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Transição do Trabalho Escravo

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87Transição do trabalho escravo para o trabalho livre: a mão-de-obra no contexto de consolidação do capitalismo nas sociedades brasileira e estadunidense
História
Texto 9
Muitos eram os imigrantes que chegavam ao Brasil. Os italianos formaram o maior grupo (38%), 
seguido pelos portugueses com (29%), os espanhóis também alcançaram uma grande porcentagem 
(14,6%), japoneses, alemães, sírios, libaneses, poloneses, judeus, finlandeses, chineses, coreanos vie-
ram residir e fazer história em nosso país. As duas grandes guerras (1914-1918 e 1938-1945) também 
colaboraram para engrossar o fluxo migratório para a América.
(Os autores).n
Texto 10
Os antigos escravos, cuja exploração implicava um recurso sistemático e direto à violência, estão 
entre os trabalhadores menos adaptados ideologicamente às formas superiores de dominação do ca-
pital. Nos países como o Brasil, dadas as possibilidades de auto-subsistência ou integrar-se as formas 
pré-capitalistas de produção predominantes no campo, os antigos escravos “escapavam” mais ou me-
nos facilmente ao trabalho assalariado. Mesmo os antigos escravos, que estavam nas cidades das regi-
ões mais desenvolvidas e aí permaneciam , submetiam-se dificilmente à disciplina própria da produção 
capitalista. Sabe-se que os preconceitos raciais encontram, muitas vezes, as suas origens na escravi-
dão. (SILVA, 1986, p. 40).
Esse sistema foi condenado pelos países de origem desses imigran-
tes, que chegaram a proibir a continuidade do processo imigratório. 
Como o problema de falta de mão-de-obra para a cafeicultura persistia, 
foi necessário que o setor se adaptasse a mão -de- obra assalariada.
Se os proprietários brasileiros estavam há tempo enfrentando os 
movimentos em favor da abolição, enfrentariam também as reivindi-
cações dos imigrantes europeus e asiáticos, que desde o tempo colo-
nial estavam chegando, apesar de lento e gradual, o fluxo migratório 
já existia no tempo do Brasil colonial. 
É bom lembrar que o trabalhador assalariado existia no Brasil des-
de o período colonial, o que mudaria eram as relações de trabalho, 
além da quantidade e os tipos variados de pessoas que iriam compor 
essa recente sociedade. 
O fluxo imigratório para o Brasil acontece desde a independên-
cia do país. Na região Sul teve como objetivo o povoamento de regi-
ões pouco habitadas. Porém, é no contexto da produção do café que 
a chegada dos imigrantes se relaciona com a transição da mão-de-obra 
escrava para a mão-de-obra livre .
Os primeiros imigrantes que foram para as fazendas de café tinham 
as despesas relativas à viagem e aos gastos de instalação pagos pelos 
fazendeiros. Os imigrantes se comprometiam a reembolsar o fazendei-
ro com seu trabalho. Na prática e até pela mentalidade dos escravocra-
tas, o tratamento ao imigrante não se diferenciava do tratamento dis-
pensado aos escravos.
88 Relações de trabalho
Ensino Médio
 A escravidão no mundo contemporâneo.
Hoje, milhões de trabalhadores têm seus direitos reconhecidos por 
lei, pois, ao longo do processo de transição, as conquistas foram sen-
do alcançadas. No caso do Brasil, temos a CLT (Consolidação das Leis 
do Trabalho, criada em 1943), que regulamenta esses direitos. Organi-
zações internacionais, como a OIT (Organização Internacional do Tra-
balho), também legislam a favor do trabalho livre e contra a escravi-
dão e a exploração humana.
Por meio de documentários, reportagens em jornais e revistas do 
mundo globalizado, percebe-se que essa transição do trabalho escra-
vo para o livre não foi por completo efetivada. Num relatório de 1991 
sobre formas contemporâneas de escravidão, o Centro de Direitos Hu-
manos das Nações Unidas sustenta que, além da escravidão tradicio-
nal e do tráfico de escravos, esses abusos incluem a venda de crianças, 
prostituição infantil, exploração do trabalho infantil, tráfico de pesso-
as, pornografia infantil, práticas em regimes colônias, etc. 
No século XX, precisamente no ano de 1948, a ONU (Organização 
das Nações Unidas) adota a Declaração Universal dos Direitos do Ho-
mem, o texto estabelece os direitos naturais de todo ser humano, inde-
pendente de nacionalidade, cor, sexo, orientação religiosa, política ou 
sexual. O Artigo I do texto afirma: “Todos os homens nascem livres e 
iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e 
devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.” 
• Construa uma narrativa histórica apontando a relação entre o processo de transição do trabalho es-
cravo para o trabalho assalariado no Brasil. Para isso, considere: 
a) as permanências e as mudanças nas relações de trabalho dos afro-brasileiros após a escravi-
dão nas lavouras de café e nas cidades;
b) a introdução dos imigrantes europeus e asiáticos nas lavouras cafeeiras ainda no período escra-
vista.
 ATIVIDADE
• Pesquise a mão-de-obra usada nas primeiras indústrias brasileiras. Quem eram os trabalhadores? 
Imigrantes? Ex-escravos? A sua pesquisa confirma as argumentações do texto?
• Em grupo, pesquise sobre a escravidão no mundo contemporâneo, monte um painel e apresente 
para sua escola.
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