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A IMPORTÂNCIA DA POESIA NA FORMAÇÃO DO LEITOR SANTOS, Aline de Souza dos 1989301 RESUMO O presente trabalho foi realizado sob o meio metodológico de pesquisa bibliográfica e documental com o objetivo principal de refletir sobre a importância da poesia na formação do leitor. Faz-se necessária a pesquisa sobre o assunto tendo em vista que a poesia tem sido delegada à margem da literatura pra crianças e seu uso em sala de aula tem sido escassa por ser considerada muitas vezes complexa de ser trabalhada. Porém é reconhecido pelos profissionais da área que a poesia opera como importante ferramenta para o desenvolvimento da leitura porque é divertida e atraente para às crianças e também para o desenvolvimento da cognição por trabalhar com a subjetividade. Este estudo divide-se em duas seções sendo a primeira “O convívio com a poesia favorece o prazer da leitura do texto poético e a produção dos próprios poemas” em que se estabelece uma relação entre o texto poético e a formação de bons leitores, esta seção, por sua vez se divide em duas subseções intituladas “A Poesia é uma forma especial de linguagem, pois ler ensina, diverte, emociona, o indivíduo entra em outro mundo” em que se enfatiza o aspecto lúdico e artístico da poesia tão importante para o desenvolvimento humano e “O ato de ler e a leitura” em que se reflete sobre o posicionamento do leitor em relação ao texto e o reconhecimento dessa ação como necessária ao ser humano. A segunda parte trata da metodologia utilizada no trabalho. Por fim, apresentamos as considerações finais que reforçam a ideia da poesia como formadora de leitores emocional e afetivamente desenvolvidos pois trabalha sentimentos, comportamentos, virtudes e inquietudes humanas. INTRODUÇÃO O presente trabalho de Conclusão de Curso tem como tema a importância da poesia na formação do leitor. O interesse pelo tema surgiu a partir do reconhecimento de que a leitura é muito importante para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas ao aprendizado e desenvolvimento dos indivíduos, pois ler ensina, diverte, emociona, o indivíduo entra em outro mundo. A poesia é uma forma especial de linguagem, falada ou escrita, ouvida ou lida, sempre a encontramos, seu jogo com sonoridade, musicalidade, ritmos e rimas, tornam sua leitura um ato prazeroso e divertido. A poesia, antes de tudo, é a transfiguração da realidade em expressão de beleza e de contemplação emocional, esta desperta os valores estéticos, aprimora as emoções, sensibilidade, aguça sensações e enriquece a percepção. A poesia tem uma importância fundamental para a formação crítico-reflexiva do leitor. Ela possibilita ao homem o encontro com a cultura humanística como espaço de revelação e reconhecimento do prazer, da fantasia e da realidade circundante, além de propiciar-lhe ampla crítica dos valores vigentes na sociedade. Viver a poesia é viver o mundo. É se comunicar por meio dos sentidos com os acontecimentos que se passam ao nosso redor. No entanto, apesar de sua fundamental importância para a construção de conhecimentos, percebemos que atualmente nas aulas de língua portuguesa a leitura, em especial de poesias, é algo pouco discutida, pois infelizmente o incentivo à leitura da poesia ficou esquecido dentro do contexto escolar, uma vez que os professores em sua maioria preferem tratar em sala de aula de assuntos considerados “mais importantes”. PINHEIRO (2007 p.17) afirma: “De todos os gêneros literários, provavelmente, é a poesia o menos prestigiado no fazer pedagógico da sala de aula”. Mas, na verdade, todos os educadores conhecem a importância e a influência que a poesia exerce em nossas vidas e na formação de leitores competentes e de cidadãos mais críticos. Portanto, quem lê e trata de poesia em sala de aula não está considerando assuntos que não são importantes, pelo contrário, está vivendo a realidade, passando a olhar o mundo com mais verdade. O objetivo geral é discorrer sobre a importância do uso da poesia na formação do leitor, suas especificidades e vantagens nessa etapa de aprendizagem, ajudando na construção da reflexão, autonomia e da criatividade. Com o uso da poesia o leitor aprende a conhecer, a fazer, a conviver e a ser e isso favorece o desenvolvimento da autoconfiança, curiosidade, autonomia, linguagem e pensamento. O objetivo específico consistiu em mostrar que através da poesia o leitor vai descobrindo o mundo, usando da imaginação, reflexão e criando significados. Ela é uma forma de estimular a oralidade, a criatividade e a reflexão a respeito de fatos da vida de cada pessoa. O problema abordado nesse trabalho é: Quais são as contribuições do uso da poesia, com o uso de suas rimas, melodias e humor na formação do leitor? Quanto à metodologia empregada a pesquisa é essencialmente de cunho documental e revisões bibliográficas, tendo como método de apresentação o qualitativo e, não pretendendo, portanto, enumerar quais fatos possuem maior ou menor significância, mas compreendê-los em sua totalidade. Este trabalho encontra-se estruturado em três partes. Na primeira o objetivo é demonstrar que o convívio com a poesia favorece o prazer da leitura do texto poético e a produção dos próprios poemas. Na segunda o intuito é justificar que a poesia é uma forma especial de linguagem, pois ler ensina, diverte, emociona, o indivíduo entra em outro mundo. Na terceira será mostrado sobre a importância da leitura. Nas Considerações Finais será feito uma reflexão sobre o entendimento dos temas trabalhados nessa pesquisa em relação a importância da poesia na formação do leitor. 1. O CONVÍVIO COM A POESIA FAVORECE O PRAZER DA LEITURA DO TEXTO POÉTICO E A PRODUÇÃO DOS PRÓPRIOS POEMAS A leitura é praticada com várias finalidades, com objetivo de entender, conhecer, para viajar no mundo imaginário, por prazer ou curiosidade, para questionar e resolver problemas. Neste sentido, o indivíduo que lê é um participante ativo na construção e reconstrução de si mesmo e da sociedade. A importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente –a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo (FREIRE, 1993, p.11). A poesia é muito mais que um texto, trata-se da tradução do universo desconhecido das emoções, a arte de brincar com as palavras, uma esfera pouco compreendida, que tenta muitas vezes transmitir significados nas entrelinhas dos versos, está por sua vez sensibiliza e precisa ser cultivada. O convívio com a poesia favorece o prazer da leitura do texto poético e a produção dos próprios poemas, o exercício poético ajuda no desenvolvimento de uma compreensão mais rica da realidade, aumenta a familiaridade com a linguagem mais elaborada da literatura e enriquece a percepção. De acordo com PAZ (1982, p.15), A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza [...] Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem [...] Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva [...] Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Podemos dizer que todas as leituras favorecem a descoberta, ou a criação dos sentidos, mas são as literárias que a fazem de modo mais abrangente. A linguagem literária representa uma visão da existência humana. Ela é o que permite que um texto seja considerado artístico. Ela é conotativa, subjetiva, ficcional e não utilitária. Uma forma de se expressar artisticamente por meio da escrita. De acordo com Hessen (1999), que reconhece a existência de um conhecimento imediato, o conhecimento intuitivodá-se pelo olhar, sendo sua característica maior a de que o objeto é imediatamente apreendido, como ocorre de forma mais notável na visão. Admitir ou não a existência de outro tipo de conhecimento, além do racional e discursivo, aponta para a concepção que temos acerca do homem, sobretudo de como se pensa a respeito da essência do ser humano. Ainda, de acordo com Hessen (1999), quem vê o homem como um ser exclusivamente teórico, cuja função é pensar, reconhece apenas o conhecimento racional como válido. Quem desloca o centro da gravidade do ser humano mais para o lado do sentimento e da vontade, está inclinado a reconhecer outro tipo de apreensão do objeto. Nesse caso, estamos convencidos de que os múltiplos aspectos da realidade correspondem também a uma multiplicidade de funções do conhecimento: “Quem [...] se mantém sintonizado com a realidade concreta da vida, logo se convence de que o verdadeiro centro de gravidade do ser humano não está nas forças intelectuais, mas nas emocionais e volitivas” (HESSEN, 1999, p. 109-110). Assim, o humano se faz mais e mais humano conforme conjuga sensibilidade e inteligência. Daí decorre que o conhecimento precisa ser consequência de vontade de conhecer, da emoção e do condicionamento dos nossos desejos mais profundos. “A arte não é ornamento de sociedades esnobes, mas mergulho no autoconhecimento” (MORAIS, 1992, p 83). As leituras que realizamos vão se colando ao que somos e, aos poucos, vamos nos construindo também por intermédio do que lemos. A cada leitura, nos transformamos de algum modo. Entretanto, nem sempre nos damos conta dessas mudanças. Elas simplesmente ocorrem e, de repente, nos deparamos diferentes, nem melhores, nem piores, apenas mudados. É próprio da condição humana esse deslocamento, equilíbrio e desequilíbrio, empenho em responder às perguntas nem sempre bem formuladas. É a insatisfação com os limites, o desejo de plenitude e essa busca de sermos uma coisa inteira que nos movimenta. E, nesse contexto, as experiências de leitura configuram-se como possibilidades de irmos nos construindo enquanto sujeitos. Essa busca incessante de responder às questões voltadas para quem realmente somos têm sua origem no começo da vida, encontrando no ritmo e no som a primeira fonte de aprendizagem poética de contato com o mundo, o que nos leva a buscar, na poesia, a nossa fonte de contato com essas respostas. Conforme afirmou o Dr. Drauzio Varella em 2017, “o ato de ler estimula diversas áreas do cérebro humano, sendo um dos mais completos exercícios”. A leitura expande os conhecimentos e sua importância é indiscutível. Com a leitura, o entendimento, a capacidade de síntese, o aprendizado, a evolução mental, são aperfeiçoados. Através da leitura é possível adquirir novas vivências, conhecer novas culturas, aceder o mundo sem sair do lugar. Ligada à educação, sua relevância é indiscutível, sendo importante frisar que seu incentivo deve nascer a partir do início do contato com o código linguístico. O livro leva a criança a desenvolver a criatividade, a sensibilidade, a sociabilidade, o senso crítico, a imaginação criadora, e algo fundamental, o livro leva a criança a aprender o português. É lendo que se aprende a ler, a escrever e interpretar. É por meio do texto literário (poesia ou prosa) que ela vai desenvolver o plano das ideias e entender a gramática, suporte técnico da linguagem. Estudá-la, desconhecendo as estruturas poético-literárias da leitura, é como aprender a ler, escrever e interpretar, e não aprender a pensar (PRADO, 1996, p. 19-20). A partir do contato com a obra, do envolvimento com os personagens, os alunos podem ser cativados pela leitura. Com esse entendimento, é essencial o contato com as obras, uma vez que, além de interferir no íntimo do sujeito, favorece a vivência dos mais diversos sentimentos. Conforme destaca Petit (2013): O que está em jogo a partir da leitura é a conquista ou reconquista de uma posição de indivíduo. Pois os leitores são ativos, se aproximam do que leem, dão outro significado aos textos lidos, deslizam seus desejos, suas fantasias e suas angústias entre as linhas, desenvolvem toda uma atividade mental. Na leitura há algo mais do que o prazer, algo que é da ordem de um trabalho psíquico, no mesmo sentido de quando falamos em trabalho de luto, trabalho de sonho ou trabalho de escrita. Um trabalho psíquico que permite encontrar um vínculo com aquilo que nos constitui, que nos dá vida (PETIT, 2013, p. 68) O escrileitor é o leitor agente, o leitor interacionista, o leitor que traduz a obra e cria novos textos (CORAZZA, 2007). “A leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1989), sendo a leitura uma arte de ordem poética (LEFFA, 1996), podemos dizer que através da poesia é possível ressignificar ao mundo a partir de si mesmo e devolver a ele a nossa contribuição. A poesia é um instrumento gratuito para elaboração dos sentidos e sentimentos, uma ferramenta que está esquecida nas gavetas da mente. Cabe aos poetas, educadores e mediadores de leitura unir esforços para juntos abrirem tantas gavetas quantas possíveis. Com toda certeza, há poetas trancados em gavetas (MOISÉS, 2019). Assim como necessitamos de alimento para sobrevivência do corpo, necessitamos da literatura para sobrevivência do espírito, logo, a leitura da literatura é um direito, é cidadania, é humanização (CANDIDO, 2011). Desta forma, o ato de transmitir o saber através do texto literário é (trans)formar o (escri)leitor. Cosson (2020) defende a prática dos círculos de leitura; dentro e fora da sala de aula, para o letramento literário, visto que reforçam a pluralidade da literatura bem como a sensação de pertencimento, e afirma que “ler não tem contraindicação, porque é o que nos faz humanos. Todas as formas de ler valem a pena. Todas as formas de ler são diálogos entre o passado e o presente. Todas as formas de ler são modos de compartilhar saberes, experiências e concepções da vida e do mundo”. Fonseca (2020) assegura que a poesia permite o (re)descobrir da linguagem e que através da experimentação poética a criança reconhece o poder criador da palavra. A autora aponta que “o texto poético oferece virtualidades ímpares, tanto no plano do significante (proporcionando uma maior consciência fonológica) como do significado (graças à polissemia e à plurissignificação) ” (FONSECA, 2020). Fonseca (2020) conclui que não há idade mínima para adentrar ao universo poético, seja no plano da recepção ou da produção; o quanto antes melhor. Desta forma, o artigo em questão corroborar a importância da poesia na transformação do escrileitor desde a mais tenra idade, pois “a poesia oferece um mundo de possibilidades em termos de desenvolvimento da linguagem escrita e oral, como também proporciona a valorização do imaginário e a reflexão sobre os valores” (FONSECA, 2020). O poeta é o lugar da voz, ou, então, a voz encontra seu ter lugar no poeta. Neste sentido, o poeta não “tem” uma voz, mas é, propriamente, um “porta-voz”. Essa seria sua vocação. A voz do poeta não pode, assim, ser uma voz própria; como disse Octavio Paz (1989, p. 117): “a voz do escritor nasce de um desacordo com o mundo ou consigo mesmo, a expressão da vertigem ante a identidade que se desagrega”. A voz não expressa, portanto, uma individualidade – qual um indivíduo teria propriedade, nos termos liberais. A expressão “porta-voz” nos dá essa dimensão vocacional da pluralidade que encontra lugar no poeta: “porta”, como quem carrega algo consigo, e, também, como acesso – de entrada (o encontro com a alteridade) e de saída (a voz que expressa). [...] toda poesia, antes de mais nada, toda obra de arte, antes de mais nada, é social; ela é política. Porque o homem sempre faz poesia em cima do que ele não é; o ser que ele gostaria de ser, que o completaria, a deficiência desse ser dentro dele é que faz com que ele crie (Id., 1997). 1.1 A POESIA É UMA FORMA ESPECIAL DE LINGUAGEM, POIS LER ENSINA, DIVERTE, EMOCIONA, O INDIVÍDUO ENTRA EM OUTRO MUNDO A poesia é um dos meiosmais expressivos de comunicação e de inovação da linguagem. Ela é um adorável recurso para ser utilizado em qualquer etapa do processo de ensino aprendizagem. Ler e brincar com as palavras e a musicalidade de sua estrutura desenvolve, em primeiro e mais importante aspecto, o prazer da leitura, a imaginação, criatividade, e a vontade de retornar a essa experiência mágica. A poesia é uma carga máxima, tem muitos significados, como de reflexão, mas também, ritmo, dança, música, sentimento, emoção, revolução, poesia que tem função social, poesia que tem caráter humanizador, ético, capaz de mudar o mundo Para Octavio Paz, a poesia é conhecimento capaz de modificar o mundo, pois é um método de libertação da Humanidade. Dessa maneira, a poesia não está apenas no poema, mas pode também encontrar-se em paisagens, músicas, pinturas, entre outras possibilidades. Sendo assim, é algo bem amplo, que engloba várias outras formas de expressão, além da escrita. A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. (PAZ, 1982, p. 15). Poesia é uma substância incorpórea capaz de se apresentar por meio de um texto com capacidades para suscitar sentimentos no leitor. É algo que emociona, toca com sensibilidade e provoca emoções por meio da linguagem. A poesia emociona através de uma forma de linguagem e possibilita uma revolução na natureza humana. Uma das práticas essenciais em nossa vida é a leitura, uma vez que por meio desta podemos compreender o mundo que nos cerca, ou seja, a leitura nos permite interpretar o sentido das coisas ao nosso redor. Porém, muitas crianças não gostam de ler, “o que deveria ser uma prática prazerosa porque desenvolve as potencialidades intelectuais do sujeito” (BALICKI e SANTOS, 2011, p. 116). A interpretação da obra é uma atividade extremamente prazerosa onde se trabalha disciplina, organização, respeito, expressão corporal, oralidade, desenvoltura e autoestima É no texto literário que o prazer e a gratuidade se manifestam com mais frequência ao leitor. Em A importância da poesia no desenvolvimento psíquico do estudante de nível médio, artigo científico publicado na Revista Olhares e Trilhas no ano de 2020, Fernandes Andrade (2020) reflete, a partir de uma pesquisa bibliográfica e uma experiência de escrita poética, acerca da importância da poesia no desenvolvimento psíquico superior do estudante de nível médio. A autora afirma que Na linguagem poética, a realidade é transformada em contemplação emocional, capaz de aprimorar as emoções, a sensibilidade e os mais profundos desejos da alma. O leitor torna-se receptivo às manifestações da beleza, realça signos e significantes (FERNANDES ANDRADE, 2020). Para Jouve (2002) a leitura é um exercício multifacetado que se desenrola em diversos sentidos. Ela é um encadeamento de ordem neurofisiológica, cognitiva, afetiva, argumentativa e simbólica. Assim sendo, a leitura é um processo deveras complexo que é capaz de nos modificar a cada nova experiência e com força para girar a engrenagem da mudança nas leituras que fazemos sobre nós, sobre mundo e sobre o outro. Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, poema é definido como “obra em verso ou não, em que há poesia” Já a poesia, o mesmo traz como “arte de criar imagens, de sugerir emoções, por meio de uma linguagem que combina sons, ritmos e significados”. O texto não é apenas um argumento, uma ferramenta para alfabetizar. Mas ao mesmo tempo a literatura é a forma mais natural de se chegar à alfabetização. Daí a necessidade de se usar critérios de seleção do livro literário de poesias. Pelo seu caráter lúdico a poesia encanta as crianças. Ouvir poemas, brincar com os sons, encontrar rimas e palavras são atividades que desenvolvem a consciência fonológica, habilidade indispensável para a formação da competência linguística. Segundo Zilberman, “a proposta de que a poesia seja reintroduzida na sala de aula significa o resgate de sua função primordial, buscando sobretudo a recuperação do contato do aluno com a emoção poética” (ZILBERMAN, 1995, p. 21). Quando falamos de leitura, não podemos nos refletir a um ato mecânico de decodificação, nem nos aspectos da dicção e velocidade, mas sim a comunicação que acreditamos haver entre o autor e o leitor. A leitura inicial, no processo de alfabetização, até pode ser avaliada nos aspectos de identificação dos sinais gráficos e dos sons correspondentes na formação oral das palavras, frases e textos. Porém, nesta fase acreditam ser curta e o trabalho importantíssimo, é avançar este processo inicial de leitura num sentido interpretativo mais amplo possível. Quanto mais a leitura for exercida pelo indivíduo, maior será sua chance de ampliar seu conhecimento de mundo. É no “imaginário” que, afinal, nossa vida se resolve. Ao ouvirem (ou lerem) poesias, mesmo sem o saber, estão formando as leituras de mundo que as ajudarão nos caminhos a serem trilhados na vida. A literatura sempre esteve e está presente em nossas vidas muito antes da leitura e da escrita, seja por meio das cantigas de ninar, das brincadeiras de roda ou das contações de histórias realizadas pelos familiares. Porém quando as crianças chegam à escola é que a literatura passa a ter o poder de construir uma ligação lúdica entre o mundo da imaginação, dos símbolos subjetivos, e o mundo da escrita, dos signos convencionais impostos pela cultura sistematizada (BAPTISTA, 2017). A literatura é entendida como arte, pois faz uso da criatividade ao transfigurar a realidade. Daí a sua grande importância para a formação de um indivíduo criativo, responsável e atuante na sociedade. Vive-se em uma sociedade onde as trocas sociais acontecem rapidamente, sejam através da leitura, da escrita e da oralidade. Segundo Sampaio (2022, p. 32): A leitura possibilita o surgimento de seres humanos mais críticos e mais questionadores. Também nos capacita a atingir às necessidades competitivas do mercado, possuir maior habilidade de diálogo e lutar por um ideal. Só poderemos entrar nesta nova direção se buscarmos o conhecimento de forma contínua e exploratória. Quanto mais conhecemos, mais nos motivamos a conhecer (SAMPAIO, 2022 p. 32) Desde a infância até a vida adulta, precisamos, em primeiro lugar, de fantasia, de estimular a imaginação e de aprender com as experiências de outras pessoas. A leitura proporciona tudo isso, a poesia proporciona tudo isso, pois a “poesia é uma arte da linguagem” (VALÉRY, 1991, p. 208). 1.2 O ATO DE LER E A LEITURA Nascemos leitores ou tornamo-nos? Não nascemos leitores, nem tão pouco não leitores. Tornamo-nos leitores ou não, em função das experiências motivadoras ou das experiências desmotivadoras que vivemos, ao longo da nossa vida. Desde a infância, somos expostos à leitura do mundo através das mais diversas formas de arte; imagens, sons, expressões do corpo e do cotidiano. Segundo Freire (1981): A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não pode prescindir da continuidade da leitura daquele. A palavra que eu digo sai do mundo que estou lendo, mas a palavra que sai do mundo que eu estou lendo vai além dele. (...) Se for capaz de escrever minha palavra estarei, de certa forma transformando o mundo. O ato de ler o mundo implica uma leitura dentro e fora de mim. Implica na relação que eu tenho com esse mundo (FREIRE, Paulo. Abertura do Congresso Brasileiro de Leitura. Campinas: novembro de 1981). Se, em contexto escolar, predominam as leituras obrigatórias, usualmente objeto de avaliação e de natureza prescritiva – ler é, neste âmbito, um dever e a atividade encontrasse fortemente associada a uma visão instrumental – , fora da escola (ou, pelo menos, num tempo e/ou num espaço que se exime a esse enquadramento institucional), a leitura é, frequentemente, individual e independente e, sendo entendida como não prescritiva (e não objeto de avaliação), é,pelos sujeitos que a praticam, assumida como um direito: lê-se por prazer e porque se quer (Cerrillo, 2006: 40-43). Para Jouve (2002) a leitura é um exercício multifacetado que se desenrola em diversos sentidos. Ela é um encadeamento de ordem neurofisiológica, cognitiva, afetiva, argumentativa e simbólica. Assim sendo, a leitura é um processo deveras complexo que é capaz de nos modificar a cada nova experiência e com força para girar a engrenagem da mudança nas leituras que fazemos sobre nós, sobre mundo e sobre o outro. Koch e Elias (2008) definem a leitura em três concepções: foco no autor, foco no texto e na relação autor-texto-leitor. A primeira traz a leitura como um processo de reflexo do 5 pensamento do autor, excluindo da atividade a bagagem o leitor. A segunda compreende a “morte do autor”, ou seja, ele não faz parte do processo, o texto é tão somente um produto a ser decodificado. Já a terceira, abordagem interacionista defendida pelas autoras e por esta pesquisa, afirma que a leitura é uma atividade de produção de sentidos, dialógica entre os seus os seus atores, na qual o texto é construído através da interação destes (KOCH E ELIAS, 2008). O ato de ler um texto é apenas uma parte de um ato complexo que avança da motivação para o ato à leitura. Tal não se encerra nessa, já que em sentido amplo implica o registro - tanto mental quanto escrito, do que se leu e, mais ainda, o entendimento daquilo que o autor planejou nos comunicar. Nesse sentido, a compreensão do processo pode auxiliar o ato quanto ao desenvolvimento de habilidades de leitura e compreensão. Vale destacar que podemos ler para nos divertir, para nos informar ou para compreender. Ler por lazer não requer esforço intelectual. Ler para se informar é o mais comum, fazemos isto com jornais e revistas ou com qualquer texto facilmente inteligível. Enquanto que ler para entender é quando buscamos ler algo que de pronto não entendemos, é um desafio intelectual, o texto está acima da nossa capacidade atual e nos fará crescer quando o entendermos (ADLER; DOREN, 2010, p. 28- 32). Para Orlandi (1995), o sujeito leitor é quem, em sua preexistência, se torna produtor da interpretação do texto, ao mesmo tempo em que, coloca-se como contemporâneo a ele, produzindo leitura, especificamente de sentido, garantindo sua eficácia, organizando-se com seu conhecimento de um eu-aqui-e-agora, relacionando-se com ele sem perder sua originalidade. Conforme observa Lajolo: A leitura é, fundamentalmente, processo político. Aqueles que formam leitores – alfabetizadores, professores, bibliotecários – desempenham u papel político que poderá estar ou não comprometido com a transformação social, conforme estejam ou não conscientes da força de reprodução e, ao mesmo tempo, do espaço de contradição presentes nas condições sociais da leitura, e tenham ou não assumido a luta contra àquela e a ocupação deste como possibilidade de conscientização e questionamento da realidade em que o leitor se insere. (1996, p. 28) É preciso compreender a leitura, como elemento fundamental para a aproximação do leitor com o mundo que o cerca e que a prática proporciona o alargamento de possibilidades para sua efetivação. Abordar a leitura como finalidade geradora de perspectivas, é capaz de proporcionar parcerias importantes que viabilizam o diálogo entre leitor e autor. Segundo Pullin e Moreira: Para que um texto tome vida, há que o leitor não só reconheça as informações pontuais nele presentes, mas que aprenda quais sentidos foram produzidos por quem as escreveu. Levantar hipóteses e produzir inferências, antecipe aos ditos no texto e relacione elementos diversos, presentes no mesmo ou que façam parte das suas 12 vivências como leitor. Ao assim proceder, o leitor compreenderá as informações ou inter-relações entre informações que não estejam explicitadas pelo autor do texto. Por isso, a leitura é uma produção: a construção de sentido se atrela à realização de pelo menos esses processos, por parte do leitor. A compreensão do texto lido é resultante dessas produções: prévias, por parte de quem as escreveu, e das que ocorrem ao ler, por parte do leitor (2008, p. 35). 2.0 7 AUTORES PARA QUEM QUER COMEÇAR A LER POESIA Há quem diga que os poetas são uma raça em extinção. Esses seres que expressam seus mais profundos sentimentos em textos que podem, ou não, seguir as mais meticulosas regras da combinação e do ritmo das palavras são os responsáveis por dar vida ao gênero da poesia. - Carlos Drummond de Andrade; - Hilda Hilst; - Paulo Leminski; -Ana Cristina Cesar; -Mario Quintana; Conceiçao Evaristo; -Sérgio Vaz. 3.0 METODOLOGIA A metodologia utilizada nesse trabalho é a realização de pesquisas de cunho documental e revisões bibliográficas, tendo como método de apresentação o qualitativo. Para melhor entendimento a metodologia usada foi a busca por livros, artigos e sites com importantes informações sobre o tema do trabalho, desta forma foi possível desenvolver uma visão de como tudo funciona e qual é a importância da leitura na formação do leitor. A própria leitura e a procura de significados também se tornam outras experimentações para o leitor e, nesse sentido, podemos afirmar que o poema é interativo, não porque usa mecanismos computacionais que exigem a interação do leitor-operador, mas principalmente porque motiva o leitor a ficar atento, reler e resinificar de acordo com o seu quadro pessoal de referências. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho de conclusão de curso abordou algumas questões reflexivas sobre a importância da poesia na formação do leitor. O ato de ler é uma atividade importante para o desenvolvimento emocional, afetivo, cognitivo e social dos alunos. A poesia tem uma importância fundamental para a formação crítico-reflexiva do leitor. Um curto-longo-complexo percurso até aqui. E o aqui é apenas o agora; um paradeiro nesta imensa estrada transformadora que é a educação através da escrita e a leitura. Criar novos escritores, leitores, é a mudança que queremos enxergar no mundo. É ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar, andar, tornar-se. É ser a embarcação que leva a mares nunca dantes navegados. Há uma infinidade de caminhos a seguir, caminhos estes que nos são nossos por direito. Todo conhecimento que o leitor possa ter, encontra-se armazenado na memória, e esta, por sua vez, organiza-o adequadamente, gerando espaço para as inúmeras informações que esse mesmo leitor agregará para si, ao longo de sua rotina como praticante da leitura. É impreterível que se promova um trabalho produtivo da leitura, a fim de contribuir para a formação do sujeito leitor, de forma que possa identificar-se no texto, ou nas suas leituras plurais, não somente como um consumidor de livros, e sim, um produtor destes à 5 medida que preenche as lacunas existentes na obra lida, mergulhando na ambiguidade dos textos e encontrando significados mais profundos nas entrelinhas dos textos. Ler significa representar a afirmação do sujeito, de sua história como produtor de linguagem e de sua singularização como intérprete do mundo que o cerca (FREIRE, 2003). Nesta conjuntura, é interessante buscar a contribuição de Paulo Freire. Ora, para Freire (2003) conhecer a realidade consiste em lê-la com um aguçado olhar e lançar-se às mudanças, tendo em vista que nosso mundo hodierno é marcado pelo abismo da desigualdade. Leitura significa conhecimento, e o conhecimento, por sua vez é transformador. Para tanto, torna-se imprescindível a construção de uma perspectiva em que o ser humano se aproprie da leitura como uma prática de elucidação e visualização da dinâmica social. Isto é, construir condições de leitura dos códigos linguísticos que efetuam as relações sociais, mas, fundamentalmente, a leitura dos meandros ideológicos que perpassam os enlaces sociais. O sujeito que lê se descobre capaz de transformar a realidade social na qual está inserido a partir de um sonho e um projeto de mudança tecido no diálogo entre o seu mundo e o mundo da coletividade. Nesse processo não se busca apenas acontinuação de um sistema mecânico reprodutor, mas de consciências individuais críticas, que levem o coletivo a uma igualdade de condições sociais. A poesia contribui quando proporciona uma experiência subjetiva onde os alunos podem encontrar respostas para inquietações, interesses e expectativas através da leitura poética (BARBOSA E SOUZA, 2019). A poesia contribui quando transforma a realidade em contemplação emocional, capaz de aprimorar as emoções, a sensibilidade e os mais profundos desejos da alma, tornando o leitor receptivo às manifestações da beleza, realçando signos e significantes (FERNANDES ANDRADE, 2020). A poesia contribui quando rompe a lógica conteudista e bancária de educação para satisfazer o direito fundamental e inalienável de todos: o direito à literatura, o direito ao texto poético, o direito à escrita (RUFFO, 2021). A linguagem poética é um jogo de “desconstrução e reconstrução”. É necessário, portanto, criar condições para que o desmonte do texto traga novas possibilidades de criação. Trabalhar a poesia é oferecer ao leitor um universo mágico e riquíssimo de experiências e relações que só a linguagem poética permite. REFERÊNCIAS BARBOSA, Aline Gomes da Silva. MAGALHÃES, Jackeline Santos Tigre. ORDÓNES, Maria José. O ENSINO DA LITERATURA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR NO ENSINO MÉDIO. 2022. Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/1499/1278 BRAGA, Suely. A importância da poesia na formação do leitor. 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