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Concepção Crítica de Currículo “O currículo compreende, inicialmente, um plano elaborado pelos responsáveis por uma escola, uma declaração de intenções, que podemos chamar de currículo teórico. Este plano, ao ser realizado, sofre uma série de alterações em função das contingências de sua aplicação, de tal forma que a percepção que dele tem os professores e alunos, se difere bastante uma da outra. Essas diferenças resultam tanto de experiências de aprendizagem não planejadas ou não explicitadas, que compõem o currículo latente” (Krasivchik, 2005). Nesta concepção o currículo não é apenas o conteúdo sistematizado a ser ministrado nas aulas pelos professores, ele deve ser um espaço onde a pluralidade, a diversidade e laicidade se inter-relacionem e que, nesta interação, ocorra a aprendizagem. Os conteúdos não devem negar dados e versões diferenciadas que vem da cultura e do conhecimento prévio de cada cidadão. O currículo escolar seria o conhecimento científico que só é possível na escola, pois a escola é a instituição mediadora entre o saber comum e o saber erudito, contribuindo para a sua superação. “Pela mediação da escola, dá-se a passagem do saber espontâneo ao saber sistematizado, da cultura popular à cultura erudita” (Saviani, 2005). Parte-se, portanto, da necessidade de que o currículo reflita as questões que perpassam a construção sócio histórica da realidade. “[…] partindo de uma concepção de currículo que o compreende como aquilo que ocorre nas escolas e salas de aula como resultado da interação entre os sujeitos do ato educativo e o objetivo de conhecimento, entende-se que este artefato está em complexas relações de poder” (Amorim, 2010). Portanto o currículo deve representar os mais diversos aspectos sociais dos atores envolvidos no processo de ensino. Assim, o currículo é concebido como uma produção social, como um artefato que expressa à construção coletiva daquela instituição e que organiza o conjunto das experiências de conhecimentos a serem proporcionados aos educandos. Essa produção social, portanto, só pode ser pensada e organizada de forma coletiva, por toda a comunidade escolar (Amorim, 2010). Currículo crítico compreende as relações sociais como fundamentais na construção da estrutura curricular. A escola é como um espaço de construção coletiva do saber. Essas teorias nascem e se configuram como críticas através de diversos movimentos sociais, principalmente nos anos 60, período que foi marcado por inquietações e mudanças em alguns países, principalmente na França e nos Estados Unidos. Dessa maneira, Silva (2010) nos mostra que os diversos movimentos que fizeram parte dessas mudanças foram: Os movimentos de independência das antigas colônias europeias; os protestos estudantis na França e em vários outros países; a continuação dos movimentos dos direitos civis nos Estados Unidos; os protestos contra a guerra do Vietnã; os movimentos contracultura; o movimento feminista; a libertação sexual; as lutas contra a ditadura militar no Brasil. Essas teorias também nascem através do “movimento de conceptualização”, movimento que era contra a concepção tecnicista do currículo. Caracterizou-se como um movimento de insatisfação, de inquietação e de crítica aos padrões tecnocráticos estabelecidos pelos primeiros modelos de currículo, como os de Bobbitt e os de Tyler. · Althusser (Aparelho Ideológico do Estado) – a escola é um aparelho ideológico de reprodução do Estado, onde se reproduz o que o Estado determina que seja ministrado. · Bourdieu (Violência simbólica) – priorização de uma cultura em detrimento de outras, nega-se a escola como espaço de pluralidade, é um espaço onde se perpetua a violência simbólica. · Freire (Pedagogia Libertadora) – busca trabalhar com os conhecimentos prévios dos alunos. · Saviani (Pedagogia Histórico-Crítico) – trabalha os conteúdos de forma crítica, contextualizada, fazendo interface com a realidade social dos alunos. · Arroyo (Currículo-Território em disputa) – os grupos disputam quais conhecimentos devem ser trabalhados e a partir de que ótica serão apresentados.