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luz incidente (I) (II) (III) 334 UNIDADE 2 | ONDULATÓRIA Observe, na sequência de fotografias abaixo realizadas com ondas retas na super- fície da água, que a diminuição da largura da fenda acentua o fenômeno da difração. Se, em vez de uma fenda, essas ondas encontrassem um obstáculo, continuaríamos tendo difração. Nesse caso, as ondas se desviariam, contornando o obstáculo. A difração intensifica-se quando as dimensões da fenda ou do obstáculo são inferiores às do comprimento da onda ou pelo menos da mesma ordem de grandeza. 20. Experiência de Young Apesar de Christiaan Huygens ter publicado em 1690 o seu Tratado da luz, no qual defendia a teoria ondulatória para a luz, a teoria corpuscular idealizada por Isaac Newton permaneceu aceita pela comunidade científica. Em 1801, Thomas Young (1773-1829) demonstrou, baseado em sólidos resultados experimentais, a existência do fenômeno da interferência luminosa. Na experiência realizada por Young, foram usados três anteparos. No pri- meiro, havia um pequeno orifício, em que ocorria a primeira difração da luz monocromática. No segundo, havia dois orifícios, colocados lado a lado, em que novas difrações aconteciam com a luz já difratada no primeiro orifício. No último anteparo, eram projetadas as “manchas” de interferência e podiam ser observa- dos os máximos (regiões mais bem ilu- minadas) e os mínimos (regiões mal iluminadas) de intensidade. Quando os orifícios são substituídos por estreitas fendas, essas “manchas” tornam-se “franjas” de interferência, que são mais bem visualizadas. Thomas Young, médico e físico inglês, foi o primeiro a demonstrar a teoria ondulatória da luz com sólida base experimental. Suas descobertas reforçaram as teorias de Huygens publicadas no final do século XVII. B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra R ic h a rd M e g n a /F u n d a m e n ta l P h o to g ra p h s S S P L /G e tt y I m a g e s 2CONECTEFIS_MERC18Sa_U2_Top2_p275a351.indd 334 7/7/18 2:27 PM x0 I anteparo III d D A B C Dx a a P y O (II) (III) 335TÓPICO 2 | ONDAS O esquema da página anterior mostra como Young obteve o espectro de interferência no anteparo III. O orifício único no primei- ro anteparo fazia com que a luz atingisse os orifícios do segundo anteparo em fase, transformando-os em “fontes” coerentes, já que pertenciam a uma mesma frente de onda. O esquema ao lado mostra a variação da intensidade da luz projetada no anteparo III. A “franja” central é o máximo de maior intensidade. Observe que para a direita e para a esquerda do máximo central temos, de forma intercalada, mínimos e máximos, sendo que os máximos apresentam intensidades decrescentes. Como as “fontes” (orifícios do segundo anteparo) são coeren- tes, isto é, estão em fase, as interferências observadas no ante- paro III dependem apenas da diferença (Dx) entre os caminhos percorridos pelos raios de luz. A luz que atravessa as fendas A e B se superpõe no anteparo III, pro- porcionando as franjas de interferência. Em O, a diferença de caminho (x) é nula. Porém, conforme a franja se distancia de O, em ambos os lados, x torna-se crescente. Na figura ao lado, para existir em P um máximo de intensidade (franja clara), é necessário que Dx contenha um número inteiro de comprimentos de onda ou um número par de meios comprimentos de onda. D 5 l x k 2 em que k 5 0, 2, 4, 6, ... Para existir em P um mínimo de intensidade (franja escura), é necessário que Dx contenha um número ímpar de meios comprimentos de onda. D 5 l x k 2 em que k 5 1, 3, 5, 7, ... Como D é da ordem de metros e d é da ordem de milímetros, AP, BP e CP são praticamente paralelos. Daí a igualdade dos ângulos a. No desenho que representa a experiência de Young, podemos observar que, sendo a distância d entre as fendas muito menor que a distância D entre os an- teparos II e III, o ângulo a é pequeno o suficiente para que seja válida a relação: sen a ù tg a. Assim, no triângulo retângulo pequeno, temos: a 5 D sen x d No triângulo retângulo CPO, temos: a 5tg y D Então, como sen a ù tg a, podemos escrever: D 5 x d y D , mas D 5 l x k 2 . Então: l 5k 2 yd D l 5 2yd kD B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra Essa expressão pode ser usada para calcular a frequência ou o comprimento de onda da luz monocromática incidente no anteparo II. 2CONECTEFIS_MERC18Sa_U2_Top2_p275a351.indd 335 7/7/18 2:28 PM película ar ar raios que se interferem 336 UNIDADE 2 | ONDULATÓRIA Observe que y é a distância entre a franja considerada e o máximo central (a distância entre duas franjas claras ou entre duas franjas escuras consecutivas é a mesma), d é o espaçamento entre as duas fendas do anteparo II, D é a distância entre os anteparos II e III e k é um número inteiro relacionado com a ordem da franja: para k 5 0, 2, 4, ..., temos franjas claras; para k 5 1, 3, 5, ..., temos franjas escuras. 21. Interferência em películas delgadas As cores que observamos em bolhas de sabão ou em finas manchas de óleo no chão aparecem devido à interferência de raios de luz que refletem na sua superfície externa e interna. A diferença do caminho percorrido por esses dois raios e a inversão de fase na reflexão da superfície externa podem proporcionar interferências construtivas ou destrutivas entre eles. B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra Procurando o sinal A telefonia celular é um dos serviços que mais crescem no mundo. No Brasil, o número de aparelhos celulares já ultrapassou o de telefones fixos. A principal característica da telefonia celular é a mobilidade, ou seja, com ela o usuário consegue estabelecer contatos telefônicos mesmo em deslocamento. Isso é possível porque a comunicação é feita sem o emprego de fios, utilizando-se ondas eletromagnéticas de frequência compreendida entre 1 GHz e 3 GHz. O sistema celular é formado por três componentes: a esta- ção móvel, que é o telefone celular propriamente dito, a estação rádio-base, que é a antena responsável pelo encaminhamento das ligações, e a central de comutação e controle, que é o cérebro do sistema, responsável pelo gerencia- mento das chamadas e pela conexão com outras estações rádio- -base. O atual estágio da telefonia celular permite que um telefo- ne dentro de sua área de cobertura seja localizado mesmo no interior de veículos (carros, ônibus, trens, etc.), contido em bolsos de roupas ou dentro de malas ou sacolas. Nesses casos, a onda é detectada depois de sofrer reflexões, refrações e difrações. É im- portante notar que as ondas hertzianas utilizadas na telefonia celular difratam-se com grande facilidade em fendas de pequenas dimensões, como os quase invisíveis orifícios existentes em tramas têxteis, já que seu comprimento de onda é da ordem de 101 cm. JÁ PENSOU NISTO? Na fotografia, podemos observar manchas multicoloridas na superfície de uma bolha de sabão. Esse fenômeno ocorre devido à interferência da luz. B e lla n a /S h u tt e rs to ck K it ze ro /S h u tt e rs to ck 2CONECTEFIS_MERC18Sa_U2_Top2_p275a351.indd 336 7/7/18 2:28 PM