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Fatores de risco do câncer de pele Entrevista Portal Drauzio Varella

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Fatores de risco do câncer de pele | Entrevista | Portal Drauzio Varella
https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/fatores-de-risco-do-cancer-de-pele-entrevista/[08/06/2019 17:18:03]
ENTREVISTAS
Fatores de risco do câncer de pele | Entrevista
a i e y m
Hoje, é raro encontrar quem não conheça a relação entre exposição ao sol e câncer. Conheça os
fatores de risco do câncer de pele e previna-se.
 
* Edição revista e atualizada pelo entrevistado.
 
Hoje, é raro encontrar quem não saiba que a exposição excessiva aos raios solares aumenta, e muito, a
incidência de câncer de pele câncer de pele especialmente nos indivíduos de pele muito clara. O
problema é que tomar sol provoca uma sensação bastante agradável. A pele bronzeada adquire uma
aparência teoricamente mais saudável e as pessoas se sentem mais bonitas e atraentes.
No entanto, são cumulativos os danos na pele causados pelo sol. Com o passar da idade, quanto mais
frequente e duradoura tiver sido a exposição, maior a possibilidade de ocorrerem manchas e tumores
malignos.
 
Veja também: Porque o câncer de pele é tão comum no Brasil
 
Apesar de esse fato ser conhecido praticamente por todos, é muito difícil uma pessoa convencer-se de
que uma mudança de comportamento é fundamental. Praias, piscinas e represas sempre atulhadas de
gente nos horários em que o sol pode provocar lesões importantes na pele são provas irrefutáveis de
que esse tipo de informação não é levado muito a sério.
 
EXPOSIÇÃO AO SOL
 
Drauzio – O que revelou o estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo avaliando o
conhecimento das pessoas em relação aos malefícios causados pelo excesso de sol?
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Ivan de Oliveira Santos – Esse estudo revelou resultados bastante interessantes. Durante uma das
campanhas promovidas pela universidade, fizemos uma enquete com a colaboração de alunos e
residentes para verificar o que as pessoas sabiam a respeito dos danos causados pela exposição
excessiva ao sol. Para tanto, entrevistamos um número grande e diversificado de indivíduos e
chegamos à seguinte conclusão: 70% a 80% dos entrevistados sabiam que o sol pode causar câncer de
pele e envelhecimento precoce especialmente nas pessoas de pele clara. Apesar disso, essas pessoas
admitiam que, no verão seguinte, gostariam de tomar sol, porque se achavam mais bonitas quando
bronzeadas. É interessante essa contradição. Entre dominar racionalmente a informação e mudar de
hábitos, vai uma distância imensa.
 
Drauzio – Todo mundo sabe que no início da manhã e no final da tarde o sol traz menos
prejuízos para pele o que não acontece nos outros horários. Como se explica essa diferença?
Ivan de Oliveira Santos – Das dez horas da manhã até as três ou quatro horas da tarde, há
prevalência dos raios ultravioleta do tipo B. Embora o comprimento de onda desses raios não seja tão
longo quanto o do tipo A, eles são mais cancerígenos e provocam mais alterações na pele, entre elas o
carcinoma espinocelular.
Sempre se acreditou que os raios ultravioleta do tipo A, que incidem o dia todo, fossem menos
maléficos, apesar de provocarem o envelhecimento precoce, por penetrarem na pele mais
profundamente. Atualmente, porém, já temos uma série de trabalhos sobre o assunto está
relacionando esse tipo de raios à incidência de melanoma, entre todos o mais perigoso dos tumores,
pois pode levar o indivíduo ao óbito. O basocelular e o espinocelular são carcinomas mais facilmente
curáveis, embora, algumas vezes, provoquem deformidades. O melanoma, no entanto, tem maior
capacidade de desenvolver metástases, popularmente chamadas de raízes, e de comprometer o
funcionamento de outros órgãos. Por isso, pessoas de pele clara, principalmente, devem saber tomar
sol.
 
Drauzio – O que é saber tomar sol?
Ivan de Oliveira Santos – Como regra básica, todos podem e devem tomar sol, mas para cada um
existe um limite tolerável de exposição que deve ser respeitado. A pessoa pode identificar seu limite,
observando o eritema, ou seja, o vermelhidão ardido que se forma na pele e que incomoda à noite. Há
pessoas com pele muito sensível que vão à praia, por exemplo, e nunca conseguem ficar morenas.
Essas, infelizmente, não podem tomar muito sol, porque não foram preparadas pela natureza para
morar em países tropicais como o Brasil ou a Austrália, onde o sol é intenso. Já uma pessoa com pele
que chamamos do tipo 3, a que vai à praia e logo consegue ficar moreninha, não tem tanto problema,
porque essa coloração funciona como um filtro solar que a natureza lhe deu, aliás, o melhor filtro
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solar que existe, pois protege bastante contra os raios ultravioleta do sol. Essa coloração é dada pelo
pigmento melanina, que é produzido pelo melanócito tão logo seja estimulado pelos raios ultravioleta.
O pigmento de melanina é transportado para os queranócitos, as células que compõem a camada mais
superficial da pele, constituindo uma barreira para a radiação ultravioleta.
 
TIPOS DE PELE E REAÇÃO AO SOL
 
Drauzio – Vamos estabelecer como reagem ao sol os diferentes
tipos de pele, do mais claro ao mais escuro?(imagem1) 
Ivan de Oliveira Santos – Pessoas de pele clara, como as retratadas
nas fotos I e II, têm dificuldade para produzir o pigmento de melanina.
A ruiva que aparece na foto I não fabrica eumelanina. Os ruivos têm
um pigmento que se chama felmelanina, muito encontrado nos
escoceses e irlandeses e com capacidade menor de defendê-los dos
raios ultravioleta do sol. Por isso, esse tipo de pele é mais sensível até
mesmo que a dos loiros, mas menos sensível do que a dos albinos que
nunca ficam bronzeados. As fotos III e IV registram um tipo de pele com maior capacidade de defesa.
Tomando um pouco de sol, essas pessoas praticamente não ficam vermelhas e, já nos dias seguintes,
estão moreninhas. Elas possuem uma defesa natural contra os raios ultravioleta e não precisam
preocupar-se tanto, embora tenham que tomar cuidado, porque o sol envelhece a pele e não afasta a
possibilidade de provocar um câncer, se houver exposições intensas e intermitentes.
 
Drauzio – Do ponto de vista da resistência ao sol, a pele negra (foto V) é a ideal,
você não acha?
Ivan de Oliveira Santos – É a campeã. Existe uma classificação dos tipos de pele
baseada na resposta à estimulação pela luz solar, quanto à queimadura e à
pigmentação. É a classificação de Fitzpatrick, que vai da pele clara que queima com
facilidade e nunca se bronzeia, até a do negro, que nunca queima e é totalmente
pigmentada
É raro encontrar um câncer de pele nos negros. Quando o problema aparece, principalmente o
melanoma, ocorre na região plantar (ver foto 2) e na palma da mão, superfícies despigmentadas, onde
não existe defesa. Nesses casos, a doença talvez se manifeste por causa do atrito a que essas áreas
estão expostas. (ver foto 10)
 
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Drauzio – Sempre digo que a pele negra é uma pele superior. Se alguma espécie de preconceito
se justificasse, deveria ser da negra contra a pele branca.
Ivan de Oliveira Santos – Os negros são muito mais preparados para viver num país tropical como o
nosso do que os brancos.
James Watson, um dos descobridores do DNA, o código da vida, refere que a pigmentação intensa
dos primeiros seres humanos nascidos na África surgiu no curso da evolução. O pigmento de
melanina tornou-se necessário para proteger