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Ficha de Apoio - Aula 16 (2)

Capítulo de filosofia sobre trabalho e ócio: aborda a etimologia de "trabalho", as perspectivas de Kant, Foucault e Marx, a alienação no capitalismo, dimensões pessoal e social do trabalho e o conceito grego de ócio (scholé).

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FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ 1
2 FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ
ANTROPOLOGIA
FILOSÓFICA - 
TRABALHO E ÓCIO
“Antes havia os relógios d`água, antes havia os relógios 
de areia. O tempo fazia parte da natureza. Agora é 
uma abstração – unicamente denunciada por um tic-
tac mecânico, como o acionar contínuo de um gatilho 
numa espécie de roleta russa. Por isso é que os antigos 
aceitavam mas naturalmente a morte.”
(QUINTANA, Mario. Das ampulhetas e das clepsidras. 1997)
O termo trabalho é originário do latim tripalium, 
que designa instrumento de tortura. Por extensão, 
significa aquilo que fatiga ou provoca dor. O trabalho 
é da idade do homem e é uma atividade pela qual o 
homem transforma o universo. Será que trabalhar é 
uma condição essencial ao homem? Ou o homem só 
trabalha por necessidade e pela ameaça de se poder 
extinguir se não trabalhar?
Na filosofia, o trabalho foi tradicionalmente compre-
endido como uma tarefa menor ao ócio contempla-
tivo. Os indivíduos mais importantes eram aqueles 
ocupados com atividades ligadas ao pensamento, en-
quanto o trabalho era compreendido como algo em-
brutecedor. Esse pensamento só foi modificado após 
as revoluções burguesas, quando o trabalho passou 
a ser reconhecido como produtor de riqueza, dando 
origem ao pensamento liberal.
Para Kant, o homem é o único animal votado ao 
trabalho. É necessária muita preparação para 
conseguir desfrutar do que é necessário à sua 
conservação. Mesmo que todas as condições 
existissem para que não houvesse necessidade do 
homem trabalhar, este precisa de ocupações, ainda 
que lhe sejam penosas. A ociosidade pode ser ainda 
um maior tormento para os homens.
Michel Foucault tem outra perspectiva: em todos os 
momentos da história, a humanidade só trabalha 
perante a ameaça de morte, qualquer população 
que não encontre novos recursos está votada à 
extinção e, inversamente, à medida que os homens 
se multiplicam, empreendem trabalhos mais 
numerosos, mais difíceis e menos fecundos. O 
trabalho deve crescer de intensidade quanto maior 
for a ameaça de morte e por todos os meios terá de 
se tornar mais rentável, quanto de menos acesso as 
subsistências existirem.
É como uma atividade penosa a que o homem não 
pode fugir que a concepção de trabalho herdou das 
suas origens grega e judaico-cristã.
Só o êxito do capitalismo burguês, no século XIX, coloca 
o trabalho como um valor supremo de uma sociedade 
voltada para o lucro e para a prosperidade e crescimento. 
Para Marx, na segunda metade do século XIX, o trabalho 
era entendido como um instrumento de humanização 
dos indivíduos. Entretanto, no modo de produção 
capitalista, o trabalho torna-se trabalho alienado e o 
ser humano torna-se coisa, um análogo às máquinas e 
ferramentas para a produção. O trabalho constitui-se 
mais tarde como uma questão social com a produção 
industrial, o trabalho torna-se um fim em si mesmo e 
o trabalhador é um mero instrumento de produção, 
necessário ao funcionamento de uma fábrica, mas do 
qual existe a outra parte, o capital, necessário para a 
fábrica se estabelecer e que não depende do trabalhador.
Nos nossos tempos, com novo sistema de valores, o 
trabalho é uma das dimensões em que o homem se 
realiza juntamente com a família, os tempos livres, os 
amigos, a cultura, etc.
O trabalho é um processo universal, está presente 
em todos os homens, em todas as gerações, mas 
também tem uma dimensão pessoal, pois é através 
do sujeito que se efetua e esse sujeito, através do 
trabalho, tem uma forma de realização pessoal. Não 
se pode esquecer igualmente a sua vertente social, já 
que integra o homem num grupo profissional, onde 
estabelece relações interpessoais.
FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ 3
Na época de desenvolvimento industrial, existiram 
conflitos de classes: 
Mundo do Trabalho versus Capitalismo.
Para Marx, o trabalho é o prolongamento da atividade 
natural do homem, mas mais tarde conclui que a 
força de trabalho é uma mercadoria e que, para 
viver, o proletário vende o capital. Segundo Marx, 
o trabalho denuncia uma exploração econômica e 
uma situação em que o homem não se revê no seu 
trabalho mecanizado e repetitivo, ou seja, não obtém 
a realização profissional que deveria obter, referindo-
se a uma essência do homem que seria suposto o 
trabalho completar.
Ócio, Lazer e Tempo Livre na Sociedade 
do Consumo e do Trabalho
O ócio é um fenômeno cultural presente na narrativa 
da humanidade através dos tempos. Por exemplo, 
na Grécia Antiga, figura como valor nobre, ligado ao 
desenvolvimento pessoal, por intermédio da filosofia 
política e cultural.
Ócio deriva do termo grego scholé, que significa um 
estado de paz, de fruição criadora, condição para a 
sabedoria. Configura-se a partir de uma condição 
humana que busca conhecimento, autonomia, tempo 
e lugar para o prazer e reinvenção da vida — como 
a possibilidade de usufruir e decidir entre o que 
desejamos ou não fazer para o nosso desenvolvimento 
durante a prática tempo livre das obrigações sociais 
e profissionais. Tais projetos podem ao teatro 
pessoal para potencialização de virtudes a partir do 
contato com culturas culturais e como literatura, 
arte, práticas sociais, contemplação, conhecimento, 
festas políticas, contemplação, acesso, cujo interesse 
é somente complementar capital cultural à portanto, 
nos tornar pessoas mais e vida, criativas, inventivas, 
críticas, politizadas e humanizadas.
Entretanto, os romanos não assimilaram essa visão 
grega do ócio. Adotaram o sentido dado do latim à 
palavra otium , que designa o ócio em oposição ao 
trabalho, considerado negotium, ou seja, negócio. 
Deixar ser uma dimensão da vida útil pessoal e passar 
a ser como desenvolvimento e útil do espírito útil, 
destinado ao tempo útil à recreação. O ócio transforma-
se em diversão, considerado uma prática de atividades 
instrumentais ao serviço, muitas vezes, do controle 
político e religioso sobre o povo pelo viés da regulação 
da escolha das práticas, e em quais tempos e tempos 
devem acontecer. Por exemplo, o controle do calendário 
religioso que organizou, e ainda organiza, em alguns 
territórios, a vida social dos cidadãos.
Essa ideia de trabalho até a transformação, com a mudan-
ça de pensamento, Idade Média e Renascimento France-
sa, está acontecendo com as transformações modernas. 
Durante esse processo, o mundo do trabalho, a Igreja e 
o Estado atuarão mais uma vez, retirando do trabalho, o 
protagonismo das escolhas como reguladores aos inte-
resses culturais, transformando a produção cultural do 
povo em produção industrial, sustentando nos mesmos 
moldes do modelo de capital, ou seja, a oferta hoje ser 
vendida e comprada, chamada de mercado do lazer.
Com intensas influências religiosas, profissionais 
como o trabalho uma virtude e o ócio, um vício a ser 
curado, oficinas do diabo populares, de origem religio-
sa, nunca pareceram mais corretos, invertendo final-
mente o sentido atribuído pelos gregos. Na moderni-
dade, o fenômeno do negócio passa a ser denominado 
ociosidade, indo de encontro às expectativas do siste-
ma de produção, e por isso é considerado um tempo 
improdutivo, impactado por tendências sociopolíticas, 
geopolíticas e somente aceito a partir da ideia de tempo 
de recuperação, às imposições da sociedade ocidental 
industrializada. A ócio entre tempo de trabalho e tem-
po de trabalho se potencializam, decretando o fim do 
ócio vivido no tempo livre, pois, para muitos, nenhum 
tempo é livre, todo tempo é dinheiro.
Nos grandes centros urbanos, o impacto dessa tensão 
reflete-se na falta de tempo para os cuidados com a 
saúde, o lazer, a cultura, a participação cidadã, entre 
outras dimensões da vida cotidiana. A ausência desse 
tempo gera o de uma vida mais singular e coletiva 
mais força de trabalho para encarar a luta a luta 
também pela força de trabalho para encarar a luta. Na 
tentativa de resistência à invasão lógica em todos os 
setores de produção dessa resistência, inclusive nos 
bens imateriais, as experiências dobens imateriais 
podem se configurar como formas de emancipação, 
pois esse tempo “poderá ser considerado como 
possibilidade de o homem, o ser-aí heideggereano, 
permanecer na escuta do ser e da verdade, logo, o 
mais próximo de si próprio que é possível”
(BAPTISTA; VENTURA, 2014, p. 95). 
Pensar em um (re)posicionamento ao lugar das 
experiências de relacionamento só é possível se 
4 FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ
houver um maior equilíbrio entre essas dimensões. 
O tempo não é mais livre, também não é dinheiro, 
mas é necessário para a sobrevivência da condição 
humana e, portanto, deve ser (re)conquistado a partir 
de uma educação para e pelo lazer, possível aprender 
a melhor e lutar por esse direito social.
Um dos caminhos para essa (re)conquista transita 
entre três polos distintos, porém complementares: 
cultura, políticas públicas e acesso a bens culturais. A 
cultura, pilar de sustentação das experiências de lazer, 
“ é uma única faceta da vida e da condição humana 
em que o conhecimento da realidade e do humano 
pelo autoperfeiçoamento e pela realização se fundem 
continuamente […], ela questiona constantemente 
a sabedoria, a serenidade e a autoridade que o real 
atribui a si mesmo” 
(BAUMAN, 2012, p. 300).
Mas precisamos ficar atentos porque o sistema 
mercantil, os meios de comunicação e outras 
instituições de poder podem tentar moldar produtos 
culturais, como, por exemplo, a literatura, o esporte, 
o e a música, os quais são atravessados pela dinâmica 
social de classe, gênero , raça, idade e etnias e podem 
gerar a exclusão em tais experiências.
No Brasil, quando houve a promul-
gação da Constituição da República 
Federativa de 1988, foram estabe-
lecidos vários direitos e objetivos 
fundamentais para a brasileira. 
Foi emergiram os debates sobre a 
legislação trabalhista que o lazer 
foi incluído como um direito social 
fundamental de todo cidadão. Con-
forme consta no art. 6º, 
“direitos à proteção social à educação, à saúde, ao trabalho, 
à residência, lazer, à segurança, à maternidade e à infância, 
a assistência aos de proteção social, na forma de proteção 
social, aparados, na forma de proteção social, a proprie-
dade, o lazer, a segurança à educação, a saúde, a direitos a 
proteção social, a lazer, a segurança, à educação, a saúde, a 
proteção social, à educação, a saúde, a proteção social, o la-
zer, a segurança, a direitos a educação, a saúde, a proteção 
social, o lazer, a segurança à maternidade e à infância”. 
(BRASIL, 1988).
REFERÊNCIAS
BAPTISTA, MMRT; VENTURA, A. (Org). Do ócio: debates no contexto 
cultural contemporâneo. Gracio Editor: Coimbra/Portugal, 2014. 
BAUMAN, Z. Ensaios sobre o conceito de cultura. Rio de Janeiro: 
Anotações:

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