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Saneamento_Apostila_Unibta_2024_521p_Part2_B

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Infográfico
No infográfico a seguir, ilustram-se, de forma objetiva, a sequência do processo e onde se pode 
aplicar o fenômeno de autodepuração dos recursos hídricos.
_2.2_
elm = ilustração bem melhor copiado de: 
https://leaoeomeioambiente.wordpress.com/tag/corpos-hidricos/
Conteúdo do livro
No livro Meio ambiente e sustentabilidade, no capítulo 2, há mais detalhes sobre o processo de 
autodepuração. Inicie a leitura no item "O ambiente aquático - autodepuração e eutrofização" e 
finalize-a no item das "Considerações finais". 
_2.2_
elm = parte do livro usado em Aula 1.2 ; 2.2 ; 3.1 ; C.3
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Sumário 
Prefácio ....................................................................................................................................... ix 
ARLINDO PHILIPPI Jr. 
Apresentação ............................................................................................................................ xiii 
ANDRÉ HENRIQUE ROSA, LEONARDO FERNANDES FRACETO e VIVIANE MOSCHIN I-CARLOS 
1 Poluição aquática ...................................................................................................................... 17 
SONIA DOS SANTOS, LUCIANA CAMARGO DE OLIVEIRA, 
AD EMIR DOS SANTOS, JULIO CÉSAR ROCHA e ANDRÉ HENRIQUE ROSA 
2 O abastecimento de água e o esgotamento sanitário: propostas 
para minimizar os problemas no Brasil .................................................................................. 47 
MARCELO LUIZ MARTINS POMPÊO e VIVIANE MOSCHJNI-CARLOS 
3 Contaminação do solo: aspectos gerais e contextualização na química ambiental .............. 67 
WILSON TADEU LOPES DA SILVA, LJLIAN FERNANDA DE ALMEIDA MARTELLI, 
TÂNIA LEME DE ALMEIDA, DÉBORA M. B. P. MILORI e LADISLAU MARTIN NETO 
4 Atmosfera e química no planeta Terra .................................................................................... 88 
L ARNALDO ALVES CARDOSO 
5 Recursos hídricos e indicadores hidrológicos ...................................................................... 103 
MANUEL ENRIQUE GAMERO GUANDIQUE e LEANDRO CARDOSO DE MORAIS 
6 Recursos energéticos e meio ambiente .................................................................................. 126 
SANDRO DONNINI MANCINI e NILSON CRISTINO DA CRUZ 
7 Saúdeemeioambiente ........................................................................................................... 155 
MARCELA PELLEGRINI PEÇANHA, NOBEL PENTEADO DE FREITAS, 
ROBERTO WAGNER LOURENÇO, MARIA RITA DONALISIO CORDEIRO, 
RICARDO CARLOS CORDEIRO e MARIA APARECIDA VEDOVATO 
8 Modelagem ambiental ............................................................................................................ 177 
SANDRA REGINA MONTEIRO MASALSKIENE ROVEDA, 
LEONARDO FERNANDES FRACETO e JOSÉ ARNALDO FRUTUOSO ROVEDA 
9 Análise espacial de dados geográficos .................................................................................... 198 
10 
l 11 
12 
13 
L 
ROBERTO WAGNER LOURENÇO, ANTONIO CESAR GERMANO MARTINS, 
SANDRA REGINA MONTEIRO MASALSKIENE ROVEDA, 
JOSE ARNALDO FRUTUOSO ROVEDA e PAULO MILTON BARBOSA LANDIM 
Análise de impactos e riscos ambientais ............................................................................... 219 
FLÁVIO HENRIQUE MINGANTE SCHLITILER 
Manejo de solos degradados por ação antrópica .................................................................. 238 
WANDERLEY JOSÉ DE MELO, GABRIEL MAURÍCIO PERUCA DE MELO, 
VALÉRIA PERUCA DE MELO, REGINA MÁRCIA LONGO, ADMILSON ÍRIO RIBEIRO 
e LIANDRA MARIA ABAKER BERTIPAGLIA 
Restauração de áreas degradadas ........................................................................................... 283 
OSMAR CAVASSAN 
Tratamento de emissões gasosas ............................................................................................ 301 
LEANDRO CARDOSO DE MORAIS, VALQUÍRIA DE CAMPOS, JO DWECK, 
MANUEL ENRIQUE GAMERO GUANDIQUE e PEDRO MAURÍCIO BÜCHLER 
1 
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l 14 Tratamento de água e efluentes líquidos ............................................................................... 322 1 
JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES e MILENA GUEDES MANIERO 
1 5 Resíduos sólidos ..................................................................................................................... 346 
16 
l 
SANDRO DONNINI MANCINI, JOSÉ LÁZARO FERRAZ e WALDIR ANTÔNIO BIZZO 
Gestão ambiental ................................................................................................................... 375 
GERSON ARAUJO DE MEDEIROS, LUCILIA DO CARMO GIORDANO 
e FABIO AUGUSTO GOMES VIEIRA REIS 
Índice ....................................................................................................................................... 407 1 
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2 
O abastecimento de água . , . 
e o esgotamento san1tar10: 
propostas para minimizar 
os problemas no Brasil 
MARCELO LUIZ MARTINS POMPÊO e VIVIANE MOSCHINl-CARLOS 
Objetivos do capítulo 
Grande parcela da população mundial não tem acesso à água potável e sofre com 
problemas sanitários. Como consequência da falta de acesso à água potável e da 
inadequação do esgotamento sanitário, um número a larmante de pessoas morre 
ou vive em níveis inadmissíveis de qualidade de vida. Na cidade de São Paulo (Brasil), 
esse fato não é diferente, cerca de 50% do esgoto gerado é lançado sem tratamen­
to. Este capítulo visa disrntir a situação do saneamento básico no Brasil, em parti­
cular sobre a oferta de água potável e o esgotamento sanitário nas grandes metró-
poles, e contribuir com sugestões visando minimizar o problema. _J 
!INTRODUÇÃO 
O volume total de água na Terra é estimado 
em 1.386 Mkm1, sendo 2,5% ou cerca de 
35,0 l 06 km 3 constituídos de água doce e, 
destes, apenas 0,3% representa a água doce 
contida nos rios e lagos (Shiklomanov, 1998 
citado em Rebouças, 1999). Além do restrito 
volume de água doce disponível, sua distri­
buição é desigual do ponto de vista espacial 
e temporal (Rebouças, 1999). 
A água é fundamental para a manu­
tenção da vida, e, desde os primórdios, o 
homem a utiliza como recurso para múlti­
plas finalidades. No entanto, apesar de sua 
importância, mesmo no século XXI, não 
está acessível a todos. 
É estimada em 20% a população mun­
dial atual que não tem acesso à água potá­
vel, em 50% da população que sofre com 
problemas sanitários e, conforme relatório 
da ONU, 2,5 bilhões de pessoas do mundo 
vivem em regiões completamente desprovi­
das de saneam ento básico (Suguio, 2006). 
Segundo esse autor, 8% da população urba­
na e 22% da população rural no Brasil não 
dispõem de água tratada para seu consumo. 
Já a FIESP (2008) apresenta que 110 mi­
lhões de brasileiros não têm esgoto tratado, 
70 milhões não têm esgoto coletado e 22 
í4s Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (O rgs.) 
milhões de habitantes não têm água trata­
da. Suguio (2006) complementa que a ca­
rência de saneamento atinge 22% da popu­
lação urbana e 50% dos moradores rurais 
na América Latina, onde 117 milhões de 
pessoas nã.o têm acesso aos serviços essen­
ciais de saneamento. No mundo, mais de 
125 milhões de crianças de menos de 5 
anos vivem em casas sem acesso a uma 
fonte de água potável, e mais de 280 mi­
lhões vivem sem acesso a facilidades de es­
gotamento sanit ário (UNICEF, 2006). Já 
na América Latina e Caribe, em 2004, cerca 
de 50 milhões e 127 milhões de pessoas, 
respectivamente, não tinham acesso à água 
! _potável e cobertura de saneamento. Em 
T 2002, 83% da população mundial, aproxi­
madamente 5,2 bilhões de pessoas, foi aten­
dida com água potável, no entanto, l , l bi­
lhã.o de pessoas não tinha fontes saudáveis 
de água potável, sendo que destes quase 
dois terços viviam na Ásia (WHO/UNICEF, 
2004). Como consequência da falta de aces­
so à água potável e da inexistência de qual­
quer forma de esgotamento sanitário,mor­
rem por volta de 8 milhões de pessoas por 
ano no mundo (Camdessus et al., 2005). 
Países como Bahamas, Malta e Singa­
pura têm restrita oferta de água, com um 
volume potencial de menos de 500 m 3/ha­
bitante/ano. Já os EUA (Baixo e Alto Colo­
rado), Azerbaijão e Suriname, são muito 
ricos, com mais de 100.000 m 3 /habitante/ 
1 ~~o. A oferta de menos de 500 m 3/habitan­
ftdano implica escassez de água (Falkenma­
rk, 1986 citado em Rebouças, 1999). Além 
da pouca oferta de água, segundo Rebouças 
(1999), muitos países têm excessiva depen­
dência da água gerada fora de seus territó­
rios. Há também que se preocupar com a 
má qualidade da água. Embora muitas regi­
ões tenham água em quantidade suficiente 
para o abastecimento, esta não é de boa 
qualidade para os usos desejados. Além 
disso, há necessidade de se investir em siste­
mas de tratamento de água cada vez mais 
1 sofisticados induzindo a cobrança pelo uso 
da água tratada em níveis impraticáveis 
pela maioria da população. 
O saneamento básico constitui-se de 
um conjunto de ações que visam propor­
cionar níveis crescentes de salubridade am­
biental em determinado espaço geográfico, 
em beneficio da população que habita esse 
espaço. Essas ações, se adequadamente im­
plantadas, produzem efeitos positivos sobre 
o bem-estar e a saúde das populações bene­
ficiadas. Em consequência dos benefícios 
que proporciona, o saneamento básico ade­
quado é considerado parte constituinte do 
modo moderno de viver e um dos direitos 
fundamentais dos cidadãos das sociedades 
contemporâneas (Brasil, 2004). O bem-es-1
1 tardas populações - apreendido pelos md1-
cadores sociais e de saúde - nos diversos pa­
íses, bem como no território brasileiro, é 
mais bem retratado pela abrangência dos 
serviços de água e de esgotamento sanitário, 
do que propriamente pelo potencial hídrico 
ou pela disponibilidade de água per capita 
(Libânio et al., 2005). 
Sã.o efeitos positivos do saneamento 
básico (Esgoto é vida - Dossiê do sanea­
mento, 2006): melhoria da saúde da popu­
lação e redução dos recursos aplicados no 
tratamento de doenças; diminuição dos 
custos de tratamento da água para abaste­
cimento; melhoria do potencial produtivo 
das pessoas; dinamização da economia e 
geração de empregos; eliminação da po­
lui ão estético-visual e desenvolvimento do 1 
turismo; eliminação de barreiras não tari­
fárias para os produtos exportáveis das em­
presas locais; conservação ambiental; me­
lhoria da imagem institucional; reconhe­
cimento dos eleitores. Além disso, o 
investimento em esgoto sanitário tem um 
forte impacto positivo sobre a economia 
dos municípios com valorização dos imó­
veis residenciais e comerciais; viabilização 
a instalação de novos negócios nos bairros 
beneficiados e o crescimento dos já insta­
lados; crescimento da atividade de cons­
trução civil para atender o aumento da 1 
procura por imóveis residenciais e comer­
ciais; criação de novos empregos a partir 
da dinamização da construção civil, da 
abert ura de novos negócios ou do cresci­
m ento daqueles já existentes; aumento da 
arrecadação municipal de tributos. 
Há tempos não é mais possível utilizar 
a água seguindo o modelo histórico, bas­
tando recorrer a novo manancial quando se 
quer mais água, seja pelo atual uso excessivo 
da água ou por redução da qualidade de­
corrente do uso dos mananciais como di­
luidores de esgotos, principalmente próxi­
mo aos grandes centros urbanos. O uso da 
água deve estar inserido no conceito de sus­
tentabilidade (a manutenção de um ecossis-
1 tema saudável, produtivo, com sua biodi­
~rsidade e processos ecológicos intactos, 
que gere emprego e renda compatíveis ao 
ecossistema explorado, garantindo a vida 
com qualidade para as gerações presentes e 
futuras, sempre). 
Portanto, esses fatos sugerem que o 
planejamento e a implantação de sistemas 
de uso de água e o esgotamento sanitário 
envolvem uma complexidade de interesses e 
atores e que infelizmente não atingiu a uni­
versalidade desejada. 
Este capítulo visa discutir a situação 
do saneamento ambiental no Brasil, em 
particular sobre a oferta de água potável e o 
esgotamento sanitário na Região Metropo-
Llli'ana de São Paulo (RMSP), e contribuir 
fCom sugestões visando minimizar os im­
pactos negativos sobre o meio e a saúde hu­
mana. 
1 Os sistemas de 
abastecimento de água 
e de esgotamento sanitário 
A implantação de sistema de abastecimento 
de água e do sistema de esgotamento sanitá­
rio, em municípios e localidades urbanas e 
rurais, constitui-se em importantes ações 
1 de saneamento ambiental. O fornecimento 
Me;o amb;ente e sustentab;l;dade 49 1 
de água em quantidade e qualidade, neces­
sária aos diversos usos propostos pelo 
homem, há muito tempo é um dos grandes 
desafios dos administradores públicos. O 
acesso restrito não só constitui entrave ao 
crescimento económico, como gera desi­
gualdades e se torna barreira ao rápido pro­
gresso (PNUD, 2006). Da m esma forma, a 
não coleta e tratamento sistemático dos es­
gotos gerados e o seu contínuo e indiscri­
minado lançamento nos corpos de água 
também constituem entrave ao desenvolvi­
mento e à melhoria da saúde da população, 
comprometendo ações futuras. 
Há que se levar em consideração, que o 
planejamento e o investimento em abasteci­
mento de água e esgotamento sanitário, devi- 1 
do à abrangência de tais propostas, por si só é 
tarefa árdua. No presente momento, iniciati­
vas em saneamento básico se tornam parti­
cularmente desafiadoras para algumas regi­
ões, por exemplo, como nas regiões costeiras 
da Baixada Santista (Estado de São Paulo) e 
na costa catarinense (Estado de Santa Catari­
na), ambos no Brasil, com os grandes afluxos 
de turistas que ocorrem em feriados prolon­
gados, em festas de final de ano e no Carna­
val, trazendo transtorno de toda sorte tanto 
para a população local quanto aos próprios 
turistas, em particular incluindo restrições 
ao acesso à água e ampliando a geração de es­
goto e os problemas decorrentes do seu lan­
çamento sem tratamento. 
Saúde pública 
Há duas posturas, em alguns casos antagó­
nicas, sobre as verdadeiras causas associa­
das à mortalidade em geral e à infantil, em 
particular: os "modelos sociais" e os "mode­
los m édicos" (Simões, 2002). Os modelos 
sociais enfatizam o poder das variáveis so­
ciais na determinação da sobrevivência in­
fantil e a importância das mudanças estru­
turais na superação dos elevados índices de 
mortalidade, tais como o status ocupacio-
1 50 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) 
nal e o nível educacional da mã.e, a desigual­
dade na distribuição social e regional dos 
recursos, entre outros. Já os modelos m édi­
cos enfatizam o caráter fisiológico da doen­
ça e seu potencial de interrupção por inter­
médio de intervenções clínicas, tais como 
maior abrangência dos exames pré-natal. 
Também no contexto médico, a contamina­
ção do ambiente é uma das variáveis inter­
mediárias da mortalidade na infância. A 
água contaminada seria a porta de entrada 
de agentes infecciosos no organismo afe­
tando a qualidade de vida. Simões (2002) 
enfatiza ainda, que a nã.o disponibilidade de 
água e de esgoto adequado está associada a 
lEienores valores de esperança de vida ao 
~scer, independentem ente de renda fami­
liar. Segundo dados da Fundação Nacional 
de Saúde, para o período compreendido 
entre os anos de 1995 a 1999, 3,4 milhões de 
brasileiros foram internados em hospitais 
por doenças transmitidas pela água (Costa 
e Silva, 2007). Para Magnoni (2007), a falta 
de saneamento básico é a principal causa da 
mortalidade na infância por doenças para­
sitárias (dengue, malária, cólera, febre ama­
rela, teníase, cisticercose, esquistossomose, 
diarreia, etc.), e doenças infecciosas (hepa­
tite A, amebíase, [eptospirose, etc.), males 
que proliferam em áreas sem coleta e trata­
mento de esgoto, o que também é sugerido 
por Teixeira e Guilhermino (2006). Para 
Ghosh (2004), a falta de acesso à água e ao 
esgotamento sanitário são algumasdas 
principais causas do ciclo da pobreza. Os 
pobres nao sao contemplados por serem 
pobres e, por não terem acesso, continuam 
sendo pobres, refletindo a péssima qualida­
de de vida, com mais enfermidades, menos 
educação para seus filhos e vivendo em 
condições anti-higiênicas e ambientalmen­
te degradantes. Segundo a UNESCO (2003 ), 
o simples ato de lavar as mãos mefüoraria a 
saúde e aumentaria a taxa de sobrevivência 
de crianças, reduzindo a mortalidade rela­
cionada à diarreia, pneumonia e outras 
1 doenças contagiosas. 
Além do meio aquático veicular eleva­
do número de enfermidades, a quantidade 
insuficiente de água gera hábitos higiênicos 
insatisfatórios e doenças relacionadas à ina­
dequada higiene dos utensílios de cozinha, 
do corpo e do ambiente domiciliar. Outro 
mecanismo compreende a situação da água 
no ambiente físico, proporcionando condi­
ções propícias à vida e à reprodução de ve­
tores ou reservatórios de doenças, como 
exemplo a água é hábitat de larvas de mos­
quitos vetores de doenças, como o mosquito 
Aedes aegypti transmissor da dengue (Brasil, 
2006b). 
Oferecer água em quantidade e quali­
dade adequadas é condição sine qua non \ 
tanto para garantir m elhores condições de 
vida como para garantir a própria manu­
tenção da vida. Assim, visando contribuir 
para a melhoria das condições de vida e da 
saúde da população, deveriam ser empre­
endidos esforços tanto para melhorar os 
indicadores sociais, bem como para am­
pliar os serviços de saúde ofertados à po­
pulação. 
O saneamento no Brasil 
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamen­
to Básico 2000 (IBGE, 2000), quase todos 
os municípios brasileiros têm rede de abas­
tecimento de água. Em 2000, o serviço de 
abastecimento alcançou uma proporção de 
97,9% dos municípios do pais, enquanto 1 
em 1989 abrangia 95,9%. A pesquisa reve­
lou que 116 municípios brasileiros, ou 2% 
do total, nã.o têm abastecimento de água 
por rede geral; a maior parte deles situada 
nas regiões Norte e Nordeste. No que se re­
fere aos domicílios brasileiros, a cobertura é 
mais restrita, de 63,9%, e se caracteriza por 
um desequilíbrio regional. Na região Sudes­
te, a proporção de domicílios atendidos é de 
70,5%, nas regiões Norte e Nordeste, o ser­
viço alcança 44,3% e 52,9% dos domicílios, 
respectivamente. A abrangência do abaste- 1 
1 Meio ambiente e sustentabilidade s1 I 1-------------
cimento de água também varia de acordo 
com o tamanho populacional dos municí­
pios: quanto mais populosos forem, m aio­
res as proporções de domicílios abastecidos. 
Os m enores municípios apresentam maior 
deficiência nos serviços e apenas 46% dos 
domicílios situados em municípios com até 
20.000 habitantes contam com abasteci­
m ento de água po r rede geral. 
O esgotamento sanitário é o serviço 
de saneam ento básico com menor cobert u­
ra no Brasil (IBGE, 2000). Em 2000, dos 
5.507 municípios, 52,2% tinham esgota­
m ento sanitário, portanto, 2.630 (47,8%) 
municípios não eram atendidos por rede 
coletora, utilizando soluções alternativas 
1 (fossas sépticas e sumidouros, fossas secas, 
~as abertas e lançamentos em cursos 
d'água) . Em relação aos domicílios, a situa­
ção é mais crítica, apenas 33,5% são atendi­
dos por rede geral de esgoto, chegando ao 
nível mais baixo na região Norte (2,4%), se­
guidos da região nordeste (14,7%), Centro­
-Oeste (28,1 %), Sul (22,5%) e Sudeste 
(53,0%). Nos municípios, a desigualdade 
dos serviços prestados se repete: quanto 
maior a população do município, maior a 
proporção de domicílios com serviço de es­
goto. O Norte é a região com a maior pro­
porção de municípios sem coleta (92,9%), 
seguido do Centro-Oeste (82, l %), do Sul 
(61,l %), do Nordeste (57, l %) e do Sudeste 
(7,1 %). Nesses casos, os principais recepto-
I res do esgoto in natura não tratado são os 
os e mares. No Brasil, dos 52,2% municí-
1 pios que têm esgotamento sanitário, 32,0% 
têm serviço de coleta e 20,2% coletam e tra­
tam o esgoto. Em volume, no país, diaria­
mente, 14,5 milhões m3 de esgoto são coleta­
dos, sendo que 5,1 milhões m3 são tratados. 
O Sudeste é a região que tem a maior pro­
porção de municípios com esgoto coletado e 
tratado (33,l %), seguida do Sul (21,7%), 
Nordeste (13,3%), Centro-Oeste (12,3%) e 
Norte (3,6%). Cerca de l milhão de m3 de 
esgoto sã.o tratados diariam ente na Região 
1 Metropolitana de São Paulo (RMSP) (Brasil) 
( www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro 
de 2009). 
IBGE (2000) considerou que o muni­
cípio tivesse rede geral de distribuição de 
água quando este atendesse pelo menos um 
distrito, ou parte dele, independentem ente 
da extensã.o de rede, número de ligações ou 
de economias abastecidas. Relativo à rede 
coletora, considerou que tivesse rede cole­
tara quando atendesse pelo menos um dis­
trito, ou parte dele, independentem ente da 
extensã.o da rede, número de ligações ou de 
economias esgotadas. 
É relevante constatar que, além das es­
tatísticas relacionadas ao abastecimento de 
água e à coleta e tratamento dos esgotos 
apresentadas p. elo !GBE (2000) !BGE (2004), 1 
de um total de 5560 municípios brasileiros, 
existiam 1. 791 municípios sem órgão de 
meio ambiente na estrutura da prefeitura 
em 2002 e 1.607 municípios em 2004. Isso 
implica que, apesar do avanço, em 2004 
ainda havia muitos municípios sem estru­
tura formal em gestão ambiental, aí consi­
derados os que têm secretaria municipal -
exclusivamente tratando da gestão ambien­
tal ou dela cuidando de forma conjugada à 
outra área da administração do município 
- e os que possuem algum órgão de m eio 
ambiente na estrutura da prefeitura, ainda 
que subordinado à secretaria de outra área. 
Essa falta de preocupação local de ter na 
prefeitura setor responsável pelo m eio am­
biente, em parte reflete a carência de sanea-
1 
mente básico no Brasil. 
Também são preocupantes algumas 1 
constatações de Rezende e colaboradores 
(2007). Segundo esses pesquisadores, no 
Brasil, chefes de domicílios do sexo mascu­
lino, com idades superiores a 35 anos, de 
cor branca ou amarela, casados e com alta 
escolaridade, levam vantagem na cobertura 
de rede de abastecimento de água e de esgo­
tamento sanitário; essa vantagem é ainda 
maior se o domicílio possuir renda agrega­
da superior a cinco salários mínimos (para 
o ano de 2007, o salário mínimo foi de R$ I 
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l 52 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) 
380,00 - http:l lwww.portalbrasil.netlsala­
riominimo.htm, acessado em fevereiro de 
2009) e for habitado por até três moradores. 
No que diz respeito à cor, negros e pardos 
estã.o mais sujeitos à exclusã.o sanitária, por­
que sã.o, em média, mais pobres e menos es­
colarizados do que brancos e amarelos. 
Os sistemas de abastecimento de água 
de todo o conjunto de prestadores de servi­
ços participantes do Sistema Nacional de 
Informações sobre Saneamento - SNIS, do 
Ministério das Cidades (Brasil), que inclui 
4.516 municípios, para o ano de 2006 apre­
senta como 34,l milhões de ligações ativas, 
representando 443,l mil quilómetros de 
rede e um volume de 13,9 bilhões de m3 de 
água tratada (Brasil, 2006a). Com base na 
Pesquisa Naciúnal por Amostra de Domicí­
lios de 2006 (http:l lwww.ipea.gov.brlsitesl 
OOOl21pdf_releasel l 9SaneamentoeHabitacao. 
pdf, acessado em 12 de fevereiro de 2009), 
apesar do avanço ao acesso a serviços desa­
neamento enttre os anos de 200 l e 2006, 
34,5 milhões de pessoas nas áreas urbanas 
do Brasil estão desprovidas da coleta de es­
goto. 
O saneamento na Região 
Metropolitana de São Paulo 
Com base nas informações disponibilizadas 
pela SABESP - Companhia de Saneamento 
Básico do Estado de São Paulo (www.sa­
besp.com.br, acessada em fevereiro de 
12009), pode-se verificar que na RMSP há 
joito estações de tratamento de água (ETA) 
(Quadro 2.1). Essas ETAs em conjunto 
ofertam 67,8 m3/s de água potável para um 
total de 18,7 milhões de habitantes. Consi­
derando que cerca de 30% dessa água potá­
vel é perdida no trajeto até as residências 
(ISA, 2007), culminaem 47,46 m3 Is de água 
potável efetivamente ofertada. Consideran­
do ainda que, nos diversos usos residen­
ciais, cerca de 10m3 /s de água saem do siste-
1 ma, restam 37,46 m3/s descartados como 
água servida. Em contrapartida, as cinco es­
tações de tratamento de esgoto (fase líquida 
e sólida) (ETE) da RMSP, apresentam 18 
m3/s de vazão média de projeto como capa­
cidade máxima de tratamento de esgotos, 
mas atualmente operandú no tratamento 
de 11 m3 Is de esgoto (Quadro 2.2). Portan­
to, pode-se concluir que são lançados indis­
criminadamente nos corpos de água da 
RMSP por volta de 26,46 m3/s de águas ser­
vidas. Ou seja, sã.o descartados na forma de 
esgoto não tratado quase 71 o/o da água po­
tável que chega às residências da RMSP. 
Considerando que 18,7 milhões de habitan­
tes são contemplados com água tratada e 
que a população equivalente à quantidade 
de esgoto tratado seja de 8,44 milhões de li 
habitantes (Quadros 2.1 e 2.2), em popula­
ção equivalente, o esgoto lançado sem tra­
tamento representa 10 milhões de habitan­
tes, ou aproximadamente 53% dos habitan­
tes da RMSP. Esses fatos demonstram que o 
sistema de tratamento de esgoto da RMSP, 
trabalhando com a vazão máxima de proje­
to, ao m enos deve ser duplicado, unicamen­
te permitindo atender a atual demanda. 
Particularmente para a RMSP, a uni­
versalidade do serviço de coleta e t ratamen­
to de esgoto, em médio prazo, melhorará a 
qualidade das águas dos rios. Esse fato tam­
bém permitirá seguir com o empreendi­
mento idealizado pelo Engenheiro Asa 
Billings, a transposição das águas do rio Pi­
nheiros para a represa Billings, através da 
estação de recalque de Pedreira, passando 
suas água' posteriormente pelo Summit 1 
Control e seguindo para a represa Rio das 
Pedras. Dessa represa, construída no topo 
da escarpa da Serra do Mar, a água segue em 
desnível de cerca de 750m até a Usina Henry 
Boarden, em Cubatã.o. Na atualidade, essa 
usina hidrelétrica gera no horário de pico 
no máximo 150 MW, quando poderia inte­
grar a rede elétrica nacional produzindo 
continuamente na potência máxima de 880 
MW. Como benefício excepcional e com­
plementar da melhoria da qualidade da 1 
Adm
Pencil
Adm
Pencil
Meio ambiente e sustentabilidade 53
água, a ampliação na oferta de energia elé-
trica de uma instalação subutilizada gerará 
recurso financeiro que abaterá parte do in-
vestimento da ampliação da rede coletora e 
das novas e necessárias estações de trata-
mento de esgoto e de descarte de lodo.
O ambiente aquático – 
autodepuração e eutrofização
O emprego das massas de água como dilui-
doras de águas residuárias doméstica e in-
dustrial, isto é, o deliberado descarte de es-
QUADRO 2.1
Estação de tratamento de água (ETA) para abastecimento integrado na Região 
Metropolitana de São Paulo (RMSP), produção de água tratada e população atendida
POPULAÇÃO 
PRODUÇÃO ATENDIDA LOCAIS 
ETA (M3/S) (MILHÕES) ATENDIDOS
Alto Cotia 1 0,40 Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, 
Embu-Guaçu e Vargem Grande
Baixo Cotia 0,9 0,46 zona Oeste da RMSP (Barueri, Jandira 
e Itapevi)
Alto Tietê 10 3,10 zona leste da capital e Arujá, 
Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos 
e Suzano. Mauá, Santo André (parte), Mogi 
das Cruzes e Guarulhos (bairro dos 
Pimentas e Bonsucesso) abastecem suas 
regiões e compram água do Sistema 
Alto Tietê
Cantareira 33 8,10 zonas Norte, Central e parte das zonas 
Leste e Oeste da capital e os municípios de 
Franco da Rocha, Francisco Morato, 
Caieiras, Guarulhos (parte), Osasco, 
Carapicuíba, e parte de Barueri, Taboão da 
Serra, Santo André e São Caetano do Sul
Guarapiranga 14 3,80 zona sul e sudoeste da Capital
Ribeirão da Estiva 0,1 0,04 Rio Grande da Serra
Rio Claro 4 1,20 Sapopemba (parte), na Capital e parte de 
Ribeirão Pires, Mauá e Santo André
Rio Grande 4,8 1,60 Diadema, São Bernardo do Campo e 
parte de Santo André
Total 67,8 18,7(**)
* No site da Sabesp, há também outros números, de 65 mil litros de água por segundo e
** 18,6 milhões de habitantes atendidos.
Fonte: www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009.
Adm
Rectangle
54 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
goto bruto nos rios, é procedimento clássi-
co e amplamente utilizado em diversas 
partes do mundo. De fato, o ambiente aquá-
tico demonstra ter condições de receber e 
de decompor a matéria orgânica, mas car-
gas orgânicas acima de determinado nível 
causam alterações no ecossistema local e 
circunvizinho (Campos, 2000). Dependen-
do da carga orgânica lançada, o processo de 
autodepuração (o fenômeno da aparente 
capacidade de recuperação das condições 
anteriores à poluição – Schafer, 1984) é pre-
judicado, consequentemente, as condições 
ambientais não serão adequadas à reprodu-
ção e ao crescimento de organismos que de-
compõem a matéria orgânica (Campos, 
2000). Com isso, pode haver a degradação 
do ambiente. O lançamento de elevada 
carga de esgoto em um corpo de água, indi-
retamente consome oxigênio dissolvido, 
devido aos processos de estabilização da 
matéria orgânica realizados pelas bactérias 
decompositoras, que empregam o oxigênio 
disponível no meio líquido para a sua respi-
ração (von Sperling, 2005). Assim, após o 
ponto de lançamento do esgoto, há drástica 
redução do teor de oxigênio dissolvido. O 
decréscimo da concentração de oxigênio 
dissolvido tem diversas implicações do 
ponto de vista ambiental, constituindo-se, 
em um dos principais problemas de polui-
ção das águas em nosso meio. A degradação 
de material biodegradável é acompanhada 
pela rápida evolução do número de bacté-
rias, fungos, etc., no meio, provocando, em 
muitos casos, a morte de peixes, por exem-
plo, pela queda da concentração de oxigê-
nio até níveis muito baixos, geralmente in-
feriores a 2 mg/l (Campos, 2000). A favor da 
elevação da concentração de oxigênio em 
função da fotossíntese, têm-se a ação das 
algas, liberando oxigênio, e também a pró-
pria turbulência na superfície da água ace-
lerando a troca de oxigênio com a atmosfe-
ra. Como discutido em Campos (2000), 
após determinado percurso (ou tempo), as 
águas do rio recuperam melhores níveis de 
oxigênio, decorrente da predominância das 
ações favoráveis (algas e turbulência) sobre 
as desfavoráveis (degradação biológica), 
QUADRO 2.2
Estações de tratamento de esgoto (fase líquida e sólida) (ETE) da 
Região Metropolitana de São Paulo, vazão média de projeto (VMP), 
vazão atual (VA), população equivalente e corpo de água receptor.
 POPULAÇÃO CORPO 
 VMP VA EQUIVALENTE DE ÁGUA 
ETE (m3/s) (m3/s) (MILHÕES) RECEPTOR
ABC 3 1,3 1,4 Córrego dos Meninos
Barueri 9,5 7 4,4 Rio Tietê
Parque Novo Mundo 2,5 1,2 1,2 Rio Tietê
São Miguel 1,5 0,5 0,72 Rio Tietê
Suzano 1,5 1,0 0,72 Rio Tietê
Total 18 11 8,44 
Fonte: www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009.
Meio ambiente e sustentabilidade 55
quando já ocorreu a mineralização de gran-
de parte da matéria orgânica. Assim, com 
base no perfil da concentração de oxigênio 
dissolvido, pode-se dividir um rio em zonas 
de autodepuração (Branco, 1984): a) zona 
de degradação: locais de despejos orgâni-
cos, a DBO atinge concentração máxima 
devido ao processo de decomposição; b) 
zona de decomposição ativa: locais com 
águas escuras devido à atividade aeróbica e 
anaeróbica intensa realizada por organis-
mos bentônicos; c) zona de recuperação: a 
DBO ainda é baixa, mas a maior parte do 
material biodegradável foi consumido; as 
águas estão mais transparentes e ocorre um 
aumento gradual da oxigenação; d) zonas 
de águas limpas: a água foi totalmente recu-
perada e suas condições são semelhantes 
àquelas anteriores à poluição. Na prática, o 
trecho de rio necessário para ocorrer essa 
recuperação pode ser de algumas dezenas 
ou centenas de quilômetros que, somados 
aos inúmeros despejos de efluentes ao 
longo do trajeto das águas, potencializa os 
problemas decorrentes do excesso de maté-
ria orgânica. Além da presença de compos-
tos orgânicos biodegradáveis, há a possibili-
dade de contaminantes,como organismos 
patogênicos, metais pesados, agrotóxicos e 
compostos radioativos, por exemplo, com-
prometendo mais ainda a qualidade da 
água e seus usos potenciais. O simples fato 
de elevar a carga orgânica da massa de água, 
mediante o despejo de esgotos, também 
acarreta o aumento dos teores de nutrien-
tes, em especial do nitrogênio e do fósforo, 
provocando os efeitos nocivos do aporte ex-
cessivo de nutrientes, o processo de eutrofi-
zação.
O processo de eutrofização é um dos 
mais graves problemas associado à redução 
da qualidade das águas superficiais. A falta 
de ações e medidas concretas em curto 
prazo visando conter e reduzir a eutrofiza-
ção contribuirá para o agravamento da de-
terioração da qualidade das águas, particu-
larmente em regiões metropolitanas das 
grandes cidades (Pompêo et al., 2005), es-
tendido para os grandes centros da América 
Latina. A eutrofização não se resume ao en-
riquecimento por nitrogênio e fósforo. Par-
tindo-se de uma situação de baixa trofia 
(ultraoligotrófico) a elevados níveis de nu-
trientes (hipereutrófico), podem ocorrer 
inúmeras mudanças no corpo de água: au-
mento da biomassa dos produtores primá-
rios; diminuição na concentração de oxigê-
nio no hipolímnio; aumento da concentra-
ção de nutrientes; produção de odores; 
progressão de uma população de diatomá-
ceas para cianobactérias e clorofíceas; dimi-
nuição da penetração de luz; liberação de 
toxinas por cianobactérias; mudanças na 
produtividade, biomassa e composição de 
espécie; perda dos aspectos estéticos da 
água como cor e odor; problemas para os 
sistemas de tratamento da água como a fil-
tração; danos à saúde; alterações no pH e 
redução na concentração de CO2; aumento 
da mortandade e na composição de peixes 
no ecossistema (Henderson-Sellers e Mark-
land, 1987; Vezjak et al., 1998; Smith et al., 
1999 citado em Pompêo et al.).
Não só os rios, mas também os reserva-
tórios, por estarem associados aos usos pelo 
homem, como depositários dos eventos pre-
sentes e passados de sua bacia de drenagem, 
e com sua dinâmica, estrutura, funciona-
mento e caracterização, em parte, sob a in-
fluência externa (Calijuri e Oliveira, 2000; 
Henry, 1990), sofrem as influências perversas 
do processo de eutrofização, como observa-
do nos reservatórios Billings e Guarapiranga 
na RMSP (Brasil).
Não só os nutrientes e organismos pa-
togênicos são prejudiciais à saúde. Os con-
taminantes químicos da água potável, mui-
tas vezes considerados menos prioritários, 
pois seus efeitos adversos na saúde se asso-
ciam geralmente com exposições de longo 
prazo, quando comparados com os efeitos 
mais imediatos de contaminantes micro-
biais, podem causar problemas de saúde 
muito sérios (Thompson et al., 2007).
56 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
Na RMSP, os estratégicos reservató-
rios Billings e Guarapiranga, abastecem 
cerca de 5,4 milhões de pessoas. No presen-
te momento, a SABESP (Companhia de Sa-
neamento Básico do Estado de São Paulo) 
considera que o reservatório Paiva Castro 
(Sistema Cantareira), que abastece cerca de 
8,1 milhões de habitantes, apresenta ótima 
qualidade da água. Porém, caso não seja al-
terado o processo de uso e ocupação de suas 
áreas de captação, inevitavelmente o Siste-
ma Cantareira passará pelo mesmo proces-
so de degradação vivenciado pelos reserva-
tórios Guarapiranga e Billings. A aplicação 
de sulfato de cobre, como procedimento de 
controle do indesejável crescimento de 
algas potencialmente tóxicas, as cianobac-
térias, que já ocorre no reservatório Paiva 
Castro nos meses mais quentes do ano, de-
monstra o agravamento do processo de eu-
trofização no sistema Cantareira. A contí-
nua deterioração da qualidade da água 
desse importante manancial, a possibilida-
de de redução dos usos e o aumento no 
custo do tratamento da água bruta, causa-
ram incontáveis transtornos a todo proces-
so produtivo, à qualidade de vida da popu-
lação em geral e da população ribeirinha 
em particular, que tem nesse corpo de água 
importante fonte de emprego e renda. A 
responsabilidade pela manutenção do uso 
com qualidade desses mananciais e de seu 
entorno é do poder público constituído. No 
entanto, a sociedade, o cidadão consciente, 
a escola participativa, as associações de 
bairro e profissionais, entre outros grupos 
organizados, não podem permitir que o 
poder público aplique unicamente seus in-
teresses no controle dos usos desses manan-
ciais. Segundo a Constituição Federal do 
Brasil (CF, 1988, Art. 225), todos têm direi-
to ao meio ambiente ecologicamente equili-
brado, bem de uso comum do povo e essen-
cial à sadia qualidade de vida, impondo-se 
ao poder público e à coletividade o dever de 
defendê-lo e preservá-lo para as gerações 
presentes e as futuras. Assim, também é 
dever do cidadão, e não cabe unicamente à 
SABESP, à Empresa Metropolitana de Águas 
e Energia S.A. (EMAE), à Companhia de 
Tecnologia de Saneamento Ambiental (CE-
TESB) e às secretarias estaduais e munici-
pais de meio ambiente e de saneamento, no 
caso da RMSP, a responsabilidade pelo ge-
renciamento, monitoramento, fiscalização e 
manejo das massas de água. A participação 
ativa da sociedade, fiscalizando, sugerindo, 
monitorando e cobrando transparência nas 
ações do poder público é fundamental para 
garantir usos mais nobres dos espaços e 
seus produtos, em particular dos ambientes 
aquáticos, garantindo água em quantidade 
e de melhor qualidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O sistema de gerenciamento de serviços pú-
blicos de saneamento é formado pelo con-
junto de agentes institucionais, governa-
mentais e entidades privadas, que têm o ob-
jetivo de executar a política de saneamento, 
tendo como principal instrumento o plano 
de saneamento (Moraes, 1997 citado em 
Brasil, 2004). Para esse autor, a gestão dos 
serviços de saneamento deve estar respalda-
da em uma política de saneamento, na qual 
estejam explicitadas a diretriz geral, o mo-
delo de gerenciamento, a organização legal e 
institucional e o sistema de gerenciamento 
que reúna os instrumentos para o planeja-
mento, a execução, a operação e a avaliação 
das obras e serviços de saneamento, segun-
do princípios de uma política pública de sa-
neamento. Considera também que as ações 
governamentais estão refletidas em leis, de-
cretos, normas e regulamentos vigentes.
Moraes (2004) ressalta a importância 
de se manter a população como usuária dos 
recursos hídricos e não consumidora de 
uma mercadoria. Comenta que na iniciati-
va privada o objetivo é a lucratividade, o 
que não garante o abastecimento igualitário 
para a população de baixa renda.
Adm
Pencil
É óbvio que os serviços de saneamen­
to básico existem para satisfazer as necessi­
dades vitais dos moradores das cidades, es­
tados ou países (Yassuda e Iuni, 2000). Por­
tanto, o saneamento deve ser assumido 
como um direito humano essencial próprio 
da conquista da cidadania, contrapondo-se 
à visão do saneamentto como um bem de 
m ercado, sujeito às suas regras. As políticas 
públicas de saneamento devem se nortear 
por princípios, relacionados aos seus fins, à 
universalidade, à equidade, à integralidade, 
à qualidade, ao acesso e à sustentabilidade 
ambiental (Heller e Castro, 2007). No en­
tanto, para os usuários nã.o importa se a 
gestão é municipal ou estadual, se é pública 
lou até m esmo se há participação da iniciati-
1 va privada; interessa, sim, se essa gestão 
possibilita água com qualidade, quantidade 
e universalidade. Importa, sim, se essa ges­
tã.o possibilita que seu esgoto seja coletado, 
afastado e tratado, garantindo saúde am­
biental e humana. Importa também, e prin­
cipalmente, se essa gestão oferece serviços 
capazes de atender às necessidades básicas 
da comunidade, em forma sustentável e de 
modo a impulsionar o processo de desen­
volvimento económico-social (Orega e Phi­
lippi Jr., 2005) para todos. O atendimento a 
esses pontos somente é possível se os servi­
ços de abastecimento de água e de esgota­
m ento sanitário não forem pautados pelolucro, se geridos por entidade pública e com 
transparência. Os desembolsos financeiros 
devem ser entendidos como investimento e 
1 nunca como desp esa. 
1 Devemos ainda levar em consideração 
o espaço como definido por Santos (2008) 
("espaçotemporal" ), o que implica que as 
ações relacionadas ao abastecimento de 
água e esgotamento sanitário devam sem­
pre ser revistas e ter sua tecnologia atualiza­
da, para atender às novas demandas e in­
corporar os novos conhecimentos à luz da 
ciência. Portanto, são necessárias revisões e 
ações continuadas, o que implica necessário 
1 planejamento. 
Meio ambiente e sustentabilidade s7l 
Apenas com políticas públicas efica­
zes, voltadas ao bem público, com sólidos 
programas de educação ambiental e com a 
participação ativa da sociedade em fóruns 
de discussões e decisões, será possível atin­
gir m etas de m elhoria da qualidade de vida 
e restaurar a qualidadle das águas dos rios 
Tietê, Pinheiros e represas Billings e Guara­
piranga e preservar a qualidade da água do 
reservatório Paiva Castro, em processo de 
eutrofização, no caso da RMSP. É impres­
cindível que o poder público aplique os ins­
trumentos legais disponíveis e que a conti­
nuidade de projetos e ações de melhoria do 
meio ambiente seja garantida (Kakinami et 
al., 2004, citado em Pompêo et al., 2005). 
Deve-se levar em consideração o efeti- 1 
vo controle dos usos e ocupações dos espa- 1 
ços na bacia de captação. Os usos vigentes e 
propostos devem evitar a degradação da 
qualidade da água para o abastecimento 
público. 
A falta de água para abastecimento 
público, a inadequação do planejamento e a 
restrita implantação do sistema de esgota­
mento sanitário contribuem para a rápida 
deterioração da qualidade de água nos ma­
nanciais e ampliam os custos de tratamento 
da água bruta, além de agravarem os inú­
meros problemas de saúde pública. Há ten­
dência dos políticos e de muitos técnicos de 
atender prioritariamente a demanda por 
água potável e restrita preocupação em co­
letar e tratar todo esgoto gerado. A popula­
ção, em contrapartida, mobiliza-se princi­
palmente para exigir água potável, mas se 1 
esquece do complemento, a água servid~ 
em grande pairte lançada como esgoto in 
natura nos corpos de água mais próximos. 
As estatísticas nacionais corroboram essas 
afirmações. 
Deve haver equacionamento entre a 
oferta de água potável à população e a cole­
ta e o tratamento de esgoto e do lodo gera­
do. Isto é, todos os habitantes deveriam ter 
água em quantidade e qualidade necessá­
rias, quantidade estimada pela ONU em 1 
l ss Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) 
110 litros/dia e, posterior ao uso, toda água 
servida deveria obrigatoriamente ser cole­
tada e tratada, adequando o efluente aos pa­
drões de lançamento, garantindo manan­
ciais mais saudáveis e, consequentemente, 
melhor qualidade de vida em todos os ní­
veis. No entanto, há claro descompasso po­
lítico na relação quantidade/qualidade de 
água potável e de água servida, não sendo 
compreendida pelos governantes e muitos 
de seus técnicos como um sistema único e 
integrado, que deve ser planejado e implan­
tado de forma conjunta, compondo uma 
única política pública de saneamento. É 
senso comum no Brasil a frase "obra enter­
rada nã.o ganha voto", referindo-se ao siste-
~a coletor de esgotos. Por princípio, o em­
jPfego dos corpos de água como diluidor de 
esgoto in natura, inclusive o uso de emissá­
rios submarinos, deveria ser abolido. 
As discussões das inúmeras questões 
relacionadas à implantação do saneamento 
básico, em particular no Brasil, dizem res­
peito principalmente aos aspectos políticos 
e não técnicos. É possível coletar e tratar 
água bruta através de diversos procedimen­
tos (Di Bernardo e Di Bernardo Dantas, 
1993) e há inúmeras maneiras de tratar o 
esgoto, desde as tradicionais lagoas de esta­
bilização e lodo ativado, passando por mé­
todos alternativos como as terras úmidas 
construídas (os constructed wetlands) ou 
leito de macrófitas aquáticas ( von Sperling, 
1996; EPA, 2000a, 2000b; Sousa et al., 2004). 
Portanto, atualmente existem as competên­
cias necessárias para solucionar os diversos 
aspectos da crise da gestão de recursos hí­
dricos, porém, a inércia dos líderes e a au­
sência de clara consciência sobre a magni­
tude do problema por parte da população, 
muitas vezes não suficientemente autóno­
ma para raciocinar, resulta em um vazio de 
medidas corretivas, necessárias e urgentes 
(UNESCO, 2003). As perspectivas futuras 
1 sã.o desanimadoras. 
O uso da água deve ser respaldado 
por estudos multidisciplinares, incluindo 
propostas de d escarte da água servida, com 
sugestões de cenários futuros, com deci­
sões tomadas em fórum de discussã.o que 
envolva representantes de todos os setores 
interessados. A universalidade do sanea­
mento ambiental, com abast ecimento pú­
blico mínimo de água com qualidade, e de 
total coleta e tratamento dos esgotos gera­
dos, devem ser posições basilares, incorpo­
rando sua aplicação "espaçotemporal". 
Os sistemas de abastecimento de água 
devem ser dimensionados para atender às 
necessidades de água da região beneficiada. 
É importante que as projeções das necessi­
dades e as disponibilidades dos recursos hí­
dricos, em função do aquecimento da eco­
nomia e do crescimento demográfico, sejam 
calculadas com antecipação. Os sistemas 
devem ser planejados, arquitetados e cons­
truídos, para funcionarem durante muito 
tempo sem riscos de deterioração. Apesar 
disso, as atividades de monitoramento do 
sistema, buscando detectar, no mais curto 
espaço de tempo, possíveis problemas ou 
defeitos, são de importância capital, para 
garantir a retroalimentação sistêmica, rela­
cionada com as atividades de manutenção 
(Brasil, 2003). 
Resolver a crise da água, porém, é ape­
nas um dos desafios que enfrenta a humani­
dade. A crise da água se situa em uma pers­
pectiva mais ampla de solução de problemas 
e resolução de conflitos. Tal como indicou a 
Commission for Sustainable Development 
em 2002, erradicar a pobreza, modificar os 
padrões de produção e consumo insustentá­
veis e proteger e administrar os recursos na­
turais do desenvolvimento social e econó­
mico constituem objetivos primordiais e a 
exigência essencial de um desenvolvimento 
sustentável (UNESCO, 2003). 
Há também necessidade de leis mais 
sólidas e claras, com definições de sanções 1 
Í Me;o amb;ente e sustentab;l;dade 591 1--------
quando do seu não cumprimento. Nã.o é 
conveniente pensar o saneamento com base 
no lucro financeiro. O maior lucro é manter 
os serviços e potencialidades do meio am­
biente por tempo indefinido. 
Sendo urgente despender esforços 
para equacionar questões relativas à manu­
tenção da qualidade e quantidade da água 
dos mananciais e visando minimizar os 
problemas relacionados ao abastecimento 
público e esgotamento sanitário nos gran­
des centros urbanos e garantir mananciais 
mais saudáveis para gerações futuras, são 
propostas: 
~nenhuma entidade federal, estadual, mu­
nicipal ou privada poderá captar qualquer 
quantidade de água bruta sem a aprova­
ção prévia dos órgãos competentes; 
b) toda entidade federal, estadual, munici­
pal ou privada terá o prazo máximo de 
cinco anos para regularizar e cadastrar 
seu sistema de captação de água bruta 
em operaçã.o, atendendo normas estabe­
lecidas pelas diferentes esferas de gover­
no, no caso de descumprimento ficará 
definido multa diária; 
c) definir em lei a quantidade máxima de 
água bruta que poderá ser captada, com 
base na quantidade - vazão e carga reti­
radas, levando em consideração a vazã.o 
e carga do manancial (rio) e a recarga de 
lagos e reservatórios, discriminando res-
1 ponsabilidades e sansões quando do seu 
descumprimento; 
d) o não cumprimento das normativas 
apresentadas nos itens anteriores impli­
cará não ter analisadas novas solicita­
ções de captação até a regularizaçã.o da 
atual situação; 
e) a obrigatoriedade definida em lei que 
para cada metro cúbico de águapotável 
l ofertada à população sejam definidos 
em projeto a respectiva coleta e trata­
m ento da água servida. A oferta de água 
potável e a coleta e o tratamento do es­
goto gerado devem ser entendidos como 
um sistema único, integrado e indissoci­
ável, implicando que sejam considera­
dos conjuntamente no planejamento, na 
implantação e na solicitação de recur­
sos, com pena de não ter aprovada a 
proposta de captação de água bruta; 
f) definir em lei o limite máximo de l 0% 
para a fuga de água, implicando multas 
e sanções quando do seu não cumpri­
mento; para tanto será obrigatória a im­
plantação de sólido programa de moni­
toramento de perdas e controle da água 
1 
ofertada; 
g) a obrigatoriedade definida em lei para 
que, no prazo máximo de dez anos, todo 
esgoto gerado seja efetivamente coleta­
do e tratado (descarte zero), definindo 
graves sanções às diferentes esferas de 
governo e seus dirigentes quando da não 
observância da lei; 
h) empreendimentos já instalados têm o 
prazo de dez anos para se integrarem à 
rede coletora de esgotos, após esse prazo 
serão integrados compulsoriamente, ar­
cando com os custos de instalação so­
mados às despesas de multas e custos 
processuais; 
i) definir em lei que novos empreendi­
mentos somente serã.o aprovados para 
uso após serem definitivamente integra- I 
dos à rede coletora de esgoto; 
j) definir em lei prazos para a instalação de 1 
sistemas de tratamento e descarte de lodo, 
provenientes das ETAs e ETEs, com defini­
ções de responsabilidades, sanções e mul­
tas quando do seu não cumprimento; 
k) definir em lei que novos empreendi­
mentos (condomínios, museus, clubes, 
estádios, escolas, shopping centers, par­
ques temáticos, indústrias, hospitais, 
hotéis, motéis, restaurantes, casas de es­
petáculos e de exposições e outros esta­
belecim entos comerciais e empreendi- 1 
1 60 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) 
mentos de grande porte público e priva­
do, com base na área física instalada e no 
número de pessoas atendidas) implan­
tem sistema de reuso de água, compra­
zos de instalação e projetos aprovados 
por órgãos competentes; 
1) definir que esses mesmos empreendi­
mentos também implantem sistema de 
captação de água de chuva, com prazos 
de instalação e projetos aprovados por 
órgãos competentes; 
m) definir em lei o prazo de dez anos para que 
empreendimentos já instalados (ver item 
k) implantem sistema de captação de água 
de chuva, com prazos de instalação e pro­
jetos aprovados por órgãos competentes; 
n) cobrar de modo diferenciado e escalo­
nado, segundo o consumo de água -
quanto mais consome mais paga, garan­
tindo uma tarifa social mínima de ao 
menos 11 O litros/habitante/ dia; 
o) instalar medidores de consumo de água 
individuais - em caida casa um medidor 
de consumo; 
p) empreender esforços visando ampliar o 
controle e a vigilância da qualidade da 
água pelos órgãos responsáveis pelo 
abastecimento e por órgãos de saúde 
pública, da água bruta à torneira para o 
L consumidor final; 
q) implantar sólidos programas de contro­
le de perdas; 
r) empreender esforços em todos os níveis 
com campanhas educacionais sobre a im­
portância da água, seu uso racional, apre­
servação de sua qualidade e quantidade; 
s) empreender esforços em campanhas edu­
cacionais relacionadas à saúde pública, re­
forçando a importância de hábitos sim­
ples como lavar as mãos com sabão após 
usar o banheiro e antes das refeições; 
t ) estabelecer que esta.do e prefeitura obri­
gatoriamente implantem secretaria de 
meio ambiente e de saneamento; 
u) definir que toda secretaria de m eio am­
biente e de saneamento (federal, esta-
duais e municipais) deva manter site atua­
lizado com as ações empreendidas e 
metas para o sistema de abastecimento 
de água e esgotamento sanitário. 
AGRADECIMENTOS 
Agradeço à Profa. Dra. Sandra Tédde San­
taella (Universidade Federal do Ceará, Ins­
tituto de Ciências do Mar, Fortaleza, Ceará, 
Brasil) pela leitura crítica do manuscrito e a 
Fapesp (02/13376-4 e 06/5 1705-0) e CNPq 
(471184/2006-3 e 470443/2008-1). _J 
níveis de trofia e ao mesmo tempo simplificar a co­
municação aos tomadores de decisão e a popula­
ção, neste caso incluindo o emprego de diferentes 
cores para cada classificação do estado trófico, 
como proposto. 
O IET adotado neste exercício será o clássico 
índice introduzido por Carlson (1977) e modificado 
por Lamparelli (2004), atualmente utilizado pela 
CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamen­
to Ambiental) na avaliação da qualidade das águas 
superficiais do Estado de São Paulo. Este índice 
utiliza seis categorias de estado trófico (Tabelas 2.1 
e 2.2) em função dos valores obtidos para as variá­
veis clorofila-a e fósforo total. Além disso, pro­
põem uma cor característica para cada estado tró­
fico. O valor da transparência da água não será 
empregado já que muitas vezes não é representa­
tivo do estado de trofia, pois o IET com base no 
disco de Secchi pode ser afetado pela elevada tur­
bidez decorrente de material mineral em suspen­
são. Elevados teores da fração inorgânica na água 
contribui na redução da penetração da luz, medida 
pelo disco de Secchi, mas não correspondente aos 
teores de nutrientes dissolvidos, em particular o 
fósforo, e da concentração de clorofila-a medida. 
Este fato permite que o IET calculado seja superes­
timado e em consequência disso também a classi­
ficação do estado trófico. 
No IET, os resultados correspondentes ao fósfo­
ro total (IETCPn), devem ser entendidos como uma 
medida do potencial de eutrofização, já que o fósfo­
ro atua como o agente causador do processo. A 
avaliação correspondente à clorofil~ (IET(CL)), por 
1TABELA2.1 
Meio ambiente e sustentabilidade • 
sua vez, deve ser considerada como uma medida da 
resposta do corpo hídrico ao agente causador, indi­
cando de forma adequada o nível de crescimento 
de algas que tem lugar em suas águas (CETESB, 
2006). Assim, o índice médio engloba, de forma sa­
tisfatória, a causa e o efeito do processo. 
Deve-se ter em conta que em um dado corpo 
hídrico com o processo de eutrofização plenamen­
te estabelecido, é de se esperar que o estado tró­
fico determinado pelo índice da clorofila-a coinci­
da com o estado trófico determinado pelo índice 
do fósforo (Lamparelli, 2004). Já nos corpos hídri­
cos em que o processo esteja limitado por fatores 
ambientais, como a temperatura da água ou a 
baixa transparência, o índice relativo à clorofila-a 
refletirá esse fato, classificando o estado trófico 
em um nível inferior àquele determinado pelo índi­
ce do fósforo. Isto é, caso cesse a ação desses fa­
tores ambientais seria de se esperar que ocorresse 
e levação na concentração de clorofila-a correspon­
dente aos teores de fósforo e, em consequência 
disso, melhor correspondência do IET(PT) e IET(CL). 
Além disso, outro fator que pode interferir no cál­
culo do IET(CL) é a aplicação de algicidas. O uso 
de algicidas (sulfato de cobre e peróxido de hidro­
gênio, comumente empregados nas represas da 
Região Metropolitana de São Paulo) tem por obje­
tivo conter o crescimento de algas, principalmente 
cianobactérias potencialmente tóxicas. Como con­
sequência, apesar do potencial de crescimento 
algal decorrente de elevados teores de nutrientes, 
em especial o fósforo, artificialmente são mantidas 
baixas concentrações de clorofila-a decorrente do 
Classificação do estado trófico segundo Lamparelli (2004), com base 
no Índice do Estado Trófico (IEn e sua respectiva representação cromática. 
CATEGORIA 
ESTADO TRÓFICO PONDERAÇÃO 
Ultraoligotrófico IET ~ 47 
Oligotrófico 47 < IET ~ 52 
Mesotrófico 52 < IET :::; 59 
Eutrófico 59 < IET ~ 63 
Supertrófico 63 < IET :s; 67 
1 
Hipereutrófico IET > 67 
162 Rosa, Fraceto e Mosch ini-Carlos (Orgs.) 1 -----------d 
- --
TABELA 2.2 
Classificação do e stado trófico segundo Lamparell i (2004), 
com base no Índice do Estad o Trófico (IET) 
ESTADO TRÓFICO ESPECIFICAÇÃO 
Ultraoligotrófico Corpos de água limpos, de produtividademuito baixa e concentrações 
insignificantes de nutrientes que não acarretam prejuízos aos usos da 
água. 
Oligot rtófico Corpos de água limpos, de baixa produtividade, em que não ocorrem 
interferências indesejáveis sobre os usos da água, decorrentes da pre-
sença de nutrientes. 
Mesot rófico Corpos de água com produtividade intermediária, com possíveis implica-
ções sobre a qualidade da água, mas em níveis aceitáveis, na maioria dos 
casos. 
Eutrófico Corpos de água com alta produtividade em relação às condições natu-
rais, com redução da transparência, em geral afetados por atividades 
antrópicas, nos quais ocorrem alterações indesejáveis na qual idade da 
água decorrentes do aumento da concentração de nutrientes e interfe-
,.... rências nos seus múltiplos usos. 
Supereut rófico Corpos de água com alta produtividade em relação às condições natu-
rais, de baixa transparência, em geral afetados por atividades antrópi-
cas, nos quais ocorrem com frequência alterações indesejáveis na quali-
dade da água, como a ocorrência de episódios de flo rações de algas e 
interferências nos seus múltiplos usos. 
Hipe re utrófico Corpos de água afetados sig nificativamente pelas elevadas concentra-
ções de matéria orgânica e nutrientes, com comprometimento acentu-
ado nos seus usos, associado a episódios de florações de algas ou mor-
tandades de peixes, com consequências indesejáveis para seus múltiplos 
usos, inclusive sobre as atividades pecuárias nas regiões ribeirinhas. 
uso do algicida resultando em uma redução tam­
bém artificial do IET(CL). 
mento (Cardoso da Silva, 2008; Mariani e Pompêo, 
2008; Padial, 2008; Meirinho, 2010), às vezes refle­
tindo em diferentes níveis de trofia nos respectivos 
compartimentos. Assim, com base em uma prová­
vel heterogeneidade espacial e temporal, a deter­
minação do grau de eutrofização médio anual de 
um corpo hídrico pode não representar claramente 
as variações que ocorreram ao longo do período 
anual ou mesmo em dada porção do reservatório. 
Dessa forma, é importante também apresentar os 
resultados mensais para cada estação de coleta. 
Em virtude da variabilidade sazonal dos pro­
cessos ambientais que têm influência sobre o grau 
de eutrofização de um corpo hídrico, esse proces­
so pode apresentar variações no decorrer do ano, 
havendo épocas em que se desenvolve de forma 
mais intensa e outras em que pode ser mais limita­
do. Em geral, no início da primavera, com o au­
mento da temperatura da água, maior disponibili­
dade de nutrientes e condições propícias de pene­
tração de luz na água, é comum ocorrer um 
incremento do processo, após o período de inver­
no, em que ele se mostrava menos intenso. Além 
disso, é comum observar reservatórios comparti­
mentados horizontalmente. Isto é, podem ser ob­
servadas zonas no reservatório com distintas carac­
terísticas físicas, químicas e biológicas, observadas 
não só na massa de água, mas também no sedi-
As considerações apresentadas acima sugerem 
que apesar do uso quase universal do IET, ele é um 
mero índice e seu valor deve ser relativizado. O 
mais conveniente é utilizá-lo em conjunto com as 
demais variáveis analisadas e incorporando o 
amplo conhecimento do ambiente em estudo e 
seu entorno. No entanto, é bem adequado para 
comparar diferentes massas de água e, baseado 
1 Meio ambiente e sustentabilidade 63 1 b ------------
em série histórica de dados, avaliar alterações nos 
níveis de trofia. 
O cálculo do Índice do Estado Trófico (IEl) 
Através de método estatístico baseado em regres­
são linear, visando o cálculo do IET, Lamparelli 
(2004) alterou as expressões originais propostas 
em Carlson (1977). Esse procedimento permitiu 
adequar as equações aos ambientes subtropicais, 
discriminando rios e reservatórios. Para uso exclu­
sivo em reservatórios as equações propostas por 
Lamparelli (2004) são as seguintes: 
IET(PT) = 1 O x { 6 - [ (1,77 - 0,42 x (ln PT))/ ln 2 ] }; 
IET(CL) = 10 x { 6-[ (0,92- 0,34 x (ln CL)) /ln 2] }; 
onde: 
PT = concentração de fósforo total medida à super­
fície da água, em µg.L-1; 
CL =concentração de clorofila-a medida à superfí­
cie da água, em µg.L-1; 
ln = logaritmo natural. 
TABELA 2.3 
Quando ambas as variáveis são levantadas para 
uma mesma estação de coleta, Lamparelli (2004) re­
comenda que o resultado apresentado nas tabelas 
do IET seja a média aritmética simples dos índices 
relativos ao fósforo total e a clorofila-a, como segue: 
IET = [ IET(PT) + IET(CL) ] / 2 
Na eventualidade da inexistência de dados de 
concentração de fósforo total ou mesmo de cloro­
fila-a, o índice será calculado com o parâmetro dis­
ponível e considerado equivalente ao IET pondera­
do, devendo apenas constar uma observação junto 
ao resultado, informando qual dos parâmetros foi 
utilizado. 
Exercício proposto 
Abaixo são apresentados valores de concentrações 
de fósforo total (PT) e clorofila-a (CL) para três reser­
vatórios localizados na região metropolitana de São 
Paulo (Tabela 2.3). Através dos dados apresentados: 
a) Calcular o Índice do Estado Trófico de Carlson 
modificado por Lamparelli (2004); 
Concentrações de fósforo total (PT) e clorofila-a (CL) 
para t rês reservatórios da reg ião metropolitana de São Paulo 
PT CL 
LOCAIS µg.L-1 µg.L:-1 
reservatório Rio das Pedras <1> 
março 2004 * 11,6 
outubro 2004 * 17,2 
reservatório Billings - braço Rio Grande (2) 
fevereiro 2007 40,1 5,6 
iulho 2007 36.6 47 
reservatório Billings - braço Taquacetuba C2l 
fevereiro 2007 54,6 33,2 
julho 2007 402,2 867,0 
reservatório Guarapiranga <3> ** 
setembro 2006 24,2 5,2 
abril 2007 25,9 12,9 
1 Padial e colaboradores (2009), 
2 Moschini-Carlos e colaboradores {2010). 
3 Cardoso da Silva (2008), . abaixo do limite de detecção do método -1 O µg.L-1. 
tt valores médios. 
1 64~~~R_o_s_a_, _F_ra_c_e_to~e_M~o_s_c_hi_n_i-_C_a_rl_o_s_(_O_r=g_s._) ~~~~~~~~~~~~~~~~J 
b) Definir a respectiva categoria para cada reser­
vatório e período (estado trófico); 
c) Discutir os IETs obtidos para cada reservatório, 
em relação à sazonalidade; 
d) Comparar os reservatórios quanto ao IET; 
e) Discutir os resultados utilizando o IET para PT, 
CL e médio. Há diferenças, por quê? 
Observações 
O Complexo Billings e o Sistema Guarapiranga são 
reservatórios urbanos eutrofizados que tem impor­
tância estratégica para a cidade de São Paulo e as 
cidades do ABCD paulista, pois suas águas entre 
outras finalidades, são utilizadas para o abasteci­
mento público. O Sistema Rio Grande (Complexo 
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ln: CATELLANO, E. G.; CHAUDHRY, F. H. (Org.). 
Billings) produz 4,7 mil litros de água por segundo 
e abastece 1,6 milhões de pessoas em Diadema, 
São Bernardo e parte de Santo André. O Sistema 
Guarapiranga produz 14 mil litros de água por se­
gundo e abastece 3,8 milhões de pessoas da zona 
sul e sudoeste da capital. Já o reservatório Rio das 
Pedras recebe águas da represa Billings. Essa água 
posteriormente desce a escarpa da Serra do Mar 
produzindo energia elétrica na Usina Henry Boar­
den e posteriormente parte das águas é captada 
pela SABESP (Companhia de Saneamento Básico 
do Estado de São Paulo), tratada e ofertada à po­
pulação da Baixada Santista. Nas Referências e Lei­
tura complementar podem ser obtidas outras in­
formações sobre esses reservatórios e sobre o pro­
cesso de eutrofização. 
Desenvolvimento sustentado: problemas e estratégias. São 1 
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