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Biologia 112 mucosa e atingem a luz intestinal, quando são eliminados com as fezes. Os ovos abrigam o miracídio, uma larva ciliada que eclode buscando um hospedeiro intermediário. No caso da esquistossomose, doença causada por esse verme, o hospedeiro intermediário corresponde ao caramujo do gênero Biomphalaria, que vive em lagos e lagoas. Ao adentrar o hospedeiro intermediário, o miracídio perde os seus cílios e cresce, se transformando em esporocisto, um saco que produz as cercárias, larvas de corpo alongado e uma cauda bifurcada. Saindo do caramujo, as cercárias conseguem penetrar o seu hospedeiro definitivo, o homem. Essa penetração é ativa e acontece através da pele, a partir de processos mecânicos e químicos, como a secreção de enzimas que conseguem destruir o tegumento do hospedeiro. Essa penetração pode causar coceiras e irritações. Na pele, a cercária perde a sua cauda e se transforma em esquistossômulo, caindo na circulação e atingindo os vasos do sistema porta-hepático, onde se transformam em adultas e reiniciam o ciclo Fonte: https://www.infoescola.com/doencas/esquistossomose/ Os sintomas da doença envolvem febre, anorexia, diarreias, dor abdominal e hepatoesplenomegalia (aumento do baço e do fígado), essa última condição é que trás o nome popular da doença de “barriga d’água”. Em condições mais graves, a esquistossomose pode resultar em hipertensão portal, provocando uma insuficiência hepática que pode levar o hospedeiro a óbito. As medidas profiláticas mais comuns são o tratamento dos doentes, inter- rompendo o ciclo da doença e o combate aos hospedeiros intermediários (caramujos). Por ser uma doença de veiculação hídrica, é imprescindível ter em mente a disponibilidade de saneamento bási- co para se evitar a doença, impedindo que fezes contaminadas atinjam rios e lagoas utilizados pela população, interrom- pendo o ciclo da doença. Além disso, como a larva penetra ativamente na pele, o ideal é que se caminhe sempre com calça- dos em superfícies possivelmente contaminadas, além de se evitar entrar em lagos e lagoas possivelmente contaminados. VOLUME 2 | Ciências da natureza e suas tecnologias 113 Multiplataformas: Vídeo Schistosoma mansoni macho 6. Teníase e cisticercose: o ciclo de vida de Taenia sp. Chama-se de teníase a doença causada pela inges- tão de larvas do parasita tênia ou solitária, platelmintos do gênero Taenia sp. Esse verme abriga o intestino delgado humano, e normalmente somente um parasita por vez abriga o corpo do hospedeiro. Já a cisticercose corresponde a ingestão de ovos de Taenia solium, que se abrigam principalmente nos olhos e no cérebro. São duas espécies principais envolvidas nessas doenças: a Tae- nia solium e a Taenia saginata. A T. solium corresponde a um verme que pode alcan- çar até 10 metros, seu corpo dividido em três diferentes regiões, sendo elas: • Escólex (cabeça): é a porção anterior que tem a função de fixar a tênia na superfície interna da parede intestinal do seu hospedeiro. É globoso e apresenta um conjunto de quatro ventosas e uma dupla coroa de ganchos constituídos de quitina. • Colo (pescoço): corresponde a porção mais afilada que liga o escólex ao resto do corpo. Na porção posterior do colo, podemos encontrar sulcos transversais que isolam as proglótides • Estróbilo (corpo): É constituído por uma série de mais de 800 anéis (proglótides). Na parte anterior, podemos observar as proglótides imaturas (mais jovens). Na mediana, encontram-se os anéis maduros, que fazem parte da reprodução. Na porção posterior, encontramos as proglótides grávidas. Proglótide grávida VentosasEscólex Pescoço Estróbilo Proglótide Poro genital Ramos uterinos contendo ovos Já a T. saginata apresenta um escólex mais quadrangular, com quatro ventosas e nenhum gancho quitinoso, além disso, o estróbilo pode atingir impressionantes 12 metros, contendo até 2 mil anéis. Biologia 114 Ganchos VentosasEscólex Pescoço Estróbilo Proglótide Poro genital Proglótide grávida Ramos uterinos contendo ovos O corpo das duas espécies é revestido por uma cutícula de proteção, além disso, as duas são da classe Cestoda, que não possuem sistema digestivo, elas obtêm o seu alimento exclusivamente pela absorção dos nutrientes do sistema digestório de seus hospedeiros. Essas espécies também realizam uma respiração anaeróbia, contando com uma cutícula para proteger os parasitas do líquido digestivo. Além disso, as duas espécies são hermafroditas. Sendo assim, o processo de reprodução sexuada envolve a autofecundação. Nas proglótides grávidas, as gônadas degeneram e só resta um útero bem desenvolvido contendo ovos. Os anéis grá- vidos da T. solium são soltos de grupos de 3 a 6, durante ou após a evacuação de seu hospedeiro. A T. saginata elimina os seus anéis individualmente, forçando a passagem pelo esfíncter anal, sem que haja necessariamente evacuação. Os ovos liberados devem ser ingeridos pelos hospedeiros intermediários para completar o seu desenvolvimento, como os porcos (T. solium) ou os bois (T. saginata). No corpo do hospedeiro intermediário, os ovos atingem a parede intes- tinal e caem na circulação, onde atingem a musculatura, se alojando e formando granulações denominadas cisticercos (larvas). Assim, quando o hospedeiro definitivo (homem) ingere carne malpassada, o cisticerco sobrevive e libera um escó- lex, que já conta com pescoço e, por estrobilização, formará novas proglótides, formando uma nova solitária. Quando o homem ocupa o lugar de hospedeiro intermediário, ele desenvolve a cisticercose, nesse caso, o homem ingere o ovo presente na água ou em alimentos contaminados. Quando ingeridos, os ovos são levados pela corrente sanguínea, onde atingem os olhos e o cérebro, causando ce- gueira e diversas desordens mentais, como a epilepsia, se alojando e terminando o seu desenvolvimento. Em alguns casos, podem se fixar na musculatura, causando fraqueza e fortes dores.