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Breve história da Educação As tendências educacionais quase sempre são decorrentes do momento histórico. É difícil dizer quando começou o ensino formal na espécie humana, porém, se considera que desde antes dos australopitecos. Na Grécia Antiga, no século 4/5 antes de Cristo, não existia uma monarquia, era dividida em estados, cada um com sua autonomia. Existia um processo democrático inovador para a época. A Educação se baseava também no debate e diálogo, assim como a política. Sócrates (469 AC – 399 AC – 70 anos), fruto dessas circunstâncias, surgiu com seu método denominado maiêutica. Sócrates pregava que as ideias eram “paridas” pelos alunos a partir do diálogo. Maiêutica usa a dialética para alcançar o conhecimento. Sócrates nunca criou uma escola formal ou registrou suas ideias, o que se têm a seu respeito foi escrito por Platão (427 AC – 347 AC – 80 anos), um de seus discípulos. “Talvez você pense que os livros sejam inteligentes, mas se você lhes pedir uma explicação sobre algo que estiver escrito, eles responderão com um solene silêncio”. Platão criou uma escola denominada Academia – daí o termo acadêmico. Aristóteles era um de seus discípulos. Após deixar a Academia, Aristóteles foi convidado a orientar Alexandre o Grande, na época com 13 anos. Desenvolveu o método dialético: Tese + antítese = síntese. Nesse método, alunos ouvem e falam, são ativos nas aulas. O conhecimento é construído pelo aluno auxiliado pelo professor. Grécia respirava democracia, o conceito de cidadania também surge nesse momento. A democracia perdeu para a república romana. Com os romanos, a partir do século IV, a igreja emerge como novo centro de poder. Na idade média o centro do poder passa para a igreja, na filosofia escolástica - justamente de onde deriva a palavra escola. Nesse momento o conhecimento torna-se algo de acesso controlado. Surge o método medieval onde os professores falam e alunos ouvem, não existe diálogo. As longas preleções tornam-se a principal estratégia pedagógica. Ao final da Idade Média, em 1453, surge a Idade Moderna. Com Inácio de Loiola (1491 – 1556) surge o ratio studiorium (1599) o primeiro projeto pedagógico de curso (PCC). Considerava-se: · A preleção como centro da didática. · Graus e pré-requisitos – 1- retórica, 2- humanidades, 3- gramática superior, 4- gramática média A, 5- gramática média B, 6- gramática inferior A, 7- gramática inferior B. · Primeiro as letras latinas gregas, depois as ciências. O conceito de matriz curricular, divisão de disciplinas, pré-requisitos e sequência surgem com o ratio studiorium no século 16. Com René Descartes, no século 17 (1596 – 1650), surge o pensamento concreto, chamado depois, de cartesiano, em sua homenagem. Nesse método, a educação deve evoluir do simples ao complexo, aponta que o currículo deve ter um ciclo básico, um intermediário e um avançado, e que as disciplinas devem possuir um encadeamento lógico e casual entre si. Até hoje, essa é a base da maioria dos currículos, paradigma cartesiano. Esse quadro resume, de maneira clara, a existência de 2 modelos educacionais frutos de evolução histórica. Durante a idade média, no oriente médio, a cultura e intelectualidade floresciam. Desde a expansão dos árabes, no século 7, com Maomé, atingiram um auto grau de desenvolvimento, criaram bibliotecas e traduziram textos gregos clássicos, de Platão e Aristóteles para o árabe. Quando iniciaram as cruzadas, no século 11, os europeus se depararam com uma cultura muito mais avançada. Não foi apenas um movimento bélico, mas também de intensa troca cultural. Com o Renascimento (sécs. XV – XVI), surge uma nova estética de arte, literária e de pensamento. John Amos Comenius (1592 – 1670), no século 17, foi um dos primeiros críticos do modelo de ensino baseado na transmissão de conteúdos, o qual achava excessivo e ineficiente. “É necessário desenvolver um método de ensino em que os professores lecionem menos para que os alunos possam aprender mais”. No século 18 surge o Iluminismo, o homem não precisa mais estar preso aos dogmas da Igreja. Immanuel Kant (1724 – 1804) traz um pensamento que se torna a base do pensamento de vários educadores, que é “Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da sua própria razão!” Jean-Jacques Rousseau (1721 – 1778) apresenta um novo conceito de educação, onde o aluno constrói seu conhecimento a partir da interação, do uso das palavras construir surge o método construtivista, do qual Rousseau é precursor. “A educação deve levar o homem a agir por interesses naturais e não por imposição de regras exteriores e artificiais, pois só assim o homem poderia ser dono de si”. “A pessoa constrói sua personalidade interagindo com os outros, trocando reconhecimento e aprovação, indiferença e rejeição. O tutor precisa assegurar que o aluno interaja com outros que valham a pena”. Com tanta efervescência intelectual e vontade de romper com o modelo intelectual da idade média, o pensamento libertário chegou na política. No século 19, início do século 20, Mark Twain (1835 – 1910) surge com sua visão de ensino “não deixe a escola interferir com a sua educação”. No fim do século XIX, início de XX, surgem uma série de pensadores com novas ideais sobre modelos pedagógicos. John Dewey (1859 – 1952) defendia que os professores deveriam vincular o desenvolvimento intelectual aos interesses dos alunos. Para ele, a educação é a construção e reorganização de experiências que acrescentam significado e ampliam as habilidades dos alunos. “Precisamos fazer de cada uma de nossas escolas o embrião e uma vida comunitária, ativa, com tipos de ocupação que reflitam a vida de uma sociedade maior e permeada com o espírito da arte, da história e da ciência”. Após Dewey, vários pensadores propuseram métodos educacionais inovadores na educação, todos eles colocando o aluno como centro do processo de aprendizagem. No Brasil, a partir do início do século XX surgem pensadores propondo modelos alternativos, como Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira. Nessa ova concepção de escola, que é uma reação contra as tendências exclusivamente passivas, intelectualistas e verbalistas da escola tradicional, a atividade que está na base de todos os trabalhos é a atividade espontânea, alegre e fecunda, dirigida à satisfação das necessidades do próprio indivíduo. Mesmo em tempos mais recentes, com Paulo Freire e Rubem Alves, por exemplo, encontra-se elementos de ruptura com o método tradicional, com fundamentos iluministas. No século 19 e 20 uma série de educadores propuseram uma série de métodos educativos, todos sendo classificados como pensadores da Escola Nova, que representa uma oposição ao modelo escolástico medieval, cuja característica principal é o resgate da escola em modelo grego, baseado na dialética. “Nada dura, exceto as mudanças” (Heráclito de Éfeso, 540 AC – 470 AC)