Prévia do material em texto
11ªJornada Científica –Embrapa Mandioca e Fruticultura | 2017 Dispersão de Diaphorina citri após exposição à radiação eletromagnética Daniela Gomes de Magalhães¹, Mirco Ragni², Marilene Fancelli³, Milena Oliveira Kalile4, Manuela Souza Rosa5 1Estudante de Bacharelado em Biologia, Universidade Estadual de Feira de Santana, danielamagalhaes20@gmail.com ²Pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana, mirco@uefs.br ³Pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, marilene.fancelli@embrapa.br 4Estudante de Biologia, Universidade Estadual de Feira de Santana, milenakalile@gmail.com 5Estudante de Agroecologia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, manurosa020@gmail.com A capacidade de dispersão de insetos praga está diretamente associada à dinâmica populacional dos vetores e à epidemiologia de doenças. Diaphorina citri, por exemplo, é o vetor da Candidatus Liberibacter spp., bactéria gram-negativa que se desenvolve em vasos floemáticos das plantas cítricas causando o Huanglongbing (HLB). Essa doença é responsável pela baixa qualidade dos frutos em pomares infectados, prejudicando a safra dos cítricos no Brasil, o qual é um dos principais centros produtores de laranjas do mundo. Em estudo anteriormente desenvolvido, foi possível apontar que ninfas e ovos são mais sensíveis à exposição eletromagnética em decorrência do seu exoesqueleto com menor espessamento de quitina em relação aos indivíduos adultos, o que provoca acelerada deterioração tegumentar das ninfas. Os psilídeos adultos observados nas análises realizadas necessitaram de, aproximadamente, 5 a 10 segundos de exposição direta para serem mortos, em ambiente controlado. Foi realizada uma análise prévia simulando as condições em campo, na qual foi possível reconhecer que insetos expostos à radiação por 5 segundos tendem a migrar para outras plantas quando não expostos diretamente, ou ficam debilitados, o que precede a morte. Com isso, o presente trabalho teve como objetivo analisar a capacidade de dispersão de psilídeos fêmeas e machos de D. citri entre plantas de murta (Murraya paniculata), a capacidade de reprodução e os efeitos sobre o tempo de vida após serem expostos à radiação eletromagnética em ambiente similar ao natural. Para tanto, foram realizadas análises com 30 mudas de murta, em cinco repetições com três plantas distintas para cada sexo, em gaiola revestida com tela antiafídica, com dimensão de 1,20 m x 0,30 m. Foi posicionada inicialmente uma planta na região central da gaiola e, então, 10 psilídeos coletados foram liberados próximos a esta. Posteriormente, no momento de exposição à radiação laser, duas outras mudas de murta foram posicionadas em regiões opostas na gaiola. Foi utilizado laser com frequência luminosa azul, que percorreu toda a gaiola no sentido vertical, três vezes, a fim de que o maior número possível de insetos fosse exposto diretamente. Os psilídeos utilizados no experimento foram capturados por meio de um tubo coletor, no Campus da Universidade Estadual de Feira de Santana. Foram utilizados 100 insetos, 10 de cada sexo por experimento. Além dos efeitos sobre os psilídeos, também foi avaliada a viabilidade das plantas expostas à radiação. Com base na revisão bibliográfica e no desenvolvimento de análises prévias, é esperado que os insetos expostos diretamente à radiação possuam baixa capacidade de dispersão, reprodução e sobrevivência ao longo do tempo. Assim, a radiação poderá ser utilizada futuramente como mecanismo de controle do inseto-praga nos pomares e, consequentemente, como medida preventiva e potencialmente na erradicação do HLB. Significado e impacto do trabalho: Devido ao dano causado e pela dificuldade de manejo, o Huanglongbing (HLB) é uma grande ameaça para citricultura mundial. Por isso, o estudo da dispersão e da dinâmica populacional do inseto-vetor mostra-se de grande benefício para o controle da praga, sendo a radiação eletromagnética um mecanismo potencialmente eficaz no controle de Diaphorina citri em pomares infectados. 46 mailto:mirco@uefs.br mailto:milenakalile@gmail.com mailto:manurosa020@gmail.com 11ª Jornada Científica – Embrapa Mandioca e Fruticultura | 2017 Efeito da interação de Meloidogyne javanica e Fusarium oxysporum f. sp. cubense na intensidade do mal-do-Panamá. Robert Felix de Santana¹; Leandro de Souza Rocha2; Edson Perito Amorim3; Fernando Haddad4. 1UFRB -Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cruz das Almas, e-mail: robert_fsa10@hotmail.com; ²Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, e-mail: ² leandro.rocha@embrapa.br / 3 edson.amorim@embrapa.br / 4 fernando.haddad@embrapa.br . No mundo, o Brasil ocupa a quarta posição entre os produtores de banana e atualmente o mal-do-Panamá é considerada a doença de maior ameaça para a bananicultura mundial. No país há um aumento na incidência e severidade da doença em plantios comerciais de variedades do tipo Prata e Cavendish e uma das hipóteses para esse incremento advém da interação de Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc) com fatores bióticos, como a ocorrência de nematoides na mesma área. Diante deste quadro, o objetivo deste trabalho foi estudar a influência de Meloidogyne spp. no aumento da intensidade da doença na cultivar Prata anã (Grupo genômico AAB) e Grande naine (Grupo AAA). A montagem do experimento foi realizada em casa de vegetação da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas-BA. Para isso foi utilizado o isolado 218A de Foc, pertencente à Coleção Biológica de trabalho de Fusarium oxysporum f. sp cubense do Laboratório de Fitopatologia, devido à sua maior agressividade e virulência. O isolado foi repicado e em seguida inoculado em meio composto por areia e fubá para crescimento. A população de Meloidogyne javanica foi obtida da Coleção Biológica de trabalho de Fitonematoides da Embrapa Mandioca e Fruticultura, multiplicada em tomateiro e depois extraída para posterior inoculação em mudas de bananeira. Foram utilizadas mudas de bananeira micropropagadas das cultivares, ‘Prata Anã’, suscetível ao mal-do- Panamá e moderadamente resistente ao M. javaniva, e ‘Grande Naine’, resistente ao mal-do-Panamá e suscetível a M. Javanica. Depois de aclimatadas as mudas iniciou-se a infestação do solo com os inóculos de acordo com cada um dos tratamentos: Foc e M. javanica inoculados ao mesmo tempo (Foc + Nema + Cultivar); Foc inoculado uma semana antes da inoculação de M. javanica (Foc + Cultivar + Nema); e Foc inoculado uma semana após a inoculação de M. javanica (Nema + Cultivar + Foc). Os tratamentos controles foram: inoculação de areia e fubá sem Foc e água sem nematoide por cultivar; inoculação individual de Foc (Foc + Cultivar); e inoculação individual de M. javanica (Nema + Cultivar). Foi ultilizado o delineamento de blocos casualizados (DBC), com seis tratamentos por cultivar e 10 repetições. A avaliação da descoloração do rizoma foi realizada no decorrer do experimento, após a morte das mudas e ao final dos 60 dias após a inoculação. A avaliação nematológica foi realizada 56 DAP através do número de ovos mais juvenis de segundo estádio (J2) por sistema radicular, número de juvenis de segundo estádio no solo e fator de reprodução. Os ovos foram quantificados em câmara de Peters, em microscópio óptico. A reação das cultivares de bananeira ao M. javanica foi determinada por meio dos critérios de Moura e Régis (1987). Os cálculos referentes à análise estatística foram executados utilizando-se do software “Sisvar” (Ferreira, 2011). Os dados obtidos foram submetidos à analise de variância e as médias comparadas por teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade de erro. Na cultivar Prata Anã, 56 dias após a inoculação dos patógenos, a presença do M. javanica não influenciou a agressividade de Foc, a reprodução de M. javanica e a severidade do Foc se apresentaram normalmente, comparado ao controle onde se inoculou apenas Foc ou M. javanica. A diferença entrea média dos tratamentos inoculados com os dois patógenos e o controle, somente Foc, foi de apenas 2,6%. Provavelmente, não houve competição entre os dois patógenos pelos sítios de infecção e/ou alimentação. As possíveis alterações na expressão de genes e no metabolismo das células vegetais influenciadas pelo nematoide não interferiram na severidade do Foc, bem como não houve efeito de toxinas ou compostos análogos a hormônios produzidos pelo Foc sobre o processo de parasitismo do nematoide. Na cultivar ‘Grande Naine’ os maiores índices de doença (ID) relacionados aos sintomas internos de Foc foram observados nos tratamentos com inoculação simultânea e anterior do nematoide. Nesses tratamentos o aumento médio do ID foi de 23 e 29% em comparação aos tratamentos Grande Naine inoculada apenas com Foc e Foc inoculado uma semana antes do nematoide, respectivamente. Tendo em vista os resultados supracitados, observa-se que na cultivar ‘Prata Anã’ a interação entre M. javanica e F. oxysporum f. sp. cubense não interfere na reprodução do nematoide e na severidade de Foc. A presença conjunta de M. javanica e Foc aumenta a severidade do mal-do-Panamá e reduz a reprodução do nematoide na cultivar ‘Grande Naine’. Significado e impacto do trabalho: Há o aumento na intensidade da murcha de fusarium em plantios comerciais de bananeira do tipo Prata e Cavendish. Isso se deve, entre outros fatores, a uma possível interação de Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc) com a ocorrência de nematoides na mesma área. Este trabalho tem impacto significativo para subsidiar estratégias de manejo para a murcha de fusarium da bananeira em áreas com a ocorrência de Meloidogyne javanica, principalmente em áreas com plantio de variedades tipo Cavendish. 47 mailto:%20/%203%20edson.amorim@embrapa.br%20/%204%20fernando.haddad@embrapa.br mailto:%20/%203%20edson.amorim@embrapa.br%20/%204%20fernando.haddad@embrapa.br 1_MDP.pdf MDP-D3-141_17_V02-Aprovado MDP-E1-075_17_V02-Aprovado