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ANATOMIA Graziela Gonzaga Santana CONCEITO Plexo braquial (PB) é um conjunto de 5 raízes nervosas de C5 a T1 que formam uma rede de fusões e divisões para assim inervar todo o membro superior. O plexo braquial é formado pelas comunicações dos ramos anteriores dos últimos quatro nervos cervicais, ou seja, o quinto, sexto, sétimo e oitavo nervos cervicais e o primeiro nervo torácico. A união destas raízes origina troncos e fascículos nervosos que posteriormente darão origem aos principais nervos responsáveis pela motricidade e sensibilidade dos membros superiores. O membro superior é completamente inervado por ramos do plexo braquial. LOCALIZAÇÃO O plexo braquial tem localização lateral à coluna cervical e situa-se entre os músculos escalenos anterior e médio, posterior e lateralmente ao músculo esternocleidomastoideo. O plexo passa posteriormente à clavícula e acompanha a artéria axilar sob o músculo peitoral maior. Lateralmente a coluna vertebral cervical. Entre os mm. escalenos anterior e médio e lateralmente ao m. ECOM. Posterior à clavícula. Acompanha a a. axilar sob o m. peitoral menor. DIVISÃO Devido à complexidade desse plexo nervoso, ele foi dividido didaticamente em cinco seções anatômicas, que contém: cinco raízes, três troncos, seis divisões, três cordões e treze ramos, havendo ainda mais ou menos quatro outros ramos, quando os pequenos ramos que surgem diretamente das raízes são considerados. As raízes do plexo geralmente atravessam a abertura entre os músculos escalenos anterior e médio com a artéria subclávia. As fibras simpáticas conduzidas por cada raiz do plexo são recebidas dos ramos cinzentos dos gânglios cervicais médios e inferiores quando as raízes seguem entre os músculos escalenos. Hierarquia: raízes troncos divisões cordões ramos. Raízes: são a primeira seção do plexo, que emerge dos ramos ventrais dos quatro últimos nervos espinhais cervicais e do primeiro nervo espinhal torácico. Troncos: formam a segunda seção. O tronco superior é formado pelos ramos ventrais do quinto e sexto nervos espinhais cervicais. O tronco médio vem do sétimo nervo espinhal cervical, e o tronco inferior emerge dos ramos ventrais do oitavo nervo espinhal cervical e do primeiro nervo espinhal torácico. Na parte inferior do pescoço, as raízes do plexo braquial unem-se para formar três troncos: Um tronco superior, da união das raízes de C5 e C6. Um tronco médio, que é uma continuação da raiz de C7. Um tronco inferior, da união das raízes de C8 e T1. Cada tronco do plexo braquial ramifica-se em divisões anterior e posterior quando o plexo atravessa o canal cervicoaxilar posteriormente à clavícula. As divisões anteriores dos troncos suprem os compartimentos anteriores (flexores) do membro 2 superior, e as divisões posteriores dos troncos suprem os compartimentos posteriores (extensores). Cada um desses troncos é dividido em uma divisão posterior e uma divisão anterior. As três divisões posteriores dos troncos se unem e formam um tronco volumoso denominado fascículo posterior, que se divide, na fossa axilar, em dois ramos terminais: o nervo axilar e o nervo radial. TRONCO SUPERIOR Ramos do tronco superior: Nervo para o m. subclávio. Nervo supraescapular (inerva os mm. supraespinhal e infraespinhal). Ambos emergem do quinto e sexto nervos espinhais cervicais. O cordão lateral produz três nervos, todos emergindo do quinto ao sétimo nervos espinhais cervicais. TRONCO MÉDIO Continuação da raiz de C7. A divisão anterior do tronco superior se junta à divisão anterior do tronco médio; daí resulta o feixe lateral, de onde se origina o nervo musculocutâneo. O que resta do feixe lateral constitui a raiz lateral do nervo mediano. TRONCO INFERIOR União das raízes de C8 e T1. A divisão anterior do tronco inferior forma, por si, o trato medial, que, após originar os nervos cutâneos mediais do antebraço e ulnar, passa a ser a raiz medial do nervo mediano, que une o raiz lateral anterior à artéria axilar para formar o nervo mediano. FASCÍCULOS As divisões dos troncos formam três fascículos do plexo braquial. O nome dos fascículos posterior, lateral e medial refere-se à sua localização em relação à artéria axilar em todo ou parte de seu trajeto. O nome também indica os territórios de distribuição dos ramos de que se originam. O fascículo posterior inerva as regiões posteriores do membro superior, enquanto os fascículos lateral e medial distribuem a inervação das regiões anteriores. Os fascículos têm relação com a segunda parte da artéria axilar, que é indicada por seus nomes, por ex: o fascículo lateral está lateralmente à a. axilar, embora possa parecer que está superior a ela, já que é visto durante a abdução do membro. Os fascículos se dividem em seus ramos nervosos subsequentes, e continuam distal e inferiormente ao longo do membro superior. Esses fascículos terão várias ramificações que inervarão os membros superiores. A maior dessas ramificações é o nervo radial. FASCÍCULO LATERAL As divisões anteriores dos troncos superior e médio unem-se para formar o fascículo lateral. Do fascículo lateral originam o nervo musculocutâneo e sai um ramo que vai formar o nervo mediano. FASCÍCULO MEDIAL A divisão anterior do tronco inferior continua como o fascículo medial. Do fascículo medial originam o nervo ulnar e o outro ramo que vai formar o nervo mediano. 3 FASCÍCULO POSTERIOR As divisões posteriores dos três troncos unem-se para formar o fascículo posterior. Do fascículo posterior originam o nervo radial e axilar. Os três fascículos dão origem aos seus ramos terminais na fossa axilar ao nível da articulação do ombro, posteriormente ao músculo peitoral menor. Esses ramos apresentam relações diferentes com os vasos. COMUNICAÇÃO O plexo braquial se comunica com: Plexo cervical por meio de um ramo nervoso. Gânglio cervicotorácico do tronco simpático. Ocorre através do nervo vertebral e os ramos comunicantes que unem diretamente o referido gânglio aos ramos anteriores do sexto, sétimo e oitavo nervos cervicais e ao primeiro nervo torácico. RAMOS O plexo braquial é dividido em partes supraclavicular (no trígono) e infraclavicular (na axila) pela clavícula. SUPRACLAVICULAR Quatro ramos da parte supraclavicular do plexo originam-se: Das raízes (ramos anteriores). Dos troncos do plexo braquial. o Nervo dorsal da escápula. o Nervo torácico longo. o Nervo para o músculo subclávio. o Nervo supraescapular. Pode-se ter acesso aos ramos da parte supraclavicular através do pescoço. INFRACLAVICULAR Os ramos da parte infraclavicular do plexo originam-se dos fascículos do plexo braquial e pode-se ter acesso a eles através da axila. Considerando-se os ramos colaterais e terminais, três ramos originam-se do fascículo lateral. Os fascículos medial e posterior dão origem a cinco ramos cada (contando as raízes do nervo mediano como ramos individuais). 4 RAMOS SUPRACLAVICULARES NERVO SUPRAESCAPULAR Emerge do 5ª e do 6ª nervos espinhais cervicais (Tronco superior C5-C6). Curva-se ao redor da borda lateral da espinha da escápula. O nervo supraescapular inerva os músculos supraespinhal e infraespinhal. Fornece alguns pequenos ramos para o ligamento coracoclavicular, a articulação do ombro e a articulação acromioclavicula. Trajeto lateral (trígono cervical posterior) incisura supraescapular fossa supraespinhal. NERVO DO MÚSCULO SUBCLÁVIO Emerge do 5ª e do 6ª nervos espinhais cervicais (Tronco superior C5-C6). Inerva omúsculo subclávio. Comunica-se com o nervo frênico. Posterior à clavícula e anterior à a. subclávia. Pode emitir raiz acessória (inerva o diafragma) para nervo frênico. O nervo subclávio desce anterior ao plexo, ao longo da borda lateral do músculo escaleno anterior e lateralmente ao nervo frênico, e se divide em dois ramos: um se comunica com o nervo frênico; o outro corre anterior ou posterior à veia subclávia e termina no meio do músculo subclávio. NERVO TORÁCICO LONGO Formado pelas raízes C5, C6 e C7. Inerva o músculo serrátil anterior. Canal cervicoaxilar em trajeto descendente e posterior às raízes de C8 e T1. NERVO DORSAL DA ESCÁPULA Raiz de C5. Inerva os músculos romboides e o músculo levantador da escápula. 5 Se dirige lateral e posteriormente, cruza ou atravessa o músculo escaleno médio e segue um trajeto descendente profundo. RAMOS INFRACLAVICULARES NERVO PEITORAL LATERAL Origina do fascículo lateral, recebe fibras de C5, C6 e C7. Após sua formação, perfura a membrana costocoracoide para chegar à face profunda dos mm. peitorais maior e menor e inervá-los. Inerva os músculos peitoral maior e peitoral menor. Comunica-se com o nervo peitoral medial. NERVO PEITORAL MEDIAL O nervo peitoral medial inerva os músculos peitoral maior e menor. É responsável por inervar o m. peitoral menor e a parte esternocostal do m. peitoral maior. Embora seja denominado medial em razão de sua origem no fascículo medial, situa-se lateralmente ao n. peitoral lateral. O nervo peitoral medial origina-se do fascículo medial, posteriormente à clavícula. É direcionado para baixo e um pouco para frente, corre primeiro posteriormente à artéria axilar e depois entre a artéria e veia axilar, e se divide em dois ramos: um muscular destinado ao músculo peitoral menor e outro comunicante que se une anteriormente à artéria ao ramo comunicante do nervo peitoral lateral, formando assim o uso dos nervos peitorais. NERVO CUTÂNEO MEDIAL DO BRAÇO O nervo cutâneo medial do braço é separado do feixe medial ligeiramente superior ao nervo cutâneo medial do antebraço. Inerva a pele da face medial do braço, até o epicôndilo medial do úmero e olécrano da ulna, sendo considerado o menor nervo do plexo. Suas fibras vêm de T1 e C8. 6 NERVO CUTÂNEO MEDIAL DO ANTEBRAÇO O nervo cutâneo medial do antebraço origina-se da cabeça medial do plexo braquial, ligeiramente superior à origem do nervo ulnar. As fibras vêm de C8 e T1. Segue o n. ulnar e perfura a fáscia muscular com a v. basílica. No braço, o nervo desce anterior à veia braquial ou à veia basílica à medida que sobe em direção à axila. Ela passa pela fáscia do braço pelo mesmo orifício da veia, em direção ao meio do braço. Assim, torna-se superficial e logo se divide em dois ramos terminais. É dividido em ramos anterior e posterior na tela subcutânea. NERVO SUBESCAPULAR SUPERIOR Emerge da C6 e C7 (fascículo posterior). Inerva a parte superior do músculo subescapular. Esse ramo se destaca do fascículo posterior ou da divisão posterior do tronco superior. Segue inferiormente até o m. subescapular. Ele desce verticalmente posterior e lateralmente ao fascículo posterior e, após um curto trajeto, penetra no músculo subescapular próximo à sua borda superior, distribuindo-se pelos fascículos superiores deste músculo. NERVO SUBESCAPULAR INFERIOR Nasce do fascículo posterior (C6 – C7). Inerva a parte inferior do músculo subescapular e o músculo redondo maior. Desce anterior ao músculo subescapular e penetra na parte média desse músculo, do qual inerva as porções média e inferior. Segue inferolateral profundamente à a. e v. subescapulares. NERVO TORACODORSAL Também conhecido como nervo subescapular médio, que inerva o latíssimo do dorso. Nasce do fascículo posterior (C6 - C7). Desce anterior ao músculo subescapular e aos vasos subescapulares, e entra no músculo latíssimo do dorso próximo à borda lateral da escápula NERVO MEDIANO Raiz lateral do fascículo lateral (C5-C7) e raiz medial do fascículo medial (C8-T1). O n. mediano é formado por duas raízes – o fascículo lateral emite a raiz lateral, e o fascículo medial emite a raiz medial. 7 A raiz lateral surge, junto com o nervo musculocutâneo, do fascículo lateral; a raiz medial constitui o mais baixo dos ramos terminais do fascículo medial. O nervo mediano cruza a parte inferior da fossa axilar, desce sobre a face medial do braço e o sulco bicipital medial da fossa do cotovelo e atinge o eixo vertical medial do antebraço. Em seguida, desce verticalmente ao longo do meio do antebraço e atinge a palma da mão, onde se divide em seus ramos terminais. Realiza inervação motora na maioria dos mm. anteriores do antebraço, exceto o flexor ulnar do carpo e metade medial do flexor profundo dos dedos. a mão, inerva a praticamente todos os músculos da eminência tenar. Além disso, ainda nesta região, faz a inervação cutânea da metade lateral da palma, e a face dorsal das falanges média e distal do II e III dedo, e metade lateral do IV do dedo. Síndrome do túnel do carpo: causada pela compressão do nervo mediano. NERVO MUSCULOCUTÂNEO O nervo musculocutâneo origina-se do feixe lateral, lateralmente à artéria axilar (C5 – C7). Inerva o músculo coracobraquial, o músculo braquial e o músculo bíceps braquial, antes de continuar e se tornar o nervo cutâneo lateral do antebraço. Perfura o m. coracobraquial e segue entre os mm. braquial e o bíceps braquial. NERVO ULNAR O nervo ulnar origina-se do fascículo medial, que acaba constituindo esse nervo e a raiz medial do mediano. Suas fibras partem de C8 e de T1. Inerva: Músculo flexor ulnar do carpo. Dois ventres mediais do flexor profundo dos dedos. Musculatura intrínseca da mão, exceto os músculos tenares e os dois músculos lumbricais mais laterais. Lado medial (à linha axial do 4ª dedo) da mão, o primeiro dedo e metade do segundo dedo em suas faces palmares, e o primeiro, segundo e metade do terceiro dedo em suas faces dorsais. Ele pode ser lesionado em qualquer lugar do seu trajeto e então há perda da sensibilidade da região de enervação e pode ocorrer a deformidade da mão conhecida como “mão em garra”. 8 O nervo ulnar desce ligeiramente obliquamente em sentido inferior e posterior no braço, passa posteriormente ao epicôndilo medial, segue inferior e anteriormente e corre no lado anteromedial do antebraço até a borda lateral do osso pisiforme. Inferior a esse osso, se divide em seus ramos terminais. NERVO AXILAR Origina-se do ramo o terminal do fascículo posterior, recebendo fibras de C5 e C6. É considerado por alguns autores como um ramo colateral do plexo braquial, por ter trajeto bastante curto e terminar no ombro. Ele corre inferior e lateralmente e encontra a artéria circunflexa umeral posterior na borda inferior do músculo subescapular. Acompanhado por esta artéria, que se localiza inferiormente ao nervo, o nervo axilar atravessa o espaço quadrangular imediatamente inferior à cápsula articular do ombro (de modo que pode ser lesado na luxação anteroinferior do ombro), confina com o colo cirúrgico do úmero e assim atinge a face profunda do músculo deltóide, onde termina. Fossa axilar espaço quadrangular n. cutâneo lateral superior do braço. O nervo axilar se divide em dois ramos terminais principais: Ramo anterior inerva o músculo deltoide e a pele que o recobre. Ramo posterior inerva omúsculo redondo menor e o músculo deltoide, antes de continuar como nervo cutâneo lateral superior do braço. NERVO RADIAL O nervo radial é uma continuação do cordão posterior do plexo braquial, após a origem do nervo axilar. Suas fibras provêm de C5 e T1 do ramo terminal do fascículo posterior. Fossa axilar sulco radial do úmero m. tríceps septo intermuscular fossa cubital. Sai da fossa axilar posteriormente à A. axilar; segue posteriormente ao úmero no sulco radial com a A. braquial profunda, entre as cabeças lateral e medial do M. tríceps braquial; perfura o septo intermuscular lateral; entra na fossa cubital, dividindo-se em Nn. radiais superficial (cutâneo) e profundo (motor). Inerva todos os músculos dos compartimentos posteriores do braço e antebraço; pele da região posterior e inferolateral do braço, região posterior do antebraço e dorso da mão lateral à linha axial do 4ª dedo. Músculos inervados: m. deltoide; redondo menor; tríceps braquial; supinador; ancôneo; músculos extensores do antebraço; músculo braquiorradial O nervo radial pode ser lesado em qualquer região de seu trajeto e então há perda da sensibilidade da sua região de inervação e a deformidade da mão conhecida como “mão caída”. Acomete a musculatura extensora 9 do punho e da mão. Além do movimento de extensão, a supinação também é prejudicada. RAMOS INFLACLAVICULARES LESÕES O plexo se encontra em um lugar crítico em relação a traumas, pois uma força a mais nesta região pode provocar tração sobre o membro superior exposto e afetar na funcionalidade do mesmo. Além de se apresentar com uma escassa proteção muscular e óssea, o que predispõe ao maior índice de lesões traumáticas. Entre as diversas formas de lesar o plexo braquial a maioria é devido a traumas, principalmente decorrentes de acidentes automobilísticos e de motocicleta. As lesões do PB são mais frequentes em homens, principalmente na faixa etária entre 16 e 25 anos. Também podem ocorrer na criança no momento do parto, condição conhecida como paralisia obstétrica. Dependendo do mecanismo de lesão, as raízes nervosas podem sofrer avulsão (arrancamento das raízes na medula), estiramento ou ruptura. A lesão no plexo acarreta para o indivíduo um déficit sensitivo e motor e assim afetando na execução das atividades de vida diária. As lesões supraclaviculares proximais ao gânglio, com avulsão radicular da medula apresentam um pior prognóstico. IMAGENS 10