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F R E N T E 3 283 ( ) ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ P V n R T P V n R T P V n R T Pressões parciais X X Y Y Z Z Note que a pressão parcial é exercida no volume total do recipiente. É um erro grave escrever que a pressão parcial é exercida sobre o volume parcial, como mostrado a seguir: P V n R T INCORRETO X X X )(⋅ = ⋅ ⋅ Nessa equação, o maior erro é que existem duas par- cialidades no 1º membro e apenas uma parcialidade no 2º membro. Portanto, reiterando: se a pressão é parcial, o volume é total. Somando-se as três equações de pressões parciais, obtém-se: P P P V n n n R T X Y Z X Y Z) )( (+ + ⋅ = + + ⋅ ⋅ Como a soma do número de mols é o número de mols total, então a pressão exercida também é total. De fato: P P P V n n n R T X Y Z P X Y Z n total total ) )( (+ + ⋅ = + + ⋅ ⋅ � � Assim: Ptotal = PX + PY + PZ Logo, a pressão total de uma mistura gasosa é a soma de todas as suas pressões parciais. Esse resultado é co- nhecido como lei de Dalton. Outro ponto importante em misturas gasosas é o con- ceito de volume parcial. Seja uma mistura gasosa de três gases, X, Y e Z. Essa mistura exerce sobre as paredes do recipiente uma pressão total. Se tirarmos os gases Y e Z, a pressão no interior desse recipiente será a pressão parcial de X, que é menor do que a pressão total. Para que o gás X, sozinho, exerça a pressão to- tal da mistura, é preciso que o volume do recipiente diminua. Y Fig. 28 Mistura dos gases X, Y e Z exercendo pressão total contra as paredes do recipiente. Fig. 29 Retiradas as moléculas de Y e Z, o gás X exerce a pressão parcial de X no recipiente que continha a mistura. Essa pressão é menor que a pressão total. Fig. 30 Para que as moléculas de X exerçam sozinhas a pressão total da mistura, é preciso diminuir o volume do recipiente. O volume ocupado por X para que exerça a pressão total da mistura é o volume parcial de X. Assim: O volume parcial de um gás em uma mistura gasosa é o volume que esse gás ocuparia para que, sozinho, exercesse a pressão total da mistura. As equações de Clapeyron para volumes parciais po- dem ser escritas da seguinte forma para a mistura dos gases X, Y e Z: ( ) ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ P V n R T P V n R T P V n R T Volumesparciais X X Y Y Z Z Note que o conceito de volume parcial só faz sentido quando a pressão exercida for a pressão total. Escrever que o volume parcial é ocupado quando a pressão exercida também for parcial é um erro que resulta novamente na seguinte equação: P V n R T INCORRETO X X X )(⋅ = ⋅ ⋅ Somando-se as três equações de volumes parciais, ob- tém-se: ) )( (⋅ + + = + + ⋅ ⋅P V V V n n n R TX Y Z X Y Z Como a soma do número de mols é o número de mols total, então o volume ocupado também é total. De fato: ) )( (⋅ + + = + + ⋅ ⋅P V V V n n n R TX Y Z V X Y Z n total total � � Assim: Vtotal = VX + VY + VZ Logo, o volume total de uma mistura gasosa é a soma de todos os volumes parciais. Esse resultado é conhecido como lei de Amagat. Outro conceito importante para as misturas gasosas é o de fração molar. Para entendê-lo, considere uma mistura de três gases ideais, A, B e C. Para essa mistura, podem ser escritas as seguintes equações: ) ) ) ) ( ( ( ( ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ P V n R T i P V n R T iii P V n R T ii P V n R T iv A A A A total total total total Dividindo-se (i) por (ii), tem-se: = n n P P A total A total Dividindo-se (iii) por (iv), tem-se: = n n V V A total A total QUÍMICA Capítulo 2 Gases284 A razão n n A total expressa a quantidade do gás A em rela- ção à quantidade de gás total da mistura e é chamada de fração molar do gás A. A representação da fração molar do gás A é XA. Dessa forma, pode-se escrever: = = =X n n P P V V A A total A total A total Portanto, essa relação mostra que a razão entre o número de mols é a mesma razão de pressões e é também a mesma razão de volumes para os gases de uma mistura. Entretanto, deve-se ressaltar que essa não é a razão entre as massas. Exercícios resolvidos 12 Considere o ar atmosférico como sendo formado por uma mistura 78% de N2, 21% de O2 e 1% de Ar. As por- centagens estão em volume. Qual a fração em massa de oxigênio no ar atmosférico? Resolução: De acordo com o que foi estudado na teoria sobre misturas gasosas, a fração em volume é também a fra- ção em pressão e em número de mols. De fato: = = =X n n P P V V O O total O total O total 2 2 2 2 A massa molar média dessa mistura é dada por: = ⋅ + ⋅ + ⋅ ∴ = ⋅ + ⋅ + ⋅ ∴ = M M P M P M P 100% M 28 78% 32 21% 40 1% 100% M 28,96 g/mol N N O O Ar Ar 2 2 2 2 Mas: = = ∴ = ∴ = ∴ = ⋅ X V V n n 0,21 n n 0,21 m M m M 0,21 m M M m O O total O total O total O O total total O O total total 2 2 2 2 2 2 2 2 A massa molar total é a massa molar média de toda a mistura. Assim: = ⋅ ∴ = ⋅ ∴ = ⋅ 0,21 m M M m 0,21 m 32 28,96 m m m 0,21 32 28,96 O O total O total O total 2 2 2 2 Como a razão m m O total 2 é a fração em massa de O2, tem-se: ≅ m m 0,23 O total 2 Esse resultado mostra que a fração molar não é a fra- ção em massa. Essas duas frações só coincidem para um caso muito especíco: quando a massa molar do gás for igual à massa molar média da mistura. 13 Gás hidrogênio foi recolhido sobre água, dentro de um tubo de ensaio. Após o recolhimento, fez-se coincidir os níveis de água dentro e fora do tubo. Já com o sistema em equilíbrio, na temperatura de 27 ºC, mediu-se o vo- lume de gases sobre a água, e o resultado foi 164 mL. Nessa temperatura, a pressão de vapor d’água é de 0,04 atm. A experiência foi realizada no nível do mar, onde a pressão atmosférica é de 1 atm. Pergunta-se: a) Qual a importância de se igualar os níveis interno e externo de água antes de se medir o volume dos gases recolhidos? b) Qual a pressão parcial do gás hidrogênio? c) Quais as frações molares de gás hidrogênio e de vapor d’água? d) Qual o número de mols de gás hidrogênio? e) Qual o número de mols de vapor d’água? f) Quais os volumes parciais dos gases? Resolução: a) Vamos supor que, após o recolhimento do gás, o sistema seria como representado na gura a seguir: Água P externa H 2 (g) P interna O nível de líquido que estiver mais baixo é o que está sendo submetido à pressão mais alta. Nesse caso, a pressão externa é maior do que a pressão interna. Como a pressão externa é conhecida, só é possível calcular a pressão interna fazendo-se a medida experimental do desnível (diferença de altura entre os níveis) e aplicando-se o teorema de Stevin para diferenças de pressão: ∆ = ∆ ∴ = ∆P dg h P P dg h externa interna Mas se, após o recolhimento do gás, a situação for a da gura a seguir: Água P externa H2(g) P interna Então é porque a pressão interna é maior do que a pressão externa, já que o nível interno de água está mais baixo. Nesse caso, para calcular a pressão interna, deve-se aplicar novamente o teorema de Stevin: ∆ = ∆ ∴ − = ∆P dg h P P dg h interna externa Entretanto, se após o recolhimento do gás a si- tuação nal for como se mostra na gura a seguir. F R E N T E 3 285 Água P externa H 2 (g) P interna Então é porque as pressões interna e externa são iguais, já que não há desnível. Nesse caso, não há necessidade de medição do desnível, tampouco a aplicação do teorema de Stevin e qualquer cálculo subsequente. Portanto, das três situações, a melhor de todas é a terceira. Se, ao nal do recolhimento do gás, os níveis interno e externo não coincidirem, basta fazer manualmente com que isso ocorra. No primeiro caso, deve-se empurrar o tubo para baixo até que os níveis coincidam e, no segundo caso, pu- xar o tubo para cima até que não haja desnível. Uma vez que os níveis estejam coincidentes, a pressão interna já é automaticamente conhecida. Após isso, basta medir o volume dos gases coletados. b) Todo gás que é recolhido sobre a água estará mis- turado com vapor d’água. Isso ocorre porque a água,inevitavelmente, evapora. Para cada tempe- ratura, a água evapora de maneira distinta e exerce pressão parcial diferente. Segundo o enunciado, a pressão exercida pela água é de 0,04 atm. Dada a coincidência dos níveis interno e externo da água líquida, a pressão interna total da mistura gasosa é de 1 atm. Pela lei de Dalton: = + ∴ = + ∴ =P P P 1 P 0,04 P 0,96 atm total H H O H H 2 2 2 2 c) As frações molares podem ser calculadas da se- guinte forma: = ∴ = ∴ = = ∴ = ∴ = X P P X 0,96 1 X 0,96 X P P X 0,04 1 X 0,04 H H total H H H O H O total H O H O 2 2 2 2 2 2 2 2 Note que as frações molares são números adi- mensionais, já que representam uma razão entre grandezas de mesma dimensão. Perceba tam- bém que a soma de todas as frações molares é necessariamente 1. d) Aplicando-se a equação de Clapeyron para pres- sões parciais, tem-se: ⋅ = ⋅ ⋅ ∴ ⋅ = ⋅ ⋅ ∴ = ⋅ P V n R T 0,96 0,164 n 0,082 300 n 6,4 10 mol H H H H 3 2 2 2 2 e) Aplicando-se a equação de Clapeyron para pres- sões parciais, tem-se: ⋅ = ⋅ ⋅ ∴ ⋅ = ⋅ ⋅ ∴ = ⋅ P V n R T 0,04 0,164 n 0,082 300 n 2,67 10 mol H O H O H H -4 2 2 2 2 f ) Os volumes parciais podem ser calculados a par- tir das frações molares e do volume total: = ∴ = ∴ = = ∴ = ∴ = X V V 0,96 V 164 mL V 157,44 mL X V V 0,04 V 164 mL V 6,56mL H H total H H H O H O total H O H O 2 2 2 2 2 2 2 2 Note como a soma dos volumes parciais é o volume total da mistura gasosa. 14 Considere uma mistura dos gases He e SO2. A fração em massa do gás He nessa mistura é 0,50. A mistura ocupa um volume de 17 L. Qual o volume parcial de SO2 nessa mistura? Resolução: Primeiramente, deve-se calcular os números de mols: = ∴ = ⋅ = ∴ = ⋅ n m M n 0,5 m 4 n m M n 0,5 m 64 He He He He total SO SO SO SO total 2 2 2 2 Assim, o número de mols total é: = + ∴ = ⋅ + ⋅ ∴ = ⋅ n n n n 0,5 m 4 0,5 m 64 n 8,5 m 64 total He SO total total total total total 2 Portanto: = ∴ = ⋅ ⋅ ∴ = ⋅ ∴ =X n n X 0,5 m 4 8,5 m 64 X 0,5 4 64 8,5 X 8 8,5 He He total He total total He He Mas: = ∴ = ∴ =X V V 8 8,5 V 17 V 16 L He He total He He Aplicando a lei de Amagat, tem-se: = + ∴ = + ∴ =V V V 17 16 V V 1 L total He SO SO SO 2 2 2 Densidade dos gases A densidade de um sistema é a razão entre a sua mas- sa e o seu volume. Portanto, pode-se escrever a densidade de um gás através da seguinte relação: =d m V Mas, para gases ideais, a equação de estado é: PV = nRT Manipulando-se matematicamente a equação de es- tado, tem-se: = ∴ = ⋅ ∴ = ⋅ ∴ =PV nRT PV m M RT PM m V d RT d PM RT O primeiro cuidado que se deve tomar é com as uni- dades utilizadas. Geralmente se expressa a densidade de