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FR EN TE Ú N IC A 151 2 UFU 2012 O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-aí da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem como incompatíveis entre si [...]. HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis: Vozes, 1988. Com base em seus conhecimentos e na leitura do texto acima, assinale a alternativa correta segundo a filosofia de Hegel. A A essência do real é a contradição sem interrupção ou o choque permanente dos contrários. b As contradições são momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários. c O universo social é o dos conflitos e das guerras sem fim, não havendo, por isso, a possibilidade de uma vida ética. d Hegel combateu a concepção cristã da história ao destituí-la de qualquer finalidade benevolente. 3 UPE 2018 Leia o texto a seguir sobre a concepção do Estado Democrático. Segundo Karl Marx, o Estado é o organismo de dominação de classe, de opressão de uma classe por outra. O Estado representa a violência estabelecida e organizada, a violência legal. Ele é um instrumento, não de conciliação, mas sim de luta das classes. (POLITZER, Georges. Princípios Fundamentais de Filosofia. São Paulo: Hemus, 1954, p. 328.) Na citação acima, o autor configura uma leitura crítico-reflexiva sobre a concepção do Estado na perspectiva da filo- sofia de Karl Marx. Com relação a essa temática, é cORRETO afirmar que A o Estado intenta os interesses da classe dominada e estaria a serviço da democracia. b o Estado representa a síntese do que tende a superar os interesses contraditos da sociedade civil. c o Estado é um meio suplementar de exploração das classes oprimidas, ou seja, o instrumento de dominação da classe economicamente mais poderosa. d o Estado é decisivo para defesa de um modo de produção. Trata-se de um instrumento de conciliação e democra- tização da sociedade. E o Estado não oprime, mas concilia os meios de produção para a democratização da sociedade civil. 4 UFU 2018 Segundo Karl Marx (1818-1883), “não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência”. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: M. Fontes, 1977. p. 23. Essa citação sintetiza o pensamento filosófico, político, histórico e econômico desse pensador, que se convencionou chamar de A Liberalismo de esquerda. b Idealismo dialético. c Atomismo econômico. d Materialismo histórico. 5 UEM 2019 O filósofo alemão Nietzsche realizou em sua obra uma crítica das posições metafísicas dos filósofos ante- riores. Ele afirma: “Contraponhamos a isso, afinal, de que modo diferente nós (- digo nós por cortesia...) captamos no olho o problema do erro e da aparência. Outrora se tomava a alteração, a mudança, o vir-a-ser em geral como prova de aparência, como signo de que tem de haver algo que nos induz em erro. Hoje, inversamente, na exata medida em que o preconceito da razão nos coage a pôr unidade, identidade, duração, substância, causa, coisidade, ser, vemo-nos, de certo modo, enredados no erro, necessitados ao erro; tão seguros estamos, com fundamento em um cômputo rigoroso dentro de nós, de que aqui está o erro.” (NIETZSCHE, F. O crepúsculo dos ídolos. In: FIGUEIREDO, V. (org.) Seis filósofos na sala de aula, v. 2. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, p. 175). Acerca das teses de Nietzsche sobre o ser, a aparência, a verdade e o erro, assinale o que for correto. 01 Nietzsche propõe que é ilusório conceber a verdade como algo único e permanente. 02 A arte é um processo de falsificação pelo qual construímos um mundo verdadeiro. 04 O homem está “enredado no erro” porque precisa contar com a previsibilidade e a racionalidade para sobreviver. 08 A crítica de Nietzsche se dirige à maneira como a filosofia moderna se desviou das teses dos pensadores pré-so- cráticos Parmênides e Heráclito. 16 Segundo Nietzsche, a ciência moderna investiga as transformações dos fenômenos naturais, por isso compreende que o mundo é fundamentalmente um processo de vir-a-ser. Soma: 6 Uece 2019 “Não existe contraposição maior à exegese e justificação puramente estética do mundo [...] do que a doutrina cristã, a qual é e quer ser somente moral, e com seus padrões absolutos, já com sua veracidade de Deus, por exemplo, des- terra a arte, toda arte, ao reino da mentira – isto é, nega-a, reprova-a, condena-a.” NIETZSCHE, F. O nascimento da tragédia, ou helenismo e pessimismo. – “Tentativa de autocrítica”. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 19. Nessa passagem, Nietzsche A apoia a valorização moral da obra de arte, negando que seja possível obras de arte divergentes da moral cristã. b defende uma arte verdadeira, contra a arte cristã, que adere à mentira, pois não passa de uma moral. c concebe que os padrões absolutos do cristianismo são supraestéticos, suprassensíveis, e por isso valorizam a arte. d critica a concepção moral da existência em defesa do caráter sensível, estético do mundo, tal como se configura na arte. PV_2021_FIL_FU_CAP11.INDD / 14-09-2020 (20:28) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL PV_2021_FIL_FU_CAP11.INDD / 14-09-2020 (20:28) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL FILOSOFIA Capítulo 11 Filosofia Contemporânea: século XIX 152 Temor e tremor “A resignação não implica a fé; porque o que eu adquiro no seio da resignação é a minha consciência eterna; e é isso um movimento estritamente filosófico que tenho a coragem de efetuar quando é requerido e que posso infligir a mim próprio; porque, cada vez que uma circunstância finita me vai ultrapassar, imponho a mim próprio o jejum até o instante de realizar o movimento; porque a consciência da minha eternidade é o meu amor para com Deus e este amor é tudo para mim. Para alguém se resignar, não é indispensável a fé, mas ela é preciso para obter a mínima coisa para além da minha consciência eterna: é esse o paradoxo. Confundem-se muitas vezes os movimentos. Diz-se que é preciso fé para renunciar a tudo; torna-se vulgar ouvir, o que é ainda mais singular, pessoas a lamentarem-se por ter perdido a fé, e, quando alguém procura averiguar que grau da escala alcançaram, verifica-se, com espanto, que chegaram, precisamente, ao ponto em que devem realizar o movimento infinito da resignação (...). Pela fé, a nada renuncio; pelo contrário, tudo recebo, e, o que é mais notável, no sentido atribuído àquele que possui tanta fé como um grão de mostarda, porque então poderá transportar montanhas. É necessária uma coragem puramente humana para renunciar a toda a temporalidade a fim de ganhar a eternidade; mas pelo menos conquisto-a e não posso, uma vez na eternidade, renunciar a ela sem contradição. Porém torna-se indispensável a humilde coragem do paradoxo para alcançar então toda a temporalidade em virtude do absurdo, e esta coragem só a fé dá. Por ela, Abraão não renunciou a Isaac; por ela, ao contrário, obteve-o (...). A fé é a mais alta paixão de todo homem. Talvez haja muitos homens de cada geração que não a alcancem, mas nenhum vai além dela (...) Mas aquele que chegou até à fé, e pouco importa que tenha dons eminentes ou que seja uma alma simples, esse não se detém na fé; indignar-se-ia até se lhe disséssemos, tal como um amante se irritaria a ouvir dizer que se detinha no amor: não, me fixo, responderia, porque toda a minha vida se encontra jogada aí. Não vai contudo mais além, não passa a outro estádio, porque logo que o descobre nova relação o solicita.” KIERKEGAARD, Søren Aabye. Temor e tremor. Col. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979. y A Fenomenologia do espírito – obra principal de Hegel – foi concebida pelo autor com o objetivo de descrever o caminho percorrido pela consciência em busca da verdade ao longo da história. y Hegel mostrou como o desenvolvimento da consciência do indivíduo ao longo da história construiu o discurso científico(discurso da razão), procurando mostrar como aconteceu o processo de “formação” do sujeito para a ciência. y Para Hegel, a dialética representa o esforço intelectual para fazer coincidir a consciência com o princípio da vida e para acompanhá-lo na infinita diversidade das suas especificações. y Para Hegel, a história do mundo é provida de racionalidade; é manifestação do espírito absoluto como contingência ou, melhor dizendo, é uma idea- lização em seu grau mais avançado, resultado da razão em sua liberdade e, portanto, portadora da totalidade. y Marx vale-se do método dialético de Hegel, mas o inverte: assumindo que o exercício da reflexão deve partir do concreto para chegar ao abstrato. As contradições da realidade foram analisadas com base nas condições materiais, dando um caráter empírico (prático) à dialética. y Para o marxismo, o trabalho é o que produz historicamente a realidade do homem, ainda que os homens “não tenham consciência” disso, ou seja, os homens estão em uma relação de alienação com o mundo. y A partir da dialética materialista (invertida), Marx e Engels concluíram que as condições materiais criam contradições que, por sua vez, criam as clas- ses sociais que, no capitalismo, se antagonizam entre si, evidenciando a dinâmica (movimento) da história da humanidade; desse modo, os autores conceberam o que ficou conhecido como materialismo histórico. y Para Schopenhauer, a subjetividade compreende a representação (efetuada pela razão) e a vontade (causa em si, desejo, instinto). y O amor (pela via da compaixão) e as artes são momentos de supressão da vontade na filosofia de Schopenhauer. y A ética schopenhaueriana só se dá pela via da compaixão, quando se abandona o eu mais profundo. y Para Kierkegaard, a liberdade de escolha e o propósito de cada um não se efetuam sem angústia. y Angústia (ou ansiedade) é o medo fora de foco, disperso, vertigem diante do vazio (da liberdade de escolher); está associada ao medo das decisões morais. y Há três estádios da condição humana: estético, ético, religioso. y Nietzsche recusa as crenças e convicções impostas pela modernidade ocidental, pois elas estão fundadas em valores morais, éticos, estéticos, científicos e políticos de base cristã. y Os conceitos de eterno retorno e de além-do-homem são relevantes porque trazem a temporalidade da vida como algo essencial no pensamento de Nietzsche, caracterizando-o como um filósofo da existência humana. y Nietzsche mostrou a impotência da vontade humana para modificar o passado, restando-lhe viver intensamente o presente, aceitando-o e amando-o. Resumindo Texto complementar PV_2021_FIL_FU_CAP11.INDD / 14-09-2020 (20:28) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL FR EN TE Ú N IC A 153 1 UEM 2011 Segundo Georg Wilhelm Friedrich Hegel, a realidade é a manifestação do Espírito infinito ou Ab- soluto, que é necessariamente histórico, dialético e realizador da unidade entre pensamento e mundo. Sobre a manifestação do Espírito na arte, segundo a Filosofia de Hegel, assinale o que for correto. 01 A arte, para Hegel, é a manifestação sensível do Espírito, isto é, a primeira forma de expressão do Absoluto, sucedida pela religião e pela Filosofia. 02 Entre as obras de arte, a poesia é a mais espiritual de todas, segundo Hegel, pois a matéria que utiliza é a linguagem. 04 Para Hegel, a arte sempre renasceu e renascerá eternamente, pois seu conteúdo histórico deve ser atualizado ao longo do tempo. 08 A arte sacra (música-coral, arquitetura gótica, es- culturas e afrescos) é, segundo Hegel, uma forma de arte perfeita, pois a religião é a base do artista. 16 De acordo com o processo de autoconsciência do Espírito, Hegel classifica a arte em três momentos ou formas: simbólica, clássica e romântica. Soma: 2 UEG 2011 Para Hegel, a razão é a relação interna e necessária entre as leis do pensamento e as leis do real. Assim, ela é a unidade entre a razão subjetiva e a razão objetiva. Hegel denominou essa unidade de espírito absoluto. Dessa forma, um evento real pode expressar e ser re- sultado das ideias que o precedem. Um exemplo da objetivação dessas ideias é o seguinte evento: A a subida de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, re- presentando os ideais sionistas germânicos. b a Queda de Dom Pedro I do trono brasileiro, re- presentando a crise do sistema colonial português. c a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, re- presentando o ideal iluminista de igualdade social. d a coroação de Dom Pedro II no trono brasileiro, re- presentando a vitória dos ideais puritanos de moral. 3 UEM 2017 “A história de todas as sociedades que exis- tiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e oficial, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfar- çada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta. [...] Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a bur- guesia e o proletariado.” (MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto comunista. In: ARANHA, M. L. de A. Filosofar com textos: temas e história da filosofia. São Paulo: Ed. Moderna, 2012, p. 449.) A partir do texto citado, assinale o que for correto. 01 A teoria marxiana tem como um de seus fundamen- tos de análise o antagonismo dos interesses entre o proletariado e a burguesia. 02 O trecho citado evidencia o núcleo da teoria da história marxiana fundada na luta de classes. 04 Este texto apresenta um erro de interpretação, visto que afirma que sempre existiu, em todos os períodos históricos, burguesia e proletariado. 08 O trecho apresenta uma contradição, pois, se de fato houve guerras ininterruptas entre as classes, a socie- dade deveria ter sido exterminada por essas guerras. 16 O texto ressalta um dado central para a análise da sociedade: a presença de oposições que envol- vem as relações entre classes sociais. Soma: 4 UEG 2015 Para Marx, diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preci- so considerar as formas de conhecimento ilusório que mascaram os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia adquire um caráter negativo, torna-se um instrumento de dominação na medida em que Quer saber mais? y Match point. Direção: Woody Allen, 2005. Classificação indicativa: 14 anos. y O homem irracional. Direção: Woody Allen, 2015. Classificação indicativa: 14 anos. y O jovem Karl Marx. Direção: Raoul Pec, 2017. Classificação indica- tiva: 12 anos. y Pecados íntimos. Direção: Todd Field, 2006. Classificação indicativa: 16 anos. Livro KONDER, Leandro. O que é dialética. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1988. Filmes y A vida sonhada dos anjos. Direção: Erick Zonca, 1998. Classificação indicativa: 14 anos. y Houve uma vez dois verões. Direção: Jorge Furtado, 2002. Clas- sificação indicativa: 12 anos. Exercícios complementares PV_2021_FIL_FU_CAP11.INDD / 12-09-2020 (09:44) / WALTER.TIERNO / PROVA FINAL PV_2021_FIL_FU_CAP11.INDD / 12-09-2020 (09:44) / WALTER.TIERNO / PROVA FINAL