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Capítulo 17326 41. (UE-RJ) Uma pessoa gira uma bola presa a um fio. Por mais rápido que seja o movimento da bola, as duas extremidades do fio nunca chegam a ficar no mesmo plano horizontal. Considere o sistema de referência inercial. x y fio θ A partícula tem massa m e aceleração centrípeta com módulo a. As projeções das forças T – tração no fio – e P – peso da bola – sobre os eixos x e y, respecti- vamente, estão melhor representadas em: a) T cos θ = ma c) T sen θ = ma = P P T sen θ T cos θ = ma P T sen θ = ma T cos θ = P b) T = ma d) T = ma = P P T cos θ T = ma P T = ma T sen θ = P 4. A força centrífuga Estudamos no capítulo 12 a força inercial em sistemas acelerados, porém em trajetó- rias retilíneas. Recordemos que as leis de Newton são válidas para referenciais inerciais e não funcionam em referenciais não inerciais. Nos referenciais acelerados, isolamos o corpo e desenhamos uma força fictícia, cha- mada de força inercial, de sentido contrário ao da aceleração. Essa força somente é observada por um observador no referencial acelerado. Movimento circular e uniforme Vamos agora estudar um caso mais com- plexo: consideremos um corpo executando um movimento circular uniforme em relação ao solo (referencial inercial) e vamos observá-lo do referencial acelerado. Para ilustrar, observemos a figura 13, na qual temos um sistema rotatório, inicialmente não em movimento. Dois observadores foram colocados: • observador A fixo no solo; • observador B fixo na trave superior do sistema. Inicialmente, enquanto o sistema não estiver funcionando, ambos são observadores inerciais. Eles deverão observar o comportamento do bloco Q, pendurado por um fio na extremidade da trave. Vamos imprimir uma rotação uniforme ao sistema, como nos mostra a figura 14. seja ω a sua velocidade angular em relação ao solo. Verifica-se que o bloco Q se afasta do centro formando um ângulo θ com a vertical. Figura 13. O sistema rotacional não está girando. solo trave superior B A Q g Figura 14. O sistema rotacional está girando com velocidade angular ω para o observador A , inercial. ω θ solo suporte radial A Q g T P a c Il U sT R A ç õ Es : lU Iz A U g U sT o R Ib EI R o Il U sT R A ç õ Es : zA PT Movimento plano em trajetória curva 327 Para o observador A, em repouso no solo, a trajetória do bloco Q é uma circunferên- cia horizontal. Para ele só existem duas forças atuando no bloco Q: o peso P e a força de tração no fio T. A resultante dessas forças é centrípeta e tem intensidade: F c = m · v 2 R = m · ω2 · R em que R é o raio da circunferência tracejada da figura 14. o observador B, na trave superior do sistema rotatório, é um observador não iner- cial. Para ele, o bloco Q está afastado da vertical, mas está em repouso. Como justificar esse repouso? As forças P e T não se equilibram, falta-lhes uma força. Introduzimos então uma força fictícia, a força de inércia F i , a qual deverá equilibrar o bloco Q. Ela é desenhada no sentido oposto ao da aceleração centrípeta. A força de inér- cia existe apenas no referencial não inercial do observador B, ou seja, fixo no próprio sistema rotatório. Como a força de inércia puxa o bloco Q para fora da trajetória, ela é chamada força centrífuga. A força centrífuga tem módulo igual ao da resultante centrípeta, pois se equilibram: F i = m · v 2 R = m · ω2 · R Vejamos algumas considerações sobre a força centrífuga: 1. A força centrífuga é uma força fictícia, que é desenhada apenas para o referencial inercial. No entanto, para uma pessoa que está nesse referencial, ela lhe parece bem real, como mostram os exemplos a seguir. 2. A força centrífuga não existe para um referencial inercial. 3. A força centrífuga sempre aponta no sentido oposto ao da aceleração centrípeta. Ela é radial e aponta para fora da curva. 4. As forças centrípeta e centrífuga não constituem um par ação e reação. 5. Ressaltemos que a força inercial não é aplicada por outro corpo, mas está ligada somente ao referencial acelerado, não existindo, portanto, uma força de reação a ela. Concluindo: a força centrífuga não obedece à Terceira lei de Newton e não é uma força newtoniana. Alguns exemplos de for•as centr’fugas P T F c Figura 15. A força re- sultante é centrípeta. Quando somos passageiros de um carro, sentados no banco da frente, e o carro faz uma curva para a direita, somos jogados contra a porta do carro. Em relação ao carro, referencial acele- rado, não inercial, sentimos a força cen- trífuga que nos joga para fora da curva. Em relação ao solo, referencial inercial, a porta nos aplica uma força normal que faz o papel de força centrípeta. Exemplo 3 Na máquina de lavar roupa (fig. 17), o rotor enxuga a roupa por cen- trifugação. Quando o rotor gira, as peças de roupa são jogadas contra a parede do rotor e a água é expul- sa pelos orifícios existentes em sua parede. Em relação a este, tomado como referencial não inercial, a força centrífuga jogou a roupa contra as paredes e expulsou a água. Exemplo 4 Figura 16. O sistema rotacional está girando com velocidade angular ω, e o observador B é não inercial. Ele vê o bloco em repouso. T P F i ω θ suporte radial Q g B Figura 17. zA PT M A R C o s A U R él Io N EV Es g o M Es lU Iz A U g U sT o R Ib EI R o Capítulo 17328 A B C A B C A B C C A B Na figura temos uma plataforma circular horizontal girando em torno de um eixo vertical com movimento circular uniforme ω. Um observador A, no solo, observa o movimento do bloco cúbico C, amarrado a um fio. Na plataforma girante, um observador B faz a mesma coisa. Para o observador A o cubo descreve um movimento circular uniforme. A força de tração do fio faz o papel de força centrípeta e temos: T = F cp = m · ω² · R Para o observador B o bloco cúbico está em repouso e, portanto, ao dese- nhar suas forças devemos acrescentar também a força de inércia que, por puxar o bloco na direção radial e para fora da curva, é uma força centrífuga (fig. 18). Como a força de inércia está equilibrando a força T , então se pode escrever: F i = F cf = T = m · ω² · R A força de Coriolis Quando um corpo está em movimento em relação a um referencial que gira, além da força centrífuga há uma outra força fictícia sobre o corpo: é a for•a de Coriolis, que tem esse nome porque seu estudo foi feito pelo francês gustave gaspar Coriolis (1792- 1843). Num referencial que gira, a força centrífuga existe tanto no caso em que o corpo está em repouso como no caso em que está em movimento, mas a força de Coriolis só aparece quando o corpo está em movimento. Não faremos o estudo matemático dessa força, pois sua complexidade está acima do nível do nosso curso, mas daremos um exemplo para que você perceba o seu efeito. Na figura 20 representamos uma situação em que dois indivíduos, A e B, estão sobre uma plataforma que gira em relação ao solo, onde está o indivíduo C. Para simplificar, vamos supor que o indivíduo A esteja no centro da plataforma. Exemplo 5 PROCuRE nO CD Veja, no capítulo 17 do CD, o texto "Força de Coriolis", em que este assunto é desenvolvido mais detalhadamente. o indivíduo A joga uma bola para B (fig. 20a). Porém, devido à rotação da platafor- ma, a bola não chega a B; quem a recebe é o indivíduo C. Nas figuras 20a e 20b, temos a trajetória da bola em relação ao observador C que está fixo no solo. Nas figuras 20c e 20d, representamos a trajetória da bola para os indivíduos A e B; para eles é o indivíduo C que está girando e a trajetória da bola é uma curva. Figura 20. Movimento observado por C. Movimento observado por A e B. B F i F N T P C Figura 19. Referencial não inercial. Figura 18. solo B C A ω (a) (b) (c) (d) Il U sT R A ç õ Es : lU Iz A U g U sT o R Ib EI R o