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UNIVERSO DESENVOLVIMENTO HUMANO: INFÂNCIA PROFESSORA: ANA BEATRIZ DE MOTA E SOUZA APRESENTAÇÃO PESSOAL APRESENTAÇÃO DOS ALUNOS EXPECTATIVAS QUANTO À DISCIPLINA OBJETIVO POSSIBILITAR UM VISÃO GLOBAL E, AO MESMO TEMPO, CRÍTICA DOS DIFERENTES POSICIONAMENTOS TEÓRICOS NOS ESTUDOS SOBRE A CRIANÇA E SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE MODO GERAL. ESTUDAR OS PRINCIPAIS PROCESSOS DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL, POSSIBILITANDO AO FUTURO PROFISSIONAL A COMPREENSÃO DOS FENÔMENOS E PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS ENVOLVIDOS NO DESENVOLVIMENTO HUMANO, COM ÊNFASE NA INFÂNCIA. EMENTA – N192 Carga Horária: 80h Curso/Período: Psicologia – 3° Período Ementa: Conceitos fundamentais em Psicologia do Desenvolvimento. Desenvolvimento psicomotor, social, afetivo, cognitivo, sociocultural. Psicologia da aprendizagem. Desenvolvimento e aprendizagem. Objetivos Específicos: Identificar as diferentes teorias sobre o desenvolvimento humano, possibilitando ao aluno uma atuação em diferentes níveis de caráter preventivo; Discutir a relação entre os processos do desenvolvimento e aprendizagem da criança, do adolescente e do adulto, na perspectiva dos diferentes enfoques teóricos estudados, analisando criticamente as implicações, e contribuições da psicologia em relação à prática educativa. EMENTA – N192 Conteúdo Programático: Da Concepção ao Nascimento: Marcos do Desenvolvimento, Características e Cuidados. A Gestante e o Feto. O Neonato e os Atos Reflexos. Os Reflexos e as Reações Circulares. Progressos no Autocontrole e Aquisição do Domínio Psicomotor - A Auto- locomoção. O Movimento de Pinça e o Caminhar. O Controle dos Esfíncteres. EMENTA – N192 Jean Piaget: Vida e Obra. Constructos Básicos da Teoria Piagetiana: Equilibração; Adaptação: Assimilação e Acomodação; Esquemas. O Estágio Sensório- Motor: A Inteligência Prática. Atos Reflexos e Reações Circulares; Noção de Permanência do Objeto; Imitação Simples e Diferida. Estágio Pré-Operatório: Da Ação à Intuição. Função Simbólica ou Semiótica; Egocentrismo; Pensamento Intuitivo. O Estágio Operatório-Concreto: da Intuição à Operação. Os Processos Cognitivos Básicos dos Anos Escolares; Operações Lógicas e Infralógicas. O Estágio Operatório-Formal EMENTA – N192 Pensamento Hipotético-Dedutivo; Operações Lógicas Atingíveis na Adolescência. O Desenvolvimento Psicossocial: -Os Processos De Socialização; O Apego; A Teoria Psicossocial de Erik Erikson. O Desenvolvimento Psicossocial: A Constituição da Personalidade; O Conhecimento de Si Mesmo. Identidade e Tipificação Sexual. Estilos Parentais e a Importância do Brincar no Desenvolvimento Infantil. EMENTA – N192 Bibliografia Básica: BARROS, Vera Ferrari Rego. A Saúde Mental na Atenção a Criança e ao Adolescente. São Paulo, SP: Atheneu, 2016. [Biblioteca Pearson] KAIL, Robert V. A criança. São Paulo, SP: Pearson, 2014. [Biblioteca Pearson] YABE, Isabela de Gracia.Desenvolvimento humano nas diferentes faixas geracionais. Curitiba, PR: Contentus, 2020. [Biblioteca Pearson] EMENTA – N192 Bibliografia Complementar: BERGER, Kathleen Stassen. O desenvolvimento da pessoa: da infância à terceira idade. 5.ed. Rio de Jnaeiro, RJ: LTC, 2016. [Biblioteca Física] DE LA TAILLE, Yves; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloisa. Piaget, Vigotski, Wallon. São Paulo, SP: Summus, 2019. [Biblioteca Pearson] PAPALIA, Diane E.; MARTORELL, Gabriela. Desenvolvimento Humano-14. McGraw Hill Brasil, 2021. PIAGET, Jean. Seis estudos de Psicologia. 25 ed. Rio de Janeiro, RJ: Forense universitária, 2016. [Biblioteca Física] PILETTI, Nelson; ROSSATO, Solange Marques; ROSSATO, Geovanio. Psicologia do desenvolvimento. São Paulo, SP: Contexto, 2014. [Biblioteca Pearson] SILVA, Gustavo Thayllon França. Desenvolvimento humano nas diferentes faixas geracionais: abordagens psicopedagógicas e psicológicas. Curitiba, PR: Intersaberes, 2022. [Biblioteca Pearson] ROTEIRO 1. Noções preliminares; 2. Conceito de Desenvolvimento; 3. Aspectos históricos do desenvolvimento humano; 4. Métodos de investigação do desenvolvimento humano; 5. Teorias do desenvolvimento humano (PIAGET, VYGOTSKY, FREUD, ERIKSON); 6. Natureza x Ambiente; 7. Da concepção ao Nascimento: Marcos do Desenvolvimento, Características e Cuidados; 8. O bebê recém-nascido; 9. As Interações sociais e o Desenvolvimento Humano; 10. A família na perspectiva do Desenvolvimento Humano. O QUE É DESENVOLVIMENTO E POR QUE É IMPORTANTE ESTUDÁ-LO? DESENVOLVIMENTO “PASSAGEM GRADUAL(DA CAPACIDADE OU POSSIBILIDADE) DE UM ESTÁGIO INFERIOR A UMA ESTÁGIO MAIOR, SUPERIOR, MAIS APERFEIÇOADO;CRESCIMENTO, EXPANSÃO, PROGRESSO” (MICHAELIS, 2021) “CONTINUIDADE, CRESCIMENTO, MUDANÇA, ETAPAS, INTERAÇÕES, CONHECIMENTO, AÇÃO. HÁ DIVERSAS FORMAS DE ENTENDÊ-LO, GERANDO DISTINTAS CONCEPÇÕES SOBRE OS FATORES PREPONDERANTES NESSE PROCESSO” (XAVIER; NUNES, 2015) DESENVOLVIMENTO HUMANO O campo do Desenvolvimento Humano concentra-se no estudo científico dos processos sistemáticos de mudança e de estabilidade que ocorrem nas pessoas...Quais são as características com mais chances de perdurar? Quais têm mais chances de mudar, e por que? Essas são algumas das perguntas que os cientistas do desenvolvimento procuram responder. (PAPALIA; FELDMAN, 2013) O Desenvolvimento Humano é um PROCESSO de construção contínua que se estende ao longo da vida dos indivíduos, sendo fruto de uma organização complexa e hierarquizada que envolve desde os componente intra-orgânicos até as relações sociais e a agência humana. (SIFUENTES; DENSSEN E OLIVEIRA, 2007) O QUE É DESENVOLVIMENTO E POR QUE É IMPORTANTE ESTUDÁ-LO? PSICOTERAPIA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PSICÓLOGO ESCOLAR Ao estudarmos o Desenvolvimento Humano, lidamos com a singularidade das pessoas. O Desenvolvimento Humano atravessa quatro dimensões: DIMENSÕES FÍSICO COGNITIVO EMOCIONAL PSICOSSOCIAL DESENVOLVIMENTO FÍSICO Crescimento do corpo e do cérebro Capacidades sensoriais Habilidades motoras e saúde DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Aprendizagem Atenção Memória Linguagem Pensamento Criatividade DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL Emoções Competência Emocional Regulação emocional DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL Relações/Interações sociais PROCESSO UNIFICADO EXERCÍCIO 1 Pense em uma situação experienciada ou observada por você, no âmbito pessoal ou profissional, no qual você tenha identificado em uma criança um determinado evento que tenha impactado uma das dimensões do desenvolvimento que falamos. Agora pense se esse evento teve também impacto em outra dimensão do desenvolvimento dessa criança. A pesquisa em desenvolvimento deve focar os indivíduos inseridos em uma rede de relações e não apenas em sua singularidade. O desenvolvimento é um fenômeno multideterminado. O processo do desenvolvimento NÃO pode ser compreendido sem que se leve em consideração os contextos físico, social , histórico e cultural nos quais as transformações estruturais do organismo ocorrem. Não devemos ter uma visão reducionista do processo de desenvolvimento humano. Os psicólogos do desenvolvimento estudam os padrões comuns de crescimento e mudanças, mas também as formas pelas quais as pessoas diferem em seu desenvolvimento e em suas histórias de vida. CONTINUIDADE E MUDANÇA UNIVERSALIDADE E INDIVIDUALIDADE PERÍODOS SENSÍVEIS (Gestação, Infância, Adolescência e Envelhecimento) ASPECTOS HISTÓRICOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO Para que se possa entender os aspectos contemporâneos da Psicologia do Desenvolvimento Humano, é necessário olharmos para a história da construção do desenvolvimento humano, ou seja, de como ele foi abordado ao longo dos anos. IDADE MÉDIA MODERNIDADE CONTEMPORANEIDADE SÉCULO XI AO XIV SÉCULO XV AO XVIII SÉCULOS XIX, XX E XXI ASPECTOS HISTÓRICOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO IDADE MÉDIA Caracteriza-se por um grande desinteresse nos estudos sobreo desenvolvimento humano e em tudo que se relacionava a ele. Nessa época, não havia concepção de infância que temos hoje. A criança era vista como um adulto em miniatura que, após o desfralde, já estava pronta para participar da sociedade e ajudar a família nos gastos. Nesse período histórico, quando se começou uma noção de infância, ainda incipiente, passou a haver uma compreensão um pouco diferente dos aspectos relacionados ao desenvolvimento humano: PRIMEIRA IDADE: ATÉ OS 7 ANOS; SEGUNDA IDADE: ATÉ OS 14 ANOS, E TERCEIRA IDADE: ATÉ OS 35 ANOS, QUANDO O HOMEM JÁ ESTARIA PRONTO. ASPECTOS HISTÓRICOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ASPECTOS HISTÓRICOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO Período pré-científico – Estudos de Rosseau, Pestalozzi e Tiedemann. MODERNIDADE Há uma grande evolução nos estudos sobre o desenvolvimento humano, especialmente sobre as questões pedagógicas das crianças. Teoria Evolucionista. Charles Darwin (1809-1882). A CRIANÇA NÃO MAIS ENTENDIDA COMO UMA ADULTO EM MINIATURA, MAS SIM COMO UM SER COM CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS ASPECTOS HISTÓRICOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO CONTEMPORANEIDADE Grande avanço nos estudos sobre o desenvolvimento humano, destacando-se nomes como S. Freud, Vygostsky, Piaget, Erikson, dentre outros. Devido à sua abrangência e complexidade, o desenvolvimento no curso de vida tem sido abordado, atualmente, a partir de uma noção epigenética e probabilística[...]. Isto significa que cada indivíduo tem seu desenvolvimento delineado por inúmeras possibilidades vinculadas ao tempo, ao contexto e ao processo[...], (SIFUENTES; DENSSEN; OLIVEIRA, 2007) O desenvolvimento individual decorre das relações que estabelecemos com os contextos ambientais nos quais estamos inseridos e a partir de suas predisposições genéticas. Ao longo do século XXI, ainda temos os estudos de desenvolvimento com a noção de “estágios”, porém não apenas para determinar em que estágio o indivíduo se encontra. Os estágios não são fixos pessoas com estímulos diferentes podem ter alterações em seus processos de desenvolvimento. DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL Para se estudar o desenvolvimento humano, ao longo do ciclo de vida, alguns princípios são essenciais: 1. O desenvolvimento é vitalício – cada período é afetado pelo que aconteceu antes e afetará o que está por vir; 2. O desenvolvimento depende de história e contexto; DESENVOLVIMENTO DO CICLO VITAL 3. O desenvolvimento é multidimensional e multidirecional; 4. O desenvolvimento revela plasticidade; NEUROPLASTICIDADE “Propriedade do sistema nervoso de alterar a sua função ou a sua estrutura em reposta às influencias ambientais que o atingem” (LENT, 2008) MÉTODOS DE PESQUISA EM DESENVOLVIMENTO Longitudinal – se utiliza dos mesmos sujeitos, durante um período de tempo. Ex: estudos sobre o desenvolvimento cognitivo. Transversal – se utiliza de sujeitos de diferentes idades, em um período de tempo menor. Ex anterior. Estudos transculturais – permitem o conhecimento de que aspectos do desenvolvimento são universais e quais são culturais – podem ser por meio de estudos longitudinais ou transversais. MÉTODOS DE PESQUISA EM DESENVOLVIMENTO MÉTODOS OBSERVACIONAIS Observação Artificial Ocorre no contexto da pesquisa experimental; o pesquisador intervém na situação, manipulando uma ou mais variáveis independentes e observando o comportamento dos indivíduos (variáveis dependentes) em resposta a essas manipulações. Uma determinada situação é preparada para que certos tipos de reações dos indivíduos sejam observadas e registradas. Ex.: experimentos de face imóvel no laboratório. MÉTODOS DE PESQUISA EM DESENVOLVIMENTO Observação Artificial Vídeo. MÉTODOS DE PESQUISA EM DESENVOLVIMENTO Observação Naturalística Sistemática Utiliza procedimentos padronizados e se caracteriza pela sistematização minuciosa do planejamento, do registro, dos procedimentos de coleta, definição de categorias de observação, é submetida a verificações e ao controle de fidedignidade. Assistemática Utilizada por vezes para um contato inicial com o campo, quando o pesquisador não dispõe de informações suficientes sobre o fenômeno em estudo. Pode permitir o estabelecimento de descrições mais precisas acerca dos diferentes aspectos que o caracterizam. TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO As teorias abrangem perspectivas que enfatizam diferentes tipos de processo de desenvolvimento e explicam esse processo a partir de seus pressupostos sobre três questões básicas: As pessoas são ativas ou reativas? O desenvolvimento é contínuo ou ocorre em estágios? O desenvolvimento é mais influenciado pela hereditariedade ou pelo ambiente? (PAPALIA; FELDMAN, 2013) TEORIAS PSICANALÍTICAS De forma geral, explicam o comportamento humano compreendendo os processos subjacentes da psique. Premissa central: o comportamento humano é governado por processos tanto inconscientes como conscientes. Alguns desses processos inconscientes estão presentes desde o nascimento e outros se desenvolvem ao longo do tempo. Libido – força motriz do comportamento humano. Não está ligada exclusivamente aos órgãos genitais, a libido pode ser direcionada em relação a uma pessoa, objeto, ao próprio corpo ou a uma atividade intelectual. TEORIAS PSICANALÍTICAS EGO / ID / SUPEREGO ID – Bebê. EGO – Começa a se desenvolver dos dois aos quatro anos de idade, aproximadamente – A criança aprende a modificar as suas estratégias de gratificação imediata. SUPEREGO – Começa a se desenvolver um pouco antes da idade escolar, à medida que a criança incorpora os valores e os costumes culturais dos pais. TEORIAS PSICANALÍTICAS A interação entre as características inatas da criança e o ambiente desempenha um papel importante no desenvolvimento e nas diferenças de personalidade. O olhar de Freud para o desenvolvimento humano tem como recorte a sexualidade e a qualidade das relações afetivas. O desenvolvimento como constituído fundamentalmente por estágios, que são concebidos de forma um pouco diferente nas várias teorias psicanalíticas. Freud – os estágios são fortemente influenciados pela maturação e pelo investimento da libido. TEORIAS PSICANALÍTICAS CINCO ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL (FREUD) Estágio oral – do nascimento até 1 ou 2 anos de idade. A boca se torna o centro da prazer para a criança, por meio da alimentação e do contato com os objetos. TEORIAS PSICANALÍTICAS Estágio anal – de 1/2 anos até 3/4 anos. Controle dos esfíncteres. TEORIAS PSICANALÍTICAS Estágio fálico – dos 3/4 anos até os 5/6 anos. A atenção da criança volta-se para o genital. A criança percebe as diferenças sexuais anatômicas e a vivenciar o prazer pela estimulação dos órgãos genitais. TEORIAS PSICANALÍTICAS Estágio de latência – dos 5/6 anos até a puberdade – Sublimação – reforço das aquisições do ego e repressão sexual. Há maior interesse por atividades escolares, artes, esportes e brincadeiras. TEORIAS PSICANALÍTICAS Estágio genital – da puberdade em diante. Freud – por meio dos estágios, o sujeito estabelece novas relações com o mundo externo, consigo mesmo e com a aprendizagem. Trouxe contribuições históricas que levaram a teoria psicanalítica para novas direções. A importância dos pensamentos, sentimentos e motivações inconscientes O papel das experiências infantis na formação da personalidade Curso do desenvolvimento esperado – partindo de um estado imaturo e dependente para um estado mais maduro e independente TEORIAS PSICANALÍTICAS A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIK ERIKSON Psicanalista alemão (1902-1994) – modificou e ampliou a teoria desenvolvida por Freud, destacando a influência da sociedade no desenvolvimento da personalidade. Pioneiro ao assumir a perspectiva do ciclo de vida – o desenvolvimento do ego se estende por toda a vida. A sua teoria apresenta oito estágios ao longodo ciclo de vida – cada estágio envolve uma “crise na personalidade” – grande tema psicossocial especialmente relevante para aquele momento. TEORIAS PSICANALÍTICAS A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIK ERIKSON A teoria psicossocial de Erikson enfatiza as influências sociais e culturais no desenvolvimento. É conhecido por seu conceito de “crise de identidade”. O êxito em cada estágio é o desenvolvimento de uma “virtude”, ou força. Para Erikson, o desenvolvimento humano ocorre por meio da relação entre três perspectivas: BIOLÓGICA (maturação do corpo e sua modificações), SOCIAL (o sujeito com o outro) e INDIVIDUAL (o sujeito consigo mesmo). IDADE ESTÁGIO CARACTERÍSTICA VIRTUDE Até os 12 ou 18 meses CONFIANÇA BÁSICA VERSUS DESCONFIANÇA BÁSICA O bebê desenvolve o senso de perceber se o mundo é um lugar bom e seguro. O comportamento do cuidador principal é crítico para uma boa ou má resolução dessa crise. Erikson observou que a posição ideal em qualquer etapa NÃO está situada nos polos extremos. Ou seja, a criança precisa desenvolver uma desconfiança “sadia” Esperança (Desenvolver confiança na mãe ou cuidador central e na própria capacidade de fazer as coisas acontecerem, um elemento chave em um apego seguro precoce) TEORIAS PSICANALÍTICAS IDADE ESTÁGIO CARACTERÍSTICA VIRTUDE Dos 12/18 meses aos 3 anos AUTONOMIA VERSUS VERGONHA E DÚVIDA A criança desenvolve maior autonomia e sua percepção de mundo se modifica com base nisso. A confiança vai aumentando em virtude do espaço que a mãe dá a criança. Aparece um sentimento ambíguo – Autonomia e Vergonha (quando a criança é repreendida pelos pais) Vontade (Desenvolver habilidades de andar, agarrar e outras habilidades físicas que levam a livre escolha; completar o treinamento dos esfíncteres; a criança aprende controle, mas pode desenvolver vergonha se não manejado adequadamente) TEORIAS PSICANALÍTICAS IDADE ESTÁGIO CARACTERÍSTICA VIRTUDE Dos 3 aos 6 anos INICIATIVA VERSUS CULPA Tem início quando a criança ingressa na escola. É esperado que a criança tenha desenvolvido a confiança, o controle e a autonomia, presentes nas etapas anteriores. Unindo a confiança e a autonomia, a criança desenvolve a iniciativa, experimentando novas atividades. Propósito (Aprender a organizar atividades em torno de algum objetivo; tornar-se mais assertivo e agressivo) TEORIAS PSICANALÍTICAS IDADE ESTÁGIO CARACTERÍSTICA VIRTUDE Dos 6 anos a puberdade PRODUTIVIDADE VERSUS INFERIORIDADE A criança tem como tarefa absorver as habilidades e normas básicas da cultura. A criança começa a desenvolver o controle pela atividade, adaptando-se a regras e métodos do sistema formal de ensino, tendo as suas principais relações sociais na escola. Habilidade (Desenvolver o repertório de capacidades que o contexto social demanda da criança) Sucesso x Fracasso TEORIAS PSICANALÍTICAS IDADE ESTÁGIO RESOLUÇÕES POSITIVAS RESOLUÇÕES NEGATIVAS Até os 12 ou 18 meses CONFIANÇA BÁSICA VERSUS DESCONFIANÇA BÁSICA Confiança e cuidado amoroso por parte dos cuidadores produzem um sentido de previsibilidade e confiança no meio. Negligência física e psicológica por parte dos cuidadores resultam em medo, ansiedade e desconfiança no meio. Dos 12/18 meses aos 3 anos AUTONOMIA VERSUS VERGONHA E DÚVIDA Os cuidadores incentivam independência e autossuficiência, promovendo autoestima positiva. Cuidados que restringem demasiadamente a criança levam-na a dúvidas sobre as próprias capacidades e a baixa autoestima. IDADE ESTÁGIO RESOLUÇÕES POSITIVAS RESOLUÇÕES NEGATIVAS Dos 3 aos 6 anos INICIATIVA VERSUS CULPA A criança aprende a iniciar atividades e desenvolve um senso de reponsabilidade social no que se refere ao direito dos outros; promove a autoconfiança. O controle excessivo dos pais reprime a espontaneidade, a noção de propósito e a aprendizagem social da criança; promove culpa e medo de punições. Dos 6 anos a puberdade PRODUTIVIDADE VERSUS INFERIORIDADE Por meio das experiências com os pais e com os colegas, a criança desenvolve um senso de orgulho e competência no trabalho escolar, no ambiente familiar e nas atividades sociais. Experiências negativas com os pais, ou se sentir falhando no relacionamento com os colegas e/ou no desempenho escolar, levam a sentimentos de inferioridade e inadequação. TEORIAS PSICANALÍTICAS Erikson colocou a cultura como uma das principais fontes de conhecimento e de formação da personalidade, destacando que o desenvolvimento humano ocorre dentro de um contexto social, desde o nascimento até o envelhecimento. Uma de suas principais contribuições foi a de integrar a Psicanálise ao campo da antropologia cultural, por meio de sua ênfase na interação entre as dimensões sociocultural, biológica e histórica. TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DISCUSSÃO DE ARTIGO (HOCKENBURY; HOCKENBURY, 2005). 1. Qual foi o método de pesquisa utilizado por Gilda Morelli e seus colaboradores? 2. A partir das conclusões trazidas pelos pesquisadores, como você considera que os valores e normas presentes em um contexto cultural podem influenciar o desenvolvimento de uma criança? TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO MÃE DE PANO (Contato corporal) X MÃE DE ARAME (Alimentação) (HARLOW, 1958) TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO Apoiado nesses estudos, Bowlby concluiu que a vinculação do apego se relaciona mais com condições de aconchego e conforto, do que com o suprimento de necessidades alimentares. Observações sobre o cuidado inadequado na primeira infância e o desconforto e a ansiedade de crianças pequenas relativos à separação dos cuidadores. Bowlby impressionou-se com as evidências de efeitos adversos ao desenvolvimento, atribuídos ao rompimento na interação com o seu cuidador principal, particularmente na primeira infância (AINSWORTH & BOWLBY, 1991) TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO A TEORIA DO APEGO Psiquiatra e psicanalista inglês, o seu interesse e as suas pesquisas sobre os efeitos da privação da figura materna para a saúde mental em crianças , iniciaram-se a partir de sua experiência como assessor da Organização Mundial de Saúde na área de saúde mental. Ressalta a importância das primeiras relações objetais. Ele acrescentou a essa base teórica, importantes conceitos evolucionistas e etológicos. Segundo ele, “a propensão a estabelecer vínculos emocionais com determinados indivíduos é um componente básico da natureza humana, já presente de forma germinal no neonato” (1990, p.35). Bowlby enfatiza que qualquer perturbação no vínculo inicial da criança com a mãe trará prejuízos no desenvolvimento emocional do indivíduo. Apego – relacionamento emocional entre a criança e aquele que dela cuida regularmente. Os comportamentos de apego - sorrir, fazer contato visual, chamar a outra pessoa, tocar, agarrar-se, chorar, entre outros, são eliciados quando o indivíduo precisa de cuidados, amparo ou conforto. Os bebês e seus cuidadores estão biologicamente predispostos a desenvolverem o comportamento de apego. O apego promove a sobrevivência da criança. Os comportamentos de apego - sorrir, fazer contato visual, chamar a outra pessoa, tocar, agarrar-se, chorar, entre outros, são eliciados quando o indivíduo precisa de cuidados, amparo ou conforto. Vínculo afetivo – “ um laço relativamente duradouro em que o parceiro é importante como indivíduo único, e não pode ser trocado por nenhum outro. Em um vínculo afetivo, existe o desejo de manter a proximidade com o parceiro” (AINSWORTH, 1989). Apego – Subvariedade do vínculo afetivo em que o senso de segurança está estreitamente ligada ao relacionamento. O outro funciona como uma base segura a partir da qual se é capaz de explorar o ambiente. Bowlby e Ainsworth identificaram três padrões de apego: APEGO SEGURO APEGOEVITATIVO APEGO AMBIVALENTE APEGO DESORGANIZADO (MAIN; SOLOMON, 1986) APEGO SEGURO A criança de modo geral chora e protesta quando a mãe se ausenta, mas é capaz de obter o conforto que precisa com eficiência, demostrando flexibilidade e resiliência, quando diante de situações estressantes. Prefere, claramente, a mãe à pessoa desconhecida. APEGO EVITATIVO/INSEGURO Os bebês demonstram dar pouca importância com a ausência do cuidador, evitando aproximar-se dele em seu retorno. Não demonstra preferência pela mãe em comparação à pessoa desconhecida. APEGO AMBIVALENTE A criança demonstra ansiedade antes mesmo do cuidador se ausentar, e raiva durante a sua ausência, ficando perturbados quando ele sai. No seu retorno, demonstra aflição e raiva. APEGO DESORGANIZADO Tipo de apego menos seguro. A criança parece não ter uma estratégia coesa para lidar como o estresse da situação de afastamento do cuidador. A criança pode apresentar, ao mesmo tempo, padrões de comportamento contraditórios. Bowlby sugeriu três fases no desenvolvimento do apego do bebê Fase 1 – Orientação e sinalização sem foco (do nascimento aos dois meses) As raízes do apego são encontradas nesta fase. Há a construção de expectativas, capacidade de discriminar o pai e a mãe. O bebê inicia a vida com uma série de padrões inatos de comportamento que o orienta em direção aos outros, sinalizam suas necessidades e promovem a proximidade: chorar, fazer contato visual, agarrar-se, aconchegar-se e responder aos esforços de cuidado. Esses comportamentos não são dirigidos para uma pessoa específica. Nessa fase, o bebê está construindo expectativas e padrões de interação e está desenvolvendo a capacidade de discriminar a mãe e o pai das outras pessoas em muitos contextos. Fase 2 – Foco em uma ou mais figuras (por volta dos três meses) Fase 2 – Foco em uma ou mais figuras (por volta dos três meses) O bebê começa a dirigir comportamentos de apego de modo mais intencional. Ele pode sorrir para as pessoas que sempre cuidam dele e não sorrir com facilidade para um desconhecido. Neste momento nenhuma pessoa ainda se tornou uma base segura. As crianças nessa fase não manifestam nenhuma ansiedade especial por serem separadas do progenitor e nenhum medo de desconhecidos. Fase 3 – Comportamento com base segura Usa a pessoa mais importante como uma base segura a partir da qual explorará o mundo que o cerca. Este é um sinal de que o apego existe. O bebê forma um apego genuíno por volta dos seis meses de idade. Por poder movimentar-se, ele pode se aproximar do cuidador e atraí-lo para junto dele. Antes ocorriam comportamentos que promoviam a proximidade. Nesta fase, são comportamentos que buscam a proximidade. A figura do cuidador primário: usualmente a mãe. A necessidade da consistência da presença do adulto durante o período crítico – os seis primeiros meses de vida. Hierarquia de figuras de apego e o cuidador primário a figura de apego primária. Nem todos os bebês têm uma única figura de apego e ela não vai ser necessariamente a mãe ou o pai, pode também ser uma avó, uma babá. Quando a criança desenvolveu um apego claro, por volta dos seis a oito meses, também podem aparecer comportamentos relacionados. Segundo Bowlby, o afastamento do bebê da sua mãe, principalmente nos primeiros anos de vida, é incompreensível para a criança que, neste caso, passa por três fases. Em todas elas, o autor afirma que o bebê tende a encontrar meios de lidar com a ausência de sua mãe. Fase do protesto Fase de desespero Fase do desligamento MODELO FUNCIONAL INTERNO Os primeiros relacionamentos funcionam como um molde ou modelo de como os relacionamentos funcionam. São as representações das experiências da infância relacionadas às percepções do ambiente, de si mesmo e das figuras de apego (BOWLBY, 1969/1990; 1973/1980). É construído na história de interações com as figuras de apego. Se consolida tendo como base: A confiança ou não na figura de apego; A expectativa de rejeição ou afeição; O sentimento de que o outro é realmente uma base segura para exploração. Seguro Evitativo Resistente Comportamento do cuidador primário em relação à criança Modelo interno da criança Positivo e amada Não amada e rejeitada Com raiva e confusa EM PESQUISAS E NA CLÍNICA No campo social e emocional, a Teoria do Apego é uma das mais expressivas e, empiricamente, fundamentadas, comportando metodologias diversas estudos de caso, longitudinais, transculturais, revisões e meta-análises. A produção científica dos últimos anos reflete uma diversidade temática que aborda: a natureza do modelo teórico de apego, o apego nas diferentes fases do desenvolvimento (infância, adolescência e na vida adulta, as aplicações clínicas...). A teoria do Apego tem a ideia de que os padrões desenvolvidos nas primeiras interações constituam um protótipo do comportamento em relacionamentos subsequentes; Pesquisas mostram que crianças seguramente apegadas têm autoestima mais elevada, melhor ajustamento social e participam de relacionamentos mais estáveis; O contexto cultural que o bebê está inserido e as situações que ocorrem no ambiente, como negligência familiar, famílias com baixos recursos materiais, crianças que tenham alguma deficiência, etc, podem influenciar no desenvolvimento de um apego seguro ou inseguro. DISCUSSÃO DE TEXTO Como, no seu entendimento, a depressão pós-parto pode afetar o desenvolvimento inicial da criança? Qual é o papel da rede de apoio para minimizar os impactos da depressão pós-parto no desenvolvimento inicial da criança? “MUITAS DAS EMOÇÕES MAIS INTENSAS APARECEM DURANTE A FORMAÇÃO, MANUTENÇÃO, ROMPIMENTO E RENOVAÇÃO DAS RELAÇÕES DE APEGO... COMO, NORMALMENTE, ESSAS EMOÇÕES SÃO UM REFLEXO DO ESTADO DAS LIGAÇÕES AFETIVAS DE UMA PESSOA, PERCEBE-SE QUE A PSICOLOGIA E A PSICOPATOLOGIA DA EMOÇÃO SÃO, EM GRANDE PARTE, A PSICOLOGIA E A PSICOPATOLOGIA DAS LIGAÇÕES AFETIVAS.” (BOWLBY, 1980 P. 60) A TEORIA DE DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Jean Piaget (1896-1980) foi um biólogo e psicólogo suíço preocupado com a origem e a evolução do conhecimento humano que, para ele, resultava da interação ativa do sujeito com o objeto do conhecimento. A nossa compreensão de como as crianças pensam se deve muito ao trabalho de Piaget. A sua ênfase nos processos mentais foi a precursora da revolução cognitiva. A TEORIA DE DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Revolução Cognitiva - um movimento científico iniciado nos anos 50, que deu origem à chamada ciência cognitiva. Um movimento interdisciplinar que combina novas ideias da Psicologia, da Antropologia e da linguística, mesclando-as com os recentes campos da Inteligência Artificial, Ciência da Computação e Neurociência. Para Piaget, o desenvolvimento psíquico orienta-se, essencialmente para o equilíbrio, sendo esse progressivo. O desenvolvimento mental é uma construção contínua. Equilíbrio móvel – quanto mais estáveis as funções superiores da cognição e da afetividade mais haverá mobilidade, sendo um estágio a base de sustentação do seguinte, dando ao desenvolvimento cognitivo um caráter de continuidade e mudança. Piaget entende os processos de desenvolvimento e aprendizagem como resultados da atividade do homem na interação com o ambiente. Piaget propôs que o desenvolvimento cognitivo começa com uma capacidade inata de se adaptar ao ambiente. Ao procurar o seio da mãe, pegar uma pedra ou explorar as fronteiras de um quarto, a criança pequena desenvolve um quadro mais preciso de seus arredores e maior competência para lidar com eles. TRÊS PROCESSOS INTER-RELACIONADOS ORGANIZAÇÃO Tendência a criar categorias ADAPTAÇÃO Como a criança lida com novas informações, à luz do que ela já sabe EQUILÍBRIO Esforço constante para atingir um equilíbrio estável A Adaptação ocorre por meio de dois processos complementares ASSIMILAÇÃO Absorver ainformação nova e incorporá-la às estruturas cognitivas existentes ACOMODAÇÃO Mudança na estrutura cognitiva para inserir novas informações As chaves principais do desenvolvimento são: A própria ação do sujeito. O modo pelo qual isso se converte em um processo de construção interna, ou seja, de formação dentro de sua mente de uma estrutura em contínua expansão, que corresponde ao mundo exterior. As ações, inicialmente puras formas de exploração do mundo, se transformam em esquemas psíquicos. Padrão de comportamento ou uma ação que se desenvolve com uma certa organização Modo de abordar a realidade e conhecê-la ESQUEMAS DE AÇÃO Construídos a partir do nascimento e se originam dos reflexos. O que há de comum nas várias repetições de uma mesma ação Ex: esquema de sugar, balançar. ESQUEMAS REPRESENTATIVOS (MENTAIS) Interiorização da ação Para Piaget, a construção dos esquemas (e portanto do próprio conhecimento) é resultante das ações da criança sobre os objetos e eventos do ambiente. Conhecer um objeto é agir sobre ele e transformá-lo” Ação Construção de esquemas Conhecimento MATURAÇÃO (crescimento físico /SNC) Possibilidades e limites EXPERIÊNCIA ATIVA (ações sobre objetos) Conhecimento físico e lógico- matemático INTERAÇÃO SOCIAL (linguagem; educação) EQUILIBRAÇÃO (autorregulação; tendência a compensar perturbações) O desenvolvimento resulta da interação desses 4 fatores A noção de estágio no desenvolvimento cognitivo é uma questão central para Piaget. Para esse autor, os estágios obedecem a algumas características: 1. A ordem de sucessão é invariável; 2. Possuem um caráter integrativo – estruturas constituídas em um estágio se tornam parte integrante das estruturas do estágio seguinte; 3. Cada estrutura característica de um estágio só tem significado quando relacionado ao todo; 4. Um estágio comporta, ao mesmo tempo, um nível de preparação (esquemas formados no estágio anterior) e um nível de acabamento (formação de novos esquemas). Piaget tem como pergunta básica “como o conhecimento de mundo de uma criança muda com a idade?” Suposição central – a criança é um participante ativo no desenvolvimento do conhecimento, construindo o seu próprio entendimento. Para Piaget o desenvolvimento cognitivo ocorre por meio de quatro grandes estágios. Piaget propôs que o desenvolvimento cognitivo ocorre em quatro estágios, subdivididos em subestágios. Estágio Operatório Concreto Estágio Pré- operatório (2 a 6 anos) Estágio Sensório-motor (0 a 2 anos) Estágio Operatório Formal ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR (0 A 2 ANOS) Inteligência prática (solução de problemas concretos, baseando-se na percepção e ação) => coordenação de esquemas de ação diferenciando entre meios e fins. Ex: Subir na cadeira para pegar um objeto que está sobre a mesa. A inteligência prática ou sensório-motora consiste no alicerce de toda a inteligência posterior. Fonte: Bee, H. (2011, pág. 173) Durante o estágio sensório-motor proposto por Piaget, os esquemas dos bebês tornam-se mais elaborados. Progridem de reações circulares primárias para secundárias e terciárias, e finalmente para o desenvolvimento da capacidade de representação, que torna possível a imitação diferida, a simulação e a resolução de problemas. A permanência do objeto desenvolve-se gradualmente, segundo Piaget, e só se torna plenamente funcional entre os 18 e 24 meses. Object Permanence Experiment - Part 1 – YouTube A Typical 10-month-old on Piaget's A-not-B task - YouTube https://www.youtube.com/watch?v=sRTusnrGWYQ https://www.youtube.com/watch?v=lhHkJ3InQOE O QUE AS PESQUISAS ATUAIS MOSTRAM? Memória – A reação circular secundária pode aparecer antes dos 8 meses. Ex de um bebê que, aos 3 meses, já sacode o chocalho para ouvir o seu som. Imitação – A sequência proposta por Piaget é confirmada, porém as pesquisas mostram que o recém-nascido é capaz de imitar alguns gestos faciais, particularmente a protusão da língua. Algumas pesquisas sugerem, ainda, que a permanência do objeto (o entendimento de que um objeto continua a existir, mesmo quando não pode ser visto), desenvolve-se antes do período indicado por Piaget. ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO (2 aos 6 anos) É um estágio pré-lógico. O ponto de referência do pensamento pré-operatório é a capacidade da criança engajar-se um pensamento simbólico. Pensamento simbólico – habilidade de utilizar palavras, imagens e símbolos para representar o mundo – Ex: aumento das habilidades linguísticas. A capacidade crescente para o pensamento simbólico também é evidenciada quando a criança usa a sua imaginação e as fantasias enquanto brinca. As crianças no estágio pré-operatório estão descobrindo a relação entre os símbolos e os objetos que representam. Características importantes: EGOCENTRISMO A criança ainda não apresenta a habilidade de considerar eventos do ponto de vista da outra pessoa TRAÇO COGNITIVO A criança pensa que todos veem o mundo como ela ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO IRREVERSIBILIDADE As crianças não entendem que algumas operações ou ações podem ser revertidas, restaurando a situação original ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO CENTRAÇÃO Tendência a focar o centrar um único aspecto de uma situação , em geral um aspecto da percepção ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO CONSERVAÇÃO O entendimento de que a quantidade de uma substância permanece a mesma ainda que a sua aparência mude. (PAPÁLIA; FELDMAN, 2013) (PAPÁLIA; FELDMAN, 2013) ESTÁGIO OPERATÓRIO CONCRETO (7 aos 11 anos) O desenvolvimento cognitivo caracterizado no estágio anterior pelo egocentrismo intelectual e social é aqui superado pelo início da construção lógica, ou seja, a criança já é capaz de estabelecer relações que permitem a coordenação de pontos de vista diferentes. Noções de reversibilidade e de conservação. ESTÁGIO OPERATÓRIO CONCRETO (7 aos 11 anos) Noção de conservação A B A B’ Compreensão de que a quantidade de massa em A é igual à quantidade de massa em B’ Argumentos Lógicos Identidade (não tirou nem acrescentou nada) Reversibilidade por inversão (possibilidade de voltar mentalmente ao ponto de partida) Reversibilidade por compensação/reciprocidade (B’ é mais alto, porém mais fino) ESTÁGIO OPERATÓRIO CONCRETO (7 aos 11 anos) A criança já é capaz de realizar algumas operações: Operação de Classificação realizar agrupamentos lógicos, de acordo com semelhanças. Compreensão da relação de inclusão de classes (parte < todo) ESTÁGIO OPERATÓRIO CONCRETO (7 aos 11 anos) Operação de Seriação Ordenar de elementos seguindo uma ordem crescente ou decrescente (PAPÁLIA; FELDMAN, 2013) O DESENVOLVIMENTO DOS JULGAMENTOS MORAIS A moral não é inata no indivíduo e, assim como a lógica, é construída na relação do sujeito com o meio social. Raciocínio moral – processo de fazer julgamentos sobre a correção ou o erro de atos específicos. As crianças aprendem a discriminar entre atos intencionais e involuntários na primeira infância. Piaget acreditava que o raciocínio moral surgia junto com o pensamento operacional concreto. O DESENVOLVIMENTO DOS JULGAMENTOS MORAIS Piaget estudou o desenvolvimento moral por meio da observação das atividades lúdicas da criança em interação com outras. Propôs uma teoria do desenvolvimento moral composta por dois grandes estágios. ESTÁGIO DO REALISMO MORAL Comum nas crianças antes dos sete anos – as regras dos jogos não podem ser mudadas, pois elas provém de autoridades – as regras dos jogos não podem ser mudadas. As violações de regras podem gerar punições. ESTÁGIO DO RELATIVISMO MORAL As crianças aprendem que as pessoas podem concordar em mudar as regras se elas quiserem – deixam de acreditar na inviolabilidade das regras. Nesse estágio, as crianças entendem a relação entre a punição e a intenção. Ex: crianças com mais de 8 anos distinguiriam entre uma criança que saiu involuntariamente sem pagar pelo doce e outra que o pegou deliberadamente. Crianças mais velhas provavelmente diriam que ambas as crianças devem voltar e pagar pelo doce, mas apenas aquela que roubou intencionalmente deveria ser punida. Dão mais peso a intenção do que a consequência. CRÍTICAS À TEORIA DE PIAGET Piaget, porém, parece ter subestimado as capacidades dos bebês e das crianças pequenas. Alguns psicólogos contemporâneos questionam seus estágios distintos, apresentando evidências de que o desenvolvimento cognitivo é mais gradual e contínuo (Courage e Howe, 2002). Pesquisas transculturais indicam que o desempenho em tarefas de raciocínio formal é tanto uma função da cultura quanto do desenvolvimento. Indivíduos de sociedades industrializadas que participaram de um sistema de educação formal demonstram um desempenho melhor nessas tarefas. CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DE PIAGET Piaget mostrou-nos que a mente da criança não é uma miniatura da mente adulta. Saber como a criança pensa facilita aos pais e professores entendê-la e ensiná-la. A teoria de Piaget forneceu referenciais aproximados sobre o que esperar da criança em várias idades e ajudou os educadores a elaborar currículos apropriados aos diversos níveis de desenvolvimento. CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DE PIAGET O desenvolvimento psíquico é uma construção contínua, na qual se pode observar a integração existente entre os processos que são característicos do estágio sensório-motor e os que, mais trade, vão caracterizar o raciocínio hipotético-dedutivo do adolescente. Paralelo e inseparável do desenvolvimento cognitivo, encontra-se o desenvolvimento emocional, da afetividade. A afetividade fornece valor e incentivo à cognição. “A tendência mais profunda de toda a atividade humana é a marcha para o equilíbrio. E a razão – que exprime as formas superiores desse equilíbrio – reúne nela a inteligência e a afetividade”. A TEORIA DE DESENVOLVIMENTO DE LEV VYGOTSKY Lev Vygotsky (1896-1934) – Russo, considerado o principal representante da Psicologia histórico-cultural. Em seus estudos, buscava compreender a relação entre pensamento e linguagem, o processo de desenvolvimento da criança e o papel da educação formal em sua promoção. A TEORIA DE DESENVOLVIMENTO DE LEV VYGOTSKY Contou com a colaboração de importantes teóricos, como os pesquisadores russos Alexis Leontiev (1903-1979) e Alexander Romanovich Luria (1902-1977). Vygotski investigou a formação de nossas funções psicológicas, tipicamente humanas, que nos diferenciam dos demais animais, tais como consciência, memória mediada, atenção seletiva, linguagem, criatividade etc. São assim denominadas em oposições às funções mais básicas como os tipos de percepção e memória que alguns animais possuem. Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006), a teoria sociocultural de Vygotsky, assim como a teoria piagetiana de desenvolvimento cognitivo, enfatiza o envolvimento ativo das crianças com seu ambiente. No entanto, enquanto Piaget descrevia uma mente “desacompanhada” absorvendo e interpretando informações sobre o mundo, Vygotsky via o crescimento cognitivo como um processo cooperativo. Segundo Vygotsky, as crianças aprendem através da interação social. As atividades compartilhadas ajudam as crianças a internalizar os modos de pensamento e comportamento de suas sociedades e a torná-los seus (URRUTIGARAY, 2016). Um conceito central para a compreensão das concepções vygotskyana sobre o funcionamento psicológico é o conceito de mediação. Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação deixa, então, de ser direta e passa a ser mediada por este elemento. Os adultos (ou pares em estágio mais desenvolvido) devem ajudar a dirigir e organizar a aprendizagem de uma criança até que ela possa aprender e internalizar o aprendizado. Essa orientação é muito eficaz para ajudar as crianças a atravessarem a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), a lacuna entre o que elas já são capazes de fazer (zona de desenvolvimento real) e o que não estão totalmente prontas para fazer sozinhas (zona de desenvolvimento potencial). As crianças na ZDP para uma determinada tarefa quase podem realizá-la sozinhas, mas não totalmente. Com a orientação correta, entretanto, elas podem realizá-la com êxito. Durante o trabalho em conjunto, a responsabilidade pela direção e pelo monitoramento da aprendizagem gradualmente passa para a criança. ZONAS DE DESENVOLVIMENTO A teoria de Vygotsky tem importantes implicações para a educação e para os testes cognitivos. Testes baseados na ZDP, que focalizam o potencial de uma criança, oferecem uma alternativa valiosa para os testes de inteligência padrão que avaliam o que uma criança já aprendeu. Muitas crianças beneficiam-se com o tipo de orientação especializada prescrita por Vygotsky. Ênfase no componente social no desenvolvimento. Devemos lembrar que o desenvolvimento das crianças em uma cultura ou em um grupo dentro de uma cultura (como o de norte- americanos brancos de classe média) pode não ser uma norma apropriada para crianças de outras sociedades ou grupos culturais (Papalia, Olds e Feldman, 2006). Para Vygotsky, a linguagem é o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos. O desenvolvimento da linguagem e suas relações com o pensamento ocupam lugar central na obra de Vygotsky. Todos os processos mentais superiores (percepção, memória, atenção) iniciam-se com o aparecimento da linguagem. Ela habilita a criança a criar instrumentos auxiliares na solução de problemas, a superar a ação impulsiva e a controlar seu próprio comportamento. Por exemplo, quando uma criança está brigando com um amigo, ela pode controlar sua vontade de xingá-lo dizendo para si mesma: “Não vou fazer isso”. PIAGET E VYGOTSKY CONVERGÊNCIAS Representam marcos históricos nos estudos sobre desenvolvimento. São construtivistas, ou seja, postulam que o conhecimento é construído a partir das experiências do mundo da criança. Têm interesse pela gênese dos processos psicológicos. Consideram o discurso egocêntrico como ponto de partida do discurso interior. Deram contribuições valiosas à Educação. DIVERGÊNCIAS PIAGET VYGOTSKY O pensamento aparece antes da linguagem, que é uma de suas formas de expressão. O pensamento e a linguagem são processos interdependentes, desde o início da vida. A formação do pensamento depende, basicamente, da coordenação dos esquemas sensório-motores e não da linguagem. A aquisição da linguagem modifica as suas funções mentais superiores, dando uma forma definida ao pensamento, possibilitando a imaginação, o uso da memória e o planejamento da ação. A linguagem só acontece depois que a criança alcançou um determinado nível de habilidades mentais e está subordinada aos processos de pensamento. A linguagem tem uma função central no desenvolvimento cognitivo Fala egocêntrica - acompanha as ações, não tendo um papel essencial na organização do pensamento. Fala egocêntrica – tem uma função essencial na organização do pensamento e no planejamento e reflexão sobre as ações. O MODELO BIOECOLÓGICO DE DESENVOLVIMENTO DE BRONFENBRENNER Bronfenbrenner (1917-2005) – Psicólogo russo, radicado nos EUA desde os cinco anos de idade. Bronfenbrenner (1979; 1989; 1995; 2005), considera que o desenvolvimento ocorre através da interação entre uma pessoa em desenvolvimento e cinco sistemas contextuais de influências circundantes, interligados, do microssistema ao cronossistema. A perspectiva ecológica tenta explicar como fatores externos, como, por exemplo, família e cultura, influenciam o desenvolvimento. Bronfenbrenner propôs um modelo contextual destacando os aspectos mais amplos do ambiente de uma criança. As influências culturais infiltram-se através de instituições sociais e através da vizinhança e da família.Todos os componentes desse sistema complexo interagem para afetar o desenvolvimento. Para Bronfenbrenner, a família é o filtro através do qual a sociedade mais ampla influencia o desenvolvimento da criança. Ela pode ajudar a cultura mais ampla a atingir o objetivo de socializar os novos membros, mas também pode servir como um amortecedor contra elementos nocivos na cultura em geral. Portanto, de acordo com Bronfenbrenner, embora outras instituições possam substituí-la em algum grau, a família é “o meio mais eficiente de tornar humanos os seres humanos”. Uma família com altos níveis de afeto podem proteger uma criança dos efeitos negativos de ambientes desvantajosos. COMO BROFENBRENNER EXPLICA O PAPEL DESEMPENHADO PELOS FATORES AMBIENTAIS NO DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL? A premissa fundamental de sua teoria é que o sistema bioecológico no qual a criança se desenvolve pode ser concebido como uma série de camadas ou círculos concêntricos. O círculo mais interno, composto de elementos que Bronfenbrenner chama de microssistemas, inclui todas aquelas situações nas quais a criança tem experiência pessoal direta, tais como a família, uma creche ou uma escola e um ambiente de trabalho (para um adolescente). A camada seguinte, que Bronfenbrenner chama de mesossistema, inclui o conjunto de microsistemas O exossistema, inclui os elementos do sistema que a criança não experimenta diretamente, mas que influenciam a criança porque afetam um dos microssistemas, particularmente a família. O trabalho e local de trabalho dos pais é um desses elementos, assim como sua rede de amigos. Finalmente, Bronfenbrenner descreve um macrossistema que inclui o contexto cultural e subcultural mais amplo no qual tanto os microssistemas quanto os exossistemas estão encaixados. A pobreza ou a riqueza da família, o bairro no qual a família vive, a identidade étnica e a cultura mais ampla na qual o sistema inteiro existe são todos partes desse macrossistema (PAPALIA; FELDMAN, 2013) Bronfenbrenner argumenta que até que os desenvolvimentalistas realmente entendam as formas nas quais todos os elementos nesses sistemas complexos interagem para afetar a criança, eles não entenderão o desenvolvimento. Teoria contextual - Contexto de desenvolvimento - Meio ambiente global em que o indivíduo está inserido e onde se desenrolam os processos desenvolvimentais. Os vários ambientes subdivididos pelo autor, abrangendo tanto os ambientes mais imediatos nos quais vive a pessoa em desenvolvimento, como os mais remotos, em que a pessoa nunca esteve, mas que se relacionam e têm o poder de influenciar o curso de desenvolvimento humano. Ex: Estudos sobre os impactos da condição socioeconômica (fatores econômicos, ocupacionais e educacionais que influenciam a posição relativa de uma família na sociedade) – sobre a saúde das crianças, como um fator que interfere tanto no nível do microssistema como do exossistema do modelo de Bronfenbrenner. Quando a falta de recursos impede a criança de ter o suficiente para comer, ela opera como parte do microssistema. Quando os armazéns no bairro no qual a criança vive não oferecem uma variedade de alimentos saudáveis devido à baixa renda dos residentes, a pobreza atua ao nível do exossistema. Igualmente, quando a falta de transporte dos pais os impede de obter emprego, a pobreza não apenas atua como um fator do exossistema, mas também se torna parte de um contexto evolutivo no qual o desenvolvimento da criança será afetado. TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO Não há uma perspectiva teórica única que explique todas as facetas do desenvolvimento. Existe um reconhecimento cada vez maior da interação entre os domínios físico, cognitivo e psicossocial – por exemplo, na relação entre desenvolvimento motor e percepção ou entre interação social e aquisição de habilidades cognitivas. Também existe uma consciência cada vez maior da importância da mudança histórica e da necessidade de explorar a diversidade cultural de maneira rigorosa e disciplinada (PAPALIA; FELDMAN, 2013).