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ÍNDICE
ÍNDICE..........................................................................................................................................................4
ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................................................................7
ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................................................8
Prefácio ..........................................................................................................................................................9
Fraturamento Hidráulico para Melhoria de Produção ou Injeção ...............................................................10
Fraturamento como Opção de Completação 10
Princípios Básicos do Projeto Unificado de Fraturamento 7
Desempenho de poços fraturados 7
Dimensionamento e Otimização 8
Conectividade Fratura-Poço 9
O Conceito de Tip Screenout e Outros Itens no Fraturamento de Alta Permeabilidade (HPF) 9
Projeto Tip ScreenOut 9
Pressão Líquida e Filtração em Meios de Alta Permeabilidade 10
Pressão Líquida 10
Filtração 10
Seleção de Candidatos 10
Configurações Complexas Poço-Fratura 10
Projeto Unificado de Fraturamento 11
Projeto Lógico 11
Planilha de Projeto de Fraturamento 11
Como Usar este Livro..................................................................................................................................11
Estrutura do Livro 12
Quem Deve Ler o Quê? 12
Equipe de fraturamento 12
Estimulação como Método para Aumentar o Índice de Produtividade .......................................................14
Índice de Produtividade 14
Sistema Poço-Fratura-Reservatório. 15
Número de Propante 15
Desempenho de Poços de Baixos a Moderados Números de Propante. 18
Condutividade Ótima de Fratura 19
Projeto Lógico 20
Teoria do Fraturamento ...............................................................................................................................22
Elasticidade Linear e Mecânica de Fraturas 22
Mecânica do Fluido de Fraturamento 23
Filtração e Balanço Volumétrico na Fratura 24
Balanço de Materiais Formal: o Fator de Distribuição 24
Aproximação de Abertura Constante (Segunda Equação de Carter) 25
Aproximação de Potência para o Crescimento da Superfície 25
Modelos Específicos de Filtração 26
Geometrias Básicas de Fratura 26
Equação de Abertura Perkins-Kern 26
Equação de Abertura Khristianovich-Zheltov-Geertsma-deKlerk 27
Equação de Abertura Radial (Penny-shaped) 27
Fraturamento de Formações de Alta Permeabilidade (HPF).......................................................................29
A Evolução da Técnica 29
O HPF em face de tecnologias concorrentes 30
Gravel-Pack 30
Water-Packs de Alta Vazão 30
Desempenho de Poços Horizontais Fraturados em Formações de Alta Permeabilidade 31
Aspectos Importantes do HPF 31
5
O Conceito de Tip Screenout 31
Pressão Net e Filtração de Fluido 32
Pressão Net, Pressão de Fechamento e Abertura em Formações Moles 32
Propagação da Fratura 32
Modelos de Filtração para HPF 32
Parâmetros de Filtração como Propriedades de Material: Modelo de Carter com a Hipótese de
Potência de Nolte 32
Modelo de Filtração de Reboco – Mayerhoffer, et al. 33
Modelo de Filtração com Invasão de Polímero de Fan e Economides 34
Fraturamento de Reservatórios de Gás Condensado de Alta Permeabilidade 34
Otimização da Geometria da Fratura em Reservatórios de Gás Condensado 35
Efeito do Fluxo Não-Darcyano na Fratura 36
Definições e Hipóteses 36
Estudo de Caso para o Efeito do Fluxo Não-Darcyano 37
Materiais de Fraturamento...........................................................................................................................39
Fluidos de Fraturamento 39
Aditivos do Fluido de Fraturamento 39
Propantes 40
Calculando a Tensão de Confinamento Efetiva 41
Condutividade da Fratura e Seleção de Materiais num HPF 42
A Abertura da Fratura como uma Variável de Projeto 42
Seleção do propante 42
Seleção de Fluido 43
Efeito Composto de Skin 43
Estudos Paramétricos 44
Experimentos em Penetração de Fluido de Fraturamento 44
Fluidos de Carreamento Viscoelásticos 45
Projeto de Fraturamento ..............................................................................................................................46
Micro-fraturamento 46
Minifracs 46
Projeto Baseado na Abordagem Unificada 48
Tempo de Bombeio 49
Esquema de Propante 50
Desvio do Ótimo Teórico 52
Projeto TSO 52
Bombeando o Tratamento TSO 53
Exemplo de Efeito de Pistoneio (swab) 53
Canhoneio para HPF 53
Testes de Diagnósticos pré-HPF 54
Step-Rate Test 54
Minifracs 54
Testes de Declínio de Pressão (Falloff) 55
Medição de Pressão de Fundo 55
Exemplos de Projeto de Fraturamento e Considerações Adicionais ...........................................................56
Altura da Fratura 56
Mapeamento da altura da fratura 57
Determinação Prática da Altura da Fratura 57
Efeitos de Extremidade (Tip Effects) 57
Fluxo não-Darcyano na Fratura 58
Compensação do Skin de Face de Fratura 58
Exemplos Práticos de Projetos de Fraturamento 58
Um Projeto Preliminar Típico: Formação de Permeabilidade Média - MPF01 59
Forçando o Limite: Formação de Permeabilidade Média - MPF02 60
Incrustação (Embedment) de Propante - MPF03 61
6
Projeto de Fratura para Formação de Alta Permeabilidade - HPF01 62
Altíssima Permeabilidade - HPF02 64
Fraturamento em Formações de Baixa Permeabilidade - LPF01 65
Resumo 67
Controle de Qualidade e Execução..............................................................................................................67
Equipamento de Fraturamento 67
Lista de Equipamentos 68
Estocagem e Transferência de Água 68
Suprimento de Propante 68
Mistura 69
Bombeio 69
Monitoramento e QA/QC 70
Instruções Especiais para Montagem 73
Posicionando o equipamento 73
Suprimento de Fluido para o Blender 73
Suprimento de Propante 73
Bombas de fraturamento 74
Manifold-Poço 74
Equipamento de Monitoração e Controle e Pessoal de Suporte 74
Procedimentos QA para Fraturamento 75
Fechamento Forçado 76
Controle de Qualidade para HPF 76
Avaliação do Tratamento.............................................................................................................................77
Análise em Tempo Real 77
Contenção de Altura 77
Perfilagem e Traçadores 78
Mapeamento da Fratura 78
Teste de Poço 79
Avaliação de Tratamentos HPF – Uma Abordagem Unificada 80
Resultados de Produção 80
Avaliação de Dados de HPF em Tempo Real 80
Teste de Poço após HPF 80
Validade do Conceito de Skin para o HPF 81
Análise de Declividade 81
Hipóteses 82
Teoria do Crescimento Restrito 82
Algoritmo de Análise de Declividade 83
Selecionando os Intervalos de Inflação de Abertura 83
Determinação do Raio de Empacotamento Correspondente a um Período de Inflação de Abertura 84
Interpolação entre Valores Conhecidos de Raio de Empacotamento 84
Determinação da Concentração Areal Final de Propante 84
Nomenclatura...............................................................................................................................................85
Glossário ......................................................................................................................................................86
Bibliografia ..................................................................................................................................................89
Planilha de Projeto de Fraturamento............................................................................................................93
DADOS NECESSÁRIOS 93
RESULTADOS CALCULADOS 94
Planilha de Minifrac ....................................................................................................................................95
DADOS NECESSÁRIOS 95
RESULTADOS 95EXEMPLO 97
Práticas Comuns e Formulários de Controle de Qualidade .........................................................................99
Planejamento, Execução e Relatório 99
Práticas Adicionais Comuns 100
7
Mistura de Ácido 100
Fluidos de Fraturamento 100
Exemplo de Programa de Fraturamento ....................................................................................................108
Poço no. B-4 – Orcut Field, CA 108
Equipamento necessário: 108
Volumes programados de fluido limpo: 108
Propante programado: 108
Configuração 108
Minifrac 108
Tratamento Principal 109
Índice Remissivo .......................................................................................................................................111
ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA 1-1. Fraturamento hidráulico, 1949. (Fonte: Halliburton.) ..........................................................10
FIGURA 1-2. Fraturamento como “opção de completação” de poços de óleo e gás nos EUA.. (Fonte:
Schlumberger.)...............................................................................................................................................7
FIGURA 1-3 – Configurações com uma única fratura................................................................................11
FIGURA 1-4. Configurações com múltiplas fraturas..................................................................................11
FIGURA 3-1 – Notação para desempenho da fratura. ................................................................................15
FIGURA 3-2. Representação tradicional de JD, tipo McGuire-Sikora........................................................16
FIGURA 3-3. Índice adimensional de produtividade em função da condutividade adimensional da fratura
com o número de propante como parâmetro (para Nprop < 0.1)...................................................................16
FIGURA 3-4. Índice adimensional de produtividade em função da condutividade adimensional da fratura
com o número de propante como parâmetro (para Nprop > 0.1)...................................................................17
FIGURA 3-5. Índice adimensional de produtividade em função da razão de penetração com o número de
propante como parâmetro (para Nprop > 0.1)................................................................................................17
FIGURA 3-6. Fator f e função y (Cinco-Ley & Samaniego) ......................................................................19
FIGURA 4-1. Carregamento uniaxial..........................................................................................................22
FIGURA 4-2. Curvas reológicas típicas......................................................................................................23
FIGURA 4-3. Notação para o balanço de materiais ....................................................................................25
FIGURA 4-4. Notação básica para o modelo PKN.....................................................................................26
FIGURA 5-2. Inflação da fratura durante um TSO.....................................................................................31
FIGURA 5-3. Comparação de conceitos dos projeto convencional e HPF.................................................32
FIGURA 5-4 Modelo adotado por Mayerhofer et al. (1993) ......................................................................33
FIGURA 5-5. Ilustração do modelo de Fan e Economides (1995) .............................................................34
FIGURA 5-6. Estudo de caso para k = 5 mD. .............................................................................................35
FIGURA 5-7. Estudo de caso para k = 200 mD. .........................................................................................36
FIGURA 5-8. IP do reservatório de gás fraturado.......................................................................................38
FIGURA 5-9. Efeito skin adicional .............................................................................................................38
FIGURA 5-10. Pseudo skin observado .......................................................................................................38
FIGURA 6-1. Condutividade de fratura para diversas concentrações de propante (20-40 mesh) ..............40
FIGURA 6-2. Condutividades de fratura para vários mesh ........................................................................41
FIGURA 6-3. Condutividades de fratura para vários propantes. ................................................................41
FIGURA 6-4. Guia para seleção de propante. .............................................................................................41
FIGURA 6-5. Poroelasticidade....................................................................................................................41
FIGURA 6-6. Dano de face da fratura.........................................................................................................43
FIGURA 6-7. Zonas invadidas por fluido ...................................................................................................43
8
FIGURA 7-1. Gráfico típico de um minifrac. (1) pressão de quebra, (2) propagação, (3) ISIP – pressão
instantânea de fechamento, (4) pressão de fechamento, (5) reabertura, (6) pressão de fechamento no
flowback, (7) pressão estática, (8) pressão de fechamento de recarga. .......................................................46
FIGURA 7-2. Extrapolação da filtração para o tratamento principal, baixa permeabilidade. ....................48
FIGURA 7-3. Extrapolação da filtração para o tratamento principal, alta permeabilidade. .......................48
FIGURA 7-4. Ajuste de filtração em simulador 3d.....................................................................................48
FIGURA 7-5. rp para as geometrias PKN e KGD .......................................................................................49
FIGURA 7-6. rp para a geometria radial .....................................................................................................50
FIGURA 7-7. Início da distribuição de propante ........................................................................................50
FIGURA 7-8. Evolução da distribuição do propante. .................................................................................50
FIGURA 7-9. Distribuição final do propante. .............................................................................................51
FIGURA 7-10. Distribuição de propante durante bombeio.........................................................................52
FIGURA 7-11. Step-Rate Test ideal............................................................................................................54
FIGURA 8.1. Notação para cálculo de altura de fratura. ............................................................................56
FIGURA 8-2. Mapa da altura da fratura......................................................................................................57
FIGURA 8-3 Fluido, esquema de propante e previsão de pressão líquida para o TSO. .............................63
FIGURA 9-1. Fraturamento hidráulico massivo atual. ...............................................................................67
FIGURA 9-2. Blender .................................................................................................................................69
FIGURA 9-3. Manifold HI-LO em carroceria ............................................................................................69
FIGURA 9-4. Bombas de fraturamento.......................................................................................................70
FIGURA 9-5. Frac van. ...............................................................................................................................70
FIGURA 9-6. Layout mais desejávelpara fraturamento.............................................................................73
FIGURA 9-7. Layout com pré-mistura e sem manifold..............................................................................74
FIGURA 9-8. Layout “on the fly”, sem manifold. ......................................................................................75
FIGURA 10-1. Curvas típicas de pressão....................................................................................................77
FIGURA 10-2. Geometria de fratura e crescimento da altura.....................................................................78
FIGURA 10-3. Imageamento sísmico .........................................................................................................79
FIGURA 10-4. Gráfico log-log de diagnostíco de um poço vertical fraturado...........................................79
FIGURA 10-5. Geometria de fratura HPF radial ........................................................................................82
ÍNDICE DE TABELAS
TABELA 3-1 – Fluxo em um poço vertical não danificado .......................................................................14
TABELA 3-2. Relações entre parâmetros de desempenho. ........................................................................19
TABELA 4-1. Relacionamento das propriedades elásticas.........................................................................22
TABELA 4-2. Equações constitutivas mais usadas ....................................................................................23
TABELA 4-3. Perda de carga e viscosidade newtoniana equivalente ........................................................24
TABELA 4-4. Soluções sem filtração dos modelos básicos de fraturamento.............................................28
TABELA 5-1. Aplicação do fraturamento ..................................................................................................29
TABELA 5-2. Valores de skin por Tiner et al. (1996) ................................................................................30
TABELA 5-3. VPL em US$ milhões (1996) ..............................................................................................31
TABELA 5-4. Dados do estudo de caso......................................................................................................37
TABELA 6-1. Tipos de fluidos reticulados.................................................................................................39
TABELA 6-2. Aditivos ...............................................................................................................................39
TABELA 6-3. Quebradores.........................................................................................................................40
TABELA 6-4. Dano por invasão de fluidos tolerado como skin nulo. .......................................................44
TABELA 7-1. Aproximação da função g para vários expoentes α.............................................................47
TABELA 7-2. Parâmetros das geometrias básicas......................................................................................47
TABELA 7-3. Coeficiente de filtração e extensão de fratura (sem spurt) para várias geometrias. ............47
TABELA 7-4. Determinação do tempo de bombeio ...................................................................................49
TABELA 7-5. Refinamento de KL com Carter...........................................................................................49
9
TABELA 7-6. Refinamento de KL com Nolte.............................................................................................49
TABELA 7-7. Refinamento de KL com o método α. ..................................................................................49
TABELA 7-8. Esquema de propante...........................................................................................................51
TABELA 8-1. Dados para o mapeamento da altura da fratura. ..................................................................57
TABELA 8-2 - Dados de entrada para MPF01 ...........................................................................................59
TABELA 8-3. Dados Adicionais para o MPF01.........................................................................................59
TABELA 8-4 - Ótimo Teórico para MPF01 (hf = 211 ft) ...........................................................................59
TABELA 8-5 - Distribuição Real para o MPF01-1.....................................................................................59
TABELA 8-6 - Ótimo Teórico para o MPF01-3 (hf = 211 ft) ....................................................................60
TABELA 8-7 - Distribuição MPF01 Real (hf = 211 ft)..............................................................................60
TABELA 8-8. Alguns Detalhes da Distribuição Real MPF01 (hf = 211 ft)...............................................60
TABELA 8-10 - Ótimo teórico para MPF02 (hf = 248 ft)...........................................................................60
TABELA 8-11 - Distribuição Real MPF02 (hf = 248 ft).............................................................................61
TABELA 8-12 - Distribuição Real para MPF02 (hf = 248 ft, conc max possível: 16 ppga) ......................61
TABELA 8-13 - Ótimo Teórico para MPF03 (hf = 185 ft).........................................................................61
TABELA 8-14 – Real para MPF03 (hf = 185 ft) ........................................................................................62
TABELA 8-15 - Altura e Restrição para MPF03........................................................................................62
TABELA 8-16. Primeira Parte da Saída para MPF03-4 .............................................................................62
TABELA 8-17 – Saída Adicional para MPF03...........................................................................................62
TABELA 8-18 - Dados de Entrada Para MPF01 ........................................................................................62
TABELA 8-19. Dados Adicionais para HPF01 ..........................................................................................62
TABELA 8-20. Ótimo Teórico para HPF01-1 ...........................................................................................62
TABELA 8-21 - Distribuição real s/projeto TSO: HPF01 ..........................................................................63
TABELA 8-22 - Distribuição real com projeto TSO: HPF01-TSO ............................................................63
TABELA 8-23 - Distribuição real com projeto TSO: HPF01-TSO ............................................................63
TABELA 8-24. Ótimo Teórico para: HPF02 ..............................................................................................64
TABELA 8-25 - Primeira tentativa para HPF02 .........................................................................................64
TABELA 8-26. HPF02 com comprimento modificado .............................................................................64
TABELA 8-27. Testando diferentes conjuntos de dados para HPF02........................................................64
TABELA 8-28. HPF02 com menos propante e comprimento modificado .................................................65
TABELA 8-29 – Entrada para LPF01 .........................................................................................................65
TABELA 8-30. Ótimo Teórico para LPF01 (hf = 100 ft) ...........................................................................65
TABELA 8-31. Ótimo Teórico para LPF01 (hf = 300 ft)............................................................................65
TABELA 8-32. Distribuição real para LPF01 (hf = 300 ft) ........................................................................65
TABELA8-33. Distribuição real assumindo altura da fratura de 300 ft e coeficientes de leakoff e perda
Spurt ajustados: LPF01................................................................................................................................66
TABELA 8-34. Projeto final: LPF01-4 .......................................................................................................66
TABELA 8-35. Distribuição final: LPF01-4...............................................................................................66
TABELA 8-36. Alguns detalhes da distribuição final: LPF01-4 ................................................................66
TABELA 9-1. Exemplo de uma “planilha de frac”.....................................................................................72
TABELA 10-1. Resultados de produção do HPF........................................................................................80
Prefácio
O objetivo deste livro é estabelecer uma metodologia
para o projeto unificado de tratamentos de fraturamento
hidráulico, uma operação de estimulação de poços
consagrada na indústria do petróleo. Poucas atividades
mostram tal potencial para aumento de produtividade de
poços de forma segura e confiável quanto esta operação.
A palavra “unificado” foi escolhida deliberadamente
para indicar tanto a integração de todos os aspectos
tecnológicos altamente diversificados do processo como
10
para desmistificar a noção disseminada de que existe um
tratamento específico para formações de baixa
permeabilidade e outro para reservatórios altamente
permeáveis. É natural, mesmo para operadores
experientes, pensar desta forma porque o alvo tradicional
do fraturamento tem sido os reservatórios de baixa
permeabilidade enquanto que os tratamentos para alta
permeabilidade têm sido enquadrados como operações
para controle de areia.
A idéia-chave é que as formulações destes tratamentos
podem ser unificadas porque eles podem ser caracterizados
por um parâmetro, número de propante adimensional, que
determina teoricamente as dimensões ótimas da fratura
pelas quais o máximo índice de produtividade ou
injetividade pode ser alcançado. As restrições técnicas
devem moldar o projeto de forma que ele se desvie de seu
ótimo teórico somente o suficiente para se ajustar à
extensão projetada para a fratura. Com esta abordagem,
difíceis tópicos como o fraturamento de alta versus baixa
permeabilidade, crescimento vertical da fratura, fluxo não-
Darcyano, e incrustação de propante são tratados de forma
transparente e unificada, fornecendo ao engenheiro um
procedimento de projeto lógico e coerente.
O livro inclui um pacote de softwares de projeto.
As especialidades dos autores cobrem todo o
espectro das aplicações técnicas, de pesquisa, de
desenvolvimento, e de campo em praticamente todas as
especificidades geográficas e de tipos de reservatórios. É
desejo deles que este livro encontre seu lugar apropriado
na prática diária.
Fraturamento Hidráulico para
Melhoria de Produção ou Injeção
Fraturamento como Opção de
Completação
Este livro tem a ambição de fazer algo que não foi
feito apropriadamente antes: construir uma ponte entre a
teoria e a prática naquela que é a técnica de estimulação
mais utilizada.
O fraturamento foi inicialmente empregado para
aumentar a produção de poços marginais no Kansas, no
final da década de 40 (Figura 1-1). Seguindo uma explosão
da prática em meados dos 50 e uma considerável onda em
meados dos 80, o fraturamento hidráulico massivo (MHF)
cresceu e se tornou a técnica de completação dominante,
principalmente para reservatórios de baixa permeabilidade
na América Norte. Em 1993, 40% dos poços de petróleo
novos e 70% dos poços de gás nos Estados Unidos foram
fraturados.
FIGURA 1-1. Fraturamento hidráulico, 1949.
(Fonte: Halliburton.)
Com a contínua introdução de melhorias na
técnica e o advento do fraturamento de formações de alta
permeabilidade (HPF), que tem sido chamado de “frac-
pack” ou variantes, o fraturamento tem expandido seu
horizonte de aplicação, tornando-se a opção preferencial
de completação de poços nos Estados Unidos,
particularmente para os poços de gás natural (ver Figura 1-
2).
A estimulação por fraturamento da maioria dos
poços é atualmente uma realidade aceita pela maioria dos
operadores. Até mesmo quando ocorre a proximidade de
contatos de gás ou água, considerados a maior contra-
indicação aos fraturamentos hidráulicos, o HPF tem
encontrado aplicação porque permite a extensão controlada
da fratura e limita o drawdown de produção (Mullen et al.,
1996; Martins et. al, 1992). A crescente expansão dos
fraturamentos de alta permeabilidade, de alguns
tratamentos isolados antes de 1993 (Martins et. al, 1992;
Grubert, 1991; Ayoub et al., 1992) para cerca de 300
tratamentos por ano nos Estados Unidos em 1996 (Tiner et
al., 1996) mostra que o HPF se tornou uma ferramenta
efetiva de otimização e integração da completação e da
produção de poços. Atualmente, ele é considerado um
marco nos principais desenvolvimentos recentes da
produção de petróleo.
7
FIGURA 1-2. Fraturamento como “opção de
completação” de poços de óleo e gás nos EUA..
(Fonte: Schlumberger.)
Há um espaço significativo para um crescimento
adicional do fraturamento hidráulico na indústria de
petróleo mundial, assim como em outras indústrias.
Estima-se que o fraturamento hidráulico pode somar várias
centenas de milhares de barris por dia à produção de poços
em vários países.
Há dois obstáculos freqüentemente encontrados
contra a aplicação massiva do fraturamento hidráulico:
O errôneo conceito de que o processo só é recomendado
para reservatórios de baixa permeabilidade (p. ex.,
menos que 1 mD), ou que é o último recurso para
aumentar a produtividade ou injetividade de um poço,
a ser tentado somente se todos os demais recursos
falharem. Isso está associado ao injustificável temor
de que o fraturamento hidráulico é perigoso, que
acelera o início da produção de água, que aumenta o
BSW ou afeta o isolamento entre as zonas, e assim por
diante. O problema mais sério resultante desta
associação é que o uso do fraturamento como um
último, e às vezes desesperado, recurso implica uma
estimulação não planejada que pode resultar em vários
problemas (como desvio de poço e canhoneio
inadequado), o que pode levar a resultados
desapontadores. Outro problema é a noção de que o
fraturamento de alta permeabilidade só se aplica a
reservatórios que precisam de controle de produção de
areia. Atualmente são fraturados com sucesso
reservatórios com permeabilidades de várias centenas
de milidarcies.
Às vezes, o problema é de escala. O fraturamento
hidráulico é uma operação massiva que envolve uma
grande quantidade de equipamentos, produtos e
serviços, pessoas e materiais. Os custos associados a
tratamentos isolados podem se tornar proibitivos, e
um único fracasso pode comprometer seriamente a
aplicação deste processo.
Praticamente nenhuma operação de petróleo é
taxada de anti-econômica quando aplicada massivamente,
em grande número, como ocorre na América do Norte ou
no Mar do Norte. Na América do Norte, cerca de 60% dos
poços de óleo e 85% dos poços de gás são hidraulicamente
fraturados, e estes porcentuais estão ainda aumentando.
Considere-se o seguinte: um tratamento de 100 ton. de
propante nos Estados Unidos custa menos que
US$100,000. Exatamente o mesmo tratamento, com o
mesmo equipamento e a mesma companhia de serviço, por
exemplo na Venezuela ou Omã, custa provavelmente pelo
menos US$1 milhão, podendo chegar a US$2 milhões.
Ao mesmo tempo, nenhuma outra tecnologia de
petróleo conduz a um retorno maior. A previsão dos
centenas de milhares a milhões de barris por dia de
aumento de produção mundial projetados assume que a
porcentagem de poços existentes que são hidraulicamente
fraturáveis segue o padrão dos poços de petróleonos
Estados Unidos (60 por cento), e que o incremento de
produção de cada poço seja de 25% acima da produção
pré-tratamento. Isso implica as mesmas modestas
suposições de que os poços existentes continuem
produzindo, e que os fraturamentos resultem em um skin
médio igual a –2. Na realidade, é provável que o potencial
de produção incremental de uma massiva campanha de
estimulação com equipamentos adequados e com pessoas
bem treinadas seja muito mais alto.
Princípios Básicos do Projeto
Unificado de Fraturamento
O fraturamento hidráulico requer a injeção de
fluidos em uma formação a uma pressão alta o suficiente
para induzir uma fratura na rocha. Material granular –
comumente chamado de agente de sustentação ou
“propante”, que pode ser tanto areia quanto elaborados
materiais sintéticos – é bombeado na fratura criada como
parte de uma pasta, com a finalidade de mantê-la aberta
após o término do bombeio.
A fratura, preenchida com o propante, cria um
delgado, porém muito condutivo, canal para o poço. Ela se
propaga, em geral, nas duas direções a partir do poço,
atingindo grandes comprimentos horizontais e alturas
expressivas. Tipicamente, as aberturas sustentadas de uma
fratura em formações de baixa permeabilidade são da
ordem de 2,5 mm enquanto que seu comprimento pode
atingir centenas de metros. Em reservatórios de alta
permeabilidade, tais aberturas são muito maiores,
alcançando 5 cm enquando que os comprimentos são
limitados a dezenas de metros.
Na maioria dos casos, a quase totalidade da
produção chega ao poço através da fratura; portanto
qualquer dano alojado nas vizinhanças do poço é
ultrapassado por ela, e o skin existente antes do
fraturamento não afeta a produtividade posterior.
Desempenho de poços fraturados
O desempenho de poços fraturados pode ser
descrito de várias formas. A mais comum é a previsão de
produção de óleo, gás e mesmo água em função do tempo
decorrido após o fraturamento. Porém, esta produção é
influenciada por muitas decisões que não se relacionam
com o tratamento em si. A pressão de fluxo, por exemplo,
pode ou não ser a mesma que a pressão de fluxo anterior
ao tratamento, e pode ou não ser mantida constante ao
longo do tempo. Mesmo que, com o objetivo de avaliação,
os parâmetros operacionais do poço sejam mantidos os
mesmos após e antes do tratamento, o comportamento da
depleção do reservatório na presença de uma fratura
hidráulica é certamente diferente daquele observado na
situação anterior, e pode comprometer os resultados
obtidos na avaliação.
Portanto, numa fase preliminar de
dimensionamento e otimização é recomendável usar um
índice de desempenho simples que descreva o
8
comportamento real e esperado do desempenho do poço
devido ao tratamento.
No projeto unificado de fraturamento será
considerado um índice de desempenho simples e direto: o
índice de produtividade no regime pseudo-permanente. A
variação desta variável descreve o real efeito da fratura
sustentada no desempenho do poço. A obtenção do mais
alto índice possível de produtividade no regime pseudo-
permanente implica que a produtividade da fratura não
será subestimada, mesmo que o poço produza em regime
“transiente” por um longo período de tempo. Embora esta
afirmação possa não parecer plausível, um experiente
engenheiro de campo entenderá isto como um aumento
contínuo da área de drenagem na qual o regime pseudo-
permanente é baseado. Um aumento considerável de
produção acumulada só pode decorrer de uma maior área
de drenagem, portanto o índice de produtividade deve ser
maximizado, o que corresponde à área de drenagem final
alcançada.
O comprimento da fratura e sua condutividade
adimensional são as duas principais variáveis que
controlam o índice de produtividade de um poço fraturado.
A condutividade adimensional da fratura é a medida da
facilidade relativa com que o fluido produzido flui pela
fratura, quando comparada à habilidade da formação
alimentar a fratura. Ela é calculada como o produto da
permeabilidade e da espessura da fratura dividido pelo
produto da permeabilidade do reservatório e o semi-
comprimento (por convenção) da fratura.
Em reservatórios de baixa permeabilidade, a
condutividade de uma fratura é, de fato, grande, mesmo
que seja criada uma fratura muito delgada e muito longa.
O skin posterior ao tratamento pode atingir –7, levando a
um aumento de produtividade muito grande quando
comparado ao poço não estimulado.
Para reservatórios de alta permeabilidade, fraturas
de grande abertura são essenciais para se obter
produtividades adequadas. Nos últimos anos, uma técnica
denominada “tip screenout” (TSO) tem sido empregada, o
que permite bloquear deliberadamente o crescimento
lateral da fratura, inflando sua abertura e aumentando,
dessa forma, sua produtividade.
Para um mesmo volume de propante injetado em
uma formação, um poço alcançará sua maior
produtividade/injetividade quando sua condutividade
adimensional se situar em torno da unidade. Em outras
palavras, uma condutividade adimensional de fratura
unitária (ou mais precisamente de 1,6 como será visto
adiante) é o ponto físico ótimo, ao menos para tratamentos
que não envolvem quantidades muito elevadas de
propante. Valores superiores de condutividade
adimensional de fratura resultarão comprimentos de fratura
inferiores ao ótimo, restringindo desnecessariamente o
fluxo do reservatório para a fratura. Valores de
condutividade adimensional de fratura inferiores à unidade
significam aberturas de fratura menores que a ótima e,
conseqüentemente, restrição ao fluxo dentro da fratura.
Há vários pontos secundários que complicam o
quadro – regime inicial de fluxo transiente, influência dos
limites do reservatório, efeitos do fluxo não-Darcyano,
incrustação (“embedment”) de propante, para mencionar
alguns. Todavia, estes efeitos podem ser corretamente
considerados se a regra da condutividade adimensional da
fratura for devidamente compreendida.
É possível que em alguns cenários o ótimo prático
seja diferente do ótimo físico. Em alguns casos pode ser
difícil alcançar a geometria de fratura teoricamente
indicada devido a limitações de equipamentos, limites nos
materiais de fraturamento ou propriedades mecânicas da
rocha a ser fraturada. Porém, a busca da maximização da
produtividade ou injetividade do poço é um primeiro passo
necessário no projeto de fraturamento.
Dimensionamento e Otimização
O termo “ótimo”, conforme usado anteriormente,
significa a maximização da produtividade do poço dentro
do limite de certo tamanho de tratamento. Logo, a decisão
deste tamanho deve preceder (ou seguir paralelamente) a
uma otimização baseada no critério de condutividade
adimensional da fratura.
Por longo tempo, operadores consideraram o
semi-comprimento da fratura como uma variável
conveniente para caracterizar o tamanho da fratura criada.
Esta decisão surgiu devido ao fato de não ser possível
manipular independentemente comprimento e abertura, e
porque o comprimento representa o principal impacto na
produtividade de formações de baixa produtividade. No
projeto unificado de fraturamento, onde tanto as formações
de baixa quanto as de alta permeabilidade são
consideradas, a melhor variável simples para caracterizar o
tamanho da fratura criada é o volume de propante colocado
no horizonte produtor (zona)
Obviamente, o volume total de propante colocado
na zona produtora é sempre menor que o volume
bombeado. Na prática, dimensionar um tratamento
equivale a quantificar o volume de propante bombeado.
Ao dimensionar um tratamento, o engenheiro deve levar
em conta que um aumento no volume de propante
programado de uma certa quantidade x não leva,
necessariamente, a um aumento da mesma quantidade de
propante na zona produtora. A relação entre estes dois
volumes de propante – o volume colocado na zona
produtora dividido pelo volume total bombeado – será
chamada de eficiência volumétrica do propante.O fator mais crítico na determinação da eficiência
volumétrica do propante é a razão entre a altura de fratura
criada e a espessura permeável da formação. O
crescimento exagerado da altura da fratura limita a
eficiência volumétrica do propante, e isso geralmente deve
ser evitado. (A possibilidade de interceptar um contacto de
água próximo é outra importante razão para evitar um
excessivo crescimento de altura.)
A seleção do volume de propante a ser bombeado
é primeiramente baseada em fatores econômicos, sendo o
VPL (Valor Presente Líquido) o principal índice usado
como critério para tal. Como na maioria das atividades de
engenharia, o custo aumenta quase que linearmente com o
tamanho do tratamento, mas, após um certo ponto, o
aumento do lucro é marginal. Então, existe um tamanho
ótimo de tratamento, o ponto no qual o VPL de lucro
incremental, confrontado com os custos de tratamento,
atinge um máximo.
O tamanho ótimo pode ser determinado caso
exista algum método para prever o aumento máximo
possível de produtividade com uma quantidade de
propante determinada. O projeto unificado de fraturamento
usa extensivamente este fato, dado que o máximo aumento
de produtividade já está determinado pelo volume de
nupetro
Realce
9
propante na zona. Muitos detalhes operacionais podem ser
incorporados à análise pela decisão básica do tamanho do
tratamento, possibilitando um processo de projeto simples
e robusto.
Portanto, emprega-se o conceito de volume de
propante na zona permeável como uma variável chave de
decisão na fase de dimensionamento do procedimento de
projeto unificado de fraturamento. Para usá-lo
corretamente, a quantidade de propante indicado e a
eficiência volumétrica do propante devem ser
determinados.
Conectividade Fratura-Poço
Enquanto a máxima melhoria de produtividade é
determinada pelo volume de propante na zona produtora,
outras condições devem ser satisfeitas para viabilizar
técnica e operacionalmente um projeto. Um dos principais
fatores é o estabelecimento de um compromisso ótimo
entre o comprimento e a abertura (ou o mínimo desvio
possível deste ótimo devido a restrições operacionais).
Como explicado anteriormente, a condutividade
adimensional de fratura ótima é a variável que ajuda a
encontrar o compromisso correto. Contudo, outra condição
é igualmente importante. Ela está relacionada à
conectividade entre a fratura e o poço.
Um reservatório está submetido a um estado de
tensões que pode ser caracterizado por três tensões
principais: uma vertical, que é, na maioria dos casos de
reservatórios profundos (profundidade maior que 500 m), a
maior das três, e duas horizontais, uma mínima e outra
máxima. Uma fratura hidráulica se propagará na direção
normal à menor tensão principal, o que resulta em fraturas
verticais na maioria das operações de fraturamento
hidráulico. O azimute destas fraturas é determinado pelo
estado natural das tensões tectônicas presentes. Como tal,
poços horizontais ou desviados a serem fraturados devem
ser perfurados em uma direção que concorde com este
azimute. Poços verticais certamente concordarão com este
plano de fratura.
Se o azimute do poço não coincide com o plano
de fratura, ela vai se iniciar num determinado plano e,
então, se desviar, causando considerável tortuosidade, até
atingir seu azimute final, que será normal à mínima tensão
principal. Poços verticais com fraturas verticais, ou poços
horizontais deliberadamente perfurados ao longo do plano
de fratura resultam nos sistemas poço-fratura mais bem
alinhados. Outras configurações estão sujeitas ao efeito de
estrangulamento (“choke”), reduzindo desnecessariamente
a produtividade do poço fraturado. Os canhoneios e suas
orientações podem, também, ser uma fonte de problemas
durante a execução do tratamento, inclusive com a geração
de múltiplas fraturas e embuchamentos (screenout)
prematuros devido ao efeito de tortuosidade.
A condutividade adimensional de fratura em
reservatórios de baixa permeabilidade é naturalmente alta,
de forma que o efeito choke resultante do fenômeno
descrito anteriormente é geralmente minimizado; para se
evitar tortuosidade, fraturas iniciadas em um ponto (point
source fractures) são freqüentemente empregadas.
A conectividade fratura-poço é considerada
atualmente um ponto crítico no sucesso de fraturamentos
em alta permeabilidade, o que normalmente dita o azimute
do poço (i. e., perfuração de poços verticais em S) ou
aponta para a perfuração de poços horizontais
longitudinalmente à direção de fratura. A técnica de
canhoneio está sendo revisitada e alternativas como o
hidro-jateamento de rasgos (“slots”) estão sendo
consideradas como práticas promissoras. Enquanto alguns
modelos incorporam complexas geometrias fratura-poço,
com choke e outros efeitos, as diversas incertezas
dificultam a obtenção de previsões confiáveis de produção.
Na fase de projeto, devem-se tomar decisões que
minimizem a probabilidade de tais reduções de
produtividade.
O Conceito de Tip Screenout e
Outros Itens no Fraturamento de
Alta Permeabilidade (HPF)
Por ser o fraturamento de alta permeabilidade a
mais promissora possibilidade de expansão atual na
Engenharia de Petróleo, as principais características desse
tipo de completação são descritas a seguir. O objetivo é
identificar os aspectos que distinguem o fraturamento de
alta permeabilidade do fraturamento hidráulico
convencional.
Projeto Tip ScreenOut
Os elementos críticos no projeto, execução e
interpretação do comportamento de tratamentos de
fraturamento de alta permeabilidade são substancialmente
diferentes dos observados nos fraturamentos
convencionais. Em particular, o HPF está intimamente
ligado à técnica denominada “Tip Screeout”, ou TSO,
usada para limitar o crescimento da fratura e possibilitar
sua inflação e empacotamento. O TSO ocorre quando uma
quantidade suficiente de propante se acumula na
extremidade da fratura, travando seu crescimento. Uma
vez que este crescimento é interrompido (e assumindo que
a vazão de bombeio é maior que a taxa de filtração da
formação), o prosseguimento do bombeio irá inflar a
fratura, ou seja, aumentar sua abertura. O Tip Screenout e
a inflação da fratura devem ser acompanhados de um
aumento na pressão líquida (net) de fraturamento. Logo, o
tratamento pode ser conceitualmente dividido em dois
estágios: a criação da fratura (equivalente ao projeto
convencional) e a inflação/empacotamento da fratura (após
o tip screenout).
A criação da fratura e a interrupção de seu
crescimento (tip screenout) são conseguidas com o
bombeio de um pequeno colchão de fluido limpo seguido
de uma pasta com uma concentração de 1 a 4 ppg (libras
por galão de fluido) de propante. Após a obtenção do tip
screenout, o bombeio é mantido com altas concentrações
de propante (10 – 16 ppg). Podem ser alcançadas
concentrações areais de propante da ordem de 20 lb/pé2
(concentração areal é definida como relação entre a massa
de propante bombeada e a área criada de fratura). Uma
prática usual consiste em reduzir a vazão de injeção perto
do final do tratamento para desidratar e empacotar a fratura
nas vizinhanças do poço. Este recurso pode também ser
usado para forçar um tip screenout nos casos em que
nenhum evento tipo TSO é observado na pressão
registrada no fundo do poço.
A experiência de campo sugere que pode ser
difícil modelar, controlar, ou mesmo detectar o tip
AlissonM.
Highlight
AlissonM.
Highlight
AlissonM.
Highlight
nupetro
Realce
nupetro
Realce
10
screenout. Há muitas razões para isto, como o temor de
aplicar esquemas agressivos de bombeio, eventos parciais
ou múltiplos de tip screenout, e práticas inadequadas de
monitoramento de pressão.
A monitoração e o correto diagnóstico deste tipo
de tratamento exige acurada medição de fundo de poço.
Pressões de fundo calculadas não são confiáveis devido às
incertezas relativas ao dimensionamento e aos complexos
efeitos associadosao bombeio de altas concentrações de
pasta de propante através de tubulações de pequeno
diâmetro. Dados obtidos na superfície podem indicar a
ocorrência de TSO enquanto que os de fundo não mostram
esta evidência e vice-versa.
Pressão Líquida e Filtração em Meios
de Alta Permeabilidade
O processo HPF é dominado por considerações
sobre pressão líquida (net pressure) e filtração (fluid
leakoff). Primeiro, formações de alta permeabilidade são
tipicamente moles (soft) e exibem baixos valores de
módulo de elasticidade, e segundo, os volumes de fluido
são relativamente pequenos e a taxa de filtração é elevada
(alta permeabilidade, fluidos compressíveis no reservatório
e fluidos de fraturamento sem reboco). Embora as práticas
convencionais de projeto, execução e avaliação do
fraturamento hidráulico sejam aplicáveis ao HPF, elas não
são suficientes.
Pressão Líquida
A pressão net é a diferença entre a pressão
exercida em algum ponto do interior da fratura e aquela na
qual a fratura fechará. Esta definição implica a existência
de uma pressão de fechamento única. Se a pressão de
fechamento é uma propriedade (característica) constante
da formação, ou se ela depende fortemente da pressão de
poros (ou ainda da variação da pressão de poros em
relação ao seu valor estático), esta é ainda uma questão em
aberto.
Em formações moles, de alta permeabilidade, é
difícil (senão impossível) sugerir uma receita simples para
determinar a pressão de fechamento a partir da análise de
curvas de declínio. Além disso, devido aos baixos valores
de módulo de elasticidade, mesmo pequenas variações na
pressão net são amplificadas resultando em grandes
variações na abertura de fratura calculada.
Apesar dos sofisticados modelos 3D disponíveis,
a propagação da fratura é um processo de grande
complexidade e difícil modelagem, mesmo nos melhores
casos, devido ao grande número de fenômenos físicos
envolvidos. A descrição física da propagação de fraturas
em rochas moles é ainda mais complexa, mas é razoável se
supor que ela envolve dissipação incremental de energia e
efeitos de extremidade mais severos quando comparada ao
fraturamento de rocha dura. Ainda, devido aos baixos
valores de módulo de Young, a dificuldade de prever o
comportamento da pressão net pode levar a uma grande
diferença entre o desempenho previsto do tratamento e o
real. Por fim, os modelos clássicos de propagação de
fratura podem não refletir adequadamente as principais
características do processo de propagação em rochas de
alta permeabilidade.
É prática comum entre os operadores “prever”
aspectos da propagação e da pressão net posteriormente,
usando simuladores computacionais. A utilização
exacerbada desses “knobs” (fatores multiplicativos para
ajustes de simulação) em itens como barreiras arbitrárias
de tensão, fatores de fricção, fatores adimensionais que
relacionam propriedades de rochas e fluidos, e outros,
complica ainda mais a compreensão do fenômeno.
Diversas novas metodologias e técnicas estão em
desenvolvimento nesta área.
Filtração
Grande esforço tem sido direcionado à
investigação experimental do processo de filtração em
amostras de alta permeabilidade. Os resultados levantam
algumas questões sobre como efetivamente a filtração
pode ser controlada pela formação de reboco. Em todos os
casos, especialmente em formações de alta
permeabilidade, a qualidade do fluido de fraturamento é
somente um dos fatores que influenciam a filtração, não
sendo, em geral, um fator determinante. O fluxo transiente
do fluido na formação pode ter um impacto similar, ou
mesmo superior. O fluxo transiente não pode ser
simplificado com o uso de equações empíricas ajustadas
aos dados de laboratório. O uso de modelos baseados no
fluxo de fluido em meios porosos é imprescindível e tem
sido adotado por muitos.
Seleção de Candidatos
A vantagem do fraturamento de alta
permeabilidade extrapola os óbvios benefícios resultantes
da restauração da produtividade pela transposição do dano
e alcança a área do controle de areia (sand control).
Contudo, no HPF isso não se refere apenas à retenção
mecânica de partículas, mas também ao controle da
“desconsolidação”.
Cada vez mais, assuntos como estabilidade de
poço, poços horizontais e fraturamentos hidráulico devem
ser encarados numa abordagem holística. Estratégias pró-
ativas de completação de poços são críticas para a
estabilidade dos poços e o controle de areia na redução do
drawdown de pressão e obtenção de taxas
economicamente atrativas. O reconhecimento de
reservatórios candidatos para uma correta configuração de
poço é um elemento-chave. Os passos necessários para a
seleção de candidatos incluem engenharia de reservatório
adequada, caracterização da formação, cálculos de
estabilidade de poço, e a combinação das previsões de
produção com o potencial de produção de areia.
Configurações Complexas Poço-Fratura
Poços verticais não são os únicos candidatos à
fraturamento hidráulico. A figura 1-3 mostra algumas
configurações básicas para poços verticais e horizontais.
Poços horizontais que empregam fraturamentos
convencionais e, especialmente, fraturamentos de alta
permeabilidade, com o poço perfurado na direção do
azimute de fratura esperado (considerando-se fraturas
longitudinais) apresentam, ao menos conceitualmente, um
promissor prospecto, conforme será discutido adiante.
Entretanto, um poço horizontal planejado para a
configuração de fraturas longitudinais deve ser perfurado
na direção da máxima tensão principal. E isto, em conjunto
com os problemas na perfuração já conhecidos, pode
AlissonM.
Sticky Note
paradaa....
11
contribuir para futuros problemas de estabilidade da
formação.
FIGURA 1-3 – Configurações com uma única
fratura
A figura 1-4 ilustra duas configurações de
múltiplas fraturas. Uma configuração, mais sofisticada,
conceitualmente, envolveria a combinação do HPF com
múltiplas pernas (branchs) verticais fraturadas, construidas
a partir de um poço horizontal principal perfurado acima
da formação produtora. Sem dúvida, como os poços
horizontais são normais à tensão vertical, eles são
geralmente mais propensos a problemas de estabilidade.
Tal configuração permitiria a colocação do trecho
horizontal em uma formação competente e não produtora.
Há outras vantagens no tratamento de seções verticais em
relação às horizontais ou inclinadas: problemas como
múltiplas fraturas, desvio de fraturas e tortuosidade são
evitados; efeitos choke (skins relacionados à convergência
de fluxo) são pouco prováveis; e a estratégia de canhoneio
pode ser simplificada.
FIGURA 1-4. Configurações com múltiplas
fraturas.
Projeto Unificado de Fraturamento
Projeto Lógico
Num projeto unificado de fraturamento considera-
se o tamanho do tratamento, especificamente o volume de
propante na formação produtora, como a principal variável
de decisão. Uma vez que esta decisão é tomada, o
comprimento e a abertura ótimos são determinados. Estes
parâmetros são então submetidos ao crivo técnico e as
dimensões do fraturamento são validadas. Um esquema de
bombeio preliminar é calculado de forma a se obter estas
dimensões e assegurar a distribuição uniforme do propante
ao longo da fratura. Se esta distribuição for inviável para
um tratamento tradicional, ele pode ser substituído por um
tratamento TSO. Mesmo com a quantidade injetada de
propante já definida, a eficiência volumétrica do propante
pode se modificar durante o processo de projeto. É
extremamente importante que as decisões básicas sejam
feitas de maneira iterativa, porém sem utilizar
desnecessários detalhes de mecânica de fratura, reologia de
fluidos ou engenharia de reservatório.
Planilha de Projeto de Fraturamento
Uma planilha simples, baseada num projeto
lógico e transparente, é a ferramenta ideal para tomar
decisões preliminares de projeto e a avaliação inicial do
tratamento executado. A planilha HF2D é um rápido
software2D para o projeto de fraturamentos tradicional
(permeabilidades moderadas e rocha dura) e frac-pack
(maiores permeabilidades e rochas moles), e está
disponível no CD distribuído com o livro.
Pela modificação de vários parâmetros de entrada
pode-se desenvolver o conhecimento intuitivo de suas
importâncias relativas ao projeto do tratamento e verificar
o desempenho final do poço fraturado. A planilha auxiliará
na tomada das mais importantes decisões e alertará para
suas conseqüências. O uso concomitante da planilha e de
um simulador 3D, se disponível, é um interessante
exercício.
Como Usar este Livro
O propósito deste livro é transferir a tecnologia do
fraturamento hidráulico e facilitar sua execução. Os vários
capítulos trazem informações sobre o reconhecimento de
candidatos, projeto, execução e avaliação do tratamento,
12
seleção de materiais, controle de qualidade, e
especificação de equipamentos.
Embora o livro inclua os últimos
desenvolvimentos de alguns dos mais respeitados
operadores de fraturamento hidráulico no mundo –
genuíno estado-da-arte da tecnologia – seu nível de
abordagem é baixo no sentido de que pode ser usado como
um bom texto de iniciação para aqueles que estão se
expondo à tecnologia do fraturamento pela primeira vez.
Estrutura do Livro
Os dez capítulos do livro tratam dos mais
importantes aspectos relativos ao espectro das atividades
de fraturamento hidráulico.
Os apêndices de A a G são material de referência,
e incluem um glossário de termos referentes ao
fraturamento, uma extensa bibliografia, os dados de
entrada e as instruções para o uso dos softwares incluídos
no livro, práticas e formulários de controle de qualidade, e
exemplos de programas de fraturamento.
O CD anexado ao livro contém duas planilhas:
1. A planilha Excel HF2D é um rápido simulador 2D
para projetos de fraturamento tradicional
(permeabilidade moderada e rochas duras) e frac-pack
(altas permeabilidades e rocha mole).
2. A planilha Excel MF é um pacote para avaliação de
minifrac (teste de calibração). Seu principal objetivo é
extrair o coeficiente de filtração de dados de declínio
de pressão (fall-off).
Duas referências são altamente recomendáveis como
complemento ao livro:
• Hydraulic Fracture Mechanics, de Peter
Valkó e Michael Economides, trata dos
fundamentos desta tecnologia. Revisa os
fundamentos básicos de áreas como
elasticidade, distribuição de tensões, fluxo de
fluido e a dinâmica do processo de ruptura.
Técnicas modernas de projeto e análise são
derivadas e aprofundadas numa abordagem
inteligível e unificada.
• Simulation Engineering Handbook, de John
Ely, que cobre vários aspectos da
implementação e do controle de qualidade do
fraturamento. É um verdadeiro handbook
nestas áreas.
Outros livros de referência com abundante
volume de informações de especialistas são: Petroleum
Well Construction, editado por Micheal Economides,
Larry Waters e Shari Dunn-Norman; Reservoir
Stimulation, Third Edition, por Michael Economides e
Ken Nolte; e o já antigo porém clássico volume SPE
Monograh No. 12: Advances in Hydraulic Fracturing,
editado por John Gidley, Steve Holditch, Dale Nierode and
Ralph Veatch. Embora estes livros apresentem tanto uma
perspectiva histórica quanto vários detalhes do processo de
fraturamento, eles não são recomendados como uma
primeira leitura devido à linguagem altamente técnica
empregada e aos seus estilos compartimentados de
apresentação.
Quem Deve Ler o Quê?
Que seções do livro usar – uma rápida revisão do
material introdutório, o glossário, o capítulo de fluidos de
fraturamento somente ou em conjunto com a teoria de
projeto e o software – dependo do envolvimento do leitor
com a operação de fraturamento.
Este livro ou qualquer outro mecanismo de
transferência de tecnologia somente será útil se for
manipulado por pessoas capacitadas. O pessoal descrito a
seguir pertence à equipe de fraturamento e é um potencial
alvo deste livro.
Equipe de fraturamento
A equipe de fraturamento é a unidade mínima e
básica necessária para um tratamento. A equipe pode
consistir de algo entre 7 e 15 pessoas dependendo do
número de unidades de bombeio e da logística de
monitoramento instalada na locação. Muitos destes são
treinados para executar múltiplas funções, como dirigir
caminhões, montar equipamentos, e instalar e manter os
instrumentos de monitoração.
Além de ser treinado em cada detalhe do
equipamento que opera, cada membro da equipe deve estar
familiarizado com o material do capítulo 10, Controle de
Qualidade, e do Apêndice F, Práticas e Formulários de
Qualidade.
As pessoas-chave numa operação de fraturamento
são, por ordem de importância:
Chefe da equipe de fraturamento: Às vezes conhecido
como engenheiro de campo, é a pessoa responsável na
locação pela execução do trabalho. É uma pessoa
altamente experiente, podendo ser tanto um engenheiro
que foi guindado à posição de gerente de serviço de
campo, quanto um operador altamente capacitado que foi
promovido a este posto. O chefe de equipe dirige as
operações de fraturamento do posto de monitoração (‘frac
van”) e tem total responsabilidade pela operação, inclusive
quanto à segurança. Ele se comunica constantemente por
rádio com os operadores das bombas, blender e
silos/caçambas. Tem certificação para operar
equipamentos de alta pressão, e é um especialista em
projeto de fraturamento, sendo o responsável por sua
implementação. Tem total autoridade para continuar ou
interromper um tratamento. (Note-se que o pronome “ele”
é usado por conveniência, pois há inúmeras mulheres
capacitadas que exercem esta função).
Este não é um posto para o qual se pode preparar
alguém gradualmente. Ele deve ser preenchido por alguém
escolhido “a dedo” entre os diversos pretendentes naturais.
A experiência na execução do trabalho é imprescindível.
Engenheiro de fraturamento da cia.: Mais conhecido
como desk engineer, que é um conceito praticado por
muitas companhias dentro e fora da industria do petróleo.
Em poucas palavras, a cia. coloca um engenheiro de seu
staff permanentemente à disposição da operadora. O
cliente é responsável por providenciar um espaço (desk)
no qual este técnico externo pode sentar e trabalhar, o que
gerou o termo. Esta disponibilidade e a troca de
conhecimentos entre operadoras e cias. de serviço podem
aumentar dramaticamente a aplicabilidade e o sucesso de
uma tecnologia, e podem ser especialmente importantes
nupetro
Realce
13
para uma rápida e necessariamente massiva introdução do
fraturamento hidráulico em uma nova área ou país.
Este técnico deve ter a mesma capacitação do
chefe de equipe, mas tipicamente terá menor experiência.
Como o chefe de equipe, o desk engineer deve estar
familiarizado com todos os aspectos técnicos relacionados
ao fraturamento.
Químico QA/QC: Qualquer operação de fraturamento
requer um químico bem versado na química e reologia dos
fluidos de fraturamento e seus aditivos. Este técnico opera
um laboratório especialmente montado para tal. O
laboratório inclui, além dos materiais e equipamentos
básicos, um viscosímetro HPHT Fann 50 e, se possível,
um simulador de memória de cisalhamento (shear-history)
de fluido. O químico deve ser um especialista em química
de polímeros, ou ter, no mínimo, um bom conhecimento
nesta área, e deve ser treinado na detecção da qualidade do
propante (visualmente, com microscópio de magnificação
100).
O químico é o responsável de campo pela
garantia/controle de qualidade (QA/QC – Quality
Assurance / Quality Control). Antes do tratamento, ele
inspeciona o fluido-base (água), os aditivos e o propante
para se certificar de que são apropriados e de alta
qualidade. Durante o tratamento, ele inspeciona a mistura
dos materiais (proporções e tempo no caso de reticuladores
retardados), e verifica e aprova a qualidade do propante
em tempo real.
É quase que de inteiraresponsabilidade do
químico QA/QC a compreensão dos capítulos 6 e 9 deste
livro, assim como do apêndice F. Deve usar
constantemente os diversos manuais disponíveis.
Engenheiro de Projeto: Como o título sugere, esta pessoa
é responsável pelo projeto do fraturamento hidráulico. Ele
deve ser especialista nesta área, descrita nos capítulos de 4
a 9, e deve estar familiarizado com os simuladores
disponíveis. Dependendo da intensidade da atividade de
fraturamento, pode haver várias pessoas para desenvolver
esta tarefa. Em operações menores, a mesma pessoa pode
também se responsabilizar pela análise em tempo real do
tratamento, o que é discutido no capítulo 10.
O engenheiro de projeto deve ser um engenheiro,
preferencialmente um engenheiro de petróleo, e ser
dedicado ao estudo do assunto. Experiência na industria é
recomendada, mas não necessária. Com um treinamento
apropriado, um técnico bem dotado pode assumir esta
função após acompanhar vários trabalhos. Finalmente, ele
deve estar familiarizado com a execução do fraturamento,
com a química do fluido de fraturamento e com
completação de poço.
14
Estimulação como Método para
Aumentar o Índice de
Produtividade
O objetivo primário da estimulação de um poço é
aumentar sua produtividade pela remoção de algum dano
instalado em suas vizinhanças ou pelo estabelecimento de
uma estrutura altamente condutiva na formação. As
técnicas de estimulação mais usadas são o fraturamento
hidráulico, frac-pack, acidificação matricial de carbonatos
e arenitos, e fraturamento ácido. Qualquer uma destas
técnicas deve gerar algum aumento no índice de
produtividade, ou seja, algum aumento na vazão de
produção ou alguma redução no drawdown. Não é
necessário explicar os benefícios do aumento de vazão. Os
benefícios da redução de drawdown são menos óbvios,
podendo se citar a minimização de produção de areia e de
formação de cone de água e/ou a mudança no equilíbrio de
fases nas vizinhanças do poço de forma a reduzir a
formação de condensado. Poços injetores também podem
se beneficiar da estimulação de maneira similar.
Para entender como a estimulação aumenta a
produtividade, alguns conceitos básicos de engenharia de
reservatório e de produção são apresentados a seguir.
Índice de Produtividade
Este índice representa uma relação linear entre a
vazão de produção e o diferencial de pressão (drawdown)
aplicado para obtê-la,
pJq Δ=
onde a “constante” de proporcionalidade J é denominada
índice de produtividade (IP). Durante sua vida produtiva,
um poço é submetido a diversas mudanças em suas
condições de fluxo, sendo as duas mais importantes a
vazão de produção constante,
Dp
kh
Bq
p
π
μα
2
1=Δ
e drawdown constante,
Dq
B
pkhq
μα
π
1
2 Δ
=
onde k é a permeabilidade da formação, h é a espessura da
zona produtora, B é o fator volume de formação, μ é a
viscosidade do fluido, e α1 é uma constante de conversão,
igual a 1 para os sistemas coerentes. Tanto a vazão de
produção (q) quanto o drawdown (Δp) são especificados, e
portanto usados para definir as variáveis adimensionais. A
tabela 3-1 lista algumas soluções conhecidas para a
equação da difusividade radial.
Devido à natureza radial do fluxo, a maior parte
da queda de pressão ocorre nas vizinhanças do poço, e
qualquer dano nesta região aumenta significativamente
esta perda de carga. O impacto do dano nas vizinhanças do
poço pode ser representado pelo fator de skin, s,
adicionado à pressão adimensional na expressão de IP,
)(
2
spB
khJ
D +
=
μ
π
O conceito de skin é uma idealização que
condensa os principais aspectos do dano nas vizinhanças
do poço: a perda de carga causada pelo dano é
proporcional à vazão de produção. Mesmo empregando as
melhores práticas de perfuração e completação, algum tipo
de dano é instalado nas vizinhanças do poço na maioria
dos casos. O skin pode ser considerado como uma medida
da qualidade do poço. Outros fatores mecânicos, não
causados propriamente pelo dano, podem ser adicionados
ao skin. Estes podem incluir um canhoneio imperfeito,
penetração parcial do poço na formação, mau
dimensionamento do equipamento de completação, e
outros. Quando o poço está danificado (ou sua
produtividade é inferior à esperada por algum motivo) o
fator de skin é positivo.
TABELA 3-1 – Fluxo em um poço vertical não
danificado
Regime de
Fluxo
Δp pD (≈1/qD)
Transiente wfi pp −
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
−−=
D
D t
Eip
4
1
2
1
onde
2
wt
d
rc
ktt
φμ
=
Permanente wfe pp − )/ln( weD rrp =
Pseudo-
permanente wfpp − 4/3)/ln( −= weD rrp
A estimulação do poço aumenta seu índice de
produtividade. É razoável propor que qualquer tipo de
estimulação reduz o fator de skin. Com a generalização
para valores negativos de fator de skin, mesmo aquelas
operações que não apenas removem o dano instalado como
também criam ou melhoram os caminhos condutivos
podem ser classificadas desta forma. Neste caso é mais
correto falar em fator de pseudo skin, indicando que a
estimulação provoca mudanças estruturais na formação.
O índice de produtividade para o regime pseudo-
permanente é dado por:
D
wf
J
B
kh
pp
q
J
μα
π
1
2
=
−
=
onde JD é chamado índice de produtividade adimensional.
Para um poço localizado no centro de uma área de
drenagem circular, o índice de produtividade adimensional
no regime pseudo-permanente se reduz a
s
r
r
J
w
e
D
+
=
472,0
ln
1
15
No caso de uma fratura sustentada, há várias
formas de incorporar os efeitos da estimulação no índice
de produtividade. Pode-se usar o conceito de pseudo-skin,
f
w
e
D
s
r
r
J
+
=
472,0
ln
1
ou o conceito de raio de poço equivalente
'
472,0
ln
1
w
e
D
r
r
J =
ou pode-se expressar o índice de produtividade
adimensional como uma função dos parâmetros da fratura.
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
=
fratura da parâmetros de e
drenagem de volumedo geometria da função
DJ
Todas essas formas fornecem o mesmo resultado (se
formuladas em termos coerentes). A última opção é a mais
geral e conveniente, especialmente se quisermos
considerar poços fraturados em outras geometrias de
drenagem, não necessariamente circulares.
Vários autores apresentam cartas e correlações
para incorporar geometrias especiais e diferentes tipos de
reservatórios. Infelizmente, a maioria desses resultados é
menos óbvia e difícil de ser aplicada aos casos de alta
permeabilidade. Mesmo para o caso mais simples, uma
fratura vertical interceptando um poço vertical, existem
discrepâncias. O livro Reservoir Stimulation (Economides)
apresenta um quadro bastante interessante mostrando as
diversas possibilidades de combinação de geometrias de
poço e reservatório.
Sistema Poço-Fratura-Reservatório.
O desenvolvimento seguinte considera uma
fratura vertical que ocupa toda a espessura permeável h
conforme mostrado da figura 3-1.
FIGURA 3-1 – Notação para desempenho da
fratura.
Note-se que, realmente, a área de drenagem não é
nem circular nem retangular, contudo, para a maioria dos
perfis de drenagem, essas geometrias são aproximações
razoáveis. Usar re ou xe é somente matéria de
conveniência. A relação entre a área de drenagem A, o raio
de drenagem re e o lado de drenagem xe é dada por
22
ee xrA == π
Para um poço vertical interceptando uma fratura
retangular vertical com penetração total da base ao topo de
um volume de drenagem em forma de paralelepípedo,
sabe-se que seu desempenho depende da razão de
penetração na direção x,
e
f
x x
x
I
2
=
e da condutividade adimensional da fratura
f
f
fD kx
wk
C =
onde xf é o semi-comprimento da fratura, xe é o lado do
quadrado de drenagem, k é a permeabilidade da formação,
kf é a permeabilidade do pacote de propante, e w é a
abertura média (consolidada) da fratura.
Número de Propante
A chave para formular um problema de
otimização tecnicamente representativo é estabelecer que a
penetração da fratura e sua condutividade adimensional se
referema um mesmo recurso: o volume efetivo de
propante (efetivo porque só deve ser computado o volume
da fratura em frente à zona permeável). Com as
propriedades do reservatório e do propante e a quantidade
determinada do propante, estabelece-se um compromisso
ótimo entre abertura e comprimento. O volume disponível
de propante impõe um limite aos dois números
adimensionais definidos. Para facilitar a manipulação dos
mesmos, define-se um novo grupo adimensional: o número
de propante.:
fDxprop CIN 2=
Conforme definido acima, o número de propante
é justamente a combinação de dois outros parâmetros
adimensionais: razão de penetração e condutividade
adimensional da fratura. Substituindo as definições de
razão de penetração e condutividade adimensional da
fratura na equação proposta obtém-se:
res
propf
e
ff
e
ff
prop V
V
k
k
hkx
whxk
kx
wxk
N
244
22
===
onde Nprop é o Número de Propante, adimensional; kf é a
permeabilidade do propante; k é a permeabilidade da
formação; Vprop é o volume de propante na zona produtora
(duas asas, incluindo o volume poroso entre os grãos); e
Vres é o volume drenável (ou seja, o produto da área de
drenagem pela espessura permeável).
Portanto o número de propante é, por definição, a
relação ponderada entre os volumes da fratura (duas asas)
e do reservatório por ela drenado, sendo o fator de
ponderação dado pelo dobro do contraste de
permeabilidade (fratura/reservatório). Notar que somente o
propante localizado na espessura permeável é considerado.
Se, por exemplo, a altura da fratura é o triplo da espessura
porosa, então Vprop deve ser estimado como o volume total
de propante dividido por 3. Em outras palavras, o volume
empacotado de propante injetado multiplicado pela
eficiência volumétrica do propante resulta no Vprop usado
no cálculo do número de propante.
Este grupo adimensional, Nprop, é o mais
importante parâmetro do projeto unificado de
fraturamento.
nupetro
Realce
nupetro
Realce
16
FIGURA 3-2. Representação tradicional de JD,
tipo McGuire-Sikora
A figura 3-2 mostra JD representado em sua forma
tradicional, como função da condutividade adimensional
da fratura, CfD, com Ix como parâmetro. Gráficos similares
de aumento de produtividade são comuns na literatura.
Contudo, esta figura não é útil na resolução de
problemas de otimização com quantidades fixas de
propante. Para este propósito, as figuras 3-3 e 3-4
apresentam os mesmos resultados, porém com o número
de propante, Nprop, como parâmetro. Suas curvas
individuais correspondem a JD para um determinado valor
de Nprop.
Nestas figuras, para um determinado valor de
Nprop, a um valor bem determinado de condutividade
adimensional de fratura corresponde um índice máximo de
produtividade. Como um dado número de propante
representa uma determinada quantidade efetiva de
propante (efetiva porque somente é computada a
quantidade referente à espessura permeável), o ponto
máximo dessa curva representa o melhor compromisso
entre a abertura e o comprimento da fratura para a
condutividade adimensional da fratura correspondente na
abscissa do gráfico.
Um dos principais resultados mostrados pelos
gráficos é que, para números de propante inferiores a 0,1,
este compromisso ocorre quando CfD = 1,6. Quando o
volume de propante aumenta, o compromisso ótimo se
desloca para condutividades adimensionais de fratura
maiores, simplesmente porque a penetração adimensional
não pode exceder a unidade (ou seja, se a fratura atingir o
limite do reservatório, toda quantidade suplementar de
propante deve ser alocada à sua abertura). Esse efeito é
mostrado na figura 3-4: o valor máximo da produtividade
adimensional tende assintoticamente para o valor de 1,909
(ou 6/π), que é o mesmo que ocorre na figura 3-2, como
seria de se esperar. Este valor máximo corresponde ao
fluxo linear perfeito em um reservatório quadrado
FIGURA 3-3. Índice adimensional de produtividade em função da condutividade adimensional da fratura
com o número de propante como parâmetro (para Nprop < 0.1)
17
FIGURA 3-4. Índice adimensional de produtividade em função da condutividade adimensional da fratura
com o número de propante como parâmetro (para Nprop > 0.1)
FIGURA 3-5. Índice adimensional de produtividade em função da razão de penetração com o número de
propante como parâmetro (para Nprop > 0.1)
18
Em formações de média e alta permeabilidades
(acima de 50 mD), é praticamente impossível impor um
número de propante maior que 0,1. Em tratamentos de
frac-pack, valores típicos de número de propante variam
entre 0,0001 e 0,01. Portanto, para estas formações o valor
ótimo da condutividade adimensional da fratura é CfDopt =
1,6 sempre.
Em reservatórios fechados de gás, comumente
chamados “tight gas” é possível encontrar números de
propante maiores, ao menos em princípio. Os números de
propante calculados para uma área de drenagem limitada –
não considerando a quantidade de propante contida na
espessura permeável – podem atingir valores como 1 e,
até, 10. Contudo, na prática, dificilmente se encontra
números de propantes superiores a 1. Em grandes
tratamentos, o propante pode migrar para áreas superiores
aumentando significativamente a altura da fratura, e
mesmo lateralmente, criando complexas geometrias.
A situação é mais complicada no caso de um poço
único em uma grande área de drenagem. Neste caso, pode-
se hipoteticamente projetar uma fratura de grande
comprimento, mas isso só será operacionalmente viável
caso não se respeite o compromisso ótimo mostrado nas
curvas.
A imposição de números de propante superiores a
1 leva a um comprimento de fratura próximo ao limite do
reservatório. Isso pode ser claramente visto na figura 3-5,
onde a razão de penetração é mostrada no eixo x; os
máximos das curvas tendem a se concentrar próximos ao
valor unitário de Ix.
Para Nprop = 1, o máximo valor do índice de
produtividade adimensional é cerca de 0,9. Num poço
vertical sem dano, o valor desse índice varia entre 0,12 e
0,14, a depender do espaçamento do poço e de seu raio.
Portanto, existe um valor prático máximo para o parâmetro
FOI (folds of increase) no regime pseudo permanente
(para o caso de skin nulo), ou seja, 0,9 dividido por 0,13 é
aproximadamente igual a 7. Valores de FOI superiores a 7
são improváveis. Certamente, valores superiores de FOI
podem ser encontrados com respeito a um poço
originalmente danificado onde o fator de skin anterior ao
tratamento tenha valor alto e positivo.
Outro engano comum relaciona-se ao período de
fluxo transiente. Sob fluxo transiente o índice de
produtividade (conseqüentemente a vazão de produção) é
maior que no caso do regime pseudo-permanente. Com
esse quadro em mente é fácil descartar o procedimento de
otimização de regime pseudo-permanente e assumir
condutividades adimensionais de fratura muito mais altas
e/ou antecipar muitos “folds of increase” na produtividade.
Na realidade, a existência de um período transiente de
fluxo não muda a conclusão anterior sobre as dimensões
ótimas. Os cálculos mostram que não há uma razão
plausível para se desviar daquele compromisso ótimo
mesmo que o poço produza em regime transiente por um
tempo considerável (meses, ou até anos). Resumindo: o
que é bom para maximizar o período pseudo-permanente
de fluxo é também bom para o período transiente
Na definição do número de propante, kf é a
permeabilidade efetiva (ou equivalente, conforme pode
também ser chamada) do pacote de propante. Este é um
parâmetro crucial no projeto. Os atuais simuladores de
fraturamento geralmente fornecem o valor nominal desta
permeabilidade, conforme informada pelos produtores
desses agentes, e permitem o uso de um fator selecionável
pelo usuário para atenuar este valor. O valor que deve ser
usado no cálculo do número de propante é este valor
reduzido.
Há várias razões para que a permeabilidade real
do pacote de propante seja inferiorà seu valor nominal. As
principais são:
• Altas tensões de confinamento esmagam o propante,
reduzindo o tamanho médio dos grãos, sua
uniformidade e porosidade.
• Resíduos do fluido de fraturamento reduzem a
permeabilidade da fratura.
• Alta velocidade de fluxo no pacote de propante cria
um efeito não-Darcyano, resultando em perda de carga
adicional. Este fenômeno pode ser significativo
quando gás é produzido na presença de um líquido
(água ou condensado). O efeito não-Darcyano é
causado pela aceleração/desaceleração periódica das
gotículas do líquido, reduzindo efetivamente a
permeabilidade do pacote de propante. Esta
permeabilidade reduzida pode ser uma ordem de
magnitude menor que a fornecida pelo produtor.
Durante o projeto de fraturamento, deve-se voltar
muita atenção à permeabilidade efetiva do pacote de
propante e à permeabilidade da formação. O conhecimento
do contraste efetivo de permeabilidades é crítico e não
deve ser subestimado
Desempenho de Poços de Baixos a
Moderados Números de Propante.
Por baixos a moderados números de propante
entenda-se algo inferior a 0,1. A maioria dos tratamentos
se enquadra, em geral, nesta faixa, o que a torna muito
importante em termos de projeto.
O projeto ótimo de tratamento para números de
propante moderados pode ser simples e sucintamente
apresentado de forma analítica. Neste processo será
verificado como o número de propante e o índice de
produtividade adimensional se relacionam com outros
índices de desempenho populares, como a função pseudo-
skin de Cinco-Ley & Samaniego e o raio de poço
equivalente de Prats.
Prats (1961) introduziu o conceito de raio de poço
equivalente resultante de um fraturamento. Ele também
mostrou que, excetuando-se o comprimento da fratura,
todas as demais variáveis somente afetam o desempenho
do poço pela condutividade adimensional da fratura.
Quando a condutividade adimensional da fratura é alta (ou
seja, maior que 100), o comportamento é similar ao de
uma fratura com condutividade infinita. O comportamento
de fraturas com condutividade infinita foi estudado por
Gringarten & Ramey (1974). Para caracterizar o impacto
de uma fratura de condutividade finita no desempenho de
um poço vertical, Cinco-Ley & Samaniego (1981)
introduziram a função pseudo-skin que é, estritamente,
uma função da condutividade adimensional da fratura.
De acordo com a definição do fator de pseudo-
skin, o índice de produtividade adimensional para o regime
pseudo-permanente pode ser dado por:
f
w
e
D
s
r
r
J
+
=
472,0ln
1
onde sf é o pseudo-skin. Na notação de Prats o mesmo
índice de produtividade é dado por
19
'
472,0ln
1
w
e
D
r
r
J =
sendo rw’ o raio de poço equivalente. Prats ainda usou o
raio de poço equivalente relativo, definido como rw’/xf.
No equacionamento de Cinco-Ley, o índice de
produtividade é descrito como
f
x
r
J
f
e
D
+
=
472,0ln
1
onde f é a função pseudo-skin com respeito ao semi-
comprimento da fratura.
A tabela 3-2 mostra as relações entre estes
conceitos.
TABELA 3-2. Relações entre parâmetros de desempenho.
w
f
f r
x
sf ln+= '
ln
w
w
f r
r
s =
)exp(' fww srr −= )exp(' fxr fw −=
)exp(
'
f
x
r
f
w −= )exp(
'
f
f
w
f
w s
x
r
x
r
−=
A vantagem do equacionamento proposto por
Cinco-Ley (fator f) é que, para números de propante
moderados (e baixos), a quantidade f depende unicamente
da condutividade adimensional da fratura, conforme
mostrado na figura 3-6.
FIGURA 3-6. Fator f e função y (Cinco-Ley &
Samaniego)
Note-se que para elevados valores de CfD o fator f
aproxima-se de ln(2), indicando que a produção de uma
fratura de condutividade infinita equivale à produção de
π/2 vezes mais que a produção de uma mesma superfície
cilíndrica (como as paredes de um poço de diâmetro muito
grande). Em cálculos, é conveniente usar a correlação:
32
2
005,0064,018,01
116,0328,065,1
uuu
uuf
+++
+−
= , onde u = ln CfD
Como o raio de poço relativo de Prats pode também ser
representado pelo fator f, conforme a tabela 3-2, obtém-se
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
+++
+−
−=
32
2
005,0064,018,01
116,0328,065,1exp
'
uuu
uu
x
r
f
w
Estas correlações são válidas somente no range
mostrado na figura 3-6. Para valores maiores de CfD pode-
se usar o valor limite desta última equação, que é 0,5,
mostrando que uma fratura de condutividade infinita tem
uma produtividade similar a um poço imaginário com
diâmetro de xf /2.
O comportamento de condutividade infinita não
implica, necessariamente, que foi selecionada a melhor
forma de se colocar uma determinada quantidade de
propante na formação.
Condutividade Ótima de Fratura
Neste contexto (Nprop < 0,1), pode-se formular um
problema estritamente físico de otimização: como
selecionar o comprimento e a abertura de uma fratura
consolidada se o volume de sua asa, Vf = w.h.xf , é um
dado conhecido, e se deseja maximizar o IP no regime
pseudo-permanente? Assume-se que a espessura da
formação, o raio de drenagem e as permeabilidades da
formação e do pacote de propante são conhecidos, e que a
fratura penetra toda a espessura permeável (i.e., hf = h).
Selecionando CfD como a variável de decisão, o
semi-comprimento da fratura é expresso por
hkC
kV
x
fD
ff
f =
Substituindo esta expressão na definição de índice
adimensional de produtividade segundo Cinco-Ley,
( )fC
kV
hke
J
fD
ff
e
D
+++
=
ln5,0ln5,0472,0ln
1
onde a única variável desconhecida é CfD. Como as demais
variáveis são conhecidas, o IP máximo ocorrerá quando a
quantidade entre parênteses,
fCy fD += ln5,0 ,
atingir um mínimo. Esta quantidade é, também, mostrada
na figura 3-6. Como a expressão de IP somente depende de
CfD, o valor CfD,opt = 1,6, mostrado no gráfico, é uma
constante válida para qualquer reservatório, poço e volume
de propante.
Este resultado fornece uma visão mais precisa
sobre o real significado da condutividade adimensional da
fratura. Reservatório e fratura podem ser considerados
como um sistema trabalhando em série. O reservatório
pode alimentar mais fluido à fratura se o comprimento é
maior, mas, como o volume de propante é fixo, isso
implica uma fratura mais delgada. Numa fratura delgada a
resistência ao fluxo pode ser significativa. A condutividade
adimensional da fratura ótima corresponde ao melhor
compromisso entre os dois sub-sistemas. Quando este é
encontrado, o semi-comprimento ótimo da fratura pode ser
calculado a partir da definição de CfD como
hk
kV
x ff
f 6,1
=
e, conseqüentemente, a abertura ótima da fratura será dada
por
f
f
f
f
hx
V
hk
kV
w ==
6,1
Notar que Vf = Vprop /2 porque ele é somente a metade do
volume sustentado da fratura.
20
A implicação mais importante destes resultados é
que não há diferença teórica entre fraturamentos de baixa e
alta permeabilidade. Em todos os casos existe fisicamente
uma fratura ótima cuja CfD tende à unidade. Em formações
de baixa permeabilidade esta condição implica fraturas
longas e delgadas; em formações de alta permeabilidade,
fraturas curtas e largas.
Se o comprimento e a abertura são selecionados
de acordo com o compromisso ótimo, o índice
adimensional de produtividade será
prop
D N
J
ln5,099,0
1
max, −
=
Obviamente, estas dimensões ótimas de fratura
podem não ser técnica ou economicamente executáveis.
Em formações de baixa permeabilidade o valor do
comprimento de fratura pode ser tão grande, ou a abertura
tão delgada que a permeabilidade do propante assumida
não seja válida. Em formações de alta permeabilidade, a
abertura indicada pode ser impossível de ser criada. Para
cálculos mais detalhados, todas as restrições devem ser
levadas em conta, mas, em alguns casos, uma
condutividade adimensional de fratura distante do valor
ótimo pode ser tanto um “gargalo” (CfD << 1,6) quanto
uma fratura muito “curta e grossa” (CfD >> 1,6).
Não esquecer que os resultados dessa seção –
incluindo o gráfico de Cinco-Ley & Samaniego;a
condutividade adimensional ótima de 1,6; as correlações
usadas e suas combinações; etc. – são válidos somente
para números de propante menor que 0,1. Isto pode
facilmente ser visto comparando-se as figuras 3-3 e 3-4.
Na figura 3.3, as curvas têm seus máximos a CfD = 1,6 e o
máximo JD correspondente ao valor dado pela ultima
equação . Contudo, na figura 3-4, onde os números de
propante são superiores a 0,1 os pontos máximos das
curvas sofrem um desvio e os cálculos simples baseados
no fator f ou no raio de poço equivalente deixam de ser
válidos.
Projeto Lógico
Deseja-se colocar uma determinada quantidade de
propante num intervalo produtor de forma a se conseguir o
máximo índice de produtividade possível. A chave para se
achar o correto balanço entre dimensões e aumento de
produtividade está no número de propante. Como Vprop
inclui somente a fração de propante que se encontra a
frente da formação produtora, e, portanto, depende da
eficiência volumétrica do propante, o número de propante
não pode ser fixado durante o procedimento de projeto.
No projeto unificado de fraturamento, especifica-
se a quantidade de propante indicado para a injeção e
procede-se como a seguir:
1. Assume-se uma eficiência volumétrica de
propante e determina-se o número de propante. (Uma
vez que os detalhes do tratamento sejam obtidos, esta
eficiência assumida em função da altura da fratura
pode ser reformulada e o processo pode ser repetido
de forma iterativa.)
2. Usa-se as figuras 3-3 ou 3-4 (ou as correlações
disponíveis) para calcular o máximo índice de
produtividade possível, JDmax, e também a ótima
condutividade adimensional da fratura, CfDopt, do
número de propante.
3. Calcula-se o semi-comprimento ótimo da fratura.
Para uma asa – volume Vf – esse semi-comprimento é
dado por
hkC
kV
x
optfD
ff
f
,
=
4. Calcula-se a abertura ótima da fratura como
f
f
f
foptfD
hx
V
hk
kVC
w == ,
Nestas equações, Vf e h devem apresentar uma
correspondência biunívoca, ou seja, se a altura total da
fratura for representada por h, o que geralmente é
representado por hf, então o volume de propante Vf deve
representar o volume total de propante bombeado em uma
asa; contudo, se o selecionado Vf corresponde a somente a
fração da asa da fratura contida na espessura permeável,
então h deve representar a espessura permeável da
formação. O resultado final para o comprimento e a
abertura ótimos devem ser os mesmos em ambos os casos.
Contudo, é uma melhor prática o uso da abertura e do
volume efetivos (permeáveis) para se encontrar as
dimensões finais desejadas da fratura.
21
Alguns índices (regime pseudo-permanente)
Razão de dano
4
3ln
1
4
3ln
4
3ln
−
+=
−
+−
==
w
e
w
e
w
e
real
teórico
r
r
s
r
r
s
r
r
J
J
RD
Eficiência de fluxo
(Razão de produtividade)
s
r
r
r
r
RD
RPEF
w
e
w
e
+−
−
==
4
3ln
4
3ln
1)(ou
Fator de dano s
r
r
sEFFD
w
e +−
=−=
4
3ln
1
Folds of Increase
após
w
e
antes
w
e
antes
após
s
r
r
s
r
r
J
J
FOI
+−
+−
==
4
3ln
4
3ln
22
Teoria do Fraturamento
A seguir são apresentados, resumidamente, os
mais importantes conceitos mecânicos relativos ao
fraturamento hidráulico.
Elasticidade Linear e Mecânica de
Fraturas
Elasticidade implica mudanças reversíveis. A
iniciação e a propagação de uma fratura são intervenções
eminentemente não-elásticas, que resultam em mudanças
irreversíveis. Apesar disso, a elasticidade linear é uma
ferramenta útil no estudo do fraturamento porque tanto as
tensões quanto as deformações (exceto, possivelmente, as
que ocorrem nas vizinhanças das faces da fratura e,
principalmente, em sua extremidade) podem ser
adequadamente descritas pela teoria da elasticidade.
Um material linearmente elástico é caracterizado
por constantes elásticas que podem ser obtidas em
experimentos de carga estáticos e dinâmicos. Para um
material isotrópico, onde as propriedades independem das
direções, duas constantes são suficientes para descrever o
comportamento.
FIGURA 4-1. Carregamento uniaxial
A figura 4-1 é uma representação esquemática de
um experimento estático com carregamento uniaxial. Os
dois parâmetros obtidos deste tipo de experimento são o
módulo de Young (E) e o módulo (ou razão) de Poisson
(ν). Eles são calculados a partir da tensão vertical (σxx),
deformação vertical (εxx), e deformação horizontal (εyy),
conforme mostrado na figura.
A tabela 4-1 mostra o relacionamento destas
constantes mais usadas no fraturamento hidráulico. O
módulo plano de deformação (E’), que combina os dois
módulos, é a única constante necessária nas equações.
Na teoria elástica linear, o conceito de
deformação plana é geralmente usado para reduzir a
dimensionalidade de um problema. Assume-se que o corpo
é infinito ao menos em uma dimensão, e que forças
externas (se existirem) são aplicadas paralelas a esta
direção (ou seja, são infinitamente repetidas em toda a
seção normal a este eixo). Neste caso, é obviamente
intuitivo que o estado de tensão se repete infindamente.
TABELA 4-1. Relacionamento das propriedades elásticas
E, ν G, ν E, G
Módulo de
cisalhamento, G )1(2 ν+
E
G G
Módulo de Young, E E )1(2 ν+G E
Módulo de Poisson,
ν
ν ν
G
GE
2
2−
Módulo planar de
deformação, E’ 21 ν−
E
ν−1
2G
EG
G
−4
4 2
A consideração de deformação plana é uma
aproximação razoável no caso do fraturamento hidráulico.
A principal questão é como selecionar o plano. Surgem
duas possibilidades, o que provocou o aparecimento de
duas abordagens diferentes para a modelagem do
fraturamento. O estado plano de deformação foi assumido
no plano horizontal por Khristianovitch e Zheltov (1955) e
por Geertsma e de Klerk (1969), enquanto que a
deformação plana no plano vertical (normal à direção de
propagação da fratura) foi assumida por Perkins e Kern
(1961) e Nordgren (1972).
Em geral, nas referências relativas ao fraturamento
hidráulico, o termo geometria KGD é usado para a
hipótese de deformação plana horizontal, e geometria PKN
é usado para a deformação plana vertical.
O problema de uma fissura pressurizada em um
estado plano de deformação possui solução matemática
exata. Sabe-se que uma fissura linear pressurizada tem
uma abertura elíptica dada por (Sneddon, 1973):
220
'
4
)( xc
E
p
xw −=
onde x é a distância a partir do centro da fissura, c é o
semi-comprimento (a distância entre a extremidade e o
centro) e p0 é a pressão constante exercida nas faces
internas da fissura. A abertura máxima ocorre no centro da
fissura e é dada por
'
4 0
0 E
cp
w =
indicando a existência de uma relação linear entre a
abertura induzida e a pressão. Quando o conceito de
fissura linear pressurizada é aplicado a uma situação real,
p0 é substituído pela pressão líquida (ou net), pn, definida
como a diferença entre a pressão interna e a mínima tensão
principal, que atua fora, tentando fechar a fratura (Hubbert
& Willis, 1957, Haimson & Fairhurst, 1967).
A mecânica de fraturas surgiu da observação de
que qualquer descontinuidade em um sólido reduz sua
capacidade de carregamento. Um furo (mesmo pequeno)
em um meio pode provocar o aparecimento de uma alta
23
concentração local de tensões em relação ao mesmo meio
sem o furo. Altas tensões, mesmo quando limitadas a uma
pequena área, podem levar à ruptura do material. É
conveniente considerar as descontinuidades de material
como concentradores de tensão que aumentam localmente
as tensões presentes.
Devem ser distinguidos dois casos principais. Se a
forma da descontinuidade é suave (como um poço circular
numa formação), então a tensão máxima que atua nas
vizinhanças da descontinuidade é maior que a tensão
original por um fator finito, que depende da geometria. Por
exemplo, o fator de concentração de tensão para um furo
circular é três.
A situação é diferente no caso de
descontinuidades abruptas, como no caso daextremidade
da fratura. Neste caso a máxima tensão na extremidade se
torna infinita. Em Mecânica de Fraturas temos de conviver
com tais descontinuidades. Dois carregamentos diferentes
em uma mesma fissura linear resultam em duas
distribuições diferentes de tensão. Ambos os casos podem
produzir tensões infinitas na extremidade, mas o ‘nível de
infinitude’ é diferente. É necessária uma quantidade para
caracterizar essa diferença. Felizmente, todas as
distribuições de tensão nas proximidades da extremidade
são similares no sentido de que decrescem de acordo com
r-1/2, onde r é a distância à extremidade. A quantidade
usada para caracterizar o ‘nível de infinitude’ é o fator de
intensidade de tensão KI, definido como multiplicador da
função de r-1/2. Para a idealização de uma fissura linear
pressurizada com semi-comprimento c, e pressão constante
p0, o fator intensidade de tensão é dado por
cpK I 0=
Em outras palavras, o fator intensidade de tensão na
extremidade é proporcional à pressão constante de abertura
de fratura e à raiz do semi-comprimento da fissura.
De acordo com a teoria da mecânica de fratura
linear elástica (LEFM em inglês), para um dado material
existe um valor crítico de fator intensidade de tensão, KIC,
chamado tenacidade (toughness) da fratura. Se o fator
intensidade de tensão na extremidade da fissura é superior
a esse valor, a fissura propagará; caso contrário, não. A
tenacidade da fratura é um parâmetro útil para cálculos de
segurança, quando a única preocupação do engenheiro é
evitar a fratura. Na estimulação de poços, quando o
principal objetivo do engenheiro é criar e propagar uma
fratura, o conceito tem sido considerado controverso
porque prevê que cada vez mais menos esforço é
necessário para propagar a fratura com aumento de sua
extensão. Em larga escala, o que geralmente acontece é o
contrário.
Mecânica do Fluido de
Fraturamento
Fluidos se deformam continuamente (ou seja,
fluem) sem romper quando submetidos a uma tensão
constante. Sólidos, em geral, assumem uma deformação
estática de equilíbrio sob a mesma tensão. Fluidos de
fraturamento reticulados geralmente se comportam como
fluidos viscoelásticos. Suas relações tensão-deformação
(equações de estado) se posicionam entre as definidas para
líquidos e sólidos.
Em termos de fraturamento, a propriedade mais
importante dos fluidos é sua resistência ao fluxo. A
intensidade local de fluxo é caracterizada pela taxa de
cisalhamento, γ& , medida em 1/s. Ela pode ser considerada
como a taxa de variação de velocidade com a distância
entre as camadas deslizantes. A tensão induzida entre as
camadas é a tensão de cisalhamento, τ. Sua dimensão é
força por unidade de área (em unidades SI, Pa). A função
de material que relaciona tensão e deformação cisalhante é
a curva reológica. Esta informação é necessária para
calcular a queda de pressão (na realidade, dissipação de
energia, comumente chamada de perda de carga) para uma
dada situação de fluxo, como o fluxo em tubulações ou
entre placas paralelas.
FIGURA 4-2. Curvas reológicas típicas
A viscosidade aparente é definida como a razão
entre a tensão e a taxa de cisalhamento. Geralmente, a
viscosidade aparente varia com a taxa de cisalhamento,
exceto no caso de fluidos newtonianos, quando a
viscosidade é constante. A curva reológica e a curva de
viscosidade aparente contêm a mesma informação. A
figura 4-2 mostra curvas reológicas típicas, e a tabela 4-2
lista algumas das equações reológicas constitutivas mais
utilizadas na engenharia de poço.
TABELA 4-2. Equações constitutivas mais usadas
n
y Kγττ &+= Newton
nKγτ &= Ostwald-de Waale
γμττ &py += Bingham
n
y Kγττ &+= Hershel-Buckley
Os parâmetros de modelo variam de acordo com a
composição química, temperatura e, com menor
importância, diversos outros fatores incluindo o histórico
de cisalhamento. No caso de espumas, a razão volumétrica
entre as fases gasosa e líquida é muito importante
(Reidenbach, 1985; Winkler, 1995)
A maioria dos géis de fraturamento exibe
significativo afinamento (shear thinning, ou seja, redução
de viscosidade com o aumento da taxa de cisalhamento).
Uma equação constitutiva que captura esta característica
fundamental de comportamento de fluxo é o modelo de
24
potência. O índice de comportamento de fluxo, n,
geralmente varia entre 0,3 e 0,6.
Todos os fluidos exibem algum limite finito de
viscosidade a altas taxas de cisalhamento. A modelagem
de uma viscosidade aparente muito alta em baixo
cisalhamento pode ser melhorada com a inclusão de um
limite de escoamento para certos fluidos. Muitos fluidos
exibem um caráter newtoniano a baixas taxas de
cisalhamento.
A pesquisa atual em reologia está focada na
construção de modelos mais realistas que efetivamente
incorporem cada uma dessas características previamente
mencionadas assim como os efeitos viscoelásticos (não
linearidade, dependência do tempo) dos géis reticulados.
Modelos reológicos são usados para prever perdas
de carga (gradientes) associadas à velocidade média de
fluxo numa dada geometria de fluxo. As equações de
movimento têm sido resolvidas para modelos reológicos
comuns nas geometrias mais óbvias (fluxo em tubulações,
em anulares, e em placas paralelas). A solução geralmente
é apresentada como uma relação entre a velocidade média
linear (vazão por unidade de área) e a queda de pressão.
Nos cálculos, é conveniente usar a viscosidade newtoniana
(μe), ou seja, a viscosidade que seria usada na equação de
fluido newtoniano para obter a mesma queda de pressão
sob as mesmas condições de fluxo. Enquanto a viscosidade
aparente (a uma dada taxa de cisalhamento) é uma
propriedade do fluido, a viscosidade equivalente depende
da geometria de fluxo e carrega a mesma informação da
solução de queda de pressão. Para modelos reológicos
mais complexos, não há solução analítica e os cálculos
envolvem métodos numéricos.
De particular interesse para o fraturamento
hidráulico é o fluxo laminar em duas geometrias-limite. O
fluxo em placas (slot flow) ocorre em um canal de seção
retangular quando a relação entre os lados mais longo e
mais curto é muito grande. O fluxo elipsoidal ocorre em
uma seção elíptica com razão de aspecto (aspect ratio)
muito elevada. A primeira corresponde à geometria KGD e
a segunda, à geometria PKN.
A tabela 4-3 mostra as soluções comumente
usadas no cálculo do fraturamento hidráulico. A equação
mais familiar, válida para o comportamento newtoniano, é
a primeira apresentada. A seguir é mostrada a viscosidade
equivalente para um fluido de potência. A viscosidade
equivalente pode ser usada numa equação de perda de
carga para fluidos newtonianos. Notar que esta viscosidade
depende da velocidade média (uavg) e da geometria do
canal de fluxo (no caso de fluxo em placas, a abertura w, e
da seção elíptica, da abertura máxima w0). É interessante
notar que a equação para o fluxo laminar de um fluido de
potência numa geometria elipsoidal não foi derivada. A
solução apresentada aqui pode ser obtida de analogias
(Valkó & Economides, 1995).
A perda por fricção associada ao bombeio de
fluidos de fraturamento através de superfícies lineares e
tubulares não pode ser calculada diretamente usando as
correlações clássicas de fluxo turbulento. Devem ser
aplicadas relações especiais para incluir o fenômeno de
redução de arrasto (drag reduction) causado por longas
cadeias poliméricas. O comportamento reológico é um
importante fator na capacidade de carreamento dos fluidos
(Roodhart, 1985; Acharya, 1986).
Filtração e Balanço Volumétrico na
Fratura
O conteúdo (ou carga) polimérico do fluido de
fraturamento é parcialmente justificado pela necessidade
de se impedir a perda de fluido para o reservatório. Este
intento é conseguido pela formação de uma película de
polímero (o reboco) que atenua o fluxo pelas faces da
fratura. A filtração real é determinada por um sistema
acoplado que incluinão somente o reboco, que é um
elemento, mas também as condições de fluxo no
reservatório.
Uma importante formulação foi derivada por
Carter, 1957 (conforme apêndice em Howard e Fat, 1957),
e consiste em considerar o efeito combinado de diferentes
fenômenos como propriedades do material. De acordo com
este conceito, a velocidade de filtração, vL, é dada pela
primeira equação de Carter,
t
C
v L
L =
onde CL é o coeficiente de filtração (unidade:
comprimento/raiz de tempo) e t é o tempo efetivo desde o
início do processo de filtração. A forma integrada da
equação de Carter é
pL
L
L StC
A
V
+= 2
onde VL é o volume que passa pela área AL durante o
período t de tempo. A constante de integração Sp é
chamada coeficiente de perda inicial (spurt loss). Pode ser
considerado como a largura do corpo de fluido que passa
pela superfície instantaneamente no início do processo de
filtração. O outro termo, tCL2 , pode ser considerado
como a largura filtrada. (Notar que o fator 2 resulta da
integração. Ele nada tem a ver com “duas asas” ou “duas
faces”). Os dois coeficientes, CL e Sp, podem ser
determinados em testes de laboratório ou,
preferencialmente, na avaliação de testes de calibração.
Balanço de Materiais Formal: o Fator
de Distribuição
Considere o tratamento de fraturamento mostrado
na figura 4-3. O volume Vi injetado em uma asa da fratura
no tempo te tem dois componentes: o volume da asa da
fratura no final do bombeio (Ve) e o volume perdido
(volume filtrado). O subscrito e indica que a quantidade
está referenciada ao final (end) do bombeio. Notar que
todas as variáveis estão definidas para uma asa da fratura.
A área Ae se refere a uma face de uma asa da fratura. A
eficiência do fluido ηe é definida como a fração de fluido
TABELA 4-3. Perda de carga e viscosidade newtoniana equivalente
Modelo
reológico
Newtoniano -
γμτ &= Potência - nKγτ &=
Placas 2
12
w
u
L
p avgμ
=
Δ 11
1 21
3
2 −−
−
⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛ +
= n
avg
n
nn
e uKw
n
nμ
Elipsoidal 2
0
16
w
u
L
p avgμ
=
Δ
11
0
1 )1(12 −−
−
⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛ −+
= n
avg
n
nn
e uKw
n
nπ
π
μ
25
dentro da fratura: ηe = Ve / Vi. A abertura média, w , é
definida pela relação wAV = .
FIGURA 4-3. Notação para o balanço de
materiais
Uma operação de fraturamento hidráulico pode
durar de dezenas de minutos a várias horas. Os pontos da
fratura localizados próximos ao poço são “abertos” no
início do bombeio, enquanto que os localizados próximos
à extremidade são recentes. A aplicação da equação
anterior pressupõe a monitoração dos tempos referentes à
abertura de cada ponto da fratura.
Se somente o balanço de materiais global é
considerado, é natural que o volume injetado seja re-
escrito como uma soma do volume da fratura, volume
filtrado e volume instantâneo de perda, como
peLeLei SAtCAKVV 2)2( ++=
onde a variável KL é o fator de distribuição de tempo de
abertura. Ele reflete o histórico da evolução da superfície
da fratura, ou melhor, da distribuição dos tempos de
abertura, e esta é a razão de seu nome. Em particular, se
toda a superfície estiver aberta no início da injeção, então
KL atinge seu máximo absoluto, KL = 2. A eficiência do
fluido é a razão entre os volumes criado e injetado.
Dividindo-se ambos os volumes pela área final da fratura,
pode-se considerar a eficiência da fratura como a razão
entre a abertura criada e a abertura virtual, onde esta última
é definida como a soma das aberturas criada e perdida.
Portanto a eficiência pode ser escrita como
pLLe
e
e
StCKw
w
22 ++
=η
mostrando que o termo tCK LL2 pode ser considerado
como a “abertura filtrada”, e o termo 2Sp, como a “abertura
spurt”. Esta equação pode ser rearranjada para se obter o
fator de distribuição de tempos de abertura em termos da
eficiência do fluido e abertura média no final do bombeio:
eLe
e
eL
e
eL
p
L
tC
w
tC
w
tC
S
K
η22
+−−=
Notar que estas relações são independentes do perfil real
da face da fratura e do histórico de sua evolução.
Aproximação de Abertura Constante
(Segunda Equação de Carter)
Para se obter uma solução analítica para vazão de
injeção constante, Carter considerou um caso hipotético no
qual a abertura da fratura se mantém constante durante a
propagação da fratura (ou seja, a abertura “pula” para seu
valor final logo no início da injeção). Dessa forma a
eficiência do fluido pode ser expressa em termos dos
coeficientes de filtração e da abertura:
⎥
⎦
⎤
⎢
⎣
⎡
−+
+
= 1
2
)(
4
)2( 2
2 π
β
β
π
η β erfce
tC
Sww
eL
pee
e
onde
pe
eL
Sw
tC
2
2
+
=
π
β
Aproximação de Potência para o
Crescimento da Superfície
A hipótese básica formulada por Nolte (1979,
1986) conduz a uma forma bastante simples de balanço de
materiais. Assumindo-se que a superfície da fratura se
desenvolve de acordo com a lei de potência,
α
DD tA =
onde AD = A/Ae e tD = t/te, e o expoente α se mantém
constante durante todo o período de injeção, Nolte mostra
que, neste caso, o fator de distribuição de tempos de
abertura é função somente de α. Ele representou o fator de
distribuição de tempos de abertura e sua dependência ao
expoente do crescimento da superfície da fratura usando a
notação g0(α) e apresentou g0 para valores selecionados de
α. Uma simples expressão inicialmente obtida por Hagel e
Neyer (1989) pode ser usada para se calcular o valor do
fator de distribuição de tempos de abertura para qualquer
α.
)3/2(
)()(0 +Γ
Γ
=
α
ααπ
αg
onde Γ(α) é a função gamma de Euler.
Para cálculos, a seguinte aproximação para a
função g0 pode ser utilizada.
Nolte assumiu que este expoente varia entre 0,5 e
1. Com isso, KL vai variar entre 4/3 (1,33) e π/2 (1,57),
indicando que para dois diferentes históricos de
crescimento de superfície, o fator de distribuição de
tempos de abertura varia menos que 20%. Em geral, a
simples aproximação KL = 1,5 é suficientemente acurada
para propósitos de projeto.
Vários operadores têm relacionado o expoente α,
à geometria da fratura, à eficiência do fluido ao final do
bombeio e ao comportamento reológico do fluido.
Nenhuma destas relações tem fundamentação teórica
comprovada, mas elas são razoáveis aproximações em
termos de engenharia, especialmente porque o efeito do
expoente α nos resultados finais é limitado. Recomenda-se
o uso de α = 4/5 para o PKN, α = 2/3 para o KGD e α =
8/9 para o modelo radial. Estes expoentes podem ser
derivados das equações sem filtração da tabela resumo que
será fornecida posteriormente.
432
32
0 00149497,00919097,0738452,06477,11
0301598,0541262,006798,22)(
αααα
αααα
++++
+++
=g
26
Numericamente, a aproximação para abertura
constante original de Carter e a hipótese de crescimento
superficial pela lei de potência de Nolte dão resultados
muito semelhantes quando usadas com finalidade de
projeto. A abordagem com a função g0, contudo, apresenta
vantagens técnicas quando aplicada à análise de testes de
calibração.
Modelos Específicos de Filtração
O modelo de filtração apresentado não é a única
interpretação possível para este processo. Vários modelos
mecanicistas têm sido sugeridos (Williams, 1970 e Settari,
1985; Ehlig-Economides et al., 1994; Yi e Peden, 1994;
Mayerhofer, et al., 1995). A diferença total de pressão
entre o interior da fratura e um ponto distante no
reservatório é escrita como a soma
)()()()( tptptptp reszipface Δ+Δ+Δ=Δ
onde Δpface é a queda de pressão na face da fratura,
dominada pelo reboco, Δpzip é a queda na zona invadida
pelo polímero, e Δpres é a perda de carga no meio poroso
“virgem”. Dependendo dos valores relativos, um ou dois
termos podem ser negligenciados. Enquanto que os dois
primeiros termos são funções da taxa de filtração num
dado instante de tempo, a queda de pressão no reservatório
é transiente. Ela depende do histórico completo do
processo de filtração, não somente de sua intensidade
instantânea.
Os modelos específicos de filtração têm a
vantagem de serembaseados em parâmetros fisicamente
significativos, como permeabilidade e resistência do
reboco, e são apropriados para a simulação explícita,
dependente da pressão, do processo de filtração. Contudo,
a aplicação destes modelos está limitada pela
complexidade matemática envolvida e pelos dados
adicionais de entrada que requerem.
Geometrias Básicas de Fratura
Os modelos de engenharia para a propagação de
uma fratura hidráulica combinam elasticidade, fluxo de
fluido, balanço de materiais, e (em alguns casos) um
critério adicional de propagação. Dado o histórico de
injeção de fluido, um modelo pode prever a evolução, no
tempo, das dimensões da fratura e da pressão no poço.
Para propósitos de projeto, uma descrição
apropriada da geometria deve ser suficiente, de forma que
modelos simples que prevêem o comprimento da fratura e
sua abertura média ao final do bombeio são muito úteis.
Os modelos que prevêem estas duas dimensões –a terceira,
a altura da fratura, é fixa – são chamados de modelos 2D.
Se a superfície da fratura supostamente cresce de forma
radial, cuja altura é variável, ainda assim o modelo é
considerado 2D sendo as duas dimensões o raio e a
abertura.
Uma simplificação adicional ocorre quando pode-
se relacionar comprimento e abertura da fratura,
desconsiderando-se os detalhes da filtração. Esse é o
conceito básico das já chamadas “equações de abertura”.
Assume-se que a fratura se desenvolve em duas asas
idênticas, perpendicularmente à mínima tensão principal
da formação. Como a mínima tensão principal é
geralmente horizontal (exceto para formações muito rasas),
a fratura será vertical.
Equação de Abertura Perkins-Kern
O modelo PKN assume como verdadeira a
condição de deformação plana para todo plano vertical
normal à direção de propagação; contudo, a despeito da
rigorosa situação de deformação plana, os estados de
tensão e deformação não são exatamente os mesmos em
planos subseqüentes. Em outras palavras, o modelo aplica
uma hipótese de “deformação quase plana”, e o plano de
referência é o vertical, normal à direção de propagação.
Desprezando a variação de pressão ao longo da
coordenada vertical, a pressão net, pn, é considerada como
uma função da coordenada lateral x. Uma pressão
constante, verticalmente distribuída numa locação lateral,
resulta numa seção elíptica. A aplicação direta da equação
proposta por Sneddon (início do capítulo) fornece a
máxima abertura da elipse
'
2
0 E
ph
w nf=
Perkins & Kern postularam que pressão net se
anula na extremidade da fratura, e aproximaram a
velocidade linear média do fluido em qualquer ponto pela
divisão da vazão de injeção em uma asa (qi) pela área da
seção, obtendo a equação de queda de pressão na forma
f
n
hw
q
dx
dp
3
0
14
π
μ
−=
Combinadas as equações, o seguinte perfil de
abertura é obtido
41
0,0 1)( ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
−=
f
w x
xwxw
onde a abertura máxima da elipse no poço (figura 4-4) é
dada por
41
0, '
57,3 ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
E
xq
w fi
w
μ
FIGURA 4-4. Notação básica para o modelo
PKN
Na realidade, a vazão na fratura é menor que a
vazão de injeção, não somente porque parte do fluido
filtra, mas também porque o aumento da abertura com o
tempo “consome” uma outra parte do fluido injetado. De
fato, o que é mais ou menos constante ao longo da
27
coordenada lateral, num dado instante de tempo, não é a
vazão mas a velocidade de fluxo, uavg. Contudo, a
repetição da derivação proposta por Perkins & Kern com a
velocidade de fluxo constante produz resultados finais
muito próximos.
A última equação acima é a equação de abertura
Perkins-Kern. Ela mostra o efeito da vazão de injeção, da
viscosidade e do módulo elástico na abertura, a partir de
um determinado semi-comprimento. Conhecendo a
abertura máxima no poço pode-se calcular a abertura
média multiplicando este valor por um fator de forma
constante, γ:
628,0
55
4
4
onde ,0, ====
ππγγ www
O fator de forma contém dois elementos. O
primeiro é π/4, que leva em conta que a forma vertical é
uma elipse. O segundo é 4/5, que considera a variação
lateral da abertura máxima.
Na industria do petróleo uma versão ligeiramente
diferente desta equação é utilizada com maior freqüência, e
é denominada equação de abertura Perkins-Kern-Nordgren
(PKN) (Nordgren, 1972).
41
0, '
27,3 ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
E
xq
w fi
w
μ
Equação de Abertura Khristianovich-
Zheltov-Geertsma-deKlerk
O primeiro modelo de fraturamento hidráulico,
elaborado por Khristianovich e Zheltov (1955) considerava
uma fratura com a mesma abertura em qualquer
coordenada vertical, dentro de uma altura fixa, hf. A
justificativa física desta hipótese é que as faces da fratura
deslizam livremente no topo e base da formação. A seção
resultante é, portanto, retangular. A abertura é considerada
como uma função da coordenada x. Ela é determinada a
partir da hipótese de deformação plana, agora aplicada ao
plano horizontal. O modelo de Khristianovich e Zheltov
contém outra interessante hipótese: a existência de uma
zona não molhada próxima à extremidade da fratura.
Geertsma e deKlerk (1969) adotaram tais hipóteses e
reduziram o modelo a uma fórmula de abertura explícita.
A equação de abertura KGD é dada por:
41241241
'
22,3
'
336
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛=
f
fi
f
fi
w hE
xq
hE
xq
w
μμ
π
Neste caso, o fator de forma, que relaciona a
abertura média à abertura no poço, não tem componente
vertical. Então, devido à forma elíptica horizontal, obtém-
se
785,0
4
onde ,0, ===
πγγ www
A extensão proposta por Daneshy (1978) para o
modelo KGD considera uma distribuição variável de
pressão ao longo do comprimento da fratura, e um fluido
não newtoniano cujas propriedades mudam com o tempo e
a temperatura. Por meio de cálculos numéricos obtém-se
uma filtração específica, aumento de abertura, e vazão de
injeção em pontos ao longo do comprimento da fratura
durante a propagação.
Para fraturas curtas, onde 2xf < hf, a hipótese de
deformação plana horizontal (geometria KGD) é mais
apropriada, e para 2xf > hf, a hipótese de deformação plana
vertical (geometria KGD) é fisicamente mais aceitável.
Para o caso especial em que o comprimento e a altura da
fratura são equivalentes, os dois modelos dão basicamente
a mesma abertura média, e, portanto, o mesmo volume de
fratura.
Equação de Abertura Radial (Penny-
shaped)
Esta situação corresponde a fraturas horizontais
em poços verticais, fraturas verticais em poços horizontais,
ou fraturas em formações espessas e homogêneas – em
todos os casos, a partir de canhoneios limitados. Enquanto
o cálculo da abertura da fratura é sensível a como o fluido
entra na fratura (um modelo de fonte pontual resultará em
pressões infinitas), um modelo razoável pode ser postulado
por analogia, cujo resultado leva à mesma abertura média
da equação Perkins-Kern quando Rf = xf = hf /2.
Este resultado é
41
'
24,2 ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
E
Rq
w fiμ
O real significado dos modelos simples
apresentados nesta seção é a visão que eles dão, auxiliando
a considerar o efeito dos dados de entrada na evolução da
fratura. A comparação da geometria da fratura e o
comportamento da pressão em cada modelo ajudam a
incorporar conhecimento. A tabela 4-4 lista, lado a lado, as
principais características de cada modelo básico (sem
filtração).
A última linha da tabela chama particularmente a
atenção. Para o caso sem filtração, a pressão líquida
aumenta com o tempo para o modelo Perkins-Kern, mas
decresce com o tempo nos outros dois modelos. Este é um
resultado bastante conhecido que levanta algumas
questões. Por exemplo, em fraturamentos hidráulicos
massivos a pressão net do tratamento em geral cresce com
o tempo, contrariando a previsão de tais pressões conforme
obtidas dos modelos de Geertsma-deKlerk e radial. Uma
observação mais aguda (e menos conhecida) é que a
pressão net nos modelos de Geertsma-deKlerke radial
independem da vazão de injeção. A visão KGD (e radial)
implica que quando a extensão da fratura se torna grande,
são necessárias pressões net muito baixas para se manter
certa abertura. Embora isto seja uma conseqüência da
teoria da elasticidade linear e da forma com que a hipótese
de deformação plana é aplicada, ela leva a resultados
absurdos em larga escala. É seguro dizer que o modelo
PKN captura o processo físico melhor que os outros dois
modelos.
Várias investigações foram desenvolvidas durante
a última metade do século passado, e os mesmos
ingredientes sempre aparecem na formulação de qualquer
modelo de fratura: balanço de materiais relacionando
vazão de injeção e volume da fratura; elasticidade linear
relacionando a abertura da fratura à sua extensão; e
mecânica de fluidos relacionando a abertura à perda de
carga ao longo da fratura. Além disso, um critério explícito
de propagação da fratura pode ou não estar presente.
28
TABELA 4-4. Soluções sem filtração dos modelos básicos de fraturamento
Modelo Perkins & Kern Geertsma & deKlerk Radial
54
1tcx f = 32
1tcx f = 94
1tcR f =
51
4
3
11
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
f
i
h
Eq
cc
μ
61
3
3
11
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
f
i
h
Eq
cc
μ
913
11
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
μ
Eq
cc i Extensão da
fratura
524,0
512
625'
51
31 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛=
π
c 539,0
21
16'
61
31 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛=
π
c 572,0'1 =c
51
20, tcww = 31
20, tcww = 91
20, tcww =
51
4
2
22
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
f
i
hE
q
cc
μ
61
3
3
22
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
f
i
hE
q
cc
μ
51
2
23
22
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
E
q
cc i μ
04,32560'
51
22 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
=
π
c 36,25376'
61
32 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
=
π
c 65,3'2 =c
0,www γ= www γ= 0,www γ=
Abertura
γ = 0,628 γ = 0,785 γ = 0,533
51
3, tcp wn = 31
3,
−= tcp wn 31
3,
−= tcp wn
51
6
24
33
'
' ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
f
i
h
qE
cc
μ
( ) 312
33 '' μEcc = ( ) 312
33 '' μEcc = Pressão líquida
52,180'
41
23 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
=
π
c 09,1
16
21'
31
3 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛=c 51,2'3 =c
29
Fraturamento de Formações de
Alta Permeabilidade (HPF)
A Evolução da Técnica
Até o início da década de 90 o fraturamento
hidráulico era usado quase que exclusivamente em
reservatórios de baixa permeabilidade. A alta filtração e as
areias inconsolidadas associadas às formações de alta
permeabilidade dificultam sobremaneira a iniciação e
extensão de uma fratura única e planar com abertura
suficiente para aceitar um volume de propante aceitável.
Além disso, tal morfologia de fratura, mesmo quando
criada e sustentada, seria incompatível com as
especificações desejadas para uma fratura em reservatórios
de média a alta permeabilidade, ou seja, de alta
condutividade.
Este cenário mudou radicalmente com a
introdução da técnica do tip screenout (TSO), que barra o
crescimento lateral da fratura e possibilita sua inflação e
empacotamento. Como resultado são criadas fraturas
curtas, porém largas ou muito largas. Enquanto que numa
propagação convencional seriam consideradas normais
aberturas da ordem de um quarto de polegada, nos
tratamentos TSO são normalmente esperadas aberturas de
uma polegada ou mais.
Desta forma, a aplicação do fraturamento
hidráulico foi estendida a formações produtoras de óleo
com permeabilidade superior a 50 mD e de gás com mais
que 5 mD (tabela 5-1). Estas claramente requerem um
projeto TSO. Devido a este desenvolvimento, o uso do
fraturamento hidráulico tem-se disseminado produzindo
ganhos adicionais, a depender da política de explotação
das províncias petrolíferas. Nos EUA e Canadá o
fraturamento hidráulico é aplicado a quase todos os poços
perfurados, conforme mostrado na figura 1-2.
TABELA 5-1. Aplicação do fraturamento
Permeabilidade Gás Óleo
Baixa k < 0,5 mD k < 5 mD
Moderada 0,5 < k < 5 mD 5 < k < 50 mD
Alta k > 5 mD k > 50 mD
É interessante salientar que o HPF, geralmente
chamado de frac-pack, não se originou de uma extensão do
fraturamento hidráulico, embora tenha se baseado
fortemente nesta técnica, mas como um método de
controle de areia.
O controle da quantidade de areia produzida para
a superfície pode ser feito por meio de duas operações de
fundo de poço: exclusão de areia e controle de migração
da areia. A exclusão se refere aos aparatos de filtragem tais
como as telas e gravel packs. Tais técnicas não previnem a
migração da areia no reservatório, de forma que os finos
podem se mover e se alojar no pacote de areia ou nas telas
causando danos. O desempenho do poço se deteriora
progressivamente e geralmente não é reversível por meio
de tratamentos de matriz. A tentativa de estancar a perda
de produção pelo aumento do drawdown em geral agrava o
problema e pode potencialmente levar o poço ao colapso.
Um meio mais robusto de tratar o problema é a
prevenção da migração de areia na fonte. É amplamente
aceito que o uso do HPF reduz a velocidade do fluido ou
fluxo na face da formação.
Há três fatores que contribuem para a
estabilização da areia: (1) o drawdown e o fluxo criado
pela produção de fluido resultante, (2) a resistência da
rocha e a integridade da cimentação natural, e (3) o estado
de tensão da formação. Destes três, o único fator que pode
ser facilmente alterado é a distribuição de fluxo e o
drawdown. A introdução de fluidos no poço por um
caminho mais delgado (uma fratura hidráulica ou um poço
horizontal) torna possível a redução do fluxo de fluido,
possibilitando o controle da produção de areia.
Considerar como um exemplo simples um poço
que penetra um reservatório com 100 ft de espessura. Se o
poço tem um diâmetro de 1 ft, então a área que recebe o
fluxo radial numa completação a poço aberto seria de
cerca de 300 ft2. Contudo, para uma fratura de semi-
comprimento de 100 ft, a área de fluxo seria (2 x 100 x
100 x 2) 40.000 ft2 (o segundo 2 se refere às duas paredes
da fratura). Lembrar que num poço fraturado quase todo
fluxo de fluido ocorre do reservatório para a fratura, e dela
para o poço. Para uma mesma vazão de produção, o
cálculo sugere que o fluxo de fluido num poço fraturado
seria menor que um centésimo do fluxo em um poço não
fraturado.
Certamente, pouco pode ser feito para afetar o
estado de tensão ou a competência da formação. A
magnitude das tensões terrestres depende basicamente da
profundidade do reservatório, sendo afetada por
tectonismos. A manutenção de pressão por meio de injeção
de gás ou água pode ser contra-producente a não ser que a
manutenção da pressão do reservatório possibilite
produção econômica com menores drawdown. Várias
inovações têm sido introduzidas no sentido de tratar
formações incompetentes ou melhorar a cimentação
natural – por exemplo, com complexas configurações de
poço ou vários tratamentos químicos exóticos – mas pouco
pode ser feito para controlar tais fatores.
O HPF aponta para uma marcante mudança em
respeito à herança do gravel pack, incorporando cada vez
mais elementos do fraturamento hidráulico. Esta tendência
pode ser vista, por exemplo, nos fluidos e propantes
aplicados. Enquanto que os tratamentos de fracpack
iniciais envolviam o dimensionamento de areia e fluidos
“limpos” comuns ao gravel-packing, atualmente o
dimensionamento de propantes tipicamente usados em
operações de fraturamento (20/40 mesh) domina. O
contínuo crescimento do uso de fluidos de fraturamento
reticulados também ilustra esta tendência.
30
Por esta razão, a terminologia “fraturamento de
alta permeabilidade”, ou HPF, parece mais apropriada que
frac-pack, e é usada neste livro.
Na próxima seção, o HPF é discutido em termos
semiquantitativos frente a tecnologias concorrentes.
Segue-se a discussão dos pontos chaves no fraturamento
de alta permeabilidade, inclusive projeto, execução e
avaliação.
O HPF em face de tecnologias
concorrentes
Gravel-Pack
A operação de gravel-pack se refere à colocação
de gravel (areia cuidadosamentedimensionada e
selecionada) entre a formação e o poço, de modo a reter
(filtrar) partículas do reservatório que migram através do
meio poroso. Emprega-se uma tela para consolidar o
pacote de gravel. Esta maneira de impedir o fluxo de finos
do reservatório para o poço invariavelmente causa a
acumulação de finos nas vizinhanças do poço com
conseqüente redução da permeabilidade do gravel pack (ou
seja, causa um dano).
A progressiva deteriorização da permeabilidade
do gravel-pack (aumento do efeito skin) leva a um declínio
da produção do poço. O aumento do drawdown para
contrabalançar as perdas de produção pode acelerar a
desagregação e aumentar a produção de areia.
O conceito de índice de produtividade (p. ex., a
expressão de IP para o regime pseudo-permanente) pode
ser usado para demonstrar este ponto:
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
+
=
−
=
s
r
r
B
kh
pp
qJ
w
ewfe 472,0
ln2,141 μ
Esta expressão expressa o IP em unidades de campo
americanas. Assumindo k = 50 mD, h = 100 ft, B = 1,1
bbl/STB, μ = 0,75 cp e ln re /rw = 8,5, os IP para um poço
não danificado, relativamente danificado (s = 10) e com
um gravel-pack típico (s = 30) seriam, respectivamente, 5,
2,3 e 1,1 STB/d/psi. Para um drawdown de 1.000 psi, esses
IP resultariam em vazões de produção de 5.000, 2.300 e
1.100 STB/dia, respectivamente. Claramente, a diferença
nas vazões de produção de um poço sem dano e com
gravel-pack pode ser considerável e muito indesejável.
Considere-se o uso do fraturamento de alta
permeabilidade neste mesmo cenário. Esta tecnologia
combina as vantagens do fraturamento hidráulico na
remoção do dano alojado nas vizinhanças do poço, com as
do gravel-pack no controle efetivo da produção de areia. A
figura 5-1 é a clássica apresentação (comparar com figura
3-6) do efeito skin equivalente (Cinco-Ley & Samaniego,
1978) em termos da condutividade adimensional da
fratura, CfD (= kfw/kxf), e o semi-comprimento, xf.
Pode-se verificar na figura 5-1 que mesmo com
um fraturamento hidráulico com condutividade inferior à
ótima (p. ex., CfD = 0,5) e pequeno comprimento de fratura
(p. ex., xf = 50 ft), o efeito skin seria igual a –3 (usando
um rw de 1,328 ft).
FIGURA 5-1. Fator pseudo-skin para um poço vertical
interceptado por uma fratura de condutividade finita.
Um efeito skin negativo de –3 aplicado a esta
equação resulta num índice de produtividade de 7,7
STP/d/psi, que é um incremento maior que 50% sobre o IP
original e sete vezes o IP deste poço equipado com gravel
pack. Mesmo com uma fratura danificada (p. ex., o dano
induzido pela filtração conforme descrito por Mathur et
al., 1995) e um skin igual a –1, o IP seria 5,6 STB/d/psi,
um aumento de cinco vezes em relação ao poço
danificado.
Este cálculo evidencia um aspecto simples, porém
muitas vezes negligenciado: valores pequenos de skin
negativo têm um impacto muito maior na produtividade do
poço que os similares de skin positivo. Além disso, no
exemplo de cálculo mostrado, um aumento de cinco vezes
no índice de produtividade sugere que a vazão de produção
aumentaria da mesma forma para um mesmo drawdown.
Sob o mesmo cenário, mantendo-se a vazão constante, o
drawdown poderia ser reduzido a um quinto de seu valor.
A vantagem do fraturamento de alta
permeabilidade é evidente não somente pelo aumento de
produção como pela possibilidade de prevenir efeitos
ligados à aplicação de drawdown nos poços produtores.
Water-Packs de Alta Vazão
Os dados empíricos mostrados por Tiner et al.
(1996), reproduzidos na tabela 5-2, ressaltam a freqüente
impressão de que os water-packs de alta vazão são mais
vantajosos que os gravel-packs, mas não competem com o
aumento de produtividade induzido pelo HPF. Esta
melhoria sobre o gravel-pack pode ser explicada pela
quantidade adicional de propante colocada nos túneis de
canhoneio.
Embora não mostrado na tabela, o desempenho
destas completações a longo tempo é também alvo de
interesse. Reporta-se usualmente que os water-packs de
alta vazão (assim como o gravel pack) deterioram com o
tempo. Por outro lado, Stewart et al. (1995), Mathur et al.
(1995), e Ning et al. (1995) reportam que a produção pode
apresentar uma melhora progressiva (valores de skin
decrescentes) durante os meses iniciais após um
tratamento HPF.
TABELA 5-2. Valores de skin por Tiner et al. (1996)
Gravel-Pack Water-Pack HPF
+5 a +10 +2 a +5 0 a +2
+40 e superiores 0 a -3
31
Desempenho de Poços Horizontais
Fraturados em Formações de Alta
Permeabilidade
Dois dos mais importantes desenvolvimentos na
produção de petróleo dos últimos 15 anos são os poços
horizontais e o fraturamento de alta permeabilidade. Um
considerável potencial resulta da combinação deles.
Poços horizontais podem ser perfurados tanto
transversal quanto longitudinalmente em relação ao
azimute de fratura. A configuração transversal é
apropriada para formações de baixa permeabilidade e tem
sido largamente usada e documentada nas referências.
Poços horizontais fraturados longitudinalmente chamam
mais atenção, especialmente no caso de formações de alta
permeabilidade. O HPF geralmente produz fraturas
hidráulicas com baixas condutividades adimensionais. Tais
fraturas, instaladas longitudinalmente em poços
horizontais, podem ter o efeito efetivo da instalação de um
canal de (relativa) alta condutividade adicional ao poço.
Usando um conjunto genérico de dados, Valkó e
Economides (1996) estudaram o VPL de 15 casos para
demonstrar este ponto.
A tabela 5-3 mostra que, para uma dada
permeabilidade, o potencial de um poço horizontal com
fraturas longitudinais é sempre maior que o de um poço
vertical fraturado e, com aberturas de fratura realistas,
pode se aproximar do potencial teórico de uma fratura de
condutividade infinita.
Além disso, o poço horizontal fraturado com 10
vezes menos propante (CfD = 0,12) ainda supera o poço
vertical para k = 1 e 10 mD, e é competitivo a 100 mD. A
configuração longitudinal pode trazer o benefício adicional
de evitar excessivas pressões de quebra e tortuosidade
durante a execução.
Aspectos Importantes do HPF
O Conceito de Tip Screenout
Os elementos críticos do projeto, execução e
interpretação do HPF são substancialmente diferentes dos
observados nos fraturamentos convencionais. Em
particular, o HPF se baseia na programação e execução
cuidadosa de um tip screenout para limitar o crescimento
da fratura e permitir sua inflação e empacotamento. Este
processo é ilustrado na figura 5-2.
O TSO ocorre quando uma quantidade suficiente
de propante se concentra na extremidade da fratura,
bloqueando sua extensão. A partir desse momento, e
assumindo que a vazão de bombeio é superior que a taxa
de filtração da formação, o prosseguimento do bombeio
vai inflar a fratura, aumentando sua abertura. Este TSO e a
subseqüente inflação são acompanhados de um
crescimento na pressão net de tratamento. Logo, o
tratamento pode ser dividido conceitualmente em duas
etapas: a criação da fratura (que ocorre conforme os
projetos convencionais) e a inflação/empacotamento da
fratura (após o tip screenout).
FIGURA 5-2. Inflação da fratura durante um
TSO
A figura 5-3 (Roodhart et al., 1994) compara os
dois estágios do processo HPF com o estágio convencional
do processo de fraturamento. A criação da fratura e o
bloqueio de seu crescimento (tip screenout) são executados
por meio do bombeio de um colchão relativamente
pequeno seguido de uma pasta de areia com concentração
de 1 a 4 lb/gal. A partir do TSO, o bombeio subseqüente
aumenta a abertura da fratura permitindo a introdução de
altas concentrações de areia (i.e. 10 – 16 lb/gal). A
concentração areal final de propante chega a atingir 20
lb/ft2. A figura também ilustra a prática usual de retardar a
vazão de injeção perto do final do tratamento (coincidente
com a abertura do anular para fluxo) para
desidratar/empacotar o propante nas vizinhanças do poço.
A redução de vazão tambémpode ser usada para forçar o
tip screenout nos casos em que este evento não é
observado nas cartas de pressão de fundo.
TABELA 5-3. VPL em US$ milhões (1996)
Configuração 1 mD 10 mD 100 mD
Poço vertical 0,73 6,4 57,7
Poço horizontal 3,48 14,2 78,8
Vertical fraturado, CfD = 1,2 2,59 13,4 89,6
Horizontal fraturado, CfD = 1,2 3,88 16,3 95,8
Fratura de condutividade infinita 3,91 16,3 103,3
32
FIGURA 5-3. Comparação de conceitos dos
projeto convencional e HPF.
O tip screenout pode ser difícil de modelar,
modificar ou mesmo detectar. Há inúmeras razões para
isto, inclusive a tendência de não se adotar projetos
agressivos (resultando em nenhum TSO), eventos parciais
ou múltiplos de tip screenout, e práticas inadequadas de
monitoramento de pressão.
É um consenso que a medição acurada da pressão
de fundo é imperativa para a avaliação consistente do
tratamento. Pressões de fundo calculadas não são
confiáveis devido ao dramático efeito da fricção na
pressão, associado ao bombeio de altas concentrações de
areia através de tubulações de pequeno diâmetro e uniões
de superfície. Os dados de superfície podem indicar a
ocorrência do evento de TSO quando nada é indicado nos
dados de fundo, e vice-versa. Mesmo no caso da
disponibilidade de dados de pressões de fundo, há
discussões sobre onde eles devem ser adquiridos.
A detecção do tip screenout é mais discutida no
capítulo 10, que fornece uma ferramenta simples para
avaliar dados de fundo.
Pressão Net e Filtração de Fluido
O processo completo de HPF é dominado por
considerações sobre a pressão líquida (net) e a filtração do
fluido, primeiro, porque formações de alta permeabilidade
são tipicamente moles e exibem baixos valores de módulo
de Young, e segundo, porque os volumes de fluido são
relativamente pequenos e as taxas de filtração altas (alta
permeabilidade, fluidos de reservatório compressíveis, e
fluidos de fraturamento sem reboco efetivo). Também,
conforme descrito anteriormente, o próprio projeto de tip
screenout afeta a pressão net. Embora as práticas
tradicionais aplicáveis ao projeto, execução e avaliação de
MHF continuem a ser usadas em HPF, elas são
freqüentemente insuficientes.
Pressão Net, Pressão de Fechamento
e Abertura em Formações Moles
Pressão net é a diferença entre a pressão em
algum ponto da fratura e sua pressão de fechamento. Esta
definição pressupõe a existência de uma única pressão de
fechamento. Se a pressão de fechamento é uma
propriedade invariável da formação ou se ela depende da
pressão de poros (ou melhor, de algum distúrbio da
pressão de poros em relação à pressão estática), esta é uma
questão aberta.
Em formações de alta permeabilidade e moles
(soft) é difícil (se não impossível) sugerir um
procedimento simples para determinar a pressão de
fechamento, como a classicamente derivada das curvas de
pressão de declínio de testes (ver capítulo 10). Além disso,
devido aos baixos valores de módulo de elasticidade,
qualquer incerteza na pressão net é amplificada no cálculo
da abertura da fratura.
Propagação da Fratura
A propagação da fratura, independentemente da
disponibilidade de sofisticados modelos 3D, apresenta
complicações em formações de alta permeabilidade, que
são geralmente moles e de baixo módulo de Young. Por
exemplo, Chudnovsky (1996) enfatizou o caráter
estocástico desta propagação. Ainda, devidos a esses
baixos valores, a falta de habilidade em prever o
comportamento da pressão net pode implicar um desvio
significativo entre o desempenho previsto e real do
tratamento.
Atualmente é prática comum “prever” a
propagação da fratura e a evolução da pressão net usando
os simuladores de fraturamento. A tendência de substituir
modelos claros e hipóteses físicas por “botões” – como
barreiras de tensão arbitrárias, mudanças na fricção
(atribuídas à erosão, quando decrescente, ou à resistência
da areia, quando crescentes) e propriedades pouco
conhecidas da formação expressas como “fatores”
adimensionais – não ajuda a esclarecer o assunto.
Modelos de Filtração para HPF
O processo de filtração de fluidos em amostras de
alta permeabilidade tem consumido um considerável
esforço em pesquisas de laboratório. Um relatório
esclarecedor pode ser encontrado em Vitthal e McGowen
(1996). Os resultados levantam algumas questões sobre
como efetivamente a filtração de fluidos pode ser limitada
pela formação de reboco.
Em todos os casos, mas especialmente em
formações de alta permeabilidade, a qualidade do fluido de
fraturamento é somente um dos fatores que influencia a
filtração, e, geralmente, não o determinante. O fluxo
transiente de fluidos na formação pode ter igual ou até
mesmo maior impacto. Este fluxo não pode ser modelado
pelo simples ajuste de equações empíricas aos dados de
laboratório. O uso de modelos baseados em soluções para
a equação de fluxo de fluido em meios porosos é um passo
essencial.
A seguir, são considerados três modelos para
descrever a filtração de fluidos num ambiente de alta
permeabilidade. O tradicional modelo de filtração de
Carter requer algumas modificações para ser usado em
HPF. (Notar que embora esse modelo continue a ser usado
na indústria, ele não é suficiente para aplicações de HPF.)
Uma alternativa, o modelo de filtração por reboco, foi
desenvolvido com base no trabalho de Mayerhofer et al.
(1993). O modelo mais apropriado pode ser o proposto por
Fan e Economides (1995), que considera um modelo de
resistências em série devido ao reboco, à zona invadida
pelo polímero, e ao reservatório. Embora o modelo de
Carter seja o mais comumente usado, os modelos de
Mayerhoffer et al. e de Fan e Economides representam
importantes contribuições e fornecem uma base conceitual
para o entendimento deste importante aspecto do
fraturamento de alta permeabilidade.
Parâmetros de Filtração como
Propriedades de Material: Modelo de
Carter com a Hipótese de Potência de
Nolte
Há duas escolas principais a respeito da filtração.
A primeira considera o fenômeno como uma propriedade
de material do sistema rocha/fluido. A relação básica
33
(chamada equação integrada de Carter, vista no capítulo 4)
é dada, em unidades consistente, por
pL
L
L StC
A
V
+= 2
onde AL é a área filtrante e VL é o volume total perdido
durante o período de tempo que vai de zero ao tempo t.
Para usar o balanço de materiais, o termo VL deve ser
descrito. Para um desenvolvimento teórico rigoroso, VL é o
volume de líquido que entra na formação através das duas
superfícies de fratura criadas em uma asa. A constante de
integração Sp é chamada de coeficiente de perda por spurt
(não há uma tradução adequada para o termo, razão pela
qual a notação em inglês é mantida; ele poderia ser
traduzido por coeficiente de perda instantânea, mas o uso
do termo já está consagerado) e é medida em unidade de
comprimento. Ela pode ser considerada como a largura do
corpo de fluido que passa instantaneamente através da
superfície na partida (início) do processo de filtração,
enquanto que tCL2 é a largura do corpo de fluido que
segue este primeiro “jato”. Os dois coeficientes, CL e Sp,
podem ser determinados em laboratório ou em testes de
campo.
Conforme discutido mais detalhadamente no
capítulo 4, a equação integrada de Carter pode ser mais
bem entendida assumindo-se que dado elemento de
superfície se “lembra” quando ele foi aberto ao fluxo e tem
seu próprio tempo “zero”, que é diferente do tempo
“zero”dos demais elementos da superfície. Os pontos da
face da fratura que se localizam próximos ao poço são
abertos no início do bombeio, enquanto que os pontos
perto da extremidade da fratura são mais recentes. A
aplicação desta equação ou de sua forma diferencial exige
o conhecimento desses tempos de abertura ao fluxo,
conforme discutido anteriormente.
A segunda escola considera a filtração como
conseqüência dos mecanismos de fluxo do meio poroso, e
emprega uma descrição matemática correspondente.Modelo de Filtração de Reboco –
Mayerhoffer, et al.
O método de Mayerhofer et al. (1993) descreve a
taxa de filtração usando dois parâmetros que são
fisicamente mais realistas que o coeficiente de filtração:
(1) a resistência do reboco num determinado tempo, e (2) a
permeabilidade do reservatório. Assume-se que estes
parâmetros (R0, a resistência de referência no tempo t0, e
kr, a permeabilidade do reservatório) tenham sido
identificados em uma análise de minifrac. Além disso,
assume-se que são conhecidas a pressão, a viscosidade do
fluido, a porosidade e a compressibilidade total do
reservatório.
FIGURA 5-4. Modelo adotado por Mayerhofer
et al. (1993)
O gradiente total de pressão desde o interior do
poço até o reservatório, em qualquer tempo da injeção,
pode ser escrito como
Δp(t) = Δpface(t) + Δpzip(t) + Δpres(t)
onde Δpface é a queda de pressão na face da fratura
dominada pelo reboco, Δpzip é a queda que ocorre na zona
invadida pelo polímero, e Δpres a queda no reservatório.
Este conceito é mostrado esquematicamente na figura 5-4.
Numa série de experimentos usando fluidos
típicos de fraturamento (fluidos reticulados por borato e
zirconato) e amostras de rocha com permeabilidades
inferiores a 5 mD, não se detectou a formação de uma
zona invadida por polímero. Esta simplificação não é
válida no caso de géis lineares como os que usam o HEC
(que não formam reboco) e pode não funcionar para géis
reticulados a permeabilidades mais altas (p. ex., 200 mD).
Enfim, ao menos para uma larga faixa de aplicação, o
segundo termo do lado direito dessa equação pode ser
ignorado, resultando
Δp(t) = Δpface(t) + Δpres(t)
O termo referente ao reboco pode ser expresso
como uma função de R0, a resistência característica do
reboco, sendo proporcional a ela. O transiente de pressão
no reservatório pode ser expresso como uma expansão em
séries de pD, uma função adimensional de pressão que
descreve o comportamento (resposta unitária) do
reservatório. O tempo adimensional tD é calculado com o
máximo comprimento de fratura alcançado no tempo tn. E
rp é introduzido como a razão entre a espessura permeável
e a altura total da fratura (hp / hf).
Com a rigorosa introdução dessas variáveis e
considerável rearranjo (não mostrado), pode-se escrever
uma expressão para a taxa de filtração útil tanto para a
modelagem da propagação hidráulica da fratura quanto
para a do fechamento:
fpr
DnDnDr
e
n
np
fpr
r
n
n
hrk
ttp
t
t
Ar
R
hrk
tp
q
π
μ
π
μ
)(
2
)(
10 −−
+
−Δ
=
∏
onde
34
∑∏
−
=
−−−− −−+−−=
1
1
1111 )()()(
n
j
DjDnDjjDnDnDn ttpqqttpq
Esta expressão pode ser usada para a
determinação da taxa de filtração em um instante qualquer
tn se o diferencial total de pressão entre a fratura e o
reservatório é conhecido, assim como o histórico do
processo. A solução de pressão adimensional, pD (tDn - tDj-
1), deve ser determinada com respeito ao tempo
adimensional que leva em conta o comprimento real da
fratura em tn.
O modelo pode ser usado para analisar o declínio
de pressão subseqüente a um minifrac, conforme descrito
por Mayerhofer et al. (1995). O método requer mais dados
de entrada que a análise similar baseada no modelo de
Carter, mas oferece a expressiva vantagem de operar com
os dois principais fatores que atuam no processo de
filtração, a resistência do reboco e a permeabilidade da
formação.
Modelo de Filtração com Invasão de
Polímero de Fan e Economides
O modelo de filtração de Fan e Economides
(1995) se concentra na resistência adicional criada pela
zona invadida por polímero.
A principal força que governa a filtração é a
diferença de pressões entre a face da fratura e o
reservatório, pfrac – pi, que é equivalente à soma de três
quedas de pressão distintas (no reboco, na zona invadida
por polímero e no reservatório):
pfrac – pi = Δpface(t) + Δpzip(t) + Δpres(t)
A pressão de tratamento (ou de propagação) é a soma
das pressões líquida (net) e de fechamento da fratura
(tensão horizontal mínima).
Quando se usa um fluido que não forma reboco, a
queda de pressão neste (no reboco) é desprezível. Este é o
caso de muitos tratamentos HPF. O modelo físico desta
situação (isto é, a filtração de fluido controlada pela
invasão de polímero e pelo fluxo transiente no
reservatório) é mostrado na figura 5-5. Nesta, a invasão de
polímero está ilustrada como região 1, enquanto que a
região de compressão de fluidos no reservatório é chamada
de região 2.
FIGURA 5-5. Ilustração do modelo de Fan e
Economides (1995)
Empregando a conservação de massa, uma
equação de fluxo de fluidos e uma apropriada equação de
estado, pode-se formular uma descrição matemática deste
cenário de filtração. Como ponto de partida, o
comportamento de um fluido num meio poroso pode ser
modelado por:
t
p
uk
cn
x
p n
teff
∂
∂
⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛=
∂
∂ −1
2
2 1φμ
onde ct é a compressibilidade do sistema, k é a
permeabilidade da formação, u é a vazão superficial, n é o
índice de comportamento de fluxo, φ é a porosidade da
formação, e a viscosidade efetiva do fluido (onde K’ é o
índice de consistência do modelo reológico de potência) é
dada por:
( ) 2
1
15030
12
' nn
eff k
n
K −
⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛ += φμ
Combinando as descrições da zona invadida por
polímero e do reservatório, a queda total de pressão será
dada por:
⎪
⎪
⎪
⎭
⎪⎪
⎪
⎬
⎫
⎪
⎪
⎪
⎩
⎪⎪
⎪
⎨
⎧
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
+⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=−
2
2
2
2
1
2
1
1
44
exp
44
exp
2
α
η
α
η
αμ
α
η
α
η
αμ
φηπ
erf
erf
k
pp
r
app
ifrac
onde
t
n
eff c
n
n
k
−
⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
=
11
1φμ
α e
tc
k
φμ
α =2
Em determinadas condições esta equação pode ser
resolvida iterativamente para o parâmetro η (não confundir
com a eficiência de fluidos). A partir da determinação do
valor de η para uma determinada queda de pressão total, a
taxa de filtração pode ser calculada como
t
AqL
1
2 ⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
=
φ
η
Ou seja, o fator η/(2φ) pode ser considerado um
coeficiente aparente de filtração dependente da pressão.
Fraturamento de Reservatórios de
Gás Condensado de Alta
Permeabilidade
Em reservatórios produtores de gás condensado,
uma situação que aparece freqüentemente é o dano na face
da fratura. Devido ao gradiente de pressão, normal à
fratura, ocorre a formação de líquido condensado, cujo
maior impacto é a redução da permeabilidade relativa ao
gás produzido. Tal redução depende do comportamento da
fase líquida e da penetração do líquido formado, que, por
sua vez, depende do drawdown imposto ao poço. Estes
fenômenos causam um dano aparente que afeta o
desempenho de todos os poços fraturados, mas
especialmente daqueles cujos reservatórios são de alta
permeabilidade.
Wang et al. (2000) apresentaram um modelo que
prevê a produtividade de um poço fraturado em
35
reservatórios de gás condensado quantificando os efeitos
da redução da permeabilidade ao gás. Além disso,
propõem um projeto de fraturamento para estes
reservatórios. Estes efeitos afetam principalmente o
tamanho necessário de fratura para evitar os problemas
associados ao aparecimento de líquido condensado.
As curvas de permeabilidade relativa ao gás
foram derivadas usando um modelo estrutural em escala
de poros, e são representadas por uma função linear
ponderada de curvas de permeabilidade relativa imiscíveis
e miscíveis:
krg = f krgI + (1 – f) krgM
onde krg é a permeabilidade relativa ao gás e f é um fator
ponderador, uma função do número de capilaridade,
b
c
a
N
f
1
1
1
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
+
=
Os valores numéricos de a e b são,
respectivamente, 1,6 x 10-3 e 0,324, e Nc é o número de
capilaridade, definido como
σ
pk
N c
∇
=
onde k é a permeabilidade, ∇p é o gradiente de pressão, e
σ é a tensão interfacial. A permeabilidade relativa
convencional para o fluxo dominado pela capilaridade
(imiscível), krgI, é definido por
gn
wi
g
rgI S
S
k ⎟
⎟
⎠⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
−
=
1
onde Sg é a saturação de gás, Swi é a saturação de água
conata, e ng é uma constante igual a 5,5. A função
permeabilidade relativa no limite do fluxo dominado pela
viscosidade (miscível), krgM, é definida como
wi
g
rgM S
S
k
−
=
1
Lembrar que Cinco e Samaniego (1981) fornecem
uma expressão para o efeito skin na face da fratura que
deve ser acrescentada à pressão adimensional para a
obtenção da produtividade da fratura de condutividade
finita:
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
−= 1
2 sf
s
fs k
k
x
b
s
π
onde bs é a penetração do dano e ks é a permeabilidade da
região danificada.
Uma analogia pode ser facilmente feita com um
reservatório de gás condensado hidraulicamente fraturado.
O condensado líquido que sai perpendicularmente à face
da fratura também pode provocar um efeito skin, neste
caso refletindo uma redução na permeabilidade relativa ao
gás. A penetração do dano definiria a zona interna ocupada
pelo condensado líquido (ou seja, a pressão de ponto de
orvalho - dew point – estabelece o contorno).
A relação das permeabilidade se reduz à razão das
permeabilidades relativas, e, porque krg é igual a 1 no
contorno, esta equação simplesmente se torna
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
−= 11
2 rgf
s
fs kx
b
s
π
.
Otimização da Geometria da Fratura
em Reservatórios de Gás
Condensado
Em reservatórios de gás condensado, a
produtividade da fratura é bastante afetada pela presença
de condensado líquido, que causa dano à face da fratura.
Uma hipótese de avaliação é que a pressão do reservatório
no contorno dessa zona danificada deve ser exatamente
igual à pressão de ponto de orvalho.
Para um determinado comprimento de fratura e
uma dada pressão de fluxo de fundo dentro da zona de
condensação retrógrada de um envelope de duas fases, o
perfil da pressão normal à fase da fratura e dentro do
reservatório delineará os pontos nos quais a pressão atinge
este valor. Deste perfil de pressão, a distribuição do skin
de face da fratura pode ser determinado. A profundidade
da zona afetada é determinada pela equação acima,
definida por Cinco-Ley & Samaniego. Um elemento
adicional necessário é o tratamento proposto para melhorar
a correlação para a obtenção de curvas de permeabilidade
relativa mais acuradas, vista na seção anterior.
Dois exemplos de casos são apresentados a
seguir. O primeiro representa um reservatório com 5 mD
de permeabilidade e um gás condensado com pressão de
ponto de orvalho de 2.545 psi. A pressão de fluxo de fundo
é 1800 psi. Inicialmente, a otimização do projeto de
fraturamento hidráulico – ignorando os efeitos do skin de
face da fratura – usando um Número de Propante, Nprop,
igual a 0,02, resultou numa condutividade adimensional de
fratura de 1,6, conforme esperado, e num semi-
comprimento de fratura de 220 ft para um reservatório
quadrado de 4.000 ft de lado. (O valor do número de
propante, assumindo kf = 50.000 mD, h = 50 ft, ρp = 165
lb/ft3 e φp = 0,4 implicam uma massa de propante de
aproximadamente 80.000 lb.) O índice de produtividade
adimensional seria, neste caso, 0,35.
FIGURA 5-6. Estudo de caso para k = 5 mD.
Uma série de simulações baseada no trabalho de
Wang et al., mostra o máximo índice de produtividade que
pode ser encontrado quando o skin de gás condensado é
introduzido, e indica as mudanças apropriadas no projeto
de fraturamento. O comprimento da fratura é
progressivamente aumentado, enquanto que o número de
propante (i.e., a massa de propante injetada) é mantido
constante. Certamente isso causa uma inevitável redução
na condutividade da fratura, mesmo quando se maximiza o
índice de produtividade.
36
O resultado, mostrado na figura 5-6, indica um
semi-comprimento ótimo de fratura de 255 ft (16% maior
que o ótimo sem skin) e uma condutividade adimensional
ótima de 1,2 ao invés de 1,6. Muito mais significativa é a
queda no índice de produtividade ótimo para 0,294.
Para se encontrar um índice de produtividade de
0,35 seria necessário aumentar o número de propante para
aproximadamente 0,045, requerendo mais que o dobro da
massa de propante.
Para um reservatório de permeabilidade muito
maior (200 mD) – novamente ignorando inicialmente o
skin de face da fratura – o mesmo cálculo resulta em um
semi-comprimento ótimo de fratura igual a 35 ft (CfD =
1,6). O número de propante para este caso é 0,0005 (para
as mesmas 80.000 lb de propante). O índice de
produtividade adimensional correspondente é 0,21.
A figura 5-7 é a otimização para as dimensões de
fratura com dano de gás condensado, mostrando um semi-
comprimento ótimo de 45 ft (um aumento de 30% sobre o
semi-comprimento ótimo sem skin). O novo CfD ótimo é 1
e o índice de produtividade correspondente é 0,71.
FIGURA 5-7. Estudo de caso para k = 200 mD.
Aqui, o impacto do dano de gás condensado no
índice de produtividade esperado e o que seria necessário
para combater esse efeito é muito mais sério. O número de
propante requerido seria 0,003, o que sugere uma massa de
propante 6 vezes maior que a originalmente dimensionada!
Na maioria dos casos, tal fraturamento seria impraticável,
de forma que as expectativas a respeito da produtividade
do poço seriam reduzidas consideravelmente.
Efeito do Fluxo Não-Darcyano na
Fratura
O fluxo não-darcyano é outro importante item que
merece análise no contexto do HPF. O fluxo não-darcyano
em reservatórios de gás causa uma redução do índice de
produtividade por pelo menos dois mecanismos. Primeiro,
a permeabilidade aparente da formação pode ser reduzida
(Wattenbarger e Ramey, 1969) e segundo, o fluxo não-
darcyano pode reduzir a condutividade da fratura (Guppy,
et al., 1982).
Considerando um reservatório de gás limitado,
produzindo sob regime pseudo-permanente, e aplica-se o
conceito de pseudo-skin determinado pela condutividade
adimensional da fratura.
Definições e Hipóteses
A produção de gás é calculada por meio da
equação referente ao regime pseudo-permanente:
[ ]
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
+
−
=
f
e
appfDr
appr
sc
wfsc
x
r
Cfk
k
Tp
pmpmkhT
q
472,0
ln)(
)()(
,1
,π
onde m(p) é a função pseudo-pressão, kf,app é a
permeabilidade aparente do propante na fratura, e kr,app é a
permeabilidade aparente da formação. (Todas as equações
dessa seção pressupõem o uso de um sistema coerente de
unidades, como o SI.) A função f foi introduzida por
Cinco-Ley e Samaniego (1981) e foi apresentada no
capítulo 3 como
32
2
1
005,0064,018,01
116,0328,065,1ln)(
uuu
uu
r
x
sCf
w
f
ffD
+++
+−
=+=
onde u = ln CfD.
A condutividade adimensional da fratura aparente
é definida por
fappr
appf
appfD xk
wk
C
,
,
, =
As permeabilidades aparentes são dependentes da
vazão; portanto, a equação de fluxo se torna implícita na
vazão.
É necessária a definição de um modelo não-
darcyano. Quase que exclusivamente será usada a equação
de Forcheimer:
vvv
kdx
dp
βρ
μ
+=−
onde v = qa/A é a velocidade de Darcy e b é uma
propriedade do meio poroso.
Firoozabaldi e Katz (1979) apresentaram a
seguinte correlação bastante utilizada
2,1k
c
=β
onde c = 8,4 x 10-8 m1,4 (= 2,6 x 1010 ft-1 mD1,2).
Para aplicar esta correlação, escreve-se
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
+=⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
+=−
μ
ρμ
μ
ρβμ
2,0
11
k
vc
v
k
vk
v
kdx
dp
o que mostra que
μ
ρ
2,0
1
1
k
vck
kapp
+
=
Esta equação pode ser usada tanto para o
reservatório quanto para a fratura se uma velocidade linear
representativa é utilizada. A seguir, assume-se h = hf
Uma velocidade linear representativa para o
reservatório pode ser obtida em termos de vazão de gás
como
f
a
hx
q
v
4
=
onde qa é a vazão in-situ (real); logo, para o efeito não-
darcyano no reservatório,
2,02,0 2
1
2 rf
a
r kxh
qc
k
vc
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
=⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
μ
ρ
μ
ρ
37
Para a fratura, uma velocidade linear
representativa pode ser expressa em função da vazão de
gás como
hw
q
v a
4
=
Logo, para o efeito não-darcyano na fratura pode-se usar
2,02,01
2 f
a
f wkh
qc
k
vc
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
=⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
μ
ρ
μ
ρ
O termo ρqa é a vazão mássica e é a mesma no
reservatório e na fratura; cρqa é expressa em termos da
vazão de produção de gás como
qcq
h
c
h
qc gaa
022
==
μ
γρ
μ
ρ
onde q é a vazão de gás em volume (superfície) por tempo,
γg é a densidade do gás com respeito ao ar, e ρa é a
densidade do ar nas condições normais. O fator c0 é
constante para um determinado sistema reservatório-
fratura.
A forma final da dependência entre a
permeabilidade aparente e a vazão de produção é
2,0
0
2
1
1
rf
r
app
kx
qck
k
+
=⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
para o reservatório e
2,0
01
1
f
f
app
wk
qck
k
+
=⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
para a fratura. Como conseqüência,
[ ]
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
+⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
+
×
−
=
f
e
appfD
rf
sc
wfsc
x
r
Cf
kx
qc
Tp
pmpmkhT
q
472,0
ln)(
2
1
1
)()(
,12,0
0
π
onde
q
kx
c
q
wk
c
xk
wk
C
rf
f
fr
f
appfD
2,0
0
2,0
0
,
2
1
1
+
+
=
O efeito skin adicional, sND, que aparece devido
ao fluxo não-darcyano, pode ser expresso como
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
+
−
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
+⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
+=
f
e
fD
f
e
appfD
rf
ND
x
r
Cf
x
r
Cf
kx
qc
s
472,0
ln)(
472,0
ln)(
2
1
1
,12,0
0
O efeito skin não-darcyano adicional é sempre positivo e
depende da vazão de produção de uma forma não-linear.
Estas duas equações são muito importantes na
interpretação de dados de teste de poço e para a previsão
de produção. Se o mecanismo responsável pelo efeito skin
pós-tratamento não for bem compreendido, a avaliação do
tratamento e a previsão de produção podem ser seriamente
comprometidas.
Estudo de Caso para o Efeito do
Fluxo Não-Darcyano
Conforme previamente discutido, o fluxo não-
darcyano num reservatório de gás causa uma redução do
índice de produtividade por, no mínimo, dois mecanismos.
Primeiro, a permeabilidade aparente da formação pode ser
reduzida, e segundo, o fluxo não-darcyano pode reduzir a
condutividade da fratura. Neste estudo de caso, o efeito do
fluxo não-darcyano nas vazões de produção e os efeitos
skin são investigados.
As propriedades do reservatório e da fratura são
dados na tabela 5-4
Uma forma simplificada da equação de vazão em
unidades de campo é dada por
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
+⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
+
−
=
f
e
appfD
rf
r
wf
x
r
Cf
kx
qc
hk
ZT
pp
q
472,0
ln)(
2
1
1
1424
,12,0
0
22
μ
No exemplo dado, c0 = 73 ft-mD0,2/MMSCF/dia e
qc
qc
xk
wk
q
kx
c
q
wk
c
xk
wk
C
f
r
fr
f
rf
f
fr
f
appfD
0
0
2,0
0
2,0
0
, 1
1
2
1
1
+
+
=
+
+
=
onde c0r = 2,34 x 10-3 m3/s = 7,67 x 10-2 (MSCF/dia)-1
c0f = 6,14 x 10-1 m3/s = 2,78 x 102
(MSCF/dia)-1
Portanto, em unidades de campo
q
qC appfD 2801
76,0139,1, +
+
= e
[ ]16,3)()76,01(
1
645,21
4000
,1
2
++
−
=
appfD
w
wf
Cfq
p
q
O componente não-darcyano do efeito skin pode ser
calculado como
[ ] 619,416,3)()00076,01( ,1 −++= appfDND Cfqs
Os resultados são mostrados graficamente nas figuras 5-8
a 5-10 na próxima página.
Fica claro que o efeito da fratura (skin negativo
na ordem de –3) é mascarado pelo efeito skin positivo
induzido pelo fluxo não-darcyano. Os efeitos skin
observáveis, nulo e positivo, embora diretamente
atribuíveis ao (inevitável) efeito do fluxo não-darcyano,
podem ser interpretados como um fracasso no HPF.
TABELA 5-4. Dados do estudo de caso.
re ft 1500
μ cp 0,02
Z N/A 0,95
T oR 640
kr mD 10
h ft 80
hf ft 80
kf mD 10000
xf ft 30
w pol 0,5
γg N/A 0,65
p psi 4000
rw ft 0,328
38
FIGURA 5-8. IP do reservatório de gás fraturado
FIGURA 5-9. Efeito skin adicional
FIGURA 5-10. Pseudo skin observado
39
Materiais de Fraturamento
Os materiais usados no processo de fraturamento
incluem os fluidos de fraturamento, os aditivos e os
propantes. O fluido e os aditivos atuam em conjunto,
inicialmente para criar a fratura, e depois para transportar o
propante para a fratura. Com o propante posicionado e
trapeado pelas tensões (fechamento da fratura), o fluido de
carreamento e os aditivos são degradados in-situ e/ou
produzidos (limpeza da fratura), estabelecendo o desejado
canal de alta produtividade.
Os propantes e os produtos químicos constituem
importante parcela do custo total de um fraturamento. O
valor relativo dos custos dos materiais de fraturamento e
de bombeio nos tratamentos realizados nos Estados Unidos
são estimados em: 45% para o bombeio (bombas e taxas
de potência), 25% para propantes, 20% para produtos
químicos e 10% para ácido.
Os materiais e propantes usados no fraturamento
hidráulico têm sofrido importantes modificações desde o
primeiro tratamento comercial de fraturamento realizado
em 1949 com alguns poucos sacos de areia grosseira e
gasolina gelificada como fluido carreador.
Fluidos de Fraturamento
O fluido de fraturamento transmite a pressão
hidráulica das bombas para a formação, criando a fratura, e
transporta o propante (essa é a razão do nome fluido
carreador) para a fratura. O fluido que invade a formação
no tratamento é então removido, possibilitando a produção
de hidrocarbonetos. Fatores a considerar na seleção do
fluido são: disponibilidade, segurança, facilidade de
mistura e uso, características de viscosidade,
compatibilidade com a formação, facilidade de limpeza, e
custo.
Os fluidos de fraturamento podem ser
categorizados como (1) base-óleo ou base-água,
usualmente reticulado para ter a viscosidade necessária,
(2) misturas de óleo e água, chamadas emulsões, e (3)
sistemas base-óleo/-água espumados com nitrogênio ou
CO2. Nos EUA, fluidos base-óleo foram usados quase que
exclusivamente nos anos 50. Nos anos 90, mais que 90%
dos fluidos de fraturamento eram sistemas base água
reticulados. Atualmente, sistemas de nitrogênio e dióxido
de carbono em fluidos base-água são usados em cerca de
25% dos fraturamentos.
A tabela 6-1 lista os fluidos de fraturamento mais
comuns. A escolha do método de reticulação a usar se
baseia na capacidade do fluido de gerar viscosidade em
comparação com seus requisitos de custo e desempenho.
A viscosidade é a mais importante propriedade do
fluido de fraturamento. A goma guar, produzida do feijão
guar, é o agente viscosificante mais utilizado. Derivados
do guar, como o hidroxipropil-guar (HPG) e o
carboximetil-hidroxipropil-guar (CMHPG), são também
usados devido ao menor teor de resíduos produzido, e
certas vantagens reológicas.
O polímero reage com um íon metálico que
acopla seus ramos (reticulação) produzindo uma estrutura
tri-dimensional, ou seja, o gel. A reticulação aumenta
efetivamente o tamanho da cadeia polimérica, aumentando
a viscosidade na faixa de taxas de cisalhamento
importantes para o fraturamento de 5 a 100 vezes.
TABELA 6-1. Tipos de fluidos reticulados
Reticulador Polímero pH Temperatura
B, s/retardo Guar, HPG 8-12 70-300oF
B, retardado Guar, HPG 8-12 70-300oF
Zr, retardado Guar 7-10 150-300oF
Zr, retardado Guar 5-8 70-250oF
Zr, retardado CMHPG, HPG 9-11 200-400oF
Zr-a, retard. CMHPG 3-6 70-275oF
Ti, s/retardo Guar, HPG, CMHPG 7-9 100-325oF
Ti, retardado Guar, HPG, CMHPG 7-9 100-325oF
Al, retardado CMHPG 4-6 70-175oF
Sb, s/retardo Guar, HPG 3-6 60-120oF
(a – compatível com o dióxido de carbono)
O Boro (B) é o agente reticulador mais usado, seguido
por íons organo-metálicos como o zircônio (Zr), e titânio
(Ti), ou ainda, em menor proporção, pelo antimônio (Sb) e
Alumínio (Al).
As espumas são especialmente úteis em
reservatórios sensíveis à água ou depletados (Chambers,
1994). Sua aplicação minimiza o dano da face da fratura e
facilita a limpeza do poço após o tratamento.
Aditivos do Fluido de Fraturamento
TABELA 6-2. Aditivos
Aditivo Concentração
gal ou lb por
1000 gal
Objetivo
Biocida 0,1-1,0 gal Prevenir degradação do
polímero por bactéria
Filtração 10-50 lb Reduzir filtração durante
fraturamento
Quebrador 0,1-10 lb Redução controladada
viscosidade
Fricção 0,1-1,0 gal Redução de perda de carga
na tubulação
Surfactante 0,05-10 gal Redução de tensão inter-
facial, prevenção de emulsão
e inversão de molhabilidade
Espumante 1-10 gal Estabilizador de espuma
Controle de
argila
1-3% KCl Compatibilidade com a
formação
Os polímeros, reticuladores e controladores de pH
(tampões) definem o tipo específico do fluido e não são
40
considerados como aditivos. Os aditivos do fluido são
materiais usados para produzir efeitos específicos
independentes. A tabela 6-2 lista os aditivos mais
comumente usados.
Os biocidas controlam a contaminação
bacteriológica. A água usada para preparar o gel
geralmente contém bactérias originadas tanto de fonte
contaminada como dos tanques usados para armazená-la.
As bactérias produzem enzimas que podem degradar a
viscosidade muito rapidamente. Elas podem ser
efetivamente controladas elevando-se o pH a níveis
superiores a 12 pela adição de um alvejante ou emprego
de biocidas de largo espectro.
Os agentes controladores de filtração controlam a
perda por spurt. O material consiste de partículas
finamente granuladas com tamanho variando entre 0,1 e 50
microns. O material mais efetivo de baixo custo é a sílica.
Amidos, gomas, resinas e sabões também podem ser
usados, com a vantagem de permitirem algum grau de
limpeza posterior em virtude de sua solubilidade em água.
Notar que mesmo o polímero guar eventualmente controla
a filtração, desde que um reboco seja estabelecido.
Os quebradores reduzem a viscosidade pela
quebra da cadeia do polímero guar, tendo o potencial de
acelerar a limpeza e a entrada do poço em produção após o
tratamento. A tabela 6-3 resume os diversos tipos de
quebradores e suas temperaturas de aplicação.
TABELA 6-3. Quebradores.
Quebrador Temperatura Comentários
Enzima 60-200oF Eficiente quebrador;
limite pH < 10.
Enzima
encapsulada
60-200oF Permite altas
concentrações.
Persulfatos
(sódio, amônia)
120-200oF Econômico, muito
rápido em altas
temperaturas.
Persulfatos
ativados
70-120oF Baixas temperaturas e
altos pH.
Persulfatos
encapsulados
120-200oF Permite altas
concentrações.
Oxidadores alta
temperatura
200-325oF Usado quando
persulfatos são muito
rápidos
Os surfactantes previnem emulsões, reduzem as
tensões superficiais e invertem a molhabilidade (para
molhável à água). A redução da tensão superficial melhora
a recuperação do fluido. Os surfactantes estão disponíveis
nos formatos catiônico, não-iônico e aniônico e são
incluídos na maioria dos tratamentos. Alguns surfactantes
especiais melhoram a molhabilidade e a recuperação de
fluidos.
Os agentes espumantes promovem a estabilização
superficial necessária para manter a qualidade das
dispersões de gás em fluidos aerados. Estes materiais
iônicos também agem como surfactantes e
emulsificadores. Não se consegue uma espuma estável
sem o uso de surfactantes para estabilização.
Os aditivos para controle de argila produzem uma
compatibilidade temporária em argilas incháveis por água.
Soluções contendo 1 a 3% KCl ou outros sais são
normalmente empregadas. Produtos químicos orgânicos
substitutos estão atualmente disponíveis, sendo usados em
menores concentrações.
O tipo de aditivos e concentrações usados
dependem muito da temperatura do reservatório, litologia
e fluidos. As principais funções do químico QA/QC são o
ajuste de aditivos para aplicações específicas e a
consultoria ao cliente.
Propantes
Como o propante deve suportar o esforço imposto
pelas tensões tectônicas para manter aberta a fratura após a
descarga da pressão hidráulica do fluido de fraturamento, a
importância da resistência do material é crucial. O
propante deve ser resistente o suficiente para suportar a
pressão de fechamento, senão a condutividade do leito
(esmagado) será consideravelmente menor que o valor
projetado (tanto a abertura quanto a permeabilidade do
leito de propante diminuem). Outros fatores que devem ser
considerados na seleção do propante são tamanho,
formato, composição e, menos importante, densidade.
As duas principais categorias de propante são as
areias naturais e os propantes fabricados a base de
cerâmicas e bauxita. As areias são utilizadas em aplicações
de baixa tensão, que em geral ocorrem até 8.000 ft. Além
desta profundidade e em formações com alta tensão de
confinamento, deve-se preferir os outros propantes. Para
fraturamentos de alta permeabilidade, os últimos devem
ser preferencialmente usados.
As três principais formas de aumentar a
condutividade da fratura são: (1) aumento da concentração
de propante para produzir uma fratura mais larga, (2) uso
de propante de maior diâmetro médio, ou (3) emprego de
propante de alta resistência de forma a reduzir seu nível de
esmagamento. As figuras 6-1, 6-2 e 6-3 ilustram estes três
métodos de aumento de condutividade.
FIGURA 6-1. Condutividade de fratura para
diversas concentrações de propante (20-40 mesh)
41
FIGURA 6-2. Condutividades de fratura para
vários mesh
FIGURA 6-3. Condutividades de fratura para
vários propantes.
A figura 6-4 é um guia para a seleção dos tipos
mais usados de propante baseado na tensão de
confinamento.
FIGURA 6-4. Guia para seleção de propante.
Calculando a Tensão de
Confinamento Efetiva
Para a seleção de um propante é necessário
estimar a magnitude da tensão de confinamento (pressão
de fechamento da fratura) que atua sobre ele. A equação
mais usada para estimar a tensão de confinamento (i.e., a
mínima tensão principal na profundidade do reservatório)
é conhecida como equação de Eaton, e é dada por
ppvh ppSS +−
−
= )(
1 ν
ν
onde ν é o módulo (ou razão) de Poisson, σv é a tensão
vertical absoluta, e pp é a pressão de poros do reservatório.
É conveniente detalhar melhor esta expressão para
entender seu significado.
A tensão vertical absoluta, σv, é essencialmente
igual à força exercida pelo peso litostático das camadas
rochosas por unidade de área. Formalmente, é o resultado
da integral da densidade da formação, obtida nos perfis de
densidade. Na prática, seu valor se encontra entre 0,95 e
1,1 psi por pé de profundidade, e na ausência de formações
específicas, seu valor é considerado igual a 1 psi/ft.
Para se obter a tensão vertical efetiva (i.e., o peso
litostático suportado pela matriz da rocha), a tensão
vertical total deve ser descontada da pressão de poros do
reservatório, o que gera a expressão
pvv pS ασ −=
onde o coeficiente α, chamado constante de Biot ou
constante poroelástica, é acoplada ao termo de pressão de
poros de forma a liberar o fluido que percola o reservatório
para se mover para fora do volume de controle
considerado. Esta situação está ilustrada na figura 6-5.
FIGURA 6-5. Poroelasticidade
A constante de Biot possui tipicamente valor
entre 0,7 e 1, mas geralmente é tomada como unitária para
simplificar o equacionamento.
Sabe-se que a deformação longitudinal que resulta
quando um sólido elástico linear é posto sob um
carregamento uniaxial se torna uma deformação lateral de
acordo com a teoria clássica de Resistência de Materiais,
ou seja, essas duas quantidades se relacionam (na
realidade, definem) pelo módulo de Poison do sólido,
zx ee ∂∂= /ν . De modo similar, a tensão vertical criada
pelo carregamento das camadas de rocha em um campo de
petróleo induzirá uma tensão horizontal na rocha
reservatório. A magnitude desta tensão horizontal é dada
por
vh σ
ν
νσ
−
=
1
onde σh é a tensão horizontal efetiva.
Combinando-se estas equações chega-se a
42
ppvh ppSS αα
ν
ν
+−
−
= )(
1
que, tomando-se a constante de Biot igual a 1, se reduz à
equação de Eaton.
É importante enfatizar que, a menos que a pressão
de fluxo de fundo no poço fraturado se reduza a algo
próximo de zero, o carregamento total desta tensão
horizontal não será transferido para o propante. Outra
importante observação é que a tensão horizontalno
reservatório é, ela própria, uma função da pressão de poros
do reservatório, de forma que a tensão de confinamento
que atua sobre o propante se reduz nominalmente com a
depleção do reservatório.
Condutividade da Fratura e
Seleção de Materiais num HPF
A Abertura da Fratura como uma
Variável de Projeto
Muito material tem sido publicado a respeito das
dimensões ótimas de uma fratura num HPF. Em debates a
respeito de otimização, a abertura da fratura é considerada
mais importante que o comprimento. Esta é uma
declaração intuitiva baseada no primeiro princípio de
otimização de fraturas: formações de alta permeabilidade
requerem fraturas de alta condutividade para manter um
valor aceitável de condutividade adimensional de fratura,
CfD.
Uma “regra de dedo” é que o comprimento da
fratura deve ser igual à metade da espessura canhoneada
(ou espessura permeável). Hunt et al. (1994) mostraram
que a recuperação acumulada de um poço em um
reservatório de 100 mD com 10 ft de raio de dano é
otimizado pela extensão de uma fratura de condutividade
fixa de 8.000 mD-ft a uma apreciável distância além da
zona danificada. Esse resultado implica que há pouco
benefício numa fratura de comprimento de 50 ft em
relação a outra de 10 ft. Duas observações são importantes
neste caso. Primeiro, a avaliação de Hunt et al. se baseia
na produção acumulada. Segundo, a hipótese de uma
condutividade de fratura fixa implica uma condutividade
adimensional de fratura decrescente com o aumento do
comprimento da fratura.
Geralmente é verdadeiro afirmar que, mantendo-
se um CfD aceitável – isso pode exigir um aumento na
concentração areal de propante de 1,5 lb/ft2, que é comum
em fraturamento de rochas duras, para 20 lb/ft2 ou mais –
comprimento adicional resultará em produção adicional.
Conforme visto no capítulo 3, a condutividade ótima de
fratura de 1,6 corresponde ao melhor compromisso entre a
capacidade da fratura em conduzir a e capacidade do
reservatório em produzir fluidos. Isso se aplica tanto a
reservatórios de alta quanto aos de baixa permeabilidade.
O problema, na prática, é a dificuldade de
influenciar independentemente a extensão e a abertura da
fratura. Historicamente, a partir da escolha do fluido de
fraturamento e da vazão de tratamento, a abertura da
fratura se desenvolve em estrita relação com seu
comprimento (ao menos nos conhecidos modelos de
propagação PKN e KGD). Portanto, a variável de decisão
tem sido a extensão da fratura. Determinada a extensão da
fratura, a abertura é calculada como uma conseqüência das
limitações técnicas (p.ex. a máxima concentração possível
de propante). O conhecimento do processo de filtração
ajuda na determinação do tempo necessário de bombeio e
do volume do colchão.
A técnica de tip screenout trouxe uma
significativa mudança na filosofia de projeto. Por meio do
TSO a abertura da fratura pode ser aumentada
independentemente de sua extensão. Agora existe um meio
realmente efetivo de satisfazer a condição ótima.
Esta decisão requer a otimização da massa de
propante em bases econômicas ou, no caso de limitação
física dos volumes de fluido e propante (p.ex., condições
offshore), a colocação otimizada de um volume finito de
propante.
Seleção do propante
O principal, e único, item relativo à seleção de
propante para fraturamento de alta permeabilidade,
considerando-se a manutenção de uma alta permeabilidade
para qualquer nível de tensão, é o dimensionamento do
propante. Embora propantes especiais, como propantes de
média resistência e resinados, sejam empregados em HPF,
a maioria dos tratamentos é realizada com areia
convencional de granulometria selecionada.
Ao formular um propante para HPF, o engenheiro
enfrenta o seguinte dilema: dimensionar o propante para
atender as especificações de exclusão de areia ou para
maximizar a condutividade de fratura.
Assim como na escolha de equipamentos e na
seleção de fluidos, as regras de gravel-packing estão
presentes no frac-pack, quando da seleção do propante. Os
engenheiros tendem a usar os critérios normalmente
empregados no projeto de gravel-packs tais como o
proposto por Saucier (1974). Saucier recomenda que o
diâmetro médio do gravel (Dg50) seja cinco a seis vezes
maior que o diâmetro médio da areia da formação (Df50). A
chamada “regra 4 por 8” associa a distribuição de
diâmetros mínimo e máximo ao critério de Saucier (ou
seja, Dg,min = 4.Dg50 e Dg,max = 8.Dg50, respectivamente).
Em conseqüência, vários tratamentos foram bombeados
com areia 40/60 mesh e, até mesmo, 50/70 mesh. A
condutividade limitada dessas especificações típicas de
gravel pack, quando submetidas à tensões tectônicas, são
geralmente inadequadas. Independentemente do diâmetro
do propante, os frac-packs tendem a reduzir o fluxo de
fluido na face da formação.
A tendência atual na seleção de propantes é o uso
de areia “de fraturamento”. Um tratamento HPF típico
atualmente emprega propante (areia) 20-40 mesh. A
maximização da condutividade da fratura pode, ela
mesmo, prevenir a produção de areia em virtude da
redução do drawdown. Os resultados obtidos no uso de
propantes de maior diâmetro são encorajadores tanto em
termos de produtividade quanto na limitação/eliminação
da produção de areia (Hannah et al., 1993).
É interessante notar que tópicos como
competência da formação e tendência de arenação,
principais itens na área da tecnologia de gravel pack, não
têm sido aprofundados no contexto de HPF. Parece que,
em muitos casos, o HPF tem se constituído numa solução
viável a falhas de completação, mesmo contrariando os
43
conceitos de mecânica de rocha (mole) adotados
anteriormente pela indústria.
Esta mudança de práticas de gravel pack para
práticas de fraturamento no HPF ocorre em vários itens
com exceção das ferramentas de fundo de poço, e isso
parece justificar a mudança da terminologia de frac-pack
para fraturamento de alta permeabilidade. A discussão que
segue é consistente com esta perspectiva.
Seleção de Fluido
A seleção de fluidos para HPF tem sido
influenciada pela preocupação com o dano a formações de
alta permeabilidade, tanto pela formação de reboco quanto
(especialmente) pela invasão por polímero. A maioria dos
antigos tratamentos foi executada com HEC, o fluido
clássico para gravel-pack, visto ser ele considerado menos
danificante que o fluido de fraturamento baseado na goma
guar. Embora esse debate prossiga e muitos operadores
ainda continuem usando fluidos a base de HEC, o uso de
fluidos base HPG reticulados por borato tem crescido
significativamente.
Com base na combinação de recomendações
reportadas por diversos operadores, Aggour e Economides
(1996) sugerem um procedimento para auxiliar na escolha
do fluido para HPF. Estas recomendações sugerem que, se
a extensão da invasão do fluido de fraturamento é
minimizada, o grau de dano (i. e., a redução de
permeabilidade causada pelo reboco ou pela invasão por
polímero) é de importância secundária. Eles empregam a
efetiva representação de skin proposta por Mathur et al.
(1995) para mostrar que a penetração do filtrado é
pequena; mesmo uma severa redução de permeabilidade
pode ser tolerada sem exibir efeitos de skin positivos.
Neste caso, a recomendação óbvia, em HPF, é o uso de
alta concentração polimérica, de fluidos reticulados com
aditivos controladores de filtração, e de uma agressiva
programação de quebrador. O polímero, o reticulador e os
aditivos de controle de filtração limitam a invasão por
polímero, e o quebrador garante a máxima condutividade
da fratura, um fator crítico que não pode ser
desconsiderado.
Trabalhos experimentais corroboram tais
recomendações. Sabe-se que os géis lineares penetram
mesmo em amostras de baixa permeabilidade (1 mD ou
menos) enquanto que os polímeros reticulados são
adequados para a construção de reboco em
permeabilidades duas ordens de grandeza superiores
(Roodhart, 1985; Mayerhofer et al., 1991). O reboco,embora danifique a face da fratura, reduz substancialmente
a extensão da penetração do polímero no reservatório pela
face da fratura. Em ambientes de altíssimas
permeabilidades, mesmo soluções reticuladas de polímero
podem invadir a formação.
Cinco-Ley e Samaniego (1981) e Cinco-Ley et al.
(1978) descreveram o desempenho de fraturas de
condutividade finita e delinearam os três principais tipos
de dano que afetam a produtividade:
• Redução da permeabilidade do pacote de propante,
resultante tanto do esmagamento do propante quanto
(especialmente) de cadeias poliméricas não quebradas,
levam à redução da condutividade da fratura. Isto
pode ser particularmente problemático em
reservatórios de média a alta permeabilidade. O
progresso contínuo da tecnologia de quebradores tem
reduzido dramaticamente este tipo de dano.
• Dano de choke, que se refere ao efeito skin alojado
nas proximidades da fratura. Este dano pode ocorrer
devido ao sobre-deslocamento ao final do tratamento
ou pela migração de finos durante a produção. No
último caso, o dano pode se alojar tanto na formação
quanto no interior da fratura.
• Dano de face da fratura, que implica a redução da
permeabilidade na direção normal à face da fratura e
inclui reduções de permeabilidade causadas pelo
reboco e invasão por polímero ou por filtrado
Efeito Composto de Skin
Mathur et al. (1995) propõem a seguinte
representação para o skin efetivo resultante de dano radial
e de face da fratura:
⎥
⎥
⎦
⎤
⎢
⎢
⎣
⎡
−
−+
−
+
−+
=
frf
r
f
r
d x
b
kbxkb
kbb
kbxkb
kb
s 1
111
21
2131
2
)(
)(
)(2
π
A figura 6-6 representa os dois tipos de dano
considerados em sd (i.e., danos de face da fratura e radial).
FIGURA 6-6. Dano de face da fratura.
Os termos b- e k- são definidos graficamente na
figura 6-7 e representam as dimensões e permeabilidades
de várias zonas incluídas no modelo de condutividade
finita de Mathur et al.
FIGURA 6-7. Zonas invadidas por fluido
44
O skin equivalente pode ser adicionado
diretamente ao efeito skin definido por Cinco e Samaniego
para se obter o skin total: st = sd + sf.
Estudos Paramétricos
Aggour e Economides (1996) empregaram o
modelo de Mathur et al. (sem dano radial de poço) para
avaliar o skin total e investigar os efeitos relativos de
diferentes variáveis. Seus resultados relacionaram o skin
total num número discreto de casos a (1) a profundidade
da invasão de fluido normal à face da fratura e (2) o grau
de redução de permeabilidade na zona invadida por
polímero. Uma amostra de seus resultados (para xf = 25 ft,
CfD = 0,1 e kf = 10 mD), expressa inicialmente em termos
de razões de penetração de dano, b2/xf, e razões de redução
de permeabilidade, k2/ kr, são expressos em unidades reais
na tabela 6-4. Sob tais condições, o skin total é nulo.
TABELA 6-4. Dano por invasão de fluidos tolerado como
skin nulo.
Profundidade de invasão
normal à face da fratura
Redução de permeabilidade
na zona invadida
2,5 ft 90%
1,25 ft 95%
0,25 ft 99%
Fonte: Aggour e Economides (1996)
Estes resultados sugerem que para uma (quase
impossível) profundidade de invasão de 2,5 ft, um skin
positivo seria obtido se a redução de permeabilidade da
zona invadida fosse superior a 90%. Para uma penetração
de dano de 1,25 ft, a redução de dano teria de ser de cerca
de 95% para se encontrar skins positivos. Se a penetração
de dano puder ser limitada a 0,25 ft, mesmo uma redução
de 99% de permeabilidade na zona invadida não resultaria
em skin positivo. Mesmo a uma condutividade
adimensional de fratura elevada como 1, reduções maiores
de permeabilidade podem ser toleradas sem provocar skin
positivo. Logo, se o fluido de fraturamento proporcionar
um pacote de propante amplo e limpo, a penetração e o
dano ao reservatório podem ser tolerados.
Fica também claro, deste trabalho, que a extensão
do dano normal à face da fratura é mais importante que o
grau de dano. Se a invasão de fluido puder ser minimizada,
mesmo 99% de dano podem ser tolerados. A importância
da maximização do CfD é também ilustrada; certamente,
não se deve sacrificar um bom pacote de propante na
tentativa de minimizar o dano de face da fratura.
Estes pontos direcionam a seleção do fluido de
fraturamento apropriado:
• Géis lineares, em virtude da considerável invasão de
filtrado, não são recomendados.
• Fluidos poliméricos reticulados com alta carga
polimérica se apresentam como muito mais
apropriados.
• Esquemas agressivos de quebrador são imperativos.
• Aditivos para a formação de reboco podem também
ser considerados para minimizar a perda por spurt e a
filtração total.
Os trabalhos de Mathur et al. (1995) e Ning et al.
(1995) permitem a conclusão de que o dano de face da
fratura não deve alterar significativamente o desempenho
de longo tempo do HPF. O estudo dos poços do Golfo do
México realizado por Marthur et al. assumiu uma limpeza
linear da fratura e observou um aumento de produção no
curto tempo. O estudo de poços de gás em Alberta,
Canadá, por Ning et al. mostrou que a condutividade da
fratura tem grande efeito nas vazões de produção de longo
tempo, quando o efeito da invasão de polímero é
minimizado.
Experimentos em Penetração de
Fluido de Fraturamento
McGowen et al. (1993) apresentaram uma série
de experimentos mostrando a extensão da penetração de
fluidos de fraturamento em testemunhos de várias
permeabilidades. Os fluidos de fraturamento usados foram
70 lb/1000 gal de HEC e 30 ou 40 lb/1000 gal de HPG
reticulados por borato. Os volumes de filtrado foram
medidos em ml/cm2 de área filtrante para um calcário de
10 mD e arenitos de 200 e 1000 mD a 120 e 180oF.
Diversas conclusões podem ser tiradas do
trabalho:
• Fluidos reticulados são muito superiores aos géis
lineares no controle de filtração. Por exemplo, 40
lb/1000 gal de HPG reticulado por borato é muito
mais efetivo que 70 lb/1000 gal de HEC em amostra
de 200 mD a 180oF.
• O gel linear atua satisfatoriamente em rochas de 10
mD, mas falha dramaticamente em 200 mD. Mesmo o
uso agressivo de aditivos de controle de filtração
(p.ex., 40 lb/1000 gal de “sílica flour”) não altera
apreciavelmente o desempenho do HEC em amostras
de 200 mD.
• O aumento da concentração de 30 para 40 lb/1000 gal
tem grande impacto na redução da filtração em
amostras de 200 mD. A reticulação por borato
mantém excelente controle de filtração em arenitos de
200 mD e atua satisfatoriamente mesmo em 1000 mD.
Este trabalho experimental corrobora fortemente
os resultados da modelagem de Aggour e Economides
(1996) e apontam favoravelmente para o uso de maiores
cargas poliméricas com, certamente, o projeto apropriado
de um sistema quebrador
45
Fluidos de Carreamento
Viscoelásticos
Os fluidos a base de HEC e de HPG reticulados
por borato dominam atualmente os fluidos para HPF.
Contudo, há uma terceira classe de fluidos que merece
menção, o assim chamado surfactante viscoelástico, ou
fluidos VES. Tais fluidos exibem excelentes propriedades
reológicas e são não-danificantes, mesmo em formações
de alta permeabilidade. A vantagem destes fluidos está no
fato de não requererem o uso de aditivos químicos para
quebra; a viscosidade desse fluido degrada
convenientemente (deixando consideravelmente menos
resíduo que os fluidos a base de polímeros) quando ele
entra em contacto com o óleo da formação ou quando sua
concentração salina é reduzida. Brown et al. (1996)
apresentam dados típicos de desempenho do fluido VES
acompanhados de casos históricos.
A vulnerabilidade dos fluidos VES está em sua
limitação térmica e no maior custo por unidade de volume.
A temperatura máxima de aplicação para fluidos VES foi
recentemente estendida de 130 para 240oF.
46
Projeto de Fraturamento
O projeto de um fraturamento, devido à sua
importância no aumento de produção, vai além do
dimensionamento da fratura e inclui o cálculo do esquema
de bombeio a serexecutado. Este capítulo discute ainda os
diagnósticos efetuados antes da operação, que são
geralmente incorporados ao tratamento para determinar ou,
no mínimo, estabelecer os limites de variação de
parâmetros críticos do procedimento de projeto e
execução.
Micro-fraturamento
O teste de tensão de micro-fratura (“microfrac”)
determina a magnitude da mínima tensão principal in-situ
da formação a ser tratada. O teste usualmente envolve a
injeção de fluido pressurizado em uma pequena e isolada
zona (1 a 5 m), a baixa taxa de injeção (1 a 25 gal/min). A
mínima tensão principal in-situ pode ser determinada a
partir do declínio de pressão após o término do bombeio,
ou do aumento da pressão que ocorre no início do ciclo de
injeção. A pressão de fechamento da fratura e sua pressão
de reabertura fornecem uma boa aproximação para esta
tensão.
Quando acompanhado de uma testemunhagem
orientada, a micro-fratura se torna uma útil ferramenta
para a determinação da orientação do fraturamento.
Minifracs
O mais importante teste efetuado na locação antes
do tratamento principal é conhecido por minifrac, ou teste
de calibração do fraturamento. O minifrac é um teste de
bombeio/fechamento que emprega vazões de injeção
representativas e volumes de fluido relativamente grandes,
na ordem de milhares de galões. Dentre as informações
obtidas num minifrac estão a pressão de fechamento, pc, a
pressão líquida (net), perdas de carga (canhoneio e de
vizinhança de poço), e possíveis evidências de contenção
de altura da fratura. A parte de declínio (falloff) da curva
de pressão é usada para se obter o coeficiente de filtração
para uma dada geometria de fratura. A figura 7-1 ilustra a
localização dos principais pontos de uma curva típica de
resposta de pressão registrada durante as atividades de
calibração.
O projeto do minifrac deve ser realizado durante o
projeto de tratamento inicial. Seu objetivo é ser o mais
representativo possível do tratamento. Para isso, deve-se
criar uma geometria tal que reflita a geometria de fratura
do tratamento principal e que permita a obtenção da
pressão de fechamento na curva de declínio. O minifrac
mais representativo seria aquele que repetisse o volume e
vazão do tratamento principal, mas isso não é possível na
prática. Na realidade, várias variáveis conflitantes de
projeto devem ser avaliadas, inclusive o volume do
minifrac, a geometria da fratura criada, dano à formação,
um razoável tempo de fechamento, e o custo de material e
pessoal.
FIGURA 7-1. Gráfico típico de um minifrac. (1)
pressão de quebra, (2) propagação, (3) ISIP –
pressão instantânea de fechamento, (4) pressão
de fechamento, (5) reabertura, (6) pressão de
fechamento no flowback, (7) pressão estática, (8)
pressão de fechamento de recarga.
O fechamento da fratura é tipicamente
determinado de um ou mais tipos de curva de declínio de
pressão. As curvas mais populares usadas para identificar a
pressão de fechamento de fratura são:
• pshut-in vs. t
• pshut-in vs. √t
• pshut-in vs. função g (e variações)
• log (pISIP - pshut-in)
A origem (e uso) destas curvas é mais empírica que
teórica, podendo induzir resultados equivocados. A base
teórica e as limitações da análise de declínio de pressão
devem ser entendidas no contexto de aplicações
individuais. Uma complicação adicional é que a
temperatura e os efeitos de compressibilidade podem
causar desvios na pressão. Neste caso, curvas de declínio
corrigidas para a temperatura podem ser geradas para
possibilitar a interpretação normal dos diferentes tipos de
gráficos (Soliman, 1984).
O conceito original da análise de declínio de
pressão é baseado na observação de que a taxa de declínio
de pressão durante o processo de fechamento contém
informação útil sobre a intensidade do processo de
filtração (Nolte, 1979, Soliman e Daneshy, 1991). O
mesmo não ocorre no período de bombeamento, pois nesse
caso a pressão é afetada por muitos outros fatores.
nupetro
Realce
47
Assumindo-se que a área de fratura se desenvolve
de acordo com um expoente constante α e se mantém
constante após a parada do bombeio, no tempo (te + Δt) o
volume da fratura é dado por
eLDepeitt tCtgASAVV
e
),(22 αΔ−−=Δ+
onde a variação de tempo adimensional é definido como
eD ttt /Δ=Δ
e a função de duas variáveis g(ΔtD, α) pode ser obtida por
integração. Sua forma geral é dada por Valkó e
Economides (1995)
A função F[a, b; c; z] é a função hipergeométrica
disponível em forma de tabelas e algoritmos
computacionais. Para propósitos computacionais (ver a
planilha Excel incluída para análise de minifrac), a
aproximação da função g dada na tabela 7-1 é útil.
Dividindo-se a equação de volume pela área
obtém-se a abertura da fratura no tempo Δt após o final do
bombeio,
),(22 αDeLp
e
i
tt tgtCS
A
V
w
e
Δ−−=Δ+ .
Logo, a variação da abertura no tempo é determinada pela
função g(ΔtD, α), pelo tempo de injeção e pelo coeficiente
de filtração, mas não é afetada pela área da fratura.
A redução da abertura média não pode ser
observada diretamente, mas a pressão net durante o
fechamento pode ser relacionada à abertura média por
wSp fnet =
porque a propagação é descrita pela teoria da elasticidade
linear (equações de abertura). O coeficiente Sf é
denominado tenacidade da fratura, expresso em Pa/m
(psi/ft). Seu inverso, 1/Sf, é chamado complacência da
fratura. Para as geometrias básicas de fratura, a tabela 7-2
fornece expressões para a tenacidade da fratura.
TABELA 7-2. Parâmetros das geometrias básicas
PKN KGD Radial
Sf
fh
E
π
'2
fx
E
π
'
fR
E
16
'3π
α 4/5 2/3 8/9
A combinação das duas últimas equações resulta
(Nolte, 1979)
),(22 αDeLfpf
e
if
c tgtCSSS
A
VS
pp Δ−⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
−+=
que mostra que o declínio de pressão no período de
fechamento pode ser caracterizado por uma reta,
),( αDNN tgmbp Δ−= ,
quando este declínio é plotado contra a função g (Castilho,
1987).
Os valores da função g podem ser gerados para os
coeficientes α de cada modelo. A declividade da reta, mN,
se relaciona ao coeficiente de filtração pela expressão
fe
N
L
St
m
C
2
−
=
A tabela 7-3 mostra que o coeficiente de filtração
para a geometria PKN
independe de variáveis
desconhecidas, pois o tempo de
bombeio, a altura da fratura e o
módulo plano de deformação
são considerados conhecidos.
Para as outras geometrias
consideradas, o procedimento
resulta em uma estimativa deste
coeficiente fortemente
dependente da extensão da
fratura (xf ou Rf).
A equação de pressão
mostra que o efeito da perda por spurt se concentra no
cruzamento da linha reta com o eixo da função g:
f
cN
e
i
p S
pb
A
V
S
22
−
−=
TABELA 7-3. Coeficiente de filtração e extensão de
fratura (sem spurt) para várias geometrias.
Coeficiente de filtração Extensão da fratura
PKN )(
'4
N
e
f
L m
Et
h
C −=
π
)(
'2
2
cNf
i
f
pbh
VE
x
−
=
π
KGD )(
'2
N
e
f
L m
Et
x
C −=
π
)(
'
cNf
i
f
pbh
VE
x
−
=
π
Radial )(
'3
8
N
e
f
L m
Et
R
C −=
π
3
)(8
'3
cN
i
f pb
VE
R
−
=
Conforme sugerido por Shlyapobersky (1987), a
equação de Sp pode ser usada para se obter a extensão da
fratura caso se assuma não haver perda por spurt. A
segunda linha da tabela 7-3 mostra a extensão estimada da
fratura para os três modelos básicos a partir desse
pressuposto. Notar que a hipótese de spurt nulo resulta
num comprimento estimado de fratura para a geometria
PKN que não é usado no cálculo do coeficiente de
filtração. Para os modelos KGD e radial, inicialmente
calcula-se a extensão da fratura, que é usada, com a
declividade da curva, para se obter o coeficiente de
filtração. Conhecidos a extensão da fratura e o coeficiente
de filtração, a abertura perdida no final do bombeio pode
ser obtida de
eLLe tCgw )(2 0 α=
A abertura da fratura será dada por
TABELA 7-1. Aproximação da função g para vários expoentes α
65432
5432
0765693,049129,6741,167342,54011,3838534,5410367,9419,76307,1293457,6324125,7941495,1
5
4,
dddddd
ddddddg
++++++
+++++
=⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
65432
5432
0696905,095955,5031,156374,5124,3722865,541
843,8671,71753,1251354,6359445,8147835,1
3
2,
dddddd
ddddddg
++++++
+++++
=⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
65432
5432
0808317,08188,689,17422,557537,3891925,551
4497,987,79036,131724,6308604,7737689,1
9
8,
dddddd
ddddddg
++++++
+++++
=⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛
α
ααα
α
21
)1(;1;,
2
1124
),(
1
+
⎥⎦
⎤
⎢⎣
⎡ Δ++Δ++Δ
=Δ
−
DDD
D
tFtt
tg
48
Le
ff
i
e w
hx
V
w −=
para os dois modelos retangulares e
Le
f
i
e w
R
V
w −=
22 π
para o modelo radial.
A eficiência do fluido será determinada por
Lee
e
e ww
w
+
=η
Notar que a extensão da fratura e sua eficiência
são variáveis de estado, ou seja, terão diferentes valores no
minifrac e no tratamento principal. Somente o coeficiente
de filtração é um parâmetro de modelo, que pode ser
transferido do minifrac para o fraturamento, o que
acrescenta um especial cuidado em sua interpretação. O
coeficiente de filtração determinado por este método é
“aparente” com respeito à extensão da fratura. Se tivermos
informações sobre a espessura permeável, hp, e ela indicar
que somente parte da área da fratura cobre esta espessura,
este coeficiente “aparente” de filtração pode ser
transformado em “real”, ou seja, correspondente à área
permeável. Isso é feito simplesmente dividindo-se o valor
aparente por rp, que será definido mais à frente.
FIGURA 7-2. Extrapolação da filtração para o
tratamento principal, baixa permeabilidade.
Embora adequado para muitos tratamentos de
baixa permeabilidade, este procedimento pode não
funcionar para reservatórios de alta permeabilidade. A
interpretação convencional do minifrac determina um
único coeficiente efetivo de filtração, o qual geralmente
superestima levemente o volume de fluido perdido quando
extrapolado para o tratamento principal (figura 7-2).
FIGURA 7-3. Extrapolação da filtração para o
tratamento principal, alta permeabilidade.
Essa estimativa gera uma folga de segurança em
formações de baixa permeabilidade que atua no sentido de
prevenir embuchamentos prematuros. Contudo, esta
mesma técnica aplicada a reservatórios de alta
permeabilidade, ou quando o diferencial de pressão entre a
fratura e a formação é alto, pode superestimar
significativamente a perda de fluido para fluidos com
reboco (figura 7-3, Dusterhoft, 1995).
A superestimação dos volumes filtrados pode
comprometer a análise do tempo necessário para se
alcançar o tip screenout. Neste caso recomenda-se a
modelagem da perda por spurt e o ajuste do coeficiente
combinado de filtração em um simulador 3D de forma a
compatibilizar a curva simulada de declínio de pressão no
fechamento da fratura com a curva real. Esta abordagem é
mostrada na figura 7-4.
FIGURA 7-4. Ajuste de filtração em simulador
3d.
Notar que a incorporação de mais que um
parâmetro de filtração (e outras variáveis ajustáveis)
aumenta o grau de liberdade. Embora este ajuste possa ser
encontrado, a solução, em geral, deixa de ser única, ou
seja, outros valores dos mesmos parâmetros podem
proporcionar ajustes similares.
Projeto Baseado na Abordagem
Unificada
No capítulo 3 foi delineado um claro projeto
lógico: para uma determinada quantidade de propante que
atinge a zona produtora, podem-se determinar as
dimensões ótimas da fratura. Um dos resultados obtidos
mostra que para baixos ou moderados números de
propante (relativamente baixos volumes de propante e/ou
moderadas a altas permeabilidades de formação), o
compromisso ótimo ocorre quando CfD = 1,6.
Quando a permeabilidade da formação é cerca de
50 mD, é praticamente impossível encontrar um número
de propante maior que 0,1. Números de propante típicos
para HPF variam entre 0,0001 a 0,01. Logo, para
permeabilidades de formação de moderadas a altas, a
condutividade adimensional da fratura ótima é sempre
CfD,opt = 1,6.
49
Em formações tipo “tight gas” é possível
encontrar altos números de propante adimensionais, ao
menos em teoria. Se for assumida uma área de drenagem
limitada e não se considerar a área efetiva, permeável,
atingida pelo propante pode-se calcular números
adimensionais de propante da ordem de 1 ou mesmo 5.
Contudo, números de propante superiores a 1 geralmente
não são praticáveis.
Quando o volume de propante se torna muito
grande, o compromisso ótimo ocorre a grandes
condutividades adimensionais de fratura simplesmente
porque a razão de penetração da fratura não pode exceder a
unidade (ou seja, o comprimento da fratura passa a ser
limitado pelo espaçamento dos poços ou pelo limite do
reservatório).
Um item crucial no projeto é a altura de fratura
assumida. A relação entre a altura da fratura e a espessura
porosa determina a eficiência volumétrica do propante. O
número de propante real depende daquela porção de
propante colocada a frente da zona produtora. Ele é
calculado considerando-se o volume de propante injetado,
multiplicado pela eficiência volumétrica do propante.
Portanto, estritamente falando, o comprimento ótimo
atingido somente pode ser obtido se a altura da fratura é
conhecida. A seguir será assumido que esta altura é
conhecida. Esse assunto voltará a ser tratado
posteriormente.
Tempo de Bombeio
A partir de um comprimento desejado, e
assumindo-se que hf, E’, qi, CL, Sp e m são conhecidos,
pode-se projetar um fraturamento. O primeiro problema é
determinar o tempo de bombeio, te, usando a combinação
da equação de abertura com a do balanço de materiais. A
primeira parte de um procedimento de projeto típico está
apresentada na tabela 7-4. Notar que a vazão de injeção, qi,
se refere à pasta (e não ao fluido limpo) injetada em uma
asa da fratura.
TABELA 7-4. Determinação do tempo de bombeio
1. Calcular a abertura no poço ao final do bombeio pela
equação de abertura PKN (ou de outro método):
41
0, '
27,3 ⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
E
xq
w fi
w
μ
(ou a forma não-newtoniana que será mostrada
posteriormente).
2. Converter a abertura no poço em abertura média:
0,628,0 we ww =
3. Assumir um fator de distribuição de tempo de abertura,
KL = 1,5 (ver técnicas de refinamento a seguir)
4. Resolver a seguinte equação em te:
0)2(2 =+−− peLL
ff
i SwtCK
xh
tq
Selecionando √t como variável, resolver eq. 2o grau)
0=++ ctbat ,
onde )2(;2; peLL
ff
i SwcCKb
xh
q
a +−=−==
5. Calcular o volume injetado: Vi = qi.te e a eficiência do
fluido:
i
eff
e V
wxh
=η
As técnicas usadas para refinar KL estão descritas
nas tabelas 7-5 a 7-7
TABELA 7-5. Refinamento de KL com Carter
Calcular uma estimativa refinada de KL de:
eLe
e
eL
e
eL
p
L
tC
w
tC
w
tC
S
K
η22
+−−= , onde
pe
eL
eL
pee
e Sw
tC
erfce
tC
Sww
2
2
e 1
2
)(
4
)2( 2
2 +
=⎥
⎦
⎤
⎢
⎣
⎡
−+
+
=
π
β
π
β
β
π
η β
Se KL estiver próximo o suficiente da estimativa anterior,
parar; senão, iterar repetindo o cálculo do balanço de
materiais usando a nova estimativa de KL.
TABELA 7-6. Refinamento de KL com Nolte
Estimar o próximo KL de
e
ffe
eeeL it
hxw
K =−+= ηηη onde )1(57,133,1
Se KL estiver próximo o suficiente da estimativa anterior,
parar; senão, iterar repetindo o cálculo do balanço de
materiais usando a nova estimativa de KL
Se a espessura permeável, hp, é menor que a
altura da fratura, é conveniente usar exatamente o mesmo
método, mas com coeficientes “aparentes” de filtração e
spurt. O coeficiente aparente é o “verdadeiro” (referente à
espessura permeável) multiplicado pelo fator rp, definido
como a razão entre as superfícies permeável e da fratura.
(conforme figuras 7-5 e 7-6).
FIGURA 7-5. rp para as geometrias PKN e KGD
TABELA 7-7. Refinamento de KL com o método α.
Assumir o expoente de potência α (tabela 7-2) e calcular
KL = g0(α) usando as equações da tabela 7-1. Usar o KL
obtido no lugar de 1,5 no balanço de materiais. (Notar
que este não é um processo iterativo.)
50
FIGURA7-6. rp para a geometria radial
Para as geometrias PKN e KGD, ele é a razão
entre a espessura permeável e a altura da fratura
f
p
p h
h
r =
enquanto que para o modele radial ele é dado por
f
p
p R
h
xxxxr
2
onde )arcsen(12 2 =⎥⎦
⎤
⎢⎣
⎡ +−=
π
Há várias formas de incorporar o comportamento
não-newtoniano às equações de abertura. Um
procedimento conveniente é usar uma equação adicional
conectando a viscosidade newtoniana equivalente à vazão.
Assumindo o comportamento de potência para o fluido, a
viscosidade newtoniana equivalente pode ser calculada
para uma seção transversal média usando a entrada
apropriada da tabela 4-3. Após substituir a viscosidade
newtoniana equivalente na equação de abertura PKN,
obtém-se:
Esquema de Propante
Dados o tempo total de bombeio e o volume de
pasta, é necessário especificar um esquema de adição do
propante durante o bombeio de forma a se obter a
geometria sustentada desejada.
O fluido bombeado no início da operação, sem
propante, é denominado colchão (pad). Ele inicia e abre a
fratura. Normalmente, 30 a 60% do fluido bombeado
durante o tratamento é perdido por filtração; o colchão
fornece boa parte desse fluido. Ele tem ainda por função
prover comprimento e abertura suficientes para permitir a
entrada do propante. Um colchão insuficiente implica
embuchamento e comprimentos de fratura menores que o
desejado. Um colchão muito grande resulta em excessivo
crescimento vertical de fratura, além de comprimento
maior que o necessário. Para um volume fixo de pasta, um
colchão excessivo pode resultar num comprimento
sustentado inferior ao programado. Mesmo se a perda de
fluido fosse nula, seria necessário um volume mínimo de
colchão para prover uma abertura suficiente para admitir
propante. Geralmente, considera-se que uma abertura igual
a três vezes o diâmetro de propante é necessária para evitar
o embuchamento
Após o bombeio do colchão especificado, a
concentração de propante é incrementada gradativamente
até se alcançar um valor máximo ao final do bombeio.
FIGURA 7-7. Início da distribuição de propante
A figura 7-7 ilustra conceitualmente a distribuição
de propante na fratura após o bombeio do primeiro estágio
de propante. A maioria da perda de fluido ocorre no
colchão, próximo à extremidade da fratura. Contudo,
alguma perda ocorre também ao longo da fratura, pois os
estágios de propante são desidratados durante o bombeio.
A figura 7-8 mostra a concentração do estágio inicial de
propante se elevando de 1 a 3 lb/gal de fluido (ppg)
conforme transcorre o tratamento. Os estágios posteriores
são bombeados a concentrações mais elevadas que a
inicial porque sofrem menos perda de fluido (ou seja, têm
um tempo de exposição menor e menores taxas de filtração
perto do poço)
FIGURA 7-8. Evolução da distribuição do
propante.
A figura 7-9 completa a seqüência ideal na qual o
colchão é depletado assim que o bombeio é completado e
o primeiro estágio de propante alcança a concentração
final de 5 ppg. O segundo estágio sofre menor
desidratação, mas também termina com a mesma
concentração. Se efetuado corretamente, a fratura terá uma
distribuição uniforme de propante no final do tratamento.
22
1
1
22
1
222222
1
0, '
14,2198,315,9
+−
++++
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
⎥⎦
⎤
⎢⎣
⎡ +
=
n
f
n
f
n
inn
n
n
n
n
w E
xhq
K
n
nw
51
FIGURA 7-9. Distribuição final do propante.
Se o propante é bloqueado prematuramente
durante o bombeio na entrada da fratura ou nos
canhoneios, uma situação conhecida como embuchamento
(screenout), a pressão de tratamento irá subir rapidamente
até o limite operacional dos equipamentos. Neste caso, o
bombeio deve ser interrompido imediatamente (para a
segurança do pessoal na locação e para evitar danos aos
equipamentos), interrompendo o tratamento antes que todo
o volume de propante seja deslocado. Isto provocará um
atraso na intervenção, pois a coluna de tratamento estará
cheia com areia, aumentando o tempo de limpeza.
Num projeto TSO para formações moles e de alta
permeabilidade, o screenout é uma situação programada.
Neste caso, geralmente é possível prosseguir com o
bombeio sem atingir a pressão limite dos equipamentos,
porque tais formações tendem a ser altamente
complacentes.
Embora métodos mais sofisticados para o cálculo
do esquema de propante estejam disponíveis, a técnica
simples de projeto mostrada na tabela 7-8 combinando
balanço de materiais com um funcional de potência (Nolte,
1986) é satisfatória.
TABELA 7-8. Esquema de propante
1. Calcular o expoente da curva de concentração de
propante:
e
e
η
η
ε
+
−
=
1
1
2. Calcular o volume de colchão e o tempo necessário para
o seu bombeio:
epadipad ttVV εε ==
3. A curva de concentração requerida de propante (massa
por unidade de volume de pasta injetado) é dada por:
ε
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
−
−
=
pade
pad
e tt
tt
cc
onde ce é a concentração máxima de propante programada
para o final do bombeio da pasta
4. Converter a concentração de propante de massa por
unidade de volume de pasta injetado para massa
adicionada por volume de fluido limpo (neat), expressa por
ca, e normalmente dada em ppga (pounds adicionados por
galões de fluido base adicionados
Um parâmetro adicional deve ser especificado: ce,
a concentração máxima da pasta injetada ao final do
bombeio. Os equipamentos usados em um fraturamento
possuem limites operacionais, entre eles uma concentração
máxima de propante admissível, porém esse valor
dificilmente será usado para o parâmetro acima.
Idealmente, o esquema de propante deve ser projetado de
forma a resultar na distribuição uniforme da concentração
do propante na fratura ao final do bombeio, de forma que a
concentração final de propante na fratura seja igual a ce.
Do balanço de materiais, ao final do bombeio tem-se:
iee VcM η=
onde Vi é o volume de pasta injetado em uma asa da
fratura, ηe é a eficiência do fluido (mais apropriadamente,
a eficiência da pasta), e M é a massa de propante injetada
em uma asa.
De acordo com Nolte (1986), o esquema é
derivado sob o pressuposto de que (1) o comprimento total
criado deve ser sustentado; (2) ao final do bombeio, a
distribuição de propante na fratura deve ser uniforme; e (3)
o esquema de propante deve seguir uma lei de potência
com o expoente ε, conforme mostrado na tabela 7-8.
Cálculos de esquema de propante mais complexos buscam
incluir o movimento do propante em diversas direções;
variações da viscosidade da pasta no tempo e espaço
(devido a mudanças de temperatura, taxa de cisalhamento
e conteúdo de sólidos); condições de abertura para
propiciar o livre movimento do propante; e outros
fenômenos (Babcock et al., 1967; Daneshy, 1974; Shah,
1982).
Notar que no esquema acima a vazão de injeção qi
se refere à pasta (e não ao fluido limpo) injetada em uma
asa. A massa de propante M também se refere a uma asa.
Prosseguindo com o exemplo anterior, considera-
se que o comprimento programado da fratura (152,4 m ou
500 ft) foi obtido pelo deslocamento da massa M = 8.760
kg (19.400 lb) de propante em cada asa. Usando a equação
anterior obtém-se ce = 875 kg/m3 (7,3 lb/gal). Notar que
isso expressa massa por volume de pasta, ou seja, será
necessário adicionar 12,5 lb de propante a 1 gal de fluido
base (ou 12,5 ppga) para a obtenção da concentração
acima.
A conversão entre massa/volume de pasta para
massa/volume de fluido limpo é feita por
p
a c
cc
ρ
−
=
1
onde ρp é a massa específica do propante.
No exemplo a eficiência do fluido é 19,3%, de
forma que o expoente de propante e a fração de colchão é ε
= 0,677. Portanto, o tempo para o bombeio do colchão é
27,8 min, e, após o colchão, a concentração de propante na
pasta deve ser continuamente elevada de acordo com a
relação
677,0
795
1666875 ⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛ −
=
tc , onde c é expresso em
kg/cm3 e t é medido em segundos, ou
677,0
3,13
8,273,7 ⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛ −
=
tc comc em lb/gal e t em minutos. A
curva de propante obtida é mostrada na figura 7-10.
52
FIGURA 7-10. Distribuição de propante durante
bombeio.
No final do bombeio, a concentração de propante
será igual a ce em todos os pontos da fratura. Logo, a
massa de propante colocada em uma asa será
eieee cVcVM η== , ou, neste caso, M = 8.760 kg (19.400
lb). A abertura sustentada média após o fechamento pode
ser determinada se a porosidade do pacote de propante é
conhecida. Para φp igual a 30%, o volume sustentado é
])1[( ppp MV ρφ−= , ou, neste exemplo, 6,0 m3. A
abertura sustentada média é dada por ffpp hxVw = , ou
seja, 2 mm (0,078 pol).
Uma rápida verificação da condutividade
adimensional da fratura mostra que CfD = (60 x 10-12 x
0,002) / (5 x 10-16 x 152) = 1,6, como deveria ser em um
tratamento com número de propante relativamente baixo.
Neste exemplo assumiu-se que o comprimento
desejado e a abertura, ambos otimizados, podem ser
executados sem problemas. Certamente, é possível que
certas restrições técnicas ou físicas (como a máxima
concentração possível de propante na pasta) inviabilizem a
obtenção dos parâmetros otimizados.
Desvio do Ótimo Teórico
Em caso de conflito, o engenheiro projetista tem
várias opções. Uma possibilidade é ultrapassar as
limitações técnicas com, por exemplo, a escolha de outro
tipo de fluido, propante, e/ou equipamento.
Porém, mais freqüentemente opta-se pelo desvio
do ótimo teórico. A arte do projeto de fraturamento é se
desviar das dimensões ótimas da fratura de maneira
discreta e somente o necessário. Na prática isso quer dizer
que o comprimento ótimo de fratura ou o volume do
colchão podem ser aumentados ou diminuídos por meio de
um “fator”.
Para formações de baixa permeabilidade, a
primeira tentativa de projeto geralmente resulta numa
fratura muito longa e delgada. Como existe uma certa
abertura mínima necessária para manter a continuidade do
fraturamento (ou seja, 3 vezes o diâmetro do propante), o
engenheiro projetista pode reduzir o comprimento atingido
multiplicando-o por um fator de 0,5, ou mesmo 0,1 em
alguns casos. Em um procedimento cuidadoso de projeto,
o engenheiro se desvia do ótimo teórico somente o
necessário para satisfazer a restrição técnica, como a
abertura mínima necessária.
Em formações de alta permeabilidade, a primeira
tentativa pode resultar em uma fratura curta, com
condutividade (abertura) insuficiente. Isso pode ser
corrigido substituindo-se o projeto convencional pelo
TSO, que permite obter larguras de fratura muito maiores.
Projeto TSO
É o programa do tip screenout, ou TSO, o que
claramente diferencia o fraturamento de alta
permeabilidade do fraturamento massivo convencional.
Enquanto o HPF introduz outras diferenças identificáveis
(como maior permeabilidade, rochas mais moles, menores
volumes de propante, etc.), é o tip screenout que faz a
diferença neste tipo de tratamento. Os fraturamentos
convencionais são projetados para se propagar
lateralmente e atingir o TSO no final do bombeio. No
fraturamento de alta permeabilidade o bombeio prossegue
após o TSO num segundo estágio que corresponde à
inflação e empacotamento da abertura da fratura. Este
tratamento de dois estágios é conhecido por frac-pack. Os
conceitos dos projetos convencionais e HPF foram
ilustrados e comparados nas figuras 5-3 e 5-4.
Os primeiros projetos TSO geralmente utilizavam
colchões de 50% (similar ao projeto convencional) e
esquemas de propante agressivos. Progressivamente os
volumes dos colchões foram sendo reduzidos até 10 a 15%
do tratamento e incorporando um estágio com
concentração de propante de 0,5 a 2 lb/gal (os quais,
combinados, podem constituir os 50% do tratamento, por
exemplo). Isto objetiva “criar abertura” para a adição de
um estágio com maiores concentrações de propante (12 a
14 lb/gal).
No modelo de projeto proposto (incluído na
planilha Excel HF2D), o procedimento de projeto TSO
difere do convencional em um ponto básico: ele usa o
critério TSO para separar o período de propagação lateral
da fratura do período de inflação da abertura. Este critério
se baseia na relação da abertura média seca para a
molhada, ou seja, a razão entre a abertura seca (assumindo
que somente propante seco é deixado na fratura) e a
molhada (dinamicamente encontrada durante o bombeio).
De acordo com a hipótese considerada, o embuchamento
ocorre e trava o crescimento da fratura quando esta razão
atinge a um valor crítico.
Após a obtenção do TSO, a injeção adicional de
pasta somente serve para inflar a abertura da fratura.
Assim, é importante programar o propante de forma que
esta razão crítica de aberturas (seca/molhada) seja atingida
ao mesmo tempo em que o comprimento ótimo é
alcançado. Com o projeto TSO, qualquer abertura pode ser
alcançada – ao menos na teoria. Adicionalmente, a
primeira parte de qualquer projeto TSO é similar a um
projeto convencional, com a diferença de que o
comprimento desejado é atingido em um tempo
relativamente menor, e a razão de aberturas seca/molhada
deve atingir seu valor crítico durante a primeira parte do
tratamento.
Sugere-se que o valor crítico desta razão varie de
0,5 a 0,75 como critério TSO (representando a completa
desidratação do pacote na fratura). Infelizmente, não há
um bom modelo teórico para refinar este valor. A intuição
do engenheiro e a experiência anterior são críticas no
nupetro
Realce
53
julgamento da possibilidade de um efetivo embuchamento
durante um HPF.
Também não existe um procedimento claro para
prever se a inflação de abertura por TSO será possível
numa dada formação, embora resultados experimentais em
mecânica de rochas possam sugerir a resposta. A formação
deve ser “mole” o suficiente, ou seja, o módulo de Young
não deve ser muito alto. Por outro lado, formações moles
são geralmente inconsolidadas, sem significativa coesão
entre os grãos da formação. A principal limitação técnica a
ter em mente é a pressão líquida (net), que aumenta
durante a inflação da abertura. O engenheiro projetista
deve estar preparado para se desviar do projeto teórico
otimizado, se necessário, para manter a pressão de
tratamento abaixo dos limites impostos pelo equipamento.
Outra consideração no projeto TSO é que a
fratura criada deve ultrapassar a região danificada nas
proximidades do poço. Como tal, o projeto deve
especificar um comprimento mínimo, mesmo quando o
ótimo teórico indique uma fratura curta. Geralmente o
comprimento mínimo é da ordem de 50 ft, embora a
natureza do dano e o comprimento do intervalo
canhoneado possam recomendar outros valores. Notar que
este desvio do ótimo novamente pode ser realizado
especificando-se “um fator multiplicativo para o
comprimento ótimo” no software de projeto.
Bombeando o Tratamento TSO
Situações curiosas relacionadas a experiências em
operações de HPF em tempo real são abundantes na
literatura e não são objetos de um texto como este. Porém,
seguem algumas observações relacionadas a execução do
tratamento:
• A maioria dos tratamentos é bombeada usando
ferramentas de gravel pack na posição de “circulação”
com a válvula do anular fechada na superfície. Isto
permite a monitoração pelo anular da pressão de
fundo de poço (pressão do anular + hidrostática) e a
monitoração em tempo real do progresso do
tratamento.
• Quando não há evidência do TSO planejado no
registro de pressão em tempo real, os últimos estágios
do tratamento podem ser bombeados a uma vazão
reduzida para induzir o tip screenout. Obviamente,
isso requer a obtenção de dados confiáveis de pressão
de fundo e comunicação direta com o operador da
unidade de fraturamento.
• Perto do final do tratamento, a vazão de bombeio é
reduzida para níveis similares aos usados nas
operações de gravel-pack e a válvula do anular é
aberta para iniciar a circulação. Assim, a adição de
propante e os volumes de pasta devem ser
cuidadosamente medidos para assegurar queexiste
uma quantidade suficiente de propante na coluna para
posicionar o gravel pack (ou seja, para evitar o sobre-
deslocamento do propante na fratura).
• Por outro lado, se um tratamento de HPF embucha
prematuramente (ou seja, com propante na coluna), a
ferramenta de serviço pode ser movida para a posição
“reversa” possibilitando a circulação do excesso de
propante.
• O movimento da ferramenta de serviço da posição de
squeeze/circulação para reversa pode criar um efeito
abrupto de drawdown instantâneo, e deve ser feito
cuidadosamente para evitar o pistoneio de material
instabilizado da formação para o túnel de canhoneio e
anular.
Exemplo de Efeito de Pistoneio
(swab)
A seguinte equação simples, proposta por Mullen
et al. (1994), pode ser usada para converter volumes
pistoneados em vazões, em unidades de campo:
m
s
s t
V
q 057.2=
onde qs é a taxa instantânea de pistoneio em bbl/dia, Vs é o
volume pistoneado de fluido em gal, tm é o tempo de
movimento da ferramenta em segundos, e 2057 é o fator
de conversão de gal/s para bbl/dia.
O volume de fluido pistoneado é calculado a
partir do diâmetro da ferramenta de serviço e de seu curso,
durante o qual a ferramenta selada não permite a passagem
do fluido. O volume médio pistoneado de uma ferramenta
de serviço de 2,68 pol é 2,8 gal quando a ferramenta é
movida da posição squeeze para a de reversa-circulação.
Assumindo um possível tempo de movimento normal de 5
segundos, isso representa uma produção instantânea de
1.100 bbl/dia.
Canhoneio para HPF
É amplamente aceito que o estabelecimento de
uma conexão condutiva entre a fratura e o poço é um
ponto crítico para o sucesso do HPF, mas não surgiu,
ainda, estudo ou consenso para estabelecer um
procedimento definitivo neste assunto.
Objetivando maximizar a condutividade e vazão
de fluido, muitos operadores canhoneiam todo o intervalo
de interesse com alta densidade de jatos com grandes
diâmetros de entrada (p.ex., 12 jatos/pé com cargas “big
hole”). Outros – mais preocupados com a iniciação de
múltiplas fraturas, tortuosidade, e canhoneios
indevidamente empacotados – tomam o caminho contrário
canhoneando a parte central do intervalo com um número
limitado de jatos, com fase de 0o ou 180o. Outro aspecto
bastante dicutido é o canhoneio underbalance vs.
overbalance: o underbalance pode causar a falha da
formação e prisão dos canhões; o overbalance elimina a
manobra de limpeza mas pode impactar negativamente a
eficiência da completação.
Geralmente circula-se solvente ou outros tampões
de limpezas até o final da coluna, retornando por
circulação reversa, com o objetivo de remover scale e
outras contaminações antes do bombeio do tratamento.
Várias centenas de galões (10 a 25 gal/ft) de HCl a 10% ou
a 15% são circulados/bombeados até os canhoneados e
deixados de “molho” (soak) para melhorar a comunicação
do reservatório pela limpeza dos túneis dos canhoneados e
dissolução de resíduos. Alguns operadores têm deixado de
usar a limpeza por ácido ou solvente para reduzir tempo de
sonda e custos associados. Eles argumentam que o
material danificante penetra profundamente na formação e
não afetará seriamente o desempenho do poço.
54
Testes de Diagnósticos pré-HPF
Há diversos aspectos próprios do fraturamento de
alta permeabilidade que tornam altamente desejáveis,
senão essenciais, a realização de testes de diagnósticos
pré-tratamento e o estabelecimento de estratégias
específicas de projeto: o projeto de fraturamento em
formações moles é muito sensível à filtração e à pressão
net; a natureza controlada dos processos de tip
screenout/inflação da fratura e de empacotamento/gravel
packing demanda estratégias de execução relativamente
precisas; e os tratamentos são muito pequenos e
geralmente classificados como oportunidades de “tiro
único”. Além disso, os métodos usados no fraturamento
em rochas duras para determinar parâmetros críticos de
fratura (modelos geológicos, dados de perfis e
testemunhos, ou modelos computacionais para obtenção de
módulo de Poisson baseados em poroelasticidade), a priori
são de valor limitado ou ainda não adaptado às formações
inconsolidadas, moles, de alta permeabilidade.
Há três testes (com variações) que formam a base
corrente dos testes de pré-tratamento em formações de alta
permeabilidade: step-rate test, minifrac e declínio de
pressão.
Step-Rate Test
O step-rate test (SRT), conforme o próprio nome
indica, envolve a injeção de gel limpo a várias vazões
estabilizadas, iniciando com valores usados em injeção
matricial e progredindo para taxas que resultem pressões
acima da pressão de fraturamento. Num ambiente de alta
permeabilidade, um teste pode ser conduzido a taxas de
0,5, 1, 2, 4, 8, 10, e 12 bbl/min, e então, a uma taxa
máxima. A injeção é mantida em cada step até se obter
uma pressão “estabilizada” (tipicamente entre 2 a 3
minutos para cada step).
Em princípio, o teste tem por objetivo identificar
a extensão da fratura, pressão e vazão. A pressão
estabilizada (no caso ideal, pressão de fundo) de cada step
é classicamente plotada num gráfico cartesiano contra a
vazão. Traçam-se duas linhas retas, uma pelos pontos que
estão obviamente abaixo da pressão de fraturamento
(grande variação da pressão com a vazão), e outra pelos
pontos acima desta pressão (pequena variação da pressão
com a vazão). O ponto no qual as duas retas se cruzam é
interpretado como a pressão de extensão da fratura. As
linhas pontilhadas na figura 7-11 ilustram esta técnica
clássica.
FIGURA 7-11. Step-Rate Test ideal
Embora o SRT convencional seja
operacionalmente simples e barato, ele não é
necessariamente preciso. Na realidade, um gráfico
cartesiano da pressão de fundo versus a vazão de injeção
não resulta geralmente em uma linha reta para o fluxo
radial em um poço não fraturado. Uma simples análise do
transiente de pressão de dados de SRT usando técnicas de
de-superposição mostra que, sem fraturamento, a curva
pressão versus vazão exibiria uma concavidade. Assim, o
desvio dos dados reais em relação ao comportamento ideal
pode ocorrer a pressão e vazão inferiores à indicada pela
clássica intersecção das linhas retas. (ver figura 7-11)
O procedimento de duplo SRT proposto por
Singh e Agarwal (1988) tem melhor fundamentação.
Contudo, dado o objetivo relativamente grosseiro do SRT
em fraturamentos de alta permeabilidade, o procedimento
convencional e sua análise se mostram suficientes.
O teste clássico fornece várias indicações:
• O limite superior da pressão de fechamento da fratura
(útil na análise do declínio no minifrac)
• A pressão de tratamento de superfície que deve ser
mantida durante o fraturamento (ou mesmo se a
manutenção de um fraturamento é possível para um
dado fluido).
• Taxas reduzidas que garantirão nenhuma extensão
adicional da fratura e o empacotamento da fratura e de
sua vizinhança com propante (auxiliado pela filtração)
• Canhoneio e/ou fricção nas proximidades do poço,
que é raramente um problema em formações moles
com canhoneios de grande diâmetro e alta densidade.
• A pressão de revestimento que pode ser esperada se o
tratamento for bombeado com a ferramenta de serviço
na posição de circulação.
A opção de step-down em vez do SRT normal é
usada especificamente para identificar restrições nas
proximidades do poço (tortuosidade ou fricção nos
canhoneios). Este teste é feito imediatamente após o
minifrac ou outro estágio de bombeio. Pela observação das
variações na pressão de fundo com a vazão decrescente,
estas restrições nas proximidades do poço podem ser
imediatamente detectadas (pressões de fundo que variam
gradualmente quando a vazão é reduzida em grandes steps
é um indicativo de ausência de restrições).
Minifracs
Como o SRT, o minifrac deve ser realizado para
ajustar o HPF às informações específicas do poço. Este é o
55
teste de diagnóstico crítico. A análise do minifrac e as
modificaçõesdo projeto de tratamento podem ser,
geralmente, feitas na locação em menos de uma hora.
Acompanhando a evolução do HPF, o minifrac e,
especialmente, o uso de informação de pressão de fundo,
têm se tornado cada vez mais comum. Por outro lado, o
procedimento clássico de minifrac e seus principais
resultados conforme descrito nas seções anteriores
(determinação da pressão de fechamento da fratura e do
coeficiente de filtração) são largamente empregados no
HPF.
A seleção da pressão de fechamento, uma tarefa
difícil na interpretação de testes em rochas consolidadas,
pode se tornar praticamente impossível em formações de
alta permeabilidade, com elevada filtração. Em alguns
casos, a duração do período de fechamento é tão limitada
(um minuto ou menos) que o sinal de pressão é mascarado
por fenômenos transientes. Poços desviados e formações
estratificadas (comuns nas completações offshore da Costa
do Golfo), múltiplos fechamentos de fratura, e outros
aspectos complexos são freqüentemente evidentes durante
o declínio de pressão. A maciez destas formações (baixo
módulo de Young) induz sutis assinaturas de fechamento
de fratura na curva de declínio de pressão. Os flowbacks
não são usados para acentuar aspectos relativos ao
fechamento devido à alta taxa de filtração e à produção de
areia inconsolidada da formação.
Novos procedimentos e gráficos de diagnóstico
para a determinação da pressão de fechamento estão sendo
desenvolvidos por vários operadores e deverão
complementar e substituir antigas práticas.
As falhas da análise clássica de minifrac ficam
evidentes quando ela é usada para selecionar o coeficiente
efetivo de filtração para o tratamento. Conforme descrito
anteriormente, esta técnica resulta numa estimativa
ligeiramente superior da perda de fluido em formações de
baixa permeabilidade, o que, na realidade, funciona como
um fator de segurança para prevenir embuchamento. Em
formações de alta permeabilidade, a abordagem clássica
pode subestimar dramaticamente a perda por spurt
(hipótese de spurt nulo) e superestimar o volume total
perdido. Esta incerteza no comportamento da filtração
dificulta sobremaneira o controle do tip screenout.
Procedimentos inteiramente novos, baseados em
fundamentos específicos do HPF (conforme capítulo 5),
têm sido pesquisados. A técnica tradicional do uso de
coeficiente de filtração desconsiderando-se a perda por
spurt simplesmente não é suficiente para esta aplicação.
Testes de Declínio de Pressão
(Falloff)
Tem despontado uma terceira técnica de
diagnósticos para o HPF: o falloff. Devido à alta
permeabilidade da formação, à disponibilidade de dados
de pressão de fundo de alta qualidade, e múltiplos ciclos
de bombeio e fechamento, as propriedades da matriz da
formação como kh e skin podem ser determinados de
falloffs de curta duração usando uma equação de fluxo
transiente apropriada. Chapman et al. (1996) e Barree et al.
(1996) propõem testes de pré-frac ou injeção de
matriz/falloff que envolvem a injeção de fluido de
completação abaixo das taxas de fratura por um período de
tempo determinado, e então a análise do declínio de
pressão usando um gráfico de Horner.
O teste é executado usando equipamento de
bombeio convencional e requer pouco tempo de
interrupção da operação normal. Um teste pode
normalmente ser completado em uma hora e pode-se
mesmo fazer uso de dados de ciclos não-planejados de
injeção/fechamento.
A permeabilidade resultante certamente se
relaciona com a filtração de fluido conforme descrito no
capítulo 5 e permite ao engenheiro a antecipação das
necessidades de fluido. Um valor de skin inicial é útil na
calibração do tratamento HPF e para comparação com a
análise do transiente de pressão posterior.
Medição de Pressão de Fundo
A discussão de testes de diagnóstico pré-
tratamento requer a discussão da fonte das pressões usadas
na análise. Está implícito, nesta discussão, que as únicas
pressões representativas, neste caso, são aquelas
adjacentes à face da fratura, medidas diretamente ou
transladadas para aquele ponto. Há, no mínimo, quatro
diferentes tipos de pressão de fundo, a depender o local em
que o dado é tomado:
• Pressão calculada de fundo – pressão de fundo
calculada a partir de dados obtidos na superfície,
durante o bombeio.
• Pressão de coluna morta – pressão de fundo calculada
a partir de dados obtidos na superfície pelo anular,
somando-se a hidrostática. Pode também ser obtida no
tubing, quando o tratamento é bombeado pelo anular.
• Registrador na coluna – medida no fundo, porém
acima do crossover da ferramenta de serviço.
• Registrador de fundo – medida no fundo, abaixo do
crossover da ferramenta de serviço.
O dado obtido por registrador de fundo é o mais
adequado para um projeto HPF e sua análise, devido à sua
precisão e independência em relação a todas as perdas de
carga significativas do sistema. O registrador de coluna,
terceiro tipo, pode introduzir sérios erros devido à fricção
que ocorre na ferramenta de serviço. A pressão de coluna
morta é largamente usada e considerada aceitável pela
maioria dos operadores; alguns consideram que, quando
comparada à obtida em conjunto com registradores de
fundo, podem mascarar alguns efeitos importantes que
ocorrem durante o tratamento. O uso de trandutores de
subsuperfície com leitura em tempo real na superfície é
sugerido no caso da coluna morta ser impraticável, ou
quando as condições de poço (transientes) possam
prejudicar importantes informações.
A confiabilidade da pressão de fundo calculada a
partir de dados de bombeio na superfície é considerada
baixa para um HPF. A combinação de carreadores de alta
concentração, constantes mudanças na concentração de
propante, vazões de bombeio muito altas e curtos períodos
de bombeio tornam a
estimativa de perda de carga praticamente impossível.
56
Exemplos de Projeto de
Fraturamento e Considerações
Adicionais
O capítulo anterior introduziu um procedimento
de projeto que pode parecer muito simplista para um
engenheiro de fraturamento. A princípio – considerando os
vários aspectos descritos nas referências ou a quantidade
de fenômenos que os simuladores comerciais se propõem
resolver – isso pode parecer correto.
Este capítulo mostra como o conceito de Projeto
Unificado de Fraturamento torna possível manejar muitos
tópicos importantes de uma maneira relativamente
simples. O crescimento da altura da fratura, por exemplo,
afeta diretamente a eficiência volumétrica do propante (ou
seja, seu número de propante). A incrustação do propante
(embedment) nas paredes da fratura criada pode também
ser tratada como uma redução aparente no número de
propante. Efeitos de extremidade (tip effects) e o fluxo
não-Darcyano são os principais aspectos que serão
abordados.
Altura da Fratura
A propagação vertical da fratura está sujeita às
mesmas leis mecânicas que atuam na propagação lateral.
Contudo, se a tensão horizontal mínima variar
significativamente com a profundidade, como geralmente
ocorre, esta variação pode constranger o crescimento
vertical. O conceito de altura de equilíbrio elaborado por
Simonson et al. (1978) fornece um simples, mas razoável,
método para calcular a altura da fratura quando ocorre um
contrate de tensão relevante entre a zona a ser tratada e os
estratos superior e inferior. Se a tensão horizontal mínima
é consideravelmente maior (várias centenas de psi) nos
estratos superior e inferior, considere-se que, a princípio, o
fator intensidade de tensão crítico deve ser ultrapassado
nestas zonas adjacentes para que a fratura se propague
verticalmente.
A figura 8-1 ilustra um sistema de reservatório
com três camadas. A camada intermediária (permeável)
tem, geralmente a menor tensão principal mínima (σ1). As
duas camadas adjacentes têm tensões mínimas maiores.
Conforme a pressão no ponto de referência (centro dos
canhoneios) cresce, as penetrações de equilíbrio nas
camadassuperior (Δhu) e inferior (Δhd) aumentam. A
necessidade de equilíbrio impõe duas restrições (uma no
topo e outra na base), resultando num sistema de duas
equações que pode ser resolvido simultaneamente para as
respectivas profundidades adimensionais de penetração.
∫
∫
−
−
+
−
−
=
−
+
−
=
1
1
,
1
1
,
1
1)(
)(
1
1)(
)(
dy
y
yyp
yy
h
K
dy
y
yyp
yy
h
K
n
du
p
baseI
n
du
p
topoI
π
π
onde hp é a espessura permeável e as duas incógnitas são
as profundidades adimensionais de penetração yu e yd, com
valores entre –1 e +1 conforme fig.8-1.
FIGURA 8.1. Notação para cálculo de altura de
fratura.
Nestas equações, a pressão net é dada como uma
função da posição vertical adimensional, y, por
⎪
⎪
⎩
⎪⎪
⎨
⎧
−
−=
Δ−Δ
+=
−+=
∞
∞
du
p
ud
cp
n
yy
h
gk
hh
gpk
yykkyp
2
2
)()(
1
1
ρ
ρ
σ
onde pcp é a pressão no centro dos canhoneados, ρ é o peso
específico do fluido, g é a aceleração da gravidade, e σ(y)
é a mínima tensão na posição vertical y.
O par de soluções deste sistema pode ser usado
para se obter as penetrações superior e inferior de acordo
com
dup
d
d
dup
u
u
hhh
h
y
hhh
h
y
Δ+Δ+
Δ
+−=
Δ+Δ+
Δ
−=
2
1
2
1
Se o componente hidrostático da pressão for
desconsiderado, a solução é única até uma certa pressão
chamada de “pressão de descontrole” (run away pressure).
Acima da pressão de descontrole não há estado de
equilíbrio. Isso não significa que ocorre um crescimento
descontrolado de altura, mas que não há razão para
acreditar que o crescimento vertical será diferente do
lateral. Como conseqüência, pode-se assumir que a fratura
se propaga radialmente, tendo um formato circular. Se o
componente hidrostático da pressão (devido a ρ) for
considerado, surge um interessante fenômeno. Assim que a
pressão nos canhoneios atinge um valor crítico, aparece
um outro par de soluções.
57
Mapeamento da altura da fratura
Com o conjunto de dados da tabela 8-1 para três
camadas adjacentes, as equações de altura de fratura
podem ser usadas para gerar o mapa de altura de fratura
mostrado na fig.8-2. O fluido de fraturamento considerado
é base-água.
TABELA 8-1. Dados para o mapeamento da altura da
fratura.
hp 15,24 m 50 ft
σ1 20,68 MPa 3.000 psi
σ2 24,13 MPa 3.500 psi
σ3 27,58 MPa 4.000 psi
KIC,2 1,01 MPa.m1/2 1.000 psi.pol1/2
KIC,3 1,01 MPa.m1/2 1.000 psi.pol1/2
ρ 1.000 kg/m3 62,4 lb/ft3
FIGURA 8-2. Mapa da altura da fratura
Conforme a pressão de tratamento ultrapassa
20,68 MPa (3000 psi) uma fratura é aberta. A fratura
penetrará ambos os estratos superior e inferior, mas a
penetração no superior é maior porque há lá menos
contraste de tensão para conter o crescimento da fratura.
Se o componente hidrostático de pressão é levado
em conta (desenvolvimento teórico não mostrado), há uma
certa pressão de tratamento de fundo na qual a solução
inicial deixa de ser única e um segundo par de soluções
aparece. No exemplo, este segundo par aparece quando a
pressão de fundo ultrapassa 25,3 MPa (3.675 psi)
conforme mostrado pelas linhas pontilhadas na fig.8-2. A
aparência do segundo par de soluções indica uma
instabilidade. Para uma contenção segura da fratura criada,
a pressão de tratamento de fundo deve ser mantida abaixo
de 25,3 MPa.
Enquanto a pressão net se mantém numa faixa
segura, a altura da fratura criada pode ser lida neste mapa.
Caso a pressão net antecipada fuja dessa região segura, ou
no casos de não haver contraste de tensão, é mais seguro
assumir a extensão radial da fratura (ou seja, uma fratura
circular ou “penny-shaped”).
Determinação Prática da Altura da
Fratura
O conceito de altura de equilíbrio pode ser
aplicado de maneira aproximada para determinar uma
altura fixa de fratura a partir da pressão net calculada
(Rahim e Holditch, 1993). Como qualquer cálculo
necessita, a priori, de uma estimativa da altura da fratura,
isso pode ser conseguido por iterações sucessivas. Nos
modelos de propagação de fratura denominados pseudo-
3D (Palmer e Caroll, 1983; Settari e Cleary, 1986; Morales
e Abou-Sayed, 1989), o conceito de equilíbrio é aplicado a
cada time step e a cada posição lateral.
Em conjunção com o procedimento de projeto
unificado de fraturamento, é conveniente fazer uma
avaliação preliminar do crescimento da altura da fratura.
Caso se antecipe um considerável contraste de tensões,
sugere-se que se prepare um mapa de altura, a ser usado
iterativamente para a especificação desta, usando a pressão
net como uma variável de correção no processo iterativo.
Contudo, se não há evidência de um contraste
marcante de tensões, sugere-se que se assuma uma razão
de aspecto (aspect ratio) de 1:1 (hf = 2xf) ou de 2:1 (hf =
xf). Na prática, isso significa que a altura da fratura deve
ser modificada até que a razão desejada seja satisfeita.
A principal variável responsável pelo contraste de
tensões é o módulo de Poisson. A equação de Eaton pode
ser usada para estimar o contraste de tensão a partir do
módulo de Poisson. Existem correlações mais elaboradas
para algumas regiões geográficas.
Efeitos de Extremidade (Tip
Effects)
Os primeiros modelos 2D pressupunham a
anulação da pressão net na extremidade da fratura. Esta
hipótese implica que a energia dissipada durante a criação
de uma nova superfície de fratura pode ser desconsiderada.
Freqüentes discrepâncias entre os resultados de campo e as
previsões teóricas baseadas na mecânica de fratura elástica
linear (LEFM) sugerem que a hipótese de pressão net nula
não pode ser generalizada. Vários operadores citam a
evidência de pressões de fraturamento “anormalmente
altas” (Medlin e Fitch, 1988; Palmer e Veatch, 1990), ou
seja, pressões net medidas em campo muito maiores que as
previstas em seus simuladores. Pressões net insensíveis a
variações de vazão e de viscosidade do fluido são outro
indicativo de comportamento não-LEFM.
A maioria dos casos estudados indica que a
propagação das fraturas é retardada por efeitos de
extremidade. Isso implica elevadas pressões próximas à
extremidade da fratura (indicando uma intensa dissipação
de energia) e uma distribuição mais uniforme do perfil de
pressões no corpo da fratura. Foram feitas várias tentativas
de incorporação deste fenômeno nos modelos de
propagação de fraturas. Uma abordagem razoável consiste
em introduzir uma resistência (tenacidade) aparente da
fratura que aumenta com o crescimento desta
(Shlyapobersky, 1987). Outros modeladores introduzem
uma relação controlada pela velocidade de propagação da
fratura, uf, derivada de várias considerações como uma
região de estagnação de fluido perto da extremidade da
fratura, deformação não-linear da rocha e dilatância da
58
extremidade da fratura; ou ainda uma complicada zona de
processo dependente em taxa e escala (distribuição
estatística de micro-fissuras).
O modelo CDM (Mecânica de Dano do Contínuo)
considera a propagação da fratura como uma evolução do
dano no material. Conforme a extremidade da fratura se
aproxima de um ponto na formação, o estado de tensões
muda neste ponto (a fratura atua como um concentrador de
tensões). O aumento de carga causa a evolução do dano
local. Quando este dano atinge um valor crítico, o ponto é
incorporado à fratura. Esta reação da formação ao estado
de tensão é descrita por um parâmetro combinado, Cl2, que
compreende um parâmetro de dano (o parâmetro
Kachanov), C, e um parâmetro de escala, l.
Pode-se fornular uma condição de contorno
baseada no parâmetro combinado CDM para substituir a
condição de pressão net nula na extremidade num modelo
2D simples (como o PKN), resultando na seguinte equação
para a velocidade de propagação da extremidade.
2
221
min,
2
fxx
f
f
H
f w
xl
xlCu =⎟⎟
⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎜
⎝
⎛
+
=
πσ
Quando a versão adimensional do parâmetro
CDM, CDlD
2, está próximo da unidade, a evolução da
fratura é normal. Quando este parâmetro é da ordem de
0,01 ou menor, a velocidade de propagaçãoé menor que a
calculada pelo modelo 2D simples. O efeito global de um
parâmetro adimensional CDM pequeno é o aumento da
pressão net (e o correspondente aumento da abertura da
fratura)
Como o parâmetro CDM pode variar de várias
ordens de magnitude quando se compara as observações
de campo às estimativas de laboratório, ele pode ser mais
convenientemente derivado usando-se a pressão de
propagação de fratura observada num minifrac. O
parâmetro CDM pode ser ajustado ao modelo de projeto
2D apropriado de forma que a pressão net prevista
reproduza a observada durante o minifrac. Esse ajuste é
incorporado automaticamente ao projeto unificado de
fraturamento (esta observação se refere à opção PKN-
CDM incluída na planilha Excel para avaliação de
minifrac e a respectiva opção de projeto na planilha
HF2D). O parâmetro CDM resultante é então usado no
procedimento de projeto.
Considerações teóricas adicionais, resultados
computacionais e exemplos de projeto CDM-PKN estão
em Hydraulic Fracture Mechanics.
Fluxo não-Darcyano na Fratura
Para poços de gás de alta vazão, onde um certo
percentual de conteúdo liquido no gás é inevitável, o
conceito de permeabilidade do pacote de propante merece
especial atenção. Quando uma mistura gás-líquido flue em
uma fratura sustentada em alta velocidade, as gotículas de
líquido colidem com os grãos de propante resultando numa
significativa dissipação de energia (perda de carga).
Assim, a magnitude da queda de pressão na fratura é maior
que a prevista baseada no contraste nominal de
permeabilidade entre a fratura e a formação. A fratura
apresenta uma permeabilidade aparente distante daquela
medida sob condições de fluxo de fase única. Há uma
extensa lista de referências descrevendo este efeito de
fluxo não-darcyano na fratura (Jin e Penny, 2000; M.
Cikes, 2000; Milton-Tayler, 1993; Gidley, 1990; Guppy et
al., 1982), assim como o tratamento dado ao tema no
capítulo 5.
Para o propósito atual, é o bastante compreender
que em condições reais de fluxo o pacote de propante pode
ser descrito por uma permeabilidade aparente ou, em
outros termos, a permeabilidade normal multiplicada por
um fator de correção. Dependendo da velocidade do gás,
conteúdo líquido, distribuição do tamanho das gotículas e
qualidade do propante, o fator de correção pode ser tão
baixo quanto 0,1.
O tratamento do fluxo não-darcyano dentro do
projeto unificado de fraturamento é relativamente simples.
Usando um fator de correção estimado, a permeabilidade
aparente do propante se reduziria, por exemplo, de 60.000
para 10.000 mD. Certamente, isto reduz o número de
propante e o correspondente índice de produtividade
máximo calculado pela planilha de projeto de
fraturamento. A partir deste IP reduzido, pode ser
calculada uma velocidade de gás antecipada (um
drawdown deve ser assumido, e as propriedades da mistura
gás-líquido devem ser conhecidas). A estimativa da
velocidade do gás, por sua vez, pode ser usada para
melhorar a estimativa inicial do fator de correção não-
darcyano. Esse processo pode ser feito iterativamente até
se obter um número de propante adequado ao projeto.
O uso de um número de propante corrigido está
ilustrado no exemplo MPF03 ainda neste capítulo.
Compensação do Skin de Face de
Fratura
Em um certo reservatório, assume-se que o
filtrado do fluido de fraturamento interagirá com a
formação, criando um skin de face de fratura sff = 1. Qual
o efeito desse fenômeno na produtividade do poço, e como
ele pode ser compensado? Assumir que o número de
propante para o tratamento sugerido é Nprop = 0,1.
Do capítulo 3, o máximo índice de produtividade
adimensional para esta faixa de Nprop pode ser escrito
como
47,0
ln5,099,0
1
max =
−
=
prop
D N
J
Se há um skin de face de fratura, sff = 1, e
assume-se o caso simplificado de influxo uniforme, então
a produtividade real será
32,0
1ln5,099,0
1
max =
+−
=
prop
D N
J
O skin de face de fratura causa uma considerável
diminuição na produtividade. Da equação verifica-se que
aproximadamente e2 = 7,4 vezes mais propante seria
necessário para compensar a perda de produtividade para
um skin de face de fratura de 1.
Exemplos Práticos de Projetos de
Fraturamento
59
No restante deste capítulo, o projeto lógico
incorporado ao projeto unificado de fraturamento será
ilustrado. Serão intencionalmente considerados casos onde
somente dados limitados estão disponíveis
Um Projeto Preliminar Típico:
Formação de Permeabilidade Média -
MPF01
A tabela 8-2 mostra os dados disponíveis para
uma formação de permeabilidade “média” (permeabilidade
de 1,7 mD e espessura permeável de 76 ft). Estão entre os
dados de entrada os raios do poço e de drenagem
(calculado para 40 acres de espaçamento). Estes
importantes parâmetros de reservatório não devem ser
desconsiderados.
Uma decisão preliminar de dimensionamento é
que devem ser injetados 90,000 lb de propante. Na tensão
de fechamento antecipada (5000 psi) a areia resinada
20/40 mesh, selecionada, apresenta uma permeabilidade
in-situ de 60.000 mD. Neste número já foram incorporados
o efeito de esmagamento do propante e a diminuição de
permeabilidade do pacote de propante devido à quebra
imperfeita do gel. Obviamente, este é um dos parâmetros-
chave do projeto, e o engenheiro de projeto tem que usar
os recursos em seu poder para tornar esta estimativa tão
relevante quanto possível. (Comprar um programa 3D caro
com dados de propante incorporados e clicar o nome do
propante não é obviamente o bastante).
O módulo plano de elasticidade (que é
basicamente o módulo de Young) é de 2 x 106 psi.
Minifracs na mesma formação com o mesmo fluido
normalmente resultam em um coeficiente de filtração de
0,005 ft/min1/2 e alguma perda por Spurt também é
antecipada. (Note-se que estes valores se referem à zona
permeável. Assume-se que fora da zona não há filtração.)
Os parâmetros reológicos do fluido são fornecidos pela
companhia de serviço e (neste caso, por causa de
limitações de pressão) a vazão de injeção é 20 bpm.
TABELA 8-2 - Dados de entrada para MPF01
Massa de propante (duas asas), lb 90.000
S.G. do propante (água=1) 2,65
Porosidade do pacote de propante 0,38
Permeabilidade do pacote de propante, mD 60.000
Max. diâmetro de propante, Dpmax, in 0,031
Permeabilidade de formação, mD 1,7
Espessura permeável (leakoff), ft 76
Raio do poço, ft 0,25
Raio de drenagem, ft 745
Fator de skin pré-tratamento 0.0
Altura da fratura, ft
Módulo plano de elasticidade, E' (psi) 2,0E+06
Vazão de injeção (duas asas, liq+prop), bpm 20,0
Reologia, K' (lbf/ft2).sn' 0,07
Reologia, n' 0,45
Coeficiente de filtração (permeável), ft/min1/2 0,005
Coeficiente de perda instantânea, Sp, gal/ft2 0,010
Os dados de entrada estão resumidos na tabela 8-
2. O dado de altura de fratura ainda permanece vazio.
Sabe-se que a espessura total é 100 ft, que é a distância
entre o topo e a base dos canhoneados. Dentro deste
intervalo, entretanto, só 76 ft são permeáveis. Uma
estimativa preliminar de altura de fratura deve ser, no
mínimo, de 100 ft, mas a altura real será relacionada a
vários outros fatores.
Uma suposição razoável, na ausência de qualquer
dado fidedigno de contraste de tensão, é que a relação
entre as dimensões da fratura criada seja de 2:1. Em outras
palavras, a altura de fratura, hf, será encontrada ajustando-a
para o comprimento projetado, de acordo com hf = xf.
Neste ponto, alimenta-se a planilha eletrônica de
projeto com esta estimativa (hf =100 ft) e especificam-se
os parâmetros (restrições) operacionais da tabela 8-3:
TABELA 8-3. Dados Adicionais para o MPF01
Max concentração possível de propante
adicionada, lb/gal fluido limpo
12
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 1
Multiplicar colchão de Nolte pelo fator 1
A máxima concentração de propante disponível
em ppga (lb de propante adicionada a 1 galão de fluido de
fraturamento limpo) é12, de acordo com a companhia de
serviço. Os outros dois parâmetros preservam seus valores
default.
A saída da primeira corrida da planilha de projeto
contém três partes. Na primeira parte é mostrada uma lista
ideal.
TABELA 8-4 - Ótimo Teórico para MPF01 (hf = 211 ft)
Saída
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop
IP adimensional, JDopt 0,3552
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 0,65
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 1,8
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 294,2
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf 0,2
Folds of increase (FOI) do IP -5,72
O número de propante calculado é 0,35 e, com o
propante distribuído otimamente, pode-se alcançar um
índice de produtividade adimensional de 0,65, o que
corresponde a um fator de skin tão negativo quanto –5,72.
O FOI em produtividade (com respeito à situação de skin
zero conforme dado de entrada) é de 4,74.
Uma mensagem de advertência vermelha, porém,
indica que esta lista não pode ser realizada:
Distribuição sub-ótima com restrições satisfeitas
Massa de propante reduzida
A distribuição real fornecida pelo programa
projetado é um pouco desapontadora, conforme mostrado
na tabela 8-5:
TABELA 8-5 - Distribuição Real para o MPF01-1
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 58.501
Número de propante, Nprop 0,2309
IP adimensional, JDact 0,57
Cond fratura adimensional, CfD 1,2
Semi-comprimento, xf, ft 294,2
Abertura sustentada, w, inch 0,12
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,50
60
Folds of increase (FOI) do IP 4,15
Em outras palavras, o programa de projeto pode
assegurar somente a distribuição de 58.500 lb de propante.
A razão disto será discutida posteriormente. Neste
momento não se deve prestar muita atenção nisto, porque a
altura de fratura especificada (100 ft) não está realista.
Para aproximar a relação de aspecto (dimensões)
à projetada, hf = xf, aumenta-se a altura de fratura para, p.
ex., 200 ft. O comprimento ótimo teórico calculado agora
é de hf = 216 ft. Um terceiro ajuste para hf =211 ft
estabelece, finalmente, a relação de aspecto desejada.
TABELA 8-6 - Ótimo Teórico para o MPF01-3 (hf = 211
ft)
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,1684
IP adimensional, JDopt 0,53
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,6
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 211,1
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,1
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,37
Folds of increase (FOI) do IP 3,85
Nota-se que o número de propante é
significativamente menor que o anterior: 0,168. Por que
isto aconteceu? Porque o aumento em altura de fratura
diminui a eficiência volumétrica do propante, que é a parte
do propante "que trabalha para nós". O comprimento
ótimo que corresponde a este número de propante é 211 ft,
e isso significa que a fratura - caso possa ser realizada -
terá a relação de aspecto desejada 2:1. Mas isso pode ser
executado?
A mensagem vermelha:
Restrições permitem distribuição ótima
mostra que sim, que a distribuição ótima pode ser
realizada.
TABELA 8-7 - Distribuição MPF01 Real (hf = 211 ft)
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,1684
IP adimensional, JDact 0,53
Cond fratura adimensional, CfD 1,6
Semi-comprimento, xf, ft 211,1
Abertura sustentada, w, inch 0,12
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,37
Folds of increase (FOI) do IP 3,85
Portanto, 90.000 lb de propante podem ser
bombeados no poço com segurança. Entretanto, nem todo
o propante será distribuído na zona produtora.
A fração de propante que atinge a zona resulta
num número de propante Nprop = 0,168, e o semi-
comprimento ótimo que corresponde a isto é 211 pés. O
tratamento estabelecerá um índice de produtividade
adimensional, JDact = 0,53; em outras palavras, um skin
equivalente negativo, sf = -5,37, será criado.
Note-se que toda a lógica de projeto está baseada
no conceito de número de propante. Não se especificou um
comprimento arbitrário; o processo de projeto o obteve
otimizado, de forma que a quantidade desejada de
propante seja distribuída uniformemente.
Alguns detalhes do tratamento são mostrados na
tabela 8-8.
TABELA 8-8. Alguns Detalhes da Distribuição Real
MPF01 (hf = 211 ft)
Detalhes de tratamento
Eficiência, η, % 34,5
Tempo de bombeio, te, min 40,4
Tempo de bombeio do colchão, tp, min 19,7
Expoente da concentração de propante
adicionada, eps
0,4871
Concentração final uniforme de propante no frac,
lb/ft3
57,5
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,0
Concentração max adicionda de propante, lb/gal
fluido limpo
11,8
Pressão líquida no final do bombeio, psi 132,5
Mais detalhes podem ser encontrados executando-
se a planilha eletrônica.
Forçando o Limite: Formação de
Permeabilidade Média - MPF02
Para propósitos ilustrativos, o MPF01 será
considerado como caso básico. Nesta seção a questão é a
seguinte: pode-se colocar 150.000 lb de propante de
maneira similar? Se positivo, qual o reflexo disso na
produtividade do poço?
Devido às semelhanças com o caso anterior,
somente serão mostrados os resultados principais.
TABELA 8-9. Entrada para MPF02-3 (hf = 248 ft)
Massa de propante (duas asas)), lb 150.000
…
Altura da fratura, ft 248
…
TABELA 8-10 - Ótimo teórico para MPF02 (hf = 248 ft)
Saída
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,2387
IP adimensional, JDopt 0,58
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,7
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 248,0
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,1
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,54
Folds of increase (FOI) do IP 4,23
A primeira coisa que se deve notar é que o
aumento da massa de propante e o aumento
correspondente do número de propante resultam, se tudo
correr bem, somente numa melhoria marginal de
produtividade. Isto induz a pensar se algo está "forçando o
limite". A seguinte mensagem é apresentada:
Distribuição sub-ótima com restrições satisfeitas
Massa de propante reduzida
e a próxima saída, dada na tabela 8-11:
61
TABELA 8-11 - Distribuição Real MPF02 (hf = 248 ft)
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 136.965
Número de propante, Nprop 0,2180
IP adimensional, JDact 0,57
Cond fratura adimensional, CfD 1,5
Semi-comprimento, xf, ft 248,0
Abertura sustentada, w, inch 0,13
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,49
Folds of increase (FOI) do IP 4,12
Detalhes de tratamento
Eficiência, η, % 36,1
Tempo de bombeio, te, min 58,0
Tempo de bombeio do colchão, tp, min 27,2
Expoente da concentração de propante
adicionada, eps
0,4694
Concentração final uniforme de propante no frac,
lb/ft3
58,2
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,1
Concentração max adicionda de propante, lb/gal
fluido limpo
12,0
Pressão líquida no final do bombeio, psi 122,9
Como se pode notar, o programa de projeto teve
que reduzir a quantidade de propante colocada na
formação. Com esta redução o FOI real resultou muito
maior que o que obtivemos com 90.000 lb de propante e é
óbvio que “forçar o limite” neste caso não compensa o
esforço e o dinheiro.
Mas é realmente óbvio? Algumas companhias de
serviço poderiam sugerir um equipamento melhor capaz de
trabalhar com concentrações de propante tão altas quanto
16 ppga.
Desta forma, mudando esta restrição operacional
e rodando de novo,
Max possível concentração de propante adicionada,
lb/gal fluido limpo
16
A mensagem, agora, é encorajadora:
Restrições permitem distribuição ótima
TABELA 8-12 - Distribuição Real para MPF02 (hf = 248
ft, conc max possível: 16 ppga)
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 150.000
Número de propante, Nprop 0,2387
IP adimensional, JDact 0,58
Cond fratura adimensional, CfD 1,7
Semi-comprimento, xf, ft 248,0
Abertura sustentada, w, inch 0,14
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,54
Folds of increase(FOI) do IP 4,23
Detalhes de tratamento
Eficiência, η, % 64,10
Tempo de bombeio, te, min 32,7
Tempo de bombeio do colchão, tp, min 7,2
Expoente da concentração de propante 0,2191
adicionada, eps
Concentração final uniforme de propante no frac,
lb/ft3
63,7
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,2
Concentração max adicionda de propante, lb/gal
fluido limpo
13,9
Pressão líquida no final do bombeio, psi 122,9
O truque, neste caso, foi o aumento da
concentração máxima possível de propante. É agora
possível distribuir a quantidade disponível de propante
(porque concentrações maiores resultam em mais propante
na mesma abertura). De fato, nem é necessário utilizar
toda a capacidade do equipamento, pois uma concentração
máxima de propante de14 ppga seria suficiente.
Está claro, também, que o projeto real executa
agora a lista ideal originalmente declarada na tabela 8-10.
A questão - se vale a pena executar um tratamento maior
ou não - está, porém, ainda aberta. Somente cuidadosos
cálculos econômicos podem confirmar a vantagem de um
tratamento maior, que será aproximadamente 50% mais
caro, mas que obterá um skin pós-tratamento de –5,54 em
vez dos –5,50 calculados para o caso básico, MPF01.
Considerando que a diferença está claramente na “margem
de erro”, é difícil acreditar que um gerente decida pelo
tratamento mais caro (e mais arriscado).
Incrustação (Embedment) de
Propante - MPF03
Sabe-se que em formações mais moles pode-se
“perder” uma parte considerável do propante bombeado
por incrustação na parede da fratura. Algumas estimativas
falam de aproximadamente 30% de perda de abertura
devido ao embedment (Lacy, 1994)
Assumindo que o laboratório de mecânica das
rochas mediu um embedment de 33.3% para esta formação
e tensão de fechamento, como incorporar isto ao projeto?
O modo mais fácil é dizer que a permeabilidade
do pacote de propante (60.000 mD) será reduzida
aparentemente para 40.000 mD. Mudando-se este dado de
entrada no caso-base MPF01
Permeabilidade do pacote de propante, mD 40.000
TABELA 8-13 - Ótimo Teórico para MPF03 (hf = 185 ft)
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,1280
IP adimensional, JDopt 0,50
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,6
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 185,2
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,2
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,23
Folds of increase (FOI) do IP 3,60
Agora, o máximo índice de produtividade
adimensional possível é menor, só 0,50, mas nem mesmo
isto pode ser executado, conforme indica a mensagem de
advertência:
Distribuição sub-ótima com restrições satisfeitas
Massa de propante reduzida
62
TABELA 8-14 – Real para MPF03 (hf = 185 ft)
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 65.285
Número de propante, Nprop 0,0929
IP adimensional, JDact 0,46
Cond fratura adimensional, CfD 1,2
Semi-comprimento, xf, ft 185,2
Abertura sustentada, w, inch 0,11
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,06
Folds of increase (FOI) do IP 3,31
De fato podem ser colocados somente 65.300 lb
de propante porque a abertura à 185 ft é menor que a
observada à 211 ft e porque precisamos de mais abertura
para compensar a perda de condutividade (devido ao
embedment).
Para tornar o projeto possível, parte-se do ótimo
multiplicando o comprimento teórico ótimo por um fator.
Neste caso, seleciona-se o fator para alcançar 250 ft de
extensão, mudando também a altura para 250 ft
(lembrando que se partiu de uma razão de aspecto 2:1
como a mais provável) e então tem-se que achar um fator
que resulte no semi-comprimento de 250 pés. Este valor é
1,58:
TABELA 8-15 - Altura e Restrição para MPF03
Altura da fratura, ft 250
...
Max concentração possível de propante
adicionado, lb/gal fluido limpo
12
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 1,58
Multiplicar colchão de Nolte pelo fator 1
TABELA 8-16. Primeira Parte da Saída para MPF03-4
Saída
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,0947
IP adimensional, JDopt 0,46
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,6
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 158,9
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,1
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,08
Folds of increase (FOI) do IP 3,34
A mensagem mostrada comprova a possibilidade
de execução:
Distribuição sub-ótima com restrições satisfeitas
Comprimento modificado
TABELA 8-17 – Saída Adicional para MPF03
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,0947
IP adimensional, JDact 0,44
Cond fratura adimensional, CfD 0,7
Semi-comprimento, xf, ft 251,0
Abertura sustentada, w, inch 0,08
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -4,98
Folds of increase (FOI) do IP 3,19
Agora pode-se colocar todas as 90,000 lb de
propante, porém, partindo-se da distribuição ótima teórica.
Entretanto, o “sucesso” é questionável, porque mesmo
com todas as 90,000 lb de propante colocadas foi criado
somente um skin equivalente de -4.98, enquanto que o
tratamento de 65,300 lb, colocado de acordo com MPF03,
criou um skin melhor: -5.06.
Agora deve ter ficado claro por que esta
abordagem é chamada de “Projeto Unificado de Fratura”.
O uso sistemático do número de propante e do critério de
otimização torna as decisões mais transparentes.
Projeto de Fratura para Formação de
Alta Permeabilidade - HPF01
Em formações de alta permeabilidade o critério
de otimização resultará em uma fratura de pequena
extensão e grande abertura (“curta e grossa”). Como base
para comparação, será usado o conjunto de dados anterior
com exceção das seguintes variáveis: permeabilidade,
módulo plano de elasticidade, perda por Spurt e
coeficiente de filtração.
TABELA 8-18 - Dados de Entrada Para MPF01
Massa de propante (duas asas), lb 90.000
S.G. do propante (água=1) 2,65
Porosidade do pacote de propante 0,38
Permeabilidade do pacote de propante, mD 60.000
Max. diâmetro de propante, Dpmax, in 0,031
Permeabilidade de formação, mD 50
Espessura permeável (leakoff), ft 76
Raio do poço, ft 0,25
Raio de drenagem, ft 745
Fator de skin pré-tratamento 0.0
Altura da fratura, ft
Módulo plano de elasticidade, E' (psi) 7,5E+06
Vazão de injeção (duas asas, liq+prop), bpm 20,0
Reologia, K' (lbf/ft2).sn' 0,07
Reologia, n' 0,45
Coeficiente de filtração (permeável), ft/min1/2 0,01
Coeficiente de perda instantânea, Sp, gal/ft2 0,02
O dado de altura de fratura ainda permanece
vazio. Sabemos que a espessura total é 100 ft, que é a
distância entre o topo e a base dos canhoneios. Uma
hipótese razoável para fraturamentos de formações de alta
permeabilidade - na ausência de quaisquer dados
confiáveis de contraste de tensão – é que não ocorrerá um
crescimento de altura significativo enquanto o
comprimento projetado for menor que a metade da altura.
Neste ponto iniciamos com uma estimativa de hf =100 ft
em nossa planilha de projeto e especificamos os seguintes
parâmetros operacionais (restrições):
TABELA 8-19. Dados Adicionais para HPF01
Max concentração possível de propante
adicionada, lb/gal fluido limpo
16
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 1
Multiplicar colchão de Nolte pelo fator 1
TABELA 8-20. Ótimo Teórico para HPF01-1
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,0121
IP adimensional, JDopt 0,31
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,6
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 56,7
63
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,9
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -4,05
Folds of increase (FOI) do IP 2,27
Nesta primeira tentativa de projeto, o número de
propante é Nprop = 0,012. Esta é uma situação típica para
formações de alta permeabilidade: nem mesmo uma
quantidade considerável de propante e boa contenção de
altura de fratura resultarão em números de propante
elevados. A mensagem alerta:
Distribuição sub-ótima com restrições satisfeitas
Massa de propante reduzida
TABELA 8-21- Distribuição real s/projeto TSO: HPF01
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 10.702
Número de propante, Nprop 0,0014
IP adimensional, JDact 0,21
Cond fratura adimensional, CfD 0,2
Semi-comprimento, xf, ft 56,7
Abertura sustentada, w, inch 0,11
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -2,50
Folds of increase (FOI) do IP 1,53
De fato, somente 10,700 lb de propante podem ser
colocados na formação, se o comprimento projetado for
56,7 pés Tal tratamento teria um número de propante
muito baixo e um skin equivalente de –2,5, o que
normalmente não é satisfatório, especialmente porque
outros fatores podem reduzir ainda mais o efeito de
estimulação.
O problema é que a abertura da fratura (embora
esta seja uma formação relativamente “mole”) criada
durante propagação de fratura normal não é suficiente para
aceitar mais propante. (Note-se que a máxima
concentração possível de propante já foi aumentada para
16 ppga, mas isso ainda não é bastante.)
A solução para o problema é projetar um
tratamento TSO. Sabendo que a formação é “mole” e
relativamente inconsolidada, força-se a propagação da
fratura intencionalmente para o comprimento projetado
(56,7 ft), inflando a fratura a partir desse ponto.
Para o projeto TSO usa-se exatamente a mesma
entrada com um único parâmetro adicional:
Critério TSO wseco/wmolhado 0,7
Este parâmetro antecipa que a fratura deixará de
se propagar se – devido à perda de fluido, ou, em outras
palavras, à desidratação - a abertura seca já se encontrar
suficientemente próxima da abertura molhada. A abertura
seca é definida como a abertura da fratura após a filtração
de todo o fluido, enquanto a abertura molhada é aquela que
ocorre durante o tratamento, quando parte do fluido ainda
não foi filtrada. Foi usado o valor crítico de 0,7, mas,
dependendo da forma de fratura e tipo de propante, este
valor pode variar.
TABELA 8-22 - Distribuição real com projeto TSO:
HPF01-TSO
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,0121
IP adimensional, JDact 0,3127
Cond fratura adimensional, CfD 1,64
Semi-comprimento, xf, ft 56,7
Abertura sustentada, w, inch 0,9282
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -4,05
Folds of increase (FOI) do IP 2,27
Dos resultados vemos que com TSO pode-se
colocar todo o propante na fratura de 57 ft. Isto se
consegue (internamente) pelo ajuste da programação de
propante para alcançar a concentração crítica na fratura
quando a extensão lateral alcançar a extensão projetada.
TABELA 8-23 - Distribuição real com projeto TSO:
HPF01-TSO
Detalhes de tratamento
Tempo de bombeio do colchão, min 0,41
Tempo de TSO, min 7,9
Tempo total de bombeio, min 24,8
Massa de propante no frac no TSO, lb 11.065
Concentração adicionada de propante no TSO,
ca, lb/gal liq
2,0
Semi-comprimento no TSO, xf, ft 56,7
Abertura media no TSO, pol 1,2
Pressão net no TSO, psi 81,1
Max concentração de propante adicionada no
final, lb/gal-liq
16,0
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,3
Pressão net no final do bombeio, psi 482
De fato, 11.000 lb de propante são colocados na
fratura em menos de 8 minutos. Depois que o
comprimento projetado da fratura foi atingido, só a
abertura aumentou.
FIGURA 8-3 Fluido, esquema de propante e
previsão de pressão líquida para o TSO.
A pressão líquida é considerável, quase 500 psi,
ao término do tratamento. Isto é previsível, porque a
64
distribuição ótima necessita de uma abertura de fratura
sustentada de quase 1 pol.
Altíssima Permeabilidade - HPF02
Em formações naturalmente fraturadas,
permeabilidades de várias centenas de mD não são
incomuns. Para investigar este território repetimos o
projeto com os mesmos dados de entrada, com exceção de
Permeabilidade de formação, mD 500
TABELA 8-24. Ótimo Teórico para: HPF02
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,0012
IP adimensional, JDopt 0,23
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,6
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 17,9
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 2,9
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -2,90
Folds of increase (FOI) do IP 1,67
Como se vê, o comprimento projetado é agora 18
pés, e o programa de projeto também pode produzir um
esquema TSO para este caso, mas o projeto não pode ser
aceito, porque resultaria em uma pressão net
extremamente alta, conforme tabela 8-26.
TABELA 8-25 - Primeira tentativa para HPF02
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,0012
IP adimensional, JDact 0,2299
Cond fratura adimensional, CfD 1,64
Semi-comprimento, xf, ft 17,9
Abertura sustentada, w, inch 2,9351
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -2,90
Folds of increase (FOI) do IP 1,67
Detalhes de tratamento
Tempo de bombeio do colchão, min 0,06
Tempo de TSO, min 1,2
Tempo total de bombeio, min 18,6
Massa de propante no frac no TSO, lb 2.353
Concentração adicionada de propante no TSO,
ca, lb/gal liq
3.0
Semi-comprimento no TSO, xf, ft 17,9
Abertura media no TSO, pol 5,4
Pressão net no TSO, psi 54,5
Max concentração de propante adicionada no
final, lb/gal-liq
16,0
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
0,9
Pressão net no final do bombeio, psi 2142
Vários parâmetros têm valores irreais nos
resultados da primeira tentativa. Uma fratura
extremamente curta - mesmo se pudesse ser executada -
poderia não ser a solução, dado que os efeitos de dano nas
proximidades do poço ainda poderiam estar dominando a
tal distância. Um projeto razoável pediria uma fratura mais
longa. Do ponto de vista operacional, a limitação de
pressão líquida é a restrição mais importante no
fraturamento de formações de alta permeabilidade.
Deveria ser especificada uma máxima pressão net
permissível a partir de considerações de segurança. Um
valor típico seria, por exemplo, 1000 psi. Portanto, projeto
será modificado para satisfazer esta condição.
Temos várias opções:
Uma possibilidade é partir do comprimento
ótimo, multiplicando-o por um fator. Um projeto realista
tentaria manter a relação de aspecto de 1:1, então
seleciona-se
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 3
Isso daria a seguinte distribuição:
TABELA 8-26. HPF02 com comprimento modificado
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,0012
IP adimensional, JDact 0,2058
Cond fratura adimensional, CfD 0,18
Semi-comprimento, xf, ft 53,8
Abertura sustentada, w, inch 0,9784
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -2,39
Folds of increase (FOI) do IP 1,49
Detalhes de tratamento
Tempo de bombeio do colchão, min 0,38
Tempo de TSO, min 7,2
Tempo total de bombeio, min 24,2
Massa de propante no frac no TSO, lb 10.308
Concentração adicionada de propante no TSO,
ca, lb/gal liq
2,1
Semi-comprimento no TSO, xf, ft 53,8
Abertura media no TSO, pol 1,3
Pressão net no TSO, psi 79,7
Max concentração de propante adicionada no
final, lb/gal-liq
16,0
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,3
Pressão net no final do bombeio, psi 521
Tal tratamento já satisfaz a restrição de pressão
net. O projeto calculado pede o início da adição de
propante quase desde o princípio do tratamento.
Infelizmente, o projeto depende fortemente do critério de
TSO selecionado e da precisão no controle do leakoff. Na
prática, é difícil prever um TSO com tal precisão. A arte
de bloquear a propagação de fratura sem provocar um
screenout nas proximidades do poço (que acarretaria a
parada do tratamento) freqüentemente requer intuição e
experiência do engenheiro de fraturamento. O operador da
companhia pode aumentar as chances de sucesso
reduzindo os riscos associados ao tratamento. Isso nos
conduz a uma outra possibilidade: reduzir a quantidade de
propante e multiplicar o comprimento ótimo por um fator,
ao mesmo tempo.
TABELA 8-27. Testando diferentes conjuntos de dadospara HPF02
Massa de propante (duas asas), lb 45,000
...
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 4
65
TABELA 8-28. HPF02 com menos propante e
comprimento modificado
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 45.000
Número de propante, Nprop 0,0006
IP adimensional, JDact 0,1847
Cond fratura adimensional, CfD 0,10
Semi-comprimento, xf, ft 50,7
Abertura sustentada, w, inch 0,5189
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -1,84
Folds of increase (FOI) do IP 1,34
Detalhes de tratamento
Tempo de bombeio do colchão, min 0,34
Tempo de TSO, min 6,5
Tempo total de bombeio, min 14,0
Massa de propante no frac no TSO, lb 9.523
Concentração adicionada de propante no TSO,
ca, lb/gal liq
2,1
Semi-comprimento no TSO, xf, ft 50,7
Abertura media no TSO, pol 0,6
Pressão net no TSO, psi 78,1
Max concentração de propante adicionada no
final, lb/gal-liq
16,0
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,2
Pressão net no final do bombeio, psi 239
Uma coisa importante a salientar é que há pouco a
perder quando se reduz o número de propante de 0,0012 a
0,0006. Nesta região de número de propante, o índice de
produtividade adimensional é menos sensível à quantidade
de propante ou a uma variação no comprimento ótimo.
Pode-se conseguir somente um fator de skin equivalente
moderadamente negativo com tais números de propante
baixos. Isto explica a visão amplamente aceita que em
formações de permeabilidade extremamente altas o mais
importante é ultrapassar o dano e criar um pacote (anel) ao
redor da tela. O comprimento real da fratura tem
significado menor. Vários tratamentos de fraturamento em
alta permeabilidade usam somente 50.000 lb de propante
ou menos.
Fraturamento em Formações de Baixa
Permeabilidade - LPF01
Para manter a consistência com nossos exemplos
prévios considera-se uma formação de baixa
permeabilidade com a maioria dos parâmetros de entrada
do caso básico:
TABELA 8-29 – Entrada para LPF01
Massa de propante (duas asas), lb 90.000
S.G. do propante (água=1) 2,65
Porosidade do pacote de propante 0,38
Permeabilidade do pacote de propante, mD 60.000
Max. diâmetro de propante, Dpmax, in 0,031
Permeabilidade de formação, mD 0,5
Espessura permeável (leakoff), ft 76
Raio do poço, ft 0,25
Raio de drenagem, ft 745
Fator de skin pré-tratamento 0.0
Altura da fratura, ft
Módulo plano de elasticidade, E' (psi) 2,0E+06
Vazão de injeção (duas asas, liq+prop), bpm 20,0
Reologia, K' (lbf/ft2).sn' 0,07
Reologia, n' 0,45
Coeficiente de filtração (permeável), ft/min1/2 0,0020
Coeficiente de perda instantânea, Sp, gal/ft2 0,0010
Max concentração possível de propante adicionada,
lb/gal fluido limpo
12
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 1
Multiplicar colchão de Nolte pelo fator 1
Novamente o projeto se inicia especificando-se hf
= 100 pés
TABELA 8-30. Ótimo Teórico para LPF01 (hf = 100 ft)
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 1,2077
IP adimensional, JDopt 1,06
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 2,9
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 423,0
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,1
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -6,30
Folds of increase (FOI) do IP 7,66
O número de propante é elevado devido ao grande
contraste de permeabilidades. Em tal nível de número de
propante, o comprimento da fratura já está próximo do
“comprimento” da área de drenagem (por isso a
condutividade adimensional da fratura ótima é
significativamente maior que 1,6).
Se tal fratura pudesse ser executada, seria
estabelecido um índice de produtividade adimensional
extremamente elevado. Infelizmente, há pouca chance de
uma fratura com relação de aspecto 8:1 ser criada sem
aumento de altura. É mais provável a obtenção de uma
razão de aspecto de cerca de 2:1.
Então o projeto baseia-se na suposição de uma
razão de aspecto 2:1. Mudando a altura de fratura para 300
ft, os valores ótimos teóricos ficam mais realistas, porque a
diminuição de eficiência volumétrica do propante reduz o
número de propante.
TABELA 8-31. Ótimo Teórico para LPF01 (hf = 300 ft)
Distribuição ótima sem restrições
Número de propante, Nprop 0,4026
IP adimensional, JDopt 0,68
Ótima cond fratura adimensional, CfDopt 1,8
Ótimo semi-comprimento, xfopt, ft 309,4
Ótima abertura sustentada, wopt, inch 0,1
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,78
Folds of increase (FOI) do IP 4,92
TABELA 8-32. Distribuição real para LPF01 (hf = 300 ft)
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,4026
IP adimensional, JDact 0,68
Cond fratura adimensional, CfD 1,8
Semi-comprimento, xf, ft 309,4
Abertura sustentada, w, inch 0,06
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,78
Folds of increase (FOI) do IP 4,92
66
Detalhes de tratamento
Eficiência, η, % 67,1
Tempo de bombeio, te, min 52,7
Tempo de bombeio do colchão, tp, min 10,4
Expoente da concentração de propante
adicionada, eps
0,1966
Concentração final uniforme de propante no frac,
lb/ft3
22,6
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
0,5
Concentração max adicionda de propante, lb/gal
fluido limpo
3,5
Pressão líquida no final do bombeio, psi 113,7
Embora o projeto seja agora mais realista, uma
variável merece especial atenção. A eficiência do fluido
aumentou para 67%. Por que isto aconteceu? A razão é
que, de acordo com a definição, a filtração acontece
somente na zona permeável (espessura de 76 ft). Como foi
considerada uma altura atual de fratura de 300 ft, só um
quarto da superfície total contribui para o leakoff e a
eficiência se torna muito alta. Na realidade, é improvável
que folhelhos perfeitamente impermeáveis estejam
confinando a zona. Portanto, é aconselhável reconsiderar
os dados de leakoff (e perda por Spurt) uma vez que uma
significativa mudança na altura da fratura foi introduzida.
Repetindo o projeto com os coeficientes de
leakoff e Spurt ajustados:
Coeficiente de leakoff na zona permeável,
ft/min1/2
0,0050
Coeficiente de perda instantânea, Sp, gal/ft2 0,0025
Obtém-se os resultados da tabela 8-33
TABELA 8-33. Distribuição real assumindo altura da
fratura de 300 ft e coeficientes de leakoff e perda Spurt
ajustados: LPF01
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,4026
IP adimensional, JDact 0,68
Cond fratura adimensional, CfD 1,8
Semi-comprimento, xf, ft 309,4
Abertura sustentada, w, inch 0,06
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,78
Folds of increase (FOI) do IP 4,92
Detalhes de tratamento
Eficiência, η, % 38,2
Tempo de bombeio, te, min 92,8
Tempo de bombeio do colchão, tp, min 41,5
Expoente da concentração de propante
adicionada, eps
0,4475
Concentração final uniforme de propante no frac,
lb/ft3
22,6
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
0,5
Concentration max adicionda de proppant, lb/gal
fluido limpo
3,5
Pressão líquida no final do bombeio, psi 113,7
A eficiência do fluido está mais realista agora,
mas a extensão final da fratura e a espessura sustentada
são exatamente iguais às anteriores. Como é possível que
tão grande mudança nos parâmetros de leakoff não afete os
resultados finais? A resposta para esta pergunta revela a
diferença principal entre simulação e projeto. No
procedimento de projeto o comprimento e a abertura
sustentada desejados são derivados de propriedades do
reservatório e do propante. Os parâmetros de leakoff (e
outras variáveis) determinam como se alcança a meta final,
mas a meta é a mesma qualquer que seja o leakoff
existente. A mudança nos parâmetros de leakoff se reflete
no esquema de bombeio final. Agora o tempo de bombeio
é consideravelmente mais longo.
Engenheiros de fraturamento experientes
provavelmente não aceitariam o projeto proposto. O
problema é que a abertura sustentada da fratura calculada é
de somente 0,06 pol., que representa menos de 3 grãosde
propante 20/40 mesh. Um bom projeto assegura uma certa
abertura mínima (ou uma certa concentração areal de
propante mínima).
Neste ponto, ou aumentamos a quantidade de
propante ou modificamos o comprimento ótimo indicado,
multiplicando-o por um fator menor que um. A vantagem
de se criar uma fratura menor aparece também na
eficiência volumétrica do propante: em outras palavras,
mantendo-se a relação de aspecto em 2:1 nós teremos
menos propante fora da zona permeável. As principais
linhas de dados de entrada são mostradas na tabela 8-34:
TABELA 8-34. Projeto final: LPF01-4
Massa de propante (duas asas), lb 90.000
..............
Altura da fratura, ft 200,0
..............
Coeficiente de leakoff na zona permeável,
ft/min1/2
0,0050
Coeficiente de perda instantânea, Sp, gal/ft2 0,0025
Max concentração possível de propante adicionada,
lb/gal fluido limpo
12
Multiplicar comprimento ótimo pelo fator 0,55
Multiplicar colchão de Nolte pelo fator 1
TABELA 8-35. Distribuição final: LPF01-4
Distribuição real
Massa de propante colocada (2 asas) 90.000
Número de propante, Nprop 0,6039
IP adimensional, JDact 0,67
Cond fratura adimensional, CfD 6,7
Semi-comprimento, xf, ft 198,3
Abertura sustentada, w, inch 0,13
Fator pseudo-skin pós-tratamento, sf -5,76
Folds of increase (FOI) do IP 4,85
TABELA 8-36. Alguns detalhes da distribuição final:
LPF01-4
Detalhes de tratamento
Eficiência, η, % 38,3
Tempo de bombeio, te, min 38,5
Tempo de bombeio do colchão, tp, min 17,2
Expoente da concentração de propante
adicionada, eps
0,4457
67
Concentração final uniforme de propante no frac,
lb/ft3
54,3
Concentração areal de propante após
fechamento, lb/ft2
1,1
Concentration max adicionda de proppant, lb/gal
fluido limpo
10,8
Pressão líquida no final do bombeio, psi 166,4
Note-se que a redução no comprimento da fratura
permitiu a redução da altura assumida. Logo, o projeto
pode utilizar 90,000 lb de propante de maneira mais eficaz.
O índice de produtividade adimensional pós-tratamento e o
fator de skin equivalente são basicamente iguais aos do
caso LPF01-3. O projeto final, LPF01-4, é mais prático e
certamente mais fácil de executar.
Resumo
Neste capítulo foram mostrados alguns exemplos
práticos de projeto de fratura. Os conceitos de número de
propante e índice de produtividade adimensional ajudaram
a tomar decisões importantes sem entrar em detalhes
desnecessários. A planilha eletrônica de projeto foi usada
extensivamente para considerar cenários e investigar
opções. Em projeto de fraturamento hidráulico, onde a
confiabilidade dos dados de entrada disponíveis é sempre
limitada e o próprio processo é inerentemente estocástico,
é extremamente importante proceder de modo evolutivo,
melhorando o processo de projeto continuamente. A
planilha não substitui os sofisticados simuladores 3D de
fratura. Porém, provê uma ferramenta flexível para a
tomada de decisões básicas antes do projeto final.
Controle de Qualidade e
Execução
O Controle de Qualidade tem sido vinculado às
operações de fraturamento há décadas. Isso se deve às
operações geralmente problemáticas que ocorrem.
As companhias de serviço têm formalizado e
estendido um grande número de procedimentos de controle
de qualidade próprios. O próprio termo, controle de
qualidade, tem se tornado um tanto genérico, sendo
utilizado tanto para simples listas de conferência
preenchidas em campo quanto para refinadas peças de
marketing destinadas a atrair clientes, com avançada
psicologia negocial.
Acima disto, o controle de qualidade implica que
um fraturamento pode ser executado conforme projetado,
Isso significa um cuidadoso planejamento pré-tratamento;
boa manutenção dos equipamentos relacionados; pessoal
bem informado, conscientizado e treinado; intenso
controle de cada material a ser utilizado e dos parâmetros
críticos do tratamento; e avaliação pós-tratamento.
E os resultados falam por si próprios: o
desempenho das companhias de serviço no fraturamento,
embora não seja perfeito, tem se mostrado sempre melhor.
Equipamento de Fraturamento
Embora pouco considerado, o equipamento de
fraturamento é o ponto de partida para o sucesso no
controle de qualidade e na execução.
Os equipamentos de estimulação têm
experimentado importantes mudanças desde o primeiro
tratamento comercial de fraturamento hidráulico em 1949.
O trabalho envolveu a mistura manual de cinco sacos de
areia 20 mesh a 20 bbl de fluido (uma concentração de
propante de 0,6 lb/gal). A mistura foi bombeada por uma
bomba triplex de 300 HHP usada em cimentação e
acidificação.
FIGURA 9-1. Fraturamento hidráulico massivo
atual.
Embora os tratamentos tenham crescido em
magnitude e complexidade – um tratamento de
fraturamento hidráulico massivo atual pode envolver
10.000 sacos de areia em concentrações de 10 lb/gal ou
superior (fig. 9-1) – a configuração básica não mudou
desde o primeiro tratamento. O propante e o fluido de
tratamento são enviados para um misturador (blender)
onde são misturados e transferidos para bombas de alta
potência. O fluido carreador é então bombeado para o
poço através de um manifold de alta pressão.
O conjunto necessário para bombear um
fraturamento se compõe de equipamentos de mistura,
manuseio de propante, bombeio e monitoramento/controle.
O equipamento de mistura é usado para preparar o
fluido do tratamento, combinando proporções
programadas de líquidos e aditivos químicos num fluido
de estimulação. Os fluidos de fraturamento são ou pré-
misturados (batch mixing) antes do tratamento (e mantidos
em tanques de fraturamento o tempo necessário), ou
misturados continuamento durante o tratamento. Para a
mistura contínua, o fluido-base é preparado com
antecedência, combinando gel concentrado líquido à água
68
de mistura e mantendo este fluido o tempo necessário para
a hidratação de forma a se obter a viscosidade requerida. O
gel hidratado é então bombeado para o blender, onde
aditivos e propantes são incorporados.
A qualidade do processo de mistura é, hoje em
dia, quase que totalmente controlada por computador. Os
principais estágios do processo são alimentados no
computador e mantidos automaticamente,
independentemente da taxa de mistura. Parâmetros
operacionais do blender, como o nível na bacia, a agitação
da mistura, e as pressões também são controlados
automaticamente, minimizando o potencial de erro
humano.
Os propantes são armazenados na locação e
transferidos para o blender de diversas maneiras. O
propante ensacado pode ser diretamente manuseado ou
disponibilizado em caçambas ou outro sistema
pneumático. A quantidade crescente de propante que vem
sendo utilizada tem requerido o uso de silos.
Eventualmente, quando o volume de propante excede a
capacidade destes silos, um sistema de múltipla silagem,
dotado de uma esteira transportadora que leva o propante
para o blender, é instalado. Caso a distância desse
transporte seja elevada, estes sistemas podem incorporar
mecanismos automatizados de forma a garantir a
alimentação ininterrupta de propante.
A bomba de 300 HHP usada em 1949 é
substituída atualmente por modernas bombas com 2.000
HHP. A pressão necessária também subiu de 2.000 psi
para, em casos extraordinários, até 20.000 psi. As
mudanças de marcha atualmente podem se feitas mesmo
com o equipamento funcionando a toda a potência.
Computadores sincronizam as rotações dos motores com
uma caixa de transmissão que mantém estável a vazão de
bombeio durante as mudanças e variações operacionais. O
controle de pressões e vazões está computadorizado.
O monitoramento dos tratamentos de estimulação
também progrediu, dos registradores de pressão, válvulas
bloqueadoras e cartas de registro de décadas passadas para
a completa monitoração e controle por computador. Hoje,
uma grande quantidade de diferentes parâmetros pode ser
simultaneamente monitorada e registradadurante uma
estimulação. O monitoramento dos fluidos de tratamento é
um elemento essencial no controle de qualidade. Os
parâmetros monitorados e registrados durante um
tratamento de estimulação incluem, mas não são limitados
a, pressões, temperaturas, vazões, concentrações de
propante e aditivos, pH e viscosidade. Estes parâmetros
podem ser mostrados durante o trabalho e tratados em
tempo real, como no caso das previsões das pressões de
fundo. Parâmetros de equipamentos, como tempo de
funcionamento, pressões, vibração e outros, são também
monitorados e gravador durante o tratamento. Esta
informação é usada para diagnosticar e prevenir problemas
dos equipamentos, para auxiliar em sua manutenção e
melhorar o layout e o projeto de futuros equipamentos.
Lista de Equipamentos
A combinação apropriada dos equipamentos –
bombas, blenders, caminhões, equipamentos de
monitoramento e eletrônicos – é vital para o sucesso de
qualquer fraturamento. Uma lista básica dos equipamentos
de um fraturamento, desde o necessário ao suprimento de
água até a cabeça de poço, está disposta a seguir.
Estocagem e Transferência de Água
Manifold de Sucção. Conjunto de válvulas e uma
cabeça de sucção com um mínimo de 8 conexões de 4 pol.
É usado somente quando o blender é alimentado
diretamente pelo tanque de água (ver figura 9-8), ou
quando a bomba de transferência é usada para manter os
tanques de fraturamento cheios.
Bomba de Transferência de Água. Bombas de baixa
pressão e alta vazão são usadas para transferir fluidos dos
tanques de água (ou outra fonte de água) para os tanques
de fraturamento e/ou blender. As bombas de transferência
podem ou não ser necessárias, dependendo da distância
entre a fonte de água e o blender e seus respectivos
posicionamentos. Dependendo do tamanho do tratamento e
da distância da fonte de água, uma ou mais bombas serão
usadas para transferir água através de um tubo standard de
PVC de 6 pol.
Tanques de Fraturamento. Tanques de 500 (ou 400) bbl
são usados para armazenar fluido de fraturamento na
locação. Esses “tanques de fraturamento” são montados
sobre rodas e podem ser facilmente transportados entre as
locações. Eles têm um mínimo de 4 conexões de 4 pol e
uma válvula borboleta de 12 pol que é usada para ligar os
tanques de forma a prover uma fonte de água comum, O
número necessário de tanques de fraturamento é
determinado pelo tamanho do tratamento. Se uma
combinação de tanques de água e de fraturamento for
usada, um número de quatro tanques é típico.
Suprimento de Propante
Sistema de Suprimento de Areia (estacionário). Um silo
equipado com uma esteira é usado para suprir o blender
com propante. Cada unidade tem no mínimo dois
compartimentos separados e é capaz de suprir areia dos
dois compartimentos ao mesmo tempo. Dependendo do
volume e da concentração máxima de propante utilizados,
às vezes são necessárias mais que uma unidade; neste
caso, uma esteira central é usada para coordenar a
distribuição de areia para o blender.
Sistema de Suprimento de Areia (móvel). Caçambas são
as unidades tipicamente utilizadas nos tratamentos
menores. Estas unidades têm capacidades similares às
estacionárias, exceto pela sua menor volumetria, de 35.000
a 60.000 lb de propante contra as 250.000 ou 500.000
libras dos silos. No caso de tratamentos muito grandes,
uma unidade móvel pode ser usada para alimentar um
sistema estacionário muito maior, conhecida como
“movedor de montanhas”.
Esteira Transportadora. Independentemente do sistema
de suprimento de areia, estacionário ou móvel, o layout da
locação e o tamanho do tratamento podem determinar o
uso de esteira transportadora para transferir propante para
o blender. A maioria dos sistemas de esteira é
transportável e pode ser facilmente posicionado na
locação.
69
Mistura
Unidade de Mistura e Hidratação. Há dois métodos para
mistura de fluidos antes do bombeio. Primeiro, eles podem
ser pré-misturados nos tanques de fraturamento. Isso
permite que a qualidade e a consistência dos fluidos sejam
facilmente controladas, conforme a preferência dos
operadores, porém há desvantagens. Caso ocorra algum
atraso no bombeio, fluidos gelificados podem degradar
rapidamente, especialmente em temperaturas ambientes
mais elevadas. Também, fluidos não utilizados introduzem
certos condicionantes ambientais e devem ser descartados
apropriadamente.
O segundo método é a mistura do fluido conforme
necessário, “on the fly”. Aditivos e agentes viscosificantes
e reticuladores são misturados num tanque de hidratação
com a água para formar o fluido de fraturamento. (Um dos
problemas da mistura sem o uso das modernas unidades de
hidratação é que o pH deve ser ajustado para uma
hidratação adequada. Esta é uma operação bastante
delicada, especialmente em ambientes de alta
temperatura.) Uma unidade apropriada de hidratação pode
misturar efetivamente ambos os aditivos secos e líquidos.
O uso da unidade de hidratação contínua minimiza
problemas associados à mistura de polímeros, que são
adicionados em forma líquida à pasta, eliminando assim a
necessidade de usar o blender para agitação. Bombas
dosadoras associadas, instaladas nas linhas principais de
injeção, são necessárias para introduzir os aditivos na
corrente de fluido de fraturamento. Os dados operacionais
da unidade de hidratação são transmitidos continuamente
por cabo para o centro de controle e monitoramento
durante o tratamento.
Blender. O blender montado em carroceria
combina a água, gel, areia, e outros aditivos em uma
mistura uniforme. O blender é o coração do fraturamento
(figura 9-2).
FIGURA 9-2. Blender
Ele é conectado ao suprimento de fluido de fraturamento
por quatro ou, até, doze mangueiras flexíveis de 4 pol. O
lado da descarga é conectado à entrada de baixa pressão do
manifold de fraturamento por quatro mangueiras flexíveis
de 4 pol, ou diretamente às bombas de fraturamento se o
tratamento for pequeno. O blender deve ser capaz e estar
calibrado para adicionar os aditivos secos e líquidos a
taxas bastante precisas. O desempenho do blender é
definido pelo volume e taxa que pode receber propante. A
configuração de blender duplo pode ser empregada em
tratamentos que demandem altas concentrações de
propante e altas vazões. Os dados do blender também são
transmitidos via cabo ao centro de controle.
Bombeio
Manifold de Pressão HI-LO. O manifold de alta e baixa
pressão (HI-LO) pode ser montado em carroceria (figura
9-2), trailer ou skid. A cabeça de baixa pressão (LO) é
usada para acoplar a descarga do blender à sucção das
bombas de fraturamento. Quatro a oito mangueiras
flexíveis de 4 pol vão do blender ao manifold, e uma
mangueira adicional vai até a entrada da bomba de frac.
Um manifold standard pode servir oito bombas de frac
simultaneamente. Todas as conexões na cabeça de baixa
pressão são equipadas com válvulas-borboleta de
isolamento.
FIGURA 9-3. Manifold HI-LO em carroceria
O lado de alta pressão (HI) do manifold é
alimentado pelas juntas (conexões) de aço de alta pressão
da descarga das bombas de frac e, por sua vez, se
conectam à cabeça do poço com juntas de alta pressão.
Uma válvula de fraturamento, ou tree saver, é usada para
fazer a conexão física com a cabeça. Cada linha que chega
e sai da cabeça de alta pressão emprega (em série) uma
válvula check de 15.000 psi para controlar o movimento
de fluido e uma válvula tampão de 15.000 psi para
isolamento.
Manifold de Alta Pressão. Para tratamentos pequenos (ou
seja, quando a tomada da bomba de frac é conectada
diretamente ao blender), um manifold simples de alta
pressão (um lado) é usado para acoplar as descargas da
bomba de frac ao poço. Também, válvulas de check e
tampão, de alta pressão, são empregadas.
Bombas de fraturamento. Se o blender é o coração, as
bombas de frac são os músculos do tratamento de
fraturamento (figura 9-4)
70
FIGURA 9-4. Bombas de fraturamento.
Estasbombas recebem o fluido de fraturamento à baixa
pressão e o descarregam na pressão necessária para o
trabalho (milhares de psi). Estas bombas de deslocamento
positivo a pistão são disponíveis em vários tamanhos. A
configuração triplex (três pistões) é a mais comum.
Bombas quintuplex de frac (5 pistões) são conhecidas
como cat-fracs e têm se tornado populares; elas são
capazes de trabalhar com um volume maior de fluido e a
pressões mais altas que as triplex. A potência hidráulica
gerada por estas bombas varia de menos de 1.000 HHP, no
caso das triplex, a cerca de 2.000 HHP para as quintuplex.
As bombas de frac são montadas em carroceria ou
trailer. Elas são equipadas com fechamentos (“shut-
downs”) e podem ser controladas à distância.
Juntas de Alta Pressão. Juntas de alta pressão, uniões à
marreta, uniões em Y, swivels (ou “chicksans”), válvulas
de check, válvulas “pop-off” de alta pressão e válvulas-
tampão são as extensões necessárias para conectar a
descarga das bombas de frac ao manifold e o manifold ao
poço. Estas peças, em geral chamadas coletivamente de
conexões (ou “treating iron”), podem ser encontradas em
diâmetros de 2, 3 e 4 pol e para uma grande variedade de
pressões.
Uma união em Y é geralmente usada próximo à
cabeça do poço para acoplar as duas linhas de alta pressão
do manifold em um ponto único de injeção (figura 9-6).
Válvulas-check isolam o equipamento de fraturamento do
retorno de pressão (back-pressure) do poço de injeção.
Caso, por alguma razão, a pressão na linha de fraturamento
ultrapasse uma pressão limite, uma válvula pop-off abre
para descarregar a pressão e prevenir dano ao equipamento
ou acidentes pessoais. Uma válvula-tampão é também
usada na linha e após a cabeça do poço como um ponto de
controle adicional. Para minimizar o efeito que a vibração
e o movimento da linha têm sobre as conexões rígidas,
todo equipamento de alta pressão é conectado usando um
mínimo de duas seções de juntas com uma chicksan no
meio. Chicksans adicionais são geralmente usadas para
simplificar a montagem e minimizar os efeitos da
vibração.
Mangueiras Flexíveis. Uma linha flexível de 4 pol, para
150 psi e operando normalmente a 60 psi, é geralmente
usada para conectar a fonte de água ao blender e o blender
ao manifold, e para suprir fluido de fraturamento à entrada
das bombas; mangueiras flexíveis de 12 pol são
normalmente usadas para ligar os tanques de fraturamento
e prover uma fonte comum de água.
Monitoramento e QA/QC
Frac Van. Todo equipamento, vazões e pressões críticas
são monitorados por uma central de controle, comumente
chamada de “frac van” (figura 9-5). Os dados são
visualizados, gravados, processados e impressos minuto a
minuto no frac van. O “tratador” (treater) é a pessoa
responsável em monitorar o fluxo de dados no painel de
controle. O painel mostra continuamente os dados de
vazão de bombeio, concentração de propante, pressão de
tratamento na cabeça e o tempo decorrido no tratamento,
no mínimo.
FIGURA 9-5. Frac van.
Vans equipadas com múltiplos monitores e com
capacidade de processamento paralelo possibilitam
processamento e a avaliação simultâneos dos dados do
tratamento em tempo real (calculando as pressões de fundo
ou tempos de trânsito do fluido, ou monitorando
graficamente a evolução de vários gráficos de diagnóstico
durante o tratamento.)
Van de Controle de Qualidade. Um laboratório químico
móvel é utilizado para colher amostras e analisá-las antes e
durante o tratamento. Um laboratório móvel típico inclui,
no mínimo: medidor de pH, sensor de temperatura,
peneiras de areia, balança, misturador, banho de água,
viscosímetro (se possível, viscosímetro tubular), e
suprimentos diversos como vidrarias, luvas, filtros,
manuais de referência e forno micro-ondas. A van é
equipada geralmente com um gerador para prover energia
a todos os seus equipamento.
Comunicações. Todos os operadores de máquinas, o
pessoal que monitora o suprimento de água e outras
pessoas críticas para a operação de fraturamento devem
estar permanentemente em contacto com o tratador. O
equipamento de comunicação está tipicamente integrado
ao centro de comando, e os fabricantes destas unidades
oferecem diversas opções nesta área.
Monitoramento Remoto. O monitoramento remoto
possibilita ao cliente o acompanhamento em tempo real
via satélite. A capacidade de conexão a satélites tem se
tornado uma prioridade para todas as operações de
fraturamento geograficamente dispersas. Os fabricantes
dos centros de controle atualmente oferecem esta opção.
Operações Remotas. Quando se usa múltiplas unidades de
bombeio (quase sempre), o número de operadores pode ser
limitado usando-se unidades de controle. Cada unidade
destas controlam até quatro bombas, e um operador pode
71
normalmente operar duas unidades. Os equipamentos mais
modernos podem ser diretamente conectados ao centro de
comando, embora isso não seja necessário.
Diversos. Uma carreta de aço equipada com guindaste é
usada para transportar todas as conexões de alta pressão e
equipamentos de menor porte, e auxilia na montagem da
operação.
Operações complexas como o fraturamento
devem ser planejadas durante o dia. Ocasionalmente,
devido a atrasos, falhas mecânicas ou mesmo o tamanho
do tratamento, são necessárias operações noturnas. Nesta
situação, uma iluminação especial é utilizada. São
lâmpadas de alta intensidade, no estilo usado nos ginásios
de esporte, montadas em hastes telescópicas, cada qual
possuindo seu próprio gerador.
Estacas e cabos de aço são usados para “amarrar”
todas as descargas de linhas de alta pressão durante o
fraturamento. Toda linha de alta pressão não amarrada
pode chicotear de forma descontrolada em caso de
rompimento/desconexão durante o bombeio, com grande
potencial de dano a equipamentos ou acidentes pessoais.
Embora não haja uma montagem típica para os
equipamentos de fraturamento – esta montagem varia
muito ou geograficamente ou devido às especificidades de
pressão, temperatura e volumes associados a cada
tratamento. A tabela 9-1 fornece um exemplo de
montagem que pode ser resumida a uma lista
relativamente pequena.
72
TABELA 9-1. Exemplo de uma “planilha de frac”
Equipamento Especificação Quantidade Comentários
Tanque de frac 500 bbl cada 6-8
Blender 120 bpm 1 Ou duas de 60 bpm
Bomba de frac 2.000 HHP, 14 bpm 5 Uma é stand-by
Manifold 10.000 psi 1 Montada sobre rodas
Mangueira flexível 4 pol, 30 ft, 125 psi e3 pol, 30 ft,
125 psi
28 de cada 12 para as bombas, 16 para blender e
hidratação
Conexões 3 ou 4 pol, 10.000 psi e
comprimento de 8 ft.
20 12 para as bombas, 2 para a linha de frac, 6
sobressalentes
Conexões 3 ou 4 pol, 10.000 psi e
comprimento de 2, 3 e 4 ft.
4 de cada
Conexões 3 ou 4 pol, 10.000 psi e
comprimento de 20 ft.
8 4 para linha de frac, 2 para a linha de
descarga e 2 sobressalentes
Swivel 3 ou 4 pol, 10.000 psi 30 3 para cada bomba, 6 para a linha de frac, 9
sobressalentes
União em Y 3 ou 4 pol, 10.000 psi 5 4 sobressalentes
Válvula pop-off 3 ou 4 pol, 10.000 psi 3 2 sobressalentes
Válvula cega 3 ou 4 pol, 10.000 psi 11 8 sobressalentes
Válvula check 3 ou 4 pol, 10.000 psi 5 3 sobressalentes
Unidade de controle 4 bombas de frac para cada 3 1 sobressalentes
Medidor de vazão 10.000 psi 3 2 sobressalentes
Medidor de pressão 10.000 psi 3 2 sobressalentes
Centro de comando Por fornecedor 1
Radio Alcance de 2 milhas 16 Um para cada pessoa crítica na locação, 8
sobressalentes
Link de satélite Por fornecedor 1 Cada vez mas requerido
Respiradores Por fornecedor 4 Para pessoas que manipulam produtos
tóxicos, 2 sobressalentes
Equipamento de segurança Capacetes, luvas, óculos 12 conjuntos Um conjunto por pessoa
Lâmpada frac Alta potência, telescópica 4
73
Instruções Especiais para
Montagem
Várias configurações potenciais de
layout de equipamento de fraturamento em
locação são mostradas nas figuras de 9-6a 9-8.
A configuração de montagem geralmente é
ditada por variáveis como tamanho do
tratamento, fonte de suprimento de água,
superfície da locação e disponibilidade de
equipamento. A descrição seguinte se refere à
figura 9-6, que é o layout ideal a ser usado
quando as condições permitirem.
Posicionando o equipamento
Identificar uma área nivelada grande o
suficiente para comportar os tanques de
fraturamento necessários – a uma distância
suficiente do poço para permitir a colocação da
unidade de hidratação, blenders, bombas de
frac, manifolde HI-LO, e a linha de
fraturamento de alta pressão - entre os tanques e
a cabeça de poço.
1. Traçar uma linha reta do poço até esta área.
A partir dela, traçar uma linha
perpendicular. Centralizar os tanques ao
longo desta linha. É importante que os
tanques estejam nivelados.
2. Centralizar a unidade de hidratação, se for
usada, em frente aos tanques.
3. Posicionar o(s) blender(s) paralelamente à
unidade de hidratação. Se dois blenders
forem usados, posicioná-los lado a lado
4. Posicionar o sistema de suprimento de areia
(ré) em linha com a bacia do(s) blender(s).
5. Ao longo da linha que vem da cabeça do
poço e próximo ao blender, colocar o
manifold HI-LO.
6. A partir da descarga do manifold, montar a
linha de fraturamento de alta pressão.
7. Em cada lado do manifold HI-LO,
posicionar, de ré, as bombas de frac (mais
detalhes a seguir)
8. A frac van deve ficar num dos lados, numa
posição que possibilite ampla visão do poço
e equipamentos.
9. A linha de descarga de alta pressão que
parte da válvula pop-off deve estar distante
do equipamento e pessoal.
10. A van QA/QC deve ser posicionada perto
da unidade de hidratação e blender(s).
FIGURA 9-6. Layout mais desejável
para fraturamento.
Suprimento de Fluido para o
Blender
Os tanques de fraturamento devem ser
nivelados e conectados entre si com mangueiras
flexíveis de 12 pol, criando um manifold
comum e garantindo o suprimento ininterrupto
de fluido. Conectar a unidade de hidratação a
este manifold com mangueiras flexíveis de 4
pol. Sob condições ideais, uma mangueira
flexível de 4 pol pode suprir até 8 bpm, mas o
número de mangueiras necessário depende da
vazão de bombeio, viscosidade e distância à
fonte. Todas as mangueiras flexíveis devem
estar livres de dobras e obstruções. Conectar a
descarga da unidade de hidratação à sucção do
blender com mangueiras flexíveis de 4 pol.
Conectar a descarga do blender ao lado de baixa
pressão do manifold HI-LO com mangueiras
flexíveis de 4 pol. Novamente, usar a regra dos
8 bpm para determinar a quantidade de
mangueiras necessárias.
Suprimento de Propante
A idéia básica é alimentar a bacia do
blender com o propante por meio de uma
esteira. Em trabalhos menores, esta alimentação
pode ser feita diretamente da caçamba (em ré)
para o blender. Se for usada uma unidade
74
estacionária de suprimento de areia, ela deve ser
posicionada de forma a facilitar seu
carregamento com o propante transportado para
a locação.
Bombas de fraturamento
Cada tomada da bomba é conectada
com uma mangueira flexível de 3 ou 4 pol ao
lado de baixa pressão do manifold de frac. A
mangueira flexível deve ser pequena o
suficiente para manter a velocidade do fluido e
evitar deposição de areia, e de diâmetro
conveniente para não provocar restrição ao
fluxo. A descarga de cada bomba é conectada
ao lado de alta pressão do manifold por no
mínimo duas seções de juntas e uma chicksan
(swivel) entre elas. Preferencialmente, uma
chicksan é usada na descarga da bomba, a
seguir uma junta, uma chicksan, outra junta e
uma terceira chicksan no manifold. Isso permite
a movimentação suficiente para prevenir uma
possível ruptura e acomodar vibrações sob alta
pressão.
Manifold-Poço
FIGURA 9-7. Layout com pré-mistura e
sem manifold.
Cada saída de descarga de alta pressão
do manifold HI-LO, uma ou duas, é conectada à
cabeça do poço usando múltiplas juntas e
chicksans para flexibilizar a linha (figura 9-7).
São colocados em cada linha uma válvula-
tampão, válvula-check e transdutores de pressão
e vazão o mais próximo possível da cabeça do
poço. Caso sejam usadas duas linhas, elas
devem ser unidas com uma união em Y na
cabeça do poço. A flecha indicativa da válvula-
check deve apontar para a direção do fluxo (i.e.,
para o poço) para evitar enganos. Se uma
válvula check tipo flapper for usada, certificar-
se de seu posicionamento e de seu nível. No
poço deve ser instalada uma tree saver ou uma
árvore de fraturamento. A válvula pop-off de
alta pressão deve ser posicionada antes da
válvula-check e calibrada para a máxima
pressão permitida. Uma linha de descarga de
alta pressão é conectada a esta válvula e
direcionada para longe do poço e dos
equipamentos. Tanto a linha de descarga quanto
a de ataque devem estar seguramente ancoradas.
Equipamento de Monitoração e
Controle e Pessoal de Suporte
Embora a maioria dos equipamentos
possa ser conectada e monitorada da frac van,
ela deve ser posicionada de forma que o tratador
tenha uma visão desobstruída de todos os
componentes críticos.
Ao menos o blender, a unidade de
hidratação e os transdutores instalados na linha
de ataque devem estar conectados à van. As
bombas de frac e a unidade de hidratação devem
ser diretamente controladas da van ou por um
operador externo. É normal posicionar um
operador no blender e outro na unidade de
hidratação. As bombas podem ser ligadas a
unidades externas, quatro por vez, e controladas
remotamente. Desta forma, um único operador
experiente pode controlar até oito bombas
(figura 9-8).
75
FIGURA 9-8. Layout “on the fly”, sem
manifold.
Na van, o tratador coordena os
operadores e os equipamentos, e geralmente
executa o tratamento; o engenheiro da cia. de
serviço supervisiona o processamento dos dados
em tempo real e faz a ligação com o engenheiro
da cia. operadora ou seu representante. Outros
observadores podem se alojar na van, caso haja
espaço disponível.
Por outro lado, uma pessoa é
posicionada ao lado da cabeça do poço, outra no
sistema de suprimento de areia, outra no
manifold dos tanques de fraturamento, e outra
no topo dos tanques, monitorando seus níveis. O
nível de combustível de todos os equipamentos
é monitorado continuamente, geralmente pelo
representante do fornecedor de combustíveis. O
tanque de abastecimento de combustível é
posicionado num local que permita o
abastecimento dos equipamentos, caso
necessário (usando uma longa mangueira
flexível).
Finalmente, um técnico deve ocupar a
van QA/QC, coletando amostras e monitorando
a qualidade do fluido de fraturamento e
concentração de propante. Estes dados são
transmitidos para a van de controle. Em geral,
são armazenadas amostras para o cliente.
Todo o pessoal diretamente envolvido
no tratamento deve estar equipado com rádios
Procedimentos QA para
Fraturamento
Várias verificações de controle de
qualidade são realizadas antes do tratamento
para acompanhar o desempenho de todos os
fluidos e propantes. O próprio tratamento deve
ser cuidadosamente monitorado de forma que
(1) modificações que melhorem o resultado do
fraturamento possam ser feitas em tempo real e
(2) deficiências inevitáveis na execução do
tratamento possam ser apropriadamente
avaliadas posteriormente
• Testes pré-Tratamento
Antes do bombeio, cada tanque de
fraturamento é isolado e testado quanto à
densidade, pH e temperatura. Uma amostra
é retirada de cada tanque e testada com o
agente viscosificante para verificação de
viscosidade e tempo de reticulação. Uma
amostra de fluido é testada com os aditivos
da locação.
• Validação do Propante
Deve ser possível realizar análise de
granulometria na locação. Se o propante
não se enquadrar nas especificações, cada
compartimento deve ser testado
individualmente.
• Inventário pré-Tratamento
Antes do início do trabalho, a Lista de
Verificaçãode Tratamento de Estimulação
é preenchida com os volumes iniciais de
todos os aditivos e fluidos da locação. O
armazenamento de propante é visualmente
inspecionado e comparado com os
comprovantes emitidos.
• Teste e Gravação do Trabalho
Os fluidos e aditivos são coletados a cada
5.000 gal ou assim que possível. Amostras
do colchão e duas a três amostras do fluido
carreador são tomadas com as
correspondentes amostras de propante.
• QA em Tempo Real
Além do acesso normal aos dados de vazão,
pressão e concentração de areia, os
seguintes parâmetros devem ser
monitorados e gravados: pH, temperatura
do fluido, viscosidade e todas as taxas de
adição de aditivos.
• Relatórios do Trabalho
O relatório da operação deve incluir, em
adição às saídas convencionais: Análise da
Granulometria do Propante e Formulário
QC, Formulário de Controle da Qualidade
da Água, Formulário da Mistura do Fluido
de Fraturamento e QC, e Relatório da
Estimulação em Tempo Real (cf. Apêndice
F).
76
Medidas adicionais de controle e
certificação de qualidade estão listadas no
capítulo 6 (Materiais de Fraturamento) e no
Apêndice F (Padrões e Formulários QC)
Fechamento Forçado
O fechamento dos poços por algumas
horas, pela noite, ou por diversos dias, após uma
operação de fraturamento hidráulico foi uma
prática adotada por muitos anos. Considerava-se
que o tempo prolongado de fechamento
possibilitava o fechamento da fratura
(“cicatrização”), facilitando a completa quebra
do fluido.
Contudo, fraturas, especialmente em
reservatórios muito fechados (tight), podem
precisar de um longo tempo para fechar, e
durante este tempo, a decantação do propante
pode ser expressiva. Se a fratura perder
condutividade nas proximidades do poço, o
tratamento pode falhar. Um eventual efeito de
estrangulamento na área próxima ao poço ou
uma redução na condutividade do pacote de
propante pode atenuar o benefício obtido com a
limpeza do fluido no pacote de propante.
Por esta razão, atualmente a técnica
chamada “fechamento forçado” é
freqüentemente aplicada. O fechamento forçado
consiste na abertura para produção do poço logo
após o término do bombeio (no primeiro
minuto) a uma vazão de dezenas de gpm a
alguns (2-3) bpm dependendo do número e
diâmetro dos canhoneados. As vazões podem
ser controladas usando tábuas de pressões e
aberturas.
O fechamento forçado pode não causar,
necessariamente, um rápido fechamento da
fratura (como o nome implica), mas, melhor que
isso, pode provocar algo como um gravel pack
reverso de propante em relação aos
canhoneados. Este pode ser um efetivo meio de
evitar a decantação do propante. Embora isto
contrarie um pressuposto intuitivo, a
experiência mostra que o propante não flue de
volta pelos canhoneados mesmo quando
aplicado um refluxo agressivo com fluido
viscoso.
O maior benefício deste refluxo
imediato é que a energia armazenada na
formação durante a operação é utilizada em
favor da limpeza do poço e na estabilização da
produção. Com o fechamento convencional, a
pressão acumulada é dissipada antes da abertura
ao fluxo. O fechamento forçado também provê
certa folga no dimensionamento dos
quebradores. Programas agressivos de quebra
podem resultar na perda prematura da
viscosidade do fluido e a rápida decantação do
propante. Num tratamento ideal, o poço deveria
inicialmente produzir uma pequena quantidade
de gel antes do retorno do fluido quebrado.
Considera-se que o mecanismo
dominante no fechamento forçado é a
consolidação de um pacote significativo de
propante em frente aos canhoneados. Isto
explicaria a reduzida produção de propante e a
melhoria da condutividade da fratura nas
proximidades do poço que têm sido observadas.
O fechamento forçado pode ainda promover um
melhor contacto grão a grão para tratamentos
que usam areia resinada.
Como efeito colateral, a sobrecarga
artificial de pressão na formação resultante de
um fraturamento é geralmente suficiente para
limpar o excesso de propante que fica dentro do
poço no deslocamento do tratamento. Isto
elimina custos, evitando a necessidade do
emprego de flexitubo ou outro mecanismo de
limpeza de fundo.
Tratamentos energizados e com
espuma podem ser rápida e agressivamente
limpos. O fechamento do poço após o uso de
fluidos que contêm CO2 ou N2 pode ser
altamente improdutivo. Reservatórios com
alguma permeabilidade rapidamente absorvem o
gás energizado.
Controle de Qualidade para
HPF
Muitos dos tratamentos HPF iniciais
falharam devido a problemas com equipamentos
e pela falta de um controle de qualidade de
fluidos e propantes. Em geral, as intensas
medidas de controle de qualidade que foram
padronizados nos fraturamento hidráulicos
massivos na área terrestre, não foram
imediatamente adotadas nos pequenos
tratamentos de frac-pack típicos da área
marítima. Isso introduziu algum ceticismo no
processo e retardou a introdução da tecnologia
HPF em alguns locais. Em adição aos
procedimentos de controle de qualidade que
foram instituídos pelas maiores cias de serviço,
tornou-se comum nas cias. produtoras a
presença de um consultor ou especialista para
supervisionar o controle de qualidade da
maioria dos tratamentos HPF.
77
Avaliação do Tratamento
Análise em Tempo Real
A pressão de tratamento é geralmente a única
informação direta disponível para monitorar (ou melhor,
inferir) a evolução da fratura durante o tratamento. Assim,
a interpretação desta pressão e a decisão do que fazer são
algumas das principais responsabilidades do engenheiro de
fraturamento.
Um gráfico log-log da pressão de tratamento de
fundo versus o tempo, conforme sugerido por Nolte e
Smith (1981) é o gráfico clássico de diagnóstico usado
com este propósito (figura 10-1). A partir dos principais
parâmetros do fraturamento (vazão de bombeio, qualidade
do fluido e concentração de propante), a análise se torna
qualitativa.
FIGURA 10-1. Curvas típicas de pressão
Uma declividade positiva da ordem de 0,25 é
interpretada como uma propagação irrestrita, ou normal
(Tipo I). Uma mudança na declividade de positiva para
negativa indica um abrupto aumento na superfície da
fratura, o que pode ocorrer no caso do crescimento da
altura da fratura em uma outra camada (Tipo II). Uma
declividade crescente que se aproxima à unitária é
considerada um sinal de restrição na propagação da
extremidade e é geralmente seguida por uma declividade
ainda maior, indicando o rápido preenchimento da fratura
com propante (embuchamento).
São necessárias uma rigorosa descrição da
filtração e algumas hipóteses significativas a respeito da
geometria da fratura para uma interpretação mais
quantitativa.
Contenção de Altura
A propagação vertical da fratura está submetida
às mesmas leis mecânicas que governam a propagação
horizontal (lateral), excetuando-se que a tensão mínima
horizontal pode variar significativamente com a
profundidade, e que esta variação pode limitar o
crescimento vertical.
O conceito de equilíbrio proposto por Simonson
et al. (1978) fornece um método simples e razoável para
calcular a altura da fratura quando ocorre um contraste de
tensão abrupto entre a zona de interesse e os estratos
superior e inferior. Uma tensão horizontal mínima que é
consideravelmente maior nas camadas adjacentes
(centenas de psi) tende a conter a altura da fratura até que
o fator de intensidade de tensão crítico seja excedido, tanto
no topo quanto na base da fratura. Conforme a pressão no
ponto de referência (centro dos canhoneios) aumenta, a
penetração de equilíbrio nas zonas superior (Δhu) e inferior
(Δhd) aumenta. O pressuposto de equilíbrio impõe duas
restrições (uma no topo e outra na base) e as duas
penetrações podem ser obtidas resolvendo-se um sistema
de duas equações. Se o componente de pressão hidrostática
for desprezado, a solução é única até que se atinja uma
pressão denominada “pressão de descontrole”.Acima da
pressão de descontrole não há estado de equilíbrio. Isso
não sugere crescimento descontrolado da fratura, mas que
o crescimento vertical da fratura deixa de ter restrição.
Como conseqüência, pode-se assumir que a fratura passa a
se propagar radialmente.
No caso de um elevado contraste negativo de
tensões (tensão na camada adjacente menor que na zona de
interesse), pode ocorrer um crescimento descontrolado da
fratura, danificando irreversivelmente o poço.
78
FIGURA 10-2. Geometria de fratura e
crescimento da altura
O conceito de altura de equilíbrio pode ser
aplicado de uma forma ponderada usando-se uma pressão
de tratamento média para determinar uma altura de fratura
constante (Rahim e Holditch, 1993). Em modelagens mais
complexas do crescimento de altura, o conceito é aplicado
para todo instante de tempo em todas as locações laterais
da fratura, conforme a figura 10-2. Esta é a base para a
modelagem de fratura 3D.
Perfilagem e Traçadores
Após o fraturamento de uma zona de interesse,
vários métodos de perfilagem podem ser usados para
avaliar a fratura criada. Os mais comumente usados
incluem as perfilagens com base em raios gama, raios
gama espectrais, temperatura, produção, sônico de onda
completa e raios gama orientados. As imagens dos raios
gama espectais usam traçadores multi-isótopicos para
identificar sinais do fraturamento tais como (1) alturas
hidráulica e sustentada no poço, (2) distribuição de
propante no poço, (3) canhoneios ou intervalos de
interesse que não foram estimulados, e (4) condutividade
da fratura em função da abertura da fratura e concentração
de propante.
Traçadores mutuamente distintos podem ser
aplicados seqüencialmente nos estágios da fratura para
determinar a eficiência desses estágios num tratamento de
fraturamento ácido ou hidráulico. Se os contrastes de
tensão ou pressão de poros entre as camadas são muito
maiores que os previstos, um tratamento de estágio único
pode resultar em cobertura ineficiente. Por outro lado,
traçadores radiativos podem indicar que múltiplos estágios
não são necessários; neste caso, os tratamentos
subseqüentes podem empregar menos estágios. A
efetividade de um gel, de espuma, ou elementos para
divergência mecânica pode ser determinada usando-se
traçadores diferenciados nos vários estágios do tratamento.
Os traçadores também podem estabelecer o quanto as
bolas selantes são efetivas na distribuição do fluido de
tratamento por todo o intervalo.
O uso de traçadores radiativos é recomendado
quando um ou mais dos sequintes tópicos são aplicáveis:
• Espesso intervalo de reservatório a ser estimulado
(maior que 45 ft).
• Baixo contraste de tensões entre as zonas de interesse
e as barreiras (menos que 700 psi)
• Planeja-se o uso de entrada limitada
• Uso de propantes especializados, especialmente no
caso de “tail-in” no final do tratamento.
• A filtração de fluido é desconhecida ou é prevista ser
mais alta que a usual.
A perfilagem de temperatura pode determinar,
após a operação, a altura atingida pela fratura e a
distribuição de fluido no poço, mas não é um indicativo da
distribuição de propante. Fluidos frios (na temperatura
ambiente) injetados na formação podem ser detectados
facilmente pela mudança no perfil de temperatura em
frente à formação tratada. Geralmente, necessita-se de uma
série de corridas de perfil para determinar a altura tratada.
Os intervalos que receberam um grande volume de
fluido/propante requerem um maior tempo para retornar à
temperatura de equilíbrio.
Mapeamento da Fratura
Uma nova e poderosa categoria de técnica de
diagnóstico de fraturamento emergiu na última década: o
mapeamento de fratura com micro-sísmica e tiltmeter
(Vinegar et al., 1992). O mapeamento de fratura se baseia
na medição de sinais acústicos e das deformações de rocha
causadas pelo processo de fraturamento para determinar a
geometria criada da fratura.
O processo de fraturamento hidráulico pode ser
visto como uma série de mini-terremotos. Um extenso
conjunto de distintos sinais acústicos é gerado conforme a
rocha é estressada e deformada. Em princípio, pela
monitoração e mapeamento destes eventos micro-sísmicos
e deformações, a evolução e extensão da fratura podem ser
estabelecidas diretamente. Estas técnicas apresentam um
grande potencial sobre as de medição direta convencional,
como os traçadores radiativos ou perfis de temperatura,
porque sua profundidade de investigação é praticamente
ilimitada, efetivamente permitindo o monitoramento de
eventos a dezenas ou até centenas de metros do poço
tratado.
Quando a monitoração dos eventos sísmicos
criados no fraturamento é feita por um conjunto de
geofones de fundo de poço, o processo é conhecido por
imageamento sísmico passivo. O imageamento sísmico
ativo ou tomografia de poço é o processo de transmissão e
recepção sistemáticas de uma série de sinais acústicos a
um plano de fratura com a finalidade de estabelecer a
extensão da fratura (figura 10-3). Embora as ferramentas
para o processo já estejam desenvolvidas, são necessários
progressos nas áreas de criação de fonte, aquisição de
dados e métodos de interpretação para seu estabelecimento
definitivo na indústria.
79
FIGURA 10-3. Imageamento sísmico
O mapeamento de fratura com tiltmeter tem sido
extensivamente usado desde a década passada (Fisher,
2001), apesar de sua utilização ser limitada. Basicamente,
as deformações causadas pelo fraturamento hidráulico são
transmitidas pelas camadas adjacentes para grandes
distâncias do poço. No caso de formações relativamente
rasas (alguns milhares de ft), esta deformação resulta em
uma deflexão (“tilt”) facilmente medida na superfície. Os
tiltmeters modernos – eles equivalem a um nível do tipo
usado por carpinteiros, mas mais sensível – são capazes de
medir desvios de até 0,0000001%. Os tiltmeters de
superfície são particularmente úteis na determinação da
orientação da fratura em formações rasas. Os tiltmeters de
fundo de poço são principalmente úteis na determinação
de comprimento e altura da fratura. Seu uso tem sido
bastante limitados pela necessidade de poços de
observação próximos, nos quais são posicionados.
A última geração de tiltmeter de fundo de poço
pode ser diretamente posicionada no poço a ser tratado.
Com o tempo, sua utilização deve se tornar mais
abrangente, viabilizando a aplicação desta técnica.
Teste de Poço
Em formações de baixa permeabilidade, a
realização de um teste de poço antes do fraturamento é
inviável, de forma que o conhecimento da permeabilidade
é limitado. Neste caso, um teste de crescimento de pressão
(buildup) no poço recém-fraturado tem como objetivo a
obtenção desta permeabilidade e da extensão da fratura.
Infelizmente, este é um problema mal colocado no sentido
de que muitas diferentes combinações de duas variáveis
podem fornecer a solução. Em formações de alta
permeabilidade, a permeabilidade geralmente é conhecida
e o principal objetivo de um teste posterior ao
fraturamento deve ser a avaliação da fratura criada.
Para propósito de avaliação, um reservatório
infinito pode ser considerado. O comportamento transiente
de um poço vertical interceptado por uma fratura de
condutividade finita foi formalmente descrito por Cinco-
Ley e co-autores (1978, 1981). A figura 10-4 mostra um
gráfico log-log de diagnóstico de pressão adimensional
versus tempo adimensional parametrizado pela
condutividade adimensional da fratura.
FIGURA 10-4. Gráfico log-log de diagnostíco de
um poço vertical fraturado
No regime de fluxo bilinear, onde o fluxo é
determinado tanto pelo reservatório quanto pelas
características da fratura, a pressão adimensional pode ser
expressa por
41
2)45( Dxf
fD
D t
C
p
Γ
=
π
onde tDxf é o tempo adimensional e o semi-comprimento da
fratura é a dimensão característica. Portanto, este regime
de fluxo é caracterizado por uma reta com declividade de
um quartono gráfico log-log de pressão e derivada da
pressão.
A partir da identificação deste regime no gráfico
de diagnóstico, um gráfico especializado de pressão versus
a raiz quarta do tempo pode ser construído. A declividade,
mbf, da linha reta ajustada é uma combinação de
propriedades do reservatório e da fratura
2121414141
43
2
1390,0
)45(22
wkkch
qB
xc
k
kh
qB
C
m
ft
ftfD
bf
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
Γ
=
φ
μ
φμπ
μπ
Isto pode ser usado para se obter uma ou outra
quantidade, ou sua combinação, dependendo das
informações disponíveis. Como pode ser observado nesta
equação, a permeabilidade da formação e a condutividade
da fratura não podem ser determinadas simultaneamente
neste regime. Conhecendo a permeabilidade da formação,
a condutividade da fratura pode ser calculada da
declividade, mas sua extensão não.
Sugere-se, para um tratamento adequadamente
dimensionado e executado, que se assuma a condutividade
adimensional da fratura, CfD = 1,6, e então se determine
uma condutividade de fratura equivalente na equação
acima e um semi-comprimento de fratura equivalente da
expressão
2
414143
43308,0
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
=
φ
μ
tbf
feq
ckh
Bq
m
x
80
A comparação do comprimento de fratura
equivalente ao comprimento projetado pode dar
importantes informações sobre o sucesso do trabalho
executado.
A real extensão da fratura pode também ser
determinada dos subseqüentes regimes linear na formação
ou pseudo-radial tardio. Infelizmente, o regime de fluxo
linear na formação tem geralmente uma duração limitada,
o que pode dificultar sua detecção, e o fluxo pseudo-radial
pode não estar disponível devido aos efeitos de limite de
reservatório.
Para o fluxo linear na formação, uma solução
aproximada é
2
2
ft
wfsi
xc
kt
kh
Bq
pp
φμ
πμπ
=−
Portanto, o semi-comprimento da fratura pode ser
obtido da declividade de um gráfico especialista de
pressão versus raiz quadrada do tempo, de acordo com
kch
Bq
m
x
tflf
f φ
μ14,11
=
Este regime de fluxo, se existir, não é
influenciado pela condutividade da fratura.
Nas referências, vários outros efeitos são
considerado; como a influência dos contornos, geometria
do reservatório, locação do poço, estratificação do
reservatório, penetração vertical parcial, fluxo não-
Darcyano na fratura e/ou na formação, anisotropia de
permeabilidade, dupla porosidade, mudanças de fase, dano
na face da fratura e variações espaciais na condutividade
da fratura.
Avaliação de Tratamentos HPF –
Uma Abordagem Unificada
Resultados de Produção
A avaliação de fraturamentos de alta
permeabilidade pode ser vista sob vários aspectos
diferentes, sendo o mais comum, o econômico (i.e.,
resultados de produção). O HPF tem tido ampla aceitação
porque permite que as operadoras “façam” mais óleo com
menos custos. McLarty e DeBonis (1995) relataram que
tratamentos de frac-pack tipicamente resultam em
aumentos de produção de duas ou duas e meia vezes em
comparação aos gravel packs, e ofereceram os resultados
mostrados na tabela 10-1
TABELA 10-1. Resultados de produção do HPF
Tipo Antes Depois
Poço novo 460 bopd 1.216 bopd
Recompletação (óleo) 1.300 bopd 2.200 bopd
Recompletação (gás) 3,8 MMcfd 13,2 MMcfd
Falha areia 200 bopd 800 bopd
Resultados de aumento de produção similares
povoam as referências de HPF. Stewart et al. (1995)
apresentam uma justificativa econômica relativamente
simples para o HPF (complementando a melhoria de
produtividade) que considera o custo incremental do HPF
e os retornos associados, gastos operacionais, taxas
relativas de declínio e aceleração da recuperação da
reserva.
Avaliação de Dados de HPF em
Tempo Real
Há um reconhecimento crescente do valor da
tomada de dados em tempo real para o HPF. Conjuntos
completos de dados gravados são atualmente coletados e
avaliados como parte da análise pós-tratamento.
A reconstrução do tratamento e o diagnóstico
posterior são uma poderosa ferramenta para a melhoria do
projeto e execução de HPF, mas a utilidade dos esforços
neste sentido é limitada. A proliferação de softwares
amigáveis, embora fechados (caixas-preta), e da simulação
tem piorado em vez de melhorar a compreensão física do
processo.
A prática de avaliação em tempo real pelo ajuste
da pressão net é geralmente suspeita. Complexidades
incorporadas num simulador 3D para aprimorar o ajuste
sacrificam a unicidade (utilidade) da avaliação,
comprometendo a capacidade preditiva da simulação.
Contrastando com esta abordagem, considerar a
avaliação em etapass da pressão de tratamento de fundo
conforme proposto por Valkó et al. (1996):
1. Determina-se um coeficiente de leakoff (filtração) da
avaliação dos dados do minifrac usando um número
mínimo de hipóteses e de interações com o usuário.
Sugere-se o uso da geometria radial de fratura e do
método combinado Nolte-Shlyapobersky.
2. Usando o coeficiente de leakoff obtido, aplica-se um
procedimento quase automatizado para estimar as
dimensões da fratura criada e a concentração areal de
propante a partir da curva de pressão de fundo
monitorada durante a execução do tratamento HPF.
Este procedimento (denominado “análise de
declividade”) está desenvolvido em uma seção
posterior como uma importante contribuição para a
avaliação de dados em tempo real do HPF
3. As dimensões de fratura e a concentração areal de
propante obtidas são convertidas em extensão e
condutividade de fratura equivalentes. O desempenho
real do poço é analisado usando-se procedimentos de
teste de poço, e os resultados são comparados aos
obtidos na análise de declividade.
4. A extensão deste procedimento para um conjunto de
tratamentos num determinado “volume de controle”
(campo, zona, etc.) resulta num banco de dados que
melhora a previsibilidade e resultado de tratamentos
HPF.
Aparentemente, no presente momento há uma
tendência na indústria de apoio aos esforços de
desenvolvimento e compartilhamento de informações. O
procedimento acima fornece um quadro coerente (embora
não exclusivo) para a comparação de dados de HPF de
várias fontes usando uma metodologia comum e pouco
onerosa de avaliação.
Teste de Poço após HPF
Para avaliação pós-tratamento, perfis de
temperatura e várias técnicas de mapeamento de fratura
têm ganhado crescente importância. Contudo, do ponto de
vista de produção futura, a mais importante é a análise do
transiente de pressão. Evitando um exaustivo tratamento
81
do tema, é apropriado neste ponto abordar alguns tópicos
relativos à análise do transiente de pressão em poços HPF,
especialmente o fator de skin positivo, que se apresenta
como o maior desafio na avaliação do tratamento.
O desempenho de um poço vertical fraturado sob
condição de fluxo pseudo-permanente foi investigado por
McGuire e Sikora (1960) usando um análogo físico (a
corrente elétrica). Estudo similar foi conduzido por van
Poollen et al. (1958). Para o caso não-permanente, uma
série de trabalhos foi iniciada por Gringarten e Ramey
(1974) e prosseguida por Cinco-Ley et al. (1978). Eles
estabeleceram os conceitos de fratura de condutividade
infinita, fratura com fluxo uniforme e fratura de
condutividade finita. Sob a perspectiva da formação,
reservatórios de dupla porosidade, reservatórios
estratificados, e várias condições de contorno diferentes
foram consideradas. Os regimes de fluxo típicos (linear na
fratura, bilinear, pseudo-radial) têm sido bem
documentados nas referências e foram discutidos acima.
Desvios do comportamento ideal (efeitos não-Darcyanos)
também têm sido considerados.
A análise do transiente de pressão pós-tratamento
em poços HPF se inicia com o gráfico log-log de
diagnóstico, incluindo a curva de derivada da pressão.
Identificando-se os diferentes regimes de fluxo, gráficos
especialistas podem ser usados para se obter as
características da fratura criada. Em princípio, o
comprimento da fratura e/ou a condutividade podem ser
determinadosusando-se um valor conhecido de
permeabilidade. Para HPF, contudo, o relativamente
grande arsenal de poços fraturados, diagnósticos de
transiente de pressão e análises têm se provado um tanto
quanto inefetivos. Geralmente é difícil revelar as
características marcantes de uma fratura existente no
gráfico de diagnóstico. Na realidade, o poço geralmente se
comporta de maneira similar a um poço não estimulado,
levemente danificado. Um tratamento HPF é considerado
bem sucedido se um skin de alto valor, de ordem superior
a 10, é reduzido a valores na faixa de +1 a +4. Estes
fatores de skin (ainda) positivos representam o maior
desafio na avaliação do tratamento.
A óbvia discrepância entre a teoria e a prática tem
sido atribuída a diversos fatores, alguns dos quais bem
documentados e entendidos, e outros ainda em forma de
hipóteses:
• Fatores que causam uma redução na permeabilidade
aparente na fratura. O fator mais conhecido que
reduz a permeabilidade aparente do pacote de
propante, e portanto a condutividade da fratura, é o
dano no pacote de propante. A redução de
permeabilidade causada pelo resíduo deixado pelo
fluido gelificado e o esmagamento do propante é bem
conhecida. Como estes fenômenos ocorrem em todo
fraturamento, eles não podem ser acusados de serem a
principal causa da discrepância em fraturamentos de
alta permeabilidade. O fluxo não-Darcyano na fratura
é também razoavelmente bem compreendido. A
separação do skin dependente da vazão do
componente da variação da vazão pelo teste de
múltiplas vazões é uma prática já estabelecida. O
efeitos de mudança de fase na fratura não é tão
simples de quantificar.
• Fatores que reduzem a abertura aparente. A
incrustação do propante em formações moles está
atualmente bem documentada nas referências (Lagy et
al., 1996)
• Efeito skin na face da fratura. As duas fontes desse
fenômeno são o resíduo do reboco e a invasão de
polímero. Às vezes, uma limpeza demorada (redução
do efeito skin) de um poço estimulado é considerada
como uma prova indireta deste dano. Considera-se
que os fluidos de polímeros lineares invadem mais
profundamente a formação, causando maior dano de
face de fratura, conforme discutido por Mathur et al.
(1995).
• Anisotropia de permeabilidade. Embora a anisotropia
de permeabilidade tenha um efeito limitado no fluxo
pseudo-radial, o regime de fluxo transiente de curto
tempo para um poço estimulado é muito sensível à
este fenômeno. Este fato é geralmente desconsiderado
quando se caracteriza o poço com um único efeito
skin.
• Conceito de skin. Deve ser enfatizado que o uso do
conceito de skin negativo como a única medida da
qualidade do poço pode ser uma fonte da discrepância
em si.
Validade do Conceito de Skin para o
HPF
Não há, de fato, uma base teórica clara para se
obter um skin negativo a partir de dados de curto tempo de
teste de poço – o qual é distorcido pela estocagem do poço
caso ele tenha sido estimulado. Neste caso, uma análise
clássica de curva-tipo, que assume reservatório infinito,
estocagem de poço, e efeito skin não é baseada em
princípios físicos claros e podem induzir conclusões não
realistas.
A validade do conceito de pseudo-skin durante o
período transiente de produção é também um ponto
importante. Em geral, o conceito de pseudo-skin é válido
somente para longos tempos. Assim, uma fratura projetada
para desempenho de longo tempo pode não se comportar
bem no curto tempo. A penalização na taxa inicial de
produção associada à otimização das dimensões da fratura
para longo tempo não tem sido estudada. Ainda, é razoável
assumir que a perda de desempenho é mínima em
reservatórios de alta permeabilidade, onde os tempos
adimensionais correspondentes a meses ou anos são muito
maiores que para reservatórios de baixa permeabilidade.
Análise de Declividade
Um TSO (tip screenout) completo deve mostrar
um comportamento peculiar na pressão de tratamento; isto
é, a pressão de tratamento deve marcantemente aumentar
com o tempo. Contudo, os tratamentos HPF em geral
exibem numerosos intervalos de crescimento de pressão
que são interrompidos por decréscimos anômalos de
pressão, provavelmente porque a extensão da fratura pode
ocorrer de tempos em tempos (i.e., em muitos casos, não
se consegue um TSO simples completo).
Trabalho apresentado por Valkó, Oligney e
Schraufnagel (1996) fornece uma ferramenta simples para
examinar tal comportamento. As curvas de pressão de
tratamento são analisadas com foco na evolução da
82
extensão da fratura e uma distribuição plausível de
propante no final do tratamento.
No desenvolvimento da ferramenta, vários
parâmetros de projeto foram intencionalmente impostos: o
método deveria exigir um mínimo de dados de entrada
além dos dados reais de tratamento, deveria ser
relativamente independente do modelo de propagação
usado, e não deveria ser um procedimento de ajuste de
histórico. De acordo com o requisito básico de
independência do modelo, o método de análise de
declividades é uma ferramenta visual baseadas em
equações simples e um algoritmo bem definido. Devido à
sua simplicidade, a ferramenta se presta para análise em
tempo real também.
Hipóteses
Durante o tip screenout, a abertura da fratura é
inflada enquanto a área das faces da fratura permanece
constante. Este fenômeno se manifestaria por um marcante
aumento de pressão durante o tratamento. Na prática, os
intervalos de crescimento de pressão podem ser
interrompidos por quedas anômalas de pressão porque a
extensão da fratura pode ocorrer de tempos em tempos.
Baseado neste raciocínio, o tratamento HPF é considerado
como uma série (regular) de intervalos de extensão
travada/abertura inflada interrompida por intervalos
(irregulares) de extensão da área da fratura.
Neste caso, o tratamento pode ser decomposto em
períodos seqüenciais de área de fratura constante
separados por períodos (possivelmente vários) de extensão
da fratura. Os períodos de tempo são posicionados por um
simples processamento da curva de pressão de tratamento.
Se esta visão do tratamento é aceita, então a
declividade da curva crescente de pressão durante o
período de inflação da abertura pode ser interpretada para
se obter o “raio de empacotamento” da fratura neste ponto
durante o tratamento (i.e., característico para um dado
período). O agrupamento desta sequência de raios de
empacotamento estimados forma um cenário que –
combinado com informações adicionais da história de
injeção do propante – leva à distribuição final de propante.
Transformando esta idéia em um algoritmo de
trabalho, várias hipóteses devem ser feitas quanto à
geometria da fratura e ao caráter do processo de filtração.
As seguintes hipóteses são assumidas:
1. A fratura criada é vertical, com geometria radial;
2. A filtração do fluido pode ser descrita pelo modelo de
filtração de Carter (Howard e Fast, 1957) em conjunto
com o crescimento de área tipo potência usado por
Nolte (1979), ou por um dos modelos detalhados de
filtração discutidos no capítulo 5;
3. O raio de empacotamento da fratura pode variar com
tempo, podendo aumentar ou diminuir;
4. O raio hidráulico da fratura (que define a área de
filtração) não pode diminuir e é o máximo do raio de
empacotamento que ocorreu até o tempo dado;
5. Durante os períodos regulares de inflação de abertura,
a declividade da pressão é definida pelo
comportamento elástico linear e pelo balanço de
materiais, desconsiderando os efeitos de fricção; e
6. O propante bombeado é igualmente distribuído ao
longo da área empacotada real durante cada período
incremental de extensão travada/abertura inflada.
O método sugerido consiste de vários passos.
Primeiro, são escolhidas as partes da curva de pressão de
fundo que mostram declividade positiva. A declividade é
então interpretada assumindo-se que o aumento de pressão
é causado pela inflação da abertura. A interpretação resulta
em um raio de empacotamentoque corresponde a um dado
tempo. O processamento passo a passo de toda a curva
forma o histórico dos raios de empacotamento, embora não
forneça informação a respeito dos intervalos em que a
declividade é negativa. Este histórico é completado pela
interpolação entre os valores conhecidos.
Baseado nesta evolução do histórico de raios de
empacotamento, a distribuição final de propante é
facilmente determinada pela superposição dos dados de
injeção de propante em tempo real. A distribuição final de
propante (conseqüentemente, o comprimento e a abertura
da fratura) é o resultado prático da análise de declividade
proposta.
Teoria do Crescimento Restrito
O TSO pode ser considerado como a inflação da
abertura da fratura enquanto a área da fratura não aumenta.
Se a abertura média é dada por w e a área da face da
fratura (uma asa, uma face) por A, então
)(1
Lqi
Adt
dw
−=
onde i é a vazão de injeção (pra uma asa) e qL é a taxa de
perda de fluido (para uma asa).
A notação básica é ilustrada na figura 10-5.
Assumindo que a fratura é radial com raio R, então
2
2RA π
=
FIGURA 10-5. Geometria de fratura HPF radial
Como primeira aproximação, assume-se que a
pressão na fratura durante a inflação independe da posição
(i.e., ela é homogênea). A pressão net – o excesso de
83
pressão em relação à tensão principal mínima - é
diretamente proporcional à abertura média:
w
R
Epn 16
'3π
=
onde E’ é o módulo plano de deformação (capítulo 4).
Combinando as equações, a derivada da pressão é
dada por
)(2
16
'3
2 Lqi
RR
E
dt
dp
−=
π
π
onde o subscrito para a pressão net foi desconsiderado
porque as derivadas da pressão de fundo e da pressão net
são iguais.
Esta equação pode ser usada para a obtenção de
R. Para tanto é necessária uma estimativa de qL.
Detalhes do modelo de filtração de Carter são
mostrados no capítulo 4. Assumindo que a fratura se
estendeu durante um tempo t de acordo com a hipótese de
potência de Nolte e foi travada neste instante de tempo t, a
taxa de filtração qL,t imediatamento após o travamento é
dada por
0
,
),(12
=Δ
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
Δ∂
Δ∂
=
DtD
D
LtL t
tg
t
ACq
α
onde A é a área atual da fratura e α é o expoente de
potência do crescimento de área. A função de duas
variáveis g foi discutida no capítulo 4.
Para uma fratura radial criada pela injeção de um
fluido newtoniano, o expoente é dado como α = 8/9 e a
derivada da função g é dada por
91,1
)98,(
0
=⎥
⎦
⎤
⎢
⎣
⎡
Δ∂
Δ∂
=Δ DtD
D
t
tg
Portanto, a taxa de filtração estimada é obtida como:
t
AC
q L
L 82,3=
Algoritmo de Análise de Declividade
A teoria do crescimento restrito é combinada com
o balanço de materiais simples para formar o método de
análise de declividade, conforme demonstrado antes,
usando um conjunto de dados de HPF fornecido pela Shell
E&P Technology Company.
Selecionando os Intervalos de
Inflação de Abertura
A figura 10-6 apresenta da pressão de fundo
registrada durante um tratmento HPF. Embora possa ser
considerada atípica, o fato é que a maioria dos conjuntos
de dados disponíveis (sem a natural auto-censura dos
autores de publicações) são atípicos em um ou outro
aspecto. A abordagem recomendada se baseia exatamente
nesta premissa (i.e., evitando hipóteses prematuras sobre a
forma da curva de pressão). A análise de declividade pode
ser mais bem descrita como uma operação de
processamento de sinais do que como um ajuste de um
determinado modelo aos dados.
FIGURA 10-6. Pressão de tratamento de fundo de um HPF
FIGURA 10-7. Pontos da pressão de fundo
correspondentes aos intervalos de inflação da abertura e
linhas retas correspondentes.
O método sugerido consiste na seleção das
porções da curva de pressão de fundo que mostram
declividade positiva. Ajusta-se linhas retas aos pontos
correspondentes a cada intervalo. Usando um algoritmo
simples podem-se selecionar os pontos que satisfazem o
critério de crescimento restrito da fratura. As linhas retas
são ajustadas a uma série individual para se chegar ao
gráfico mostrado na figura 10-7
A declividade da linha reta fornece uma derivada
média de pressão que corresponde ao intervalo de tempo
em que ocorre o crescimento restrito. Em vista das
hipóteses assumidas, estas declividades contêm
informações que definem o raio de empacotamento real
que correspondem aos momentos discretizados durante o
HPF.
84
Determinação do Raio de
Empacotamento Correspondente a
um Período de Inflação de Abertura
Reunindo as expressões obtidas,
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
−= 91,11
2
22
16
'3 2
2 t
CRi
RR
Em L
π
π
π ,
ou
0'375,0'25,223 =⎟
⎠
⎞
⎜
⎝
⎛−⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
+
m
iE
tm
CE
RR L
Para cada intervalo de crescimento restrito
selecionado, conhecendo-se a declividade m e a vazão de
injeção i num dado tempo t, a equação acima pode ser
resolvida em R. Como a equação é cúbica, pode-se obter
uma solução implícita.
Esta equação pode ser usada com a vazão real de
injeção em uma asa, i, registrada no instante t, e a
declividade da curva de pressão versus tempo neste
instante. A solução obtida é o raio de empacotamento. A
figura 10-8 mostra os raios de empacotamento obtidos a
partir da curva do exemplo de HPF analisado. Conforme
pode ser visto na figura, após um certo período de tempo
de bombeio (aproximadamente 25 minutos), o raio de
empacotamento começa a decrescer. Em outras palavras,
perto do final do tratamento somente a área da fratura
próxima ao poço foi empacotada. Isto é consistente com os
objetivos do tratamento, e é alcançado pela gradativa
diminuição da vazão de bombeio nos estágios finais do
tratamento.
FIGURA 10-8. Raio de empacotamento estimado, com
interpolação
Interpolação entre Valores
Conhecidos de Raio de
Empacotamento
Como o raio de empacotamento é obtido somente
nos intervalos de inflação de abertura, necessita-se de uma
ferramenta simples para preencher as lacunas no gráfico.
Usa-se a interpolação logarítimica simples para estimar os
raios de empacotamente entre os valores conhecidos.
Além disso, pode-se estimar o raio “hidráulico”
do fraturamento no tempo t como o raio de
empacotamento máximo neste ponto (ver linha pontilhada
no gráfico 10-8). Enquanto o propante é posicionado
dentro do raio de empacotamento real, a filtração ocorre ao
longo da área determinada pela extensão hidráulica da
fratura. O conhecimento da extensão hidráulica da fratura
é útil para maiores considerações a respeito do balanço de
materiais.
Determinação da Concentração Areal
Final de Propante
A concentração final de propante (distribuição de
propante) na fratura pode ser derivada de forma
relativamente direta da curva de raios de empacotamento e
do conhecimento da concentração de propante de fundo de
poço em função do tempo. O registro típico do trabalho
normalmente inclui esta informação.
O cálculo da concentração areal final de propante
na fratura segue o seguinte roteiro:
1. Para cada instante de tempo, Δt, determinar a massa
de propante que entra na fratura.
2. Assumir que esta massa está uniformemente
distribuída dentro do raio de empacotamento
correspondente ao passo de tempo dado
3. Obter a massa de propante no “anel” entre os raios R1
e R2 pela somatória (acumulada) das massas de
propante colocadas durante todo o tratamento
4. Repetir o passo 3 para todos os anéis para obter a
concentração areal de propante como função da
posição radial R.
A aplicação deste esquema aos dados do exemplo
resulta na concentração areal de propante em função da
distância radial a partir do centro dos canhoneados, R. A
distribuição da concentração de propante para o conjunto
de dados do exemplo é mostrada na figura 10-9.
FIGURA 10-9. Concentração areal final de propante em
função da distância radial a partir do centro do intervalo
canhoneado.
O método demonstrado para a avaliação do
comportamento de pressão do HPF não é baseado em
modelo específico de mecânica de fraturase/ou transporte
de propante. Além disso, ele toma a curva de pressão tal
como ocorre e a processa usando um mínimo de dados. Os
registros usuais de dados de um trabalho (vazão de injeção
da pasta, concentração de propante de fundo de poço e
pressão de fundo) podem ser usados para estimar a
extensão da fratura e sua distribuição de propante. Os
85
únicos parâmetros adicionais necessários para a análise são
o módulo plano de deformação e o coeficiente de filtração.
O sucesso deste procedimento depende da
validade da hipótese-chave de que as declividades
positivas observadas na curva de pressão de fundo são
causadas pela extensão restrita de fratura/inflação da
abertura. Se não houver intervalo de tempo que satisfaça o
critério de extensão restrita, ou outro fenômeno envolvido
mascarar o efeito (e.g., transientes de pressão causados por
bruscas mudanças da vazão de injeção ou mudanças
dramáticas na pressão de fricção resultante de variações de
concentração de propante), o raio estimado de
empacotamento pode ser contaminado por um
considerável erro. Caso contrário, o procedimento
sugerido pode ser considerado um importante passo na
análise dos dados de pressão de um tratamento HPF.
Nomenclatura
A área, m. ft
A0 área da fratura no TSO
B fator volume de formação
b1 raio do dano radial, m, ft
b2 penetração do dano na face da fratura, m, ft
bN intercepto, método de Nolte, Pa, psi
Bo, fator volume de formação do óleo, RB/STB
bs penetração da invasão do polímero, ft
c semi-comprimento da fissura, m, ft
CA fator de forma poço-reservatório
CfD condutividade adimensional da fratura
CL coeficiente de leakoff de Carter (relativo com
respeito à área da fratura), m/sl/2, ft/minl/2
CL,p coeficiente de leakoff de Carter (relativo à área
permeável), m/sl/2, ft/minl/2
Cw componente de roboco do coeficiente de
leakoff, m/sl/2, ft/minl/2
ct compressibilidade total do reservoir, Pa-1,psi-1
E módulo de Young, Pa, psi
E' módulo plano de deformação, Pa, psi
hf altura da fratura, m, ft
hp espessura permeável, m, ft
i taxa de injeção para uma asa, m3/s, bpm
Ix raio de penetração: 2xf/xe
J índice de produtividade, m3/s/Pa, stb/d/psi
JD índice adimensional de produtividade
k permeabilidade do reservatório, m2, mD
k1 permeabilidade da zona danificada radial
equivalente, m2, mD
k2 permeabilidade na zona invadida da face da
fratura (fora do raio da zona danificada), m2,
mD
k3 permeabilidade na zona invadida da face da
fratura (dentro do raio da zona danificada), m2,
mD
kf permeabilidade da fratura, m2, mD
kr permeabilidade do reservatório, m2, mD
K índice de consistência do fluido, Pa.sn, lbf s/ft2
kf permeabilidade da fratura, mD
kfg permeabilidade relativa de ga
KL fator de distribuição do tempo de fratura,
adimensional
ks permeabilidade danificada, mD
Mtso peso total do propante
mN declividade, método Nolte, Pa, psi
mbf declividade, gráfico especializado, fluxo
bilinear, Pa.s-1/4, psi hr-1/4
n índice de comportamento do fluxo,
adimensional
Np número de propante
pi pressão inicial do reservatório, Pa, psi
pe pressão constante no contorno externo, Pa, psi
p pressão media do reservatório, Pa, psi
pwf pressão de fluxo de fundo, Pa, psi
pc pressão de fechamento, Pa, psi
pD pressão adimensional
Δp(t0) pressão net no TSO
q vazão de produção (condições normais), m3/s,
STB/d
qg vazão de gás, STB/d
qL taxa de filtração (1 asa, 2 faces), m3/s, BPM
r distância da extremidade da fratura, m, ft
re raio de reservatório equivalente, m, ft
Rf raio da fratura radial, m, ft
R0 resistência do reboco, Pa.s/m
rp razão área permeável – área da fratura
rw raio do poço, m, ft
s (pseudo) skin do poço
sd factor skin efetivo do dano radial e dado de
face da fratura
sf skin de fratura de condutividade finita sem skin
de face da fratura nem dano radial
sfs skin de face da fratura
Sg saturação de gás
sND skin de fluxo não-Darcyano
Sh tensão minima horizontal, Pa, psi
Sv tensão vertical absoluta, Pa- psi
Sf rigidez da fratura, Pa/m, psi/ft
Sp coeficiente de spurt loss (aparente), m, ft
Sp,p coeficiente de spurt loss (referente à camada
permeável), m, ft
st skin total composto
Sw saturação de água
t tempo, s, hr
T temperatura, oK, oR
t0 tempo total até o TSO
tD tempo adimensional (referente ao raio do poço)
tDxf tempo adimensional (referente ao semi-
comprimento da fratura)
te tempo do final do bombeio, s, min
85
V volume de uma asa da fratura, m3, ft3
VF(t0) volume da fratura no TSO
Vi volume de fluido injetado em uma asa, m3, ft3
Vp volume de propante na zona produtora, ft3
Vr volume da zona produtora, ft3
w abertura média da fratura, m, ft
we abertura média da fratura ao final do bombeio,
m, ft
wp abertura média sustentada da fratura, m, ft
xf semi-comprimento da fratura, m, ft
xe lado do quadrado na direção x
ye lado do quadrado na direção y
Z fator compressibilidade do gás
α expoente de crescimento da area da fratura,
adimensional
α constant poroelástica de Biot, adimensional
α parâmetro do modelo de Fan-Economides
α1 factor de conversão (em unidade de campo:
887,22)
ε expoente do esquema de propante (também,
fração de colchão), adimensional
φ porosidade, adimensional
φp porosidade do pacote de propante,
adimensional
γ razão entre as aberturas media e máxima,
adimensional
γ& taxa de cisalhamento, 1/s
η eficiência do fluido, adimensional
η parâmetro do modelo de Fan-Economides
ηe eficiência do fluido ao final do bombeio,
adimensional
μ viscosidade, Pa.s, cp
μa viscosidade aparente, Pa.s, cp
μe viscosidade newtoniana equivalente, Pa.s, cp
μr viscosidade do fluido do reservatório, Pa.s, cp
ν modulo de Poisson, adimensional
σ tensão interfacial (unidade de pressão)
σh tensão efetiva horizontal, Pa, psi
σv tensão efetiva vertical, Pa, psi
τ tensão cisalhante, Pa, psi
φ porosidade
Γ constante de Euler: = 0,57721566
86
Glossário
acidificação: estimulação da produção de óleo ou gás pela
injeção de uma solução de acido clorídrico ou outro ácido
na formação produtora.
aditivo para perda de fluido: aditivo usado para reduzir a
perda de fluido durante um fraturamento, de modo a
aumentar a eficiência do fluido (maximizando as
dimensões da fratura criada com um dado volume de
fluido volume e reduzindo o potencial de dano à formação.
água conata: água retida no espaço poroso, não
produzida, que ocupou os interstícios da rocha no tempo
em que a formação foi criada, geralmente expressa como
uma porcentagem do espaço poroso total disponível.
aniônica: carregada negativamente, caracterizada por um
anion superficial ativo.
batch mix : fluido para uso numa operação de
fraturamento que é previamente preparado nos tanques de
estocagem de fluido antes do início do bombeio.
bauxita: óxido de alumínio usado como propante em
zonas profundas, de alta pressão.
bullheading: pressurização do poço com ácido ou fluido,
sem propante, com o propósito de quebrar a formação.
camada de interesse: zona produtora de óleo ou gás.
capacidade de fluxo: produto da permeabilidade (em
miliDarcies) da formação por sua espessura (em pés).
cation: íon carregado positivamente.
cavalo hidráulico: taxa de medida de trabalho comumente
usada para definir a capacidade de bombas movidas por
pistões de deslocamento positivo empregadas num
fraturamento hidráulico.
centipoise (cp) : unidade de medida da viscosidade, igual
a 1/100 de um poise. (A água tem a viscosidade de 1 cp; o
óleo de oliva tem a viscosidade de 100 cp ou 1 poise.)
completação: atividades e métodos necessários para
preparar um poço para a produção de petróleo,
estabelecendo um conduto de fluxo entre o reservatório e a
superfície.
cone: o avanço da água do reservatório sobre a coluna de
óleo e/ou o poço produtor devido a um excessivo
drawdown.
Darcy: unidade de medida da permeabilidade.
densidade: razão entre o peso de um dado volume de um
sólido or líquido e o peso do mesmo volumede água pura
na mesma temperatura, usada como um meio de
comparação (A água, como a substância mais abundante
na Terra, foi selecionada como base para comparações em
peso, tendo sua densidade recebido o valor arbitrário e
representativo da unidade. A densidade do gás é medida e
reportada com respeito a oar nas condições normais.)
deslocamento (overflush): fluido bombeado após o
volume programado para o tratamento de forma a desloca-
lo da superfície até a profundidade dos canhoneados
drawdown: diferença entre as pressões estática e de fluxo
efeito skin: termo adimensional incorporado nos cálculos
de vazão de produção para considerar os desvios do
desempenho de um poço devido ao dano de formação na
área próxima ao poço, símbolo s.
emulsão: suspensão de um líquido oleoso ou resinoso,
muito finamente dividido, em outro líquido, ou vice versa,
conforme comparado a uma solução que é uma mistura
uniforme de duas ou mais substâncias. (De particular
interesse em fraturamento hidráulico são as emulsões
criadas entre fluidos de tratamento e o óleo da formação,
que podem bloquear a permeabilidade natural da
formação.)
estimulação: aumento da capacidade de fluxo de fluido
em formações compostas por arenito ou calcário pela
acidificação ou fraturamentos ácido ou hidráulico.
estratégia de canhoneio para entrada limitada: uso de
um número bastante limitado de canhoneios para criar
condições de fluxo crítico (a vazão de fluido atinge um
máximo, independentemente do diferencial de pressão)
com o objetivo de distribuir o tratamento por múltiplas
zonas numa formação espessa.
fator volume de formação: volume de reservatório
ocupado por um volume unitário de óleo condições
normais de superfície, incluindo o gás dissolvido.
filtração: ver perda de fluido.
fluido dilatante: um fluido que não exibe limite de
escoamento mas cuja declividade da curva reológica
aumenta com o aumento da taxa de cisalhamento.
(Comparar ao fluid pseudoplástico e fluido Newtoniano.)
fluido Newtoniano: fluido que não exibe limite de
escoamento (o fluxo se inicia imediatamente sob uma
tensão cisalhante infinitesimal) e apresenta como
comportamento reológico uma linha reta (a tensão
cisalhante varia linearmente com a taxa de cisalhamento).
fluido plástico: fluido complexo, não-Newtoniano, que
requer uma tensão cisalhante positiva (limite de
escoamento) para iniciar seu fluxo, mas exige
comportamento reológico em linha reta. (Comparar a
fluido Newtoniano)
fluido pseudo-plástico: fluido que não exibe limite de
escoamento, mas cuja declividade da curva reológica
decresce com o aumento da taxa de cisalhamento
(Comparar aos fluidos plástico e Newtoniano.)
fluxo de fluido: movimento de um fluido, descrito mais
particularmente pelo tipo de fluido (e.g.. Newtoniano,
plástico, pseudo-plástico, dilatante), propriedades do
fluido (e.g., viscosidade e densidade), geometria do
sistema ou canal de fluxo, e velocidade de fluxo.
fluxo elipsoidal: regime laminar de fluxo de fluido que
ocorre em uma seção elíptica quando a razão entre o
comprimento da fratura e sua altura é muito grande,
correspondendo à geometria PKN.
fluxo em canal (slot): regime laminar de fluxo de fluido
que ocorre em um canal de seção retangular no qual a
razão entre a altura e o comprimento da fratura é muito
grande, correspondente geometria KGD.
fluxo laminar: movimentação de um fluido em camadas,
87
ou lâminas, que estão por todo tempo paralelas à direção
do fluxo. (Ver também fluxo turbulento.)
fluxo radial: padrão de fluxo convergente mais simples e
lógico, representante do fluxo de fluidos em um poço
vertical convergindo de uma área de drenagem.
fluxo turbulento:fluxo de fluido no qual irregularidades
secundárias e turbilhonamentos são impostos ao padrão
geral de fluxo. (Ver também fluxo laminar.)
força: produto da pressão pela área.
fratura horizontal: fratura orientada paralelamente à
superfície terrestre, que geralmente não ocorre a
profundidades superiores a 1500 ft.
fratura vertical: o tipo mais comum de fratura hidráulica,
geralmente modelada como duas asas simétricas que
partem de um poço vertical num plano simples.
fratura: separação ou fissura de uma formação.
fraturamento hidráulico: método de estimulação da
produção (ou injeção) no qual fraturas são induzidas pela
aplicação de altíssimas pressões à face da formação.
fraturamento: uso de um fluido especial sob pressão
hidráulica para partir ou "fraturar" uma formação.
fricção do fluido: fricção, expressa como a perda de
pressão (ou carga) resultante do fluxo do fluido pelo
equipamento de superfície a pela tubulação instalada no
poço. (a fricção do fluido deve ser considerada quando se
determina a pressão e a potência necessárias para o
fraturamento do poço.)
gradiente: taxa unitária de aumento ou redução de um
parâmetro de interesse, como temperatura ou pressão.
hidrocarbonetos: compostos orgânicos formados por
átomos de hidrogênio e carbono, comumente encontrados
em três formas ou fases: carvão (sólido), óleo (líquido), e
gás natural (vapor).
imageamento sísmico: informação detalhada obtida da
resposta acústica - reflexão e refração – das camadas
rochosas a vibrações artificiais criadas na superfície
terrestre ou em poços.
índice de produtividade: relação explícita existente entre
a vazão de produção e a pressão de fluxo de fundo de
poço, tipicamente apresentada em coordenadas cartesianas.
instantaneous shut-in pressure (ISIP): pressão lida na
cabeça logo após final do bombeio do tratamento (embora
menos comum, pode também ser usado para a pressão de
fundo).
iônico: possuidor de carga elétrica, positiva ou negativa.
não iônico: eletricamente neutro.
oxidantes: quebrador para altas temperaturas (podem ser
usados em temperaturas até 325 oF), geralmente usados
quando os persulfatos atuam muito rapidamente (faixa de
pH: 3 a 14).
perda de fluido: quantidade de fluido que é filtrada ou
escapa (leaks off) da fratura criada para a formação
durante o fraturamento. (O conhecimento da perda de
fluido é necessário para se determinar as dimensões da
fratura: para algumas extensões esta perda pode ser
controlada para se obter os objetivos do tratamento.)
permeabilidade: medida da facilidade pela qual fluidos
podem fluir através de rochas porosas, símbolo k.
persulfatos: família de quebradores, incluindo variedades
encapsuladas e ativadas, que são geralmente econômicas e
são aplicadas em ampla faixa de temperaturas (70 oF a 200
oF), concentrações, e valores de pH.
peso específico (density): o peso de um volume unitário de
uma substância em lb/gal, ou lb/cc, ou gr/cm3: por
exemplo, como 1 centímetro cúbico pesa 1 grama, sua
densidade é 1 grama por centímetro cúbico. (Ver também
densidade)
peso específico do fluido: peso de um fluido fluid
expresso em lb/pol3, lb/gal ou g/cm3.
petróleo: termo que se refere coletivamente às formas
líquida (óleo) e vapor (gás natural) de hidrocarbonetos – a
fase particular sendo determinada pelos tamanhos dos
componentes, em conjunto com pressão e temperatura.
(Ver também hidrocarbonetos.)
pH: escala usada para expressar o grau de acidez ou
alcalinidade de uma substância,com valores que variam de
0 a 14 (o número 7 representa a neutralidade, números
abaixo de 7 indicando aumento de acidez, e números
acima de 7 o aumento de alcalinidade).
polímero: ingrediente básico em fluidos de fraturamento,
uma substância orgânica na qual grandes moléculas são
construídas de moléculas menores em unidades estruturais
repetidas.
porosidade: medida do espaço vazio dentro da rocha,
expressa como uma fração ou porcentagem do volume
total da rocha, símbolo ,φ.
pressão de fricção: pressão ou força (geralmente
indesejável) causada pela movimentação de um fluido
contra uma superfície, tais como tubulações ou
equipamentos de superfície.
pressão de fundo: pressão no fundo do poço, que pode ser
a hidrostática ou uma combinação da hidrostática e da
pressão aplicada.
pressãodiferencial: diferença de pressão entre duas
fontes encontradas em uma interface.
pressão do reservatório: pressão do fluido numa
formação portadora de petróleo, expressa ou por pressão
inicial do reservatório, símbolo pi, pressão média do
reservatório, símbolo p , pressão constante do limite do
reservatório, símbolo pe. (A pressão de fechamento de
fundo medida na face da formação é reportada, às vezes,
como pressão do reservatório. Raramente ela representa
uma indicação válida da pressão do reservatório.)
pressão hidrostática: pressão exercida na base de uma
coluna de líquido, como a mantida em um poço, que
depende da densidade do fluido, ou seu "peso". (A água
doce exerce um gradiente hidrostático de 0,433 psi/pé. A
pressão hidrostática de qualquer líquido pode ser
determinada, ou modificada, considerando-se sua
densidade relativa à água.)
pressão instantânea (PI): o mesmo que instantaneous
shut-in pressure (ISIP)
pressão net (líquida): pressão que atua num ponto
qualquer da fratura durante o fraturamento subtraída da
tensão principal mínima que atua na formação (que será a
pressão na qual a fratura se fechará)
pressão: força aplicada à superfície de um corpo por
unidade de área (e.g., a força de uma coluna de 20,000 ft
de água no fundo do poço
propante: material (e.g., areia ou cerâmica) usado para
manter aberta uma fratura tal que um volume maior de
fluido possa ser produzido ou injetado. Normalmente
chamado de agente de sustentação
quebrador encapsulado: quebrador protegido ou
"encapsulado" por um invólucro solúvel que se dissolve
vagarosamente na formação (ou seja, para retardar
intencionalmente a ação de degradação do quebrador).
quebrador enzimático: eficiente quebrador químico que
88
pode ser empregado quando a temperatura de fundo na
operação de fraturamento estiver entre 60 oF e 200 oF (pH
inferior a 10).
quebrador: enzima, agente oxidante, ou ácido adicionado
ao fluido de fraturamento para degradar ou "quebrar" o
polímero, reduzindo dramaticamente a viscosidade do
fluido e ajudando no fechamento da fratura e na sua
limpeza.
raio de drenagem: metade da distância entre o
espaçamento dos poços, ou, em outras palavras, o contorno
onde não ocorre fluxo na extremidade de um reservatório.
reservatório: formação de rocha porosa e permeável que
contém óleo e/ou gás natural (sempre acompanhados por
água, produzível ou imóvel) fechado ou circundado por
camadas de rocha menos permeáveis.
reticulador: um aditivo químico adicionado ao fluido de
fraturamento que efetivamente 'liga' os ramos paralelos do
polímero, resultando uma molécula complexa, e
aumentando a viscosidade do fIuido.
sobrecarga (overburden): coluna de rocha que cobre a
formação produtora ou alvo do fraturamento.
surfactante: material que altera características ou
propriedades físicas, como a tensão interfacial ou
molhabilidade entre fluidos e sólidos. Agentes
superficialmente ativos podem ser classificados como
agentes emulsionantes, desemulsionantes, modificadores
de molhabilidade, espumantes e dispersantes.
tampão (buffer). ácido fraco (acético, fórmico, ou
fumárico) usado para reduzir o pH do fluido, ou uma base
(e.g., bicarbonato ou carbonato de sódio) usado para
manter um alto pH.
taxa de deposição: distância vertical que uma partícula
viaja através de um fluido estático por unidade de tempo
tensão de sobrecarga: tensão vertical absoluta exercida na
profundidade da formação pelo peso litológico das
camadas.
tensão horizontal máxima: a maior das duas tensões
horizontais principais, ortogonal à tensão horizontal
mínima; inclui componente adicional de tensão horizontal
devido a fenômenos tectônicos. (Ver também tensões na
formação)
tensão horizontal mínima: a menor das duas tensões
horizontais principais, resultante da translação vertical
para lateral da tensão de sobrecarga por meio do módulo
de Poisson. (Ver também tensões na formação)
tensão interfacial: força que age numa superfície entre
dois líquidos ou entre um líquido e um sólido. (Ver
também tensão superficial.)
tensão superficial: força que age na superfície entre um
líquido e seu próprio vapor, a qual tende a manter uma
mínima área superficial. (Ver também tensão interfacial.)
tensão tectônica: estado de tensões na formação, que
determina a orientação da fratura a as pressões de
tratamento (Ver também tensões in situ)
tensão vertical: ver tensão de sobrecarga.
tensões in situ: sistema de três tensões principais, uma
vertical e duas horizontais,às quais a formação está
submetida. (Também chamadas de tensões tectônicas.)
tração: força exercida numa rocha na direção contrária às
forças compressivas, que criam uma fratura ou uma
fissura.
viscosidade: medida da resistência ao fluxo do fluido,
símbolo μ. (A viscosidade do petróleo é tipicamente
expressa em termos do tempo necessário para um volume
determinado de líquido fluir por uma abertura calibrada.)
89
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