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1 2 3 INDÍCE 1. ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO 1.1. Conceitos centrais 1.2. Influências e processos no desenvolvimento 1.3. Teorias do desenvolvimento 1.4. Métodos de investigação 2. DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL E O RECÉM-NASCIDO 2.1. Desenvolvimento pré-natal: os três estádios 2.2. Competências do recém-nascido 2.3. Desenvolvimento do cérebro 3. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA (DOS 0 AOS 2 ANOS) 3.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 3.2. Desenvolvimento cognitivo 3.2.1. Pensamento sensório-motor 3.2.2. Linguagem 3.2.3. Atenção e memória 3.3. Desenvolvimento emocional e social 3.3.1. Expressão e compreensão emocional 3.3.2. Vinculação 3.3.3. Temperamento 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 4. O DESENVOLVIMENTO DOS 2 AOS 6 ANOS 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 4.2. Desenvolvimento cognitivo 4.2.1. Pensamento pré-operatório 4.2.2. Origem social da aprendizagem: participação dirigida 4.2.3. Linguagem 4.2.4. Atenção e memória 4.2.5. Funções executivas 4 4.2.6. Teoria da mente 4.2.7. Jogo simbólico 4.3. Desenvolvimento emocional e social 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade 4.3.3. Desenvolvimento moral 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico. 4.3.5. Sexualidade infantil 5. AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL 5.1. Apresentação sumária de instrumentos de avaliação 5.2. SGS-II ― Escala de Avaliação das Competências no Desenvolvimento Infantil 5 6 1. ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO Estudo científico do desenvolvimento humano ao longo do ciclo vital, procurando identificar e descrever os processos de mudança e de estabilidade. Pretende, assim: 1. Explicar as mudanças, que numa certa relação com a idade, ocorrem ao longo do desenvolvimento; 2. Estudar as caraterísticas que permanecem relativamente estáveis; 3. Predizer os fenómenos psicológicos. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO 11 Tipos de mudanças desenvolvimentais: ü Quantitativas: mudança no número ou quantidade ex: altura, peso, extensão do vocabulário; etc. ü Qualitativas: mudança no tipo, estrutura ou organização ex: período sensório-motor para pré-operatório; comunicação não verbal para comunicação verbal 12 1. O estudo do desenvolvimento humano 7 13 1. O estudo do desenvolvimento humano Mudanças normativas: processos aplicáveis a todos os seres humanos ou a um grupo deles – ex: idade, puberdade, idade de alfabetização nas sociedades ocidentais, … Mudanças não-normativas: processos aplicáveis apenas a alguns indivíduos – ex.: gravidez na adolescência, morte precoce do pai e/ou mãe, viuvez precoce, ganhar o euromilhões,… 14 1. O estudo do desenvolvimento humano Domínios do desenvolvimento: » Físico e psicomotor: desenvolvimento corporal, cerebral, das habilidades sensoriais e motoras, assim como a saúde. » Cognitivo: desenvolvimento das capacidades mentais, como por ex. memória, atenção, linguagem, pensamento, criatividade. » Psicossocial: desenvolvimento da personalidade, as emoções e as relações sociais. ø Encontram-se interligados. 8 15 1. O estudo do desenvolvimento humano Períodos do desenvolvimento: Divisão arbitrária e aproximada do desenvolvimento por fases para melhor identificação e estudo – infância, adolescência, idade adulta, velhice. baseadas numa construção social » várias divisões propostas. » influência da cultura e do tempo histórico. 16 1. O estudo do desenvolvimento humano Sincronia e heterocronia do desenvolvimento: » os modelos clássicos, defendendo a sincronia, descrevem os processos de desenvolvimento em ESTÁDIOS. Esta perspetiva pressupõe 4 aspetos : 1. Que há mudanças qualitativas ao longo do desenvolvimento. Cada degrau é um estádio; 9 17 1. O estudo do desenvolvimento humano 2. Que no interior de cada estádio, os conteúdos são bastante homogéneos - desenvolve-se de maneira sincrónica; 3. Que a sequência de estádios é sempre a mesma e que tende a ocorrer de acordo com uma cronologia previsível; 4. Que os estádios superiores supõe a superação e a integração das conquistas do precedente. 18 1. O estudo do desenvolvimento humano » Modelos posteriores preconizam que os fenómenos psicológicos não se caracterizam por um desenvolvimento SINCRÓNICO, mas são INDEPENDENTES E HETERÓCRONOS. 10 19 1. O estudo do desenvolvimento humano Investigações transculturais: a universalidade das sequências de desenvolvimento só é fácil de demonstrar em grupos de idades próximas do nascimento (quando a influência da maturação é forte). À medida que o desenvolvimento avança, intensificam-se as discrepâncias entre as crianças de uma cultura a outra. E com maior expressão na idade adulta. 20 1. O estudo do desenvolvimento humano » A maioria dos autores contemporâneos refere que o desenvolvimento é sincrónico em determinados domínios ou conjunto de conteúdos (diferentes aspetos da linguagem), mas heterocrónico entre uns domínios e outros (entre linguagem e memória). 11 21 1. O estudo do desenvolvimento humano 1. É possível predizer o desenvolvimento de um indivíduo se conhecemos o seu desenvolvimento num momento anterior? (Mudança X Continuidade) 2. É possível uma pessoa libertar-se do seu passado, particularmente se este foi adverso? (Irreversibilidade X Recuperação) Continuidade e descontinuidade do desenvolvimento: 22 1. O estudo do desenvolvimento humano Mudança: ser humano é aberto a muitas influências de circunstâncias diversas. Continuidade: observa-se quando se comparam idades próximas e conteúdos semelhantes; ex.: padrão de vinculação, habilidades sociais e alguns conteúdos cognitivos apresentam uma certa continuidade ao longo do tempo. 12 23 1. O estudo do desenvolvimento humano FATORES QUE INTERFEREM COM A CONTINUIDADE 1.Princípio de Acentuação Alguns traços são ampliados por situações stressantes Ex: pessoas irritadas ficam ainda mais irritadas se perdem o emprego, filho com problemas, etc. 2. Pontos de Inflexão São experiências ao longo da vida que desviam o indivíduo da sua trajetória evolutiva prévia. 24 1. O estudo do desenvolvimento humano Em conclusão: Somos abertos à mudanças MAS tendemos a ser iguais a nós mesmos ao longo da vida (sobretudo quando falamos de espaços de poucos anos) Esta conclusão ajuda a resolver a segunda pergunta: 13 25 1. O estudo do desenvolvimento humano Os estudos demonstram que não existem momentos mágicos do desenvolvimento: PARA BEM de uns porque se a criança vive uma infância marcada por experiências adversas pode encontrar momentos de inflexão. PARA MAL de outros porque uma infância feliz não impede adversidades psicológicas posteriores. 26 1. O estudo do desenvolvimento humano A respeito de uma experiência concreta mais do que precisar a IDADE CONCRETA em que ocorreu importa saber QUE IMPACTO teve sobre a trajectória anterior e que GRAU DE ESTABILIDADE manteve-se ao longo do tempo. A ESTABILIDADE MARCA MAIS QUE A SUA PRECOCIDADE 14 27 1. O estudo do desenvolvimento humano Porque é que se torna difícil responder se na nossa trajetória evolutiva predominam mais os elementos de descontinuidade ou continuidade? - Depende das características pessoais (idade, meio social de proveniência) - Momento evolutivo (infância, início da adolescência, maturidade) - Tipo de experiências 15 1.1. Conceitos Básicos » Ciclo vital: todo o período da vida humana, i.e. desde a conceção até àmorte. » Idade : um dos períodos que utilizamos para dividir o desenvolvimento humano. Algumas mudanças psicológicas dão-se em idades precisas. Porque? 28 1.1. Conceitos básicos » Maturação: sequência de mudanças universais geneticamente determinadas, como por ex. andar, falar, puberdade (em termos de etapas, uma vez que os ritmos diferem), em direção à maturidade. 29 1.1. Conceitos básicos QUANTO MAIS PERTO DO NASCIMENTO MAIS PREVISÍVEIS SÃO AS MUDANÇAS DEPENDENTES DA MATURAÇÃO. 16 » Cultura: modo de vida de um grupo ou sociedade, com todo um conjunto de costumes, tradições, crenças, valores, leis, linguagem, artefactos, etc., aprendidos, compartilhados e transmitidos entre os membros. 30 1.1. Conceitos básicos ø processos psicológicos variam de cultura para cultura. ø relativamente permeável à mudança. 31 1.1. Conceitos básicos » Contexto histórico: período do tempo em que as pessoas vivem e crescem. ø influencia comportamentos e vivências psicológicas, p. ex. escolaridade obrigatória, adolescência, reforma. » Subgrupos sociais: quanto complexa a sociedade, maior a existência de subgrupos 17 32 1.1. Conceitos básicos » Contextos sociais: o sujeito desenvolve-se num conjunto de sistemas sociais, nomeadamente família, amigos, comunidade e sociedade, que se influenciam mutuamente. Bronfenbrenner e a teoria dos sistemas ecológicos: desenvolvimento depende da interação do indivíduo um sistema de estruturas agrupadas, independentes e dinâmicas. 33 1.1. Conceitos básicos » Nível socioeconómico (NSE): estrato social determinado por fatores económicos e sociais, p. ex. rendimentos económicos, educação, profissão; habitualmente dividido em superior, médio e inferior. ø Impacto no desenvolvimento Fatores de risco Fatores protetores 18 34 1.1. Conceitos básicos » Características individuais : características únicas presentes ao longo de todo o processo de desenvolvimento, que tornam o indivíduo idiossincrático. » Período sensível: momento do desenvolvimento em que a pessoa está particularmente recetiva e reativa a determinadas experiências. 19 Leituras Obrigatórias (Aula 1) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 1 - “O estudo do desenvolvimento humano: conceitos básicos” (pp.37- 39); “Hereditariedade, ambiente e maturação” e “Contextos do desenvolvimento” (pp.42-47); “Influências normativas e não normativas” (pp.47-48); Capítulo 2 - “Questão 2: o desenvolvimento é contínuo ou descontínuo?” (p.58). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 1 - “Introduction to Developmental Psychology” (pp.4-10); “The Cross- Cultural Design” (pp.25-26); “Themes in the Study of Human Development” (pp.37-43). 20 1.2. Influências e processos no desenvolvimento 3 1.2. Influências no desenvolvimento Hereditariedade? Meio? 4 1.2. Influências no desenvolvimento Hereditariedade? Meio? 21 5 1.2. Influências no desenvolvimento Hereditariedade: conjunto de caraterísticas inatas, herdadas pelos pais biológicos. ø segundo os seus defensores, todos os traços psicológicos são transmitidos pelos genes de geração em geração - a inteligência e a personalidade são herdadas. Exemplo: Henry Goddard (1912) e as conclusões sobre a família Kallikak 6 1.2. Influências no desenvolvimento » Condicionamento clássico – Pavlov Meio: conjunto de condições ambientais, de aprendizagem, estimulação e educação que influenciam o desenvolvimento. ø segundo os seus defensores, não há nenhum plano hereditário para o desenvolvimento . Somos fruto do meio. » Empirismo de Locke: criança nasce um tábua rasa. 22 7 1.2. Influências no desenvolvimento » Condicionamento operante de Skinner - representante mais significativo do behaviorismo ou comportamentalismo. Reforço positivo: estímulo serve para manter ou fortalecer a resposta (busca do prazer); Reforço negativo: estímulo que quando eliminado põe fim a uma situação desagradável (fuga à dor). 8 1.2. Influências no desenvolvimento Konrad Lorenz (Viena – 1903): etologista (estuda os animais no seu habitat natural) e prémio Nobel da medicina em 1973. Estudo gansos Interacionismo: o desenvolvimento é determinado quer por fatores hereditários, quer por fatores inerentes ao meio ambiente. 9 1.2. Influências no desenvolvimento » Lorenz estudou e compreendeu o código de comunicação de diferentes espécies animais e aprendeu a imitar esses códigos; » verificou que nas primeiras horas de vida determinados organismos ficarão cunhados aos primeiros objetos móveis no seu campo visual, i.e., nas primeiras horas de vida seguem o primeiro objeto móvel que se lhes apresenta. ò IMPRINTING (cunhagem) 23 1.3. Teorias do desenvolvimento 10 1.2. Influências no desenvolvimento O comportamento através do processo de cunhagem depende tanto da hereditariedade como de um acontecimento no meio da vida de um organismo que tem consequências permanentes (Lorenz, 1949). 1.3. Teorias do desenvolvimento Perspetiva Psicanalítica: » estudo da formação e desenvolvimento da personalidade; » importância do inconsciente; » perturbações do desenvolvimento e emocionais poderão ser explicadas por experiências traumáticas reprimidas na infância. Sigmund Freud (1856-1939): teoria do desenvolvimento psicossexual – 5 estágios » o desenvolvimento intrapsíquico é de natureza conflitual e é determinado pela forma como os conflitos específicos a cada etapa do desenvolvimento são resolvidos. 1.3. Teorias do desenvolvimento Na procura de classificar, explicar e interpretar o comportamento humano surgem modelos ou teorias. Conjunto de conhecimentos e de princípios, organizados de forma a estudar e interpretar fatos psicológicos e orientar a investigação. 11 As diferentes teorias enquadram-se em cinco perspetivas: » Psicanalítica » Aprendizagem » Cognitiva » Sociocultural » Evolutiva/sociobiológica 24 1.3. Teorias do desenvolvimento » importância dos pensamentos, sentimentos e motivações inconscientes; » papel das experiências infantis na formação da personalidade e das representações mentais do eu e dos outros na formação dos relacionamentos íntimos; Erik Erikson (1902 - 1994) : teoria do desenvolvimento psicossocial – 8 estágios. » importância do social no desenvolvimento; » chamada de atenção para o desenvolvimento ao longo do ciclo vital » existência de crises ou tendências conflituantes ou concorrentes. 1.3. Teorias do desenvolvimento Perspetiva da aprendizagem: » Desenvolvimento resulta da aprendizagem, nomeadamente da experiência ou adaptação ao meio. Teoria behaviorista ou comportamentalista: centra-se no comportamento observável de uma resposta previsível à experiência. Pavlov (1849- 1936), Watson (1878-1958): condicionamento clássico. Skinner (1904-1990): Condicionamento operante - reforço (positivo e negativo) e punição. 1.3. Teorias do desenvolvimento Bandura (1925-): teoria da aprendizagem social » aprendizagem ocorre por observação, imitação de modelos (pessoa popular, comportamento recompensado), autoeficácia; » determinismo recíproco: o sujeito atua no mundo e o mundo no sujeito – influência bidirecional. Perspetiva cognitiva: » centra-se na relação entre processos de pensamento e comportamento e na construção de conhecimento. 25 Vygotsky (1896-1934): teoria sociocultural - influência do social e cultural no desenvolvimento cognitivo. » este resulta de um processo colaborativo entre crianças e adultos (atividades compartilhadas) - primeiro há aprendizagem entre pessoas e depois essa aprendizagem é internalizada; » crianças aprendem na interação social; » conceitos importantes : zona de desenvolvimentoproximal, participação dirigida, andaime e funções psicológicas inferiores e superiores. 17 1.3. Teorias do desenvolvimento Piaget (1896- 1980) - teoria de desenvolvimento cognitivo: » as crianças tentam naturalmente dar sentido ao mundo e revêm a sua perspetiva pela experiência; » as operações mentais desenvolvem-se do comportamento reflexo ao pensamento lógico e abstrato – maturacional » 4 estádios universais com operações mentais distintas. 16 1.3. Teorias do desenvolvimento Teoria de Processamento de informação: centra-se no estudo dos processos mentais envolvidos na perceção e manipulação da informação. - mente como um computador: hardware (memória) e software (codificação da informação) - estudo do processo entre a receção de um estímulo e a resposta, descortinando a velocidade, complexidade e eficiência dos mecanismos em jogo. Perspetiva contextual: Importância do contexto histórico, social e cultural no desenvolvimento » Vygotsky pode ser também incluído nesta perspetiva. 18 1.3. Teorias do desenvolvimento 26 Perspetiva evolutiva/sociobiológica: estudo das bases biológicas e evolutivas do comportamento. » compreende a antropologia, a ecologia, a genética, etologia e a psicologia evolutiva. Teoria epigenética » interação entre genes e ambiente » fatores que afetam a expressão genética 20 1.3. Teorias do desenvolvimento Bronfenbrenner (1917- 2005): teoria ecológica » o desenvolvimento é inseparável do contexto em que ocorre, sistemas e processos proximais; » os sistemas ecológicos promovem ou inibem o crescimento do sujeito; » para compreender um indivíduo temos de conhecer os sistemas onde se insere, desde a família à cultura. 19 1.3. Teorias do desenvolvimento 27 Leituras Obrigatórias (Aula 2) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 1 - “Influências no desenvolvimento” (pp. 39-42); “Cronologia das influências: períodos críticos ou sensíveis” (pp. 48-49); Capítulo 2 - “Perspetivas Teóricas” (pp. 58-69). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 2 - “Hereditary Influences on Development” (pp.45-55); “Hereditary Disorders” (56-64); “The Ethological and Evolutionary Viewpoints” (78-85). 28 1.4. Métodos de Investigação Uma disciplina científica é definida conjuntamente pelo seu(s): Þ objeto Þmétodos 1.4. Métodos de investigação 1. Hipótese 2. Método 3. Técnica * Experimentação * Observação Técnicas matemáticas de análise dos dados Análise de conteúdo, Análise temática, etc. 4. Interpretação dos resultados Abordagem longitudinal / Abordagem transversal Representatividade da amostra ò Elaboração de Teorias Científicas (constituição de sistemas explicativos plausíveis). ò Especificação de novas relações entre os elementos da teoria ò Movimento de vai-e-vem entre a investigação empírica e a teorização - a construção gradual e contínua do conhecimento. 1.4. Métodos de investigação 30 OS PARADIGMAS EXPERIMENTAIS UTILIZADOS NO BEBÉ: Toda a experimentação utiliza um procedimento de apresentação sequencial dos estímulos e de recolha das respostas. Alguns procedimentos mais utilizados: q Tempo de fixação relativo - avaliação das capacidades discriminativas dos bebés; 1.4. Métodos de investigação (vídeo) 11 q Condicionamento - procura-se investigar se poderão ser estabelecidos condicionamentos, utilizando todos os tipos de respostas reflexas (sucção, movimentos do corpo, ...) e dos estímulos condicionados positivos ou aversivos (sons, luzes,...) 1.4. Métodos de investigação (vídeo) 31 1.4. Métodos de investigação q Método da preferência: estudo das habilidades percetivas dos bebés - apresentação de 2 (ou +) estímulos e a observação de quais os estímulos que o bebé prefere. ❚ Figure: The looking chamber that Fantz used to study infants’ visual preferences. ❚ Figure: An EEG cap is used to place electrodes around the baby’s head to record electrode activity at appropriate places on the baby’s brain. q Potenciais evocados: estudo das mudanças no padrão das ondas cerebrais no momento em que o bebé deteta (ou sente) um estímulo. (vídeo) 1.4. Métodos de investigação q Sucção de alta amplitude: Método da preferência: avaliação das taxas de sução na sequência de apresentação de estímulos. q Habituação - quando um estímulo é apresentado de forma repetida, o interesse que provoca no início decresce progressivamente - esta evolução temporal das reações aos estímulos tem um valor adaptativo (vídeo). Alguns métodos de observação da vida fetal: o Ultra-som ou ecografia (2D, 3D e 4D) 1.4. Métodos de investigação o Amniocentese 32 Alguns métodos de observação da vida fetal (cont.): o Amostragem do cordão umbilical 1.4. Métodos de investigação o Teste sanguíneo materno 33 34 2. DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL E O RECÉM-NASCIDO 2.1. Desenvolvimento Pré-natal 2. DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL E O RECÉM-NASCIDO Gravidez - período de 38 a 42 semanas de gestação de um ser humano, i.e. da conceção ao parto, caracterizado por uma série de transformações profundas em termos físicos para mãe e psicossociais para ambos os pais e restantes familiares. Os meses de preparação para o nascimento afetam: - a identidade pessoal dos pais; - a sua perspetiva emocional e a relação conjugal; - a relação com os próprios pais e - com o resto do mundo. PARENTALIDADE - projeto a longo prazo que ultrapassa a gravidez, no qual os pais assumem a prestação de cuidados pelo novo ser, implicando este processo uma entrega pessoal, dádiva de amor, partilha, interesse e responsabilidade. 2. DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL E O RECÉM-NASCIDO 2.1. Desenvolvimento pré-natal Gestação : três estádios ü germinal (zigoto) – primeiras 2 semanas ü embrionário (embrião) – das 2 às 8 semanas ü fetal ( feto) – a partir das 8 semanas O desenvolvimento segue dois princípios: ü céfalo-caudal ü próximo-distal céfalo-caudal próximo-distal 35 98 PART TWO Biological Foundations of Development Let’s look more closely at the !rst principle from the list because it is very impor- tant. Each major organ system or body part has a sensitive period when it is most sus- ceptible to teratogenic agents, namely, the time when that particular part of the body is forming. Recall that most organs and body parts are rapidly forming during the period of the embryo (weeks 3 through 8 of prenatal development). As we see in ! Fig ure 3.5, this is precisely the time—before a woman may even know that she is pregnant—that most organ systems are most vulnerable to damage. The most crucial period for gross physi- cal defects of the head and central nervous system is the 3rd through the 5th prenatal week. The heart is particularly vulnerable from the middle of the 3rd through the middle of the 6th prenatal week; the most vulnerable period for many other organs and body parts is the 2nd prenatal month. Is it any wonder, then, that the period of the embryo is often called the critical phase of pregnancy? Once an organ or body part is fully formed, it becomes somewhat less susceptible to damage. However, as Figure 3.5 also illustrates, some organ systems (particularly the eyes, genitals, and nervous system) can be damaged throughout pregnancy. Sev- eral years ago, Olli Heinonen and his associates (Heinonen, Slone, & Shapiro, 1977) concluded that many of the birth defects found among the 50,282 children in their sam- ple were anytime malformations—problems that could have been caused by teratogens at any point during the 9-month prenatal period. So it seems that the entire prenatal period could be considered a sensitive period for human development.sensitive period a period during which an organism is most susceptible to certain environmental in!uences; outside this period, the same environmental in!uences must be much stronger to produce comparable effects. • Indicates common site of action of teratogenUsually not susceptible to teratogens Period of dividing zygote, implantation Heart Eye Eye Ear Ear Brain Palate External genitalsArm Leg TeethHeart Central nervous system 1 2 3 4 5 6 7 8 9 16 20–36 38 Embryonic period (in weeks) Prenatal death Major structural abnormalities Physiological defects and minorstructural abnormalities Fetal period (in weeks)—full term External genitals Teeth Legs Arms Central nervous system Heart Palate Ear Eyes ! Figure 3.5 The critical periods of prenatal development. Each organ or structure has a critical period when it is most sensitive to damage from teratogens. The dark band indicates the most sensitive periods. The light band indicates times that each organ or structure is somewhat less sensitive to teratogens, although damage may still occur. Adapted from Before We Are Born, 4th ed., by K. L. Moore & T. V. N. Persaud, 1993, p. 89. Philadelphia: Saunders. Adapted with permission of the author and publisher. 2.1. Desenvolvimento pré-natal Alguns exemplos: » medicamentos (ex.: talidomida, misoprostol, ácido retinóico,…); » doenças maternas (ex: diabetes, epilepsia, hipotireoidismo,…); » infeções congênitas (sífilis, toxoplasmose, HIV, rubéola, citomegalovirus,…); » radiações (ex: radioterapia); » substâncias químicas (ex: mercúrio, chumbo,…); » outras drogas (ex.: álcool, fumo, cocaína,…). 2.1. Desenvolvimento pré-natal Vulnerabilidade do Desenvolvimento Pré-natal: Período germinal – 58% dos zigotos não conseguem crescer ou implantar-se corretamente. Período embrionário – 20% dos embriões são abortados espontaneamente (muitos deles com inúmeras anormalidades cromossomáticas). Período fetal – 5% dos fetos são abortados espontaneamente ou são nados-mortos. [Fontes: Carlson (1994), Gilbert et al. (1987) e Moore e Persaud (1999) citados em Papália, Olds e Feldman (2009)] 36 2.1. Desenvolvimento pré-natal Feto: - ser ativo; - apresenta ritmos especiais; - e movimento específicos; - os seus sentidos começam a funcionar, registando sensações e/ou mensagens sensoriais. Todas estas competências estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento corporal e dos órgãos sensoriais. Audição: ü o ambiente intra-uterino - sinfonia de sons e vibrações, e. g. o fluxo sanguíneo, os batimentos cardíacos e o movimento intestinal. ü bebé é sensível a ruídos externos ü capacidade de habituação. Podem distinguir: ü tipos de sons ü intensidade e altura ü vozes diferentes ü sons familiares e estranhos ü determinar a direção do som 2.1. Desenvolvimento pré-natal 2.1. Desenvolvimento pré-natal Agente teratogénico - substância, organismo, agente físico ou estado de deficiência, que estando presente durante a vida embrionária ou fetal, poderá produzir alteração/ões nas estruturas ou funções. Determinantes do efeitos desses fatores: » tempo de exposição; » nível (dose) de exposição; » duração; » interação entre fatores; » momento da gestação. 29 TÉCNICAS DE OBSERVAÇÃO DO FETO E DO BEBÉ Abordagens experimentais do desenvolvimento precoce são também possíveis. Pode parecer que o único método de estudo do bebé será a observação dos seus comportamentos espontâneos, sem qualquer tipo de intervenção da parte do experimentador. 1.4. Métodos de investigação A EXPERIMENTAÇÃO NOS BEBÉS Canaliza-se a atividade do bebé na direção do tipo de comportamentos esperados ð analisa-se qual(ais) a(s) reação(ões) que o bebé manifesta em relação a estímulos bem precisos. 1.4. Métodos de investigação Algumas das respostas mais frequentemente utilizadas nas investigações: q Índices psicofisiológicos - modificação do ritmo cardíaco, respiratório como reação do organismo a modificações do ambiente; q Atividade oral - sucção; levar objetos à boca como forma de explorar e descoberta de certas propriedades; q Preensão e exploração tátil q Choro; q Movimentos; q Mímica, etc. 1.4. Métodos de investigação 37 Visão: ü é sensível à luz – piscam os olhos perante uma luz brilhante no abdómen da mãe; Olfato: ü a cavidade nasal começa a funcionar já na 9ª semana da gravidez e à 13ª, os nervos olfativos – que vão formar o nariz – já estão conectados ao cérebro. ü não consegue aspirar os cheiros, mas é capaz de senti-los e memorizá-los, por meio de processos e mecanismos bioquímicos ainda pouco conhecidos. 2.1. Desenvolvimento pré-natal Paladar: ü 28/30 semanas, bebés prematuros sugam vigorosamente substâncias doces e fazem caretas a substâncias ácidas. 2.1. Desenvolvimento pré-natal Tato: ü tocar na planta do pé de um bebé prematuro fá-lo retesar as pernas; ü chupam o dedo se ele se aproxima da boca; ü às 6/8 semanas se a mão ou o pé do feto tocam acidentalmente alguma superfície no útero, os dedos curvam-se; ü as reações ao tato ao nível das mãos e da boca são estabelecidos antes do nascimento e têm vários objetivos: - dar conforto; - controlar a atividade motora e - funcionam como autoestimulação. 2.1. Desenvolvimento pré-natal 38 Leituras Obrigatórias (Aula 3) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 2 - ““Métodos de pesquisa” (pp. 71-75); Capítulo 3 - ““Como ocorre a fecundação” (pp. 86); “Desenvolvimento pré-natal” (pp. 106-113); “Influências ambientais: fatores maternos” (pp.113-119) e “métodos de observação vida fetal” (pp. 120 e 121). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 3 - “Prenatal Development and Birth” (pp.89-97); “Potential Problems in Prenatal Development (pp.97-108); “Characteristics of the Pregnant Woman” (pp.109-114). Vídeos (Aula 3) Desenvolvimento Fetal: https://www.youtube.com/watch?v=CSdvy7Z2WbU Tempo de fixação relativo e habituação: https://www.youtube.com/watch?v=dlilZh60qdA Condicionamento: The Baby Human - Werker - Ba/Da Study: https://www.youtube.com/watch?v=Ew5-xbc1HMk Potencial evocado: https://www.youtube.com/watch?v=QvrBogzziXA Documentário: vida no ventre http://www.federacao-vida.com.pt/gravidez/vidautero/index.htm 39 2.2 Competências do recém-nascido https://www.youtube.com/watch?v=7iRDRJKPhjg O PARTO 40 https://www.youtube.com/watch?v=grEsTJPBpW0 A AVALIAÇÃO DO RECÉM-NASCIDO A técnica de avaliação mais utilizada mundialmente é índice de Apgar. Imediatamente a seguir ao nascimento, o recém-nascido é avaliado através de um teste de avaliação rotineiro. Cinco minutos mais tarde o teste é repetido. AVALIAÇÃO MÉDICA IMEDIATA ESCALA APGAR SINAL O 1 2 Aparência (cor) Azul, pálido Corpo rosado, extremidades azuis Inteiramente rosado Pulso (Batimento cardíaco) Ausente Lento (menos 100) Rápido (mais 100) Sinal de desagrado (irritabilidade reflexa) Sem resposta Irritação Tosse, espirro, choro Atividade (Tónus, muscular) Ausente Fraca, inativa Forte, ativa Respiração Ausente Irregular, lenta Boa, choro 41 Índice de Apgar: § atribui-se uma pontuação de 0, 1ou 2 a cada um dos 5 critérios; § total máximo de 10 pontos; § raramente, imediatamente após ao nascimento, a criança totaliza 10 pontos, mas cinco minutos depois, 85% a 90% dos recém-nascidos obtém uma pontuação de 9 ou 10. Dados normativos: ≥ 7 pontos: normal. RN vigorosos (costumam chorar dentro de alguns segundos após o nascimento e não precisam de cuidados especiais); - 4, 5 e 6 revela que a criança precisa de assistência para o ajudar a respirar. RN deprimidos (apresentam boa frequência cardíaca, mas não fazem um esforço respiratório satisfatório, a cor é cianótica e o seu tónus muscular podenão ser bom – poderão exigir medidas de reanimação); - ≤ 3 a criança encontra-se num estado crítico, mas possui no entanto hipóteses de sobreviver. RN intensamente deprimidos (necessitam de reanimação imediata). o sistema de observação comportamental o avalia as reações do bebé aos acontecimentos que se produzem no meio ambiente, no contexto dos estados de consciência, e a sua capacidade de lidar com esses mesmos estímulos. o composta por 28 itens Escala de avaliação neuro-comportamental do bebé recém-nascido de Brazelton (NBAS – Neonatal Behavioral Assessment Scale) Video 1 42 Avalia n Comportamentos interativos (estado de alerta e capacidade de se aninhar) n Comportamentos motores (reflexos, tónus muscular e atividade boca-mão) n Controlo do estado fisiológico (habilidade de aquietar- se depois de ficar aborrecido) n Resposta ao stress (reação de sobressalto) Tempo de aplicação: 30 min. Escala de avaliação neuro-comportamental do bebé recém-nascido de Brazelton (cont.) ESTADOS DE CONSCIÊNCIA ESTADO: Conjunto de comportamentos que condiciona a capacidade de perceção e reação do bebé aos estímulos. Variação periódica no ciclo de vigília, sono e atividade do bebé. A aplicação de estímulos vai fazer com que passem de um estado para outro. ESTADOS DE CONSCIÊNCIA - Existem cinco/seis (dependendo dos autores) principais estados de sono e despertar no recém-nascido. estado profundo↔ estado de acordar ativo 1. Sono profundo 2. Sono rápido ou paradoxal; 3. Estado intermédio; sonolência; 4. Estado de despertar, alerta calmo; 5. Estado de alerta ativo; 6. Choro. Vídeo 2 43 Desempenham um papel mediador na estruturação das trocas recíprocas entre o bebé e o meio. Brazelton (1979) “As principais tarefas de agenda desenvolvimental do bebé pequeno consiste na elaboração de competência para controlar os Estados”. Cabe ao cuidador descobrir as zonas de sensibilidade do bebé e gerir os fluxos de estimulação ü apaziguá-lo ou ü ativá-lo de acordo com o momento. Marcam decisivamente o modo como o bebé reage aos estímulos. Para que a interação/estimulação seja adequada é necessário ß conhecer a sequência dos Estados de Consciência do recém-nascido. 44 A criança logo à nascença apresenta um conjunto de reflexos: REAÇÕES FÍSICAS INVOLUNTÁRIAS EM RESPOSTA A CERTOS ESTÍMULOS ESPECÍFICOS. Revelam-se num feto ativo muitos meses antes do parto como forma de preparação para o nascimento e de adaptação ao meio extra-uterino. REFLEXOS Estes dividem-se em: - reflexos de adaptação – permite a sobrevivência do bebé * reflexo de sucção, deglutição, reflexo dos pontos cardeais (procura), preensão, retração (dor), pupilar. - reflexos primitivos: revelam as partes mais primitivas do cérebro e desaparecem, em momentos diferentes, durante o 1º ano * reflexo de Moro, Preensão ou Grasping, de Babinski. REFLEXOS 45 Reflexo de sucção: §Estímulo: qualquer objeto que toque nos lábios/ boca da criança. §Resposta: sucção §Significado adaptativo: facilita a alimentação. Vídeo 4 Reflexo palmar: §Estímulo: Aplicar pressão na palma da mão do bebé. §Resposta: A mão fecha-se e agarra o que a estiver a tocar, com tal força que permite suster todo o seu peso no ar. §Este reflexo fica mais forte nas semanas seguintes ao nascimento e por volta dos 3/4 meses desaparece. A criança só volta ter esta força por volta dos cinco anos. §Significado adaptativo: Permitiria à criança agarrar- se à mãe. Vídeo 3 Reflexo de procura (rooting reflex): §Estímulo: Acariciar um lado da face do bebé ou os lábios. §Resposta: Vira a cabeça para o lado em que está a ser tocado e prepara-se para sugar. §Significado adaptativo: Facilita a alimentação. 46 Reflexo de Moro: §Estímulo: Qualquer evento surpresa, que assuste a criança ou se esta começar a cair. §Resposta: Estica os braços e pernas, abre as mãos. § Significado adaptativo: Agarrar-se a algo à sua volta. §Desaparece por volta dos 2/3 meses Reflexo do passo/ andar: §Estímulo: Segurar o recém-nascido verticalmente fazendo com que os seus pés toquem o solo levemente. §Resposta: Elabora movimentos com as pernas que parecem passos. §Significado adaptativo: desconhecido Vídeo 5 47 Vídeo 6 Audição: ü preferem vozes agudas ü preferem vozes humanas, sobretudo femininas e preferencialmente as das suas mães ü mas não preferencialmente as dos pais (logo após o nascimento) - as vozes mais graves são menos facilmente distinguíveis através da parede uterina ü reconhecem o bater do coração ritmado e sentem-se mais seguros se a mãe proporcionar esse estímulo 2.2. Competências do recém-nascido Vídeo 9 Audição (cont.) üconfusão e angústia quando ouviam a voz da mãe associada ao rosto de outra mulher e vice-versa. ü orientam-se na direção do som (1.º viram os olhos depois a cabeça) ü diferenciam tipos de sons ü coordenam audição/visão, mão/ouvido, mão/olho 2.2. Competências do recém-nascido 48 üPreferência pelas frequências da amplitude da fala. üCapacidade inata para discriminar sons: mesmos sons em culturas diferentes, discriminam sons que os adultos não conseguem (fonemas como o the inglês - unidades básicas da linguagem). ü1 mês discrimina sons tão semelhantes como “ba ” e ”pa” üvoz materna VS voz desconhecida ülíngua materna VS língua estrangeira. 2.2. Competências do recém-nascido Tato: ü bebés recebem estimulações táteis precocemente, uma vez que estão cercados e acariciados por tecidos e líquidos mornos; ü gostam de ser abraçados, aninham-se e moldam-se ao seu corpo; ü são sensíveis a variações de temperatura, textura, humidade, pressão e dor. 2.2. Competências do recém-nascido Tato: Investigação: O que é que esta investigação nos poderá indicar acerca da perceção de dor por parte do recém- nascido? Bebés de 4 a 6 meses circuncisados, mostraram uma reação mais acentuada à dor da vacinação, em comparação com os bebés a que foi aplicado um creme analgésico antes da circuncisão (Taddio, katz, Ilesich, & Koren,1997). 2.2. Competências do recém-nascido 49 Tato: Havendo sentido do tato, há dor. Os bebés sentem dor ao contrário do que se pensa. E.g., circuncisão (remoção do prepúcio do pénis) sem anestesia. Estudos que mostram que a experiência de dor no período neonatal pode tornar o bebé mais sensível a experiências posteriores de dor, já que poderá afetar os padrões neuronais que processam os estímulos dolorosos. 2.2. Competências do recém-nascido Vídeo 10 Paladar: ü discriminam e são responsivos a pequenas alterações químicas dos alimentos; * prazer – sabores doces * desprazer – sabores levemente salgados, ácidos ou amargos 2.2. Competências do recém-nascido Paladar: 2.2. Competências do recém-nascido 50 Olfato: ü movimentam-se no sentido dos odores novos ü com 6 dias de idade reconhecem o cheiro das próprias mães – experiência das pequenas almofadas de gaze: direcionam a cabeça na direção do cheiro. 2.2. Competências do recém-nascido Verdadeiro ou falso? §A capacidade visual humana decresce desde o nascimento até à velhice. 2.2. Competências do recém-nascido Visão üA visão é o sentido menos desenvolvido à altura do nascimento. üAs estruturas da retina estão incompletas e o nervo ótico está pouco desenvolvido. üBaixa acuidade visual (capacidade de distinguir 2 sinais visuais próximos) - aumenta até aos 6 meses de idade no qual atinge o nível de 20/20 (visão de letras de uma tabela especializada à distância de 20 pés, 6 metros) 2.2. Competências do recém-nascido Visão 51 382.2. Competências do recém-nascido Visão ü A distância ótima é de 20- 30 cm. O bebé foca melhor e completamente a imagem. Corresponde à distância que separa o bebé de uma pessoa que o segure no colo. ü Preferências visuais (estudo de Robert Frantz, 1961) -cores que contrastam -grandessuperfícies quadradas -objetos bastante iluminados: mantém o bebé num estado de fixação mais prolongado. 2.2. Competências do recém-nascido ü Os recém-nascidos fixam objetos ovóides do tamanho do rosto humano que tenham olhos e boca. üO bebé fixa-se nos olhos brilhantes, na boca vermelha e nos contornos da cara. 2.2. Competências do recém-nascido 52 Perceção da profundidade: Precipício visual: estrutura com um tampo em vidro. De um lado da plataforma, por debaixo do vidro, colocou-se um padrão xadrez. Do outro lado, por debaixo do vidro não se colocou nada, criando a ilusão de ser um precipício (Walk & Gibson, 1961). Aos 6½ meses 90% dos bebés não atravessa o “precipício visual”. 2.2. Competências do recém-nascido Vídeo Cor: 2.2. Competências do recém-nascido ü 2 meses distingue o vermelho do verde ü 3 meses distingue o azul ü 4 meses distingue o vermelho do verde do azul e do ü Preferem o vermelho e o azul amarelo 53 Expressões faciais: ü bebé apresenta um fascínio especial por rostos ü fixam o olhar no rosto dos pais ü capacidade de imitar (ex: protusão da língua) ü são capazes de produzir quase todas as expressões faciais do adulto de emoções específicas, como a tristeza, surpresa e felicidade – modificam os próprios olhos e a boca de acordo com o que vêm. 2.2. Competências do recém-nascido Expressões faciais: 2.2. Competências do recém-nascido 54 IMPORTANTE: -Estas capacidades são interativas, preparando o bebé para a interação com a família e para a vida no mundo. - Individualidade do recém-nascido 2.2. Competências do recém-nascido ² Surto de crescimento cerebral: rápido crescimento do cérebro até aos 2 anos de idade (atinge 75% do peso do cérebro adulto). ² Formação da maioria dos neurónios até ao final do 2.º trimestre de gestação - mas ao longo do ciclo vital há produção de novos neurónios no hipocampo (área importante na aprendizagem e na memória). 2.2. Competências do recém-nascido 55 2.3. Desenvolvimento do cérebro 2.3. Desenvolvimento do cérebro ² Desenvolvimento de um 2º tipo de células nervosas – glia (astrócitos, oligodendrócitos, células de Schwann), que dão suporte e nutrem os neurónios (10 x mais que neurónios). ² Especialização dos neurónios em função do local para onde migram; ex. se um neurónio, que deveria normalmente migrar para a área visual do cérebro, é transplantado para a área que controla a audição, tornar-se-á um neurónio auditivo e não visual. ² Sinaptogênese – formação das conexões sinápticas entre os neurónios. 2.3. Desenvolvimento do cérebro ² Plasticidade cerebral – capacidade de mudança das células nervosas (extremamente responsivas e capazes de se moldar à experiência). ² Cérebro produz neurónios e sinapses em excesso como preparação para receber qualquer e todo o tipo de estimulação motora e sensorial. ² Os neurónios e sinapses estimulados continuam a funcionar; os restantes irão degenerar. 2.3. Desenvolvimento do cérebro 56 ² A arquitetura cerebral é extremamente determinada pela experiência precoce. 2.3. Desenvolvimento do cérebro 2.3. Desenvolvimento do cérebro ² Diferenciação cerebral: nem todas as partes do cérebro se desenvolvem ao mesmo tempo. - ao nível subcortical – 1º as áreas que controlam os estados de consciência, os reflexos e as funções vitais tais como respiração, digestão, etc. - ao nível do córtex cerebral – 1º as áreas motoras e sensoriais primárias, implicadas nos movimentos voluntários, na perceção e nas funções intelectuais superiores como aprendizagem, pensamento e linguagem. 2.3. Desenvolvimento do cérebro 57 Leituras Obrigatórias (Aula 4) ² Mielinização: processo de revestimento de neurónios com mielina, substância gordurosa que possibilita a comunicação mais rápida entre as células nervosas cerebrais. 2.3. Desenvolvimento do cérebro ² Lateralização cerebral: especialização das funções nos hemisférios direito e esquerdo, funcionando de forma integrada, através do corpo caloso. 2.3. Desenvolvimento do cérebro 58 Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 4 - “O processo do nascimento: parto” (pp. 130-133); “Recém-nascido e escala Apgar” (pp. 133-136); “Estados de alerta (sono)” (p.136 e 137); “Desenvolvimento físico inicial” (p. 147); “Cérebro e comportamento reflexo” (pp. 151- 157) e “capacidades sensoriais iniciais” (pp. 157-159). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 3 - “Birth and the Perinatal Environment” (pp.114-121); “Potential Problems at Birth” (pp.121-126); “Applying Developmental Themes to Prenatal Development and Birth” (pp.126-129). Capítulo 4 - “Infancy” (pp.131-132); “The Newborn’s Readiness for Life” (pp.132- 138); “Infant Sensory Capabilities” (pp.139-146); “Visual Perception in Infancy” (pp.146- 150); “Intermodal Perception” (pp.151-154) Capítulo 5 - “Development of the Brain” (pp.173-178) Leitura Complementar (Aula 4) Teixeira, A. N., Lôbo, K. R. G., & Duarte, A. T. C. (2016). A Criança e o ambiente social: aspetos intervenientes no processo de desenvolvimento na primeira infância. Revista de psicologia, 10(31), 114-134. 59 60 3. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA (DOS 0 AOS 2 ANOS) 3.1. Desenvolvimento físico e psicomotor Um período muito importante Ä as aquisições desta etapa servirão de base às aquisições ulteriores. Sensório-motor: - na ausência da linguagem e função simbólica, - a inteligência da criança basear-se-á sobretudo nas PERCEÇÕES e nos MOVIMENTOS – inteligência prática. 3. OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA (0 -2 ANOS) 3 3.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 5 Ä Principais tarefas desta etapa: v Aprender a andar. v Aprender a tomar alimentos sólidos. v Aprender a falar. v Controlar o processo de eliminação de produtos excretórios. v Formar conceitos sobre a realidade física e social. v Aprender as formas básicas do relacionamento emocional. v Adquirir as bases de um sistema de valores. (Havighurst, 1957, as cited in Pinheiro, 2014) 4 61 O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR de 0 a 3 anos: Jacqueline Gassier (In “Le développement psycho-moteur de 0 à 3 ans” de Jacqueline Gassier) (ver slides à parte e vídeos, disponíveis no portal) 5 Recém nascido na posição sentado: A cabeça tomba para trás As As costas: Cifose global ausência de tónus muscular. A cabeça tomba para a frente Recém-nascido na posição sentado Hipertonia predominante nos músculos flexores dos membros O recém nascido não pode estender os membros superiores e inferiores Esta hipertonia vai-se atenuando ao longo do primeiro mês Retoma a posição fetal Os joelhos são colocados sob o ventre, a bacia levantada e a cabeça colocada de lado ( não pode levantá-la) O Recém-nascido fixa o olhar numa fonte luminosa ou num rosto, mas a visão é fluída. Palmar:: Reflexo arcaico de agarrar 6 2 meses Colocado na posição sentado a cabeça continua a tombar para trás. Na posição sentado a cabeça fica direita alguns instantes, mas vacila. As costas continuam móveis. Flexo ou semi-flexão dos membros inferiores e superiores O recém nascido segura- se sobre os braços e pode levantar a cabeça até 45º do plano da cama Os membros inferiores ficam semi-dobrados. Reflexo palmar é mais discreto. As mãos estão frequentemente abertas A criança pode seguir até 180º um objeto de grandes dimensões que se desloque junto dele 7 62 De barriga para baixo: endireitamento da cabeça de 45º a 90º Sentado: Cabeçadireita, costas e nuca firmes, mas a região lombar continua pouco segura Bebé interessa-se pelo seu corpo. É a idade do olharpara a mão Bacia em plano, pernas fletidas ou semi-fletidas (a ponta do calcanhar repousa sobre a cama) Barriga para baixo: barriga plana, ancas estendidas. A criança roda completamente a cabeça para seguir um objeto, mas ainda não pode agarrá-lo. Preensão por contacto. É uma preensão involuntária resultante do contacto com um objeto colocado na sua mão 8 De barriga para baixo, a parte anterior do o tronco levantada, apoiado sobre a cama, o menino ergue a cabeça 90º. Sentado-o, a cabeça segue o resto do corpo. Deitado de costas, planta dos pés sobre a cama, a criança brinca com seu brinquedo, perdendo-o frequenteme nte A criança tenta colocar um pé sobre o joelho oposto Bebé nada: movimentos de flexão e extensão de todos os seus membros O controle dos seus músculos abdominais permite-lhe voltar-se de lado Tentativa de preensão indo de encontro dos objetos. A sua capacidade visual está próxima da dos adultos. Vê pequenos detalhes 9 Colocado na posição sentada, o bebé participa ativamente este movimento Posição sobre o ventre: O corpo fica bem firme nos braços e o bebé eleva a parte superior do tronco e lança a cabeça para trás De costas: O bebé faz inúmeros movimentos tipo pedalagem Mantido de pé, o bebé suporta grande parte do peso de seu corpo Barriga para baixo: Os braços estão bem estendidos para a frente e repousam estendidos no solo (Não pode ainda utilizá-los para jogar). Apoiando-se sobre o o Tórax o bebé faz de avião. É uma preensão palmar, global, ainda imprecisa Aparece a preensão voluntária. A criança leva imediatamente os objetos à boca 10 63 Sobre o ventre: a criança pode levantar-se sobre sus mãos Posição dorsal: a criança levanta a cabeça e os ombros do plano da cama De costas: gosta de jogar com seus pés. Agora de pé: É o estado apelidado de “saltador”. A criança salta e acocora-se sobre as suas pernas Pode rolar do ventre para as costas. Deitado sobre o ventre , o bebé pode facilmente usar as mãos para jogar. A preensão voluntária global está bem adquirida Pode ter dois cubos na sua mão, mas se eles desaparecem ela não os procura 11 Sentado sem apoio leva as mão para a frente para evitar cair. É o estádio do “Paraquedas” A criança descobre seus pés e chucha seus dedos. Tomou consciência de seu corpo Segurado de pé: A criança salta e abaixa-se desenvolvendo grande vitalidade A criança pode rolar das costas para o ventre Pode libertar uma mão do chão para pegar num cubo Passa os cubos de uma mão para outra, bate fortemente uns contra os outros ou contra o solo Preensão tipo pinça inferior: o objeto é pegado pelo polegar e mendinho Adquire relaxamento do objeto (deixar cair). É um relaxamento global e impreciso 12 Fica sentado sozinho (bom tónus dos músculos dorsais) Rola muito bem sobre ele mesmo nos dois sentidos: costas-ventre- costas De costas, pode levantar-se até á posição de sentado Procura o objeto fora da sua vista Sobre o ventre: Pode elevar seu corpo apoiando- se unicamente nas suas mão e no bico dos pés Se a criança tem 2 cubos na mão e se se lhe apresenta um terceiro, ela pode largar um cubo para pegar no último O indicador começa a ter um papel mais preciso: solta-se Jogaatirando objetos 13 64 Aprende a rastejar (os movimentos começam a ser às arrecuas) Preensão em pinça superior. A criança pode pegar num objeto (de pequeno tamanho)entre a base do polegar e o indicador Aprende a segurar um brinquedo com as mãos Atira um anel preso por um fio 14 Caminha a 4 membros (sobre os joelhos e as mãos) Coloca-se sozinho de pé segurando- se nos móveis (dá alguns passos e cai frequentemente) Bebe sozinho pelo copo Preensão em pinça superior mais fina. O objeto é pegado entre a parte distale do polegar e o indicador A criança tem o sentido do conteúdo e do continente 15 Marcha do Urso! É a marcha a 4 patas mais segura sobre as mãos e os pés Anda sozinha apoiando-se nos móveis (pode libertar uma mão) Anda segura nas duas mãos do adulto Gsta de apontar seu indicador inquiridor para os os objetos e explora a 3ª dimensão (buracos e fendas) Pode atirar a bola ao adulto Gosta de encaixar os objetos. Tem consciência do 2 ou do 1, dentro e fora, alto e baixo 16 65 De pé baixa-se para pegar num objeto Caminha seguro por uma mão (caminhará sozinho entre 13 e 15 meses) Gosta de introduzir e retirar Adquire o relaxamento fino e preciso. Gosta de atirar os objetos um a um Encaixe: Mete uma roda num buraco após demonstração de um adulto 17 A criança caminha sozinha Sobe sozinho as escadas a 4 patas Ajoelha-se sem ajuda. Poe-se de pé sem ajuda mas o seu equilíbrio é insuficiente e cai massivamente Gosta de atirar, reenviar e empurrar Reenvia a bola, mas cai frequentemente Aperfeiçoamento do relaxamento fino e preciso. Pode introduzir pastilhas no gargalo de uma garrafa Sabe fazer uma torre com dois cubos 18 Desenho: A criança pode reproduzir um traço feito por um adulto Sabe pegar na colher (mas mete-a ao contrário na boca) Sabe voltar as páginas do seu livro de figuras (mas salta várias páginas de cada vez) 19 66 Sobe e desce as escadas seguro pela mão Agacha-se para apanhar um objeto Pode puxar um brinquedo caminhando com ele atrás de si Corre (braços e pernas abertas) mas cai muitas vezes Sabe fazer torres de 3 cubos Pode empurrar a bola com o pé sem cair 20 Sobe e desce as escadas sozinha Salta com Dois pés! Dança Trepa Sabe lavar a cara e assoar-se sozinha Desenho: idade das garatujas Come praticamente só 21 • Criança salta só com um pé (o equilíbrio é excelente) Pode calçar os seus sapatos (sem atacadores) sozinho e vestir-se só Limpeza completamenteadquirida (diurna e noturna) Eu… Gosto de por questões à mamã… Ela sabe tudo, a minha mamã!....... Domínio da linguagem 22 67 Construções: Pode realizar torres de 8 a 9 cubos Encaixes: Sabe encaixar todos os elementos de uma prancheta 23 Sabe contar até 6 ou 8 Designar 6 a 8 objetos usuais 6 a 8 partes do seu corpo 6 a 8 imagens Conhece 3 a 4 cores 68 MARCOS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR üRealizações que se desenvolvem sistematicamente üCada habilidade adquirida prepara o bebé para a próxima aquisição HABILIDADE MOTORAS GROSSAS Usam os grandes músculos (Rolar/agarrar uma bola) 7 MARCOS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR HABILIDADE MOTORAS FINAS Usam pequenos músculos e coordenação óculo-manual (Agarrar um chocalho, copiar um círculo) 8 IDADE CONTROLO DAS MÃOS 3,6 meses Agarram objeto de tamanho médio, mas têm dificuldade em segurar um objeto pequeno Entre 4 e 7 meses Agarram objetos com uma das mãos e transferem para outra Seguram, mas não pegam objetos pequenos Entre 7 e 11 meses Preensão de pinça: objeto pequeno(ervilha) 15 meses Constroem uma torre de dois cubos 3 anos Copiam um círculo (Papália et al., 2013) MARCOS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR 9 69 3.2. Desenvolvimento Cognitivo (Papália et al., 2009) IDADE CONTROLO DA CABEÇA Nascimento Viram a cabeça de um lado para outro quando deitados de costas 2 a 3 meses Levantam a cabeça cada vez mais alto 4 meses Quase todos mantém a cabeça ereta quando sentadas com apoio MARCOS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR 10 IDADE LOCOMOÇÃO-MARCHA > 4 meses Rolam deliberadamente: primeiro de frente para costas e depois de costas para frente 6 meses Sentar sem apoio 8 meses e meio Permanecem sentados sem ajuda Entre 6 e 10 meses Circulam à sua volta/ rastejando/gatinhando 7 meses Ficar de pé (com ajuda ou agarrados a um móvel) 11 meses e meio Manter-se de pé sozinho (Papália et al., 2009) MARCOS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR 11 3.2. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO 13 70 PIAGET Procurou responder à pergunta “COMO SE CONSTRÓI O CONHECIMENTO?” 14 Segundo Piaget: o conhecimento(cognição, pensamento ou processamento racional) Ä processo ativo e interativo ¹ conjunto de informações apreendidas e adquiridas. “o ser humano, ao agir sobre o meio e modificá-lo, modifica-se também a si próprio” Þ Saber qualquer coisa implica agir sobre essa coisa, seja ela ação física ou mental. 15 Conhecimento ð Processo de ação física e/ou mental sobre os objetos, imagens e símbolos, reinterpretados pelo sujeito psicológico. - Resulta dos esforços constantes; - Processo contínuo de complexificação: de um menor conhecimento a um outro mais completo e mais eficaz. ESQUEMA 16 71 Esquema - estrutura ou organização cognitiva ou mental das ações e das informações do mundo externo É transferido ou generalizado quando há repetição da ação em circunstâncias semelhantes. Um esquema nasce do mais simples para atingir o máximo da complexidade, alterando-se e adaptando- se com o desenvolvimento. 17 Inicialmente os esquemas do recém-nascido são essencialmente do domínio reflexo, progressivamente são esquemas de ação e por fim esquemas intelectuais ou de representação. O desenvolvimento da criança representa uma multiplicação de esquemas que interagem dentro dum conjunto de esquemas cada vez mais elaborados. 18 Para Piaget serão o processo do mecanismo de assimilação e o mecanismo de acomodação que explicam e desenvolvem o esquema. A Acomodação é o processo que altera os esquemas preexistentes permitindo a Assimilação dos acontecimentos à priori incompreensíveis.19 72 Os esquemas nascem de um equilíbrio entre Assimilação e Acomodação. A filtragem da informação forma a ASSIMILAÇÃO. A modificação dos esquemas internos para se adaptarem a realidade vivida num dado momento, implica a ACOMODAÇÃO. PROCESSO DE EQUILIBRAÇÃO 20 A criança de 5 anos acomoda a nova informação sobre a avestruz Mudando o seu conceito de pássaro: nem todos os pássaros voam Formando novo conceito: avestruz que é um pássaro diferente21 São universais, de sequência invariável, transformáveis e reversíveis. Há uma evolução contínua e uma fase de equilíbrio. Os estádios de Piaget 22 73 ESTÁDIO - É a unidade básica do desenvolvimento. - É cada uma das partes distintas de uma evolução. - As crianças usam as mesmas estruturas cognitivas numa grande variedade de tarefas. Ex.: se entendessem o uso de classificações hierárquicas de comida, deveriam ser capazes de usar hierarquias para classificar animais, pessoas, veículos. 23 Estes obedecem assim a regras restritas: Þ A ordem da sucessão dos estádios é constante para todas os sujeitos, mas a cronologia pode ser variável. Þ Todo o estádio é caracterizado por uma estrutura de conjunto. Þ As estruturas próprias dum estádio tornam-se parte integrante das estruturas do estádio superior. 24 DÉCALAGE (OU DESFASAMENTOS HORIZONTAIS E VERTICAIS) Décalage HORIZONTAL: - Aplica-se ao desfasamento observado em diferentes domínios. - Há aquisições que dizem respeito a uma mesma estruturação cognitiva que aparecem distantes umas das outras. Ex.: No mesmo estádio, ter êxito na conservação e fracasso na seriação. 25 74 3.2.1. Pensamento Sensório-Motor Décalage VERTICAL: Estádios diferentes. Refere-se ao desfasamento observado dentro do mesmo domínio. Ex.: Conservação do objeto no estádio sensório-motor e só fazer a conservação do volume no final do operatório concreto. 26 3.2.1. Pensamento sensório-motor Piaget definia a inteligência sensório-motora como uma adaptação ao mundo exterior. A criança começa a agir sobre o mundo de maneira reflexa e constrói progressivamente a sua adaptação. Segundo Piaget, sem atividade e ação não há possibilidade de desenvolvimento intelectual. ii1 ii2 Piaget estabeleceu seis sub-estádios no período sensório-motor, cada um caracterizado por um modo diferente de compreender o mundo: • Exercícios reflexos 1º estádio (0/1 mês) • Primeiros hábitos ou adaptações adquiridas. • Reação circular e esquemas primários 2º estádio (1/4 meses) • Reações circulares secundárias 3º estádio (4/8 meses) • Novas coordenações de esquemas secundários 4º estádio (8/12 meses) • Reações circulares terciárias 5º estádio (12/18 meses) • Representação 6º estádio (18 meses /2 anos) 75 n A criança consegue adaptar-se ao seu meio graças ü aos reflexos inatos (sugar, agarrar, tossir, chorar, respirar) e ü às respostas sensoriais que são tão automáticas que parecem reflexos - olhar, ouvir, etc. 1º estádio (0/1 mês) – exercícios reflexos 30 2º estádio (1/4 meses) Primeiros hábitos ou adaptações adquiridas. Reação circular e esquemas primários o Experiência progressiva fornece à criança ações de adaptação. o Manifesta um certo gozo em repetir a mesma ação. o Não há intenção de uma nova ação, mas uma repetição ocasional. o Tal atividade repetitiva consegue PRESERVAR uma ação. o Incidem sobre o próprio corpo. 76 Permanência do objeto - Até aos 8 meses: não procuram objetos escondidos. - Até aos 12 meses: tendem a procurar o objeto no 1.º lugar de ocultação e não onde acabaram de vê-lo escondido. 34 Se bebés até 8 meses forem obrigados a esperar alguns segundos entre o momento em que veem um objeto desaparecer e o instante em que o podem procurar, eles parecem perder o interesse. Permanência do objeto 35 Há uma certa consciência do objeto, mas ainda não uma consciência das relações de posição e de deslocamento. A posição do objeto depende da acão anterior conseguida pela criança e não das deslocações do próprio objeto. àERRO DO SUB-ESTÁDIO 4 A criança que aprendeu a ir buscar o objeto em A não o vai buscar a B quando aí é inserido sob a sua vista. Permanência do objeto 36 77 Desenvolve-se lentamente durante os 2 primeiros anos. Contudo, mesmo as crianças de 3 anos, ao brincar ao esconde-esconde, às vezes receiam que alguém realmente tenha desaparecido ou escondem-se em locais óbvios. Sinal que a permanência não está completamente entendida. Permanência do objeto 38 - Manifesta um comportamento intencional, fixa objetivos e utiliza esquemas para realizar ações. - Começa a compreender a reação de causa/efeito. Pode prever a situação e adaptar-se. 4º estádio 39 78 5º estádio (12/18 meses): Reações circulares terciárias § Repetições de um feito de forma diferente e em novas situações, gerando uma nova ação. § A criança procura experimentar para atingir outro resultado. § É capaz de criar novas ações a partir de factos originais - procura intencional de novidade. 40 6º estádio (18 meses / 2 anos) – representação Termina o período sensório-motor e começa o período pré-operatório. A criança é capaz de representar mentalmente os objetos. 41 Passamos de uma inteligência diretamente ligada ao objeto para entrarmos no campo de uma inteligência racional. A inteligência sensório-motora abre o caminho à inteligência representativa. 42 79 3.2.2. Linguagem 3.2.2. Linguagem 44 As primeiras tentativas de falar são acompanhadas por gestos diversos: -Quando diz “adeus”, ele abre e fecha a mão; -Quando diz “de pé”, levanta os braços para ser elevado pelo adulto Mais tarde os gestos motores desaparecem progressivamente da sua expressão verbal 45 A EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM Intenção de comunicar ð Compreensão verbal ð Produção verbal Recém- nascido Comunicação reflexa – gritos, movimentos, expressões faciais. 2 meses Alguns ruídos significativos – murmúrios, berros, choro, risos. 3 a 6 meses Novos sons, inclusive gritos, resmungos, sussurros, pequenos ruídos, sons vocálicos; sons mais deliberados, emitidos como conversação, com pausas próprias para ouvir. 6 a 10 meses Balbucio, inclusive sons consonânticos e vocálicos repetidos em sílabas (ma-ma-ma; da-da-da; ba-ba-ba), não associados necessariamente com o objeto,mas essencial para o desenvolvimento da fala. 46 80 10 a 12 meses Compreensão de palavras simples; entoações simples; vocalizações específicas que têm significado para os cuidadores; apontar para comunicar 13 meses Primeiras palavras faladas 13 a 18 meses Lento crescimento do vocabulário, até cerca de 50 palavras 18 meses Desenvolvimento do vocabulário – três ou mais palavras aprendidas por dia. 21 meses Primeira frase de 2 palavras 24 meses Frases de várias palavras. Metade do que a criança fala tem duas ou mais palavras. Primeiras estruturas sintáticas (Adaptado de Berger, 2003) A EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM (cont.) 47 A aquisição da linguagem depende: - temperamento do bebé - sensibilidade do cuidador • Falar com a criança (como se entendesse tudo) • Turn taking – aguardar o turno (facilita a assimilação vocal) • Resposta vocal contingente • Nomear objetos • Diretrizes culturais 49 81 3.2.3. Atenção e Memória Profunda necessidade biológica das CRIANÇAS em interagir com as pessoas que as amam e que cuidam delas Necessidade não menos importante dos ADULTOS de falar com as crianças.FALA A linguagem é essencialmente uma atividade social e não apenas cognitiva. (Carpenter et al., 1998, as ctied in Berger, 2003, p.118) 50 Atenção o Antes de codificar, reter ou utilizar uma informação é necessário detetar, prestar atenção o Fundamental para outros domínios: linguagem, memória, exploração, resolução de problemas, interação social e cooperação o Atenção - habilidade de selecionar e focar em algum objeto, ideia ou tarefa, ignorando e/ou filtrando o que se passa ao redor. 3.2.3. Atenção e memória 51 No primeiro ano: Muito atentos pois tudo é novidade! Alguns objetos ou eventos captam mais a atenção - associado a fatores como cor, brilho, som e movimento. 52 82 A atração pela novidade vai desaparecendo e dando lugar à Atenção Seletiva - capacidade de focar nos aspetos importantes e ignorar a informação irrelevante. 53 (Berk, 2006; Shafer & Kipp, 2011) Aumenta entre os 2 e os 3 ½ anos, devido: 1) Desenvolvimento do lóbulo frontal 2) Maior capacidade de brincar/jogar 3) Capacidade dos adultos para ajudar a focar e manter a atenção (scafolding) A medida que crescem: 1) Concentram a atenção; 2) Tornam-se mais seletivos; 3) Conhecem melhor o que é a atenção (“meta- atenção”). 54 4 anos: Consciência de que a distração pode ser um problema (sabem que duas histórias contadas em simultâneo são mais difíceis de entender). A atenção depende: 1) inibição cognitiva e das 2) estratégias atencionais -> verificam-se a partir dos 2 anos Memória o processo através do qual armazenamos e recuperamos informação Evidências de MEMÓRIA NO BEBÉ 1) imitação (fenómeno da habituação) 2) permanência do objeto (reflete o início da memória conceptual) 55 83 9 meses - imita atos simples, inclusive um dia depois. 12-15 meses - imita mais coisas do seu dia-a-dia do que o que vê na TV 14 meses - imita até 3 (de 6) comportamentos novos de um modelo real, depois de uma semana 57 Andrew Meltzoff Experiment 58 84 Leituras Obrigatórias (Aula 5) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 4 - “Marcos do desenvolvimento motor” (pp.159 a 162). Capítulo 5 - ““Abordagem piagetiana: o estágio sensório-motor” (pp. 176 a 179); “O desenvolvimento do conhecimento sobre objetos e símbolos (pp. 181 a 183); “Desenvolvimento da linguagem” (pp.193 a 197); “Características da fala” (p. 197 e 198); “Influências no desenvolvimento inicial da linguagem” (pp. 200 a 202); “Capacidades de perceção e processamento visual e auditivo” (pp. 184 e 185) e “Memória dos bebés” (p.171 e 172). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 5 - “Physical Development: The Brain, Body, Motor Skills, and Sexual Development (pp.169-173); “Motor Development” (pp.179-187) Capítulo 6 - “Cognitive Development: Piaget’s Theory and Vygotsky’s Sociocultural Viewpoint” (pp.201-202); “Piaget’s Theory of Cognitive Development” (pp.202-212); “The Preoperational Stage (2 to 7 Years) and the Emergence of Symbolic Thought” (pp.212-212); “An Evaluation of Piaget’s Theory” (pp.227-231); “Development of Attention” (pp.261-264); “Development of Memory: Retaining and Retrieving Information” (pp.265-273) Capítulo 9 – “The Prelinguistic Period: Before Language” (pp.341-344); “The Holophrase Period: One Word at a Time” (pp.344-350); “The Telegraphic Period: From Holophrases to Simple Sentences (pp.350-358). Leitura Complementar (Aula 5) Dias, F. (2010). O desenvolvimento cognitivo no processo de aquisição de linguagem. Letrônica, 3(2), 107-119. Teixeira, A. N., Lôbo, K. R. G., & Duarte, A. T. C. (2016). A Criança e o ambiente social: aspetos intervenientes no processo de desenvolvimento na primeira infância. Revista de psicologia, 10(31), 114-134. 85 Venturella, C. B., Zanandrea, G., Saccani, R., & Valentini, N. C. (2013). Desenvolvimento motor de crianças entre 0 e 18 meses de idade: Diferenças entre os sexos. Motricidade, 9(2), 3-12. 86 3.3.1. Expressão e compreensão emocional 3.3.1. Expressão e compreensão emocional Recém-nascido - expressa angústia, tristeza e contentamento. - sorriso social (aprox. 6 sem.) em resposta a uma face ou voz. 3-6 meses - relaciona-se com os objetos e as pessoas. 4 meses - gargalhada. 3.3.1. Expressão e compreensão emocional 6 meses -preferências claras no contacto social. -1.as manifestações de ansiedade com a aproximação de estranhos (mais intensas a partir dos 8-9 meses). - referência social: examinam as expressões das outras pessoas à procura de indícios emocionais. - Entre os 6 os 9 meses - emoções + diferenciadas e distintas. 9 meses - presta atenção ao som do seu próprio nome. - aprende a dar um brinquedo aos pais. - angústia de separação. 3.3.1. Expressão e compreensão emocional 24 meses - consciência da sua própria existência, separada das outras pessoas (socialmente torna-se menos acessível) - reconhece a sua capacidade para falar e fazer mudanças no seu comportamento. - brincadeiras geralmente solitárias e consistem na manipulação de diversos objetos. - o acesso à autoconsciência possibilita um novo conjunto de emoções (e.g., orgulho, a vergonha e o ciúme). - começa a compreender a ideia do “meu” e do “teu”. - por vezes conflito com outras crianças sobre a posse de determinado objeto. 87 Competências cognitivas que nos permitem o processamento da informação social Atenção partilhada vs. atenção paralela - Emerge por volta dos 8/9 meses de idade - Capacidade da criança em partilhar com outra pessoa a sua atenção face a um objeto externo ou acontecimento (e.g., um brinquedo) Competências sociocognitivas (Bakeman & Adamson, 1984; Carpenter, Nagell, & Tomasello, 1998; Gaffan, Martins, Healy, & Murray, 2010; Osório, 2010) 3.3.1. Expressão e compreensão emocional Atenção Paralela (subtipo de Atenção Partilhada) v potencial precursor e promotor do desenvolvimento da Atenção Partilhada v 3-6 meses de idade, criança e o adulto brincam focados no mesmo objeto, mas a criança não toma consciência da presença e participação do adulto na interação EVIDENCIADO pela ausência da troca de olhares. 3.3.1. Expressão e compreensão emocional Atenção Partilhada (AP) - emerge por volta dos 9 meses (começa a compreender que próprio e os outros são seres intencionais, cujo foco atencional deriva dos seus objetivos e ações). - % de tempo de interação conjunta e duração média dos episódios de AP aumentam com a idade. - maior frequência entre os 15-18 meses ou mais tarde. - maior sofisticação e elaboração decomportamentos de atenção partilhada ao longo do segundo ano de vida (Mateus, 2011). 3.3.1. Expressão e compreensão emocional 88 3.3.4. Self e os outros: diferenciação e reconhecimento 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento Desenvolvimento do self: estudos sobre o auto-reconhecimento visual (Harter, 1983) 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 5-8 meses - exploração tátil da imagem do espelho, companheiro de brincadeira 9-12 meses - capaz de localizar objetos através do espelho, ligados ao corpo (chapéu que se desloca com a criança), mexe o corpo e vê os efeitos. 12-15 meses - capaz de localizar objetos através do espelho, desligados ao corpo (boneco suspenso que se desloca independentemente dela) 15-18 meses - reação perante a pinta vermelha no nariz 18-24 meses - identifica-se pelo próprio nome (imagem do espelho) Formação da personalidade da criança e das relações com os outros ò surge concomitantemente à formação do conceito do Eu Da relação parental: ü surge o 1.º modelo interno do conceito do eu ü ao tomar consciência que os seus pais continuam a existir mesmo quando desaparecem do seu campo de visão, a criança apercebe-se que forma uma identidade diferente dos outros, que apresenta uma personalidade própria. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 89 O recém-nascido é incapaz de se distinguir dos outros - relação simbiótica entre o bebé e a mãe 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento v A 1.ª tarefa consiste em compreender que é uma pessoa distinta dos outros, dotado de qualidades e de características que lhe são próprias e que o seu Eu persiste no tempo e no espaço. v O bebé torna-se capaz de fazer a distinção entre o eu e o resto do mundo. A criança cria um modelo interno de conceito do Eu, ao mesmo tempo que desenvolve um modelo interno de relações com os outros. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento PERSPETIVAS TEÓRICAS FREUD - 5 estádios de desenvolvimento psicossexual: - oral - anal - fálico - latência - genital ESTÁDIO ORAL Zona erógena prevalente: boca e Lábios Objeto pulsional: seio ou seu substituto. Fim pulsional duplo: - prazer autoerótico através da estimulação da zona erógena oral e a incorporação dos objetos. - incorporações primitivas fornecem o protótipo das identificações posteriores. Génese da relação: inter-relações precoces fornecem uma pré- formação das relações futuras e a criança “investe” nos outros mesmos antes de o perceber. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 90 Primeiras relações de objeto são parcelares: - recém-nascido liga-se a objetos parciais e mal localizados no espaço. - não tem uma consciência clara do dentro e fora, do eu e não eu. Vive numa espécie de megalomania onde a sua omnipotência é máxima. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento ESTÁDIO ANAL - durante o 2º ano de vida Zona erógena prevalente: mucosa retal Conservar os objetos que passam no interior de si e expulsar depois da destruição. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento Fim pulsional duplo: - prazer autoerótico pela estimulação da zona erógena anal; - a busca de pressão relacional sobre os objetos e as pessoas que começam a diferenciar-se. A criança considera, simbolicamente, as suas fezes como uma parte de si que pode expulsar ou reter (distinção progressiva entre o dentro e o fora) e que deriva também numa “moeda de troca” entre ela e o adulto. - Fase de ambivalência máxima. - Educação esfincteriana (não deve ser precoce nem rígida). 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 91 ERIKSON – 8 crises psicossociais Não esquecendo a importância das interações pais-criança e dos conflitos, identifica 2 estádios neste período: - Confiança versus desconfiança: a criança deverá adquirir a convicção que, aconteça o que acontecer, alguém a ama e a apoia. Ä caso contrário, surge a ansiedade, insegurança e desconfiança. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento - Autonomia versus vergonha e dúvida: a mobilidade possibilita à criança formar a base do seu sentido de independência e autonomia. Ä Se os seus esforços de independência não forem encorajados, surgirá a vergonha e a dúvida, em vez do sentimento de domínio e de autoestima. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento Donald Winnicott (1896-1971) Três aspetos nos quais o meio deve intervir para permitir a maturação do Eu da criança - Holding: forma como se segura/pega no bebé - Handling: forma como a criança é tratada, manipulada, cuidada - Presença do objeto: modo de apresentação do objeto 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 92 Evolução da relação mãe/criança ü Dependência absoluta dos cuidados (5 primeiros meses): - Criança em fusão com o Outro. - Cuidador compreende os cuidados a dar ao seu bebé. ü Dependência relativa (6-12 meses): - A criança diferencia-se progressivamente do Outro. - A criança começa a “estar consciente da dependência”: a necessidade do Outro é progressivamente consciente, enquanto se desenvolve o início de uma compreensão intelectual. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento ü Independência - No início do 2º ano, a criança evolui pouco a pouco para a independência. - Enfrenta progressivamente o mundo e identifica-se à sociedade. -Paralelamente desenvolve-se a socialização e a aquisição do sentido social. 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento Evolução da relação mãe/criança A Importância das primeiras vinculações: Spitz, Bowlby, Wallon,… A construção do self As relações interpessoais (díade, tríade, outros...) 3.3.4. Self e os Outros: diferenciação e reconhecimento 93 3.3.2. Vinculação https://www.youtube.com/watch?v=qjiioOmWnqg Uma relação especial, um laço afetivo duradouro que a criança (e adulto) estabelece com um número reduzido de pessoas. 3.3.2. Vinculação Laço afetivo que impulsiona a criança para a busca e manutenção da proximidade e da interação. § Origem filogenética da propensão para nos vincularmos a alguém e divergências com a interpretação Freudiana § Alimentação vs. Segurança 3.3.2. Vinculação Harry Harlow - Macacos “Reshus” – - Teste de Medo na Jaula A mãe felpuda era preferida sem reticências à mãe de arame e esta seletividade diferencial aumenta com a idade e a experiência. Nesta situação, a variável amamentação revela-se completamente irrelevante. 3.3.2. Vinculação 94 Disrupção da Vinculação – Nova Grelha Interpretativa - Etologia Experiências dos patos e gansos de Konrad Lorenz - Patos e gansos seguem o primeiro objeto de grandes dimensões que apareça no seu campo visual após a eclosão. - Tratam esse objeto como se fosse a mãe. Imprinting: É uma aprendizagem específica a uma espécie que ocorre dentro de um espaço temporal limitado (período crítico). 3.3.2. Vinculação Hipótese: Tal como as aves os seres humanos estariam biologicamente predispostos para formar laços duradoiros com indivíduos específicos. 3.3.2. Vinculação Vinculação cumpriria o objetivo de manter a proximidade da figura fornecedora de cuidados garantindo a segurança e proteção dos perigos, aumentando a probabilidade de sobrevivência. ÄTal objetivo seria atingido através de comportamentos específicos por parte da criança, comportamentos de vinculação caracterizados por: * procura de proximidade, sinais de conforto e segurança na presença da figura de vinculação, * protesto face à ameaça de separação ou separação efetiva desta figura, em que a criança manifesta mal estar e tenta a reaproximação. 3.3.2. Vinculação 95 Comportamento de Vinculação: - qualquer forma de comportamento que tenha por resultado predizível (proteção) manter ou estabelecer a proximidade com a figura de vinculação. - qualquer formade comportamento que a pessoa desenvolve de tempos a tempos para obter ou manter uma proximidade desejada. - Comportamentos que pela sua expressão levam à formação da vinculação (laço afetivo) e que mais tarde servem para mediar a relação. 3.3.2. Vinculação Comportamentos de Sinalização Chorar, sorrir, palrar, chamar... Propósito é trazer a figura de vinculação para a beira da criança Comportamentos de Aproximação Procurar, seguir, agarrar, ... Objetivo é conduzir a criança à figura de vinculação 3.3.2. Vinculação Em que situações? Ativadores do Comportamento de Vinculação A) A criança: está cansada, doente, dores, frio, fome... B) Condições do meio: Situações de alarme ou de susto por algum estímulo que provocou uma mudança grande e súbita, aparecimento de uma figura estranha, acontecimento não esperado. c) Comportamento da figura de vinculação para com a criança: partida da mãe, ausência da mãe, desencorajamento da proximidade da criança pela mãe... 3.3.2. Vinculação 96 Criança que procura cuidados e atenção que lhe garantam as suas necessidades de segurança e proteção Adulto disponível às solicitações da criança através da prestação de cuidados Comportamentos de vinculação Comportamento de prestação de cuidados parentais Figura de vinculação Esta relação desenvolve-se num sistema interativo: 3.3.2. Vinculação Figura de vinculação primária – Fornece assim uma base segura a partir da qual o bebé pode explorar o mundo, regressando a este “porto seguro” quando se sente cansado ou perturbado. Ainsworth – Demonstrou que as dinâmicas universais da vinculação interagem com diferentes ambientes de prestação de cuidados, produzindo importantes diferenças na personalidade. 3.3.2. Vinculação Base Segura crianças pequenas, durante a exploração/ brincadeira retornam intermitentemente à figura de vinculação, voltando rapidamente à exploração. Refúgio Seguro No caso da criança se encontrar alarmada, por uma mudança ambiental qualquer, ou outra razão, o sistema de vinculação ativa-se a alto nível e a criança procura ativamente a figura de vinculação. Fenómeno da Base Segura / Refúgio Seguro 3.3.2. Vinculação 97 Vídeo: paradigma da situação estr Þ paradigma de investigação - Situação Estranha. SITUAÇÃO ESTRANHA trata-se de observar como é que a criança organiza o seu comportamento em relação à FV ao longo de 8 episódios mais ou menos stressantes de breve duração. 3.3.2. Vinculação PROCEDIMENTO Sequência fixa de vários episódios, concebidos como situações que a maior parte dos bebés encontra no seu quotidiano. Cujo objetivo é ativar e/ou intensificar o sistema comportamental de vinculação do bebé com 1 ano de idade. Promove duas separações breves e duas reuniões entre o bebé e a figura de vinculação e/ou com uma pessoa estranha. 3.3.2. Vinculação 3.3.2. Vinculação 98 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO para a Situação Estranha: Sistema de cotação para os comportamentos interativos 4 escalas nos episódios de reencontro (5 e 8): nComportamentos de procura de proximidade e de procura de contacto nComportamentos de manutenção de contacto nCOMPORTAMENTO DE RESISTÊNCIA (interação no contacto ou proximidade) nComportamento de evitamento (interação na distância) 3.3.2. Vinculação A forma como as crianças organizaram estes comportamentos, como resposta ao stress de separação desencadeado pela situação estranha, permitiu distinguir três padrões de vinculação: - INSEGURO-EVITANTE (GRUPO A), - SEGURO (GRUPO B) - E INSEGURO-AMBIVALENTE/ANSIOSO (grupo C). 3.3.2. Vinculação CARACTERÍSTICAS GERAIS SEGURO -65/70% das crianças apresentam alternância equilibrada entre comportamentos de vinculação e de exploração. - É segura pois a FV constitui uma base segura a partir da qual o bebé é capaz de regressar à exploração do meio. 3.3.2. Vinculação 99 Inseguro EVITANTE -20% dos bebés -Predomínio do comportamento exploratório sobre o de vinculação. - Nas situações que normalmente se ativaria o sistema de vinculação, os bebés apresentam ausência de ansiedade (aparente!) ou de comportamentos de vinculação. - Bebés que tendo insegurança na vinculação, aprenderam a não protestar; aprenderam a ocultar os seus sentimentos porque não podem esperar uma ajuda adequada das FV. 3.3.2. Vinculação Inseguro Ambivalente/ resistente .: 10% das crianças .: Predomínio do comportamento de vinculação sobre o de exploração. 3.3.2. Vinculação Nos bebés ambivalentes/resistentes a origem do padrão está na discrepância entre o que querem e o que esperam receber Nos bebés evitantes é mais notório o conflito básico entre o tipo de conforto que desejam e que estão prontos a procurar e o medo ou evitamento dessa proximidade. 3.3.2. Vinculação 100 INSEGURO – DESORGANIZADO/DESORIENTADO - Categoria descrita mais recentemente. - Ausência de estratégia óbvia para lidar com as circunstâncias que os rodeavam. - Entende-se como uma combinação dos padrões ambivalente e evitante. - Aproximam-se da FV evitando olhá-la. - Quando se assustam com a Estranha afastam-se da mãe. - Mãe regressa: apresentam comportamento contraditório - buscam proximidade e contacto para repentinamente fugir e evitar a interação; apresentam movimentos incompletos ou não dirigidos, paralisia e comportamentos estereotipados. 3.3.2. Vinculação Resumindo: a vinculação é considerada como um vínculo emocional constante que promove a exploração ativa do ambiente, possibilitando, deste modo, o desenvolvimento da autonomia e do auto-conceito. 3.3.2. Vinculação Surgem desta forma os modelos internos dinâmicos da vinculação: ü representações mentais do self e dos outros, construídas de forma ativa pelo próprio indivíduo; ü constituídas por conhecimentos e expetativas relativas aos outros significativos (em termos da sua acessibilidade e responsividade) e ao self (no que diz respeito ao se valor próprio e capacidade de afetar os outros). 3.3.2. Vinculação 101 3.3.3. Temperamento HISTÓRIA AFETIVA POSITIVA FV CARINHOSA QUE RESPONDE ÀS DEMANDAS Permite desenvolver expetativas positivas sobre a acessibilidade e proteção da FV MODELO DOS OUTROS PESSOAS RESPONSIVAS NAS QUAIS PODE CONFIAR MODELO DE SI MESMO ACEITE, COM VALOR, COMPETENTE NA HORA DE PROMOVER O AFETO DOS DEMAIS 3.3.2. Vinculação HISTÓRIA DE INCONSISTÊNCIA OU RECUSA Gera desconfiança sobre a acessibilidade da FV MODELO DE SI MESMO INCAPAZ DE PROMOVER A PROTEÇÃO E CARINHO INDIGNO DE SER AMADO A qualidade da representação da relação de vinculação está estreitamente relacionada com a qualidade da representação global de si mesmo e, por tanto, com a identidade e com a auto – estima. 3.3.2. Vinculação Temperamento: Conjunto de tendências ou disposições psicológicas de base genética (Berger, 2009). 3.3.3. Temperamento Forma como uma pessoa responde emocional e comportamentalmente a eventos ambientais. Incluindo § Níveis de atividade § Irritabilidade § Medo § Sociabilidade (Berger, 2009; Goldsmith & Rieser-Danner, 1986; Shaffer & Kipp, 2010) 102 Várias teorias, diferentes olhares. Principais SEMELHANÇAS: 1) Temperamento como dimensões gerais de comportamento, as quais caracterizam diferenças individuais, representando padrões universais de desenvolvimento; 2) Características temperamentais aparecem durante a infância e representam parte da fundamentação da personalidade posterior; 3) As dimensões temperamentais são relativamente estáveis ao longo do tempo; 4) Os traços temperamentais apresentam substrato biológico; 5) A expressão das características temperamentais podem sofrer influências de fatores do contexto. ((Goldsmith & Rieser-Danner, 1986). & Rieser-Danner, 1986). 3.3.3. Temperamento Principais DIFERENÇAS: 1) Número diferenciado de dimensões do temperamento; 2) Diferentes ênfases dadas ao fator biológico; 3) Função damotivação no temperamento; 4) Definições de temperamento, que em alguns casos dizem respeito ao aspeto comportamental, mas em outros se referem ao aspeto psicofisiológico; 5) Alguns teóricos enfatizam a regulação e o controle de componentes do comportamento como aspeto do temperamento, enquanto outros se referem a estilos de comportamento; 6) Diferentes conceções relacionadas às influências do contexto e das relações interpessoais no temperamento; 7) Diferentes limites são estabelecidos entre personalidade e temperamento. (Goldsmith & Rieser-Danner, 1986). 3.3.3. Temperamento 1) Número diferenciado de dimensões do temperamento (ver outros exemplos no texto do Exercício prático) (Goldsmith & Rieser-Danner, 1986). 3.3.3. Temperamento 103 Temperamento VERSUS Personalidade “É uma questão de tempo e de complexidade. Temperamento compõe-se das tendências básicas, que se tornam manifestas ainda cedo na vida, e são o fundamento (“de base constitucional”) das posteriores diferenças de personalidade. (Berger, 2009, p.129). 3.3.3. Temperamento Exercício prático 2_sobre a Vinculação Carvalho, M. (2007). Vinculação, Temperamento e Processamento da Informação: Implicações nas Perturbações Emocionais e Comportamentais no início da Adolescência. Tese de Doutoramento (não publicada), Universidade do Minho, Braga. 104 Leituras Obrigatórias (Aula 6) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 4 – “Capacidades de perceção e processamento visual e auditivo (atenção conjunta/partilhada)” (pp. 184-185) Capítulo 6 – “Emoções; quando aparecem as emoções?” (pp.208 a 210); “Temperamento” (p. 213 a 216); “As primeiras experiências sociais: o bebê na família” (pp. 216 a 218); “Desenvolvendo a confiança” (pp. 219 e 220) e “Desenvolvendo o apego” (p.220 a 225). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 10 - “Emotional Development” (pp.372-381); “Temperament and Development” (pp.381-385); “Attachment and Development” (pp.386-404). 105 106 4. O DESENVOLVIMENTO DOS 2 AOS 6 ANOS O JOGO – vocação e “profissão” da segunda infância. Ä A atividade lúdica pretende organizar no interior o exterior e vice-versa. Mantém uma intensa necessidade de movimentos, que domina e coordena cada vez melhor. 4 4. O DESENVOLVIMENTO DOS 2 AOS 6 ANOS Pensamento intuitivo Ä permite à criança analisar percetivamente as situações e agir, Ä mas não é capaz de coordenar as operações lógicas. Ex. as nuvens são feitas de algodão Desenvolvimento da linguagem verbal possibilita as primeiras abstrações Þ formação de conceitos. 4. O DESENVOLVIMENTO DOS 2 AOS 6 ANOS 4 À relação privilegiada com a figura de vinculação primária sucede a relação triangular criança-mãe-pai. ß Este irá perturbar a cooperação e a agressividade e surgirá nas primeiras relações sociais. 5 4. O DESENVOLVIMENTO DOS 2 AOS 6 ANOS Egocentrismo - considera-se o centro do mundo, deforma a realidade em função das suas necessidades e é incapaz de ter em conta as ideias dos outros. 107 4.1. Desenvolvimento Físico 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 6 § crescimento mais lento § mais esguias e altas § desenvolvimento dos músculos abdominais - perdem a barriga típica dos bebés § novos centros de crescimento no esqueleto – epífises § crescimento do tronco, braços e pernas - proporções assemelham- se às dos adultos § crescimento muscular e ósseo generalizado § maior força, velocidade e a coordenação dos movimentos Evolução e maturação psicomotora: - andar e correr melhor - subir escadas - saltar à corda - ao “pé coxinho” - trepar - atirar - movimentar objetos - andar de bicicleta, ... 7 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor ø Maior atividade e impulsividade = aumento dos riscos de acidentes e de mortalidade ø Progridem assim nas competências motoras grossas e finas, proporcionando uma maior independência (ex. vestirem-se e alimentarem-se sozinhos) e um alargamento do campo exploratório da criança. 8 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor Motricidade Grossa: desenvolvimento progressivo dos grandes movimentos do corpo. Ex: ▪ 2 anos e meio: pular com os dois pés ▪ 3 anos e meio: alternar pés quando sobem ▪ 4 anos: salto ▪ 5 anos: alternar pés quando descem ▪ 4 e 6 anos: saltar à corda 108 3 anos 4 anos 5 anos Não consegue virar-se ou parar subitamente Tem controle melhor do parar, lançar e virar corpo Consegue fazê-lo Consegue saltar 30 a 60 cm 60 a 80 cm Correr pulando 70 a 90 cm Subir escadas alternando pés, sem ajuda Consegue descer muitas escadas alternando pés com ajuda Sem ajuda Saltitar Saltar a “pé coxinho” vários passos Grandes distâncias 9 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor Motricidade grossa Motricidade fina: movimentos precisos 3 anos: 5 anos: ▪ Lateralização ▪ Vestir-se com pouca ajuda ▪ Despejar líquidos e sólidos para uma taça ▪ Copiar um quadrado ou triângulo sem entornar ▪ Apertar atacadores ▪ Usar talheres 4 anos ▪ Vestir-se com ajuda ▪ Cortar com tesoura seguindo uma linha ▪ Desenhar uma figura humana simples ▪ Letras e desenhos rudimentares ▪ Dobrar papel em duplo triângulo 10 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 11 ▪ Não precisam de dormir tanto ▪ O sono da tarde pode já não ser necessário aos 4/5 anos ▪ Mais suscetíveis a desenvolverem problemas de sono ▪ Terrores noturnos, sonambulismo, pesadelos 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor SONO 109 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 12 Desenvolvimento cerebral: § maior atividade neural do HE consequentemente à expansão das competências linguísticas § desenvolvimento do HD, possibilita as construções, o desenho e outras habilidades visuo-construtivas § desenvolvimento rápido das áreas frontais, responsáveis pelo planeamento e organização do comportamento, inibição dos impulsos § lateralização – dominância manual § hemisfério lateral dominante 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 13 § Desenvolvimento de estruturas cerebrais importantes: alerta e consciência ↖ ↘ equilíbrio, controlo motor e pensamento memória e orientação espacial ↖ ↘ comunicação interhemisférica A expressão gráfica começa a desenvolver-se. Faz um esforço para representar objetos reais, figuras reconhecíveis mas os resultados que obtém, inicialmente, são muito inferiores às suas intenções. DESENHO 14 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 110 A evolução do desenho - três grandes conquistas estruturais: ü quando percebe a relação gesto-traço ü quando compreende que pode representar intencionalmente um objeto graficamente ü quando consegue organizar essas representações, formando todos significativos: no início muito mágicos e subjetivos, e depois, cada vez mais complexos, detalhados e próximos à realidade objetiva. 15 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor A evolução do desenho segundo Lowenfeld: Fase I - O começo da auto-expressão gráfica. A etapa da garatuja (1-4 anos). * Garatuja desordenada (1-2 anos): não há consciência da relação traço- gesto, logo muitas vezes não olha para o que faz. Maior prazer está em explorar o material e riscar o chão, as portas, o próprio corpo e os brinquedos. 16 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor - Segura o lápis de várias maneiras, com as duas mãos alternadamente. - Todo o corpo acompanha o movimento. - Não usa os dedos ou o pulso para controlar o lápis. - Faz inicialmente figuras abertas, ou seja, linhasverticais ou horizontais, muitas vezes num movimento amplo de vaivém. 17 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 111 * Garatuja ordenada: A partir dos 2 anos, a criança descobre a relação gesto-traço (sabe que é ela a fazer aquele efeito no papel) e passa a olhar para o que faz. - Começa a controlar o tamanho, a forma e a localização dos desenhos no papel. - Varia as cores intencionalmente. - Começa a fechar as suas figuras através de formas circulares e/ou espiraladas. 18 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor - Perto dos 3 anos começa a segurar o lápis como um adulto. - Copia intencionalmente um círculo, mas não um quadrado. - Descobre, mas não inventa relações entre o que desenhou e a realidade. 3 anos 19 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor Garatuja nomeada: A partir dos 3 anos, representa intencionalmente um objeto concreto, através de uma imagem gráfica. - Passa mais tempo a desenhar. - Distribui melhor os traços pelo papel. - Descreve verbalmente o que fez e começa a anunciar o que vai fazer (mesmo que mude ao longo do desenho). 20 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 112 - Relaciona o que desenha com o que viu ou vê, sendo que o significado do desenho é quase sempre só inteligível para ela mesma. - Alguns movimentos circulares associados a verticais começam a dar forma a uma figura humana (esquema céfalo-caudal). 21 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor Fase II - A afirmação da representação gráfica. A fase pré-esquemática (4 a 6 anos). - Afirma-se a consciência da analogia entre a forma desejada e o objeto representado. - A organização dos seus desenhos combina formas circulares e longitudinais, formando figuras reconhecíveis. - A representação da figura humana evolui em complexidade e organização. 22 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor - A evolução da figura humana segue dois eixos principais: um vertical (céfalo-caudal) e depois um horizontal (próximo-distal). - A representação da cabeça fica cada vez mais elaborada. - Aparece lentamente os braços, as mãos, os pés, muitas vezes com vários dedos, radiado, e às vezes aparece o corpo. 23 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 113 - Nesta fase a criança ainda não é capaz de organizar uma representação gráfica formando um todo coerente: muitas vezes ocupam posições satélites. - O tamanho, a disposição e a relação dos objetos são subjetivos. 24 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor Ä A evolução do desenho manifesta o processo de estruturação mental. E tal como o brincar, ele reflete a forma de pensar e sentir da criança. Podemos obter dados sobre o seu desenvolvimento geral, assim como levantar hipóteses de comprometimento afetivo-emocional, intelectual, percetivo e motor. 25 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 4.1. Desenvolvimento físico e psicomotor 26 Influências no desenvolvimento físico e da saúde: § hereditariedade – genes controlam a libertação de hormonas pela glândula pituitária (GH e TSH) § bem-estar emocional – níveis elevados de stress diminuem a produção de GH; nanismo psicossocial. § hábitos saudáveis – estimular uma alimentação variada e uma atmosfera alimentar saudável § deficiências diatéticas – proteínas, vitaminas e minerais – desnutrição § deficiências saúde – vacinação, desparasitação = vulnerabilidade do sistema imunitário 114 4.2. Desenvolvimento Cognitivo 4.2.1. Pensamento Pré-Operatório PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO Começa com o aparecimento da representação simbólica - elaboração “em pensamento” das imagens a partir dos objetos ou dos movimentos do mundo real. 27 4.2. Desenvolvimento cognitivo Formam-se esquemas simbólicos (esquemas representacionais) - imagens, palavras ou ações simbólicas (ex: uma vassoura = cavalo; um cubo = um comboio) - dupla representação REPRESENTAÇÃO MENTAL Ä ligada à aquisição da LINGUAGEM, IMITAÇÃO DIFERIDA, JOGO SIMBÓLICO. 28 4.2.1. Pensamento pré-operatório 29 § Mas não é ainda um pensamento lógico! § Filme o pensador 4.2.1. Pensamento pré-operatório 115 As principais características deste estádio: EGOCENTRISMO: incapacidade de se descentrar do seu ponto de vista. ü Manifesta-se tanto na sua linguagem espontânea como nos seus julgamentos e raciocínios e nas suas explicações dos fenómenos; ü Só consegue formular raciocínios do seu ponto de vista; 30 4.2.1. Pensamento pré-operatório Egocentrismo lógico 31 4.2.1. Pensamento pré-operatório Retirado de Shaffer e Kipp (2010) 32 CENTRAÇÃO: concentra a atenção apenas num aspeto da situação (pormenor), ignorando os outros (por vezes mais importantes). IRREVERSIBILIDADE: não consegue reverter a direção do pensamento. É incapaz de perceber que quando se faz uma transformação percetiva é possível voltar-se à situação de origem. 4.2.1. Pensamento pré-operatório 116 OUTRAS CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES : VARIÂNCIA: certas propriedades (quantidade, número, comprimento, etc.) não são conservadas (variam) em função de certas transformações (divisão em partes menores, mudanças de forma ou de localização espacial, etc.). 33 § A invariância só é adquirida no estádio operatório, tal como o conceito de número e categorias/seriação. 4.2.1. Pensamento pré-operatório 34 4.2.1. Pensamento pré-operatório Retirado de Shaffer e Kipp (2010) SINCRETISMO: § Tendência a perceber a realidade como um TODO sem analisar as partem que a compõem. § Não sabe discriminar detalhes e faz analogias entre coisas sem uma análise detalhada delas. caráter egocêntrico por falta de recursos cognitivos/ilógico. 35 4.2.1. Pensamento pré-operatório 117 REALISMO: § Predominância do modelo interiorizado, em detrimento da perspetiva visual (desenha uma figura humana vestida e coloca umbigo); § Tendência infantil para confundir o interno com o externo, o psíquico com o físico… Se sonhou que o lobo está no corredor, pode ter medo de sair do quarto. 36 4.2.1. Pensamento pré-operatório ANIMISMO § Dotar de vida e consciência todos os elementos mesmo inanimados (a escada é má porque a fez cair). § Esta atribuição universal tem raízes no egocentrismo, pois a criança supõe intencionalidade e vontade ao que existe em seu redor por comparação consigo mesma. 37 4.2.1. Pensamento pré-operatório ARTIFICIALISMO § Elementos naturais: são fabricados para um fim concreto e ligados ao homem. § Atribuições de atos humanos a fenómenos naturais (quem faz chover é o meu pai; o sol foi aceso por alguém para aquecer-nos; o mar foi fabricado com cubos de gelo que levamos de barco). 38 4.2.1. Pensamento pré-operatório O animismo e o artificialismo são complementares; para a criança o ser humano é o centro do mundo (antropocentrismo). 118 4.2.2. Origem social da aprendizagem: participação dirigida FINALISMO § Há uma razão para tudo (as nuvens deslocam-se para que chova noutro lugar), que justificam a sua existência e as suas características. TRANSDUÇÃO (raciocínio intuitivo) § Duas coisas que acontecem ao mesmo tempo uma é causa da outra (eu não dormi, então não é de tarde; basta que eu tenha sono para a noite chegar). 39 4.2.1. Pensamento pré-operatório Piaget: desenvolvimento cognitivo - processo mais solitário Vygotsky: processo intersubjetivo – compreensão mútua e partilhada dos participantes numa tarefa Linguagem - base dos processos cognitivos superiores (ex. atenção controlada, memorização e evocação, categorização, planeamento, resolução de problemas e autorreflexão) 40 4.2.2. Origem social da aprendizagem: participação dirigida Conceitos importantes em Vygotsky § Linguagem privada - a criança fala para ela própria enquanto pensa e age para construir e organizar o pensamento; à medida que cresce é interiorizada e passa a ser realizada por sussurros ou movimentos dos lábios. § Zona de desenvolvimento proximal – conjunto de tarefas demasiado difíceis para a criança fazersozinha, mas possíveis com a ajuda de adultos e/ou de pares mais competentes, auxilia na aquisição de competências mais avançadas. 41 4.2.2. Origem social da aprendizagem: participação dirigida 119 4.2.3. Linguagem § Participação dirigida: interações adulto-criança, nas quais as cognições e os modos de pensar das crianças são moldados à medida que participam ou observam adultos envolvidos em atividades culturalmente relevantes. 42 4.2.2. Origem social da aprendizagem: participação dirigida § Andaime – forma de interação social; suporte ajustado do adulto durante a resolução de um problema ou aquisição de uma competência Adulto – dá instruções, divide a tarefa em unidades compreensíveis, sugere estratégias e/ou oferece formas de resolução. 43 4.2.2. Origem social da aprendizagem: participação dirigida ↘ Preditores da competência cognitiva da criança Resumo de aquisições linguísticas 44 4.2.3. Linguagem 120 Vocabulário 45 § Linguagem recetiva e expressiva ▪ 3 anos: consegue usar 900 a 1000 palavras. ▪ 6 anos: usa 2600 palavras e percebe + de 20 000. ▪ Com a escola: aumento exponencial de palavras. § Crianças com 3/4 anos ▪ Percebem que duas palavras se referem ao mesmo objeto. ▪ Que só temos um nome próprio. ▪ Vários adjetivos podem ser aplicados a um substantivo. 4.2.3. Linguagem Mapeamento rápido 46 § Aquisição de uma palavra nova depois de ter sido ouvida uma ou duas vezes em conversação. § Aquisição de um significado provisório com base no contexto em que foi utilizada e que depois é refinado. § Regras de formação das palavras, palavras similares, contexto imediato, assunto em discussão. § Substantivos + fácil do que verbos. 4.2.3. Linguagem Desenvolvimento de morfemas gramaticais (Shaffer & Kipp, 2014) 47 ▪ São modificadores das palavras e frases que lhes dão significados mais precisos. ▪ 3 anos - Iniciam-se no terceiro ano de vida ▪ Plurais ▪ Tempos verbais: passado ▪ Possessivos: meu, teu, eu, você, nós ▪ Localizações: em cima, em baixo 4.2.3. Linguagem 121 4.2.4. Atenção e Memória 4.2.5. Funções Executivas (FE) 51 ▪ 5-7 anos: ▪ discurso semelhante ao dos adultos. ▪ frases longas e complexas. ▪ conjunções (e.g., portanto, mas), preposições e artigos. ▪ menos: voz passiva, frases condicionais (se eu fosse grande então…), verbo auxiliar ter (e.g., tinha visto). 4.2.3. Linguagem 52 § Aumento gradual da atenção sustentada, contudo em períodos reduzidos § Atenção seletiva – focammelhor os aspetos relevantes da tarefa § Maior inibição do impulso e maior concentração na tarefa/objetivo § Reconhecimento mais eficaz § Estratégias de memorização são ainda pouco efetivas 4.2.4. Atenção e memória 53 § FE - habilidades necessárias para planejar, iniciar, realizar e monitorizar comportamentos intencionais. § Aumento significativo das capacidades de inibição, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, atenção seletiva, planeamento e organização => habilidades fundamentais à aprendizagem e ao comportamento autorregulado. § Melhor planeamento – pensam na sequencia das ações e mantem-se a atenção para atingir o objetivo. 4.2.5. Funções executivas (FE) 122 4.2.6. Teoria da Mente 54 ▪ A Teoria da Mente constitui-se como um marco no desenvolvimento sociocognitivo que emerge em idade pré-escolar. 4.2.6. Teoria da mente (Osório, Martins, & Macedo, 2008) O que é o desenvolvimento Sociocognitivo? Atenção partilhada vs. atenção paralela ▪ no final do primeiro ano de vida (Bakeman & Adamson, 1984; Carpenter, Nagell, & Tomasello, 1998; Gaffan, Martins, Healy, & Murray, 2010); Jogo simbólico social ▪ 3 anos (Bretherton & Beeghly, 1982; Rakoczy, 2008; Youngblade & Dunn, 1995); Teoria da Mente ▪ 4 e 5 anos de idade (Hughes, Jaffee, Happé, Taylor, Caspi, & Moffitt, 2005; Wellman, Cross, & Watson, 2001; Wimmer, & Perner, 1983). 55 § Competências cognitivas que nos permitem o processamento da informação social: 4.2.6. Teoria da mente (Osório, Martins, & Macedo, 2008) 56 ▪ É a capacidade para atribuir estados mentais - pensamentos, crenças e sentimentos e desejos - a si mesma e aos outros, como também de prever e explicar o comportamento e pensamento dos outros por referência a esses mesmos estados mentais (Premack & Woodruff, 1978). ▪ Compreensão dos outros como agentes intencionais. ▪ Compreensão de como a mente humana funciona e de que os humanos são seres conscientes cujas mentes nem sempre são acessíveis aos outros. 4.2.6. Teoria da mente (Osório, Martins, & Macedo, 2008) Documentário: leitor de pensamentos 123 Avaliação (Osório, Castiajo, Ferreira, Barbosa, & Martins, 2011). 57 ▪ Avalia a noção de que as pessoas podem pensar e agir com base em expectativas que diferem da realidade (crenças falsas). - Tarefa da Transferência Inesperada (adaptado de Wimmer & Perner, 1983). - Tarefa do Conteúdo Inesperado (adaptado de Perner, Leekam, & Wimmer, 1987). - 4.2.6. Teoria da mente Tarefa da Transferência Inesperada (Osório, Castiajo, Ferreira, Barbosa, & Martins, 2011; Wimmer & Perner, 1983). ▪ Um menino coloca o seu chocolate numa caixa (A) e sai para a escola. Posteriormente, a mãe tira o chocolate da caixa A, usa algum para um bolo e guarda-o na caixa B. Informa-se a criança de que o menino, ao regressar, vai querer comer o chocolate. ▪ Questões de controlo: “Onde é que estava o chocolate no início?” (questão de memória); “Onde é que está o chocolate agora?” (questão da realidade). ▪ Questão de teste: “Onde é que o menino vai procurar o chocolate dele?” (questão de teste) 58 4.2.6. Teoria da mente Tarefa do Conteúdo Inesperado (Osório, Castiajo, Ferreira, Barbosa, & Martins, 2011; Perner, Leekam, & Wimmer, 1987). ▪ Ex., um tubo de chocolates – “Pintarolas”), no qual deverá colocar-se algo de inesperado (ex., lápis). ▪ Mostrar à criança o tubo de chocolates fechado e a questioná-la sobre o que ela pensa estar no interior do mesmo. Após resposta de acordo com o conteúdo típico (“chocolates” ou “Pintarolas”), o experimentador abre o tubo e a criança descobre que, na realidade, este contém lápis. Depois de o voltar a fechar.. ▪ Questão de controlo: “Lembras-te do que está aqui dentro?”. ▪ Questão de teste, sobre o que a própria criança pensava estar no tubo inicialmente (crença falsa do próprio). ▪ Para terminar a tarefa é colocada uma última situação: chamando uma pessoa (crença falsa de outrem). 59 4.2.6. Teoria da mente 124 4.2.7. Jogo Simbólico 60 ▪ Teoria da mente e a capacidade para enganar 4.2.6. Teoria da mente Diferenças individuais no desenvolvimento da Teoria da Mente 61 ▪ Qualidade da vinculação: segurança (Meins, Fernyhough, Russell, & Clark- Carter, 1998). ▪ Discurso materno: falar características mentais (Meins, Fernyhough, & Tuckey, 2002; Ruffman, Slade, Devitt & Crowe, 2006). ▪ Existência de irmãos: + jogo (Dunn, Brown, & Beardsall, 1991; Ruffman, Perner, Naito, Parkin & Clements, 1998) . ▪ Relações entre pares: + jogo (Cutting & Dunn, 2006). 4.2.6. Teoria da mente A criança orienta espontaneamente todas as atividades para o jogo. Jogo = atividade por excelência da infância, vital e indispensável para o desenvolvimento humano, já que contribui de forma relevante para o desenvolvimento psicomotor, cognitivo, social e afetivo-emocional da criança. 62 4.2.7. Jogo simbólico 125 63 Quatro níveis de complexidade: § Jogo funcional - Jogo locomotor - Movimentos corporais (e.g., lançar uma bola) § Jogo construtivo - Jogo de objetos - Uso de objetos ou materiais para fazer/construir alguma coisa 4.2.7. Jogo simbólico 64 ▪ Jogo simbólico - Faz-de-conta, sociodramático, etc. - individual e colaborativo - Representação - Auge no pré-escolar ▻ 2 anos: imitativo ▻ 3/4 anos: criança tem iniciativa, + representativo (.e.g., caixa é uma caneca, ou nem sequer há a caixa a representar uma caneca). ▪ Jogo com regras formais ▪ Futebol, caçadinhas,etc. 4.2.7. Jogo simbólico Jogo e desenvolvimento psicomotor e cognitivo Promove: - funções psicomotoras, tais como a coordenação motora, a estruturação percetiva, etc. - pensamento, - atenção, - memória, - linguagem, - pensamento abstrato; - descentramento cognitivo, ... 65 4.2.7. Jogo simbólico 126 66 4.2.7. Jogo simbólico Jogo e desenvolvimento social Promove: - comunicação e a cooperação entre os pares, - conhecimento do mundo social do adulto, - desenvolvimento moral, - autoconhecimento e consciência pessoal, - estratégias de interação social, - socialização da agressividade, ... . Jogo e desenvolvimento afetivo-emocional Promove: - equilíbrio afetivo e a saúde mental, - gera satisfação emocional, - assimilação de experiências difíceis, - expressão simbólica da agressividade, - expressão simbólica da sexualidade infantil e o processo progressivo da identificação psicossexual, - aprendizagem de estratégias de resolução de conflitos, - autoestima, - empatia, ... 67 4.2.7. Jogo simbólico 127 Leituras Obrigatórias (Aula 7) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 7 – “Desenvolvimento físico” (p. 246-252); “Desenvolvimento cognitivo” (p. 259-264); “Teoria da mente” (p. 264-267); “Processos e capacidades básicos (memória e funções executivas)” (p. 267-270); “Linguagem” (p. 272-275). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo 5 - “Motor Development” (pp.179-187) Capítulo 6 - ““The Preoperational Stage (2 to 7 Years) and the Emergence of Symbolic Thought” (pp.212-221); “Vygotsky’s Sociocultural Perspective” (pp.231-239); “The Role of Language in Cognitive Development” (pp.239-240); “Vygotsky in Perspective: Summary and Evaluation (pp.240-245); “Development of Attention” (pp.261-264); “Development of Memory: Retaining and Retrieving Information” (pp.265-273). Capítulo 9 - “Language Learning during the Preschool Period” (pp.353-359). Leitura Complementar (Aula 7) Dias, F. (2010). O desenvolvimento cognitivo no processo de aquisição de linguagem. Letrônica, 3(2), 107-119. Osório, A., Castiajo, P., Ferreira, R., Barbosa, F., & Martins, C. (2011). Metodologias de avaliação do desenvolvimento da cognição social da infância até à idade pré- escolar. Análise Psicológica, 29(2), 259-274. 128 4.3. Desenvolvimento emocional e social 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções Evolução significativa na capacidade de compreensão e expressão das emoções: 3 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções § falam acerca das suas emoções e respondem apropriadamente aos sinais emocionais dos outros. § capacidade impressionante de interpretar, predizer, empatizar e alterar os sentimentos dos outros (desenvolvem formas efetivas de aliviar os sentimentos negativos dos outros) § maior autorregulação emocional ↘ variedade de estratégias: - evitar emoções restringindo o input sensorial (ex. tapar os olhos ou ouvidos perante uma situação assustadora), - falar com eles próprios e/ou - alterando os seus objetivos (ex. não brincar após ter sido rejeitado) 4 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções § identificam causas “ex. está triste porque perdeu o brinquedo dele”, consequências e sinais comportamentais das emoções básicas § explicações das emoções focadas sobretudo nos fatores externos; posteriormente percebem que desejos e crenças motivam o comportamento e que estes fatores internos podem desencadear emoções. § conseguem prever o comportamento seguinte a uma emoção (ex. um amigo zangado pode bater) 5 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções 129 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade § Além das emoções básicas passam a experimentar emoções mais complexas, emoções sócio-morais, importantes na formação do sentido moral. Orgulho manifesta-se por elevação dos olhos, olhada triunfante, sorriso, elevação dos braços; Vergonha: corpo encolhido, cabeça baixa, olhos e mãos sem movimento. Culpa: entre 2º e 3º ano, com tentativa de reparar o mal causado. 6 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções § Jogo simbólico - grande parte dos conteúdos dos jogos relacionam-se com estados afetivos: o adotam estados emocionais diferentes dos próprios o atribuem estados afetivos fictícios aos outros – favorece a adoção da perspetiva emocional. as crianças que mais brincaram aos 2 anos mostram mais capacidade para compreender as emoções dos demais 7 4.3.1. Conhecimento e socialização das emoções CONCEITO DE SI § Continua a desenvolver o seu Eu Diferencial § É já capaz de fazer uma descrição de si próprio – critérios mais concretos: - descreve-se em termos de características físicas, das suas capacidades de realizar certas tarefas (ex. saber contar, saltar à corda) e das capacidades sociais. - e não em função de sentimentos ou outras características mais estáveis. 8 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade 130 Do conceito de si emerge o Eu Social Ä consciência que tem um papel social – aprende a comportar-se nos diferentes “cenários” sociais, com rotinas de jogo ou de interação com os outros Ä importância do jogo. 9 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade CONCEITO DE GÉNERO Implica 3 etapas: - consciência do seu próprio sexo (identidade sexual). - compreensão da permanência do sexo (carac. que se mantém ao longo da vida). - compreensão da constância do sexo (este mantém-se apesar de mudanças externas, como o vestuário ou o comprimento do cabelo). Ä relacionadas com o desenvolvimento cognitivo 10 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade Documentário: eles e elas PAPEL SEXUAL – tipificação do género Compreensão de quais os comportamentos “apropriados” ou “normais” para os sujeitos de cada sexo e posterior adaptação do comportamento as estas normas: - associação de certas tarefas e certos atributos aos homens e às mulheres (ex. cozinha e carros). - objetos, ocupação, jogos e atividades, profissões e cores a cada sexo 11 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade 131 - associação de comportamentos e certos traços de personalidade a cada um dos géneros (ex. percebem os homens como mais agressivos, fortes e rudes; mulheres mais frágeis, afetuosas e sensíveis). ü Importância dos processos de identificação. ü Papel primordial dos pais, professores, pares e do ambiente social na formação de atitudes e comportamentos: - encorajamento e expectativas de comportamentos ligados ao seu sexo; - compra de brinquedos; - jogos de imitação dos pais (reforço) 12 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade 13 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade PERSPECTIVAS TEÓRICAS FREUD – Estádio fálico - Complexo edipiano: sentimentos e conflitos inconscientes. ERIKSON – Iniciativa versus culpabilidade nasce do sentido de intencionalidade, entusiasmo em novas tarefas, da capacidade da criança planificar ações (novas capacidades cognitivas) e tomar iniciativas a fim de atingir um objetivo particular. 14 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade Consequentemente, autoimagem confiante, maior autorregulação, maiores e melhores competências sociais. MAS, Se os pais restringirem ou punirem em demasia culpabilidade Excessiva crítica e punição desenvolve a culpa, diminuição do entusiamo no brincar e na vontade de conquistar novas habilidade e mundos. 132 4.3.3. Desenvolvimento moral 15 4.3.2. Desenvolvimento da identidade e da personalidade Autoconceito § pensam mais sobre si mesmos e falam mais das suas experiências subjetivas de ser – aumento da autoconsciência § descrevem um conjunto de atributos, habilidades, atitudes, e valores que as definem como são.Autoestima: pensamentos e sentimentos associados acerca do valor próprio - contribui para a aproximação ao ambiente. § Qualquer desaprovação do adulto pode minar a autoestima e o entusiasmo da criança para aprender e se relacionar. 16 4.3.3. Desenvolvimento moral § apresentam atitudes pró-sociais e altruístas – partilha de brinquedos, ajudar os outros, cooperar em jogos. § superego ou consciência – evitam a culpa e as emoções dolorosas. § fazem julgamentos morais, têm em considerações as intenções e distinguem a veracidade de mentir. § distinguem imperativos morais (direitos universais) das convenções sociais e escolhas pessoais – ex. roubar mais grave que comer com as mãos 17 4.3.3. Desenvolvimento moral § reforço e da modelagem (observando e imitando as pessoas que demostram um comportamento adequado). § caraterísticas dos modelos mais eficazes: calorosos, responsivos, competentes e poderosos e consistentes (afirmações e comportamentos) § indução é a mais eficaz para encorajar o autocontrolo e os comportamentos pró-sociais – adultos ajudam a Identificar os sentimentos do outro em consequência dos seus comportamentos, motivando para o comportamento ético. 133 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico 18 4.3.3. Desenvolvimento moral § disciplina positiva: encoraja a boa conduta, com sensitividade, cooperação, afeto partilhado e consistência. § punição física: fraca internalização das regras morais, depressão, agressão, comportamento antissocial, 19 4.3.3. Desenvolvimento moral Agressividade: § agressão proativa diminui, enquanto a agressão reativa aumenta. § 3 formas: agressão física, verbal e relacional. § rapidamente substituem a agressão física pela verbal. § rapazes são mais agressivos fisicamente do que as raparigas: causas biológicas (hormonal), temperamentais e representações sociais; diminuição nas meninas. § disciplina ineficaz e conflitos no ambiente familiar promovem e sustentam a agressividade e diminuem a internalização moral PAIS: ð afeto ð segurança Equilíbrio ð disponibilidade ð disciplina ò Distúrbios da personalidade e do comportamento Os pais mantém-se como o agente mais universal e decisivo na construção do indivíduo e da sua socialização inicial. 20 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico 134 Estilos parentais e desenvolvimento emocional e social: § 3 fatores que distinguem: 1) aceitação e envolvimento; 2) controlo adaptativo; 3) concessão da autonomia; § suporte afetivo, controlo e explicações razoáveis definem o melhor estilo parental. § em contrapartida ao autoritário, permissivo e não envolvido, o autoritativo promove competências cognitivas, emocionais e sociais. 21 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico Vinculação: Þ permite-lhe explorar o mundo e voltar à base segura. Þ angústia de separação. Þ generalização do modelo interno de vinculação. IRMÃOS: Þ Importante para a compreensão do mundo social. Þ Socialização do ciúme e da agressividade. 22 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico Maus tratos: § pais maltratantes usam uma disciplina ineficaz, têm visões negativas dos filhos e sentem-se impotentes. § stress parental e isolamento social aumentam as oportunidades de abuso e negligência. § a aprovação social da punição física reforça a conceção de que é o meio mais adequado de resolver os problemas. 23 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico 135 Þ Segregação sexual Þ atividades não sociais -> jogos paralelos -> jogo associativo (atividades separadas, mas partilha de objetos) e cooperativo; no entanto, o jogo solitário e paralelo continuam presentes. Þ jogos ocorrem em grande grupo e são bastantes cooperativos. Þ relações menos estáveis, menos duráveis e são baseadas sobretudo na proximidade e nos interesses comuns para o jogo. 26 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico Þ Comportamentos negativos: agressividade e domínio (competição). Ä influência da dinâmica familiar Þ Pais afetam a sociabilidade com os pares tanto diretamente (influenciam as suas relações – organizar encontros, proporcionar oportunidades de brincar, sugestões para entraram em brincadeiras e gerir conflitos ), como indiretamente (através das suas práticas de educar e comportamentos no brincar). 27 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico PARES: Þ A criança manifesta interesse pelos outros desde os 6 meses – ex. 2 bebés juntos. Þ Durante o pré-operatório a criança gosta de estar com os outros, sobretudo a brincar. Þ Veem a amizade em termos concretos, baseados nas atividades. Þ Comportamentos positivos: comportamento pró-social – altruísmo (ex. oferecem-se para ajudar um amigo que se magoou, emprestam brinquedos ou tentam reconfortar uma criança ou um adulto que parece triste). 25 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico 136 4.3.5. Sexualidade infantil TECNOLÓGICO § Benefício intelectual e social do uso de tecnologia, nomeadamente nas habilidades acadêmicas e metacognitivas § Mas, excesso de exposição a jogos de computador violentos e sem restrição de acesso à net aportam inúmeras dificuldades § Estratégias: pais devem aprender a tecnologia; meios tecnológicos deverão estar nos espaços comuns da família; atividades familiares frequentes; limitar o tempo on-line e monitorar as atividades online. 28 4.3.4. Contextos de desenvolvimento: família, pares e tecnológico O que são jogos sexuais na infância? Que comportamentos são esperados e aceitáveis? O JOGO SEXUAL É UMA SITUAÇÃO PROTEGIDA ONDE A CRIANÇA PODE Reconhecer A sua própria sexualidade, O seu corpo, Os seus sentimentos, Os seus afetos Solucionar os conflitos que desencadeiam estas descobertas e vivências do seu corpo. 29 4.3.5. Sexualidade infantil É ATRAVÉS DOS JOGOS QUE A CRIANÇA CONHECE E COMPREENDE A SUA REALIDADE 30 4.3.5. Sexualidade infantil 137 COMPORTAMENTOS SEXUAIS ESPERADOS PARA A ETAPA PRÉPUBERTÁRIA 8 Curiosidade manifesta através de perguntas, busca de revistas ou livros, interesse por ver filmes onde se manifestam interações sexuais. 31 4.3.5. Sexualidade infantil 8 Masturbação tocando os seus próprios genitais, tocando ou esfregando os genitais num objeto ou no corpo de outra pessoa, inclusive nos adultos. 8 Masturbação tocando os genitais de outra criança. 8 Participação em jogos sexuais com outras crianças. 32 4.3.5. Sexualidade infantil Estes caracterizam-se por brincar aos médicos; brincar aos namorados onde trocam beijos e carícias sexuais no corpo e nos genitais; imitar os filmes onde representam as cenas de beijos e carícias; 33 4.3.5. Sexualidade infantil 138 8 Convite expresso a práticas sexuais. 8 O exibicionismo, que consiste em que cada um mostre o seu corpo aos outros. 8 Representação das interações sexuais em bonecos. 8 Troca de carícias sexuais. 34 4.3.5. Sexualidade infantil Existem DIFERENÇAS INDIVIDUAIS NA INFÂNCIA ü Temperamento – “temperamento difícil”. ü Vinculação. ü Estilo educacional parental. ü Estima de si – importância da diferença entre o que a criança deseja e o que a criança pensa ter atingido e o suporte social 35 Concluindo: 139 Leituras Obrigatórias (Aula 8) Papalia, D.E. & Feldman, R.D. (2013). Desenvolvimento humano (12.ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill. Capítulo 8 – “O desenvolvimento da identidade” (p. 284-286); “Compreendendo e regulando as emoções” (p. 286-288); “Gênero” (p. 288-295); “Brincar: a principal atividade da segunda infância” (p. 296-300); “Parentalidade” (p. 301-307); “Relacionamentos com outras crianças” (p. 308-310). Shaffer, D. R., & Kipp, K. (2014). Developmental psychology: Childhood and adolescence (9ª. ed.). Belmont: Wadsworth. Capítulo10 - “Emotional Development” (pp.372-381); “Temperament and Development” (pp.381-385); “Attachment and Development” (pp.386-404). Capítulo 11 – “Development of the Self-Concept” (pp.413-421); “Self-Esteem: The Evaluative Component of Self” (pp.421-428); “Development of Achievement Motivation and Academic Self-Concepts” (pp.428-438); “Who Am I to Be? Forging an Identity” (pp.438-444). Capítulo 12 – “Sex Differences and Gender-Role Development” (pp.457-463); “Developmental Trends in Gender Typing” (pp.466-468) Capítulo 13 - “Aggression, Altruism, and Moral Development” (pp.493-505). Leitura Complementar (Aula 8) Velho, F., Brito, E., & Rodrigues, F. (2017). Identidade sexual na infância: crenças, processo evolutivo e fatores associados. Revista de estudios e investigación en psicología y educación, 14. doi:https://doi.org/10.17979/reipe.2017.0.14.2452 140 141 5. AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL Desenvolvimento = processo complexo, que depende do crescimento e diferenciação do sistema nervoso central, consequentemente à maturação e à estimulação sensorial e psicoafetiva das figuras de vinculação e do meio circundante. As aquisições processam-se habitualmente de forma sequencial nas diversas áreas (p. ex. primeiro segura a cabeça e depois senta-se) e de maneira, relativamente, previsível. Contudo, ocorrem, com frequência, grandes variações interindividuais nos ritmos e processos de aquisição. 5. Avaliação do desenvolvimento infantil As alterações do desenvolvimento podem manifestar-se das seguintes formas: diferenças significativas na velocidade de aquisição entre as várias áreas de competências (desfasamento entre as áreas; p. ex. atraso na fala comparativamente a outras áreas, como locomotora); atraso na velocidade de aquisição em todas as áreas de competências (atraso global do desenvolvimento); desvios de desenvolvimento - aquisição de diferentes capacidades de um modo não sequencial – p. ex., fala corretamente, mas não compreende ordens simples. 5. Avaliação do desenvolvimento infantil 142 5.1. Apresentação Sumária dos Instrumentos de Avaliação Processo de recolha de dados, que visa descrever e classificar comportamentos usando para isso técnicas de avaliação e instrumentos psicológicos, testes psicológicos, a fim de se obter um maior conhecimento do indivíduo e consequentemente poder tomar determinadas decisões (Pasquali, 2001; Wechsler, 1999). 5.1. Apresentação sumária de instrumentos de avaliação Técnicas de avaliação, definidas habitualmente como medidas objetivas e padronizadas de uma amostra de comportamento (Anastasi & Urbina, 2000) v Inteligência v Aptidões v Orientação Escolar e Profissional v Educacionais v Personalidade v DESENVOLVIMENTO v Neuropsicologia 7 Testes psicológicos São, assim, recolhidas informações detalhadas de toda a história de desenvolvimento do sujeito, assim como: - estrutura familiar; - ambiente familiar (sócio-económico e afetivo); - conceções, estratégias e atitudes parentais; - relações interpessoais (casal, fratria, ...) - contextos relacionais extra-familiares (infantário, escola, ATL, emprego, etc.) - Entre outras; ! Em crianças, importância de procedimentos especializados adicionais: avaliação da audição, da visão e de possíveis perturbações motoras. 5.1. Apresentação sumária de instrumentos de avaliação 143 https://www.youtube.com/watch?v=rB-u9amQA7w 8 ░ Facultam uma medida global das competências de desenvolvimento da criança; ░ Providenciam um conhecimento do nível de funcionamento das diferentes áreas avaliadas, nomeadamente se se encontram dentro dos parâmetros esperados; ░ Permitem identificar precocemente a existência de desvio ou atraso desenvolvimental; Escalas do desenvolvimento 9 Escalas do desenvolvimento ░ Informam da necessidade de recorrer a uma avaliação mais detalhada e/ou a algum tipo de intervenção. ░ Possibilitam a repetição das observações em diferentes momentos, auxiliando na avaliação da evolução desenvolvimental ou dos resultados de uma intervenção. ◘ Inventário de Desenvolvimento de Gesell; ◘ Escala de Desenvolvimento Psicomotor para a Primeira Infância - Brunet-Lézine; ◘ Escala de Desenvolvimento Motor Funcional de Vaivre- Douret; ◘ Escalas de Desenvolvimento Mental de Griffiths; ◘ Escala de Avaliação das Competências no Desenvolvimento Infantil. 10 Escalas do desenvolvimento vídeo 144 5.2. SGS II – Escala de Avaliação das Competências no Desenvolvimento Infantil II SGS II – ESCALA DE AVALIAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL II (Schedule of Growing Skills II) M. Bellman, S. Lingam e A. Aukett (versão portuguesa: Magda Machado) 11 5.2. SGS II Instrumento de rastreio e de avaliação do desenvolvimento infantil, utilizado no âmbito de programas de vigilância e promoção da saúde infantil. Idades: 0 - 5 anos Aplicação: Individual 12 Duração da aplicação: entre 20 e 30 minutos 5.2. SGS II Pode ser utilizado por todos os profissionais ligados à saúde infantil - psicólogos, médicos, pediatras, enfermeiros, professores e educadores. Normas: a versão portuguesa da SGS-II é uma tradução da versão original Inglesa; as tabelas de normas apresentadas correspondem aos resultados da tipificação realizada no Reino Unido; Validade: reúne os critérios científicos de validade e fidelidade, clínica e científica, exigidos a um instrumento deste tipo, com coeficientes de correlação com a Escala de Desenvolvimento de Griffiths que variam entre .52 e .96. 13 5.2. SGS II A construção desta Escala baseia-se numa perspetiva neurodesenvolvimental 14 Racional teórico desenvolvimento neurológico ocorre por processo maturativo biológico (Gesell) aliado à evolução da psique, sob influência primordial das relações e estimulações precoces. 145 15 Racional teórico » Dada a plasticidade do desenvolvimento neurológico e cerebral na infância, desvios e anomalias temporárias, identificados precocemente, acabam por ser compensadas e não provocam habitualmente patologia clínica. » Cada criança apresenta um ritmo de desenvolvimento, sendo difícil encontrar a igualdade em todos os aspetos. ø A SGS II fornece linhas orientadoras para a identificação de crianças que apresentam desvios da normalidade. 16 História da SGS Para o Estudo Nacional de Encefalopatia Infantil realizado, na Inglaterra, entre 1976 e 1981 (NCES- National Child Encephalopathy Study) foi criada uma ferramenta prática de rastreio, com base nas sequências de desenvolvimento de Mary Sheridan (1976) – sequências STYCAR. Com a utilização desta Escala, os profissionais foram sugerindo algumas alterações, nomeadamente revisão de itens e simplificação da sua utilização, evoluindo a escala NCES para SGS (1987) de M. Bellman e J. Cash. Em 1996 a escala é revista - SGS II, por M. Bellman, S. Lingam e A. Aukett, tendo sido: § introduzidos alguns itens e retirados outros; § reescritos alguns itens de forma a tornarem-se mais simples e claros; § alterada a ordem de alguns com o objetivo de um maior ajustamento à experiência clínica; § introduzida a competência cognitiva. 17 História da SGS Portugal 2003 – 1.ª ed. – SGS 2011 – 2.ª ed. reedição. 2012 – 3.ª ed. – SGS II 146 ~ ampla abrangência clínica – diferentes áreas ~ possível obter a idade de desenvolvimento da criança ~ monitorização das mudanças ao nível do desenvolvimento ~ rapidez ~ simplicidade 18 Pontos Fortes da Escala ~ materiais de estímulo bastante atrativos para as crianças. 19 Áreas de Competências Permite identificar o nível de desenvolvimento da criança em 10 áreas de competências, em 14 níveis de idade: I – Postura e Motricidade Grossa (ou Motricidade Global) •Competências no Controlo Postural Passivo •Competências no Controlo Postural Ativo •Competências Locomotoras II– Visão e Motricidade Fina • Competências Manipulativas • Competências Visuais 20 Áreas de Competências III – Audição e Fala • Competências na Audição e Linguagem • Competências na Fala e Linguagem IV – Comportamento Social e Lúdico • Competências na Interação Social • Competências na Autonomia Pessoal 147 21 Áreas de Competências V- Competência Cognitiva ░ Aplicada e cotada apenas nos casos em que se suspeita que a criança tem algum tipo de atraso nesta área ou para investigar resultados discrepantes entre as competências cognitivas e outros aspetos do desenvolvimento. ░ Caso se pretenda avaliar esta competência terão de ser aplicados todos os itens com conteúdo cognitivo (assinalados com um círculo em torno do n.º do item). 22 Áreas de Competências V- Competência Cognitiva ░Escala de competências cognitivas está distribuída por vários itens: ░» competências manipulativas (55-69) ░» competências visuais (77-88) ░» competências de interação social (143, 144, 150, 152, 155, 156) 148 Constituída por: • Manual Técnico • Manual do Utilizador • Folha de Registo • Folha de Perfil • Kit de materiais estandardizados 23 Materiais da SGS II § colher; § escova; § boneca; § chávena; § pompom; § conta e fio; § livro de figuras; § bola pequena; § pinos e tabuleiro para pinos; § 12 cubos coloridos de 2,5cm; § 2 tabuleiros de encaixe - figuras geométricas + peixes; § cartão para identificação de 9 letras -teste de visão stycar; § carta de letras para avaliação à distância - teste de visão stycar; § 10 cartões pequenos coloridos com diferentes cores + cartão grande com 10 cores; 24 Materiais da SGS II 149 25 Folha de Registo § pode ser utilizada em várias avaliações de uma criança. § 179 itens divididos por várias escalas de competências e subescalas; § organização da folha permite a visualização rápida das competências, subescalas e itens, assim como de informação relevante para aplicação; § 4 páginas; 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 Leituras Recomendadas (Aula 9) Bellman, M., Lingam, S., & Aukett, A. (2012). SGS II- Escala de Avaliação das competências no Desenvolvimento Infantil II, dos 0 aos 5 anos – Manual do Utilizador, (Edição Portuguesa, CEGOC-TEA ed.). Lisboa: Cegoc. Bellman, M., Lingam, S., & Aukett, A. (2012). SGS II- Escala de Avaliação das competências no Desenvolvimento Infantil II, dos 0 aos 5 anos – Manual técnico, (Edição Portuguesa, CEGOC-TEA ed.). Lisboa: Cegoc. 162