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Medicina - 5º Semestre - Ana Paula Cuchera 3 de mar. de 2023 Introdução - Hérnia: ruptura (latim) - Definição: protrusão anormal de um órgão ou tecido por um defeito em suas paredes circundantes - Ocorrem apenas em locais onde a aponeurose e fáscia não são cobertas por músculo estriado Conceitos - Colo ou orifício: localizado na camada musculoaponeurótica. - Saco herniário: constituído pelo peritônio; faz protusão pelo colo; branco nacarado. - Externa: protusão por todas as camadas da parede abdominal. - Interna: protusão do intestino por um defeito na cavidade peritoneal. Classificação das hérnias da parede abdominal - Classificação: por Etiologia ● Hérnias congênitas ● Hérnias adquiridas ○ Primárias ○ Secundárias - Classificação: com relação à redução ● Redutível ● Irredutível ○ Cronicamente habitada ○ Encarcerada ○ Estrangulada 1 Complicações 1- Encarceramento ● Ocorre quando uma víscera de dentro do abdome passa através do orifício da hérnia e não retorna para a cavidade abdominal, causando dor, porém sem alterações na irrigação sanguínea do órgão. 2- Estrangulamento ● Ocorre quando uma víscera de dentro do abdome passa através do orifício da hérnia e não retorna para a cavidade abdominal, causando dor, porém com alterações na irrigação sanguínea do órgão. ● Complicação mais grave ● Mais comum nos extremos de idade ● Maioria são INDIRETAS ● Maior taxa de estrangulamento ocorre nas FEMORAIS (15 a 20 %): reparar no momento do Diagnóstico (cirurgia) Fatores de Risco - Predisponentes: ● História prévia de hérnia ou de herniorrafia ● Idade ● Sexo masculino ● Caucasiano ● Tabagismo ● História familiar ● Doenças do tecido colágeno ● Uso crônico de corticoides - Desencadeantes: ● Tosse crônica ● Constipação crônica → importante perguntar o hábito intestinal ○ Evacuação - 2 vezes ao dia ou dias alternados (normal) ● Ferimento abdominal → hérnia incisional ○ Hérnia incisional → quando ter ferimento de faca e desse lugar surge uma hérnia ● Prostatismo ○ Compressão na uretra → força para urinar → hérnia ○ Se tratar o prostatismo tratar a hérnia ● Ascite → barriga d’água ● Gravidez → pelo aumento uterino ● Obesidade → pessoas com barriga grande temmais chance 2 Hérnia Inguinofemurais - Introdução / Epidemiologia ● 20 milhões de pacientes operados por ano ● Estima-se que 5 a 10% possua hérnia inguinal ● Hérnia Inguinal é mais comuns em homens do que emmulheres (8:1) ● A chance de vir a ter hérnia inguinal ao longo da vida é de 27 a 43% em homens e 3 a 6% em mulheres. ● Hérnia inguinal (96%) é mais comum do que hérnia femoral (4%) ● Hérnia femoral é mais comum emmulheres (4:1) OBS! Hernia de Spiegel → rara (não pede em prova CLASSIFICAÇÃO DE NYHUS - Exemplo de hérnia inguinal: Incidência - Inguinais: 75% das hérnias da parede abdominal. ● Homens são 25 vezes + propensos que mulheres. ● Hérnia inguinal indireta é a mais comum em ambos os sexos (2/3). 3 - Hérnias femorais – 10 M x 1 H. - Hérnias umbilicais – 2 M x 1 H. - Hérnias incisionais – 2 M x 1 H. - Tanto as hérnias inguinais indiretas quanto as femorais ocorremmais comumente no lado direito: ● Inguinal:maior demora na atrofia do processo vaginal (pela descida mais lenta do testículo direito) ● Femoral: efeito tamponante do sigmóide (intestino) a esquerda Anatomia ● Pele; ● TCSC: artéria circunflexa ilíaca superficial, a. epigástrica superficial, a. pudenda externa e as vv. acompanhantes; ● Músculo oblíquo externo que começa nas últimas vértebras (limite superficial do canal inguinal): nn. iliohipogástrico e ilioinguinal; ○ Forma a linha a alba ● Músculo oblíquo interno (borda superior do canal inguinal); ○ Também forma a linha alba ● Músculo transverso abdominal; ● Fáscia transversalis (assoalho do canal inguinal); ● Espaço pré-peritoneal (n. cutâneo femoral lateral e n. genitofemoral); ● Peritônio OBS! Na mulher passa o ligamento redondo 4 Em criança é um pouco diferente, as vezes o médico acha que já está na fáscia scarpa, mas ainda está na Camper’s (por ser mais grossa) TRIÂNGULO DE HESSELBACH - Superolateral : Vasos epigástricos inferiores - Medial: Bainha do reto abdominal - Inferior: Ligamento Inguinal CANAL INGUINAL - 2 a 4 cm acima do lig inguinal - Estende-se do anel inguinal interno ao anel inguinal externo (~ 4 cm de comprimento) - Conteúdo: ● Homemmais em cordão espermático; ● Mulher mais em ligamento redondo; 5 - Cordão espermático: ● Músculo cremaster ● Processo vaginal ● Artéria e veia testicular ● Ramo genital do nervo genitofemoral ● Ducto deferente ● Vasos cremastéricos ● Linfáticos Diagnóstico - CLÍNICO: ● Abaulamento na região inguinal que pode estar associado a dor leve ou desconforto vago; ● EF na posição supina e ortostática > pode ser facilitado pela manobra de Valsalva; ○ Valsalva pede para ele assoprar o braço ■ Com isso faz pressão na barriga e a hérnia aparece ○ Pede para o paciente deitar na maca e levanta um pouco as pernas do paciente, depois pede para ele segurar a perna acima e você solta ■ Com essa manobra o paciente fica com o abdome tenso e a hérnia aparece ● Direta X Indireta ○ Indireta → desce pelo pelo cordão espermático e as vezes chega até o testículo ○ Direta → não desce (sai para fora) 6 - Hérnia testicular → quando há má formação e não fecha a túnica em volta do testículo, com isso forma a hérnia - Hidrocele → quando junta água em volta do tecido - túnica vaginal se descola e há acúmulo de água - IMAGENS: ● Ultrassonografia ou Tomografia: alto grau de sensibilidade e especificidade para detecção de hérnias inguinais diretas, indiretas ou femorais ocultas; 7 Ordem das imagens: Axial e Sagital - Diagnóstico diferencial das massas inguinais: ● hérnia inguinal; ● hérnia femoral; ● hidrocele; ● adenite inguinal; ● varicocele; ● testículo ectópico; ● lipoma; ● torção testicular; ● entre outros; Reparo cirúrgico - Reparos anteriores: ● Bassini: tendão conjunto ao ligamento inguinal; ● Mc-Vay: borda do transverso abdominal ao ligamento de Cooper; necessidade de incisão de relaxamento na aponeurose do m. oblíquo externo; 8 ● Shouldice: imbricamento (sobreposição) de planos; - LICHTENSTEIN: ● Lichtenstein: reparo sem tensão com tela, pois a maior tensão no reparo das hérnias constitui a principal causa de recidiva; ○ Numametanálise de 2002, que contou com 58 relatos que comparam técnicas com e sem tela demonstrou diminuição na ordem de 60% na recorrência com uso de tela Tela de polipropileno ● Dissecação cuidadosa do canal inguinal e separação das aponeuroses do m. oblíquo externo e interno numa altura suficiente para acomodar uma tela de 6 a 8 cm de largura ● Retração do cordão espermático cefalicamente. ● Fixação da tela a aponeurose que recobre o tubérculo púbico (cerca de 2 cm). ● Sutura contínua e ascendente fixando a tela ao ligamento inguinal. OBS! Fez cirurgia por vídeo, se houver recidiva a próxima cirurgia é aberta e vice versa. - Se voltou novamente, manda para o especialista ● Sutura da tela a aponeurose do m. oblíquo interno aproximadamente a 2 cm da borda aponeurótica 9 ● União das bordas da tela ao redor do anel inguinal profundo. Posicionamento dos elementos do cordão espermático sobre a tela (dentro do canal espermático). ● Fechamento por planos. - Tratamento laparoscópico: ● Método livre de tensão ● Maioria das publicações relata taxas de complicações <10% e uma taxa de recidiva de 0 a 3% ● Hérnias bilaterais ou recidivadas ● Abordagens: ○ Transabdominal pré-peritoneal ○ Extraperitoneal total > fornece acesso pré-peritoneal sem violar a cavidade peritoneal OBS! Por laparoscopia o risco é maior → pois pode furar intestino e até aorta, já na aberta não tem esse risco - Infecção:maior emmulheres, hérnias complicadas e com uso de tela, - Infecção de sítio cirúrgico: ● 1 a 2% ● Influenciado por comorbidades do paciente ● Cicatrização por segunda intenção - Infecção da tela/prótese: ● Incomum ● Requer retirada da tel ● Vantagem quando colocada por laparotomia - Seroma: uso de tela aumenta sua incidência.● Acúmulo de líquido na incisão. ● Predispõe a infecção local. ● Tratamento: punção, retirada de ponto para drenagem - Lesão de nervos: ● Ilioinguinal 10 ● Iliohipogástrico ● Genitofemoral ○ Dor na face interna da coxa e bolsa escrotal (grandes lábios) - Hematoma - Lesão de bexiga ou deferente - Recorrência – 2 a 10% Hérnia umbilical - Examinar deitado → quando deita a hérnia some ● Se ela não some é lipoma ● Examinar commanobra de Valsalva ● Frequentes nas crianças (congênitas) ○ Fechamento espontâneo ao redor dos 2 anos, na maioria dos casos. ○ Se persistir após os 5 anos, correção cirúrgica. ● Adultos: adquiridas; estrangulamento é incomum ○ Pode culminar em ruptura (ascite crônica) ● Reparo: defeitos pequenos - fechamento primário. ○ Mas se o colo for maior que 3cm, colocar tela. ● Grandes defeitos: podem ser reparados por via laparoscópica com colocação de tela (reduz recorrência e complicações) Hérnia incisional - Examinar commanobra de Valsalva → se for no abdome ● Podem ser as mais difíceis de tratar ● Etiologia: ○ Cicatrização inadequada devido a fatores como excesso de tensão no fechamento, infecção de sítio cirúrgico ○ DM (Diabetes Mellitus) ○ Corticóides ○ DPOC ○ Outros ● Ocorrência relatada em laparotomias de até 10% ● Reparo 1º - defeitomenor de 4 cm de diâmetro e tecidos vizinhos viáveis ● Reparo com tela (maior de 4cm) ● Técnica de Stoppa: colocação de tela de grandes dimensões, pré-peritoneal (retromuscular cobrindo a bainha posterior dos retos ou o peritônio) ○ A tela deve se estender 5 a 6 cm além do defeito ● Recorrência de 10 a 50% (menor com tela) Hérnia epigástrica - Examinar deitado → quando deita a hérnia some 11 ● Se ela não some é lipoma ● Examinar commanobra de Valsalva ● Se localizam entre o processo xifóide e o umbigo (geralmente 5 a 6 cm acima do umbigo) ● 2 a 3 vezes + comuns em Homens ● Defeitos geralmente pequenos com dor desproporcional ao tamanho maior encarceramento de gordura pré-peritoneal ● São múltiplas em até 20% dos pacientes ● Reparo: fechamento primário na maioria dos casos Hérnia Femoral - Mais chance de encarceramento ● Ocorrem através do canal femoral → limitado superiormente pelo trato iliopúbico, inferiormente pelo ligamento de Cooper, lateralmente pela v. femoral e medialmente pela junção do trato iliopúbico com o ligamento de Cooper. ● Produz abaulamento abaixo do ligamento inguinal. ● Opções de reparo: Obliteração do defeito do canal femoral aMcVay ou com Tela; podendo ser por: ○ Abordagem pré-peritoneal ○ Abordagem laparoscópica ● Sempre explorar o saco herniário devido a alta incidência de estrangulamento 12 Complicações após Reparo das Hérnias ● Infecção de PO → pós operação (1 a 2%); ● Lesões nervosas: ○ Nervo ilioinguinal ○ Ramo genital do nervo genitofemoral ○ Nervo iliohipogástrico ■ Esses 3 são os mais freqüentemente lesados; ● Neuralgias residuais; ● Dor decorrente ao pinçamento de nervos: necessidade de reexploração cirúrgica para neurectomia ● Orquite isquêmica: trombose de pequenas vv. do plexo pampiniforme promovendo maior congestão venosa do testículo e edema causando dor (2º a 5º PO). Pode ocorrer atrofia testicular após 6 a 12 semanas; ● Lesão do ducto deferente e de vísceras; ● Recorrência: técnicas com tela têm 60% menos recorrência Tipos de Hérnias 1- Hérnia de Littré (1700) ● Presença de um divertículo de Meckel num saco herniário 2- Hérnia de Garengeot (1731) ● Apêndice cecal no conteúdo de hérnia femoral 3- Hérnia de Spiegel ● Protrusão de um saco peritoneal ou gordura pré-peritoneal, por um defeito na aponeurose do transverso abdominal, entre a linha semilunar e a borda lateral do reto abdominal 13 4- Hérnia Lombar Grynfelt e Petit ● Espaço de Grynfelt ou triângulo lombar superior ● Espaço de Petit ou triângulo lombar inferior 5- Hérnia de Richter ● Pinçamento da borda da alça intestinal OBS! Estomia → refere-se a algo que tem abertura ● Colostomia → colocar o intestino para fora ● Gastrostomia → buraco no estômago e alimenta o paciente por - Ctomia → é a retirada 6- Hérnia paraestomal → hérnia incisional que ocorre devido e ao lado de um estoma criado cirurgicamente (ileostomia, colostomia) ● Dado que um estoma é, em essência, uma hérnia deliberadamente criada para exteriorizar o intestino, o risco de hérnia paraestomal é muito alto ● Ou seja, hérnia que surge ao lado da colostomia - geralmente dá-se um ponto no músculo para fixar o intestino, mas esse ponto pode sair e ter uma protusão do intestino. 14 - DIÁSTASE DO MÚSCULO RETO ABDOMINAL ● Geralmente pós-gravidez 15