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Questão Social e Trabalho

Material de aula de Processo de Trabalho em Serviço Social II sobre Serviço Social como especialização do trabalho coletivo. Aborda a nova questão social: capitalismo contemporâneo, precarização, desemprego estrutural, impactos das novas tecnologias e origem/metamorfose da questão social.

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PROCESSO DE TRABALHO EM SERVIÇO 
SOCIAL II
SERVIÇO SOCIAL COMO ESPECIALIZAÇÃO 
DO TRABALHO COLETIVO NA SOCIEDADE
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Olá!
Ao final desta aula, você será capaz de:
1. Relacionar os aspectos constitutivos da nova questão social;
2. Identificar os rebatimentos da nova questão social sobre a profissão e a sociedade brasileira;
3. Reconhecer a discussão em torno da reconfiguração da questão social.
1 A nova questão social
A expansão do mercado nos processos econômicos e sociais, a partir do final dos anos 70, provocou mudanças
nas manifestações das questões. Tais mudanças ocorrem de forma diferenciada, mais acabam deflagrando
situações comuns em âmbito mundial, tais como: a precarização do trabalho, aumento da pobreza e da exclusão
social, erosão dos direitos sociais.
Como destaca (PEREIRA,1999, p. 47):
“As respostas endereçadas a esses tipos de questão também apresentam modificações, se comparadas com as
que prevaleceram até vinte anos atrás. Os antigos mecanismos de proteção social, desenvolvidos por meio de
políticas sociais públicas, que pretendiam concretizar direitos de cidadania, estão desintegrando-se. Hoje, em
lugar do compromisso governamental com o pleno emprego, com políticas sociais universais e com o
provimento de mínimos sociais como o direito de todos, predominam políticas sociais residuais, casuais,
seletivas ou focalizadas na pobreza extrema, como forma de amenizar impactos desagregadores e destrutivos da
nova questão social. A nova questão social da atualidade inscreve-se em uma modalidade de funcionamento do
capitalismo, mediante a qual os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres”.
“Os novos padrões de acumulação do capital caracterizam-se pelo investimento na especulação financeira-
rentista refém do mercado de capitais, o que afeta a economia mundial. Neste modelo quem ganham são os s
grupos de operadores ou especuladores privados, que vivem do lucro de transações financeiras puras, sem
qualquer compromisso com a produção, com a geração de empregos e com a justiça social (Pereira, 1999)”.
Como você pode observar este novo momento do Capitalismo se caracteriza por uma acumulação de capital em
que a produção é desvalorizada em detrimento da extração de mais valia através de especulação financeira, o
que se distancia das relações de trabalho do período fordista.
Trata-se como afirma (Chesnais, 1996) de “Uma agiotagem internacional (pois trata-se de um capital que rende
juros) e, até, de ligações com fontes ilícitas, como narcotráfico. É o que vem sendo de capitalismo vampiro,
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cassino global, ou motel, que chega à tarde, passa a noite e vai embora pela manhã, sem assumir compromissos...
No bloco dos perdedores encontram-se não só pessoas, mas países e continentes”.
2 O desemprego estrutural
O aumento do número de trabalhadores desempregados provoca um aumento da pobreza e surge o que
chamado desemprego estrutural.
Você sabe o que é desemprego estrutural?
Compreende pessoas que estão fora do mercado de trabalho formal, desempregados e pessoas alojadas em
subempregos precários.
3 As novas tecnologias
Com a introdução de novas tecnologias muitos trabalhadores são demitidos. Para exemplificar esta situação
podemos nos remeter a robótica onde o que se observa é uma redução significativa de trabalhadores nas
fábricas que trocam os operários por robôs. Estas mudanças também impactarão o Setor de Serviços -
datilógrafos são demitidos em função da informatização.
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“Trata-se, portanto, de uma tendência cruel, que produz não apenas desempregados, no sentido convencional do
termo, mas trabalhadores supérfluos, redundantes, supranumerários, como denomina, que nem sequer são
explorados, pois, para isso, é preciso possuir competências conversíveis em valores sociais. Isto constitui o cerne
da nova questão social (Castel, 1998, p. 33)”.
4 Origem e metamorfose da questão social
O surgimento da chamada questão social relacionou-se às mudanças que ocorreram na Europa do século XIX, em
função do processo de industrialização.
Afinal, como podemos definir a questão social?
É a para um conjunto de um conjunto de dificuldade sociais originadas das modernastomada de consciência
condições de trabalho urbano, e do pauperismo como um fenômeno socialmente produzido.
Segundo Castel (1998, p.31) “Tal tomada de consciência foi despertada pela constatação do divórcio exis-tente
entre o crescimento econômico e o aumento da pobreza de um lado, e entre uma “ordem jurídico-política,
fundada sobre o reconhecimento dos di-reitos do cidadão” e uma ordem econômica negadora desses direitos,
por outro lado (Castel, 1998, p.31).
Esse hiato permitiu, pela primeira vez, que o social assumisse, com maior clareza, um lugar entre o sistema
econômico e a ordem política, apontando para a necessidade de se instituir um sistema de regulações não-
mercantis. É por isso que, até hoje, quando se fala em social, seja no campo dos direitos, seja no campo das
políticas que concretizam es-ses direitos, está se falando de uma forma de regulação que deverá servir de
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contraponto à lógica da rentabilidade excludente do mercado. No contexto histórico do seu surgimento, o social
que qualifica a questão social “torna-se o lugar que as franjas mais dessocializadas [marginalizadas] dos
trabalhado-res podiam ocupar na sociedade industrial” (id. ib.,p.31).
Isso não quer dizer que antes da sociedade industrial, o “social” não existisse e que formas institucionalizadas de
regulações não-mercantis estivessem au-sentes. A história da proteção social informa que, desde o século XTV;
existiam intervenções públicas que iam da assistência aos indigentes até a repressão à vagabundagem, passando
pela regulação estatal da organização do trabalho e da mobilidade espacial dos trabalhadores. Mas, isso
acontecia porque nas so-ciedades pré-industriais já existiam questões sociais que, assim como as pos-teriores,
constituíam ameaça à ordem instituída, dada a pressão exercida por aqueles que não encontravam nessa ordem
o seu lugar a partir da organiza-ção do trabalho. Daí a seguinte caracterização da questão social, feita por Castel:
“é uma inquietação quanto à capacidade de manter a coesão de uma ’sociedade” (...) ou “a ameaça de ruptura
apresentada por grupos cuja existência abala a coesão do conjunto” (p.41).
A diferença da questão social da fase industrial, em relação à da fase precedente, reside não só na complexidade
dos desafios que colocam em xeque a ordem instituída, mas no surgimento de novos atores e conflitos e,
consequentemente, de um novo status assumido pelo social no bojo do siste-ma econômico e da organização
política. Ou seja, reside no surgimento de um novo tipo de regulação social que, não conhecendo precedentes na
história, rege-se pelo estatuto do direito do cidadão e do dever do Estado. A partir daí, o vínculo social e o
vínculo cívico se confundem e se afirmam como uma mar-ca que irá caracterizar o conteúdo e a expressão das
políticas sociais a partir do final do século XIX.
Esta questão se identifica com um processo tenso e contraditório, que pôs, desde os seus primórdios, em
confronto duas forças contrárias:
A de cunho liberal, avessa a qualquer tipo de protecionismo econômico ou de regulação social.
A de autodefesa dos trabalhadores industriais contra o despotismo do mercado livre, exigindo a destruição dos
esquemas paternalistas e repressivos de proteção social prevalecentes e a criação de novas modalidades de
regulação social, entre elas a legislação fabril (CEAD,1999).
Face ao exposto podemos concluir que questão social pressupõe a correlação de forças e confronto de interesses
opostos, que irão se reproduzir nas políticas sociais correspondentes.
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5 Serviço social e a questão social
Como você já teve oportunidade de estudar, a questão social é um fator determinante para a profissão a sua
gênese.
No Brasil, como afirma Arcoverde (1999, p.76) “A questão social foi associada à ilegalidade; porisso foi
formulada como desordem, criminalizando o sujeito e enfrentada via aparelhos repressivos do Estado (polícia
civil, militar etc.), em resposta a demanda por segurança. Perturbada pelas ações das classes pró conservação,
pró mudança ou emancipação deixou a ilegalidade após os anos 30 passando a ser reconhecida no pensamento
político sob postulados liberais-democratas como questão de política. Como problemática nova, surgida nas
frestas das relações entre capital e trabalho no processo de industrialização, e, sob o padrão de substituição de
importações, a questão social desponta como expressão das contradições que não mais poderiam ser subtraídas
ou combatidas pela polícia. Seu enfrentamento passa a exigir intervenção dos poderes públicos nas questões
trabalhistas e a criação de órgãos públicos para que delas se ocupassem”.
Finalizando
Com base no que foi estudado, vamos finalizar esta aula com as seguintes reflexões de Arcoverde (1999, p.81):
Como os assistentes sociais leem e enfrentam essa forma de expressão da questão social, no sentido pró-inserção
dos excluídos? As políticas de emprego e renda e os programas de inserção ao trabalho estão dando conta da
questão? O programa de renda mínima tem respondido satisfatoriamente à situação? Oculta-se a problemática
com práticas exclusivamente assistenciais? Forja-se lutas e explicita-se conquistas presentes nessa realidade?
Que direção imprimimos à nossa prática profissional?
Saiba mais
ANTUNES, R. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metarmofoses e a centralidade do mundo do
trabalho. São Paulo, Cortez/ Unicamp, 1985.
BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.
IAMAMOTO, Marilda Vivela. Serviço social em tempo de capital fetiche - capital financeiro
trabalho e questão social. São Paulo: Cortez, 2007.
Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 5. ed. São Paulo:
Cortez, 2001.
OFFE, C. Trabalho e sociedade. Problemas estruturais e perspectivas para o futuro da
sociedade do trabalho. V.1. A crise. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1989.
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O que vem na próxima aula
Na próxima aula, você vai estudar:
• Serviço Social como especialização do trabalho coletivo na sociedade;
• Os novos contornos da questão social. Novos padrões de regulação. As ações privatistas e filantrópicas.
CONCLUSÃO
Nesta aula, você:
• Relacionou os aspectos constitutivos da nova questão social;
• Identificou os rebatimentos da nova questão social sobre a profissão e a sociedade brasileira;
• Reconheceu a discussão em torno da reconfiguração da questão social.
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