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Análise de
material didático
e fatores auxiliares
Profª. Adriana Soares Ralejo, Profª. Marcella Albaine Farias da Costa
Descrição
Reflexão sobre a diversidade de tipologias de recursos didáticos e suas
diferentes possibilidades de uso em contextos de ensino e
aprendizagem escolar.
Propósito
Conhecer a diversidade de recursos didáticos proporciona ao docente
potencialidades criativas para o ensino, a fim de melhor dialogar com as
realidades dos estudantes estabelecendo aprendizagens significativas.
Preparação
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Preparação
Antes de iniciar seu estudo, separe um livro didático que tenha à
disposição, de preferência da sua área de atuação, a fim de desenvolver
atividades propostas nos módulos.
Objetivos
Módulo 1
Analisando o livro didático
Reconhecer o livro didático como instrumento de aprendizagem em
potencial.
Módulo 2
Recursos dentro de um recurso
Analisar criticamente os diferentes recursos presentes no livro
didático.
Módulo 3
Em busca de novos recursos didáticos
Formular propostas didáticas com base na gamificação.
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Formular propostas didáticas com base na gamificação.
Módulo 4
Recursos digitais de aprendizagem
Avaliar as diferentes possibilidades das mídias digitais para
situações de ensino e aprendizagem.
Introdução
Mesmo que não pareça, estamos cercados de elementos que
podem se tornar recursos didáticos potentes para a prática
docente. É disso que se trata esta proposta: permitir o olhar
problematizador para o que temos e proporcionar ações criativas
e significativas nas relações de ensino e aprendizagem.
Começando com o livro didático, convidamos você, a partir de
uma perspectiva crítica, a observar seu contexto de produção,
distribuição e uso. Dentro dele, há uma infinidade de
possibilidades, ou seja, muitos recursos dentro de um recurso!
Esses não se limitam ao que podemos ver, vão além. Tanto o
estudante quanto o professor podem construir juntos uma
educação transformadora.

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Considerando os desafios atuais, vamos explorar também os
processos de gamificação como metodologia ativa, além de
apontar caminhos possíveis para os usos das mídias digitais de
forma consciente e baseada nos preceitos éticos.
1 - Analisando o livro didático
Ao �nal deste módulo, esperamos que você reconheça o livro didático como instrumento de
aprendizagem em potencial.
Ligando os pontos
Você sabe o que é um livro didático? Sabe qual a relação do professor
com esse material? Então vamos ver o caso abaixo.
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João foi chamado para ser o novo diretor pedagógico de uma escola e,
chegando lá, fez reuniões para conhecer o corpo docente, saber mais
sobre o dia a dia da instituição, além de conhecer melhor todo o
planejamento. As primeiras impressões foram positivas e João estava
gostando bastante do novo desafio. Porém, um ponto chamou a sua
atenção, os livros didáticos utilizados nas turmas. Ao realizar a análise
dos livros, os achou bem pertinentes, com temáticas inovadoras, um
material atualizado, porém, nas reuniões, esse tema não apareceu.
Como na escola não havia psicopedagogo e João sempre gostou de
contar com um nas instituições em que trabalhou, ele chamou um
profissional da área para realizar um assessoramento e verificar como
estava a questão da aprendizagem. João comentou a respeito da
temática do livro didático e pediu a ajuda do psicopedagogo para
verificar o que estava ocorrendo.
O psicopedagogo, então, se apresentou ao corpo docente, conversou
com professores, funcionários, alunos, responsáveis dos alunos,
acompanhou recreios e algumas aulas, e percebeu que o que estava
ocorrendo. Em uma reunião com João, relatou que existia um certo
estigma com o livro didático por parte do corpo docente, uma vez que
em outros tempos as escolhas dos livros não eram tão interessantes.
Com isso, o psicopedagogo e João resolveram fazer uma reunião para
explicar a finalidade que o livro didático tem, suas funções (divididas em
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explicar a finalidade que o livro didático tem, suas funções (divididas em
categorias) e a relação do livro com os professores. Após essa
conversa, o corpo docente ficou mais tranquilo em relação ao uso do
livro didático, que antes era visto como algo não muito útil e começou a
utilizá-los com mais vontade.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
QQuueessttããoo 11
Como você viu, os professores tinham um certo desgosto em
utilizar os livros didáticos, algo que ocorre em diversos locais.
Porém, o diretor e o psicopedagogo conversaram e explicaram as
funções do livro didático. Sabe-se que as funções são diversas,
mas podemos classificá-las em categorias, assim como João e o
psicopedagogo fizeram. Das alternativas abaixo, qual apresenta
quatro categorias que você poderia dividir essas funções de forma
correta?
A Qualidade, preço, marca, tamanho dos livros.
B
Referencial, instrumental, ideológica e cultural,
documental.
C Partidária, quem são os autores, ideológica, cultural.
D
Qualificação, marca das editoras, documental e
referencial.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
Respectivamente, na categoria referencial, temos que o objeto (o
livro didático) é um suporte a que o professor pode recorrer para
conferir conteúdos, conhecimentos, técnicas e habilidades; a
categoria instrumental está relacionada à utilização do livro
didático em práticas de aprendizagem, a fim de facilitar o processo
de ensino; em relação às categorias ideológica e cultural, temos o
entendimento que o livro paradidático é um resultado de escolhas; e
a categoria documental diz respeito aos livros didáticos serem um
documento no qual constam imagens e textos, utilizados para o
desenvolvimento do pensamento crítico.
QQuueessttããoo 22
No caso estudado, vimos a relação entre o professor e o livro
didático. Como você explicaria de forma correta ao corpo docente
como se dá essa relação? Assinale a alternativa abaixo.
E Atualização, partidário, linguagem, instrumental.
A
O livro didático pode dar conta sozinho do processo
de ensino e aprendizagem, sendo assim não há
espaço para atuação do professor.
B
O livro didático traz uma linguagem rebuscada, por
ser um conhecimento científico igual vemos em
teses, com isso, o professor precisa explicar os
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Parabéns! A alternativa D está correta.
O livro didático é um instrumento importante. Pode ser, em alguns
casos, o único contato do aluno com um livro, sendo também um
aliado na prática docente. O livro didático se difere do
conhecimento acadêmico, cuja linguagem é mais rebuscada, mas
tem uma ligação com os fluxos científicos para se ter uma garantia
de legitimidade de valor. O livro didático tem uma configuração
própria, que faz com que esses conhecimentos passem por
processos de produção que tornam os sabres ensináveis. Além
disso, ele é uma fonte de referência e de inspiração, mas não de
reprodução. Podemos utilizar e realizar modificações e adaptações
termos presentes nos livros.
C
O livro didáticoé uma fonte de reprodução, ou seja,
o professor não pode modificar nem fazer
adaptações, seguindo exatamente o que está
escrito nele.
D
O livro didático, quando bem utilizado, contribui com
o professor na sugestão de metodologias
inovadoras, na organização dos processos de
ensino e aprendizagem, na mitigação de erros de
conteúdo entre outras colaborações.
E
O livro didático é apenas um objeto em que o
professor pode se apoiar quando não souber o que
realizar em sala de aula, ou seja, em um dia que está
sem planejamento ele é um objeto de uso.
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reprodução. Podemos utilizar e realizar modificações e adaptações
baseadas no contexto de prática ao qual está inserido.
Questão 3
Você deve ter reparado que o diretor pedagógico e o
psicopedagogo conversaram sobre a equipe a respeito da
finalidade do livro didático, ou seja, para que serve. Sabe-se que
essa é uma questão que terá diversas respostas, pois as
finalidades são diversas e dependem de alguns fatores. Que
fatores são esses que podem modificar a funcionalidade do livro
didático?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
A funcionalidade do livro didático depende de alguns
fatores, tais como: tempo histórico no qual é
utilizado, quem está envolvido na sua utilização, o
investimento feito pelas editoras, as intenções dos
autores, a apropriação que é feita pelos professores.
Não adianta ter um livro didático se ele não será
utilizado, assim como ele não deve ser seguido à
risca se desconsiderando os fatores locais.
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Livro didático: “o primeiro recurso”
Neste módulo, iniciaremos nossa discussão sobre o universo dos
recursos didáticos. E é claro que não podemos deixar de começar com
o nosso fiel companheiro de atuação docente que é o livro didático.
Exploraremos o conceito desse material, suas diversas funções, os
desafios enfrentados e as potencialidades que pode nos oferecer para
proporcionar uma aprendizagem significativa.
Vamos começar?
Livro didático é um recurso, mas a professora Marcella Albaine te ajuda
refletir sobre ele.
Competências da BNCC e o livro
didático

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Talvez você tenha um livro didático na prateleira de uma estante ou
guardado no fundo de uma caixa. Nós possuímos diferentes relações
com esse material e abordaremos algumas delas no vídeo a seguir.
Complementando o que acompanhamos no vídeo acima, vale a pena
destacar que cada um vai desenvolver uma relação com esse objeto
escolar de forma específica. Mas, de alguma forma, esse material vai
passar pelas suas mãos, seja por opção sua ou pelas circunstâncias
provocadas no cotidiano escolar, já que gestores e professores fazem
opção pelo uso desse tipo de recurso que já se tornou um elemento de
tradição.
A�nal, o que é um livro didático?
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O que você diria que é um livro didático? Como ele
passou (ou não) pela sua vida?
Nem sempre o significado de livro didático foi o mesmo. De acordo com
o pesquisador Alain Choppin (2004), a definição desse objeto pode se
dar de diversas maneiras, o que dificulta que encontremos pesquisas
sobre ele, tornando-se um tema de pesquisa relativamente recente (a
partir da década de 1980 que começaram a crescer o número de
discussões sobre esse assunto). Mas isso não é de se estranhar, pois
ao longo dos tempos a relação entre o livro didático e seu público-alvo
foi se modificando.
Só para termos uma noção e contextualizarmos nossa conversa,
faremos um breve relato sobre o percurso histórico desse objeto
didático no Brasil:
Primeira metade do século
XIX
Surge o compêndio como
orientação para professores em
suas práticas.
Segunda metade do século
XIX
É colocada em xeque a relação
entre Estado e Igreja na disputa
pelo que deve ser ensinado.
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Início do século XX
Cresce um movimento mais
liberal buscando a inclusão de
outros setores da sociedade na
educação.
Década de 1930
É criado o Ministério da
Educação e Saúde Pública (MES)
e a Comissão Nacional do Livro
Didático (CNLD).
Década de 1960
Os livros passaram a ser
revisados em relação à
composição pedagógica e
conteúdos.
Ditadura civil-militar
O Estado passa a fiscalizar mais
as informações veiculadas nos
livros didáticos, controlando,
dessa forma, a educação.
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Acompanhado o percurso histórico, vamos agora nos aprofundar em
cada um dos momentos desse objeto didático:
dessa forma, a educação.
Década de 1980
Com a pluralidade de ideias e
concepções pedagógicas,
materiais alternativos
produzidos pelos próprios
professores ganham espaço.
Ano de 1985
É criado o Programa Nacional do
Livro Didático, uma política que
visava à implementação de um
processo de avaliação dos livros
didáticos.
Década de 1990
Aos poucos as apostilas vão
ganhando espaço no mercado
editorial e se consolidando como
sistemas de ensino.
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Em seus primórdios, o livro didático era mais direcionado a
atender às demandas do professor. Ele nasce como compêndio,
que, como a própria palavra sugere, trata-se de um compilado de
textos de vários autores, até porque não havia uma única pessoa
especializada em todos os conteúdos de determinada matéria.
Ou, em alguns casos, traduziam-se obras estrangeiras tidas
como referência, principalmente de franceses e alemães,
consideradas como nações “cultas”. Esses materiais tinham por
função a orientação de professores em suas práticas, ou seja,
não eram destinados aos estudantes. Dessa forma, podemos
compreender a forte diferença em relação ao formato e
linguagem dos livros didáticos a que estamos acostumados.
Com o decorrer do século XIX, mediante um crescimento da rede
escolar, entram em disputa propostas de nacionalização e
civilização, inclusive, colocando em xeque a relação entre Estado
e Igreja na disputa pelo que deve ser ensinado. Nessas disputas,
afirma-se a importância do uso de materiais com fins mais
didáticos para crianças e adolescentes, surgindo, assim, a
Primeira metade do século XIX 
Segunda metade do século XIX 
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didáticos para crianças e adolescentes, surgindo, assim, a
produção de manuais escolares e cartilhas.
Mas vale a pergunta: quem são esses estudantes? É claro que
estamos falando de uma educação aristocrática, feita por grupos
que procuravam manter uma visão de sociedade hierarquizada
de modo que a educação, por meio do livro didático, não
modificasse a ordem vigente. Ainda tínhamos uma educação
destinada à elite, e outros grupos sociais ficaram de fora dessa
concepção de escola.
A transição do regime governamental de Império para República
não significou necessariamente uma mudança do controle
estatal sobre os assuntos educacionais. De uma educação mais
livre e domiciliar que caracterizou o século passado, foi-se
ganhando mais força o papel do Estado no controle de livros
didáticos por meio do veto e da autorização de obras “próprias”
para circulação. O significado de escolaainda permanecia nas
mãos da elite com um projeto de “mundo civilizado”. Por outro
lado, crescia um movimento mais liberal com um projeto de
ampliação do conceito de “cidadão brasileiro”, buscando a
inclusão de outros setores da sociedade na educação.
Início do século XX 
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É a partir da década de 1930 que a relação entre o Estado e a
educação começa a mudar. É criado o Ministério da Educação e
Saúde Pública (MES) com o intuito de estruturar a educação
brasileira e ampliar a rede escolar com a pretensão de
universalização do ensino. Dentro desse contexto, em 1938, é
criada a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) com o
intuito de controlar a produção, importação e utilização de livros
didáticos, passando a se controlar mais a definição de
conteúdos, prioridades, orientações quantos aos procedimentos
didáticos e indicação de livros e materiais.
Se por um lado o público discente crescia, por outro, a formação
Década de 1930 
Década de 1960 
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de professores ficava cada vez mais defasada para acompanhar
essa nova dimensão escolar. Com isso, há uma demanda por
modificações nos materiais escolares para uma educação
baseada em diferentes níveis de ensino e que garantissem a
permanência desses estudantes nas escolas. Os livros passaram
a ser revisados em relação à composição pedagógica e
conteúdos.
Com a instituição da Ditadura civil-militar no Brasil de 1964,
inaugura-se um período de censura e ausência das liberdades
democráticas no país. Quanto à produção de livros didáticos, o
Estado passa a fiscalizar mais as informações veiculadas
nesses materiais, controlando, dessa forma, a educação. O
monitoramento se dá por duas frentes de atuação: a Comissão
do Livro Técnico e Livro Didático (COLTED), criada em 1966,
visava ao controle e incentivo do mercado editorial privado; e a
Fundação Nacional do Material Escolar (Fename), criada em
1967, responsabilizava-se pela distribuição de materiais
escolares a estudantes carentes.
Ditadura civil-militar 
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Nesse período, os livros ganham um teor de orientação e
condução sobre a ação docente, com uma linguagem mais
acadêmica, em resposta à fragilidade verificada na formação de
professores, e com técnicas de ensino como instruções
programadas e estudos dirigidos. Os livros didáticos passaram a
ser condutores da prática docente, influenciando todo trabalho
pedagógico com a prescrição de metodologias, conceitos e
finalidades da educação a serem seguidos.
Com o processo de redemocratização no país, os discursos de
liberdade individual e uma social-democracia ganhavam força.
As práticas autoritárias deram lugar à pluralidade de ideias e
concepções pedagógicas. Os livros didáticos de algumas
disciplinas foram criticados e descredibilizados por serem
considerados como reprodutores de desigualdades e hierarquias
sociais por meio de seus textos conservadores. Em seu lugar,
ganhavam espaço materiais alternativos produzidos pelos
próprios professores.
Década de 1980 
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Em 1985, foi criado o Programa Nacional do Livro Didático
(PNLD), uma política que visava à implementação de um
processo de avaliação dos livros didáticos. Esse programa
trouxe grandes modificações para a política educacional
presente até os dias atuais. Seu maior objetivo é proporcionar a
universalização e qualidade na educação por meio da
distribuição de livros para todas as escolas públicas do país.
Vamos falar um pouco mais sobre a importância do PNLD ainda
neste módulo.
Paralelamente às modificações que aconteciam na produção de
livros didáticos mediante o novo momento político do país, com
novas legislações e abrindo portas para a pluralidade de ideias,
cresce a produção de materiais produzidos pelos próprios
professores, como dissemos anteriormente. As apostilas foram
criadas com o argumento de serem mais atualizadas e
dialogarem com os interesses diretos das instituições escolares.
Ano de 1985 
Década de 1990 
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Aos poucos, esses modelos de sucesso local vão ganhando
espaço no mercado editorial e se consolidando como sistemas
de ensino, materiais que oferecem uma proposta já estruturada
para além do material impresso, com orientação pedagógica,
ciclo de palestras, formação aos docentes, metodologias e
produtos tecnológicos como portais de internet e cursos à
distância.
Dica
Será que já existia no século XIX material didático do componente
curricular com o qual você trabalha? Como a educação estava
fortemente ligada às relações de poder vigentes, até o século XIX, os
componentes que compunham uma educação escolar eram de cunho
religioso, além dos estudos das letras, matemática, ginástica, música e
canto, valores morais e cívicos, higiene e trabalhos manuais. Vale a pena
você dar uma pesquisada em banco de teses e dissertações da Capes
ou em artigos científicos na Scielo sobre as circunstâncias em que o
componente que você trabalha surgiu, pois cada um possui uma
especificidade e interesses ligados a ele.
O sucesso dos sistemas de ensino vem chamando a atenção de
críticos. A qualidade desse material é colocada em questão, visto que
não passam por avaliação do PNLD. É também apontada como
preocupante a pouca liberdade que o professor possui, já que
apresentam metodologias prontas, como apontam alguns autores como
Celia Cassiano (2013).
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Celia Cassiano (2013).
Re�exão
O que você acha disso? Se já conhece algum desses sistemas de
ensino, adotaria em sua prática docente?
Para que serve um livro didático?
Bem, após esse “breve” histórico sobre a trajetória dos livros didáticos
no Brasil, compreendendo as relações de poder envolvidas, podemos
aprofundar e desenvolver outras questões sobre esse material. Vamos
começar falando sobre sua função.
Você consegue definir para que serve um livro didático?
Novamente, não temos uma resposta pronta. Como você reparou, a
funcionalidade do livro didático depende de vários fatores.
Vejamos a seguir alguns deles:

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O tempo histórico em que ele está sendo utilizado.

As pessoas envolvidas no seu uso.

O investimento das editoras.

As intencionalidades dos autores.

A apropriação que o professor fará dele.
De nada adianta um livro didático se ele não é usado. Muito menos
conseguimos proporcionar uma aprendizagem significativa se ele for
seguido à risca, desconsiderando os fatores locais.
Circe Bittencourt, pesquisadora sobre o tema, diz que “o bom livro
didático é aquele usado por um bom professor” (você pode conferir a
entrevista completa na seção Explore+).
Mas o que isso quer dizer?
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O livro didático é um objeto cultural complexo. E, ao utilizar o
significante cultural, ela aponta que o livro didático possui um valor
histórico e está passível de influências ideológicas e políticas, como
pudemos observar no item anterior.
O que aparentemente é um objeto de valor únicoe universal, na verdade
é o resultado do cruzamento de ideias pedagógicas, editoriais e sociais.
Choppin (2004) classifica as múltiplas funções do livro didático em
quatro categorias:
Referencial
Quando pensamos em uma função referencial, quer dizer que
esse objeto se torna um suporte, e que recorremos a ele para
conferir conteúdos, conhecimentos, técnicas e habilidades. Por
exemplo, com o desafio de implementação da Base Nacional
Comum Curricular (BNCC), é no livro didático que os professores
vão se apoiar como referência que cumpre a proposta curricular.
Instrumental
A função instrumental está relacionada ao uso do livro didático
em práticas de aprendizagem para facilitar o processo de ensino.
Ou seja, cada vez que você utiliza o livro para realizar uma leitura
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com os estudantes, analisar uma imagem, resolver exercícios,
você está tornando aquele objeto um instrumento para alcançar
seu objetivo de ensino.
Ideológica e cultural
Em relação à função ideológica e cultural, como já comentamos,
podemos compreender que o livro didático é o resultado de
escolhas. Quem determina o que deve ser ensinado? Eis a chave
para compreender o papel político deste material como
instrumento de poder que busca construir identidades,
perpetuando culturas e valores das classes dominantes.
Documental
A função documental se refere aos livros didáticos como um
lugar em que estão presentes documentos (textos e imagens)
utilizados para o desenvolvimento do pensamento crítico, criativo
e científico dos estudantes. Existem vários recursos dentro do
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e científico dos estudantes. Existem vários recursos dentro do
livro didático como recurso. Mas esse assunto será desenvolvido
no próximo módulo, ok?
A determinação do que deve ser ensinado é um campo de disputas em
algumas disciplinas mais intensas do que em outras. A famosa
pergunta dos estudantes “Por que eu preciso aprender isso?” é mais
válida do que nunca, afinal, está se argumentando sobre a relevância do
ensino e o papel da escola para a vida em sociedade.
Movimentos recentes como a promulgação das leis 10.639/2003 e
11.645/2008, que torna obrigatório o ensino de história e cultura
africana, afro-brasileira e indígena, são sinais de que não está tudo
resolvido. Cabe a nós perguntar: Qual é a sociedade que está sendo
construída nos livros didáticos? E qual é a sociedade que desejamos
construir?
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Políticas avaliativas: falando de PNLD
Com a discussão desenvolvida até aqui, não podemos mais naturalizar
o livro didático como um material detentor de uma verdade que não
deva ser problematizada. Mas é inegável seu papel como autoridade
que representa um conhecimento a ser ensinado, reconhecido pelos
estudantes, professores e pela sociedade como um todo.
Quando há divergência entre a opinião do professor e a do aluno, em
uma avaliação, por exemplo, o argumento de que “no livro didático está
assim”, ainda é um dos mais utilizados. Na hora de realizar o
planejamento anual escolar, é a partir do livro didático que o professor
irá se basear para programar suas aulas.
Por essa relação de confiança que depositamos nesse recurso didático
e, apesar de não ser uma verdade única, representar diálogos e
discursos que estão constantemente em negociação (nem sempre tão
pacíficas), que se faz necessária uma política de avaliação a fim de
controlar a qualidade desses materiais.
Estudantes e professores em Itabela, Bahia.
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É nesse contexto que é criado o PNLD, pelo Decreto 91.542, de
19/08/1985, com base em políticas educacionais que demandam por
mudanças na educação. Sua maior proposta é promover a
universalização do ensino, tentando resolver problemas sociais em uma
vertente assistencialista, em busca de qualidade no campo da
educação.
A partir da década de 1990, essa política passa a se expandir e ser
refinada, possibilitando aos professores e gestores das escolas públicas
desse país a escolha do livro que será utilizado nos próximos três anos
letivos, com base em um guia que possui uma resenha dos livros,
apontando características, aspectos positivos e limitações.
Infelizmente, não são muitos os que se preocupam em analisar o Guia
de Livros Didáticos para fazer escolhas mais adequadas. Precisamos
lembrar que o PNLD é uma política que visa à qualidade na educação,
contando com uma avaliação crítica de professores, pesquisadores e
especialistas na área. Escolher uma obra que esteja dentro dessa lista
de aprovados nos dá uma maior credibilidade de que a obra que
utilizaremos respeita as normas oficiais, os princípios éticos, possui
coerência e adequação com sua abordagem teórico-metodológica e
atualização de conceitos e informações.
Re�exão
Se você tivesse que escolher hoje um livro didático para utilizar em sala
de aula, qual escolheria? Dificilmente você terá acesso a todos os livros
disponíveis e provavelmente escolheria aquele que já conhece ou uma
indicação de um colega, de um consultor editorial ou, até mesmo, teria
que acatar a escolha feita pela direção da escola em que trabalha. Para
conhecer bem esse universo de livros didáticos e evitar escolher um
livro de má qualidade, com o qual não consiga trabalhar, desafiamos
você a escolher um livro com base no Guia de Livros Didáticos,
disponível no portal do FNDE.
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A relação entre o livro didático e o
professor
Já parou para pensar por que o livro didático é um instrumento tão
importante assim? Para muitos de nossos estudantes, talvez esse seja o
primeiro e, infelizmente, em alguns casos, o único contato com um livro.
Pense na emoção que você tinha ao receber um livro, de querer folheá-
lo, descobrir o que vem pela frente, de enfrentar o desconhecido e se
abrir para o novo. Esse recurso é um importante aliado em nossa prática
docente e não é por acaso.
Diferentemente do conhecimento acadêmico, que apresenta uma
linguagem rebuscada por meio dos livros, artigos e teses que lemos ao
longo de nossa formação, o conhecimento escolar se caracteriza por
ser uma produção originária naquele e para aquele ambiente, com uma
epistemologia própria e diferenciada do conhecimento científico. Ser
diferente do conhecimento científico não quer dizer que sejam
produções antagônicas. A ligação com os fluxos de cientificidade se faz
necessária por garantir ao conhecimento escolar uma legitimidade de
valor perante as demandas sociais.
Atenção
O conhecimento escolar não é uma simplificação do conhecimento
acadêmico e muito menos oposto a ele!
Por terem uma configuração própria, esses conhecimentos passam por
processos de produção a fim de se tornarem os saberes ensináveis. Ao
ministrar uma aula, trabalhamos com leituras, interpretações e objetivos
que geram um processo de recontextualização, no qual a bricolagem de
informações, saberes, valores, habilidades criam discursos com
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informações, saberes, valores, habilidades criam discursos com
expressões próprias que buscam ser objeto de compreensão tanto para
professores quanto para alunos.
Exempli�cando o termo trabalhado
Colocaremos a seguir um trecho retirado de um texto científico. Pense
como você explicaria a ideiaali exposta para um jovem que está
cursando o 8º ano do ensino fundamental. Não se prenda a somente
usar palavras mais simples, mas a buscar relações das suas
experiências e do que você espera que seja conhecimento desse jovem.
Esse exercício nos ajudará a compreender melhor como acontece uma
transposição didática.
Para participar desta nova
estrutura social, é preciso
passar por uma nova
alfabetização. Aprender a
“linguagem da tela”, das
“tecnologias da interrupção”
chega a ser tão necessário
como a alfabetização
relacionada com a leitura e a
escritura verbais.
Consequentemente, preparar
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Consequentemente, preparar
os cidadãos não só para ler e
escrever nas plataformas
multimídia, mas para que se
envolvam com esse mundo
compreendendo a natureza
intricada, conectada, da vida
contemporânea, torna-se um
imperativo ético e uma
necessidade técnica.
(PÉREZ GÓMEZ, 2015, p. 21)
Tendo os conteúdos organizados de forma própria para o ensino, com
uma linguagem já didatizada, o livro didático é um dos recursos que
mais auxiliam a prática docente. Para nós, professores, ele se torna uma
fonte de referência e inspiração para planejar nossas aulas. Nota-se que
estamos falando de inspiração, e não de reprodução. É importante frisar
que a partir dele podemos (e devemos) realizar modificações e
adaptações no contexto de prática.
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Um livro didático bem utilizado pode ajudar o professor a evitar erros,
sugerir metodologias inovadoras, organizar processos de ensino-
aprendizagem, atualização de conteúdos, sistematizar os conteúdos
escolares, ou seja, seu uso não se restringe à sala de aula.
Porém, não é sempre assim que acontece. Percebemos que muitos
professores acabam desenvolvendo uma relação de disputa com os
livros didáticos, correndo o risco de não serem utilizados em sala de
aula.
Por possuir um caráter aparentemente completo, trazendo explicação
de conceitos, problematizações, propondo exercícios, sugerindo filmes
etc., parece que o livro sozinho pode dar conta do processo de ensino e
aprendizagem, não deixando espaço para a atuação docente. Essa
rejeição também pode acontecer quando o professor não possui o
direito de escolha da obra, sendo obrigado a trabalhar com um material
que não desejava. Mas não podemos nos deixar reduzir a esses
estereótipos, pois, por mais que o material não tenha o seu perfil de
atuação, há ali uma infinidade de recursos que podem ser explorados.
Esse será o tema do nosso próximo módulo.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio,
oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e
Cultura Afro-Brasileira.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo
incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos
negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da
sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas
áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.”
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áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.”
(Lei 10.639/2003)
A promulgação de uma lei que torna obrigatório o ensino sobre
história e cultura afro-brasileira em 2003 demonstra que
Parabéns! A alternativa C está correta.
A
os temas sobre história e cultura africana e afro-
brasileira não são contemplados nos currículos,
incluindo os livros didáticos, de forma correta.
B
foi necessário ter uma medida legal para que seja
construída uma sociedade que possa ser
reconhecida por sua diversidade e diferença.
C
a seleção de conteúdos é um processo de disputas
pelo que deve ser ensinado, acontecendo lutas por
representatividade para serem reconhecidos.
D
existe uma hegemonia de uma cultura branca e
patriarcal que permanece desde o início da
educação escolar e que não mudou no decorrer do
tempo.
E
somente a partir do século XXI que apareceram
manifestações de representatividade da cultura
africana e afro-brasileira no currículo.
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O currículo, e isso inclui os livros didáticos, é resultado de um
processo de disputa de poder. A promulgação da lei 10.639/2003
mostra que nem tudo está previamente dado no currículo escolar,
precisando haver lutas por representatividade que, no caso,
precisou se tornar lei para ser cumprida.
Questão 2
“Os livros didáticos, os mais usados instrumentos de trabalho
integrantes da “tradição escolar” de professores e aluno, fazem
parte do cotidiano escolar há pelo menos dois séculos. Trata-se de
objeto cultural de difícil definição, mas, pela familiaridade de uso, é
possível identificá-lo, diferenciando-o de outros livros”
(BITTENCOURT, C. Ensino de História: fundamentos e métodos. 3.
ed. São Paulo: Cortez, 2009, p. 299).
A pesquisadora Circe Bittencourt afirma que, apesar de ser
facilmente identificado, é difícil definir um livro didático. O que ela
quis dizer com “objeto cultural de difícil definição”?
A
Apesar da familiaridade da sociedade com esse
objeto, é difícil defini-lo como livro porque pouco é
reconhecida sua autoridade de saber.
B
De acordo com seu lugar de origem, a função do
livro didático muda porque ela está relacionada com
a cultura desse local.
Devido à variedade de estratégias tomadas pelas
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A pesquisadora afirma que o livro didático é um objeto cultural
complexo porque é moldado de acordo com as influências
histórico-culturais de sua época e porque possui múltiplas funções,
dentre elas a referencial, instrumental, ideológica/cultural e
documental, baseados nos apontamentos de Alain Choppin.
C editoras, fica difícil definir um padrão na
configuração de um livro didático.
D
Um livro didático possui diferentes configurações
dependendo do seu local de origem e do tempo em
que é trabalhado.
E
Significa que o livro didático, apesar do seu valor
histórico, possui diversas funções, dependendo do
seu público e uso.
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2 - Recursos dentro de um recurso
Ao �nal deste módulo, esperamos que você analise criticamente os diferentes recursos
presentes no livro didático.
Ligando os pontos
Você sabe o que é a Base Nacional Comum Curricular? Sabe qual a
relação das competências com a educação? Você sabe o que é um
recurso educacional? Então vamos ver o caso a seguir.
Lucas foi o psicopedagogo chamado para trabalhar em uma instituição
de ensino que estava passando por algumas questões de problema de
aprendizagem em algumas turmas do ensino médio.
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Lucas chegou até a escola e foi entender tudo que ocorria.
Primeiramente, foi informado que a escola seguia a BNCC, trabalhando
com as dez competências gerais do documento. Lucas não conhecia
muito bem essas competências, logo foi estudá-las para entender como
funcionava.
Após o estudo sobre as competências, Lucasrealizou reuniões com o
corpo docente para saber o que eles achavam sobre a questão da
BNCC, sobre como eram as aulas, e o que eles achavam que estava
ocorrendo. Ele percebeu que os professores conheciam as
competências, mas tinham algumas dificuldades de aplicá-las em sala
de aula. Isso ocorria, principalmente, pelas especificidades dessas
séries, como a proximidade do ENEM, por exemplo.
Lucas resolveu conversar com o diretor pedagógico da instituição, a fim
de criar um ciclo de palestras e uma formação continuada tratando a
BNCC, para abordar como poderia ser aplicada. Além disso, outro ponto
que Lucas achou que seria necessário abordar nessa formação era
como tornar os conteúdos ensinados na escola em algo interessante
para essas turmas. Para isso, era necessário que os conteúdos
tivessem uma dimensão de importância para a vida e processos sociais.
Após a formação, a mudança na prática docente e a questão da
importância para a vida, as turmas começaram a melhorar e o processo
de ensino e aprendizagem passou a se desenvolver melhor.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
QQuueessttããoo 11
Como você viu, Lucas buscou estudar sobre as 10 competências da
BNCC para entendê-las melhor. Após isso, foi conversar com os
professores. Se você fosse Lucas, como explicaria a competência
da cultura digital? Assinale a alternativa correta.
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A
É preciso entender que a cultura digital é a mais
importante competência atualmente, sendo assim
todos os professores devem ter um vasto
conhecimento sobre os recursos tecnológicos,
sobre a linguagem multimídia e sobre os aplicativos
digitais.
B
É preciso compreender que a escola não deve se
importar com a cultura digital, ou seja, não é preciso
trazer esse conhecimento para dentro da escola,
deixando-o apenas no mundo digital.
C
É necessário compreender, criar e utilizar as
tecnologias de informação e de comunicação de
forma crítica, reflexiva e ética nas práticas sociais, e
nisso se incluem as práticas escolares, para se
acessar e disseminar informações, produzir
conhecimento e resolver problemas.
D
É preciso compreender que as tecnologias são
fundamentais e indispensáveis, sendo assim é
preciso utilizá-las no cotidiano e na vida escolar
sem debater e sem contextualizar, pois as
inovações tecnológicas não param e são sempre
positivas para os seres humanos.
É preciso que todas as escolas tenham aulas de
robótica, programação, equipamentos tecnológicos
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Em relação à cultura digital, a BNCC diz que é preciso
“compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e
comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas
diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se
comunicar, acessar e disseminar informações, produzir
conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e
autoria na vida pessoal e coletiva” (BNCC, 2018).
QQuueessttããoo 22
No caso, vimos a questão do tornar os conteúdos ensinados em
algo interessante e que desperte a vontade de saber dos alunos.
Uma das formas que pode ser feito isso é entendendo o que os
estudantes já sabem. Sobre esse processo, como você explicaria
de forma ideal?
E de ponta, e que os alunos tenham notebook para
acompanhar as aulas, sem esses equipamentos não
é possível.
A
Precisamos começar a ver programas que os jovens
veem e nos inteirar de todas as redes sociais, como
se fossemos jovens.
B
É preciso que tenhamos professores jovens, ou seja,
de faixa etária próxima à dos alunos, pois assim não
teremos o choque cultural.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
Não é necessário saber tudo o que se passa na vida de um jovem,
ou quais são seus gostos pessoais, até porque isso seria
impossível devido à quantidade de alunos e a variedade deles.
Porém, é preciso saber minimamente o contexto de consumo
cultural no qual eles estão inseridos, ou seja, para nos mantermos
atualizados, precisamos conversar com os alunos, podemos até
mesmo aplicar um questionário com perguntas voltadas para o
consumo, como músicas, filmes e séries favoritas, os desejos sobre
o futuro, as dificuldades, entre outras opções.
Questão 3
C
Trabalhando apenas com que os jovens querem,
não ensinando o que deve ser ensinado, mas
apenas aquilo que eles desejam aprender.
D
É preciso saber, mesmo que de forma mínima, o
contexto de consumo cultural em que os jovens
estão inseridos, ou seja, os projetos de vida, os
produtos que consomem, entre outros.
E
É preciso saber o que os jovens querem, mas não é
possível levar isso em conta, pois é preciso ensinar
o que é obrigatório e eles que devem estar
preparados para aprender.
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Imagine que você foi chamado para falar sobre as dez
competências gerais da BNCC, para dar dicas de como trabalhá-
las de forma prática na sala para auxiliar no processo de ensino e
aprendizagem. Como você as explicaria?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Na competência conhecimento, é preciso valorizar e
utilizar os conhecimentos que são historicamente
construídos sobre o mundo, a fim de entender a
realidade. Na competência pensamento científico,
crítico e criativo, temos que exercitar a curiosidade
intelectual dos alunos, e para tal podemos recorrer a
abordagens próprias das ciências. Quando falamos
na competência repertório cultural, devemos
valorizar as diversas manifestações artísticas e
culturais. Em se tratando da comunicação, temos de
utilizar diferentes linguagens, como o conhecimento
das linguagens artísticas, matemática e científica. Na
competência da cultura digital, é preciso
compreender e utilizar as tecnologias de informação
e comunicação de forma crítica. Sobre a
competência trabalho e projeto de vida, temos a
valorização da diversidade de saberes e das
vivências culturais, apropriando-se dos
conhecimentos e das experiências que possam
possibilitar entender as relações. Na competência
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possibilitar entender as relações. Na competência
argumentação, é preciso argumentar com base em
fatos, em informações confiáveis e em dados,
buscando sempre formular e defender ideias que
respeitem os direitos humanos. Na competência
autoconhecimento e autocuidado, é preciso se
conhecer, se valorizar e cuidar da saúde tanto física
como emocional. Já na competência da empatia e
cooperação, é preciso exercitar a empatia, o diálogo
e a resolução de conflitos, ou seja, a cooperação,
para se promover o respeito ao outro. Para finalizar,
na competência da responsabilidade e da cidadania,
é preciso o agir pessoal e o coletivo com autonomia,
responsabilidade, tomando decisões baseadas em
princípios éticos e democráticos.
Onde morrem as boas ideias?
No módulo anterior, falamos sobre os livros didáticos e da importância
de se fazer uma boa escolha e um bom uso desse recurso. Neste
módulo, vamos destrinchar o livro didático e ensaiar o nosso olhar para
explorar as potencialidades diante dos diversos recursos que o
compõem. Vamos exercitar como os elementos ali presentes podem ser
trabalhados de forma separada para compreender que podemos ir
muito além do livro físico.
Mas por que ter esse olhar atento sobre o livro didático?
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Pode ser que você goste de desenvolver seu próprio material, com os
recursos que esteja mais familiarizado. Porém, nem sempre teremos à
disposição meios de trabalhar com essas produções, preparadas pelo
professor, em sala de aula. Essa relação pode variar bastante de escola
para escola.

Pode ser que nem toda instituição tenha um projetor/televisão e
computador disponíveis para realizar uma apresentação de Power Point
com imagens para problematização.

Há casos em que trazer uma música e tocar do seu celular não vai ser
suficiente para que todos escutem e nesse dia a caixa de som da escola
pode não estar funcionando bem.

Aquele texto bacana que você quer que seus estudantes leiam para
fazer um exercício de interpretação precisa ser impresso e reproduzido
com antecedência de, no mínimo, duas semanas em alguns lugares.

E, claro, há também aqueles dias em que o sinal de wi-fi não está
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E, claro, há também aqueles dias em que o sinal de wi-fi não está
funcionando, atrapalhando seus planos de uma aula onde esse recurso
é imprescindível.
Vamos entender um pouco melhor sobre o que são
recursos na educação?
Neste áudio a professora Adriana Soares Ralejo conversa com você
sobre o que são os recursos na educação.
Tudo depende de muito planejamento e condições técnicas do ambiente
que estão além da nossa vontade.
Calma, não estamos querendo te desanimar com isso. O que estamos
trazendo aqui são relatos das nossas próprias experiências que podem
contribuir para a sua percepção sobre a diversidade de condições que
possa vir a encontrar. E como o livro didático é um recurso praticamente
certo na sala de aula (a não ser quando o aluno esquece em casa ou
teve algum atraso na entrega), avaliamos que é importante um olhar
mais atento sobre o que tem ali dentro e como cada elemento pode virar
um recurso em potencial.
Re�exão
Vamos fazer um exercício: feche os olhos e imagine-se abrindo um livro
didático. O que você vê? Textos, imagens, tarefas... dependendo da sua
área de formação, esse imaginário pode mudar. Um professor de
Geografia, por exemplo, pode encontrar mais mapas, enquanto um
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Geografia, por exemplo, pode encontrar mais mapas, enquanto um
professor de Matemática, gráficos e tabelas (não queremos reforçar
estereótipos, viu?). Essa variação de recursos acontece porque cada
componente possui uma especificidade e mais afinidade com
determinados recursos em relação a outros. Quais são os recursos mais
comuns utilizados na área em que você atua? Por que existe essa
tradicionalidade?
Cada vez mais, as editoras vêm investindo em estratégias de oferecer
recursos dos mais variados possíveis a fim de atrair seu público leitor e
possibilitar um momento significativo.
Mas o que isso quer dizer?
Aquelas situações em que as contas de matemática eram feitas com
maçãs, bananas e laranjas ou que a Revolução Francesa se reduzia a
decorar os grandes personagens e seus grupos políticos estão
mudando aos poucos.
Faz-se necessário possibilitar códigos variados para o desenvolvimento
da cognição, comunicação e socialização, competências essenciais
para o viver em sociedades (BNCC, 2018). Esses códigos se manifestam
de diversas formas: textuais, orais e imagéticos. O grande desafio é
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de diversas formas: textuais, orais e imagéticos. O grande desafio é
orquestrar esses variados recursos de maneira harmônica, articulando o
verbal, o visual e o sensitivo. E o livro didático representa isso, uma
multimodalidade discursiva vista como um todo.
Autor desconhecido: A presente imagem é regida pelos termos do art. 45, inciso II, da Lei nº
9.610/1998. Fica reservado ao autor eventual direito de se manifestar sobre a autoria.
A BNCC propõe uma educação crítica, significativa e
criativa. Isso quer dizer que os conhecimentos
trabalhados no ambiente escolar precisam ter sentido
para serem mobilizados na sociedade de forma prática.
Vamos dar uma olhada nas dez competências gerais da BNCC a fim de
compreender como essa demanda de diálogo com o tempo presente é
um discurso que tem se consolidado no ambiente escolar.
 Conhecimento
Valorizar e utilizar os conhecimentos
historicamente construídos sobre o mundo para
entender, explicar a realidade e colaborar com a
construção de uma sociedade justa.
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 Pensamento cientí�co, crítico e criativo
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à
abordagem própria das ciências visando investigar
causas, elaborar e testar hipóteses, formular e
resolver problemas e criar soluções (inclusive
tecnológicas).
 Repertório cultural
Valorizar e fruir as diversas manifestações
artísticas e culturais, das locais às mundiais, e
também participar de práticas diversificadas da
produção artístico-cultural.
 Comunicação
Utilizar diferentes linguagens, bem como
conhecimentos das linguagens artística,
matemática e científica, a fim de se expressar e
partilhar informações, experiências, ideias e
sentimentos em diferentes contextos.
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 Cultura digital
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de
informação e comunicação, de forma crítica,
significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas
sociais (incluindo as escolares), para se comunicar,
acessar e disseminar informações, produzir
conhecimentos, resolver problemas e exercer
protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
 Trabalho e projeto de vida
Valorizar a diversidade de saberes e vivências
culturais e apropriar-se de conhecimentos e
experiências que possibilitem entender as relações
próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas
alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto
de vida.
 Argumentação
Argumentar com base em fatos, dados e
informações confiáveis, buscando formular e
defender ideias que respeitem e promovam os
direitos humanos, a consciência socioambiental e o
consumo responsável em âmbitos local, regional e
global.
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 Autoconhecimento e autocuidado
Conhecer-se, valorizar-se e cuidar de sua saúde
física e emocional, compreendendo a si mesmo na
diversidade humana e reconhecendo suas emoções
e as dos outros, com autocrítica e capacidade para
lidar com elas.
 Empatia e cooperação
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de
conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e
promovendo o respeito ao outro e aos direitos
humanos, com acolhimento e valorização da
diversidade.
 Responsabilidade e cidadania
Agir pessoal e coletivamente com autonomia,
responsabilidade, flexibilidade, resiliência e
determinação, tomando decisões com base em
princípios éticos, democráticos, inclusivos,
sustentáveis e solidários.
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Competências da BNCC e o livro
didático
Vamos fazer um exercício de entendimento das competências da BNCC
relacionando-as ao livro didático?
Perceba que todas as competências prescritas pela BNCC possuem
uma ideia de ação, algo que possamos compreender,fazer e sentir. E,
por muitas vezes, não percebemos alguns recursos que estão ali dentro
do livro didático e nos permitem ir além, experimentar o conhecimento
que está sendo ali trabalhado. Para isso, neste módulo, convidamos
você a mergulhar nessa experiência de explorar os recursos didáticos e
se desafiar a criar outros a partir deles.
O que os estudantes já sabem
Falamos há pouco sobre a aprendizagem significativa. Significar quer

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Falamos há pouco sobre a aprendizagem significativa. Significar quer
dizer que algo, de alguma forma, marcou aquela pessoa, conseguindo
estabelecer relação com sua vida e seu mundo.
Como tornar os conteúdos que ensinamos algo
interessante, que desperte a vontade de saber de nossos
estudantes?
Essa não é uma tarefa fácil. E não adianta você levar recursos
superatuais, tecnológicos, com cores, formas, sons e cheiros se aquilo
não os toca. Não adianta reforçar músicas que estimulem a
memorização, de maneira repetitiva e mecânica, porque aquilo ficará
retido na mente por um curto período de tempo.
Os conteúdos precisam ter uma dimensão de
importância para a vida e processos sociais.
Aqui destacamos um importante ponto antes de utilizar qualquer
recurso didático: saber os conhecimentos prévios dos estudantes. Não
quer dizer que você precise saber tudo que se passa na vida daquele
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quer dizer que você precise saber tudo que se passa na vida daquele
jovem, qual a sua situação familiar e seus gostos pessoais. Esse é um
movimento quase impossível diante da quantidade e variedade de
público que vamos enfrentar. O que precisamos é saber minimamente
do contexto de consumo cultural em que eles estão inseridos.
Lembro que alguns anos atrás perguntei para um de meus estudantes o
que era um youtuber, e atualmente este conceito está fortemente
difundido. Temos muito o que aprender e dialogar com eles.
Testando seus conhecimentos
Atualmente, tudo se torna rapidamente obsoleto. Produtos que
consumimos, redes sociais, aplicativos, projetos de vida e incertezas
sobre o futuro. Um bom primeiro passo para se manter minimamente
atualizado é, além das conversas diárias com seus estudantes, aplicar
um questionário no primeiro dia de aula. Faça perguntas básicas
voltadas para o consumo cultural, como músicas e filmes favoritos,
desejos em relação ao futuro e dificuldades que encontra na vida
escolar. Adapte as perguntas de acordo com a faixa etária de seu
público.
Será que você consegue identificar alguns exemplos
para os itens a seguir baseado no contexto dos jovens
nos dias atuais?

Artistas que acompanham nas redes sociais.

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Músicas que não saem de suas playlists.

Séries que acompanham.

Filmes que ficaram marcados.

Livros preferidos.

Dúvidas em relação ao futuro.

Projeto de vida.

Experiência marcante do passado.
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E quanto ao mundo digital? Quais são as suas
percepções sobre ele? Vamos entrar mais um pouco
nesse universo a partir do audio a seguir:
Estimulando os sentidos
A partir do conhecimento prévio do que nossos estudantes mobilizam, é
possível apresentar o novo. Um novo que parta do presente, que
dialogue com o que ele já sabe e que pode expandir seu campo de
conhecimento. Se o contrário acontece, apresentando primeiro um
conhecimento que tenha menos significado para ele, conteúdos
isolados e com associações arbitrárias, ele terá mais dificuldade de
desenvolver sua estrutura cognitiva.
Após compreendermos a importância dos saberes discentes em nossas
práticas, podemos voltar nossa atenção para a forma de mobilizar os
conteúdos a serem aprendidos.
É preciso que ele tenha uma lógica para ser aprendido,
ou seja, que você tenha minimamente uma resposta para
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a pergunta “Por que é necessário aprender isso?”
Cada um vai transformar aqueles conteúdos em conhecimentos de
maneiras específicas. O importante é que o estudante articule o que já
sabe com a nova informação. Para isso, podemos variar nas formas em
que essas informações chegam a ele.
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Sabemos que cada um aprende de uma forma. Tem gente que gosta
mais de ouvir o que o professor tem a dizer. Outros preferem uma boa
leitura. Em outros casos, é possível proporcionar o aprendizado por
meio da ação.
Estimular todos os nossos sentidos nos permite materializar cada vez
mais os conhecimentos ensinados e superar uma cultura baseada
exclusivamente na leitura e escuta. É necessário colocar esses
estudantes para agir, com base nas metodologias (que vamos explorar
mais adiante, no módulo 3), a fim de construírem o próprio
conhecimento, sendo protagonistas do processo.
Exempli�cando o conceito trabalhado
Você conhece a fábula hindu dos “Sete sábios cegos e o elefante”? Há
várias chaves de interpretação para essa história. Uma delas nos
permite compreender e problematizar sobre o conhecimento e os meios
com que possuímos acesso a eles.
Convido você a realizar a leitura que está disponibilizada na seção
Explore+ e refletir sobre as seguintes questões:
- O que o elefante pode representar?
- O que os cegos podem representar?
- Algum dos cegos estava errado?
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Representação da fábula hindu dos “Sete sábios cegos e o elefante”.
Criando e recriando
Então, vamos ser criativos? Não no sentido de ser original e produzir
algo novo, “nunca visto antes na televisão brasileira”, mas de se colocar
em um lugar de vivência e plena experiência por meio de múltiplas
práticas e linguagens. Em qualquer conhecimento e em qualquer nível
de ensino, nossa imaginação precisa ser alimentada. Uma imagem, uma
música ou um objeto materializam aquilo que estamos tentando
explicar. Mas esse exercício não pode parar por aí. Podemos permitir a
criação por parte dos estudantes. Que outros olhares podemos ter? Que
outras possibilidades podemos ousar?
Vamos partir daquilo que conhecemos, do que está ao nosso alcance.
Em um livro didático encontramos incontáveis elementos que podem
ser utilizados como recursos: imagens (fotografias, pinturas, charges),
letras de música, mapas, tabelas, gráficos, notícias, trechos de textos
científicos, mapas mentais, textos jurídicos, propaganda, poesias,
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científicos, mapas mentais, textos jurídicos, propaganda, poesias,
textos literários, relatos, entrevistas, histórias em quadrinhos... São
tantos que fica difícil de listar todos aqui. Claro que não será possível
explorar um por um. O objetivo deste módulo é permiti-lhe ter um olhar
crítico, explorar algumas possibilidades de um recurso e pensar em
outros caminhos possíveis.
Antes de explorar qualquer recurso, vamos ficar atentos a algumas
questões como:

Qual é o contexto histórico, econômico, social e cultural em que foi
produzido? E qual é a sua intencionalidade original?

Foi produzido para fins pedagógicos? Possui algum viés
propagandístico? Ideológico?

Qual é a “verdade” que ele apresenta?E o que esconde?
Nem tudo que utilizamos nasce dentro do contexto escolar, então
precisamos ficar atentos a essas apropriações que fazemos.
Para te ajudar nesse sentido, preparamos algumas
questões como chave de análise:
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• O que podemos identificar? Quais elementos são visíveis? O que
está sendo ali representado?
• Que outras formas parecidas nós conhecemos? É algo que pode
ser visto no nosso cotidiano ou específico de determinado tempo?
• Em que momento histórico esse recurso foi produzido? Por quem?
Com qual intencionalidade?
• Quais as ligações e interpretações que podemos fazer? O que
podemos compreender desse recurso diante da discussão que
está sendo feita?
• Quais críticas podemos formular? O que não está sendo dito? Que
problemas podemos encontrar?
Atenção
Busque não utilizar nenhum recurso como uma ilustração, ou seja, para
mostrar algo que já foi dito com outras palavras ou imagens. Isso pode
ser um desperdício de tempo e material. Pense no que de novo o uso
daquele recurso pode oferecer que não foi possível contemplar com o
uso de outra linguagem. Que outro lado desse conhecimento é possível
ser apresentado, proporcionando a diversidade do olhar?
Uma imagem não vale mais que mil
palavras
Certamente, um dos recursos mais utilizados para fins didáticos são as
imagens. É o que dá forma à nossa imaginação. Mas ainda assim é um
território pouco explorado. Apesar de estar muito presente, seu uso se
restringe muitas vezes a um valor de autoridade, para se provar o que foi
dito anteriormente, ou seja, ilustrar. Sua potencialidade pode ser mais
bem observada.
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Uma imagem é a ligação entre a esfera artística e a esfera social. É por
meio da Arte que estabelecemos relações com o mundo externo. E isso
se tornou algo cultural, numa sociedade extremamente imagética. Basta
observar nas redes sociais, nos outdoors pelas ruas e, também, nos
livros didáticos.
Ali estão expressos valores e identidades que são construídos e
comunicados pela mediação visual. Mas ao mesmo tempo em que
realizamos opções por determinados caminhos, excluímos outros
processos identitários possíveis. Então perguntamos, que outras
histórias são possíveis de serem contadas que não são valorizadas nas
narrativas oficiais? O que elas podem afirmar ou contrariar?
Exempli�cando o conceito trabalhado
Vamos fazer mais um teste? Se você tem alguma rede social (Facebook,
Instagram, LinkedIn, WhatsApp), repare na sua foto de perfil. Por que
você escolheu essa imagem? Qual mensagem você quis passar? O que
essa imagem esconde? Quais são as histórias que ela não conta?
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Uma imagem é um enunciado. Por meio dela, os sentidos são
construídos. Pensando assim, vamos fazer nosso primeiro exercício de
análise. Observe a imagem e busque responder às questões a seguir
para reflexão:
Black and Violet, Wassily Kandinsky, 1923.
Wassily Kandinsky é um artista plástico russo que ficou famoso pela
abstração nas artes visuais. Selecionamos essa pintura para que ela
possa contemplar o maior número possível de áreas de conhecimento e
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possa contemplar o maior número possível de áreas de conhecimento e
componentes curriculares.
• O que você vê?
• O que você não vê?
• Quais possíveis intencionalidades do artista?
• Quais sentimentos essa imagem lhe provoca?
• Crie uma legenda para essa imagem caso essa obra fosse sua.
Agora vamos além:
Como essa imagem poderia ser explorada em uma aula sua? Ela estaria
restrita somente para o componente de Arte? Sabemos que não, mas
acabamos naturalizando alguns recursos em algumas áreas. Esta obra,
por exemplo, pode ser perfeitamente trabalhada em uma aula de
Filosofia, bem como de Matemática. A diferença está nos sentidos que
produzimos.
Pensando no viés produtivo e protagonista dos estudantes, não
podemos deixar que outras propostas deixem de surgir. Em uma aula de
Matemática, por exemplo, o aluno poderia criar sua própria obra
abstrata trabalhando com formas geométricas. Por outro lado, essa
produção pode ter um viés filosófico ao buscar construir sentidos sobre
si e sobre o mundo. Um trabalho desse poderia ser produzido tanto com
papel e caneta, quanto com recursos digitais. Expostos no mural da
escola, ou num mural virtual para alcançar o maior público possível.
E que outras possibilidades podemos propor?
O que podemos ouvir pelas palavras
Além da visão, a audição é um ótimo sentido a ser explorado no
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processo de ensino e aprendizagem. E não estamos falando de ouvir o
professor nas aulas expositivas. Explorar o universo da música é um
caminho em potencial, porque dialoga com um produto cultural muito
consumido pelos jovens e por nós, adultos.
Dica
Nos dias atuais, ficou muito mais fácil ter acesso aos arquivos de
música. Há muitos aplicativos gratuitos de streaming em que você pode
montar sua playlist e compartilhar com seus estudantes. Este pode ser
um ponto de ligação entre dois universos aparentemente diferentes: a
do professor e a do estudante. Você pode montar uma lista com
músicas que estejam relacionadas com os conteúdos que está
trabalhando, por exemplo.
Mas sabemos que não dá para ter sons em um livro didático. O gênero
textual que está ali presente são as letras de música. Esse recurso
também, assim como as imagens, pode passar despercebido e não ser
explorado em toda sua potencialidade. Precisamos encarar as letras de
música como fonte e objeto de problematização, em que há um
problema ali em que precisamos interpretar, rompendo com a ideia do
uso desse recurso como ilustração.
Ao falar em interpretação, estamos falando em desenvolver nos
estudantes competências de leitura. Ler o mundo não está restrito a
textos científicos. Há sentidos sendo construídos nas imagens e nos
sons. Por isso, podemos ir além das letras que estão nos livros
didáticos, interpretando as representações sociais que estão ali
presentes, e explorando a relação entre melodia, harmonia, ritmo e texto.
Tudo vai depender da forma com que você vai encarar esse recurso.
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O quanto uma letra de música pode te tocar?
Uma letra de música pode ser só um texto, pode ser só palavras, ou
pode virar poesia, ou até mesmo sair do papel ganhando formas e sons.
São diversos tipos de leituras que podemos realizar: material, descritiva,
explicativa, dialógica e sensível. Não importa o que será explorado, mas
o quanto conseguimos compreender e transformar o mundo.
Então, vamos para mais um exercício de interpretação, análise e criação.
Vamos ler o trecho de uma letra de música para explorá-la:
(...)
Maranhão Maceió
Macapá Marajó
Paraná Paraíba
Pernambuco Piauí
Jundiaí Morumbi Curitiba
Parati
É tudo tupi
Butantã Tremembé Tatuapé
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Butantã Tremembé Tatuapé
Tatuapé Tatuapé
Quem sabe o que é que é?
Caminho do Tatu
Tu Tu Tu Tu
Todo mundo tem
Um pouco de índio
Dentro de si
Dentro de si
(...)
(ZISKIND, Hélio. Tu tu tu tupi. Meu pé, meu querido
pé. São Paulo: MCD, 1997. Faixa 3)
Ao primeiro olhar, essa letra poderia estar em um livro didáticovoltado
para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Nosso desafio é
imaginar que este recurso possa ser utilizado desde a Educação Infantil
até o Ensino Médio. Para isso, vamos explorar algumas questões:
• Como as palavras presentes no texto podem ser exploradas? Qual
a relação existente entre elas?
• O que podemos fazer com essas palavras? Fragmentá-las?
Investigar seus significados? Localizá-las em um mapa?
• O que o autor busca valorizar?
• Quais críticas podemos formular sobre essa letra?
• Diante das críticas formuladas, como podemos propor ir além?
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Novamente, pensando na autonomia e protagonismo discente, podemos
visualizar a produção deles em propostas musicais que valorizem a
diversidade cultural, por exemplo. Seja criando uma playlist como tarefa
para fomentar essa diversidade, ou até mesmo músicas ou paródias
criadas por eles que poderiam ser compartilhadas em formato de
podcast.
Saindo do papel
Ao falar em recursos didáticos, é inevitável não tocar no assunto da
influência do mundo digital no contexto educacional. Principalmente
após o período de educação remota provocada pela pandemia do
Covid-19. Mas isso não quer dizer que a demanda pelo diálogo com a
cultura digital seja uma novidade.
Nos livros didáticos, é perceptível esse diálogo pelo menos desde 2013,
quando o edital do PNLD do ensino médio propôs avaliar obras
classificadas como livros digitais e, junto aos conteúdos dos livros
impressos, os objetos educacionais digitais (OED).
Percebe-se um estreitamento do diálogo com a cultura digital como
uma competência a ser desenvolvida na educação, consolidada, anos
depois, na BNCC.
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Antes mesmo, os livros já demonstravam aproximação do digital como
recurso didático ao apresentar, e serem avaliados, os sites indicados
para consulta e aprofundamento dos conteúdos trabalhados.
Atualmente, por meio de plataformas virtuais, conseguimos estabelecer
uma relação mais direta entre o material e o virtual. Basta apontar para
um QR Code presente no livro didático que o estudante será direcionado
para vídeos, jogos e aplicativos.
Mas é bom lembrar que nada disso tem sentido se não conseguimos
utilizar esses recursos de forma consciente. Como foi colocado no
módulo anterior, é preciso aprender a “linguagem da tela” e isso não
significa saber somente ler e escrever em plataformas multimídia, mas
compreender o mundo e saber lidar com ele por meio de relações
afetivas, cognitivas, sociais, morais, culturais e linguísticas.
Retornaremos a esse assunto no módulo 4.
Atualmente, por meio de plataformas virtuais, conseguimos estabelecer
uma relação mais direta entre o material e o virtual. Basta apontar para
um QR Code presente no livro didático que o estudante será direcionado
para vídeos, jogos e aplicativos.
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Chamadas: Buscando novos caminhos: Você já pensou em criar um QR
code?
Por onde navegam as boas ideias!
De onde nascem as boas ideias? É questão de esforço? Criatividade?
Convidamos você a refletir conosco sobre o assunto no vídeo a seguir.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
“Formado no campo da psicologia e da neurologia, o cientista norte-
americano Howard Gardner causou forte impacto na área
educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada
no início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de
aprendizado já estava presente nos primeiros estudos de pós-
graduação, quando pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget
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(1896-1980). Por outro lado, a dedicação à música e às artes, que
começou na infância, o levou a supor que as noções consagradas a
respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e
insuficientes.” (FERRARI, Márcio. Howard Gardner, o cientista das
inteligências múltiplas. Nova Escola. Publicado em: 1 out. 2008)
O cientista Howard Gardner ficou conhecido no campo educacional
devido à sua contribuição para o desenvolvimento do ensino e da
aprendizagem a partir da ideia das “inteligências múltiplas”, que
consiste em estimular todas as habilidades potenciais dos alunos
quando se está ensinando um conteúdo. Essa linha teórica nos faz
entender que
A
cada um aprende de uma forma diferente, por isso a
escola se torna um lugar de determinar quais
linguagem são mais importantes.
B
é necessário realizar testes neurológicos com os
alunos para identificar que tipos de inteligências
eles mais mobilizam.
C
é importante possibilitar variados códigos de
cognição, comunicação e socialização para
possibilitar uma aprendizagem significativa.
D
as inteligências lógico-matemática e linguísticas
ainda são as mais importantes de serem
desenvolvidas dentro do contexto escolar.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Como a sociedade utiliza diversos meios de comunicação e
estímulo para a compreensão dos sentidos, o professor deve
também proporcionar essa multiplicidade de formas comunicativas,
dentre elas textuais, orais e imagéticas. O grande desafio é
orquestrar esses códigos de forma harmônica.
Questão 2
“Ao definir essas competências, a BNCC reconhece que a
“educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam
para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana,
socialmente justa e, também, voltada para a preservação da
natureza”, mostrando-se também alinhada à Agenda 2030 da
Organização das Nações Unidas (ONU).”
(BNCC, 2018. p. 8)
A Base Nacional Comum Curricular, ao defender o desenvolvimento
de competências, aposta em atitudes, valores, habilidades e
conhecimentos, ou seja, que os conteúdos sejam mobilizados de
forma prática. Em relação aos recursos que utilizamos em sala de
aula, eles devem
E
o uso de diferentes linguagens para desenvolver as
diversas habilidades nos alunos pode atrapalhar na
prática docente.
A
estabelecer diálogo com a realidade dos alunos e ir
além, estimulando um olhar para o mundo e para o
novo, seja para compreender, fazer ou sentir.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
O uso de recursos, sejam eles quais forem, devem estabelecer uma
ligação entre aquilo que o aluno já sabe e a possibilidade de
descoberta do novo, sejam de conhecimentos, habilidades, atitudes
e valores.
novo, seja para compreender, fazer ou sentir.
B
estar relacionados com as competências gerais,
seguindo à risca o documento curricular a fim de
não ir além daquilo que foi prescrito.
C
seguir aquilo que está prescrito nos livros didáticos
porque estes passaram pela avaliação do PNLD e
estão de acordo com as normas oficiais.
D
ser explorados na maior quantidade possível, para
reforçar a aprendizagem de um mesmo conteúdo e
sentido.
E
priorizar mais o estímulo de recursos visuais, pois
se adequam à linguagem e cultura dos estudantes
nos dias atuais.
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3 - Em busca de novos recursos didáticos
Ao�nal deste módulo, esperamos que você formule propostas didáticas com base na
gami�cação.
Ligando os pontos
Você sabe o que é gamificação? Sabe como formular uma proposta
didática utilizando a gamificação? Então, vamos ver o caso abaixo?
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Fabiana é uma professora que sempre busca inovar nas suas aulas, a
fim de conseguir extrair o melhor do processo de ensino e
aprendizagem dos alunos. Buscava metodologias inovadoras, pensava
em possibilidades de recursos educacionais e melhorias na sua prática
docente. Seus estudos conduziram Fabiana até a proposta da
gamificação, na qual ela decidiu se aprofundar. A professora viu qual era
a concepção da proposta e a colocou em prática.
Fabiana havia entendido que a gamificação era trabalhar com jogos em
situações de aprendizagem, e apenas isso. Sendo assim, ela preparou
alguns jogos e foi dar suas aulas. Porém, a execução não saiu como o
planejado. A turma não se engajou muito nas brincadeiras, e o processo
de ensino e aprendizagem não estava fluindo como deveria. Vendo essa
situação, Fabiana procurou Paula, que é psicopedagoga, para conversar.
Explicou toda a situação e quis ajuda para que o processo de ensino e
aprendizagem da turma melhorasse.
Paula, então, disse que simplesmente trabalhar com jogos não seria
algo inovador, mas, sim, a maneira como mobilizá-los. Ela explicou para
Fabiana que o jogar e o gamificar são uma estratégia didática na qual os
jogos são metáforas da vida. Gamificar uma aula não quer dizer
renunciar a conteúdos ou deixar algum conceito de lado, mas, sim, que
os conteúdos são a base para se formular uma proposta gamificada.
Por fim, Paula falou sobre a gamificação como metodologia ativa e
sobre como os jogos nos permitem aprender, abordando a
aprendizagem disfarçada, a periférica e a tangencial, além claro da
significativa.
Fabiana ficou muito satisfeita com a conversa e resolveu que era hora
de estudar mais sobre a gamificação e os games. Após as orientações
da Paula e seus estudos, Fabiana mudou a forma de lidar com os games
e com a gamificação.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
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QQuueessttããoo 11
Como você viu, Paula explicou como os jogos podem ajudar no
aprender. A psicopedagoga falou sobre a aprendizagem disfarçada,
sobre a aprendizagem periférica e sobre a aprendizagem
tangencial. Se você fosse a Paula, como explicaria de forma correta
a aprendizagem disfarçada?
A
É aprendizagem que ocorre quando fingimos estar
utilizando um jogo, mas na verdade só queremos
que o aluno faça as atividades.
B
É a aprendizagem que acontece quando fazemos
uma prova fácil para que o aluno possa ir bem nela,
fingindo que ele aprendeu algo.
C
É a aprendizagem que surge conforme a diversão ou
o desafio em específico toma conta das atividades
propostas pelo game do que os conteúdos inseridos
nele.
D
É a aprendizagem que vai acontecendo conforme
você vai utilizando metodologias ativas em sala de
aula, mudando a forma como a aula é exposta.
E
É a aprendizagem em que você utiliza diversos
jogos, deixando de lado conteúdos, e focando
apenas nos games e nas fases de cada um dos
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Parabéns! A alternativa C está correta.
A aprendizagem disfarçada vai surgir conforme a diversão e o
desafio vão tomando mais conta da atividade proposta pelo game
do que o conteúdo contido nele, é a metáfora de que não é a
história em si que chama a atenção, e sim a forma como contamos
a história que vai chamar a atenção ou não do aluno.
QQuueessttããoo 22
Vimos no caso estudado sobre a gamificação como metodologia
ativa. Se você fosse Paula, como faria esse paralelo entre a
gamificação e as metodologias ativas? Assinale a alternativa que
apresenta essa relação de forma correta.
E apenas nos games e nas fases de cada um dos
jogos, nos quais os alunos precisam passar das
etapas.
A
Os jogos precisam ser jogados, logo as pessoas
devem estar ativas para poderem participar da
metodologia; sendo assim, a gamificação é uma
metodologia ativa, pois ela pressupõe pessoas
ativas e não sedentárias na educação.
B
A gamificação é uma metodologia ativa porque tudo
que é novo na área educacional é tratado como
metodologia ativa; sendo assim, como a
gamificação é nova, ela automaticamente vira uma
metodologia ativa, ou seja, qualquer metodologia
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A gamificação vem sendo pensada como sendo uma metodologia
ativa, uma vez que é preciso pensar no professor como sendo um
mediador, ou seja, ele não deve estar apenas em sala de aula, mas
também deve estar dialogando com os alunos, fomentando o que
nova que surja se enquadrará em metodologia ativa.
C
Qualquer metodologia ligada à educação que utilize
tecnologias é uma metodologia ativa; como a
gamificação pressupõe o uso de games, ela utiliza
tecnologias, logo acaba por se ligar às
metodologias ativas.
D
O professor é um mediador, ou seja, precisa estar
dialogando com os alunos, fomentando o que eles
podem oferecer, direcionando caminhos de
pesquisa, além de corrigir o que precisa. O
protagonismo é do aluno, porém o professor não
pode deixá-lo sozinho.
E
A gamificação é uma metodologia ativa porque o
aluno na gamificação, assim como na metodologia
ativa, é o protagonista e deve realizar tudo sozinho,
ou seja, o professor na metodologia ativa não tem
nenhum tipo de papel, sendo tudo feito por parte
dos alunos, por isso a gamificação é uma
metodologia ativa.
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eles podem oferecer, realizando um direcionamento do caminho a
ser seguido, corrigindo erros que possam vir a aparecer. A
gamificação, enquanto metodologia ativa, precisa considerar o
protagonismo do aluno, porém o professor é parte importante do
processo. Em outras palavras, as metodologias ativas não dizem
que o docente deve ter passividade, e sim a que ação de professor
e aluno deve estar em sintonia, visando ao objetivo da construção
do conhecimento.
Questão 3
Paula explicou que os jogos são como metáforas da vida. Como
você explicaria para Fabiana esse conceito usando uma proposta
real de jogo? Considere, por exemplo, uma possível adaptação de
um jogo bastante conhecido: o jogo da vida, no qual o estudante
deve trilhar problemas cotidianos a partir de conceitos
aprendidos nas disciplinas.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Os games podem ser considerados como metáforas
da vida, porque, por meio deles, nós temos de
superar os desafios, tanto os grandes como os
pequenos, além de ultrapassar as barreiras e
desenvolver táticas para sobreviver. É preciso criar
de forma colaborativa, ampliar os conhecimentos,
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desenvolver habilidades e reflexo e ser atentos. Por
fim, é preciso saber lidar com vitórias e derrotas,
perdas e ganhos, e ter autonomia para sermos os
sujeitos das próprias ações.
Gami�cação: vamos dar um start?
Madrugada, computador ligado e muita adrenalina. Cada um de sua
casa vai atrás de dicas on-line procurando a melhor forma de avançar
naquela fase. Outros gravam seus próprios vídeos e postam na internet
a sua performance.
Você, juntamente conosco, deve estar se perguntando:o que se passa
nessa cena? Trata-se de um episódio que não é isolado, mas partilhado
por inúmeras crianças, jovens e adultos atualmente. Algo nos incomoda
e acende em nós uma espécie de alerta? Por outro lado, podemos
pensar que um acontecimento como esse, se bem planejado, pode
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pensar que um acontecimento como esse, se bem planejado, pode
proporcionar situações de ensino-aprendizagem?
Os games podem ser recursos didáticos?
A resposta para essa pergunta não é meramente uma questão de “sim”
ou “não”, mas de reflexão crítica que perpasse pela compreensão da
noção de gamificação, especificamente a partir do diálogo com o
campo educacional. A gamificação na área empresarial, por exemplo,
tem o objetivo de engajar os funcionários. Já nas situações didáticas,
ela deve estar a favor do engajamento dos discentes a partir do objetivo
pedagógico do professor, ou seja, o que ele visa construir ao mobilizar
esse recurso e não outro.
Vamos por partes!
Existem várias portas de entrada no tema. Você pode ser um jogador
que nunca pensou nas possibilidades didáticas dos games ou, ao
contrário, você não joga, mas já teve várias ideias interessantes para a
sala de aula usando os games por influência de outras pessoas
próximas que curtem jogar.
Revela para a gente: em qual desses perfis você se encaixa?
Gamer
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Você é um jogador que nunca pensou nos games como
possibilidade didática.
Não gamer
Você não é um jogador, mas já teve ideias de trabalhar com os
games na sala de aula.
Em nossas experiências docentes, não foram poucas as vezes que nos
surpreendemos com a criatividade de nossos alunos. Então, se você
não joga, não fique preocupado, pois seus estudantes com certeza
poderão te ensinar muito sobre esse universo! Lembre-se que o mais
importante é a gente se colocar na posição de aprendiz, desnaturalizar
vivências, permitir conhecer mundos e linguagens que podem não ser
originalmente as nossas.
De igual forma, trazemos para o exercício da docência muitas das
nossas bagagens, dos nossos gostos, das nossas apostas. Então, se
você joga, que tal instigar essa prática tendo um olhar pedagógico sobre
ela?
Apenas um cuidado! Não é o fato de trabalharmos com jogos em
situações de ensino-aprendizagem que vai significar por si só uma aula
inovadora, e sim a maneira como iremos mobilizá-los. Para saber mais
sobre isso, indicamos no Explore + o texto A contribuição das
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sobre isso, indicamos no Explore + o texto A contribuição das
tecnologias para uma educação inovadora, de José Manuel Moran
(2004).
Re�exão
Você já deve ter ouvido acusações aos games de serem responsáveis
pelo sedentarismo das nossas crianças e jovens. O que você acha sobre
isso? Depois de formular seu ponto de vista, pesquise artigos científicos
e reportagens sobre os exergames e avalie se mudou de concepção.
Exergame, jogo de fitness ou gamercising é um termo usado para
videogames que também são uma forma de exercício. Os exergames
contam com a tecnologia que rastreia o movimento ou a reação do
corpo.
A experiência como jogador e prática educacional: O que a gente
aprende com o universo dos games?
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Fazendo o setup: sobre o jogar e o
gami�car como estratégia didática
Pense em um jogo marcante da sua infância: não precisa ser um jogo
digital necessariamente, vale qualquer um que venha primeiro à sua
mente. O que você aprendeu com ele? Quais sentimentos e sensações
ele gerou em você? Se preferir, pense em alguém próximo que jogue:
quais conexões essa pessoa estabelece entre o jogo e a vida? Por que
muitas pessoas associam o brincar somente à criança? Será que nós,
adultos, também não podemos e devemos brincar?
Temos uma sugestão que pode te ajudar nessa reflexão: vá no Explore +
e confira a letra completa da música Bola de Meia, Bola de Gude, de
Milton Nascimento e Fernando Brant. Se preferir, feche seus olhos e
tente apreender e sentir a poesia cantada por eles. Preste atenção em
cada parte e, depois, de olhos abertos, foque no trecho abaixo:
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O brincar e o lúdico fazem parte de todos nós e, portanto, não estão
restritos à infância. Mas, evidentemente, para jogar e gamificar como
estratégias didáticas talvez seja válido rompermos algumas barreiras
que nós adultos nos colocamos, afinal nosso lado “moleque” caminha
lado a lado com nossa identidade “adulta”, sustentando-nos, fazendo-
nos romper com medos e nos passando segurança. Acreditamos que o
jogo abre campo para o erro, para o acerto, para o ser livre, para a
ousadia e a imaginação.
Aprender jogando
Depois dessa sensibilização com a música, queremos te dar alguns
exemplos de jogos e o que aprendemos com eles. Vamos lá?

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 Atari
Se você é da geração da década de 1980,
provavelmente já jogou ou ouviu falar do Atari.
Nesse console, foi possível jogar clássicos como
Donkey Kong, Pac-man e Space Invaders. Era
preciso ter muita paciência e formular estratégias
para fugir dos inimigos, ganhar maior pontuação e
conquistar poderes especiais. Persistência era a
palavra-chave nesses jogos!
 RPG
Uma geração depois, encontramos jogos com
narrativas mais longas, como Super Mario World,
Sonic e Legend of Zelda. Para esses casos, além do
que aprendemos anteriormente, era preciso
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que aprendemos anteriormente, era preciso
compreender a noção de processo, cumprindo
nossas “missões” e ir “salvando” aos poucos o que
conquistamos para não voltar e começar do “zero”.
 Duelo
Também fizeram sucesso nos anos 1990 os jogos
de duelo, como Street Fighter, Mortal Kombat e King
of Fighters. E, além de disputar na telinha, era
preciso saber se relacionar com o outro,
aprendendo a perder e a ganhar, fazer rodízio para
que todos tivessem a oportunidade de brincar.
 Jogos on-line
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Sabemos que alguns desses jogos trazem consigo polêmicas em
relação à violência, entretanto, nosso objetivo não é propor o seu uso
em sala de aula necessariamente, ainda mais sem problematização,
mas pensar nos seus elementos que podem provocar engajamento e
aprendizagem.
Reiteramos que, para pensarmos no jogo como estratégia didática, é
necessário adentrarmos nesse mundo despidos de noções prévias ou
mesmo de preconceitos.
Conforme discutido por Marcella Costa (2017), pesquisadora do tema,
os jogos devem ser vistos como prática cultural que pressupõe a
interação social e possibilita a circulação de saberes e fazeres. Em
relação especificamente ao universo dos games, entendemos que ele
deve ser ocupado por nós, professores, interessados em problematizar
seus limites e potencialidades para situações de aprendizagem, pois
somente assim conseguiremos trabalhar com eles criticamente. Nossa
 Jogos on-line
Mais recentemente, já conseguimos jogar com
mais pessoas por meio da modalidade on-line.
Podemos formar times e desbravar mundos e
desafios com jogos como Call ofDuty, World of
Warcraft, dentre vários outros que são mais
comuns nos dias atuais.
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somente assim conseguiremos trabalhar com eles criticamente. Nossa
premissa é sempre de que a escola, a docência e a discência podem ser
um espaço de prazer, de surpresa, de encanto e de sensibilidade.
Preconceitos
Ele pode ser entendido como:
[...] uma atividade voluntária realizada dentro de alguns limites de tempo e
espaço, através de regras livremente consentidas, porém, obrigatórias,
dotadas de um fim em si mesmo, guiadas por sentimentos de tensão,
alegria e de uma consciência, de ser diferente da vida cotidiana (HUIZINGA,
2000, p. 24 apud ALEXANDRE; SABBATINI, 2013, p. 6).
Dica
Já que estamos falando de sensibilidade, quando você se deparar com
algum game, preste atenção nos sons. Atente aos barulhos e ruídos que
o compõem. Já se deu conta que essa também é uma forma de nos
convidar a uma experiência sensorial? Aperte o play e confira! A que
esses barulhos te remetem?
Como já foi dito, os games podem ser metáforas da vida na medida em
que eles nos convidam a:

Superar desafios – grandes ou pequenos, ultrapassar barreiras,
desenvolver táticas de sobrevivência.

Criar colaborativamente, ampliar conhecimentos gerais, desenvolver
atenção, reflexo e habilidade espacial.
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atenção, reflexo e habilidade espacial.

Lidar com perdas e ganhos, autodomínio e autoconfiança e a sermos
sujeitos de nossas ações.
Se bem conduzidos, serão bons canais para a efetivação da
aprendizagem significativa, conforme veremos mais adiante.
Não fique preocupado com os conteúdos! Gamificar uma aula não quer
dizer abrir mão deles, tampouco dos conceitos relacionados aos
diferentes componentes curriculares. Eles são os insumos, os subsídios
para a formulação de propostas gamificadas no âmbito escolar e na
formação docente. Voltaremos a esse ponto mais para a frente!
Além dos conteúdos, também trabalhamos com a dimensão axiológica,
ou seja, com valores que devem estar afinados ao projeto político
pedagógico da instituição que estamos inseridos como docente e/ou
gestores.
Re�exão
Você já parou para pensar como as mulheres são representadas nos
games? Quase sempre de forma excessivamente sexualizada,
ressaltando atributos físicos, como seios em evidência, excesso de
maquiagem etc. Nos primeiros jogos de Street Fighter, por exemplo, a
Chun Li era a única personagem feminina, representada de forma
erotizada. Isso não poderia acabar reforçando estereótipos? Há casos
em que meninas e mulheres, quando se inserem nesse mundo dos
jogos, acabam usando pseudônimos para evitar piadas machistas e
preconceituosas. Isso também é conteúdo para as nossas aulas!
Combater o preconceito e defender o respeito ao outro
independentemente de estarmos separados por uma tela: esse papel
também cabe à escola, não é?
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Chun Li, personagem da primeira versão do jogo Street Fighter.
Essa nossa discussão nos lembrou uma experiência vivida na sala de
aula e queríamos trazê-la para você. No caso, vamos convidar você a
fazer essa prática em sua casa. Combinado?
Convite de atividade
Chame alguém que more com você para jogar. Caso more sozinho,
aguarde um momento em que possa estar na companhia de uma
pessoa de sua confiança. O desafio será em dupla e um de vocês vai
ligar o computador ou o celular, escolher um game e, na sequência,
vendar os olhos: mas é para vendar mesmo, ok? Escolha o jogo que
desejar, de preferência que tenha alguma familiaridade.
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A sua dupla terá a tarefa de guiar você nesse game. Lembre-se: você
não está enxergando, então terá que prestar bastante atenção aos
comandos de voz de quem está te auxiliando. “Pula!”, “segue em frente”,
“cuidado, o monstro!”, “avança!”, “corre!”.
Você conseguiu avançar? Como se saiu? Teve medo? Ficou ansioso? E
sua dupla: foi um bom auxiliar ou não? Após esse exercício, pesquise na
internet sobre os audiogames para conhecer um pouco mais a relação
entre gamificação e inclusão!
O que queremos ao partilhar essa prática é que perceba os vários
conteúdos e valores aí envolvidos. Acabamos de vivenciar o desafio da
inclusão, no caso, como muitos deficientes visuais se sentem no mundo
que não está preparado para eles. Lembramos que a empatia é a nona
competência da Base Nacional Comum Curricular que vocês já puderam
conhecer nos módulos anteriores.
Ganhando experiência: um bate-papo
sobre as aprendizagens
Falamos anteriormente que os games são portas de entrada para se
trabalhar uma série de conteúdos, conceitos e valores. Neste momento,
convidamos você a um bate-papo sobre o que e como eles nos
permitem aprender:
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Aprendizagem disfarçada
Um ponto importante dentro do debate é a chamada
aprendizagem disfarçada, “que surge (para os jogos) à medida
que a diversão e/ou o desafio toma mais conta das atividades
propostas pelo game do que os conteúdos inseridos neles”,
dizendo, metaforicamente, que “não é a história em si, mas
como contamos a história é que chama ou não a atenção dos
espectadores” (PRENSKY, 2012, apud ALEXANDRE; SABBATINI,
2013).
Aprendizagem periférica
A aprendizagem periférica é aquela que se dá de forma não
diretiva e não conceitualizadora de conteúdos do currículo
escolar, na qual o aprendiz tem o contato com as disciplinas e
com os conteúdos escolares de maneira periférica, por meio
dos jogos e suas representações. Em outras palavras: “a
aprendizagem periférica não trata os conceitos de forma
vertical, mas investe em cenários nos quais a aprendizagem
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vertical, mas investe em cenários nos quais a aprendizagem
possa ser mais lúdica e significativa” (ALEXANDRE; SABBATINI,
2013).
Aprendizagem tangencial
Já a aprendizagem tangencial “baseia-se na ideia de assimilar
melhor as informações que interessam, e que os jogos, de
alguma forma, despertam o interesse por certos conteúdos”,
destacando que “mesmo que a aprendizagem não ocorra
dentro do jogo, criam-se cenários e desperta-se o interesse
voluntário para a pesquisa sobre determinado assunto”
(ALEXANDRE; SABBATINI, 2013). A aprendizagem tangencial
se daria na exposição das várias coisas em um contexto no
qual já se está engajado.
E qual é a relação dos games com a aprendizagem significativa,
expressão essa que já mencionamos algumas vezes aqui em nossos
estudos? Compreendemos que ela está relacionada à capacidade de
tocar, de afetar o educando, o que passa, necessariamente, pelo sensível
ao ponto de haver a autotransformação e a transformação do mundo
que o cerca – portanto, pensar os games no contexto escolar é pensar
como os conteúdos das diferentes áreas de conhecimento podem ser
meios e não fins em si mesmos para um processo de olhar para dentro
e olhar também para o mundo exterior. Fazermos do simples, complexo,
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com a pitada de saberes e sabores que nos proporcionem imersões no
processo de produção de conhecimento.
Saiba mais
A aprendizagem significativa tem relação direta com as nossas
experiências como indivíduos, como quanto nos permitimos criar e
recriar. Em síntese, liga-se ao autoconhecimento, trabalhado pela Base
Nacional Comum Curricular (BNCC) como a oitava competência geral.
Conta para a gente!
Depois de pensarmos sobre a aprendizagem, vamos investigar uma
coisa que será importante para o desdobramento do nosso módulo. A
pergunta é simples: que tipo de jogador é você? Você usa alguma
“máscara social” quando está jogando? Por máscara social entendemos
uma roupagem, uma imagem de si, um assumir de uma identidade
provisória. Você se enxerga como competitivo? Tímido? Costuma usar
táticas e estratégias previamente estudadas e investigadas? Deixamos
as indagações no ar. Guarde suas respostas.
A gami�cação como metodologia
ativa
A gamificação tem sido pensada como uma metodologia ativa, mas no
que consiste esse processo?
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(...) a gami�cação pressupõe
a utilização de elementos
tradicionalmente
encontrados nos games,
como narrativa, sistema de
feedback, sistema de
recompensas, con�ito,
cooperação, competição,
objetivos e regras claras,
níveis, tentativa e erro,
diversão, interação,
interatividade, entre outros,
em outras atividades que não
são diretamente associadas
aos games, com a �nalidade
de tentar obter o mesmo grau
de envolvimento e motivação
que normalmente
encontramos nos jogadores
quando em interação com
bons games.
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(FARDO, 2013, p. 2).
É importante frisar que as tecnologias digitais podem potencializar a
gamificação, mas não precisamos delas necessariamente, ou seja,
podemos gamificar uma aula a partir do próprio livro didático, recurso
trabalhado no módulo 1.
Dica
Uma ideia para gamificar sua aula usando o livro didático é aproveitar as
imagens presentes nas aberturas dos capítulos ou, se preferir, aquelas
que são distribuídas ao longo das unidades. Que tal fazer o teste? Você
tem algum livro didático próximo a você? Abra-o ao acaso e dê uma
olhada nas imagens trabalhadas nele. Como você pensaria a
formulação de um game a partir delas? Alguma ideia de dinâmica
usando-as como disparadores? Lembre-se do que foi trabalhado no
módulo 2 em relação ao uso imagético.
Pensar o professor como mediador não é dizer que a ele cabe “apenas”
estar em sala, mas estar em diálogo com os discentes o tempo todo,
fomentando o que podem oferecer, direcionando os caminhos de
pesquisa e corrigindo aquilo que precisa ser corrigido.
Pensar a gamificação como metodologia ativa demanda o exercício do
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protagonismo por parte do sujeito aprendente (MATTAR, 2017). Em
muitos casos, talvez por desconhecimento, os próprios professores não
se enxergam como parte ativa do processo, deixando os estudantes
sozinhos em momentos cruciais que a intervenção docente se faria
necessária para potencializar a aprendizagem.
Vamos pensar numa situação hipotética?
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A partir da situação fictícia relatada, nossa pergunta é
simples: “Pode isso, Arnaldo”?
Na postura da professora, o que estaria equivocado dentro da definição
de metodologias ativas?
Acompanhar o aluno durante a aprendizagem é crucial.
Você já aprendeu que, ao trabalharmos com elas em situações de
aprendizagem, não é correto abandonarmos os estudantes. Precisamos
estar lado a lado, mediando, aprendendo com eles, ensinando,
direcionando e, enfim, dando vida a um conceito importante que é o da
inteligência coletiva (LÉVY, 1998).
Portanto, as metodologias ativas não pressupõem a
passividade, mas a ação de professores e alunos em
sintonia, visando a um objetivo comum: a construção de
conhecimento!
O mais importante é que não usemos, mesmo sem querer, roupagens de
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modernização para reprodução de velhas práticas. Gamificar uma aula,
assim como utilizar qualquer outra metodologia ativa em situações de
ensino-aprendizagem, demanda a mudança de mentalidade, de rever
paradigmas que podem estar arraigados inconscientemente em nós. O
que queremos dizer com isso? Que essas estratégias precisam estar
afinadas com o pensamento crítico e criativo que também já abordamos
anteriormente.
Agora, vamos falar um pouco mais sobre os elementos que compõem
um jogo? Antes disso, vamos te deixar uma pequena tarefa.
Quantos bilhões são movimentados anualmente na
indústria de games? Que tal investigar os números?
O professor como produtor de games
Se você pesquisou os valores envolvidos na indústria de games, deve ter
se deparado com números exorbitantes. O que nos interessa aqui é:
qual o potencial disso para fins educacionais? Vamos responder a essa
pergunta com uma prática e, para isso, precisamos conhecer bem os
elementos de um jogo. Um jogo criado por nós acaba revelando muito
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elementos de um jogo. Um jogo criado por nós acaba revelando muito
do que somos como pessoa e por isso perguntamos que tipo de jogador
é você. E aí, já tem a sua resposta?
Agora que você já refletiu, acompanhe a seguir os principais elementos
de um jogo:
 Personagens
Primeiro, os jogos contêm personagens. Quando
pensamos na produção de um game, podemos
trabalhar com a ficção ou com figuras que existiram
de verdade. Um professor de História, por exemplo,
pode recorrer a sujeitos históricos presentes nos
livros didáticos ou mesmo em outros que tenham
sido silenciados, mas que julgue pertinente ser
apresentado aos alunos, explorando aspectos da
história local. Personagens têm vivências,
historicidade, desejos, objetivos.
 Narrativa
Em segundo lugar, os jogos sempre têm uma
narrativa. A narrativa é o desenrolar de uma trama,
um enredo que vai se desenvolvendo à medida que
avançamos as fases. O mais interessante é
pensarmos que, ao sermos nós os construtores de
um game, podemos criar narrativas potentes,
problematizadoras, que instiguem um caminho de
construção de conhecimento.
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 Desa�os
Um bom jogo precisa ter desafios! Todos nós
ficamos instigados quando somos desafiados.
Lembre-se de que, para atingir os objetivos do jogo,
seus alunos não precisam estar uns contra os
outros, mas juntos, colaborando para vencer os
desafios de forma a estabelecer parcerias. Mesmo
que o professor não seja um game designer
profissional, quando ele se pensa como produtor
deve levar em conta o envolvimento emocional por
meio da diversão!
 Fases
Nossas vidas são feitas de fases, ciclos que tem
um início, um meio e um fim. Cada fase pode
significar uma etapa de apreensão de um conteúdo
específico e, ao final delas, você terá revisado
aquilo que trabalhou em sala de aula ou, ao
contrário, o jogo construído pode ser um gatilho
para a sala de aula invertida, ou seja, seus alunos
precisarão se apropriar dos conteúdos antes das
aulas para poderem compreender melhor a
jogabilidade.
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Convidamos você a pensar na criação do seu próprio game a partir dos
elementos que elencamos. Nem todos os jogos terão todos esses
elementos, e você também não necessita contemplar todos eles. Olegal
é fazer esse exercício com base em algum conteúdo da sua área
disciplinar e/ou do segmento em que você atua ou visa atuar.
 Jogabilidade
A jogabilidade é outro elemento importante de um
jogo. Quando não temos regras claras, a definição
do que queremos com aquele game, o jogo passa a
não ter sentido. Jogabilidade refere-se ao ato de
jogar em si, ao ramo do que pode e do que não
pode, aos materiais usados para tal fim. Dados?
Cards? Peões? Tudo isso pode ser mobilizado para
uma jogabilidade efetivamente provocadora de
construção de saberes.
 Boni�cação
Por fim, e não menos importante, temos a
bonificação. Mesmo sendo polêmica,
consideramos que ela é parte essencial do universo
dos games. Ela pode ser vista como negociação
entre professores e alunos não para reforçar a
lógica do “vale ponto?”, mas para servir de
recompensa por um trabalho realizado e nem
precisa necessariamente ser uma nota.
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disciplinar e/ou do segmento em que você atua ou visa atuar.
Posteriormente, quando em sala de aula, leve a proposta para seus
alunos. Muitas coisas boas vão sair daí! Um professor é uma cabeça
criativa pulsante!
Pense, professor, que esse tipo de atividade precisa dialogar também
com uma ideia democrática de avaliação!
Baseando-nos em Martins (2020), entendemos que a
avaliação na perspectiva democrática é aquela em que
há o incentivo à autoria, ao estabelecimento de uma
experiência de aprendizagem, de valorização da
subjetividade.
Portanto, ao escolher trazer a gamificação para a sua aula não esqueça
que o mais importante é o brincar como forma de aprender, de ampliar
horizontes de maneira diferenciada ao permitir a manifestação do ser
aprendente, do seu potencial criador e criativo.
Ouse! Procure saber se na sua cidade tem alguma loja de games (retro
ou atuais). Em caso afirmativo, e se tiver oportunidade, vá até ela e play!
Vamos torcer para que tenha bons insights: anote-os e pense-os depois
em seus planejamentos!
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
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Questão 1
“Compreender os jogos eletrônicos como fenômenos culturais que
exigem a construção de distintos olhares, indo além de
perspectivas maniqueístas como se esses elementos culturais
fossem sempre os bandidos nas histórias que envolvem
comportamentos violentos, sedentarismo, longas horas de
interação com os jogos, desmotivação escolar, reprovação e evasão
da escola” (ALVES, L. Relações entre os jogos digitais e
aprendizagem: delineando percurso. Educação, Formação &
Tecnologias, v. 1 (2), nov. 2008, p. 8)
A respeito do trecho acima, podemos afirmar que
A
para trabalhar com os jogos eletrônicos em sala de
aula, é preciso que o professor tenha conhecimento
sobre game design.
B
os games são recursos didáticos neutros com
pouco potencial didático, carecendo de pesquisas
dedicadas a pensar os seus usos em sala de aula.
C
os games, quando trabalhados nas instituições de
ensino básico, desafiam a comunidade escolar a
aceitar as situações de violência presentes em suas
narrativas.
D
os games podem trazer propostas de
movimentação e, por meio da relação com o corpo,
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A opção D estabelece a relação entre jogos e movimento corporal.
Os jogos de movimentação, chamados de exergames, junção das
palavras “exercício” e “games”, são jogos digitais de movimento ou
que se apropriam de sensores de captura de movimento para o seu
funcionamento. Eles demonstram possibilidades de uso por parte
dos docentes justamente no sentido de combater o sedentarismo.
Questão 2
Confira o trecho, a seguir, da notícia publicada pelo Terra em
08/03/2021 e responda à questão.
“Mulheres conquistam espaço nos games e nos eSports”
“As mulheres são a maioria do público gamer no Brasil – cerca de
53% do total dos jogadores de esportes eletrônicos. Os números
são da Pesquisa Game Brasil (PGB), divulgada em junho de 2020, e
extremamente relevantes dentro de um século em que ainda se
discute muito sobre a emancipação feminina em diversos tópicos,
mercados e segmentos”.
Leias as afirmativas a seguir:
I. Apesar de serem maioria no universo gamers, as mulheres ainda
elucidar processos de ensino-aprendizagem escolar.
E
a evasão escolar deve-se, em grande medida, à falta
de letramento dos docentes em relação ao uso de
tecnologias digitais.
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sofrem inúmeras situações de discriminação.
II. As mulheres usam pseudônimos quando estão jogando porque
acreditam ser a melhor estratégia para mascarar seu potencial.
III. Os campeonatos de jogos eletrônicos devem frisar o respeito ao
gênero como uma de suas regras principais.
De acordo com o trecho da reportagem, está(ão) correta(s) a(s)
afirmação(ões):
Parabéns! A alternativa D está correta.
O ponto trabalhado refere-se a situações desrespeitosas,
constrangedoras, quando não, criminosas, que muitas mulheres
ainda passam em função de práticas machistas no universo gamer.
Tais práticas devem ser combatidas com veemência por meio do
respeito à diversidade de gênero.
A Somente I
B Somente II
C Somente III
D Somente I e III
E Somente II e III
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4 - Recursos digitais de aprendizagem
Ao �nal deste módulo, esperamos que você avalie as diferentes possibilidades das mídias
digitais para situações de ensino e aprendizagem
Ligando os pontos
Você sabe o que que são recursos digitais? Sabe como esses recursos
funcionam quando ligados à aprendizagem? Então, vamos ver o caso
abaixo.
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Carlos é um professor de ensino médio há alguns anos. Ele nunca foi
acostumado com recursos tecnológicos, principalmente com as
tecnologias de informação e comunicação. Durante a pandemia da
covid-19, Carlos teve de se adaptar ao novo formato de ensino, no qual
as aulas, antes presenciais, passaram a ocorrer no formato síncrono,
mediado por aplicativos, notebooks, computadores, celulares e
câmeras. Mesmo não dominando tudo isso, Carlos estudou e conseguiu
se adaptar ao novo formato.
Carlos gostou muito de conhecer o mundo das tecnologias de
informação e comunicação ligadas à educação e queria entender como
conseguir utilizar os recursos digitais na educação. Para isso, começou
a realizar alguns testes com as suas turmas. Porém, ainda não
conseguia obter um resultado expressivo. Sendo assim, ele foi
conversar com o psicopedagogo da escola. Apontou suas dúvidas, suas
dificuldades e quis orientações de como utilizar recursos tecnológicos
no processo de ensino e aprendizagem.
O psicopedagogo atendeu Carlos, escutou tudo que ele tinha para falar e
o ajudou. Devido ao seu cargo, ele já tinha um histórico dos alunos da
escola e sabia que os estudantes gostavam dos recursos tecnológicos,
com isso, conseguiu dar algumas dicas. Entre elas, o psicopedagogo
falou da utilização do podcast como recurso didático, da importância de
uma formação permanente e, por fim, abordou a questão do digital
como condição de pensamento.
Após a conversa com o psicopedagogo, Carlos foiestudar sobre os
podcasts, sobre a questão do pensamento digital e começou a utilizar
nas aulas o que aprendeu.
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Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
QQuueessttããoo 11
Como você viu, Carlos gostou das tecnologias de informação e
comunicação ligadas à educação, porém não sabia como trabalhá-
las em sala de aula. Então, ele foi conversar com o psicopedagogo,
que o orientou. Na conversa, o psicopedagogo abordou sobre os
podcasts. Se você fosse o psicopedagogo da escola, como
abordaria o uso de podcast com os professores? Assinale a
alternativa correta.
A
Os podcasts são vídeos distribuídos pela internet e
que podem ser trabalhados na educação, como
filmes a serem exibidos aos alunos que tratem de
algum conteúdo em específico. Podem ser
utilizados durante a gravação de documentários e
filmes a serem abordados a partir de roteiros pré-
estabelecidos.
B
Os podcast são arquivos de áudio distribuídos pela
internet. Eles podem ser utilizados na educação de
diversas formas, como programas prontos que
tratem de algum conteúdo que o professor irá
trabalhar, ou até mesmo a criação de um podcast
por parte dos alunos a partir de um roteiro que eles
mesmos possam desenvolver.
Os podcasts são aplicativos para smartphones nos
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Parabéns! A alternativa B está correta.
Um recurso que pode ser utilizado de forma didática é o podcast,
que são áudios distribuídos pela internet. São diversas as
possibilidades de utilização do podcast em sala de aula. Podem ser
usados programas prontos que abordem alguma temática que o
professor está trabalhando em sala de aula, assim como pode ser
solicitado aos alunos que gravem um podcast sobre determinado
assunto, criando inclusive um roteiro para isso, que pode ser feito
cooperativamente.
C
quais você pode fazer o download para o celular.
Eles podem ser usados na educação, pois são
aplicativos com diversos recursos educacionais, em
que os alunos aprendem a configurar ou a modificar
o aplicativo que já está criado.
D
Os podcasts são games que são distribuídos pela
internet com a finalidade de fazer com que os
alunos aprendam jogando. São utilizados na
educação, pois são educativos e têm sempre
objetivos e finalidades educacionais, recebendo o
nome inclusive de gamificação.
E
Os podcasts são as videoaulas gravadas por parte
dos docentes, que consistem em criar um roteiro e
realizar a gravação. Essas videoaulas são usadas
em sala de aula como metodologia ativa, na qual o
aluno vê o vídeo do professor primeiro, para depois
ter o encontro presencial, que serve para tirar
dúvidas e conversar acerca do conteúdo do vídeo.
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cooperativamente.
QQuueessttããoo 22
O psicopedagogo informou Carlos a respeito do meio digital como
condição de pensamento. Se você fosse o psicopedagogo, como
explicaria esse conceito para Carlos? Assinale a alternativa correta.
A
Quer dizer que sempre devemos pensar na questão
tecnológica e como utilizar tecnologias, ou seja,
devemos pensar no mundo virtual o dia todo.
B
Quer dizer que, em um mundo digital, não há mais
espaços para pensamentos que não utilizem das
tecnologias no dia a dia, ou seja, é preciso que
pensemos em tudo voltado para tecnologia para
não utilizarmos recursos ultrapassados.
C
Quer dizer que é preciso estar on-line 100% do
tempo, ou seja, não ficar deslogado da internet, pois,
se perdemos um minuto fora do mundo virtual,
podemos perder diversas informações.
D
Quer dizer que devemos explorar o digital quando
tivermos o acesso, porém, caso não tenhamos esse
acesso, temos a possibilidade de recorrer ao
universo digital, ao repertório que ele nos oferta.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
O mundo digital como uma condição de pensamento está
imbricado em compreender a noção de cultura. Não adianta nós
mudarmos suportes, aparatos, se não modificarmos os nossos
hábitos, nossa mentalidade e as formas de apropriação.
Precisamos refletir sobre as práticas e os hábitos, explorar o digital
na especificidade quando temos o acesso, porém, caso não
tenhamos, temos de recorrer ao universo digital, ao seu repertório
reflexivo.
Questão 3
Como foi visto, o psicopedagogo comentou com Carlos sobre a
importância de uma formação permanente. De que modo você,
como psicopedagogo, entende a importância da formação
permanente?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
E
Quer dizer que precisamos ter perfil em todas as
redes sociais digitais, para podermos acompanhar
tudo que está ocorrendo, os assuntos principais e
quais são as tendências do momento.
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A importância das mídias digitais não significa o fim
das relações humanas. Temos de ter em mente o
quanto as interações de afeto são importantes,
mesmo quando estamos afastados presencialmente.
É fundamental estarmos sempre em formação, mais
especificamente em uma formação permanente, em
especial quando ligada a questões dos recursos
digitais. Os recursos digitais são novos e trazem
agonias, inseguranças e dificuldades de adaptação,
que somente com a formação permanente será
sanada. Os alunos, por mais que possam ser
protagonistas do saber com as metodologias ativas
e com os recursos digitais, não estão sozinhos. É
preciso também que os professores busquem
atualizações constantes e que a fluência digital seja
aprofundada, seja por meio de textos, vídeos,
podcast etc.
O digital como recurso
Chegamos ao último módulo! Trabalhamos sobre os livros didáticos,
sobre os inúmeros recursos dentro dos livros didáticos, sobre a
gamificação e vamos fechar agora falando um pouco sobre as mídias
digitais em seus limites e potencialidades.
Antes de fazermos esse movimento, queremos reforçar que nossas
opções foram um recorte dentro de um mar de possibilidades. Isso nos
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faz chegar à conclusão de que tudo pode ser um recurso, desde que
tenhamos claro o nosso objetivo ao mobilizar um e não outro. Os
recursos permitem diferentes abordagens, distintas metodologias e
devem estar a favor de uma ação pedagógica criativa, sensível, humana
e que valorize o ser aprendente em sua historicidade. Eles são partes
essenciais dos nossos planejamentos!
Além dos que citamos ao longo do nosso estudo, você é
capaz de se lembrar de outros recursos?
Desafio do minuto! Abra o cronômetro do seu celular ou um cronômetro
on-line. Em um minuto, tente escrever em um editor de texto ou em um
papel todos os recursos que venham à sua mente e que não tenhamos
citado aqui neste conteúdo. Você vai ver como temos uma capacidade
criativa de relacionar nossas vivências com nossa formação
profissional. A cabeça de um professor não para, não é verdade?
Sabemos que o digital pode ser o tema/conteúdo de uma aula, pode ser
a metodologia, mas pensá-lo como recurso requer problematizá-lo sem
reforçarmos visões ingênuas de vê-lo como salvação da educação ou,
por outro lado, como algo que deva ser negado, evitado. O famoso
“caminho do meio” parece ser uma estratégia interessante. É nela que
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apostamos!
O digital em suas contradições
A pandemia da COVID-19 intensificou o uso das tecnologias digitais.
Uso das tecnologias digitais
Ainda não sabemos exatamente os ganhos e perdas que tivemos e
teremos, mas algumas impressões vão sendo construídas com base em
nossa própria experiência discente e docente. Anos de pesquisa serão
necessários para analisar o vivido.
Re�exão
Você acha que a pandemia representou uma “virada digital” ou ela
somente acelerou processos que já vinham acontecendo? Pense sobre
isso.
Indubitavelmente, a pandemia explicitou desigualdades de toda ordem,
sejam econômicas, sociais ou mesmo de formação.
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Não foram poucas as angústias vividas por docentes e discentes.
Inúmeros memes circularam fazendo campanhas para os estudantes
abrirem suas câmeras e interagirem com seus professores. Diversas
matérias foram publicadas em portais informativos ou em noticiários de
TV denunciando as situações precárias nas redes de ensino. E você:
como se sentiu nesse turbilhão?
Conta pra gente
Se você pudesse materializar uma produção (imagem, áudio, desenho)
que te representasse no início da pandemia, como seria? Você pode
fazê-la à mão ou em algum aplicativo voltado para esse fim. Não se
preocupe, o objetivo aqui não é fazer uma análise estética e sim um
exercício introspectivo, parando para escutar e valorizar as nossas
próprias vivências. Mãos à obra!
O professor e pesquisador António Nóvoa (2021) comenta sobre o que
observou em relação à aprendizagem no contexto pandêmico, alertando
para alguns perigos em relação ao digital. Vejamos:
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Eu vi em muitos lugares, por
exemplo, crianças que
passaram seu ano a produzir
coisas, fazer vídeos,
atividades artísticas, recolher
informação. Vi aumento
signi�cativo, em alguns
setores, da relação com a
leitura e o livro. Isso não
substitui a aprendizagem
curricular, da Matemática,
História, Geogra�a, mas
permitiu manter uma relação
com a aprendizagem. O que
me preocupa muito é que
possamos generalizar para o
futuro este ano, dizer que
agora é melhor fazer coisas
em casa, com o digital e
tecnologia. Podemos estar a
perpetuar o que foram
respostas emergenciais
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respostas emergenciais
necessárias como um novo
modelo de educação. Isso, a
meu ver, seria péssimo.
(NÓVOA, 2021, grifos nossos)
Conforme destacado, devemos pensar a favor do que pretendemos que
o digital esteja. Sim, ele foi necessário como uma medida emergencial,
mas ao longo do tempo temos amadurecido a nossa relação com ele,
com mais investimento formativo para aprender a trabalhá-lo de
maneira direcionada, planejada. O digital como recurso não pode ser
simplesmente “jogado” em situações de ensino-aprendizagem de forma
ingênua. Antes precisamos conhecê-lo, reconhecer quais são os seus
limites e qual o seu potencial para aquilo que desejamos construir com
os alunos.
Por falar em limites, quem nunca passou pela situação de perder um
arquivo? Ou quando montamos uma apresentação que depois não
abria? E o site que saiu do ar?
Esses são alguns dos entraves que enfrentamos nesse universo, mas
também queremos trazer alguns exemplos positivos de forma a instigar
a prática daqueles que se permitem ousar e têm essa possibilidade.
Refletir sobre os dados que cedemos, sobre as plataformas que
usamos, sobre como nos posicionamos nas redes é uma preocupação
diária, e esses são pontos a serem trabalhados também com os nossos
estudantes.
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Você já pensou que uma conversa pode ser um recurso didático? A
profa. Marcella Albaine Farias da Costa conversa com você sobre o
recurso da linha comunitária.
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Materializando ideias: os memes na
rede
No módulo 2, citamos como o digital aparece dentro dos livros
didáticos: por exemplo, pela indicação de sites, pela utilização de QR
Codes, dentre outros. Agora, daremos destaque a outros formatos de
linguagens que podem ser pensadas no momento da construção de
uma aula e, para isso, escolhemos os memes em função da grande
circulação que têm entre os canais de comunicação do público jovem.
Da mesma forma, aprendemos com Costa e Mendes (2016) que a ideia
que está por trás do meme não é algo original da cultura digital, visto
que sempre houve informações que visavam ser repetidas e
perpetuadas. Todavia, a criação de memes em formato digital é um
fenômeno da nossa atualidade que merece nossa plena atenção.
Você deve ter compartilhado algum meme em algum
momento da sua vida, mas sabe como criá-lo?
Memes
Segundo Abreu (2021):
Os memes estão em destaque principalmente nos suportes digitais e
fazem parte da cultura contemporânea. Esse gênero textual surge de uma
demanda comunicacional possibilitada pelo desenvolvimento e
“popularização” das redes sociais e dos meios midiáticos. Embora possa
apresentar conteúdos variados, alguns mais efêmeros e irrelevantes, outros
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apresentar conteúdos variados, alguns mais efêmeros e irrelevantes, outros
mais engajados política e socialmente, o que importa é que já fazem parte
da realidade comunicativa nos dias atuais, sendo compartilhados, curtidos
e replicados em vários espaços, inclusive na escola. O termo meme está
associado à cultura digital, mas a expressão não se limita a essa definição.
Aprendendo com memes?
Temos uma proposta: abra suas redes sociais. Navegue por elas e veja
se há algum meme recentemente recebido. Em caso afirmativo: qual o
assunto em pauta? Vamos aprender a criá-los para fins pedagógicos?
Os memes, como se sabe, devem conter alguma característica
engraçada, o que nem sempre é fácil de ser feito dentro de padrões
éticos que uma produção feita na escola ou na universidade demandam.
Novamente, recorrendo a Costa e Mendes (2016), entendemos que o
riso e o risível devem ser aspectos trabalhados com os estudantes
dentro da proposta da atividade para que esse tipo de produção não
seja porta-voz de estereótipos e preconceitos que abram brechas para
críticas em relação a uma postura não cidadã dentro da instituição de
ensino.

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Outro ponto importante refere-se à linguagem. Fique ligado! Mesmo
sendo algo que circula nas redes, defendemos a manutenção do
respeito às normas de escrita, prezando pelo rigor e correção antes que
os memes criados sejam compartilhados em outros ambientes, se
assim o docente responsável pela atividade o desejar.
De igual forma, vale um cuidado com o uso de imagem. Ela pode ser
uma fotografia feita pelos alunos previamente, ou o professor pode
fazer uma seleção de imagens de fontes confiáveis, orientando seus
educandos a atentarem sobre a origem imagética.
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Um novo episódio: podcasts
Outro recurso que apresentamos como possibilidade são os podcasts,
que consistem em meios de distribuir arquivos de áudio via web. Você
costuma ouvir podcasts?
Mais uma vez o desafiamos a pensar não apenas no
consumo,mas também na produção desse tipo de
material, pois é uma forma de trabalhar com as
metodologias ativas que vimos no módulo 3, a partir da
centralidade e do protagonismo discente.
Vamos trocar algumas ideias a esse respeito, mas antes precisamos de
uma breve definição!
Ponderando a relação entre o podcast e os programas de rádio, Souza
(2016) explica que ele é uma junção de novas tecnologias, valores
afetivos e as novas possibilidades de linguagem.
Linguagem
[...] o termo podcast é novo e surgiu em 2004, com Adam Curry (DJ da
MTV) e Dave Winer (criador de software), que descreveram a tecnologia
como a possibilidade de descarregar conteúdo de áudio nas páginas da
web. Assim, criou-se o podcasting, tecnologia surgida da soma das
palavras iPod (dispositivo de reprodução de áudio/vídeo da Apple) e
broadcasting (método de transmissão ou distribuição de dados) que,
através de uma subscrição de feed, possibilitava a transmissão e download
de arquivos de áudio via web. Para isso, o ouvinte utilizaria de um
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de arquivos de áudio via web. Para isso, o ouvinte utilizaria de um
‘agregador de podcast’, programa que assina os diversos feeds disponíveis
e que, além de avisar sobre o conteúdo disponível, também faria download
dos arquivos de áudio para o computador ou dispositivo de reprodução de
áudio, como o iPod. Com a evolução das tecnologias mobile, foram se
tornando mais comuns a utilização de agregadores para smartphones,
como os aplicativos Podcast Addict e Podcast Republic para plataformas
com sistema Android e o aplicativo Podcasts para sistemas iOS (SOUZA,
2016, p. 6-7).Re�exão
Você já parou para pensar que as pessoas chamam áudios longos em
aplicativos de conversas instantâneas de “podcasts”? Qual a relação
disso? Por que essa associação? O curioso é que tem gente que não
gosta de jeito nenhum, sente-se incomodado ao receber esse tipo de
arquivo, mas outros curtem e os usam para relatar experiências do
cotidiano e mesmo para trocar ideias sobre diferentes assuntos. Que
tipo de usuário é você? Sintetiza ideias em áudios curtos ou prefere ficar
longo tempo gravando?
As possibilidades de uso do podcast em sala de aula são inúmeras.
Conforme dissemos, pode-se trabalhar com programas prontos que
versem sobre algum conteúdo que o docente trabalhará em sua aula e/
ou solicitar que os estudantes, individual ou coletivamente, gravem os
seus a partir de um roteiro prévio, elaborado como parte do
desenvolvimento da aula.
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O importante é que esse roteiro contenha orientações claras sobre o
que deve ser feito e que não se abra mão da pesquisa das informações,
transformando-as em conhecimento. Não fique com medo. Permita-se
aprender junto com os alunos. É essa cocriação que torna esse
momento significativo.
Podcast como recurso didático
Todos os possíveis materiais didáticos estão mais vivos que nunca e é
isso o que vamos mostrar no vídeo a seguir!
A criação de playlists com a voz e a identidade dos educandos é uma
forma de partilhar aquilo que é produzido na escola para um grande
público, rompendo muros. Dialogar aquilo que estamos ensinando-
aprendendo com as demandas do mundo é uma forma de afetar o
nosso entorno e de nos permitir ser afetados. Legal, não?
Dica
Pesquise podcasts disponíveis que versem sobre sua área de formação.
Analise seu conteúdo e a estratégia dialógica utilizada. Ele foi útil para
você? Contribuiu para a sua formação? Você faria algo diferente?
Aproveite e anote ideias. Se preferir, veja a seção Explore+ e conheça
uma série de podcasts que abordam o uso das tecnologias na
educação!

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educação!
O digital como condição de
pensamento
Em todos os debates que versam sobre o digital como recurso à
Educação nos deparamos com colocações do tipo: e quando não
consigo acesso a tecnologias, como procedo? Vemos isso acontecer
com frequência, concorda?
Voltamos a um ponto citado: estamos em um país de dimensões
continentais em que as desigualdades se dão não apenas em termos de
acesso, mas também de formação e letramento (SOARES, 2002). Chega
a ser desesperador ver tantas realidades educacionais que ficam à
margem, carecendo de infraestrutura básica como também verificar que
existem aquelas que têm todo um arsenal tecnológico, mas que não são
utilizados em seu potencial, tornando-se rapidamente obsoletos.
Obsoletos
Visamos defender aqui o digital como condição de pensamento. O que isso
significa na prática? Antes de respondermos a essa pergunta, relembre o
que diz a quinta competência da BNCC.
O digital como condição de pensamento está imbricado na
compreensão da noção de cultura. Não adianta mudarmos os suportes,
os aparatos, a materialidade se não mudarmos os hábitos, a
mentalidade e as nossas formas de apropriação. Reflitamos sobre
nossas práticas e nossos hábitos!
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Pense na construção de uma situação problema que
abarque as duas situações relatadas anteriormente:
Situação 1
A instituição de ensino
possui acesso às
tecnologias, mas não as
incorpora na sua rotina.
Situação 2
A instituição não tem
acesso a formas de
conectividade, mas os
professores conseguem
mobilizar o que
chamamos de “lógica
do digital”.
Ao elaborar essas situações hipotéticas na sua mente você foi capaz de
perceber uma possível solução para os problemas em cada caso? Qual
seria a sua postura se você fosse o docente das referidas instituições?
Situações hipotéticas como essas acontecem na prática de muitos
professores. Sem dúvidas, seremos chamados a contornar entraves
como esses ao longo do nosso fazer docente.
Por isso, volte às suas anotações da atividade anterior
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Por isso, volte às suas anotações da atividade anterior
quantas vezes quiser e reflita mais e melhor sobre a
solução encontrada por você.
Devemos explorar o digital na sua especificidade quando tivermos
acesso, mas caso não o tenhamos, podemos recorrer ao universo do
digital, ao repertório reflexivo que ele nos oferta. Como assim?
Um exemplo é o uso das hashtags (#). Elas são originalmente
associadas às redes sociais como forma de indexação do conteúdo.
Você já experimentou clicar nelas e ver os materiais (fotos, textos etc.) a
que elas te remetem? Faça essa experimentação.
As hashtags podem também ser usadas no papel como forma de
sintetizar um texto. Claro, são situações diferentes e fins distintos, mas
os alunos talvez façam a conexão com o universo que eles estão
familiarizados do on-line. Não podemos afirmar que isso vai acontecer,
pois nunca devemos generalizar algo, mas vale experimentar.
Formação permanente
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Olhe bem para a imagem que abre nosso último item do último módulo.
Ela demarca a conexão de pessoas, não é?
É muito importante frisar que, ao falarmos das mídias digitais, não
estamos abrindo mão das relações humanas. Evidentemente, vivemos
um grande desafio com a educação remota no período pandêmico, da
ausência do olho no olho, mas nossa caminhada segue no desafio de
tecer interações de afeto mesmo afastados por uma tela.
Sabemos das agonias, das inseguranças, das dificuldades que os
recursos digitais geram em nós, pois são fontes novas que noscutucam
para novas formas de pensar afinadas ao olhar amplo e sensível sobre o
sujeito aprendente. Lembre-se de que nós, professores, também somos
sujeitos aprendentes e nossa formação é permanente. O digital não é
um “vale tudo”.
Como ressaltamos, nossos alunos são atores importantes em nosso
processo formativo, mas precisamos também buscar nossa atualização
constante e nossa fluência digital por meio do estudo aprofundado de
textos, leituras, vídeos, lives etc. Aproveite este conteúdo, ele trouxe
debates importantes que certamente te provocaram.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
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Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
“A grande lição da pandemia é esta: nada substitui o ensino
presencial” (OLIVEIRA, S. R. Publicado no site educare.pt em
09/09/2020).
Com base na interpretação da manchete da notícia, pode-se
considerar que
A
o ensino remoto é uma modalidade de ensino que já
vinha sendo empregada antes da pandemia, apesar
de, inicialmente, estar restrito à formação nos
cursos de educação superior.
B
a pandemia provocou inúmeras mudanças,
proporcionando a inclusão digital em larga escala,
mesmo considerando a dificuldade de muitos
docentes e discentes em manejar dispositivos
tecnológicos.
C
o coronavírus desafiou o trabalho docente por fazer
professores repensarem suas estratégias
pedagógicas, visto que o ensino remoto foi a melhor
maneira de contato com os estudantes em idade
escolar.
D
o ensino presencial foi a opção adotada por vários
estados e municípios após a liberação das
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A questão toca em pontos delicados relacionados às atividades de
ensino durante o período da pandemia da Covid-19, evidenciando
que muitas pessoas ficaram à margem da opção remota por não
terem condições de acesso às tecnologias digitais.
Questão 2
“Por que um museu de memes? O #MUSEUdeMEMES nasceu de
uma dupla provocação. De um lado, como todo museu, ele tem o
objetivo de apresentar ao grande público um pouco da memória a
respeito de um dado tema. De outro, ele é, em si, um meme, isto é,
uma brincadeira, um artifício, cujo principal propósito é estimular a
reflexão sobre o papel que ocupam os memes na cultura
contemporânea” (Fonte: site Museu de Memes)
Em relação ao memes como recursos didáticos, podemos dizer que
D
autoridades sanitárias, não deixando, dessa forma,
estudantes à margem da escolarização.
E
o ensino remoto, apesar de ser uma opção utilizada
em caráter emergencial, não abarcou todos os
estudantes, evidenciando as desigualdades sociais
em países como o Brasil.
A
podem ser trabalhados em todos os segmentos de
ensino, desde que se tenha a anuência dos
responsáveis.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Os memes possuem forte inserção no universo jovem, mas para
que sejam pensados como recurso didático devem,
necessariamente, obedecer aos preceitos éticos e de valorização
dos direitos humanos.
responsáveis.
B
são estratégias imprescindíveis no processo de
ensino-aprendizagem porque mobilizam diferentes
olhares interpretativos.
C
precisam ser problematizados para que não
reforcem preconceitos e estereótipos, estando a
favor da valorização da diversidade e da diferença.
D
são registros do tempo presente e por isso podem
ser arquivados por estudantes e professores como
forma de documento histórico.
E
são instrumentos neutros que precisam ser
apropriados por docentes dos diferentes
componentes curriculares.
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Considerações �nais
Chegamos ao final dessa jornada! Você está saindo daqui com um olhar
diferenciado. Sabemos que o mundo é algo em constante
transformação e, portanto, os recursos didáticos não estão isentos
dessas mudanças.
Dessa forma, começamos nossa viagem pelos livros didáticos e o
convidamos a um olhar mais profundo. Enxergar que dentro dele há
ideias originais e que podem se tornar mais incríveis ainda ao sair do
papel e ocupar nossos sentidos e nossas mentes.
Exploramos as potencialidades da gamificação e do universo digital
para construir momentos significativos, a partir da ideia de que
docentes e estudantes podem e devem trabalhar em parceria. Todos os
sujeitos envolvidos nos processos educacionais têm a sua importância
como produtores de conhecimento.
Este foi o nosso objetivo. Não se trata de criar receitas prontas de
sucesso porque elas não existem. Mas um bom professor é aquele que
sabe lutar com as ferramentas que possui e, com isso, transformar o
mundo por meio da educação!
Podcast
Agora, as especialistas Adriana Ralejo e Marcella Albaine conversam
livremente sobre os recursos em educação fazendo uma conexão com
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tudo o que vimos até agora.
Explore +
• O bom livro didático é aquele usado por um bom professor, de
Circe Bittencourt. Entrevista publicada em 1º de fevereiro de 2014
no portal Nova Escola. Em uma conversa com a historiadora Circe
Bittencourt, são discutidas questões sobre os desafios do uso de
livros didáticos no Brasil.
• Os cegos e o elefante. A famosa fábula do folclore hindu nos
permite compreender a importância de explorar os sentidos por
diversos meios para construir conhecimentos.
• A contribuição das tecnologias para uma educação inovadora.
Artigo de autoria de José Manuel Moran em que o autor trabalha de
maneira crítica a ideia de inovação por meio das tecnologias.
• Videoclipe oficial da música Bola de Meia, Bola de Gude, de Milton
Nascimento – participante do Projeto 3 Clipes - 1 Curta. Videoclipe
em linguagem lúdica que versa sobre a relação do adulto e da
criança por meio do brincar.
• Série de podcasts aborda o uso das tecnologias na educação.
Matéria publicada em 2 de junho de 2021 no portal Jornal da USP. A
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notícia cita materiais em formato de podcast que exploram o
potencial das tecnologias digitais para fins educacionais.
Referências
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proposta didático-histórica para o Ensino Fundamental II. Palavras
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ZISKIND, Hélio. Tu tu tu tupi. Meu pé, meu querido pé. São Paulo: MCD,
1997. Faixa 3
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