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Aula 03 - Comércio de gente_ debate sobre a exploração do indivíduo no trabalho

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20/04/2024, 19:58 Comércio de gente: debate sobre a exploração do indivíduo no trabalho
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Comércio de gente: debate sobre a exploração do
indivíduo no trabalho
Prof.ª Renata Morares, Prof.ª Vanessa Melo
20/04/2024, 19:58 Comércio de gente: debate sobre a exploração do indivíduo no trabalho
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Descrição A escravização como prática de comércio de pessoas, como uso dos indígenas e africanos no
Brasil Colonial, demonstrando as formas de resistir e a manutenção das práticas na história
nacional.
Propósito Ao tratarmos da escravidão no Brasil, conseguimos compreender as diversas formas de
exploração do trabalho existentes desde o Período Colonial e que atingiu indígenas, africanos e
seus descendentes, imigrantes e mulheres negras.
Preparação Consulte as seguintes obras de referência: Dicionário da Escravidão e Liberdade e a Enciclopédia
Negra
Objetivos
Módulo 1
A venda da mão de obra
indígena
Módulo 2
A escravização de africanos nas
Américas
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Discutir o uso da mão de obra indígena pelos europeus na
colonização do Brasil.
Identificar a escravização africana como um grande
comércio de gente.
Módulo 3
A resistência à escravização no
Brasil
Exemplificar as diferentes formas de resistência à escravidão
no Período Colonial e Imperial.
Módulo 4
O comércio de imigrantes e de
mulheres
Identificar ações de venda de mão de obra imigrante e dos
corpos das mulheres.
Ao contarmos a história do Brasil, não podemos deixar de mencionar um sistema
que foi predominante por mais de três séculos: a escravidão. A predominância
desse sistema, que atravessou o Período Colonial e foi quase até o final do Império,
estava baseada na comercialização de homens e mulheres, os escravizados,
muitos vindos de várias regiões da África e seus descendentes nascidos no Brasil.
Introdução
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No entanto, os portugueses quando chegaram ao Brasil utilizaram inicialmente
outro tipo de mão de obra para o trabalho, os indígenas, que continuaram sendo
comercializados a despeito da proteção que tinham da Igreja Católica. Além de
africanos e indígenas, homens e mulheres de diferentes nacionalidades atuaram
como trabalhadores no Brasil, vendendo a sua força de trabalho para os mais
diferentes ofícios. De fato, desde 1500, o trabalho introduzido no Brasil por meio
dos portugueses foi o da exploração do corpo alheio, que passava por uma lógica
comercial, necessário para a produção de grandes riquezas. Logo, gente virou
mercadoria, com geração de trabalho e riquezas para alguns poucos, que estavam
fora dessa dinâmica comercial.
Este texto pensa nesse comércio de gente a partir de várias perspectivas,
passando pela história do Brasil vista sob um ponto de vista social e humano, seja
da parte do explorador ou do explorado. Nesse caso, os indígenas constituem o
primeiro grupo a ser explorado como mão de obra nos primeiros momentos da
colonização. Os africanos foram escravizados a partir de uma lógica comercial que
foi iniciada nos primeiros contatos entre portugueses e povos africanos. Após
esses contatos, há a maior migração de pessoas registrada na história, todos para
a escravização nas Américas e uma grande parte para o Brasil.
Porém, essa escravização não foi realizada sem a constante resistência de
homens e mulheres, que promoveram revoltas, fugas, quilombos e negociação.
Outros explorados foram os imigrantes, principalmente europeus, que foram
atraídos para o trabalho no Brasil, sendo submetidos a condições precárias de
trabalho, ainda durante a vigência da escravidão. Por fim, vale ressaltar o quanto as
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mulheres, principalmente as escravizadas e negras, foram exploradas por
diferentes formas, sejam como amas de leite, ou no trabalho doméstico, no
comércio de rua e na prostituição. Este texto mostra as diferentes formas de
comercializar gente existentes no Brasil Colonial e Imperial, e que podem ter
deixado ressonâncias até hoje.
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1 - A venda da mão de obra indígena
Ao �nal deste módulo, você será capaz de discutir o uso da mão de obra indígena pelos
europeus na colonização do Brasil.
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Organização local
Aldeamentos
Os primeiros trabalhadores do Brasil foram os povos nativos, escravizados pelos
portugueses desde os primeiros contatos. Se em primeiro momento a ideia era
estabelecer relações a fim de que pudessem melhor explorar a região, no momento
seguinte, os portugueses aprofundaram o contato por meio da exploração dessa mão
de obra, tornando os indígenas indispensáveis para o projeto da colonização.
Família indígena, tela de Jean-Baptiste Debret.
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Nesse caso, é importante identificar os diferentes tipos de relacionamento entre
indígenas e portugueses e demais povos estrangeiros a fim de compreender como
esse grupo social foi explorado nos primeiros séculos da colonização portuguesa no
Brasil.
Um primeiro ponto de destaque dos contatos iniciais entre portugueses e indígenas
diz respeito à organização desse grupo social e como ela seria modificada a partir da
presença dos portugueses.
Algo crucial para os colonos era interferir na lógica de
organização dos diferentes grupos étnicos que viviam na
região hoje conhecida como Brasil.

A primeira modificação foi o
estabelecimento de aldeias, tipo de
organização introduzida pelos
colonizadores, com apoio dos jesuítas,
que submetia os indígenas a uma nova
forma de viver em comunidade e,

Os aldeamentos fizeram parte do projeto
de colonização portuguesa, sendo
decisivos para a inserção dos indígenas
na ordem colonial, tendo diferentes
significados para os envolvidos.
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consequentemente, de realizar seus
trabalhos.
Nas aldeias houve o compartilhamento de culturas e histórias entre diferentes etnias
e, em alguns casos, entre outros grupos, como mestiços, colonos e missionários. Por
meio desse contato, ocorreu também uma reelaboração de comportamentos, atitudes
e valores por parte dos indígenas, evidenciando que eram um grupo em constante
movimento, principalmente na reelaboração da identidade, processo presente em todo
grupo social.
Aldeia de indígenas cristãos.
As aldeias eram unidades locais sem serem autossuficientes, precisando de uma
articulação com grupos locais ou unidades maiores. Sua criação permitiu que
houvesse o fim da peregrinação missionária, fazendo com que os indígenas fossem
deslocados para as proximidades dos núcleos portugueses, favorecendo, assim, o seu
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controle, tanto por parte dos religiosos como dos colonos. Ao mesmo tempo que as
aldeias faziam parte de um projeto pedagógico de cristianização dos indígenas e de
transformação desse grupo em súditos do rei, elas também se tornaram redutos para
os colonos interessados nesse tipo de mão de obra, atendendo, desse modo, aos
interesses dos moradores de algumas regiões. No entanto, pesquisas indicam que
alguns grupos indígenas estiveram envolvidos na dinâmica dos aldeamentos como
sujeitos ativos desse processo de construção das aldeias, tendo alguns dos seus
líderes papel de destaque dos aldeamentos.
Mudança das dinâmicas indígenas
Con�itos
A presença dos portugueses também alterou a dinâmica das guerras entre os povos
nativos, uma vez que o contato entre europeus e indígenas poderia favorecer grupos
específicos e subjugar outros, principalmente por meio das relações de escambo de
artefatos para a guerra. Nas relações comerciais existentes entre europeus e
indígenas, os objetos trocados possuíam diferentes valores e significados para os
envolvidos.
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Imagem: Jean-Baptiste Debret - Biblioteca Virtual / Wikimedia commons /
Domínio Público
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Imagem: Jean-Baptiste Debret - Biblioteca Virtual / Wikimedia commons /
Domínio Público
Flechas de indígenas brasileiros. Ao lado, soldados indígenas.
A partir dessa lógica, ferramentas e armas europeias aumentaram a competitividade
entre os grupos indígenas que lutavam entre si, sendo esses conflitos favoráveis aos
portugueses que poderiam escravizar os perdedores dessas guerras ou aprofundar as
trocas de armas por mercadorias ou mão de obra. Ou seja, segundo historiadores, a
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divisão dos grupos étnicos e a rivalidade entre eles foram parte de um mesmo jogo de
conflitos e interesses em que os europeus eram um dos agentes.
No entanto, a aliança e as relações de troca e escambo existentes entre indígenas e
portugueses tornaram-se inadequadas diante das novas exigências da Colônia em
crescimento, alimentando, assim, a prática da escravização indígena em larga escala.
De acordo com Maria Regina Celestino de Almeida:
Colônia em crescimento
Como exemplos do crescimento da Colônia temos aumento populacional, novas construções, produção de
alimentos e atividades agrícolas.
Paralelo a isso, o caráter destruidor da aliança
com os portugueses se revelava cada vez mais
por meio de doenças contagiosas, de atitudes
traiçoeiras e, principalmente, de sua voracidade
em obter escravos que, além de intensificar as
guerras intertribais, contrariava sua principal
motivação – a captura de prisioneiros para o
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sacrifício, descontentando os índios. A
consequência direta dessa situação foi o
incremento assustador das guerras indígenas
contra os portugueses em toda a costa do
Brasil.
(ALMEIDA, 2013, p. 63)
O litoral do Rio de Janeiro foi um bom exemplo da guerra de domínio existente nas
primeiras décadas da colonização e provocou, segundo essa mesma autora, uma
alteração no quadro de alianças e hostilidades entre os grupos indígenas (ALMEIDA,
2013, p. 73).
Importante lembrar que a fundação da
cidade do Rio de Janeiro foi realizada a
partir de um conflito entre portugueses e
franceses pelo domínio da região. No
entanto, esse conflito só pôde ocorrer a
partir também do apoio e das
hostilidades existentes entre os
diferentes grupos de indígenas que
ocupavam a região.
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Alimentar essas hostilidades e con�itos favoreceu os
colonos portugueses.
Desse modo, criou-se categorias de indígenas a partir das relações que mantinham
com os colonos. Os “aliados” teriam um papel especial nessas relações porque eram
súditos do rei e garantiam a ocupação e manutenção da terra. Além disso, os vistos
como aliados poderiam oferecer sua força de trabalho a autoridades, missionários e
colonos a partir de uma troca de valores. Em oposição a esses aliados, existiam os
“inimigos”, que poderiam ser escravizados e violentados na sua identidade.
Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste
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Sempre ecoou
Desde que o índio
guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
...
(Canto das Três Raças - Clara Nunes)
Formas de escravismo indígena
Escravização
Os portugueses introduziram várias formas de “aquisição” dessa mão de obra nos
primeiros anos da colonização. As expedições de descimento foram uma dessas
formas e eram realizadas por meio da retirada dos índios dos seus locais de origem
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para as aldeias criadas nos núcleos portugueses. Alguns desses indígenas que iam
para as aldeias aceitavam de forma voluntária por temer a escravização, a redução
das terras livres, a falta de alimentos ou outras dificuldades que poderiam colocá-los
em risco, tornando a aldeia uma proteção nesse processo de negociação das perdas e
nas estratégias de sobrevivência.
Indígenas soldados da província de Curitiba escoltando prisioneiros nativos, tela de Jean-Baptiste Debret.
Em paralelo a isso, existiram as chamadas “guerras justas” que se tornaram um
procedimento legítimo de escravização dos indígenas hostis aos portugueses e que
se recusassem à evangelização.
A Coroa portuguesa autorizava
esse tipo de guerra, usando
Com o avanço da colonização,
as expedições de
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como justificativa a ideia de
que os indígenas eram
selvagens e por isso permitia
sua escravização.
apressamento foram
realizadas pelos bandeirantes
paulistas que, ao desbravarem
o sertão, capturavam os
indígenas para a escravização.
Por meio das guerras justas, o processo de escravização
desse grupo se aprofundou.
O cenário inicial da escravização indígena é o das primeiras expedições portuguesas,
principalmente após as cartas de doação das capitanias hereditárias e em um
ambiente de escassez de mão de obra. A disputa entre colonos e jesuítas, esses
últimos desejosos de catequizar os indígenas, marcou os primeiros séculos da
colonização. No entanto, de acordo com Jacob Gorender (2010, p. 524), se os jesuítas
salvaram em parte a população indígena da escravização, principalmente salvando-os
do extermínio dos colonos leigos, os jesuítas também estimularam alguns processos
violentos de sujeição desses indígenas sob pretexto de viabilizar a catequese.
Comentário
Para esse autor, o protesto contra a escravização injusta tinha, no seu reverso, o reconhecimento da
escravização considerada justa aos olhos da lei.

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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03468/index.html?brand=estacio#imprimir 19/87Mesmo com uma estrutura montada para controlar o “uso” dos indígenas para o
trabalho por parte das autoridades portuguesas e dos jesuítas, esse grupo não deixou
de ser escravizado por particulares. Essa escravização pôde ser identificada em
pesquisas que analisaram testamentos e que encontraram as heranças com as
seguintes expressões: moços de serviço forros, gente forra, gente do Brasil, peças
forras serviçais, administrados ou servos de administração (GORENDER, 2010, p. 519).
Importante ressaltar que a introdução de africanos para a escravização não preservou
os indígenas e nem substituiu esse tipo de mão de obra que continuou a ser usada em
regiões mais pobres. Durante o século XVII, o trabalho indígena foi predominante em
algumas áreas da Colônia, a despeito da presença dos africanos escravizados.
Durante a presença dos jesuítas na Colônia, antes de sua expulsão por parte do
Marques de Pombal, houve um apoio sistemático no uso dos africanos como
escravos a fim de preservar os indígenas, sendo as ações dos jesuítas apoiadas pelos
interessados na venda dos africanos.
Proibição legal do escravismo
O �m?
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A escravização indígena foi abolida pelas leis pombalinas de 1755 e 1758, apesar de
deixarem brechas para a escravização em caso de prisão dos indígenas por
“vagabundagem”. Desse modo, permaneceu um comércio de indígenas no estilo dos
descimentos e a escravização em regiões afastadas do litoral.

Nos tempos do Império, principalmente
na região do cultivo do café no Vale do
Paraíba, outros grupos indígenas foram
afetados. Os que viviam na região de
Valença, os Coroados, desapareceram na
medida em que houve a fundação das
vilas e o avanço da produção do café.

A violência sobre os grupos indígenas,
dessa vez, não foi apenas para o uso da
sua mão de obra, mas sim sobre a sua
presença física e política na região
disputada por grandes fazendeiros.
Nessa violência que causou o
desaparecimento do indígena, criou-se a
ideia de que, no século XIX, ele já não
mais existia no Brasil.
A comercialização da mão de obra indígena serviu a inúmeros interesses e
permaneceu sendo feita até meados do século XIX. O uso desse grupo para o trabalho
na Colônia e no Império foi reduzido diante do aumento do número de africanos para a
escravização e na pressão política e econômica que os interessados no comércio com
a África fizeram para que os africanos fossem privilegiados na escravização. Ainda
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assim, é preciso ver a história do Brasil Colônia e Império sendo feita a partir do
trabalho indígena, apesar da sua resistência e negociação para preservar suas
identidades e a própria vida.
Escravidão indígena
Neste bate-papo, o professor Rodrigo Rainha entrevista a doutora em História Beatriz
Libano Bastos, que aprofunda o debate no tema escravidão indígena.
Falta pouco para atingir seus objetivos.

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Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O uso da mão de obra indígena é cheio de mitos na história do Brasil. Foi discutida
desde uma relação amistosa até o fato de indígenas fugirem por conhecerem a terra
e não se adaptarem ao trabalho. As premissas falsas podem ser observadas quando
A
os indígenas eram escravizados irregularmente, mesmo com a
proibição da Colônia portuguesa, desde o século XVI.
B
a Colônia brasileira buscava se estabelecer e precisava de aliados,
por isso não escravizava indígenas.
C
os indígenas foram escravizados e trocados como mercadorias nos
portos de São Vicente e Desterro para fazendas do Recife e Salvador.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Os indígenas tiveram relações diversas com os portugueses. A lógica de trabalho
compulsório sempre esteve presente como possibilidade. Seu modelo de escravidão
não foi de grande comércio de costa a costa, mas sim com mais dinâmicas locais e
por terra. Os indígenas eram vistos como força de trabalho e almas a serem salvas.
Pela proximidade com a Coroa, os jesuítas eram os principais articuladores, que se
beneficiavam de uma forma de escravismo e criticavam outras no espaço colonial.
Questão 2
A escravidão indígena muitas vezes é apresentada na escola como algo que não
existe ou era secundário. No entanto, uma investigação nas fontes acabam por
D as tribos lutaram bravamente e faziam rituais de morte coletiva para
não se entregarem ao escravismo.
E
foi montado um modelo em que os jesuítas teriam o principal direito
à força de trabalho indígena, por isso, muitas vezes, o escravismo foi
negado.
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indicar processos diferentes. Escolha, entre as alternativas abaixo, a que serve de
exemplo de um processo de escravidão indígena.
A Durante a Guerra dos Bárbaros, em que os índios invadiram Salvador.
B
No levante na cidade do Rio de Janeiro, para expulsar os franceses
da Baía de Guanabara.
C
Nas lutas dos jesuítas contra os bandeirantes, pela proteção dos
indígenas.
D
Nas ações do governo, que tentava de toda forma evitar que os
indígenas fossem escravizados.
E
Nos relatos do Vale do Paraíba, já nas plantações de café, sobre o
escravismo indígena mantido.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A construção dos indígenas como foco de escravismo não está só no padrão
jurídico, mas no lidar com o outro na formulação do Brasil. Os relatos de escravismo
indígena não se mostram na resistência, que sempre houve, ou na proteção de um
grupo, o princípio é que a dinâmica de escravismo, mesmo com a proibição,
continuou viva e recorrente.
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2 - A escravização de africanos nas Américas
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car a escravização africana como um
grande comércio de gente.
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Trá�co de africanos pelo Atlântico
Trá�co Atlântico
O Brasil recebeu o maior volume de africanos para a escravização nas Américas. Esse
grande comércio de gente foi introduzido pelos portugueses nas primeiras décadas da
colonização, perdurando a escravidão até 1888. Entender o complexo processo desse
comércio é fundamental para compreendermos a estrutura do trabalho no Brasil,
principalmente diante da constante exploração de homens e mulheres em suas
atividades laborais mediante baixos salários.
A comercialização de africanos para as Américas começou com a chegada dos
portugueses ao continente em meados do século XV. Essa chegada foi impulsionada
por diferentes motivos, entre eles o religioso, no qual a presença portuguesa no
continente africano iria espalhar a fé cristã e salvar algumas almas.
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Quadro “Primeira Missa no Brasil”.

As condições econômicas de Portugal
permitiram a aventura dos portugueses
se lançarem ao mar em busca de novas
rotas comerciais e da expansão da fé.

A costa do continente africano parecia
ideal para esse empreendimento, sendo
alguns nativos capturados e enviados a
Portugal, iniciando uma guerra justa aos
moldes daquela que promoveriam no
Brasil nas décadas seguintes.
Nessa guerra, a conversão ao cristianismo seria a senha
para escapar da escravização, sendo uma ação legítima e
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providencial apoiada pela Igreja Católica e pela Coroa.
De acordo com alguns cronistas do período, a escravidão permitiria aos nativos
africanos a conversão ao cristianismo e depois libertos estariam abertos à civilização,
servindo a escravização como uma salvação (COSTA, 2014, p. 62).
Ainda de acordo com esses
cronistas, os nativos africanos
deveriam ser forçados a
trabalhar porque eram afeitos
ao ócio e, sendo superiores
religiosa e culturalmente, os
portugueses acreditavam que
tinham direitos sobre as terras,
os bens e os povos (COSTA,
2014, p. 65).
Ao estabelecer feitorias pela
costa africana, os portugueses
foram estabelecendo contato
com diferentes povos,
negociando mercadorias,
pessoas, convertendo alguns
ao cristianismo e
empreendendo guerras justas
que renderiam mais pessoas
para a escravização de outras
regiões, principalmente as
Américas.

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Nesse processo de conquista da África, que passava pela negociação e cristianização,
é importante chamar a atenção para a sedução que alguns reis africanos caíram no
contato com os portugueses, que, em primeiro momento, tratavam-nos como iguais.
Os reis portugueses tinham o poder de decidir
quem proteger e quem atacar, e suas decisões
dependiam da boa vontade dos chefes em
respeitar os acordos com a Coroa. Quando os
chefes africanos se deram conta das trágicas
consequências do tráfico de escravos – seus
povos divididos e em guerra uns contra os
outros, vassalos leais subitamente rebelados
contra a autoridade dos soberanos, todos
seduzidos pela ilusão de riqueza e poder
trazida à África, e os portugueses demandando
sempre mais mão de obra por meio do tráfico e
expandindo a infraestrutura colonial –, já era
tarde demais para voltar atrás e redefinir a
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relação com o rei português. Os chefes e seus
povos haviam caído na armadilha de um
processo que já não podiam controlar.
(COSTA, 2014, p. 70)
Já tendo introduzido a escravização africana no Brasil, os portugueses conquistaram
no final do século XVI a região de Angola, o que serviu para o aprimoramento do
tráfico negreiro. Dentre alguns números sobre a chegada de homens e mulheres da
África ao Brasil, em primeiro momento, entre 1576 e 1600, entraram aproximadamente
40 mil escravos africanos; entre os anos de 1601 e 1625 esse número triplicou,
provocado pela demanda da mineração. Nesse último período, houve um forte
envolvimento de negociantes ingleses e holandeses, havendo pelo menos cinco
sistemas transatlânticos: britânico, francês, holandês, espanhol e português.
Africanos no Brasil
O Brasil recebeu 1/3 dos africanos trazidos para as Américas, de lugares como:
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Centro-ocidental (Angola,
Congo)
Costa Ocidental (Costa da
Mina, principalmente)
Costa Oriental (Moçambique)
A identificação étnica desses grupos que vieram para o Brasil poderia responder sobre
a experiência da escravidão e como viveram a diáspora. No entanto, muitos registros
de nação, encontrados nas documentações, são apenas categorias criadas por
senhores ou comerciantes ou identidades adotadas pelos próprios africanos ao se
reagruparem ou ressocializarem sob a escravidão.
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Um dos exemplos das trocas de
mercadorias que geraram o comércio de
africanos está na Bahia. Nessa região,
era produzido um tipo de tabaco de
grande interesse dos comerciantes da
região da Costa da Mina, sendo esse um
local de origem dos africanos que foram
para a Bahia diante da profícua troca
entre os comerciantes de ambos os
lados do Atlântico. Esses povos seriam
os Jejes, Ussás, Nagôs, considerados
pelos homens da época as nações mais
guerreiras da África, segundo Pierre
Verger.
Até o final do século XVII, não havia escravizados em Minas Gerais e os que
começaram a entrar na região, por conta da exploração do ouro, vinham de Angola
para o Rio de Janeiro, sendo vendidos diretamente para os mineradores.
Em 1730, cresceu em 40% o volume de entrada de
cativos no Rio de Janeiro com destino às minas.
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A mineração causou um impacto no caráter da escravidão, fazendo com que ela fosse
difundida social e espacialmente, disseminando também a posse do escravo e a
criação de hierarquias étnicas e culturais mais complexas.
Algumas pesquisas realizadas sobre a região mineradora revelaram uma sociedade
heterogênea e múltipla, paradoxal em relação a uma administração, que procurava ser
repressora e excludente, mas que nem sempre conseguia moldar essa sociedade
conforme seu intento.
Ao contrário do que usualmente se
pensava, os indivíduos escravizados
foram capazes de estabelecer níveis
significativos de organização familiar e
de luta por seus direitos. A instituição
escrava, em toda a região da Colônia e do
Império, serviu para estragar as relações
sociais que o escravizado e o ex-
escravizado pudessem estabelecer mais
tarde no mundo branco.
O legado da escravidão seria eterno para quem vivesse em uma sociedade escravista,
não sendo a liberdade um fator de igualdade entre livres, ou seja, um ex-escravizado
não estaria no mesmo pé de igualdade que um homem branco, mesmo que pobre. A
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comercialização do corpo negro para o trabalho não poderia ser apagada com a
liberdade enquanto durasse a sociedade escravista.
A cidade do Rio de Janeiro foi afetada pela forte demanda de escravizados para a
região de Minas Gerais, estando esse comércio consolidado na cidade no século XVIII,
por haver também capital para o investimento nesse tipo de mercadoria por parte dos
negociantes locais. Para o empreendimento, foi realizada uma grande manobra que
envolvia diferentes setores. Vejamos!

Os que forneceriam as mercadorias a
serem negociadas na África em troca de
homens e mulheres para a escravização.

Os que comandavam as frotas dos
navios, de diferentes tamanhos e que
incluía experientes mestres e capitães, e
de origem do Rio de Janeiro, da Bahia, de
Pernambuco e de Portugal.
Havia também médicos e cirurgiões capazes de tratar das doenças originárias dos
navios que traziam os africanos para o Brasil. Além disso, era preciso a figura dos
intérpretes e professores que pudessem ensinar um palavreado básico para os recém-
desembarcados, a fim de que fossem capazes de se comunicar.Toda essa estrutura
foi alimentada por aqueles que queriam comprar essas “mercadorias” e enviá-las para
diferentes tipos de atividades, seja para o campo ou para as cidades. Importante
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ressaltar as palavras do pesquisador Nireu Cavalcanti sobre o comércio desses
africanos no Brasil. Vamos conferir!
Como era natural, os
consumidores de escravos
novos desejavam abundância
deles no mercado, a preços
baixos, que estivessem
saudáveis, prontos para
produzirem, e pertencessem
às etnias preferidas. Além
disso, queriam desfrutar o
privilégio de escolha dos
melhores. Já os fornecedores
obtinham no mercado
africano o que lhes era
possível, e a situação desses
escravos era ainda agravada
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com o rigor da viagem. Por
isso a oferta de escravos
novos apresentava um
quadro bastante diverso do
desejado pelos
consumidores.
(CAVALCANTI, 2005, p. 37)
Esses consumidores de homens e mulheres escravizados eram diversos. De acordo
ainda com Cavalcanti, havia os comerciantes que queriam revender esses sujeitos
novos, ou os ricos que os queriam para o trabalho e por isso preferiam os mais sadios,
mas havia também aqueles mais pobres que adquiriam os africanos doentes a preços
módicos, e que poderiam estar aleijados ou velhos e que eram chamados de “refugo”
(CAVALCANTI, 2005, p. 41). Alguns investiam no tratamento desses doentes para que
pudessem ser vendidos e assim terem seus investimentos recuperados. Ou seja, o
comércio de africanos para a escravização abrangia diversos interesses em uma
cidade escravista.
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Navio negreiro.
Quando o Rio de Janeiro se tornou sede da Corte em 1808, houve um aumento da
demanda por escravizados artesãos, encarecendo o aluguel desses indivíduos. Além
da possibilidade de alugar o serviço, havia também os “negros de ganho”, presentes
nas cidades escravistas.

Essa modalidade da
escravização consistia em
uma licença tirada pelo
seu senhor que permitia
que o escravizado

Esse tipo de atividade
exercida por esses
escravizados permitiu até
que famílias pobres
tivessem alguma renda

Em alguns casos, o
senhor não oferecia
moradia, restando ao
escravizado pagar com a
renda adquirida no
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oferecesse seus serviços
em troca de uma quantia,
que seria dada ao senhor
e combinada entre eles.
em caso de possuírem
algum sujeito escravizado.
trabalho o valor da sua
moradia e alimentação.
Uma das atividades realizadas pelos chamados “escravos de ganho” era a de
transporte de mercadorias. No tempo da Colônia e do Império, os animais ou outros
dispositivos mecânicos não eram utilizados para o transporte de grandes
mercadorias, restando aos escravizados essa atividade, usando suas cabeças, braços
e toda sua força física para carregar todos os tipos de mercadorias, das mais leves às
mais pesadas.
Velho africano com berimbau
As mulheres também eram responsáveis pela realização do ganho nas cidades. Elas
realizavam diferentes atividades, desde serviços de cozinheiras, costureiras e
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lavadeiras. Além dessas atividades, também comercializavam gêneros alimentícios ou
comidas preparadas por elas. O uso de sujeitos esravizados para esse carregamento
era disseminado em várias cidades, desde as mais planas, como o Rio de Janeiro, até
as com grandes ladeiras, como Salvador.
Escravidão no Império
Escravismo no tempo do Império
O tempo do Império do Brasil foi de auge da escravidão. Entre 1822 e 1888, o Brasil
tornou-se a maior sociedade escravista e o último país a libertar seus homens e
mulheres escravizados. Ainda durante a primeira metade do século XIX, entraram no
Brasil mais de 42% dos africanos, a maioria destinada à atual Região Sudeste.
No entanto, concomitante ao aprofundamento da
escravização africana e dos seus descendentes, ocorreu
também uma movimentação legislativa a �m de
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diminuir essa dependência e eliminar gradativamente a
escravidão.
Um primeiro momento dessa
tentativa de reduzir a
influência da escravidão foi
atacar a entrada de africanos
no Brasil. Esse comércio
transatlântico foi proibido por
meio de uma lei assinada em 7
de novembro de 1831, já no
Período Regencial, uma vez
que o Imperador Pedro I havia
abdicado do seu trono no dia 7
de abril do mesmo ano.
A lei que proibiu o tráfico de
“escravos transatlântico” está
dentro de um contexto
internacional de repressão do
tráfico e numa conjuntura
doméstica que colocava o
Brasil no topo dos países das
Américas com maior número
de população escravizada,
tendo também a maior
população de africanos fora da
África e a maior população de
descendentes livres de
africanos.
Essa era a realidade da escravidão no Brasil logo após a independência e que teria
pouca alteração na década seguinte.

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A lei de 1831 foi resultado de uma pressão internacional e um acordo feito entre D.
Pedro I e a Inglaterra em 1826, ferindo os interesses dos setores conservadores do
Estado. Assinada em 1831, a proibição de entrada de africanos para a escravização
alterou os rumos da escravidão no Brasil. Houve um decréscimo temporário nas
entradas de africanos durante a primeira metade da década de 1830, mas, nos anos
seguintes, assumiu grandes proporções.
Homens e mulheres capturados.
Uma das mudanças foi a respeito do perfil de quem operava esse comércio. Em
diversas regiões do Império, o antigo comércio virara tráfico com novas roupagens e
esquemas, o que tornava a atividade mais lucrativa e mais violenta. A atividade atrairia
profissionais especializados, não sendo possível a participação de amadores nesse
comércio. Com a ilegalidade, perdia-se uma estrutura de chegada dos homens e
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mulheres para a escravização, em que teriam cuidados iniciais para a recuperação da
viagem e imediata venda.
Após 1831, o desembarque passou a ser uma questão de oportunidade, quando não
houvesse perigo da descoberta do tráfico, fazendo com que muitos cativos
esperassem nos navios por horas ou dias para serem desembarcados, deteriorando
ainda mais suas condições físicas. Outras regiões para esse desembarque se
desenvolveram, não sendo possível ter registros desses homens e mulheres que
chegaram ao Brasil de forma ilegal.
Chamada de “lei para inglês
ver”, a primeira lei que
interrompeu o tráfico foi
fundamental para a produção
de fortunas e para o
aprofundamento da
escravização, apesar da
ilegalidade desse comércio.
Por ter dado um novo rumo ao
comércio de africanos no
Brasil, a lei de 1831 tem um
impacto profundo, durando até
1850, quando ocorreu a
aprovação da segunda lei
contra o tráfico desses
indivíduos.As leis que trataram do fim do tráfico foram elaboradas em contextos distintos e
previam mais a preservação da propriedade escrava do que o fim do tráfico

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propriamente dito. A lei de 1850 teve um apoio diferenciado diante da iminência de
uma revolta comandada pelo elevado número de africanos e por não responsabilizar o
proprietário desses escravizados pela entrada ilegal dos africanos. Ainda assim, o
contexto tenso da escravidão, entre temor de insurreições e sua realização
propriamente dita, abriu brechas para a negociação de liberdade ou de “direitos” no
mundo da escravidão.
Entre o período das duas leis, houve o estabelecimento e
a expansão da produção do café na região do Vale do
Paraíba.

A implantação efetiva de uma economia
agrária de plantation, a partir da década
de 1830, favoreceu o crescimento, a
acumulação e a concentração da
população escravizada nas mãos dos
proprietários rurais, principalmente na
região do Vale do Paraíba, causando

Os anos entre 1865-1880 representaram
anos de grandeza da cafeicultura de
Vassouras, com alteração no padrão das
relações de força entre senhores e
escravizados, havendo um crescente
protagonismo desses últimos por seus
direitos e ampliação dos espaços de
negociação.
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mudanças nos espaços de negociação
nas relações senhor e escravizado.
A expansão do café no Vale do Paraíba se confunde com a história da expansão da
própria classe senhorial no Império, dependente da escravidão. A elite imperial
compartilhava e expressava um estilo de vida e uma visão de mundo a partir do ponto
de vista delimitado pela Corte e pela escravidão. Tornavam-se dependentes da
escravidão, desse comércio, tanto econômica quanto socialmente.
Trá�co de viventes e formas do
escravismo no Brasil
Neste bate-papo, o professor Rodrigo Rainha entrevista a doutora em História Beatriz
Libano Bastos, aprofundando o debate no tema tráfico atlântico.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O tráfico atlântico foi um grande negócio. A sua estrutura econômica foi marcada
pela construção de uma rede ampla que pode ser caracterizada pela
A superioridade europeia e que domina todo o mundo.
B poderio militar que permite que os portugueses dominem o mundo.
C
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Parabéns! A alternativa E está correta.
O tráfico é marcado por discursos de poder e superioridade, mas de fato é uma
dinâmica social que transformou o estabelecimento e a conquista de entrepostos
em espaços de trocas, transformando, na dinâmica mercantil, pessoas em produtos.
Questão 2
O trabalho como um produto e que tem suporte governamental para a sua
legalização ou proibição é algo recorrente nas sociedades modernas e
contemporâneas. Durante a modernidade, essa exploração teve um capítulo terrível
prática de escravismo na África que facilitou a aceitação da
escravidão.
D
organização religiosa que gerava o interesse na conversão e
justificou a escravidão.
E
estrutura de feitorias e a inserção nas disputas locais que permitiram
um lento e contínuo processo de uso da mão de obra escrava.
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com o escravismo como modelo econômico e que tem seu auge no século XIX. Ao
mesmo tempo que é seu auge, devemos salientar também que é
A
o período em que o comércio começa a falir com a valorização do
trabalho assalariado imigrante.
B
o período em que a religião muda o discurso e se torna inimiga da
escravidão.
C
o período em que os grupos contra o escravismo defendem o retorno
de todos os africanos ao continente de origem.
D
o período em que os governos independentes das Américas mais
lutaram pelo seu direito de escravizar.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
O tráfico é controverso ao longo de todo seu período, no entanto, a aceleração do
comércio nos séculos XVIII e XIX ampliou as trocas, assim como as leis do XIX
ampliaram os valores e, por isso, a resistência acaba por apontar o enriquecimento
de traficantes.
E
o período em que as contestações cresceram e as legislações, por
pressão de ingleses, por exemplo, passam a restringir as práticas
escravistas.
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3 - A resistência à escravização no Brasil
Ao �nal deste módulo, você será capaz de exempli�car as diferentes formas de resistência
à escravidão no Período Colonial e Imperial.
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Quilombo
Formação dos quilombos
As formas de escravização que tratamos até aqui não foram feitas sem a resistência
dos homens e mulheres escravizados. Durante todo o Período Colonial e Imperial,
houve resistência por parte dos africanos e seus descendentes, que não aceitaram
suas condições de mercadoria. Desse modo, é importante pontuar também as
diferentes formas de resistência dessa população.
Uma delas foi por meio da
fuga e formação de quilombos,
criados a partir de grupos de
homens e mulheres fugidos
que estavam organizados
econômica e socialmente em
comunidade, tendo um tipo de
autonomia e agenciando
Os quilombos foram uma forte
expressão de resistência à
escravidão e são
caracterizados pela sua
condição radical diante do
escravismo. Além de
escravizados fugidos, os
quilombos agregavam

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estratégias de resistência
diante de outros sujeitos
perigosos.
também indígenas
perseguidos, multados e
outros grupos sociais
oprimidos e em risco.
O quilombo de Palmares foi o primórdio
desse tipo de ação, sendo classificado
como “quilombo-rompimento” por ter
como princípio a prática do esconderijo e
do segredo de guerra, sendo necessário
preservar o cotidiano e a organização
interna contra curiosos e,
consequentemente, autoridades
coloniais. Esse tipo de prática assustou
autoridades e causou mudanças na
legislação após o fim de Palmares, que
durou aproximadamente 80 anos, a fim
de evitar a repetição da grandiosidade
desse quilombo.
Após o fim de Palmares, a legislação e a repressão não permitiram que outro
Palmares existisse. No entanto, a prática do aquilombamento não desapareceu, sendo
identificados quilombos em algumas cidades.
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Nas últimas décadas da escravidão surgiram os
“quilombos abolicionistas”.
Diferentemente do segredo existente no modelo tradicional, suas lideranças eram
conhecidas, com boas articulaçõespolíticas, sendo essencial a articulação mais
profunda com a sociedade e sendo parte de um jogo político daqueles últimos anos
da escravidão. Dois quilombos abolicionistas são conhecidos e fortemente
pesquisados pela historiografia.
Jabaquara
Jabaquara foi o maior deles. Ficava na região de Santos, São Paulo, e suas terras foram cedidas por
um abolicionista da elite e os quilombolas lá ergueram suas casas com ajuda do dinheiro recolhido
entre comerciantes da região e de outros doadores.
Leblon
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Outro exemplo é o quilombo do Leblon, no Rio de Janeiro, que teve como idealizador um comerciante
português. Os fugitivos acolhidos no Lebon eram protegidos por outros abolicionistas, cientes da
existência desse tipo de refúgio em plena cidade.
Os quilombos do Jabaquara e do Leblon se comunicaram e ambos eram exemplos de
uma nova forma de resistir à escravidão, ampliando, assim, aqueles que aderiram a
liberdade dos escravizados.
De fato, os quilombos desafiaram as autoridades escravistas, que tentaram encontrar
meios para diminuir a atração da escravaria para esse tipo de prática. As alforrias
eram uma forma de diminuir a tensão e serviam de mecanismo de segurança para
garantir a permanente entrada de africanos, numa espécie de constante mobilidade da
escravaria. Por outro lado, as fugas e as revoltas eram desmobilizadas por meio da
negociação entre senhor e escravizado e a concessão de alguns direitos, como a
realização de festas, permissão para constituir famílias, pedaços de terra e outras
medidas que poderiam aliviar a pressão sobre esses homens e mulheres. Quando
essas medidas não funcionavam, estouravam as revoltas.
Movimentação e resistência
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Levantes e revoltas
Durante todo o período da escravidão, as revoltas escravas foram constantes.
Algumas com maior impacto e repercussão e outras que foram inibidas pelas
autoridades ou por senhores.
O século XIX, principalmente após a
independência do Brasil, teve nas
revoltas o grande temor de que uma
grande rebelião pudesse agregar todos
os indivíduos escravizados e causar uma
convulsão social, nos moldes do que
ocorreu no Haiti.
Haiti
Colônia francesa que por meio de uma revolução negra se tornou independente e acabou com a escravidão.
Muitos senhores temiam um “transplante” da África
para o Brasil na continuidade do trá�co.
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O ideal seria a promoção de reformas a fim de evitar o mal maior: uma grande revolta.
Apesar do temor das autoridades e dos senhores, a grande revolta nos moldes da
ocorrida no Haiti não foi testemunhada no Brasil. No entanto, podemos afirmar que as
rebeliões aqui existentes foram grandes “ensaios” para algo maior e causaram
preocupação sobre o destino da escravidão no Império. Entre as mobilizações
estudadas pela historiografia, destacam-se as ocorridas na década de 1830, após a
primeira lei do fim do tráfico.
 1833
Em maio, ocorreu na região de Carrancas, da comarca de Rio das Mortes, em Minas
Gerais, uma revolta promovida pela escravaria de um deputado que resultou na morte de
nove membros da família do senhor. A região tinha uma forte concentração de
escravizados africanos, tendo como atividade econômica a pecuária e o cultivo do
tabaco. A revolta espalhou-se por outras propriedades do senhor e na repressão cinco
escravizados foram mortos. A penalidade caiu sobre outros 12 que foram condenados à
morte.
 1835
E S l d B hi i d l ti h bj ti t iã
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Apesar dessas revoltas terem sido realizadas em regiões e contextos diferentes,
chamou a atenção dos pesquisadores uma interessante característica: a presença de
um grande número de africanos. Essa condição das revoltas preocupou as
Em Salvador, Bahia, escravizados muçulmanos tinham como objetivo atacar a região
produtora de cana e programaram a revolta para o dia 25 de janeiro, dia de Nossa
Senhora da Guia e de festividades na cidade. A repressão matou 70 escravizados e mais
de 500 foram condenados a diferentes penas, morte, tortura, deportação. A Revolta dos
Malês, como ficou conhecida, foi a maior rebelião escrava do Império.
 1838
Na região de Paty dos Alferes, no Rio de Janeiro, houve a fuga de escravizados de duas
fazendas, que tinham como objetivo formar quilombos. A fuga não teve sucesso e esses
homens foram recuperados, sendo condenados à morte e Manoel Congo enforcado em
praça pública para servir de exemplo. A fuga ocorreu numa região com grande
concentração de escravizados para as fazendas de café e está dentro de um contexto
de redução da entrada de africanos via tráfico transatlântico.
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autoridades que temiam, conforme já foi dito, um predomínio de africanos no Brasil,
podendo alimentar revoltas e mais instabilidade para a instituição escravista. Essa
característica também deu argumentos para aqueles que eram contra a continuidade
do contrabando de africanos. No entanto, no final da década de 1830, o volume do
tráfico aumentou, só cessando em 1850 com a segunda lei.
Comentário
Entre quilombos e revoltas, os escravizados tinham uma autonomia de ação, não podendo ser vistos nem
como heróis nem como apenas vítimas. Esses papéis não podem ser tão facilmente definidos num contexto
de escravização em que tanto a rebeldia quanto a negociação tinham o seu valor.
Para alguns autores que pesquisaram contextos específicos, os escravos no Brasil
foram mais negociadores do que rebeldes, uma vez que negociar era uma chave para
sobreviver no sistema. Por conta disso, é errado ver o período da resistência à
escravização e a continuidade do comércio de gente seguindo uma lógica de ação. Na
verdade, todas as ações escravas possuíram lógicas próprias dependentes do
contexto em que homens e mulheres viviam, dependentes da margem de negociação
que encontravam.
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Estratégias e lutas contra o
escravismo
Lutas pessoais e resistência ao controle
Outras formas de resistência à escravidão existiram, além das revoltas e formação
dos quilombos. Alguns realizavam roubos, suicídios e abortos, dentre outras ações.
Todas essas formas de resistência serviam para ou abrir margens de negociação para
alcançar algum tipo de liberdade ou interromper de imediato a escravização. No
entanto, havia também algumas revoltas que serviam para a negociação, ou seja, não
significariam o rompimento definitivo com o sistema e talvez servissem para evitar a
venda de algum escravizado, separação da família ou negociar folgas.

O movimento de greve
que conhecemos hoje
feito por trabalhadores

Esse direito talvez fosse
permanecer num lugar
específico e evitar sair do

Outro motivo para as
fugas poderia ser também
uma reação aos castigos
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livres era chamado de
“paredes” quando
realizado por
escravizados e servia para
alertar o senhor,iniciar
uma negociação ou
buscar um direito, apesar
da escravidão.
campo para a cidade ou
vice-versa, por exemplo.
físicos ou a quebra de
costumes anteriormente
aceitos, entre eles, a
redução dos dias santos,
ou o impedimento de
festas e atividades
religiosas.
Importante ressaltar a diferença entre a escravidão no campo e na cidade: em ambos
os lugares, a violência era fundamental nesse comércio de gente. O campo e a cidade
possuíram ideias próprias para a repressão às fugas e revoltas. Porém, é importante
ressaltar o quanto que o escravizado, homem e mulher, são distintos e não constituem
um bloco que possa ser facilmente coordenado para a realização de uma grande fuga
ou revoltas.
Esses sujeitos operavam a partir de lógicas próprias que
eram determinantes para a sobrevivência no sistema
escravista ou para a realização de alguma ação mais
violenta de fuga ou de conquista de liberdade.
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Nas cidades escravistas, esse sujeito também estava submetido a outras vigílias, não
apenas do seu senhor, mas das autoridades locais que seguiam códigos de conduta e
que prezavam pela harmonia da cidade, para isso reprimindo ajuntamentos e outras
ações coletivas de homens e mulheres escravizados. A chamada “boa sociedade”
também servia de vigília contra esses sujeitos em fuga ou em desordem. Logo, a vida
escrava nas cidades seguia uma lógica de violência diferente da existente no campo,
não sendo amena por ser na cidade.
Ethos escravista
Neste bate-papo, o professor Rodrigo Rainha entrevista a doutora em História Beatriz
Libano Bastos, aprofundando o debate no tema tráfico atlântico.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O trabalho é parte do processo social. Seja compulsório ou por escolha do
trabalhador, ele estabelece uma relação entre quem usa o trabalho e quem o
executa. A relação homem com o trabalho ao longo do tempo traz formas de
resistência. Exemplifique uma forma de luta vinculada ao trabalho na história do
Brasil.
A
O quilombo, por tornar-se uma zona política independente
politicamente.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A lógica de exemplificar tem que ter sentido. Apesar de poder ser político, o foco
sobre o trabalho é produção. Nesse ponto, a única questão que se concentra sobre
disputa de trabalho e produção decorrente das fazendas é a letra E.
B A batalha do Haiti, que toma o poder em um país para os ex-
escravizados.
C
Revoltas, como Malês e Sabinada, que tentavam tomar o poder
político e pôr fim à escravidão.
D
Suicídios coletivos dos “escravos de ganho”, quando tinham
oportunidade de trabalhar na rua.
E
Revoltas com a queima das fazendas, destruindo a produção,
gerando prejuízo financeiro ao senhor.
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Questão 2
A discussão sobre o que representava o quilombo dentro da sociedade brasileira é
histórica e relevante. Em sua retirada social, não deve ser entendida como
isolamento. De fato, o quilombo representava
A uma forma de organizar um exército para lutar contra a escravidão.
B uma associação religiosa que visava proteger os escravizados.
C uma cidade fortificada que tinha plena autonomia.
D
uma favela onde um estilo de vida próprio era organizado, apartado
da sociedade.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
O quilombo mantinha um sistema econômico, com trocas, produção, mesmo sendo
espaço de resistência e muitas vezes palco de lutas ferrenhas contra o poder
instituído.
E
um centro de resistência, que mantinha trocas econômicas e recebia
núcleos de populações diversas.
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4 - O comércio de imigrantes e de mulheres
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car ações de venda de mão de obra
imigrante e dos corpos das mulheres.
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Imigração e trabalho
Mão de obra imigrante
No Brasil escravista, não eram explorados apenas os escravizados. Havia também
uma gama de trabalhadores de diferentes origens que exerciam atividades variadas.
Esses trabalhadores, homens e mulheres, comercializavam sua mão de obra e, em
alguns casos, o próprio corpo, em troca de dinheiro, moradia, alimentação e outros
valores.
A vinda de imigrantes europeus para o trabalho no Brasil também fazia parte de um
projeto civilizatório que tinha outros propósitos. Vejamos!

Incorporar à sociedade
brasileira uma ética do
trabalho.

Estabelecer o projeto de
branqueamento da
população.

Eliminar vestígios
indexados da presença
indígena e negra.
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No entanto, esses imigrantes eram de origens variadas e não necessariamente
dispostos para algumas atividades laborais em condições precárias, como as que
existiam no Brasil no período.
 1830
Antes mesmo do fim do tráfico de africanos, em 1831, houve a promulgação da Lei de
Locação de Serviços, no ano anterior, que regulou por escrito o contrato sobre prestação
de serviços por brasileiros e estrangeiros. No entanto, essa lei não foi suficiente.
 1837
Em 1837, novas providências foram anunciadas para a contratação de colonos. Entre as
condições estabelecidas na nova lei, estavam a possibilidade de demissões por justa
causa, a intermediação de sociedades de colonização para a contratação inclusive de
crianças e órfãos e os direitos e deveres de locatários e locadores.
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Essa lei poderia ser a garantia para a falta de braços para o trabalho por conta do fim
do tráfico em 1831. No entanto, o que se viu nos anos seguintes foi não apenas a
intensificação do tráfico ilegal de africanos, mas da própria força da escravidão.
Uma das formas de garantir que os imigrantes trabalhassem no Brasil era dificultar a
aquisição de terras por parte deles. Essa foi uma proposta do Conselho do Estado do
Império, em 1842, e que foi efetivada em 1850 por meio da Lei de Terras.
Assim, muitos que vieram para o Brasil foram destinados ao trabalho na
construção de estradas, pontes e demais obras públicas.
A política imigrantista do Império parece ter sido vitoriosa quando temos
acesso aos números.
Entre 1861 e 1870, havia cerca de 95 mil estrangeiros no Brasil.
O censo de 1872, o primeiro a fazer uma contagem geral da população,
identificou que os imigrantes livres correspondiam a 3,8% da população, que
nesse censo foi totalizada como sendo de 10 milhões.
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Imigrantes europeus.
Em 1879, outra lei reajustava as normas para a locação dos serviços aplicados à
agricultura e estabelecia prazos diferentes para os contratos exercidos por brasileiros
ou estrangeiros e revogava as anteriores – 1830 e 1837. Entre 1880 e 1889, há um
aumento do número de imigrantes e que se acentua nas décadas seguintes,
principalmente nos primeiros anos republicanos.
Maneiras diversas de exploração
Escravos de aluguel
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Enquanto alguns imigrantes ocupavam os postos de trabalho, a escravização de
homens e mulheres continuava.

Seja por simples venda de escravo.

Seja por meio do aluguel.
Nesse último caso, o acordo seria entre o contratante e o senhor do escravizado a ser
alugado, diferente do “escravo de ganho”, já visto anteriormente.
Uma das formas de exploração das mulheres escravizadas foi por meio da prática
conhecida como “ama de leite”, ocupação feminina naturalizada em todas as
sociedades escravistas das Américas e presente no Brasil, sendo vista nos diversos
anúncios de “aluga-se” e de oferecimento dessas mulheres por parte dos seus
senhores em jornais das grandes cidades do Império. Algumas escravizadas eram
alugadas ou pertenciam à família e dentre a função exercida estava a de amamentar a
criança do senhor. Tal “ofício” aparecia na ocasião que essas mulheres ficavam
grávidas, podendo ser oferecidas por seus senhores para um aluguel como “amas de
leite” ou exercer a atividade para os filhos do senhor. As “amas secas” também eram
exercidas por essas mulheres, às vezes de forma complementar, e seria destinado aos
cuidados das crianças.
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No entanto, um aspecto cruel dessa
prática é que, para ser ama de leite, era
preciso ser mãe primeiramente. Desse
modo, onde estavam as crianças geradas
por essas mulheres que se tornaram
amas de leite? O destino desses filhos é
pouco investigado pela historiografia,
talvez devido à falta de fontes sobre o
paradeiro deles, que sequer aparecem
nas fotografias de mulheres negras
amamentando crianças brancas.
Imagens essas realizadas por fotógrafos
profissionais nos últimos anos da
escravidão. Certamente, os filhos dessas
amas de leite, se vivos, estavam
entregues à escravização, disputando
com as crianças brancas o leite da sua
mãe.
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O serviço doméstico também era o
destino das mulheres escravizadas ou
negras libertas e livres, representando
um forte aspecto da escravidão urbana e
que serviu de crônicas para viajantes que
visitavam o Brasil, principalmente a
Corte, e que identificavam no serviço
doméstico uma atividade quase
essencialmente escrava. Essa atividade
doméstica era iniciada cedo pelas
mulheres, às vezes, ainda crianças. No
entanto, muitas atuavam, tanto no
trabalho doméstico quanto no comércio
ambulante, nas ruas, vendendo todo o
tipo de coisa.
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As quitandeiras foram a atividade
comercial mais expressiva nas grandes
cidades escravistas do século XIX,
atividade ocupada por mulheres negras
em sua maioria. Diante de uma precária
distribuição de alimentos, as quitandeiras
tornaram-se responsáveis pela venda de
diversos gêneros alimentícios, fazendo
anúncios dos seus produtos, causando
uma grande gritaria pela cidade, ao
mesmo tempo que negociavam os
preços com os compradores. Ou seja,
elas ocupavam as ruas e tinham nos
seus corpos uma extensão dos seus
trabalhos, ao carregarem nos braços ou
na cabeça os tabuleiros com seus
quitutes e outros alimentos.
Trabalho escravo e trabalho sexual
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Prostituição
Outra forma de venda do corpo foi por meio da prostituição. Prática antiga em todos
os lugares do mundo, no Brasil escravista não foi diferente. Essa foi uma prática
existente entre as mulheres escravizadas, imigrantes, libertas, livres, ou seja, um perfil
social diversificado. A respeito da prostituição, temos dois perfis.
Esta foi uma prática existente entre as mulheres escravizadas, imigrantes,
libertas, livres, ou seja, um perfil social diversificado. A respeito da prostituição,
temos dois perfis. O primeiro perfil é o das mulheres brancas, imigrantes, que
vieram para o Brasil por conta do forte fluxo imigratório do século XIX e que,
por diversas razões, entraram no mundo da prostituição. A Corte foi o ambiente
que agregou muitas dessas mulheres que vieram de várias partes da Europa,
que na maioria das vezes eram exploradas por terceiros que controlavam suas
ações ou as abrigavam em prostíbulos e outros tipos de residência, em alguns
casos eram os responsáveis pela vinda delas ao Brasil.
Mulheres escravizadas e imigrantes 
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O sistema conhecido como “tráfico de brancas”, que consistia na vinda de
mulheres para a prostituição no Brasil (principalmente de moças judias da
Europa Oriental), foi uma consequência da forte imigração europeia para as
Américas, na maioria de homens, fazendo com que houvesse um desequilíbrio
de sexos e assim uma demanda por mulheres. Importante ressaltar que grande
parte das mulheres estrangeiras que se prostituíam no Brasil eram enganadas
e acreditavam que na América exerceriam outra atividade. A entrada na
prostituição se dava por meio da violência sexual e física que enfrentavam
desses homens responsáveis por seu translado. Em alguns casos, as mulheres
recém-chegadas eram “ensinadas” por prostitutas mais velhas e experientes.
Essas informações constam em denúncias feitas às autoridades da Corte que,
mesmo condenando tal prática, eram benevolentes com os estrangeiros
acusados por tais ações.
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O segundo perfil é o das mulheres escravizadas e negras, podendo as
primeiras estarem no mundo da prostituição por uma imposição do senhor. Tal
prática foi condenada pelas autoridades jurídicas, que, a partir da década de
1870, empreenderam ações para pôr fim à prática da prostituição das
escravizadas pelos seus senhores. O motivo da campanha era uma demanda
de uma parte da sociedade, que, por meio de um discurso moralizador e de
higiene, considera a prática da prostituição das escravizadas um momento de
degradação.
No entanto, algumas pesquisas mostram que a prática da prostituição das
escravizadas nem sempre era uma imposição dos seus senhores, podendo ser
também uma possibilidade por parte dessas mulheres a fim de se afastar da
Mulheres escravizadas e negras 
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proteção senhorial ou ter chances de acumular dinheiro para a liberdade. No
entanto, vale destacar como são distintas as histórias da prostituição no
Império, principalmente na Corte, não deixando, porém, de ser a mulher, branca
ou negra, imigrante ou escravizada,a maior vítima desse comércio.
Formas de exploração do corpo
Neste bate-papo, o professor Rodrigo Rainha entrevista a doutora em História Beatriz
Libano Bastos, aprofundando o debate sobre imigrantes e a exploração dos corpos.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Comércio de gente é um termo muito duro, mas necessário, quando falamos das
formas de exploração do trabalho. Quando falamos sobre os imigrantes, podemos
detectar no Brasil Imperial
A que vieram como escravos, mas somente para pagar a passagem.
B
que organizaram espaços autônomos no Brasil para fugir do
escravismo.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A tradição de exploração e de uma diferença econômica marcaram os traços de
exploração do trabalho no Brasil e foram uma dificuldade aos grupos imigrantes que
aqui chegaram.
Questão 2
C
que as práticas do trabalho escravo foram rompidas e abandonadas
por eles.
D
que as relações de imigrantes eram de que sua superioridade lhes
dava posição destacada nas condições de trabalho.
E
que foram impactados pela tradição escravista no mercado de
trabalho do Brasil Império.
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A discussão sobre o escravismo brasileiro não ser identificado como trabalho, mas
como troca de mercadorias é importante. Quando traçamos a discussão, notamos
que mesmo os escravizados alforriados – que compravam sua liberdade – tinham
dificuldades com a forma de exploração. Os chamados “escravos de aluguel” são
um exemplo importante de uso do indivíduo como mercadoria e de manutenção de
seu valor em nossa sociedade. São funções que se enquadram neste contexto:
I – Prostituição
II – Amas de leite
III – Domésticas e arrumadeiras
Estão corretas:
A Somente I e II.
B Somente I e III.
C Somente II e III.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
As três formas podem se enquadrar no serviço de escravos de aluguel, sendo
marcante a exploração do corpo feminino como uma peça, como algo que o senhor
tinha direito a usar conforme desejasse.
Considerações �nais
D I, II e III.
E Somente a I.
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O comércio de gente no Brasil e nas Américas foi iniciado com a chegada dos
colonizadores europeus. Os indígenas foram os primeiros grupos a sofrerem essas
ações que desconsideram suas identidades étnicas e suas práticas culturais,
principalmente as voltadas para o trabalho. Algo semelhante ocorreu com a chegada
dos portugueses ao continente africano, interferindo significativamente na forma de
escravização existente, introduzindo um novo tipo de comércio de homens e mulheres,
retirando-os do seu continente e os levando para regiões longínquas.
Ao chegarem no Brasil, homens e mulheres africanos foram comercializados como se
fossem simples mercadorias, com valores diferentes a partir das suas características.
Essa prática da escravização não existiu sem as resistências dos escravizados. Logo,
ao mesmo tempo que os senhores escravizavam, tinham também que conviver com o
perigo de uma grande revolta por parte desses homens. Algumas revoltas ocorreram
em diferentes regiões, mas nenhum grande movimento que pudesse abalar as
estruturas da escravidão no Brasil. Por outro lado, temendo a redução da mão de obra
escravizada, a vinda de imigrantes foi incentivada pelas autoridades do Império que,
além de visar à exploração do seu trabalho, acreditavam que poderiam moralizar a
população, tão afetada pela escravidão.
Além de homens imigrantes para a lavoura e outras atividades, muitas mulheres
vieram para o Brasil e foram obrigadas ou tiveram a opção de se prostituir. A
prostituição afetou, além das mulheres brancas e imigrantes, as negras e
escravizadas, muitas sendo obrigadas por seus senhores a exercerem tal prática.
Desse modo, é fácil concluir o quanto que os anos da Colônia e do Império foram
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marcados por uma atividade comercial específica: o comércio de gente e a exploração
dos corpos de homens e mulheres de diferentes origens.
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Alguns artigos são imprescindíveis para aprender mais sobre o assunto, confira!
FREITAS, F. V. As negras quitandeiras no Rio de Janeiro do século XIX pré-
republicano: modernização urbana e conflito em torno do pequeno comércio de rua.
Tempos históricos, vol. 20, 1º semestre de 2016, p.189-2017.
MARTINS, B. C. R. Reconstruindo a memória de um ofício: as amas de leite no
mercado de trabalho urbano do Rio de Janeiro (1820-1880). Revista de História
Comparada, Rio de Janeiro, 6-2: 138-167, 2012.
PRECHET, B. do N. O imoral escândalo da prostituição de escravas: pensando a
prostituição a partir das mulheres negras no Rio de Janeiro (1871), Revista
Transversos, Rio de Janeiro, n. 20, dez. 2020.
SILVA, M. dos S. O tráfico e a exploração de mulheres na prostituição no Rio de
Janeiro na segunda metade do século XIX, Ler História [On-line], 68 | 2015.
Dois livros são muito especiais sobre o assunto, confira!
LEMOS, M. S. O índio virou pó de café? Resistência indígena frente à expansão
cafeeira no Vale do Paraíba. Jundiaí: Paco Editorial. 2016.
REIS, J. J.; SILVA, E. Negociação e conflito. A resistência negra no Brasil escravista.
São Paulo: Companhia das letras, 1988.
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Referências
ALMEIDA, M. R. C. de. Metamorfoses indígenas. Identidade e cultura nas aldeias
coloniais do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: FGV, 2013.
CAVALCANTI, N. O. O comércio de escravos novos no Rio setecentista. In:
FLORENTINO, M. (Org). Tráfico, cativeiro e liberdade. Rio de Janeiro, séculos XVII-XIX.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. p. 15-77.
COSTA, E. V. A dialética invertida e outros ensaios. São Paulo: Unesp, 2014.
GOMES, F.; LAURIANO, J.; SCHWARCZ, L. M. (Org.) Enciclopédia Negra. São Paulo:
Companhia das Letras, 2021.
GOMES, F.; SCHWARCZ, L. M. (Orgs). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo:
Companhia das Letras, 2018.
GORENDER, J. O escravismo colonial. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2010.
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