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Prof. Gustavo Gramática Página 1 de 8 EXERCÍCIOS – SINTAXE – ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS 1. (EEAR/BR - 2019) Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, os sentidos expressos pelas palavras ou expressões em destaque no fragmento de texto a seguir: “Ao passo que os aparatos tecnológicos se tornam mais presentes na nossa vida, mais se aprende a viver em rede. Embora saibamos o quanto é importante firmar nossos valores individuais, acabamos sendo arrastados, como gados ao matadouro, rumo à neutralização das diferenças culturais dos povos.” a) causa, comparação e temporalidade. b) consequência, concessão e comparação. c) proporcionalidade, concessão e comparação. d) condição, conformidade e proporcionalidade. (FEPAR/PR – MED - 2019) Leia o texto e responda à questão a seguir. Quebra a perna Uma mulher tornou-se moradora de rua no Largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, por ter sido despejada com outros moradores do edifício que haviam invadido, ali na praça, e que acabou desabando depois de um incêndio. Ela decidiu ficar acampada em frente da ruína. “Só saio daqui com a chave da minha casa na mão”, declarou. O desabamento, em sua opinião, lhe deu o direito de ganhar uma casa “do governo” – e ela não estava disposta a procurar outro lugar para morar. Sua reivindicação foi tratada como a coisa mais normal do mundo. Não ocorreu a ninguém que só a população pode pagar essa e qualquer outra despesa feita em nome do público, pois só ela trabalha, produz e ganha o dinheiro que o governo lhe arranca para, basicamente, sustentar a si mesmo. Eis aí uma ilustração do delírio a que foi reduzida a “questão social” neste País. Aqui se grita cada vez mais alto em favor da igualdade – e aqui se faz cada vez mais o contrário de tudo o que poderia tornar as pessoas menos desiguais entre si. Não haverá esperança para essa mulher, e para todos os que vivem no mesmo abismo, enquanto praticamente todas as forças políticas e ideológicas insistirem em impor a ideia de que a “igualdade” e os “direitos iguais” para todos são “prioridades”. Por essa maneira de ver o mundo, a igualdade tem de ser obtida já, por cobrança de mais impostos e atuação do governo, e não, segundo exigem as realidades da vida, como consequência do trabalho – da criação de riquezas, de avanços na educação, da multiplicação das oportunidades. A única coisa que se consegue por esse caminho é uma quantidade cada vez maior de leis mandando os cidadãos serem iguais – e, ao mesmo tempo, dificuldades cada vez mais perversas para a liberdade de produzir e gerar progresso. Resultado: em vez de ficar mais perto, a igualdade fica mais longe. Circula atualmente nas redes sociais um vídeo muito interessante a esse respeito. Nele, o autor* de uma palestra para jovens nos Estados Unidos observa que, hoje, a essência da moral, tanto nas ideias como nas ações da vida pública, é a pregação da igualdade entre todos. Para isso, segundo esses pregadores, tudo vale – inclusive cometer atos de violência contra os que estão num nível acima. São os que têm mais talento, mais habilidade, mais inteligência – e nem sempre mais estudos acadêmicos. São as pessoas que criam, que brilham, que têm sucesso. No fundo, são as que mais contribuem para o conjunto da sociedade – e, em consequência de seus méritos, geram muito mais riqueza e conforto que os demais. No mundo intelectual e político de hoje, a visão predominante é que tal situação é uma injustiça que tornará inviável a sobrevivência das sociedades. O maior dever que um cidadão pode ter na vida é exigir a diminuição da distância entre “os que têm” e “os que não têm”. Para ilustrar o problema, o palestrante menciona o maior astro do basquetebol do momento, LeBron James – e diz ironicamente que, em nome da igualdade, ele teria o direito de entrar numa quadra de basquete com LeBron e exigir chances iguais de vitória numa partida entre os dois. Como? Obviamente ele não teria condições de fazer um único ponto contra o campeão. Também não pode aprender grande coisa de basquete se não tem talento para esse esporte. A solução para uma disputa igual só poderia ser quebrar as duas pernas de LeBron, possivelmente também um braço – isso sim, seria fazer justiça. Engraçado, não é mesmo? Pois isso se observa todos os dias. Como não podem quebrar de verdade as pernas dos que estão acima, socam impostos neles, cada vez mais. É assim que pretendem criar igualdade para a mulher do Largo do Paiçandu. (*) Yaron Brook. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch>.Acesso em: 28 jun. 2018 (Adaptado de: GUZZO, J.R. Veja, 28 jun. 2018) 2. (FEPAR/PR - 2019) Considere as frases abaixo. Avalie as afirmações respectivas com relação aos termos em negrito. Tenha como referência a norma culta e o sentido do texto. (1) Uma mulher tornou-se moradora de rua no Largo do Paiçandu por ter sido despejada com outros moradores do edifício que haviam invadido, ali na praça, e que acabou desabando depois de um incêndio. (2) Só a população pode pagar essa e qualquer outra despesa feita em nome do público, pois só ela trabalha, produz e ganha o dinheiro que o governo lhe arranca para, basicamente, sustentar a si mesmo. (3) A única coisa que se consegue por esse caminho é uma quantidade cada vez maior de leis mandando os cidadãos serem iguais – e, ao mesmo tempo, dificuldades cada vez mais perversas para a liberdade de produzir e gerar progresso. Resultado: em vez de ficar mais perto, a igualdade fica mais longe. (4) No fundo, são as que mais contribuem para o conjunto da sociedade – e, em consequência de seus méritos, Prof. Gustavo Gramática Página 2 de 8 geram muito mais riqueza e conforto que os demais. No mundo intelectual e político de hoje, a visão predominante é que tal situação é uma injustiça que tornará inviável a sobrevivência das sociedades. (5) Engraçado, não é mesmo? Pois isso se observa todos os dias. Como não podem quebrar de verdade as pernas dos que estão acima, socam impostos neles, cada vez mais. É assim que pretendem criar igualdade para a mulher do Largo do Paiçandu. ( )Ter sido despejada e haviam invadido são ambas expressões verbais na voz passiva; os termos que são conjunções integrantes subordinadas entre si. ( ) Ela e lhe têm o mesmo referente; para introduz uma oração com sentido de finalidade; a si mesmo refere-se a governo. ( ) A expressão verbal se consegue é exemplo de voz reflexiva; cada vez indica pontualidade no tempo; em vez de pode ser substituído por ao invés de. ( ) Os termos as, os e tal são pronomes demonstrativos; o plural de muito mais riqueza é muito mais riquezas; o adjetivo predominante impede a generalização; ( )Pois introduz uma oração de caráter explicativo; como tem sentido de conformidade; assim que tem sentido temporal. 3. (UNESP/SP - 2019) Leia o trecho do livro A dança do universo, do físico brasileiro Marc. Gleiser, para responder às questões a seguir. Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção. O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no porão. Copérnico é, talvez, o mais famoso desses relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não fossem difundidas, possivelmente com medo de críticas ou perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de volta no centro do Universo, motivado por razões erradas. Insatisfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico domovimento circular uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo se adaptasse às ideias platônicas, ele retornou aos pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes. Seu pensamento reflete o desejo de reformular as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter imaginado que, ao olhar para o passado, estaria criando uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou. Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno trabalho resumindo suas ideias, intitulado Commentariolus (Pequeno comentário). Embora na época fosse relativamente fácil publicar um manuscrito, Copérnico decidiu não publicar seu texto, enviando apenas algumas cópias para uma audiência seleta. Ele acreditava piamente no ideal pitagórico de discrição; apenas aqueles que eram iniciados nas complicações da matemática aplicada à astronomia tinham permissão para compartilhar sua sabedoria. Certamente essa posição elitista era muito peculiar, vinda de alguém que fora educado durante anos dentro da tradição humanista italiana. Será que Copérnico estava tentando sentir o clima intelectual da época, para ter uma ideia do quão “perigosas” eram suas ideias? Será que ele não acreditava muito nas suas próprias ideias e, portanto, queria evitar qualquer tipo de crítica? Ou será que ele estava tão imerso nos ideais pitagóricos que realmente não tinha o menor interesse em tornar populares suas ideias? As razões que possam justificar a atitude de Copérnico são, até hoje, um ponto de discussão entre os especialistas. (A dança do universo, 2006. Adaptado.) “Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou.” (3º parágrafo) Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado tem sentido de a) consequência. b) condição. c) conclusão. d) concessão. e) causa. 4. (UNESP/SP - 2019) Em “Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial” (1º parágrafo), a locução conjuntiva sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por: a) À medida que. b) Ainda que. c) Desde que. d) Visto que. e) A menos que. Prof. Gustavo Gramática Página 3 de 8 (ITA/SP - 2019) Texto para a questão a seguir. Pichação-arte é pixação? As discussões muitas vezes acaloradas sobre o reconhecimento da pixação como expressão artística trazem à tona um questionamento conceitual importante: uma vez considerado arte contemporânea, o movimento perderia sua essência? Para compreendermos os desdobramentos da pixação, alguns aspectos presentes no graffiti são essenciais e importantes de serem resgatados. O graffiti nasceu originalmente nos EUA, na década de 1970, como um dos elementos da cultura hip- hop (Break, MC, DJ e Graffiti). Daí até os dias atuais, ele ganhou em força, criatividade e técnica, sendo reconhecido hoje no Brasil como graffiti artístico. Sua caracterização como arte contemporânea foi consolidada definitivamente por volta do ano 2000. A distinção entre graffiti e pixação é clara; ao primeiro é atribuída a condição de arte, e o segundo é classificado como um tipo de prática de vandalismo e depredação das cidades, vinculado à ilegalidade e marginalidade. Essa distinção das expressões deu-se em boa parte pela institucionalização do graffiti, com os primeiros resquícios já na década de 1970. Esse desenvolvimento técnico e formal do graffiti ocasionou a perda da potência subversiva que o marca como manifestação genuína de rua e caminha para uma arte de intervenção domesticada enquadrada cada vez mais nos moldes do sistema de arte tradicional. O grafiteiro é visto hoje como artista plástico, possuindo as características de todo e qualquer artista contemporâneo, incluindo a prática e o status. Muito além da diferenciação conceitual entre as expressões – ainda que elas compartilhem da mesma matéria-prima – trata-se de sua força e essência intervencionista. Estudos sobre a origem da pixação afirmam que o graffiti nova-iorquino original equivale à pixação brasileira; os dois mantêm os mesmos princípios: a força, a explosão e o vazio. Uma das principais características do pixo é justamente o esvaziamento sígnico, a potência esvaziada. Não existem frases poéticas, nem significados. A pichação possui dimensão incomunicativa, fechada, que não conversa com a sociedade. Pelo contrário, de certa forma, a agride. A rejeição do público geral reside na falta de compreensão e intelecção das inscrições; apenas os membros da própria comunidade de pixadores decifram o conteúdo. A significância e a força intervencionista do pixo residem, portanto, no próprio ato. Ela é evidenciada pela impossibilidade de inserção em qualquer estatuto pré- estabelecido, pois isso pressuporia a diluição e a perda de sua potência signo-estética. Enquanto o graffiti foi sendo introduzido como uma nova expressão de arte contemporânea, a pichação utilizou o princípio de não autorização para fortalecer sua essência. Mas o quão sensível é essa forma de expressão extremista e antissistema como a pixação? Como lidar com a linha tênue dos princípios estabelecidos para não cair em contradição? Na 26ª Bienal de Arte de São Paulo, em 2004, houve um caso de pixo na obra do artista cubano naturalizado americano, Jorge Pardo. Seu comentário, diante da intervenção, foi “Se alguém faz alguma coisa no seu trabalho, isso é positivo, para mim, porque escolheram a minha peça entre as expostas” […]. “Quem fez isso deve discordar de alguma coisa na obra. Pode ser outro artista fazendo sua própria obra dentro da minha. Pode ser só uma brincadeira” e finalizou dizendo que “pichar a obra de alguém também não é tão incomum. Já é tradicional”. É interessante notar, a partir do depoimento de Pardo, a recorrência de padrões em movimentos de qualquer natureza, e o inevitável enquadramento em algum tipo de sistema, mesmo que imposto e organizado pelos próprios elementos do grupo. Na pixação, levando em conta o “sistema” em que estão inseridos, constatamos que também passa longe de ser perfeito; existe rivalidade pesada entre gangues, hierarquia e disputas pelo “poder”. Em 2012, a Bienal de Arte de Berlim, com o tema “Forget Fear”, considerado ousado, priorizou fatos e inquietações políticas da atualidade. Os pixadores brasileiros, Cripta (Djan Ivson), Biscoito, William e R.C., foram convidados na ocasião para realizar um workshop sobre pixação em um espaço delimitado, na igreja Santa Elizabeth. Eles compareceram. Mas não seguiram as regras impostas pela curadoria, ao pixar o próprio monumento. O resultado foi tumulto e desentendimento entre os pixadores e a curadoria do evento. O grande dilema diante do fato é que, ao aceitarem o convite para participar de uma bienal de arte, automaticamente aceitaram as regras e o sistema imposto. Mesmo sem adotar o comportamento esperado, caíram em contradição. Por outro lado, pela pichação ser conhecidamente transgressora (ou pelo jeito, não tão conhecida assim), os organizadores deveriam pressupor que eles não seguiriam padrões pré-estabelecidos. Embora existam movimentos e grupos que consideram, sim, a pixação como forma de arte, como é o caso dos curadores da Bienal de Berlim, há uma questão substancial que permeia a realidade dos pichadores. Quem disse que eles querem sua expressão reconhecida como arte? Se artepressupõe, como ocorreu com o graffiti, adaptar-se a um molde específico, seguir determinadas regras e por consequência ver sua potência intervencionista diluída e branda, é muito improvável que tenham esse desejo. A representação da pixação como forma de expressão destrutiva, contra o sistema, extremista e marginalizada é o que a mantêm viva. De certo modo, a rejeição e a ignorância do público é o que garante sua força intervencionista e a tão importante e sensível essência. Adaptado de: CARVALHO, M. F. Pichação-arte é pixação? Revista Arruaça, Edição nº 0. Cásper Líbero, 2013. Disponível em <https://casperlibero.edu.br/revistas/pichacao-arte-e-pixacao/> Acesso em: maio 2018. 5. (ITA/SP - 2019) Assinale a alternativa cujo trecho sublinhado denota uma condição. a) [...] trazem à tona um questionamento conceitual importante: uma vez considerado arte contemporânea, o movimento perderia sua essência? b) [...] ele ganhou em força, criatividade e técnica, sendo reconhecido hoje no Brasil como graffiti artístico. Prof. Gustavo Gramática Página 4 de 8 c) Muito além da diferenciação conceitual entre as expressões – ainda que elas compartilhem da mesma matéria-prima [...] d) Ela é evidenciada pela impossibilidade de inserção em qualquer estatuto pré-estabelecido, pois isso pressuporia a diluição e a perda de sua potência signo-estética. e) “Se alguém faz alguma coisa no seu trabalho, isso é positivo, para mim, porque escolheram a minha peça entre as expostas” [...] (ESPCEX (AMAN) 2019) Leia o texto e responda à questão a seguir. Política pública de saneamento básico: as bases do saneamento como direito de cidadania e os debates sobre novos modelos de gestão Ana Lucia Britto Professora Associada do PROURB-FAU-UFRJ Pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É preciso, para tanto, fazê-lo de modo financeiramente acessível e com qualidade para todos, sem discriminação. Também obriga os Estados a eliminarem progressivamente as desigualdades na distribuição de água e esgoto entre populações das zonas rurais ou urbanas, ricas ou pobres. No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos com abastecimento de água potável, mais da metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, e apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproximadamente 70% da população que compõe o déficit de acesso ao abastecimento de água possuem renda domiciliar mensal de até 1 2 salário mínimo por morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o que coloca em pauta o tema do saneamento financeiramente acessível. Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cidades, identificam-se avanços importantes na busca de diminuir o déficit já crônico em saneamento e pode-se caminhar alguns passos em direção à garantia do acesso a esses serviços como direito social. Nesse sentido destacamos as Conferências das Cidades e a criação da Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política urbana uma base de participação e controle social. Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e PAC 2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 e seu decreto de regulamentação) e de um Plano Nacional para o setor, o PLANSAB, construído com amplo debate popular, legitimado pelos Conselhos Nacionais das Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por decreto presidencial em novembro de 2013. Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por uma visão de saneamento como direito de cidadania: a) articulação da política de saneamento com as políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparência das ações, baseada em sistemas de informações e processos decisórios participativos institucionalizados. A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento para o saneamento, por meio da obrigatoriedade de planos municipais de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam ser estabelecidos contratos de delegação da prestação de serviços e para que possam ser acessados recursos do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo final para sua elaboração terminando em 2017. A Lei reforça também a participação e o controle social, através de diferentes mecanismos como: audiências públicas, definição de conselho municipal responsável pelo acompanhamento e fiscalização da política de saneamento, sendo que a definição desse conselho também é condição para que possam ser acessados recursos do governo federal. O marco legal introduz também a obrigatoriedade da regulação da prestação dos serviços de saneamento, visando à garantia do cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à repressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo que os serviços de saneamento são prestados em caráter de monopólio, o que significa que os usuários estão submetidos às atividades de um único prestador. FONTE: adaptado de http://www.assemae.org.br/artigos/item/1762- saneamento-basico-como-direito-de-cidadania 6. (ESPCEX (AMAN) 2019) Em “Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por uma visão de saneamento como direito de cidadania”, a oração sublinhada exerce a mesma função sintática em qual das alternativas abaixo? a) O problema do saneamento básico é mundial, desde 2010 reconhecido pela ONU, ou seja, é muito grande para que seja resolvido com apenas uma lei. b) Foi muito importante a criação da Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política urbana uma base de participação e controle social. c) A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento para o saneamento, porque obriga a criação de planos municipais para tratamento de esgoto. d) A definição de um conselho municipal de fiscalização é condição para que possam ser acessados recursos do governo federal. e) As desigualdades sociais eram tantas, com falta de acesso por parte da população à moradia, transporte e saneamento, que foi criado, em 1º de janeiro de 2003, o Ministério das Cidades. A(s) questão(ões) refere(m)-se ao texto “Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade” Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade Suzana Herculano-Houzel Prof. Gustavo Gramática Página 5 de 8 1Donald Trump fala o que muitos pensam e não têm coragem de dizer, 2segundo seus eleitores. Cheguei aos EUA em 2016 com Obama na Casa Branca e 3assisti 4boquiaberta, poucos meses depois, a uma parcela significativa da nação eleger uma figura no mínimo controversa. Trump parecia imune aos próprios atentados contra os valores americanos. A razão, louvada por tantos de seus eleitores? “Ele fala o que muitos pensam e não têm coragem de dizer.” 5E 6ainda faz escola. Já ouvi o mesmo argumento de vários que apoiam presidenciáveis brasileiros. 7Como se dizer o que se pensa fosse, de fato, sempre algo louvável. Mas não é. Pensar besteira todo mundo faz, de chegar na mureta do mirante e ponderar que “é 8só passar a perna por cima e me jogar” ou olhar para o vizinho e pensar que “se eu o empurrasse, ele teria morte certa”. 9Evocar associações comuns, como mureta e suicídio, é apenas natural para o cérebro, consequência inevitável do seu aprendizado por repetição. 10Da mesma forma, 11num 12ambiente em que racismo, homofobia e liberdadestomadas com a vida dos outros ainda imperam, 13onde se cresce ouvindo que negros e índios são isso, gays são aquilo, e 14onde todo útero grávido é propriedade coletiva, 15insultar é o impulso mental fácil, mesmo que por repetição, e não por crença. 16Pensamentos também são testes de ações mentais e suas consequências possíveis. Mentalmente, todo mundo um dia xinga a mãe, esbofeteia o vizinho, esfaqueia o marido ou profere insultos racistas e homofóbicos. 17Mas a grande maioria para no pensamento, 18horrorizada pela consequência que suas ações mentais teriam na vida real se executadas ou ditas. 19Pensamentos terríveis têm essa utilidade: 20primatas que somos, com um córtex pré-frontal expressivo, capaz de reconhecer 21más ideias e impedi-22las de vir à tona, não precisamos chegar às vias de fato para aprender a não fazer besteira. 23Dizer o que “todo mundo pensa mas não ousa dizer”, portanto, não é sinal de coragem, nem de honestidade, mas apenas de falta de controle pré-frontal – ou de mau caráter mesmo. (Herculano-Houzel, Suzana [bióloga e neurocientista da Universidade Vanderbilt (EUA)]. Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade. Folha de São Paulo, 14/08/2010. Adaptado. Disponível em: http://www.brasilagro.com.br/conteudo/dizer-o-que-se-pensa-nao-e- sempre-uma-qualidade.html. Acesso em 11 ago. 2018) 7. (UPF/RGS - 2019) Em cada uma das alternativas a seguir, são apresentados um trecho do texto “Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade” (Coluna 1) e uma proposta de reescrita desse trecho (Coluna 2). Assinale a alternativa em que essa reescrita está em desacordo com o sentido originalmente proposto. Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à(s) questão(ões) a seguir. Coluna 1 Coluna 2 a) Donald Trump fala o que muitos pensam e não têm coragem de dizer, segundo seus eleitores. (ref. 1). Segundo os eleitores de Donald Trump, ele fala o que muitos pensam, mas não têm coragem de dizer. b) E ainda faz escola. Já ouvi o mesmo argumento de vários que apoiam presidenciáveis brasileiros. Como se dizer o que se pensa fosse, de fato, sempre algo louvável. Mas não é. (ref. 5) E ainda faz escola. O mesmo argumento já foi ouvido por mim, dito por vários que apoiam presidenciáveis brasileiros. Como se dizer o que se pensa fosse, de fato, sempre algo louvável. E não é. c) Da mesma forma, num ambiente em que racismo, homofobia e liberdades tomadas com a vida dos outros ainda imperam, (...) insultar é o impulso mental fácil, mesmo que por repetição, e não por crença. (ref. 10) De igual modo, num ambiente em que racismo, homofobia e liberdades tomadas com a vida dos outros ainda imperam, (...) insultar é o impulso mental fácil, uma vez que é motivado pela repetição, e não por crença. d) Pensamentos também são testes de ações mentais e suas consequências possíveis. Mentalmente, todo mundo um dia xinga a mãe, esbofeteia o vizinho, esfaqueia o marido ou profere insultos racistas e homofóbicos. (ref. 16) Um dia, mentalmente, todos xingam a mãe, esbofeteiam o vizinho, esfaqueiam o marido ou proferem insultos racistas e homofóbicos, pois pensamentos também são testes de ações mentais e suas consequências possíveis. e) Mas a grande maioria para no pensamento, horrorizada pela consequência que suas ações mentais teriam na vida real se executadas ou ditas. (ref. 17) Horrorizada pela consequência que suas ações mentais teriam na vida real se executadas ou ditas, a grande maioria, no entanto, para no pensamento. Prof. Gustavo Gramática Página 6 de 8 A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la? Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados. Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a 1lapidar a doida, isolada e agreste no seu jardim. Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera. Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos 2racontos antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de 3irrisão. Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso. Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis lamentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes,são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem. (Contos de aprendiz, 2012.) __________________________________ 1lapidar: apedrejar. 2raconto: relato, narrativa. 3irrisão: zombaria. 8. (UNIFESP/SP - 2019) “Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.” (5º parágrafo) Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado expressa ideia de a) finalidade. b) causa. c) proporção. d) comparação. e) consequência. (EBMSP/ SP - 2018) Leia o texto e responda à questão a seguir. Preconceitos fazem parte de uma vida infeliz. É verdade que eles fazem parte da vida na qual há preconceitos de todo tipo, sempre desproporcionais em relação às diferenças, à singularidade. Uma vida que se autoquestiona eticamente é aquela que tenta entender e superar preconceitos. Em geral, nessa superação, encontramos com a novidade da singularidade. É ela, essa condição diferente e única própria de cada pessoa, que devemos respeitar universalmente. Em um aspecto profundo é o autoquestionamento ético que, ao nos ajudar a superar preconceitos, nos leva à felicidade. TIBURI, Márcia. Infelicidades contemporâneas. Disponível em: <https://revistacult.uol.com.br>.Acesso em: ago. 2017. Prof. Gustavo Gramática Página 7 de 8 9. (EBMSP/ SP - 2018) Considerando-se os aspectos coesivos que mantêm a progressão temática do texto, é correto afirmar: a) O conectivo “que”, em “É verdade que eles fazem parte da vida”, dá continuidade às ideias do texto, ao introduzir a oração que funciona como sujeito de “É verdade”. b) O pronome pessoal “eles”, em “É verdade que eles fazem parte da vida”, faz uma referência catafórica ao termo “preconceitos de todo tipo”, prenunciando uma reflexão sobre um viés temático ainda não apresentado e tratado a seguir. c) O relativo “[n]a qual”, em “fazem parte da vida na qual há preconceitos”, resgata a palavra “parte”, caracterizando-a a partir de um aspecto que lhe é inerente. d) O demonstrativo “aquela”, em “Uma vida que se autoquestiona eticamente é aquela que tenta entender”, retoma a expressão “vida infeliz”, a fim de caracterizá-la como uma prática incessante de autoconhecimento. e) O elemento coesivo pronominal “ela”, em “É ela, essa condição diferente e única própria de cada pessoa”, refere-se ao vocábulo “superação”, recuperando-o para ressaltar a única condição de uma existência feliz. (ITA/ SP - 2018) Leia o texto e responda à questão a seguir. O Brasil será, em poucas décadas, um dos países com maior número de idosos do mundo, e precisa correr para poder atendê-los no que eles têm de melhor e mais saudável: o desejo de viver com independência e autonomia. [...] O mantra da velhice no século XXI é “envelhecer no lugar”, o que os americanos chamam de aging in place. O conceito que guia novas políticas e negócios voltados para os longevos tem como principal objetivo fazer com que as pessoas consigam permanecer em casa o maior tempo possível, sem que, para isso, precisem de um familiar por perto. Não se trata de apologia da solidão, mas de encarar um dado da realidade contemporânea: as residências não abrigam mais três gerações sob o mesmo teto e boa parte dos idosos de hoje prefere, de fato, morar sozinha, mantendo-se dona do próprio nariz. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/brasillenvelhecer-no-seculo- xxi/>, 18 mar. 2016.Adaptado. Acesso em: 10 ago. 17. 10. (ITA/ SP - 2018) A conjunção em destaque na frase “Não se trata de apologia da solidão, mas de encarar um dado da realidade contemporânea: ...” possui a função semântica de a) retificação. b) compensação. c) complementação. d) separação. e) acréscimo. (UPF/RGS - 2018) Leia o texto e responda à questão a seguir. Tem gente que não entendeu a campanha de camisinha com Pabllo Vittar "1Para que usar camisinha 2se a Pabllo não engravida?" é o tom de diversos comentários nas redes sociais do novo clipe de Pabllo Vittar no Youtube. No vídeo de "Corpo Sensual", a cantora drag queen aparece dançando e seduzindo Mateus Carrillo, até que entram em um carro e Pabllo pega uma camisinha. Feito em parceria com o Ministério da Saúde, o vídeo foi pensado para lembrar o público da importância do uso do preservativo quando o clima esquenta. No entanto, nem todos os internautas entenderam a mensagem. (UOL. 08/09/2017. Disponível em: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/09/08/te m-gente-que-nao-entendeu-a-campanha-de-camisinha-com-pablo- vittar.htm. Adaptado. Acesso em: 9 set. 2017) 11. (UPF/RGS - 2018) A apropriada relação entre diferentes partes de um texto é garantida pela coesão textual. Analisando os trechos “Para que usar camisinha” (referência 1) e “se a Pabllo não engravida” (referência 2), verifica-se que a segunda oração estabelece com a primeira uma relação de: a) causa, uma vez que uma das causas de uma gravidez pode ser a não utilização de preservativos. b) oposição, visto que, no texto, fica inferida uma oposição entre as concepções de homem e mulher no que, biologicamente, diz respeito à capacidade de engravidar. c) finalidade, uma vez que, na concepção dos internautas que se manifestaram, o uso da camisinha tem a contracepção como finalidade exclusiva. d) condição, porque a biologia feminina é condição para a gravidez e, portanto, para esse grupo específico de internautas, o uso da camisinha na relação sugerida no clipe justifica o questionamento sobre essa escolha. e) concessão, uma vez que é possível inferir, pelo contexto, que o uso da camisinha seria uma exigência para o consentimento de uma relação íntima. (EPCAR (CPCAR) 2018) Leia o texto de responda à questão a seguir O PODER DA LITERATURA José Castello 1Em um século dominado pelo virtual e pelo instantâneo, que poder resta à literatura? Ao contrário das imagens, que nos jogam para fora e para as superfícies, a literatura nos joga para dentro. Ao contrário da realidade virtual, que é compartilhada e se baseia na interação, 2a literatura é um ato solitário, nos aprisiona na introspecção. Ao contrário do mundo instantâneo em que vivemos, Prof. Gustavo Gramática Página 8 de 8 dominado pelo “tempo real” e pela rapidez, a literatura é lenta, é indiferente às pressões do tempo, ignora o imediato e as circunstâncias. Vivemos em um mundo dominado pelas respostas enfáticas e poderosas, enquanto a literatura se limita a gaguejar perguntas frágeis e vagas. A literatura, portanto, parece caminhar na contramão do contemporâneo. Enquanto o mundo se expande, se reproduz e acelera, 3a literatura contrai, pedindo que paremos para um mergulho “sem resultados” em nosso próprio interior. Sim: a literatura – no sentido prático – é inútil. 4Mas ela apenas parece inútil. A literatura não serve para nada – é o que se pensa. A indústria editorial tende a reduzi-la a um entretenimento para a beira de piscinas e as salas de espera dos aeroportos. De outro lado, a universidade – em uma direção oposta, mas igualmente improdutiva – transforma a literatura em uma “especialidade”, destinada apenas ao gozo dos pesquisadores e dos doutores. Vou dizer com todas as letras: são duas formas de matá-la. A primeira, por banalização. A segunda, por um esfriamento que a asfixia. Nos dois casos, a literatura perde sua potência. 5Tanto quando é vista como “distração”, quanto quando é vista como “objeto de estudos”, 6a literatura perde o principal: seu poder de interrogar, interferire desestabilizar a existência. 7Contudo, desde os gregos, a literatura conserva um poder que não é de mais ninguém. 8Ela lança o sujeito de volta para dentro de si e o leva a encarar o horror, as crueldades, a imensa instabilidade e 9o igualmente imenso vazio que carregamos em nosso espírito. Somos seres “normais”, como nos orgulhamos de dizer. Cultivamos nossos hábitos, manias e padrões. Emprestamos um grande valor à repetição e ao Mesmo. Acreditamos que somos donos de nós mesmos! Mas 10leia Dostoievski, leia Kafka, leia Pessoa, leia Clarice – 11e você verá que rombo se abre em seu espírito. Verá o quanto tudo isso é mentiroso. 12Vivemos imersos em um grande mar que chamamos de realidade, mas que – a literatura desmascara isso – não passa de ilusão. A “realidade” é apenas um pacto que fazemos entre nós para suportar o “real”. A realidade é norma, é contrato, é repetição, ela é o conhecido e o previsível. O real, ao contrário, é instabilidade, surpresa, desassossego. O real é o estranho. (...) A literatura não tem o poder dos mísseis, dos exércitos e das grandes redes de informação. Seu poder é limitado: é subjetivo. 13Ao lançá-lo para dentro, e não para fora, ela se infiltra, como um veneno, nas pequenas frestas de seu espírito. Mas, 14nele instalada pelo ato da leitura, 15que escândalos, que estragos, 16mas também que descobertas e que surpresas ela pode deflagrar. Não é preciso ser um especialista para ler uma ficção. Não é preciso ostentar títulos, apresentar currículos, ou credenciais. A literatura é para todos. Dizendo melhor: é para os corajosos ou, pelo menos, para aqueles que ainda valorizam a coragem. (...) http://blogs.oglobo.globo.com/jose-castello/post/o-poder-da-literatura- 444909.html.Acesso em: 21 de fev 2017. 12. (EPCAR (CPCAR) 2018) Assinale a alternativa que apresenta uma explicação INCORRETA. a) Em “Tanto quando é vista como distração, quanto quando é vista como objeto de estudos...” (ref. 5), os termos em destaque estabelecem uma relação de comparação entre as duas situações relacionadas. b) Os dois pontos foram utilizados no excerto “...a literatura perde o principal: seu poder de interrogar, interferir e desestabilizar...” (ref. 6) para introduzir ideias que foram resumidas em um termo anterior. c) A vírgula presente em “...a literatura é um ato solitário, nos aprisiona na introspecção.” (ref. 2) foi utilizada para marcar a elipse de um termo. d) No período “...mas também que descobertas e que surpresas ela pode deflagrar.” (ref. 16) , se o sujeito fosse para o plural, a locução verbal ficaria: pode deflagrarem. ____________________________________________ GABARITO 1.C 2.F-V-F-V-F 3.B 4.B 5.A 6.C 7.B 8.A 9.A 10.A 11.D 12.D