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281TÓPICO 2 | ATRITO ENTRE SîLIDOS Disso decorre, por exemplo, que uma mesma caixa de madeira empurrada sobre uma mesma superfície horizontal de con- creto recebe, para uma mesma solicitação, forças de atrito de intensidades iguais, independentemente de ela estar apoiada conforme a situação 1 ou a situação 2, ilus- tradas ao lado. Foi o artista e inventor italiano Leonar- do da Vinci (1452-1519) quem primeiro apresentou a formulação das leis do atrito. Quase dois séculos antes de Isaac Newton propor formalmente o conceito de força, ele já dizia: “O atrito exige o dobro do es- forço se o peso for dobrado”. E também: “O atrito provocado pelo mesmo peso de- terminará a mesma resistência no início do movimento, embora áreas ou compri- mentos de contato sejam diferentes”. Alguns séculos depois, o cientista fran- cês Charles Augustin Coulomb (1736-1806) realizou muitos experimentos sobre atrito e estabeleceu a diferença entre atrito es- tático e atrito cinético. Note, de acordo com os gráficos apresentados, que a força de atrito cinético permanece constante, pelo menos dentro de certos limites de velocidade. 4. Lei do atrito Revelam os experimentos que: No caso da situação 1, a área de contato da caixa com o plano de apoio é A1; no caso da situação 2, é A2, de modo que A1 . A2. Se F1 5 F2, então, Fat1 5 Fat2 , independentemente de termos A1 . A2. Graficamente, a intensidade da força de atrito recebida por um corpo em fun- ção da intensidade da força que o solicita ao escorregamento é dada conforme os diagramas abaixo: Thinkstock/Getty Images T h in k s to ck /G e tt y I m a g e s Os sulcos dos pneus dos carros têm por finalidade favorecer o escoamento da água que se interpõe entre a borracha e o asfalto. Isso evita as reduções bruscas do coeficiente de atrito que geralmente provocam o fenômeno da aquaplanagem, causador de derrapagens do veículo. Pneus “carecas”, com sulcos pouco profundos, são responsáveis por muitos acidentes de trânsito, pois determinam, entre outros fatores, frenagens menos eficientes. Para a locomoção sobre barro ou neve, pode-se revestir os pneus com correntes. Dessa forma, é compensada a insuficiência de atrito. 0 F F at F atc F atd c , e 0 F (simplificação) c 5 e F at F atc = F atd As forças de atrito de destaque e cinético são praticamente independentes da área de contato entre as superfícies atritantes. situação 1 situação 2 F 1 F at1 A 1 F 2 F at2 A 2 B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra Il u s tr a ç õ e s : B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra 1CONECTEFIS_MERC18Sa_U2_Top2_p270a296.indd 281 8/9/18 8:53 AM 282 UNIDADE 2 | DINÂMICA Leonardo da Vinci Italiano de Anchiano, Leonardo da Vinci, além de ter sido um dos maiores mestres da arte renascentista, notabilizando-se por obras como a Mona Lisa (Museu do Louvre – Paris), também foi um visionário da ciência. Já nos séculos XV e XVI, ainda distante de formulações matemáticas que se sucederiam no campo da Física, ele projetava objetos voadores, paraquedas e mecanismos para trocar cenários de teatros (altamente sofisticados até para os dias de hoje). No campo da Biologia, estudou anatomia hu- mana, registrando suas descobertas em desenhos que servem de referência para a Medicina ainda nos tempos atuais. Foi um verdadeiro gênio, como poucos que a humanidade conheceu. Como obter maior eficiência nas arrancadas e freadas? Em muitas competições de automobilismo, o piloto arranca fazendo as rodas de tração derraparem ou, como se diz na linguagem coloquial, “cantando os pneus”. Será que é dessa forma que se obtém a máxima intensidade na aceleração de largada? Certamente que não. A aceleração máxima é obtida quando as rodas de tração ficam prestes a deslizar. É nessa situação que a principal força que impulsiona o car- ro tem intensidade máxima, já que se trata da força de atrito de destaque. Numa arrancada em que o piloto deixa as rodas derraparem, devido ao fato de haver escorregamento entre os pneus e a pista, o atrito é do tipo dinâmico e este é em geral menor que o atrito de destaque. Dessa forma, fica diminuída a força propulsora sobre o veículo, o que determina uma menor aceleração. Também nas freadas não se deve deixar as rodas travarem, pois, na situação de um carro deslizando com os pneus bloqueados, a força de atrito responsável pela frenagem – atrito dinâmico – tem intensidade menor que a da força de atrito de destaque, o que obriga o veículo a percorrer uma distância maior até sua imobilização. O processo de frenagem ocorre com eficiência maior quando se mantêm as rodas na iminência de travar, já que nesse caso o veículo fica sujeito à força máxima de retardamento: a força de atrito de destaque. Isso explica a enorme aceitação pelo mer- cado consumidor do sistema de freios ABS – Antiblock Braking System –, pois ele impede o travamento das rodas do veículo durante as freadas. Em geral, diante de perigo iminente, motoristas tendem a pressionar o pedal de freio com muita força, o que quase sempre provoca bloqueio das rodas. Com freios ABS, essa pos- sibilidade fica praticamente eliminada, o que garante frenagens mais eficazes e seguras. Ampliando o olhar Ampliando o olhar Gravura representando Leonardo da Vinci. Autor desconhecido, séc. XIX. Coleção particular. T h in k s to ck /G e tt y I m a g e s B e tt m a n n /C O R B IS /L a ti n s to ck T h e B ri d g e m a n A rt L ib ra ry /G ru p o K e y s to n e Largada com o veículo “cantando os pneus”: desperdício de potência e aceleração com intensidade menor que a máxima possível. To n y W a ts o n /A la m y /F o to a re n a Reprodução dos desenhos originais do livro de notas de Da Vinci: estudos para uma máquina voadora. 1CONECTEFIS_MERC18Sa_U2_Top2_p270a296.indd 282 8/9/18 8:53 AM 283TÓPICO 2 | ATRITO ENTRE SÓLIDOS 18. Na situação esque- matizada na figura ao lado, um trator arras- ta uma tora cilíndrica de 4,0 ? 103 N de peso sobre o solo plano e horizontal. Se a velocidade vetorial do trator é constante e a força de tração exercida sobre a tora vale 2,0 ? 103 N, qual é o coeficiente de atrito cinético entre a tora e o solo? 19. Na situação esquematizada abaixo, um bloco de peso igual a 40 N está inicialmente em repouso sobre uma mesa horizontal. Os coeficientes de atrito estático e dinâmico entre a base do bloco e a superfície da mesa valem, respectivamente, 0,30 e 0,25. Admita que seja aplicada no bloco uma força horizontal F &. Adotando g 5 10 m/s2, indi- que os valores que preen- chem as lacunas da tabela abaixo com as intensidades da força de atrito e da aceleração do bloco correspondentes às inten- sidades definidas para a força F &. F (N) 10 12 30 F at (N) a (m/s 2 ) Como v 5 0, v0 5 2,0 m/s e Ds 5 2,0 m, vem: 0 5 (2,0)2 1 2 ? a ? 2,0 a 5 21,0 m/s2 a 5 |a| 5 1,0 m/s2 A força resultante responsável pela freada da caixa é a força de atrito cinético. Pela 2a Lei de Newton, podemos escrever: Fatc 5 ma (I) Entretanto: Fatc 5 c Fn 5 c m g (II) Comparando (I) e (II), calculamos, finalmente, o coeficiente de atrito cinético c: cmg 5 ma � a g 1,0 m/s 10 m/s c 2 2 5c 5 5 c 5 0,10 20. Uma caixa de fósforos é lançada sobre uma mesa horizontal com velocidade de 2,0 m/s, parando depois de percorrer 2,0 m. No local do experimento, a influência do ar é despre- zível. Adotando para o campo gravitacional módulo igual a 10 m/s2, determine o coeficien- te de atrito cinético entre a caixa e a mesa. Resolução: A figura seguinte ilustra o evento descrito no enunciado: 2,0 m F & atc Inicialmente, devemos calcular o módulo da aceleração de retardamento da caixa de fós- foros. Para isso, aplicamos a Equação de Torricelli: v2 5 v20 1 2 a Ds E.R. Nível 1Exercícios 21. Na figura, o es- quiador partedo repouso do ponto A, passa por B com velocidade de 20 m/s e para no ponto C: O trecho BC é plano, reto e horizontal e oferece aos esquis um coe ficiente de atrito cinético de valor 0,20. Admitindo desprezível a influência do ar e adotando g 5 10 m/s2, determine: a) a intensidade da aceleração de retardamento do esquiador no trecho BC; b) a distância percorrida por ele de B até C e o intervalo de tempo gasto nesse percurso. 22. Os blocos A e B da figura ao lado têm massas respectiva- mente iguais a 2,0 kg e 3,0 kg e estão sendo acelerados horizontalmente sob a ação de uma força F & de intensidade de 50 N, paralela ao plano do movi- mento. Sabendo que o coeficiente de atrito de escorre- gamento entre os blocos e o plano de apoio vale 5 0,60, que g 5 10 m/s2 e que o efeito do ar é desprezível, calcule: a) o módulo da aceleração do sistema; b) a intensidade da força de interação trocada entre os blocos na região de contato. movimento A B C F A BF a B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra 1CONECTEFIS_MERC18Sa_U2_Top2_p270a296.indd 283 8/9/18 8:53 AM