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Nao Apagueis o Espirito - Fabio Coelho

Livro-guia de Fábio Coelho sobre como desenvolver o dom de profecia. Inclui prefácio, dedicatória e agradecimentos; capítulos sobre definição da profecia, amor, visão e mensagem profética, operação dos dons, processo profético, palavra à geração e apêndice sobre serviço corporativo.

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NÃO APAGUEIS O ESPÍRITO
 
Um guia de como desenvolver o dom de Profecia
 
Fábio Coelho
 
VOZES & TROVÕES
 
 
DEDICATÓRIA
 
Este livro é dedicado aos meus pais Jalmir (in memoriam) e Telma
Coelho que foram um testemunho de justiça, paz e alegria para
minha vida, me ensinando desde cedo a amar a Deus, Sua família
na terra e Seu Santo Livro.
 
À minha linda esposa Jacqueline Coelho, uma mulher forte e
decidida que se uniu a mim nesta aventura, edificando uma família
maravilhosa, e se tornando a melhor mãe do mundo e um porto
seguro na minha vida.
 
Ao meu primogênito Daniel Coelho, um rapaz muito esperto,
bondoso, extremamente generoso com todos que o cercam, e que
aprendeu desde novo o sentido de amar ao seu Deus e ao próximo.
 
À Débora Coelho, minha doce e forte menina, que cedo aprendeu
sobre a experiência de entregar-se ao seu Amado, e desenvolveu a
habilidade de acessar e influenciar pessoas por meio de um dom de
liderança nato.
 
 
SUMÁRIO
 
AGRADECIMENTOS
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO NÃO APAGUEIS O ESPÍRITO
CAPÍTULO 1 DEFININDO PROFECIA
CAPÍTULO 2 SEGUI O AMOR
CAPÍTULO 3 VISÃO PROFÉTICA
CAPÍTULO 4 MENSAGEM PROFÉTICA
CAPÍTULO 5 A OPERAÇÃO DOS DONS
CAPÍTULO 6 O PROCESSO DA PROFECIA
CAPÍTULO 7 UMA PALAVRA À GERAÇÃO
APÊNDICE: SERVIÇO CORPORATIVO DA PROFECIA
 
AGRADECIMENTOS
Agradeço, em primeiro lugar, ao meu Pai celeste, o sustentador da
minha vida; ao meu amado Jesus, o Senhor sobre toda a criação; e
ao meu amigo Santo Espírito que me ensina todas as coisas e me
guia à toda verdade.
 
Aos meus pais Jalmir (in memoriam) e Telma Coelho que me
ensinaram a viver no caminho da verdade; aos meus irmãos Felipe
e Joana (irmã de coração), por serem meus companheiros nessa
jornada.
 
Jacqueline Coelho, minha bela esposa, por ser coluna sustentadora
no caminho que temos trilhado no Senhor; aos meus filhos queridos
Daniel e Débora, pelo amor, companheirismo e por estarem se
tornando poderosas flechas em nossas mãos nestes dias.
 
Arlete Quaresma (in memoriam), minha primeira mentora profética,
que me ensinou na juventude que tudo que precisamos edificar não
é por força, mas pelo Espírito. Asaph Borba, Adhemar de Campos e
Moysés Malafaia (in memoriam), que através de suas ministrações
me ensinaram a conhecer e amar a presença de Deus na minha
adolescência.
 
Renan Santiago, o grande ativador da missão profética na minha
vida, que me ensinou o que significa ser um ministro do Senhor. Me
instruiu também a sempre esperar pela voz do Espírito e amar a
minha família acima de qualquer obra terrena.
 
Mike Shea, por ser uma voz que incendiou a minha geração,
trazendo coragem para nos submeter ao nosso destino profético.
Aos queridos amigos Guilhermo Lossio e Cida Nicolau, que me
ajudaram nos primeiros passos do serviço profético. Ao querido
conservo Fábio Souza, que compartilhou seu coração e seus dons
comigo, me ajudando a ver coisas que eu não sabia que era capaz
de ver.
 
Aos amigos e conservos de jornada: Ângelo Bazzo, Michael Duque
Estrada, Anderson Bomfim, Maycon Barroco, Fabio e Dani Bravo
que inúmeras vezes serviram ao meu lado na missão de Deus.
Vocês me encorajam e sempre me abençoam. Aldair Queiroz, que
tem sido um amigo e conselheiro com relação ao serviço ministerial
e aos "segredos do grego". Harold Walker, ser instruído por sua
sabedoria continuamente me faz lembrar que a conexão geracional
sempre irá liberar cura na terra.
 
Martin Scott, que nos últimos anos tem se tornado um valioso amigo
e um preciso mentor profético. Seus conselhos têm iluminado os
meus olhos e me ajudado a ser mais assertivo nestes dias.
 
Marcos Felipe, pela paixão e entrega pela missão, e por se tornar
um grande parceiro na edificação daquilo que estamos "vendo"
juntos. Ruan Magalhães, pela dedicação e zelo no serviço. Sem
você, diretor, o Vozes não sairia do papel. A todos os ministros,
músicos e discípulos da equipe Vozes e Trovões, vocês são
incríveis e estão se tornando uma voz daquilo que o Senhor está
proclamando do Seu trono celeste. E a todos os amados discípulos
da Comunidade de Fé, experimentar a comunhão dos santos com
vocês é maravilhoso, nós somos família!
 
Ao meu grande amigo Marcelo Rodrigues, por acreditar e me
encorajar, viabilizando esse projeto. July Amorim, por me ajudar a
achar um norte para escrever este livro. Carol Bazzo, pela
dedicação em revisar minhas “doideiras”, me ajudando a deixar o
livro menos "herético". Eduardo Oliveira e toda a equipe da Editora
Impacto, pela amizade e apoio em todo o processo de construção
deste trabalho.
Fábio Coelho
PREFÁCIO
É com grande prazer que escrevo estas linhas para o prefácio do
livro que está em suas mãos. Enquanto você o lê, será instruído
sábia e cuidadosamente através de um ensino claro e será guiado
nas boas práticas a respeito dos dons e ministério profético. Tendo
sido escrito por um brasileiro, esta obra está contextualizada e
chega num momento crucial na história do Brasil.
 
A IMPORTÂNCIA DA PROFECIA O surgimento do pentecostalismo
e o resgate da prática dos dons do Espírito marcaram os últimos
cem anos da igreja. A mudança a nível global foi impressionante. A
crença num Deus que fala e Se revela capacitou muitos cristãos a
se conectarem com esse Deus que não somente está vivo, mas
também trabalha ativamente com eles. E como sempre, onde há
uma grande benção, há também os abusos. O uso excessivo de
títulos honoríficos que resultaram no abuso da posição e no abuso
de autoridade sobre os outros, a manipulação das pessoas através
de práticas e palavras controladoras geraram confusão,
desconfiança e até mesmo medo dos dons do Espírito. O abuso
precisa ser confrontado, mas não deve nos impedir de utilizar os
dons, e sim nos provocar a aprender sobre a correta forma de
utilizá-los.
Quando a profecia é exercida por aqueles que são humildes e
ensináveis (não perfeitos) os efeitos podem ser incríveis! Vemos
isso acontecer frequentemente nas Escrituras, onde os profetas e
aqueles que profetizavam não eram perfeitos, mas na medida em
que buscavam a face de Deus e transmitiam Sua revelação o
resultado era uma grande percepção sobre o tempo em que as
pessoas estavam vivendo. Uma das passagens bíblicas favoritas de
todas as pessoas proféticas é o texto que fala sobre os homens de
Issacar que eram “conhecedores da época, para saberem o que
Israel devia fazer” (1 Crônicas 12.32). Ela normalmente é citada no
contexto da profecia por conter dois componentes fundamentais: o
tempo e a ação.
 
Deus é coerente, Ele é o mesmo Deus fiel hoje como foi no
passado. Ele nunca fica confuso tentando bolar uma nova ideia
porque Seu plano anterior falhou. Contudo, Ele está sempre dizendo
novas palavras à medida em que os tempos e as épocas mudam e
quando nós correspondemos (ou não) ao Seu chamado. O profético
está particularmente ligado a esse aspecto do entendimento dos
tempos em que vivemos, seja a nível pessoal ou coletivo, a nível da
igreja, ou até mesmo a nível nacional/global. A vida pode ser
confusa algumas vezes, e nós podemos responder à confusão que
ocorre ao nosso redor de diversas formas. É possível que as coisas
estejam tão acima de nossa capacidade de compreensão que nós
simplesmente negligenciamos ou cedemos ao medo gerado pela
confusão. O profético nos ajuda primeiro a compreender o que de
fato está acontecendo e qual é o tempo em que vivemos. Nunca
teremos todas as respostas através do profético, mas sua dinâmica
faz cessar a confusão para que tenhamos clareza suficiente para
irmos adiante e nos envolvermos com a segunda parte da
passagem. Uma vez que tenhamos conhecimento suficiente sobre o
“tempo”, podemos corresponder com a "ação". Podemos então nos
mover de forma ativa.
Vemos essa mesma dinâmica de dois aspectos ocorrendo no
Dia de Pentecostes. Algo interrompeu a normalidade e
previsibilidade da vida. O Espírito veio e as vidas de 120 discípulos
de Jesus naquele aposento superior foram transformadas para
sempre. Os tempos mudaram, o dia de Pentecostes chegou, e o
resultado foi a ação. Aqueles que estavamreunidos em Jerusalém
vindos de todas as nações também começaram a reconhecer uma
mudança nos tempos. Eles primeiro perguntaram “o que significa
isso?” (Atos 2.12). Pedro então explica que os tempos mudaram. O
que havia sido declarado como algo para o futuro agora era o
presente. Isso resulta na pergunta subsequente: “o que devemos
fazer?” (Atos 2.37).
Os dons e o ministério profético nos capacitarão a
compreender o suficiente sobre o contexto e o tempo em que nos
encontramos e a como corresponder. A profecia vem para dissipar a
confusão através de abrir o nosso entendimento. A cegueira dá
lugar à visão, a surdez à audição, a ignorância ao conhecimento, o
medo à fé, e o resultado de tudo isso é que nos movemos adiante
na medida em que descobrimos, à luz do que passamos a
compreender, que esse é o curso de ação.
Qualquer um que profetize trará revelação, ainda que o
conteúdo da profecia não expresse toda a verdade sobre os tempos
em que vivemos (1 Coríntios 13.9). Funcionar no profético e buscar
uma “palavra” não é o aspecto central de nossa fé. A essência de
nossa fé é sermos totalmente dedicados a Jesus como Senhor, mas
a revelação que a verdadeira profecia gera é algo vital, e de fato é o
próprio “testemunho de Jesus” (Apocalipse 19.10) Há muitas
palavras associadas à profecia: revelação, inspiração, ação,
descoberta, confronto, encorajamento, exortação, conforto... e
poderíamos citar muitas outras. Poderíamos focar em qualquer uma
dessas, mas eu escolho (e creio que seja por uma boa razão) focar
em como a profecia ajuda a destravar destinos.
 
DESTINO INDIVIDUAL E COLETIVO Paulo instruiu Timóteo com
estas poderosas palavras: "Este é o dever de que te encarrego, ó
filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste
objeto: combate, firmado nelas, o bom combate" 1 Timóteo 1.18
Timóteo havia recebido palavras proféticas sobre seu
chamado, destino e futuro. Ao passar por uma situação desafiadora
em Éfeso, Paulo sabia que precisava lembrar Timóteo de que ele
tinha o que era necessário para responder a ela. Havia profecias
declaradas sobre sua vida as quais Paulo o exorta a se lembrar. A
profecia gera vários efeitos, e um deles é capacitar pessoas a nível
individual, coletivo e até mesmo nacional, a se conectarem com seu
destino. Alguém, de forma muito útil, definiu pecado não
simplesmente como uma falha em alcançar os padrões de Deus (a
principal palavra no grego para “pecado” é um termo relacionado ao
arco e flecha, que significa errar o alvo), mas como uma triste falha
em descobrir a razão pela qual nascemos. Fomos feitos para fazer a
diferença, e isso começa quando conhecemos quem somos e, ao
mesmo tempo, descobrimos que podemos dar fruto em nossas
vidas que afete a vida de outros. A profecia abre essa realidade de
forma muito poderosa. Ela abre nossos olhos para a realidade de
quem somos em Deus, quem é o nosso verdadeiro “eu” e qual é o
chamado de nossa vida. Ela destrava o destino.
A profecia não manipula, não nos pressiona através de algum
tipo de ameaça; essa é a natureza da falsa profecia. Em vez disso,
ela pode nos mostrar a pressão à qual temos sido sujeitados, porém
mais importante que isso, ela nos capacita a ver o caminho em
direção ao vasto campo que o Senhor preparou para que nossas
vidas deem fruto. Isso é verdadeiro a nível pessoal e coletivo, como
Corpo de Cristo, e é assim também a nível nacional.
 
BRASIL: É TEMPO DE TOMAR O SEU LUGAR Uma das razões
pelas quais sinto algo muito positivo sobre este livro é que ele foi
escrito por um brasileiro. Há muitos bons escritos que vêm da
América do Norte ou da Europa, e tenho certeza de que muitos
deles foram proveitosamente traduzidos para o português e
abençoaram o Corpo de Cristo no Brasil. Seríamos arrogantes se
não aprendêssemos com outras vozes, mas também seremos
imaturos se não descobrirmos nossa própria voz.
A próxima temporada para o Brasil é um tempo de descobrir
sua própria voz. Houve uma temporada para receber ensinamento
de outros lugares e até mesmo ampliá-los. O ensinamento sobre os
cinco ministérios resultou em todos os tipos de títulos acrescentados
aos nomes: “Apóstolo”; “Profeta”; “Super-Apóstolo”. Isso não é algo
que foi originado no Brasil, mas é uma marca da imaturidade.
Títulos não produzem identidade, eles criam uma casca para a
imaturidade, independência e insegurança. Eu testemunhei ao longo
dos anos de conexão com o Brasil uma imaturidade com foco em
números e títulos, que encobriu a solidão e insegurança de muitos,
e ao mesmo tempo serviu como justificativa para o controle,
manipulação e abuso visando angariar dinheiro, posição e pessoas.
Contudo, isso é passado, mesmo que ainda aconteça no
presente. O futuro não vem simplesmente com a crítica do
passado. O passado desaparece quando algo novo é cultivado.
E este é o tempo em que algo novo está sendo cultivado. Para que
a nação abrace um futuro de redenção a igreja deve trilhar esse
caminho primeiro. E isso ocorre através do caminho do verdadeiro
juízo. Juízo é uma palavra pesada, mas a primeira onda de juízo
tem um propósito de redenção. Ela ocorre quando respondemos à
voz de Deus, aceitamos Seu veredicto e nos movemos adiante em
Sua clareza e poder. Creio que agora há pessoas na igreja brasileira
que estão fazendo exatamente isso, estão recusando trilhar o
caminho do “sucesso” e estão indo pelo caminho da fidelidade. Com
os olhos fixos no céu e os pés plantados em seu mundo, um novo
povo está se levantando. Ele será marcado pela multiplicidade dos
pequenos e pela riqueza da diversidade.
A corrupção está sendo denunciada no Brasil, pois um povo
está se separando de uma “geração corrupta”. Essa denúncia
continuará, e podemos ficar chocados algumas vezes ao ver onde
ela se manifesta, mas a chave será ter o foco no futuro e não no
passado. O profético pode algumas vezes declarar o que será
denunciado, mas mais que isso ele deve focar no que está se
levantando. Sem que se levante algo novo o passado se repetirá.
Nomes e roupas diferentes, mas os mesmos problemas.
Os próximos dez anos serão tumultuosos para a nação
brasileira. Haverá muitas baixas dentre as facetas públicas da igreja,
porém se as pessoas que se comprometeram a buscar a agenda do
Senhor permanecerem focadas, algo novo surgirá. O Brasil é uma
nação que tem o dom da inovação e isso tem de se manifestar
primeiramente na igreja; dessa forma, o Brasil será elevado à
estatura necessária para levar isso ao mundo.
 
FÁBIO COELHO – UM AMIGO Por fim, um comentário sobre Fábio
Coelho, o autor deste livro. Como anteriormente mencionei ele é
brasileiro, natural desta terra e isso é algo muito positivo. Este livro
marcará um aumento de publicações brasileiras. Eu conheço o
Fábio há mais de uma década. Nós conversamos, oramos juntos, e
ainda que tenhamos pontos de vista diferentes sobre alguns
assuntos sei que o seu desejo é pela verdade, e talvez ainda mais
importante, seu desejo é ser verdadeiro, no sentido de manifestar
algo genuíno. Isso gera em mim uma confiança de que neste livro
há mais do que conhecimento; há algo substancial que abençoará o
Corpo de Cristo no Brasil e o ajudará a prosseguir em seu chamado.
Fábio é apaixonado. Ele não trilhou o caminho mais
confortável, mas suportou dificuldades pela causa do evangelho.
Este livro contém um pouco dessa jornada. Leia as palavras,
busque compreender as revelações contidas nestas páginas, mas
também esteja aberto a receber algo além disso – um pouco da
substância da qual Fábio é formado: uma paixão por Jesus e Seus
propósitos, revestida de humildade.
 
Martin Scott 3 Generations 2019 – Espanha
INTRODUÇÃO
NÃO APAGUEIS O ESPÍRITO
“Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias.” 
1 Tessalonicenses 5.19,20
Acerca da profecia, considero crucial a instrução de Paulo para todo
aquele que deseja crescer no entendimento do profético nos dias de
hoje. Na sua carta aos tessalonicenses, Paulo faz uma declaração
impressionante a respeito do esfriamento espiritual e a sua relação
com o serviço profético – não apagueiso Espírito. Não apagar o
Espírito, na visão neotestamentária, tem a ver com não desprezar
as profecias.
Que declaração forte a de Paulo! Ela nos leva, primeiramente,
a perguntar: é possível apagar ou diminuir a influência do Espírito
Santo em nossa jornada? Para Paulo, sim. Talvez fosse essa a
realidade de algumas igrejas do Novo Testamento, e o motivo que
levou o apóstolo a fazer tal exortação. Isso faz-nos lembrar da igreja
que se reunia na cidade de Laodiceia, por ser ela um exemplo de
comunidade que deixou apagar a chama do Espírito.
De acordo com o texto bíblico (Apocalipse 3.14-17), os crentes
em Laodiceia foram possuídos pelo sentimento de autossuficiência
por causa da riqueza e estabilidade socioeconômica em que sua
cidade, um centro financeiro da época, se encontrava. Foi isso que
os levou a se tornarem uma comunidade morna que, inclusive,
perdeu sua capacidade profética de ver. Por isso, Jesus declarou-
lhes: “eu te aconselho que compres de mim ouro refinado no fogo,
para que te enriqueças; roupas brancas, para que te cubras e a
vergonha da tua nudez não seja mostrada; e colírio, para que o
apliques sobre teus olhos e enxergues.” (Apocalipse 3.18). Sim, a
igreja de Laodiceia perdeu a capacidade de ver, isto é, de
relacionar-se com a revelação de quem Deus é e com o que Ele
estava fazendo e falando por meio da obra do Seu Espírito.
Se nós concordamos com Paulo de que é possível apagar o
Espírito, assim como reconhecemos que é possível uma
comunidade tornar-se morna, como foi o caso de Laodiceia, então é
hora de fazermos outra pergunta: o que pode apagar o Espírito? Ou:
quais atitudes podem levar as chamas da obra do Espírito Santo
diminuírem ou se apagarem em nossas vidas e comunidades?
Paulo, como um bom rabino, responde: desprezando as profecias.
O serviço da profecia colabora para o aumento da percepção,
sujeição e desenvolvimento da ação do Espírito na vida de uma
pessoa ou comunidade, porque aproxima ambientes do
relacionamento com a voz de Deus. Por isso, Paulo é enfático em
ordenar que a profecia não seja desprezada no ambiente da
comunidade dos santos, e a coloca como ferramenta útil para
aumentar a chama do Espírito.
Em primeiro lugar, Paulo está exortando os santos da igreja de
Tessalônica a não desprezarem nenhuma das profecias registradas
nas Escrituras Sagradas pelos profetas por meio da inspiração do
Espírito (1 Pedro 1.10-12). Paulo é muito claro em afirmar que o
afastamento das Escrituras e o desprezo das suas instruções
proféticas poderiam causar o esfriamento espiritual em indivíduos e
comunidades de fé. Além disso, com essa instrução, Paulo também
está incentivando a comunidade dos tessalonicenses a cultivar a
prática dos dons proféticos na comunhão dos santos.
Para o apóstolo, o dom de profecia é algo benéfico à igreja.
Contudo, nos dias de hoje, existe muito receio em relação à prática
dos dons proféticos nas igrejas, especialmente por causa dos
inúmeros erros e exageros gerados pela falta de ensino,
treinamento e supervisão. Infelizmente, muitos, sob a bandeira do
“profético”, acabam produzindo um ambiente perigoso e
irresponsável, por exemplo, elaborando discursos e ações baseados
em suas emoções e experiências pessoais, e os apresentando
publicamente como sendo “da parte de Deus”. Além disso, outros
insistem em apresentar impressões proféticas como doutrina, no
mesmo nível de importância das Escrituras, o que também é um
grave erro. Isso tende a se tornar o que chamo de “esquizofrenia
profética”. Um verdadeiro circo, na verdade!
No entanto, apesar dos problemas e excessos em relação à
prática dos dons proféticos, proibir ou abafar a fluência da profecia
no ambiente coletivo da igreja não é a melhor saída. Constatei, em
muitas comunidades que já visitei, que censurar o profético pode
levar a um terrível esfriamento espiritual (individual e coletivo) em
vez de trazer equilíbrio.
Para obedecermos ao conselho do apóstolo Paulo e sermos
uma igreja cheia do Espírito, é necessário entendermos que a
prática da profecia pode e deve ser desejada, e não desprezada.
Precisamos ser ensinados e encorajados de que os dons espirituais
podem e devem ser desenvolvidos e supervisionados, com todo
zelo.
Por isso, a missão proposta neste livro é nos levar a pensar
juntos em como criar um ambiente sadio no seio da igreja, onde a
paixão pelas Escrituras é cultivada, onde os Escritos proféticos
(Bíblia) se tornem luz para o caminho proposto pelo Pai a nós, e
onde se possa ensinar, encorajar, treinar e supervisionar pessoas na
prática dos dons proféticos. Assim, os santos serão encorajados a
buscá-los como parte integrante da vida cotidiana da igreja de
Cristo, para que a obra do Espírito se torne incandescente em
nossos dias. Tudo isso, porém, deve ser feito observando os
fundamentos bíblicos e um protocolo saudável para a fluência da
profecia no ambiente corporativo dos santos redimidos.
Nós precisamos que o Espírito seja plenamente aceso em
nosso meio nestes dias, individual e coletivamente, para que o
caminho da verdade seja iluminado e os nossos olhos se abram
para ver o futuro que o Senhor está propondo para nós.
"No entanto, quando o Espírito da verdade vier, Ele vos guiará
em toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá
tudo o que tiver ouvido e vos revelará tudo o que está por
vir." João 16.13 – KJA ESCREVE A VISÃO “Pôr-me-ei na
minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei
para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha
queixa. O SENHOR me respondeu e disse: Escreve a visão,
grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa
correndo.” Habacuque 2.1,2
A produção deste material é resultado de uma palavra pessoal
recebida com base na profecia de Habacuque, na qual ele afirma
que ao subir em um lugar alto, com o objetivo de ver o que Deus
estava falando, ouviu a voz do Senhor ordenando-lhe a escrever o
que estava vendo de forma acessível e clara para que até aqueles
que passassem com pressa ou distraídos conseguissem ler.
Meu objetivo neste trabalho é registrar o que tenho conhecido
e experimentado (diante do Senhor e dos Seus filhos ungidos no
decorrer de mais de uma década) sobre a obra do Espírito e a
prática da profecia, descrevendo Seus poderosos resultados, bem
como os malefícios causados pelo mau uso dos dons espirituais.
Apesar de ter nascido em uma família cristã, eu tive minha
experiência de conversão a Cristo com quatorze anos de idade,
exatamente na primeira vez que tive contato com os dons proféticos
em operação. Assim como minha vida foi e tem sido profundamente
marcada pela profecia, meu desejo com este material é que a sua
vida seja também integralmente afetada pela revelação profética
que procede do trono da graça.
Este livro, portanto, não tem a pretensão de se apresentar
como uma obra inteiramente autoral, mas como um resultado de
pesquisa e aprendizado através da oração, da leitura das Sagradas
Escrituras, do acesso a literaturas de anciãos proféticos, além da
convivência e sujeição a inúmeros conservos que exercem o
ministério profético na minha jornada espiritual. Sem a sujeição ao
Corpo de Cristo e aos irmãos mais experientes eu nunca teria
chegado onde estou.
Não é minha intenção falar em enigmas e parábolas, mas
comunicar da forma mais clara, direta e bíblica possível os
princípios e conceitos relacionados ao serviço profético, para que os
discípulos de Jesus, mesmo os mais inexperientes, consigam
acessar medidas de conhecimento, sabedoria e revelação. Esta
será uma jornada que trilharemos juntos pela obra do Espírito. Não
desejo trazer polêmicas desnecessárias nem apresentar
informações “inéditas” que para nada servem à edificação da obra
de Cristo, mas apresentar os fundamentos básicos revelados na
pessoa de Jesus e que estão sujeitos à infalibilidade da Palavra de
Deus.
Um fato interessante no evangelho de João é que ele descreve
Cristo, o enviado de Deus, como Aquele que profetizava as palavras
do Pai, porque o Espírito foi derramado sobre Ele sem medida, ou
seja, sem restrição(João 3.34). Diferentemente de como foi com
Jesus, cada um de nós recebeu uma medida do Senhor (2 Coríntios
10.13 – JFAC). Meu desejo é que nestes dias você aprenda a
acessar a plenitude da medida do poder de Deus sobre a sua vida,
que o Espírito Santo seja aceso no seu interior, e que a sua boca
seja cheia das palavras de Deus para que ambientes de escuridão
sejam iluminados nestes dias de esfriamento generalizado em que
vivemos.
Finalmente, este não é um livro para "super crentes", mas para
todos os santos que desejam viver e desenvolver o seu sacerdócio
servindo ao próximo e honrando ao seu Deus em amor. O objetivo,
portanto, é abrir caminho para que esses sacerdotes possam
desejar a prática da profecia, bem como viver e servir através dela.
Minha oração é que este material o ajude a ter seu coração
incendiado pelo Espírito, sua visão espiritual ampliada e sua mente
renovada; que as fortalezas espirituais que porventura se
levantarem em sua vida contra o conhecimento de Deus e do Seu
Filho sejam destruídas pela luz da Palavra Eterna e que você se
torne nestes dias um administrador dos mistérios de Deus.
Então… aperte o cinto e vamos juntos...
 
CAPÍTULO 1
DEFININDO PROFECIA
O apóstolo Paulo nos exorta a não desprezarmos as profecias, por
isso a importância de definirmos o que é profecia. Embora esta seja
uma tarefa um tanto quanto complexa, pela diversidade de
interpretações e linhas teológicas, procuraremos chegar a um
entendimento da maneira mais simples possível. Costumo definir
profecia como sendo a expressão dos segredos da mente e do
coração de Deus através da linguagem humana.
Para entender profecia, primeiramente é preciso entender que
quando Deus fala conosco Ele o faz a partir da pessoa de Cristo. A
maneira como acessamos a mente e o coração de Deus é por meio
da revelação de Cristo, uma vez que Ele é “a imagem do Deus
invisível” (Colossenses 1.15) e o caminho de acesso ao Pai (João
14.6). É por essa razão que João afirma: “o testemunho de Jesus é
o espírito da profecia” (Apocalipse 19.10). Jesus é o Verbo de Deus,
a Palavra encarnada e a imagem do Pai. Sendo assim, a profecia,
que em sua essência mais básica é a comunicação de uma
mensagem, sempre partirá da revelação de Cristo, porque n’Ele
estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do
conhecimento (Colossenses 2.2,3).
A profecia é um relatório que a mente humana produz através
da revelação do Espírito de Cristo. Pedro em sua primeira carta,
falando sobre os profetas do Antigo Testamento, afirma que o
Espírito de Cristo estava neles quando profetizaram sobre a
salvação futura do Messias: “Foi essa salvação que os profetas
examinaram e dela procuraram saber com cuidado, profetizando
sobre a graça destinada a vós, indagando qual o tempo ou ocasião
que o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava ao predizer os
sofrimentos que sobreviriam a Cristo e a glória que viria depois
desses sofrimentos. A eles foi revelado que era para vós, e não para
si mesmos...” [1] 1 Pedro 1.10-12
Quando Pedro fala sobre o Espírito de Cristo que estava nos
profetas, ele está se referindo à obra do Espírito Santo que operava
sobre eles, abrindo os seus olhos para que eles acessassem a
revelação da pessoa de Jesus, da obra da cruz e do
estabelecimento do Seu Reino em glória sobre a terra.
Qual é o objetivo da profecia? Segundo Paulo, o objetivo é
edificar, exortar e consolar: “Mas quem profetiza, fala aos homens
para edificação, exortação e consolação.” 1 Coríntios 14.3
A profecia, tanto o ato de profetizar quanto o ministério
profético, tem como alvo servir ao próximo, e nunca a si mesmo.
Toda manifestação que visa o benefício próprio é influenciada pelo
espírito do falso profético.
Profecia não é pensamento positivo. Talvez você já tenha
ouvido um pregador dizer: “Vire para a pessoa que está do seu lado
e profetize: Este será o melhor ano da sua vida!”. Naquele
momento, cerca de trezentas pessoas receberam a mesma
“profecia” e, talvez, para algumas delas aquele será um dos piores
anos de suas vidas. Às vezes, por desejar algo muito bom para
alguém, acabamos confundindo nosso desejo com profecia. O fato
de você ter-lhe falado algo bom e positivo (mesmo que “em nome de
Deus”) não significa, necessariamente, que tal coisa acontecerá, ou
seja, ela pode ou não acontecer.
A verdadeira profecia não tem sua origem em nossa
declaração, em nossa vontade de que algo aconteça nem mesmo
em qualquer demanda. Sua fonte está na revelação que procede de
Deus. Se Ele diz que vai fazer algo certamente o fará, caso
contrário, não adiantará em nada declararmos, gritarmos ou
acreditarmos que aquilo vai acontecer.
Profecia não é algo que começa no homem e só depois chega
a Deus. Profetizar não tem a ver com emitirmos decretos (profecias)
para que Deus os cumpra. Nenhuma pessoa tem autoridade para
fazer isso. O que nos compete é apenas pedir ao Pai em oração e
esperar humildemente por Sua resposta (palavra e revelação). É a
partir da humildade e sujeição, que a profecia deve surgir.
Infelizmente, o pensamento de que a profecia parte do homem
é um dos mais equivocados no meio da igreja nos dias de hoje. Por
isso, nos treinamentos que ministro, sempre ensino aos que
desejam crescer no serviço da profecia a não utilizarem, enquanto
profetizam, expressões como “eu decreto” ou “eu ordeno”. Se
formos observar nas Escrituras, especificamente no contexto
neotestamentário, nós nunca encontraremos alguém profetizando
em primeira pessoa nem utilizando a famosa expressão “assim diz o
Senhor”; exceto Ágabo, que ao profetizar se valeu da expressão
"assim diz o Espírito Santo" (Atos 21.11). Esse profeta viveu durante
a transição da Antiga para a Nova Aliança, por isso eu
particularmente creio que na era da igreja ele se movimentava no
modelo profético do antigo pacto. Lembremo-nos aqui de que existe
uma diferença radical entre o ministério profético do Antigo
(canônico) e Novo Testamento. Certo é que uma linguagem humilde
e serena cabe muito mais no tipo de funcionamento profético que
estamos procurando desenvolver nestes dias, do que a emissão de
decretos autoritativos.
Outro erro comum é pensar que a profecia pessoal serve
apenas para prever o futuro e, por isso, muitos confundem profetas
com adivinhadores. Porém, a profecia não tem a ver,
necessariamente, com prever o futuro. Ela revela a maneira como
Deus vê a cada um de nós, projetando o nosso "estado ideal" em
Deus; é um convite para sermos incluídos no futuro que Deus está
trazendo da eternidade para o agora, segundo a Sua vontade.
Como diz o meu amigo Aldair Queiroz: "O profeta não determina o
destino de uma pessoa, mas ele aponta um destino".
Para entender como podemos desenvolver e crescer no
profético é muito importante que saibamos as diferenças entre o
ministério da profecia no Antigo e no Novo Testamento. As
Escrituras mostram que no primeiro pacto Deus falava com Seu
povo e com o mundo por meio dos profetas, mas a partir dos últimos
dias Ele nos fala através do Filho (Hebreus 1.1,2). A
responsabilidade era tanta sobre os obreiros proféticos do primeiro
pacto que se alguém se posicionasse como profeta e proclamasse
algo em nome do Senhor que não se cumprisse, o mesmo deveria
ser morto (Deuteronômio 18.20).
Contudo, a partir da encarnação de Cristo, que deu início aos
últimos dias (Atos 2.17), a voz profética, liberada sobre o povo de
Deus e sobre as nações, é a do Filho de Deus. Mas como isso é
possível se Cristo ressuscitou e está à direita do Pai? É possível
porque Deus fala hoje através do Corpo de Cristo – a igreja. No
segundo pacto, a maneira como Deus comunica a Sua sabedoria ao
mundo não é mais apenas através de alguns profetas cheios do
Espírito, mas através da igreja empoderada pelo Espírito (Efésios
3.20,21). Ou seja, na dispensação em que vivemos, o serviço
profético é corporativo e não individual ou absoluto. Possivelmente,
surgirá entre os leitores a seguinte questão: “Por que no Antigo
Testamento podia ter profetas que funcionavam de forma individual;
e, por que eles podiamdizer ‘assim diz o Senhor’, e nós não?” Bem,
havia profetas individuais no Antigo Testamento pelo simples fato de
que Deus quis que assim fosse. Quanto ao uso da expressão “assim
diz o Senhor” é porque a autoridade profética no primeiro pacto,
daqueles que proclamaram as porções das Escrituras, era
inquestionável e canônica. Porém, no segundo pacto, de acordo
com o apóstolo Paulo, é preciso que o profético seja julgado, uma
vez que não é absoluto e não pode ser colocado em mesmo nível
de autoridade das porções proféticas da Bíblia.
Certo é que ninguém é infalível ao ponto de ter autoridade para
profetizar sozinho e de forma absoluta nos dias de hoje. A maioria
de nós ainda está aprendendo a ouvir a voz de Deus, a receber
revelação, interpretá-la e transmiti-la. Muitos erram por não saberem
distinguir corretamente se é Deus ou a sua própria alma que está
falando. Se formos humildes e sinceros, concluiremos que é
extremamente perigoso e irresponsável colocar “nossa” profecia
como sendo a infalível palavra de Deus e, a título de
convencimento, usar a expressão “assim diz o Senhor” da mesma
forma que os servos profetas que declararam as palavras do cânon
profético (Bíblia). Por isso, aconselho que não se use tal expressão
ao profetizar para alguém.
Não somos infalíveis, então, o ideal é que no contexto de
profecia haja um ambiente corporativo totalmente alinhado com a
doutrina bíblica. Assim, a profecia poderá ser julgada e pesada por
irmãos maduros que fluem com profundidade no serviço profético.
Observe abaixo o conselho de Paulo: “Tratando-se de profetas,
falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi
dito. Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-
se o primeiro. Porque todos podereis profetizar [os profetas], um
após outro, para todos aprenderem e serem consolados. Os
espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas.” 1
Coríntios 14.29-32
Paulo deixa claro para a igreja de Corinto que a profecia deve
ser julgada cuidadosamente, ou seja, a visão sobre profecia na
Nova Aliança é que o profeta deve estar sujeito a julgamento. No
contexto em que o serviço profético acontece de forma coletiva, toda
comunicação profética precisa ser pesada, julgada e confirmada.
Ninguém que ministre profeticamente pode se considerar alguém
que carrega uma palavra absoluta, mesmo que cite versículos
bíblicos ou que tenha acertado na maioria das vezes em que
profetizou. Meu amigo Martin Scott ensinou-me que toda profecia
verdadeira precisa abrir-se para a possibilidade de ser rejeitada,
pois a profecia que é apresentada como absoluta é, certamente,
influenciada pelo espírito do falso profético.
Se na dinâmica do serviço profético coletivo do novo pacto nós
precisamos julgar as profecias, é óbvio que elas são passíveis de
erros, afinal todos nós somos discípulos, e ainda estamos
aprendendo. Porém, o fato de haver erros não diminui a importância
e a necessidade de crescermos nessa prática, como Corpo de
Cristo. Os erros, na verdade, nos ajudam a crescer e desenvolver
esse dom que Deus nos outorgou.
O medo de errar é normal, especialmente nessa área. É
comum, quando percebemos um erro ou algo que discordamos na
profecia de alguém, rejeitarmos e jogarmos tudo fora; às vezes até
mesmo rejeitamos a pessoa que profetizou. Porém, essas são
atitudes erradas. Veja o que diz Paulo sobre o não desprezar as
profecias: “Não tratem com desprezo as profecias, mas julgai todas
as coisas, e retende o que é bom.” 1 Tessalonicenses 5.20,21
Observe com cuidado o que é dito pelo apóstolo: julgai todas
as coisas, e retende o que é bom. “Reter o que é bom” é diferente
de “só reter o que é dito se tudo for bom”. É possível que em uma
profecia verdadeira também haja inexatidão, imprecisão ou
imperfeições. Contudo, isso não faz dessas pessoas falsos profetas,
e nem suas mensagens falsas profecias. Nos próximos capítulos
falaremos mais sobre o que, de fato, caracteriza um falso profeta.
Nunca devemos jogar fora uma proclamação inteira porque
nela contém um erro. Aprendemos com os nossos antepassados
que se você está tomando uma sopa de galinha e encontra um
ossinho no meio dela, não é preciso jogar toda a sopa fora. Basta
apenas remover o ossinho da sopa e continuar tomando-a, sem
maiores problemas.
Não só a atitude de jogar tudo fora sem reter o que é bom é
errada, há outro erro comum entre os cristãos hoje: o de retirar o
filtro do julgamento. Infelizmente, quando se fala de profecia muitos
crentes pensam tratar-se de algo infalível e que julgá-la seria uma
desonra a Deus e ao Espírito Santo. Esse tipo de pessoa é aquele
que confia, admira e respeita quem está profetizando, seja pelo seu
histórico de sempre acertar ou por sua eloquência e retórica. Sendo
assim, é muito comum, a partir de uma experiência positiva com o
ministrante, a pessoa assumir como verdade tudo o que este ensina
e comunica.
Imagine comigo a seguinte situação: Certo dia um bom e
sincero ministro de Deus vê uma pessoa passando por dificuldades,
com sua vida totalmente imersa na lama, em pecado e sofrimento.
Ele, então, o ajuda – trata suas feridas, anuncia o evangelho e
ministra-lhe palavras de sabedoria e revelação –, levando-o por fim
a uma plena restauração. Nesse caso, qual será a tendência do
coração do homem que foi ajudado? Sem dúvida, além de ser grato,
ele considerará em alta conta quem o ajudou e abraçará, como lei
absoluta e digna de confiança, tudo o que seu ajudador disser. Tal
atitude pode parecer bonita e humilde, mas, na verdade, é fruto de
um coração ingênuo e enganoso, que esquece o quão humano e
falho são os homens de Deus.
Um dia, mesmo tendo corações sinceros, ministros de Deus
poderão errar. Caro leitor, é importante que você saiba disso, pois
pode acontecer ainda de você ver errar um ministro que muito
admira. No entanto, se isso ocorrer, não é necessário que o rejeite
para sempre. Ouça-o com o coração aberto e retenha de sua fala o
que é bom, assim como nos aconselhou Paulo.
Imaginemos agora um grande ministro de Deus que por anos o
abençoou e ministrou à sua vida, com sabedoria e revelação
espiritual. Você sempre o admirou, inspirou-se nele e muito deve ao
seu ministério. “Sem ele” – você diz – “eu não estaria onde estou”.
Porém, tragicamente, é descoberto que esse ministro se envolveu
em um grande escândalo moral. Qual seria a sua reação diante de
tal cenário? Qual seria a tendência do coração enganoso de todos
nós em relação a essa pessoa, cuja falha moral foi exposta? Posso
garantir-lhe que seria desaboná-la, desconsiderar o serviço
ministerial que prestou no passado e não dar crédito ao que ela
possa vir a fazer e falar no futuro. “Afinal” – pensamos – “ele nunca
foi tão bom, tudo não passou mesmo de um engano!” Ao agirmos e
pensarmos assim, nós jogamos o seu legado ministerial no lixo e,
mais uma vez, erramos em não “retermos o que é bom”.
Agora, pense nos homens mais poderosos das Escrituras. Sim,
olhe para os seus heróis da Bíblia e observe atentamente o caminho
que percorreram em suas vidas. Embora tenham sido intensamente
usados por Deus, a maioria cometeu erros grotescos ao longo da
sua jornada. Lembre-se de Davi, o homem segundo o coração de
Deus. Dê uma olhada nas muitas falhas que ele cometeu em sua
trajetória. Provavelmente, muitos daqueles que chamamos “heróis
da fé” jamais teriam lugar em nossos púlpitos, porque falharam e
tropeçaram no desenvolvimento do seu serviço diante de Deus e
dos homens.
Se nós estamos trabalhando no desenvolvimento de uma
mente profética, precisamos entender que é vital pesar tudo o que é
pronunciado por aqueles que estão servindo em nome do Senhor.
Não importa se é o meu pregador preferido ou um ministro com o
qual não tenho nenhuma afinidade, se é quem me pastoreia ou
algum ministro que errou comigo no passado; se ele está
profetizando, pregando ou ensinando, precisa ser ouvido, julgado e
ter o que for bom de sua fala retido.
 
APRENDENDO COM O NOVO TESTAMENTO Há um exemplo
muito interessante no livro de Atos. Um grupo de irmãos dacidade
de Beréia ouviu a pregação de Paulo e teve uma atitude muito
pontual – julgaram tudo o que ouviram, apesar da eloquência,
autoridade e profundo conhecimento teológico do apóstolo.
“Logo que anoiteceu, os irmãos enviaram Paulo e Silas para
Beréia. Chegando ali, eles foram à sinagoga judaica. Os
bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois
receberam a mensagem com grande interesse, examinando
todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim
mesmo.” Atos 17.10,11
Os bereanos são descritos por Lucas como sendo mais nobres
do que os crentes de outras comunidades de fé, isso porque
receberam a mensagem de Paulo com grande interesse. Mas o que
definiu o interesse dos membros da sinagoga de Beréia? O fato de
terem ouvido e pesado por dias, através da investigação criteriosa
das Escrituras, o que Paulo falava a respeito do Reino de Deus e do
Seu Cristo. Sim, os bereanos honraram o serviço apostólico de
Paulo ao ouvirem o que este tinha para ensinar e conferirem tudo
com as Escrituras. Só então receberam e acolheram a comunicação
profética do apóstolo. Isso é lindo!
Outra história do Novo Testamento, já mencionada
anteriormente e que tem muito a nos ensinar, é a de Ágabo –
profeta neotestamentário que, segundo os escritos de Lucas, foi
uma voz muito influente na vida da igreja do primeiro século. Alguns
teólogos ensinam que provavelmente ele tenha iniciado seu serviço
profético nos dias do ministério público de Yeshua, e feito parte do
grupo dos setenta enviados pelo Mestre para preparar o Seu
caminho nas cidades que visitaria posteriormente. Estes deveriam
sair pregando o Reino de Deus, curando os enfermos e expulsando
os demônios (Lucas 10.1-17).
No livro de Atos, após a dispersão dos crentes de Jerusalém
por causa do assassinato de Estevão, é relatado que Ágabo,
juntamente com um grupo de profetas, desceu à cidade de
Antioquia e ali profetizou que uma grande e terrível fome viria sobre
o Império Romano, o que de fato se cumpriu.
“Naqueles dias alguns profetas desceram de Jerusalém para
Antioquia. Um deles, Ágabo, levantou-se e pelo Espírito
predisse que uma grande fome sobreviria a todo o mundo
romano, o que aconteceu durante o reinado de Cláudio. Os
discípulos cada um segundo as suas possibilidades, decidiram
providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judéia. E
o fizeram, enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos
de Barnabé e Saulo.” Atos 11.27-30
Interessante notar que os discípulos pesaram na balança a
palavra de Ágabo e, julgando ser uma profecia digna de confiança,
se moveram de maneira proativa para provisionar os irmãos da
Judéia com recursos. Esse, certamente, foi um julgamento correto,
porque de fato, como diz o texto acima, houve grande fome
naqueles dias.
Outro momento crucial do ministério de Ágabo é quando ele se
encontra com Paulo na casa de Filipe, um dos sete diáconos de
Jerusalém. Nesse encontro, ele profetiza que Paulo seria preso
pelos judeus em Jerusalém e entregue aos gentios.
“Partindo no dia seguinte, chegamos a Cesaréia e ficamos na
casa de Filipe, o evangelista, um dos sete. Ele tinha quatro
filhas virgens, que profetizavam. Depois de passarmos ali
vários dias, desceu da Judéia um profeta chamado Ágabo.
Vindo ao nosso encontro, tomou o cinto de Paulo e, amarrando
as suas próprias mãos e pés, disse: ‘Assim diz o Espírito
Santo: Desta maneira os judeus amarrarão o dono deste
cinto em Jerusalém e o entregarão aos gentios’. Quando
ouvimos isso, nós e o povo dali rogamos a Paulo que não
subisse para Jerusalém. Então Paulo respondeu: Por que
vocês estão chorando e partindo o meu coração? Estou
pronto não apenas para ser amarrado, mas também para
morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus." Atos 21.8-
13
Alguns pontos interessantes nesta passagem: Primeiro: Há
profecia no Novo Testamento, inclusive, a nível pessoal. Ágabo não
está profetizando sobre o plano de Deus para o Seu povo, mas
sobre o que irá acontecer com Paulo nos próximos dias do seu
ministério. Isso mostra que é possível ter níveis diferentes de
profecia.
Segundo: Analisando o restante do capítulo, podemos ver que
houve algum nível de imprecisão na profecia de Ágabo, ou ela não
fora comunicada de forma clara ou ainda não fora julgada pelos
irmãos com precisão.
Ágabo havia profetizado que em Jerusalém os judeus
aprisionariam Paulo e depois o entregariam aos gentios (à
semelhança de Yeshua que foi aprisionado pelo Sinédrio e depois
entregue aos soldados romanos). Ao ouvirem isso, os santos
começaram a chorar e a clamar para que Paulo não fosse para
Jerusalém, porque concluíram que ele morreria ao fazer isso.
Possivelmente imaginavam que pudesse acontecer com o apóstolo
o mesmo que acontecera com Jesus. Paulo, respondendo àquele
momento de comoção, afirma estar disposto a morrer em Jerusalém
em nome do Senhor, caso esta fosse a Sua vontade. Contudo, a
passagem também mostra que Paulo entendia em seu interior estar
sendo direcionado pelo Espírito Santo para ir a Jerusalém e que
nada poderia impedi-lo de obedecer tal direção. Em outras palavras,
ele dá ouvidos à profecia de Ágabo, julga-a, mas continua convicto
em prosseguir com seu plano.
O que de fato aconteceu? Paulo sobe a Jerusalém e é
aprisionado como Ágabo havia profetizado. Porém, apesar de ter
acertado o cerne da palavra, a conclusão chegada pelos irmãos
com relação aos detalhes da prisão de Paulo não foi exata. Observe
a descrição do autor do livro de Atos sobre o que realmente
aconteceu em Jerusalém: “Quando já estavam para terminar os sete
dias, alguns judeus da Província da Ásia, vendo Paulo no templo,
agitaram toda a multidão e o agarraram, gritando: ‘Israelitas,
ajudem-nos! Este é o homem que ensina a todos em toda parte
contra o nosso povo, contra a nossa lei e contra este lugar. Além
disso, ele fez entrar gregos no templo e profanou este santo lugar’.
Anteriormente eles haviam visto o efésio Trófimo na cidade com
Paulo e julgaram que Paulo o tinha introduzido no templo. Toda a
cidade ficou alvoroçada, e juntou-se uma multidão. Agarrando
Paulo, arrastaram-no para fora do templo, e imediatamente as
portas foram fechadas. Tentando eles matá-lo, chegaram notícias
ao comandante das tropas romanas de que toda a cidade de
Jerusalém estava em tumulto. Ele reuniu imediatamente alguns
oficiais e soldados, e com eles correu para o meio da multidão.
Quando viram o comandante e os seus soldados, pararam de
espancar Paulo. O comandante chegou, prendeu-o e ordenou
que ele fosse amarrado com duas correntes. Então perguntou
quem era ele e o que tinha feito.” Atos 21.27-33
Ágabo profetizou que os judeus de Jerusalém amarrariam
Paulo e o entregariam aos gentios, isto é, aos romanos. Porém,
quando Paulo foi efetivamente capturado em Jerusalém, vemos que
não foram os judeus, mas os romanos que o amarraram. No
original, a diferença é ainda mais clara. Quando Ágabo fala que os
judeus “entregariam” Paulo nas mãos dos gentios, a palavra grega
para o verbo “entregar” é paradidomi, que significa “dar
voluntariamente, passar às mãos”. Portanto, analisando e
comparando os detalhes da profecia com o registro do que
realmente aconteceu, vemos que Paulo não foi entregue aos
gentios, mas que os próprios judeus tentaram matá-lo. Paulo
precisou ser resgatado das mãos dos judeus pelo tribuno e seus
soldados, ou seja, os romanos foram, na verdade, instrumento de
Deus para salvar a vida do apóstolo, diferente do que os irmãos
concluíram ao ouvirem as palavras de Ágabo.
O que isso significa? Que Ágabo não foi claro nos detalhes de
sua profecia e, por isso, deve ser desprezado? Que Ágabo é um
exemplo de falso profeta, já que o autor de Atos deixa claro que o
ocorrido teve algumas diferenças com relação ao que os irmãos
entenderam sobre o que foi profetizado? Não! A imprecisão dos
detalhes ou a incompreensão das suas palavras não faz de alguém
um falso profeta nem de sua profecia uma falsa profecia.
Agora, pense comigo: Apesar do histórico de acertos de Ágabo
e de ser ele reconhecido pela igreja como um profeta, Paulo,
mesmo considerandosuas palavras, como dissemos anteriormente,
não deixou de subir a Jerusalém. Não o fez por desprezar as
palavras do profeta, mas porque sentia no coração que o Senhor o
estava direcionando a isso e que fazia parte do processo. Imagine
se ao ouvir a interpretação equivocada da profecia Paulo ficasse
com medo de morrer pelas mãos dos romanos e não subisse a
Jerusalém? Qual seria o impacto dessa decisão no desenvolvimento
da obra de Deus e na própria vida de Paulo?
 
JULGANDO UMA PROFECIA Já entendemos, através das
instruções de Paulo, que toda profecia deve ser julgada, pesada e
confirmada, antes de ser recebida como uma palavra fidedigna
vinda do coração de Deus. Além disso, o julgamento de uma
profecia envolve o que se deve fazer diante dela. No caso da
profecia de Ágabo, por exemplo, Paulo a recebeu não como uma
proibição de ir a Jerusalém, mas como um aviso para que se
preparasse ao que estava por vir e para confirmar em seu coração a
disposição para o martírio. Baseado nisso, veremos alguns critérios
básicos para o julgamento de uma profecia.
 
A PALAVRA PROFÉTICA “Temos, assim, tanto mais confirmada a
palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia
que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da
alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que
nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação;
porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade
humana; entretanto, homens falaram da parte de Deus, movidos
pelo Espírito Santo.” 2 Pedro 1.19-21
A primeira verdade básica, que deve ser fundamento no que se
refere a validar ou não qualquer comunicação profética, é a de que
a Bíblia é a verdadeira “Palavra Profética” que ilumina toda a
escuridão, como diz na segunda carta de Pedro. Ela é a Lei dos
céus que sustenta todo o movimento da criação e, portanto, é a
nossa régua. Precisamos entender que existe uma clara diferença
entre “Palavra Profética” e “dom de profecia”. Toda profecia precisa
ser julgada, mas a Palavra Profética (as Escrituras) é imutável,
irrefutável e incontestável. Nunca uma profecia será uma palavra
profética no nível em que as Escrituras são. Por isso, a Palavra
Profética é o meio balizador que medirá toda e qualquer profecia.
A Bíblia deve ser o fundamento básico para todo aquele que
deseja se desenvolver no serviço profético. Não há como edificar
um ambiente profético sem um profundo amor pelas Escrituras, zelo
pelos fundamentos e respeito pelos limites revelados na Palavra.
Em seu livro, Descobrindo o Dom Profético, Graham Cooke afirma
algo fantástico acerca do julgamento de profecias. Ele diz: “É
fundamental notar que estamos edificando nossas vidas sobre as
Escrituras e não sobre as profecias” [2]. Isso significa que toda
comunicação profética jamais pode contradizer as Escrituras.
Nenhuma palavra, visão, sonho ou expressão inspirativa, com
intenção de se tornar uma comunicação profética, pode ser
colocada como tendo o mesmo peso dos Escritos bíblicos. Se isso
ocorrer, a mensagem deve ser imediatamente descartada.
Como diz Corey Russell: "A restauração atual do movimento
profético é uma nova aproximação à Palavra de Deus. Não há nada
mais profético do que a Palavra de Deus, porque nela contém o
testemunho de Jesus".
 
ORAÇÃO Paulo é muito claro quando escreve ao seu amado
discípulo Timóteo: antes de tudo eu te exorto que se aplique à
prática da oração (1 Timóteo 2.1). Isto é, o exercício da oração é o
pré-requisito para qualquer ação, decisão, prática ou conduta de
vida. Portanto, antes de fazer qualquer coisa, ORE.
No que se refere ao relacionamento com o ambiente profético,
essa prática é uma verdade ainda maior. Antes de receber uma
profecia para a sua vida ou para a vida de uma comunidade de
pessoas, você precisa submeter tudo o que ouve ao lugar de
oração. Lembre-se de que há diferença entre ouvir e receber uma
profecia. Quando você a recebe como uma verdade revelada pelo
Espírito, a sua jornada é afetada por ela. A maneira como você irá
caminhar, pensar e até orar será afetada de alguma forma, porque a
palavra do Espírito sempre trará luz diante dos seus olhos.
Antes de abraçar uma profecia, devemos submetê-la a um
sério julgamento, como vimos anteriormente. Após pesar as suas
palavras à luz da Palavra Profética (a Bíblia), é preciso que a
sujeitemos em oração. Orar é estar diante do trono da glória; é ser
iluminado pela revelação de quem Deus é, do que Ele está falando,
e da revelação de quem nós somos n’Ele. Logo, qualquer palavra
que se apresente como profética, mas que não se adequa aos
parâmetros da justiça divina, não está alinhada com o som da voz
do Eterno nem tem a ver com o que estamos nos tornando n’Ele.
Sendo assim, pode-se concluir que ela é uma palavra falsa. Mas,
creia, a única forma de acessarmos esse nível de revelação é pela
oração.
Lembre-se que orar não é apenas pedir coisas, mas é estar
diante de Deus para se relacionar com a Sua beleza, Sua dignidade
e Sua voz. Quanto mais tempo gastarmos diante d’Ele,
contemplando a beleza da Sua santidade e ouvindo a Sua voz que
brada como muitas águas, mais cresceremos em revelação, e mais
precisa será a nossa habilidade em pesar cada comunicação
profética. Portanto, não receba nenhuma direção, instrução ou
comando sem antes pesar tudo em oração e colocar diante do Pai
no lugar secreto, pois é nesse lugar que o Pai nos recompensa com
a revelação de quem Ele é e de quem nós somos n’Ele.
ANTES DE TUDO, ORE!
 
EDIFICAR, EXORTAR E CONSOLAR!
Sabemos pela instrução apostólica que a principal função do
dom de profecia é edificar, exortar e consolar; e que seu objetivo é
fortalecer, encorajar e trazer esperança às pessoas, liberando-as da
dor, confusão, condenação e desânimo. Caso esses propósitos não
sejam alcançados há de se concluir que a profecia não foi
comunicada corretamente ou que ela é uma falsa palavra.
“Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e
consolando.” 1 Coríntios 14.3
Edificar – Construir, estruturar, confirmar, fortalecer e
tornar mais eficaz.
Exortar – Estimular, encorajar e admoestar.
Consolar – Trazer esperança, alegrar e animar (quanto
ao presente e ao futuro).
Uma profecia pode conter uma dessas características ou as
três. Concluímos, então, que uma profecia completa deve incluir
esses três elementos. A finalidade (alvo final) da profecia não é
destruir, mas edificar – conforme Paulo ensina quando fala sobre o
foco da ação de sua autoridade na igreja de Cristo.
“Por isso escrevo estas coisas estando ausente, para que,
quando eu for, não precise ser rigoroso no uso da autoridade
que o Senhor me deu para edificá-los, e não para destruí-
los.” 2 Coríntios 13.10
A profecia é uma ferramenta dada pelo Espírito para que
possamos servir a Deus edificando pessoas (1 Coríntios 14.4),
dando clareza sobre sua inclusão na edificação do Corpo de Cristo
sobre a terra – a Sua igreja, aquela que prevalece sobre a morte
(Mateus 16.18). Por muito tempo se criou um paradigma de que
pessoas proféticas têm como única e exclusiva função apontar os
erros em um ambiente, derrubando, assim, tudo que a seu ver é
ineficaz. Todavia, à luz da Bíblia, essa é uma inverdade.
É comum também pensar que a prática da exortação no
ministério profético é evidenciar erros através de acusação e
constrangimento. Na verdade, exortar profeticamente é encorajar
indivíduos ou ambientes coletivos a uma mudança de postura e
pensamento; é encaminhá-los em amor ao arrependimento, e
conduzi-los para que voltem seus corações para os caminhos
divinos. Tais objetivos jamais devem ser negligenciados na prática
profética.
Ao contrário do que muitos pensam o objetivo final do serviço
profético não é derrubar, mas edificar. Todo esforço em denunciar o
falso e derrubar estruturas malignas tem como objetivo revelar a
verdade e edificar o que é justo. Se não nos movermos nesse tipo
de mentalidade, nosso serviço não será profético nem eficaz na
edificação do Corpo do Messias sobre as nações, mas apenas
produziremos barulho e confusão.
“Eisque vêm dias, diz o SENHOR, em que semearei a casa de
Israel e a casa de Judá com a semente de homens e de
animais. Como velei sobre eles, para arrancar, para
derribar, para subverter, para destruir e para afligir, assim
velarei sobre eles para edificar e para plantar, diz o
SENHOR.” Jeremias 31.27,28
A obra profética trabalha com a desconstrução, mas não para
por aí. Ela também trabalha com o objetivo de edificar realidades
justas, visando exortar pessoas e ambientes coletivos a se unirem à
missão do Eterno, para que a esperança das famílias, cidades e
nações seja restaurada e reposicionada em Deus à medida em que
nos aproximamos do Dia do Senhor.
A exortação tem como fim provocar o encorajamento para a
conversão de corações a Deus, isto é, para que estes se voltem
totalmente a Ele. A conversão, por sua vez, provoca a iluminação do
caminho apertado que vai adiante daqueles que receberam a
exortação, trazendo-lhes consolo, ânimo e restauração da
esperança em Deus. A revelação dos caminhos de Deus libera o
destino de todos nós, batizando ambientes com a renovação da
esperança.
Por outro lado, se a palavra proferida no ambiente for de
acusação, confusão e falta de esperança, certamente seu resultado
não corresponderá ao resultado de uma fiel palavra de profecia
originada no coração do Pai. Logo, deverá ser julgada e identificada
como sendo uma palavra falsa. Além disso, se for observado que o
conteúdo da palavra apenas aponta erros e pecados, sem uma
proposta de restauração (levar a pessoa de um estado de erro para
uma posição de justiça), tal palavra também deverá ser julgada
como incompleta ou até mesmo falsa.
 
PROFECIA ÀS IGREJAS DE APOCALIPSE Para entendermos a
aplicação da profecia no que se refere à edificação, exortação e
consolo, é importante que observemos a prática dessa dinâmica na
Palavra Profética (Bíblia). Usemos como um excelente exemplo o
registro profético feito nos capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse, em
que Jesus profetiza para a igreja de sete cidades da Ásia Menor
(atual Turquia). Destacamos no referido texto, a proclamação
profética feita por Jesus à igreja em Éfeso: “Ao anjo da igreja em
Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita
as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:
Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança,
e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os
que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achaste
mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do
meu nome, e não te deixaste esmorecer [EDIFICAÇÃO]. Tenho,
porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te,
pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras
obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro,
caso não te arrependas [EXORTAÇÃO]. Tens, contudo, a teu favor
que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio
[EDIFICAÇÃO]. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às
igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida
que se encontra no paraíso de Deus [CONSOLO]” Apocalipse 2.1-7
Esta é o que podemos chamar de uma profecia completa, pois
traz edificação, exortação e consolo. Podemos identificar,
claramente, no decorrer da palavra a aplicação da profecia de Cristo
àquelas pessoas, através dos seguintes aspectos:
Edificação – Confirmação do que os santos da igreja
estavam fazendo corretamente, fortalecendo-os para
trilhar o caminho proposto por Cristo;
Exortação – Aponta para o que está errado, mas ao
mesmo tempo encoraja a uma mudança de
posicionamento, iluminando o caminho do
arrependimento diante deles;
Consolo – Palavra de esperança ao descrever o que
estes irmãos conseguiriam acessar caso houvesse
arrependimento com relação àquilo que deveria ser
corrigido.
Ao servirmos às pessoas com uma palavra de profecia
completa, estamos, na verdade, colaborando para que elas superem
dois dos ataques mais comuns de Satanás – a condenação e o
desencorajamento.
Resumindo: O objetivo final da profecia é edificar pessoas,
confirmando o que a voz do Senhor está declarando sobre elas;
encorajá-las a se adequarem aos padrões de justiça divina
(arrependimento) para que, assim, possam trilhar sua jornada em
Deus; e, por fim, iluminá-las com a renovação da esperança em
seus corações, trazendo-lhes clareza sobre a infinita bondade de
Deus e Sua perfeita vontade para suas vidas.
 
DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS Outra prática que precisamos
exercitar no que se refere ao julgamento das profecias é o
discernimento espiritual, que é a capacidade de acessar revelação
por meio do Espírito de Deus a fim de entender de que fonte se
origina uma palavra ou ação. O discernimento espiritual é resultado
da busca e desenvolvimento do dom de discernir espíritos, o qual é
dado – bem como os demais dons – aos santos como ferramenta de
capacitação (1 Coríntios 12.10) para que possam se envolver com
poder e assertividade na obra do ministério e na edificação do
Corpo de Cristo (Efésios 4.12).
“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os
espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos
falsos profetas têm saído pelo mundo.” 1 João 4.1
Toda palavra ou ação pode ter três fontes possíveis de
influência: o Espírito de Deus, as emoções humanas ou um
espírito demoníaco. Temos que entender o princípio de que a
profecia é uma mensagem comunicada pelo Espírito de Deus ao
nosso espírito, mas, ao mesmo tempo, é também comunicada à
nossa mente, ou seja, inevitavelmente a mensagem passa por nós
antes que chegue ao seu destino.
Como discernir a fonte de cada comunicação profética? Pela
oração. Sim, a oração nos levará ao desenvolvimento de intimidade
com a prática dos dons do Espírito, e é por meio dela que buscamos
testificação do nosso espírito com o Espírito de Deus sobre cada
comunicação profética que vem ao nosso encontro. Essa é uma
prática necessária e saudável.
Por exemplo, imagine a seguinte situação: Alguém toca a
campainha de sua casa, você atende e se depara com alguém
vestido com roupas de saco e que, de repente, começa a sacudir-se
freneticamente, com movimentos muito estranhos, e a profetizar em
alta voz. Este é o momento exato que você precisa se fazer uma
simples pergunta: Qual é a fonte desse comportamento? Qual a
fonte dessas palavras?
Em se tratando do profético, a aparência não é um parâmetro
de julgamento para qualquer palavra ou ação. Isso pode ser
comprovado dando uma rápida olhada na vida dos profetas de
ambas as alianças nas Escrituras. Homens e mulheres fizeram
“loucuras” na história do serviço profético, porém, estavam sendo
guiados pelo Espírito do Eterno. Portanto, é preciso encarar o fato
de que uma ação insana por parte de alguém que está profetizando
pode ter sido originada em uma das seguintes fontes: suas próprias
emoções (muitas vezes confusas), espíritos demoníacos ou no
Espírito Santo. A única maneira de saber qual a fonte de
determinada ação é pelo dom de discernimento espiritual, o qual,
como já dissemos, é desenvolvido por meio da oração.
Nesse mesmo sentido precisamos também discernir o espírito
que está por trás de uma mensagem, mesmo antes de avaliarmos o
seu conteúdo. Isso é discernir espíritos, ou seja, saber qual fonte
está influenciando aquela ação ou comunicação. Porém, alguns
julgam o conteúdo da palavra e também o indivíduo que a está
proferindo, sem que antes tenha julgado o espírito que está por trás
deles.
Você lembra do momento em que Paulo estava na região de
Filipos e uma mulher possessa com um espírito de adivinhação
começa a segui-lo por dias proclamando sobre ele e seus
discípulos: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos
anunciam o caminho da salvação.”? A questão é que o que a mulher
falava acerca de Paulo era uma verdade, mas a fonte dessas
palavras era um espírito maligno que intentava expor Paulo naquele
lugar. Isso irritou profundamente o apóstolo, levando-o a repreender
e expulsar aquele espírito dela (Atos 16.16-18).
É possível que à primeira vistaa palavra esteja completamente
harmonizada com as Escrituras e, ainda assim, tenha sido originada
de um espírito de engano ou das emoções humanas provenientes
de corações enganosos. Lembre-se que na tentação do deserto o
inimigo usou das Escrituras para tentar tirar Jesus de Sua posição
de submissão à obra do Pai (Lucas 4.9-11). Por isso, é
indispensável que se tenha muita atenção e cuidado ao julgar cada
ação que se apresenta como profética.
 
É UMA PALAVRA INCOMPLETA?
Outro ponto a ser observado é que uma mesma palavra pode
conter elementos corretos e falsos. Isso acontece, por exemplo,
quando a pessoa recebe uma palavra fiel do Senhor, mas no
decorrer da sua proclamação adiciona nela suas percepções
pessoais. Isso não faz da proclamação algo integralmente falso,
mas, sim, uma palavra incompleta. A presença de palavras
incompletas nas reuniões da igreja não é incomum, sendo esta mais
uma evidência da necessidade de julgá-las com cuidado para que
não haja mais confusão do que edificação.
Há uma dinâmica interessante em relação ao serviço profético
coletivo. Pode acontecer que para acessar uma palavra completa
(edificação, exortação e consolo) esta seja comunicada por três ou
mais pessoas. Portanto, é totalmente aceitável que na prática da
comunicação profética a palavra completa seja “construída” a partir
das impressões de mais de uma pessoa. Por exemplo: Alguém traz
uma palavra de edificação, outra pessoa traz uma palavra de
exortação e ainda outra uma palavra de consolo. Como podemos
ver, a comunicação das três pessoas trabalha em conjunto
proclamando uma profecia completa.
Por mais que uma comunicação profética possa,
eventualmente, conter algum erro ou lhe parecer muito estranha,
nunca deixe de ouvi-la com cuidado. Ela pode se tornar
extremamente importante, colaborando profundamente com a
revelação do tipo de pessoa que você precisa se tornar e com o
rumo que sua comunidade deve seguir coletivamente em relação ao
propósito divino.
CONTINUE EXAMINANDO TUDO, SEMPRE RETENDO O
QUE FOR BOM!
 
UM CONSELHO PESSOAL Nesta jornada que estamos trilhando
juntos de pensar sobre o profético, nós trabalharemos com
princípios e conceitos.
Os princípios são diretivas escriturais inegociáveis. São
instruções claras e definidas, por toda a extensão da Palavra
Profética, sobre os fundamentos da Lei de Deus. São esses
fundamentos que estabelecem os decretos e limites para ordenar
toda a criação que se encontra sob o domínio do Filho de Deus.
Como exemplo, lembremo-nos do princípio instruído por Paulo à
igreja de Corinto: “Pelo que, o que fala em outra língua deve orar
para que possa interpretar.” 1 Coríntios 14.13
Toda pessoa que recebe o dom de orar em outras línguas,
deve orar para que possa interpretá-las. Isso é um princípio bíblico
inegociável, um mandato apostólico sem margem para contestação,
isto é, nenhum conceito humano pode ir contra essa verdade.
Trabalharemos ao longo dos próximos capítulos com vários
princípios escriturais acerca do profético, da obra de Deus e das
bases do evangelho de Cristo, lembrando que para essas coisas
também não há margem para contestação.
Os conceitos são ideias (concepções) pessoais a respeito de
como se deve aplicar os princípios inegociáveis. Neste livro
descrevo muitos de meus conceitos sobre a edificação de uma
mente profética e a maneira como vejo que devemos desenvolver
esse processo, tanto a nível pessoal como a nível coletivo. Esses
conceitos não são absolutos e, por isso, precisam ser julgados,
pesados e confirmados por quem os lê nesta obra, uma vez que
estão relacionados à minha cosmovisão e experiência pessoal na
jornada diante do Senhor.
Se trabalharemos juntos para a edificação de uma mente
profética, quero dar-lhe um conselho: NÃO ACREDITE EM TUDO O
QUE LERÁ nos capítulos que se seguem. Isso mesmo! Meu
conselho é que você LEIA TUDO, concordando com o que foi
exposto anteriormente; PESE TUDO, através da observação das
Escrituras, da prática da oração, do discernimento espiritual e,
então, RETENHA APENAS O QUE FOR BOM para você. Meu
desejo é que você fique apenas com o que lhe fizer sentido, de
acordo com o que está vivendo em Deus agora, na estação em que
se encontra. O que não for bom, descarte sem culpa alguma.
Querido (a), eu reafirmo que você não deve acreditar 100% no
que lerá neste livro, aliás, não deve acreditar 100% no que qualquer
pessoa fala ou escreve; seja ela o seu pregador preferido, o ministro
com quem você menos se identifica ou o profeta mais estranho que
você conheça. Antes, ouça tudo, julgue tudo e, então, retenha o que
for bom.
 
CAPÍTULO 2
SEGUI O AMOR
Por causa de um aparente conflito na prática dos dons espirituais,
Paulo, na sua primeira carta aos coríntios, ensina sobre o serviço
profético. Sua carta é fundamental para entendermos os princípios
desse serviço coletivo e seu protocolo de funcionamento. No
primeiro versículo, do capítulo 14, há uma das declarações mais
“brutais” no que se refere à busca dos santos pelo desenvolvimento
da prática da profecia.
“Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas
principalmente que profetizeis.” 1 Coríntios 14.1
Paulo é muito claro ao instruir os santos a buscarem com zelo
os dons do Espírito. Há uma frase, repetida inúmeras vezes em
literaturas e palestras, que diz: “Não busque os dons, mas, sim, o
doador dos dons”. É óbvio que a busca por Deus se faz
indispensável antes de qualquer intenção de buscar os dons. A
frase acima é bonita, mas totalmente contrária à instrução
apostólica, não podendo, portanto, ser recebida como verdadeira
em nenhuma esfera de ensino sobre os dons espirituais. Paulo é
enfático, os dons precisam ser buscados! Porém, mais que isso,
buscados com zelo. Além disso, ele afirma que nessa busca
precisamos procurar, principalmente, o dom de profecia. Uau! Isso
me empolga muito!
O mais importante na instrução de Paulo é o motivo por que
devemos ser zelosos nessa busca – o amor. Trilhe o caminho do
amor e busque os dons, que são os presentes do Espírito!
Outro ensino equivocado sobre os dons, muito difundido nas
últimas décadas, é que o “amor é o maior dos dons espirituais”,
diminuindo assim a importância dos demais dons. Não, o amor não
é o maior dos dons, mas “o caminho mais excelente” (1 Coríntios
12.31b) e, portanto, a base do verdadeiro serviço profético. Trilhar
esse caminho mais excelente é o que deve nos motivar a buscar os
melhores dons, porque o amor não busca os seus próprios
interesses (1 Coríntios 13.5), mas o benefício do próximo. Logo,
quanto mais crescemos na prática do amor, mais agimos
corretamente no serviço profético, uma vez que não estaremos
voltados para nós mesmos, mas para Deus e o próximo.
Sabemos que o amor de Deus é derramado em nosso coração
pelo Espírito Santo (Romanos 5.5), mas ele também nos é
apresentado nas Escrituras como um mandamento. As Escrituras
instruem a que busquemos os dons espirituais (1 Coríntios 12.31a),
mas em relação ao amor nos ordenam a exercer a prática de amar.
Na verdade, o amor é mais que um mandamento, ele é o grande
mandamento do Senhor para nossa jornada de vida. Ao instruir
sobre a Lei divina, Jesus resume os ensinos da Torah e dos
Profetas da seguinte forma: “Mestre, qual é o grande
MANDAMENTO na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo,
semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”
Mateus 22.36-40
Nisto se resume a missão do sacerdócio: servir a Deus e ao
próximo, em amor. Servir a Deus diante da criação e servir a criação
diante de Deus. A instrução do Senhor ao Seu povo sempre se
resumiu no amor; amar a Deus e o próximo com tudo o que somos e
possuímos.
Provavelmente, assim como eu, você já ouviu ou leu a
seguinte frase: “Se você deseja saber onde está o coração de
alguém, observe onde ele investe seu tempo, suas forças e seus
recursos, e, então, descobrirá”. Nãosei exatamente a origem dessa
frase, mas afirmo a você que faz todo sentido no contexto em que
estamos falando.
Como observamos, a prática do amor tem a ver com entregar a
vida no serviço às pessoas. Amar envolve perder para que o outro
possa ganhar. O caminho do amor nunca visa o benefício próprio,
mas o doar-se para que o outro seja abençoado.
Por amor ao mundo (kosmos = criação) o Pai deu Seu único
Filho. Pense nisto: O Pai deu o que tinha de mais precioso para a
redenção de toda a criação (João 3.16). No mesmo sentido, por
amor ao Pai, o Filho desceu da mais alta posição para assumir a
mais baixa – desceu do céu para a terra, como um escravo – com a
finalidade de servir a humanidade caída (Filipenses 2.6,7). Como
discípulos e sacerdotes da ordem messiânica, cabe a nós também
trilharmos o caminho mais excelente do amor, ofertando a nossa
vida em serviço a favor do próximo.
“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por
nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” 1 João 3.16
Amar não é uma opção, mas um mandamento. Sabemos,
então, que devemos perder a nossa vida para sermos uma conexão
entre o amor do Pai e a decadente humanidade. Isso não tem nada
a ver com “gostar” de alguém. Não creio que Jesus, em Sua
humanidade, gostava de todas as pessoas, ainda assim ele serviu a
todas com Seu amor sacrificial. E dessa forma, abriu-lhes o caminho
de volta à presença do Pai e iniciou o processo de redenção de toda
a criação através da Sua oferta na cruz.
Não tenho a obrigação de gostar, “curtir” e ser o melhor amigo
de todas as pessoas, mas sobre mim há a ordenança de amar a
todos, e encarar como missão a necessidade de amar, inclusive, os
meus inimigos (Mateus 5.44).
 
O AMOR E O SERVIÇO DA PROFECIA Todo o desejo de servir ao
próximo com o dom da profecia deve ser motivado pelo amor,
porque se ministramos algo que emana do coração de Deus não há
como fazê-lo sem amar. É necessário lembrar que Deus não apenas
ama, mas Ele é amor.
“Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os
mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de
mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.” 1
Coríntios 13.2 – NVI Interessante observar que ao instruir a
comunidade de Corinto acerca dos dons espirituais e do
serviço profético, Paulo deixa claro (do capítulo 11 até o 14)
que o que traria alinhamento ao desenvolvimento profético dos
santos naquela cidade era fundamentar toda a sua
movimentação profética no amor.
Como vimos no primeiro capítulo, o alvo do dom de profecia é
edificar, exortar e consolar (1 Coríntios 14.3), ou seja, servir ao
próximo. Paulo é enfático quanto a isso quando afirma que o
conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica (1 Coríntios 8.1b).
A palavra dom (charisma), em sua raiz grega (língua original
dos escritos neotestamentários), pode ser traduzida como
“presente”. Logo, os dons espirituais são presentes do Espírito do
Pai para a Sua igreja; são capacidades espirituais que estão
disponíveis para serem acessadas pelos santos como ferramentas
eficazes em sua jornada. A função dos santos é se doar em serviço
à obra do ministério e isso nada mais é que participar da edificação
do Corpo de Cristo (Efésios 4.12), se unindo à obra redentora do
Messias.
Todos os crentes em Cristo devem buscar os dons do Espírito
não como algo opcional, mas como um mandato baseado na
doutrina dos apóstolos. Quando Paulo encoraja a busca,
principalmente do dom de profecia, na verdade, ele está
encorajando os santos a tomarem essa ferramenta a serviço do
Corpo de Cristo e edificação do próximo em amor, e não em
benefício próprio.
Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas
principalmente que profetizeis. Pois quem fala em outra
língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o
entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala
aos homens, edificando, exortando e consolando. O que fala
em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza
edifica a igreja.” 1 Coríntios 14.1-4
Essa é mais uma instrução que fortalece o dom de profecia
como o principal dom a ser buscado no ambiente corporativo dos
santos. É muito curioso o motivo que o apóstolo apresenta em sua
narrativa para essa busca: o dom de línguas edifica unicamente ao
portador do dom, mas o dom de profecia edifica a igreja, trazendo
edificação, exortação e consolo.
Diante dessa realidade, é interessante observar que ao
analisarmos a experiência do ambiente eclesiástico (que crê na
continuidade e necessidade dos carismas atualmente) com os dons
do Espírito, concluímos de imediato que o dom mais valorizado e
buscado é o dom de línguas. Durante toda a minha jornada como
cristão, sempre que presenciei um apelo em reuniões carismáticas
convidando pessoas a serem ministradas em oração e receberem o
batismo do Espírito, a ênfase era: “Você será batizado pelo Espírito
para orar em línguas!”. A verdade é que nunca vi alguém orar para
que pessoas fossem batizadas pelo Espírito para que pudessem,
por exemplo, receber o dom de profecia, discernimento de espíritos
ou o dom da fé.
Com essa observação, não tenho a intenção de diminuir a
importância do dom de línguas. Pelo contrário, esse dom é uma
ferramenta fundamental para o desenvolvimento da devoção dos
santos diante de Deus; é o dom mais importante na edificação
pessoal de um crente em Jesus. Eu, por exemplo, oro mais tempo
em línguas do que em português em meus momentos devocionais
diários. Ao orar em uma língua espiritual minha mente se torna
infrutífera, já o meu espírito ora corretamente diante do Pai, sob a
influência do Espírito divino, e isso é maravilhoso (1 Coríntios
14.14). Quando oro em línguas eu oro certo, porque por mim
mesmo não sei orar como convém, mas o Espírito me assiste em
minhas fraquezas intercedendo por mim com gemidos inexprimíveis
(Romanos 8.26).
Ao afirmar que o dom de línguas é a única evidência do
batismo do Espírito e que a sua prática na oração é sinal de que já
desenvolvemos o que precisávamos em relação aos carismas,
cometemos o grande equívoco que tem se repetido nas últimas
décadas no cenário da igreja mundial. A verdade é que à luz do
protocolo proposto por Paulo para o desenvolvimento dos dons,
todo aquele que ora em línguas precisa PROGREDIR na busca dos
dons que edificam a igreja.
“Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais,
procurai PROGREDIR, para a edificação da igreja. Pelo que, o
que fala em outra língua deve orar para que a possa
interpretar.” 1 Coríntios 14.12,13
Ao lermos as instruções paulinas sobre os dons, concluímos
que o dom de línguas é o menos importante, no contexto
corporativo, porque é o único que edifica, exclusivamente, àquele
que o tem; e, por isso, Paulo afirma que precisamos seguir o amor.
Baseados nisso, entendemos mais claramente que devemos buscar,
principalmente, o dom da profecia, uma vez que este sempre edifica
a igreja.
Em minha jornada no desenvolvimento da obra e ministério
tenho entendido que o dom da profecia nunca edificará a mim
mesmo, mas sempre abençoará o próximo. Por essa razão, Paulo
afirma que nós precisamos buscar com zelo os melhores dons, no
que se refere à edificação coletiva (1 Coríntios 12.31). Após
observar o que o apóstolo nos apresenta, fica-nos claro que o
principal dom espiritual a ser buscado para o serviço da edificação
coletiva é o dom da profecia.
Mas afinal, por que o dom mais enfatizado e buscado nos
ambientes eclesiásticos carismáticos é o dom de línguas e não os
demais? Esse fato nos revela a influência do egocentrismo e da
idolatria no coração e nos ambientes que se autodenominam
cristãos. Quando ficamos satisfeitos em sermos abençoados e
edificados, ainda que os irmãos não estejam experimentando o
mesmo, isso indica que não estamos seguindo o caminho mais
excelente.
O desejo egoísta é um dos fundamentos básicos da idolatria.
Relacionar-se com alguma divindade buscando o benefício próprio é
o que tem motivado a prática de servir a ídolos. No passado, por
exemplo, quando um idólatra queria ter um filho, oferecia sacrifíciosao deus da fertilidade para que pudesse alcançar a sua bênção; e,
quando queria obter êxito na sua colheita, oferecia sacrifícios ao
deus da colheita. A relação de um idólatra e seus deuses não é uma
relação de amor e serviço, mas de troca ou barganha, visando
sempre o benefício próprio e a satisfação de seus desejos carnais,
isto é, da concupiscência da carne, dos olhos e da soberba da vida
(1 João 2.16).
A grande verdade é que muitas vezes os crentes, embriagados
pelo egoísmo e idolatria, revelam, através do comportamento, a
impureza dos seus corações. Estes vão aos cultos como
espectadores, apenas com a finalidade de serem abençoados, mas
esquecem de que culto – cuja raiz grega é latreuo – significa
serviço. Culto não é algo que você apenas assiste ou vai para
receber bênçãos, mas é prestar “serviço” a Deus. A reunião coletiva
dos santos deve ter um ambiente certo para o exercício do
sacerdócio, isto é, um ambiente para os crentes servirem a Deus
diante dos homens e servirem aos homens diante de Deus.
Um outro exemplo que revela o egoísmo dos corações de
muitos crentes é quando oram a fim de ressuscitar alguém que está
morto. Normalmente, só fazem essa oração quando o morto é
alguém da família ou um irmão em Cristo próximo. Lembremo-nos
do que Paulo disse: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”
(Filipenses 1.21). Já fui a muitos sepultamentos de cristãos em que
havia o desejo de orar para que a pessoa ressuscitasse, porém, não
por amor a ela (que em Cristo está melhor que todos nós), mas para
preencher o vazio que aquela perda causava nos corações. Ou seja,
aquele desejo visava o benefício próprio.
Conta-se a história de que alguns anos atrás, na Argentina, um
ministro morreu e no seu sepultamento alguns amigos, comovidos
pela perda, oraram para que ele ressuscitasse – o que de fato
aconteceu. Porém, quando o ministro acordou de seu “sono” olhou
para os seus amigos e, indignado, perguntou: “Por que vocês me
trouxeram de volta?” Imagine a cena! Alguém sendo repreendido
por ter ressuscitado um morto! Nós precisamos entender, de uma
vez por todas, que a força motivadora de nossas ações deve ser o
amor. Quando entendermos isso, facilmente passaremos a enxergar
que até mesmo uma atitude que pode beneficiar a outros não deve
se originar no desejo de beneficiar a si próprio. Ao adotar uma
criança, por exemplo, precisamos fazê-lo por amor ao órfão e não
por força da circunstância ou apenas pela impossibilidade de gerar
naturalmente um filho.
Pessoalmente, creio que quanto mais crescermos no exercício
do amor, mais precisos e eficazes seremos no serviço do dom da
profecia, isto é, na habilidade de comunicar os pensamentos e
desígnios do coração de Deus para pessoas ou ambientes coletivos.
Deixe-me fazer uma pergunta inusitada: Você, como eu, já teve
a experiência de um dia sua mãe mandar-lhe levar o guarda-chuva,
você ignorar devido ao aparente “tempo bom”, e um tempo depois
acabar todo encharcado? E já aconteceu de você estar passando
por um problema, ninguém estar ciente, mas sua mãe, sentindo que
alguma coisa está errada, liga e pergunta se algo aconteceu? Ou,
simplesmente, a respeito de alguma situação sua mãe fala “Isso não
vai dar certo” e, de fato, não dá?
A verdade é que mães têm lábios “perigosos”. Em todos os
meus anos de vida, aprendi algo muito poderoso: quando uma mãe
fala, é bom dar-lhe ouvidos. Quanto a isso, penso que em toda a
criação não existe uma expressão de amor maior que o amor de
mãe pelos filhos. Creio que até a mãe mais descrente falará coisas
sobre seus filhos que se cumprirão de forma assustadora ou
acessará segredos acerca deles que nenhuma outra pessoa
conseguiu acessar. Tudo isso por causa do poder do amor que
habita em seu coração. Acredito que o amor que as mães devotam
a seus filhos abre um acesso para que se conectem aos
sentimentos de Deus sobre eles, e isso é extremamente poderoso.
Nesse sentido, entendo que quanto mais zelarmos pelo amor ao
próximo, mais acesso nós teremos ao coração d’Aquele que é o
próprio amor.
Como Pedro, apóstolo do Cordeiro, profetizou, à medida que o
fim dos tempos se aproxima os filhos de Deus que foram vivificados
pela obra do Espírito precisam buscar a sobriedade de mente por
meio de uma vida de devoção, voltando suas mentes e corações
constantemente a Deus em oração. Dessa maneira, terão uma vida
dedicada a servir ao próximo com base no amor, isto é, dando sua
vida em favor do outro à semelhança de Cristo (1 João 3.16), cada
um com o dom que recebeu segundo a multiforme graça, para que o
Pai seja glorificado através da obra de Cristo em suas vidas.
“Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede
sóbrios e vigiai em oração; tendo antes de tudo ardente amor
uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão
de pecados; sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem
murmuração; servindo uns aos outros conforme o dom que
cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme
graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando
oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a
força que Deus concede; para que em tudo Deus seja
glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória
e o domínio para todo o sempre. Amém.” 1 Pedro 4.7-11
A prática da profecia sempre visa a edificação coletiva. O dom
da profecia é um serviço de amor e não de julgamento e
condenação. Até as palavras de exortação e correção têm como
objetivo produzir frutos de arrependimento. A profecia tem como
alvo beneficiar o próximo e nunca fortalecer o “culto ao eu”. O que
passar disso provém de uma influência espiritual que promove a
prática do falso profético no meio da vida da igreja de Cristo. O
falso profeta não é aquele que profetiza coisas erradas, mas
aquele que profetiza com o coração errado.
Profetizando a respeito dos dias que precederão a Sua
segunda vinda, Jesus afirmou que o coração de muitos (ou da
maioria) esfriaria. Uma das evidências desse fenômeno será o
levantar de falsos profetas que enganarão a muitos em meio ao
ambiente de apostasia e escândalo (Mateus 24.11,12).
 
DEFININDO FALSOS PROFETAS Nesse momento o nosso foco
principal não é falar sobre pessoas que invocam espíritos caídos,
médiuns ou satanistas. Talvez estas sejam mais caracterizadas
como feiticeiras ou, no máximo, profetas do engano. Nosso objetivo
agora é focar nas marcas de um falso profeta, no ambiente profético
da igreja.
Também é importante esclarecer que o conceito de um falso
profeta é muito mais amplo do que pessoas que profetizam errado.
Errar ao dar uma profecia pode apenas estar relacionado com
imaturidade, ingenuidade ou um simples equívoco; não há dúvida
que erraremos algumas vezes no desenvolvimento do serviço
profético. Por essa razão, temos de Paulo a seguinte orientação:
“Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros
julguem [possibilidade do erro].” 1 Coríntios 14.29
Os falsos profetas podem até obter resultados corretos de suas
profecias, o grande problema dessa “casta de crentes” não é o
conteúdo da sua mensagem, mas a motivação do seu
funcionamento “profético”. O falso profeta é um mercenário, logo o
que o motiva a se envolver com a profecia é sempre o pagamento
pelo seu “serviço” e não o amor pelo próximo (Miquéias 3.11; 2
Pedro 2.15). Eles proclamam mensagens proféticas com o objetivo
de manipular as pessoas em prol de uma agenda pessoal, e só se
envolvem com algum nível da obra do ministério visando obter
benefício próprio. Cuidado! Toda pessoa que carrega o dom
profético será tentada a usar a autoridade que está sobre ela para,
em algum momento (ou vários), promover sua agenda. Lute sempre
contra essa realidade!
Servir com o objetivo de obter vantagem sobre outros é
totalmente o oposto da principal característica de um profeta do
Senhor; o legítimo profeta nunca trabalha para si, mas para o
próximo (ou para a próxima geração), em amor. Ele sempre trabalha
para o desenvolvimento do propósito do Pai no outro e não
manipula pessoas para que estas colaborem com o seu propósito
pessoal.
“Destasalvação inquiriram e indagaram diligentemente os
profetas que profetizaram da graça que PARA VÓS era
destinada (...). A eles foi revelado que, não para si mesmos,
mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos
foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado
do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos
anelam perscrutar.” 1 Pedro 1.10,12
Ao observar as Escrituras, encontramos na pessoa de Balaão
um dos maiores exemplos do funcionamento de um falso profeta. A
primeira coisa que chama a nossa atenção é que ele pronunciava
oráculos divinos em troca de dinheiro (Números 22.7). Balaão, filho
de Beor, chamado de homem de olhos abertos, se referia ao Senhor
como o seu Deus (Números 22.18) e na presença d’Ele profetizou
palavras reveladas pelo próprio Eterno para abençoar o povo de
Israel. Durante o desenrolar da narrativa bíblica, podemos concluir
que tudo o que Balaão profetizou em nome do Senhor para o povo
de Israel foi inspirado pelo Espírito de Deus e, mesmo assim, o seu
destino foi a morte nas mãos do povo escolhido, por causa das suas
práticas abomináveis (Números 31.8).
“Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre
vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão
encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor
que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina
destruição. E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa
deles será blasfemado o caminho da verdade; também,
movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão
de vós NEGÓCIO; a condenação dos quais já de largo tempo
não tarda e a sua destruição não dormita. (...). Eles
abandonaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o
caminho de Balaão, filho de Beor, que AMOU O SALÁRIO da
injustiça” 2 Pedro 2.1-3,15
Como vimos acima, a motivação de um falso profeta sempre é
a ganância, pois o que o move é o amor ao pagamento pelo seu
serviço. Isso o caracteriza como mercenário, e não servo do Deus
vivo. Seu objetivo é fazer das pessoas um negócio. Fique atento! O
que modela sua movimentação é a sua recompensa – dinheiro,
fama, poder, benefícios sexuais ou até mesmo o controle emocional
sobre as pessoas. Cuidado com estes, pois agem sob a influência
do falso profético.
O ambiente de funcionamento dos falsos profetas,
normalmente, é de manipulação e controle. Assim como a besta que
procede da terra, que se parece com um cordeiro e tem discurso de
dragão (Apocalipse 13.11), o falso profeta irá manipular as nações
nos anos que precedem a segunda vinda de Cristo. Pessoas que
profetizam falsamente vão se apresentar com aparência de
espiritualidade e manifestação de poder (Mateus 24.24). Mais uma
vez digo a você: Cuidado! Um falso profeta não será identificado por
sua aparência, mas pelo seu proceder, e suas atitudes sempre
envolverão manipulação e controle.
“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados
em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.”
Mateus 7.15 – NVI É muito comum, no atual cenário da igreja
brasileira, líderes de falsos movimentos apostólicos e proféticos
exercerem domínio sobre as pessoas porque outrora as
serviram ou abençoaram de alguma forma em sua jornada. Tais
indivíduos requerem o pagamento do seu serviço através de
controlar emocionalmente as pessoas a ponto de interferirem
diretamente em questões pessoais, como: com quem devem se
casar, que roupa devem usar, quando podem tirar férias ou que
tipo de música podem ouvir. Dessa forma, cria-se uma
“dependência profética” em cada decisão a ser tomada, tanto
na esfera privada como na jornada sacerdotal. E, ainda, caso
não façam tudo o que os seus líderes mandam, são
ameaçados de estarem quebrando a aliança espiritual que os
sustenta em Deus. Há crentes que foram amaldiçoados, bem
como suas famílias, por líderes que não admitiram a "quebra de
aliança". Essa é uma realidade triste, porém bastante comum,
que precisamos resistir nos dias tenebrosos em que vivemos.
Nunca se deixe manipular pelo sentimento de gratidão que
você tem por alguém! GRATIDÃO NADA TEM A VER COM
ESCRAVIDÃO! Ouça tudo que for liberado à sua vida por homens
de Deus, porém, julgue tudo e retenha apenas o que for bom!
Entenda algo muito sério: uma pessoa profética não tem a missão
de recrutar discípulos para trabalhar para a sua visão pessoal, mas
para que tenham olhos abertos a fim de acessar a visão em Deus (2
Reis 6.17), pois dessa forma terão clareza de como devem trilhar o
“caminho apertado” na presença do Pai.
Se você foi amaldiçoado por algum líder, que o acusou de
quebra de aliança por não tê-lo obedecido em tudo, e suas palavras
afetaram suas emoções e ainda ferem seu coração, ordeno em
nome de Yeshua que a influência dessas palavras se encerre em
seu interior, agora mesmo! Que todos os frutos dessa declaração
em sua mente e coração sequem e morram! Eu ordeno a cura nas
suas emoções e que toda dor em seu coração cesse agora, para a
glória de Deus! Amém.
 
MATAR, ROUBAR E DESTRUIR O apóstolo João deixou uma
parábola registrada (claramente um alerta de Jesus) sobre a obra
dos falsos profetas no meio do povo de Deus. Como de costume
ninguém entendeu o seu significado, pois, ao contrário do que
muitos pensam, Jesus não contava parábolas para facilitar o
entendimento do povo, mas para que não entendessem a
mensagem do Reino. A intenção de Jesus não era liberar uma
mensagem às multidões, mas aos Seus discípulos, àqueles que têm
o direito de acessar a revelação dos mistérios do Reino de Deus
(Lucas 8.9,10).
“Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta
no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é
ladrão e salteador. (...). Tornou, pois Jesus a dizer-lhes: Em
verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e
salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta;
se alguém entrar a casa; o filho fica, entrará e sairá, e achará
pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e
destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em
abundância. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua
vida pelas ovelhas. Mas o que é mercenário, e não pastor, de
quem não são as ovelhas, vendo vir o lobo, deixa as ovelhas e
foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge
porque é mercenário, e não se importa com as ovelhas. Eu
sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me
conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai;
e dou a minha vida pelas ovelhas.” João 10.1,7-15
A interpretação da parábola (segundo a minha ótica) é muito
simples. Identifiquemos os seus símbolos e personagens:
O aprisco – Representa a realidade do Reino de Deus,
cujo Filho é a porta das (ou para as) ovelhas. Ele é o
acesso ao Reino do Pai;
As ovelhas – Representam pessoas perdidas da casa
de Israel (Mateus 15.24);
Os ladrões – São todos os que vieram antes do pastor
(Jesus) e se portaram como mercenários no meio das
ovelhas.
Os ladrões são os falsos profetas, líderes religiosos que
tentaram manipular o rebanho de Israel, utilizando-se da santa Lei
de Deus e das tradições religiosas. Jesus está claramente
denunciando a falha do serviço sacerdotal e profético de Seu tempo.
A parábola fala de líderes que se moviam como mercenários,
visando apenas o benefício próprio e, consequentemente, causando
roubo, morte e destruição na vida do povo. O mercenário não ama
as ovelhas; quando o lobo (o diabo) se levanta contra elas, em vez
de protegê-las ele foge, porque não se importa com ninguém a não
ser consigo mesmo. Então, nesse contexto, Jesus se revela como o
Messias Redentor, aquele que ama as ovelhas do Seu Pai. Ele
afirma que não veio ao mundo para ser beneficiado, mas para dar a
vida para a redenção das ovelhas.
Querido (a), seja forte neste momento, porque preciso dizer
algo que talvez surpreenda você. Nessa passagem, ao contrário do
que normalmente se diz, não é o diabo que veio para matar, roubar
e destruir. Quem está fazendo esse papel com maestria no meio da
igreja do Cordeiro são os falsos profetas. Eles se utilizam de seus
títulose conhecimento da Palavra Profética para manipular e
controlar o povo de Deus, e dessa forma agem como mercenários,
sempre visando o benefício próprio.
Diante disso, acredito que o Espírito de Cristo está vindo sobre
a Sua igreja nestes dias para restaurar a pureza do sacerdócio
profético dos santos e quebrar a influência dos ladrões sobre a casa
do Pai, mais uma vez. Você lembra o que Jesus falou ao entrar no
templo e presenciar a corrupção no comércio que o sacerdócio da
época sustentava na casa de Deus?
“Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração
para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado
em covil de ladrões.” Marcos 11.17
Jesus começa a profetizar as palavras do profeta Isaías (Isaías
56.7). Em Sua proclamação, Ele revela qual é a real identidade da
casa de Deus: casa de oração. Esse lugar é uma casa sacerdotal
para o serviço de todas as nações da terra. Interessante que Ele
não diz que o templo de Jerusalém tinha como função ser bênção
somente para o povo de Israel, mas para todas as nações. A casa
de Jerusalém era um lugar onde pessoas de todos os povos vinham
para invocar o Nome do Eterno, e a partir dela se erguia
intercessões em favor das famílias de todas as nações. Essa era
uma dinâmica muito poderosa. Porém, Jesus denuncia o grave
problema que se encontrava instalado no templo: a casta de
sacerdotes corrompidos havia transformado a casa sacerdotal em
um covil de ladrões, onde os falsos profetas produziam roubo, morte
e destruição através de manipular as massas usando o nome de
Deus e Sua santa Lei.
Particularmente, creio que nestes dias o Espírito da profecia
está caindo mais uma vez sobre a igreja em todas as nações da
terra para restaurar a identidade da casa de Deus e com o fim de
que esta seja uma casa de oração (sacerdócio) para serviço das
nações. A minha intercessão, especialmente nestes dias, é para que
Ele quebre o poder da influência dos falsos profetas sobre a igreja,
para que os Seus ungidos sejam erguidos pelo Espírito e para que o
sacerdócio profético dos santos seja plenamente restaurado no
Brasil e em toda Terra.
Que se levante nestes dias uma casa sacerdotal no Brasil a
serviço das nações, para que este país se torne um celeiro
missional que as abençoe. Que haja testemunho do evangelho do
Reino em todas as nações (Mateus 24.14), para que venha o fim
desta era e o Reino do Messias governe todas as nações da terra a
partir de Jerusalém! Amém.
 
A LUTA PELA FÉ Judas (irmão de Tiago e, segundo os teólogos
eruditos, irmão de sangue de Jesus Cristo) escreveu uma carta
destinada, possivelmente, ao público judaico-cristão por volta do
ano 65. Nela, ele convida a comunidade dos santos a lutar pela fé
(Judas 1.3), resistindo aos falsos profetas e ao falso ensino infiltrado
no seio da igreja. O livro de Judas é praticamente dedicado a
confrontar a influência dos falsos profetas, e a denunciar sua
conduta e falsa doutrina, que, naquele tempo, já estava
contaminando muitas pessoas na comunidade dos santos.
A respeito da conduta dos falsos mestres, Judas afirma que
estes seguiram o caminho de três pessoas de destaque na narrativa
bíblica do plano da promessa redentiva de Deus sobre a criação:
Caim, Balaão e Corá (Judas 1.11). Por esse motivo, vamos gastar
algum tempo observando as obras desses três personagens a fim
de identificar as marcas do falso profeta.
 
O CAMINHO DE CAIM No livro de Gênesis, Moisés narra o episódio
do primeiro assassinato na história da humanidade – Caim mata seu
irmão Abel. Sabemos que os dois haviam se apresentado diante do
Senhor, cada um com sua oferta. Caim ofereceu ao Senhor os frutos
da terra, mas Abel as partes gordas das primícias do rebanho
(melhores partes dos melhores animais). A Palavra menciona o fato
de que a oferta de Abel foi aceita, enquanto a de Caim não, porque
as suas obras eram más (1 João 3.12). O escritor de Hebreus afirma
que pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que
Caim, pelo qual obteve testemunho da justiça, tendo a aprovação
divina da sua oferta (Hebreus 11.4). Eu acredito que a aceitação da
oferta de Abel estava relacionada, além de ser oferta das primícias,
com derramamento de sangue – sem derramamento de sangue não
há remissão (Hebreus 9.22).
Após a rejeição da sua oferta, com o coração possuído de ira e
inveja, Caim assassinou Abel. Ele considerou-se menos amado por
Deus do que seu irmão, quando, na verdade, o motivo pelo qual a
sua oferta não foi aceita foi devido ao seu proceder errado diante do
Senhor (Gênesis 4.7). Isso nos revela que Deus não aceita qualquer
oferta, mesmo que seja com boa intenção.
Falsos profetas sempre trabalharão para matar os que estão
sendo ungidos pelo Espírito de Cristo e se desenvolvendo no seu
chamado sacerdotal e profético diante da presença de Deus. Isso
acontece porque os legítimos profetas são uma ameaça à conduta
de controle e manipulação. Os falsos profetas sabem que no
momento em que eles começarem a dar testemunho verdadeiro,
sua conduta maligna será exposta e, por fim, julgada pela exposição
da verdade. Por isso, com a sua boca arrogante (Judas 1.16)
propagam todo tipo de ataque para humilhar aqueles que estão se
levantando diante de Deus e se sobrepondo a eles, antes que seja
tarde demais e sua posição de poder seja comprometida.
Saul também seguiu o caminho de Caim. Quando percebeu
que a unção de Deus não estava mais sobre ele, mas agora sobre
Davi, e que as obras deste eram mais celebradas pelo povo do que
as suas, procurou matá-lo. Saul temeu que o crescimento de Davi
abafasse a sua posição diante do povo (1 Samuel 18.7-12). Isso
parece familiar a você?
Preste muita atenção! Toda vez que uma pessoa começa a
frutificar em obras de justiça através da unção do Espírito, estando
ela em um ambiente regido por controle e manipulação de falsos
profetas, ela certamente sofrerá difamação (Judas 1.10). O motivo é
que a partir do momento em que uma pessoa é levantada como
uma voz profética, isso caracteriza uma ameaça à obra do falso
profético. O medo e a inveja, procedentes de um sistema de
escravidão mental e emocional, sempre produzirão fortes ataques a
quem está crescendo em Deus. Se você tem sido difamado e
humilhado por causa da justiça, parabéns, você está no caminho
certo!
 
A GANÂNCIA DE BALAÃO Como já vimos, Balaão era um profeta
que usava seu dom em troca de dinheiro. Ele se tornou tão famoso
na prática profética que chegou a ser contratado por Balaque, rei
dos moabitas, para que amaldiçoasse o povo de Israel. Interessante
notar que o preço do serviço de Balaão era conhecido pelas
pessoas, pois Moisés afirma que os anciãos moabitas e midianitas
levaram consigo o preço dos encantamentos ao saírem ao encontro
dele (Números 22.7).
Balaão era como uma nuvem sem água e uma árvore sem
folhas nem frutos (Judas 1.12). Tal declaração revela que ele era
alguém que aparentava espiritualidade a serviço do Deus vivo, mas,
na verdade, era um falso profeta, cujo coração era maligno e
corrompido pela ganância; era alguém com aparência, mas sem
realidade. Ele conhecia a voz do Senhor e, de fato, profetizava
palavras que o próprio Eterno colocava em sua boca (Números
23.16), mas o problema era a intenção ao se envolver com o
trabalho profético. Posteriormente, por causa do pagamento que lhe
fora prometido, ensinou a Balaque a armar ciladas diante dos filhos
de Israel para que comessem coisas sacrificadas aos ídolos e
praticassem a prostituição (Apocalipse 2.14).
Cuidado! Muitos falsos profetas carregam um discurso cheio de
conhecimento da santa Lei e falam verdades eternas reveladas pelo
Espírito do Senhor, porém, é preciso averiguar seus corações e
saber como se movimentam no ministério profético. O que define
um falso profeta não é a qualidade das suas palavras, mas as
intenções do seu coração. Muitos citam o versículo “Deus não é
homem, para que minta; nem filho de homem, para que se
arrependa” (Números 23.19), sem atentarem que quem profetizou
essa poderosa verdade eterna foi Balaão, o falso profeta, morto
pelas mãosdo povo de Israel (Números 31.8).
Como falamos anteriormente, o falso profeta visa o ganho
pessoal e requer pagamento de alguma ordem (2 Pedro 2.15) em
troca do seu “serviço profético”. Geralmente, esse pagamento será
cobrado em uma das três áreas que sustentam o sistema deste
mundo: sexo, dinheiro e poder.
O falso profeta se utiliza de seus dons, de sua eloquência
bíblica ou de sua posição de autoridade para manipular e seduzir as
pessoas em busca de favores. Assim como a imoralidade sexual e
as práticas de feitiçaria sempre estiveram ligadas entre si, a
sexualidade é sempre um alvo de ataque do inimigo na vida de
pessoas de autoridade e com vocação profética. Fique atento, pois
isso é mais comum em ambientes eclesiásticos do que você
imagina!
Outro caminho que pessoas como Balaão sempre vão trilhar é
o de se aproveitar de sua função de proclamador profético para
acessar maiores níveis de poder, tornando-se superior aos que
estão ao seu redor. Muitos tentarão usar o serviço ministerial para
galgar posições hierárquicas maiores e buscar novos níveis de
influência no sistema religioso implantado nas nações nos últimos
séculos. Normalmente, isso acontece por meio de bajulação movida
por interesse (Judas 1.16). Cuidado com pessoas que se
movimentam “forçando portas” para novos ambientes de autoridade!
Quem de fato é chamado por Deus não precisa forçar portas, antes
se submete ao Senhor à medida que Ele abre os caminhos diante
dos seus olhos. É sempre Deus quem abre as portas do serviço
ministerial para os obreiros que Ele envia – é sempre Ele.
Nos últimos vinte anos no Brasil, com o aumento da revelação
sobre os cinco dons de Cristo (Efésios 4.11), também chamados de
cinco ministérios, vimos desencadear em nossa geração uma
corrida insana por títulos e posições. Pessoas passaram a negociar
“unções”, títulos e posições em redes ministeriais, sem nenhum
pudor ou temor; nunca se viu tantos “apóstolos” no Brasil.
Creio profundamente na veracidade e necessidade da atuação
dos cinco ministérios na igreja de Cristo para os dias de hoje.
Realmente acredito que nas últimas décadas houve um genuíno
chamado do Espírito à nossa nação para o serviço desses
ministérios e à capacitação dos santos. Temos tido mais clareza a
respeito desse assunto tão fundamental para a edificação do Corpo
de Cristo e para a segunda vinda do Rei de toda terra. Porém não
podemos esquecer que os dons de Cristo (os cinco ministérios) não
são títulos, mas, sim, funções; e que ninguém passa a exercer um
ofício ministerial simplesmente porque óleo foi derramado sobre a
sua cabeça, mas porque o recebeu de Cristo e nasceu com essa
missão. Existe uma diferença brutal entre a dinâmica dessas duas
realidades. Os dons do Espírito precisam ser buscados, mas quanto
aos ministérios de Cristo são eles que nos buscam.
Após esse breve comentário sobre a situação em nosso país,
voltemos ao nosso assunto. Vimos que os falsos profetas podem
requerer pagamento na área sexual, na área de poder e agora
veremos a respeito da área financeira propriamente dita. A relação
entre o serviço ministerial e as finanças é realmente um tanto
polêmica no meio religioso. Nesse sentido, nós precisamos avaliar
duas práticas imorais que alimentam a injustiça nessa área: a
desonra e a ganância.
As Escrituras possuem um ensino muito transparente no que
se refere aos obreiros missionais e as finanças. Sabemos que o
trabalhador é digno do seu salário (1 Timóteo 5.18). O próprio
Paulo, um dos mais proeminentes obreiros de Cristo, ensina que
devemos abençoar com bens materiais àqueles que nos tem
abençoado com valores espirituais (Romanos 15.27). Também
ensina que aquele que está sendo instruído nas Escrituras deve
partilhar “todas as coisas boas” com aquele que o instrui (Gálatas
6.6), e que os presbíteros que servem com êxito na obra de Cristo
são merecedores de salário dobrado, principalmente os que se
dedicam à pregação da Palavra e ensino das Escrituras (1 Timóteo
5.17). A prática de servir aos obreiros do Senhor, por meio de
dízimos e ofertas, é bíblica e incontestável (Hebreus 7.1,2). Esse é
um princípio revelado em toda a extensão da Palavra Profética.
Acredito que todo participante da missão de Deus deve ser
honrado com ofertas financeiras, principalmente aqueles que
dedicam seu tempo integralmente na obra de Deus. Isso é um
princípio irrevogável das Escrituras Eternas. E o que deve nos
motivar a honrar essas pessoas com as nossas finanças não são
suas necessidades financeiras pontuais, mas a obra de Deus – que
é o dono da missão – que está sendo desenvolvida em suas vidas.
Penso que todo obreiro de Cristo deve viver bem, com um salário
digno, sem precisar mendigar esmolas à igreja que, nesse caso,
ofertaria apenas por pena. A desonra da igreja para com a vida dos
trabalhadores do ministério de Cristo, decorrente da cosmovisão de
que estes devem viver uma vida miserável para a “glória de Deus”, é
um dos motivos atuais que tem provocado a ganância no coração
de muitos ministros. Estamos em um tempo no qual os obreiros têm
sido abandonados nos campos missionários e os músicos e
ministros da Palavra têm sido usados para promoção de um sistema
de poder; como consequência, a frustração e a ganância têm
tomado conta dos ambientes missionais nas nações.
Tenho um conselho para você que deseja ofertar na vida de
pessoas que estão em missão: nunca oferte por pena! A grande
verdade é que a maioria das pessoas oferta visando suprir uma
necessidade imediata. Isso faz com que os missionários se sintam
obrigados a criar uma aparência de miséria quase constante,
chorando e mendigando nas reuniões públicas e mídias sociais
sobre suas dificuldades e sofrimentos. Um missionário, hoje em dia,
não pode levar sua esposa para jantar em um bom restaurante para
comemorar o aniversário de casamento e postar uma foto nas redes
sociais, por exemplo, que corre o risco de perder todos os seus
parceiros financeiros. Estes, possivelmente, pensarão: “Ele não
precisa mais das minhas ofertas, porque agora está vivendo uma
boa vida”. Mas quem disse que os obreiros de Cristo não podem ter
uma boa vida? Nunca oferte para uma pessoa ou projeto
missionário por pena ou necessidade, mas oferte pelo que carregam
em Deus e para que a pessoa e sua família possam ter uma vida
boa e tranquila em termos financeiros.
Contudo, o fato de grande parte da igreja não honrar os seus
obreiros com justiça, não lhes dão o direito de colocar um preço no
seu serviço para a edificação da igreja de Cristo. Se envolver com a
obra do Senhor visando o ganho pessoal é tão imoral quanto à
desonra com relação à jornada e família dos missionários por parte
da igreja. O que precisa mover o coração de um ministro profético é
o amor e a busca do serviço eficaz diante de Deus e diante dos
homens. Porém, se o que move o coração do obreiro ao envolver-se
com qualquer esfera da missão divina é o que ganhará com o
serviço, essa pessoa carrega em si e em sua movimentação
ministerial as marcas de um falso profeta.
Atualmente, atuo como obreiro, dedicando-me em tempo
integral para a oração, estudo das Escrituras, treinamento dos
santos e pregação da Palavra. Logo, vivo de ofertas voluntárias de
comunidades e irmãos a quem sirvo. Antes disso, passei quase uma
década servindo na obra de Deus e exercendo minha profissão, até
que o Senhor me direcionou para dedicar meu tempo
exclusivamente à capacitação dos santos em algumas cidades do
Brasil. Por causa disso, semanalmente pessoas entram em contato
comigo perguntando o valor que cobro para ministrar em alguma
igreja. Respondo sempre que não posso determinar um valor, pois
“cada um contribua segundo o seu coração, sem tristeza ou por
motivo de necessidade” (2 Coríntio 9.7).
Diversas vezes saí, após finalizar um serviço ministerial em
alguma igreja, sem receber oferta alguma. Já ocorreu de ser
prometido uma determinada oferta, mas ao término do culto o pastor
sair correndo e eu ficar sem nada. Houve ocasiões em que fui
ministrar em outra cidade com uma equipe de música e, quandoo
culto terminou, nos deixaram sem o dinheiro da gasolina para voltar.
Aconteceu também – e você que é missionário já deve ter ouvido
essa – de pessoas, por estarem sem dinheiro no momento, pedirem
minha conta bancária para fazer um depósito e isso nunca
acontecer (aliás, a probabilidade de receber esse tipo de oferta é
quase nula). E não menos frustrante é alguém se comprometer com
uma oferta mensal – porque “sentiu de Deus” –, mas ao findar do
mês Deus ter “mudado de ideia”.
A principal questão em meio à essa realidade é: se por causa
de situações frustrantes como essas permitirmos que nosso coração
seja contaminado pela ira e ganância, perderemos a clareza de
nossa posição em Cristo e não teremos autoridade para
movimentar-nos profeticamente e servir às pessoas, comunidades e
cidades diante de Deus com poder.
Como obreiros do Senhor, precisamos entender que Ele nos
chamou para a Sua obra. Logo, não temos uma missão pessoal,
mas participamos de Sua missão. Se Ele é o dono da obra, então
trabalhamos para Ele e não para homens. Além disso, como dono
dessa missão, o próprio Senhor é o responsável por sustentar-nos
(se, de fato, foi Ele que nos enviou); é preciso que confiemos nessa
verdade todos os dias de nossa vida.
Como vimos anteriormente, o que moverá a trajetória de uma
pessoa profética sempre será o amor e o desejo por servir ao
próximo. Por isso, todos os recursos financeiros que chegarem às
suas mãos nesta jornada, será uma manifestação de justiça e honra
em sua vida e na vida de sua família. Quando o legítimo ministro
lida dessa forma com as finanças e ofertas, isso sobe ao trono como
incenso diante do Eterno.
Aprendi algo sobre finanças no ministério público de Jesus que
feriu a minha vida intensamente, e quero compartilhar com vocês.
Observe comigo a passagem abaixo: “... e também algumas
mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e
doenças: Maria, chamada Madalena, de quem haviam saído sete
demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de
Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a
sustentá-los com os seus bens.” Lucas 8.2,3 – NVI Lucas conta-
nos que o ministério de Jesus era sustentado financeiramente por
pessoas que o ajudavam ofertando seus bens no desenvolvimento
da obra. Mas quem eram essas pessoas? De acordo com a
passagem, eram justamente aquelas que Jesus havia servido em
amor. Não há problema algum em você receber uma oferta, o que
realmente importa é onde está a sua motivação. A motivação do
coração do Mestre era sempre amar e servir por meio da unção que
estava sobre Ele. Isso moveu o coração daquelas pessoas a servi-lo
de volta. Existe uma chave poderosa aqui: Procure servir às
pessoas em amor todos os dias da sua vida e fique certo de que
sempre que necessitar de algo, um coração grato irá honrá-lo e
suprir a sua necessidade. Eu creio nisso de todo o meu coração.
Quanto às pessoas que seguem o caminho de Balaão, o
pagamento mais comum que cobram – e, possivelmente, mais
nocivo – é relacionado à dependência emocional daqueles que se
encontram sob a sua influência ministerial. O Brasil tem sofrido nas
últimas décadas uma prática terrível, um tipo de “paternalismo
espiritual”, que coloca o líder em uma posição de decisão sobre
todos os aspectos da vida do seu liderado (a ponto de interferir, por
exemplo, na aprovação ou desaprovação de casamentos!), criando,
assim, uma dependência profética do discípulo com seu mentor.
Como já falamos, precisamos ter sempre em mente que o trabalho
de uma pessoa profética não é apenas revelar a sua visão para que
seus discípulos se envolvam com ela, mas trabalhar para que os
olhos destes sejam abertos e recebam clareza e habilidade para
decidirem os seus próprios passos. Você lembra o episódio de
Eliseu e seu discípulo, quando foram cercados pelo exército da Síria
na cidade de Dotã?
“Tendo-se levantado muito cedo o moço do homem de Deus e
saído, eis que tropas, cavalos e carros haviam cercado a
cidade; então, o seu moço lhe disse: Ai! Meu senhor! Que
faremos? Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que
estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e
disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que
veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, E ELE VIU que o
monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de
Eliseu.” 2 Reis 6.15-17
Considerando a crítica situação em que os dois se
encontravam diante dos seus inimigos, Eliseu poderia apenas ter
dito: “Confie em mim, faça apenas o que eu mandar e tudo ficará
bem, porque os meus olhos estão abertos!”. Mas sua atitude foi de
um verdadeiro pai profético, pois intercedeu diante do Senhor para
que os olhos do seu discípulo fossem abertos, o que de fato
aconteceu. Martin Scott, um dos mentores da minha jornada no
profético, certa vez disse algo poderoso que nunca esqueci: a
principal função de um pai não é gerar filhos, mas sim gerar
novos pais. A função de um líder espiritual não é criar um ambiente
de escravidão emocional no qual seus liderados são tratados como
eternas crianças espirituais, que precisam ser levadas no colo e são
incapazes de tomar decisões em suas vidas sem a interferência dos
“pais”. A função primária de um pai espiritual é levar seus filhos a se
desenvolverem espiritualmente para que possam crescer diante de
Deus e, assim, terem seus olhos abertos e se relacionarem com a
Sua voz. Dessa maneira, estarão aptos e habilitados para conduzir
suas jornadas diante da presença do seu Deus. Entenda bem: a
principal função de um pastor não é ser “babá” de ovelhas, mas
ensinar seus discípulos a administrar espiritualmente suas próprias
vidas.
Aqueles que realmente aprenderam a se relacionar com a voz
do Senhor (não me refiro ao famoso, e banalmente usado, “Deus
me disse”) não precisam da aprovação de alguém para se submeter
aos desígnios dessa voz. Você lembra da resposta de Jesus à
pessoa que falou que o seguiria, mas que antes precisava se
despedir da sua família? “Ninguém que, tendo posto a mão no
arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lucas 9.61,62).
Não creio que o Mestre tenha repreendido a vontade do candidato a
discípulo de se despedir dos seus pais. Essa era uma realidade
legítima e, inclusive, tinha antecedentes nas Escrituras: Eliseu pediu
para beijar seu pai e sua mãe antes de seguir os passos do
discipulado proposto por Elias e seu pedido foi concedido sem
nenhuma objeção (1 Reis 19.20). Contudo, Kenneth Bailey, em seu
livro As Parábolas de Lucas[3], faz uma leitura impressionante dessa
passagem. Ele afirma que segundo a tradição oriental, quando o
recruta a discípulo pedia para se despedir de sua casa, ele não
estava falando apenas de uma despedida, mas sim de pedir a
bênção, ou seja, a permissão aos seus pais para seguir o Rabi
Jesus. Então, diante dessa condição, Jesus lhe confronta, afirmando
que aquele que precisa pedir permissão a fim de segui-lo, mesmo
que seja aos pais, não é digno de participar do Seu Reino. Essa é
uma declaração muito forte para nós que desejamos nos converter
totalmente ao caminho de Cristo.
Meu querido (a), eu quero com todo carinho e respeito dizer
que você não precisa da permissão de ninguém para seguir a VOZ
DO SENHOR, nem mesmo a dos seus pais biológicos ou espirituais.
Apenas se relacione com a voz do Senhor e se submeta aos Seus
propósitos. Assim você terá autorização do próprio Deus para
carregar os Seus oráculos por onde for.
Toda pessoa que faz parte da missão apostólica e profética da
santa igreja precisa de fato se submeter a alguma expressão do
Corpo de Cristo, bem como ao pastoreio, não importando o seu
nível de maturidade ou autoridade ministerial. Qualquer ensino que
vá contra essa verdade é imoral. Entretanto, isso não significa que
precisamos tolerar ambientes de controle e manipulação em nome
do “profético”; precisamos fazer guerra contra esses ambientes nos
dias em que estamos vivendo.
 
NO ESPÍRITO DE CORÁ Nos escritos da Torah (Pentateuco),
Moisés narra a revolta do levita Corá contra a sua liderança e o
sacerdócio de Arão (Números16). Corá era um ancião renomado
que mobilizou outros duzentos e cinquenta anciãos do povo de
Israel a resistirem à liderança de Moisés sobre a congregação de
Israel. Ele era um líder com dons extraordinários e conseguiu
mobilizar um grande número de pessoas através de um discurso
baseado em conceitos de democracia e igualdade, com o objetivo
de descredibilizar a autoridade que Moisés e Arão tinham recebido
do Senhor.
“e se ajuntaram contra Moisés e contra Arão e lhes disseram:
Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é
santo, e o SENHOR está no meio deles; por que pois, vos
exaltais sobre a congregação do Senhor?” Números 16.3
Por causa desse motim contra a autoridade de Moisés e Arão,
Corá e seus seguidores Datã e Abirão morreram engolidos pela
terra juntamente com suas famílias, todos os seus bens e todas os
que se sujeitavam a Corá, incluindo os duzentos e cinquenta líderes
do povo que o apoiaram na rebelião. As Escrituras afirmam que a
terra se abriu e todos eles desceram vivos ao sheol, ou seja, foram
direto para o inferno (Números 16.31-33). Esse episódio
desencadeou ainda a morte de catorze mil e setecentas pessoas
feridas de peste pelo Senhor, por serem simpatizantes da causa de
Corá (Números 16.49). Corá, literalmente, causou confusão e
desordem no meio do povo de Deus.
A respeito da influência dos falsos profetas no seio da igreja,
Judas afirma que estes operam no espírito de Corá e, por isso,
rejeitam e difamam pessoas comissionadas pelo Senhor para
exercerem autoridade sobre a terra (Judas 1.8). Por isso, eles se
tornam mestres da murmuração e se movimentam segundo as suas
próprias paixões (Judas 1.16); são pastores que apascentam a si
mesmos e não se submetem a nenhuma expressão da igreja do
Cordeiro nem ao pastoreio de outros (Judas 1.12). Da mesma forma
que um falso profeta se empenha em difamar aqueles que são
levantados por Deus em suas esferas de influência, ele também se
empenha em fazer o mesmo a qualquer pessoa que tem crescido
em autoridade nos ambientes em que ele próprio deseja usufruir de
algum tipo de benefício.
Falsos profetas trabalham em prol de difamar pessoas em
posição de liderança porque, na verdade, desejam assumir tal
posição. Observe que o maior objetivo de Corá não era desenvolver
a sua vida para exercer uma genuína liderança espiritual, mas, sim,
galgar uma posição de poder para que seu nome e o de sua família
fossem engrandecidos diante do povo de Deus.
A igreja de Cristo não foi concebida para ser “informal”, porque
pelos padrões bíblicos, no tocante do que é criado, aquilo que é sem
forma é vazio (Gênesis 1.2). A igreja é o Corpo místico de Cristo,
um organismo vivo que precisa de uma estrutura organizacional
para ser sustentável. Por muitos anos pessoas têm afirmado que as
grandes estruturas são a causa primária do desvio e da quebra de
princípios fundamentais sustentadores da casa de Deus, mas Paulo
afirma que a nossa luta não é contra estruturas físicas e
organizacionais, mas, sim, contra estruturas de pensamento que se
levantam contra o conhecimento de Deus (2 Coríntios 10.4,5).
Nosso maior problema não é o tipo de organização estrutural na
qual estamos reunidos como igreja, mas o tipo de mente que
possuímos ao nos reunir.
Na parábola dos odres Jesus ensina que o vinho novo precisa
ser colocado em odres novos, ou seja, é preciso uma estrutura
adequada para receber o vinho, do contrário ele será derramado
sobre a terra e desperdiçado (Lucas 5.37). A comunidade apostólica
e profética de Jesus precisa de uma estrutura adequada para
receber o que o Senhor está derramando nestes dias. Caso
contrário, tudo se perde. O profético não deve ter nenhuma relação
com a informalidade, no sentido de desorganização, afinal sua
função é trazer clareza para que tudo seja ordenado e tome o seu
devido lugar. Toda estrutura organizada precisa de ordem e tudo o
que tem ordem precisa de liderança. Lembremo-nos de que toda
posição de liderança foi estabelecida por Deus.
“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque
não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades
que existem foram por ele instituídas.” Romanos 13.1
Toda pessoa profética precisa se relacionar com o Corpo de
Cristo, e todo aquele que se submete à comunhão dos santos
também precisa se submeter a algum nível de pastoreio para que o
seu sacerdócio seja desenvolvido diante de Deus e dos homens.
Logo, toda pessoa envolvida na obra de Deus, não importando o
seu nível de influência, precisa se submeter a uma liderança, seja
ela uma pessoa específica ou um presbitério coletivo. Sim, todo
ministro precisa ter alguém em sua vida que lhe diga “NÃO” quando
necessário.
Cuidado com pessoas proféticas que se movimentam
sozinhas, sem se submeterem a alguém ou sem caminharem com
uma comunidade de fé. Você está lembrado do profeta que, sozinho
numa caverna, afirmou na presença do Senhor que todo o povo
havia se desviado de Seus caminhos e que apenas ele tinha
conservado a fidelidade no verdadeiro chamado profético? Após ter
declarado isso, ele ouviu do Senhor algo parecido com: “O teu
tempo acabou, Elias! Agora, vá e UNJA OUTRO PROFETA EM TEU
LUGAR!” [4] (1 Reis 19.16).
Muitas pessoas falam que estão na “caverna”, como se fosse
um lugar de tempo com Deus e reclusão. Particularmente, creio que
isso é um erro de compreensão. Caverna não é lugar de profeta,
porque seu interior é escuro e lhe cega a visão. Lugar de profeta é
nos lugares altos, onde sua visão pode ser ampliada. Deus não
chamou Elias para entrar na caverna, pelo contrário, quando o viu
nela, perguntou: “Que fazes aqui, Elias?” (1 Reis 19.9). O que
motivou o profeta a se esconder na caverna foi a pressão do
confronto e o medo de Jezabel (1 Reis 19.2,3). Semelhante a Elias,
muitas pessoas com chamados extraordinários têm se escondido
em lugares escuros por causa das pressões e dos confrontos da
jornada, com medo do fracasso ou por traumas do passado.
Outra característica a ser observada é que a caverna é um
lugar solitário. O isolamento de pessoas proféticas da comunhão
com o Corpo de Cristo sempre abrirá espaço para o
comprometimento de sua visão em Deus. Quando Elias foi
questionado por Deus a respeito de ter entrado na caverna, sua
resposta foi: “Todos te abandonaram e eu fiquei só” [5] (1 Reis
19.14). Deus, então, lhe responde: “Eu conservei para mim um
remanescente de sete mil que não adoraram a Baal” [6] (1 Reis
19.18). Atenção! Não dê ouvidos quando alguém falar que Deus não
está fazendo nada ou que ninguém está se sujeitando ao que Ele
está fazendo. A obra de Deus está em constante movimento nos
tempos e estações. Sempre, mas sempre mesmo, Deus está
trabalhando com um remanescente na Sua obra.
“Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um
remanescente segundo a eleição da graça.” Romanos 11.5
A perspectiva bíblica do ministério profético é corporativa e não
individual. O isolamento social não deve ser uma característica
profética. Toda pessoa com uma vocação missional precisa estar
conectada à comunhão dos santos. Não existe validade no
chamado ministerial paraeclesiástico, ou seja, no serviço que é
paralelo à igreja. Todo chamado comissionado por Cristo tem a
função de servir à igreja e ser uma bênção para o mundo a partir
dela. Afinal, a multiforme sabedoria de Deus é manifestada das
regiões celestiais por meio da igreja (Efésios 3.10), e não por meio
exclusivo dos apóstolos e profetas.
Nos últimos anos tem crescido o fenômeno dos “desigrejados”
no Brasil – pessoas que se autodenominam proféticas e que
desejam amar a Jesus, mas à parte do relacionamento com o Seu
Corpo em um ambiente eclesiástico. Isso é um grave equívoco. O
testemunho de Jesus é o espírito da profecia e não há como
testemunhar sobre o Cabeça sem estar submetido ao Seu Corpo.
 
MARCAS DE UM FALSO PROFETA Até aqui assinalei diversas
marcas do falso profeta, tanto na vida de pessoas sob sua liderança
quanto no funcionamento ministerial coletivo. Permita-me apenas
fazer um breve resumo dessas características, lembrandoque,
essencialmente, o falso profeta visa sempre o benefício próprio em
detrimento do serviço e do amor. São estas as marcas:
Manifesta um “espírito superior”, dando a impressão de
que tem mais acesso a Deus que os demais irmãos na
fé;
Profetiza requerendo pagamento financeiro, sexual, uma
posição de poder ou criando uma dívida emocional;
Não permite ser interrogado acerca da sua mensagem e
não costuma prestar contas do que profetiza,
impossibilitando, assim, a correção em caso de erro em
seus pronunciamentos. Basicamente, não tem espírito
ensinável!!!
Não tem bom relacionamento com outros ofícios no
Corpo e, por isso, sua tendência é exercer um trabalho
isolado e não em equipe;
Em suas conversas, sempre foca no que faz e profetiza
“em nome do Senhor” para gerar autopromoção do seu
ministério;
Sempre se convida para ministrar em lugares que julga
serem chaves para o desenvolvimento do seu ministério;
força portas para “servir” à igreja, com o objetivo de se
autopromover e obter lucro ministerial.
Em um ambiente de exortação nunca examina a si
mesmo, mas em primeiro lugar procura encontrar erros
no próximo. Justifica e minimiza as suas falhas,
enfatizando as falhas do outro.
Obs.: Se você leu tudo isso e apenas procurou encontrar essas
marcas em outras pessoas, sem antes olhar para si mesmo...
CUIDADO!!! Em você pode existir alguma marca que remete ao
falso profético. Lembre-se de que o falso profeta não é um título,
mas um tipo de comportamento.
 
NÃO À DEPENDÊNCIA PROFÉTICA!
Precisamos guerrear contra a dependência profética e ensinar
às pessoas a depender de Deus como seu criador e provedor. Não
desejo que você se torne dependente do meu ensino ou conselho,
nem desejo chegar a qualquer lugar para ser a resposta final às
pessoas.
Se você quer ser um ministro que serve à igreja do Cordeiro
nestes dias, precisa se recusar a ser a única fonte para alguém,
porque, certamente, isso desencadeará em um relacionamento de
dependência. O único relacionamento de dependência que
precisamos ter é com o Deus vivo. Não se torne dependente de
nenhuma voz, a não ser da voz do Senhor. A função principal do
profeta da Nova Aliança não é ser a voz de Deus para as pessoas,
mas, sim, ensiná-las a ouvir o Senhor por si só e se relacionarem
com Ele.
Apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres, os cinco
ofícios ministeriais descritos por Paulo (Efésios 4.11), têm como
objetivo final se tornarem INÚTEIS. Sua missão é capacitar os
santos para que estes se envolvam na obra do ministério e na
edificação do Corpo, ATÉ QUE cheguem à plenitude de Cristo. O
nosso serviço ministerial deve durar até que o Corpo de Cristo se
levante sobre a terra!
“A missão do profeta é levar as pessoas a ouvirem a voz de
Deus e se submeterem a ela. É nunca pensar que elas devem ouvir
a ele e obedecê-lo. É levar cada um a não precisar mais dele. É o
trabalho de tornar-se supérfluo, pois ensinou-as a ouvir Deus e não
o profeta.” – Ângelo Bazzo
CAPÍTULO 3
VISÃO PROFÉTICA
Jesus é o referencial máximo para o serviço profético, e Sua
conduta a mais exata em termos do serviço de um profeta.
Devemos lembrar também que o testemunho de Jesus é o espírito
da profecia (Apocalipse 19.10). Em Seu ministério público ele nos
ensinou algo extremamente precioso, que é um dos princípios
fundamentais na jornada profética dos santos redimidos: “Então,
lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho
nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que Ele
VÊ o Pai fazer; porque tudo o que este fizer, o Filho também
semelhantemente o faz.” João 5.19
Conhecemos bem a história do tanque de Betesda (“casa da
misericórdia”), um reservatório aquífero localizado em Jerusalém,
perto da Porta das Ovelhas. Ali permanecia uma multidão de
enfermos, cegos, coxos e paralíticos esperando que a água do
tanque se movesse, pois criam que de tempos em tempos um anjo
descia e a agitava; e o primeiro a entrar no tanque seria curado de
qualquer doença que tivesse (João 5.2-4).
Nesse lugar de desesperança e com “cheiro de morte”, em um
sábado, Jesus curou um homem que estava enfermo há trinta e oito
anos, ordenando-lhe: “Levanta-te, pega a tua maca e anda” (João
5.8). Vendo os judeus que o homem carregava a maca no sábado,
o repreenderam. Ele responde à repreensão dizendo que Aquele
que o curou ordenou-lhe: “pega a tua maca e anda”. A partir desse
momento, como você bem sabe, a confusão estava armada, pois,
segundo a tradição judaica, não era lícito ao homem fazer qualquer
esforço físico no dia de sábado.
Os judeus, logicamente, questionaram Jesus acerca do motivo
pelo qual fazia Suas obras no sábado. Na resposta que Jesus deu
a eles foi revelada a base da Sua movimentação profética: Ele não
fazia nada d’Ele mesmo, mas só se envolvia com aquilo que via o
Pai fazer. Diante desse cenário, eu gostaria de pensar com você
sobre algumas coisas.
A primeira questão que me intriga nessa história é que Jesus
tinha um ministério público com evidência de curas e milagres
extraordinários. Ele não apenas curava pessoas, mas era a própria
cura que se movia sobre a terra. Ainda assim, no dia em que entra
naquele lugar com tão grande concentração de doentes em estado
grave (sem esperança, com doenças terminais e sem recursos
financeiros para recorrerem aos médicos) Ele cura uma única
pessoa, e sai.
Confesso que isso me deixa um pouco chocado. Deixe-me
fazer uma pergunta a você: Se você fosse Jesus o que faria ao
entrar naquele ambiente? Vou dizer o que eu faria: curaria a todos.
Sim, eu promoveria um verdadeiro “Show da Fé”! Jesus, porém,
cura uma única pessoa, e vai embora.
Não havia um padrão predefinido no funcionamento apostólico
e profético de Jesus. Suas ações eram sempre uma ameaça ao
sistema do mundo, porque a maneira como agia nunca podia ser
prevista por ninguém. Houve momentos em que Jesus curou a
todos (Mateus 8.16), mas em um momento específico, em Sua
própria cidade, Ele quis curar a todos e não pôde por causa da
incredulidade das pessoas (Marcos 6.5,6). Então, finalmente, Ele
chega ao tanque de Betesda, onde havia muitos que necessitavam
da Sua intervenção poderosa, mas cura apenas uma pessoa.
Afinal, por que Ele fez isso?
Será que Jesus não sabia que curar no sábado geraria
escândalo no meio religioso e traria muitos problemas para Ele e
Sua equipe? É claro que sabia. Então, por que não esperou o dia
seguinte para fazer aquele milagre? A resposta é simples: O Filho
NÃO PODE FAZER O QUE ELE QUER. Por incrível que pareça,
essa é uma afirmação fidedigna. Jesus não tinha autossuficiência
para fazer qualquer coisa na Terra. Por isso, voltava Seus olhos ao
Pai para ver o que Ele estava fazendo e, assim, poder participar
das Suas realizações na Terra.
Interessante notar que a expressão grega, utilizada na
passagem de João 5.19, para ver é blepo cuja raiz é eidos que
significa olhar, observar, ver. Ela não está relacionada ao passado,
referindo-se ao que Cristo viu diante do Pai na eternidade antes de
Sua encarnação, mas, sim, ao que Ele estava vendo diariamente
na presença do Pai em Seu ministério terreno.
Gosto de pensar que sempre que se retirava para um lugar
solitário para orar (Lucas 5.16), como era Seu costume, Jesus
voltava os olhos ao Pai para ver o que Ele estava fazendo. Como o
Pai tem prazer em revelar o que faz aos Seus filhos, mostrou a
Jesus aquele homem que esperava o mover das águas, com
esperança de ser curado. O Pai tinha uma obra a ser feita naquela
vida e, por isso, Jesus se dirigiu para onde ele estava. A cura
daquele homem não foi obra do acaso. Jesus foi encontrá-lo com
um propósito definido, de acordo com o que tinha visto no lugar de
oração.
“Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e
maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos
maravilheis.” João 5.20
Aprendemos com Jesus que os filhos de Deus são chamados
para estar diante d’Ele com olhos abertos. Eles não podem se
mover apenas pelas demandas de necessidades que estão diante
de seus olhos, muito menos pelos resultados ou pressão. Você
lembrade quando Lázaro adoeceu e Jesus foi avisado de que
aquele a quem amava estava doente? Ele largou tudo o que estava
fazendo e correu para curá-lo? Não. Ele permaneceu no lugar em
que estava por dois dias. A pressão da possível perda do amigo
não O tirou do lugar em que deveria estar.
Acredito que nós, crentes em Jesus, precisamos sofrer uma
drástica conversão em nossos corações em relação ao nosso
envolvimento com a obra de Deus. Por exemplo: Você já participou
de reunião de planejamento de alguma ação da igreja? Eu já
participei de muitas. Certa época participei de tantas reuniões
desse tipo que, às vezes, entrava nelas sem nem ao menos saber
sobre o que seria tratado. Esse tipo de reunião geralmente
acontece quando há uma demanda para ser realizada em nome da
obra de Deus (projeto, conferência, culto, etc.). Alguém preside a
reunião e é comum ter um “escriba” para registrar o que está sendo
decidido. Após a exposição dos objetivos a serem alcançados, cada
pessoa apresenta suas ideias para chegar aos resultados
esperados e, em seguida, os irmãos decidem (por voto ou palavra
final de quem está presidindo) como procederão a respeito do
assunto ou projeto proposto. Depois que tudo fica acertado entre os
participantes, vem a parte que eu mais gosto, o final, e os crentes
oram pedindo para Deus abençoar o que eles decidiram.
A duras penas aprendi que cristãos predestinados para serem
conforme à imagem do Filho (Romanos 8.29) não pedem para
Deus abençoar suas escolhas e decisões, antes buscam as
decisões do Eterno para as suas vidas. Os filhos de Deus não se
esforçam para fazer algo para Ele, mas buscam se envolver com o
que Ele já está fazendo.
Você lembra do que Jesus disse a Marta, quando ficou
hospedado em sua casa? O evangelho de Lucas relata esse
episódio (Lucas 10.38-42), quando Jesus foi visitar a casa de Seu
amigo Lázaro e de suas duas irmãs, Marta e Maria. Para
entendermos melhor o motivo pelo qual Marta trabalhou tanto, nós
precisamos conhecer um pouco sobre as tradições orientais de
hospitalidade. Havia pelo menos dois costumes na cultura judaica
quando recebiam um hóspede e desejavam demonstrar que ele era
bem-vindo: lavar seus pés e dar-lhe o que comer (Gênesis 18.4,5).
Quando Jesus já se encontrava no interior da casa de Lázaro,
Maria assentou-se aos Seus pés para ouvir Sua sábia voz. Marta,
por sua vez, estava distraída e afadigada com os afazeres
domésticos. Afinal, estava em sua casa o ilustre amigo que nunca
andava sozinho. Provavelmente, depois de lavar os pés dos
hóspedes, ela ocupou-se em preparar refeição para todos. Observe
o cenário: Maria não está fazendo nada para agradar a Jesus, o
seu amado amigo; apenas fica ali diante d’Ele, para ouvir Suas
sábias palavras. Enquanto isso, Marta corre de um lado para o
outro, se desdobrando para servir ao Mestre e à Sua comitiva da
melhor maneira possível.
Importante também notar que o que Maria fez – assentou-se
aos pés do Rabi – não era permitido naquela época que mulheres
fizessem. Com isso, ela mostrou a todos que também era discípula
d’Aquele que estava ensinando. Foi em meio a esse cenário que
Marta tenta fazer uma “chantagem emocional” com Jesus, dizendo-
lhe: Senhor, não se importa de ver-me trabalhando sozinha,
enquanto minha irmã está sentada aos Seus pés, sem fazer nada?
A resposta de Jesus é fantástica: “Marta, Marta…”.
Não sei se você já prestou atenção, mas, nas Escrituras,
sempre que o Senhor queria chamar uma pessoa para um
relacionamento de maior intimidade Ele a chamava pelo nome duas
vezes: “Moisés, Moisés…” (Êxodo 3.4); “Samuel, Samuel…” (1
Samuel 3.10); “Saulo, Saulo…” (Atos 9.4). Também no Dia do
Senhor muitos vão usar a expressão de intimidade: “Senhor,
Senhor…”, porém, ouvirão de Sua boca: “Nunca os conheci…”
(Mateus 7.22,23).
Quando Jesus chama Marta pelo nome duas vezes está
carinhosamente chamando-a para o lugar de intimidade. Na
verdade, o que Ele queria dizer era: “Largue todos esses afazeres
que você está empenhada em realizar para mim e sente-se aqui
conosco para se relacionar comigo”.
“E, respondendo Jesus, disselhe: Marta, Marta, estás ansiosa
e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e
Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
Lucas 10.41,42
Preste atenção! Marta não estava fazendo nada de errado,
apenas cumpria a tradição que aprendera com sua família e que
fora passada de geração em geração. A irmã de Maria fazia suas
tarefas de bom coração para servir ao Senhor, mas o que ela ainda
não havia entendido era que Jesus não precisava que fizesse nada
para agradá-lo. O que o Senhor mais deseja de todos nós é que
nos envolvamos com a Sua presença e participemos do que Ele
está fazendo. Maria escolheu a boa parte e, para isso, quebrou os
paradigmas culturais que não lhe permitia estar numa reunião de
ensino com um rabino (ambiente tradicionalmente exclusivo para
homens). Ela não fez nada para o Senhor, apenas permaneceu
diante d’Ele, se relacionando com a Sua presença e ouvindo a Sua
voz.
Um fato muito interessante é que a expressão grega utilizada
no original para “boa parte” é agathos meris, que também pode ser
traduzida como bom ofício ou boa obra. Jesus diz que Maria fez
uma “boa obra” não fazendo nada, apenas estando diante d’Ele,
aos Seus pés e em submissão à Sua voz. Isso é muito poderoso!
Você não precisa fazer “nada” para Deus, precisa apenas se
envolver com o que Ele está falando e fazendo desde a eternidade
até os nossos dias. A única maneira de conhecer a Sua obra é
parando tudo para estar em Sua presença com olhos abertos e
atento à Sua voz. Assim, Deus iluminará os olhos do seu coração
para que você possa acessar a revelação de quem Ele é e no que
está se movendo, e para mostrar-lhe como se envolver com a Sua
obra. Os filhos de Deus não podem fazer nada de si mesmos,
apenas aquilo que veem o Pai fazer.
 
OLHOS ABERTOS Como descrevemos anteriormente, profetizar
nada mais é do que revelar a mente e o coração de Deus através
da linguagem humana. Pode ser entendido também como a
capacidade de acessar e comunicar pequenas partículas de
revelação dos imensuráveis pensamentos e caminhos do Senhor,
através de uma devoção profunda, isto é, com a prática da
meditação em Sua presença. Nesse sentido, então, a única forma
de acessar a Deus é tirando os olhos de nós mesmos, de tudo o
que está ao nosso redor, de todas as nossas demandas e dores, e
voltá-los para Ele. É preciso silenciar nossos pensamentos, voltar
nossa mente e coração a Deus para que Ele possa enchê-los com
revelação e vislumbres dos Seus caminhos eternos.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos
pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos,
diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do
que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que
os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos
do que os vossos pensamentos.” Isaías 55.8,9
Pessoas proféticas são feridas pelo Espírito de Cristo com uma
insaciável fome por acessar a revelação divina – matéria-prima
básica para a edificação de uma jornada profética, tanto na vida de
uma pessoa como na missão coletiva da igreja. A palavra revelação
(Apocalipse 1.1), em sua raiz grega apokalupto, nos remete à ação
de remover o véu de diante dos olhos, ou seja, desvendar ou retirar
todo impedimento para que haja uma clara visão. Fala também de
abrir os olhos do nosso coração (Efésios 1.17,18), para que, assim,
possamos ver os aspectos da realidade invisível que está sob o
domínio de Cristo (Colossenses 1.16) e que não pode ser acessada
com os olhos da carne.
É interessante notar que que o livro de Apocalipse (tradução
em português – apokalupto) é uma profecia recebida por João na
Ilha de Patmos, diretamente da parte de Cristo. Entretanto, talvez o
nome mais indicado para esse livro seria Revelação – “a revelação
de Jesus Cristo” –, exatamente como é descrito inicialmente no
primeiro capítulo da profecia.
A principal vocação profética da igreja de Cristo é o chamado
para VER, acessando, assim, a revelação de quem Deusé e de
quem nós somos n’Ele. Entendo que o caminho para isso é
fecharmos os olhos para o nosso eu e voltá-los para o que há no
coração de Deus. Só assim seremos afetados pelo que Ele está
falando e fazendo nesta estação. Quando observamos a atividade
profética em toda a extensão das Escrituras, vemos que a maior
característica dela é a vidência. Pessoas proféticas são homens e
mulheres de olhos abertos, por isso, em muitos momentos nas
Escrituras, elas são chamadas de VIDENTES.
“Quanto àquele profeta ou vidente, deverá ser morto, pois
pregou rebeldia contra o SENHOR, vosso Deus, que vos
libertou e vos fez sair da terra do Egito e vos resgatou da casa
da escravidão; tal impostor tentou afastar-nos do Caminho em
que o próprio Yahweh, teu Deus, te ordenou caminhar. Desse
modo extirparás o mal do teu meio!” Deuteronômio 13.5 – KJA
“E tudo quanto havia sido consagrado por Samuel, o vidente e
profeta; Saul, filho de Quis, Abner, filho de Ner, e Joabe, filho
de Zeruia, isto é, todas as dádivas sagradas estavam sob a
guarda e responsabilidade de Selomote e seus parentes.” 1
Crônicas 26.28
“Quando, ao raiar da manhã, Davi se levantou, o SENHOR já
havia comunicado a Gade, o vidente e profeta a serviço de
Davi...” 2 Samuel 24.11
“Todos estes foram filhos de Hemã, o vidente do rei e cujo
poder Deus exaltou segundo as suas promessas, dando-lhe
catorze filhos e três filhas.” 1 Crônicas 25.5
“Entretanto, o rei Asa se indignou contra o vidente e suas
profecias e o lançou no cárcere, no tronco, porque se
enfurecera contra a pessoa de Hanani por causa do que havia
profetizado; na mesma ocasião, castigou brutalmente algumas
pessoas do seu próprio povo.” 2 Crônicas 16.10
“O rei Ezequias e seus oficiais ordenaram aos levitas que
louvassem a Yahweh, o SENHOR, com as palavras e os
salmos de Davi e do vidente Asafe. Eles o louvaram com
alegria, depois inclinaram suas frontes e o adoraram.” 2
Crônicas 29.30 – KJA “Os músicos e cantores, descendentes
de Asafe, estavam em suas posições, segundo o mandado de
Davi, e de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, vidente do rei,
como também os porteiros, a cada porta; não necessitaram de
se desviar do seu ministério; porquanto seus irmãos, os
levitas, preparavam tudo quanto precisavam.” 2 Crônicas
35.15
“Mais tarde Amazias expulsou Amós, dizendo: “Vai embora,
vidente! Retira-te depressa e vai profetizar em Judá; vai
ganhar teu pão por lá com tuas palavras!” Amós 7.12
Da mesma forma, em algumas passagens, a palavra referente
ao profeta tem em sua raiz hebraica o significado de VIDENTE,
como RAAH (1 Samuel 9.9) e CHOZEH (1 Crônicas 21.9). Sendo
assim, podemos concluir que os profetas descritos na Bíblia falavam
daquilo que viam diante de Deus, e não baseados nos
acontecimentos que os cercavam. Por isso, hoje sabemos que a
Bíblia que temos em mãos é resultado do registro da vida de
homens e mulheres que se gastaram na presença do Senhor, com o
objetivo de vê-Lo e acessar revelação da Sua obra eterna.
Temos inúmeros exemplos bíblicos: desde Abraão, que viu o
Senhor que lhe prometera uma terra, uma nação e um descendente
que abençoaria todas as famílias da terra (Gênesis 12.7); Davi,
Gade e Natã, que viram a liturgia do culto celeste diante do trono
de Deus e reproduziram o seu modelo no funcionamento do
tabernáculo de Davi (2 Crônicas 29.25); Isaías, que viu Jesus
assentado sobre o Trono no Seu Reino vindouro (Isaías 6.1; João
12.41) e que, por isso, seus olhos foram abertos para ver detalhes
do Reino milenar que não são descritos em nenhum outro livro das
Escrituras; Daniel e Ezequiel, que descreveram em suas profecias
os destinos das nações, baseados no que viram (Daniel 9.21-23;
Ezequiel 1.1); Paulo, que no caminho de Damasco viu a luz da
glória do Cristo ressurreto, e que foi fiel até a morte à visão celestial
da obra redentora da reconciliação (Atos 9.3-5; Atos 26.13,19); até
João, o escritor da profecia do Apocalipse, que recebeu a ordem do
anjo que dizia “escreve tudo o que VÊ” para que a igreja saiba o
que precisa acontecer (Apocalipse 1.10,11).
Mas, ainda assim, de todos os encontros proféticos que Deus
proporcionou nas Escrituras, um dos que mais me impressiona é o
do comissionamento de Moisés, quando seus olhos são abertos
para que encontre a Palavra viva no deserto.
“Pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha
do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a
desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por
amor de Cristo, considerou a desonra riqueza maior do que
os tesouros do Egito, porque contemplava a sua
recompensa. Pela fé saiu do Egito, não temendo a ira do rei,
e perseverou, PORQUE VIA AQUELE QUE É INVISÍVEL”
Hebreus 11.24-27 – NVI O escritor de Hebreus faz uma
declaração no mínimo inusitada sobre Moisés: ao abandonar o
Egito e conduzir o povo de Deus no deserto, o que o movia era
o amor pela obra de Cristo e, por isso, perseverou em fé
durante sua jornada – afinal ele viu aquele que é invisível.
Essas declarações produzem algumas perguntas
interessantes: Como assim, Moisés amou a Cristo? Como ele
conseguiu ver o Deus invisível?
Bem, nós sabemos, por meio dos escritos proféticos (Bíblia),
que o nosso Deus é invisível. Ele habita na luz inacessível, a quem
nenhum homem jamais viu, nem é capaz de ver (1 Timóteo 6.16;
João 1.18). Moisés conseguiu ver a Deus porque naquele dia no
deserto seus olhos contemplaram a pessoa do Filho, o Cordeiro
que foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13.8), a
Palavra que estava com Deus desde o princípio (João 1.1), o Anjo
do Senhor que queimava em fogo no meio da sarça ardente (Êxodo
3.2). Moisés viu o Deus invisível porque naquele dia em Horebe ele
viu o próprio Cristo, Aquele que é a imagem do Deus invisível
(Colossenses 1.15). Creio que Moisés não viu uma sarça em
chamas, mas o fogo dos olhos do Filho que queimava no meio dela.
Por isso, tudo que Moisés fez nos seus últimos quarenta anos de
vida, enquanto liderou o povo de Israel em toda a sua peregrinação
sobre a terra, foi baseado em fé na revelação daquilo que ele viu.
Tudo o que fez em sua jornada foi por amor à pessoa e à obra de
Cristo.
Na verdade, podemos concordar que todas as pessoas
comissionadas por Deus para uma missão profética na história do
Seu plano redentivo eram movidas pelo amor que depositavam
naquilo que Deus havia revelado, isto é, elas tinham uma fé na
visão celestial.
 
O LUGAR SECRETO Mas, afinal, como fazer para ver aquilo que o
Pai está revelando a partir do Seu Filho? No sermão da montanha,
Jesus traz um ensinamento chave para os Seus discípulos sobre o
acesso à revelação. Ele afirma que quando os filhos de Deus
estiverem orando, precisam se encontrar com o Pai em um lugar
secreto.
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a
porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê
em secreto, te recompensará.” Mateus 6.6
É no lugar de oração que os crentes em Cristo vão acessar os
segredos de Deus, porque toda vez que alguém está orando de fato
ele se encontra diante do trono do Altíssimo. Quando Jesus fala de
fechar a porta do quarto, não acredito que esteja falando somente
da porta de um quarto literal, mas, sim, da porta que dá acesso a
tudo o que se encontra ao nosso redor, ou seja, é preciso nos
desligarmos de todas as vozes externas e internas para
simplesmente nos concentrarmos em Sua voz. A oração é um
encontro entre o Pai e Seus filhos em um lugar onde todos os
argumentos e pressões da vida são silenciados.
Quando o Pai Celeste se encontra com Seus filhos no lugar
secreto Ele os recompensa. Mas com o que Ele nos recompensa?
Com revelação, de tal maneira que os olhos do nosso homem
interior são iluminados, o véu do nosso coração é removido e,
então, nós passamos a conhecer os pensamentos e caminhos do
Senhor – somos batizados por Sua sabedoria. Orar não está
relacionado apenas a pedir coisas, mas, principalmente, a voltar
nossa mente e coração para Deus.
Em minha jornada cristã ouvi muitos ensinamentos sobre a
prática da oração coletiva do “Pai Nosso”, mas poucasvezes sobre
o encontro do Pai Celeste com Seus filhos no lugar secreto.
Precisamos considerar que antes de Jesus ensinar sobre oração
coletiva (usando o “Pai Nosso” como padrão a ser seguido na
intercessão corporativa), Ele ensinou que cada um de nós precisa
conhecer o Pai que está em secreto. Ninguém conhece o “Pai
nosso” antes de conhecer o “seu Pai”. Isso significa que a prática
de orar coletivamente o “Pai Nosso” se torna irrelevante se não
conhecermos pessoalmente o nosso Pai no secreto.
Conheci muitos irmãos, em todos estes anos de
relacionamento com a igreja de Cristo, que vivem perdidos e com
uma visão espiritual escurecida porque não têm relacionamento
íntimo com a presença de Deus, o Pai. Isso os torna pessoas sem
revelação de quem Deus é e de quem precisam se tornar n’Ele.
Nesse caso, quando se reúnem em comunidade, produzem
reuniões mornas e sem a presença de Deus (Apocalipse 3.16,20).
Para que as nossas reuniões coletivas sejam cheias de vida que
procede da presença do Espírito do Pai, nós precisamos ter
comunhão pessoal e individual com o Senhor que ilumina os
nossos olhos e incendeia o nosso coração com o Seu poder. Assim,
quando nos reunirmos – nas regiões em que estamos inseridos
como comunidade de fé – para invocar a pessoa do PAI NOSSO
coletivamente, nos tornaremos um farol que emana revelação da
luz que procede do trono da graça.
A oração e a meditação juntas são o meio pelo qual
acessamos a revelação do coração e mente de Deus através da
obra de Cristo. Todos os dias nós precisamos fechar a porta para
tudo o que nos cerca e nos assentarmos, como Maria, aos pés do
Senhor para simplesmente contemplá-Lo. No momento em que
silenciamos todas as vozes para nos relacionarmos unicamente
com a voz do Senhor, tiramos os olhos de nós mesmos e os
colocamos na beleza da glória de Deus, que nos é revelada pela
pessoa de Cristo. A prática da oração é algo vital na vida de uma
pessoa profética, assim como dormir ou tomar água. Orar é uma
prática que sustenta a revelação que nos é direcionada por Deus.
Por muitas vezes ouvi pessoas dizendo: “Nós não precisamos
orar; precisamos fazer algo prático”. O que precisamos entender,
quanto à edificação de uma mente profética, é que a prática da
oração vai trazer luz ao nosso entendimento para discernirmos o
que estamos autorizados a fazer ou não, nos revelando, assim, o
que de fato estamos sendo comissionados a nos tornar em Deus.
 
O CONSELHO DO SENHOR O livro de Jeremias é um conjunto de
comunicações e princípios proféticos que nos ajudam a entender
como uma pessoa com o chamado para estar diante de Deus
precisa se movimentar em sua trajetória. No capítulo 23, Jeremias
libera uma grave repreensão aos maus pastores que dispersaram
as ovelhas do Senhor. Na verdade, ele se referia aos reis que foram
ungidos para liderar o povo de Deus, mas que não submeteram as
suas vidas e lideranças à Lei divina. Então, ele continua com uma
dura exortação aos falsos profetas que profetizavam em Samaria e
Jerusalém baseados em visões de seus próprios corações e não
nas palavras procedentes do coração de Deus (Jeremias 23.16).
Em meio a essa palavra de correção, Jeremias faz uma pergunta
muito pertinente para todo aquele que deseja ser uma pessoa
profética: “Mas qual deles esteve no CONSELHO DO SENHOR
para VER ou ouvir A SUA PALAVRA? Quem esteve atento à sua
palavra e a ela atendeu? (...). Não se desviará a ira do SENHOR,
até que ele execute e cumpra os desígnios do seu coração; nos
últimos dias, entendereis isso claramente.” Jeremias 23.18,20
Na verdade, Jeremias está questionando aos falsos profetas:
“Se são mesmo profetas, como afirmam ser, qual de vocês esteve
no conselho do Senhor para ver e ouvir a Sua palavra e conhecer
os desígnios do Seu coração que Ele mesmo cumprirá sobre toda a
terra? E a partir disso, precisamos nos fazer algumas perguntas: O
que é o conselho do Senhor? E como fazemos para ver a Sua
Palavra?
O que é o conselho de uma organização institucional? Nada
mais é do que um grupo de pessoas de autoridade que exercem
governo sobre a organização. Esse grupo faz reuniões, que é onde
deliberam sobre propósitos, ações e resultados desejados para a
referida instituição. Então, tudo o que é decidido se torna um
decreto para a vida organizacional. Se o conselho de uma empresa
se reúne e decide, por exemplo, que o uniforme de trabalho dos
seus funcionários será verde e uma circular é emitida a todos
comunicando tal decisão, alguém poderá vir trabalhar de amarelo,
deliberadamente? Lógico que não, pois o que foi decidido no
conselho da empresa é lei para aquele ambiente organizacional.
Então, eu creio que o conselho do Senhor é a sala de reunião
de Deus. No Céu dos céus existe a santa Cidade de Deus (real e
física) que também é chamada nas Escrituras de Nova Jerusalém
ou Jerusalém Celestial (Gálatas 4.26; Hebreus 11.10, 12.22;
Apocalipse 3.12), que é onde fica o trono de Deus. Dentro dos
muros dessa cidade há o monte do Senhor, chamado pelos Escritos
proféticos de Sião (Salmo 24.3; 48.1,2; Hebreus 12.22; Apocalipse
21.10). No topo desse monte está a sala do trono de Deus,
conhecida através das Escrituras como o Santo dos Santos
(Hebreus 10.19), lugar onde se encontra o trono da graça do nosso
Senhor (Hebreus 4.16). Nessa sala, Deus preside o Seu conselho
(conforme acredito, literalmente uma reunião de trabalho e de
decretos). A partir desse lugar, os propósitos do coração do Todo-
Poderoso são deliberados e emitidos como decretos para toda a
criação.
Vejamos a dinâmica do funcionamento do conselho do Senhor
à luz das Escrituras: “Então, perguntou a Josafá: Irás tu comigo à
peleja, a Ramote-Gileade? Respondeu Josafá ao rei de Israel:
Serei como tu és, o meu povo, como o teu povo, os meus cavalos,
como os teus cavalos. Disse mais Josafá ao rei de Israel: Consulta
primeiro a palavra do SENHOR. Então, o rei de Israel ajuntou os
profetas, cerca de quatrocentos homens, e lhes disse: Irei à
peleja contra Ramote-Gileade ou deixarei de ir? Eles disseram:
Sobe, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei. Disse, porém,
Josafá: Não há aqui ainda algum profeta do SENHOR para o
consultarmos?” 1 Reis 22.4-7
“O mensageiro que fora chamar a Micaías falou-lhe, dizendo:
Eis que as palavras dos profetas a uma voz predizem coisas
boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um
deles e fala o que é bom. Respondeu Micaías: Tão certo como
vive o SENHOR, o que o SENHOR me disser, isso falarei. E,
vindo ele ao rei, este lhe perguntou: Micaías, iremos a
Ramote-Gileade à peleja ou deixaremos de ir? Ele lhe
respondeu: Sobe e triunfarás, porque o SENHOR a entregará
nas mãos do rei. O rei lhe disse: Quantas vezes te conjurarei,
que não me fales senão a verdade em nome do Senhor?
Então, disse ele: EU VI todo o Israel disperso pelos montes,
como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes
não têm dono; torne cada um em paz para a sua casa. Então,
o rei de Israel disse a Josafá: Não te disse eu que ele não
profetiza a meu respeito o que é bom, mas somente o que é
mau? Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do SENHOR:
Vi o SENHOR assentado no seu trono, e todo o exército do
céu estava junto a ele, à sua direita e à sua esquerda.
Perguntou o SENHOR: Quem enganará a Acabe, para que
suba e caia em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira,
e outro, de outra. Então, saiu um espírito, e se apresentou
diante do SENHOR, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe
o SENHOR: Com quê? Respondeu ele: Sairei e serei
espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas.
Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai
e faze-o assim. Eis que o SENHOR pôs o espírito mentiroso
na boca de todos estes teus profetas e o SENHOR falou o que
é mau contra ti. Então, Zedequias, filho de Quenaana, chegou,
deu uma bofetada em Micaías e disse: Por onde saiu de mim o
Espírito do SENHOR para falar a ti?” 1 Reis 22.13-24
O cenário descrito acima, pelo cronista do Primeiro Livro dos
Reis, é muito interessante. Os reis de Judá e Israel, Josafá e
Acabe, entraram em um acordo dese unirem para guerrear contra
os seus inimigos. Porém, antes de marcharem juntos, o rei de Judá
pediu para que a Palavra do Senhor fosse consultada através dos
profetas e videntes, para que houvesse conferência com o coração
de Deus a respeito de Suas intenções em relação a essa união
para a guerra. Então, Acabe, rei de Israel, mobilizou quatrocentos
profetas que serviam sua corte para profetizarem. Todos eles,
unânimes, responderam positivamente com relação àquela batalha.
Então Josafá, homem temente ao Deus de seus pais, faz uma
pergunta intrigante: “Não há aqui algum profeta do Senhor para
consultarmos?” Ora, se o rei judeu pede por um profeta do Senhor,
que tipo de profeta Acabe havia consultado? Isso é, no mínimo,
estranho. Através do registro dos cronistas ficamos sabendo que
Acabe e sua infame esposa Jezabel se relacionavam com profetas
que invocavam os deuses Baal e Aserá e serviam em sua profana
corte em Israel (1 Reis 18.19). Após o questionamento do rei
Josafá, Acabe, com muita relutância, manda chamar Micaías
(vidente do Senhor), para consultá-lo. Durante o diálogo, Micaías
revela aos reis o que tinha visto na reunião do conselho do Senhor
com relação à guerra em que os dois reis estavam se propondo a
entrar.
Micaías narra que viu o Senhor assentado em Seu trono e as
criaturas celestes diante d’Ele; eles estavam deliberando acerca de
qual seria a melhor maneira de enganar a Acabe para que este
caísse morto naquela batalha. Sim, é isso mesmo! Os espíritos
presentes na reunião interagiam com Deus em relação a como Ele
resolveria essa questão com Acabe.
Permita-me abrir aqui um parêntese: Algo que precisamos
considerar sobre o conselho de Deus é que, embora Ele tenha a
palavra final e seja o emissor dos decretos a partir desse lugar de
conferência, os participantes podem interagir com Ele no que se
refere ao assunto tratado diante do Seu trono. Meu amigo, isso é
violento!
Vimos então que o profeta Micaías conta sobre a
apresentação de um espírito diante de Deus que se oferece para
ser um espírito mentiroso (é isso mesmo que você leu), que
colocaria palavras falsas na boca dos profetas de Israel, para
encorajar Acabe a marchar para a sua própria queda. Sim, Deus
pode usar um espírito mentiroso para o Seu propósito. Ele pode
usar Satanás, se quiser. Na verdade, Ele pode usar a quem quiser
porque todas as criaturas celestes e terrenas estão integralmente
submetidas ao Seu poder soberano. Então, após ouvir tudo o que
foi dito na sala do Seu conselho, Deus bate o martelo e define que
o espírito de mentira deveria ir sobre os profetas de Acabe para
enganá-lo. O que de fato aconteceu foi que Acabe deu ouvido aos
seus profetas, foi à guerra e caiu morto na batalha; exatamente
como Deus havia estabelecido de Seu trono.
Penso que este é um dos níveis mais altos do juízo de Deus:
Ele envia um espírito de mentira sobre um ambiente profético para
enganar, a fim de que os decretos da Sua justa ira sejam
estabelecidos. Isso define perfeitamente a seguinte proclamação:
“terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10.31).
Em meio a um ambiente imerso no falso profético, Micaías –
que não se submetia à manipulação de Acabe e Jezabel – deu
testemunho de um verdadeiro serviço de vidente e profeta, não
considerando as consequências de confrontar o rei de Israel com
as duras palavras provenientes de suas visões diante de Deus. Isso
foi possível acontecer porque Micaías estava diante do Senhor com
seus olhos abertos.
Outro momento em que as Escrituras narram uma reunião no
conselho de Deus é quando o escritor do livro de Jó (provavelmente
Moisés) descreve uma reunião da assembleia celeste, na qual se
encontram presentes as criaturas celestiais que estão diante do
trono, Satanás e o Eterno. Eles conversam sobre a pessoa de Jó,
considerando a sua fidelidade em trilhar caminhos justos diante de
Deus.
“E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram
apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás
entre eles. Então, o SENHOR disse a Satanás: De onde vens?
E Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e
passear por ela. E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu
a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a
ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se
do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR e disse:
Porventura, teme Jó a Deus sem intenções? Porventura, não o
cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem?
A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está
aumentado na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em
tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face! E
disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto tem está
na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E
Satanás saiu da presença do SENHOR.” Jó 1.6-12
Após uma breve conversa sobre o coração temente de Jó e
suas intenções diante do Eterno, Deus define que a fidelidade de Jó
deveria ser provada, decidindo assim usar o próprio Satanás em
prol dessa missão. Foi permitido que o inimigo ferisse todos os
bens de Jó, com exceção de sua vida, em primeira instância. Assim
aconteceu e houve motivo para uma nova reunião celeste
acontecer, posteriormente.
Outros profetas viram o conselho do Senhor e o registraram
no cânon das Escrituras. Em um de seus salmos, Davi descreveu o
momento em que o Pai e o Filho dialogam no céu sobre Seus
decretos em relação ao juízo divino sobre as estruturas que se
levantam contra a soberania divina e o estabelecimento do Reino
milenar de Cristo sobre as nações (Salmos 2). Daniel viu o Ancião
de dias do Seu trono entregando ao Filho a autoridade sobre toda a
criação (Daniel 7.9-14). Paulo foi arrebatado até o Éden (no
terceiro céu), viu e ouviu coisas impronunciáveis ao homem (2
Coríntios 12.2-4) e João olhou para além da porta e viu o Pai
entregando a Cristo o livro selado com os decretos divinos para a
humanidade, no topo do santo monte de Deus (Apocalipse 5.6,7).
Jeremias confrontou aqueles que se autodenominavam
profetas com as seguintes perguntas: Qual de vocês tem os olhos
voltados para a sala do conselho divino, a fim de VER e OUVIR a
Palavra Viva e poder acessar a revelação dos desígnios do coração
de Deus? Qual de vocês olhou para o lugar de onde o Criador do
universo julga toda a Sua criação?
“Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos
deuses.” Salmo 82.1 – JFAC
O conselho do Senhor é um lugar acessível a todas as
pessoas "proféticas", por meio da unção do Seu Espírito; é um
lugar onde os que estão diante de Deus com seus olhos abertos
podem se reunir com Ele e Sua corte celeste, para ver a Sua
Palavra e Seus caminhos. Este é um lugar de extrema devoção,
onde podemos contemplar a Sua Palavra em ação, isto é, podemos
observar Sua obra se movimentando nos céus e na terra, sendo
estabelecida no tempo e nas estações que Ele mesmo determinou
por Sua própria autoridade.
Mas, afinal, como se faz para VER a PALAVRA DO SENHOR
(Jeremias 23.18)? Isso é, na verdade, complicado e simples ao
mesmo tempo. A Palavra do Senhor não é um som, mas uma
PESSOA. O Filho é a Palavra de Deus em ação. Por isso, todas as
coisas foram criadas por Deus por meio d’Ele (João 1.1-3). Apenas
por meio de Jesus nós temos acesso à revelação dos desígnios do
coração de Deus, porque n’Ele são revelados todos os tesouros da
sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2.3). É por isso que o
testemunho de Jesus é o espírito da profecia (Apocalipse 19.10);
tudo o que está fora de Cristo não é profético e pode ser
categorizado como falso. Cristo é a medida exata com relação aos
pensamentos e propósitos d’Aquele que está assentado no trono.
Como sabemos, Jesus é a imagem do Deus invisível, a pedra
angular que sustenta o universo e toda a realidade criada (Jó 38.4-
6; Efésios 2.20). N’Ele habita a plena revelação dos pensamentos e
caminhos eternos do Pai. Sempre que olharmos para a glória da
Sua face, teremos o nosso rosto desvendado e seremos habilitados
a contemplar o reflexo da luz inacessível do Pai. Então, seremos
transformados pela luz da Sua glóriae cresceremos no
conhecimento de quem Deus é e de quem nós devemos ser n’Ele,
por meio da pessoa gloriosa do Filho.
“E todos nós, com o ROSTO DESVENDADO, contemplando,
como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados,
de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor,
o Espírito.” 2 Coríntios 3.18
Atenção! Movimente-se sempre com os olhos abertos, porque
uma das perguntas mais interessantes que o Senhor faz para
pessoas proféticas é: O QUE VOCÊ ESTÁ VENDO?
“Então Yahweh me indagou: ‘Que vês, Jeremias?’ E eu
respondi: Figos. Os bons são muito bons, mas os ruins são
insuportáveis.” Jeremias 24.3 – KJA “E Yahweh me indagou:
‘Amós, que vês?’ Ao que respondi: ‘Um prumo’. E Adonai me
explicou: ‘Observa que colocarei o prumo entre as pessoas
que constituem o meu povo Israel; e nunca mais vou poupá-
lo!’” Amós 7.8 – KJA “E me indagou: ‘Que vês?’ Ao que
respondi: ‘Vejo a Menôrah, um lindo Candelabro, todo em ouro
maciço, e com um recipiente para azeite na parte superior,
com sete lâmpadas e sete tubos que se unem às lâmpadas
que estão colocadas em cima dele.’” Zacarias 4.2 – KJA A
PORTA ESTÁ ABERTA Cristo é a Porta de acesso das
ovelhas de Deus ao Seu aprisco, ou seja, Jesus é o único
acesso ao Reino do Pai (João 10.7,9), pois Ele mesmo
afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém
VEM ao Pai senão por mim.” (João 14.6). Não existe forma de
acessarmos a presença do Eterno se não for por meio da fé e
reverente submissão à pessoa de Jesus.
A sala do Seu trono é um lugar totalmente acessível aos
santos pelo novo e vivo caminho que foi aberto pelo Filho, através
do Seu sangue (Hebreus 10.19,20). Jesus rasgou os céus com o
Seu sacrifício na cruz e abriu o caminho de volta para a presença de
Deus. Por esse motivo, quando entregou o Seu espírito na cruz o
véu do santuário, que fazia separação entre o serviço dos
sacerdotes e o Santo dos Santos (espaço do templo consagrado
para a habitação da glória de Deus), foi rasgado (Mateus 27.50,51).
“E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o
CÉU ABERTO e os anjos de Deus subindo e descendo sobre
o Filho do Homem.” João 1.51
O ministério do Ungido abriu o céu e, após a entrega sacrificial
na cruz, ele nunca mais se fechou. O acesso ao trono de Deus está
aberto constantemente aos crentes redimidos, em qualquer lugar do
planeta e em qualquer espaço de tempo. Conhecemos a
advertência dada pelo Senhor ao povo através de Moisés na Torah:
“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu
Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os
seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas
maldições sobre ti e te alcançarão (...). Os teus céus sobre a tua
cabeça serão de bronze; e a terra debaixo de ti será de ferro.”
(Deuteronômio 28.15,23). Contudo, em Cristo os céus de qualquer
localidade são abertos e o acesso à glória que emana da Jerusalém
celestial é liberado a qualquer discípulo de Jesus, por causa do
caminho que foi aberto com o sangue da nova aliança.
Não é incomum ouvirmos pessoas afirmando que o céu de
alguma localidade é fechado por causa de pecado ou religiosidade
que opera naquele ambiente. Uma oração que é muito habitual
quando se constata esse tipo de realidade é: “Abre os céus neste
lugar, Senhor!”. Mas você lembra o que Estevão disse quando
estava sendo apedrejado pelo Sinédrio (núcleo do sistema religioso
corrompido) em Jerusalém?
“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e
viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse:
Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à
destra de Deus.” Atos 7.55,56
Particularmente, não acredito que após a ressurreição de
Cristo existam céus fechados sobre a cabeça dos sacerdotes da
nova aliança, os quais foram ungidos pelo Espírito. O que existe
hoje em dia são corações e mentes fechadas que precisam se
converter à obra redentora de Cristo. Se em algum lugar existe a
percepção de “céus parados” ou a falta da consciência da presença
de Deus, a solução não é a abertura dos céus, mas, sim, a
conversão de pessoas à obra de Cristo.
Quando se encontrava na ilha de Patmos, João foi batizado
pela revelação da pessoa de Jesus e do Seu plano redentivo. Em
meio às muitas visões que recebeu, ele viu uma porta aberta no
céu e ouviu a voz do Filho que o chamava para subir aos lugares
celestiais para ver o desenvolvimento da Sua obra na história.
“Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta
aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como
de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te
mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.”
Apocalipse 4.1
Se o céu está aberto e a porta de acesso à sala do trono da
graça também, quem está habilitado para subir ao monte do Senhor
e olhar para além da porta? Todos os crentes em Jesus, que foram
lavados pela Sua palavra (Efésios 5.26) e purificados pelo Seu
sangue (1 João 1.7), têm acesso ao trono de Deus com mãos
limpas e coração puro.
Agora mesmo, uma voz ecoa da eternidade nos chamando
para subir à santa morada do Deus Altíssimo, dizendo: SOBE
AQUI! VENHA VER!
 
OS PUROS DE CORAÇÃO VERÃO A DEUS Mas, afinal, como
fazer para ver o que Deus está fazendo? Que tipo de pessoa tem
os seus olhos abertos diante de Deus? Como fazemos para crescer
em revelação diante do Senhor? Como vamos, de fato, acessar a
visão profética para que o povo de Deus seja edificado?
Jesus responde a todas essas perguntas na instrução dada
aos Seus discípulos no sermão do monte, registrado no livro de
Mateus. Nele, o Senhor traz revelação com base na Torah
(Pentateuco) sobre qual tipo de conduta um discípulo do Reino dos
céus precisa ter. Jesus ensina através de uma simples ordenança
de que maneira veremos o Deus invisível e contemplaremos as
Suas obras em ação sobre a criação.
“Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.”
Mateus 5.8 – NVI O que Jesus fala é simples e profundo ao
mesmo tempo; chega a ser constrangedor. Os olhos que
contemplam a Deus não são os nossos olhos carnais, mas os
olhos do coração (Efésios 1.18). Baseado nesse
entendimento, podemos afirmar que a revelação não está
atrelada à nossa mente. A visão profética não está
condicionada à quantidade de informações que acessamos
através de livros, palestras, conferências, cultos ou através
das nossas experiências pessoais, mesmo que estas estejam
envolvidas com a execução de coisas em nome de Deus.
Antes, a visão está totalmente atrelada com o coração, isto é,
com o nosso homem interior (Efésios 3.16). Minhas intenções,
desejos e a maneira como ajo e reajo estão totalmente
relacionadas ao nível de revelação que consigo acessar em
minha vida.
Mesmo sabendo que o nosso Deus é invisível, Jesus nos
mostra o caminho para vê-Lo (Hebreus 11.26,27) e, assim,
podermos acessar Seu coração e Sua mente. Sabemos que
profetizar é revelar o coração e a mente do Pai para a criação
através da linguagem humana; é compartilhar os Seus sentimentos
e intenções de uma forma que seja acessível para a realidade
terrena. Entendemos, então, que a pureza dos corações interfere
na genuinidade de uma profecia.
“Bem-aventurado”, termo de raiz hebraica (âshar âshêr –
Salmo 2.12), significa “aquele que é feliz, abençoado, próspero,
aquele que avança”. Em outras palavras, o versículo quer dizer:
“Aqueles que têm o coração puro, prosperam (ou progridem),
porque veem a Deus”. Davi profetiza sobre essa realidade em um
de seus mais famosos salmos, dizendo que aqueles que têm o
coração puro e mãos limpas sobem ao monte do Senhor e
contemplam a Sua face.
“Quem poderá subir o monte do Senhor? Quem poderá entrar
no seu Santo Lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o
coração puro, que não recorre aos ídolos nem jura por
deuses falsos. (...) Tal é a geração dos que o buscam, dos que
buscam a face do Deus de Jacó.” Salmo 24.3,4,6
Coração puro e mãos limpas falam, respectivamente, de
intenções e obras justas. O coração é a fonte de toda ação. Logo,
se tenho um coração puro, eu produzo obras de justiça e osolhos
do meu interior se voltam a buscar a face do Deus vivo. O coração
puro é aquele que tem o mesmo sentimento que houve em Cristo
Jesus (Filipenses 2.5) e que produz as mesmas obras justas que
Ele. Jesus, aquele que foi predito como o Profeta (Deuteronômio
18.18), foi sem dúvida o maior vidente que pisou nesta terra. Como
sabemos, Ele não podia fazer nada de Si mesmo, mas apenas o
que via o Pai fazer (João 5.19), porque nunca existiu nem existirá
um homem com o nível de Sua pureza.
“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois
sou MANSO e HUMILDE DE CORAÇÃO, e vocês encontrarão
descanso para as suas almas.” Mateus 11.29
Mansidão e humildade são fundamentos do coração do Filho
de Deus, que é a expressão máxima do amor. A mansidão está
relacionada ao modo como reagimos às questões da vida; fala de
um tipo de ordem nas emoções que aumenta a nossa habilidade de
acessar Deus. A humildade, por sua vez, está relacionada à forma
como agimos, à nossa conduta de vida. Como sabemos, o Pai ama
os Seus filhos e, por isso, tem prazer em Se revelar a eles (João
5.20). O que precisamos fazer é abrir os olhos do nosso homem
interior e nos voltar para o Senhor com coração manso e humilde.
 
HUMILDADE O sentido da palavra humildade em sua raiz hebraica
(shaphel) é, literalmente, descer, diminuir, trazer para baixo.
Exatamente o contrário do sentido das palavras soberba e altivez,
que nada mais são que o desejo de se sobrepor, se tornar superior
a tudo e a todos; sentimento este que o próprio Deus resiste. Ser
humilde refere-se à característica daqueles que não desejam se
projetar sobre outros. A humildade está relacionada com nos
submetermos ao próximo e nos humilharmos sob a potente mão de
Deus (1 Pedro 5.5,6), aceitando inteiramente o Seu propósito e
soberania em nossas vidas.
“Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos
soberbos, mas dá graça aos humildes.” Tiago 4.6
Precisamos desenvolver o mesmo sentimento que houve no
coração de Cristo Jesus e também a prática da humildade, tomando
como exemplo a vida do próprio Mestre. Escrevendo sua carta aos
filipenses, Paulo descreve com precisão qual o processo que deve
haver em nosso interior para que nos tornemos pessoas humildes
como Jesus.
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em
Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não
julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo
se esvaziou, assumindo a forma de SERVO, tornando-se em
semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si
mesmo se humilhou, tornando-se OBEDIENTE até à morte e
morte de cruz.” Filipenses 2.5-8
Apesar de encontrar-se na mais alta posição, semelhante a
Deus, Jesus se humilhou descendo à mais baixa posição, a de
servo. Ele tornou-se obediente até o fim. Isso é muito poderoso!
Jesus nos ensinou que a humildade é desenvolvida em nossas
vidas através do serviço, da obediência e da perseverança. Sim,
essa foi a ênfase do ministério público do Filho! Ele veio para servir
ao propósito redentivo do Pai, mas também à criação. Desceu da
mais alta posição para servir a humanidade caída, até a morte. Você
lembra o que Ele fez quando se reuniu com os Seus discípulos para
celebrar a última ceia?
“sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele
viera de Deus, e voltava para Deus, levantou-se da ceia, tirou a
vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela.
Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos
discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava
cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, e este lhe disse:
Senhor, tu me lavas os pés a mim? Respondeu-lhe Jesus: O
que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois.
Disselhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe
Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo.” João 13.3-8
Comentamos anteriormente sobre a tradição oriental de
hospitalidade na qual os hebreus estavam inseridos: sempre que
recebiam uma visita deviam lavar os pés dela antes de oferecer-lhe
comida. William L. Coleman, em seu livro Manual dos Tempos e
Costumes Bíblicos [7], ensina que nas famílias mais ricas essa tarefa
de lavar os pés sempre era feita por um escravo, por ser um serviço
humilhante para a sociedade da época. Se a família não tinha
condições de ter um escravo quem lavaria os pés seria a mulher (no
mundo antigo a mulher era considerada inferior ao homem).
Então, durante a ceia, Jesus se levanta decidido a ensinar uma
lição de humildade e serviço aos Seus discípulos. Como naquele
lugar não havia escravo nem mulher, provavelmente ninguém lavou
os pés dos discípulos antes da refeição. Interessante lembrar que a
principal discussão entre eles era sobre qual deles era o maior
(Lucas 22.24). A coisa era tão feia que os filhos de Zebedeu
chamaram sua mãe para pedir a Jesus que os colocassem na mais
alta posição em Seu Reino (Mateus 20.20,21). Se a briga deles era
sobre quem deveria ser o maior, obviamente ninguém desceria ao
nível de lavar os pés do outro, colocando-se assim na posição de
um escravo.
Então, Jesus – a imagem do Deus invisível, o Criador dos céus
e da terra, a pedra fundamental que sustenta o universo e o dono do
mundo – DESCEU para servir aos Seus discípulos, lavando seus
pés e assumindo a forma de escravo (Filipenses 2.7). Nesse
momento, o Mestre testemunha diante dos Seus amigos que o
maior no Reino não é aquele que se sobrepõe ao próximo, mas
aquele que serve. Posso imaginar a emoção daqueles homens,
vendo o Messias descendo humildemente diante deles para lhes
lavar os pés.
Quando chegou a vez de Pedro, este disse a Jesus: “Você
nunca lavará os meus pés! Nunca vou permitir que você faça algo
tão humilhante diante de mim!”. É nesse momento que Jesus dá
uma das mais brutais respostas que um líder poderia dar ao seu
discípulo: “Se eu não posso te servir, lavando os seus pés, você
não tem parte comigo”. Amigos, isso fere a minha alma! Enquanto
nos dias de hoje, líderes constroem impérios religiosos e ameaçam
pessoas, dizendo “Se você não serve à minha visão, você não tem
parte comigo!”, vemos o Messias de Deus declarando que aqueles
que são aliançados com o Seu Reino, são aqueles aos quais Ele
veio servir.
Uma pessoa de coração puro é alguém humilde. Uma pessoa
humilde é alguém que alegremente serve ao próximo em amor.
Humildade é descer para que o outro suba, é desaparecer para que
o outro apareça, é perder para que o outro ganhe, é sofrer para que
o próximo seja sarado. São os servos que terão os seus olhos
abertos para acessarem revelação da parte de Deus e serão os
maiores no Reino do Deus trino.
“Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve?
Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós,
eu sou como quem serve.” Lucas 22.27
A outra grande marca da humildade é a obediência. Jesus foi
o maior testemunho do desenvolvimento de obediência na história,
porque Ele não apenas obedeceu, mas perseverou em obedecer até
à morte (Filipenses 2.8). Lembrando que obedecer não é concordar,
mas se submeter.
Vivemos dias nos quais ninguém quer se submeter a nenhuma
lei ou a nenhuma pessoa; há uma crise anárquica acontecendo em
nossa geração e isso tem afetado os ambientes eclesiásticos em
todo o mundo. O coração puro, necessariamente, precisa ser um
coração submisso em todas as esferas da sociedade. Começando
no ambiente familiar, passando pelo social, legislativo e chegando
ao eclesiástico. Paulo é categórico ao afirmar que os santos devem
se submeter a toda autoridade, porque esta foi estabelecida por
Deus; e todo aquele que resiste às autoridades, na verdade, resiste
à ordenação de Deus (Romanos 13.1,2).
Se você deseja ser uma pessoa com acesso contínuo à
revelação, primeiro precisa se tornar uma pessoa perseverante na
obediência aos seus pais, ao chefe no trabalho, às leis da nação e
aos líderes estabelecidos no Corpo de Cristo. Como sabemos, não
existe “voo solo” no ministério profético. Pelo contrário, toda pessoa
que deseja se desenvolver profeticamente precisa aprender no lugar
de obediência, e toda pessoa proféticaprecisa prestar contas da
sua vida e serviço a alguma expressão do Corpo de Cristo. Se até o
Filho de Deus teve que aprender a desenvolver a obediência pelas
coisas que sofreu (Hebreus 5.8), por que pensar que estamos
isentos dessa realidade?
Atualmente, no Brasil e no mundo, a maior crise que vivemos
não é política, nem econômica ou religiosa, mas, sim, moral. Os
padrões de justiça são considerados relativos e cada pessoa é livre,
segundo o sistema do mundo, para definir aquilo que é moralmente
correto para a sua própria vida. Em meio a este caos anárquico, a
única fonte que define de forma fidedigna os parâmetros morais de
justiça é a Palavra Profética, ou seja, a Bíblia Sagrada.
As diretivas estabelecidas por Deus para que possamos nos
submeter em obediência são Suas leis eternas reveladas nas
Escrituras. Esse é o padrão moral que rege toda a criação. A Bíblia
é o registro do código de conduta dos cidadãos do Reino dos céus,
onde encontramos os deveres e limites estabelecidos por Deus para
o Seu povo. Logo, toda pessoa que está empenhada em servir
profeticamente precisa conhecer as leis do Senhor e se submeter à
Sua verdade. Qualquer prática de vida que vai contra as Leis de
Deus é imoral e, portanto, ilegal diante da criação.
Jesus se tornou o real testemunho da obediência em Sua
encarnação. Um dos momentos mais marcantes do Seu ministério
público foi a Sua intercessão no Getsêmani. O desenrolar da oração
do Filho naquele momento nos ensina muito sobre a prática da
obediência.
“E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para
que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia:
Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo,
não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.” Marcos
14.35,36
O cenário acima é muito claro e, ao mesmo tempo, polêmico.
Jesus está no jardim do Getsêmani, muito perto de viver o auge do
Seu serviço ao mundo em Sua primeira vinda. Então, Ele se volta ao
Pai e pede-Lhe que, se possível, O afaste do sacrifício da cruz.
Quanto ao motivo que O leva a pedir isso, existem algumas
perspectivas diferentes. Porém, eu creio que o problema de Jesus
naquele momento não era o medo do sofrimento físico. Até porque,
se nós formos falar de sofrimento físico, Paulo sofreu muito mais
que Jesus. O Filho de Deus sofreu a quarentena menos um (açoite),
uma única vez. Enquanto Paulo foi açoitado cinco vezes, além de
ter apanhado com varas três vezes, ser apedrejado uma vez (talvez
até à morte) e sofrido três naufrágios (2 Coríntios 11.24,25). Acredito
que, na verdade, o que Jesus quis evitar foi o momento em que
experimentaria o afastamento da presença do Pai, pois mais tarde
Ele declara da cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me
abandonaste?” (Mateus 27.46).
Todavia, independente do motivo, a grande verdade é que a
vontade de Jesus, em Sua humanidade, era de não ir para a cruz,
porém, esta não era a vontade de Seu Pai. Percebemos aqui um
aparente conflito entre duas vontades: a da humanidade do Filho e a
do Pai Celestial. No entanto, o conflito dura pouco pois logo em
seguida Jesus proclama ao Pai diante da criação: “Não seja feita a
minha vontade, mas a Sua!”. O dono do mundo abriu mão de Sua
vontade para se submeter ao propósito d’Aquele que está
assentado no trono.
Obedecer não é concordar, mas fazer o que talvez não
queremos fazer; é confiar nossa vida à vontade de alguém, mesmo
tendo a convicção que nossa vontade é mais eficaz. Jesus abriu
mão da Sua liberdade de escolha naquele momento. Obedeceu até
à morte e, por isso, foi o homem de maior autoridade profética que
já pisou nesta terra. Os obedientes são pessoas de olhos abertos,
que verão a glória da imagem do Deus invisível em sua jornada
sacerdotal.
 
MANSIDÃO Na cultura ocidental, mansidão, muitas vezes, está
associada a uma pessoa frágil, passiva ou que é facilmente
enganada. Mas o seu conceito bíblico é muito mais profundo que
isso; mansidão é umas das características do fruto do Espírito
(Gálatas 5.22,23). Ela diz respeito a renunciar absolutamente à
batalha pela nossa opinião e posição. É o oposto de uma conduta
agressiva. Se pudéssemos resumir mansidão em uma frase seria:
Mansidão é a força sob controle. É a capacidade de não reagir
violentamente contra situações que nos afligem, mesmo tendo força
e poder para tal.
A humildade tem a ver com a nossa posição diante de Deus e
dos homens; está mais relacionada à maneira como conduzo a
minha vida. A mansidão, por sua vez, está ligada à forma como
reajo às situações da vida, revelando assim o meu coração. Jesus
disse: “Aprendam de mim que sou manso”. Como Ele reagiu às
pressões de Sua missão?
“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um
cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é
muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a
boca.” Isaías 53.7
Embora fosse inocente de todas as Suas acusações, Jesus foi
perseguido, atacado, ofendido, ferido, humilhado e difamado. Diante
de tudo isso, Ele não abriu a boca para se defender ou para atacar
pessoas à Sua volta. Em todo tempo, Jesus sofreu calado, sem
revidar. Uma das maiores marcas da pessoa mansa é apanhar sem
nunca bater de volta. O manso, como Jesus, aprendeu o que é estar
morto para a altivez e o orgulho. Você pode caluniar, gritar, ou até
chutar um defunto à vontade, ele nunca revidará; o morto não sente
nada, nem se defende.
Existe uma coisa muito importante que nós, que estamos
envolvidos na missão de Deus, precisamos aprender: Quando
estamos sendo perseguidos e difamados, é justamente quando não
devemos nos defender. Porque a missão é de Deus e não nossa; e
se estamos sendo perseguidos por causa da missão, é a Deus que
estão atacando e não a nós. Deus não precisa ser defendido!
Como falamos acima, mansidão não tem nada a ver com
fraqueza. Na verdade, é o oposto, mansidão é a capacidade de uma
pessoa com força e autoridade de não revidar, porque ela tem uma
estrutura emocional estável e submetida à obra do Espírito.
Mansidão se manifesta em pessoas com um grande nível de
autoridade (delegada a elas por Deus) e de autocontrole emocional,
para administrar aquilo que receberam de forma justa da parte do
Eterno.
Jesus era manso, mas não era fraco. Ele era um homem que
tinha fome e sede de justiça e não media as consequências para ser
um testemunho da verdade. Você lembra o que ele fez ao entrar no
templo contaminado pelos ladrões e mercenários que exploravam e
enganavam o povo?
“E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a
expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas
dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não
permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo;
também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa
será chamada casa de oração para todas as nações? Vós,
porém, a tendes transformado em covil de salteadores.” Marcos
11.15-17
Alguns sugerem que Jesus perdera o controle nesse episódio,
mas estão, obviamente, enganados. Em Sua vida, Ele nunca
abandonou a postura de mansidão. Naquele momento, quando
purifica o templo, Ele não perdeu a cabeça e agiu por um impulso
originado na raiva. Antes, foi firme e aplicou justiça àquele ambiente
sem, contudo, deixar de ser manso. Se Jesus estivesse
descontrolado, meu amigo, todo mundo teria morrido fulminado
naquela hora.
Desde pequeno, quando ouvia minha mãe ler os relatos do
sacrifício de Jesus na cruz, sempre passava um pensamento pela
minha cabeça: Se Jesus é o Filho de Deus e é tão poderoso, por
que quando os soldados zombaram d’Ele e O pregaram na cruz Ele
não fez nada? Bom, hoje eu consigo entender o porquê. Pense
comigo: Imagina se Jesus, o sustentador de todas as coisas nos
céus e na terra, ao ser provocado enquanto estava pregado na cruz,
ficasse irado e perdesse o controle respondendo com um grito à
multidão que o ofendia! Ah, sabe o que aconteceria? Imagino que o
universo inteiro explodiria, meu querido (a)! Seria game over! Isso
mesmo, o fim do jogo! Ele teria que começar tudo de novo. Mas
Jesus se submeteu ao Pai, obedecendoaté à morte sem se
defender nem revidar, mas oferecendo a Sua vida como sacrifício
em favor de muitos, mesmo sendo Ele o Cordeiro, sem defeito
algum. O inocente pagando o preço de morte pelos culpados; o
Santo derramando o Seu sangue em favor dos pecadores.
Jesus vem para revelar à humanidade uma nova perspectiva
do ministério profético, um serviço baseado em um coração puro.
Há um momento no relato bíblico em que Jesus quebra um
paradigma sobre o profético de forma fantástica, mas é pouco
percebido pelos que que ficam amaldiçoando e ameaçando pessoas
a todo momento “em nome do Senhor”.
“e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles,
entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar
pousada. Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de
quem, decisivamente, ia para Jerusalém. Vendo isto, os
discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que
mandemos descer fogo do céu para os consumir? Jesus,
porém, voltando-se OS REPREENDEU [e disse: Vós não
sabeis de que espírito sois].” Lucas 9.52-55
A primeira pergunta que podemos fazer ao analisar esse
diálogo de Tiago e João com Jesus, é: de onde eles tiraram essa
ideia de mandar descer fogo do céu para matar aqueles que não os
receberam de forma amistosa? Certamente, a referência que eles
tiveram dessa maneira de pensar foi Elias, um dos maiores profetas
da história, segundo a cosmovisão judaico-cristã. Desde criança, os
apóstolos conheciam a história do dia em que Elias pediu fogo do
céu para matar os soldados que insistiam para que ele descesse do
monte onde estava assentado, o que de fato aconteceu (2 Reis
1.10). Mas quando eles sugeriram isso ao seu Mestre, Jesus os
repreendeu: “Vocês não sabem de que tipo de espírito são (ou
precisam se tornar)?”. A que tipo de espírito Jesus estava se
referindo? Eu creio que ele estava falando de um tipo de serviço
baseado em corações puros, mansos e humildes que seguem o
caminho do amor.
 
CARACTERÍSTICAS DE UM CORAÇÃO CONTAMINADO Farei
um breve resumo sobre os motivos que levam uma pessoa a
possuir um coração contaminado pela impureza, com o objetivo de
apresentar pontos de atenção para cada um de nós e alertas de
situações e práticas que necessitam de arrependimento de nossa
parte: 1. Coração contaminado pela prática de pecados
A prática de pecados nos afasta de Deus, diminuindo a
clareza dos olhos do nosso coração para contemplar a
beleza do Senhor e acessar o Seu coração. Uma coisa é
ter dificuldade numa área, outra coisa é viver na prática
do pecado;
É necessária a confissão de pecados diante de Deus e
àqueles que pastoreiam a nossa vida (Tiago 5.16), e
arrependimento de nossas obras mortas (Hebreus 6.1);
Necessita-se de entendimento da graça para que nos
livremos da culpa e do medo, abraçando o perdão dos
nossos pecados e iniquidades diante do nosso Deus.
 
2. Coração contaminado com feridas, amargura e mágoa
Uma pessoa que carrega mágoa e amargura em seu
coração sempre terá dificuldade de ver os propósitos de
Deus com clareza, porque o seu interior estará em
constante conflito;
É necessário ter o entendimento da graça que se
manifesta na prática da misericórdia ao liberar perdão
para aqueles que nos ofenderam;
A humildade nos habilitará a pedir perdão àqueles que
ofendemos. Precisamos entender que os conflitos nunca
serão resolvidos sozinhos e será sempre necessário
trazermos luz a fim de que haja reconciliação entre as
partes (Mateus 5.23,24);
A prática da liberação do perdão e da misericórdia
liberará o seu coração, permitindo, assim, a ação do
Espírito do Pai para trazer cura e purificação ao seu
interior.
 
3. Juízos carnais
O fato de julgarmos todas as coisas segundo nossas
opiniões carnais e não por meio de uma visão espiritual,
é sinal de um coração contaminado. Até mesmo Samuel,
um dos maiores profetas de Israel, foi traído pelo seu
julgamento pessoal (pela aparência) no caso da unção
de Davi (1 Samuel 16.6,7);
Precisamos desenvolver a visão espiritual para que
possamos ter uma ótica correta com relação a nossa
própria vida. Não devemos viver por ambição egoísta ou
por vaidade, mas em humildade sempre considerando os
outros superiores a nós mesmos (Filipenses 2.3);
Devemos clamar por um batismo de inteligência
espiritual (Colossenses 1.9 – JFAC), isto é, uma
capacidade de julgamento e raciocínio baseado na
revelação do Espírito de entendimento, um dos sete
espíritos de Deus (Isaías 11.2).
4. Desejos impuros
Podemos ter o nosso coração entorpecido por causa do
domínio dos desejos impuros baseados na cobiça do que
não nos pertence ou do que é ilegal diante de Deus. A
concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a
soberba da vida (1 João 2.16);
Esses desejos carnais sempre estão relacionados de
alguma forma com as bases que sustentam o sistema do
mundo: impureza sexual, desejo de poder, amor ao
dinheiro;
Devemos nos arrepender e confessar esses desejos
diante do trono da graça. Precisamos pedir para que os
presbíteros (pessoas maduras) orem para que sejamos
curados (Tiago 5.14).
 
CAPÍTULO 4
MENSAGEM PROFÉTICA
Os ministros proféticos, juntamente com os apóstolos, são o que
Paulo chama de encarregados dos mistérios de Deus (1 Coríntios
4.1), ou seja, foram comissionados para serem os mensageiros do
Senhor, para servirem ao Seu povo e ao mundo. Toda atividade
profética tem como objetivo revelar uma mensagem procedente de
Deus, mesmo que seja através de uma ação física como foi o caso
de Isaías (Isaías 20.3). O importante é que ela se transforme em
uma mensagem inteligível àqueles que o Senhor deseja
compartilhar Seu coração e mente.
Creio profundamente que em nossos dias o foco da
mensagem profética é trazer clareza e não dúvida ou confusão. A
função profética é iluminar as mentes, que estão obscurecidas pela
embriaguez da normalidade da vida, com os pensamentos de Deus
sobre a vida e o tempo presente. Nada adianta falar muito sobre
coisas obscuras e confusas e ninguém entender o real sentido da
“mensagem profética” que está sendo comunicada, e no final ainda
chamá-la de “mistério”. Essa é uma ação irresponsável que precisa
ser resistida em nossos dias. Nós fomos chamados a esse serviço
para trazer LUZ e não TREVAS. Lembre-se que Jesus falava em
parábolas para as multidões para que elas não entendessem a Sua
mensagem, mas aos Seus discípulos Ele revelava os mistérios do
Reino de Deus (Lucas 8.10).
Outra coisa que precisamos ter em mente com relação à
mensagem profética, é que ela pode ter como alvo um indivíduo,
uma comunidade de pessoas, uma cidade ou até nações, e a
extensão dessa mensagem está relacionada com o nível de
autoridade que o mensageiro profético possui e a jurisdição em que
ele opera. Por isso, todo aquele que deseja servir profeticamente
precisa se tornar um mensageiro responsável, sabendo que sua
mensagem procede de Deus e, por isso, não deve se movimentar
de qualquer forma. É preciso zelo e temor para com Aquele que os
comissionou.
Deixe-me compartilhar algo que aprendi com meu amigo
Anderson Bomfim: Você já reparou a diferença entre uma pessoa
que se movimenta com um copo vazio e outra com um copo cheio
de água? A que tem o copo com água anda cuidadosamente para
não a derramar. Da mesma forma, todos os que carregam os
oráculos do Reino precisam se movimentar com extremo zelo e
cuidado. Só quem está vazio se movimenta de qualquer forma, pois
nada tem a perder.
É preciso ter sempre em mente que toda pessoa é
responsável por aquilo que profetiza e deve prestar contas de tudo
o que fala profeticamente. Não podemos falar qualquer coisa em
qualquer lugar sem querer ser cobrado pelo que falamos ou
fazemos em nome do profético. Sempre que ministro
profeticamente e alguém me confronta a respeito de um erro (o que
nos é permitido), não tenho o direito de me ofender, antes eu devo
com humildade pedir perdão e continuar servindo àquele que me
confrontou. Você já reparou que o único ministério que Deus orienta
a igreja a julgar é o profético?
“Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros
julguem com zelo tudo o que foi dito.” 1 Coríntios14.29
Precisamos também ter cuidado, em relação ao ato de
profetizar, com o perigo de acrescentar ou diminuir algo na
mensagem ao comunicá-la. Isso, em hipótese alguma, nos é
permitido! Lembre-se que a fonte da mensagem profética é o
Espírito de Deus e, por isso, precisamos cuidar em expressar
exatamente o que recebemos d’Ele. Não precisamos tentar ajudá-
Lo, “melhorando” a mensagem para que quem está ouvindo possa
entender melhor. Pensar que podemos fazer isso, na verdade, é um
grande equívoco! Não esqueça que na dinâmica do serviço da
profecia (na nova aliança) há espaço para erros e aprendizados,
mas modificar a mensagem profética que procede de Deus, de
forma deliberada e consciente, nos trará sérias consequências
(Apocalipse 22.18,19).
Profetas não apenas falam a palavra do Senhor, mas devem
encarnar a mensagem a qual foram encarregados de revelar ao
mundo. A palavra que lhes é confiada, inevitavelmente, afetará a
sua cosmovisão e maneira de administrar a vida, pois ela se torna
uma mensagem a todos. A vida dos profetas é uma parábola que
Deus usa para comunicar a Sua justiça e os Seus decretos ao
mundo. Nas Escrituras, vemos pessoas fazendo toda sorte de
coisas estranhas para que uma mensagem seja revelada à sua
geração e à humanidade, assim como o profeta Oséias que se
casou com uma prostituta para denunciar a prostituição do povo
hebreu com relação à aliança divina (Oséias 1.2). E quanto a você?
Qual palavra de Deus tem direcionado os seus passos e ações?
Qual mensagem da parte de Deus você encarnou em sua vida?
Bom, depois de chegarmos à conclusão de que pessoas
proféticas foram comissionadas para serem os “carteiros” de Deus,
agora precisamos responder algumas perguntas: Qual o conteúdo
da mensagem que os profetas precisam proclamar? Como suas
palavras se relacionam com a dinâmica do ambiente coletivo da
casa de Deus? Qual a função da mensagem, para os santos e para
o mundo?
Para que possamos responder a essas perguntas, vamos
pensar sobre o conteúdo da mensagem profética. Pessoalmente,
creio que o serviço profético precisa trabalhar comunicando a
revelação de, pelo menos, cinco aspectos da obra de Deus:
1. O plano eterno de Deus.
2. O desenvolvimento do plano divino na história.
3. O discernimento dos tempos e estações, em relação ao
plano eterno.
4. Como uma geografia (região, cidade ou nação) ou
pessoa se encaixa no plano eterno do Pai, o qual é
revelado na pessoa de Jesus?
5. Qual futuro o Senhor está trazendo sobre nós, individual
e coletivamente?
Essas realidades são cruciais para qualquer pessoa que
deseja se conectar na obra de Cristo, a qual está sendo
desenvolvida desde a eternidade.
 
O PLANO ETERNO DE DEUS O primeiro aspecto da obra de Deus
que a profecia precisa se comprometer a revelar é o plano eterno
de Deus, executado desde a fundação do mundo – as obras do
Senhor que já estão concluídas em Cristo desde antes da fundação
do mundo (Hebreus 4.3). Sabemos, pelas Escrituras, que Cristo é o
Cordeiro de Deus que se entregou como sacrifício em favor dos
homens antes da fundação do mundo (Apocalipse 13.8; 1 Pedro
1.19,20) e que, por isso, o Pai preparou por meio do Filho um Reino
para os santos e às nações desde a fundação do mundo (Mateus
25.34). Todos os participantes desse Reino têm seus nomes no
Livro da Vida que foi escrito desde a fundação do mundo
(Apocalipse 17.8), e todos os que têm seus nomes escritos nesse
livro foram eleitos e predestinados em Cristo para a adoção de
filhos antes da fundação do mundo, para se tornarem santos diante
do Pai (Efésios 1.4,5).
Independente da linha teológica ou visão soteriológica que
você adota para balizar seus pensamentos quanto à obra de Deus,
eu creio que essas verdades bíblicas são irrefutáveis e dentro da
mensagem profética precisam ser vistas como inquestionáveis.
Saiba que o sacrifício de Cristo não é uma resposta
emergencial para a presença do pecado na criação. Preste
atenção! Deus é onisciente e nada pode pegá-Lo de surpresa.
Quando decidiu (na eternidade) criar o homem, Ele já sabia que
este ia pecar. Às vezes algumas pessoas pensam que quando o
homem pecou no Éden Deus entrou em desespero e gritou: “E
agora, quem poderá nos defender?”. Aí entra Jesus em cena e diz:
“Eu!!! Não contavam com a minha astúcia!”. Então... isso não
aconteceu. A obra de Cristo não é a resposta de Deus para o
pecado. Na verdade, Cristo é a solução para o problema antes
mesmo da existência dele. A obra de Cristo foi estabelecida por
Deus antes da fundação do mundo, por isso, tudo o que Deus criou
(nos céus e na terra) foi por meio da pessoa de Cristo, e todas as
coisas são sustentadas por Ele desde sempre e para sempre. Ele é
Senhor de toda a realidade!
“pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a
terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam
soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi
criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as
coisas, NELE, TUDO SUBSISTE.” Colossenses 1.16.17
Você já esteve em um culto numa comunidade de fé onde se
fez um “apelo” convidando as pessoas para “aceitarem a Jesus”
como Senhor e Salvador de suas vidas? Então me deixe explicar
algo muito interessante: Você nunca aceitou a Jesus de fato,
porque Ele disse certa vez: Não foram vocês que me escolheram;
pelo contrário fui Eu que escolhi vocês (João 15.16). Eu nunca
aceitei a Jesus. O que fiz quando tinha quatorze anos de idade foi
recebê-Lo em meu coração (João 1.12), crendo na Sua obra
redentora, me arrependendo dos meus pecados e me submetendo
ao Seu senhorio.
E quando alguém vai à frente para “aceitar a Jesus", você já
prestou atenção na oração que essa pessoa é levada a repetir?
“Senhor Jesus nesta hora eu Te aceito como Senhor e Salvador da
minha vida. Escreve agora o meu nome no Livro da Vida”. Só que,
como vimos anteriormente, o Livro da Vida já estava escrito antes
que todos os homens fossem criados, assim como já estavam
escritos os nomes de todos os redimidos pela obra messiânica e
que serão salvos do Dia da vingança do nosso Deus. Logo, se o
livro já está escrito, o nome não será escrito toda vez que alguém
recebe o Senhor em seu coração.
Nós não entramos na obra de Cristo no meio do caminho,
apenas quando nos submetemos ao Seu senhorio. Na verdade, os
salvos sempre estiveram em Cristo – desde antes da fundação do
mundo. O primeiro homem, Adão, foi criado a partir do barro da
terra. Deus soprou o Seu fôlego de vida em suas narinas e ele se
tornou alma vivente (Gênesis 2.7). A criação de Adão é o resultado
da junção da realidade celeste com a terra: barro + Espírito = Adão.
Mas e Eva? Como ela foi criada, afinal? Eva não foi moldada a
partir do pó da terra para só depois se unir a Adão, como esposa.
Não! Na verdade, Eva foi criada a partir de Adão. Ela não se uniu a
ele no meio do caminho, mas saiu do seu interior porque sempre
esteve dentro dele.
A maneira como o Senhor trouxe Eva à luz nos ensina muito
sobre o propósito eterno da igreja em Cristo. Para gerar Eva o
Senhor fez Adão dormir um pesado sono. Em seguida abriu o seu
lado e tomou uma de suas costelas e dela formou Eva, que se
levantou sobre a terra (Gênesis 2.21,22). E a igreja, a esposa do
Cordeiro, como foi levantada sobre a terra? Deixe-me expressar o
que eu creio: Jesus morreu na cruz. E após Ele “dormir” o que
aconteceu? Um soldado tomou de uma lança e feriu o Seu lado, de
onde saiu água e sangue (João 19.34). Quando a água (Palavra
que nos lavou – Efésios 5.26) e o sangue (que nos purificou – 1
João 1.7) jorraram, a igreja (Sua esposa) foi levantada sobre a
terra. Todo aquele que faz parte do Corpo de Cristo não foi inserido
n’Ele no decorrer da sua vida, baseado em suas próprias escolhas.
Na verdade, nós (os santos redimidos) sempre estivemos em
Cristo, desde antes da fundação do mundo, esperando o tempo
oportuno que o Pai preparou para nos manifestar em glória sobre
toda a criação.
Como citamos acima, o plano eterno de Deus não aponta
apenas para a cruz e o sacrifício do Cordeiro de Deus, mas
também para o Reino quefoi preparado para ordenar a terra desde
a fundação do mundo. Reino este que é constituído de sacerdotes
que foram eleitos em Cristo, por meio do Seu sangue desde a
eternidade (Apocalipse 1.5,6).
"Então, dirá o Rei a todos que estiverem à sua direita: ‘Vinde,
abençoados de meu Pai! Recebei como herança o Reino, o
qual vos foi preparado desde a fundação do mundo."
Mateus 25.34
É de responsabilidade de todo mensageiro profético proclamar
acerca do Reino eterno e vindouro do Senhor, e acerca do papel da
igreja de preparar o caminho para o estabelecimento pleno e
definitivo desse Reino sobre a criação e da sua participação no
governo das nações como sacerdotes do Deus vivo. Um Reino
global, literal e físico, com base em Jerusalém, onde o Rei, o
descendente de Davi, se assentará em Seu trono e governará o
mundo (Zacarias 14.9; Mateus 25.31). Assim eu creio.
A proclamação da mensagem da obra redentiva de Deus, que
se iniciou na eternidade, é de responsabilidade dos mensageiros
proféticos. Toda pessoa comissionada ao serviço profético precisa
se tornar um proclamador do evangelho revelado desde a
eternidade em sua geração.
 
O PLANO DE DEUS NA HISTÓRIA Outro aspecto da função da
profecia é trazer luz sobre o desenvolvimento do plano eterno de
Deus na história, trazendo clareza sobre como a obra redentiva de
Cristo é desenvolvida progressivamente desde a eternidade, ou
seja, como ela vem se revelando na história da criação até os
nossos dias. É por isso que não devemos desprezar o passado,
antes sermos gratos por tudo o que Deus tem feito até aqui.
Precisamos reconhecer que se não fosse a Sua obra redentora na
história (homens e mulheres se submetendo a Deus no decorrer
dos anos), certamente não estaríamos vivendo hoje o que estamos
vivendo em Deus.
Desde a queda no Éden, Deus vem revelando à humanidade
o que o grande teólogo e mestre, Walter Kaiser Jr., chama de o
plano da promessa[8], que nada mais é que a revelação do
evangelho da redenção desde o livro de Gênesis até Apocalipse.
Isso nos ensina que a revelação do evangelho de Deus não
começa no livro de Mateus, mas, sim, em Gênesis (Gálatas 3.8).
Deus tem revelado o Seu plano a pessoas desde os primeiros
registros bíblicos e as convidado para que se tornem testemunhas
da Sua obra, desde o início. É por isso que não temos como falar
do profético sem falar da história, porque Deus governa sobre a
história e sempre se revelou no decorrer dela.
Jesus – o descendente da mulher, que esmagaria a cabeça
da serpente (Gênesis 3.15); o descendente de Sem, que estenderia
a sua tenda sobre os seus irmãos (Gênesis 9.26,27); o
descendente de Abraão, que iria abençoar todas as famílias da
terra (Gênesis 12.3,7; Gálatas 3.16); o descendente de Judá, que
governaria sobre os seus irmãos e todos os povos o obedeceriam
(Gênesis 49.8-12); o profeta semelhante a Moisés, que carregaria
em sua boca as palavras do Altíssimo (Deuteronômio 18.18); o
descendente de Davi, que se assentaria no trono em Sião,
construiria uma casa para Deus e governaria as nações
eternamente (2 Samuel 7.12,13,16); o servo sofredor, que se
entregaria como o sacrifício suficiente para remissão dos pecados
da humanidade caída (Isaías 53.4-11); o Messias de Israel, que foi
enviado pelo Pai e que também se manifestou na plenitude dos
tempos para a Sua criação, o alvo da Sua redenção (Gálatas 4.4).
A obra e a glória do Filho unigênito têm sido reveladas à criação na
história que Deus desenhou a respeito dela. Isso está registrado
desde a primeira página do livro de Gênesis.
Na história da igreja também vemos o desenrolar da missão
apostólica e profética do Corpo do Messias. A tocha do evangelho e
da revelação da obra de Deus é repassada de geração a geração
até chegar a nós. Alguns homens que Deus usou no desenrolar
dessa missão: Pedro e os primeiros discípulos de Jesus;
Barnabé, Paulo e Apolo (trabalharam apostolicamente na
expansão e edificação da igreja nas nações do mundo antigo);
Timóteo, Tito, Áquila e Priscila (colaboraram com a supervisão
das igrejas plantadas pelos apóstolos); Atanásio de Alexandria
(defensor da encarnação e divindade de Cristo); Agostinho de
Hipona (grande teólogo que teve muita influência no
desenvolvimento do cristianismo ocidental); Anselmo de Cantuária
e Tomás de Aquino (tiveram grande influência na exposição da
cosmovisão cristã na Idade Média); John Wycliffe, John Huss (pré-
reformadores que abriram caminho para a Reforma Protestante);
Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zuínglio e John Knox
(homens proeminentes da Reforma). Todos esses pregaram o
evangelho da graça de Deus por meio do sacrifício de Jesus, em
meio a um sistema de ladrões e mercenários disfarçados de
ovelhas.
Jesus nunca abandonou a Sua igreja. Em todas as fases do
desenvolvimento da história pós-encarnação e ressurreição, Deus
sempre usou um remanescente para ser uma voz profética sobre a
terra, através de uma vida sacrificial e de testemunho do evangelho
do Cristo crucificado. Assim como os servos de Deus descritos nas
Escrituras, em algum momento estes – os remanescentes ao longo
dos anos – cometeram em suas vidas não poucos erros (alguns até
grotescos), mas isso não impediu que Deus continuasse a usá-los
no decorrer da história. Isso nos leva a crer que, mesmo nos
períodos mais sombrios da humanidade, a igreja de Cristo nunca
esteve morta ou inválida. Deus sempre usou e sempre usará o Seu
remanescente para carregar a tocha da verdade sobre a terra.
Mesmo na era pós-reforma, Deus continuou levantando
pessoas para carregar a tocha do evangelho e incendiar nações e
gerações com os seus testemunhos, o que muitos chamaram de
avivamentos. Observamos isso na vida dos avivalistas: Jonathan
Edwards e George Whitefield (através da ênfase na oração e
pregação do evangelho eles viram milhares de pessoas convertendo
suas vidas para a obra do Messias); Conde Zinzendorf e morávios
(através de uma reunião de oração que durou cem anos,
experimentaram um grande derramar do Espírito o qual impulsionou
um dos mais efetivos movimentos missionários da história da igreja);
John Wesley (grande pregador e avivalista que afetou a Inglaterra e
os EUA; foi influenciado pelo movimento morávio e deixou um
legado de centenas de pregadores leigos, o que era proibido no
sistema religioso da época); Charles Finney e Charles Spurgeon
(poderosos pregadores e mestres que influenciam a teologia cristã
até hoje); Evan Roberts (liderou o poderoso avivamento no País de
Gales, no século XX, que afetou literalmente todo o país e muitas
outras nações); William Seymour (um reverendo, do outro lado do
Atlântico, que foi influenciado pelo Avivamento de Gales e chamado
a liderar o Avivamento da Rua Azusa – movimento que influenciou o
mundo todo com um despertamento e busca dos dons do Espírito).
O Avivamento da Rua Azusa deu origem ao movimento carismático
que gerou fome pela obra do Espírito em diversas denominações ao
redor do mundo, inclusive na Igreja Católica. Isso resultou no
despertar de muitos evangelistas que se levantaram nas nações
através do poder do Espírito e da pregação do evangelho,
realizando inúmeros sinais, curas e milagres onde quer que fossem.
Um exemplo importante foi o alemão Reinhard Bonnke, que viu
milhões de pessoas se renderem ao Senhor no continente africano.
Em resumo, uma série de visitações do Espírito aconteceram
em várias regiões da terra no século XX, através de pessoas
piedosas (não perfeitas) que se entregaram nas mãos do Senhor
para serem instrumentos de reavivamentos extraordinários na
história recente da humanidade. Deus derramou Seu Espírito na
Argentina com a explosão do movimento de discipulado; na Coreia
do Sul, com poderosa ênfase na oração individual e coletiva e nas
reuniões caseiras, o que resultou na edificação da maior igreja local
do mundo; na Inglaterra, onde se viveu um despertamento pela
restauração dos fundamentos apostólicos e proféticos; e em outros
lugares como China e Toronto, no Canadá, cuja experiência com o
derramar do Espírito afetou a história da igreja mundial.Como observamos, Deus sempre trabalhou na Sua igreja no
decorrer da história. Desde a era dos primeiros apóstolos até hoje o
Senhor continua Se revelando ao Seu povo. Uma das funções
primordiais do serviço profético é olhar o desenrolar do plano eterno
divino, para que possamos aprender com tudo o que o Senhor foi
revelando progressivamente e, também, com os erros que a igreja
de Jesus tem cometido em sua jornada. Ignorar a obra de Deus na
história é tolice. Achar que tudo o que Deus está fazendo na terra
nos dias de hoje foi iniciado a partir de nós é muita ignorância e
altivez. Nossa geração precisa de uma extrema humildade para
assumir que tudo que estamos vivendo em Deus não iniciou em
nós, mas com homens e mulheres que pavimentaram o caminho
para que pudéssemos trilhá-lo nestes dias, através da obediência,
da entrega, das lágrimas e testemunho, do sangue derramado e até
de seus próprios erros. Sejamos humildes e reconheçamos que tudo
que somos em Deus nesta estação é resultado daquilo que o
Senhor tem feito em Sua igreja na história. Da mesma forma
precisamos humildemente servir à geração que está se levantando
diante de nós, abrindo o caminho para que viva em Deus tudo o que
Ele estabeleceu em Seu propósito para ela.
Harold Walker, um mentor e ancião, disse algo em uma das
conferências que ministramos juntos, que nunca mais esqueci: “Se
você deseja errar, seja criativo. Cometa erros novos. Não seja
arrogante, aprenda a olhar para aqueles que vieram antes de você e
não cometa os mesmos erros que eles”.
Existem dois grandes equívocos que as pessoas que desejam
se envolver com o ministério profético precisam rejeitar: O primeiro
é rejeitar a história, pensando que o que Deus está fazendo no
presente está relacionado apenas com as suas próprias vidas. Isso
é tolice. Como já falamos, nós apenas fazemos parte daquilo que
Deus está realizando na terra a partir da Sua igreja, desde a
ressurreição de Cristo. E isso não começou em nós. O segundo, e
não menos grave, é ignorar aquilo que Deus está se propondo a
realizar a partir de nós, e apenas desejar ser e viver aquilo que
Deus fez no passado. Isso é um grave problema que a igreja dos
nossos tempos está enfrentando. Nós não podemos rejeitar o que
Deus está fazendo e desejar ser a igreja do passado. Bill Johnson,
falando sobre as características de uma geração que busca
experimentar verdadeiro avivamento, disse algo fantástico: “Nós
precisamos de duas coisas para buscar o verdadeiro avivamento:
sermos gratos por tudo o que Deus tem feito na história e, ao
mesmo tempo, ter fome por tudo aquilo que o Senhor deseja
derramar sobre nós nos dias de hoje”.
 
DISCERNIMENTO DE TEMPOS E ESTAÇÕES Além de observar
como o plano redentivo da criação está se desenvolvendo na
história, pessoas proféticas também têm a incumbência de trazer
discernimento sobre em que ponto do desenrolar desse plano nós
estamos agora. Ou seja, mais do que apenas saber o que Deus fez
na história, nós precisamos desenvolver a habilidade de acessar
revelação do que Deus está fazendo na estação atual na qual
estamos inseridos. O serviço profético precisa se esforçar para
responder às seguintes perguntas: O que Deus está falando para a
nossa geração? Como devemos aplicar o evangelho de Cristo em
nosso tempo? Em que ponto da edificação da igreja de Jesus nós
nos encontramos?
Os dois episódios de Moisés com a rocha no deserto podem
nos servir de exemplo para o que estou procurando descrever.
Sabemos que ao liderar o povo na saída do Egito para o deserto,
Moisés se viu rodeado de murmuração por parte dos israelitas. A
murmuração era muito comum, e dessa vez o motivo era a falta de
água na região de Refidim. O Senhor, então, manda Moisés tomar
da vara e bater na rocha diante dos anciãos do povo, para que dela
brotasse água, o que de fato aconteceu (Êxodo 17.2-7).
Anos depois, em outro momento da sua jornada como líder do
povo de Deus, Moisés se vê cercado novamente pela murmuração,
e pelo mesmo motivo: falta de água. Mas dessa vez, ao consultar o
Senhor, Moisés recebe uma instrução diferente para intervir diante
do problema.
“Disse o SENHOR a Moisés: Toma o bordão, ajunta o povo, tu
e Arão, teu irmão, e, diante dele, falai à rocha, e dará a sua
água; assim lhe tirareis água da rocha e dareis à congregação
e aos seus animais.” Números 20.7,8
O problema era o mesmo, mas o tempo era outro. Logo, o que
o Senhor falou não estava apenas relacionado à questão em si,
mas no tempo em que ela estava acontecendo. Dessa vez, Deus
manda Moisés falar à rocha para que dela saísse água. Porém, por
mais incrível que pareça, Moisés não deu ouvidos à ordem do
Senhor e feriu a rocha por duas vezes.
“Moisés e Arão reuniram o povo diante da rocha, e Moisés lhe
disse: Ouvi, agora, rebeldes: porventura, faremos sair água
desta rocha para vós outros? Moisés levantou a mão e feriu a
rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas;
e bebeu a congregação e os seus animais. Mas o SENHOR
disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para
me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não
fareis entrar este povo na terra que lhe dei.” Números
20.10-12
Como sabemos, as consequências que Moisés enfrentou por
negligenciar a voz do Senhor foram desastrosas. Por não ter dado
ouvidos à instrução do Senhor, ele não santificou o Seu nome
diante do povo e, por isso, foi proibido de guiar os hebreus até à
terra de Canaã. Essa passagem possui muitos detalhes que
poderíamos passar horas meditando e discutindo, mas existem
alguns pontos chaves que gostaria de dar uma atenção especial:
A rocha que jorrava água no deserto apontava para
Cristo, a nossa Pedra e Fonte espiritual (1 Coríntios
10.4). Essa pedra espiritual só poderia ser ferida uma
vez, ou seja, Jesus só deveria morrer uma vez em prol
da criação, por isso, Ele é o primogênito dentre os
mortos – o único homem que ressuscitou e continua vivo
para todo o sempre.
Afinal, por que Moisés bateu na rocha, quando o Senhor
mandou que falasse? Pessoalmente, creio que Moisés
estava tão afetado pela murmuração do povo que,
automaticamente, apegou-se ao que tinha funcionado
no passado, sem considerar o que Deus estava falando
no momento. Cuidado! Muitas vezes aquilo que Deus
falou no passado, na sua jornada pessoal, pode se
tornar inimigo do que Deus está falando com você
agora. Os fundamentos da edificação da obra de Deus
são imutáveis e Suas Leis (Bíblia) irrefutáveis; jamais
serão invalidados. Mas a maneira como Jesus
desenvolve a edificação da Sua igreja nos tempos pode
mudar e nós precisamos nos submeter aos Seus
processos. O interessante é que Ele faz isso de forma
proposital, para que os chamados a serem Seus sábios
construtores possam sempre estar atentos à Sua voz e
ter clareza sobre como o Pai está movimentando a Sua
obra em cada estação.
Apesar de Moisés ter desobedecido à voz do Senhor e
batido na rocha, a água saiu e o povo bebeu das águas
que Deus fez brotar. Nem sempre o que está
aparentemente dando certo é sinal de que está debaixo
da vontade divina. Moisés não santificou o nome do
Senhor ao bater na rocha, mas funcionou assim mesmo
– o povo bebeu das águas e se alegrou. Moisés, porém,
foi impedido de entrar na terra. Nem tudo que produz
uma aparência profética é, na verdade, uma realidade
profética, mesmo que produza sinais miraculosos e
manifestações de poder (Mateus 24.24). O povo se
alegrou por causa desse episódio, mas Moisés foi
arrancado da terra.
Existe um tempo específico para o cumprimento de cada
propósito do Pai, desde a eternidade até a estação em que
estamos vivendo (Eclesiastes 3.1). O Pai preestabeleceu os tempos
já dantes ordenados e, também, os limites da criação, segundo a
Sua soberana vontade (Atos 17.26). Por isso, Jesus nos exorta
(como Seus discípulos) a respeito da necessidade de discernir os
SINAIS dos TEMPOS, propostos pelo Pai para o estabelecimento
da Sua autoridade sobre a criação (Mateus 16.2,3). Pedro,
descrevendo sobre o ministério dos profetas em sua primeira carta,
afirma que os profetas investigavamo Espírito de Cristo para
saberem o tempo e as circunstâncias em que a obra da graça
divina se manifestaria sobre a criação através do ministério do
Messias.
“Foi a respeito dessa salvação que os profetas que falaram da
graça destinada a vocês investigaram e examinaram,
procurando saber o tempo e as circunstâncias para os
quais apontava o Espírito de Cristo que neles estava,
quando lhes predisse os sofrimentos de Cristo e as glórias que
se seguiriam àqueles sofrimentos.” 1 Pedro 1.10,11
Em Israel havia uma tribo com uma função muito específica
durante a organização do reino: a tribo de Issacar. Sua função
profética era a de trazer entendimento a respeito dos TEMPOS e do
posicionamento correto para o povo santo em cada época. Assim,
traziam revelação de como os propósitos do Pai estavam sendo
aplicados em cada estação diante deles, para que o povo de Deus
soubesse como proceder.
“dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para
saberem o que Israel devia fazer, duzentos chefes e todos os
seus irmãos sob suas ordens” 1 Crônicas 12.32
Assim como a tribo de Issacar, nós precisamos ficar atentos à
voz do Senhor em cada estação de tempo, para discernir como Ele
está edificando a Sua obra e para ter clareza sobre o que Ele está
corrigindo, restaurando ou tornando inútil. Depois de mudar de
casa algumas vezes (o que é sempre exaustivo), aprendi algo:
Quando você está em um tempo de mudança, precisa de sabedoria
para discernir o que precisa ser descartado, restaurado ou
adquirido.
Lembre-se que a voz do Senhor é como o som de muitas
águas (Apocalipse 1.15). Não sei se você já ficou um bom tempo
diante das águas do mar, mas ao ficar ali você sempre chega à
seguinte conclusão: quando as muitas águas estão agitadas elas
emitem um som estrondoso e poderoso; e quando estão tranquilas
emitem um som doce e suave. Porém, a maior e mais poderosa
característica do som das muitas águas é que ele é constante,
independente se é forte ou suave. Assim é a voz do Senhor! Às
vezes, ela se manifesta de forma estrondosa; e outras vezes, de
forma doce. Mas, como o som das águas, ela é constante. A VOZ
DO SENHOR ESTÁ SEMPRE EM MOVIMENTO. O problema,
então, não é que Deus silencia a Sua voz de tempos em tempos,
mas é nós que paramos de ouvi-la e, por isso, não conseguimos nos
relacionar com ela constantemente.
Ainda sobre esse tema, gostaria de compartilhar um último
pensamento que aprendi e que me trouxe muita clareza. Muitas
pessoas nos últimos anos, no Brasil, têm levantado uma bandeira
para a “restauração da igreja”. Conceitualmente isso é algo
saudável e, de fato, divino. O próprio Deus está conduzindo a igreja
dos santos redimidos a buscarem a restauração da sujeição ao
fundamento apostólico e profético (Efésios 2.20), a saber, a
revelação da obra messiânica, do evangelho da cruz e da Sua santa
Lei. Isso é lindo e altamente necessário em nossos dias, mas não
podemos cair no erro, em nome de uma “pseudo-restauração”, de
querer voltar a ser a igreja de Jerusalém do primeiro século, isto é,
tentar implantar a sua forma de fazer igreja em nossos dias.
Novamente, ressalto que a Lei revelada pelo Filho em toda a
Escritura (que regia o funcionamento da igreja de Jerusalém,
apontando os deveres e limites do povo consagrado) é imutável e
irrevogável. Nossa missão nestes dias não é voltar a ser a igreja de
Jerusalém, mas, sim, nos tornar a igreja que o Senhor está nos
propondo a ser nos dias de hoje, no Brasil e nas nações.
Nós precisamos de visão espiritual para ver com clareza o tipo
de igreja que haveremos de nos tornar – uma igreja gloriosa, que
preparará o caminho do Senhor e receberá o Reino de Jesus sobre
a terra. Não queremos voltar a ser a igreja do passado, mas nos
tornar a igreja do futuro descrita em glória e poder no livro de
Apocalipse.
 
POSIÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA NO PLANO DIVINO Em
minha visão, existe outro aspecto que a visão profética precisa se
esforçar para discernir: como uma pessoa (ou região) se relaciona
com o plano eterno de Deus que está se desenrolando na história,
em cada estação estabelecida pelo Senhor? Além de olhar para o
plano eterno de Deus, o seu desenvolvimento na história e em que
ponto dela nós estamos inseridos, é preciso também trabalhar para
trazer clareza sobre a revelação de como as pessoas precisam se
submeter à obra de Deus que está em andamento no corredor da
história.
O dom da profecia edifica, exorta e consola as pessoas,
ampliando sua visão para que possam ser ajudadas na tarefa de
conhecer o seu destino em Deus, e, assim, se submeter à vontade
do Pai para as suas vidas. A profecia posiciona pessoas e
regiões no caminho apertado que Deus tem proposto desde a
fundação do mundo.
Alguns dos mais importantes missiólogos têm proposto a
abolição do termo "missões", no que se refere à missão apostólica
da igreja em relação à obra redentora de Cristo sobre a criação,
porque, na verdade, dizem eles, só há uma missão: a missão de
Deus. Essa missão consiste em redimir toda a criação por meio da
obra do Filho e estabelecer o Seu Reino sobre ela. Logo, eu não
tenho uma missão em Deus e você outra, pois a nossa função,
como membros do Corpo de Cristo, é nos unir à missão d’Ele e,
assim, nos tornar coparticipantes da missão redentiva de Deus em
nossa geração.
A missão de Deus é uma realidade com muitas frentes de ação
e esferas de autoridade. Apesar do Reino de Deus ser formado de
apenas um tipo de pessoa, os sacerdotes (Apocalipse 1.6), dentro
do Reino divino eles exercem funções distintas e, por sua vez,
posições de autoridade também distintas. Isso nos leva a pensar
sobre um princípio fundamental relacionado à missão de Deus – a
jurisdição espiritual.
O entendimento sobre autoridade é o que nos traz base e
clareza sobre qual é a nossa posição na missão de Deus. A palavra
autoridade, em sua raiz grega exousia, tem o sentido de privilégio,
poder, influência delegada e jurisdição. Autoridade, então, nada
mais é do que ter a autorização divina para exercer uma função,
servir na obra do Senhor em uma região específica e a um povo
específico. Esse é o conceito de jurisdição espiritual que queremos
explorar.
Para pensar mais profundamente sobre isso, vejamos o que o
próprio Cristo pré-encarnado disse a Josué, antes de guiar o povo
de Deus a atravessar o Jordão e possuir a terra prometida:
“Sucedeu, depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que este
falou a Josué, filho de Num, servidor de Moisés, dizendo: Moisés,
meu servo, é morto; dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo
este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo lugar que
pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a
Moisés. Desde o deserto e o Líbano até ao grande rio, o rio
Eufrates, toda a terra dos heteus e até ao mar Grande para o
poente do sol será o VOSSO LIMITE.” Josué 1.1-4
Josué ouviu do Senhor a famosa frase, que estamos tão
acostumados a ouvir nos sermões e nas músicas denominadas
cristãs: “Todo lugar que a planta do seu pé pisar, eu já o tenho
dado”. Mas agora analisemos o contexto dessa declaração. O
Senhor disse que qualquer lugar do planeta em que Josué pisasse
os seus pés seria dele? Não. Mas por que não? Porque Deus traçou
os limites que Josué deveria respeitar na ocupação da terra que
estava diante dele – “desde o deserto e o Líbano até ao grande rio,
o rio Eufrates, toda a terra dos heteus e até ao mar Grande para o
poente do sol”. Dentro desse limite designado por Deus, qualquer
lugar que o Seu povo colocasse os pés Ele o entregaria em suas
mãos. A condição para isso, portanto, era que Josué e o povo
hebreu respeitasse a jurisdição delimitada pelo Senhor.
Então, você pode ir para a direita, para a esquerda, para
frente, para trás e até mesmo "rodar por todos os lados", porém,
Deus só abençoará os seus passos se a jornada a qual você está
empenhado estiver alinhada com a autoridade que recebeu d’Ele.
Deus não está comprometido em abençoar tudo o que fazemos.
Seu comprometimento está em abençoar pessoas que se
submetem à Sua missão, e se sujeitam aos limitesde autoridade
que Ele estabelece para cada uma delas. Entender a nossa
jurisdição em relação à missão de Deus também nos conduz a
compreender o quê e onde fazer, e o quê e onde não fazer. Em
minha experiência pessoal saber o que não devia fazer foi, muitas
vezes, mais importante do que saber o que devia fazer. Isso me fez
ser mais assertivo e não perder tempo com coisas fora dos meus
limites.
Note a declaração incrível que Paulo faz com relação ao
princípio da jurisdição espiritual em sua movimentação, para
cooperar na edificação apostólica do Corpo do Messias: “Nós,
porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o
limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se
estende até vós. Porque não ultrapassamos os nossos limites
como se não devêssemos chegar até vós, posto que já chegamos
até vós com o evangelho de Cristo; não nos gloriando fora de
medida nos trabalhos alheios e tendo esperança de que,
crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre
vós, dentro da nossa esfera de ação, a fim de anunciar o
evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos
gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio.” 2 Coríntios
10.13-16
Paulo – o grande servo de Deus, uma das maiores referências
do serviço apostólico e profético da história da igreja, com registros
escriturais de alto nível de revelação do mistério de Deus e da Sua
obra redentiva – tinha limites de atuação em sua jornada
ministerial. Ele afirma que não se gloriava além da medida nos
trabalhos alheios, ou seja, não se “metia” a fazer o que era para
outros fazerem, segundo o propósito de Deus. Agora, pense
comigo: se o grande apóstolo Paulo tinha limites, imagine cada um
de nós! Às vezes ficamos comparando o serviço apostólico e
profético entre os obreiros nas Escrituras, por exemplo: quem foi
maior na obra apostólica e profética de Deus, Isaías ou Daniel?
Paulo ou Tiago? Cada um deles foi fiel na jurisdição que receberam
do Senhor e, por isso, todos cumpriram o propósito que lhes fora
apresentado por Deus. Isso é grandioso!
A profecia ilumina os olhos de indivíduos e grupos de pessoas,
para que estes aprendam como se posicionar em sua jurisdição no
Reino de Deus e, assim, poderem servir em autoridade na obra do
Senhor. A profecia também traz luz sobre o propósito redentivo de
cada geografia (cidade ou nação), para que cada pessoa entenda
como se encaixar na missão de Deus e como servir às demais
regiões e nações com os dons que recebeu do céu para abençoar o
mundo.
Você lembra da profecia liberada sobre o Brasil por pessoas de
outras nações, desde a década de 70, com relação aos dias do fim
desta era? Elas diziam que o Brasil seria um celeiro de missionários
para as nações. Se essa palavra é verdadeira (e eu creio que é), a
nação brasileira tem como propósito coletivo abençoar o mundo nos
anos que estão por vir, servindo e enviando às nações (à todas as
etnias) ministros apostólicos para cumprirem a grande comissão de
pregar o evangelho do Reino, como testemunho para que, então,
venha o fim.
 
OLHANDO PARA O FUTURO A profecia, além de analisar o
presente, tem a missão de convidar cada pessoa a voltar os olhos
do coração para o futuro proposto por Deus. Quando temos o
coração alinhado com o futuro que Deus está trazendo a nós, a
maneira como vivemos o hoje é afetada e, então, teremos uma nova
visão sobre o amanhã. Essa é, sem sombra de dúvidas, uma
verdade poderosíssima! Minhas decisões hoje estarão sempre
atreladas aos alvos que estão à frente. Por isso é importante que ao
servirmos alguém ou a um ambiente coletivo com profecia, devemos
trabalhar para que as suas expectativas sobre o futuro sejam
alinhadas com a mente de Deus, e não com os seus próprios
planos. Em resumo, o serviço profético trabalha para antecipar o
futuro que está escondido em Deus, para que este seja palpável
a cada pessoa no tempo presente. Isso afetará os seus passos na
jornada espiritual.
Todos os segredos de Deus são revelados em Cristo
(Colossenses 2.3), logo, o futuro que Deus nos reserva também
está sendo revelado por meio da pessoa de Jesus. Se quisermos
olhar para o futuro devemos primeiro olhar para Ele, porque por
meio d’Ele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra
(Colossenses 1.16). Ele é o Senhor sobre a história, desde a
eternidade passada até o futuro mais longínquo. Ele governa sobre
o corredor da história. Cristo é a Porta aberta (João 10.7) que nos
dá acesso para ver, a partir de uma perspectiva celeste, as coisas
que devem acontecer diante de nós.
“Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta
aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de
trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te
mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.”
Apocalipse 4.1
Sabemos que os profetas no primeiro pacto olharam para a
pessoa do Messias e, por meio do Espírito de Cristo que neles
estava, falaram do futuro muitas vezes e com uma precisão
impressionante.
“Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e
inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros
destinada, buscando conhecer o tempo e as circunstâncias
mais oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles
estava, ao comunicar-lhes de antemão os sofrimentos que
Cristo haveria de passar e as glórias que se seguiriam
àquelas aflições.”1 Pedro 1.10,11
É interessante observar que os profetas falavam do futuro
segundo uma ótica messiânica, ou seja, todos os eventos que
proclamavam (relacionados ao povo da aliança e às nações da
terra) estavam relacionados ao plano redentivo que se manifestaria
na pessoa de Cristo. É preciso, porém, atentar ao fato de que essas
predições proféticas estavam divididas em duas dispensações: o
testemunho sobre os sofrimentos de Cristo (em Sua primeira vinda);
e as glórias que haveriam de se manifestar depois de Sua morte,
Sua ressurreição e o estabelecimento do Seu Reino sobre a criação
(em Sua segunda vinda).
Faz parte das obrigações do serviço profético trazer luz para o
agora, acerca do Reino futuro do Messias que está vindo sobre a
terra, e dos eventos que preparam a Sua manifestação sobre a
criação. Por isso, grande parte do ensino de Cristo (registrado em
nossa Bíblia) é sobre a realidade do Reino vindouro de Deus se
manifestando sobre a terra, e sobre o código de conduta que os
cidadãos desse Reino precisam se submeter. O chamado “discurso
profético de Jesus” (Mateus 24, 25) revela os detalhes sobre o Dia
em que Ele voltará para a terra e se assentará no trono, e sobre os
eventos (literais) que precederão a Sua vinda. O tipo de pessoa que
nós precisamos nos tornar para participarmos do Seu Reino eterno,
mas também vindouro, está descrito no sermão do monte (Mateus
5, 6 e 7), o qual nos instrui acerca do código de conduta que
precisamos adotar como sacerdotes participantes do Reino de
Jesus.
É responsabilidade dos mensageiros proféticos apontar com
clareza para os eventos que precederão a vinda do Dia do Senhor e
do estabelecimento do Seu Reino. Com base nas inúmeras
profecias registradas nas Escrituras acerca da parousia – a gloriosa
volta de Jesus para governar a criação no fim desta era – nós
precisamos trazer luz sobre os tempos e épocas referentes aos
cumprimentos desse glorioso Dia. Afinal de contas, Paulo é muito
claro ao afirmar que a vinda do Senhor não irá surpreender os filhos
do dia, pelo contrário, eles estarão prontos para recebê-lo, assim
como os magos do oriente estavam prontos para receber Jesus em
Sua primeira vinda.
"Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há
necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais
inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como
ladrão de noite. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para
que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa;
porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não
somos da noite, nem das trevas." 1 Tessalonicenses 5.1,2,4,5
Além de falar do propósito eterno e imutável de Deus, em uma
perspectiva de futuro, a profecia também identifica qual deveser o
posicionamento das pessoas para se alinharem a esse propósito no
curso da história. As previsões proféticas estão sempre
condicionadas à obediência da vontade de Deus, à quebra das leis
divinas e à displicência em relação às direções específicas e
pessoais dadas por Deus.
“Se atentamente ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, tendo
cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te
ordeno, o SENHOR, teu Deus, te exaltará sobre todas as
nações da terra.” Deuteronômio 28.1
“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR,
teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus
mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então,
virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão…”
Deuteronômio 28.15
Por fim, a comunicação da mensagem profética começa na
revelação do plano eterno desde a eternidade, passando pelo seu
desenrolar no corredor da história, revelando em que tempo
estamos vivendo e qual postura devemos ter nestes dias, e também
antecipando o futuro que o Senhor está trazendo para nós, segundo
a Sua soberana vontade.
 
A PROFECIA E A EDIFICAÇÃO No que se refere à comunicação
da mensagem profética, gostaria de compartilhar um último
conceito: a relação inseparável entre a revelação profética e a obra
do ministério. Isso nada mais é do que a edificação do Corpo
místico de Cristo – a igreja (Efésios 4.12; Mateus 16.18). O
conteúdo da mensagem profética precisa sempre ser fruto de
revelação, e a propagação da revelação é o que vai colaborar com
a construção da casa de Deus.
Existe um importante princípio acerca do profético, registrado
pelo sábio Salomão no livro de Provérbios, que é um norte para todo
aquele que deseja se aprofundar no entendimento da função
profética, com respeito à edificação da igreja do Messias: “Não
havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse
é feliz.” Provérbios 29.18
Essa é uma passagem muito conhecida e que possui um
profundo significado sobre o tema do serviço profético. A palavra
profecia, empregada nesse provérbio, em sua versão original
hebraica é chazon, que pode ser traduzido como visão, revelação,
oráculo. Então, permita-me parafrasear o versículo acima da
seguinte forma: Na ausência da visão profética, o povo se
corrompe (ou se desintegra).
Então, se é verdade que a falta de visão profética corrompe o
povo (o faz desmoronar), podemos afirmar que quando a visão
profética está presente o povo é edificado e levantado. Essa é uma
verdade poderosíssima!
“O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que
profetiza edifica a igreja.” 1 Coríntios 14.4
A edificação do povo de Deus está totalmente relacionada
com a revelação, e a presença da revelação está totalmente
relacionada ao serviço de pessoas que estão olhando para Ele. No
que se refere à edificação da obra de Deus, precisamos lembrar
que o acesso à revelação não tem a ver apenas conosco, mas, sim,
com o serviço ao próximo. Ser uma pessoa de revelação é ser
alguém em constante processo de conversão a Deus, para que
possa se tornar uma ferramenta no processo de edificação do povo
consagrado ao Seu Nome e da Sua obra no mundo.
Analisemos agora um cenário descrito nas passagens bíblicas,
que nos revela o processo da edificação da igreja de Cristo: Jesus,
em algum momento de Sua jornada, chama os Seus discípulos para
orar com Ele em um lugar reservado. Podemos chamar esse
momento de “encontro coletivo no lugar secreto com o Pai”. Nesse
lugar de oração coletiva, Ele pergunta aos Seus conservos na obra:
“Quem vocês dizem que eu sou?” (Lucas 9.18-20). Então Pedro, em
sua ousadia corriqueira, responde: “Tu és o Cristo, o Filho do
Deus vivo”. Ao ouvir isso, Jesus dá uma resposta intrigante: “Bem-
aventurado és tu, Pedro, filho de Jonas, porque não foi carne nem
sangue que te REVELARAM isso, mas meu Pai, que está nos
céus”. Na verdade, Jesus quis dizer: “Pedro, não fique muito
animadinho não, porque o que você falou não veio de você mesmo,
mas o Pai foi quem te fez conhecer isso no lugar secreto”. Depois
desse diálogo, Jesus faz uma das mais poderosas declarações do
Seu ministério público: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta
pedra EDIFICAREI a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela” (Mateus 16.16-18).
Nessa última declaração de Jesus, existe um jogo de palavras
no texto grego que é muito útil no desenvolvimento do nosso
pensamento. O nome Pedro é petros, que significa pedra, um
pedaço da rocha. A palavra no texto para pedra é petra que aponta
para o significado de uma rocha maciça. Então, o que Jesus
realmente está fazendo é revelando um mistério para os Seus
discípulos. O que Ele disse para Pedro foi: “Você é uma pedra, uma
partícula que procede da grande rocha (Daniel 2.34,35), e sobre
essa rocha, sobre essa revelação de que eu sou o Cristo, Eu
mesmo edificarei a Minha igreja; e nem a morte poderá prevalecer
contra ela”. A pedra fundamental que sustenta a igreja nas nações
é a revelação de que Jesus é o Cristo de Deus, por isso, o
fundamento da igreja é a revelação do Ungido. Logo, se uma
comunidade não possui revelação de quem é a pessoa de Cristo, o
Cordeiro de Deus que foi imolado antes da fundação do mundo,
esse ajuntamento não se caracteriza como igreja, mas, sim, um
conglomerado de pessoas que se reúnem em volta de si mesmas.
Existe um processo que precisamos observar aqui, referente à
comunicação profética e à edificação da igreja de Jesus: No lugar
de ORAÇÃO, o Pai nos recompensa com REVELAÇÃO, e é a
revelação que sustenta a EDIFICAÇÃO. Precisamos ter
entendimento de que tudo o que edificamos em Deus precisa ser
sustentado por revelação, que acontece quando constantemente
voltamos nossas mentes e corações para Deus em oração. Logo,
não existe revelação sem oração.
Quando olhamos para a restauração da casa de Deus em
Jerusalém, após a volta dos hebreus (uma parte deles) do exílio
babilônico, podemos constatar essa mesma realidade. Sabemos
que ao retornarem à sua terra, com a emissão do decreto de Ciro,
rei da Pérsia, o povo de Deus restaurou no templo, em primeiro
lugar, o altar, antes mesmo de lançarem os seus fundamentos
(Esdras 3.1,2,6). E, enquanto os judeus edificavam o templo, os
profetas Ageu e Zacarias profetizavam e colaboravam com a
liderança de Zorobabel e Jesua (Esdras 5.1,2).
A primeira coisa que o Senhor está restaurando em nossa
geração é o altar – o serviço sacerdotal dos santos redimidos. Se
nós estamos em tempo de restauração e se essa estação está
sendo promovida pelo próprio Senhor, então, precisamos crer que
tudo o que precisa ser feito, deve ser feito do jeito d’Ele. O altar é a
primeira coisa que precisa ser reparada nestes dias, assim como foi
nos dias pós-exílio. Uma das funções do espírito profético de Elias,
que se manifestará sobre a igreja no fim dos tempos (Lucas 1.17;
Malaquias 4.5), será a reparação do altar do Senhor, o qual foi
corrompido pelo desvio dos homens do verdadeiro sacerdócio
profético (1 Reis 18.30). O altar é o lugar de invocação, o ambiente
de encontro entre o homem e Deus. Encontros esses que
promoverão o verdadeiro serviço dos sacerdotes perante a criação.
Restauração do altar fala de restauração do lugar de oração,
do acesso aos lugares altos em Deus por meio do sangue de
Jesus, derramado para abrir o caminho da graça. Como sabemos,
o serviço da edificação começa no lugar da oração. Interessante
perceber que os judeus restauraram o altar antes de lançarem os
fundamentos, ao contrário do que grande parte da igreja brasileira
está buscando nos dias de hoje. Muitos de minha geração estão
ávidos em busca dos verdadeiros fundamentos registrados nas
Escrituras Sagradas, da santa teologia e da profundidade do
conhecimento da sabedoria bíblica. Esses são desejos plausíveis,
mas o problema é que esta geração, em sua maioria, está
buscando os fundamentos de forma errada. Nós precisamos
respeitar os processos propostos pelo nosso Deus.
No processo da edificação da casa de Deus, a restauração do
altar precede a manipulação dos fundamentos. Não há como
trabalhar coma revelação dos fundamentos apostólicos e proféticos
(Efésios 2.20) sem restaurar o lugar da oração. Afinal, esse é o
ambiente onde desenvolvemos a habilidade em acessar a
revelação progressiva do real fundamento da casa – Jesus Cristo, o
Filho do Deus vivo (1 Coríntios 3.11).
Com a ausência da oração, o estudo das Escrituras ou das
literaturas que explanam as suas verdades pode se tornar apenas
um acúmulo de informação e não de revelação. O acesso à
informação preenche a nossa mente de dados que são fidedignos à
Palavra Profética, à pessoa de Jesus e à Sua Lei, o que é muito
precioso! Entretanto, o acesso à revelação é algo com muito mais
peso, uma realidade que nos leva a conhecer: o mistério de Deus
– a pessoa de Cristo (Colossenses 2.2); o mistério de Cristo – a
igreja, que são os gentios e o remanescente de Israel que se
encontra em Jesus e que se torna a Sua família por causa de Seu
sangue (Efésios 2.13-20; 3.4-6); e os mistérios do Reino de Deus –
princípios eternos das leis dos céus que ordenam toda a criação
(Lucas 8.10). Tais mistérios só são revelados aos Seus discípulos.
O conhecimento de toda essa realidade só pode ser desenvolvido
na vida de uma pessoa que cultiva intimidade com o Pai no lugar de
oração. A palavra conhecer tem sua raiz hebraica yâda (Gênesis
4.1), e está relacionada a uma relação de extrema intimidade que é
marca de uma aliança.
Pessoalmente, creio que existam três níveis a respeito da
restauração do altar, que necessitamos observar nestes dias: a
restauração do altar no ambiente pessoal, familiar e coletivo.
Em primeiro lugar, a prática da oração precisa ser restaurada
na vida pessoal de cada crente em Jesus. As reuniões coletivas
não substituem a necessidade da prática individual de estar diante
de Deus todos os dias. Lembre-se que uma das características das
testemunhas proféticas que profetizarão os oráculos do Senhor nos
tempos do fim é que elas se encontram "em pé diante do Senhor da
terra" (Apocalipse 11.4); Em segundo lugar, precisamos restaurar
a prática da oração na vida da família. O entendimento que há, no
seio da igreja, de que as “mulheres” têm a responsabilidade de orar
pela família, precisa acabar. Nós não precisamos apenas de
mulheres que oram, mas de famílias que oram. Precisamos que os
homens assumam o seu sacerdócio em suas casas e se tornem
homens de oração, estabelecendo, assim, um testemunho de
justiça para a sua família. Precisamos gerar um ambiente onde a
criança aprenda a se desenvolver no lugar de oração, para que
possa ser uma voz profética nos últimos dias; precisamos de jovens
que oram, para que se tornem os videntes do nosso tempo (Atos
2.17); e, também, precisamos de mulheres que oram, para que
sejam portadoras da sabedoria que edifica famílias justas
(Provérbios 14.1); Em terceiro lugar, precisamos restaurar o altar
coletivo da oração. Um ambiente coletivo poderoso e eficaz de
oração é resultado de famílias sacerdotais se encontrando em
comunidades de fé, para invocarem o nome do Senhor. Podemos
chamar esse ambiente de “encontro coletivo com o Pai no lugar
secreto”, onde Ele nos recompensa revelando o Seu amor, a Sua
multiforme sabedoria, e onde a presença do Seu Espírito é
derramada. Mas, isso não é possível sem que antes o altar pessoal
e familiar seja restaurado.
Após a restauração do altar na edificação do templo do Senhor
em Jerusalém, os judeus começaram a construir a casa de Deus.
Entre o lançamento do fundamento até o seu término, os
construtores construíam enquanto os profetas profetizavam sob a
influência do Espírito que estava sobre eles, ou seja, a profecia que
era liberada, principalmente sobre os supervisores da obra
(Zorobabel e Jesua), guiava aqueles que estavam envolvidos com a
restauração do templo, revelando as medidas e parâmetros da casa
de Deus. O Espírito de Cristo estava sobre aqueles que
profetizavam (1 Pedro 1.10,11).
O processo de edificação começa no lugar de oração. Tudo
que precisa ser edificado em Deus é iniciado no lugar secreto, onde
o Pai recompensa com revelação. Logo, não existe revelação que
procede de Deus sem oração, e toda comunicação profética
procede do que nos é revelado pelo Senhor. Em todo ambiente de
construção, a profecia tem a função de trazer luz às medidas
estabelecidas por Deus (a “planta do prédio”) através da revelação
da pessoa de Cristo, o qual é o fundamento da casa de Deus. Cristo
não é o fundamento apenas da igreja, mas também é a pedra
fundamental que sustenta toda a criação (Jó 38.6).
Não existe construção sem revelação. Não existe
revelação sem oração. E não existe oração sem que voltemos o
nosso coração e mente para Deus.
 
CONSELHOS PRÁTICOS PARA A COMUNICAÇÃO PROFÉTICA
Gostaria de sugerir alguns conselhos práticos no que se refere à
comunicação profética. Eles têm me ajudado muito a servir às
pessoas profeticamente nestes últimos anos, e creio que poderão
ajudá-lo também. Esses conselhos protegem ao que compartilha a
mensagem profética (mitigando erros por meio de uma comunicação
humilde e livre de emocionalismo) e, também, ao que está
recebendo (guardando a mensagem de interferências pessoais e
conceitos equivocados com relação à expressão profética). Não são
princípios inquestionáveis, mas conceitos baseados em minha
experiência pessoal e que, por isso, são colocados como sugestões.
Dito isso, listo a seguir algumas dicas que podem ser muito úteis
para aqueles que desejam se aperfeiçoar na prática do dom da
profecia e na comunicação da mensagem profética:
Procure sempre se comunicar da maneira mais humilde
e simples possível, removendo todo ar de superioridade
e misticismo exacerbado. Você não precisa mudar o tom
de voz nem o tipo de linguagem para profetizar, nem
mesmo fazer movimentos “pirotécnicos” com a intenção
de produzir um ambiente mais espiritual enquanto
profetiza;
Evite profetizar utilizando a expressão “assim diz o
Senhor”. Lembre-se que no contexto da nova aliança
Deus fala à criação por meio do Corpo de Cristo e não
apenas por meio dos profetas, e tudo que é profetizado
nesta estação precisa ser julgado e confirmado
corporativamente. Quando você profetiza em nome de
Deus você remove a possibilidade de julgamento,
porque está afirmando que é o próprio Deus quem está
falando por meio de suas palavras;
Em vez de falar em nome de Deus, utilize expressões
como: “Eu creio que o Senhor deseja lhe falar” ou “Eu
penso que Deus está conduzindo você para tal
posição...”. Tais expressões produzirão uma linguagem
muito mais simples e humilde, aproximando mais a
pessoa da mensagem que está sendo profetizada do
que de você;
Sempre pergunte, ao final de sua mensagem profética,
se o que foi dito fez sentido para a pessoa que a ouviu,
ou se ela ficou com alguma dúvida. Se o que profetizou
não fez nenhum sentido para a pessoa, talvez seja
porque você se comunicou de forma equivocada ou a
sua mensagem estava de fato errada;
Sugiro que evite profetizar com sua mão sobre a cabeça
das pessoas, principalmente pessoas desconhecidas
que não estão sob a sua esfera de autoridade. Sempre
sugiro repousar a mão gentilmente sobre o ombro da
pessoa, e comunicar as palavras numa linguagem mais
próxima possível da linguagem dela. Isso criará um
ambiente fraternal para a liberação profética;
Procure não profetizar sozinho para ninguém,
principalmente se for uma pessoa do sexo oposto.
Sempre busque uma testemunha para ouvir e
supervisionar o que você está falando, de preferência
um crente maduro que exerça algum nível de autoridade
sobre aquele que está recebendo a palavra;
Sempre peça para registrarem o que está sendo
comunicado, através de gravação ou escrita. Isso é
importante para que o desenvolvimento do cumprimento
das palavras seja observado, e para que no futuro haja
prestação de contas das palavras proclamadas;
Evite se utilizar dos dons proféticos no meio de um
desentendimento caloroso. Se o fizer em um ambiente
de raiva, mágoa ou decepção, você poderá ser traído
pelos seus próprios sentimentos, produzindo assim uma
mensagem misturada;
Se você for profetizaruma palavra diretiva para uma
cidade ou nação, procure, antes de propagá-la
publicamente, sujeitá-la à conferência de profetas
experientes, se possível àqueles que exercem
autoridade sobre a região alvo da palavra diretiva;
Se você tiver uma palavra diretiva para uma
comunidade de fé, aconselho compartilhá-la primeiro
com a liderança dessa comunidade, que são as pessoas
que têm autoridade para recebê-la. Elas irão trabalhar
no entendimento dessa palavra e conferir acerca do seu
cumprimento;
Nunca remova nem adicione nenhuma palavra à
revelação que recebeu da parte do Senhor, mesmo que
ela não faça nenhum sentido para você. Lembre-se que
a palavra não precisa fazer sentido para quem a
entrega, mas para quem a recebe. É por isso que
sempre devemos perguntar se a palavra faz sentido
para quem ela está sendo direcionada;
Evite se utilizar do dom da profecia para compartilhar
palavras diretivas com relação a casamento, sexo de
bebês e morte de indivíduos. Esse tipo de prática
costuma dar muito errado, principalmente, em
ambientes de imaturidade profética e sem supervisão;
Procure sempre trabalhar em conjunto com parcerias
proféticas, de preferência com pessoas mais maduras
que você na jornada profética. Assim, sempre terá com
quem conferir aquilo que está vendo e ouvindo de Deus,
antes de torná-lo público;
Profetize na medida de sua fé. Não busque profetizar
coisas grandiosas, mas palavras precisas que vêm até
você através da fé;
Não se sinta desencorajado quando, porventura, você
errar. Todos que estão se desenvolvendo na prática do
dom da profecia um dia irão errar. É por isso que Paulo
ensina que em todo ambiente profético precisa haver
conferência. Lembre-se que todos nós somos discípulos
de Cristo que ainda estão aprendendo.
 
CAPÍTULO 5
A OPERAÇÃO DOS DONS
Neste capítulo voltaremos nossa atenção à operação dos dons no
Corpo de Cristo. Faremos isso juntos, expandindo nossa
compreensão e nos esforçando para basear nosso entendimento
sobre esse tema nas Escrituras – a Palavra Profética, a lâmpada
capaz de iluminar toda a escuridão em nossos pensamentos e
convicções (2 Pedro 1.19).
A palavra dom (do grego charisma, expressão muito utilizada)
nos remete ao significado de um presente – algo que recebemos
sem pagar nada em troca, um agrado de quem nos tem apreço. O
recebimento dos dons, dos presentes do céu, está relacionado à
graça divina. Graça é o favor imerecido da parte de Deus, quando,
na verdade, merecíamos a pior das punições; é a ação da bondade
e misericórdia divina sobre a humanidade caída e rebelde. A graça
de Deus é o único motivo de ainda estarmos respirando, de termos
acesso à presença de Deus e de podermos participar do Reino do
Seu Filho amado.
Os dons não são distribuídos por meritocracia, mas, sim, pela
vontade soberana de Deus, para que o Seu propósito eterno seja
cumprido de geração em geração. Eles não podem ser comprados
ou conquistados por nenhuma obra humana, mas são recebidos por
meio da graça de Deus. Eles são distribuídos sobre cada geração,
para que as pessoas se encontrem no propósito divino e se tornem
servas do Senhor e da criação. Sim, os dons abrem caminho para
que possamos participar do desenvolvimento da obra redentora
sobre toda a criação.
As Escrituras falam sobre a variedade de dons, os quais estão
disponíveis para a humanidade e se manifestam através dos santos
redimidos, membros da igreja de Cristo. Para facilitar nosso
entendimento, organizaremos os dons em três grupos: o dom de
Deus, os dons de Cristo e os dons do Espírito.
 
O DOM DE DEUS “Porque pela graça sois SALVOS, por meio da
fé; e isto não vem de vós, é DOM DE DEUS; não vem das obras,
para que ninguém se glorie.” Efésios 2.8,9
O primeiro dom que abordaremos é o dom de Deus: a
salvação. Paulo, nos versículos acima, é enfático ao descrever a
salvação como um presente de Deus, o qual não nos é dado por
merecimento ou obras humanas, mas por meio da obra da graça. A
palavra grega para dom utilizada por Paulo nessa passagem é
doron, dando o sentido de um presente que é resultado da obra
sacrificial de Deus em favor dos homens.
A obra da salvação é uma realidade iniciada, planejada e
cumprida por Deus. Em Sua obra redentora, a salvação exerce uma
ação do coração do Pai em direção ao homem caído, e não deste
em direção a Ele. Jesus afirmou aos Seus discípulos que para o
homem é impossível alcançar a salvação por si mesmo, mas
apenas por meio de Deus Pai isso é possível (Marcos 10.26,27).
A salvação é o presente que Deus nos deu em Cristo antes da
fundação do mundo (Efésios 1.4,5). Nós não somos salvos pelo que
fazemos por Ele, mas pelo que Ele fez por nós desde a eternidade.
Deus Pai entregou o Filho para morrer em nosso favor desde a
fundação do mundo (Apocalipse 13.8), para nos presentear com a
salvação e a vida eterna.
“Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de
Deus é a VIDA ETERNA em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Romanos 6.23
Por causa da Sua misericórdia agindo desde a eternidade,
mesmo antes do primeiro pecado, nós recebemos a salvação (sozo
= salvação, proteção, cura) em Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus
que foi imolado na eternidade e nos deu acesso à vida eterna,
sendo esta o conhecimento do único Deus verdadeiro e do Messias
Jesus, o apóstolo do Pai (João 17.3), que nos possibilita habitar em
Sua santa presença eternamente.
"E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi
lançado para dentro do lago de fogo." Apocalipse 20.15
O versículo acima quer dizer que nós, que recebemos o dom
da salvação por meio da fé na obra do Filho de Deus, fomos
poupados da Sua ira (o lago de fogo). Nó éramos, por natureza,
filhos da ira (Efésios 2.3) e merecedores do julgamento de Deus por
causa dos nossos pecados e iniquidades. Por isso, Deus, em Sua
infinita misericórdia, enviou o Filho para derramar Seu sangue na
cruz, como pagamento do resgate de todos os que eram escravos
do império das trevas e do domínio da morte. Porque sem
derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hebreus
9.22). Pela graça Ele nos alcançou, salvou, resgatou e nos
transportou das trevas para o maravilhoso Reino de Seu Filho
amado. Essa realidade não partiu de nós, mas é o dom de Deus,
para que ninguém se vanglorie da sua salvação.
Todos os que nasceram de novo (João 3.3) receberam a
salvação por meio de Sua graça. A graça, portanto, é o maior
presente que poderíamos ganhar, quando, na verdade, merecíamos
o pior castigo, ou seja, sermos consumidos pela ira de Deus. Por
meio da graça Deus não nos salvou do diabo ou da morte, mas da
Sua ira; Ele entregou o Seu filho amado para nos salvar d’Ele
mesmo (Romanos 5.9).
"Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas
coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da
desobediência." Efésios 5.6
Se você se arrependeu dos seus pecados, creu no sacrifício e
ressurreição de Jesus Cristo, e O recebeu como Senhor absoluto da
sua vida, então, se tornou um alvo da poderosa graça do eterno
Deus. Isso significa que você recebeu o dom de Deus.
 
OS DONS DE CRISTO "E a graça foi concedida a cada um de nós
segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando ele
subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos
homens" Efésios 4.7,8
Cristo, por meio da graça divina, após ter descido às regiões
baixas da terra, subiu às alturas dos céus e concedeu dons aos
homens. Que dons Ele nos concedeu? Paulo afirma que Cristo,
subindo ao tabernáculo celeste, deu pessoas como presentes para
servirem aos santos. Ao descrever sobre os dons de Cristo, também
denominados de cinco ministérios (diakonia = ofício, serviço,
ministério), Paulo está falando sobre os cinco tipos de “homens e
mulheres dons” que têm a função de servir à igreja, composta pelos
santos redimidos.
"E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e
outros como evangelistas, e outros como pastores e
mestres." Efésios 4.11
Os cinco ministérios de Cristo foram entregues àqueles que
receberam o dom de Deus desde a fundação do mundo. Logo,
ninguém se torna um profetaou pastor em algum momento da sua
vida, pois cada pessoa que é um dom de Cristo já nasceu com essa
missão. Os dons de Cristo não precisam ser buscados, mas
identificados, desenvolvidos e confirmados através da supervisão de
ministros anciãos, que têm a tarefa de os mentoriar até que estejam
habilitados para servirem ao Corpo de Cristo com maturidade e
responsabilidade.
Mas afinal, qual é a função dos cinco dons de Cristo no
contexto da igreja?
"com o fim de preparar os santos para a obra do ministério,
para que o corpo de Cristo seja edificado..." Efésios 4.12
Os cinco ministérios têm uma função eclesiástica bem definida:
treinar os santos para que eles cumpram a obra do ministério. Isso
significa que não são todos os crentes que possuem um encargo
com relação aos dons de Cristo, mas apenas aqueles que foram
comissionados para capacitar os santos. Os santos são aqueles que
foram consagrados pelo Espírito do Pai para se tornarem
sacerdotes da Sua casa espiritual. A obra do ministério é o
sacerdócio dos santos, que produz a construção do Corpo místico
de Cristo sobre a face da terra. Os ministérios são os “técnicos” que
trabalham treinando o time (santos), para que estejam habilitados
para o jogo (obra de Deus) diante da plateia que os assiste (o
mundo). E, da mesma forma que em um campeonato de futebol há
mais jogadores do que técnicos, no Corpo de Cristo há mais santos
– edificadores na obra do ministério – e menos homens/mulheres
dons para os treiná-los.
Logo concluímos que a principal função de um pastor de ofício
não é pastorear, mas capacitar comunidades de fé, para que elas se
tornem ambientes pastorais; da mesma forma os mestres devem
ensinar pessoas a como acessar revelação através das Escrituras e
do entendimento da teologia bíblica; os evangelistas incendeiam
pessoas com paixão pela obra de Deus e o Seu evangelho; profetas
treinam regiões para que se levantem comunidades proféticas em
cada cidade; e os apóstolos capacitam os obreiros para se
encontrarem na missão de Deus edificando comunidades
missionais.
A dinâmica é muito simples: Os dons de Cristo treinam os
santos para que estes se envolvam com a edificação do Corpo de
Cristo. Isso significa que o Corpo de Cristo não está pronto (não
está edificado) e, por isso, o Cabeça ainda não pode voltar para se
unir a ele. Essa situação confirma duas realidades: 1 - O serviço dos
cinco ministérios não terminou no século primeiro com o
encerramento do cânon bíblico; 2 - Os cinco dons de Cristo têm um
prazo de validade em seu funcionamento, no contexto desta era.
Mas, afinal, até quando os dons de Cristo são necessários?
"até que todos alcancemos a unidade da fé e do
conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade,
atingindo a medida da plenitude de Cristo." Efésios 4.13
O serviço dos dons de Cristo é necessário ATÉ QUE essa
construção produza um Corpo que chegue à unidade da fé, ao
conhecimento do Filho, à maturidade e medida da estatura de
Cristo, ou seja, até que a esposa do Cordeiro alcance o nível de
maturidade que a habilite a se casar com o Seu esposo.
"Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são
chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já
SE PREPAROU, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo,
resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de
justiça dos santos." Apocalipse 19.7,8
Como vimos, o serviço dos cinco ministérios está totalmente
relacionado com a volta de Cristo, também chamada de o Dia do
Senhor, evento que abrirá as portas para o casamento do Cordeiro.
Cristo está pronto para se casar, mas está esperando que Sua noiva
também esteja pronta. Entenda algo: Jesus não é pedófilo, Ele não
irá se casar com uma criança imatura, mas com uma esposa
madura.
Na descrição da profecia, esse preparo ou amadurecimento
está relacionado com a justificação das obras dos santos. A verdade
é que Cristo não tem como voltar sem que o Seu Corpo esteja
preparado para o casamento. Não haverá a volta de Jesus sem o
serviço dos dons de Cristo na capacitação dos santos, para a
edificação desse Corpo amadurecido e justificado. Os cinco dons de
Cristo precisam funcionar a pleno vapor até o Dia do Senhor; até o
tempo em que Ele virá à terra para desposar a Sua igreja. Então,
qualquer ensino afirmando que os cinco ofícios ministeriais não são
mais necessários nos dias de hoje, precisa ser descartado do seio
da igreja.
A seguir, ampliaremos o nosso entendimento acerca dos dons
de Cristo com uma breve descrição de cada tipo de serviço
ministerial: Apóstolos O termo apóstolo, tanto em sua raiz grega
(apostolos) como hebraica (shaliah), carrega o mesmo sentido:
enviado, embaixador, delegado, emissário e procurador com plenos
poderes de representar aquele que o enviou, isto é, uma pessoa
que nunca fala em seu próprio nome, porque foi enviado por uma
autoridade superior para cumprir uma missão específica. Por isso,
em sua raiz latina (missionis) também é chamado de missionário –
aquele que se uniu à missão daquele que o enviou.
Assim como foi enviado pelo Pai, Jesus enviou os apóstolos
como Seus embaixadores nas nações (João 20.21), para ocuparem
e discipularem regiões, e batizarem as pessoas no nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo. Assim, eles edificariam comunidades de fé
onde os novos discípulos seriam ensinados na doutrina de Cristo
(Mateus 28.19,20).
Apóstolos são dons de Cristo enviados às cidades para edificar
espaços onde as pessoas são atraídas a Deus pela pregação do
evangelho, trazendo luz à revelação da salvação e do Reino. Eles
são iniciadores de comunidades onde os santos são congregados à
família de Deus através da prática do ensino, da comunhão, da
oração e do partir do pão (Atos 2.42). O escritor da carta aos
hebreus traz maior entendimento sobre esse assunto apontando
Jesus como o apóstolo e sumo sacerdote, e fazendo um paralelo
muito interessante com o ministério de Moisés.
"Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial,
considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da
nossa confissão, Jesus, o qual é fiel àquele que o constituiu,
como também o era Moisés em toda a casa de Deus."
Hebreus 3.1,2
Jesus não é um apóstolo, mas é O APÓSTOLO, o Enviado do
Pai. Cristo é a nossa maior referência do serviço apostólico na
história da humanidade, o modelo para tudo o que se refere ao
apostólico e profético. Isso significa que tudo o que está fora de
Cristo não tem relação com o apostólico e muito menos com o
profético. A passagem da carta aos hebreus afirma que Ele foi fiel
Àquele que O constituiu como Apóstolo e Sumo Sacerdote, assim
como o foi Moisés. Isso é muito interessante!
Observando essa afirmação, creio que Moisés foi um tipo de
Cristo no primeiro pacto, no que se refere ao seu serviço sacerdotal
e apostólico. Por isso, ao profetizar sobre a vinda do Messias,
afirmou que Deus enviaria um profeta semelhante a ele no meio dos
seus irmãos (Deuteronômio 18.18). Considerando que Moisés foi
um protótipo do ministério apostólico no primeiro pacto, podemos
observar algumas marcas no seu comissionamento que apontam
para o serviço de um emissário de Deus:
Enviado pelo Senhor ao Egito – Êxodo 3.10;
Para proclamar o decreto de libertação dos cativos –
Êxodo 3.12;
Pregou a revelação da Lei de Deus (Torah) – Êxodo
24.12;
Sua mensagem foi respaldada por meio de sinais e
maravilhas – Êxodo 3.20;
Edificou a casa de Deus (Tabernáculo) baseado na
revelação do modelo que viu no céu – Êxodo 26.30;
A casa que construiu foi preenchida com a presença da
glória de Deus – Êxodo 40.34.
 
De igual modo, Jesus:
Foi enviado pelo Pai ao mundo – João 4.34;
Para pregar libertação dos cativos das trevas (ministério
da redenção) – Lucas 4.18;
Ensinou acerca da revelação da Lei de Deus – Mateus
5,6,7;
Sua pregação foi respaldada por meio de sinais e
maravilhas – Mateus 4.24;
Missão de edificar a casa de Deus, a Sua igreja –
Mateus 16.18;
A casa que está edificando é o santuário para a
habitação da presença de Deus em Espírito – Efésios
2.21-22.
 
Jesus, por sua vez, comissionoupessoas apostólicas:
Para enviá-los a ocupar as nações – Mateus 28.19;
Para pregarem o evangelho do Cristo crucificado, para a
salvação e inclusão de indivíduos no Reino de Deus –
Marcos 3.14; 1 Coríntios 1.17;
Para discipularem as nações através do ensino da
doutrina de Cristo – Mateus 28.19,20; Atos 2.42;
A pregação da mensagem delas seria respaldada pelo
Senhor com sinais e maravilhas – Atos 14.3;
Para trabalharem colaborando com Cristo na construção
da Sua igreja, a casa de Deus, através de ensinar a
respeito da revelação da planta do santuário de Deus na
terra – 1 Coríntios 3.10; Efésios 2.20;
Para trabalharem no levantar do santuário coletivo do
Espírito em cada nação – 1 Coríntios 3.16.
 
Concluímos, então, que os apóstolos são presentes dados à
humanidade através da igreja de Cristo. A partir da igreja eles são
enviados para discipularem regiões, pregando o evangelho e
ensinando a doutrina de Cristo. O Espírito de Deus os empodera
para serem testemunhas (mártires) de Jesus (Atos 1.8); eles abrem
mão de suas vidas para se unirem à missão d’Aquele que os enviou
– a edificação do Corpo de Cristo em todas as etnias do planeta.
Baseado nesse entendimento, a primeira coisa que precisamos
ter em mente sobre o comissionamento apostólico é que os
apóstolos são enviados pelo Senhor, ou seja, não existe “auto envio”
no serviço missional; nenhum homem tem autoridade para
comissionar alguém para o ministério apostólico. Lembre-se que os
cinco ministérios são dons de Cristo e não dons dos homens. Além
disso, todo aquele que foi enviado pelo Senhor, foi enviado para
algum lugar (comunidade, região, cidade ou nação), logo, precisa
saber para onde foi enviado e para onde não foi enviado. Isso é
fundamental na jornada de uma pessoa apostólica.
Emissários apostólicos precisam se tornar sábios construtores
(1 Coríntios 3.10) que lançam o verdadeiro fundamento (a revelação
do mistério de Deus – Cristo) para que a igreja seja firmemente
edificada sobre a Pedra angular. Assim como arquitetos e
integradores, têm como função posicionar as pedras vivas em seus
devidos lugares na construção do santuário para a habitação do
Espírito. Os apóstolos trabalham colaborando com regiões para que
cada santo se disponha em sua própria função na missão de Deus;
trabalham preservando a unidade do Espírito e promovendo a
unidade da fé (Efésios 4.3,13) e os relacionamentos de aliança,
exercendo, assim, a paternidade (não paternalismo) sobre
comunidades de fé e ministros (1 Coríntios 4.15).
Geralmente, os ministros apostólicos não trabalham
exclusivamente para uma comunidade de fé, mas a partir dela
servem às regiões para onde foram enviados como pioneiros,
edificando e estabelecendo as demandas que o Espírito de Deus
aponta para cada estação. Trabalham junto com os profetas, como
implementadores daquilo que estes estão vendo. Além disso,
trabalham como sábios estrategistas para a expansão do Corpo de
Cristo nas regiões para onde foram enviados.
 
Profetas Os profetas no contexto do novo pacto também são
presentes de Cristo para os santos, e a partir da igreja eles servem
ao mundo. Como já vimos, os chamados profetas de ofício não têm
como função primária profetizar, mas, sim, capacitar os santos para
que estes se envolvam com a obra de Deus na edificação da igreja
do Messias. Eles foram dados por Jesus à igreja para levar Seus
discípulos a se tornarem um povo profético. O serviço de um profeta
de ofício não é gerar dependência à sua voz profética, mas trabalhar
para que os santos saibam se relacionar com a voz de Deus e,
assim, também poderem profetizar.
Podemos então afirmar, sem medo de errar, que a pessoa
(mesmo sendo fluente no dom da profecia) que não treina outras
para desenvolverem-se profeticamente, não é de fato um profeta,
mas alguém que carrega o dom da profecia. A principal diferença
entre um profeta e alguém que tem o dom de profecia é que o
profeta treina a comunidade dos santos para que ela funcione no
serviço profético.
"No dia seguinte, partimos e fomos para Cesaréia; e, entrando
na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos
com ele. Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam.
Demorando-nos ali alguns dias, desceu da Judéia um profeta
chamado Ágabo" Atos 21.8-10
No texto acima, Lucas faz uma clara distinção entre as quatro
filhas de Filipe que profetizavam e Ágabo; elas eram
experimentadas no dom da profecia enquanto ele era um profeta de
ofício, um dom de Cristo.
Os profetas comissionados por Jesus para capacitar os santos
possuem alguns encargos bem específicos. Listaremos alguns deles
a seguir:
Capacitar os crentes no Messias a cumprir Seu propósito
profético na terra – Efésios 4.11,12;
Servir, com profunda habilidade, através dos dons
espirituais, utilizados como ferramentas na edificação
dos santos e no serviço ao mundo – 1 Coríntios 12.8-
10;
Ser os olhos do Corpo, os videntes que trazem a visão
de Deus para a igreja, para as regiões e para o mundo –
Isaías 29.10;
Servir junto com os apóstolos, para gerarem um
testemunho apostólico/profético com o objetivo de
revelar o Mistério de Deus, a pessoa de Cristo que é o
fundamento da igreja – Efésios 2.20; Colossenses 2.2;
Trabalhar para que estruturas mentais que produzem
falsos fundamentos e sofismas sejam destruídas, até que
as mentes se tornem cativas à obediência de Cristo –
Jeremias 1.10; 2 Coríntios 10.4,5;
Trazer clareza acerca dos tempos, revelando o modo
como o propósito eterno de Deus é estabelecido em
cada época – 1 Crônicas 12.32; Eclesiastes 8.6;
Pregar a Palavra do Reino, traçando uma linha entre o
santo e o profano, para que haja arrependimento
(mudança de mentalidade) e o acesso ao Reino seja
aberto – Mateus 3.1,2; Lucas 3.8-14;
Provocar a conversão do coração do povo a Deus; e,
trabalhar em prol da conexão geracional para que a terra
seja sarada – Lucas 1.16,17; Malaquias 4.6;
Investigar o Espírito de Cristo para que possa dar
testemunho sobre a obra do Messias de Deus,
proclamando Seus sofrimentos, Sua glória vindoura, Sua
salvação e os Seus terríveis juízos. O testemunho de
Jesus é o espírito da profecia – 1 Pedro 1.10,11;
Apocalipse 19.10;
Profetizar sobre o futuro que Deus está trazendo para a
história através do desenvolvimento da obra redentiva de
Cristo, convidando as pessoas a se envolverem na obra
messiânica – Apocalipse 4.1.
O profeta vê com clareza desde o propósito eterno de Deus,
passando pela obra divina na história passada e nos eventos do
presente (2 Reis 6.12), até o que está vindo do futuro, da parte de
Deus para nós. Seu foco está no estabelecimento do propósito
divino, isto é, nos pensamentos e desejos de Deus a respeito das
Suas promessas e o cumprimento delas. Em suas proclamações o
profeta revela partículas da mente e do coração de Deus,
iluminando ambientes e trazendo mudança em tudo o que está ao
seu redor.
O profeta oferece instrução, direção e revelação a indivíduos
(Atos 21.10,11) e ambientes coletivos (Atos 11.28). Frequentemente
ele é considerado uma pessoa estranha e impopular, porque luta
contra tudo o que, em seu entendimento, pode se tornar um
obstáculo à vontade de Deus. Ele não tem medo de derrubar o falso
para que o verdadeiro seja revelado; e, constantemente, trabalha
ofendendo a mente para que o espírito seja edificado.
Como diz o mentor profético Jim Goll, em seu livro O Poder
Profético da Visão[9], existem muitas expressões do serviço no
ministério profético, e dentro do comissionamento do ofício de
profeta. Deus pode nos direcionar a servir com uma ênfase muito
específica e distinta das demais pessoas que servem no mesmo
ofício que nós. Baseados nesse ensino de Jim Goll, vamos pensar
sobre as expressões mais comuns do ofício de profeta nos dias de
hoje: Mentores Proféticos – São profetas cujo serviço tem sua
ênfase no treinamento de pessoas comissionadas ao ofício
profético, com menos (ou nenhuma) experiência. Gastam suas vidas
identificando, treinando, ordenando e supervisionando pessoas com
chamado a serem profetas. Geralmente esses mentores
desenvolvemescolas proféticas, com o objetivo de habilitar e
desenvolver profetas. Exemplos: Eliseu e Samuel.
 
Videntes – São indivíduos proféticos que se movem com forte
ênfase na esfera dos sonhos e visões, ou seja, têm o dom da
vidência. O objetivo principal desse serviço é comunicar sonhos e
visões para despertar o povo de Deus em relação ao conhecimento
do Seu propósito eterno e da movimentação do Reino invisível.
Exemplos: Zacarias, Daniel e Ezequiel.
 
Profetas que Revelam o Propósito Corporativo de Deus –
Trabalham com ênfase em discernir os tempos e estações que o
Pai reservou para estabelecer o Seu propósito, trazendo clareza e
direção ao Corpo de Cristo. Através do ensino da Palavra Profética,
eles trabalham na preparação dos santos para a segunda vinda de
Jesus, assim como fizeram os profetas do primeiro pacto que
profetizavam a respeito da primeira vinda de Cristo (1 Pedro
1.10,11). Exemplos: Jeremias, Daniel e Ágabo.
 
Profetas que Apontam para os Padrões da Lei e da Justiça
Divina – O propósito desses profetas é traçar uma linha entre o
santo e o profano (Ezequiel 44.15,23), e revelar para o povo eleito o
significado de ser separado para Deus. Têm como base do seu
ensino a realidade do fruto do Espírito, como a mente e o caráter de
Cristo. São promotores da pureza e santidade no meio do povo de
Deus, e proclamadores de uma obediência radical à Palavra do
Senhor. Exemplos: Elias, Malaquias, Ezequiel e João Batista.
 
Profetas que Proclamam as Responsabilidades Sociais a Partir
da Ótica de Deus – Essa expressão do ministério profético chama o
povo de Deus a zelar pela justiça divina na sociedade, cuidando da
viúva, do órfão, do pobre e do oprimido. Têm como propósito
estabelecer um padrão de justiça e retidão na vida dos santos. Ao
contrário do que se pensa, Sodoma não foi destruída apenas por
causa da imoralidade sexual (Judas 1.7), mas também por causa da
soberba e da injustiça social (Ezequiel 16.49,50). “O clamor de
Sodoma e Gomorra aumentou e seu pecado se agravou muito”
(Gênesis 18.20). Esse clamor por justiça, que subiu ao Pai, partiu
daqueles que sofriam as atrocidades pelas mãos dos habitantes de
Sodoma e Gomorra. Exemplos: Amós (Amós 5.11-15,24) e João
Batista (Lucas 3.10-14).
 
Profetas que Transmitem as Estratégias Divinas em um Viés
Político e Econômico – Essa expressão profética tem a habilidade
de revelar estratégias administrativas precisas por meio do Espírito
de sabedoria, liberando e ajudando a promover a execução sábia
dos propósitos de Deus no viés político e econômico. José, por
exemplo, foi um instrumento nas mãos de Deus para administrar os
recursos do Egito em um período de crise mundial; isso fez do Egito
a nação mais rica daquela época. Mais tarde, ao sair do Egito, o
povo de Israel despojou as riquezas dos egípcios e com elas
construíram o tabernáculo de Deus no deserto. Exemplos: Moisés,
José e Daniel.
 
Salmistas Proféticos – São os líderes proféticos que têm a
capacidade de profetizar os oráculos de Deus, modelando
ambientes espirituais por meio da música. Geralmente se movem
por meio do dom da vidência, reproduzindo através da música o que
veem. Pela obra do Espírito e da liberação de canções, os salmistas
proféticos ajudam as pessoas a se sentirem livres para expressar
seu amor por Deus e para receber o amor d’Ele. Sob a liderança
dos salmistas, os dons do Espírito Santo fluem no meio da
congregação dos santos. Exemplos: Davi, Asafe, Hemã e
Jedutum.
 
Intercessores Proféticos – Sob essa unção, a pessoa recebe de
Deus a responsabilidade para liberar ambientes de intercessão que
podem afetar indivíduos, comunidades, cidades e até nações, na
medida da esfera de autoridade que o Senhor concede a cada um.
Por meio da graça do Espírito, os indivíduos não somente oram a
Deus, mas aprendem a fazer as orações do Senhor. Essas pessoas,
geralmente, são comprometidas em trabalhar pela remissão da
terra, “mapeando” as regiões com o objetivo de liberar intercessões
precisas em favor delas. Exemplo: Elias, Daniel e Ana.
 
Evangelistas Evangelistas são pessoas carismáticas e criativas que
trabalham em duas esferas: provocando paixão no coração dos
santos pela missão de Deus, especialmente pela proclamação do
evangelho; e, acessando pessoas e ambientes não redimidos com o
poder do evangelho do Reino. São homens e mulheres
comissionados por Jesus que, juntamente com os apóstolos e
profetas, trabalham de forma regional, e têm como foco a expansão
da família de Deus sobre a terra.
No serviço da igreja, os evangelistas têm a função de capacitar
os santos para que estes se envolvam com a edificação da igreja de
Cristo nas cidades e regiões. Mais do que evangelizar, eles devem
focar no treinamento das comunidades evangelísticas que crescem
à medida que pessoas não convertidas são acessadas, e não
apenas pela adesão de convertidos de outras comunidades.
Entre os cinco ministérios o evangelista é, talvez, o mais
complexo para descrever suas características e operação, porque é
o que tem menos referência bíblica. Apenas a um homem foi
atribuída a função de evangelista: Filipe, um dos sete primeiros
diáconos da igreja de Jerusalém (Atos 6.5).
"No dia seguinte, partimos e fomos para Cesaréia; e, entrando
na casa de Filipe, o EVANGELISTA, que era um dos sete,
ficamos com ele." Atos 21.8
Paulo encoraja Timóteo, o seu filho na fé, a fazer a obra de um
evangelista (2 Timóteo 4.5). Mas lendo sobre essas instruções, creio
que Timóteo, apesar da pouca idade, exercia a função de um
supervisor apostólico das igrejas plantadas por Paulo. Por isso,
iremos nos basear no serviço de Filipe para falarmos sobre o dom e
a função de evangelista no Corpo de Cristo.
Jesus profetizou sobre o derramamento do poder do Espírito, o
qual comissionaria os santos a serem testemunhas do evangelho de
Cristo em Jerusalém, na Judéia, Samaria e até os confins da terra
(Atos 1.8). Os apóstolos, no entanto, permaneceram alguns anos
em Jerusalém sem focar na expansão da igreja para outras regiões.
Mas, a partir da morte de Estêvão, a igreja sofreu grande
perseguição (Atos 8.1) e, com exceção dos apóstolos, os santos
foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samaria.
Através do relato de Lucas sabemos que, durante a dispersão,
Filipe, ao contrário dos apóstolos, saiu de Jerusalém e foi até
Samaria, proclamando ali o evangelho de Cristo através do poder do
Espírito. Com isso, ele tocou multidões, libertou e curou os
oprimidos pelo diabo; cumprindo, assim, a profecia de Jesus sobre o
avanço do testemunho dos santos.
"E descendo Filipe à cidade de Samaria, pregava-lhes a Cristo.
As multidões escutavam, unânimes, as coisas que Filipe
dizia, ouvindo-o e vendo os sinais que operava; pois saíam
de muitos possessos os espíritos imundos, clamando em alta
voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados" Atos 8.5-7
Evangelistas são pessoas que têm acesso a ambientes não
alcançados. Eles trabalham com os apóstolos e profetas abrindo
caminhos através da pregação do evangelho e da manifestação de
sinais e maravilhas, os quais confirmam a sua mensagem.
Evangelistas têm como ênfase primária conduzir pessoas à
libertação, salvação e acesso ao Reino; são pessoas com forte
capacidade na operação dos dons do Espírito.
Após sua experiência com a cidade de Samaria, Filipe foi
conduzido, pelo conselho de um anjo, a um poderoso encontro com
um etíope. Esse episódio nos fala muito sobre o serviço do dom de
evangelista: "E levantou-se e foi; e eis que um etíope, eunuco,
mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era
superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém
para adorar, regressava e, sentado no seu carro, lia o profeta
Isaías. Disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro. E
correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes,
porventura, o que estás lendo? Ele respondeu: Pois como poderei
entender, se alguém não me ensinar? e rogou a Filipe que subisse e
com ele se sentasse. Ora, a passagem da Escritura que estava
lendo era esta: Foi levado como aovelha ao matadouro, e, como
está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim ele não abre a
sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; quem
contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra.
Respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o
profeta? De si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe tomou a
palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe a Jesus."
Atos 8.27-35
Evangelistas, ao contrário do que muitos pensam, devem ser
profundos conhecedores das Escrituras, porque o evangelho
testemunhado por eles não pode ser baseado em experiências
pessoais. O conteúdo do seu testemunho é a revelação da pessoa e
obra de Jesus, o Messias de Deus. Vemos, na passagem acima,
que Filipe tinha profundo conhecimento da Palavra do Senhor e a
utilizava para revelar o evangelho de Jesus. Isso precisa ser uma
prática fundamental no serviço dos evangelistas de hoje.
Toda prática “evangelística” que comunica uma mensagem
baseada em experiências pessoais ou que acessa lugares e
pessoas através de estratégias de impacto (sociais ou artísticas),
mas que não comunicam o evangelho do Cristo crucificado nem a
vinda do Seu Reino para produzir um ambiente de arrependimento e
libertação, não pode ser considerada uma verdadeira prática
evangelística. Evangelismo precisa ter pregação do evangelho
baseada, única e exclusivamente, nas Sagradas Escrituras.
O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê (Romanos 1.16), por isso, os evangelistas devem
estar totalmente imersos na realidade desse poder. Sua jornada de
pregação deve ser constantemente acompanhada de
demonstrações do Espírito, para que a fé das pessoas não seja
baseada na eloquência de seus discursos, mas no poder de Deus (1
Coríntios 2.1-5). As experiências de Filipe eram extraordinárias.
Sabemos, por exemplo, que após batizar o eunuco ele foi
transladado por Deus até Azoto (Atos 8.39,40), e que os ambientes
onde estava inserido experimentavam livremente as manifestações
do poder do Espírito, ao ponto que suas filhas tinham fluência no
dom da profecia.
"Partindo no dia seguinte, fomos a Cesaréia; e entrando em
casa de Felipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos
com ele. Tinha este quatro filhas virgens que profetizavam.
Demorando-nos ali por muitos dias, desceu da Judéia um
profeta, de nome Ágabo" Atos 21.8-10
Em resumo, os evangelistas são promotores da paixão pela
obra do ministério, com ênfase na expansão da família de Deus nas
nações da terra. Eles trabalham regionalmente em conjunto com os
apóstolos e profetas, com o testemunho do evangelho de Cristo e
com a manifestação de sinais que os confirmam, abrindo a porta da
fé nas regiões. Eles também desenvolvem a pregação do evangelho
através da exposição bíblica e ministram com muita habilidade no
serviço dos dons do Espírito.
 
Pastores Os pastores administram o rebanho do Senhor,
promovendo um ambiente de cuidado, proteção, cura e conselho.
Assim como Cristo, o Bom Pastor, eles doam suas vidas para que
ambientes de segurança sejam gerados, anulando assim a obra
destruidora do lobo (Satanás) sobre as ovelhas do Senhor (João
10.11,12). Geralmente, eles não trabalham se movimentando em
diversas regiões, mas servindo regiões específicas e um povo
específico em cada estação.
Pastores cuidam do coração dos santos, ensinando-os a
administrarem espiritualmente suas vidas de forma justa e com base
na Lei de Deus, para que saibam lidar com os problemas e pressões
da vida. Um verdadeiro pastor não promove um ambiente de
controle e dependência da sua voz e de seus direcionamentos. Na
verdade, ele ensina os parâmetros das leis de Deus para que a
pessoa saiba como viver em cada etapa de sua jornada.
O episódio de Moisés e Jetro, ocorrido no deserto, nos ensina
muito a respeito do serviço pastoral. Jetro, percebendo que Moisés
administrava o rebanho de Deus de forma equivocada, lhe dá um
conselho: "No dia seguinte, assentou-se Moisés para julgar o povo;
e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até ao pôr-
do-sol. Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo,
disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo
o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol?
Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim
para consultar a Deus; quando tem alguma questão, vem a mim,
para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos
de Deus e as suas leis. O sogro de Moisés, porém, lhe disse: NÃO
É BOM O QUE FAZES. Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como
este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só
não o podes fazer. Ouve, pois, as minhas palavras; eu te
aconselharei, e Deus seja contigo; representa o povo perante Deus,
leva as suas causas a Deus, ENSINA-LHES OS ESTATUTOS E AS
LEIS e faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra
que devem fazer." Êxodo 18.13-20
Ao ver Moisés gastando todo o seu tempo disponível
aconselhando e ouvindo cada demanda do povo, Jetro afirma que
ele está equivocado na sua maneira de pastorear as ovelhas de
Deus. Então, esse sacerdote pagão traz um poderoso ensino ao seu
genro: “Por que em vez de ouvir demanda por demanda e julgar
cada situação, você não ENSINA AS LEIS DO SENHOR PARA
QUE ELES SAIBAM EM QUE CAMINHO ANDAR E QUAIS OBRAS
PRATICAR?”. Meus amigos, esse é um conselho violento no que se
refere ao pastoreio na vida comunitária.
A função do pastor não é sentar-se em seu gabinete para ouvir
as questões dos crentes e, em seguida, aconselhar cada um
segundo o seu conhecimento bíblico. Sua responsabilidade é
ensinar as leis morais da justiça divina registradas nas Escrituras,
para que os santos saibam como lidar com as suas questões diárias
e com cada crise ou vitória em sua jornada. É óbvio que os pastores
têm função de conselheiros, porém, aqueles que foram instruídos
por eles não precisam depender do crivo de seus líderes para dar
cada passo em suas vidas. Essa dependência é, na verdade, uma
prática de controle e manipulação.
Em nossos dias, a realidade da vida comunitária é exatamente
aquela que Jetro alertou a Moisés: os líderes estão perecendo pela
fadiga e depressão devido à carga opressiva que as pessoas têm
colocado sobre seus ombros. Por outro lado, o povo está perecendo
porque lhe falta o conhecimento da justiça de Deus e também pela
dependência gerada no relacionamento entre líder e liderado.
Lembre-se sempre do que Jesus disse acerca da Sua obra: "Porque
o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mateus 11.30).
Outra coisa que precisamos ter em mente em relação ao
ministério do pastor, é que nenhum homem ou mulher é dono das
ovelhas que o Senhor lhe deu para servi-las, ou seja, todo pastor
precisa ter a consciência de que no ofício ele é apenas um co-
pastor. As ovelhas, na verdade, são do Senhor; Ele as comprou com
o Seu precioso sangue na cruz, uma vez que eram ovelhas
desgarradas, que vagavam perdidas pelo mundo. As ovelhas somos
nós que nos convertemos ao Senhor e temos Jesus como o Pastor
e Bispo de nossas almas (1 Pedro 2.25).
"Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas
me conhecem a mim" João 10.14
"Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de
João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes
que te amo. Disselhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas."
João 21.16
Você já ouviu alguém perguntar: “Você é ovelha da igreja do
pastor Zezinho?”. Assim como não existe “igreja do pastor Zezinho”,
porque a igreja é única e exclusivamente propriedade de Jesus
(Mateus 16.18), no ambiente eclesiástico também não existe
“ovelhas do pastor Zezinho”. Nenhuma pessoa, comissionada ao
serviço pastoral, é dona de ovelhas da comunidade dos crentes
redimidos – as ovelhas são de Jesus. Ao subir às alturas Ele deu os
pastores como presentes para as Suas ovelhas, e a função deles é
pastorear o Seu rebanho. Toda prática de domínio e escravidão é
influenciada pelo espírito imperialista e precisa ser extirpada do seio
da igreja. A igreja dos santos é uma expressão da realidadedo
Reino de Deus na criação, por isso, toda influência do imperialismo
precisa ser denunciada e retirada dela.
Com muito temor, gostaria de propor uma palavra de alerta a
todos os amados pastores. As ovelhas do Senhor são como os
talentos (preciosos recursos) que foram entregues aos servos para
que os administrassem. Quando o Senhor voltar, certamente pedirá
a cada servo a prestação de contas sobre como cuidou de Suas
ovelhas. O servo que for julgado negligente no seu cuidado com o
povo de Jesus, será chamado inútil e lançado nas densas trevas,
onde haverá choro e ranger de dentes (Mateus 25.30).
 
Mestres No contexto da igreja do primeiro século, observamos
algumas referências ao serviço ministerial dos mestres. Estes, por
sua vez, têm como referência ministerial o serviço do próprio Jesus,
que por várias vezes foi chamado de Rabi ou Mestre. A palavra
mestre, cuja raiz hebraica é rab, é relacionada aos mestres da
Torah (instrução da Lei de Deus revelada a Moisés e registrada no
Pentateuco). Esses mestres tinham a função de ensinar os limites,
os deveres e os juízos, e também de dar uma interpretação
apropriada à Lei do Senhor, com intuito de apontar para um estilo de
vida sujeito aos princípios morais da justiça divina.
Jesus, o maior Mestre que já pisou nesta terra, em Seu
ministério público se dedicou a ensinar a Seus discípulos o código
de conduta do Reino de Deus, ou seja, princípios eternos que
apontam para um estilo de vida submetido à realidade desse Reino.
Isso foi exatamente o que Ele fez ao pregar o sermão do monte
(Mateus 5, 6 e 7), que nada mais é que a revelação de Jesus sobre
como Seus discípulos deveriam aplicar, cotidianamente, os
princípios da Lei em suas vidas. O sermão do monte é a
cosmovisão da vida cristã na prática.
Sabemos que os mestres foram fundamentais nos primeiros
passos da igreja. Eles eram homens como Apolo (culto e com
grande conhecimento das Escrituras), que com fervor ensinava com
exatidão acerca de Jesus (Atos 18.24,25). Mas de fato, depois de
Jesus obviamente, o maior mestre (aquele que serviu aos santos no
ensino acerca do propósito eterno de Deus) foi Paulo, que, mesmo
antes de ser comissionado pelo Espírito ao serviço apostólico, já
servia à igreja no ofício de mestre (Atos 13.1,2). Ele era um
profundo conhecedor da Torah (Pentateuco), um dedicado aluno da
escola rabínica de Gamaliel e foi fundamental para o
desenvolvimento da teologia bíblica em relação à revelação do
ministério do Ungido de Deus – Seu evangelho e Sua obra de
redenção da criação – e para o entendimento do mistério de Cristo –
a igreja do Cordeiro, a família de Deus formada por gentios e judeus
por meio de uma aliança de sangue (Efésios 3.4-6).
Assim como Paulo, os mestres não são apenas aqueles que
são profundos conhecedores das Escrituras, até porque ele já era
um rabino da Lei antes de se converter ao Senhor. O que definiu a
assertividade de seu serviço como mestre foi ele ter acessado a
revelação de como aplicar as leis do céu na vida e na história,
através do poder do Espírito.
"Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o
Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por
Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não
em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas
ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com
espirituais." 1 Coríntios 2.12,13
Muitos têm o conceito equivocado de que os mestres precisam
ser pessoas “racionais”, ao contrário dos profetas que são
“místicos”. O conteúdo do ensino dos mestres comissionados por
Jesus não é apenas acessado pelo estudo sistemático da Bíblia,
mas também por meio da revelação do Espírito nos escritos
proféticos. O estudo exaustivo da “letra” precisa ser associado à
revelação do Espírito, assim como toda revelação precisa,
necessariamente, ser pautada nas Escrituras para ser considerada
fidedigna.
Os mestres trabalham com os pastores, administrando e
instruindo ambientes coletivos, tendo como foco revelar os mistérios
do Reino dos céus (Mateus 13.11) para que estes sejam aplicáveis
à vida dos santos. Eles trazem entendimento sobre os processos
que precisam ser compreendidos e submetidos, para que a família
de Deus saiba como fazer parte da missão redentiva de Cristo; eles
edificam uma cosmovisão bíblica no meio do povo de Deus. Os
mestres capacitam os santos para que possam experimentar os
poderes do mundo vindouro (Hebreus 6.5), ou seja, experimentar o
Reino messiânico na era presente, através da compreensão dos
princípios revelados nos ensinos de Jesus sobre o tipo de vida dos
cidadãos do Reino de Deus.
Segue algumas das caraterísticas que a pessoa comissionada
ao dom de mestre precisa apresentar em seu serviço:
É um profundo conhecedor das Escrituras Sagradas;
Tem zelo pelo desenvolvimento da teologia na história
eclesiástica;
Honra a tradição, mas confronta o tradicionalismo para
fins pessoais;
Tem habilidade para instruir acerca do desenvolvimento
panorâmico da teologia bíblica e prática;
É uma pessoa integralmente submetida ao Espírito de
Deus;
Tem uma visão teocêntrica da realidade, pois Deus é o
seu ponto de referência para todas as coisas;
Sujeita tudo o que ensina ao Senhor em oração;
É fluente nos dons do Espírito;
Tem habilidade para ensinar mistérios em uma
linguagem de comum entendimento.
 
EDIFICANDO A CASA ESPIRITUAL Utilizando como parábola a
edificação de uma casa, procuraremos fazer uma aplicação sobre o
funcionamento dos cinco ministérios de Cristo, no trabalho coletivo
da construção da casa de Deus: O profeta – Tem como função
observar cuidadosamente o terreno que vai receber a edificação, e
definir a melhor condição para a sua construção; também define
estratégias de limpeza e nivelação do terreno. O profeta, junto com
o apóstolo, tem a missão de descrever o desenho da planta da casa
a ser construída, detalhando suas medidas e formas.
 
O apóstolo – Tem como encargo coordenar a construção, seguindo
as especificações acessadas por revelação pelo profeta; sua função
é definir as melhores estratégias a serem aplicadas na construção e
o ritmo mais adequado para a obra caminhar. Apóstolos e profetas
são fundamentais para o sucesso da construção, trabalham juntos
para lançar o alicerce que a sustentará. Sem essa cooperação
mútua na execução da obra, a construção pode ser comprometida.
 
O mestre – Tem como função revelar os processos de trabalho para
os obreiros da casa (os santos), sua normativa, seus deveres e
direitos. Ele é responsável por divulgar o estatuto de funcionamento
da casa a todos os trabalhadores que fazem parte dela.
 
O pastor – Tem como função administrar a casa e colaborar na
administração da vida de cada trabalhador; tem a crucial
responsabilidade de cuidar dos feridos durante a obra. Também tem
o encargo de administrar os relacionamentos entre os trabalhadores
da casa, gerando, assim, um ambiente familiar.
 
O evangelista – Trabalha mobilizando mais pessoas para cooperar
na edificação da casa. Ele é um recrutador e caça-talentos e, aliado
a isso, é um encorajador dos trabalhadores na casa, para que o
ritmo da obra nunca diminua.
 
OS DONS DO ESPÍRITO Vimos até aqui que a salvação é o dom de
Deus, o acesso à realidade do Reino; e que os cinco ofícios são os
dons de Cristo, que capacitam os santos a se envolverem na obra
do ministério, na edificação do Corpo de Cristo. Veremos agora qual
é a função dos dons do Espírito em toda essa dinâmica da obra
divina.
Pessoalmente, creio que os dons espirituais, descritos por
Paulo na carta aos coríntios, são ferramentas disponibilizadas por
Deus para ajudar os santos a se envolverem em Sua obra. Essa
disponibilização acontece através do derramamento do Espírito
sobre os crentes, capacitando-os em poder para se tornarem
testemunhas do evangelho da ressurreição (Atos 1.8), e para
trabalharem na construção da casa de Deus.
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito,
visando ao bem comum [UMA AÇÃO CORPORATIVA]. Pelo
Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, a
palavra deconhecimento, pelo mesmo Espírito; a outro, fé,
pelo mesmo Espírito; a outro, dons de curar; a outro,
operações de milagres; a outro, profecia; a outro,
discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e
ainda a outro, interpretação de línguas. Todas essas coisas,
porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as
distribui individualmente, a cada um, conforme quer.” 1
Coríntios 12.7-11
Os dons do Espírito se manifestam segundo a vontade do
Espírito para cumprimento dos propósitos divinos, e não segundo os
desígnios humanos. Mas, ao mesmo tempo em que Paulo ensina
que o Espírito distribui os Seus dons conforme quer, ele nos instrui a
buscá-los com dedicação, por causa da prática do amor.
"sigam o caminho do amor, e busquem com dedicação os dons
espirituais, principalmente o dom de profecia." 1 Coríntios 14.1
– NVI O dom da salvação deve ser recebido através da fé em
Cristo pela graça, por meio do arrependimento de pecados. Os
dons de Cristo não devem ser buscados, mas, sim,
desenvolvidos, porque todo aquele que foi comissionado para
ser um dom para os santos nasceu com esse encargo. Mas,
através dos ensinos de Paulo, sabemos que todos os filhos que
foram regenerados pelo Espírito por meio da graça, podem e
devem buscar os dons espirituais para edificação própria e
para o serviço da obra do Corpo de Cristo sobre a terra (1
Coríntios 14.4).
Abaixo, veremos uma breve descrição de cada um dos dons
do Espírito listados por Paulo: Variedades de Línguas O dom de
variedade de línguas recebido pelo Espírito tem a ver, na verdade,
com a restauração de uma linguagem espiritual. Recebendo essa
linguagem da parte de Deus, de forma espiritual e não aprendida
naturalmente, ela pode se manifestar na vida dos santos de
algumas formas distintas:
Recebimento, de forma “sobrenatural”, de um idioma
existente em alguma etnia, momentânea ou
permanentemente, através da obra poderosa do Espírito
na vida de um santo, segundo a vontade soberana de
Deus. Seja com propósito evangelístico ou como um
sinal poderoso para que a fé na obra de Cristo cresça no
ambiente (Atos 2.4-12);
Recebimento de alguma comunicação profética através
de línguas espirituais e não inteligíveis naturalmente,
para edificação coletiva no ambiente da comunhão dos
santos. Porém, nesse caso, é necessário interpretar
essas línguas espirituais numa linguagem humana para
que todos os presentes sejam edificados (1 Coríntios
14.26,27);
Habilidade concedida pelo Espírito para orar a Deus,
através de uma linguagem espiritual recebida de forma
individual pelos crentes. Toda vez que nós oramos em
línguas, somos edificados porque o Espírito comunica os
mistérios do Pai ao nosso espírito (1 Coríntios 14.2), e o
nosso espírito, então, é totalmente preenchido com as
verdades de Deus. Por isso, Paulo declara que orava
mais em línguas do que todos os cristãos (1 Coríntios
14.18).
Por que devemos buscar a prática do dom de línguas?
Variedade de línguas é o dom mais importante no que se refere
à edificação pessoal, porque dos nove dons espirituais, descritos
por Paulo aos coríntios, ele é o único que não tem função de serviço
corporativo, mas, sim, de edificação ao próprio indivíduo que o tem
(1 Coríntios 14.4). Pelo fato de não sabermos orar como convém, o
Espírito do Pai intercede por nós de maneira eficaz com gemidos
inexprimíveis (Romanos 8.26).
Acredito que o derramamento do dom de línguas fala de uma
restauração da forma espiritual como Adão se comunicava com
Deus no Éden. Deixe-me compartilhar um pensamento bem
particular e não respaldado pelas Escrituras, com relação a esse
tema: Creio que Adão recebeu uma linguagem espiritual no Éden,
através do poder de Deus. Podemos observar que Adão, Eva e seus
filhos conversavam diretamente com Deus, mesmo após a queda e
sua expulsão do jardim. Em toda terra só havia uma língua, a
linguagem recebida no Éden, que habilitava os homens a se
comunicarem diretamente com o Senhor. Porém, no episódio de
Babel, quando os homens se mobilizaram em rebeldia, Deus
confundiu a linguagem da humanidade (Gênesis 11.9). Penso que
ao separar as línguas, Deus retirou da terra aquela linguagem
espiritual que Adão possuía no Éden. Por isso, o homem deixou de
se comunicar diretamente com Deus, e Este passou a Se revelar
aos homens através de sonhos, visões, anjos e todo tipo de
teofanias; apenas a pouquíssimas exceções de pessoas o Senhor
se manifestou como a um amigo.
Quando os homens, em Jerusalém, se mobilizaram para
invocar ao Senhor, em submissão e humildade, o próprio Deus
derramou novamente sobre a humanidade a capacidade de se
comunicar diretamente com o Seu coração através de uma
linguagem espiritual. Creio que quando oro em línguas espirituais
(mesmo que minha mente não as compreenda) eu me comunico de
forma direta e perfeita com Deus, assim como Adão se comunicava
no princípio. Sim, eu sei, pode parecer loucura, mas eu realmente
acredito nisso.
Agora, vejamos duas inverdades fortemente divulgadas sobre
o dom de línguas que precisam ser revistas nos dias de hoje na
comunidade dos santos: 1. O dom de línguas é “A” evidência do
batismo com o Espírito – Essa afirmação, em meu entendimento,
é equivocada. Sabemos que o batismo do Espírito é o
derramamento do poder do Espírito SOBRE uma pessoa (Atos 1.8;
Atos 19.2-6), o que é um evento distinto da regeneração do homem
interior através do recebimento do Espírito DENTRO dos santos por
meio da fé (Gênesis 2.7; João 14.16,17; 20.22). De fato, no livro de
Atos a maior evidência do batismo com o Espírito era a
manifestação de línguas espirituais (Atos 10.45,46; 19.6). Mas se as
línguas fossem a única evidência do derramamento do Espírito
sobre uma pessoa, Jesus no Jordão quando recebeu o poder sobre
Sua vida teria orado em línguas publicamente, fato que não ocorreu
(Mateus 3.16). O dom de línguas é uma das evidências do batismo
do Espírito e não a única, logo, uma pessoa pode ser batizada pelo
Espírito e operar nos dons, sem falar em línguas (1 Coríntios 12.30).
Tenho plena convicção que homens como Jonathan Edwards, John
Wesley e Evan Roberts eram batizados no Espírito com a operação
dos dons espirituais, sem, contudo, nunca terem apresentado a
evidência pública das línguas.
2. Paulo proíbe o falar em línguas no culto público – Esse é
um sofisma largamente difundido no ensino sobre os dons
espirituais. Paulo ordena de forma explícita: “Não proíba o falar em
línguas” (1 Coríntios 14.39). Portanto, ele não proíbe o falar em
línguas no culto público, mas fala: “não havendo intérprete, fique
calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus (1 Coríntios
14.28). A minha interpretação para essa passagem é muito simples:
Quando a igreja se reunir e você não tiver interpretação das línguas
não se dirija aos irmãos falando em línguas espirituais, mas ore
consigo e com Deus, mesmo estando no ambiente da reunião.
 
Interpretação de Línguas Se o dom de variedade de línguas é a
capacidade de se comunicar através de uma linguagem espiritual, o
dom de interpretação de línguas é a habilidade de interpretar essa
linguagem. Interessante observar que a busca pelo dom de
interpretação de línguas não é uma opção para quem ora em
línguas, mas um mandamento de Paulo para a igreja.
"Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a
possa interpretar." 1 Coríntios 14.13
A busca pela interpretação de línguas tem como fim a
edificação da igreja. Ao falarmos em línguas, em espírito falamos
mistérios da parte de Deus (1 Coríntios 14.2), por isso, precisamos
nos aplicar em buscar a revelação desses mistérios de forma
inteligível, através do dom de interpretação de línguas para a
edificação do ambiente coletivo no qual estamos envolvidos.
"Gostaria que todos vocês falassem em línguas, mas prefiro
que profetizem. Quem profetiza é maior do que aquele que fala
em línguas, a não ser que as interprete, para que a igreja
seja edificada." 1 Coríntios 14.5
A interpretação de línguas é fundamental para ordenar o
funcionamento do serviço dos dons espirituais no seio da igreja. Em
um ambientecoletivo, posso interpretar o que estou orando no
Espírito e também o que o irmão está orando, para que todos sejam
abençoados com a revelação daquilo que o Espírito está
comunicando à congregação.
“No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais
do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e
haja quem interprete." 1 Coríntios 14.27
Algo bem prático e que precisamos ter em mente, com relação
a essa capacidade espiritual, é que a interpretação de línguas não
é, necessariamente, uma tradução das línguas, ou seja, uma
tradução livre, palavra por palavra, de um idioma para outro. A
interpretação fala de revelar a mensagem que está sendo
comunicada em línguas, podendo ser uma série extensa de frases,
ou apenas uma pequena mensagem. Na verdade, a interpretação é
a comunicação da essência dos mistérios que estão sendo
proclamados pela pessoa, através do Espírito.
Ainda sobre esse dom, gostaria de comentar algo que talvez
possa ser útil àqueles que desejam se aprofundar na prática dos
dons do Espírito. Se o dom de interpretação de línguas é a
habilidade de interpretar uma linguagem espiritual, então esse dom
também nos capacita a interpretar qualquer linguagem espiritual,
não só as línguas. Acredito que o mesmo dom que utilizamos para
interpretar línguas pode ser utilizado também para interpretar
sonhos, visões, enigmas e parábolas comunicadas pelo Espírito.
 
Palavra de Conhecimento O dom da palavra de conhecimento
nada mais é que a revelação de uma informação procedente do
Espírito de Deus, relacionada à vida de uma pessoa ou de um
ambiente comunitário. Esse dom espiritual não está atrelado ao
conhecimento recebido por observação, pesquisa ou experiência,
mas ao conhecimento de fatos que não poderiam ser identificados
sem uma revelação espiritual da parte de Deus.
A palavra de conhecimento fala da situação atual de uma
pessoa (seus pensamentos, suas obras e equívocos) e de tudo o
que aconteceu em sua jornada até o momento presente. O
conhecimento revelado sempre está relacionado ao presente e ao
passado, nunca ao futuro.
Existem várias passagens nas Escrituras sobre homens
operando com exatidão assustadora através desse dom, como no
caso de Eliseu que revelava todos os planos do exército sírio ao rei
de Israel, trazendo, assim, vantagem ao exército do seu povo
enquanto estava em guerra.
"O rei da Síria fez guerra a Israel e, em conselho com os seus
oficiais, disse: Em tal e tal lugar, estará o meu acampamento.
Mas o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: Guarda-
te de passares por tal lugar, porque os sírios estão descendo
para ali. O rei de Israel enviou tropas ao lugar de que o homem
de Deus lhe falara e de que o tinha avisado, e, assim, se
salvou, não uma nem duas vezes. Então, tendo-se turbado com
este incidente o coração do rei da Síria, chamou ele os seus
servos e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é
pelo rei de Israel? Respondeu um dos seus servos: Ninguém, ó
rei, meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz
saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara
de dormir." 2 Reis 6.8-12
Jesus, em Sua jornada ministerial, também se utilizava de
palavras de conhecimento em todo momento que ministrava às
pessoas e cidades. Por exemplo, quando Natanael pergunta de
onde Jesus o conhecia, Ele declara: “Eu te vi, quando você estava
debaixo da figueira” (João 1.47,48). Enquanto esteve na terra, Jesus
conheceu os pensamentos daqueles que o resistiam (Mateus 9.4;
12.25) e soube também o momento exato da morte de Seu amigo
Lázaro (João 11.11-14). Ainda assim, talvez, uma das palavras de
conhecimento mais marcantes foi a que Ele entregou para a mulher
samaritana no poço.
"Disselhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que lhe
respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus:
Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já
tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto
disseste com verdade. Senhor, disselhe a mulher, vejo que tu
és profeta." João 4.16-19
A palavra de conhecimento abre o caminho da fé no ambiente,
para que a profecia possa ser liberada. Antes de Jesus profetizar
acerca dos verdadeiros adoradores que o Pai estava levantando
sobre a terra (João 4.23), Ele abriu o caminho da fé quando
ministrou uma palavra de conhecimento ao coração daquela mulher,
tocando no ponto mais sensível de sua existência. Isso a fez
testemunhar sobre Jesus, dizendo que Ele havia falado tudo o que
ela tinha feito (João 4.29). Ele não havia dito tudo à samaritana,
apenas revelou aquilo que era o centro dos seus conflitos internos
naquele momento.
O dom de conhecimento, assim como os demais dons
espirituais, tem por finalidade a edificação do próximo, e não a
exposição deliberada de pecados e falhas, para o acusar e humilhar
publicamente. Pessoas proféticas não se utilizam dos dons para
ameaçar e acusar a outras, pois isso é obra de feitiçaria e nada tem
a ver com a missão de Deus.
Esse tipo de comunicação espiritual também é muito usado por
bruxos e curandeiros, mas nesse caso é através da influência de
espíritos caídos relacionados com o estado atual e o passado da
pessoa em questão. Como as informações não estão relacionadas
ao futuro, os espíritos podem falar com exatidão.
 
Dom de Profecia Como já comentamos, o dom de profecia é a
comunicação da revelação do coração e mente de Deus, através de
uma linguagem humana e por intermédio da obra do Espírito. A
profecia traz entendimento para a pessoa de como Deus a vê. Seu
objetivo é edificar, consolar e exortar pessoas e ambientes (1
Coríntios 14.3); também ministra o coração dos incrédulos
revelando-lhes a presença de Deus para que a porta da fé se abra
em suas vidas e os leve ao arrependimento e salvação (1 Coríntios
14.24,25).
No ambiente corporativo da igreja o dom de profecia é o mais
importante para a edificação do Corpo de Cristo, assim como o dom
de línguas é o mais importante para a edificação pessoal (1
Coríntios 14.4,5). Todos os cristãos marcados com o Espírito da
promessa podem e devem profetizar, mas submetidos à vontade e
aos propósitos do próprio Espírito (1 Coríntios 14.1).
Dentro de uma comunicação profética, enquanto a palavra de
conhecimento revela o estado atual de uma pessoa, o dom de
profecia fala sobre qual lugar, em Deus, ela precisa chegar. A
profecia traz revelação do futuro para o presente, para que cada um
saiba aonde precisa ir submetido à vontade do Eterno. Profetizar é
olhar para a pessoa através dos olhos de Deus e ter o coração
cheio com os sentimentos d’Ele sobre ela.
Jesus, ao encontrar-se com Pedro depois de Sua ressurreição,
não foca em sua atual frustração e tristeza por tê-lo negado. Mesmo
tendo deixado sua jornada apostólica e voltado a pescar, Jesus
profetiza sobre ele e reposiciona sua mente em relação ao seu
propósito pessoal na missão de Deus, para que pudesse cumprir o
chamado apostólico de apascentar as ovelhas do Senhor.
"Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro:
Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele
respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse:
Apascenta os meus cordeiros." João 21.15
Interessante notar que quando Ananias é enviado a profetizar
sobre a vida de Saulo, ele fica um tanto desconfiado, por conhecer a
fama de perseguidor do futuro apóstolo, e não vê com bons olhos
essa situação. Todavia, o Senhor o chama para olhar a vida de
Saulo com os Seus olhos de misericórdia, trazendo o Seu propósito
à sua mente e coração.
"Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um
instrumento escolhido para levar o meu nome perante os
gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois
eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.
Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as
mãos, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber,
o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde
vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do
Espírito Santo. Imediatamente, lhe caíram dos olhos como
que umas escamas, e tornou a ver. A seguir,levantou-se e foi
batizado." Atos 9.15-18
A linguagem profética não tem a ver com falar quem a pessoa
é, mas quem ela foi criada para ser desde a eternidade. A profecia é
um convite para que vivamos a partir de agora o futuro proposto por
Deus.
 
Palavra de Sabedoria O dom da palavra de sabedoria é utilizado
para apresentar os sábios conselhos de Deus na resolução de
conflitos e revelação dos processos a serem trilhados para a
sujeição da boa, perfeita e agradável vontade divina. É uma
sabedoria compartilhada, mas não produzida por estudo exaustivo
ou experiência de vida, antes, tem a ver com a revelação de
fragmentos da infinita sabedoria do Senhor, propagada pelos
altíssimos pensamentos e desígnios do Seu coração (Isaías 55.9).
Essa sabedoria só pode ser acessada pelo Espírito.
Um dos exemplos mais precisos da operação da palavra de
sabedoria nas Escrituras é quando Tiago se levanta com uma
palavra de intervenção para ajudar no impasse instalado entre
gentios e judeus convertidos no Concílio de Jerusalém: "Depois que
eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas
palavras: expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os
gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome.
Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito:
Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído
de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os
demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios
sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que
faz estas coisas conhecidas desde séculos. Pelo que, julgo eu, não
devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a
Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações
dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de
animais sufocados e do sangue. Então, pareceu bem aos
apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido
homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a
Antioquia…" Atos 15.13-22
O impasse era se os gentios convertidos deveriam ser
circuncidados ou não. Tiago, então, com uma palavra de sabedoria
diz COMO deveriam resolver a questão, o que pareceu bem aos
apóstolos e presbíteros dos dois lados do conflito; o que,
naturalmente, parecia ser quase impossível.
Se a palavra de conhecimento fala do estado atual e a profecia
fala do lugar que precisamos alcançar, a palavra de sabedoria nos
revela o caminho que devemos percorrer, do estado atual até o
lugar que devemos chegar. A profecia traz o futuro para nós, a
palavra de sabedoria diz COMO alcançá-lo, ou seja, o que
precisamos fazer para nos tornar aquilo que Deus projetou para nós
na eternidade.
 
Fé O dom da fé é um dos dons do Espírito menos evidenciados no
ambiente eclesiástico nos dias de hoje, mas, certamente, é um dos
mais importantes na jornada dos santos. A palavra fé – em sua raiz
hebraica emunah (Habacuque 2.4) – tem o sentido de FIDELIDADE
ou CONFIANÇA. O significado original de fé não se refere apenas a
uma crença, mas, sim, a uma ação. Ter fé é ser fiel àquilo que
cremos, é andar com confiança sobre o que acreditamos. A fé
sempre envolve crença, mas crença nem sempre envolve a fé.
De acordo com os escritos proféticos, fé é a consequência de
nosso crer no Senhor. Uma crença acompanhada de ações dá
testemunho de nossas convicções em relação ao nosso Deus
pessoal. A fé gera em nós certeza e convicção do “sobrenatural” e
do invisível, que nos levam a andar sobre a Palavra que temos
como verdade (Mateus 14.29). A ação da fé nada tem a ver com
pensamento positivo, que tem como único objetivo acessar algo
para nosso benefício próprio. A fé em Cristo, por sua vez, nos
possibilita ser aquilo que Deus estabeleceu para nós em Sua glória.
Abraão é considerado o pai da fé porque creu, obedeceu e se
moveu na jornada proposta por Deus, para se tornar uma BÊNÇÃO
para todas as famílias da terra (Hebreus 11.8-12).
O dom da fé está relacionado ao empoderamento do Espírito,
que aumenta a nossa fé para fazer coisas que, naturalmente, nunca
faríamos. Em outras palavras, essa fé "sobrenatural" nos leva a
fazer coisas pontuais segundo a direção do Espírito Santo. Na vida
dos santos da igreja do primeiro século o fato de estar cheio de fé
significava estar também cheio do Espírito.
"A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que
estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia.
Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E
muita gente se uniu ao Senhor." Atos 11.22,24
"O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão,
homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro,
Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia."
Atos 6.5
De acordo com as Escrituras, existem dois tipos de fé: a fé em
Deus, e a fé que vem de Deus. O dom da fé não diz respeito apenas
a ter FÉ NELE, mas a receber, através do derramamento do poder
do Espírito, a FÉ QUE VEM DELE. A fé que vem de Deus tem como
função aumentar a fé em nosso espírito, para que possamos nos
movimentar em nossa jornada com um nível de confiança sem
precedentes. Lembra o que Pedro respondeu ao ser questionado
sobre a cura do paralítico na porta do templo?
"Pela FÉ EM O NOME de Jesus, é que esse mesmo nome
fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim,
a FÉ QUE VEM POR MEIO DE JESUS deu a este saúde
perfeita na presença de todos vós." Atos 3.16
Pedro afirma que na cura do paralítico atuaram os dois tipos de
fé – fé em Deus e fé que vem de Deus. Minha leitura desse
versículo é muito simples: a fé que vem de Jesus veio sobre Pedro
para aumentar a fé que já possuía no nome do Senhor e, por isso,
ele teve confiança para ordenar o paralítico a levantar e andar em
nome de Jesus. Por esse motivo, os apóstolos, diante da tribulação
que a igreja enfrentava naquele tempo, se uniram aos discípulos de
Jerusalém em oração pedindo ao Pai que derramasse confiança
sobre eles, para que o evangelho fosse pregado em todas as partes.
"Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede
aos teus servos que falam com toda a intrepidez [parrhesai =
CONFIANÇA] a tua palavra, enquanto estendes a mão para
curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu
santo Servo Jesus." Atos 4.29,30
Os apóstolos eram judeus e oravam a Deus em aramaico e
hebraico. A palavra grega para intrepidez (parrhesai) tem o mesmo
sentido da raiz hebraica para fé (emunah), que é confiança.
 
Dons de Curar Os dons de curar, assim como as operações de
milagres, está no plural, nos dando a entender que existem tipos
distintos de dons para a operação de cura. A função desses dons,
como o próprio nome sugere, é ministrar às pessoas operando cura
de doenças ou enfermidades, através da intervenção poderosa do
Espírito de Deus. O serviço da cura sempre foi protagonizado no
ministério de Jesus e no comissionamento dos santos em sua
missão apostólica e profética.
"Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas,
pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de
doenças e enfermidades entre o povo." Mateus 4.23
"Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus
autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar
toda sorte de doenças e enfermidades." Mateus 10.1
As Escrituras afirmam que a ministração de cura é uma diretiva
a todos os santos redimidos através da grande comissão (Marcos
16.18), e uma normativa apostólica para o serviço coletivo nas
comunidades de fé (Tiago 5.14). Isso porque a cura das doenças e
enfermidades é um sinal do cumprimento da obra redentora
messiânica nos corpos físicos e nas emoções dos homens. Essa
obra é revelada com profunda exatidão pelas profecias de Isaías:
"Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as
nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido
de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas
transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos
traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos
sarados." Isaías 53.4,5
"O Espírito do SENHOR Deus estásobre mim, porque o
SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados,
enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar
libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;"
Isaías 61.1
Como já comentamos, os dons de cura (no plural) podem
operar de maneiras distintas, tais como: na cura de patologias
físicas, nas enfermidades psicossomáticas e até nas doenças
provocadas por espíritos malignos.
Patologias Físicas – Nós podemos e devemos curar, em
nome de Jesus, todo tipo de doença física, por meio do poder do
Espírito. Seja ela de qualquer estágio de gravidade, ou até mesmo
uma doença autoimune.
Enfermidades Psicossomáticas – O termo psicossomático se
refere à enfermidade cuja fonte são as disfunções emocionais, isto
é, não procedente de doença ou alteração orgânica. Esse tipo de
patologia pode ter sua causa em experiências negativas (abusos,
violência, rejeição, perdas, traumas, etc.) na história recente ou
remota do indivíduo, podendo se manifestar a partir de suas
emoções e gerar comportamentos, tais como: fobia, depressão,
pânico, complexos diversos e até sintomas físicos que, por vezes,
podem confundir os médicos em seus diagnósticos preliminares. A
medicina tem comprovado que diversas enfermidades e sintomas
físicos têm sua origem nas disfunções emocionais.
Espíritos de Enfermidade – As Escrituras relatam casos em
que a fonte de algumas enfermidades é a operação de espíritos
demoníacos sobre as pessoas. Jesus, em alguns casos, expulsava
o espírito que produzia a enfermidade antes de realmente curar e
restaurar a saúde da pessoa. Lucas, que era médico, faz clara
distinção nesses casos, em alguns de seus relatos: "E veio ali uma
mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito
anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-
se." Lucas 13.11
"Quando se ia aproximando, o demônio o atirou no chão e o
convulsionou; mas Jesus repreendeu o espírito imundo,
curou o menino e o entregou a seu pai." Lucas 9.42
http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicossom%C3%A1tica
 
Discernimento de Espíritos Penso que o dom de discernimento de
espíritos é um dos dons mais necessários nos dias que precedem a
vinda do Senhor Jesus, pois como vimos no primeiro capítulo, ele
nos habilita a discernir a fonte de determinada ação, comportamento
ou palavra de uma pessoa ou ambiente coletivo. É a capacidade
espiritual de decifrar que tipo de influência está por trás de cada
ambiente ou comportamento.
Por exemplo, imagine que no meio de uma reunião da
comunidade de fé, alguém de repente começa a dançar
freneticamente no período de música; sua dança é estranha e sem
beleza, e atrai muita atenção para ela mesma. Se você é quem está
liderando a reunião, saiba que esse é o momento de se perguntar:
‘Devo parar essa dança? Qual influência a inspirou? Qual fonte está
por trás dessa ação?’. Nesse caso, existem três possíveis fontes: As
emoções afloradas da pessoa; um espírito maligno que a está
oprimindo e levando-a a provocar aquela confusão e humilhação
pública, ou o Espírito de Deus que pode ter vindo sobre ela,
provocando um regozijo sem pudor na presença do Senhor.
Como fazer para discernir quais dessas três influências estão
operando sobre essa pessoa? A resposta é simples: exercendo o
dom de discernimento de espíritos. Também é através desse dom
que podemos discernir a fonte das enfermidades: uma patologia
física, uma enfermidade psicossomática ou um espírito maligno. Por
isso, o dom de discernimento de espíritos deve sempre operar com
os dons de curar.
O discernimento espiritual é uma ferramenta entregue aos
santos para habilitá-los a conhecer ambientes espirituais e capacitá-
los para também decifrar que influência está operando sobre a
comunidade ou cidade, ou seja, leva-os a discernir o que alguns
chamam de “espírito da cidade” (influência que leva todo um
município a apresentar um padrão de comportamento coletivo sobre
valores morais ou características emocionais).
Esse dom é muito necessário no serviço de libertação
espiritual. Por muito tempo a prática de expelir demônios era apenas
exercida pela igreja quando havia uma manifestação visível de
opressão demoníaca. Mas a grande verdade é que a maioria das
pessoas que sofrem de opressão maligna nos dias de hoje não
apresentam qualquer tipo de manifestação visível. Então, diante
disso, precisamos nos fazer uma nova pergunta: Sem uma
manifestação externa, como saber se uma pessoa está enfrentando
uma possessão maligna? A única maneira de saber é exercendo o
dom de discernimento de espíritos.
Jesus, profetizando sobre os dias que precederiam o fim desta
era, disse algo que deve chamar a nossa atenção: “Porque surgirão
falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios;
para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mateus 24.24). Mas
afinal, como os escolhidos não serão enganados pelos falsos sinais
e falsas obras do fim dos tempos? Simples, pela operação do dom
de discernimento espiritual.
 
Operações de Milagres O dom de operações de milagres é a
habilidade de realizar feitos miraculosos, em nome de Jesus e
através do poder do Espírito. Milagres são sinais poderosos que
transcendem a normalidade e não podem ser explicados pelas leis
naturais. A condição para rotularmos um sinal como milagre é a
impossibilidade.
Embora toda cura divina seja um sinal miraculoso, uma
intervenção poderosa da parte de Deus que suspende a ordem
usual da natureza, Paulo faz uma diferenciação entre os dons de
cura e as operações de milagres. Para diferenciá-los precisamos
entender que toda operação de poder que afeta as impossibilidades
da vida e da natureza – mas que não está relacionada a doenças e
enfermidades – é resultado do dom de operações de milagres.
Tanto no primeiro pacto, quanto na nova aliança, a presença
dos milagres é uma realidade na jornada dos obreiros do Senhor.
Por exemplo: Moisés realizou toda sorte de milagres enquanto
pregava o evangelho da libertação do povo de Deus, chegando a
transformar as águas do Egito em sangue (Êxodo 7.20); Elias feriu o
rio com o seu manto e o dividiu em duas partes, possibilitando que
ele o atravessasse em terra seca (2 Reis 2.8); Eliseu fez flutuar um
machado que havia afundado na água (2 Reis 6.6). No ministério de
Jesus os milagres foram abundantes, sendo o primeiro a
transformação de água em vinho num casamento em Caná da
Galiléia (João 2.7-9); mais tarde multiplicou pães e peixes para uma
multidão de cinco mil homens, fora mulheres e crianças (João
6.10,11). Os milagres eram também uma realidade presente no
ministério dos apóstolos. Paulo, por exemplo, ressuscitou um rapaz
que caiu de uma janela na altura de três andares (Atos 20.9,10).
Como já falamos, toda operação de poder não relacionada a
uma doença, é um milagre. Acredito que a ressurreição de um morto
é um ato miraculoso, assim como a restauração de um membro
defeituoso do corpo também o é (Marcos 3.3-5). As formas como
Deus manifesta Seu poder milagroso são infinitas, tais como:
regenerar órgãos amputados e operar todo tipo de sinal que desafia
as leis da natureza que Ele mesmo estabeleceu.
Precisamos ter em mente que o poder de Deus se manifesta
na vida dos santos, para torná-los testemunhas da obra do Messias
(doutrina, ressurreição e Reino) nas nações.
"Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre
vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a
Judéia e Samaria, e até os confins da terra." Atos 1.8
Esse testemunho é apresentado juntamente com a
manifestação de sinais, prodígios e maravilhas (1 Coríntios 2.4), que
têm a função de respaldar e confirmar o testemunho. Os milagres
sinalizam a veracidade da mensagem do evangelho.
"E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando
com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de
sinais, que se seguiam." Marcos 16.20
A manifestação dos sinais poderosos acontece quando o
próprio Deus estende a Sua mão para dar testemunho. Ele faz isso
em cooperação com os Seus mensageiros apostólicos, acerca da
mensagem do evangelhode Cristo, o qual ilumina regiões com a
revelação da Sua ressurreição e com a esperança da vinda de Seu
Reino.
"como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande
salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo
Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando
Deus TESTEMUNHO juntamente com eles, por sinais,
prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito
Santo, segundo a sua vontade." Hebreus 2.3,4
Um conselho a todos que desejam ministrar ambientes com
operações de milagres: Se é verdade que os milagres se
manifestam para respaldar a mensagem do evangelho, então, você
precisa buscar o real conhecimento dele; porque, talvez, a falta de
milagres em nossos dias seja pela falta da pregação do verdadeiro
evangelho. Fica a dica!
 
COMPARTILHANDO OS DONS ESPIRITUAIS Sabemos através
das Escrituras que os dons espirituais podem ser comunicados de
uma pessoa para outra, ou seja, é possível compartilhar os dons
espirituais que recebemos do Senhor com outros santos que fazem
parte da família de Deus. E através de uma rápida análise das
Escrituras, concluímos que a comunicação dos dons espirituais é
feita através da imposição de mãos e da profecia.
"Não negligencie o DOM que lhe foi dado por mensagem
profética com imposição de mãos dos presbíteros." 1
Timóteo 4.14
Nessa dinâmica, a profecia tem como função trazer luz para o
caminho que a pessoa precisa trilhar em Deus na obra do ministério,
e comunicar revelação para que a sua caminhada seja precisa e
eficaz. Já a imposição de mãos tem como função compartilhar dons
e capacidades espirituais com a pessoa que está sendo ministrada,
para que esses dons se tornem ferramentas úteis no seu
relacionamento com a edificação da casa de Deus.
"Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria,
porquanto Moisés impôs sobre ele as mãos; assim, os filhos
de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o SENHOR
ordenara a Moisés." Deuteronômio 34.9
O princípio da imposição de mãos – descrito como um dos
princípios elementares da doutrina de Cristo (Hebreus 6.1,2) – é
uma prática muito importante, mas que não tem sido observada com
cuidado pelos cristãos neste tempo em que vivemos. A imposição
de mãos funciona comunicando uma realidade espiritual com outro
indivíduo, sendo boa ou ruim, por isso você deve ter muito cuidado
com quem coloca a mão sobre a sua cabeça. Veja o exemplo dos
israelitas que, ao oferecerem um animal como sacrifício por seus
pecados, impunham as mãos sobre o sacrifício para que o animal se
identificasse com a sua própria realidade pecaminosa (Levítico 1.4).
Por fim, o animal era morto para pagar o preço pelos pecados
cometidos em seu lugar.
Nós podemos observar também, no avanço missionário da
igreja do primeiro século, que o batismo do Espírito Santo
(derramamento do poder sobre um santo) podia ser ministrado às
pessoas através da prática da imposição de mãos.
"Então Pedro e João lhes impuseram as mãos, e eles
receberam o Espírito Santo." Atos 8.17
"E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito
Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam." Atos
19.6
 
CAPÍTULO 6
O PROCESSO DA PROFECIA
Neste capítulo gastaremos um tempo pensando juntos sobre o
processo em que se desenvolve a comunicação profética. A
profecia, a partir do contexto neotestamentário, não é um download
que recebo em minha mente e em seguida o comunico
mecanicamente. Não! Para nos tornarmos proclamadores
responsáveis dos oráculos divinos é preciso nos submeter a um
processo.
Estou convicto de que entre acessarmos uma revelação que
Deus está comunicando para um determinado ambiente até a
proclamação dela, existe um processo a ser aprendido, treinado e
respeitado. A ministração da profecia não é uma prática informal ou
que pode ser feita de qualquer jeito, antes possui uma ética bíblica a
ser aplicada. É bom sermos submissos aos protocolos proféticos,
pois estes nos protegem de equívocos e exageros. Lembre-se que
tudo que é “informal” é sem forma, e tudo que é sem forma é vazio
(Gênesis 1.2).
Nas Escrituras, encontramos o que alguns teólogos chamam
de escolas de profetas – casas edificadas para o treinamento de
ministros proféticos liderados por profetas mestres, a exemplo de
Samuel e Eliseu (1 Samuel 19.18; 2 Reis 6.1). A existência dessas
casas de profetas significa que a prática da profecia pode e deve ser
sistematizada, ensinada, aprendida e praticada.
Por isso, o treinamento na prática dos dons espirituais,
principalmente o da profecia, é um conceito que precisa ser
reavivado nos dias de hoje, nos ambientes eclesiásticos no Brasil e
nas nações. Frequentemente me fazem a seguinte pergunta: O que
preciso fazer para me desenvolver nos dons proféticos? Minha
resposta é sempre a mesma: Você precisa desenvolver uma
disciplina prática de oração, um estudo regular das Escrituras
proféticas (Bíblia), uma submissão radical às leis do Senhor e,
também, ser mentoreado por alguém experiente na prática da
profecia. Minha opinião é que essas quatro coisas são fundamentais
para quem deseja se desenvolver no profético.
Antes de discorrer sobre as etapas desse desenvolvimento, é
importante falar sobre o modo como devemos trilhar o processo de
aperfeiçoamento da prática profética. Devemos trilhá-lo em fé. A fé é
o meio de acesso à vivência dos dons espirituais. Todos devem
profetizar na proporção de sua fé, ou seja, à medida que cresce a
sua fé, cresce também a possibilidade de se desenvolver na prática
da profecia.
"tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi
dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé"
Romanos 12.6
O recebimento de uma mensagem profética passa pelo
seguinte processo: O Espírito de Deus comunica uma mensagem ao
nosso espírito que, por sua vez, se encarrega de comunicá-la à
nossa mente que, então, converte-a em uma linguagem humana. O
elo que liga essa conexão espiritual à nossa mente é a fé. Na
medida em que crescemos em fé também progredimos eficazmente
na prática da profecia. Se Pedro, chamado por Jesus de homem de
pequena fé, andou sobre as águas (Mateus 14.31), imagine como
nós podemos servir à obra de Deus se crescermos em fé diante
d’Ele!
A fé se desenvolve na vida de pessoas que se relacionam com
a mensagem da palavra de Cristo (Romanos 10.17). Quanto maior
for o nosso acesso à revelação de Jesus (Sua obra gloriosa), maior
será o nível de operação da fé em nós. Para funcionarmos
profeticamente o nível de nossa fé deve estar relacionado ao nível
de nosso relacionamento com a mensagem da redenção messiânica
(resgate da criação da escravidão do pecado – Romanos 6.5-7;
João 1.29). É pela fé que iremos progredir no processo de
desenvolvimento da profecia, tanto pessoalmente quanto
coletivamente.
Mas, afinal, a qual processo devemos nos submeter para
progredirmos na profecia? Profetas mestres da nossa geração (tais
como: Jim Goll, Graham Cooke, Steve Thompson e Martin Scott)
nos ensinaram por meio de escolas e excelentes literaturas acerca
do processo de desenvolvimento da profecia, segmentando-o em
três estágios: revelação, interpretação e aplicação. Porém, serei
ousado e adicionarei um quarto estágio ao ensino desses homens
que tanto abençoaram minha geração em relação ao profético: o
processo inicial da investigação.
Então, neste capítulo, procuraremos expor uma visão
sistemática e progressiva da comunicação profética, visualizando e
expandindo os seus quatro estágios: INVESTIGAÇÃO,
REVELAÇÃO, INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO.
 
INVESTIGAÇÃO Em minha visão, o processo do serviço da profecia
começa com a investigação, ou seja, com a busca incessante de
compreender a revelação dos segredos que Deus ocultou em Cristo
para a Sua glória, mas que agora nos foram revelados. Cabe aos
que almejam esse serviço profético buscar a revelação com todo o
coração e mente.
"A glória de Deus é encobrir as coisas, tentar descobri-las é a
glória dos reis." Provérbios 25.2 – NVI Pessoas proféticas têm
prazer em se aplicar na investigação dos mistérios de Deus.
Para isso, elas se voltam à contemplaçãodo Seu coração e
mente, onde certamente encontrarão uma palavra específica
que Ele deseja comunicar a indivíduos em um tempo e
geografia determinados. Essa comunicação é transmitida por
meio do Espírito de Cristo, que é o espírito da profecia em ação
(Apocalipse 19.10). Desde sempre os profetas trabalharam
investigando o Senhor para, assim, poderem testemunhar
sobre os Seus oráculos eternos, que se revelam a partir da
obra de Seu Filho.
"Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e
inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros
destinada, INVESTIGANDO, atentamente, qual a ocasião ou
quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito
de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho
sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que
os seguiriam." 1 Pedro 1.10,11
Ao tomar conhecimento dessa prática dos profetas, somos
levados a perguntar: Qual método de investigação eles praticavam
diante de Deus? Para tentar responder olhemos para a rotina de
Daniel. Sem dúvida ele foi um dos profetas mais visionários da
história da humanidade, pois declarou coisas acerca do tempo em
que vivia e também do futuro com uma precisão assustadora e sob
uma ótica messiânica.
A primeira coisa que nos chama a atenção no cotidiano de
Daniel era o seu costume de três vezes ao dia parar tudo o que
estivesse fazendo para estar diante do seu Deus. Ele entrava
diariamente no lugar secreto para se encontrar com o Pai. Ali, em
oração, voltava sua mente e coração ao Senhor, e oferecia
louvores e adoração a Deus por Suas maravilhosas obras e por
quem Ele é – o Soberano Criador de todas as coisas.
"Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada,
entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia
janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se
punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu
Deus, como COSTUMAVA FAZER." Daniel 6.10
Um fato interessante é que a essa altura Daniel era um dos
três presidentes que governava sobre todo o império, tendo que
prestar contas apenas a Dario, o imperador (Daniel 6.1-3); era
também o supervisor e mentor de todos os magos (cientistas,
sábios, médicos, alquimistas, astrólogos, feiticeiros, etc.) que
serviam ao império (Daniel 5.11). Daniel não era um desocupado,
antes, tinha muitos afazeres e responsabilidades que por vezes
traziam alto risco à sua vida. Mesmo diante desse perigo organizava
sua vida de modo que pudesse estar diante do seu Deus três vezes
ao dia.
Como já mencionamos, pessoas proféticas não podem ser
informais em seu relacionamento com Deus e Sua obra, antes
precisam desenvolver uma devoção constante e sistemática diante
d’Ele. Sem a prática da oração não existe investigação dos mistérios
de Deus, revelação de quem Ele é, nem de quem estamos nos
tornando n’Ele. Pessoas proféticas precisam organizar suas vidas
em torno da devoção ao seu Deus. Como disse certa vez meu
amigo Michael Duque Estrada: “Quem diz estar orando em todo
momento, não ora nunca. Pessoas devotas a Deus têm dia e hora
marcados para se apresentar diante d’Ele”. Não caia na cilada,
dizendo a você mesmo: “Quando tiver tempo eu paro para orar”.
Sabe quando você vai encontrar tempo para estar diante de Deus?
Nunca! O lugar de oração e louvor é um lugar de investigação, onde
Deus nos recompensa (Mateus 6.6) com a revelação de Sua voz.
Ele só se revela aos filhos que amam Sua presença e Seus
caminhos.
Pessoas que desejam ministrar profeticamente precisam
desenvolver a disciplina do lugar secreto, isto é, devem organizar
suas vidas de modo que possam, diariamente, se colocar diante do
trono, onde farão suas petições, orações, intercessões, louvores e
ações de graças (1 Timóteo 2.1). Nosso Deus é digno do nosso
tempo, da nossa disciplina e do nosso esforço. Nosso maior esforço
nestes dias não deve ser para fazer coisas para Deus, mas, sim,
para fazer nada em Sua presença. Diante da vida frenética que nos
envolve todos os dias, parar tudo para meditar nas grandezas de
Deus e adorá-Lo por Sua dignidade é um dos maiores desafios no
desenvolvimento profético.
Outra prática cotidiana da vida de Daniel era a investigação
das Escrituras, a imersão constante na Palavra Profética. Ele
discernia os tempos e as estações através do estudo sistemático
dos escritos proféticos dos quais tinha acesso. Começando pela
Torah (Pentateuco) e prosseguindo pelos Profetas, Salmos e
escritos poéticos, Daniel obtinha revelação do propósito eterno de
Deus.
"No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos
livros, que o número de anos, de que falara o SENHOR ao
profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de
Jerusalém, era de setenta anos." Daniel 9.2
O relacionamento constante com as Escrituras, através da
prática do estudo sistemático, nos elevará a um estado de
iluminação no qual recebemos entendimento para dar passos
seguros em nossa jornada. O caminho apertado diante de nós será
iluminado para que possamos olhar para o futuro e ter confiança em
nos mover em sua direção.
Toda vez que abro minha Bíblia os olhos do meu homem
interior são iluminados com entendimento que procede de Deus. Só,
então, o meu espírito inquire o Espírito de Deus a respeito dos Seus
mistérios em relação aos tempos e épocas que Ele mesmo
estabeleceu, e ao futuro que nos está proposto. A comunhão com
as Escrituras não é algo passivo, mas de indagação; através delas
podemos nos esticar e tocar no Senhor com confiança e ousadia,
como fez a mulher do fluxo de sangue (Lucas 8.46), extraindo d’Ele
poder que se manifestará em revelação e sabedoria.
"Por meio dos teus preceitos, CONSIGO ENTENDIMENTO;
por isso, detesto todo caminho de falsidade. Lâmpada para os
meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos."
Salmos 119.104,105
Uma prática que precisamos enfatizar nestes dias, com relação
ao desenvolvimento profético na vida dos santos, é a meditação.
Quando se fala de meditação em ambientes cristãos, logo se pensa
nas religiões orientais (budismo, hinduísmo, xintoísmo, etc.), mas a
prática dela é uma instrução bíblica para todos os que fazem parte
do povo de Deus. Somos instruídos a meditar no Livro da Lei dia e
noite, ou seja, encher nossa mente com pensamentos acerca da Lei
do Senhor.
A instrução para meditar na Lei não significa exatamente nos
aplicar à leitura das Escrituras, mas em trazer à nossa mente (em
todo momento) pensamentos a respeito dos decretos de Deus. Em
outras palavras: encher nossa mente com os atributos de Deus
(santidade, dignidade, bondade e misericórdia), com Seus
mandamentos e limites estabelecidos. Meditar é também permitir
que a nossa imaginação receba flashes da glória de Cristo, da Sua
obra e do Seu Reino.
"Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, MEDITA NELE
DIA E NOITE, para que tenhas cuidado de fazer tudo quanto
nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e
serás bem-sucedido." Josué 1.8
Pessoas proféticas têm prazer na Palavra do Senhor, por isso
meditam nela dia e noite; como consequência, suas mentes estão
sempre cheias de pensamentos referentes à voz de Deus (Salmos
1.2). Em momentos de tensão e escuridão precisamos sempre
trazer à memória aquilo que nos dá esperança (Lamentações 3.21),
e a verdade da Palavra que procede de Deus sempre injetará
esperança em nossos espíritos e os fortalecerá. Aqueles que
meditam no Senhor são prósperos em seus caminhos, porque a luz
que procede da Sua Palavra estará diante de seus olhos trazendo
clareza em seu caminhar.
A prática da meditação nos mistérios de Deus, que são
revelados por meio da pessoa de Cristo, produz em nós uma
IMAGINAÇÃO SANTIFICADA, uma mente cheia de imagens que
remetem à glória de Cristo. Sim! Isso se dá porque os desígnios
eternos de Deus passam a fazer parte dos nossos pensamentos dia
e noite. Imaginação é a capacidade mental de visualizar formas por
meio da influência da mente e dos sentidos, e está totalmente
relacionada com a VISÃO.
Como sabemos, a profecia é a comunicação de uma
mensagem do Espírito de Deus ao nosso espírito,que a transmite
para a nossa mente, que a traduz para uma linguagem humana.
Logo, como toda comunicação profética passa pela mente,
precisamos submetê-la a Deus. Desenvolvemos, assim, uma
imaginação purificada pela meditação constante nos pensamentos
que procedem de Deus e que são revelados a nós pela Sua
Palavra. A partir desse processo nossa habilidade em profetizar é
aperfeiçoada com clareza e precisão. É importante entender que,
mesmo recebendo uma revelação exata da parte de Deus, a nossa
mente pode nos trair no momento de comunicá-la para alguém. Por
isso a importância de todos os dias desenvolvermos a prática da
meditação, que inundará os nossos pensamentos com as verdades
da Lei de Deus.
Veremos agora algumas práticas que precisam fazer parte do
dia a dia de uma pessoa que deseja crescer no profético. Práticas
estas que geram um ambiente de investigação do coração e mente
de Deus em relação aos Seus caminhos eternos, os quais Ele tem
revelado a nós nestes dias:
Oração;
Ações de Graças;
Oração em Línguas + Interpretação;
Louvor;
Adoração;
Leitura Sistemática das Escrituras;
Meditação na Lei do Senhor;
Contemplação.
 
REVELAÇÃO Se estivermos constantemente diante de Deus, o Seu
Espírito operará abrindo os olhos do nosso homem interior, para que
possamos contemplar a beleza de Deus que nos é revelada na
pessoa de Cristo. Ao acessarmos a revelação de quem Deus é e o
que Ele está falando e fazendo, também receberemos clareza de
quem nós somos n’Ele e quem precisamos nos tornar para, assim,
sermos instrumentos de Sua glória perante a criação.
Investigar o coração e mente de Deus em um ambiente de
devoção irá gerar um resultado em nossas vidas, produzirá
revelação, ou seja, teremos acesso a informações, mensagens,
segredos, conselhos, discernimento de tempo, etc., que procedem
de Deus. Informações que não teríamos como conhecer
naturalmente sem uma intervenção divina. Mas através da ação do
Espírito Santo, que nos leva a ter olhos abertos e uma mente
santificada, podemos acessá-las.
Antes de nos aprofundarmos mais sobre revelação, pensemos
um pouco sobre a obra do Espírito e suas expressões de poder que
operam sobre nós, e também como essa relação com o Espírito nos
impulsiona a ter acesso a informações que procedem de Deus.
"Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do
trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos
de Deus." Apocalipse 4.5
João, ao ver a porta aberta no céu e seguir a Voz que o
chamava para cima, acessa a sala do trono de Deus, contempla o
ambiente de glória que circunda o trono eterno, e faz uma
declaração interessante quanto ao Seu Espírito. Ele vê o candelabro
(menorá) com sete chamas que queimam diante do Senhor e as
nomeia de os sete Espíritos de Deus. Mas, afinal, Deus tem um
Espírito ou sete? Bom, a maneira como vejo isso é muito simples: o
Pai tem um Espírito que se manifesta de sete formas diferentes.
Isaías, profetizando sobre essa dinâmica, nos traz mais clareza:
"Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de
sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de
fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR."
Isaías 11.2
O profeta Isaías fala sobre os sete aspectos do Espírito de
Deus, mas deixa claro que todos procedem do mesmo Espírito
(haste central do candelabro). Descrevendo sobre o Espírito de
Deus, Isaías nos ensina que uma das Suas expressões é o Espírito
de revelação. Esse Espírito trabalha em nós, removendo o véu de
nossos corações (2 Coríntios 3.15) e iluminando os olhos do nosso
interior, para que possamos conhecer as profundezas do coração de
Deus.
"para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da
glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no
pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso
coração, para saberdes qual é a esperança do seu
chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos
santos" Efésios 1.17,18
Então, se por meio do Espírito nós nos colocamos diante do
trono de Deus com o coração desvendado e com nossos olhos
iluminados, a nossa vida se torna refém da ação da voz de Deus.
Todos que estão diante de Deus com olhos abertos são feridos com
a Sua Palavra e, portanto, podem se tornar portadores da
mensagem profética.
O acesso à revelação divina é uma conexão do nosso espírito
com o Espírito do Pai, que nos abre caminho a informações sobre o
propósito de Deus na eternidade, ou seja, sobre o que Ele está
falando e fazendo no tempo presente sobre as regiões da terra e a
respeito do futuro que estabeleceu para nós. Interessante pensar
que Deus resolveu, em Sua infinita misericórdia e bondade,
compartilhar Seus segredos com alguns amigos (Isaías 41.8) que
estão na terra, e os convida a fazer parte do desenvolvimento e
estabelecimento da Sua vontade no mundo.
Pessoas proféticas são pessoas de revelação que se esforçam
em acessar a vontade de Deus. Elas desejam se envolver com o
que Deus está fazendo no tempo e na região em que estão
inseridas. Mas é preciso lembrar que nesta estação Deus se revela
por meio do Corpo de Seu Filho, o qual é a plenitude d’Aquele que
cumpre tudo em todos (Efésios 1.23). Isso significa que tudo o que é
acessado em relação a Ele não é completo, mas uma visão parcial
daquilo que está fazendo e falando. Nunca podemos apresentar
uma revelação como sendo uma verdade completa e absoluta,
antes, tudo que acessamos em Deus precisa ser pesado diante das
Escrituras, conferido e completado por meio da comunhão com o
Corpo de Cristo.
Graham Cooke, ensinando sobre como acessar revelação
diante de Deus, disse: “Às vezes a revelação vem em fragmentos
partindo de diferentes pessoas, e Deus deseja que todas as partes
sejam reunidas.”[10] Deus tem prazer em criar um quebra-cabeça
com a revelação de fragmentos de Sua mente. Seu objetivo é ver
Seus filhos submetendo o que estão vendo e ouvindo uns aos
outros, para que a Sua voz seja revelada aos povos de forma
corporativa.
Se concluímos que revelação são partículas dos pensamentos
de Deus compartilhados com Seus filhos, então, precisamos
responder a algumas perguntas: Como Deus comunica essas
verdades a Seus filhos? Como recebemos essas informações em
nosso espírito? Como a voz de Deus se manifesta a nós?
Todos os que se relacionam com as Escrituras sabem que na
história da humanidade Deus se revelou de muitas formas aos
homens. A maneira como nos relacionamos com a voz de Deus
varia muito de pessoa para pessoa, e de tempo em tempo. Deus é
soberano e fala quando quer, com quem quer, e da forma como
quer. Mas, segundo uma análise escritural, é possível identificar três
formas distintas pelas quais Deus, geralmente, escolhe se revelar:
visual, auditiva e sensorial.
Como falamos antes, a devoção trabalha em nós para que
possamos desenvolver uma imaginação santificada, e imaginar
nada mais é do que encher a mente com imagens que nos levam a
ter visões. Uma das formas mais comuns de acessar revelação é a
visual. Deus, em toda a extensão das Escrituras, falou com homens
por meio de visões.
"Depois destas coisas veio a palavra do SENHOR a Abrão em
visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu
grandíssimo galardão." Gênesis 15.1
"E disse o Senhor, em visão, a Paulo: Não temas, mas fala e
não te cales" Atos 18.9
Na revelação através de visão, normalmente Deus se
comunica conosco através de uma visão interna, ou seja,
recebemos em nossa mente uma imagem, um número, um nome de
alguém, um lugar, um texto bíblico, etc. Esse tipo de comunicação
também acontece quando estamos em um lugar, observando
normalmente o que está ao nosso redor, e de repente nossa mente
começa a se encher de formas e imagens que produzem uma cena
específica e comunicam uma mensagem específica, dando-nos a
certeza de que é Deus nos revelando alguma informação.
Podemos também receber revelações de Deus através de uma
visão externa, o que alguns chamam de “visão aberta”. Esse tipo
de visão se dá quando, mesmo acordados, vemos imagens de
pessoas ou lugares (Atos 16.9). Essas imagens podem se misturar
com ocenário real que está diante de nossos olhos, a ponto de
confundir se o que estamos vendo é uma visão do invisível ou a
realidade visível. Uma visão externa pode trazer revelação da
operação de anjos em ambientes, ou até mesmo conduzir alguém a
receber uma direção deles (Atos 5.19; 8.26); pode também levar
alguém a viver uma experiência de êxtase, que é quando tudo ao
redor é “apagado” e a pessoa entra na visão que o Senhor está
trazendo (Atos 10.10). O que é menos comum, mas que tem
acontecido algumas vezes em ambientes proféticos na história da
igreja, é pessoas sendo arrebatadas em espírito às regiões
celestiais; nesses momentos, elas têm seus olhos abertos para
verem realidades celestes e até vislumbres da eternidade (2
Coríntios 12.2; Apocalipse 4.1,2).
Por último, e talvez a revelação visual mais comum em nossos
dias, é o acesso a visões em forma de sonhos (Daniel 7.1; Mateus
2.19,20). Um sonho e uma visão, na verdade, são a mesma coisa, a
única diferença é que no sonho nós estamos dormindo. Creio que a
revelação através de sonhos seja comum porque, durante o dia, as
pessoas têm estado muito ocupadas, e não conseguem parar com o
intuito de ter tempo diante do Senhor em oração. Deus, então,
interfere em seu sono para lhes revelar alguma verdade, uma vez
que dormindo elas não estão se ocupando com nada.
Outra forma de recebermos uma mensagem do Espírito é a
sensorial, que se dá quando percebemos que Deus está revelando
algo ao nosso espírito, mesmo sem ver ou ouvir nada. Por exemplo:
Você já entrou em algum lugar e percebeu nele um sentimento de
opressão maligna? Ou já entrou em uma casa e sentiu uma tristeza
profunda, cuja fonte não era você? Ou já viu uma pessoa e, sem
explicação alguma, foi inundado por uma alegria que o deixou
emocionado? Sempre que procuramos servir profeticamente a um
ambiente precisamos ficar atentos, a toda e qualquer hora, aos
sentimentos que podem aflorar em nós, pois Deus pode estar
revelando algo em relação a Ele ou a uma pessoa.
É comum eu olhar para uma pessoa e sentir a tristeza, a
alegria ou o medo que está em seu interior. Sempre que isso
acontece, eu me aproximo dela e pergunto: “Por que você está
triste?” Isso abre a porta para que eu comece a ministrar a sua vida
profeticamente.
O que é muito habitual também, em um ambiente de
revelação, é alguém receber uma impressão que procede de Deus,
podendo ser o que particularmente chamo de impressão interior.
Por exemplo: Você já olhou para uma pessoa e no seu interior você
simplesmente sabia que ela havia feito alguma coisa, mesmo sem
ver ou ouvir nada a respeito? Então, a isso eu pessoalmente chamo
de impressão profética; é uma convicção no seu interior acerca de
uma informação que você não tinha como ter acesso de forma
natural. Nessas situações, se somos questionados como sabíamos,
a resposta que vem em nossa mente é: “Eu só sei que sei, mas não
sei como”. Nós precisamos aprender a lidar com fé em relação a
esses sentimentos e impressões proféticas, para que pessoas
sejam ministradas em amor.
Além de impressões interiores, a revelação divina se manifesta
também através de impressões físicas. Pode acontecer através de
entrar em um ambiente e sentir, por exemplo, um aperto no peito, ou
alguma parte do seu corpo formigar ou aquecer; ou, entrar em uma
casa e sentir uma dor, sem qualquer motivo aparente, e saber que
ela não pertence a você. Essas são impressões físicas. Elas são o
meio usado por Deus para chamar a nossa atenção (por, talvez,
estarmos distraídos) em relação a alguma coisa que Ele quer falar
ou fazer. Manifestações de impressões físicas são muito comuns
quando Deus quer curar pessoas. Por exemplo, você pode,
repentinamente, sentir uma dor na região dos rins; isso pode ser o
Espírito Santo sinalizando a intenção de curar o rim de alguém que
está no mesmo ambiente que você no momento. Sei que isso
parece “doido”, mas acontece com mais frequência do que você
imagina.
Uma forma muito usual de acessar revelação é através de
“insights” bíblicos. Essa, em minha vida, é uma prática diária;
através das Escrituras busco revelação daquilo que Deus deseja
para a minha vida e para o contexto da jurisdição em que estou
inserido. Por meio de Sua Palavra, Deus sempre amplia a nossa
visão com relação ao tempo e ao Seu propósito soberano. Como
isso acontece? Por exemplo: Você pode ler um mesmo texto bíblico
diversas vezes e um dia, ao colocar os olhos nele, de forma
inesperada, a luz emana de suas palavras e os segredos de Deus
são liberados sobre a sua mente pela revelação do Espírito. Mais do
que apenas conhecer os textos bíblicos (isso é fundamental!), nós
precisamos buscar a revelação deles de forma que tudo o que está
escrito se torne aplicável à nossa vida e ao nosso futuro, podendo
até se tornar parábolas propostas pelo Espírito para o tempo
presente (Hebreus 9.9; Gálatas 4.24).
Há momentos em que Deus se revela também através de
parábolas e enigmas. Seu objetivo ao usá-los é que ninguém
entenda senão os Seus discípulos, que estão em processo de se
tornarem homens e mulheres espirituais. Jesus mesmo explicou aos
Seus discípulos por que falava em parábolas: "A vós outros é dado
conhecer os mistérios do Reino de Deus; aos demais, fala-se por
parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam"
(Lucas 8.10). Um exemplo muito interessante nas Escrituras, de
Deus se revelando através de um enigma, é quando Ele pergunta a
Jeremias: “O que você vê Jeremias?”; e este O responde:
“SHAWKADE” (AMENDOEIRA). Então, o Senhor lhe diz: “Você viu
bem; porque eu estou SHAWKAD (VIGIANDO) para que a minha
palavra se cumpra” (Jeremias 1.11,12).
Por último, Deus se revela aos Seus filhos por meio da
manifestação de Sua voz. A voz de Deus está constantemente em
movimento sobre a criação, então, precisamos ficar sempre atentos
ao que Ele deseja falar, tanto de forma pessoal quanto coletiva
(Apocalipse 3.6). A revelação divina pode se manifestar a nós por
meio de uma voz interna – a doce voz do Espírito que ecoa em
nosso interior – compartilhando mensagens da parte de Deus que
podem afetar indivíduos pessoalmente ou até geografias inteiras (1
Samuel 16.7). Deus fala ao coração de toda pessoa que foi selada
com o Seu Espírito, por isso, fique atento à voz do Senhor no seu
interior. Sim, fique atento, porque o que muitos chamam de “voz da
consciência” pode ser, na verdade, a voz de Deus em ação dentro
de você.
Bem menos comum, em Seu relacionamento com os santos, é
Deus se revelar por meio de uma voz externa, ou seja, uma voz
audível (Deuteronômio 5.23,24; Atos 9.4-7). A voz audível de Deus
é algo bem mais grave, pois todos os que foram expostos a ela
tiveram suas vidas marcadas para sempre – sua jornada espiritual
foi marcada por uma mudança radical. Isso aconteceu apenas uma
vez comigo e, garanto-lhe, foi uma experiência aterrorizante, mas,
ao mesmo tempo, marcou a minha jornada e trouxe sentido a tudo
que vivo em Deus hoje.
Para resumir este tópico precisamos lembrar de que o nosso
Deus é um bom Pai e tem prazer em se revelar a Seus filhos. Todos
os que se voltam para Ele com o coração puro e em humilde
devoção, certamente acessarão o coração do Senhor. Abaixo, um
resumo das formas como o Senhor se revela ao Seu povo:
Visões Internas;
Visões Externas;
Sonhos;
Êxtase;
Arrebatamento;
Ministração Angelical;
Sentimentos;
Revelação Escritural (Insights bíblicos);
Impressão Interior;
Impressão Física;
Voz Interna;
Voz Audível;
Parábolas e Enigmas.
 
INTERPRETAÇÃO Esta talvez seja a etapa mais crítica e com mais
equívocos no processo de desenvolvimento da profecia. Desde
sempre Deus tem compartilhado revelações com Seu povo e
realmente acredito que nos ambientes, onde houve uma renovação
carismática com ênfase nos dons espirituais, existem muitas
pessoas que têm acessado revelações fidedignas da parte do
Senhor. Porém, um dos maiores problemas, nas esferas do Corpo
de Cristo, é a falta de uma interpretação, igualmente fidedigna, das
revelações recebidas de Deus através do Seu Espírito. A
interpretação temcomo objetivo compreender a revelação,
principalmente aquelas com ênfase em imagens, visões, sonhos,
parábolas e enigmas.
Uma revelação sem a interpretação adequada se torna inútil na
edificação do Corpo de Cristo. Imagine, por exemplo, que em um
culto alguém pede a palavra e compartilha uma visão muito “doida”,
mais ou menos assim: “Eu vi um anjo vestido com roupas
cintilantes, que veio da Ásia e carregava em suas mãos um taco de
baseball e um bombom de chocolate com recheio de banana. De
repente ele grita: VAI FLAMENGO!”. Depois de contar sua visão, a
pessoa volta a sentar-se e alguém lhe pergunta: “O que significa
essa visão?”. Ele responde: “É mistério!”. Sei que esse exemplo
chega a ser cômico, mas episódios semelhantes são muito comuns
em diversos ambientes da igreja atualmente. O serviço profético, em
nossos dias, tem a função de trazer clareza em relação aos
mistérios de Deus, e não de gerar mais confusão do que já existe
no meio carismático e pentecostal. Toda revelação precisa ser
comunicada de forma clara e inteligível, para que o seu
entendimento seja aplicável a todos que estão sendo expostos a
ela. É por isso que precisamos da prática da interpretação.
Um princípio importante da interpretação é que se a revelação
foi manifestada pela ação do Espírito, ela também deve acontecer
pelo Espírito. A interpretação de uma mensagem espiritual não deve
ser interpretada pelo raciocínio humano, mesmo que seja por uma
pessoa experiente e com profundo conhecimento escritural. Para
interpretar uma revelação procedente de Deus, precisamos da
intervenção do Espírito Santo. Dentro dos sete aspectos da
manifestação do Espírito, o que opera nos ajudando na
interpretação é o Espírito de inteligência, ou entendimento (Isaías
11.2).
“Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos,
não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do
conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e
inteligência espiritual” Colossenses 1.9 – JFAC
A inteligência espiritual é resultado da intervenção do Espírito
Santo em nosso raciocínio; é uma forma de raciocinar com o
empoderamento do Espírito. Para interpretar mensagens espirituais
precisamos de inteligência espiritual. Sendo bem místico, a
inteligência espiritual é a ação do Espírito em nossos neurônios
ajudando-nos a processar toda informação de forma espiritual,
precisa e justa.
Como já comentamos, revelação, seja ela qual for, é uma
linguagem espiritual; e o dom espiritual que opera nos capacitando a
decodificá-la é o de interpretação de línguas (1 Coríntios 12.10).
Essa capacidade de interpretar línguas é a mesma para interpretar
visões, sonhos, enigmas e parábolas.
Em minha opinião, um erro muito comum em nossos dias, em
relação à interpretação profética, é o uso de algum tipo de glossário
(símbolos e significados predefinidos) para comunicações
proféticas. Pessoas o consultam quando recebem mensagens de
revelação que precisam de interpretação. Por exemplo, se alguém
tem uma visão de uma serpente, qual a primeira coisa que vem à
mente como significado? Satanás, engano, traição. Nas Escrituras,
serpente pode apontar para Satanás (Gênesis 3.1; Apocalipse 12.9),
mas também para a pessoa de Jesus (Números 21.9; João 3.14). E
se alguém receber uma visão de um leão, o que significa? Depende
também! O leão nas Escrituras pode apontar para Jesus
(Apocalipse 5.5), e também para o nosso inimigo (1 Pedro 5.8).
Não temos como definir com exatidão uma lista de símbolos,
números e cores, e o que cada um significa, para que alguém
consulte toda vez que for interpretar uma visão. Penso que
precisamos ter a mesma atitude de Daniel (Daniel 7.1,16). Para
cada revelação que recebemos é preciso perguntar para o Senhor:
“O que isso significa?”. Pois da mesma forma como derramou a
revelação sobre nós pelo Espírito, Ele também derramará pelo
Espírito a Sua fiel interpretação daquilo que está comunicando.
Existe uma passagem bíblica muito interessante sobre um
episódio na jornada de Jesus, mostrando a real necessidade de nos
alinharmos ao Espírito de Deus para termos a interpretação correta
daquilo que Ele está comunicando a nós: "Pai, glorifica o teu nome.
Então, VEIO UMA VOZ DO CÉU: Eu já o glorifiquei e ainda o
glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia
ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou.
Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por
vossa causa." João 12.28-30
Jesus estava em meio a uma grande multidão e de repente a
voz audível do Pai se fez ouvir, causando certo alvoroço. O mais
interessante é que todos ouviram a voz, ou seja, todos tiveram
acesso à revelação que o Pai derramava sobre aquele lugar. O
problema, nesse caso, não foi a falta de revelação, mas a
interpretação incorreta do que Deus estava comunicando.
Eles ouvem a mesma voz, mas a interpretam de forma
diferente. Como diz meu amigo Fábio Souza: “Os mais racionais
interpretaram que o som da voz era um trovão, os mais místicos
entenderam que um anjo tinha falado naquele ambiente“. A verdade
é que cada um interpretou o som segundo a sua experiência de vida
e sua cosmovisão. Certamente os saduceus entenderam que a voz
era um trovão, porque não acreditavam em anjos. Apenas Jesus
sabia exatamente o que o Pai estava revelando; apenas o Filho, por
causa da obra do Espírito em Sua vida, tinha total clareza daquilo
que estava sendo proclamado pelo Pai.
Concluímos, então, que não adianta sermos pessoas de
revelação sem desenvolvermos a prática da interpretação fidedigna
daquilo que o Senhor está revelando a nós. Não existe outra forma
de interpretar a linguagem do Espírito senão por meio do próprio
Espírito. Para evitar equívocos, aconselho que você evite a prática
da interpretação “solitária”. Consulte pessoas e confira com outros
irmãos (que também estão desenvolvendo a prática dos dons
proféticos) sobre o que você está discernindo em Deus. É muito
comum a revelação vir através de uma pessoa e a interpretação por
outra, por isso a prática da conferência e sujeição é crucial para que
a assertividade desse funcionamento aumente em nossa jornada.
 
APLICAÇÃO Aplicação é a última etapa (mas não a menos
importante) no processo do desenvolvimento profético. Essa etapa
se resume na prática da interpretação de uma revelação recebida a
respeito de uma pessoa ou geografia. A aplicação tem como função
responder às seguintes perguntas: O que faço com essa palavra
que recebi? Como faço para chegar nesse lugar/estágio que foi
profetizado para mim? Como essa palavra se aplica no meu dia a
dia?
Não precisamos ter pressa para avançar nesse processo, uma
vez que revelação, interpretação e aplicação podem ser recebidas
em momentos diferentes sendo comunicadas por pessoas
diferentes. É preciso cautela ao aplicar uma palavra na vida de uma
pessoa ou região. Resumindo: A investigação somada à imaginação
santificada nos leva à revelação, que junto à interpretação nos leva
a comunicar a aplicação da revelação para o dia a dia na vida
comum; o que fazemos, então, é extrair uma palavra do campo
místico para a vida prática.
O Espírito do Senhor, que opera nos dando clareza de como
aplicar a Sua vontade, é o Espírito de sabedoria (Isaías 11.2). Essa
sabedoria não está relacionada à experiência humana ou ao seu
intelecto (desenvolvido através do estudo das ciências naturais),
mas, sim, à capacitação para entender o “como de Deus” para
cada situação, dilema, conflito, projeto, caminho, etc. É olhar cada
situação, conflituosa ou não, com os olhos de Deus. Por esse
motivo, creio que o dom de sabedoria é uma das capacidades
espirituais que mais precisam ser buscadas por pessoas envolvidas
no ministério pastoral em nossos dias. Pessoas têm se aplicado a
estudar técnicas de como lidar com conflitos ou de como obter uma
boa performance em seus “resultados ministeriais”. Porém, o que de
fato é necessário é um batismo da sabedoria espiritual sobre a
liderança eclesiástica de nossa nação, para que seus olhos sejam
desviados das técnicas e resultadoshumanos e se voltem para a
sabedoria de Deus.
"para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da
glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no
pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso
coração, para saberdes qual é a esperança do seu
chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos
santos" Efésios 1.17,18
Paulo, intercedendo pela igreja de Éfeso, pede a Deus que
conceda o espírito de sabedoria e revelação, para que seus olhos
sejam iluminados e abertos. Creio que Paulo deixou registrado um
segredo: a revelação sempre trabalha em conjunto com a sabedoria.
A revelação comunica o que Deus está falando; a sabedoria ensina
como devemos aplicar o que Ele está falando. A revelação fala do
que precisamos fazer; a sabedoria fala como devemos fazer o que
Ele está nos direcionando. A revelação nos ensina qual é o
propósito de Deus para nós, e quais os tempos e estações de seu
cumprimento em nossas vidas; a sabedoria nos ensina qual é o
modo que esse propósito se manifesta, e que tipo de vida nós
precisamos ter para nos submeter a ele no tempo presente e no
futuro.
"Porque para todo propósito há tempo e MODO; porquanto é
grande o mal que pesa sobre o homem." Eclesiastes 8.6
Interessante notar que Paulo sempre trabalhava, em seu
ensino profético e apostólico, com revelação e sabedoria. Já
reparou que ele tinha o costume de ensinar o “como” da instrução
que ensinava? Em sua fantástica carta aos efésios, ele faz a célebre
declaração: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há
dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. Em seguida, ensina como
podemos nos encher do Espírito: “Falando entre vós com salmos,
entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos
espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em
nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros
no temor de Cristo” (Efésios 5.18-21). De igual forma, em sua carta
à igreja de Roma, Paulo faz outra declaração memorável: “Rogo-
vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o
vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o
vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas
transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de
Deus” (Romanos 12.1-2); em seguida escreve três capítulos
(Romanos 12, 13 e 14) para ensinar como devemos renovar a
mente nos submetendo à soberana vontade de Deus.
Dentro do processo profético existem três dons espirituais, que
podemos chamar de dons proféticos, que trabalham em conjunto:
Palavra de conhecimento, dom de profecia e a palavra de
sabedoria. Para ser mais didático descreverei em conjunto e de
forma processual a operação desses dons, para, assim, obtermos
mais clareza sobre o processo da comunicação profética.
Quando recebemos uma palavra procedente de uma revelação
divina a ser dirigida para alguém, a primeira coisa que precisamos
discernir em relação à sua aplicação deve ser se ela é uma palavra
de conhecimento, de profecia ou de sabedoria. Após o acesso à
revelação e busca de sua interpretação, precisamos compreender
qual o tipo de mensagem a qual estamos lidando, e qual a melhor
maneira de comunicá-la para a pessoa.
A palavra de conhecimento fala do estado atual da pessoa e
sobre os eventos de sua história passada que a conduziram àquele
momento. É possível observar que a maioria das palavras de
revelação que são entregues nos ambientes carismáticos e
pentecostais não profetizam nada sobre as pessoas, são apenas
palavras de conhecimento a respeito de detalhes de suas vidas no
presente e passado – informações que elas já sabem. No entanto, a
palavra de conhecimento pode funcionar de forma poderosa abrindo
espaço para a ação do dom de profecia.
O dom de profecia trabalha fortalecendo, encorajando e
ministrando esperança às pessoas; traz o olhar de Deus sobre suas
vidas, revelando Seus pensamentos a respeito delas. Se a palavra
de conhecimento revela o estado atual do indivíduo, o dom de
profecia revela aonde ele precisa chegar sob a ótica de Deus.
Profetizar, então, é projetar a situação ideal para a pessoa de
acordo com os pensamentos divinos.
"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o
SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o
fim que desejais." Jeremias 29.11
Então, se a palavra de conhecimento revela o estado atual e o
dom de profecia fala do futuro ideal, a palavra de sabedoria trabalha
para comunicar à pessoa como chegar ao futuro ideal, ou seja, que
tipo de vida ela precisa ter que a possibilite correr até o alvo
proposto pela comunicação profética. Como já sabemos, a palavra
de sabedoria sempre vai trabalhar com o “como”.
Para entendermos melhor essa dinâmica olhemos para a
passagem que relata a ministração profética de Jesus à mulher
samaritana, para que juntos identifiquemos as três fases da
instrução profética: "Disselhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem
cá; ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe
Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já
tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste
com verdade. Senhor, disselhe a mulher, vejo que tu és profeta."
João 4.16-19
A primeira coisa que precisamos destacar nessa passagem é a
maneira como Jesus atrai a atenção da mulher para as Suas
palavras. Ele entrega uma palavra de conhecimento, revelando
que ela já teve cinco maridos e que o homem com quem está se
relacionando no momento não é seu marido, mas, sim, seu amante.
Vemos, então, que a palavra de conhecimento abriu um ambiente
de fé para que Ele pudesse profetizar para ela.
"Disselhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem,
quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que
conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a
hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores
adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes
que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e
importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em
verdade." João 4.21-24
Em seguida, Jesus profetiza afirmando para a mulher que
chegará o momento em que a adoração ao Deus vivo não estará
mais atrelada a um lugar físico, mas, sim, a um lugar espiritual, e a
convida para ser encontrada pelo Pai como uma adoradora que o
adoraria em espírito e em verdade. Veja que a palavra de
conhecimento fala de sua situação, mas a profecia projeta um futuro
para a sua vida, segundo a ótica de Deus.
"Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede;
aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca
mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será
nele uma fonte a jorrar para a vida eterna." João 4.13,14
Então, se a palavra de conhecimento falou da situação da
samaritana em relação aos seus conflitos sentimentais e a profecia
apontou para sua restauração espiritual convidando-a para fazer
parte dos verdadeiros adoradores, a palavra de sabedoria, por sua
vez, revelou-lhe como deveria trilhar esse processo em Deus –
bebendo da água viva e se tornando uma fonte de vida do Senhor
naquela região, o que de fato aconteceu.
Observando esse episódio da mulher de Samaria, precisamos
sempre lembrar que os dons proféticos não foram dados apenas
para o serviço da igreja, mas também para conectar o coração dos
incrédulos com a voz do Senhor, e para abrir a porta da fé que
aproxima suas mentes e corações da obra redentiva de Cristo. O
aperfeiçoamento dos santos, na prática dos dons espirituais e na
visão profética, está totalmente relacionado com a sua capacitação
para se unir eficazmente ao chamado apostólico da grande
comissão. Com o fim de acessar pessoas através do poder do
Espírito (1 Coríntios 2.4), os santos saem pregando o evangelho do
Cristo de Deus, expulsando demônios, curando os enfermos,
batizando pessoas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
saem também para discipular regiões através do ensino da doutrina
de Cristo e do testemunho de Seu coraçãoaté à consumação dos
séculos (Mateus 28.18-20; Marcos 16.15-18).
"Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou
indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado;
tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim,
prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus,
testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós." 1
Coríntios 14.24,25
Em resumo, o nosso trabalho profético precisa se
responsabilizar a ensinar pessoas e ambientes a se submeterem ao
processo profético como um todo, começando pela investigação e
revelação, buscando uma fiel interpretação e, por fim, trabalhando
pelo ambiente propício para a aplicação daquilo que foi comunicado
da parte de Deus à vida das pessoas, as quais são os alvos da
revelação liberada dos céus. Atenção! Não tenha pressa! Respeite
os processos, se submeta ao tempo do Senhor, e sujeite tudo o que
você está acessando em Deus ao ambiente corporativo no qual está
inserido. Lembre-se sempre: Toda pessoa é responsável por aquilo
que profetiza.
 
REVELAÇÃO X REAÇÃO Nesse processo de aplicação da palavra
recebida, gostaria de investir um tempo oferecendo algo prático em
relação a como devemos receber uma instrução profética em
nossas vidas, ou seja, como devemos reagir à revelação que vem
ao nosso encontro. Toda revelação requer uma reação de nossa
parte. Isso nos leva a entender que precisamos reagir de forma
honesta e fiel a toda comunicação profética que julgamos digna de
aceitação por meio da obra do Espírito.
Existe uma grande diferença entre ouvir e receber uma palavra
de revelação. Ouvir uma palavra de Deus como um espectador no
processo de cumprimento dessa palavra não é o mesmo que
recebê-la. Se eu entendo que uma palavra é uma diretiva do Pai
para minha vida, então, devo me comprometer com o seu processo
de cumprimento.
Como já vimos, toda pessoa que profetiza é responsável por
aquilo que profetiza, mas toda pessoa que recebe uma profecia
também é responsável por aquilo que está ouvindo, e precisa se
comprometer em andar sobre a palavra que ouviu. Sempre que
medito no episódio de Pedro andando sobre as águas, concluo que,
na verdade, ele não andou sobre as águas, mas sobre a palavra
liberada por Jesus – “VEM”. Ao recebermos uma palavra do Senhor
ela precisa afetar nossa vida, nossa maneira de pensar e o nosso
trilhar na jornada que nos foi proposta. Como diz Graham Cooke:
“Toda profecia nos oferece uma agenda de trabalho e oração”.
É preciso ter em mente que toda profecia a respeito do
propósito eterno do Pai se cumprirá em seus mínimos detalhes,
independentemente de qualquer ação ou omissão humana. Por
exemplo: Yeshua voltará para reinar sobre a humanidade e
provocará a restauração de todas as coisas; essa verdade se
cumprirá independente de qualquer ação humana, porque é parte
do propósito eterno do Senhor.
Em se tratando de uma profecia pessoal (do coração do Pai
para uma pessoa ou grupo de pessoas), que instrui como se deve
submeter ao propósito eterno de Deus, seu resultado pode ser
condicionado ao recebimento e reação daqueles que são alvos dela.
Mesmo sendo uma genuína palavra profética (inspirada por Deus),
ela poderá ter seu cumprimento adiado se não houver um
posicionamento correto diante da sua realidade.
"Porque eu sou o Senhor; falarei, e a palavra que eu falar se
cumprirá. Não será mais adiada; pois em nossos dias, ó casa
rebelde, falarei a palavra e a cumprirei, diz o Senhor Deus.
Portanto dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Não será mais
adiada nenhuma das MINHAS PALAVRAS, mas a palavra
que falei se cumprirá, diz o Senhor Deus." Ezequiel 12.25,28
Como exemplo do fato de que devemos ter um
posicionamento, citamos a profecia que Deus comissionou a Jonas
para liberar à cidade de Nínive. Ela dizia que a cidade seria
destruída pelo Senhor no prazo de quarenta dias. Porém, Deus viu
arrependimento e humilhação na vida do rei e do povo daquela
cidade, por isso, a destruição não aconteceu como profetizada
(Jonas 3.2-6,10). Na verdade, a profecia só se cumpriu anos depois
de sua liberação. Lembrando sempre que toda palavra de exortação
tem como função primária produzir um ambiente de arrependimento
e não de juízo.
Outro exemplo claro sobre essa realidade é quando Deus
descreve para Abrão sobre Seu propósito para com o povo. Ele
prediz que os descendentes de Abrão seriam escravizados e
oprimidos por 400 anos em uma terra estrangeira (Gênesis 15.13),
se referindo claramente ao período de escravidão do povo de Israel
no Egito. Mas, se observarmos o desenrolar da história, veremos
que o povo de Israel permaneceu no Egito por 430 anos (Êxodo
12.40), ou seja, 30 anos a mais do tempo que Deus havia predito.
O que aconteceu, Deus errou? Ou Moisés errou ao descrever
os fatos acerca desse episódio? Claro que não! Creio que a
explicação sobre tal diferença de tempo é óbvia, isto é, o acréscimo
de 30 anos foi devido à maneira como o povo hebreu se posicionou
diante do que Deus dissera. Tanto é que Moisés deixa claro que
quando o povo se posicionou em intercessão, erguendo clamores
diante de Deus, o próprio Senhor foi ao encontro de Moisés no
deserto e iniciou o processo de libertação do povo hebreu do Egito.
“No decorrer de muitos dias, morreu o rei do Egito; e os filhos
de Israel gemiam debaixo da servidão; pelo que clamaram, e
subiu a Deus o seu clamor por causa dessa servidão. Então
Deus, ouvindo-lhes os gemidos, lembrou-se do seu pacto com
Abraão, com Isaque e com Jacó. E atentou Deus para os filhos
de Israel; e Deus os conheceu." Êxodo 2.23-25
"Então disse o Senhor: Com efeito tenho visto a aflição do meu
povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por
causa dos seus exatores, porque conheço os seus sofrimentos;
e desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer
subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma
terra que mana leite e mel; para o lugar do cananeu, do heteu,
do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu." Êxodo 3.7-8
Baseado nesse entendimento, gostaria de reafirmar que entre
o recebimento da palavra e seu cumprimento existe um processo a
ser trilhado:
Receber a palavra sem negligência – 1 Timóteo 4.14;
Aprender a andar sobre a palavra em fé – Hebreus 4.2;
Proteger a mente com a palavra, cultivando a esperança
– Lamentações 3.21;
Lutar pela palavra em intercessão – 1 Timóteo 1.18.
Acredito que se guardarmos esses pontos em relação à
profecia, reagiremos com responsabilidade e zelo a toda palavra
profética que vier ao nosso encontro, e, assim, participaremos do
processo de seu cumprimento em nossa jornada.
Um caso pontual sobre a reação correta diante da profecia é o
de Daniel, na Babilônia. Ele investigava a Deus por meio da oração
e do estudo das Escrituras. O interessante é que quando percebeu
que o tempo da profecia sobre a libertação do exílio havia chegado,
ele não ficou de braços cruzados, esperando o seu cumprimento,
mas começou a lutar por ele em intercessão.
"no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos
livros que o número de anos, de que falara o Senhor ao
profeta Jeremias, que haviam de durar as desolações de
Jerusalém, era de setenta anos. Eu, pois, dirigi o meu rosto ao
Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com
jejum, e saco e cinza." Daniel 9.2,3
Na verdade, o que Daniel fez nesse momento foi lutar para que
a palavra se cumprisse. Ou seja, em uma posição intercessória ele
começa a provocar o cumprimento de uma profecia, dita por Deus,
que haveria de se cumprir sobre o Seu povo naquele tempo. O que
acontece, então, é que após essa ação de Daniel, Deus envia-lhe
uma resposta por meio do anjo Gabriel.
"No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim,
para to declarar, pois és muito amado; considera, pois, a
palavra e entende a visão." Daniel 9.23
Por causa da posição de Daniel em relação às profecias
liberadas ao seu povo, uma série de eventos é desencadeada nos
céus e na terra, até que o decreto do imperador libera o povo judeu
para voltar a Jerusalém e reedificar a casa de Deus, cumprindo
assim a vontade do Eterno sobreIsrael. Precisamos aprender a
receber com zelo toda palavra que o Senhor tem derramado dos
céus para nós, lutando para que tudo o que foi dito a nosso respeito
se cumpra no tempo designado por Deus.
"Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e
para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a
fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e
pão ao que come, assim será a PALAVRA que sair da minha
boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz
e prosperará naquilo para que a designei." Isaías 55.10,11
 
CAPÍTULO 7
UMA PALAVRA À GERAÇÃO
Gostaria de terminar este primeiro livro sobre o serviço profético,
propondo uma palavra diretiva a esta geração com o objetivo de
fortalecê-la, encorajá-la e dar-lhe esperança. Creio que esta palavra
está relacionada com a convocação do Senhor nestes dias, para
que nos tornemos uma geração apostólica e profética que preparará
todas as etnias da terra para a vinda do Reino do Messias.
Como sabemos, toda comunicação profética precisa ser
pesada e conferida, e neste caso não será diferente. Por isso,
vamos nos basear na Palavra Profética (na Bíblia – 2 Pedro 1.19),
observando primeiro o discurso de Jesus a respeito da geração
perversa.
"Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos
procurando repouso, porém não encontra. Por isso, diz: Voltarei
para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia,
varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete
espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último
estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim
também acontecerá a esta GERAÇÃO PERVERSA." Mateus
12.43-45
Sempre que ouço pessoas pregando sobre esse texto, percebo
que elas o aplicam para ensinar sobre libertação de demônios.
Porém, a meu ver, Jesus usa-o como uma parábola para profetizar
sobre o comportamento de sua geração que foi entregue à
perversidade.
Podemos extrair um interessante princípio dessa proclamação
profética de Jesus: uma geração perversa é aquela que se aplica
em remover e derrubar tudo que pensa ser maligno e falso em um
ambiente, sem, contudo, edificar nesse espaço o que é
fundamentalmente justo e santo. Em outras palavras, uma geração
perversa é formada de pessoas que têm prazer em destruir
ambientes sem a intenção de construir algo neles, tornando-os,
assim, piores do que eram no início.
Como falado anteriormente, nestes dias precisamos remover
do nosso meio o sofisma de que o ministério profético tem por
finalidade apontar problemas e derrubar tudo o que considera falso.
Isso é um grande equívoco! Pessoas proféticas são comissionadas
pelo Senhor para arrancar e derrubar o que é profano e falso, mas
com o objetivo final de semear e edificar o que é justo e verdadeiro.
Nosso serviço, então, deve visar sempre a preparação de espaços
para que a obra do ministério (Efésios 4.12) seja estabelecida
através da boa, perfeita e agradável vontade do Pai.
"Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos,
para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e
também para edificares e para plantares." Jeremias 1.10
Toda ação em nome do profético que não tenha por objetivo
final a construção da obra de Deus é incorreta e precisa ser
rejeitada, independente de quem ela procedeu. Logo, se você não
foi autorizado por Deus para semear ou edificar em algum ambiente,
é melhor que não derrube nada que julga ser equivocado, porque o
estado final do ambiente poderá ser pior do que era no início.
Se você deseja fazer parte de uma geração que serve
profeticamente, então, precisa se submeter ao Espírito Santo na
obra de semeadura e edificação. Uma pessoa profética não deve
fazer ou falar tudo o que pensa ou deseja em nenhum ambiente de
jurisdição, na verdade, ela só poderá fazer ou falar aquilo que lhe foi
autorizado por Deus. Em cada esfera de atuação o ministério
profético deve agir de forma distinta, uma vez que todos os seus
movimentos na obra precisam estar sujeitos à autorização do dono
da obra.
Proponho algumas perguntas para você meditar a respeito do
seu comportamento na obra do Senhor nestes dias: Quais sementes
você tem recebido de Deus? Em que campo você as está
semeando? O que o Senhor está edificando em você nesta
estação? Como você está se envolvendo na edificação da obra de
Deus nestes dias?
Para ampliar nosso entendimento a respeito do tipo de
comportamento apresentado pela geração perversa, vejamos outra
declaração profética de Jesus: "A que, pois, compararei os
homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? São
semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os
outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos
lamentações, e não chorastes." Lucas 7.31-32
A primeira característica da geração perversa, de acordo com
as palavras de Jesus, é ela ser formada por homens semelhantes a
meninos imaturos, ou seja, pessoas descomprometidas e que não
agem como adultos responsáveis. Estes se comportam como
crianças que não produzem nada em casa, antes, consomem os
recursos e precisam “ter suas fraldas trocadas” constantemente –
geração formada de consumidores e não de servos.
O maior problema desta geração não é ser ela formada de
neófitos (recém-nascidos na fé), mas de pessoas que, embora
estejam por muito tempo expostos ao ensino dos fundamentos da
fé, nunca se desenvolveram em autoridade e obediência e, por isso,
continuam se portando como crianças que necessitam de leite e que
não conseguem digerir alimento sólido. (Hebreus 5.12).
Em Sua profecia, Jesus afirma que os meninos dessa geração
estão sentados de forma letárgica; observam tudo ao seu redor
sem, contudo, se envolverem com nada. Quando um som de alegria
é entoado, não dançam; quando um lamento é ouvido, não choram.
Ou seja, eles não se movem em direção a nenhum ambiente
edificado diante deles. Os integrantes desta geração perversa
sempre se colocam na posição de um espectador em relação a tudo
o que está acontecendo à sua volta, e nunca se comprometem com
nada nem com ninguém.
Nós precisamos confrontar esse tipo de comportamento
individualista em nossos dias. Se de fato desejamos nos tornar uma
geração que serve profeticamente, precisamos aprender a nos
comprometer com duas coisas básicas: 1. O que Deus está
fazendo hoje – Devemos nos comprometer com o que Deus está
fazendo, assim como Noé se comprometeu em edificar a arca em
seus dias. Ele a construiu baseado no que viu e ouviu acerca do que
Deus estava trazendo sobre a criação em sua época.
O obreiro que trabalha na missão de Deus deve ter por
princípio saber que Ele é seu Senhor e só Ele tem autoridade de
definir quando o trabalhador pode parar na Sua obra. Não importa
que nível de decepção você experimentou em relação ao serviço da
obra de Deus, mas decidir parar é sempre a pior opção, porque em
tudo que há vida também há movimento. Podemos ilustrar isso com
o que aconteceu com Elias. Ele estava frustrado e com medo e, por
isso, fugiu para o deserto e se assentou debaixo de um arbusto
pedindo para morrer. Porém, veio um anjo da parte do Senhor e lhe
disse para levantar-se e continuar a se mover porque o caminho
diante dele ainda era longo (1 Reis 19.4-7).
Atenção! Você não escolhe quando parar, apenas o Senhor
da obra pode definir esse tempo. Mesmo que você esteja com
medo, decepcionado, frustrado ou ferido, levante-se e continue
correspondendo ao que Deus está falando e fazendo em sua
geração; continue acreditando que a Sua soberana vontade é
sempre perfeita.
2. Com o próximo – Devemos nos comprometer com o
próximo em todos os aspectos da vida, seja em relação a indivíduos
ou a ambientes coletivos. Pessoas comprometidas com o próximo
sempre têm uma postura de serviço e amor; elas se identificam com
a alegria ou com o sofrimento daqueles que os cercam,
primariamente com os irmãos da fé (Gálatas 6.10) e posteriormente
com aqueles que convivem em seu dia a dia. É preciso sempre
lembrar da instrução de Paulo aos santos: "Alegrai-vos com os que
se alegram e chorai com os que

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