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Direito a cultura, esporte e lazer 
 
A criança e o adolescente no seu desenvolver necessitam de variados estímulos: 
emocionais, sociais, culturais, educacionais, motores, enfim, todo o arcabouço 
necessário para sua formação. O ECA, fundado na doutrina da proteção integral, 
assegurou a crianças e jovens não apenas direitos considerados imprescindíveis ao 
ser humano como vida, saúde, educação, mas ainda aqueles que, de certa forma, 
são vistos como secundários ou até supérfluos por nossa sociedade, mas que 
exercem importante papel no desenvolvimento da criança e do adolescente. A 
cultura estimula o pensamento de maneira diversa da educação formal. Os 
espetáculos culturais – música, dança, cinema – permitem que crianças e jovens 
tenham contato com padrões de comportamento, valores, crenças, socialmente 
difundidos, por meio de outro canal. O esporte desenvolve as habilidades motoras, 
socializa e pode ser o início da vida profissional da criança e do adolescente. É 
comum ouvirmos histórias, principalmente de jogadores de futebol, que depois de 
privações na infância hoje têm reconhecimento profissional. Além disso, a prática 
esportiva é atual aliada da saúde. O exercício estimula o bom colesterol, melhora a 
capacidade cardiorrespiratória, diminui a obesidade quando aliada a uma 
alimentação racional. Criança e adolescente têm direito de brincar e de se divertir, 
e até de não fazer nada. O lazer envolve entretenimento, diversão, importantes 
ingredientes para a felicidade, antídoto da depressão. Na escola é obrigatório o 
recesso, chamado recreio, momento de descontração, no qual os alunos 
descansam a mente e se inter-relacionam. Em casa, a família deve reservar algum 
tempo para que a criança brinque e possa de fato ser criança, afastando o adulto 
em miniatura exigido pela sociedade moderna. Poder Público e família têm 
importante papel na efetivação desses direitos fundamentais. O Estado deve 
assegurar o acesso à cultura, esporte e lazer por meio da construção de praças, 
instalação de lonas culturais, de teatros populares, promoção de shows abertos ao 
público, construção de complexos ou simples ginásios poliesportivos. A família 
deve buscar, de acordo com sua classe social, ofertar às suas crianças e jovens a 
possibilidade de frequentar teatros, shows, assistir a filmes ou, simplesmente, 
brincar. A própria escola tem importante papel na promoção desses direitos, sendo 
comum passeios a museus ou formação de grupos de teatro pelos próprios alunos. 
A doutrina da proteção integral não comporta relativização. Assim, cabe à 
sociedade exigir o respeito e a efetivação dos direitos fundamentais preconizados 
no art. 227 da Lei Maior em favor de nossas crianças e jovens, conquista da nossa 
atual sociedade.

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