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Análise de material didático e fatores auxiliares Profª. Adriana Soares Ralejo, Profª. Marcella Albaine Farias da Costa Descrição Reflexão sobre a diversidade de tipologias de recursos didáticos e suas diferentes possibilidades de uso em contextos de ensino e aprendizagem escolar. Propósito Conhecer a diversidade de recursos didáticos proporciona ao docente potencialidades criativas para o ensino, a fim de melhor dialogar com as realidades dos estudantes estabelecendo aprendizagens significativas. Preparação Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 1 of 140 29/01/2024, 14:56 Preparação Antes de iniciar seu estudo, separe um livro didático que tenha à disposição, de preferência da sua área de atuação, a fim de desenvolver atividades propostas nos módulos. Objetivos Módulo 1 Analisando o livro didático Reconhecer o livro didático como instrumento de aprendizagem em potencial. Módulo 2 Recursos dentro de um recurso Analisar criticamente os diferentes recursos presentes no livro didático. Módulo 3 Em busca de novos recursos didáticos Formular propostas didáticas com base na gamificação. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 2 of 140 29/01/2024, 14:56 Formular propostas didáticas com base na gamificação. Módulo 4 Recursos digitais de aprendizagem Avaliar as diferentes possibilidades das mídias digitais para situações de ensino e aprendizagem. Introdução Mesmo que não pareça, estamos cercados de elementos que podem se tornar recursos didáticos potentes para a prática docente. É disso que se trata esta proposta: permitir o olhar problematizador para o que temos e proporcionar ações criativas e significativas nas relações de ensino e aprendizagem. Começando com o livro didático, convidamos você, a partir de uma perspectiva crítica, a observar seu contexto de produção, distribuição e uso. Dentro dele, há uma infinidade de possibilidades, ou seja, muitos recursos dentro de um recurso! Esses não se limitam ao que podemos ver, vão além. Tanto o estudante quanto o professor podem construir juntos uma educação transformadora. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 3 of 140 29/01/2024, 14:56 Considerando os desafios atuais, vamos explorar também os processos de gamificação como metodologia ativa, além de apontar caminhos possíveis para os usos das mídias digitais de forma consciente e baseada nos preceitos éticos. 1 - Analisando o livro didático Ao �nal deste módulo, esperamos que você reconheça o livro didático como instrumento de aprendizagem em potencial. Ligando os pontos Você sabe o que é um livro didático? Sabe qual a relação do professor com esse material? Então vamos ver o caso abaixo. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 4 of 140 29/01/2024, 14:56 João foi chamado para ser o novo diretor pedagógico de uma escola e, chegando lá, fez reuniões para conhecer o corpo docente, saber mais sobre o dia a dia da instituição, além de conhecer melhor todo o planejamento. As primeiras impressões foram positivas e João estava gostando bastante do novo desafio. Porém, um ponto chamou a sua atenção, os livros didáticos utilizados nas turmas. Ao realizar a análise dos livros, os achou bem pertinentes, com temáticas inovadoras, um material atualizado, porém, nas reuniões, esse tema não apareceu. Como na escola não havia psicopedagogo e João sempre gostou de contar com um nas instituições em que trabalhou, ele chamou um profissional da área para realizar um assessoramento e verificar como estava a questão da aprendizagem. João comentou a respeito da temática do livro didático e pediu a ajuda do psicopedagogo para verificar o que estava ocorrendo. O psicopedagogo, então, se apresentou ao corpo docente, conversou com professores, funcionários, alunos, responsáveis dos alunos, acompanhou recreios e algumas aulas, e percebeu que o que estava ocorrendo. Em uma reunião com João, relatou que existia um certo estigma com o livro didático por parte do corpo docente, uma vez que em outros tempos as escolhas dos livros não eram tão interessantes. Com isso, o psicopedagogo e João resolveram fazer uma reunião para explicar a finalidade que o livro didático tem, suas funções (divididas em Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 5 of 140 29/01/2024, 14:56 explicar a finalidade que o livro didático tem, suas funções (divididas em categorias) e a relação do livro com os professores. Após essa conversa, o corpo docente ficou mais tranquilo em relação ao uso do livro didático, que antes era visto como algo não muito útil e começou a utilizá-los com mais vontade. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? QQuueessttããoo 11 Como você viu, os professores tinham um certo desgosto em utilizar os livros didáticos, algo que ocorre em diversos locais. Porém, o diretor e o psicopedagogo conversaram e explicaram as funções do livro didático. Sabe-se que as funções são diversas, mas podemos classificá-las em categorias, assim como João e o psicopedagogo fizeram. Das alternativas abaixo, qual apresenta quatro categorias que você poderia dividir essas funções de forma correta? A Qualidade, preço, marca, tamanho dos livros. B Referencial, instrumental, ideológica e cultural, documental. C Partidária, quem são os autores, ideológica, cultural. D Qualificação, marca das editoras, documental e referencial. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 6 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa B está correta. Respectivamente, na categoria referencial, temos que o objeto (o livro didático) é um suporte a que o professor pode recorrer para conferir conteúdos, conhecimentos, técnicas e habilidades; a categoria instrumental está relacionada à utilização do livro didático em práticas de aprendizagem, a fim de facilitar o processo de ensino; em relação às categorias ideológica e cultural, temos o entendimento que o livro paradidático é um resultado de escolhas; e a categoria documental diz respeito aos livros didáticos serem um documento no qual constam imagens e textos, utilizados para o desenvolvimento do pensamento crítico. QQuueessttããoo 22 No caso estudado, vimos a relação entre o professor e o livro didático. Como você explicaria de forma correta ao corpo docente como se dá essa relação? Assinale a alternativa abaixo. E Atualização, partidário, linguagem, instrumental. A O livro didático pode dar conta sozinho do processo de ensino e aprendizagem, sendo assim não há espaço para atuação do professor. B O livro didático traz uma linguagem rebuscada, por ser um conhecimento científico igual vemos em teses, com isso, o professor precisa explicar os Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 7 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa D está correta. O livro didático é um instrumento importante. Pode ser, em alguns casos, o único contato do aluno com um livro, sendo também um aliado na prática docente. O livro didático se difere do conhecimento acadêmico, cuja linguagem é mais rebuscada, mas tem uma ligação com os fluxos científicos para se ter uma garantia de legitimidade de valor. O livro didático tem uma configuração própria, que faz com que esses conhecimentos passem por processos de produção que tornam os sabres ensináveis. Além disso, ele é uma fonte de referência e de inspiração, mas não de reprodução. Podemos utilizar e realizar modificações e adaptações termos presentes nos livros. C O livro didáticoé uma fonte de reprodução, ou seja, o professor não pode modificar nem fazer adaptações, seguindo exatamente o que está escrito nele. D O livro didático, quando bem utilizado, contribui com o professor na sugestão de metodologias inovadoras, na organização dos processos de ensino e aprendizagem, na mitigação de erros de conteúdo entre outras colaborações. E O livro didático é apenas um objeto em que o professor pode se apoiar quando não souber o que realizar em sala de aula, ou seja, em um dia que está sem planejamento ele é um objeto de uso. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 8 of 140 29/01/2024, 14:56 reprodução. Podemos utilizar e realizar modificações e adaptações baseadas no contexto de prática ao qual está inserido. Questão 3 Você deve ter reparado que o diretor pedagógico e o psicopedagogo conversaram sobre a equipe a respeito da finalidade do livro didático, ou seja, para que serve. Sabe-se que essa é uma questão que terá diversas respostas, pois as finalidades são diversas e dependem de alguns fatores. Que fatores são esses que podem modificar a funcionalidade do livro didático? Digite sua resposta aqui Chave de resposta A funcionalidade do livro didático depende de alguns fatores, tais como: tempo histórico no qual é utilizado, quem está envolvido na sua utilização, o investimento feito pelas editoras, as intenções dos autores, a apropriação que é feita pelos professores. Não adianta ter um livro didático se ele não será utilizado, assim como ele não deve ser seguido à risca se desconsiderando os fatores locais. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 9 of 140 29/01/2024, 14:56 Livro didático: “o primeiro recurso” Neste módulo, iniciaremos nossa discussão sobre o universo dos recursos didáticos. E é claro que não podemos deixar de começar com o nosso fiel companheiro de atuação docente que é o livro didático. Exploraremos o conceito desse material, suas diversas funções, os desafios enfrentados e as potencialidades que pode nos oferecer para proporcionar uma aprendizagem significativa. Vamos começar? Livro didático é um recurso, mas a professora Marcella Albaine te ajuda refletir sobre ele. Competências da BNCC e o livro didático Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 10 of 140 29/01/2024, 14:56 Talvez você tenha um livro didático na prateleira de uma estante ou guardado no fundo de uma caixa. Nós possuímos diferentes relações com esse material e abordaremos algumas delas no vídeo a seguir. Complementando o que acompanhamos no vídeo acima, vale a pena destacar que cada um vai desenvolver uma relação com esse objeto escolar de forma específica. Mas, de alguma forma, esse material vai passar pelas suas mãos, seja por opção sua ou pelas circunstâncias provocadas no cotidiano escolar, já que gestores e professores fazem opção pelo uso desse tipo de recurso que já se tornou um elemento de tradição. A�nal, o que é um livro didático? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 11 of 140 29/01/2024, 14:56 O que você diria que é um livro didático? Como ele passou (ou não) pela sua vida? Nem sempre o significado de livro didático foi o mesmo. De acordo com o pesquisador Alain Choppin (2004), a definição desse objeto pode se dar de diversas maneiras, o que dificulta que encontremos pesquisas sobre ele, tornando-se um tema de pesquisa relativamente recente (a partir da década de 1980 que começaram a crescer o número de discussões sobre esse assunto). Mas isso não é de se estranhar, pois ao longo dos tempos a relação entre o livro didático e seu público-alvo foi se modificando. Só para termos uma noção e contextualizarmos nossa conversa, faremos um breve relato sobre o percurso histórico desse objeto didático no Brasil: Primeira metade do século XIX Surge o compêndio como orientação para professores em suas práticas. Segunda metade do século XIX É colocada em xeque a relação entre Estado e Igreja na disputa pelo que deve ser ensinado. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 12 of 140 29/01/2024, 14:56 Início do século XX Cresce um movimento mais liberal buscando a inclusão de outros setores da sociedade na educação. Década de 1930 É criado o Ministério da Educação e Saúde Pública (MES) e a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD). Década de 1960 Os livros passaram a ser revisados em relação à composição pedagógica e conteúdos. Ditadura civil-militar O Estado passa a fiscalizar mais as informações veiculadas nos livros didáticos, controlando, dessa forma, a educação. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 13 of 140 29/01/2024, 14:56 Acompanhado o percurso histórico, vamos agora nos aprofundar em cada um dos momentos desse objeto didático: dessa forma, a educação. Década de 1980 Com a pluralidade de ideias e concepções pedagógicas, materiais alternativos produzidos pelos próprios professores ganham espaço. Ano de 1985 É criado o Programa Nacional do Livro Didático, uma política que visava à implementação de um processo de avaliação dos livros didáticos. Década de 1990 Aos poucos as apostilas vão ganhando espaço no mercado editorial e se consolidando como sistemas de ensino. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 14 of 140 29/01/2024, 14:56 Em seus primórdios, o livro didático era mais direcionado a atender às demandas do professor. Ele nasce como compêndio, que, como a própria palavra sugere, trata-se de um compilado de textos de vários autores, até porque não havia uma única pessoa especializada em todos os conteúdos de determinada matéria. Ou, em alguns casos, traduziam-se obras estrangeiras tidas como referência, principalmente de franceses e alemães, consideradas como nações “cultas”. Esses materiais tinham por função a orientação de professores em suas práticas, ou seja, não eram destinados aos estudantes. Dessa forma, podemos compreender a forte diferença em relação ao formato e linguagem dos livros didáticos a que estamos acostumados. Com o decorrer do século XIX, mediante um crescimento da rede escolar, entram em disputa propostas de nacionalização e civilização, inclusive, colocando em xeque a relação entre Estado e Igreja na disputa pelo que deve ser ensinado. Nessas disputas, afirma-se a importância do uso de materiais com fins mais didáticos para crianças e adolescentes, surgindo, assim, a Primeira metade do século XIX Segunda metade do século XIX Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 15 of 140 29/01/2024, 14:56 didáticos para crianças e adolescentes, surgindo, assim, a produção de manuais escolares e cartilhas. Mas vale a pergunta: quem são esses estudantes? É claro que estamos falando de uma educação aristocrática, feita por grupos que procuravam manter uma visão de sociedade hierarquizada de modo que a educação, por meio do livro didático, não modificasse a ordem vigente. Ainda tínhamos uma educação destinada à elite, e outros grupos sociais ficaram de fora dessa concepção de escola. A transição do regime governamental de Império para República não significou necessariamente uma mudança do controle estatal sobre os assuntos educacionais. De uma educação mais livre e domiciliar que caracterizou o século passado, foi-se ganhando mais força o papel do Estado no controle de livros didáticos por meio do veto e da autorização de obras “próprias” para circulação. O significado de escolaainda permanecia nas mãos da elite com um projeto de “mundo civilizado”. Por outro lado, crescia um movimento mais liberal com um projeto de ampliação do conceito de “cidadão brasileiro”, buscando a inclusão de outros setores da sociedade na educação. Início do século XX Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 16 of 140 29/01/2024, 14:56 É a partir da década de 1930 que a relação entre o Estado e a educação começa a mudar. É criado o Ministério da Educação e Saúde Pública (MES) com o intuito de estruturar a educação brasileira e ampliar a rede escolar com a pretensão de universalização do ensino. Dentro desse contexto, em 1938, é criada a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) com o intuito de controlar a produção, importação e utilização de livros didáticos, passando a se controlar mais a definição de conteúdos, prioridades, orientações quantos aos procedimentos didáticos e indicação de livros e materiais. Se por um lado o público discente crescia, por outro, a formação Década de 1930 Década de 1960 Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 17 of 140 29/01/2024, 14:56 de professores ficava cada vez mais defasada para acompanhar essa nova dimensão escolar. Com isso, há uma demanda por modificações nos materiais escolares para uma educação baseada em diferentes níveis de ensino e que garantissem a permanência desses estudantes nas escolas. Os livros passaram a ser revisados em relação à composição pedagógica e conteúdos. Com a instituição da Ditadura civil-militar no Brasil de 1964, inaugura-se um período de censura e ausência das liberdades democráticas no país. Quanto à produção de livros didáticos, o Estado passa a fiscalizar mais as informações veiculadas nesses materiais, controlando, dessa forma, a educação. O monitoramento se dá por duas frentes de atuação: a Comissão do Livro Técnico e Livro Didático (COLTED), criada em 1966, visava ao controle e incentivo do mercado editorial privado; e a Fundação Nacional do Material Escolar (Fename), criada em 1967, responsabilizava-se pela distribuição de materiais escolares a estudantes carentes. Ditadura civil-militar Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 18 of 140 29/01/2024, 14:56 Nesse período, os livros ganham um teor de orientação e condução sobre a ação docente, com uma linguagem mais acadêmica, em resposta à fragilidade verificada na formação de professores, e com técnicas de ensino como instruções programadas e estudos dirigidos. Os livros didáticos passaram a ser condutores da prática docente, influenciando todo trabalho pedagógico com a prescrição de metodologias, conceitos e finalidades da educação a serem seguidos. Com o processo de redemocratização no país, os discursos de liberdade individual e uma social-democracia ganhavam força. As práticas autoritárias deram lugar à pluralidade de ideias e concepções pedagógicas. Os livros didáticos de algumas disciplinas foram criticados e descredibilizados por serem considerados como reprodutores de desigualdades e hierarquias sociais por meio de seus textos conservadores. Em seu lugar, ganhavam espaço materiais alternativos produzidos pelos próprios professores. Década de 1980 Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 19 of 140 29/01/2024, 14:56 Em 1985, foi criado o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), uma política que visava à implementação de um processo de avaliação dos livros didáticos. Esse programa trouxe grandes modificações para a política educacional presente até os dias atuais. Seu maior objetivo é proporcionar a universalização e qualidade na educação por meio da distribuição de livros para todas as escolas públicas do país. Vamos falar um pouco mais sobre a importância do PNLD ainda neste módulo. Paralelamente às modificações que aconteciam na produção de livros didáticos mediante o novo momento político do país, com novas legislações e abrindo portas para a pluralidade de ideias, cresce a produção de materiais produzidos pelos próprios professores, como dissemos anteriormente. As apostilas foram criadas com o argumento de serem mais atualizadas e dialogarem com os interesses diretos das instituições escolares. Ano de 1985 Década de 1990 Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 20 of 140 29/01/2024, 14:56 Aos poucos, esses modelos de sucesso local vão ganhando espaço no mercado editorial e se consolidando como sistemas de ensino, materiais que oferecem uma proposta já estruturada para além do material impresso, com orientação pedagógica, ciclo de palestras, formação aos docentes, metodologias e produtos tecnológicos como portais de internet e cursos à distância. Dica Será que já existia no século XIX material didático do componente curricular com o qual você trabalha? Como a educação estava fortemente ligada às relações de poder vigentes, até o século XIX, os componentes que compunham uma educação escolar eram de cunho religioso, além dos estudos das letras, matemática, ginástica, música e canto, valores morais e cívicos, higiene e trabalhos manuais. Vale a pena você dar uma pesquisada em banco de teses e dissertações da Capes ou em artigos científicos na Scielo sobre as circunstâncias em que o componente que você trabalha surgiu, pois cada um possui uma especificidade e interesses ligados a ele. O sucesso dos sistemas de ensino vem chamando a atenção de críticos. A qualidade desse material é colocada em questão, visto que não passam por avaliação do PNLD. É também apontada como preocupante a pouca liberdade que o professor possui, já que apresentam metodologias prontas, como apontam alguns autores como Celia Cassiano (2013). Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 21 of 140 29/01/2024, 14:56 Celia Cassiano (2013). Re�exão O que você acha disso? Se já conhece algum desses sistemas de ensino, adotaria em sua prática docente? Para que serve um livro didático? Bem, após esse “breve” histórico sobre a trajetória dos livros didáticos no Brasil, compreendendo as relações de poder envolvidas, podemos aprofundar e desenvolver outras questões sobre esse material. Vamos começar falando sobre sua função. Você consegue definir para que serve um livro didático? Novamente, não temos uma resposta pronta. Como você reparou, a funcionalidade do livro didático depende de vários fatores. Vejamos a seguir alguns deles: Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 22 of 140 29/01/2024, 14:56 O tempo histórico em que ele está sendo utilizado. As pessoas envolvidas no seu uso. O investimento das editoras. As intencionalidades dos autores. A apropriação que o professor fará dele. De nada adianta um livro didático se ele não é usado. Muito menos conseguimos proporcionar uma aprendizagem significativa se ele for seguido à risca, desconsiderando os fatores locais. Circe Bittencourt, pesquisadora sobre o tema, diz que “o bom livro didático é aquele usado por um bom professor” (você pode conferir a entrevista completa na seção Explore+). Mas o que isso quer dizer? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 23 of 140 29/01/2024, 14:56 O livro didático é um objeto cultural complexo. E, ao utilizar o significante cultural, ela aponta que o livro didático possui um valor histórico e está passível de influências ideológicas e políticas, como pudemos observar no item anterior. O que aparentemente é um objeto de valor únicoe universal, na verdade é o resultado do cruzamento de ideias pedagógicas, editoriais e sociais. Choppin (2004) classifica as múltiplas funções do livro didático em quatro categorias: Referencial Quando pensamos em uma função referencial, quer dizer que esse objeto se torna um suporte, e que recorremos a ele para conferir conteúdos, conhecimentos, técnicas e habilidades. Por exemplo, com o desafio de implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é no livro didático que os professores vão se apoiar como referência que cumpre a proposta curricular. Instrumental A função instrumental está relacionada ao uso do livro didático em práticas de aprendizagem para facilitar o processo de ensino. Ou seja, cada vez que você utiliza o livro para realizar uma leitura Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 24 of 140 29/01/2024, 14:56 com os estudantes, analisar uma imagem, resolver exercícios, você está tornando aquele objeto um instrumento para alcançar seu objetivo de ensino. Ideológica e cultural Em relação à função ideológica e cultural, como já comentamos, podemos compreender que o livro didático é o resultado de escolhas. Quem determina o que deve ser ensinado? Eis a chave para compreender o papel político deste material como instrumento de poder que busca construir identidades, perpetuando culturas e valores das classes dominantes. Documental A função documental se refere aos livros didáticos como um lugar em que estão presentes documentos (textos e imagens) utilizados para o desenvolvimento do pensamento crítico, criativo e científico dos estudantes. Existem vários recursos dentro do Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 25 of 140 29/01/2024, 14:56 e científico dos estudantes. Existem vários recursos dentro do livro didático como recurso. Mas esse assunto será desenvolvido no próximo módulo, ok? A determinação do que deve ser ensinado é um campo de disputas em algumas disciplinas mais intensas do que em outras. A famosa pergunta dos estudantes “Por que eu preciso aprender isso?” é mais válida do que nunca, afinal, está se argumentando sobre a relevância do ensino e o papel da escola para a vida em sociedade. Movimentos recentes como a promulgação das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, são sinais de que não está tudo resolvido. Cabe a nós perguntar: Qual é a sociedade que está sendo construída nos livros didáticos? E qual é a sociedade que desejamos construir? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 26 of 140 29/01/2024, 14:56 Políticas avaliativas: falando de PNLD Com a discussão desenvolvida até aqui, não podemos mais naturalizar o livro didático como um material detentor de uma verdade que não deva ser problematizada. Mas é inegável seu papel como autoridade que representa um conhecimento a ser ensinado, reconhecido pelos estudantes, professores e pela sociedade como um todo. Quando há divergência entre a opinião do professor e a do aluno, em uma avaliação, por exemplo, o argumento de que “no livro didático está assim”, ainda é um dos mais utilizados. Na hora de realizar o planejamento anual escolar, é a partir do livro didático que o professor irá se basear para programar suas aulas. Por essa relação de confiança que depositamos nesse recurso didático e, apesar de não ser uma verdade única, representar diálogos e discursos que estão constantemente em negociação (nem sempre tão pacíficas), que se faz necessária uma política de avaliação a fim de controlar a qualidade desses materiais. Estudantes e professores em Itabela, Bahia. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 27 of 140 29/01/2024, 14:56 É nesse contexto que é criado o PNLD, pelo Decreto 91.542, de 19/08/1985, com base em políticas educacionais que demandam por mudanças na educação. Sua maior proposta é promover a universalização do ensino, tentando resolver problemas sociais em uma vertente assistencialista, em busca de qualidade no campo da educação. A partir da década de 1990, essa política passa a se expandir e ser refinada, possibilitando aos professores e gestores das escolas públicas desse país a escolha do livro que será utilizado nos próximos três anos letivos, com base em um guia que possui uma resenha dos livros, apontando características, aspectos positivos e limitações. Infelizmente, não são muitos os que se preocupam em analisar o Guia de Livros Didáticos para fazer escolhas mais adequadas. Precisamos lembrar que o PNLD é uma política que visa à qualidade na educação, contando com uma avaliação crítica de professores, pesquisadores e especialistas na área. Escolher uma obra que esteja dentro dessa lista de aprovados nos dá uma maior credibilidade de que a obra que utilizaremos respeita as normas oficiais, os princípios éticos, possui coerência e adequação com sua abordagem teórico-metodológica e atualização de conceitos e informações. Re�exão Se você tivesse que escolher hoje um livro didático para utilizar em sala de aula, qual escolheria? Dificilmente você terá acesso a todos os livros disponíveis e provavelmente escolheria aquele que já conhece ou uma indicação de um colega, de um consultor editorial ou, até mesmo, teria que acatar a escolha feita pela direção da escola em que trabalha. Para conhecer bem esse universo de livros didáticos e evitar escolher um livro de má qualidade, com o qual não consiga trabalhar, desafiamos você a escolher um livro com base no Guia de Livros Didáticos, disponível no portal do FNDE. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 28 of 140 29/01/2024, 14:56 A relação entre o livro didático e o professor Já parou para pensar por que o livro didático é um instrumento tão importante assim? Para muitos de nossos estudantes, talvez esse seja o primeiro e, infelizmente, em alguns casos, o único contato com um livro. Pense na emoção que você tinha ao receber um livro, de querer folheá- lo, descobrir o que vem pela frente, de enfrentar o desconhecido e se abrir para o novo. Esse recurso é um importante aliado em nossa prática docente e não é por acaso. Diferentemente do conhecimento acadêmico, que apresenta uma linguagem rebuscada por meio dos livros, artigos e teses que lemos ao longo de nossa formação, o conhecimento escolar se caracteriza por ser uma produção originária naquele e para aquele ambiente, com uma epistemologia própria e diferenciada do conhecimento científico. Ser diferente do conhecimento científico não quer dizer que sejam produções antagônicas. A ligação com os fluxos de cientificidade se faz necessária por garantir ao conhecimento escolar uma legitimidade de valor perante as demandas sociais. Atenção O conhecimento escolar não é uma simplificação do conhecimento acadêmico e muito menos oposto a ele! Por terem uma configuração própria, esses conhecimentos passam por processos de produção a fim de se tornarem os saberes ensináveis. Ao ministrar uma aula, trabalhamos com leituras, interpretações e objetivos que geram um processo de recontextualização, no qual a bricolagem de informações, saberes, valores, habilidades criam discursos com Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 29 of 140 29/01/2024, 14:56 informações, saberes, valores, habilidades criam discursos com expressões próprias que buscam ser objeto de compreensão tanto para professores quanto para alunos. Exempli�cando o termo trabalhado Colocaremos a seguir um trecho retirado de um texto científico. Pense como você explicaria a ideiaali exposta para um jovem que está cursando o 8º ano do ensino fundamental. Não se prenda a somente usar palavras mais simples, mas a buscar relações das suas experiências e do que você espera que seja conhecimento desse jovem. Esse exercício nos ajudará a compreender melhor como acontece uma transposição didática. Para participar desta nova estrutura social, é preciso passar por uma nova alfabetização. Aprender a “linguagem da tela”, das “tecnologias da interrupção” chega a ser tão necessário como a alfabetização relacionada com a leitura e a escritura verbais. Consequentemente, preparar Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 30 of 140 29/01/2024, 14:56 Consequentemente, preparar os cidadãos não só para ler e escrever nas plataformas multimídia, mas para que se envolvam com esse mundo compreendendo a natureza intricada, conectada, da vida contemporânea, torna-se um imperativo ético e uma necessidade técnica. (PÉREZ GÓMEZ, 2015, p. 21) Tendo os conteúdos organizados de forma própria para o ensino, com uma linguagem já didatizada, o livro didático é um dos recursos que mais auxiliam a prática docente. Para nós, professores, ele se torna uma fonte de referência e inspiração para planejar nossas aulas. Nota-se que estamos falando de inspiração, e não de reprodução. É importante frisar que a partir dele podemos (e devemos) realizar modificações e adaptações no contexto de prática. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 31 of 140 29/01/2024, 14:56 Um livro didático bem utilizado pode ajudar o professor a evitar erros, sugerir metodologias inovadoras, organizar processos de ensino- aprendizagem, atualização de conteúdos, sistematizar os conteúdos escolares, ou seja, seu uso não se restringe à sala de aula. Porém, não é sempre assim que acontece. Percebemos que muitos professores acabam desenvolvendo uma relação de disputa com os livros didáticos, correndo o risco de não serem utilizados em sala de aula. Por possuir um caráter aparentemente completo, trazendo explicação de conceitos, problematizações, propondo exercícios, sugerindo filmes etc., parece que o livro sozinho pode dar conta do processo de ensino e aprendizagem, não deixando espaço para a atuação docente. Essa rejeição também pode acontecer quando o professor não possui o direito de escolha da obra, sendo obrigado a trabalhar com um material que não desejava. Mas não podemos nos deixar reduzir a esses estereótipos, pois, por mais que o material não tenha o seu perfil de atuação, há ali uma infinidade de recursos que podem ser explorados. Esse será o tema do nosso próximo módulo. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 32 of 140 29/01/2024, 14:56 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 "Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. § 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.” Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 33 of 140 29/01/2024, 14:56 áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.” (Lei 10.639/2003) A promulgação de uma lei que torna obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira em 2003 demonstra que Parabéns! A alternativa C está correta. A os temas sobre história e cultura africana e afro- brasileira não são contemplados nos currículos, incluindo os livros didáticos, de forma correta. B foi necessário ter uma medida legal para que seja construída uma sociedade que possa ser reconhecida por sua diversidade e diferença. C a seleção de conteúdos é um processo de disputas pelo que deve ser ensinado, acontecendo lutas por representatividade para serem reconhecidos. D existe uma hegemonia de uma cultura branca e patriarcal que permanece desde o início da educação escolar e que não mudou no decorrer do tempo. E somente a partir do século XXI que apareceram manifestações de representatividade da cultura africana e afro-brasileira no currículo. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 34 of 140 29/01/2024, 14:56 O currículo, e isso inclui os livros didáticos, é resultado de um processo de disputa de poder. A promulgação da lei 10.639/2003 mostra que nem tudo está previamente dado no currículo escolar, precisando haver lutas por representatividade que, no caso, precisou se tornar lei para ser cumprida. Questão 2 “Os livros didáticos, os mais usados instrumentos de trabalho integrantes da “tradição escolar” de professores e aluno, fazem parte do cotidiano escolar há pelo menos dois séculos. Trata-se de objeto cultural de difícil definição, mas, pela familiaridade de uso, é possível identificá-lo, diferenciando-o de outros livros” (BITTENCOURT, C. Ensino de História: fundamentos e métodos. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2009, p. 299). A pesquisadora Circe Bittencourt afirma que, apesar de ser facilmente identificado, é difícil definir um livro didático. O que ela quis dizer com “objeto cultural de difícil definição”? A Apesar da familiaridade da sociedade com esse objeto, é difícil defini-lo como livro porque pouco é reconhecida sua autoridade de saber. B De acordo com seu lugar de origem, a função do livro didático muda porque ela está relacionada com a cultura desse local. Devido à variedade de estratégias tomadas pelas Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 35 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa E está correta. A pesquisadora afirma que o livro didático é um objeto cultural complexo porque é moldado de acordo com as influências histórico-culturais de sua época e porque possui múltiplas funções, dentre elas a referencial, instrumental, ideológica/cultural e documental, baseados nos apontamentos de Alain Choppin. C editoras, fica difícil definir um padrão na configuração de um livro didático. D Um livro didático possui diferentes configurações dependendo do seu local de origem e do tempo em que é trabalhado. E Significa que o livro didático, apesar do seu valor histórico, possui diversas funções, dependendo do seu público e uso. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 36 of 140 29/01/2024, 14:56 2 - Recursos dentro de um recurso Ao �nal deste módulo, esperamos que você analise criticamente os diferentes recursos presentes no livro didático. Ligando os pontos Você sabe o que é a Base Nacional Comum Curricular? Sabe qual a relação das competências com a educação? Você sabe o que é um recurso educacional? Então vamos ver o caso a seguir. Lucas foi o psicopedagogo chamado para trabalhar em uma instituição de ensino que estava passando por algumas questões de problema de aprendizagem em algumas turmas do ensino médio. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 37 of 140 29/01/2024, 14:56 Lucas chegou até a escola e foi entender tudo que ocorria. Primeiramente, foi informado que a escola seguia a BNCC, trabalhando com as dez competências gerais do documento. Lucas não conhecia muito bem essas competências, logo foi estudá-las para entender como funcionava. Após o estudo sobre as competências, Lucasrealizou reuniões com o corpo docente para saber o que eles achavam sobre a questão da BNCC, sobre como eram as aulas, e o que eles achavam que estava ocorrendo. Ele percebeu que os professores conheciam as competências, mas tinham algumas dificuldades de aplicá-las em sala de aula. Isso ocorria, principalmente, pelas especificidades dessas séries, como a proximidade do ENEM, por exemplo. Lucas resolveu conversar com o diretor pedagógico da instituição, a fim de criar um ciclo de palestras e uma formação continuada tratando a BNCC, para abordar como poderia ser aplicada. Além disso, outro ponto que Lucas achou que seria necessário abordar nessa formação era como tornar os conteúdos ensinados na escola em algo interessante para essas turmas. Para isso, era necessário que os conteúdos tivessem uma dimensão de importância para a vida e processos sociais. Após a formação, a mudança na prática docente e a questão da importância para a vida, as turmas começaram a melhorar e o processo de ensino e aprendizagem passou a se desenvolver melhor. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? QQuueessttããoo 11 Como você viu, Lucas buscou estudar sobre as 10 competências da BNCC para entendê-las melhor. Após isso, foi conversar com os professores. Se você fosse Lucas, como explicaria a competência da cultura digital? Assinale a alternativa correta. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 38 of 140 29/01/2024, 14:56 A É preciso entender que a cultura digital é a mais importante competência atualmente, sendo assim todos os professores devem ter um vasto conhecimento sobre os recursos tecnológicos, sobre a linguagem multimídia e sobre os aplicativos digitais. B É preciso compreender que a escola não deve se importar com a cultura digital, ou seja, não é preciso trazer esse conhecimento para dentro da escola, deixando-o apenas no mundo digital. C É necessário compreender, criar e utilizar as tecnologias de informação e de comunicação de forma crítica, reflexiva e ética nas práticas sociais, e nisso se incluem as práticas escolares, para se acessar e disseminar informações, produzir conhecimento e resolver problemas. D É preciso compreender que as tecnologias são fundamentais e indispensáveis, sendo assim é preciso utilizá-las no cotidiano e na vida escolar sem debater e sem contextualizar, pois as inovações tecnológicas não param e são sempre positivas para os seres humanos. É preciso que todas as escolas tenham aulas de robótica, programação, equipamentos tecnológicos Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 39 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa C está correta. Em relação à cultura digital, a BNCC diz que é preciso “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva” (BNCC, 2018). QQuueessttããoo 22 No caso, vimos a questão do tornar os conteúdos ensinados em algo interessante e que desperte a vontade de saber dos alunos. Uma das formas que pode ser feito isso é entendendo o que os estudantes já sabem. Sobre esse processo, como você explicaria de forma ideal? E de ponta, e que os alunos tenham notebook para acompanhar as aulas, sem esses equipamentos não é possível. A Precisamos começar a ver programas que os jovens veem e nos inteirar de todas as redes sociais, como se fossemos jovens. B É preciso que tenhamos professores jovens, ou seja, de faixa etária próxima à dos alunos, pois assim não teremos o choque cultural. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 40 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa D está correta. Não é necessário saber tudo o que se passa na vida de um jovem, ou quais são seus gostos pessoais, até porque isso seria impossível devido à quantidade de alunos e a variedade deles. Porém, é preciso saber minimamente o contexto de consumo cultural no qual eles estão inseridos, ou seja, para nos mantermos atualizados, precisamos conversar com os alunos, podemos até mesmo aplicar um questionário com perguntas voltadas para o consumo, como músicas, filmes e séries favoritas, os desejos sobre o futuro, as dificuldades, entre outras opções. Questão 3 C Trabalhando apenas com que os jovens querem, não ensinando o que deve ser ensinado, mas apenas aquilo que eles desejam aprender. D É preciso saber, mesmo que de forma mínima, o contexto de consumo cultural em que os jovens estão inseridos, ou seja, os projetos de vida, os produtos que consomem, entre outros. E É preciso saber o que os jovens querem, mas não é possível levar isso em conta, pois é preciso ensinar o que é obrigatório e eles que devem estar preparados para aprender. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 41 of 140 29/01/2024, 14:56 Imagine que você foi chamado para falar sobre as dez competências gerais da BNCC, para dar dicas de como trabalhá- las de forma prática na sala para auxiliar no processo de ensino e aprendizagem. Como você as explicaria? Digite sua resposta aqui Chave de resposta Na competência conhecimento, é preciso valorizar e utilizar os conhecimentos que são historicamente construídos sobre o mundo, a fim de entender a realidade. Na competência pensamento científico, crítico e criativo, temos que exercitar a curiosidade intelectual dos alunos, e para tal podemos recorrer a abordagens próprias das ciências. Quando falamos na competência repertório cultural, devemos valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais. Em se tratando da comunicação, temos de utilizar diferentes linguagens, como o conhecimento das linguagens artísticas, matemática e científica. Na competência da cultura digital, é preciso compreender e utilizar as tecnologias de informação e comunicação de forma crítica. Sobre a competência trabalho e projeto de vida, temos a valorização da diversidade de saberes e das vivências culturais, apropriando-se dos conhecimentos e das experiências que possam possibilitar entender as relações. Na competência Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 42 of 140 29/01/2024, 14:56 possibilitar entender as relações. Na competência argumentação, é preciso argumentar com base em fatos, em informações confiáveis e em dados, buscando sempre formular e defender ideias que respeitem os direitos humanos. Na competência autoconhecimento e autocuidado, é preciso se conhecer, se valorizar e cuidar da saúde tanto física como emocional. Já na competência da empatia e cooperação, é preciso exercitar a empatia, o diálogo e a resolução de conflitos, ou seja, a cooperação, para se promover o respeito ao outro. Para finalizar, na competência da responsabilidade e da cidadania, é preciso o agir pessoal e o coletivo com autonomia, responsabilidade, tomando decisões baseadas em princípios éticos e democráticos. Onde morrem as boas ideias? No módulo anterior, falamos sobre os livros didáticos e da importância de se fazer uma boa escolha e um bom uso desse recurso. Neste módulo, vamos destrinchar o livro didático e ensaiar o nosso olhar para explorar as potencialidades diante dos diversos recursos que o compõem. Vamos exercitar como os elementos ali presentes podem ser trabalhados de forma separada para compreender que podemos ir muito além do livro físico. Mas por que ter esse olhar atento sobre o livro didático? Análise de material didáticoe fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 43 of 140 29/01/2024, 14:56 Pode ser que você goste de desenvolver seu próprio material, com os recursos que esteja mais familiarizado. Porém, nem sempre teremos à disposição meios de trabalhar com essas produções, preparadas pelo professor, em sala de aula. Essa relação pode variar bastante de escola para escola. Pode ser que nem toda instituição tenha um projetor/televisão e computador disponíveis para realizar uma apresentação de Power Point com imagens para problematização. Há casos em que trazer uma música e tocar do seu celular não vai ser suficiente para que todos escutem e nesse dia a caixa de som da escola pode não estar funcionando bem. Aquele texto bacana que você quer que seus estudantes leiam para fazer um exercício de interpretação precisa ser impresso e reproduzido com antecedência de, no mínimo, duas semanas em alguns lugares. E, claro, há também aqueles dias em que o sinal de wi-fi não está Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 44 of 140 29/01/2024, 14:56 E, claro, há também aqueles dias em que o sinal de wi-fi não está funcionando, atrapalhando seus planos de uma aula onde esse recurso é imprescindível. Vamos entender um pouco melhor sobre o que são recursos na educação? Neste áudio a professora Adriana Soares Ralejo conversa com você sobre o que são os recursos na educação. Tudo depende de muito planejamento e condições técnicas do ambiente que estão além da nossa vontade. Calma, não estamos querendo te desanimar com isso. O que estamos trazendo aqui são relatos das nossas próprias experiências que podem contribuir para a sua percepção sobre a diversidade de condições que possa vir a encontrar. E como o livro didático é um recurso praticamente certo na sala de aula (a não ser quando o aluno esquece em casa ou teve algum atraso na entrega), avaliamos que é importante um olhar mais atento sobre o que tem ali dentro e como cada elemento pode virar um recurso em potencial. Re�exão Vamos fazer um exercício: feche os olhos e imagine-se abrindo um livro didático. O que você vê? Textos, imagens, tarefas... dependendo da sua área de formação, esse imaginário pode mudar. Um professor de Geografia, por exemplo, pode encontrar mais mapas, enquanto um Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 45 of 140 29/01/2024, 14:56 Geografia, por exemplo, pode encontrar mais mapas, enquanto um professor de Matemática, gráficos e tabelas (não queremos reforçar estereótipos, viu?). Essa variação de recursos acontece porque cada componente possui uma especificidade e mais afinidade com determinados recursos em relação a outros. Quais são os recursos mais comuns utilizados na área em que você atua? Por que existe essa tradicionalidade? Cada vez mais, as editoras vêm investindo em estratégias de oferecer recursos dos mais variados possíveis a fim de atrair seu público leitor e possibilitar um momento significativo. Mas o que isso quer dizer? Aquelas situações em que as contas de matemática eram feitas com maçãs, bananas e laranjas ou que a Revolução Francesa se reduzia a decorar os grandes personagens e seus grupos políticos estão mudando aos poucos. Faz-se necessário possibilitar códigos variados para o desenvolvimento da cognição, comunicação e socialização, competências essenciais para o viver em sociedades (BNCC, 2018). Esses códigos se manifestam de diversas formas: textuais, orais e imagéticos. O grande desafio é Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 46 of 140 29/01/2024, 14:56 de diversas formas: textuais, orais e imagéticos. O grande desafio é orquestrar esses variados recursos de maneira harmônica, articulando o verbal, o visual e o sensitivo. E o livro didático representa isso, uma multimodalidade discursiva vista como um todo. Autor desconhecido: A presente imagem é regida pelos termos do art. 45, inciso II, da Lei nº 9.610/1998. Fica reservado ao autor eventual direito de se manifestar sobre a autoria. A BNCC propõe uma educação crítica, significativa e criativa. Isso quer dizer que os conhecimentos trabalhados no ambiente escolar precisam ter sentido para serem mobilizados na sociedade de forma prática. Vamos dar uma olhada nas dez competências gerais da BNCC a fim de compreender como essa demanda de diálogo com o tempo presente é um discurso que tem se consolidado no ambiente escolar. Conhecimento Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo para entender, explicar a realidade e colaborar com a construção de uma sociedade justa. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 47 of 140 29/01/2024, 14:56 Pensamento cientí�co, crítico e criativo Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências visando investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas). Repertório cultural Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. Comunicação Utilizar diferentes linguagens, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, a fim de se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 48 of 140 29/01/2024, 14:56 Cultura digital Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação, de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. Trabalho e projeto de vida Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida. Argumentação Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, buscando formular e defender ideias que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbitos local, regional e global. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 49 of 140 29/01/2024, 14:56 Autoconhecimento e autocuidado Conhecer-se, valorizar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo a si mesmo na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. Empatia e cooperação Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade. Responsabilidade e cidadania Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 50 of 140 29/01/2024, 14:56 Competências da BNCC e o livro didático Vamos fazer um exercício de entendimento das competências da BNCC relacionando-as ao livro didático? Perceba que todas as competências prescritas pela BNCC possuem uma ideia de ação, algo que possamos compreender,fazer e sentir. E, por muitas vezes, não percebemos alguns recursos que estão ali dentro do livro didático e nos permitem ir além, experimentar o conhecimento que está sendo ali trabalhado. Para isso, neste módulo, convidamos você a mergulhar nessa experiência de explorar os recursos didáticos e se desafiar a criar outros a partir deles. O que os estudantes já sabem Falamos há pouco sobre a aprendizagem significativa. Significar quer Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 51 of 140 29/01/2024, 14:56 Falamos há pouco sobre a aprendizagem significativa. Significar quer dizer que algo, de alguma forma, marcou aquela pessoa, conseguindo estabelecer relação com sua vida e seu mundo. Como tornar os conteúdos que ensinamos algo interessante, que desperte a vontade de saber de nossos estudantes? Essa não é uma tarefa fácil. E não adianta você levar recursos superatuais, tecnológicos, com cores, formas, sons e cheiros se aquilo não os toca. Não adianta reforçar músicas que estimulem a memorização, de maneira repetitiva e mecânica, porque aquilo ficará retido na mente por um curto período de tempo. Os conteúdos precisam ter uma dimensão de importância para a vida e processos sociais. Aqui destacamos um importante ponto antes de utilizar qualquer recurso didático: saber os conhecimentos prévios dos estudantes. Não quer dizer que você precise saber tudo que se passa na vida daquele Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 52 of 140 29/01/2024, 14:56 quer dizer que você precise saber tudo que se passa na vida daquele jovem, qual a sua situação familiar e seus gostos pessoais. Esse é um movimento quase impossível diante da quantidade e variedade de público que vamos enfrentar. O que precisamos é saber minimamente do contexto de consumo cultural em que eles estão inseridos. Lembro que alguns anos atrás perguntei para um de meus estudantes o que era um youtuber, e atualmente este conceito está fortemente difundido. Temos muito o que aprender e dialogar com eles. Testando seus conhecimentos Atualmente, tudo se torna rapidamente obsoleto. Produtos que consumimos, redes sociais, aplicativos, projetos de vida e incertezas sobre o futuro. Um bom primeiro passo para se manter minimamente atualizado é, além das conversas diárias com seus estudantes, aplicar um questionário no primeiro dia de aula. Faça perguntas básicas voltadas para o consumo cultural, como músicas e filmes favoritos, desejos em relação ao futuro e dificuldades que encontra na vida escolar. Adapte as perguntas de acordo com a faixa etária de seu público. Será que você consegue identificar alguns exemplos para os itens a seguir baseado no contexto dos jovens nos dias atuais? Artistas que acompanham nas redes sociais. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 53 of 140 29/01/2024, 14:56 Músicas que não saem de suas playlists. Séries que acompanham. Filmes que ficaram marcados. Livros preferidos. Dúvidas em relação ao futuro. Projeto de vida. Experiência marcante do passado. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 54 of 140 29/01/2024, 14:56 E quanto ao mundo digital? Quais são as suas percepções sobre ele? Vamos entrar mais um pouco nesse universo a partir do audio a seguir: Estimulando os sentidos A partir do conhecimento prévio do que nossos estudantes mobilizam, é possível apresentar o novo. Um novo que parta do presente, que dialogue com o que ele já sabe e que pode expandir seu campo de conhecimento. Se o contrário acontece, apresentando primeiro um conhecimento que tenha menos significado para ele, conteúdos isolados e com associações arbitrárias, ele terá mais dificuldade de desenvolver sua estrutura cognitiva. Após compreendermos a importância dos saberes discentes em nossas práticas, podemos voltar nossa atenção para a forma de mobilizar os conteúdos a serem aprendidos. É preciso que ele tenha uma lógica para ser aprendido, ou seja, que você tenha minimamente uma resposta para Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 55 of 140 29/01/2024, 14:56 a pergunta “Por que é necessário aprender isso?” Cada um vai transformar aqueles conteúdos em conhecimentos de maneiras específicas. O importante é que o estudante articule o que já sabe com a nova informação. Para isso, podemos variar nas formas em que essas informações chegam a ele. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 56 of 140 29/01/2024, 14:56 Sabemos que cada um aprende de uma forma. Tem gente que gosta mais de ouvir o que o professor tem a dizer. Outros preferem uma boa leitura. Em outros casos, é possível proporcionar o aprendizado por meio da ação. Estimular todos os nossos sentidos nos permite materializar cada vez mais os conhecimentos ensinados e superar uma cultura baseada exclusivamente na leitura e escuta. É necessário colocar esses estudantes para agir, com base nas metodologias (que vamos explorar mais adiante, no módulo 3), a fim de construírem o próprio conhecimento, sendo protagonistas do processo. Exempli�cando o conceito trabalhado Você conhece a fábula hindu dos “Sete sábios cegos e o elefante”? Há várias chaves de interpretação para essa história. Uma delas nos permite compreender e problematizar sobre o conhecimento e os meios com que possuímos acesso a eles. Convido você a realizar a leitura que está disponibilizada na seção Explore+ e refletir sobre as seguintes questões: - O que o elefante pode representar? - O que os cegos podem representar? - Algum dos cegos estava errado? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 57 of 140 29/01/2024, 14:56 Representação da fábula hindu dos “Sete sábios cegos e o elefante”. Criando e recriando Então, vamos ser criativos? Não no sentido de ser original e produzir algo novo, “nunca visto antes na televisão brasileira”, mas de se colocar em um lugar de vivência e plena experiência por meio de múltiplas práticas e linguagens. Em qualquer conhecimento e em qualquer nível de ensino, nossa imaginação precisa ser alimentada. Uma imagem, uma música ou um objeto materializam aquilo que estamos tentando explicar. Mas esse exercício não pode parar por aí. Podemos permitir a criação por parte dos estudantes. Que outros olhares podemos ter? Que outras possibilidades podemos ousar? Vamos partir daquilo que conhecemos, do que está ao nosso alcance. Em um livro didático encontramos incontáveis elementos que podem ser utilizados como recursos: imagens (fotografias, pinturas, charges), letras de música, mapas, tabelas, gráficos, notícias, trechos de textos científicos, mapas mentais, textos jurídicos, propaganda, poesias, Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 58 of 140 29/01/2024, 14:56 científicos, mapas mentais, textos jurídicos, propaganda, poesias, textos literários, relatos, entrevistas, histórias em quadrinhos... São tantos que fica difícil de listar todos aqui. Claro que não será possível explorar um por um. O objetivo deste módulo é permiti-lhe ter um olhar crítico, explorar algumas possibilidades de um recurso e pensar em outros caminhos possíveis. Antes de explorar qualquer recurso, vamos ficar atentos a algumas questões como: Qual é o contexto histórico, econômico, social e cultural em que foi produzido? E qual é a sua intencionalidade original? Foi produzido para fins pedagógicos? Possui algum viés propagandístico? Ideológico? Qual é a “verdade” que ele apresenta?E o que esconde? Nem tudo que utilizamos nasce dentro do contexto escolar, então precisamos ficar atentos a essas apropriações que fazemos. Para te ajudar nesse sentido, preparamos algumas questões como chave de análise: Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 59 of 140 29/01/2024, 14:56 • O que podemos identificar? Quais elementos são visíveis? O que está sendo ali representado? • Que outras formas parecidas nós conhecemos? É algo que pode ser visto no nosso cotidiano ou específico de determinado tempo? • Em que momento histórico esse recurso foi produzido? Por quem? Com qual intencionalidade? • Quais as ligações e interpretações que podemos fazer? O que podemos compreender desse recurso diante da discussão que está sendo feita? • Quais críticas podemos formular? O que não está sendo dito? Que problemas podemos encontrar? Atenção Busque não utilizar nenhum recurso como uma ilustração, ou seja, para mostrar algo que já foi dito com outras palavras ou imagens. Isso pode ser um desperdício de tempo e material. Pense no que de novo o uso daquele recurso pode oferecer que não foi possível contemplar com o uso de outra linguagem. Que outro lado desse conhecimento é possível ser apresentado, proporcionando a diversidade do olhar? Uma imagem não vale mais que mil palavras Certamente, um dos recursos mais utilizados para fins didáticos são as imagens. É o que dá forma à nossa imaginação. Mas ainda assim é um território pouco explorado. Apesar de estar muito presente, seu uso se restringe muitas vezes a um valor de autoridade, para se provar o que foi dito anteriormente, ou seja, ilustrar. Sua potencialidade pode ser mais bem observada. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 60 of 140 29/01/2024, 14:56 Uma imagem é a ligação entre a esfera artística e a esfera social. É por meio da Arte que estabelecemos relações com o mundo externo. E isso se tornou algo cultural, numa sociedade extremamente imagética. Basta observar nas redes sociais, nos outdoors pelas ruas e, também, nos livros didáticos. Ali estão expressos valores e identidades que são construídos e comunicados pela mediação visual. Mas ao mesmo tempo em que realizamos opções por determinados caminhos, excluímos outros processos identitários possíveis. Então perguntamos, que outras histórias são possíveis de serem contadas que não são valorizadas nas narrativas oficiais? O que elas podem afirmar ou contrariar? Exempli�cando o conceito trabalhado Vamos fazer mais um teste? Se você tem alguma rede social (Facebook, Instagram, LinkedIn, WhatsApp), repare na sua foto de perfil. Por que você escolheu essa imagem? Qual mensagem você quis passar? O que essa imagem esconde? Quais são as histórias que ela não conta? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 61 of 140 29/01/2024, 14:56 Uma imagem é um enunciado. Por meio dela, os sentidos são construídos. Pensando assim, vamos fazer nosso primeiro exercício de análise. Observe a imagem e busque responder às questões a seguir para reflexão: Black and Violet, Wassily Kandinsky, 1923. Wassily Kandinsky é um artista plástico russo que ficou famoso pela abstração nas artes visuais. Selecionamos essa pintura para que ela possa contemplar o maior número possível de áreas de conhecimento e Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 62 of 140 29/01/2024, 14:56 possa contemplar o maior número possível de áreas de conhecimento e componentes curriculares. • O que você vê? • O que você não vê? • Quais possíveis intencionalidades do artista? • Quais sentimentos essa imagem lhe provoca? • Crie uma legenda para essa imagem caso essa obra fosse sua. Agora vamos além: Como essa imagem poderia ser explorada em uma aula sua? Ela estaria restrita somente para o componente de Arte? Sabemos que não, mas acabamos naturalizando alguns recursos em algumas áreas. Esta obra, por exemplo, pode ser perfeitamente trabalhada em uma aula de Filosofia, bem como de Matemática. A diferença está nos sentidos que produzimos. Pensando no viés produtivo e protagonista dos estudantes, não podemos deixar que outras propostas deixem de surgir. Em uma aula de Matemática, por exemplo, o aluno poderia criar sua própria obra abstrata trabalhando com formas geométricas. Por outro lado, essa produção pode ter um viés filosófico ao buscar construir sentidos sobre si e sobre o mundo. Um trabalho desse poderia ser produzido tanto com papel e caneta, quanto com recursos digitais. Expostos no mural da escola, ou num mural virtual para alcançar o maior público possível. E que outras possibilidades podemos propor? O que podemos ouvir pelas palavras Além da visão, a audição é um ótimo sentido a ser explorado no Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 63 of 140 29/01/2024, 14:56 processo de ensino e aprendizagem. E não estamos falando de ouvir o professor nas aulas expositivas. Explorar o universo da música é um caminho em potencial, porque dialoga com um produto cultural muito consumido pelos jovens e por nós, adultos. Dica Nos dias atuais, ficou muito mais fácil ter acesso aos arquivos de música. Há muitos aplicativos gratuitos de streaming em que você pode montar sua playlist e compartilhar com seus estudantes. Este pode ser um ponto de ligação entre dois universos aparentemente diferentes: a do professor e a do estudante. Você pode montar uma lista com músicas que estejam relacionadas com os conteúdos que está trabalhando, por exemplo. Mas sabemos que não dá para ter sons em um livro didático. O gênero textual que está ali presente são as letras de música. Esse recurso também, assim como as imagens, pode passar despercebido e não ser explorado em toda sua potencialidade. Precisamos encarar as letras de música como fonte e objeto de problematização, em que há um problema ali em que precisamos interpretar, rompendo com a ideia do uso desse recurso como ilustração. Ao falar em interpretação, estamos falando em desenvolver nos estudantes competências de leitura. Ler o mundo não está restrito a textos científicos. Há sentidos sendo construídos nas imagens e nos sons. Por isso, podemos ir além das letras que estão nos livros didáticos, interpretando as representações sociais que estão ali presentes, e explorando a relação entre melodia, harmonia, ritmo e texto. Tudo vai depender da forma com que você vai encarar esse recurso. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 64 of 140 29/01/2024, 14:56 O quanto uma letra de música pode te tocar? Uma letra de música pode ser só um texto, pode ser só palavras, ou pode virar poesia, ou até mesmo sair do papel ganhando formas e sons. São diversos tipos de leituras que podemos realizar: material, descritiva, explicativa, dialógica e sensível. Não importa o que será explorado, mas o quanto conseguimos compreender e transformar o mundo. Então, vamos para mais um exercício de interpretação, análise e criação. Vamos ler o trecho de uma letra de música para explorá-la: (...) Maranhão Maceió Macapá Marajó Paraná Paraíba Pernambuco Piauí Jundiaí Morumbi Curitiba Parati É tudo tupi Butantã Tremembé Tatuapé Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 65 of 140 29/01/2024, 14:56 Butantã Tremembé Tatuapé Tatuapé Tatuapé Quem sabe o que é que é? Caminho do Tatu Tu Tu Tu Tu Todo mundo tem Um pouco de índio Dentro de si Dentro de si (...) (ZISKIND, Hélio. Tu tu tu tupi. Meu pé, meu querido pé. São Paulo: MCD, 1997. Faixa 3) Ao primeiro olhar, essa letra poderia estar em um livro didáticovoltado para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Nosso desafio é imaginar que este recurso possa ser utilizado desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Para isso, vamos explorar algumas questões: • Como as palavras presentes no texto podem ser exploradas? Qual a relação existente entre elas? • O que podemos fazer com essas palavras? Fragmentá-las? Investigar seus significados? Localizá-las em um mapa? • O que o autor busca valorizar? • Quais críticas podemos formular sobre essa letra? • Diante das críticas formuladas, como podemos propor ir além? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 66 of 140 29/01/2024, 14:56 Novamente, pensando na autonomia e protagonismo discente, podemos visualizar a produção deles em propostas musicais que valorizem a diversidade cultural, por exemplo. Seja criando uma playlist como tarefa para fomentar essa diversidade, ou até mesmo músicas ou paródias criadas por eles que poderiam ser compartilhadas em formato de podcast. Saindo do papel Ao falar em recursos didáticos, é inevitável não tocar no assunto da influência do mundo digital no contexto educacional. Principalmente após o período de educação remota provocada pela pandemia do Covid-19. Mas isso não quer dizer que a demanda pelo diálogo com a cultura digital seja uma novidade. Nos livros didáticos, é perceptível esse diálogo pelo menos desde 2013, quando o edital do PNLD do ensino médio propôs avaliar obras classificadas como livros digitais e, junto aos conteúdos dos livros impressos, os objetos educacionais digitais (OED). Percebe-se um estreitamento do diálogo com a cultura digital como uma competência a ser desenvolvida na educação, consolidada, anos depois, na BNCC. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 67 of 140 29/01/2024, 14:56 Antes mesmo, os livros já demonstravam aproximação do digital como recurso didático ao apresentar, e serem avaliados, os sites indicados para consulta e aprofundamento dos conteúdos trabalhados. Atualmente, por meio de plataformas virtuais, conseguimos estabelecer uma relação mais direta entre o material e o virtual. Basta apontar para um QR Code presente no livro didático que o estudante será direcionado para vídeos, jogos e aplicativos. Mas é bom lembrar que nada disso tem sentido se não conseguimos utilizar esses recursos de forma consciente. Como foi colocado no módulo anterior, é preciso aprender a “linguagem da tela” e isso não significa saber somente ler e escrever em plataformas multimídia, mas compreender o mundo e saber lidar com ele por meio de relações afetivas, cognitivas, sociais, morais, culturais e linguísticas. Retornaremos a esse assunto no módulo 4. Atualmente, por meio de plataformas virtuais, conseguimos estabelecer uma relação mais direta entre o material e o virtual. Basta apontar para um QR Code presente no livro didático que o estudante será direcionado para vídeos, jogos e aplicativos. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 68 of 140 29/01/2024, 14:56 Chamadas: Buscando novos caminhos: Você já pensou em criar um QR code? Por onde navegam as boas ideias! De onde nascem as boas ideias? É questão de esforço? Criatividade? Convidamos você a refletir conosco sobre o assunto no vídeo a seguir. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 69 of 140 29/01/2024, 14:56 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 “Formado no campo da psicologia e da neurologia, o cientista norte- americano Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de aprendizado já estava presente nos primeiros estudos de pós- graduação, quando pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 70 of 140 29/01/2024, 14:56 (1896-1980). Por outro lado, a dedicação à música e às artes, que começou na infância, o levou a supor que as noções consagradas a respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e insuficientes.” (FERRARI, Márcio. Howard Gardner, o cientista das inteligências múltiplas. Nova Escola. Publicado em: 1 out. 2008) O cientista Howard Gardner ficou conhecido no campo educacional devido à sua contribuição para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem a partir da ideia das “inteligências múltiplas”, que consiste em estimular todas as habilidades potenciais dos alunos quando se está ensinando um conteúdo. Essa linha teórica nos faz entender que A cada um aprende de uma forma diferente, por isso a escola se torna um lugar de determinar quais linguagem são mais importantes. B é necessário realizar testes neurológicos com os alunos para identificar que tipos de inteligências eles mais mobilizam. C é importante possibilitar variados códigos de cognição, comunicação e socialização para possibilitar uma aprendizagem significativa. D as inteligências lógico-matemática e linguísticas ainda são as mais importantes de serem desenvolvidas dentro do contexto escolar. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 71 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa C está correta. Como a sociedade utiliza diversos meios de comunicação e estímulo para a compreensão dos sentidos, o professor deve também proporcionar essa multiplicidade de formas comunicativas, dentre elas textuais, orais e imagéticas. O grande desafio é orquestrar esses códigos de forma harmônica. Questão 2 “Ao definir essas competências, a BNCC reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza”, mostrando-se também alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).” (BNCC, 2018. p. 8) A Base Nacional Comum Curricular, ao defender o desenvolvimento de competências, aposta em atitudes, valores, habilidades e conhecimentos, ou seja, que os conteúdos sejam mobilizados de forma prática. Em relação aos recursos que utilizamos em sala de aula, eles devem E o uso de diferentes linguagens para desenvolver as diversas habilidades nos alunos pode atrapalhar na prática docente. A estabelecer diálogo com a realidade dos alunos e ir além, estimulando um olhar para o mundo e para o novo, seja para compreender, fazer ou sentir. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 72 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa A está correta. O uso de recursos, sejam eles quais forem, devem estabelecer uma ligação entre aquilo que o aluno já sabe e a possibilidade de descoberta do novo, sejam de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores. novo, seja para compreender, fazer ou sentir. B estar relacionados com as competências gerais, seguindo à risca o documento curricular a fim de não ir além daquilo que foi prescrito. C seguir aquilo que está prescrito nos livros didáticos porque estes passaram pela avaliação do PNLD e estão de acordo com as normas oficiais. D ser explorados na maior quantidade possível, para reforçar a aprendizagem de um mesmo conteúdo e sentido. E priorizar mais o estímulo de recursos visuais, pois se adequam à linguagem e cultura dos estudantes nos dias atuais. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 73 of 140 29/01/2024, 14:56 3 - Em busca de novos recursos didáticos Ao�nal deste módulo, esperamos que você formule propostas didáticas com base na gami�cação. Ligando os pontos Você sabe o que é gamificação? Sabe como formular uma proposta didática utilizando a gamificação? Então, vamos ver o caso abaixo? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 74 of 140 29/01/2024, 14:56 Fabiana é uma professora que sempre busca inovar nas suas aulas, a fim de conseguir extrair o melhor do processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Buscava metodologias inovadoras, pensava em possibilidades de recursos educacionais e melhorias na sua prática docente. Seus estudos conduziram Fabiana até a proposta da gamificação, na qual ela decidiu se aprofundar. A professora viu qual era a concepção da proposta e a colocou em prática. Fabiana havia entendido que a gamificação era trabalhar com jogos em situações de aprendizagem, e apenas isso. Sendo assim, ela preparou alguns jogos e foi dar suas aulas. Porém, a execução não saiu como o planejado. A turma não se engajou muito nas brincadeiras, e o processo de ensino e aprendizagem não estava fluindo como deveria. Vendo essa situação, Fabiana procurou Paula, que é psicopedagoga, para conversar. Explicou toda a situação e quis ajuda para que o processo de ensino e aprendizagem da turma melhorasse. Paula, então, disse que simplesmente trabalhar com jogos não seria algo inovador, mas, sim, a maneira como mobilizá-los. Ela explicou para Fabiana que o jogar e o gamificar são uma estratégia didática na qual os jogos são metáforas da vida. Gamificar uma aula não quer dizer renunciar a conteúdos ou deixar algum conceito de lado, mas, sim, que os conteúdos são a base para se formular uma proposta gamificada. Por fim, Paula falou sobre a gamificação como metodologia ativa e sobre como os jogos nos permitem aprender, abordando a aprendizagem disfarçada, a periférica e a tangencial, além claro da significativa. Fabiana ficou muito satisfeita com a conversa e resolveu que era hora de estudar mais sobre a gamificação e os games. Após as orientações da Paula e seus estudos, Fabiana mudou a forma de lidar com os games e com a gamificação. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 75 of 140 29/01/2024, 14:56 QQuueessttããoo 11 Como você viu, Paula explicou como os jogos podem ajudar no aprender. A psicopedagoga falou sobre a aprendizagem disfarçada, sobre a aprendizagem periférica e sobre a aprendizagem tangencial. Se você fosse a Paula, como explicaria de forma correta a aprendizagem disfarçada? A É aprendizagem que ocorre quando fingimos estar utilizando um jogo, mas na verdade só queremos que o aluno faça as atividades. B É a aprendizagem que acontece quando fazemos uma prova fácil para que o aluno possa ir bem nela, fingindo que ele aprendeu algo. C É a aprendizagem que surge conforme a diversão ou o desafio em específico toma conta das atividades propostas pelo game do que os conteúdos inseridos nele. D É a aprendizagem que vai acontecendo conforme você vai utilizando metodologias ativas em sala de aula, mudando a forma como a aula é exposta. E É a aprendizagem em que você utiliza diversos jogos, deixando de lado conteúdos, e focando apenas nos games e nas fases de cada um dos Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 76 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa C está correta. A aprendizagem disfarçada vai surgir conforme a diversão e o desafio vão tomando mais conta da atividade proposta pelo game do que o conteúdo contido nele, é a metáfora de que não é a história em si que chama a atenção, e sim a forma como contamos a história que vai chamar a atenção ou não do aluno. QQuueessttããoo 22 Vimos no caso estudado sobre a gamificação como metodologia ativa. Se você fosse Paula, como faria esse paralelo entre a gamificação e as metodologias ativas? Assinale a alternativa que apresenta essa relação de forma correta. E apenas nos games e nas fases de cada um dos jogos, nos quais os alunos precisam passar das etapas. A Os jogos precisam ser jogados, logo as pessoas devem estar ativas para poderem participar da metodologia; sendo assim, a gamificação é uma metodologia ativa, pois ela pressupõe pessoas ativas e não sedentárias na educação. B A gamificação é uma metodologia ativa porque tudo que é novo na área educacional é tratado como metodologia ativa; sendo assim, como a gamificação é nova, ela automaticamente vira uma metodologia ativa, ou seja, qualquer metodologia Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 77 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa D está correta. A gamificação vem sendo pensada como sendo uma metodologia ativa, uma vez que é preciso pensar no professor como sendo um mediador, ou seja, ele não deve estar apenas em sala de aula, mas também deve estar dialogando com os alunos, fomentando o que nova que surja se enquadrará em metodologia ativa. C Qualquer metodologia ligada à educação que utilize tecnologias é uma metodologia ativa; como a gamificação pressupõe o uso de games, ela utiliza tecnologias, logo acaba por se ligar às metodologias ativas. D O professor é um mediador, ou seja, precisa estar dialogando com os alunos, fomentando o que eles podem oferecer, direcionando caminhos de pesquisa, além de corrigir o que precisa. O protagonismo é do aluno, porém o professor não pode deixá-lo sozinho. E A gamificação é uma metodologia ativa porque o aluno na gamificação, assim como na metodologia ativa, é o protagonista e deve realizar tudo sozinho, ou seja, o professor na metodologia ativa não tem nenhum tipo de papel, sendo tudo feito por parte dos alunos, por isso a gamificação é uma metodologia ativa. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 78 of 140 29/01/2024, 14:56 eles podem oferecer, realizando um direcionamento do caminho a ser seguido, corrigindo erros que possam vir a aparecer. A gamificação, enquanto metodologia ativa, precisa considerar o protagonismo do aluno, porém o professor é parte importante do processo. Em outras palavras, as metodologias ativas não dizem que o docente deve ter passividade, e sim a que ação de professor e aluno deve estar em sintonia, visando ao objetivo da construção do conhecimento. Questão 3 Paula explicou que os jogos são como metáforas da vida. Como você explicaria para Fabiana esse conceito usando uma proposta real de jogo? Considere, por exemplo, uma possível adaptação de um jogo bastante conhecido: o jogo da vida, no qual o estudante deve trilhar problemas cotidianos a partir de conceitos aprendidos nas disciplinas. Digite sua resposta aqui Chave de resposta Os games podem ser considerados como metáforas da vida, porque, por meio deles, nós temos de superar os desafios, tanto os grandes como os pequenos, além de ultrapassar as barreiras e desenvolver táticas para sobreviver. É preciso criar de forma colaborativa, ampliar os conhecimentos, Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 79 of 140 29/01/2024, 14:56 desenvolver habilidades e reflexo e ser atentos. Por fim, é preciso saber lidar com vitórias e derrotas, perdas e ganhos, e ter autonomia para sermos os sujeitos das próprias ações. Gami�cação: vamos dar um start? Madrugada, computador ligado e muita adrenalina. Cada um de sua casa vai atrás de dicas on-line procurando a melhor forma de avançar naquela fase. Outros gravam seus próprios vídeos e postam na internet a sua performance. Você, juntamente conosco, deve estar se perguntando:o que se passa nessa cena? Trata-se de um episódio que não é isolado, mas partilhado por inúmeras crianças, jovens e adultos atualmente. Algo nos incomoda e acende em nós uma espécie de alerta? Por outro lado, podemos pensar que um acontecimento como esse, se bem planejado, pode Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 80 of 140 29/01/2024, 14:56 pensar que um acontecimento como esse, se bem planejado, pode proporcionar situações de ensino-aprendizagem? Os games podem ser recursos didáticos? A resposta para essa pergunta não é meramente uma questão de “sim” ou “não”, mas de reflexão crítica que perpasse pela compreensão da noção de gamificação, especificamente a partir do diálogo com o campo educacional. A gamificação na área empresarial, por exemplo, tem o objetivo de engajar os funcionários. Já nas situações didáticas, ela deve estar a favor do engajamento dos discentes a partir do objetivo pedagógico do professor, ou seja, o que ele visa construir ao mobilizar esse recurso e não outro. Vamos por partes! Existem várias portas de entrada no tema. Você pode ser um jogador que nunca pensou nas possibilidades didáticas dos games ou, ao contrário, você não joga, mas já teve várias ideias interessantes para a sala de aula usando os games por influência de outras pessoas próximas que curtem jogar. Revela para a gente: em qual desses perfis você se encaixa? Gamer Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 81 of 140 29/01/2024, 14:56 Você é um jogador que nunca pensou nos games como possibilidade didática. Não gamer Você não é um jogador, mas já teve ideias de trabalhar com os games na sala de aula. Em nossas experiências docentes, não foram poucas as vezes que nos surpreendemos com a criatividade de nossos alunos. Então, se você não joga, não fique preocupado, pois seus estudantes com certeza poderão te ensinar muito sobre esse universo! Lembre-se que o mais importante é a gente se colocar na posição de aprendiz, desnaturalizar vivências, permitir conhecer mundos e linguagens que podem não ser originalmente as nossas. De igual forma, trazemos para o exercício da docência muitas das nossas bagagens, dos nossos gostos, das nossas apostas. Então, se você joga, que tal instigar essa prática tendo um olhar pedagógico sobre ela? Apenas um cuidado! Não é o fato de trabalharmos com jogos em situações de ensino-aprendizagem que vai significar por si só uma aula inovadora, e sim a maneira como iremos mobilizá-los. Para saber mais sobre isso, indicamos no Explore + o texto A contribuição das Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 82 of 140 29/01/2024, 14:56 sobre isso, indicamos no Explore + o texto A contribuição das tecnologias para uma educação inovadora, de José Manuel Moran (2004). Re�exão Você já deve ter ouvido acusações aos games de serem responsáveis pelo sedentarismo das nossas crianças e jovens. O que você acha sobre isso? Depois de formular seu ponto de vista, pesquise artigos científicos e reportagens sobre os exergames e avalie se mudou de concepção. Exergame, jogo de fitness ou gamercising é um termo usado para videogames que também são uma forma de exercício. Os exergames contam com a tecnologia que rastreia o movimento ou a reação do corpo. A experiência como jogador e prática educacional: O que a gente aprende com o universo dos games? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 83 of 140 29/01/2024, 14:56 Fazendo o setup: sobre o jogar e o gami�car como estratégia didática Pense em um jogo marcante da sua infância: não precisa ser um jogo digital necessariamente, vale qualquer um que venha primeiro à sua mente. O que você aprendeu com ele? Quais sentimentos e sensações ele gerou em você? Se preferir, pense em alguém próximo que jogue: quais conexões essa pessoa estabelece entre o jogo e a vida? Por que muitas pessoas associam o brincar somente à criança? Será que nós, adultos, também não podemos e devemos brincar? Temos uma sugestão que pode te ajudar nessa reflexão: vá no Explore + e confira a letra completa da música Bola de Meia, Bola de Gude, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Se preferir, feche seus olhos e tente apreender e sentir a poesia cantada por eles. Preste atenção em cada parte e, depois, de olhos abertos, foque no trecho abaixo: Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 84 of 140 29/01/2024, 14:56 O brincar e o lúdico fazem parte de todos nós e, portanto, não estão restritos à infância. Mas, evidentemente, para jogar e gamificar como estratégias didáticas talvez seja válido rompermos algumas barreiras que nós adultos nos colocamos, afinal nosso lado “moleque” caminha lado a lado com nossa identidade “adulta”, sustentando-nos, fazendo- nos romper com medos e nos passando segurança. Acreditamos que o jogo abre campo para o erro, para o acerto, para o ser livre, para a ousadia e a imaginação. Aprender jogando Depois dessa sensibilização com a música, queremos te dar alguns exemplos de jogos e o que aprendemos com eles. Vamos lá? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 85 of 140 29/01/2024, 14:56 Atari Se você é da geração da década de 1980, provavelmente já jogou ou ouviu falar do Atari. Nesse console, foi possível jogar clássicos como Donkey Kong, Pac-man e Space Invaders. Era preciso ter muita paciência e formular estratégias para fugir dos inimigos, ganhar maior pontuação e conquistar poderes especiais. Persistência era a palavra-chave nesses jogos! RPG Uma geração depois, encontramos jogos com narrativas mais longas, como Super Mario World, Sonic e Legend of Zelda. Para esses casos, além do que aprendemos anteriormente, era preciso Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 86 of 140 29/01/2024, 14:56 que aprendemos anteriormente, era preciso compreender a noção de processo, cumprindo nossas “missões” e ir “salvando” aos poucos o que conquistamos para não voltar e começar do “zero”. Duelo Também fizeram sucesso nos anos 1990 os jogos de duelo, como Street Fighter, Mortal Kombat e King of Fighters. E, além de disputar na telinha, era preciso saber se relacionar com o outro, aprendendo a perder e a ganhar, fazer rodízio para que todos tivessem a oportunidade de brincar. Jogos on-line Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 87 of 140 29/01/2024, 14:56 Sabemos que alguns desses jogos trazem consigo polêmicas em relação à violência, entretanto, nosso objetivo não é propor o seu uso em sala de aula necessariamente, ainda mais sem problematização, mas pensar nos seus elementos que podem provocar engajamento e aprendizagem. Reiteramos que, para pensarmos no jogo como estratégia didática, é necessário adentrarmos nesse mundo despidos de noções prévias ou mesmo de preconceitos. Conforme discutido por Marcella Costa (2017), pesquisadora do tema, os jogos devem ser vistos como prática cultural que pressupõe a interação social e possibilita a circulação de saberes e fazeres. Em relação especificamente ao universo dos games, entendemos que ele deve ser ocupado por nós, professores, interessados em problematizar seus limites e potencialidades para situações de aprendizagem, pois somente assim conseguiremos trabalhar com eles criticamente. Nossa Jogos on-line Mais recentemente, já conseguimos jogar com mais pessoas por meio da modalidade on-line. Podemos formar times e desbravar mundos e desafios com jogos como Call ofDuty, World of Warcraft, dentre vários outros que são mais comuns nos dias atuais. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 88 of 140 29/01/2024, 14:56 somente assim conseguiremos trabalhar com eles criticamente. Nossa premissa é sempre de que a escola, a docência e a discência podem ser um espaço de prazer, de surpresa, de encanto e de sensibilidade. Preconceitos Ele pode ser entendido como: [...] uma atividade voluntária realizada dentro de alguns limites de tempo e espaço, através de regras livremente consentidas, porém, obrigatórias, dotadas de um fim em si mesmo, guiadas por sentimentos de tensão, alegria e de uma consciência, de ser diferente da vida cotidiana (HUIZINGA, 2000, p. 24 apud ALEXANDRE; SABBATINI, 2013, p. 6). Dica Já que estamos falando de sensibilidade, quando você se deparar com algum game, preste atenção nos sons. Atente aos barulhos e ruídos que o compõem. Já se deu conta que essa também é uma forma de nos convidar a uma experiência sensorial? Aperte o play e confira! A que esses barulhos te remetem? Como já foi dito, os games podem ser metáforas da vida na medida em que eles nos convidam a: Superar desafios – grandes ou pequenos, ultrapassar barreiras, desenvolver táticas de sobrevivência. Criar colaborativamente, ampliar conhecimentos gerais, desenvolver atenção, reflexo e habilidade espacial. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 89 of 140 29/01/2024, 14:56 atenção, reflexo e habilidade espacial. Lidar com perdas e ganhos, autodomínio e autoconfiança e a sermos sujeitos de nossas ações. Se bem conduzidos, serão bons canais para a efetivação da aprendizagem significativa, conforme veremos mais adiante. Não fique preocupado com os conteúdos! Gamificar uma aula não quer dizer abrir mão deles, tampouco dos conceitos relacionados aos diferentes componentes curriculares. Eles são os insumos, os subsídios para a formulação de propostas gamificadas no âmbito escolar e na formação docente. Voltaremos a esse ponto mais para a frente! Além dos conteúdos, também trabalhamos com a dimensão axiológica, ou seja, com valores que devem estar afinados ao projeto político pedagógico da instituição que estamos inseridos como docente e/ou gestores. Re�exão Você já parou para pensar como as mulheres são representadas nos games? Quase sempre de forma excessivamente sexualizada, ressaltando atributos físicos, como seios em evidência, excesso de maquiagem etc. Nos primeiros jogos de Street Fighter, por exemplo, a Chun Li era a única personagem feminina, representada de forma erotizada. Isso não poderia acabar reforçando estereótipos? Há casos em que meninas e mulheres, quando se inserem nesse mundo dos jogos, acabam usando pseudônimos para evitar piadas machistas e preconceituosas. Isso também é conteúdo para as nossas aulas! Combater o preconceito e defender o respeito ao outro independentemente de estarmos separados por uma tela: esse papel também cabe à escola, não é? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 90 of 140 29/01/2024, 14:56 Chun Li, personagem da primeira versão do jogo Street Fighter. Essa nossa discussão nos lembrou uma experiência vivida na sala de aula e queríamos trazê-la para você. No caso, vamos convidar você a fazer essa prática em sua casa. Combinado? Convite de atividade Chame alguém que more com você para jogar. Caso more sozinho, aguarde um momento em que possa estar na companhia de uma pessoa de sua confiança. O desafio será em dupla e um de vocês vai ligar o computador ou o celular, escolher um game e, na sequência, vendar os olhos: mas é para vendar mesmo, ok? Escolha o jogo que desejar, de preferência que tenha alguma familiaridade. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 91 of 140 29/01/2024, 14:56 A sua dupla terá a tarefa de guiar você nesse game. Lembre-se: você não está enxergando, então terá que prestar bastante atenção aos comandos de voz de quem está te auxiliando. “Pula!”, “segue em frente”, “cuidado, o monstro!”, “avança!”, “corre!”. Você conseguiu avançar? Como se saiu? Teve medo? Ficou ansioso? E sua dupla: foi um bom auxiliar ou não? Após esse exercício, pesquise na internet sobre os audiogames para conhecer um pouco mais a relação entre gamificação e inclusão! O que queremos ao partilhar essa prática é que perceba os vários conteúdos e valores aí envolvidos. Acabamos de vivenciar o desafio da inclusão, no caso, como muitos deficientes visuais se sentem no mundo que não está preparado para eles. Lembramos que a empatia é a nona competência da Base Nacional Comum Curricular que vocês já puderam conhecer nos módulos anteriores. Ganhando experiência: um bate-papo sobre as aprendizagens Falamos anteriormente que os games são portas de entrada para se trabalhar uma série de conteúdos, conceitos e valores. Neste momento, convidamos você a um bate-papo sobre o que e como eles nos permitem aprender: Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 92 of 140 29/01/2024, 14:56 Aprendizagem disfarçada Um ponto importante dentro do debate é a chamada aprendizagem disfarçada, “que surge (para os jogos) à medida que a diversão e/ou o desafio toma mais conta das atividades propostas pelo game do que os conteúdos inseridos neles”, dizendo, metaforicamente, que “não é a história em si, mas como contamos a história é que chama ou não a atenção dos espectadores” (PRENSKY, 2012, apud ALEXANDRE; SABBATINI, 2013). Aprendizagem periférica A aprendizagem periférica é aquela que se dá de forma não diretiva e não conceitualizadora de conteúdos do currículo escolar, na qual o aprendiz tem o contato com as disciplinas e com os conteúdos escolares de maneira periférica, por meio dos jogos e suas representações. Em outras palavras: “a aprendizagem periférica não trata os conceitos de forma vertical, mas investe em cenários nos quais a aprendizagem Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 93 of 140 29/01/2024, 14:56 vertical, mas investe em cenários nos quais a aprendizagem possa ser mais lúdica e significativa” (ALEXANDRE; SABBATINI, 2013). Aprendizagem tangencial Já a aprendizagem tangencial “baseia-se na ideia de assimilar melhor as informações que interessam, e que os jogos, de alguma forma, despertam o interesse por certos conteúdos”, destacando que “mesmo que a aprendizagem não ocorra dentro do jogo, criam-se cenários e desperta-se o interesse voluntário para a pesquisa sobre determinado assunto” (ALEXANDRE; SABBATINI, 2013). A aprendizagem tangencial se daria na exposição das várias coisas em um contexto no qual já se está engajado. E qual é a relação dos games com a aprendizagem significativa, expressão essa que já mencionamos algumas vezes aqui em nossos estudos? Compreendemos que ela está relacionada à capacidade de tocar, de afetar o educando, o que passa, necessariamente, pelo sensível ao ponto de haver a autotransformação e a transformação do mundo que o cerca – portanto, pensar os games no contexto escolar é pensar como os conteúdos das diferentes áreas de conhecimento podem ser meios e não fins em si mesmos para um processo de olhar para dentro e olhar também para o mundo exterior. Fazermos do simples, complexo, Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 94 of 140 29/01/2024, 14:56 com a pitada de saberes e sabores que nos proporcionem imersões no processo de produção de conhecimento. Saiba mais A aprendizagem significativa tem relação direta com as nossas experiências como indivíduos, como quanto nos permitimos criar e recriar. Em síntese, liga-se ao autoconhecimento, trabalhado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como a oitava competência geral. Conta para a gente! Depois de pensarmos sobre a aprendizagem, vamos investigar uma coisa que será importante para o desdobramento do nosso módulo. A pergunta é simples: que tipo de jogador é você? Você usa alguma “máscara social” quando está jogando? Por máscara social entendemos uma roupagem, uma imagem de si, um assumir de uma identidade provisória. Você se enxerga como competitivo? Tímido? Costuma usar táticas e estratégias previamente estudadas e investigadas? Deixamos as indagações no ar. Guarde suas respostas. A gami�cação como metodologia ativa A gamificação tem sido pensada como uma metodologia ativa, mas no que consiste esse processo? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 95 of 140 29/01/2024, 14:56 (...) a gami�cação pressupõe a utilização de elementos tradicionalmente encontrados nos games, como narrativa, sistema de feedback, sistema de recompensas, con�ito, cooperação, competição, objetivos e regras claras, níveis, tentativa e erro, diversão, interação, interatividade, entre outros, em outras atividades que não são diretamente associadas aos games, com a �nalidade de tentar obter o mesmo grau de envolvimento e motivação que normalmente encontramos nos jogadores quando em interação com bons games. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 96 of 140 29/01/2024, 14:56 (FARDO, 2013, p. 2). É importante frisar que as tecnologias digitais podem potencializar a gamificação, mas não precisamos delas necessariamente, ou seja, podemos gamificar uma aula a partir do próprio livro didático, recurso trabalhado no módulo 1. Dica Uma ideia para gamificar sua aula usando o livro didático é aproveitar as imagens presentes nas aberturas dos capítulos ou, se preferir, aquelas que são distribuídas ao longo das unidades. Que tal fazer o teste? Você tem algum livro didático próximo a você? Abra-o ao acaso e dê uma olhada nas imagens trabalhadas nele. Como você pensaria a formulação de um game a partir delas? Alguma ideia de dinâmica usando-as como disparadores? Lembre-se do que foi trabalhado no módulo 2 em relação ao uso imagético. Pensar o professor como mediador não é dizer que a ele cabe “apenas” estar em sala, mas estar em diálogo com os discentes o tempo todo, fomentando o que podem oferecer, direcionando os caminhos de pesquisa e corrigindo aquilo que precisa ser corrigido. Pensar a gamificação como metodologia ativa demanda o exercício do Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 97 of 140 29/01/2024, 14:56 protagonismo por parte do sujeito aprendente (MATTAR, 2017). Em muitos casos, talvez por desconhecimento, os próprios professores não se enxergam como parte ativa do processo, deixando os estudantes sozinhos em momentos cruciais que a intervenção docente se faria necessária para potencializar a aprendizagem. Vamos pensar numa situação hipotética? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 98 of 140 29/01/2024, 14:56 A partir da situação fictícia relatada, nossa pergunta é simples: “Pode isso, Arnaldo”? Na postura da professora, o que estaria equivocado dentro da definição de metodologias ativas? Acompanhar o aluno durante a aprendizagem é crucial. Você já aprendeu que, ao trabalharmos com elas em situações de aprendizagem, não é correto abandonarmos os estudantes. Precisamos estar lado a lado, mediando, aprendendo com eles, ensinando, direcionando e, enfim, dando vida a um conceito importante que é o da inteligência coletiva (LÉVY, 1998). Portanto, as metodologias ativas não pressupõem a passividade, mas a ação de professores e alunos em sintonia, visando a um objetivo comum: a construção de conhecimento! O mais importante é que não usemos, mesmo sem querer, roupagens de Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 99 of 140 29/01/2024, 14:56 modernização para reprodução de velhas práticas. Gamificar uma aula, assim como utilizar qualquer outra metodologia ativa em situações de ensino-aprendizagem, demanda a mudança de mentalidade, de rever paradigmas que podem estar arraigados inconscientemente em nós. O que queremos dizer com isso? Que essas estratégias precisam estar afinadas com o pensamento crítico e criativo que também já abordamos anteriormente. Agora, vamos falar um pouco mais sobre os elementos que compõem um jogo? Antes disso, vamos te deixar uma pequena tarefa. Quantos bilhões são movimentados anualmente na indústria de games? Que tal investigar os números? O professor como produtor de games Se você pesquisou os valores envolvidos na indústria de games, deve ter se deparado com números exorbitantes. O que nos interessa aqui é: qual o potencial disso para fins educacionais? Vamos responder a essa pergunta com uma prática e, para isso, precisamos conhecer bem os elementos de um jogo. Um jogo criado por nós acaba revelando muito Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 100 of 140 29/01/2024, 14:56 elementos de um jogo. Um jogo criado por nós acaba revelando muito do que somos como pessoa e por isso perguntamos que tipo de jogador é você. E aí, já tem a sua resposta? Agora que você já refletiu, acompanhe a seguir os principais elementos de um jogo: Personagens Primeiro, os jogos contêm personagens. Quando pensamos na produção de um game, podemos trabalhar com a ficção ou com figuras que existiram de verdade. Um professor de História, por exemplo, pode recorrer a sujeitos históricos presentes nos livros didáticos ou mesmo em outros que tenham sido silenciados, mas que julgue pertinente ser apresentado aos alunos, explorando aspectos da história local. Personagens têm vivências, historicidade, desejos, objetivos. Narrativa Em segundo lugar, os jogos sempre têm uma narrativa. A narrativa é o desenrolar de uma trama, um enredo que vai se desenvolvendo à medida que avançamos as fases. O mais interessante é pensarmos que, ao sermos nós os construtores de um game, podemos criar narrativas potentes, problematizadoras, que instiguem um caminho de construção de conhecimento. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 101 of 140 29/01/2024, 14:56 Desa�os Um bom jogo precisa ter desafios! Todos nós ficamos instigados quando somos desafiados. Lembre-se de que, para atingir os objetivos do jogo, seus alunos não precisam estar uns contra os outros, mas juntos, colaborando para vencer os desafios de forma a estabelecer parcerias. Mesmo que o professor não seja um game designer profissional, quando ele se pensa como produtor deve levar em conta o envolvimento emocional por meio da diversão! Fases Nossas vidas são feitas de fases, ciclos que tem um início, um meio e um fim. Cada fase pode significar uma etapa de apreensão de um conteúdo específico e, ao final delas, você terá revisado aquilo que trabalhou em sala de aula ou, ao contrário, o jogo construído pode ser um gatilho para a sala de aula invertida, ou seja, seus alunos precisarão se apropriar dos conteúdos antes das aulas para poderem compreender melhor a jogabilidade. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 102 of 140 29/01/2024, 14:56 Convidamos você a pensar na criação do seu próprio game a partir dos elementos que elencamos. Nem todos os jogos terão todos esses elementos, e você também não necessita contemplar todos eles. Olegal é fazer esse exercício com base em algum conteúdo da sua área disciplinar e/ou do segmento em que você atua ou visa atuar. Jogabilidade A jogabilidade é outro elemento importante de um jogo. Quando não temos regras claras, a definição do que queremos com aquele game, o jogo passa a não ter sentido. Jogabilidade refere-se ao ato de jogar em si, ao ramo do que pode e do que não pode, aos materiais usados para tal fim. Dados? Cards? Peões? Tudo isso pode ser mobilizado para uma jogabilidade efetivamente provocadora de construção de saberes. Boni�cação Por fim, e não menos importante, temos a bonificação. Mesmo sendo polêmica, consideramos que ela é parte essencial do universo dos games. Ela pode ser vista como negociação entre professores e alunos não para reforçar a lógica do “vale ponto?”, mas para servir de recompensa por um trabalho realizado e nem precisa necessariamente ser uma nota. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 103 of 140 29/01/2024, 14:56 disciplinar e/ou do segmento em que você atua ou visa atuar. Posteriormente, quando em sala de aula, leve a proposta para seus alunos. Muitas coisas boas vão sair daí! Um professor é uma cabeça criativa pulsante! Pense, professor, que esse tipo de atividade precisa dialogar também com uma ideia democrática de avaliação! Baseando-nos em Martins (2020), entendemos que a avaliação na perspectiva democrática é aquela em que há o incentivo à autoria, ao estabelecimento de uma experiência de aprendizagem, de valorização da subjetividade. Portanto, ao escolher trazer a gamificação para a sua aula não esqueça que o mais importante é o brincar como forma de aprender, de ampliar horizontes de maneira diferenciada ao permitir a manifestação do ser aprendente, do seu potencial criador e criativo. Ouse! Procure saber se na sua cidade tem alguma loja de games (retro ou atuais). Em caso afirmativo, e se tiver oportunidade, vá até ela e play! Vamos torcer para que tenha bons insights: anote-os e pense-os depois em seus planejamentos! Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 104 of 140 29/01/2024, 14:56 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 105 of 140 29/01/2024, 14:56 Questão 1 “Compreender os jogos eletrônicos como fenômenos culturais que exigem a construção de distintos olhares, indo além de perspectivas maniqueístas como se esses elementos culturais fossem sempre os bandidos nas histórias que envolvem comportamentos violentos, sedentarismo, longas horas de interação com os jogos, desmotivação escolar, reprovação e evasão da escola” (ALVES, L. Relações entre os jogos digitais e aprendizagem: delineando percurso. Educação, Formação & Tecnologias, v. 1 (2), nov. 2008, p. 8) A respeito do trecho acima, podemos afirmar que A para trabalhar com os jogos eletrônicos em sala de aula, é preciso que o professor tenha conhecimento sobre game design. B os games são recursos didáticos neutros com pouco potencial didático, carecendo de pesquisas dedicadas a pensar os seus usos em sala de aula. C os games, quando trabalhados nas instituições de ensino básico, desafiam a comunidade escolar a aceitar as situações de violência presentes em suas narrativas. D os games podem trazer propostas de movimentação e, por meio da relação com o corpo, Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 106 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa D está correta. A opção D estabelece a relação entre jogos e movimento corporal. Os jogos de movimentação, chamados de exergames, junção das palavras “exercício” e “games”, são jogos digitais de movimento ou que se apropriam de sensores de captura de movimento para o seu funcionamento. Eles demonstram possibilidades de uso por parte dos docentes justamente no sentido de combater o sedentarismo. Questão 2 Confira o trecho, a seguir, da notícia publicada pelo Terra em 08/03/2021 e responda à questão. “Mulheres conquistam espaço nos games e nos eSports” “As mulheres são a maioria do público gamer no Brasil – cerca de 53% do total dos jogadores de esportes eletrônicos. Os números são da Pesquisa Game Brasil (PGB), divulgada em junho de 2020, e extremamente relevantes dentro de um século em que ainda se discute muito sobre a emancipação feminina em diversos tópicos, mercados e segmentos”. Leias as afirmativas a seguir: I. Apesar de serem maioria no universo gamers, as mulheres ainda elucidar processos de ensino-aprendizagem escolar. E a evasão escolar deve-se, em grande medida, à falta de letramento dos docentes em relação ao uso de tecnologias digitais. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 107 of 140 29/01/2024, 14:56 sofrem inúmeras situações de discriminação. II. As mulheres usam pseudônimos quando estão jogando porque acreditam ser a melhor estratégia para mascarar seu potencial. III. Os campeonatos de jogos eletrônicos devem frisar o respeito ao gênero como uma de suas regras principais. De acordo com o trecho da reportagem, está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões): Parabéns! A alternativa D está correta. O ponto trabalhado refere-se a situações desrespeitosas, constrangedoras, quando não, criminosas, que muitas mulheres ainda passam em função de práticas machistas no universo gamer. Tais práticas devem ser combatidas com veemência por meio do respeito à diversidade de gênero. A Somente I B Somente II C Somente III D Somente I e III E Somente II e III Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 108 of 140 29/01/2024, 14:56 4 - Recursos digitais de aprendizagem Ao �nal deste módulo, esperamos que você avalie as diferentes possibilidades das mídias digitais para situações de ensino e aprendizagem Ligando os pontos Você sabe o que que são recursos digitais? Sabe como esses recursos funcionam quando ligados à aprendizagem? Então, vamos ver o caso abaixo. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 109 of 140 29/01/2024, 14:56 Carlos é um professor de ensino médio há alguns anos. Ele nunca foi acostumado com recursos tecnológicos, principalmente com as tecnologias de informação e comunicação. Durante a pandemia da covid-19, Carlos teve de se adaptar ao novo formato de ensino, no qual as aulas, antes presenciais, passaram a ocorrer no formato síncrono, mediado por aplicativos, notebooks, computadores, celulares e câmeras. Mesmo não dominando tudo isso, Carlos estudou e conseguiu se adaptar ao novo formato. Carlos gostou muito de conhecer o mundo das tecnologias de informação e comunicação ligadas à educação e queria entender como conseguir utilizar os recursos digitais na educação. Para isso, começou a realizar alguns testes com as suas turmas. Porém, ainda não conseguia obter um resultado expressivo. Sendo assim, ele foi conversar com o psicopedagogo da escola. Apontou suas dúvidas, suas dificuldades e quis orientações de como utilizar recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem. O psicopedagogo atendeu Carlos, escutou tudo que ele tinha para falar e o ajudou. Devido ao seu cargo, ele já tinha um histórico dos alunos da escola e sabia que os estudantes gostavam dos recursos tecnológicos, com isso, conseguiu dar algumas dicas. Entre elas, o psicopedagogo falou da utilização do podcast como recurso didático, da importância de uma formação permanente e, por fim, abordou a questão do digital como condição de pensamento. Após a conversa com o psicopedagogo, Carlos foiestudar sobre os podcasts, sobre a questão do pensamento digital e começou a utilizar nas aulas o que aprendeu. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 110 of 140 29/01/2024, 14:56 Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? QQuueessttããoo 11 Como você viu, Carlos gostou das tecnologias de informação e comunicação ligadas à educação, porém não sabia como trabalhá- las em sala de aula. Então, ele foi conversar com o psicopedagogo, que o orientou. Na conversa, o psicopedagogo abordou sobre os podcasts. Se você fosse o psicopedagogo da escola, como abordaria o uso de podcast com os professores? Assinale a alternativa correta. A Os podcasts são vídeos distribuídos pela internet e que podem ser trabalhados na educação, como filmes a serem exibidos aos alunos que tratem de algum conteúdo em específico. Podem ser utilizados durante a gravação de documentários e filmes a serem abordados a partir de roteiros pré- estabelecidos. B Os podcast são arquivos de áudio distribuídos pela internet. Eles podem ser utilizados na educação de diversas formas, como programas prontos que tratem de algum conteúdo que o professor irá trabalhar, ou até mesmo a criação de um podcast por parte dos alunos a partir de um roteiro que eles mesmos possam desenvolver. Os podcasts são aplicativos para smartphones nos Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 111 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa B está correta. Um recurso que pode ser utilizado de forma didática é o podcast, que são áudios distribuídos pela internet. São diversas as possibilidades de utilização do podcast em sala de aula. Podem ser usados programas prontos que abordem alguma temática que o professor está trabalhando em sala de aula, assim como pode ser solicitado aos alunos que gravem um podcast sobre determinado assunto, criando inclusive um roteiro para isso, que pode ser feito cooperativamente. C quais você pode fazer o download para o celular. Eles podem ser usados na educação, pois são aplicativos com diversos recursos educacionais, em que os alunos aprendem a configurar ou a modificar o aplicativo que já está criado. D Os podcasts são games que são distribuídos pela internet com a finalidade de fazer com que os alunos aprendam jogando. São utilizados na educação, pois são educativos e têm sempre objetivos e finalidades educacionais, recebendo o nome inclusive de gamificação. E Os podcasts são as videoaulas gravadas por parte dos docentes, que consistem em criar um roteiro e realizar a gravação. Essas videoaulas são usadas em sala de aula como metodologia ativa, na qual o aluno vê o vídeo do professor primeiro, para depois ter o encontro presencial, que serve para tirar dúvidas e conversar acerca do conteúdo do vídeo. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 112 of 140 29/01/2024, 14:56 cooperativamente. QQuueessttããoo 22 O psicopedagogo informou Carlos a respeito do meio digital como condição de pensamento. Se você fosse o psicopedagogo, como explicaria esse conceito para Carlos? Assinale a alternativa correta. A Quer dizer que sempre devemos pensar na questão tecnológica e como utilizar tecnologias, ou seja, devemos pensar no mundo virtual o dia todo. B Quer dizer que, em um mundo digital, não há mais espaços para pensamentos que não utilizem das tecnologias no dia a dia, ou seja, é preciso que pensemos em tudo voltado para tecnologia para não utilizarmos recursos ultrapassados. C Quer dizer que é preciso estar on-line 100% do tempo, ou seja, não ficar deslogado da internet, pois, se perdemos um minuto fora do mundo virtual, podemos perder diversas informações. D Quer dizer que devemos explorar o digital quando tivermos o acesso, porém, caso não tenhamos esse acesso, temos a possibilidade de recorrer ao universo digital, ao repertório que ele nos oferta. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 113 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa D está correta. O mundo digital como uma condição de pensamento está imbricado em compreender a noção de cultura. Não adianta nós mudarmos suportes, aparatos, se não modificarmos os nossos hábitos, nossa mentalidade e as formas de apropriação. Precisamos refletir sobre as práticas e os hábitos, explorar o digital na especificidade quando temos o acesso, porém, caso não tenhamos, temos de recorrer ao universo digital, ao seu repertório reflexivo. Questão 3 Como foi visto, o psicopedagogo comentou com Carlos sobre a importância de uma formação permanente. De que modo você, como psicopedagogo, entende a importância da formação permanente? Digite sua resposta aqui Chave de resposta E Quer dizer que precisamos ter perfil em todas as redes sociais digitais, para podermos acompanhar tudo que está ocorrendo, os assuntos principais e quais são as tendências do momento. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 114 of 140 29/01/2024, 14:56 A importância das mídias digitais não significa o fim das relações humanas. Temos de ter em mente o quanto as interações de afeto são importantes, mesmo quando estamos afastados presencialmente. É fundamental estarmos sempre em formação, mais especificamente em uma formação permanente, em especial quando ligada a questões dos recursos digitais. Os recursos digitais são novos e trazem agonias, inseguranças e dificuldades de adaptação, que somente com a formação permanente será sanada. Os alunos, por mais que possam ser protagonistas do saber com as metodologias ativas e com os recursos digitais, não estão sozinhos. É preciso também que os professores busquem atualizações constantes e que a fluência digital seja aprofundada, seja por meio de textos, vídeos, podcast etc. O digital como recurso Chegamos ao último módulo! Trabalhamos sobre os livros didáticos, sobre os inúmeros recursos dentro dos livros didáticos, sobre a gamificação e vamos fechar agora falando um pouco sobre as mídias digitais em seus limites e potencialidades. Antes de fazermos esse movimento, queremos reforçar que nossas opções foram um recorte dentro de um mar de possibilidades. Isso nos Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 115 of 140 29/01/2024, 14:56 faz chegar à conclusão de que tudo pode ser um recurso, desde que tenhamos claro o nosso objetivo ao mobilizar um e não outro. Os recursos permitem diferentes abordagens, distintas metodologias e devem estar a favor de uma ação pedagógica criativa, sensível, humana e que valorize o ser aprendente em sua historicidade. Eles são partes essenciais dos nossos planejamentos! Além dos que citamos ao longo do nosso estudo, você é capaz de se lembrar de outros recursos? Desafio do minuto! Abra o cronômetro do seu celular ou um cronômetro on-line. Em um minuto, tente escrever em um editor de texto ou em um papel todos os recursos que venham à sua mente e que não tenhamos citado aqui neste conteúdo. Você vai ver como temos uma capacidade criativa de relacionar nossas vivências com nossa formação profissional. A cabeça de um professor não para, não é verdade? Sabemos que o digital pode ser o tema/conteúdo de uma aula, pode ser a metodologia, mas pensá-lo como recurso requer problematizá-lo sem reforçarmos visões ingênuas de vê-lo como salvação da educação ou, por outro lado, como algo que deva ser negado, evitado. O famoso “caminho do meio” parece ser uma estratégia interessante. É nela que Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html#116 of 140 29/01/2024, 14:56 apostamos! O digital em suas contradições A pandemia da COVID-19 intensificou o uso das tecnologias digitais. Uso das tecnologias digitais Ainda não sabemos exatamente os ganhos e perdas que tivemos e teremos, mas algumas impressões vão sendo construídas com base em nossa própria experiência discente e docente. Anos de pesquisa serão necessários para analisar o vivido. Re�exão Você acha que a pandemia representou uma “virada digital” ou ela somente acelerou processos que já vinham acontecendo? Pense sobre isso. Indubitavelmente, a pandemia explicitou desigualdades de toda ordem, sejam econômicas, sociais ou mesmo de formação. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 117 of 140 29/01/2024, 14:56 Não foram poucas as angústias vividas por docentes e discentes. Inúmeros memes circularam fazendo campanhas para os estudantes abrirem suas câmeras e interagirem com seus professores. Diversas matérias foram publicadas em portais informativos ou em noticiários de TV denunciando as situações precárias nas redes de ensino. E você: como se sentiu nesse turbilhão? Conta pra gente Se você pudesse materializar uma produção (imagem, áudio, desenho) que te representasse no início da pandemia, como seria? Você pode fazê-la à mão ou em algum aplicativo voltado para esse fim. Não se preocupe, o objetivo aqui não é fazer uma análise estética e sim um exercício introspectivo, parando para escutar e valorizar as nossas próprias vivências. Mãos à obra! O professor e pesquisador António Nóvoa (2021) comenta sobre o que observou em relação à aprendizagem no contexto pandêmico, alertando para alguns perigos em relação ao digital. Vejamos: Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 118 of 140 29/01/2024, 14:56 Eu vi em muitos lugares, por exemplo, crianças que passaram seu ano a produzir coisas, fazer vídeos, atividades artísticas, recolher informação. Vi aumento signi�cativo, em alguns setores, da relação com a leitura e o livro. Isso não substitui a aprendizagem curricular, da Matemática, História, Geogra�a, mas permitiu manter uma relação com a aprendizagem. O que me preocupa muito é que possamos generalizar para o futuro este ano, dizer que agora é melhor fazer coisas em casa, com o digital e tecnologia. Podemos estar a perpetuar o que foram respostas emergenciais Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 119 of 140 29/01/2024, 14:56 respostas emergenciais necessárias como um novo modelo de educação. Isso, a meu ver, seria péssimo. (NÓVOA, 2021, grifos nossos) Conforme destacado, devemos pensar a favor do que pretendemos que o digital esteja. Sim, ele foi necessário como uma medida emergencial, mas ao longo do tempo temos amadurecido a nossa relação com ele, com mais investimento formativo para aprender a trabalhá-lo de maneira direcionada, planejada. O digital como recurso não pode ser simplesmente “jogado” em situações de ensino-aprendizagem de forma ingênua. Antes precisamos conhecê-lo, reconhecer quais são os seus limites e qual o seu potencial para aquilo que desejamos construir com os alunos. Por falar em limites, quem nunca passou pela situação de perder um arquivo? Ou quando montamos uma apresentação que depois não abria? E o site que saiu do ar? Esses são alguns dos entraves que enfrentamos nesse universo, mas também queremos trazer alguns exemplos positivos de forma a instigar a prática daqueles que se permitem ousar e têm essa possibilidade. Refletir sobre os dados que cedemos, sobre as plataformas que usamos, sobre como nos posicionamos nas redes é uma preocupação diária, e esses são pontos a serem trabalhados também com os nossos estudantes. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 120 of 140 29/01/2024, 14:56 Você já pensou que uma conversa pode ser um recurso didático? A profa. Marcella Albaine Farias da Costa conversa com você sobre o recurso da linha comunitária. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 121 of 140 29/01/2024, 14:56 Materializando ideias: os memes na rede No módulo 2, citamos como o digital aparece dentro dos livros didáticos: por exemplo, pela indicação de sites, pela utilização de QR Codes, dentre outros. Agora, daremos destaque a outros formatos de linguagens que podem ser pensadas no momento da construção de uma aula e, para isso, escolhemos os memes em função da grande circulação que têm entre os canais de comunicação do público jovem. Da mesma forma, aprendemos com Costa e Mendes (2016) que a ideia que está por trás do meme não é algo original da cultura digital, visto que sempre houve informações que visavam ser repetidas e perpetuadas. Todavia, a criação de memes em formato digital é um fenômeno da nossa atualidade que merece nossa plena atenção. Você deve ter compartilhado algum meme em algum momento da sua vida, mas sabe como criá-lo? Memes Segundo Abreu (2021): Os memes estão em destaque principalmente nos suportes digitais e fazem parte da cultura contemporânea. Esse gênero textual surge de uma demanda comunicacional possibilitada pelo desenvolvimento e “popularização” das redes sociais e dos meios midiáticos. Embora possa apresentar conteúdos variados, alguns mais efêmeros e irrelevantes, outros Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 122 of 140 29/01/2024, 14:56 apresentar conteúdos variados, alguns mais efêmeros e irrelevantes, outros mais engajados política e socialmente, o que importa é que já fazem parte da realidade comunicativa nos dias atuais, sendo compartilhados, curtidos e replicados em vários espaços, inclusive na escola. O termo meme está associado à cultura digital, mas a expressão não se limita a essa definição. Aprendendo com memes? Temos uma proposta: abra suas redes sociais. Navegue por elas e veja se há algum meme recentemente recebido. Em caso afirmativo: qual o assunto em pauta? Vamos aprender a criá-los para fins pedagógicos? Os memes, como se sabe, devem conter alguma característica engraçada, o que nem sempre é fácil de ser feito dentro de padrões éticos que uma produção feita na escola ou na universidade demandam. Novamente, recorrendo a Costa e Mendes (2016), entendemos que o riso e o risível devem ser aspectos trabalhados com os estudantes dentro da proposta da atividade para que esse tipo de produção não seja porta-voz de estereótipos e preconceitos que abram brechas para críticas em relação a uma postura não cidadã dentro da instituição de ensino. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 123 of 140 29/01/2024, 14:56 Outro ponto importante refere-se à linguagem. Fique ligado! Mesmo sendo algo que circula nas redes, defendemos a manutenção do respeito às normas de escrita, prezando pelo rigor e correção antes que os memes criados sejam compartilhados em outros ambientes, se assim o docente responsável pela atividade o desejar. De igual forma, vale um cuidado com o uso de imagem. Ela pode ser uma fotografia feita pelos alunos previamente, ou o professor pode fazer uma seleção de imagens de fontes confiáveis, orientando seus educandos a atentarem sobre a origem imagética. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 124 of 140 29/01/2024, 14:56 Um novo episódio: podcasts Outro recurso que apresentamos como possibilidade são os podcasts, que consistem em meios de distribuir arquivos de áudio via web. Você costuma ouvir podcasts? Mais uma vez o desafiamos a pensar não apenas no consumo,mas também na produção desse tipo de material, pois é uma forma de trabalhar com as metodologias ativas que vimos no módulo 3, a partir da centralidade e do protagonismo discente. Vamos trocar algumas ideias a esse respeito, mas antes precisamos de uma breve definição! Ponderando a relação entre o podcast e os programas de rádio, Souza (2016) explica que ele é uma junção de novas tecnologias, valores afetivos e as novas possibilidades de linguagem. Linguagem [...] o termo podcast é novo e surgiu em 2004, com Adam Curry (DJ da MTV) e Dave Winer (criador de software), que descreveram a tecnologia como a possibilidade de descarregar conteúdo de áudio nas páginas da web. Assim, criou-se o podcasting, tecnologia surgida da soma das palavras iPod (dispositivo de reprodução de áudio/vídeo da Apple) e broadcasting (método de transmissão ou distribuição de dados) que, através de uma subscrição de feed, possibilitava a transmissão e download de arquivos de áudio via web. Para isso, o ouvinte utilizaria de um Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 125 of 140 29/01/2024, 14:56 de arquivos de áudio via web. Para isso, o ouvinte utilizaria de um ‘agregador de podcast’, programa que assina os diversos feeds disponíveis e que, além de avisar sobre o conteúdo disponível, também faria download dos arquivos de áudio para o computador ou dispositivo de reprodução de áudio, como o iPod. Com a evolução das tecnologias mobile, foram se tornando mais comuns a utilização de agregadores para smartphones, como os aplicativos Podcast Addict e Podcast Republic para plataformas com sistema Android e o aplicativo Podcasts para sistemas iOS (SOUZA, 2016, p. 6-7).Re�exão Você já parou para pensar que as pessoas chamam áudios longos em aplicativos de conversas instantâneas de “podcasts”? Qual a relação disso? Por que essa associação? O curioso é que tem gente que não gosta de jeito nenhum, sente-se incomodado ao receber esse tipo de arquivo, mas outros curtem e os usam para relatar experiências do cotidiano e mesmo para trocar ideias sobre diferentes assuntos. Que tipo de usuário é você? Sintetiza ideias em áudios curtos ou prefere ficar longo tempo gravando? As possibilidades de uso do podcast em sala de aula são inúmeras. Conforme dissemos, pode-se trabalhar com programas prontos que versem sobre algum conteúdo que o docente trabalhará em sua aula e/ ou solicitar que os estudantes, individual ou coletivamente, gravem os seus a partir de um roteiro prévio, elaborado como parte do desenvolvimento da aula. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 126 of 140 29/01/2024, 14:56 O importante é que esse roteiro contenha orientações claras sobre o que deve ser feito e que não se abra mão da pesquisa das informações, transformando-as em conhecimento. Não fique com medo. Permita-se aprender junto com os alunos. É essa cocriação que torna esse momento significativo. Podcast como recurso didático Todos os possíveis materiais didáticos estão mais vivos que nunca e é isso o que vamos mostrar no vídeo a seguir! A criação de playlists com a voz e a identidade dos educandos é uma forma de partilhar aquilo que é produzido na escola para um grande público, rompendo muros. Dialogar aquilo que estamos ensinando- aprendendo com as demandas do mundo é uma forma de afetar o nosso entorno e de nos permitir ser afetados. Legal, não? Dica Pesquise podcasts disponíveis que versem sobre sua área de formação. Analise seu conteúdo e a estratégia dialógica utilizada. Ele foi útil para você? Contribuiu para a sua formação? Você faria algo diferente? Aproveite e anote ideias. Se preferir, veja a seção Explore+ e conheça uma série de podcasts que abordam o uso das tecnologias na educação! Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 127 of 140 29/01/2024, 14:56 educação! O digital como condição de pensamento Em todos os debates que versam sobre o digital como recurso à Educação nos deparamos com colocações do tipo: e quando não consigo acesso a tecnologias, como procedo? Vemos isso acontecer com frequência, concorda? Voltamos a um ponto citado: estamos em um país de dimensões continentais em que as desigualdades se dão não apenas em termos de acesso, mas também de formação e letramento (SOARES, 2002). Chega a ser desesperador ver tantas realidades educacionais que ficam à margem, carecendo de infraestrutura básica como também verificar que existem aquelas que têm todo um arsenal tecnológico, mas que não são utilizados em seu potencial, tornando-se rapidamente obsoletos. Obsoletos Visamos defender aqui o digital como condição de pensamento. O que isso significa na prática? Antes de respondermos a essa pergunta, relembre o que diz a quinta competência da BNCC. O digital como condição de pensamento está imbricado na compreensão da noção de cultura. Não adianta mudarmos os suportes, os aparatos, a materialidade se não mudarmos os hábitos, a mentalidade e as nossas formas de apropriação. Reflitamos sobre nossas práticas e nossos hábitos! Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 128 of 140 29/01/2024, 14:56 Pense na construção de uma situação problema que abarque as duas situações relatadas anteriormente: Situação 1 A instituição de ensino possui acesso às tecnologias, mas não as incorpora na sua rotina. Situação 2 A instituição não tem acesso a formas de conectividade, mas os professores conseguem mobilizar o que chamamos de “lógica do digital”. Ao elaborar essas situações hipotéticas na sua mente você foi capaz de perceber uma possível solução para os problemas em cada caso? Qual seria a sua postura se você fosse o docente das referidas instituições? Situações hipotéticas como essas acontecem na prática de muitos professores. Sem dúvidas, seremos chamados a contornar entraves como esses ao longo do nosso fazer docente. Por isso, volte às suas anotações da atividade anterior Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 129 of 140 29/01/2024, 14:56 Por isso, volte às suas anotações da atividade anterior quantas vezes quiser e reflita mais e melhor sobre a solução encontrada por você. Devemos explorar o digital na sua especificidade quando tivermos acesso, mas caso não o tenhamos, podemos recorrer ao universo do digital, ao repertório reflexivo que ele nos oferta. Como assim? Um exemplo é o uso das hashtags (#). Elas são originalmente associadas às redes sociais como forma de indexação do conteúdo. Você já experimentou clicar nelas e ver os materiais (fotos, textos etc.) a que elas te remetem? Faça essa experimentação. As hashtags podem também ser usadas no papel como forma de sintetizar um texto. Claro, são situações diferentes e fins distintos, mas os alunos talvez façam a conexão com o universo que eles estão familiarizados do on-line. Não podemos afirmar que isso vai acontecer, pois nunca devemos generalizar algo, mas vale experimentar. Formação permanente Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 130 of 140 29/01/2024, 14:56 Olhe bem para a imagem que abre nosso último item do último módulo. Ela demarca a conexão de pessoas, não é? É muito importante frisar que, ao falarmos das mídias digitais, não estamos abrindo mão das relações humanas. Evidentemente, vivemos um grande desafio com a educação remota no período pandêmico, da ausência do olho no olho, mas nossa caminhada segue no desafio de tecer interações de afeto mesmo afastados por uma tela. Sabemos das agonias, das inseguranças, das dificuldades que os recursos digitais geram em nós, pois são fontes novas que noscutucam para novas formas de pensar afinadas ao olhar amplo e sensível sobre o sujeito aprendente. Lembre-se de que nós, professores, também somos sujeitos aprendentes e nossa formação é permanente. O digital não é um “vale tudo”. Como ressaltamos, nossos alunos são atores importantes em nosso processo formativo, mas precisamos também buscar nossa atualização constante e nossa fluência digital por meio do estudo aprofundado de textos, leituras, vídeos, lives etc. Aproveite este conteúdo, ele trouxe debates importantes que certamente te provocaram. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 131 of 140 29/01/2024, 14:56 Falta pouco para atingir seus objetivos. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 132 of 140 29/01/2024, 14:56 Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 “A grande lição da pandemia é esta: nada substitui o ensino presencial” (OLIVEIRA, S. R. Publicado no site educare.pt em 09/09/2020). Com base na interpretação da manchete da notícia, pode-se considerar que A o ensino remoto é uma modalidade de ensino que já vinha sendo empregada antes da pandemia, apesar de, inicialmente, estar restrito à formação nos cursos de educação superior. B a pandemia provocou inúmeras mudanças, proporcionando a inclusão digital em larga escala, mesmo considerando a dificuldade de muitos docentes e discentes em manejar dispositivos tecnológicos. C o coronavírus desafiou o trabalho docente por fazer professores repensarem suas estratégias pedagógicas, visto que o ensino remoto foi a melhor maneira de contato com os estudantes em idade escolar. D o ensino presencial foi a opção adotada por vários estados e municípios após a liberação das Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 133 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa E está correta. A questão toca em pontos delicados relacionados às atividades de ensino durante o período da pandemia da Covid-19, evidenciando que muitas pessoas ficaram à margem da opção remota por não terem condições de acesso às tecnologias digitais. Questão 2 “Por que um museu de memes? O #MUSEUdeMEMES nasceu de uma dupla provocação. De um lado, como todo museu, ele tem o objetivo de apresentar ao grande público um pouco da memória a respeito de um dado tema. De outro, ele é, em si, um meme, isto é, uma brincadeira, um artifício, cujo principal propósito é estimular a reflexão sobre o papel que ocupam os memes na cultura contemporânea” (Fonte: site Museu de Memes) Em relação ao memes como recursos didáticos, podemos dizer que D autoridades sanitárias, não deixando, dessa forma, estudantes à margem da escolarização. E o ensino remoto, apesar de ser uma opção utilizada em caráter emergencial, não abarcou todos os estudantes, evidenciando as desigualdades sociais em países como o Brasil. A podem ser trabalhados em todos os segmentos de ensino, desde que se tenha a anuência dos responsáveis. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 134 of 140 29/01/2024, 14:56 Parabéns! A alternativa C está correta. Os memes possuem forte inserção no universo jovem, mas para que sejam pensados como recurso didático devem, necessariamente, obedecer aos preceitos éticos e de valorização dos direitos humanos. responsáveis. B são estratégias imprescindíveis no processo de ensino-aprendizagem porque mobilizam diferentes olhares interpretativos. C precisam ser problematizados para que não reforcem preconceitos e estereótipos, estando a favor da valorização da diversidade e da diferença. D são registros do tempo presente e por isso podem ser arquivados por estudantes e professores como forma de documento histórico. E são instrumentos neutros que precisam ser apropriados por docentes dos diferentes componentes curriculares. Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 135 of 140 29/01/2024, 14:56 Considerações �nais Chegamos ao final dessa jornada! Você está saindo daqui com um olhar diferenciado. Sabemos que o mundo é algo em constante transformação e, portanto, os recursos didáticos não estão isentos dessas mudanças. Dessa forma, começamos nossa viagem pelos livros didáticos e o convidamos a um olhar mais profundo. Enxergar que dentro dele há ideias originais e que podem se tornar mais incríveis ainda ao sair do papel e ocupar nossos sentidos e nossas mentes. Exploramos as potencialidades da gamificação e do universo digital para construir momentos significativos, a partir da ideia de que docentes e estudantes podem e devem trabalhar em parceria. Todos os sujeitos envolvidos nos processos educacionais têm a sua importância como produtores de conhecimento. Este foi o nosso objetivo. Não se trata de criar receitas prontas de sucesso porque elas não existem. Mas um bom professor é aquele que sabe lutar com as ferramentas que possui e, com isso, transformar o mundo por meio da educação! Podcast Agora, as especialistas Adriana Ralejo e Marcella Albaine conversam livremente sobre os recursos em educação fazendo uma conexão com Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 136 of 140 29/01/2024, 14:56 tudo o que vimos até agora. Explore + • O bom livro didático é aquele usado por um bom professor, de Circe Bittencourt. Entrevista publicada em 1º de fevereiro de 2014 no portal Nova Escola. Em uma conversa com a historiadora Circe Bittencourt, são discutidas questões sobre os desafios do uso de livros didáticos no Brasil. • Os cegos e o elefante. A famosa fábula do folclore hindu nos permite compreender a importância de explorar os sentidos por diversos meios para construir conhecimentos. • A contribuição das tecnologias para uma educação inovadora. Artigo de autoria de José Manuel Moran em que o autor trabalha de maneira crítica a ideia de inovação por meio das tecnologias. • Videoclipe oficial da música Bola de Meia, Bola de Gude, de Milton Nascimento – participante do Projeto 3 Clipes - 1 Curta. Videoclipe em linguagem lúdica que versa sobre a relação do adulto e da criança por meio do brincar. • Série de podcasts aborda o uso das tecnologias na educação. Matéria publicada em 2 de junho de 2021 no portal Jornal da USP. A Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 137 of 140 29/01/2024, 14:56 notícia cita materiais em formato de podcast que exploram o potencial das tecnologias digitais para fins educacionais. Referências ABREU, C. B. Também com memes se ensina e se aprende história: uma proposta didático-histórica para o Ensino Fundamental II. Palavras ABEHrtas, n.1, jul. 2021. Consultado na internet em: 15 set. 2021. ALEXANDRE, C.; SABBATINI, M. 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Meu pé, meu querido pé. São Paulo: MCD, 1997. Faixa 3 Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema Análise de material didático e fatores auxiliares https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/04871/index.html# 140 of 140 29/01/2024, 14:56 javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF()