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Medicina - 6º Semestre - Ana Paula Cuchera e Eduarda Costa Profº Carlos Lopes 28 de ago. de 2023 Introdução OBS! Existem fraturas que só ocorrem em criança - Tocotrauma ortopédico ● Trauma de parto - Abuso físico infantil ● Síndrome da criança espancada Tocotrauma - Incidência (?): ● Aproximadamente 2% nascidos vivos - Causas: ● Macrossomia → peso ao nascer maior que 4 kg em lactente a termo ● Distócia de ombro → quando tem falha na liberação do ombro do bebê ● Apresentações anômalas → quando a criança está na posição errada OBS! Região mais grave: região do ombro, pois é onde mais força para tirar a criança - Fraturas: ● Clavícula (95%) - úmero - fêmur ○ Manobra para puxar pelo pé às vezes quebra o fêmur - Lesões de plexo braquial: ● Quando não quebra mas faz um estiramento principalmente das raízes altas ● Paralisia Obstétrica ● Função da mão fica preservada, mas nao meche ombro e cotovelo ● Fratura de clavícula na criança percebe-se uma crepitação dos dois fragmentos ósseos raspando ● Além de dor nos movimentos → diagnóstico diferencial da lesão de plexo (nesse não há dor, não move porque atingiu o nervo) OBS! Consolidação óssea → quanto menor a idade, melhor a consolidação - Imagem: ● Imagem 1: Dor movimentos ausência movimentos ○ Diferente do plexo braquial, que às vezes tem que operar. Se o cotovelo não volta a mover, torna-se um braço inútil. ● Imagem 2: Curado em 10 dias normalmente sequela 1 Criança Espancada - Caffey 1964 – lactentes: ● Hematoma subdural + fratura de ossos longos ● Lactente não anda, então tem que estranhar uma fratura de cabeça por exemplo - 30% fraturas em crianças menores 2 anos é síndrome da criança espancada - Fratura do fêmur em crianças menores 1 ano ● Pois a criança não anda, como quebra o fêmur? ● Necessário levantar suspeita e pedir para investigar, até que prove o contrário OBS! Agressores - próprios pais /cuidadores - Desconfiar sempre que: ● História estranha → história incompatível com a lesão ● Pais muito nervosos ● Pele – despir a criança e procurar escoriações, equimoses e hematomas ● Ossos – fratura abaixo 2 anos / fêmur abaixo 1 ano (osso difícil de quebrar e criança não anda) ● Raio x total → para ver se tem fraturas de vários estágios consolidação OBS! Assistente social – conselho tutelar - Se for de noite, interna a criança até conseguir acionar os órgãos responsáveis OBS! Lembrar de sinais de mordida, apagar cigarro, beliscão, etc. Fraturas Na Criança - Fratura - Contusão - Luxação - Entorse - Anatomia: ● Anatomia ○ Periósteo ○ Composição óssea (FRATURAS ESPECIAIS) ○ Velocidade de consolidação ○ Capacidade de remodelação ● Problemas diagnósticos ● Lesões fisárias ● Tratamento 2 OBS! As características anatômica é o que diferencia a criança do adulto e justifica ter fraturas especiais, que só ocorrem nelas - Periósteo ● Membrana que envolve o osso onde chegam os músculos ● É uma estrutura muita ativa e grossa (faz o osso crescer em largura e grossura). ● Dificilmente se rompe circunferencialmente ○ Às vezes há uma fratura no osso e não rompe o periósteo, o que pode ser bom que usa esse para fazer a dobradiça de redução ● A criança é menos aderido a cortical ○ Grandes “pontes ósseas na consolidação ○ Impede grandes desvios nas fraturas: os dois fragmentos não ficam soltos como no adulto em grandes desvios ○ Por estar produzindo o osso, é mais solto e assim vê grandes calos ósseos nas fraturas, isso quando o periósteo é muito ativo (mais ativo que em adultos) ● Biologicamente mais ativo ○ Produz grande quantidade de osso rapidamente ○ Composição óssea da criança temmais fibrocartilagem, osso trabecular, cartilagens ainda em formação (mais elástico que do adulto), isso confere mais resistência do que do adulto, até porque dureza não é resistência - Composição óssea: 1- Fratura em galho verde: ● Uma cortical rompe (região convexa) e a outra cortical amassa, como se fosse quebrar um galho verde. ● Exemplo: imagem abaixo → exemplo de cortical só amassada e a outra rompida 3 ● Não existe esse tipo de fratura em adulto ● Essa fratura é boa para redução ● Tratamento: redução e gesso bemmoldado, pois pode voltar a deformidade dentro do gesso, ou romper a parte amassada na hora da redução que assim as duas partes ficam equilibradas ● Fácil de reduzir e rápido. Podendo ser anestesia local ou não 2- Fratura Subperiosteal (torus): ● Uma cortical inteira e a outra amassada ● Tratamento: imobilização sem necessidade de redução OBS! A fratura em galho verde é mais grave 3- Deformidade plástica: ● Osso amassa as duas corticais e não quebra nenhuma, osso elástico é submetido a um impacto suave por bastante tempo ● As duas corticais entortaram e nenhuma quebrou (sem fratura) 4 ● Mais rara ● Para reduzir, tem que colocar no lugar até desentortar (sob anestesia) ou até mesmo quebrar - Tratamento cirúrgico - TEN titânio elástico e neil ● Coloca dentro do ossos preservando as áreas de crescimento ● Galho verde geralmente não precisa disso OBS! A fratura de fêmur sempre é cirúrgica. Pois o gesso para ficar seguro precisa imobilizar as duas articulações extremas - Pino em adulto geralmente não tira, em criança tira 5 Consolidação - Consolidação: cura da fratura ● Quanto mais próximo da fise, mais rápido cura ● Não consolidar é raro na criança - Fratura de fêmur em criança RN: formação de grande massa de osso, demora 3 semanas OBS! No adulto essa consolidação leva cerca de 4 meses - Úmero proximal com fratura completa → formação de ponte de osso: - Formação de calo ósseo: 6 Remodelação - Remodelação → é um processo fisiológico que permite a manutenção da resistência óssea através de sua "auto-modelagem", de acordo com as solicitações mecânicas a que o osso é submetido - Maior remodelação : ● Menor idade ● mais perto da fise ● no plano de maior movimento das articulações adjacentes OBS! Além de remodelar o calo ósseo em si, a criança consegue remodelar as inclinações e desvios → quando menor, maior essa capacidade - 2 mecanismos: ● Crescimento fisário assimétrico ○ Tensão da inserção muscular ● Aposição / Reabsorção - Imagem: Lado côncavo a musculatura mais frouxa e do lado convexo ficou mais esticado, a fise percebe isso e vai crescer mais e mais rápido para o lado que ficou encurtado do que o lado tenso. No local da fratura deposita osso no lado côncavo e reabsorve do lado convexo. - Exemplo: OBS! Com 1,5 anos não é possível diferenciar o lado que teve a fratura com o lado normal 7 ● Punho torto e consolidado (última foto) - Sobrecrescimento → é possível o osso crescer mais do lado que quebra do que o lado que não quebrou (pois aumenta as fibras) ● Depende da idade ● Ocorre devido ao aumento de fluxo sanguíneo decorrente da fratura, hiperestimulado às fises do osso envolvido; ou osso adjacente. ● Mais exuberante no fêmur Diagnóstico - Região meta-epifisária-cartilaginosa ● O problema do diagnóstico são essas regiões, pois a cartilagem deixa difícil de ver - Na dúvida – Rx contralateral ● Fazer em outra posição para ver se acha o local - TC / RNM OBS! Clínica é soberana - Fraturas diafisárias não tem problemas porque é só osso, fácil de ver Lesão fisária - Fise de crescimento - ossos longos: ● Sentidos da epífise para metafise ● Tem uma camada com células de repouso, que está perto da epífise ● Depois tem uma camada onde tem divisão celular e essa depois recebe matriz intercelular ● Essa camada vai receber matriz intercelular ○ Células estão mais distantes, sendo a região mais frágil ● Primeiro divide depois matriz ● Por último recebe calcificação ○ Forma uma camada a mais de osso ● Lâmina mas de osso → osso cresce 8 - Listese → nao tem fratura, um escorregamento - Anatomia da fise: - Listese → nao tem fratura, um escorregamento ou deslizamento - Classificação da Lesão fisária → Salter e Harris (1963) e Rang (1969) - Tipo 1: ● Afeta apenas a região fisária, como resultado de forças de avulsão. ● Não há envolvimento da metáfise ou do núcleo de ossificação epifisário, émais frequente em crianças menores de 5 anos. ● Radiologicamente, manifestam-se como deslocamento da epífise em relação à metáfise, aumento do volume dos tecidos moles vizinhos e ausência de fratura demonstrável na respectiva metáfise ou epífise. ● Está associada a bom prognóstico, independentemente do local afetado ● Caiu de mão espalmada, epífise do rádio teve desvio dorsal e saiu o chapéu do punho ● Tratamento manobra de redução 9 - Tipo 2: ● As lesões do tipo II são as mais comuns. ● Nesse caso, a fratura também ocorre pela fise, mas se estende até a metáfise, geralmente com fragmento metafisário de tamanho variável (fragmento de Thurston Holland). ● Pelo menos 50% dessas fraturas envolvem o rádio distal e a redução é geralmente direta, e pode resultar em encurtamento mínimo na maioria dos casos, exceto no joelho e tornozelo ● Epífise saiu da metafise e levou um pedaço da metáfise ● Necessário boa redução - Tipo 3: ● A fratura do tipo III é um dos tipos mais grave. ● Apresenta uma característica vertical que se estende horizontalmente na placa de crescimento, com envolvimento da epífise, e atinge a superfície articular. ● Não há acometimento da metáfise. ● É uma lesão rara e com frequente necessidade de redução cirúrgica para o restabelecimento anatômico da superfície articular e da própria fise ● Fise lesou na camada hipertrófica e o traço correu para a articulação/epífise, e assim afetou a camada germinativa. ● Comum em tornozelo e falange 10 - Tipo 4: ● Fratura que compromete a metáfise, atravessando a fise e a epífise, até a articulação. ● É secundária a uma força de compressão que atravessa toda a zona de crescimento. ● Os locais mais comuns são o côndilo lateral do úmero e a tíbia distal. ● Essa lesão geralmente requer redução aberta para reduzir os fragmentos a uma posição anatômica. ● Como sequela, pode ocorrer encurtamento ou angulação do membro, ocorrendo commais frequência no joelho ou tornozelo ● Fraturas que pegam tanto epífise quanto a metáfise, cruza as duas Tratamento - Lise → ocorre na camada hipertrófica 11 - Tipos I e II → tratamento incruento se possível ● Reduzir e colocar gesso ● Tipo I → engessa do sentido contrário para que a fise fique em cima da metáfise ● Tipo II → faz tração para trazer para o lugar e passar um parafuso para manter no lugar - Tipos III e IV → necessitam redução anatômica ● Geralmente cirúrgico ● Necessita, de redução anatômica ● Tenta reduzir certinho e passa um parafuso só epífise com epífise, sem passar parafuso na fise ● O parafuso é guiado por um fio - o fio vai ser para guiar, passa ele no osso até ficar no lugar certinho e só depois passa o parafuso - Tipos V e VI → diagnóstico tardio ● Fechamento fisário prematuro (parcial ou total) - acabou a fise antes da hora OBS! Se colocar na fise, cresce torto o local e precisa acompanhar para ter certeza que não ficará torto 12