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1www.biologiatotal.com.br ARTE NEOCLÁSSICA E ROMÂNTICA TRANSIÇÃO DO SÉCULO XVIII PARA O SÉCULO XIX É na passagem do século XVIII para o XIX que ocorrem as chamadas revoluções burguesas, que derrubaram o Antigo Regime na França e Estados Unidos, influenciando na sequência toda a Europa e América. Juntamente a essas mudanças políticas, surgiram novas concepções artísticas que tomaram forma com um estilo que ficou conhecido como neoclássico. O estilo neoclássico era uma releitura da arte da Grécia e Roma antigas, vista pela burguesia europeia como um modelo a ser seguido. Em certa medida, essa valorização da arte clássica foi uma reação ao barroco, ao naturalismo e ao rococó, que evocavam linhas sinuosas, temas religiosos e retratos do cotidiano da aristocracia. Em oposição a isso, o Neoclassicismo era caracterizado pelo uso da perspectiva, tons mais neutros e frios, bem como conceitos retirados do iluminismo. O Juramento dos Horácios, por Jacques-Louis David (1758) 2 A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic a Na Pintura No campo da pintura, o neoclassicismo tinha algumas particularidades, como por exemplo, suavidade e delicadeza; o uso de linhas firmes e retas; e a utilização de poucas cores, que normalmente eram em tons mais frios. A pintura abaixo de 1808 exemplifica bem essas características. Por outro lado, utilizavam-se elementos da realidade e a perspectiva de profundidade, que era produzida através do uso inteligente de sombras e luz. Muito frequentemente, as pinturas faziam uso dos conceitos de perspectiva. Na Arquitetura É na arquitetura que o neoclassicismo mais exibe as suas influências clássicas, seja pela monumentalidade das suas obras, no melhor estilo romano, seja pela marcante presença de colunas robustas influenciadas pelo estilo dórico, que era mais austera e apresentava esculturas no topo. Fora isso, abundam as formas geométricas, a simetria e as paredes claras com poucos elementos decorativos. A coroação de Napoleão, Jacques Louis-David, 1805-1807 A Banhista de Valpinçon, por Jean Dominique Ingres (1808) 3www.aprovatotal.com.br A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic a Na Escultura No campo da escultura, o neoclassicismo buscou representar figuras heróicas e figuras mitológicas. Mas dentro disso, os assuntos eram sempre muito sérios e densos. Como na arquitetura primava-se pela simetria, mas como na escultura eram trabalhadas formas humanas, ainda que mitológicas, estas eram feitas com o cuidado de demonstrar beleza e realismo. ROMANTISMO - SÉC. XIX Assim como o Neoclassicismo foi uma reação aos movimentos que o antecederam, o Romantismo foi uma reação ao Neoclassicismo. Neste sentido, se o neoclássico possuía regras rígidas, o romântico buscava libertar-se delas, valorizando mais assim a criatividade do artista. Por outro lado, o Romantismo possuía dinamismo e valorizava as cores e contrastes, ao mesmo tempo que buscavam transmitir as emoções humanas. Interessante notar que o romantismo, além do que foi apresentado até aqui, foi um movimento que teve expressões na música e literatura, onde os sentimentos eram valorizados, bem como o nacionalismo e a natureza. Aliás, a natureza no romantismo possuía uma ligação íntima com as emoções humanas. Assim como estas oscilam, assim eram retratados os fenômenos e fatos da natureza. Fora isso, os temas históricos no romantismo eram uma forma de resgatar a história nacional do país do artista romântico. Por esse motivo, muitos temas greco-romanos foram retomados, por serem considerados povos originários da Europa. Portão de Brandemburgo, Berlim, AlemanhaPanteão de Paris Psique revivida por Eros, por Antonio Canova (1787), Louvre, Paris. Família do infante Don Luís, por Francisco Goya (1784) 4 A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic a FINAL DO SÉCULO XIX Contexto Histórico e Características O contexto que influenciou o movimento realista nas artes foi o da Revolução Industrial, que se iniciou na Inglaterra do século XVIII. Como a industrialização fez nascer uma nova classe social, o proletariado, as obras de arte realistas tendiam a funcionar como uma denúncia da situação social dessas classes. Em vez do artificialismo do neoclassicismo e do romantismo, os realistas estavam preocupados em mostrar a realidade. Por outro lado, a ciência avançou bastante durante o século XIX. Além dos avanços na engenharia, como a construção de boulevards e avenidas, foram construídos verdadeiros monumentos como a Torre Eiffel. No plano puro das ideias, surgiram filosofias como o positivismo, o socialismo e até mesmo o darwinismo, que embora sendo do campo das ciências, conseguiu influenciar muitos pensadores sociais. Evidentemente, a arte não ficou imune a essas influências. Por esse motivo, vemos no Realismo a busca por uma arte engajada e livre de compromissos, que normalmente era executada pelas novas classes sociais que ascenderam devido ao comércio. Por fim, a Escola Realista está estreitamente relacionada à sociedade industrial europeia onde nasceu. E assim como o grande cientificismo do período, os artistas realistas buscaram ser objetivos na representação da realidade, o que era totalmente oposto aos românticos, que eram mais subjetivos. Mulheres peneirando Trigo, por Gustave Courbet (1855) Erupção de Vesúvio, por William Turner (1817) Pescadores no Mar, por William Turner (1796) Um funeral em Ornans, Gustave Coubert, Museu d’Orsay, Paris 5www.aprovatotal.com.br A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic aIMPRESSIONISMO O movimento impressionista representou uma ruptura com a rigidez acadêmica no universo artístico. Em boa parte das vezes, retratando paisagens naturais e a alteração que a luz do Sol provocava nas mesmas, o impressionismo deve a um quadro chamado “Impressão, nascer do Sol”, de Claude Monet, o seu nome. Características De uma forma geral, o impressionismo valorizava mais as cores do que as formas, que eram muitas vezes, negligenciadas. Neste sentido, as obras apresentavam figuras sem contorno. O motivo para isso foi a popularização da fotografia na segunda metade do século XIX. Assim, longe de tentarem reproduzir em suas pinturas as imagens como na realidade, os impressionistas pintavam com originalidade e utilizando efeitos óticos, as paisagens naturais e pessoas reais em cenas cotidianas. O Impressionismo no Brasil No Brasil, o movimento impressionista foi muito bem representado por Eliseu Visconti e Almeida Júnior. Este último, pintou um quadro que retrata bem o clima do interior brasileiro, e que se chama “O Violeiro”. Impressão, nascer do Sol, por Claude Monet (1872) Estrada na Normandia, por Claude Monet (1868) Moça no Trigal, Eliseu Visconti, 1916 O Violeiro, Almeida Júnior, 1899 6 A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic a MOVIMENTO DAS ARTES E OFÍCIOS Surgido no final do século XIX, o movimento das artes e ofícios foi uma tentativa de aproximar a arte da indústria através da integração de diversas artes como pintura, escultura e arquitetura de forma harmônica. A foto abaixo apresenta um clássico exemplo desse movimento, que é a Casa Milà, em Barcelona, projetada por Antóni Gaudi. ART NOUVEAU (1890-1920) O estilo Art Nouveau foi mais uma ruptura com os estilos formais e academicistas, e teve expressões nas artes plásticas, arquitetura e design, artes decorativas etc. Empregavam-se elementos lógicos, matemáticos e racionais e, antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o estilo ficou mais geométrico, o que já era uma característica do movimento Art Déco (1910-1939). Casa Mila, projetada por Gaudí (1907), Barcelona, Espanha. 7www.aprovatotal.com.br A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic a Uma outra característica marcante do Art Nouveau, e que fica bem claro na arquitetura da época, é o uso de linhas e formas mais arredondadas com o objetivo de transmitir suavidade aos movimentos representados, bemcomo o uso vidro, ferro, vitrais e mosaicos em muitas construções, por vezes fazendo referência a estilos do passado como o barroco e o rococó. Por outro lado, a influência que o Art Nouveau sofreu do movimento britânico Arts and Crafts, que valorizava os trabalhos manuais, fica clara em algumas obras. Essa valorização do manual era uma reação ao método de produção industrial em série, que ameaçava tomar o lugar da arte manual na modernidade. Além disso, o Art Nouveau utilizava materiais incomuns no universo artístico como, vidro, madeira, ferro e cimento. Por outro lado, havia uma profusão de elementos orgânicos ligados à natureza como flores, plantas e folhagens. Por fim, além do movimento ter feito uma ruptura com a estética romântica, havia uma grande influência da arte japonesa e o uso de muitos arabescos. Por outro lado, a imagem da mulher foi muito explorada no Art Nouveau, até mesmo em campanhas publicitárias e anúncios, como podemos ver abaixo.Entrada da Estação Porte Dauphine do Metropolitano de Paris, 1900-1912 O Beijo, por Gustav Klimt (1908) Propaganda de sabonetes, por Alphonse Mucha (1897) 8 A rt e N eo cl ás si ca e R om ân tic a Hôtel Tassel, Victor Horta, Bruxelas, 1892 Antoni Gaudí: Namoradeira. Museu Nacional de Arte da Catalunha La libellule, Estação Dauphine, Paris ART DÉCO - FRANÇA 1920 Apesar de ter iniciado alguns anos antes, o auge do estilo Art Déco aconteceu em uma exposição ocorrida em Paris no ano de 1925, e chamada de Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes. É daí que vem o seu nome Art Déco, de artes decorativas. Exposição internacional de Artes, Paris, 1925. O Art Déco dialogava com outros estilos, como o cubismo, o fauvismo, o futurismo e o construtivismo. Alguns não consideram o Art Déco um movimento no senso estrito, mas existiam, evidentemente, algumas características marcantes no Art Déco, que além da arquitetura também se expressou no design de interiores, móveis, pintura e decoração em geral. Dentre essas características podemos citar o uso de formas geométricas, simetria, cores fortes, linhas estilizadas e o uso de materiais modernos como o aço, o alumínio e o plástico. O Art Déco está presente em muitos países e regiões, mas declinou após a Segunda Guerra Mundial. Alguns dos principais edifícios de Nova Iorque, como o Empire State Building, foram construídos nesse estilo, bem como o Cristo Redentor no Rio Janeiro. A Musicista, de Tamara de Lempicka, 1929