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Colagenose - Dermatomiosite IN TR O D U Ç Ã O Definição Doença crônica, subaguda ou aguda, de origem desconhecida, caracterizada por início gradual com vagos e indefinidos pródromos, seguidos de dermatite, inflamação muscular e edema de membros superiores e inferiores. Caracteriza-se como miopatia inflamatória autoimune sistêmica. Obs.: é necessário apresentar manifestações cutâneas para ter dermatomiosite, mas a manifestação muscular é variável (amiopática ou hipomiopática) Etiologia: desconhecida. Mas sabe-se fatores genéticos (produção de autoanticorpos) + gatilhos em indivíduos geneticamente susceptíveis. Epidemiologia Rara, mais comum em mulheres 2:1 e acomete geralmente adultos entre a 4º e 5º década de vida. FI SI O P A TO LO G IA Interação genética e ambiental + infiltração linfocitária muscular e perivascular + presença de autoanticorpos miosite específicos. Autoanticorpos como anti-mi2 reconhecem antigenos próprios da musculatura esquelética como não próprios → ligação antígeno + anticorpo → imunocomplexo → deposição em vasos musculares → microangiopatia e isquemia muscular. Nos achados extra-musculares, o mecanismo envolvido se da pela exacerbação da resposta inflamatória com depósitos de imunocomplexos e perpetuação do processo imunológico. Anticorpos:FAN (pode estar +), anti-Mi2, anti-Jo1, anti-MDA5, anti-p155/140. M A N IF ES T A Ç Õ ES C LÍ N IC A S Dermatológicas Heliótropo Lesões na palpebra superior de característica eruptiva, violácea, podendo acompanhar edema periorbital Musculares Fraqueza muscular progressiva Acometimento proximal e simétrico Pode ficar acamado Disfagia alta Articulares: poliartrite não erosiva Pulmonares: pneumopatia intersticial Dispneia, atelectasia, infecções respiratórias 2ºs (acometimento musculatura intercostal e diafragmática) Cardíacas: disfunção cardíaca Pápulas de Gottron Lesões nas superfícies extensoras dos dedos, cotovelos, joelhos, com aspecto escamoso, descamativo, simétrico, elevado de coloração violácea. Erupções eritematosas (rash em V ou Sinal do xale) Lesões eritematosas do tipo rash, com acometimento da face, pescoço (formam um V nessa região), tórax. Outras Hipertrofia de cutículas, telangectasias periungueais, calcinose (deposição de cálcio no subcutâneo, as quais podem fistulizar e fazer infecção 2º), úlceras e vasculite, fenômeno de Raynaud. Dermatomiosite é a miopatia inflamatória mais associada a paraneoplasia: ocorre nos primeiros 5 anos de doença, anti p155/140, dermatomiosite do adulto, idade tardia ao diagnóstico, indica-se rastreamento. EX A M ES C O M P LE M EN T A R ES Exame físico: avaliar o grau de força muscular dos membros. Enzimas musculares: CK, LDH, ALT, AST Eletromiografia: procura-se por um padrão miopático RNM: visualização de áreas musculares com inflamação, edema, miosite, fibrose, calcificação Biópsias musculares: exame padrão ouro, deve ser proveniente em um segmento afetado (visualizado por RNM). → Achados na biópsia: infiltrado de linfócitos T CD4 perimisial, perivascular e com atrofia perifascicular. Mariana Brito Costa Envolvimento cutâneo + muscular D IA G N Ó ST IC O Clínica compatível + exames complementares (laboratorial) Clínica é soberana Critérios diagnóstico de Bohan e Peter 1. Fraqueza muscular: simétrica e proximal 2. Enzimas musculares: elevadas 3. Eletroneuromiografia: padrão miopático 4. Biópsia muscular: compatível com miopatia inflamatória 5. Lesão cutânea típica: Heliótropo, pápulas/ Sinal de Gottron Critérios classificatórios de EULAR/ACR – 2017 Sistema de pontuação que da a probabilidade em % daquele paciente ter uma miopatia inflamatória. “Não é prático no dia a dia”. TR A TA M EN TO Glicocorticoides + imunosupressor (Azatioprina ou Metotrexato): • Prednisona: 1 mg/peso/dia (não excedendo 80 mg/dia ou • Pulso terapia com metil prednisolona: 1 a 2g/infusão – 3 a 5 dias (casos graves) + • Azatioprina: 2-2,5mg/kg/dia ou • Metotrexato: VO 0,4mg/kg/semana Há resposta de 80% dos casos de dermatomiosite ao MTX no 1º ano de doença. Fazer controle a cada 3 semanas → clínico e laboratorial Reduzir muito lentamente a pednisona até haver estabilidade clínica e de enzimas. Manutenção do MTX: redução se inicia após a menor dose atingida de prednisona. Situações especiais: → Dermatomiosite e neoplasias: → Dermatomiosia juvenil: diferencia-se do adulto pois as calcinoses são mais frequentes, fenômenos vasculares. Além disso, apresenta melhor resposta terapêutica e melhor prognóstico. Diagnóstico definitivo Polimiosite: todos os itens de 1 a 4 presentes Dermatomiosite: 3 dos itens de 1 ao 4; o iten 5 é obrigatório. Mariana Brito Costa Calcinose