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GLAUCOMA IPSILATERAL A NEVUS FLAMEUS: SÍNDROME DE STURGE-WEBER Bianca Manfredo Magatti, Carlos Roberto Domingos Pinto, Guilherme Gentil Sequeira, Imman Fuad Khattab Hassan, Caroline Alves Moreira da Silva, Felipe Martins Brandão, Lino Lucati Ramos Hospital CEMA – São Paulo – SP INTRODUÇÃO Síndrome de Sturge-Weber (SSW), conhecida também como angiomatose encefalotrigeminal, é uma desordem neuro-oculocutânea do grupo das facomatoses, associada, em muitos casos, com uma mutação no gene GNAQ (cromossomo 9). Rara e congênita é definida pela tríade clássica: hemangiomas cutâneo, meníngeo e ocular, sendo classificada em quatro subtipos, dependendo das manifestações presentes. O glaucoma está frequentemente presente, de manejo clínico e cirúrgico desafiador, muitas vezes. FIGURAS, TABELAS E GRÁFICOS RELATO DE CASO Paciente Y.G.F., 11 anos, sexo feminino, comparece à consulta oftalmológica para investigação e acompanhamento de nevus em hemiface esquerda que apresenta desde nascimento. Segundo a mãe, paciente não apresenta alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. Sem histórico de patologias pregressas. Ao exame oftalmológico, apresenta acuidade visual com correção de 20/20 em olho direito (OD) e 20/40 em olho esquerdo (OE). À ectoscopia nota-se angioma facial (nevus flameus ou mancha em vinho-do-porto) em hemiface esquerda na distribuição do ramo oftálmico do nervo trigêmeo (Figura 1). Biomicroscopia anterior com hipercromia de íris em OE, sem demais alterações em ambos os olhos. Pressão intraocular (PIO): 16mmHg em OD e 26mmHg em OE. Gonioscopia demonstra ângulo aberto, com inserção de íris em banda ciliar e presença moderada de ligamentos pectíneos. Fundoscopia apresenta escavação de 0,3E/D com reflexo de camada de fibras nervosas (CFN) adequado para idade em OD; papila redonda, 0,7E/D, diminuição do reflexo das CFN e coloração vermelho-alaranjada retiniana difusa, mais pronunciada no polo posterior (PP) em OE (Figura 2). Solicitou-se exames complementares em conjunto à avaliação neurológica e foram introduzidos colírios (maleato de timolol 0,5% de 12∕12 horas e bimatoprosta 0,03% uma vez à noite). Retornou em nosso serviço após 1 mês com resultado de exames e em uso dos medicamentos hipotensores: PIO de 15mmHg em OD e 17mmHg em OE. Exames oftalmológicos complementares: paquimetria de 565 em OD 543 em OE; ultrassonografia ocular demonstrando espessamento coroideano difuso, confirmando o hemangioma de coroide (Figura 3); campo visual não confiável devido à perda de fixação evidenciando diminuição de sensibilidade ao estímulo III generalizada em região inferior em OD e diminuição de sensibilidade em região paracentral e em região nasal superior em OE. Exame neurológico clínico dentro da normalidade. Aguarda-se ressonância magnética de crânio. Realiza-se o diagnóstico de glaucoma ipsilateral a nevus flameus - síndrome de Sturge-Weber. Paciente mantém acompanhamento ambulatorial regular. DISCUSSÃO: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Browling B, Kanski. Oftalmologia Clínica: uma abordagem sistemática. Rio de Janeiro: Elsevier; 2016. 2. Allingham RR, Damji KF, Freedman S, Moroi SE, Rhee DJ. Shields: tratado de glaucoma. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2014. 3. Mantelli F, Bruscolini A, La Cava M, Abdolrahimzadeh S, Lambiase A. Ocular manifestations of Sturge-Weber syndrome: pathogenesis, diagnosis, and management. Clin Ophthalmol. 2016;10:871-878. 4. Silverstein M, Salvin J. Ocular manifestations of Sturge-Weber syndrome. Curr Opin Ophthalmol. 2019;30(5):301-305. Aproximadamente 50% dos pacientes com SWW apresentam alterações oculares patológicas. A localização do angioma facial na divisão oftálmica do V par é fator de risco definido para o desenvolvimento de glaucoma; e a presença de hemangioma de coroide é um fator risco para glaucoma de difícil controle. A fisiopatogênese do glaucoma é complexa, sendo conhecidos dois mecanismos diferentes para seu desenvolvimento: a trabeculodisgenesia com anomalia parcial de desenvolvimento do ângulo da câmara anterior, com pico bimodal de desenvolvimento, uma de início precoce (congênita) e uma de início tardio durante a infância e adolescência; e a elevação da pressão venosa episcleral, de início mais tardio, relacionado a pequenos hemangiomas episclerais. A terapia medicamentosa pode ser suficiente para o controle hipertensivo, porém, em muitos casos não se consegue efeito hipotensor ideal; postula-se a baixa eficácia hipotensora em casos de hipertensão venosa episcleral ao fato de nenhum medicamento atuar neste mecanismo. Figura 1 Figura 2 OD OE Figura 2 Figura 3