional; 
 CAT de Reabertura: quando as lesões são agravadas ou a doença 
evolui; 
 CAT de óbito: quando há morte do trabalhador, desde que já haja a CAT 
inicial. 
 
A comunicação de acidente de trabalho é de extrema importância para que se 
cumpram os direitos dos trabalhadores, no que diz respeito à saúde e garantia do 
emprego e qualidade de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O vínculo saúde e ambiente é realmente indissociável. Seja o ambiente 
externo, composto pelos locais que frequentamos ou o ambiente interno, como nossas 
casas e trabalho. 
O ser humano, como parte integrante do ambiente, ao mesmo tempo em que 
depende dele, também provoca danos e impactos. 
As políticas públicas de saúde devem ser integradas e articuladas com diversas 
outras áreas, para que possam atingir os princípios plenos dos direitos dos cidadãos, 
de acesso à saúde e uma vida equilibrada. 
Nesta unidade conhecemos um pouco das ações da vigilância ambiental e da 
vigilância em saúde do trabalhador. Ambas têm o objetivo de identificar e prevenir 
danos à saúde provocados pelo ambiente, seja no aspecto do ambiente social ou do 
ambiente de trabalho. 
É importante ressaltar que a vigilância em saúde, embora atue por áreas 
específicas, tem uma visão abrangente para atingir os princípios fundamentais do 
SUS, cumprindo sua missão quanto ao acesso universal à saúde. 
Tanto a vigilância à saúde quanto a vigilância da saúde do trabalhador, embora 
já tenham conquistado espaço em discussões e tenham já legislações e projetos, 
ainda há muito o que desenvolver e aplicar, principalmente no desenvolvimento de 
uma base de dados que forneça subsídios para planejamento de ações realmente 
eficazes e efetivas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
REFERÊNCIAS 
 
 
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outras providências. Disponível em : 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm. Acesso em 27 jul.2020. 
 
_______. Instrução normativa nº 01 de 07 de março de 2005. Regulamentaa Portaria 
nº 1.172/2004/GM, no que se refere às competências da União, estados, 
municípios e Distrito Federal na área de vigilância em saúde ambiental. 
Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/2005/int0001_07_03_2005_rep.html. 
Acesso em 23 jul. 2020. 
 
_______. Portaria nº 1.823 de 23 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional do 
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https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt1823_23_08_2012.html . 
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_______. Portaria nº 2.728 de 11 de novembro de 2009. Dispõe sobre a Rede 
Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) e dá outras 
providências. Brasília, D.F. Disponível em: 
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