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3
Reitor
Prof. Me. Stefano Barra Gazzola
Gestão da Educação a Distância
Prof. Me. Wanderson Gomes de Souza
Design Instrucional e Diagramação
Isabella de Menezes
Revisão Ortográfica / Gramatical
Olga Tereza Prado Martins
4
Thiago Luís Nogueira Silva
Graduado em Engenharia Mecânica, especialista em Gestão Estratégica e
Inteligência em Negócios. Professor da Instituição ministrando aulas nas
disciplinas de Mecânica, Resistência dos Materiais, Metrologia,
Transferência de Calor I e II, Máquinas Térmicas e Instrumentos e Sistemas
de Medida. Atua também como Assessor Administrativo do Grupo UNIS.
.
http://lattes.cnpq.br/6468652777956930
http://lattes.cnpq.br/6468652777956930
5
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SILVA, Thiago Luís Nogueira. Guia de Estudo – Mecânica: GEaD-
UNIS/MG, 2016.
205 p.
1. Mecânica Geral. 2. Estática. 3. Vetores. 4. Máquinas. 5. Estruturas
Mecânica
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EMENTA DA DISCIPLINA _________________________________________________________ 11
ORIENTAÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA ______________________________________________ 11
PALAVRAS-CHAVE ______________________________________________________________ 11
UNIDADE I – INTRODUÇÃO À ESTÁTICA _____________________________________________ 12
OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 12
INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 12
1. DESENVOLVIMENTO _________________________________________________________ 13
1.1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS _________________________________________________ 13
1.2. MODELAGEM ___________________________________________________________ 14
1.3. FORÇA CONCENTRADA _____________________________________________________ 15
1.4. AS TRÊS LEIS DO MOVIMENTO DE NEWTON_______________________________________ 16
1.4.1. LEI DE NEWTON DA ATRAÇÃO GRAVITACIONAL __________________________________ 17
1.5. UNIDADES DE MEDIDA _____________________________________________________ 19
1.6. CÁLCULOS NUMÉRICOS _____________________________________________________ 21
RESUMINDO ___________________________________________________________________ 24
UNIDADE II – VETORES DE FORÇA _________________________________________________ 25
OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 25
INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 25
2. ESCALARES E VETORES ________________________________________________________ 26
2.1. OPERAÇÕES VETORIAIS _____________________________________________________ 27
2.2. ADIÇÃO VETORIAL DE FORÇAS ________________________________________________ 30
2.3. EXEMPLOS RESOLVIDOS ____________________________________________________ 34
2.4. ADIÇÕES DE UM SISTEMA DE FORÇAS COPLANARES __________________________________ 40
2.5. VETORES CARTESIANOS _____________________________________________________ 50
2.6. ADIÇÃO DE VETORES CARTESIANOS _____________________________________________ 56
2.7. VETORES POSIÇÃO ________________________________________________________ 60
RESUMINDO ___________________________________________________________________ 66
UNIDADE III – EQUILÍBRIO DE UMA PARTÍCULA ______________________________________ 67
OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 67
INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 67
3. CONDIÇÃO DE EQUILÍBRIO DE UMA PARTÍCULA _______________________________________ 68
3.1. O DIAGRAMA DE CORPO LIVRE ________________________________________________ 68
3.2. SISTEMAS DE FORÇAS COPLANARES _____________________________________________ 73
file://///linguado/pubgead/D.E/Projeto%20de%20DP's/1.%20Disciplinas/1.%202017-01/Mecânica/Guia%20de%20estudos/Mecânica.docx%23_Toc477786903
file://///linguado/pubgead/D.E/Projeto%20de%20DP's/1.%20Disciplinas/1.%202017-01/Mecânica/Guia%20de%20estudos/Mecânica.docx%23_Toc477786918
7
3.3. SISTEMAS DE FORÇAS TRIDIMENSIONAIS _________________________________________ 79
RESUMINDO ___________________________________________________________________ 85
3.4. DIRETRIZES PARA A PRÓXIMA UNIDADE __________________________________________ 85
UNIDADE IV – RESULTADO DE UM SISTEMA DE FORÇAS_______________________________ 86
OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 86
INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 86
4. PRODUTO VETORIAL _________________________________________________________ 90
4.1. MOMENTO DE UMA FORÇA – FORMULAÇÃO VETORIAL _______________________________ 94
REFERENCIAIS PARA A PRÓXIMA UNIDADE ______________________________________________ 106
UNIDADE V – EQUILÍBRIO DE UM CORPO RÍGIDO ____________________________________ 107
OBJETIVOS DESTA UNIDADE _______________________________________________________ 107
INTRODUÇÃO _________________________________________________________________ 107
5. EQUILÍBRIO EM DUAS DIMENSÕES _______________________________________________ 109
5.1. DIAGRAMAS DE CORPO LIVRE ________________________________________________ 110
5.1.1. REAÇÕES DE APOIO ____________________________________________________ 111
5.1.2. FORÇAS INTERNAS _____________________________________________________ 117
5.1.3. O PESO E O CENTRO DE GRAVIDADE _________________________________________ 119
5.1.4. MODELOS IDEALIZADOS _________________________________________________ 119
5.1.5. PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE ___________________________________________ 120
5.1.6. PONTOS IMPORTANTES _________________________________________________ 121
5.1.7. EQUAÇÕES DE EQUILÍBRIO _______________________________________________ 123
5.1.8. PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE ___________________________________________ 123
UNIDADE VI – ANÁLISE ESTRUTURAL ______________________________________________ 125
OBJETIVOS DESTA UNIDADE _______________________________________________________ 125
INTRODUÇÃO _________________________________________________________________ 125
6.1. O MÉTODO DOS NÓS _____________________________________________________ 132
6.2. MEMBROS DE FORÇA ZERO _________________________________________________ 139
6.3. O MÉTODO DAS SEÇÕES ___________________________________________________ 146
UNIDADE VII – ESFORÇOS INTERNOS ______________________________________________ 151
OBJETIVOS DESTA UNIDADE _______________________________________________________ 151
INTRODUÇÃO _________________________________________________________________ 151
7.1 CARREGAMENTO DISTRIBUÍDO EM VIGAS ________________________________________ 152
7.2 FORÇAS INTERNAS DESENVOLVIDAS EM ELEMENTOS ESTRUTURAIS ______________________ 156
7.3 EQUAÇÕES E DIAGRAMAS DE ESFORÇO CORTANTE E MOMENTO FLETOR ___________________ 165
UNIDADE VIII – CENTRO DE GRAVIDADE E MOMENTO DE INÉRCIA _____________________ 178
OBJETIVOS DESTA UNIDADE _______________________________________________________ 178
INTRODUÇÃO _________________________________________________________________ 178
8.1 CENTRO DE GRAVIDADE DE ÁREAS COMPOSTAS ____________________________________ 179
file://///linguado/pubgead/D.E/Projeto%20de%20DP's/1.%20Disciplinas/1.%202017-01/Mecânica/Guia%20de%20estudos/Mecânica.docx%23_Toc477786928
8
8.2 MOMENTO DE INÉRCIA ____________________________________________________ 186
ESTUDO DE CASO ______________________________________________________________ 187
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ___________________________________________________ 187
file://///linguado/pubgead/D.E/Projeto%20de%20DP's/1.%20Disciplinas/1.%202017-01/Mecânica/Guia%20de%20estudos/Mecânica.docx%23_Toc477786966
file://///linguado/pubgead/D.E/Projeto%20de%20DP's/1.%20Disciplinas/1.%202017-01/Mecânica/Guia%20de%20estudos/Mecânica.docx%23_Toc4777869679
10
Olá, sou o Prof. Thiago, e irei trabalhar com vocês a disciplina de
Mecânica.
Durante todo o guia, trataremos de assuntos relacionados com um
dos mais importantes temas da engenharia, a Mecânica. Trataremos de
conceitos como: vetores, treliças, vigas, momentos de inércia entre outros
de grande relevância para a formação geral do futuro engenheiro. A
geometria analítica é uma ferramenta importante nas demonstrações e
será usada com muita frequência durante todo este trabalho.
A melhor dica para que se possa aprender a matéria de Mecânica é
fazer muitos exercícios, portanto, leia e estude este guia com lápis e papel
na mão, faça anotações, resolva novamente todos os exemplos e
principalmente tente fazer todos os exercícios, não só os que serão
cobrados nas atividades, mas também aqueles que estão propostos ao
longo de todo o guia, no apêndice A, estarão às respostas de todos eles,
portanto faça-os e depois confira as respostas, e se ainda surgir alguma
dúvida, pergunte ao professor. Também é muito importante assistir todas as
aulas gravadas, e se possível acompanhá-las ao vivo, pois, será um
momento impar de ter contato com seu professor.
A aprendizagem total dos conteúdos será dada mediante o seu
empenho em realizar as atividades propostas e compreendê-las.
Desejo a todos um excelente semestre, que Deus nos abençoes e
possamos vencer mais essa etapa.
Prof. Esp. Thiago Luís Nogueira Silva
11
Ementa da disciplina
Introdução à Estática (Princípios Gerais). Vetores Força. Equilíbrio de uma
Partícula. Sistema. Sistemas de Forças Equivalentes. Equilíbrio de Corpo
Rígido. Análise Estrutural e Esforços Internos nos Elementos Estruturais e
das Máquinas. Diagrama de Esforços, Equações Diferenciais do Equilíbrio
de Vigas. Cálculo do Centro de Gravidade. Momento Estático da Área.
Centroides de Área, linhas e Formas Compostas. Momento de Inércia de
Área. Raio de Giração. Cabos. Atritos em Correias. Atrito em Disco. Trabalho
Virtual.
Orientações gerais da disciplina
Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no ambiente virtual.
Palavras-chave
Mecânica Geral. Estática. Vetores. Máquinas. Estruturas
12
Unidade I – Introdução à Estática
Objetivos desta unidade
Fornecer uma introdução aos conceitos fundamentais da mecânica.
Apresentar as Leis de Newton para o movimento e gravitação.
Revisar os princípios básicos da aplicação das unidades do SI.
Examinar os procedimentos padrão de execução de cálculos
numéricos.
Introdução
A Mecânica é um ramo das ciências físicas que trata do estado de
repouso ou movimento dos corpos sujeitos à ação das forças. Em geral,
esse assunto é subdividido em três áreas: mecânica dos corpos rígidos,
mecânica dos corpos deformáveis e mecânica dos fluídos. Neste guia,
estudaremos a mecânica dos corpos rígidos, uma vez que é um requisito
básico para o estudo de outras áreas, principalmente Resistência dos
Materiais. Além disso, ela é essencial para o projeto e a análise de muitos
tipos de elementos estruturais, componentes mecânicos, ou dispositivos
elétricos encontrados na engenharia.
A mecânica dos corpos rígidos divide-se em duas áreas: estática e
dinâmica. Em nosso estudo, vamos focar na estática que trata do equilíbrio
dos corpos, ou seja, aqueles que estão em repouso ou em movimento, com
velocidade constante. Podemos considerar a estática um caso especial da
13
dinâmica em que a aceleração é zero; entretanto, a estática merece um
tratamento distinto na aprendizagem da engenharia, uma vez que muitos
objetos são projetados com a intenção de permanecerem em equilíbrio.
1. Desenvolvimento
Os princípios da estática desenvolveram-se na história a muito
tempo, porque podiam ser formulados simplesmente a partir das medições
da geometria e da força. Estudos sobre polia, plano inclinado e torção
aparecem em registros antigos, da época em que as necessidades da
engenharia limitavam-se principalmente a construção de edifícios e
máquinas.
1.1. Conceitos fundamentais
Iniciaremos o estudo da mecânica para a engenharia mostrando o
significado de alguns conceitos e princípios fundamentais.
Quantidades Básicas
Dentro da mecânica, quatro quantidades básicas são fundamentais,
vejamos quais são e uma pequena definição de cada uma delas.
Comprimento
O comprimento é usado para localizar a posição de um ponto no
espaço e, portanto, descrever o tamanho do sistema físico.
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Tempo
O tempo é concebido para estabelecer uma sucessão de eventos.
Massa
A massa é uma medida da quantidade de matéria que é usada para
comparar a ação de um corpo com a de outro.
Força
De maneira geral, podemos considerar a força como um “empurrão”
ou “puxão” exercido por um corpo sobre outro. Uma força fica
completamente definida pela sua intensidade, direção e ponto de
aplicação.
1.2. Modelagem
As modelagens ou idealizações são meios usados na mecânica para
simplificar a aplicação da teoria. Em particular, vamos definir três modelos
importantes.
Partícula
Uma partícula possui massa, mas em um tamanho que pode ser
desprezado.
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Imagine um caminhão. Ao longo de uma estrada ele pode ser
considerado uma partícula, pois, o seu tamanho é desprezível
em relação a estrada. Porém, este mesmo caminhão se for
colocado em um galpão, já não poderá ser considerado uma
partícula, pois, seu tamanho não é desprezível em relação ao
local onde se encontra.
Quando um corpo é modelado como uma partícula, os princípios da
mecânica reduzem-se a uma forma muito simplificada, uma vez que a
geometria do corpo não estará envolvida na análise do problema.
Corpo Rígido
Um corpo rígido pode ser considerado a combinação de um grande
número de partículas que permanecem a uma distância fixa umas das
outras, tanto antes como depois da aplicação da carga. Na maioria dos
casos as deformações reais ocorrem em estruturas, máquinas,
mecanismos e similares são relativamente pequenas, e a hipótese de corpo
é adequada para a análise.
1.3. Força Concentrada
Uma força concentrada representa o efeito de uma carga que
supostamente age em um ponto do corpo.
A força de contato entre uma roda e o solo.
16
1.4. As Três Leis do Movimento de Newton1
A mecânica para engenharia é formulada com base nas três leis de
Newton. Elas podem ser postuladas resumidamente como a seguir:
Primeira Lei
Uma partícula originalmente em repouso ou movendo-se em linha
reta, com velocidade constante, tende a permanecer nesse estado, desde
que não seja submetida a uma força em desequilíbrio (fig. 1.1 a)
Figura 1.1 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 3
Segunda Lei
Uma partícula sob a ação de uma força em desequilíbrio F sofre
uma aceleração a que possui a mesma direção da força e intensidade
diretamente proporcional a essa força (fig. 1.1 b).
1 Neste guia, sempre que uma letra do alfabeto latino que representa uma quantidade básica
como por exemplo: força, aceleração, gravidade, etc., aparecer em negrito, estaremos falando de
uma entidade vetorial
17
Figura 1.1 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 3
Matematicamente esta lei pode ser descrita como:
𝑭 = 𝑚. 𝒂 (1.1)
Terceira Lei
As forças de ação e reação entre duas partículas são iguais, opostas
e colineares (fig. 1.1 c).
Figura 1.1 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 3
1.4.1. Lei de Newton da Atração Gravitacional
18
Depois de explicar suas três leis do movimento, Newton postulou a
lei que governa a atração gravitacional entre duas partículas quaisquer.
Matematicamente temos,
𝑭 = 𝐺.
𝑚1𝑚2
𝑟2 (1.2)
onde:
F = força gravitacional entre duas partículas;G = constante da gravitação universal; 6,67 x 10-11 m3/kg.s2;
m1 e m2 = massa de cada uma das partículas;
r = distância entre as duas partículas.
Peso
Segundo a equação (1.2), quaisquer duas partículas ou corpos
possuem uma força de atração mútua (gravitacional) agindo entre eles.
Entretanto, no caso de uma partícula localizada sobre ou próxima à
superfície da Terra, a única força da gravidade com intensidade
considerável é aquela entre a Terra e a partícula. Consequentemente, essa
força, denominada peso, será a única força que consideraremos no estudo
da mecânica.
𝑾 = 𝑚𝒈 (1.3)
Por comparação com F = ma, podemos ver que g é a aceleração
devido à gravidade. Como ela depende de r, então o peso de um corpo não
é uma quantidade absoluta. Em vez disso, sua intensidade é determinada
onde a medição foi feita. Para a maioria dos cálculos de engenharia, no
entanto, g é determinada ao nível do mar e na latitude de 45º, que é
considerado o ‘local padrão’.
19
1.5. Unidades de medida
As quatro quantidades básicas – comprimento, tempo, massa e força
– não são todas independentes umas das outras; na verdade, elas são
relacionadas pela segunda lei do movimento de Newton, F = ma. A
igualdade F = ma é mantida apenas se três das quatro unidades,
chamadas unidades básicas, estiverem definidas e a quarta unidade for,
então derivada da equação.
Unidades SI
O Sistema Internacional de Unidades, abreviado como SI, do francês
Système International d’Unités, é uma versão moderna do sistema métrico,
que recebeu aceitação mundial. Como mostra a Tabela 1.1, o sistema SI
define o comprimento em metros (m), o tempo em segundos (s) e a massa
em quilogramas (kg). A unidade de força chamada ‘newton’ (N), é derivada
de F = ma. Portanto, 1 newton é igual a força necessária para fornecer a 1
(um) quilograma de massa uma aceleração de 1 m/s2 (N = kg.m/s2).
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 4
20
Se o peso de um corpo localizado no ‘local padrão’ for determinado
em newtons, então, a equação 1.3 deve ser aplicada. Nessa equação, as
medidas fornecem g = 9,80665 m/s2, entretanto, para cálculos, será usado o
valor g = 9,81 m/s2. Assim,
𝑾 = 𝑚𝒈 (𝒈 = 9,81
𝑚
𝑠2) (1.4)
Um corpo de massa 1 kg possui um peso de 9,81 N,
como na figura (1.2)
Figura 1.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 5
Para usarmos adequadamente o Sistema Internacional devemos
seguir algumas regras para o seu uso e terminologias relevantes a
mecânica para engenharia.
Prefixos
Quando uma quantidade numérica é muito grande ou muito
pequena, as unidades usadas para definir seu tamanho podem ser
modificadas usando um prefixo. Alguns dos prefixos usados no SI são
mostrados na Tabela 1.2.
21
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 5
1.6. Cálculos numéricos
O trabalho numérico na prática da engenharia é quase sempre
realizado usando calculadoras e computadores. Entretanto, é importante
que as respostas de qualquer problema sejam apresentadas com precisão
justificável de algarismos significativos apropriados. Nessa seção,
discutiremos esses tópicos justamente com outros aspectos importantes
envolvidos em todos os cálculos de engenharia.
Homogeneidade dimensional
22
Os termos de qualquer equação usada para descrever um processo
físico devem ser dimensionalmente homogêneos; isto é, cada termo deve
ser expresso nas mesmas unidades. Independentemente de como a
equação seja calculada ela mantém sua homogeneidade dimensional.
Observe com atenção que os problemas na mecânica sempre
envolvem a solução de equações dimensionalmente homogêneas e,
portanto, esse fato pode ser usado como uma verificação parcial para
manipulações algébricas de uma equação.
Algarismos significativos
O número de algarismos significativos contidos em qualquer número
determina a precisão dele. Por exemplo, o número 4981 contém quatro
algarismos significativos. Entretanto, se zeros ocorrerem no final de um
número, pode não ficar claro quantos algarismos significativos o número
representa.
Para evitar essas ambiguidades, usaremos a notação de engenharia para
expressar um resultado. Isso exige que os números sejam arredondados
para a quantidade adequada de algarismos significativos e, em seguida,
expressos em múltiplos de (103), tais como: (103), (106) ou (10-9). Por exemplo,
se 23400 tiver cinco algarismos significativos, ele é escrito como 23,400(103),
mas se tiver apenas três algarismos significativos, ele é escrito como
23,4(103).
Se zeros ocorrerem no início de um número menor que um, então
não serão significativos. Por exemplo, 0,00821 possui três algarismos
significativos. Usando a notação de engenharia, esse número é expresso
como 8,21(10-3). Da mesma forma, 0,000582 pode ser expresso como
0,582(10-3) ou 582(10-6).
Arredondamento de números
23
Arredondar um número é necessário para que a precisão do
resultado seja a mesma dos dados do problema. Como regra geral,
qualquer algarismo numérico terminado em cinco ou mais é arredondado
para cima e um número menor que cinco é arredondado para baixo.
Suponha que o número 3,5587 precise ser arredondado para
três algarismos significativos. Como o quarto algarismo (8) é
maior que 5, o terceiro número é arredondado para 3,56.
Agora suponha que queremos arredondar o número 1,341
para três algarismos significativos, como o quarto algarismo
(1) é menor que 5, então teremos 1,34.
Como regra geral, se o algarismo precedendo o 5 for um número
par, então esse algarismo não é arredondado para cima. Se o algarismo
precedendo o 5 for um número impar, então ele é arredondado para cima.
Exemplo: O número 75,25 for arredondado para três algarismos
significativos se torna 75,2.
Cálculos
Quando uma sequência de cálculos é realizada, é melhor armazenar
os resultados intermediários na calculadora. Em outras palavras, não
arredonde os cálculos até expressar o resultado final. Esse procedimento
mantém a precisão por toda a série de etapas até a solução final.
Normalmente arredondamos as respostas para três algarismos
significativos já que a maioria dos dados na mecânica para engenharia,
24
como geometria e cargas, pode ser medida de maneira confiável nesse
nível de precisão.
Nesta unidade tivemos a oportunidade de estudar os aspectos
básicos do curso de mecânica, suas leis básicas, sistemas de unidades e
procedimentos básicos de cálculo.
1.7. Referenciais para a próxima unidade
Na próxima unidade faremos um estudo rápido de vetores e
também de sua aplicação em dispositivos bastante utilizados em
engenharia, como vigas, ganchos, suportes e outros. Até a próxima!
Resumindo
25
Unidade II – Vetores de Força
Objetivos desta unidade
Mostrar como adicionar forças e decompô-las em componentes
usando a lei do paralelogramo.
Expressar a força e a sua posição de forma de um vetor cartesiano e
explicar como determinar a intensidade e a direção do vetor.
Introduzir o produto escalar para determinar o ângulo entre dois
vetores ou a projeção de um vetor sobre outro.
Introdução
Um dos grandes problemas que os alunos da disciplina de
Mecânica enfrentam em um curso inicial como esse é a álgebra de Vetores,
portanto nessa unidade faremos um resumo sobre o que é vetores, qual
sua diferença em relação às grandezas escalares e também iremos
considerar o estudo da álgebra ligada a eles.
Como este é um assunto que irá dominar todo o resto do curso
advertimos aos alunos que deem uma atenção especial, pois, a
continuidade do guia dependerá totalmente do bom entendimento desta
unidade.
26
2. Escalares e vetores
Todas as quantidades físicas na mecânica aplicada à engenharia
são medidas usando escalares ou vetores.Escalar
Por definição, um escalar é qualquer quantidade física positiva ou
negativa que pode ser completamente especificada por sua intensidade.
Comprimento, massa, tempo, intensidade de
corrente elétrica, etc.
Vetor
Um vetor é qualquer quantidade física que requer uma intensidade e
uma direção para sua completa descrição.
Força, posição, momento, etc.
Um vetor é representado graficamente por uma seta, conforme
podemos ver pela figura 2.1.
Figura 2.1
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 11
27
O comprimento da seta representa a intensidade do vetor, ou como,
é chamado tecnicamente “magnitude”, o ângulo θ entre o vetor e um eixo
fixo determina a direção de sua linha de ação. A ponta da seta indica o
sentido da direção do vetor.
2.1. Operações vetoriais
Multiplicação e divisão de um vetor por um escalar
Se um vetor é multiplicado por um escalar positivo, sua intensidade
é aumentada por essa quantidade. Quando um vetor é multiplicado por um
vetor negativo, ele também mudará o sentido de sua direção, veja os
exemplos da figura 2.2.
Figura 2.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 12
Adição de Vetores
Todas as quantidades vetoriais obedecem à lei do paralelogramo da
adição. Somente para ilustrarmos, os dois vetores ‘componentes’ A e B da
figura 2.3 (a) são somados para formar um vetor ‘resultante’ R = A + B
usando o seguinte procedimento:
28
Figura 2.3 (a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 12
Primeiro, una as origens dos vetores componentes em um ponto
único de modo que se tornem concorrentes, veja a figura 2.3 (b).
Figura 2.3 (b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 12
A partir da extremidade de A, faça um prolongamento paralelo ao
vetor B. Depois, faça um prolongamento da extremidade de B e que
seja paralela ao vetor A. Essas duas linhas se interceptam em um
ponto P para formar os lados adjacentes de um paralelogramo.
A diagonal desse paralelogramo que se estende até P forma R, que
então representa o vetor resultante R = A + B, veja a figura 2.3 (c).
29
Figura 2.3 (c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 12
Quando fazemos uma análise mais profunda, podemos notar que a
adição de vetores é uma operação comutativa, ou seja, os vetores podem
ser somados em qualquer ordem, ou seja, R = A + B = B + A.
Existe ainda outro processo para realizarmos a adição de vetores,
que é o uso da lei dos triângulos, mais como esse processo muitas vezes
pode trazer dificuldades quando temos muitos vetores para serem
somados, optamos por não trabalharmos com ele em nosso guia.
Subtração de vetores
A resultante da diferença entre dois vetores A e B do mesmo tipo
pode ser expressa como:
R’ = A – B = A + (-B)
A figura 2.4, exemplifica exatamente esse processo, veja que como o
vetor B é negativo2 o mesmo tem seu sentido invertido para a formação do
paralelogramo.
2 Lembramo-nos da Geometria Analítica e da Álgebra Linear que os vetores somente
admitem duas operações a soma e o produto, porém, para a operação de subtração,
aplicamos a operação soma, porém com o segundo vetor negativo, mostrando assim que
houve uma inversão em seu sentido.
30
Figura 2.4
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 13
2.2. Adição vetorial de forças
Lembrando-nos dos conhecimentos obtidos em Física I que uma
força é uma quantidade vetorial, pois, possui intensidade, direção e sentido
especificados, e sua soma é feita de acordo com a lei do paralelogramo.
Dois problemas comuns em estática envolvem determinar a força
conhecida em duas componentes. Veremos agora como podemos resolver
cada um desses problemas usando a lei do paralelogramo.
Determinando uma força resultante
As duas forças componentes, F1 e F2, agindo sobre o pino da figura
2.5 (a) podem ser somadas para formar a força resultante FR = F1 + F2, como
podemos ver na figura 2.5 (b).
31
Figura 2.5 (a) Figura 2.5 (b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 13
A partir dessa construção, podemos aplicar a lei dos cossenos, ou lei
dos senos para o triângulo3 a fim de obter a intensidade da força resultante
e sua direção.
Determinando as componentes de uma força
Algumas vezes é necessário decompor uma força em duas
componentes para estudar seu efeito. Vejamos um exemplo, na figura 2.6
(a), F deve ser decomposta em duas componentes ao longo dos membros
definidos pelos eixos u e v.
Figura 2.6 (a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 14
3 Não se esqueça, quando for realizar cálculos de seno e cosseno em calculadoras, não se
esquecer de chavear as mesmas para degraus.
32
Para determinar a intensidade de cada componente, um
paralelogramo é construído primeiro, desenhando linhas iniciando na
extremidade de F, uma linha paralela a u e a outra linha paralela a v. Essas
linhas então se interceptam com os eixos u e v, formando um
paralelogramo. As componentes das forças Fu e Fv são estabelecidas
simplesmente unindo a origem de F com os pontos de interseção nos eixos
u e v, figura 2.6 (b).
Figura 2.6 (b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 14
Esse paralelogramo pode então ser reduzido a um triângulo, que
representa a regra do triângulo figura 2.6 (c).
Figura 2.6 (c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 14
A partir disso, a lei dos senos pode ser aplicada para determinar as
intensidades desconhecidas das componentes.
33
Adição de várias forças
Se mais de duas dessas forças precisam ser somadas, aplicações
sucessivas da lei do paralelogramo podem ser realizadas de modo a obter
a força resultante. Por exemplo, se três forcas F1, F2 e F3 atuam em um ponto
O, figura 2.7, a resultante de quaisquer duas forças (digamos, F1 + F2) é
encontrada e, depois, dessa resultante é somada com à terceira força,
produzindo a resultante das três forças, ou seja, FR = (F1 + F2) + F3.
Figura 2.7
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 14
Resolução de problemas
Problemas que envolvem a soma de duas forças podem ser
resolvidas da seguinte maneira, primeiro utilizamos a lei do paralelogramo
e logo em seguida aplicar os princípios da trigonometria. Para usar o
principio da trigonometria, primeiro redesenhe metade do paralelogramo
para ilustrar a adição triangular ‘extremidade-para-origem’ das
componentes.
Para esse triângulo, a intensidade da força resultante é determinada
pela lei dos cossenos, e sua direção, pela lei dos senos. As intensidades das
duas componentes de forças são determinadas pela lei dos senos. Veja as
formulas mostrada na figura 2.8.
34
Figura 2.8
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 14
2.3. Exemplos resolvidos
1. O gancho da figura 2.9 (a) está sujeito a duas forças, F1 e F2.
Determine a intensidade e a direção da força resultante.
Figura 2.9 (a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 15
35
Solução:
O paralelogramo é formado por uma linha a partir da extremidade de
F1 que seja paralela a F2 e outra linha a partir da extremidade de F2 que seja
paralela a F1. A força resultante Fg estende-se para onde essas linhas se
interceptam no ponto A. Veja na Figura 2.9 (b)
Figura 2.9(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 15
As duas incógnitas são a intensidade de FR e o ângulo θ.
A partir do paralelogramo, construímos o triangulo vetorial Figura 2.9
(c). Usando a lei dos cossenos
36
Figura 2.9 (c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 15
𝐹𝑅 = √(100𝑁)2 + (150𝑁)2 + 2(100𝑁)(150𝑁) cos 115°
𝐹𝑅 = √10000 + 22500 − 30000 (−0,4226)
𝐹𝑅 = 212,6 𝑁 ≈ 𝐹𝑅 = 213 𝑁Aplicando a lei dos senos para determinar θ,
150 𝑁
𝑠𝑒𝑛 𝜃
=
212,6 𝑁
𝑠𝑒𝑛 115°
→ 𝑠𝑒𝑛 𝜃 =
150 𝑁
212,6 𝑁
(𝑠𝑒𝑛 115°)
Aplicando o inverso do seno na equação acima obtemos:
𝜃 = 39,8°
Assim, a direção Φ (phi) de FR, medida a partir da horizontal é:
∅ = 39,8° + 15° = 54,8°
37
2. Decomponha a força horizontal de 600 N da Figura 2.10 (a) nas
componentes que atuam ao longo dos eixos u e v e determine a
intensidade dessas componentes.
Figura 2.10 (a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 16
SOLUÇÃO:
O paralelogramo é constituído estendendo-se uma linha na
extremidade da força de 600 N paralela ao eixo v até que se intercepte o
eixo u no ponto B, veja na Figura 2.10(b).
Figura 2.10 (b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 16
38
O vetor de A para B representa Fu. Da mesma forma, a linha
extendida da extremidade da força de 600 N paralelamente ao eixo u
intercepta o eixo v no ponto C que resulta em Fv.
A adição dos vetores usando a regra do triângulo é mostrada na
Figura 2.10 (c). As duas incógnitas são as intensidades de Fu e Fv. Aplicando
a lei dos senos,
Figura 2.10 (c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 16
𝐹𝑢
𝑠𝑒𝑛 120°
=
600 𝑁
𝑠𝑒𝑛 30°
→ 𝐹𝑢 = 1039 𝑁4
𝐹𝑣
𝑠𝑒𝑛 30°
=
600 𝑁
𝑠𝑒𝑛 30°
→ 𝐹𝑣 = 600 𝑁
4 Vemos nesse caso que algumas vezes a componente pode ter uma intensidade maior do que a
resultante.
39
3. Determine a intensidade da força resultante F na figura 2.11 (a) e a
intensidade da força resultante se FR estiver direcionada ao longo do
eixo y positivo.
Figura 2.11 (a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 17
SOLUÇÃO:
A lei do paralelogramo da adição é mostrada na Figura 2.11 (b) e a
regra do triângulo é mostrada na Figura 2.11 (c).
Figura 2.11 (b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 17
40
Figura 2.11 (c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 17
As intensidades de FR e F são as duas incógnitas. Elas podem ser
determinadas aplicando-se a lei dos senos.
𝐹
𝑠𝑒𝑛 60°
=
200 𝑁
𝑠𝑒𝑛 45°
→ 245 𝑁
𝐹𝑅
𝑠𝑒𝑛 75°
=
200
𝑠𝑒𝑛 45°
→ 273 𝑁
2.4. Adições de um sistema de forças coplanares
Quando uma força é decomposta em duas componentes ao logo
dos eixos x e y, as componentes são, então chamadas de componentes
retangulares. Para um trabalho analítico, podemos representar essas
componentes de duas maneiras, usando a notação escalar ou a notação
de vetor cartesiano.
Notação escalar
41
As componentes retangulares da força F mostrados na Figura 2.12
(a) são determinadas usando a lei do paralelogramo, de modo que F = Fx +
Fy. Como essas componentes formam um triângulo retângulo, suas
intensidades podem ser determinadas por:
Figura 2.12 (a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 22 (Modificado)
𝐹𝑥 = 𝐹𝑐𝑜𝑠𝜃
e
𝐹𝑦 = 𝐹 𝑠𝑒𝑛𝜃
Note que apenas teremos a relação “cos” acompanhada de 𝐹𝑥 e a
relação “sen” acompanhada de 𝐹𝑦, se e somente se, 𝐹𝑥 for o cateto
adjacente ao ângulo e se 𝐹𝑦 for cateto oposto ao ângulo. Devemos então
guardar a regra que cateto adjacente será a relação cosseno,
independentemente se está orientada para x ou y. E o mesmo vale para
cateto oposto sempre será seno.
Podemos também nos deparar com a situação que, em vez de usar
o ângulo θ, a direção de F também pode ser definida por um pequeno
triângulo “da inclinação” como mostra a Figura 2.12 (b). Onde se aplica a
semelhança de triângulos
42
Figura 2.12 (b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 22
Como esse triângulo e o triângulo maior sombreado são semelhantes, o
comprimento proporcional dos lados fornece:
𝐹𝑥
𝐹
=
𝑎
𝑐
ou
𝐹𝑥 = 𝐹 (
𝑎
𝑐
)
e
𝐹𝑦
𝐹
=
𝑏
𝑐
ou
𝐹𝑦 = −𝐹 (
𝑏
𝑐
)
A componente y é um escalar negativo, já que Fy está orientada ao
longo do eixo y negativo.
Notação vetorial cartesiana
Também é possível representar as componentes x e y de uma força
em termos de vetores cartesianos unitários i e j. Cada um desses vetores
43
unitários possui intensidade adimensional igual a um e, portanto, pode ser
usado para designar as direções dos eixos x e y, respectivamente figura
(2.13).
Figura 2.13
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 22
Como a intensidade de cada componente de F é sempre uma
quantidade positiva, representada pelos escalares (positivos) Fx e Fy, então,
podem expressar F como um vetor cartesiano.
𝐹 = 𝐹𝑥𝑖 + 𝐹𝑦𝑗
Resultante de forças coplanares
Qualquer um dos dois métodos descritos pode ser usado para
determinar a resultante de várias forças coplanares. Para tanto, cada força
é decomposta e suas componentes são somadas usando-se álgebra
escalar, uma vez que são colineares. A força resultante é então composta
adicionando-se as componentes da figura 2.14(a), que tem as
componentes x e y, como mostra a figura 2.14(b). Usando a notação vetorial
cartesiana, cada força é representada como um vetor cartesiano, ou seja,
44
Figura 2.14(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 23
Figura 2.14(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 23
𝐹1 = 𝐹1𝑥𝑖 + 𝐹2𝑦𝑗
𝐹2 = 𝐹2𝑥𝑖 + 𝐹2𝑦𝑗
𝐹3 = 𝐹3𝑥𝑖 + 𝐹3𝑦𝑗
O vetor resultante é, portanto,
𝐹𝑅 = 𝐹1 + 𝐹2 + 𝐹3
= 𝐹1𝑥𝑖 + 𝐹1𝑦𝑗 − 𝐹2𝑥𝑖 + 𝐹2𝑦𝑗 + 𝐹3𝑥𝑖 − 𝐹3𝑦𝑗
45
= (𝐹1𝑥 − 𝐹2𝑥 + 𝐹3𝑥)𝑖 + (𝐹1𝑦 + 𝐹2𝑦 − 𝐹3𝑦)𝑗
= (𝐹𝑅𝑥)𝑖 + (𝐹𝑅𝑦)𝑗
Se for usada a notação escalar, temos então;
(
+
→) 𝐹𝑅𝑥 = 𝐹1𝑥 − 𝐹2𝑥 + 𝐹3𝑥
(+↑) 𝐹𝑅𝑦 = 𝐹1𝑦 + 𝐹2𝑦 − 𝐹2𝑦
As componentes da força resultante de qualquer número de forças
coplanares podem ser representadas simbolicamente pela soma algébrica
das componentes x e y de todas as forças, ou seja,
𝐹𝑅𝑥 = ∑ 𝐹𝑥
(2.1)
𝐹𝑅𝑦 = ∑ 𝐹𝑦
Pelo esquema da figura 2.14(c), a intensidade de FR é determinada
pelo teorema de Pitágoras, ou seja,
Figura 2.14(c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 23
𝐹𝑅 = √𝐹𝑅𝑥
2 + 𝐹𝑅𝑦
2
46
Além disso, o ângulo θ, que especifica a direção da força resultante,
é determinado por meio da trigonometria:
𝜃 = 𝑡𝑔−1 |
𝐹𝑅𝑦
𝐹𝑅𝑥
|
EXEMPLOS RESOLVIDOS
Determine as componentes x e y de F1 e F2 que atuam sobre a lança
mostrada na figura 2.15(a). Expresse cada força como um vetor cartesiano.
Figura 2.15(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 24
SOLUÇÃO:
Pela lei do paralelogramo, F1 é decomposta nas componentes x e y figura
2.15(b). Como F1x atua na direção –x e F1y, na direção +y, temos:
𝐹1𝑥 = −200 𝑠𝑒𝑛 30° 𝑁 = −100 𝑁 = 100 𝑁 ←
𝐹1𝑦 = 200 cos 30° 𝑁 = 173 𝑁 = 173 𝑁 ↑
47
Figura 2.15(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 24
A força F2 é decomposta em suas componentes x e y, como mostra a
figura 2.15(c).
Figura 2.15(c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 24
Nesse caso a inclinação da linha de ação da força é indicada. A
partir desse ‘triângulo de inclinação’, podemos obter o ângulo θ, ou seja, 𝜃 =
𝑡𝑔−1 (
5
12
), e determinar as intensidades das componentes da mesma
maneira que fizemos para F1. O método mais fácil, entretanto, consiste em
usar partes proporcionais de triângulos semelhantes, ou seja,
𝐹2𝑥
260 𝑁
=
12
13
𝐹2𝑥 = 260𝑁 (
12
13
) = 240 𝑁
48
Da mesma forma,
𝐹2𝑦 = 260 𝑁 (
5
13
)= 100 𝑁
Veja que a intensidade da componente horizontal F2x, foi obtida
multiplicando a intensidade da força pela relação entre o lado horizontal do
triângulo da inclinação dividido pela hipotenusa; enquanto a intensidade da
componente vertical, F2y, foi obtida multiplicando a intensidade da força pela
relação entre o lado vertical dividido pela hipotenusa. Logo,
𝐹2𝑥 = 240 𝑁 = 240 𝑁 →
𝐹2𝑦 = −100 𝑁 = 100 𝑁 ↓
Tendo determinado as intensidades e direções das componentes de cada
força, podemos expressar cada uma delas como um vetor cartesiano.
𝐹1 = {−100𝑖 + 173𝑗} 𝑁
𝐹2 = {240𝑖 − 100𝑗} 𝑁
1. A ponta de uma longa lança O na figura 2.16(a) está submetida a
três forças coplanares concorrentes. Determine a intensidade e a
direção da força resultante.
Figura 2.16(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 26
49
SOLUÇÃO:
Cada força é decomposta em suas componentes x e y, figura 2.16(b).
Somando as componentes x, temos:
Figura 2.16(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 26
+
→ 𝐹𝑅𝑥 = ∑ 𝐹𝑥; 𝐹𝑅𝑥 = −400 𝑁 + 250 𝑠𝑒𝑛 45° 𝑁 − 200 (
4
5
) 𝑁
= −383,2 𝑁 = 383,2 𝑁 ←
O sinal negativo indica que FRx atua para a esquerda, ou seja, na direção
x negativa como observamos pela pequena seta. Obviamente, isso ocorre
porque F1 e F2 na figura 2.16 (b) contribuem com um puxão maior para a
esquerda do que F2, que puxa para a direita. Somando as componentes de y,
temos:
+↑ 𝐹𝑅𝑦 = ∑ 𝐹𝑦; = 𝐹𝑅𝑦 = 250 cos 45° 𝑁 + 200 (
3
5
) 𝑁
= 296,8 𝑁 ↑
A força mostrada na figura 2.16(c) possui a seguinte intensidade:
𝐹𝑅 = √(−383,2 𝑁)2 + (296,8 𝑁)2
= 485 𝑁
50
Figura 2.16(c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 26
Da adição de vetores na figura 2.16 (c), o ângulo de direção θ é:
𝜃 = 𝑡𝑔−1 (
296,8
383,2
) = 37,8°
2.5. Vetores cartesianos
As operações da álgebra vetorial, quando aplicada para resolver
problemas em três dimensões, são enormemente simplificadas se os
vetores forem primeiro representados na forma de um vetor cartesiano.
Usando a regra da mão direita
Usaremos um sistema de coordenadas destro (regra da mão direita)
para desenvolver a teoria da álgebra vetorial que se segue. Dizemos que
um sistema de coordenadas retangular é destro desde que o polegar da
mão direita aponte na direção positiva do eixo z, quando os dedos da mão
direita estão curvados em relação a esse eixo e direcionados do eixo x
positivo para o eixo y positivo figura 2.17.
51
Figura 2.17
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 30
Componentes retangulares de um vetor
Um vetor A pode ter uma, duas ou três componentes retangulares ao
longo dos eixos coordenados x, y, z, dependendo de como o vetor está
orientado em relação aos eixos. Em geral, quando A está direcionado
dentro de um octante do sistema x, y, z, figura 2.18.
Figura 2.18
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 30
Combinando essas equações, para eliminar A’, A é representado
pela soma vetorial de suas três componentes retangulares,
𝐴 = 𝐴𝑥 + 𝐴𝑦 + 𝐴𝑧 (2.2)
52
Vetores cartesianos unitários
Em três dimensões, os vetores cartesianos unitários i, j, k são usados
para designar as direções dos eixos x, y, z, respectivamente. Os vetores
cartesianos unitários são mostrados na figura 2.19.
Figura 2.19
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 31
Representação de um vetor cartesiano
Como as três componentes de A na Equação 2.2 atuam nas direções
positivas de i, j, k figura 2.20, pode-se escrever A na forma de um vetor
cartesiano como:
𝐴 = 𝐴𝑥𝑖 + 𝐴𝑦𝑗 + 𝐴𝑧𝑘 (2.3)
53
Figura 2.20
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 31
As componentes dos vetores unitários, são calculadas da seguinte
maneira:
𝑈𝐴 =
𝐴𝑥
|𝐴|
𝑖 +
𝐴𝑦
|𝐴|
𝑗 +
𝐴𝑧
|𝐴|
𝑘
Em que:
|𝐴| = √(𝐴𝑥)2 + (𝐴𝑦)
2
+ (𝐴𝑧)2
Intensidade de um vetor cartesiano
É sempre possível obter a intensidade de A, desde que ele seja
expresso sob a forma de vetor cartesiano. Como mostra a figura 2.21, do
triângulo retângulo cinza claro, 𝐴 = √𝐴′2 + 𝐴𝑧
2 e do triângulo retângulo cinza
54
escuro, 𝐴′ = √𝐴𝑥
2 + 𝐴𝑦
2 .Combinando-se essas equações para eliminar A’,
temos:
𝐴 = √𝐴𝑥
2 + 𝐴𝑦
2 + 𝐴𝑧
2 (2.4)
Figura 2.21
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 31
Direção de um vetor cartesiano
A direção de A é definida pelos ângulos de direção (ângulos
diretores) coordenados α (alfa), β (beta) e γ (gama), medidos entre a origem
de A e os eixos x, y, z positivos, desde que esteja localizada na origem A,
figura 2.22.
55
Figura 2.22
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 31
Para determinarmos α, β e γ, vamos considerar as projeções de A
sobre os eixos x, y, z figura 2.23. Com referência aos triângulos sombreados
de cinza claro mostrados em cada figura, temos:
cos 𝛼 =
𝐴𝑥
𝐴
cos 𝛽 =
𝐴𝑦
𝐴
cos 𝛾 =
𝐴𝑧
𝐴
(2.5)
Esses números são conhecidos como os cossenos diretores de A.
Uma vez obtidos os ângulos de direção coordenados α, β e γ são
determinados pelo inverso dos cossenos.
56
Figura 2.22
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 31
Podemos ainda determinar um ângulo diretor, desde que conhecido
os outros dois, através da equação,
𝑐𝑜𝑠2𝛼 + 𝑐𝑜𝑠2𝛽 + 𝑐𝑜𝑠2𝛾 = 1
2.6. Adição de vetores cartesianos
A adição (ou subtração) de dois ou mais vetores é bastante
simplificada se os vetores forem expressos em função de suas
componentes cartesianas. Por exemplo, se A = Axi + Ayj + Azk e B = Bxi + Byj +
Bzk figura 2.23, então o vetor resultante R tem componentes que
representam as somas escalares das componentes i, j e k de A e B, ou seja,
𝑅 = 𝐴 + 𝐵 = (𝐴𝑥 + 𝐵𝑥)𝑖 + (𝐴𝑦 + 𝐵𝑦)𝑗 + (𝐴𝑧 + 𝐵𝑧)𝑘
57
Figura 2.23
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 33
Se este conceito for generalizado e aplicado em um sistema de
várias forças concorrentes, então a força resultante será o vetor soma de
todas as forças do sistema e poderá ser escrita como:
𝐹𝑅 = ∑ 𝐹 = ∑ 𝐹𝑥𝑖 + ∑ 𝐹𝑦𝑗 + ∑ 𝐹𝑧𝑘 (2.6)
EXEMPLOS RESOLVIDOS
1. Expresse a força F, mostrada na figura 2.24, como um vetor
cartesiano.
58
Figura 2.24
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 33
SOLUÇÃO:
Como apenas dois ângulos de direção coordenados são dados, o
terceiro ângulo α deve ser calculado pela equação a seguir:
𝑐𝑜𝑠2𝛼 + 𝑐𝑜𝑠2𝛽 + 𝑐𝑜𝑠2𝛾 = 1
𝑐𝑜𝑠2𝛼 + 𝑐𝑜𝑠260° + 𝑐𝑜𝑠245° = 1
cos 𝛼 = √1 − (0,5)2 − (0,707)2
cos 𝛼 = ±0,5
Portanto, existem duas possibilidades, a saber:
𝛼 = 𝑐𝑜𝑠−1(0,5) = 60°
ou
𝛼 = 𝑐𝑜𝑠−1(−0,5) = 120°
Da figura 2.24, é necessário que α = 60°, visto que F, está na direção
+x.
Usando a equação a seguir, com F = 200 N, temos:
𝐹 = 𝐹 𝑐𝑜𝑠 𝛼 𝑖 + 𝐹 cos 𝛽 𝑗 + 𝐹 cos 𝛾 𝑘
𝐹 = (200 cos 60° 𝑁)𝑖 + (200 cos 60° 𝑁)𝑗 + (200 cos 45° 𝑁)𝑘
59
𝐹 = {100,0𝑖 + 100,0𝑗 + 141,4𝑘}𝑁
2 Determine a intensidade é os ângulos de direção coordenados da força
resultante que atua sobre o anel da figura 2.25(a).
Figura 2.25(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 34
SOLUÇÃO:
Uma vez que cada força está representada na forma vetorial
cartesiana, a força resultante, mostrada na figura 2.25(b), é:
𝐹𝑅 = ∑ 𝐹 = 𝐹1 + 𝐹2 = {60𝑗 + 80𝑘}𝑘𝑁 + {50𝑖 − 100𝑗 + 100𝑘}𝑘𝑁
𝐹𝑅 = {50𝑖 − 40𝑗 + 180 𝑘}𝑘𝑁
A intensidade de FR é:
𝐹𝑅 = √(50 𝑘𝑁)2 + (−40 𝑘𝑁)2 + (180 𝑘𝑁)2
𝐹𝑅=191 𝑘𝑁
Os ângulos de direção coordenados α, β, γ são determinados pelas
componentesdo vetor unitário que atuam na direção de FR
𝑢𝐹𝑅
=
𝐹𝑅
𝐹𝑅
=
50
191,0
𝑖 −
40
191,0
𝑗 +
180
191,0
𝑘
60
𝑢𝐹𝑅
= 0,2617𝑖 − 0,2094𝑗 + 0,9422𝑘
De modo que:
cos 𝛼 = 0,2617 𝛼 = 74,8°
cos 𝛽 = −0,2094 𝛽 = 102°
cos 𝛾 = 0,9422 𝛾 = 19,6°
Esses ângulos são mostrados na figura 2.25(b).
Figura 2.25(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 34
2.7. Vetores posição
Coordenadas x, y, z
Olhando a figura 2.26, vemos que os eixos x e y ficam no plano
horizontal. Os pontos no espaço estão localizados em relação à origem das
coordenadas, O, por meio de medidas sucessivas ao longo dos eixos x, y, z.
61
Figura 2.26
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 40
Vetor posição
Vetor posição r é definido como um vetor fixo que posiciona um ponto no
espaço em relação a outro. Por exemplo, se r estende-se da origem de
coordenadas, O, para o ponto P(x,y,z) figura 2.27(a), então r pode ser
expresso na forma de um vetor cartesiano como:
R = xi + yj + zk
Figura 2.27(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 40
62
Observe como a adição vetorial ‘extremidade para origem’ das três
componentes produz o vetor r figura 2.27(b).
Figura 2.27(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 40
De acordo com a figura 2.28, pela adição vetorial ‘extremidade para
origem’, usando a regra do triângulo, é necessário que:
rA + r = rB
Resolvendo-se para r e expressando-se rA e rB na forma vetorial
cartesiana tem-se:
𝑟 = 𝑟𝐵 − 𝑟𝐴 = (𝑥𝐵𝑖 + 𝑦𝐵𝑗 + 𝑧𝐵𝑘) − (𝑥𝐴𝑖 + 𝑦𝐵𝑗 + 𝑧𝐵𝑘)
ou
𝑟 = (𝑥𝐵 − 𝑥𝐴)𝑖 + (𝑦𝐵 − 𝑦𝐴)𝑗 + (𝑧𝐵 − 𝑧𝐴)𝑘 (2.7)
63
Figura 2.28
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 41
EXEMPLO RESOLVIDO
A cobertura é suportada por cabos, como mostra a foto. Se os cabos
exercem as forças FAB = 100 N e FAC = 120 N no gancho da parede em A,
como mostra na figura 2.29(a), determine na força resultante que atua em
A. Expresse o resultado como um vetor cartesiano.
64
Figura 2.29(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 44
SOLUÇÃO:
A força FR é mostrada graficamente na figura 2.29(b). Pode-se
expressar essa força como um vetor cartesiano definido antes FAB e FAC como
vetores cartesianos e depois adicionando suas componentes. As direções
de FAB e FAC são especificadas definindo-se os vetores unitários uAB e uAC ao
longo dos cabos. Esses vetores unitários são obtidos dos vetores posição
associados rAB e rAC. Com referência à figura 2.29(a), para ir de A a B,
precisamos deslocar {-4k} m e depois {-4i} m. Portanto,
𝑟𝐴𝐵 = {4𝑖 − 4𝑘}𝑚
𝑟𝐴𝐵 = √(4 𝑚)2 + (−4 𝑚)2
𝑟𝐴𝐵 = 5,66 𝑚
𝐹𝐴𝐵 = 𝐹𝐴𝐵 (
𝑟𝐴𝐵
𝑟𝐴𝐵
) = (100 𝑁). (
4
5,66
𝑖 −
4
5,66
𝑗)
𝐹𝐴𝐵 = {70,7𝑖 − 70,7𝑗} 𝑁
65
Figura 2.29(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 44
Para ir de A a C, precisamos deslocar {-4k} m, e depois {2j} m e
finalmente {4i}. Temos,
𝑟𝐴𝐶 = {4𝑖 + 2𝑗 − 4𝑘}𝑚
𝑟𝐴𝐶 = √(4 𝑚)2 + (2 𝑚)2 + (−4 𝑚)2
𝑟𝐴𝐶 = 6 𝑚
𝐹𝐴𝐶 = 𝐹𝐴𝐶 (
𝑟𝐴𝐶
𝑟𝐴𝐶
) = (120 𝑁) (
4
6
𝑖 +
2
6
𝑗 −
4
6
𝑘)
𝐹𝐴𝐶 = {80 𝑖 + 40 𝑗 − 80 𝑘}
A força resultante, portanto é:
𝐹𝑅 = 𝐹𝐴𝐵 + 𝐹𝐴𝐶 = {70,7 𝑖 − 70,7 𝑘}𝑁 + {80 𝑖 + 40 𝑗 − 80 𝑘} 𝑁
𝐹𝑅 = 𝐹𝐴𝐵 = {−151 𝑖 + 40 𝑗 − 151 𝑘}𝑁
66
Nesta unidade fizemos um breve estudo sobre a álgebra vetorial
utilizada na disciplina de Mecânica, vimos às definições, operações e
aplicações.
2.8. Diretrizes para a próxima unidade
Na próxima unidade faremos um estudo sobre o equilíbrio de
partículas e diferentemente do que normalmente é estudado em Física I,
iremos falar sobre componentes mecânicos, como molas e vigas. Até a
próxima.
Resumindo
67
Unidade III – Equilíbrio de uma partícula
Objetivos desta unidade
Introduzir o conceito de diagrama de corpo livre para uma partícula.
Mostrar como resolver problemas de equilíbrio de uma partícula
usando as equações de equilíbrio.
Introdução
Nesta unidade falaremos sobre uma ferramenta poderosa no ensino
da estática o diagrama de corpo livre. Estaremos estudando todas as suas
nuances e vários tipos de casos.
Na segunda parte da unidade mostraremos como usar o diagrama
de corpo livre em situações simples de engenharia, verá também como
resolver problemas usando as equações de equilíbrio de uma partícula.
68
3. Condição de Equilíbrio de uma partícula
Dizemos que uma partícula está em equilíbrio quando está em
repouso se originalmente se achava em repouso, ou quando em
velocidade constante se originalmente estava em movimento. Muitas vezes,
no entanto, o termo ‘equilíbrio’ ou, mais especificamente, ‘equilíbrio estático’
é usado para descrever um objeto em repouso. Para manter o equilíbrio, é
necessário satisfazer à primeira lei do movimento de Newton, segundo a
qual a força resultante que atua sobre uma partícula deve ser igual à zero.
Essa condição é expressa matematicamente como:
∑ 𝐹 = 0 (3.1)
Onde ∑F é a soma vetorial de todas as forças que atuam sobre a partícula.
3.1. O diagrama de corpo livre
Para aplicar a equação de equilíbrio, devemos considerar todas as
forças conhecidas e desconhecidas (∑F) que atuam sobre a partícula. A
melhor maneira de fazer isso é pensar na partícula de forma isolada e ‘livre’
de seu entorno. Um esboço mostrando a partícula com todas as forças que
atuam sobre ela é chamado diagrama de corpo livre (DCL) da partícula.
Porém, antes de mostrarmos como funciona o processo vamos analisar
dois casos particulares.
Molas
Se uma mola (ou fio) linearmente elástica, de comprimento não
deformado lo, é usada para sustentar uma partícula, o comprimento da mola
varia em proporção direta à força F que atua sobre ela figura 3.1. Uma
69
característica que define a ‘elasticidade’ de uma mola é a constante da
mola ou rigidez k.
Figura 3.1
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 62
A intensidade da força exercida sobre a mola linearmente elástica
que tem uma rigidez k e é deformada (alongada ou comprimida) de uma
distância s = l – lo, medida a partir de sua posição de carga, é:
𝐹 = 𝑘𝑠 (3.2)
Cabos e polias
Salvo disposição em contrário, ao longo deste guia, será
considerado que todos os cabos (ou fios) têm peso desprezível e não
podem esticar. Além disso, um cabo pode suportar apenas uma força de
tração, que atua sempre na direção do cabo. Em unidade posterior,
veremos que a força de tração sobre um cabo contínuo que passa por uma
70
polia sem atrito deve ter uma intensidade constante para manter o cabo em
equilíbrio. Portanto, para qualquer ângulo θ mostrado na figura 3.2, o cabo
estará submetido a uma tração constante T ao longo de todo o seu
comprimento.
Figura 3.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 62
Procedimento para traçar um diagrama de corpo livre
Como devemos considerar todas as forças que atuam sobre a
partícula quando aplicamos as equações de equilíbrio, a importância
excessiva dada ao traçar um diagrama de corpo livre não pode ser tão
enfatizada. Para construir um diagrama de corpo livre é necessário o
seguinte procedimento.
Desenhe o contorno da partícula a ser estudada;
Mostre todas as forças;
Identifique cada força.
Vejamos o exemplo a seguir para entendermos o processo.
71
Exemplo:
A esfera da figura 3.3 (a) tem massa de 6 kg e está
apoiada como mostrado. Desenhe o diagrama de corpo livre
da esfera, da corda CE e do nó em C.
Figura 3.3(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 63
SOLUÇÃO:
Verificamos que há apenas duas forças atuando sobre a esfera,
nominalmente, seu peso, 6 kg (9,81 m/s2) = 58,9 N, e a forçada corda CE. O
diagrama de corpo livre é mostrado na figura 3.3(b).
Figura 3.3(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 63
72
Corda CE
Quando a corda CE é isolada de seu entorno, seu diagrama de
corpo livre mostra apenas duas forças atuando sobre ela, nominalmente a
força da esfera e a força do nó figura 3.3(c).
Figura 3.3(c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 63
Observe que FCE mostrada na figura é igual, mas oposta à mostrada
na figura 3.3(b), uma consequência da lei da ação e da reação de Newton.
Além disso, FCE e FEC puxam a corda e a mantém sob tração de modo que
não se rompa. Para o equilíbrio, FCE = FEC.
Nó
O nó C está sujeito a três forças figura 3.3(d). Elas são causadas
pelas cordas CBA e CE e pela mola CD. Como solicitado, o diagrama de
corpo livre mostra todas as forças identificadas por suas intensidades e
direções. É importante observar que o peso da esfera não atua diretamente
sobre o nó. Em vez disso, é a corda CE que submete o nó a essa força.
73
Figura 3.3(d)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 63
3.2. Sistemas de forças coplanares
Se uma partícula estiver submetida a um sistema de forças
coplanares localizadas no plano x-y, como mostra a figura 3.4, então cada
força poderá ser decomposta em suas componentes i e j. Para o equilíbrio,
essas forças precisam ser somadas para produzir força resultante zero, ou
seja,
∑ 𝐹 = 0
∑ 𝐹𝑥𝑖 + ∑ 𝐹𝑦𝑗 = 0
Para que essa equação vetorial seja satisfeita, as componentes x e y
da força devem ser iguais a zero. Portanto,
∑ 𝐹𝑥 = 0
(3.3)
∑ 𝐹𝑦 = 0
74
Essas duas equações podem ser resolvidas, no máximo, para duas
incógnitas, geralmente representadas como ângulos e intensidades das
forças mostradas no diagrama de corpo livre da partícula.
Quando aplicamos cada uma das equações de equilíbrio,
precisamos levar em conta o sentido da direção de qualquer componente
usando um sinal algébrico que corresponda à direção da seta da
componente ao longo do eixo x ou y. É importante notar que se a força tiver
intensidade desconhecida, no sentido da seta da força no diagrama de
corpo livre será assumido. Portanto, se a solução resultar um escalar
negativo, isso indicará que o sentido da força atua no sentido oposto ao
assumido.
Procedimento para análise
Os problemas de equilíbrio de forças coplanares para uma partícula
podem ser resolvidos usando-se o seguinte procedimento.
Diagrama de corpo livre
Estabeleça os eixos x, y com qualquer orientação adequada.
Identifique todas as intensidades e direções das forças conhecidas e
desconhecidas no diagrama.
O sentido de uma força que tenha intensidade desconhecida é
assumido.
Equações de equilíbrio
Aplique as equações de equilíbrio ∑ 𝐹𝑥 = 0 𝑒 ∑ 𝐹𝑦 = 0.
75
As componentes serão positivas se forem direcionadas ao longo de
um eixo positivo e negativas se forem direcionadas ao longo d um
eixo negativo.
Se existirem mais de duas incógnitas e o problema envolver mola,
deve-se aplicar F = ks para direcionar a força da mola à deformação
s da mola.
Como a intensidade de uma força é sempre uma quantidade
positiva, então, se a solução produzir um resultado negativo, isso
indica que o sentido da força é oposto ao mostrado no diagrama de
corpo livre (que foi assumido).
Exemplo:
1. Determine a tração nos cabos BA e BC necessária para sustentar o
cilindro de 60 kg na figura 3.4(a).
Figura 3.4(a)
76
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 65
SOLUÇÃO:
Devido ao equilíbrio o peso do cilindro faz com que a tração no cabo
BD seja 𝑇𝐴𝐵 = 60, (9,81) 𝑁, como mostra a figura 3.4 (b).
Figura 3.4(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 65
As forças nos cabos BA e BC podem ser determinadas examinando-se o
equilíbrio do Anel B. Seu diagrama de corpo livre é mostrado na figura
3.4(c). As intensidades de TA e TC são desconhecidas, mas suas direções são
conhecidas.
Figura 3.4(c)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 65
77
Aplicando-se as equações de equilíbrio ao longo dos eixos x e y,
temos:
+
→ ∑ 𝐹𝑥 = 0; 𝑇𝐶 cos 45° − (
4
5
) 𝑇𝐴 = 0 (1)
+↑ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 𝑇𝐶 sen 45° + (
3
5
) 𝑇𝐴 − 60(9,81)𝑁 = 0 (2)
A equação 1 pode ser escrita como TA = 0,8839 TC. Substituindo TA na equação
2 temos:
𝑇𝐶 𝑠𝑒𝑛 45° + (
3
5
) (0,8839 𝑇𝐶) − 60(9,81)𝑁 = 0
Assim:
𝑇𝐶 = 475,66 𝑁 ≈ 476 𝑁
Substituindo esse resultado na equação 1 ou na equação 2 temos:
𝑇𝐴 = 420 𝑁
Determine o comprimento da corda AC na figura 3.5(a), de modo
que a luminária de 8 kg seja suspensa na posição mostrada. O
comprimento não deformado da mola AB é l’AB = 0,4 m e a mola tem uma
rigidez kAB = 300 N/m.
Figura 3.5(a)
78
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 66
SOLUÇÃO:
Se a força na mola AB for conhecida, o alongamento da mola será
determinado usando F = ks. Da geometria do problema é possível então
calcular o comprimento de AC.
Diagrama de corpo livre
A luminária tem peso W = 8(9,81) = 78,5 N, e, portanto, o diagrama de
corpo livre do anel em A é mostrado na figura 3.5(b).
Figura 3.5(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 67
Equações de equilíbrio
Usando os eixos x, y;
+
→ ∑ 𝐹𝑥 = 0; 𝑇𝐴𝐵 − 𝑇𝐴𝐶 cos 30° = 0
+↑ = ∑ 𝐹𝑦 = 0; 𝑇𝐴𝐶 𝑠𝑒𝑛 30° − 78,5 𝑁 = 0
Resolvendo obtemos:
𝑇𝐴𝐶 = 157,0 𝑁
79
𝑇𝐴𝐵 = 135,9 𝑁
O alongamento da mola AB é, portanto,
𝑇𝐴𝐵 = 𝑘𝐴𝐵𝑠𝐴𝐵; 135,9 𝑁 = 300 𝑁/𝑚(𝑠𝐴𝐵)
𝑠𝐴𝐵 = 0,453 𝑚
Logo, o comprimento alongado é:
𝑙𝐴𝐵 = 𝑙′𝐴𝐵 + 𝑠𝐴𝐵
𝑙𝐴𝐵 = 0,4 𝑚 + 0,453 𝑚 = 0,853 𝑚
A distância horizontal de C e B figura 3.5(a) requer:
2 𝑚 = 𝑙𝐴𝐶 cos 30° + 0,853 𝑚
𝑙𝐴𝐶 = 1,32 𝑚
3.3. Sistemas de forças tridimensionais
No item 3.1, afirmamos que a condição necessária e suficiente para
o equilíbrio de uma partícula é:
∑ 𝐹 = 0 (3.4)
No caso de sistema de forças tridimensional, como na figura 3.6,
podemos decompor as forças em suas respectivas componentes i, j, k, de
modo que ∑ 𝐹𝑥 𝑖 + ∑ 𝐹𝑦 𝑗 + ∑ 𝐹𝑧 𝑘 = 0. Para satisfazer essa equação é
necessário que:
∑ 𝐹𝑥 = 0
∑ 𝐹𝑦 = 0 (3.5)
∑ 𝐹𝑍 = 0
80
Figura 3.6
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 75
Essas três equações estabelecem que a soma algébrica das
componentes de todas as forças que atuam sobre a partícula ao longo de
cada um dos eixos coordenados precisa ser zero. Usando-as, podemos
resolver para, no máximo, três incógnitas, geralmente representadas como
ângulos de direção coordenados ou intensidade das forças no diagrama de
corpo livre da partícula.
Procedimentos para análise
Problemas de equilíbrio de forças tridimensionais para uma partícula
podem ser resolvidos usando-se o seguinte procedimento:
Diagrama de corpo livre
Defina os eixos x, y, z em alguma orientação adequada.
Identifique todas as intensidades e direções das forças conhecidas e
desconhecidas no diagrama.
O sentido de uma força que tenha intensidade desconhecida pode
ser assumido.
81
Equações de equilíbrio
Use as equações escalares de equilíbrio, ∑ 𝐹𝑥 = 0; ∑ 𝐹𝑦 = 0; ∑ 𝐹𝑧 = 0,
nos casos em que seja fácil decompor cada força em suas
componentes x, y, z.
Se a geometria tridimensional parecer difícil, então expresse primeiro
cada força no diagrama de corpo livre como um vetor cartesiano
substitua estes vetores em ∑ 𝐹 = 0 e, em seguida, iguale a zero as
componentes i, j, j.
Se a solução de uma força produzir resultado negativo, isso indica
que o sentido da força é oposto ao mostrado no diagrama de corpo
livre.
Exemplos:
Uma carga de 90 N está suspensa pelo gancho mostrado na figura 3.7(a).
Se a carga é suportada por doiscabos e uma mola com rigidez k = 500
N/m, determine a força nos cabos e o alongamento da mola para a
condição de equilíbrio. O cabo AD está no plano x-y e o cabo no plano x-z.
Figura 3.7(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 76
82
SOLUÇÃO:
O alongamento da mola poderá ser determinado depois que a força
sobre a mola for determinada.
Diagrama de corpo livre
A conexão em A foi escolhida para a análise de equilíbrio, visto que
as forças dos cabos são concorrentes nesse ponto. O diagrama de corpo
livre é mostrado na figura 3.7(b).
Figura 3.7(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 76
Equações de equilíbrio
Cada força pode ser facilmente decomposta em suas componentes
x, y, z, e, portanto as três equações de equilíbrio escalares podem ser
usadas. Considerando as componentes direcionadas ao longo do eixo
positivo como ‘positivas’, temos:
83
∑ 𝐹𝑥 = 0 𝐹𝐷 𝑠𝑒𝑛 30° − (
4
5
) 𝐹𝐶 = 0
(1)
∑ 𝐹𝑦 = 0 − 𝐹𝐷 cos 30° + 𝐹𝐵 = 0 (2)
∑ 𝐹𝑧 = 0 (
3
5
) 𝐹𝐶 − 90 𝑁 = 0
(3)
Resolvendo a Equação 3 para FC, depois a equação 1 para FD e, finalmente, a
equação 2 para FB, temos:
Fc = 150 N
FD = 240 N
FB = 207,8 N
Portanto, o alongamento da mola é:
𝐹𝐵 = 𝑘𝑠𝐴𝐵
207,8 𝑁 = (500
𝑁
𝑚
) (𝑠𝐴𝐵)
𝑠𝐴𝐵 = 0,416 𝑚
1. A luminária de 10 kg mostrada na figura 3.8(a) é suspensa pelas três
cordas de mesmo comprimento. Determine sua menor distância
vertical s a partir do teto, para que a força desenvolvida em qualquer
corda não exceda 50 N.
84
Figura 3.8(a)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 77
SOLUÇÃO:
Diagrama de corpo livre
Devido à simetria figura 3.8(b), a distância DA = DB = DC = 600 mm.
Logo como ∑ 𝐹𝑥 = 0 𝑒 ∑ 𝐹𝑦 = 0, a tração T em cada corda será a mesma.
Também, o ângulo entre a corda e o eixo z é γ.
Figura 3.8(b)
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 77
85
Equação de Equilíbrio
Aplicando a equação de equilíbrio ao longo do eixo z, com T = 50 N,
temos:
∑ 𝐹𝑍 = 0; 3[(50 𝑁) cos 𝛾] − 10(9,81)𝑁 = 0
𝛾 = 𝑐𝑜𝑠−1
98,1
150
= 49,16°
Do triângulo sombreado cinza, mostrado na figura 3.8(b),
𝑡𝑔 49,16° =
600 𝑚𝑚
𝑠
𝑠 = 519 𝑚𝑚
Nesta unidade vimos como se confeccionar um diagrama de corpo
livre e como resolver os diversos tipos de problemas relativos à equilíbrio de
corpos.
3.4. Diretrizes para a próxima unidade
Na próxima unidade faremos um estudo sobre como calcular o
momento de uma força de duas e três dimensões e como reduzir um
carregamento distribuído simples em uma força resultante e seu ponto de
aplicação. Até a próxima.
Resumindo
86
Unidade IV – Resultado de um sistema de forças
Objetivos desta unidade
Discutir o conceito de movimento de uma força e mostrar como
calculá-lo em duas e três dimensões.
Fornecer um método para determinação do momento de uma força
em relação a um eixo específico.
Definir o momento de um binário.
Apresentar métodos para a determinação das resultantes de
sistemas de forças não concorrentes.
Mostrar como converter uma carga distribuída simples em uma
força resultante e seu ponto de aplicação.
Introdução
Momento é a tendência de uma força a girar um corpo rígido em
torno de um eixo fixo. O momento está diretamente ligado a intensidade da
força do vetor força bem como com a distância da linha de ação do vetor
força em relação a um eixo fixo, ou um ponto de referência.
Considere-se uma força F que atua em um corpo rígido fixo no ponto
O, como indicado na 4.2
87
Figura 4.2
O vetor F, representa o vetor força, e sua direção e sentido, podemos
adotar como sendo linha de ação do vetor, uma reta que tem mesma
direção do vetor F, entre outras palavras, por onde o vetor F pode atuar. O
vetor d é a distância perpendicular de O a linha de ação do vetor F.
Define-se momento escalar do vetor F em relação à O, como sendo:
Existe ainda uma convenção de sinal que deve ser respeitada para
adotarmos o sentido correto do momento. Assim como para os eixos x e y,
88
onde o sentido positivo destes eixos são para o lado direita e para cima,
respectivamente, existe a convenção do sinal para o momento. Momentos
que tendem a girar o corpo, em torno do eixo, no sentido anti-horários, são
considerados positivos, e no sentido horários, negativos.
A direção que momento assume, será sempre ortogonal ao plano
que se encontra a força e o braço de alavanca.
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 84
Para problemas bidimensionais, em que todas as forças estão no
plano x –y figura 4.3, o momento resultante (MR)o em relação ao ponto O ( o
eixo z) pode ser determinado pela adição algébrica dos momentos
causados no sistema por todas as forças.
89
Figura 4.3
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 86
O momento resultante nessa figura é:
Exemplo
Determine o momento resultante das quatro forças que atuam na
barra mostrada na figura 4.4, em relação ao ponto O.
Figura 4.4
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 87
90
Solução:
Assumindo que momentos positivos atuam na direção +k, ou seja,
no sentido anti-horário, temos:
+ 𝑀𝑅𝑂 = ∑ 𝐹𝑑;
𝑀𝑅𝑂 = −50 𝑁(2 𝑚) + 60 𝑁(0) + 20 𝑁(3 𝑠𝑒𝑛 30º 𝑚)
𝑀𝑅𝑂 = −40𝑁(4 𝑚 + 3 𝑐𝑜𝑠 30º 𝑚)
𝑀𝑅𝑂 = −334 𝑁. 𝑚 = 334 𝑁. 𝑚 (horário)
Para esse cálculo note que as distâncias dos braços dos momentos
para as forças de 20 N e 40 N foram estabelecidas pelo prolongamento das
linhas de ação (tracejadas) de cada uma delas.
4. Produto Vetorial
O produto de dois vetores A e B produz o vetor C, que é escrito
C = A x B (4.2)
é lido como C = A vetor B.
Intensidade
A intensidade de C é definida como o produto das intensidades de A
e B e o seno do ângulo θ entre suas origens (0º ≤ θ ≤ 180º). Logo C = AB sen
θ.
Ou, conhecendo o vetor do momento, basta retirar o módulo, como
qualquer outro vetor
91
Direção
Conforme a figura 4.5, conhecendo a direção e a intensidade de C,
podemos escrever:
𝐶 = 𝐴 𝑥 𝐵 = (𝐴𝐵 𝑠𝑒𝑛 𝜃)𝑢𝑐 (4.3)
Figura 4.5
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 88
Propriedades da Operação
A propriedade da cumutatividade não é válida; ou seja, A x B ≠ B x A.
Em vez disso, conforme vemos na figura 4.6, temos:
𝑨 𝒙 𝑩 = −𝑩 𝒙 𝑨
92
,
Figura 4.6
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 88
Se o produto vetorial for multiplicado por um escalar a, ele
obedecerá à propriedade associativa;
𝒂 (𝑨 𝒙 𝑩) = (𝒂𝑨)𝒙 𝑩 = 𝑨 𝒙 (𝒂𝑩) = (𝑨 𝒙 𝑩)𝒂
O produto vetorial também obedece à propriedade distributiva da
adição,
𝑨 𝒙 (𝑩 + 𝑫) = (𝑨 𝒙 𝑩) + (𝑨 𝒙 𝑫)
Formulação do vetor cartesiano
Como podemos ver na figura 4.7, o vetor resultante aponta na
direção +k. Portanto, i x j = (1)k.
Podemos fazer esta análise para os outros eixos, utilizando claro a
mesma regra da mão direita.
Assim sendo, teremos:
93
Figura 4.7
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 90
Um esquema simples é útil para a obtenção dos mesmos resultados
quando for necessário é mostrado na figura 4.8 abaixo.
Figura 4.8
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 90
Matematicamente, podemos ver na expressão abaixo, como fazer
esta representação.
94
𝐴 𝑥 𝐵 = |
𝑖 𝑗 𝑘
𝐴𝑥 𝐴𝑦 𝐴𝑧
𝐵𝑥 𝐵𝑦 𝐵𝑧
| (4.4)
Sendo assim:
Figura 4.8 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 90
Para obter o produto vetorial de quaisquervetores cartesianos A e B,
é necessário expandir um determinante cuja primeira linha de elementos
consiste dos vetores unitários i, j, k; e a segunda e terceira linhas são as
componentes x, y, z dos dois vetores A e B, respectivamente.
4.1. Momento de uma força – formulação vetorial
O memento de uma força F em relação a um ponto O ou, mais
exatamente, em relação ao eixo do momento que passa por O e é
perpendicular ao plano de O e F, veja a figura 4.9a pode ser expresso na
forma de um produto vetorial, nominalmente,
Mo = r x F (4.5)
95
Figura 4.9a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 90
Nesse caso, r representa um vetor posição dirigido de O até algum
ponto sobre a linha de ação do vetor F. Vamos mostrar agora que, de fato, o
momento Mo, quando obtido por esse produto vetorial, possui intensidade e
direção próprias.
Intensidade
A intensidade do produto vetorial é definida como 𝑀𝑜 = 𝑟. 𝐹. 𝑠𝑒𝑛 𝜃. O
ângulo θ é medido entre as origens de r e F. Para definir esse ângulo, r deve
ser tratado como um vetor deslizante, de modo que θ possa ser
representado corretamente, conforme a figura 4.9b. Uma vez que o braço
do momento 𝑑 = 𝑟 𝑠𝑒𝑛 𝜃, então:
𝑀𝑜 = 𝑟𝐹 𝑠𝑒𝑛 𝜃 = 𝐹(𝑟 𝑠𝑒𝑛 𝜃) = 𝐹. 𝑑
96
Figura 4.9b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 90
Direção
A direção e o sentido de Mo são determinados pela regra da mão
direita do produto vetorial. Assim, deslizando r ao longo da linha tracejada e
curvando os dedos da mão direita de r para F (‘r vetor F’), o polegar fica
direcionado para cima ou perpendicular ao plano que contém r e F, que
está na mesma direção de Mo, no momento da força em relação ao ponto O
da figura 4.9b.
Principio da Transmissibilidade
Podemos usar qualquer vetor posição r medido do ponto O a
qualquer ponto sobre a linha de ação da força F. Veja na figura 4.10.
97
Figura 4.10
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 91
Formulação do vetor cartesiano
Se estabelecermos os eixos coordenados x, y, z, estão na posição r e
a força F podem ser expressas como vetores cartesianos conforme a figura
4.11a.
Figura 4.11a
98
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 91
Matematicamente:
𝑀𝑜 = 𝑟 𝑥 𝐹 = |
𝑖 𝑗 𝑘
𝑟𝑥 𝑟𝑦 𝑟𝑧
𝐹𝑥 𝐹𝑦 𝐹𝑧
| (4.6)
Se o determinante for expandido, temos:
𝑀𝑜 = (𝑟𝑦𝐹𝑧 − 𝑟𝑧𝐹𝑦)𝑖 − (𝑟𝑥𝐹𝑧 − 𝑟𝑧𝐹𝑥)𝑗 + (𝑟𝑥𝐹𝑦 − 𝑟𝑦𝐹𝑥)𝑘 (4.7)
O significado físico dessas três componentes do movimento se torna
evidente ao analisar a Figura 4.11b.
Figura 4.11b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 91
Momento resultante de um sistema de forças
99
Se um corpo é submetido à ação de um sistema de forças conforme
figura 4.12, o momento resultante das forças em relação ao ponto O pode
ser determinado pela adição vetorial do momento de cada força. Essa
resultante pode ser escrita simbolicamente como:
𝑀𝑅𝑂= ∑(𝑟 𝑥 𝐹) (4.8)
Figura 4.12
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 92
Exemplo
Determine o momento produzido pela força F na figura
4.13 em relação ao ponto O. Expresse o resultado
como vetor cartesiano.
100
Figura 4.13
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 92
Solução:
Como mostra a figura, tanto rA quanto rB podem ser usados para
determinar o momento em relação ao ponto O. Esses vetores posição são:
rA = {12k} m e rB = {4i + 12j} m
A força F expressa como um vetor cartesiano é:
𝐹 = 𝐹𝑢𝐴𝐵 = 2 𝑘𝑁 [
{4𝑖 + 12𝑗 − 12𝑘}𝑚
√(4 𝑚)2 + (12 𝑚)2 + (−12)2
]
𝐹 = {0,4588𝑖 + 1,376𝑗 − 1,376𝑘}𝑘𝑁
Logo,
𝑀𝑜 = 𝑟𝐴 𝑥 𝐹 = |
𝑖 𝑗 𝑘
0 0 12
0,4588 1,376 −1,376
|
101
𝑀𝑜 = [0(−1,376) − 12(1,376]𝑖 − [0(−1,376) − 12(0,4588)]𝑗
+ [0(−1,376) − 0(0,4588)]𝑘
𝑀𝑜 = {−16,5𝑖 + 5,51𝑗}𝑘𝑁. 𝑚
4.4 O princípio dos momentos
Um conceito bastante usado na mecânica é o princípio dos
momentos, que, algumas vezes, é referido como o teorema de Varignon.
Ele estabelece que o momento de uma força em relação a um ponto é
igual a soma dos momentos das componentes da força em relação ao
mesmo ponto. Assim,
Como F = F1 + F2, temos:
𝑀𝑂 = 𝑟 𝑥 𝐹 = 𝑟 𝑥 (𝐹1 + 𝐹2) = 𝑟 𝑥 𝐹1 + 𝑟 𝑥 𝐹2
Veja a figura 4.14
Figura 4.14
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 93
Para problemas bidimensionais: 𝑀𝑂 = 𝐹𝑦𝑥 − 𝐹𝑥𝑦. Veja a figura 4.15.
102
Figura 4.15
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 94
Pontos importantes
O momento de uma força cria a tendência de um corpo girar em
torno de um eixo passando por um ponteiro específico O.
Usando a regra da mão direita, o sentido de rotação é indicado pela
curva dos dedos, e o polegar é direcionado ao longo do eixo do
momento, ou linha de ação do momento.
A intensidade do momento é determinada através de MO = Fd, onde
d é chamado o braço do momento, que representa a distância
perpendicular ou mais curta do ponto O à linha de ação da força.
Em três dimensões, o produto vetorial é usado para determinar o
momento, ou seja, MO = r x F. lembre-se de que r está direcionado
do ponto O a qualquer ponto sobre a linha de ação de F.
O princípio dos momentos afirma que o momento de uma força em
relação a um ponto é igual à soma dos momentos das componentes
da força em relação ao mesmo ponto.
Exemplo
103
Determine o momento da força na figura 4.16a em relação ao ponto
O.
Figura 4.16a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 94
Solução:
O braço do momento d da figura 4.16a pode ser determinado por meio da
trigonometria.
𝑑 = (3𝑚)𝑠𝑒𝑛 75º = 2,898 𝑚
Logo,
𝑀𝑂 = 𝐹𝑑 = (5 𝑘𝑁)(2,898 𝑚) = 14,5 𝑘𝑁. 𝑚
Como a força tende a girar ou orbitar no sentido horário em torno do ponto
O, o momento está direcionado para dentro da página.
Exemplo:
A força F age na extremidade da cantoneira mostrada na figura 4.17a.
Determine o momento da força em relação ao ponto O.
104
Figura 4.17a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 95
Solução:
A força é decomposta em suas componentes x e y, como mostra a figura
4.17b; então,
Figura 4.17b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 95
+ 𝑀𝑂 = 400 𝑠𝑒𝑛 30° 𝑁(0,2 𝑚) − 400. cos 30° 𝑁(0,4 m)
+ 𝑀𝑂 = −98,6 𝑁. 𝑚 = 98,6 𝑁. 𝑚
ou
𝑀𝑂 = {−98,6 𝑘}𝑁. 𝑚
105
Podemos resolver este exercício de outra maneira, ou seja, usando a
análise vetorial, mas para isso vamos nos basear na figura 4.17c.
Figura 4.17c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 95
Empregando uma abordagem do vetor cartesiano, os vetores de
força e posição mostrados na figura, são:
𝑟 = {0,4𝑖 − 0,2𝑗}𝑚
𝐹 = {400 𝑠𝑒𝑛 30°𝑖 − 400 cos 30𝑗} 𝑁
𝐹 = {200,0𝑖 − 346,4𝑗}𝑁
Portanto, o momento é:
𝑀𝑂 = 𝑟 𝑥 𝐹 = |
𝑖 𝑗 𝑘
0,4 −0,2 0
200,0 −346,4 0
|
𝑀𝑂 = 0𝑖 − 0𝑗 + [0,4(−346,4) − (−0,2)(200,0)]𝑘
𝑀𝑂 = {−98,6𝑘}𝑁. 𝑚
106
Referenciais para a próxima unidade
Na próxima iremos desenvolver as equações de equilíbrio para um
corpo rígido e também introduzir o conceito de diagrama de corpo livre
para um corpo rígido. Até a próxima!
107
Unidade V – Equilíbrio de um corpo rígido
Objetivos desta unidade
Desenvolver as equações de equilíbrio para um corpo rígido.
Introduzir o conceito de corpo livre para um corpo rígido.
Mostrar como resolver problemas de equilíbrio do corpo rígido
usando as equações de equilíbrio.
Introdução
Como mostra a figura 5.1a, este corpo está sujeito a um sistema
externo de força e momento de binário (Momento criado por duas forças
de mesma intensidade e direção, porém sentidos contrários,separados por
uma distância r) que é o resultado dos efeitos das forças gravitacionais,
elétricas, magnéticas ou de contato causadas pelos corpos adjacentes.
Figura 5.1a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 145
108
O sistema de força e momento de binário que atuam sobre um
corpo pode ser reduzido a uma força resultante e um momento de binário
resultante equivalentes em qualquer ponto O arbitrário dentro ou fora do
corpo. Se essa força e momento de binários resultantes são ambos iguais a
zero, então dizemos que o corpo está em equilíbrio. Conforme podemos ver
na figura 5.1b, a seguir:
Figura 5.1b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 146
Matematicamente, o equilíbrio de um corpo é expresso como:
𝐹𝑅 = ∑ 𝐹 = 0
(𝑀𝑅)0 = ∑ 𝑀0 = 0 (5.1)
Essas duas equações não são apenas necessárias para o equilíbrio;
elas são também suficientes.
Considere a soma dos momentos em relação a algum outro ponto,
como o ponto A na figura 5.1c:
109
Figura 5.1c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 146
Precisamos de:
∑ 𝑀𝐴 = 𝑟 𝑥 𝐹𝑅 + (𝑀𝑅)0 = 0
Ao aplicarmos as equações de equilíbrio, assumiremos que o corpo
permanece rígido. Na verdade, entretanto todos os corpos deformam
quando sujeitos a cargas. Embora esse seja o caso muitos dos materiais
usados em engenharia, como o aço e o concreto, são muito rígidos e,
portanto, sua deformação normalmente é muito pequena.
Consequentemente, quando aplicamos as equações de equilíbrio, em geral
podemos assumir, sem introduzir qualquer erro significativo, que o corpo
permanecerá rígido e não deformará sob a carga aplicada. Desse modo, a
direção das forças aplicadas e seus braços de momento com relação a
uma referência fixa permanecem invariáveis antes e após o corpo ser
carregado.
5. Equilíbrio em duas dimensões
Consideraremos o caso em que o sistema de forças que age sobre um
corpo rígido se situa em, ou pode ser projetado para, um único plano e,
110
além disso, quaisquer momentos de binário atuando sobre o corpo são
direcionados perpendicularmente para esse plano.
Esse tipo de sistema de força e binário é frequentemente referido
como um sistema de forças bidimensional ou coplanar.
Veja por exemplo a figura 5.2:
Figura 5.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 146
5.1. Diagramas de corpo livre
O diagrama de corpo livre é um esquema da forma do corpo, que o
representa isolado ou “livre” de seu ambiente, ou seja, um “corpo
livre”.
Um entendimento completo de como desenhar um diagrama de
corpo livre é de primordial importância para a resolução de
problemas de mecânica.
111
5.1.1. Reações de apoio
Vamos analisar vários tipos de reações que ocorrem em apoios e
pontos de contato entre corpos sujeitos a sistemas de forças coplanares.
Como regra geral:
Se o apoio impede a translação do corpo em uma determinada
direção, então, uma força é desenvolvida no corpo nessa direção.
Se a rotação é impedida, um momento de binário é exercido sobre o
corpo.
Por exemplo, vamos considerar três maneiras na qual um membro
horizontal, como uma viga, é apoiado na sua extremidade.
Um método consiste de um rolete ou cilindro. Vejamos na figura 5.3a
e 5.3b, respectivamente.
Figura 5.3a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
Figura 5.3b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
Como esse suporte apenas impede que a viga translade na direção
vertical, o rolete só exercerá uma força sobre a viga nessa direção.
112
A viga pode ser apoiada de uma forma mais restritiva por meio de
um pino. Conforme podemos ver na figura 5.3c.
Figura 5.3c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
Aqui o pino pode impedir a translação da viga em qualquer direção
Φ c, portanto o pino pode exercer uma força F sobre a viga nessa direção.
Veja a figura 5.3d.
Figura 5.3d
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
Para fins de análise, geralmente é mais fácil representar essa força
resultante F por suas duas componentes retangulares Fx e Fy. Conforme
podemos ver na figura 5.3e.
Figura 5.3e
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
113
A maneira mais restritiva de apoiar a viga seria usar um apoio do tipo
engaste. Esse apoio impedirá tanto a translação quanto a rotação da viga.
Veja na figura 5.3 f.
Figura 5.3f
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
Para fazer isso, uma força e momento de binário devem ser
desenvolvidos sobre a viga em seu ponto de conexão. Veja na figura 5.3g.
Figura 5.3g
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
A tabela 5.1 relaciona outros tipos comuns de apoio para corpos
sujeitos a sistemas de forças coplanares bidimensionais.
114
Tabela 5.1a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 147
115
Tabela 5.1b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 148
Exemplos mais comuns de suportes reais são mostrados na
seguinte sequência de fotos.
116
Nesta foto podemos perceber que o cabo exerce uma força sobre o
suporte, na direção do cabo.
Já nesta foto, o suporte rocker para esta viga mestra da ponte
permite um movimento horizontal de modo que a ponte esteja livre para
expandir e contrair devido às mudanças de temperatura.
Conforme podemos ver nesta foto, esta viga mestra de concreto está
apoiada sobre a base que deve agir como uma superfície de contato lisa.
117
Já está construção utilitária é suportada por pinos no alto da coluna.
Finalmente nesta foto, as vigas de solo desta construção são
soldadas e, portanto, formam conexões fixas.
5.1.2. Forças internas
As forças internas que atuam entre partículas adjacentes em um
corpo sempre ocorrem em pares colineares de modo que tenham a
mesma intensidade e ajam em sentidos opostos (terceira lei de Newton).
118
Como essas forças se cancelam mutuamente, elas não criarão um
efeito externo sobre o corpo. É por essa razão que as forças internas não
devem ser incluídas no diagrama de corpo livre se o corpo inteiro precisa
ser considerado.
Por exemplo, o motor mostrado na figura 5.4a tem um diagrama de
corpo livre mostrado na figura 5.4b.
Figura 5.4a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 149
Figura 5.4b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 149
119
5.1.3. O peso e o centro de gravidade
Quando um corpo está dentro de um campo gravitacional, cada
uma de suas partículas possui um peso específico.
O sistema de forças pode ser reduzido a uma única força resultante
que age em um ponto específico. Essa força resultante é chamada de peso
W do corpo, e a posição de seu ponto de aplicação, de centro de
gravidade.
5.1.4. Modelos idealizados
Os dois casos a seguir ilustram o que é necessário para desenvolver
um modelo adequado.
Na figura 5.5a, a viga de aço deve ser utilizada para apoiar as três
vigas do telhado de um edifício. Para uma análise de força, é razoável
assumir que o material (aço) é rígido, já que apenas pequenas
deformações ocorrerão quando a viga é carregada.
Figura 5.5a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 150
120
A conexão aparafusada em A permitirá que qualquer rotação leve
que ocorra aqui quando a carga for aplicada e, assim, um pino pode ser
considerado para esse apoio. Em B, um rolete pode ser considerado, já que
esse suporte não oferece qualquer resistência ao movimento horizontal.
Normas para edificação são usadas para especificar a carga A de um
telhado de modo que as cargas de viga F possam ser calculadas. Essas
forças serão maiores do que qualquer carga real na viga, uma vez que elas
consideram casos extremos de cargae efeitos dinâmicos ou vibracionais.
Finalmente o peso da viga geralmente é desprezado quando é pequeno
comparado com a carga que ela suporta. O modelo idealizado da viga,
portanto, é mostrado com dimensões médias a, b, c e d na figura 5.5b.
Figura 5.5a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 150
5.1.5. Procedimentos para análise
Desenhe de forma esboçada.
Mostre todas as forças e momentos de binário.
Identifique cada carga e dimensões.
121
5.1.6. Pontos importantes
Nenhum problema de equilíbrio deve ser resolvido sem antes
desenhar o diagrama de corpo livre, a fim de considerar todas as
forças e momentos de binário que atuam sobre o corpo.
Se um suporte impede a translação de um corpo em uma
determinada direção, então o suporte exerce uma força sobre o
corpo nessa direção.
Se a rotação é impedida, então o suporte exerce um momento de
binário sobre o corpo.
Estude a tabela 5.1.
As forças internas nunca são mostradas no diagrama de corpo livre,
já que elas ocorrem em pares colineares iguais, mas opostos e,
portanto, se cancelam.
O peso de um corpo é uma força externa e seu efeito é representado
por uma única força resultante que atua sobre o centro de gravidade
G do corpo.
Momentos de binário podem ser colocados em qualquer lugar no
diagrama de corpo livre, já que são vetores livres. As forças podem
agir em qualquer ponto ao longo de suas linhas de ação, já que são
vetores deslizantes.
Exemplo:
Desenhe um diagrama de corpo livre da viga uniforme mostrada na figura
5.6a. A viga possui uma massa de 100 kg.
122
Figura 5.6a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 152
SOLUÇÃO:
O diagrama de corpo livre da viga é mostrado na figura 5.6b. Como o
suporte em A é fixo, a parede exerce três reações sobre a viga,
representadas como Ax, Ay e Ma. As intensidades dessas reações são
desconhecidas e seu sentido foi assumido. O peso da viga W = 100(9,81) N
= 981 N, atua através do centro de gravidade da viga G, que está a 3 m de
A, já que a viga é uniforme.
Figura 5.6b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 152
123
5.1.7. Equações de Equilíbrio
As condições de equilíbrio em duas dimensões são:
∑ 𝐹𝑋 = 0
∑ 𝐹𝑦 = 0
∑ 𝑀𝑜 = 0
(5.2)
5.1.8. Procedimentos para análise
Diagrama de corpo livre
Estabeleça os eixos coordenados x, y em qualquer orientação
apropriada.
Desenhe uma forma esquemática do corpo.
Mostre todas as forças e momentos de binário que atuam sobre o
corpo.
Rotule todas as cargas e especifique suas direções em relação ao
eixo x ou y. O sentido de uma força ou momento de binário de
intensidade desconhecida, mas com uma linha de ação conhecida
pode ser assumido.
Indique as dimensões do corpo necessárias para calcular os
momentos de forças.
Equações de equilíbrio
124
Aplique a equação de equilíbrio de momento em relação a um ponto
(O) localizada na interseção das linhas de ação das duas forças
desconhecidas. Assim, os momentos dessas incógnitas são iguais a
zero em relação a O, e uma solução direta para a terceira incógnita
pode ser determinada.
Ao aplicar as equações de equilíbrio de força, oriente os eixos x e y
ao longo das linhas que fornecerão a decomposição simples das
forças em suas componentes x e y.
Se a solução das equações de equilíbrio produzir um escalar
negativo para uma intensidade de força ou momento de binário, isso
indica que o sentido é oposto ao que foi presumido no diagrama de
corpo livre.
125
Unidade VI – Análise Estrutural
Objetivos desta unidade
Mostrar como determinar as forças nos membros de uma treliça
usando o método dos nós e o método das seções.
Analisar as forças que atuam nos membros de estruturas e
máquinas compostas de membros conectados por pinos.
Introdução
Treliça é uma estrutura de membros esbeltos conectados entre si
em suas extremidades.
Os membros normalmente usados em construções consistem de
escoras de madeira ou barras de metal. A treliça mostrada na figura a
seguir é um exemplo típico de treliça de telhado.
Figura 6.1a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 195
126
Como esse peso atua no mesmo plano da treliça, as análises das forças
desenvolvidas nos membros da treliça são bidimensionais, veja a figura
abaixo:
Figura 6.1b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 195
No caso de uma ponte, o peso do tabuleiro é primeiramente
transmitido para as longarinas, depois para as vigas de pisos e, finalmente
para os nós das duas treliças laterais.
Figura 6.1c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 196
127
Assim como no telhado, o peso da ponte de treliça é coplanar.
Figura 6.1d
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 196
Pressupostos para projeto
Para projetar os membros e as conexões de uma treliça, é
necessário primeiro determinar a força desenvolvida em cada membro
quando a treliça está sujeita a um determinado carregamento. Para isso,
faremos duas hipóteses importantes:
Todas as cargas são aplicadas nos nós: Em muitas situações, tais
como para treliças de ponte e de telhado, essa hipótese é
verdadeira.
Os membros são unidos entre si por pinos lisos: As conexões
normalmente são formadas aparafusando os soldando as
extremidades dos membros a uma placa comum, chamada placa
de ligação como mostra a figura 6.2a.
128
Figura 6.2a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 196
Ou simplesmente passando um grande parafuso ou pino através de
cada um dos membros figura 6.2b.
Figura 6.2b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 196
Podemos assumir que essas conexões atuam como pinos, já que as
linhas centrais dos membros articulados são concorrentes, como na figura
6.3.
Devido a esses dois pressupostos, cada membro de treliça agirá como um
membro de duas forças e, portanto, a força atuando em cada extremidade
129
do membro será direcionado ao longo do eixo do membro. Se a força
tende a alongar o membro, ela será uma força de tração (T) figura 6.3a.
Figura 6.3a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 197
Se a força tende a encurtar o membro, é uma força de compressão
(C), figura 6.3b.
130
Figura 6.3b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 197
No projeto inicial de uma treliça, é importante especificar se a
natureza da força é de tração ou de compressão. Frequentemente, os
membros em compressão precisam ser fabricados mais espessos do que
os mesmos em tração, devido a flambagem que ocorre com o membro
está em compressão.
Se os três membros são conectados por pino em suas extremidades,
eles formam uma treliça triangular rígida.
131
Figura 6.4
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 197
Unir dois ou mais membros e conectá-los a um novo nó D forma
uma treliça maior.
Figura 6.5
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 197
132
6.1. O método dos nós
Para analisar ou projetar uma treliça, é necessário determinar a força
de cada um de seus membros. Uma maneira de fazer isso é usar o método
dos nós.
Como os membros de uma treliça plana são membros de duas
forças retas situadas em um único plano, cada nó está sujeito a um sistema
de forças que é coplanar e concorrente. Como resultado, apenas ∑Fx = 0 e ∑Fy
= 0 precisam ser satisfeitos para o equilíbrio.
Por exemplo, três forças atuam sobre o pino, a saber, a força de 500
Ne as forças exercidas pelos membros BA e BC.
Figura 6.6
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 197
O diagrama de corpo livre do pino é mostrado na figura a seguir:
133
Figura 6.6 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 198
AquiFBA está puxando o pino, o que significa que o membro BA está
em tração; enquanto FBC está empurrando o pino e, portanto, o membro BC
está em compressão. Esses efeitos são claramente demonstrados
isolando-se o nó com pequenos segmentos dos membros conectados ao
pino (figura 6.6 b)
Figura 6.6 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 198
Ao usar o método dos nós, sempre comece em um nó que tenha
pelo menos uma força conhecida e no máximo duas forças desconhecidas.
Desse modo, a aplicação de ∑Fx = 0 e ∑Fy = 0, produz duas equações
algébricas que podem ser resolvidas para as duas incógnitas. Ao aplicar
134
essas equações, o sentido correto de uma força de membro desconhecida
pode ser determinado um dos dois métodos possíveis.
O sentido correto da direção de uma força da incógnita pode, em
muitos casos, ser determinado por observação.
Em casos mais complexos, o sentido de uma força do membro
incógnito pode ser assumido.
Sempre considere que as forças do membro incógnito que atuam no
diagrama de corpo livre do nó que está sob tração.
Dessa maneira, a solução numérica das equações de equilíbrio
produzirá escalares positivos para os membros sob tração e escalares
negativos para membros sob compressão.
Uma vez que uma força de membro incógnito é encontrada, usa-se
sua intensidade no diagrama de corpo livre do nó subsequente.
PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE
Desenhe o diagrama de corpo livre de um nó tendo pelo menos uma
força conhecida e no máximo duas forças desconhecidas. (Se não existir
este nó, então pode ser necessário primeiro calcular as reações externas no
suporte.)
Use um dos métodos descritos acima para estabelecer o sentido de
uma força desconhecida.
Usando os resultados calculados, continue a analisar cada um dos
outros nós.
Oriente os eixos x e y de modo que as forças no diagrama de corpo
livre possam ser facilmente decompostas em uma das componentes x e y
135
e, depois, aplique as duas equações de equilíbrio da força ∑Fx = 0 e ∑Fy = 0.
Resolva para as duas forças de membros desconhecidas e verifique seu
uso correto.
Lembre-se que um membro sob compressão “empurra” o nó e um
membro sob tração “puxa” o nó. Além disso, certifique-se de escolher um
nó que tenha pelo menos uma força conhecida e no máximo duas forças
desconhecidas.
Exemplo 1
Determinar a força em cada membro da treliça mostrada na figura 6.7ª e
indique se os membros estão sob tração ou compressão.
Figura 6.7 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 199
Como não devemos ter mais do que duas forças incógnitas no nó e
não menos que uma força conhecida atuando ali, começaremos nossa
análise com o nó B.
Nó B
O diagrama de corpo livre do nó B é mostrado na figura 6.7 b.
aplicando as equações de equilíbrio, temos:
136
Figura 6.7 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 199
+
→ ∑ 𝐹𝑋 = 0; 500𝑁 − 𝐹𝐵𝐶 . 𝑠𝑒𝑛 45° = 0 𝐹𝐵𝐶 = 707,1 𝑁(𝐶)
+↑ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 𝐹𝐵𝐶 cos 45° − 𝐹𝐵𝐴 = 0 𝐹𝐵𝐴 = 500 𝑁(𝑇)
Como a força no membro BC foi calculada, podemos proceder à
análise do nó C para determinar a força no membro CA e a reação no apoio
móvel.
Perceba ainda que no diagrama de corpo livre, foi adotado o
sentido de BC chegando no nó, isso porque, neste caso, foi fácil determinar
que a barra está sendo comprimida, desse modo o resultado foi um escalar
positivo, contudo deve ser informado ao final dos cálculos que se trata de
uma barra comprimida.
Nó C
Pelo diagrama de corpo livre do nó C (figura 6.7 c), temos:
137
Figura 6.7 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 199
+
→ ∑ 𝐹𝑋 = 0; − 𝐹𝐶𝐴 + 707,1 cos 45° 𝑁 = 0 𝐹𝐶𝐴 = 500 𝑁 (𝑇)
+↑ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 𝐶𝑦 − 707,1 𝑠𝑒𝑛 45° 𝑁 = 0 𝐶𝑦 = 500 𝑁
Nó A
Embora não seja necessário, podemos determinar as componentes
das reações de apoio no nó A usando os resultados de FAC e FAB. Através do
diagrama de corpo livre (figura 6.7 d), temos:
Figura 6.7 d
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 199
+
→ ∑ 𝐹𝑋 = 0; 500 𝑁 − 𝐴𝑋 = 0 𝐴𝑋 = 500 𝑁
138
+↑ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 500 𝑁 − 𝐴𝑦 = 0 𝐴𝑦 = 500 𝑁
Observação: Os resultados da análise são resumidos na figura 6.7 e.
Observe que o diagrama de corpo livre de cada nó (ou pino) mostra os
efeitos de todos os membros conectados e forças externas aplicadas ao nó,
enquanto o diagrama de corpo livre de cada momento mostra apenas os
efeitos dos nós sobre o membro.
Figura 6.7 e
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 199
Via de regra, para evitarmos o esquecimento de mencionar se está
sendo tracionada ou comprimida, adote todas as barras saindo do nó,
como se fossem tração, se o resultado for positivo, indica que realmente ela
está sendo tracionada, se o resultado for negativo, saberemos que ela está
sob compressão.
139
6.2. Membros de força zero
Os membros de força zero são usados para aumentar a estabilidade
da treliça durante a construção e para fornecer um apoio adicional se o
carregamento for alterado.
Em geral, os membros de força zero de uma treliça podem ser
determinados por observação de cada um dos nós.
Por exemplo, considere uma treliça mostrada na figura 6.8 a. Se um
diagrama de corpo livre do pino no nó A for desenhado (figura 6.8 b) vemos
que os membros AB e AF são membros de força zero.
Figura 6.8 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
140
Figura 6.8 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
De modo semelhante, considere o diagrama de corpo livre do nó D:
Figura 6.8 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
A partir dessas observações, podemos concluir que, se apenas dois
membros formam um nó de treliça e nenhum peso externo ou reação de
141
suporte é aplicado ao nó, os dois membros podem ser membros de força
zero.
O peso sobre a treliça na figura é, portanto, sustentado por apenas
cinco membros. Veja a Figura 6.8 c.
Figura 6.8 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
O diagrama de corpo livre no pino D é mostrado na figura 6.9 a.
Figura 6.9 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
O diagrama de corpo livre do pino no nó D é mostrado na figura 6.9
b.
142
Figura 6.9 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
Orientando o eixo y ao longo dos membros DC e DE e o eixo x ao
longo do membro DA, podemos ver que DA é um membro de força zero.
Note que esse também é o caso para membros CA:
Figura 6.9 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
A treliça mostrada na figura abaixo, portanto, é adequado para
sustentar o peso P.
143
Figura 6.9 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 203
Exemplo 2
Usando o método dos nós, determine todos os membros de força
zero da treliça de telhado Fink mostrado na figura 6.10ª. Considere que
todos os nós são conectados por pinos.
Figura 6.10 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 204
Procure geometrias de nó que tenham três membros para os quais dois
sejam colineares. Temos:
Nó G
Figura 6.10 b
144
Figura 6.10 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 204
+↑ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 𝐹𝐺𝐶 = 0
Percebe que não poderíamos concluir que GC é um membro de
força zero considerando o nó C, onde existem cinco incógnitas. O fato de
que GC é um membro de força zero significa que a carga de 5 kN em C
precisa ser suportada pelos membros CB, CH, CF e CD.
Nó D
(Figura 6.10 c)
Figura 6.10 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 204
+↓ ∑ 𝐹𝑥 = 0; ∑ 𝐹𝐷𝐹 = 0
Nó F
145
(Figura 6.10 d)
Figura 6.10 d
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 204
+↑ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 𝐹𝐹𝐶 cos 𝜃 = 0 𝑝𝑜𝑖𝑠 𝜃 ≠ 90°, 𝐹𝐹𝐶 = 0
NOTA: Se o nó B foranalisado (Figura 6.10 e),
Figura 6.10 e
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 204
+↓ ∑ 𝐹𝑦 = 0; 2𝑘𝑁 − 𝐹𝐵𝐻 = 0 𝐹𝐵𝐻 = 2𝑘𝑁 (𝐶)
Além disso, FHC precisa satisfazer ∑ 𝐹𝑦 = 0 (Figura 6.10f)e, portanto, HC
não é um membro de força zero.
146
Figura 6.10 f
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 204
6.3. O método das seções
Quando precisamos encontrar a força em apenas alguns membros
de uma treliça, podemos analisar a treliça usando o método das seções.
Este método se baseia no princípio de que se uma treliça está em
equilíbrio, então qualquer segmento dela também está em equilíbrio.
Por exemplo, considere dois membros de treliça mostrados no lado
esquerdo da figura 6.11.
147
Figura 6.11
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 209
Claramente pode-se ver que o equilíbrio requer que o membro sob
tração (T) esteja sujeito a um ‘puxão’, enquanto o membro sob compressão
(C) está sujeito a um ‘empurrão’.
O método das seções também pode ser usado para ‘cortar’ ou
seccionar os membros de uma treliça inteira.
Com apenas três equações de equilíbrio independentes (∑ 𝐹𝑋 = 0,
∑ 𝐹𝑦 = 0, ∑ 𝑀𝑂 = 0) podem ser aplicadas ao diagrama de corpo livre de
qualquer segmento, então, tentaríamos escolher uma seção que, em geral,
passe por não mais que três membros em que as forças são
desconhecidas.
Por exemplo, considere a treliça da figura abaixo:
148
Figura 6.12 a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 209
Se as forças nos membros BC, GC e GF devem ser determinadas,
então a seção aa seria apropriada. Os diagramas de corpo livre nos dois
segmentos são mostrados nas figuras 6.12 a e 6.12 b.
Figura 6.12 b
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 210
149
Figura 6.12 c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler – pag. 210
Ao usarmos as equações de equilíbrio, devemos considerar
cuidadosamente maneiras de escrever as equações a fim de produzir uma
solução direta para cada uma das incógnitas, em vez de precisar resolver
equações simultaneamente.
Como no método dos nós, há duas maneiras em que podemos
determinar o sentido correto de uma força de membro desconhecida:
O sentido correto de uma força de membro desconhecido pode, em
muitos casos, ser determinado ‘por observação’. Em casos mais
complicados, o sentido de uma força de membro desconhecida pode ser
assumido.
Via de regra, se torna mais fácil considerar todas as cargas internas
das barras seccionadas saindo das barras, se o resultado for positivo, indica
tração, caso contrário, compressão.
PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE
150
Diagrama de corpo livre
Decida sobre como ‘cortar‘ ou seccionar a treliça através dos
membros onde as forças devem ser determinadas.
Antes de isolar a seção apropriada, pode ser necessário primeiro
determinar as reações de apoio da treliça. Se isso for feito, então as
três equações de equilíbrio estarão disponíveis para resolver as
forças de membros de seção.
Desenhe o diagrama de corpo livre do segmento da treliça
seccionada que possuem o menor número de forças agindo.
Use um dos dois métodos descritos anteriormente para estabelecer
o sentido das forças de membros desconhecidas.
Equações de equilíbrio
Os momentos devem ser somados em torno de um ponto situado na
interseção das linhas de ação de duas forças desconhecidas, de
modo que a terceira força desconhecida possa ser determinada
diretamente pela equação de momento.
Se duas forças desconhecidas são paralelas, as forças ser somadas
perpendicularmente à direção dessas forças desconhecidas para
determinar diretamente a terceira força desconhecida.
151
Unidade VII – Esforços Internos
Objetivos desta unidade
Carregamentos distribuídos e concetrados;
Cálculo dos esforços internos (Normal, Cortante e Momento Fletor);
Desenho dos diagramas de esforços cortantes e momento fletor
Introdução
O projeto e a análise de qualquer elementos estrutural requer
conhecimento das cargas atuantes no interior desse elemento, não apenas
quando ele está instalado no seu local de trabalho, mas também durante
seu deslocamento e instalação neste local.
152
Figura 7
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
7.1 Carregamento distribuído em Vigas
Carregamento distribuído coplanares são definidas usando-se uma
função do carregamento w = x(x) que indica a intensidade do
carregamento ao longo da extensão de um membro. Essa intensidade é
medida em N/m
Os efeitos externos causados por um carregamento distribuído
coplanar atuando sobre um corpo podem ser representados por uma única
força resultante
153
Essa força resultante é equivalente à área sob o diagrama do
carregamento e tem uma linha de ação que passa pelo centroide ou centro
geométrico dessa área
Neste momento iremos trabalhar apenas com carregamentos do
tipo retangular e triangular.
O centro de gravidade do retângulo é no centro da dimensão da
base, e do triângulo a 1/3 da base, iniciando a partir do ângulo de 90° do
diagrama da figura, caso o carregamento triangular, seja isométrico, a
carga concentrada será na metade da dimensão da base. Conforme figuras
abaixo.
Figura 7.1
Fonte: Autor
Exemplo:
Determine as reações de apoio
154
Figura 7.1a
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Solução: Perceba que antes de começarmos os cálculos, é
necessário concentrar as cargas, como se trata de um carregamento do
tipo retangular, basta calcular a área de cada trecho e concentrar a força
no centro do diagrama.
Figura 7.1b
Fonte: Autor
∑ 𝑀𝐵 = −(4,5.0,75) + (27.1,5) − (𝐴𝑦. 3) + (9.3,75) = 0
155
𝐴𝑦 = 23,63 kN
∑ 𝐹𝑌 = −9 + 23,63 − 27 + 𝐵𝑦 − 4,5 = 0
𝐵𝑦 = 16,87 kN
Exemplos 02: Encontre as cargas concentradas
Solução:
Neste caso, basta encontrarmos à área de cada trecho e concentrar,
conforme já está na imagem a seguir. Lembrando que para o triângulo,
área = b.h/2 e o centro de gravidade é 1/3 da base, iniciando no ângulo de
90°
156
Figura 7.1b
Fonte: Autor
7.2 Forças Internas Desenvolvidas em Elementos Estruturais
Os esforços internos que atuam num determinado elemento
estrutural podem ser determinados pelo uso do método das seções.
Para ilustrar esse procedimento, consideremos a viga
“simplesmente apoiada”, mostrada na figura 7.2. O elemento estrutural está
submetido às forças F1 e F2 e reações de apoio Ax, Ay e By.
157
Figura 7.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Para determinarmos as forças internas que atuam na seção reta
em C, devemos fazer um seccionamento imaginário da viga, cortando-a em
dois segmentos. Com esse procedimento, os esforços internos ao corte,
tornam-se externos nos diagramas de corpo livre de cada novo segmento.
Como ambas as partes do segmento (AC e CB) estavam em
equilíbrio antes de a viga ser seccionada, o equilíbrio de cada um desses
novos segmentos é mantido, desde que os componentes retangulares das
forças Nc, Vc e um momento resultante Mc sejam desenvolvidos nessas
seções de corte.
É interessante estabelecer uma convenção de sinais para os
esforços internos. As literaturas trabalham com o esforço normal saindo da
viga, o esforço cortante (ou de cisalhamento) girando no sentido horário e o
momento fletor tendendo a tracionar as fibras inferiores e comprimir as
superiores, isto analisando o lado esquerdo do corte. (Estas forças serão
explicadas logo a seguir)
158
Desta maneira, a atribuição dos sentidos das cargas seriam as
descritas na imagem a seguir, se para o lado esquerdo, adota-se estes
sentidos, para que haja o equilíbrio, caso escolha o lado direito, os sentidos
deverão ser contrários.
Figura 7.2b
Fonte: Mecânica para Engenharia – HibblerEm mecânica, os componentes da força N, atuando normal à viga
na região de corte e V, que atua tangente a essa região são denominados
de força normal ou axial e força de cisalhamento ou cortante,
respectivamente. O momento M, é denominado momento fletor.
159
Figura 7.2c
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Reações de Suporte
Antes que o membro seja seccionado, pode ser preciso primeiro
determinar suas reações de apoio, de modo que as equações de equilíbrio
possam ser usadas para solucionar as cargas internas somente depois que
o membro for seccionado.
Diagrama de Corpo Livre
Mantenha todas as cargas distribuídas, momentos e forças que
atuam sobre o membro em seus locais exatos, depois faça uma secção
imaginária pelo membro, perpendicular ao seu eixo, no ponto onde as
cargas internas devem ser determinadas.
Depois que a secção for feita, desenhe um diagrama de corpo livre
do segmento que tem o menor número de cargas sobre ele e indique as
componentes das resultantes das forças e do momento na seção
160
transversal que atua em suas direções positivas, conforme a convenção de
sinal estabelecida.
Equações de Equilíbrio
Os momentos devem ser somados na seção. Desse modo, as
forças normal e cortante na seção são eliminadas, e podemos obter uma
solução direta para o momento
Se a solução das equações de equilíbrio gerar um escalar negativo,
o sentido da quantidade é oposto ao que é mostrado no diagrama de corpo
livre.
Exemplo:
Determine os esforços internos antes e depois da carga de 6 kN,
correspondentes aos pontos B e C.
Figura 7.2d
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
161
Solução:
Vamos primeiramente desenhar o diagrama de corpo livre da viga
Figura 7.2e
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Analisando antes da carga de 6 kN (observando da esquerda para
a direita) percebemos que teremos que fazer uma seção, no ponto B mais
especificamente, teremos dois lados que podemos escolher o lado
esquerdo ou o lado direito. Nesse momento, ambos os lados poderão ser
escolhidos, porém como o conteúdo seguinte, exige que escolhemos o
lado esquerdo, para que haja uma padronização nas respostas, vamos
escolher o lado esquerdo aqui também. Só que antes de realizamos o
desenho do diagrama de corpo livre do lado esquerdo, devemos calcular a
reação de apoio Ay, visto que ela está do lado esquerdo da figura.
Diagrama do lado esquerdo:
162
Fonte: Autor
Exemplo 02:
Determine os esforços normal e cortante, bem como o momento fletor no
ponto C.
163
Figura 7.2f
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Solução: Neste caso, perceba que se torna mais fácil realizar a seção e
escolher o lado direito, visto que não haveria a necessidade de se calcular
reações de apoio.
Corte escolhendo o lado direito:
Note que temos que encontrar a altura do carreamento, visto que 1200
seria a altura total do carregamento distribuído, como fizemos uma seção
cerca de 1.5 metro, este carregamento w deverá ser menor. Para isso
faremos a semelhança de triângulos.
164
𝑤
1,5
=
1200
3
𝑤 = 600 𝑁/𝑚
Obviamente seria 600 N/m pelo fato de estar exatamente no centro a
seção, mas em todos os casos é interessante efetuar estes cálculos.
Conhecendo agora a carregamento distribuído, podemos calcular a carga
concentrada e enfim os esforços internos.
𝐹 =
1,5.600
2
= 450 𝑁
∑ 𝐹𝑥 = 0
𝑁𝑐 = 0
∑ 𝐹𝑦 = 0
𝑉𝑐 − 450 = 0
𝑉𝑐 = 450 𝑁
∑ 𝑀 = 0
165
−𝑀𝑐 − (450.0,5) = 0
𝑀𝑐 = −225 𝑁. 𝑚
O sinal negativo indica que o momento está no sentido contrário ao
indicado no diagrama.
7.3 Equações e Diagramas de esforço cortante e momento fletor
O projeto real de uma viga requer um conhecimento detalhado da
variação do esforço cortante interno V e do momento fletor M interno
atuando em cada ponta ao longo do eixo da viga.
A força normal interna não é considerada por dois motivos:
Na maioria dos casos, as cargas aplicadas a uma viga atuam
perpendicularmente ao eixo da viga e, portanto, produzem apenas um
esforço cortante e um momento fletor interno.
E para fins de projeto, a resistência da viga ao cisalhamento, e
particularmente à flexão, é mais importante do que resistir a uma força
normal.
Essas variações de V e M ao longo do eixo da viga podem ser
obtidas usando o método das seções já discutido. Neste caso, porém, é
necessário seccionar a viga a uma distancia arbitrária x a partir de uma
extremidade e depois aplicar as equações de equilíbrio ao segmento tendo
o comprimento x. Fazendo isso, podemos então obter V e M como funções
de x.
Em geral, as funções de esforço cortante e momento fletor interno
serão descontinuas, ou suas inclinações serão descontinuas, em pontos
onde uma carga distribuída varia ou onde forças ou momentos
166
concentrados são aplicados. Por causa disso, essas funções precisam ser
determinadas para cada segmento da viga localizado entre duas
descontinuidades de carga quaisquer.
Figura 7.2g
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Por exemplo, segmentos com comprimentos x1, x2 e x3, terão que
ser usados para descrever a variação de V e M ao longo do comprimento
da viga. Essas funções serão válidas somente dentro das regiões de O até a
para x1, de a até b para x2 e de b até L para x3. Se para cada função
estabelecida nos intervalos mencionados, fosse atribuído um gráfico, este
nós o chamamos de diagrama de Esforço cortante e diagrama de
Momento Fletor.
DIAGRAMA DE ESFORÇO CORTANTE
167
Figura 7.2g.1
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
DIAGRAMA DE MOMENTO FLETOR
Figura 7.2g.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Em termos gerais, devemos observar primeiramente o
carregamento, se o carreamento, estiver em uma função de grau 0, a
cortante terá grau 1 e o momento grau 2.
Veja o caso do primeiro trecho da figura 7.3 g, no segmento de O
até a, perceba que se trata de um carregamento de grau 0, pois é uma reta
168
constante, dessa forma a cortante terá grau 1 (reta inclinada) e o momento
grau 2 (parábola), como pode ser comprovado nos diagramas mostrados.
Além disso, temos que nos atentar para a convenção de sinais,
costuma se utilizar a convenção de estudar a viga da esquerda para a
direita, então usa-se o lado esquerdo da convenção mostrada na figura 7.2
b
Exemplo:
Desenhe o diagrama de esforço cortante e momento fletor da viga.
Figura 7.2
Fonte: Mecânica para Engenharia – Hibbler
Solução:
Devemos inicialmente identificar quantas seções deverão ser feitas,
neste caso em específico, como houve a aplicação de uma força, temos
que entender que a viga se comportava de um jeito antes da carga e vai se
comportar de outro depois de ser aplicada a força. Então devemos fazer
dois cortes, um antes e um depois da carga.
169
1º Corte: Antes da carta (a uma distância x do apoio)
2º) Corte: Depois da carga, a uma distância x do apoio A
170
Para desenhar os diagramas, basta analisar as equações, no
primeiro trecho os valores de x não podem serem maiores do que 2, e no
segundo de 2 a 4.
Nas equações apresentadas, o maior grau encontrado é 1, na
equação de momento, grau 1 representa uma reta, que pode ser montada
apenas com 2 pontos atribuídos a coordenada “x”. Esses dois pontos serão
o início e o final de cada intervalo que pertence ao trecho, no primeiro 0 e 2
e no segundo 2 e 4. Obtendo os resultados para V e M, basta traçar o
gráfico utilizando as coordenadas de x e os resultados de V e M
171
Exemplo 02
Determine as equações, em função de x, dos esforços internos bem
como os diagramas de esforço cortante e momento fletor da viga abaixo. A
viga tem 4 m de comprimento.
Fonte: O Autor
172Solução:
Inicialmente devemos determinar quantas seções serão
necessárias, para que iniciemos os cálculos. Neste caso, perceba que
existe apenas um tipo de carregamento, ou seja, apenas um corte é
suficiente.
Antes de realizamos o corte, devemos calcular a reação de apoio
do lado esquerdo, visto que precisaremos desta informação para calcular
as reações de apoio.
Vamos concentrar a carga para encontrar as reações.
Fonte: O Autor
∑ 𝑀𝐵 = (2600.1,333) − (𝐴𝑦. 4) = 0
𝐴𝑦 = 866,7 𝑘𝑁
𝐵𝑦 = 1733,3
173
Fonte: O Autor
Em posse destas informações, podemos realizar o corte e calcular
as informações necessárias.
Fonte: Autor
Perceba que como seccionamos a uma distância x, o
carregamento não será mais 1300 kN, devemos realizar a semelhança de
triângulos para encontrar o valor de w
𝑤
𝑥
=
1300
4
𝑤 = 325𝑥 𝑘𝑁
174
Perceba que o grau do carregamento é 1, ou seja, a equação da
cortante deverá ter grau 2 e do momento fletor grau 3.
Vamos concentrar esse carregamento w, para que possamos enfim
encontrar as equações.
Fonte: Autor
Cortante: (0 ≤ 𝑥 ≤ 4)
∑ 𝐹𝑦 = 866,7 − 162,5𝑥2 − 𝑉 = 0
𝑉 = −162,5𝑥2 + 866,7 𝑘𝑁 (𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑟𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒)
Momento fletor: (0 ≤ 𝑥 ≤ 4)
175
∑ 𝑀 = 𝑀 + (162,5𝑥2.
𝑥
3
) − 866,7. 𝑥 = 0
𝑀 = −54,166. 𝑥3 + 866,7𝑥 𝑘𝑁. 𝑚 (𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 𝑚𝑜𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑓𝑙𝑒𝑡𝑜𝑟)
Percebam que de fato, conforme dito anteriormente, que o grau da
cortante foi um grau acima do carregamento e do momento um grau
acima da cortante.
Dessa maneira, existe a possibilidade de realizar estes cálculos
usando integral ou derivada, se você conhece a equação da cortante,
integrando você achará o momento fletor. Contudo esse método pode
apresentar algumas dificuldades quando se tem mais de uma seção,
entretanto, tendo a equação do momento fletor antes, basta derivar que
automaticamente achará a cortante, sem muitos problemas.
Vamos determinar os pontos para traçar os diagramas.
Note que temos equações de 2º e 3º grau, por isso precisaremos
de mais de dois pontos para traçar estas curvas.
O ideal é que utilizemos os dois extremos dos valores que as
equações pertencem, ou seja, 2 e 4. O terceiro ponto, será o ponto máximo
para o momento. Via de regra, quando temos vigas bi-apoiadas, como é o
exemplo desta, aonde a cortante for 0, o momento tenderá a ser o máximo.
Então iremos atribuir o valor de 0 para V, na equação de esforço cortante e
encontrar a sua coordenada de x.
0 = −162,5𝑥2 + 866,7
𝑥2 =
866,7
162,5
𝑥2 = 5,333
𝑥 = 2,31 𝑚
176
Vamos utilizar esta tabela para auxiliar na montagem das
coordenadas. Basta usar os valores de x, nas equações encontradas.
Esforço P/ x = 0 P/ x = 2,31 P/ x = 4
V (Cortante) 866,7 kN 0 kN -1.733,3 kN
M (Momento
Fletor)
0 kN.m 1.334,3 kN.m ~0 kN.m
Fonte: Autor
Perceba que no gráfico da cortante, na coordenada x = 4, o valor
que resta para o gráfico chegar a zero, é exatamente o valor da reação em
B.
177
Vejamos o gráfico produzido pelo software Ftool, percebam a
semelhança, claro que existe uma ligeira diferença, visto que o programa
trabalha com infinitas coordenadas para x.
Fonte: Autor
178
Unidade VIII – Centro de Gravidade e Momento
de Inércia
Objetivos desta unidade
Cálculo do centro de gravidade;
Cálculo do momento de inércia;
Aplicações
Introdução
Centro de gravidade, centróide ou ainda baricentro, é o ponto de
um corpo onde pode ser aplicada a força resultante que neste corpo possa
ser calculada.
Além disso, corresponde ao ponto em que existi o equilíbrio das
forças. Muito utilizado para o cálculo do momento de inércia e para
identificar aonde os esforços são nulos em uma viga carregada.
179
8.1 Centro de gravidade de áreas compostas
Para o cálculo do centro de gravidade, é preciso separar as áreas,
em figuras planas, e com isso calcular separadamente o centróide de cada
figura.
Podemos utilizar as seguintes expressões para o cálculo dos
centroides:
𝑋𝑔 =
∑ 𝑥. 𝐴
∑ 𝐴
𝑌𝑔 =
∑ 𝑦. 𝐴
∑ 𝐴
Onde:
x = Coordenada x, de cada figura plana que compõem a área onde
se quer calcular o centróide, ou centro de gravidade.
y = Coordenada y, de cada figura plana que compõem a área onde
se quer calcular o centróide, ou centro de gravidade.
A = Área de cada figura plana.
Para que seja possível encontrar as informações de x e y, temos
que estudar a tabela a seguir:
180
181
Para o momento, devemos focar apenas nos cálculos das áreas e
na coordenada G, de cada figura.
É importante mencionar que as coordenadas do ponto G de cada
figura, representa a distância da origem dos eixos, até o centro de
gravidade de cada figura, caso a imagem em que se está calculando, as
figuras planas não estiverem dispostas da mesma maneira conforme
apresentado na tabela, devemos somar então a coordenada x ou y, a
diferença até chegar na origem dos eixos.
Neste caso, a primeira imagem é o padrão da tabela, na segunda,
simula uma condição em que a figura foi deslocada para a direita, então a
coordenada y não se altera, porque em y não houve nenhum
deslocamento, mas em x, passa a ser o valor da coordenada x mais o tanto
que foi deslocado, no caso, 5 cm.
Na terceira imagem, temos a figura invertida, ou seja, temos que
inverter as coordenadas x e y no ponto G, além disso verificar se houve
deslocamento, no caso deslocou 5 cm em y
182
Exemplo 01:
Determine o centro de gravidade para a área abaixo.
Solução:
Vamos dividir esta imagem em três figura planas. Poderíamos
dividir em ¼ de círculo e um triângulo. Mas para fixar melhor os conceitos
apresentados anteriormente, vamos dividir em 3 imagens, sendo ¼ de
círculo e 2 triângulos.
Depois vamos calcular as áreas e posição do baricentro de cada
figura em relação aos eixos x e y da figura principal
183
Quando temos figuras simétricas, ou seja, o lado esquerdo for igual
ao direito, ou a parte de cima é igual a parte de baixo, o centro de
gravidade é onde temos o ponto de simetria. E além disso, quando não é
fornecido os eixos de referência X e Y, estes devem ser atribuídos no início
da figura principal. Veja o exemplo a seguir:
Exemplo 02
Determine a localização Yg, do centro de gravidade da figura
abaixo.
184
Fonte: Mecânica para engenheiros Hibbeler 12º edição
Solução: Vejam que neste caso, não temos a orientação dos eixos
principais, e foi solicitado apenas a coordenada Yg, porque em X é fácil ser
determinado, haja visto que existe simetria, o lado esquerdo é igual ao
direito, então dessa forma a coordenada Xg está no meio da figura
principal.
Fonte: O Autor
185
Podemos utilizar uma tabela para auxiliar em descobrir o centro de
gravidade, mas antes temos que determinar quantas e quais imagens
planas vamos subdividir a imagem principal.
Podemos fazer da seguinte maneira:
Figura 1) Retângulo superior horizontal;
Figura 2) Retângulo vertical;
Figura 3) Círculo.
Centróide/Centro de Massa
Figuras área (cm2) xi (cm) yi (cm) X.A (cm3) Y.A (cm3) x g (cm)
1 22,500 7,500 25,750 168,75 579,38
7,500
2 22,500 7,500 17,500 168,75 393,75
3 78,540 7,500 5,000 589,05 392,70 y g (cm)
- -
11,056
Somatório 123,540 926,55 1.365,83
Interpretando a tabela:
Antes, vamos entender que os valores de x, correspondem a
distância medida na direção x, do centro de gravidade da figura plana até a
origem do sistema,e y, também corresponde a distância medida na
direção y, do centro de gravidade da figura plana até a origem do sistema.
Dessa forma, as coordenadas X de todas as imagens serão as
mesmas, confirmando que de fato a coordenada X do centro de gravidade
da figura principal estaria no centro.
Para as coordenadas y, basta usar a tabela com as características
das seções e ir calculando. Pelo fato de todas as figuras serem simétricas, a
localização dos centros de gravidade passa a ser fácil, contudo temos que
tomar cuidado, pois se queremos conhecer a distância de cada centro de
186
gravidade em relação aos eixos da figura principal, temos que considerar
as medidas da figura. Por isso que a coordenada y da figura 1 é 25,75 cm,
temos 25 cm até a figura 1, com mais 0,75 cm do centróide, total 25,75 cm.
Tendo localizado todas estas informações, basta usar a fórmula
para calcular:
𝑋𝑔 =
∑ 𝑥. 𝐴
∑ 𝐴
=
926,55
123,54
= 7,5 𝑐𝑚
𝑌𝑔 =
∑ 𝑦. 𝐴
∑ 𝐴
=
1.365,83
123,54
= 11,056 𝑐𝑚
Pontos importantes:
O centro de gravidade de figuras compostas dever ser calculado
através do somatório das áreas das figuras planas, entre tanto se tiver que
subtrair alguma figura geométrica, no cálculo do centróide, a área deve ter
valor negativo, mantendo normalmente o processo do cálculo.
Além disso, as distâncias que representam as coordenadas x e y,
caso esteja no lado negativo do eixo, elas também terão o sinal negativo.
8.2 Momento de Inércia
Podemos entender o momento de inércia, como sendo a tendência
de um perfil girar em torno de algum eixo, essa variável é constantemente
utilizada para medir qual a melhor geometria do perfil a ser utilizada em
uma determinada estrutura, visto que a posição do perfil interfere
187
diretamente na resistência que o mesmo oferece, e isto está ligado ao
momento de inércia que se tem nos eixos cartesianos.
Apesar de ser usado um par de eixos de referência (X e Y), o
cálculo do Momento de Inércia (𝐼𝑒𝑖𝑥𝑜) é feito em relação a cada um deles
separadamente, podendo os eixos serem quaisquer ou baricêntricos.
De acordo com a distribuição da área da figura plana ao redor do
eixo de referência, o Momento de Inércia sempre resultará um número
positivo.
Se, o eixo de referência for um eixo de simetria, o eixo será
baricêntrico. O inverso não é verdadeiro.
À medida que o eixo de referência se afasta do baricentro da figura
plana, o resultado do momento de inércia, em relação ao eixo de referência,
aumenta.
Existe diversos exemplos práticos que podemos assimilar com o
momento de inércia, por exemplo, precisamos dobrar chapas de aço, na
maioria das vezes para fabricar um portão?
Fonte: Aluplan Esquadrias de alumínio
188
Perceba que isso não é apenas estético, mas todas as vezes que
afastamos a massa do centro de gravidade, nós aumentamos o momento
de inércia, melhorando a aplicação do perfil em se tratando de aumento de
resistência.
Outro exemplo, porque a maioria das vigas são dispostas conforme
a imagem a seguir? A resposta também tem, entre outros fatores, a ver com
o momento de inércia.
Fonte: Cassol-pré fabricados
Poderão perceber na fórmula que perfis assim possui um momento
de inércia em x muito maior do que em y.
Usaremos nesta disciplina o método de cálculo que se chama
teorema dos eixos paralelos, este teorema pode estudado de maneira mais
analítica no livro Mecânica para engenheiros, Hibbeler no capítulo X.
Para o cálculo:
𝐼𝑥 = 𝐼𝑥𝑔 + 𝐴. 𝑑𝑦2
𝐼𝑦 = 𝐼𝑦𝑔 + 𝐴. 𝑑𝑥2
189
Onde:
𝐼𝑥𝑔 𝑒 𝐼𝑦𝑔 = Representam os momentos de inércia que passam pelo
centróide, tanto em x, quanto em y, E são encontrado na tabela de
características das seções, disponibilizada anteriormente
A = Área da figura
𝑑𝑦 = Distância entre o eixo X do centróide da figura principal, com o
eixo X do centróide da figura geométrica: 𝑑𝑦 = (𝑌𝑔 − 𝑌𝑓𝑖𝑔)
𝑑𝑥 = Distância entre o eixo Y do centróide da figura principal, com o
eixo Y do centróide da figura geométrica: 𝑑𝑥 = (𝑋𝑔 − 𝑋𝑓𝑖𝑔)
Exemplo 01:
Determine o momento de inércia, em relação aos eixos X e Y da
seção a seguir:
Fonte: Mecânica para Engenheiros – Hibbeler
190
Dados da tabela;
Fonte: Autor
Solução:
Como já encontramos o centro de gravidade desta seção, não há a
necessidade recalcular novamente, mas caso fosse uma nova seção,
deveríamos encontrar o centro de gravidade primeiro, e depois aplicar os
cálculos de momento de inércia.
191
Fonte: Autor
Vamos utilizar a tabela que usamos para o cálculo do centro de
gravidade, esta tabela é nos auxilia com as informações das figuras
compostas que juntas formam a imagem principal.
Centróide/Centro de Massa
Figuras área (cm2) xi (cm) yi (cm) X.A (cm3) Y.A (cm3) x g (cm)
1 22,500 7,500 25,750 168,75 579,38
7,500
2 22,500 7,500 17,500 168,75 393,75
3 78,540 7,500 5,000 589,05 392,70 y g (cm)
- -
11,056
Somatório 123,540 926,55 1.365,83
Fonte: Autor
Quando calculamos o centro de gravidade, informações como a
área, x e y que constam na tabela, além das próprias coordenadas do
centro de gravidade, serão utilizadas para o momento de inércia.
192
Vams calcular em cm, para que o número não fique muito extenso.
Teorema dos eixos paralelos:
𝐼𝑥 = 𝐼𝑥𝑔 + 𝐴. 𝑑𝑦2
𝐼𝑦 = 𝐼𝑦𝑔 + 𝐴. 𝑑𝑥2
Figura 1) Retângulo superior horizontal:
𝐼𝑋1
=
15.1,53
12
+ 22,5. (11,056 − 25,75)2 = 4.862,27 𝑐𝑚4
𝐼𝑌1
=
1,5.153
12
+ 22,5. (7,5 − 7,5)2 = 421,87 𝑐𝑚4
Figura 2) Retângulo vertical:
𝐼𝑋2
=
1,5.153
12
+ 22,5. (11,056 − 17,5)2 = 1.356,19 𝑐𝑚4
𝐼𝑌2
=
15.1,53
12
+ 22,5. (7,5 − 7,5)2 = 4,218 𝑐𝑚4
Figura 3) Círculo.
193
𝐼𝑋3
=
𝜋. 54
4
+ 78,54. (11,056 − 5)2 = 3.371,34 𝑐𝑚4
𝐼𝑌3
=
𝜋. 54
4
+ 78,54. (7,5 − 5)2 = 981,75 𝑐𝑚4
𝐼𝑋 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝐼𝑥1
+ 𝐼𝑥2
+ 𝐼𝑥3
𝐼𝑋𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙
= 4.862,27 + 1.356,19 + 3.371,34 = 9.589,8 𝑐𝑚4
𝐼𝑌 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝐼𝑦1
+ 𝐼𝑦2
+ 𝐼𝑦3
𝐼𝑌𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙
= 421,87 + 4,218 + 981,75 = 1.407,84 𝑐𝑚4
Percebam a diferença dos momentos de inércia, podemos associar
isso pela diferença em que os eixos X dos centróides das figuras estão em
relação ao eixo X da figura principal, estão mais distantes, enquanto que os
eixos Y estão mais próximos, por isso que o momento desta direção deu
maior.
Exemplo 02
Dois perfis de 25 cm e 7,65 kg, são soldados a uma chapa de 30 cm X 2,5
cm para formar a seção transversal de uma viga. Encontre a distância d
para a qual os momentos de inércia em relação aos eixos que passam pelo
194
centróide sejam iguais, assim como os respectivos momentos principais de
inércia. (cotas em cm).
Fonte: Mecânica para Engenheiros – Hibbeler
𝑌𝐺 =
∑ 𝐴𝑦
∑ 𝐴
𝑌𝐺 =
(27,9.12,5). 2 + (75.26,25)
27,9.2 + 75
= 20,38 𝑐𝑚
Vamos analisar o 𝐼𝑋, visto que o momento em X não necessita da distância
compreendida como o “d”
𝐼𝑥𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
= 𝐼𝑥𝑔 + 𝐴. 𝑑𝑦2
195
𝐼𝑥𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
= (2. (2613 + 27,9. (20,38 − 12,5)2)) + (
30.2,53
12
+ 75(20,38 − 26,25)2)
= 11.314,19 𝑐𝑚4
𝐼𝑦𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
= (2. (89,8 + 27,9. (1,605 +
𝑑
2
)
2
)) + (
2,5.303
12
+ 75(0 − 0)2) =
𝐼𝑦𝑡𝑜𝑡𝑎
= 2. (89,8 + 27,9 (1,6052 + 2.1,605.
𝑑
2
+ (
𝑑
2
)
2
)) + 5625
𝐼𝑦𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
= 179,6 + 55,8(2,576 + 1,605𝑑 + 0,25𝑑2) + 5625
𝐼𝑦𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
= 13,95𝑑2 + 89,56𝑑 + 5948,34
𝐼𝑥𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
= 𝐼𝑦𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
11.314,19 = 13,95𝑑2 + 89,56𝑑 + 5948,34
13,95𝑑2 + 89,56𝑑 − 5365,86 = 0 (𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 2º 𝑔𝑟𝑎𝑢)
𝑑′ = 16,66 𝑐𝑚
𝑑" = −19,66 𝑐𝑚
Valor correto d= 16,66 cm196
197
Embora o estudo da Mecânica se tenha iniciado no tempo de
Aristóteles (364-322 A. C.) e Arquimedes (287-212 A. C.), ela teve que esperar
até Newton (1642-1727) para encontrar uma formulação satisfatória de seus
princípios fundamentais e sua validade permaneceu imutável até Einstein
(1905). Apesar de suas limitações terem sido reconhecidas, a mecânica
newtoniana ainda permanece sendo a base das ciências atuais de
Engenharia.
Com base neste texto, pesquise em fontes fidedignas, sobre a
evolução na mecânica através dos séculos e faça um breve resumo com
as conclusões em que você chegou e considere também algumas
aplicações que justifiquem o aprendizado destas três primeiras unidades.
Nestes últimos capítulos, vimos aspectos importantes da mecânica,
e o mais importante disso tentamos mostrar aquilo que vocês presenciam e
vão presenciar no seu dia a dia no trabalho, portanto, procure na sua
localidade, na sua empresa ou até mesmo em sua casa alguns sistemas
mecânicos que estudamos nessas unidades e faça um breve relato
procurando associar tudo aquilo que aprendemos a sua realidade
cotidiana.
Estudo de Caso
198
HIBBELER, R. C. Estática: mecânica para engenharia. 10. Ed. São Paulo:
Pearson, 2005.
MERIAM, J. L.; KRAIGE, L. G. Estática: mecânica para engenharia: volume 1.
6. Ed Rio de Janeiro: LTC, 2009.
BEER, Ferdinand P.; JOHNSTON, Jr., E. Russell. Mecânica Vetorial para
engenheiros: estática. 5 ed. Ver. São Paulo: Pearson, 1994.
SILVA, Larissa. Mecânica estática. São Paulo: Pearson Prentice Hall. 2011
(BV).
SHAMES, I. H., Estática: mecânica para engenharia. 4. Ed. São Paulo: Ed.
Prentice Hall, 2002. V.1. (BV)
RICARDO, Octavio Gaspar de Souza. Teoria das estruturas. SP: Mcgraw-hill,
1978.
Referências Bibliográficas