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@vestibularesumido
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A ideia de identidade e de individualidade é uma construção 
social que varia de acordo com o tempo e com a cultura local. 
Atualmente, há uma noção de pessoa ligada originalmente a uma 
construção de cidadania jurídica, estabelecida no advento do 
direito romano. A partir do século XIX e, especialmente no 
século XX, fortaleceram-se na sociedade as questões 
psicológicas e subjetivas que compõem o indivíduo. As 
sociedades indígenas, porém, se constituíram com base em 
valores e pensamentos paralelos ao contexto ocidental, e cada
povo tem um conceito de pessoa diversificado, fundado em 
cosmogonias e valores específicos. Pode-se apenas pincelar, 
partindo das documentações e culturas sobreviventes, o que foi
parte desse aglomerado de culturas que viveu por aqui.
Os povos Asurini, que vivem no Xingu, na região 
Norte, são um desses povos. Os desenhos 
geométricos utilizados na ornamentação do corpo 
são uma de suas características mais fortes. Essa 
arte é elaborada pelas mulheres da tribo, e cada 
área do corpo possui regras próprias para os 
desenhos que determinam divisões sociais, de 
gênero e de idade, além de atividades 
desempenhadas no grupo. Para elas, a marca 
principal dos desenhos está no ventre e está ligada 
à maternidade. Nos homens, a divisão das linhas 
acontece a partir de uma faixa horizontal que liga 
os ombros e é feita quando o inimigo é morto na 
guerra. Os índios utilizam plantas para criar seus 
pigmentos e pequenos talos vegetais como pincéis.
Os Kadiwéu, que vivem no Mato Grosso do Sul, 
região Centro-Oeste, são outro exemplo de cultura 
sobrevivente. As pinturas corporais feitas por eles 
se diferem dos padrões geométricos por 
apresentarem curvas delicadas em desenhos 
minuciosos e simétricos que, no passado, 
marcavam especialmente as divisões de classes 
sociais. Os trabalhos artísticos são feitos em sua 
maioria pelas mulheres e se apresentam também 
em peças de cerâmica em forma de grafismos.
"Por que você pinta seu corpo?", perguntou um viajante a um nativo, 
em meados do século XVIII. A resposta veio acompanhada de uma 
nova pergunta: "E você, não pinta o seu? Quer se parecer com um 
animal?".
As tramas e grafismos indígenas observados atualmente 
promovem reflexões acerca de questões e origens da abstração
muito distintas daquelas desenvolvidas na história da arte 
ocidental. Para o pintor Wassily Kandinsky, por exemplo, a meta
da arte era reduzir a forma a uma essência que era geométrica e 
de natureza espiritual. Para grande parte dos povos indígenas 
brasileiros, no entanto, aquilo que se vê como arte e grafismos é 
parte de um conjunto de práticas coletivas ritualísticas, ou seja, 
tem função social e espiritual. As formas eram derivações de 
observações da natureza que estavam ligadas à origem desses 
povos e eram repetidas por gerações. Não havia, por exemplo, o 
conceito de inspiração ou de uma obra artística autoral. Essas 
funções eram designadas por setores específicos e executadas 
em momentos pontuais com objetivos predeterminados pela 
cultura
Figura 8. Padrão das pinturas mebêngôkre.
O simbolismo está presente em todas as imagens e 
ações dos Mebêngôkre, que vivem no Mato Grosso e 
no Pará. Suas pinturas corporais determinam espaços 
sociais e rituais. Como pigmento, são utilizados o 
jenipapo e o carvão.
PERSPECTIVAS ESTÉTICAS 
NA IDENTIDADE NACIONAL 
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Na arte contemporânea, identifica-se a 
participação da cultura indígena de três formas 
principais: na exibição de peças e registros originais, 
nos registros fotográficos com fins artísticos ou 
antropológicos e na apresentação de artistas 
indígenas ou descendentes desses povos. Paulo 
Nazareth (1977), nascido em Governador 
Valadares, Minas Gerais, é um exemplo desse 
terceiro caso. Seu trabalho é interdisciplinar, 
contando com desenhos, gravuras, textos, 
fotografias e principalmente performances e ações. 
Sua bisavó era índia e, em sua homenagem, ele usa 
seu nome.
Numa de suas performances, partiu descalço de uma aldeia de 
origem kalowá, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo 
Horizonte, até Miami, nos EUA, andando a pé ou pegando 
caronas. Seu objetivo era chegar na feira Art Basel Miami Beach, 
para a qual fora convidado. Suas anotações, fotografias e desenhos 
formaram parte da obra que o artista vendeu no evento. Após 
essa experiência, o artista se propôs a fazer caminhadas de longas 
distâncias no continente africano, atravessando as memórias 
perdidas da origem do Brasil. Seu trabalho enfatiza a questão da 
mestiçagem e dos preconceitos que circundam a construção da 
identidade brasileira. No evento, Paulo Nazareth mostrou uma 
placa que, em português, diz: "Minha imagem de homem exótico à 
venda". Assim, aponta uma crítica sobre o olhar eurocêntrico, 
fundado na projeção europeia em relação aos países e povos 
ditos periféricos, predominante nas narrativas que formam a 
história oficial desde a colonização do Brasil. Ao mesmo tempo 
Figura 9. Paulo Nazareth. My image of exotic man for sale. 2011

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