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APG - Aula 4: O metrônomo em meu peito 1. Termos Desconhecidos: Metrônomo- aparelho que mede o intervalo (ritmo) entre um batimento e outro. 2. Questionamentos: · Como ocorre a reanimação cardíaca com impulsos elétricos? · Como é reestabelecido o potencial de ação do coração e todo seu sistema de condução elétrica? · Como o coração bate e para de bater sozinho? 3. Respostas: · A reanimação cardíaca ocorre com o auxílio do equipamento DEA (desfibrilador), onde ele impulsiona de forma elétrica os batimentos cardíacos. · Através de estímulos elétricos · Por meio das contrações (sístole e diástole), onde ela impulsiona de forma elétricas os batimentos cardíacos. 4. Resumo: Nessa APG vimos qual o aparelho utilizado para fazer reanimação cardíaca de forma elétrica, discutimos também quais as contrações cardíacas. 5. Objetivo: · Entender o potencial de ação do coração (existe um potencial para o impulso lento e outro para o rápido) · Descrever a condução dos impulsos elétricos do coração · Compreender como ocorre a contração e o relaxamento cardíaco 6. Socialização 7. Autoaprendizado: · O sistema de condução elétrica do coração é composto pelos seguintes elementos principais: · Nó sinoatrial (NSA): também conhecido como o marca-passo natural do coração, está localizado na parede do átrio direito, próximo à veia cava superior. Ele é responsável por gerar impulsos elétricos que desencadeiam a contração dos átrios. · Nó atrioventricular (NAV): está localizado na parte inferior do átrio direito, próximo ao septo interatrial. O NAV recebe os impulsos elétricos do NSA e atua como uma estação de retransmissão, conduzindo os impulsos elétricos aos ventrículos. · Feixe de His: é uma via de células especializadas que se origina no NAV e se divide em dois ramos principais, o ramo esquerdo e o ramo direito, que atravessam o septo interventricular. · Fibras de Purkinje: são terminações finas e ramificadas das fibras do feixe de His que se estendem por todo o miocárdio ventricular. Elas são responsáveis por distribuir os impulsos elétricos aos ventrículos, fazendo com que se contraiam de maneira coordenada e eficiente. O funcionamento adequado do sistema de condução elétrica é crucial para garantir que o coração mantenha um ritmo cardíaco regular e eficiente, capaz de suprir as necessidades de oxigênio e nutrientes do corpo. A atividade elétrica do coração pode ser monitorada e avaliada por meio de um eletrocardiograma (ECG), uma ferramenta diagnóstica fundamental na prática clínica. Nó sinoatrial (NSA) O nó sinoatrial é uma estrutura pequena e nodular localizada na parede do átrio direito, próximo à entrada da veia cava superior. Ele é composto por células especializadas que geram impulsos elétricos espontâneos e rítmicos, funcionando como o marca-passo natural do coração. O NSA inicia cada ciclo cardíaco, desencadeando a contração dos átrios e controlando a frequência cardíaca em repouso e durante atividades físicas. Nó atrioventricular (NAV) O nó atrioventricular está situado na base do átrio direito, próximo ao septo interatrial. Ele atua como uma estação de retransmissão, recebendo os impulsos elétricos originados no NSA e transmitindo-os para os ventrículos. O NAV também possui um importante papel na modulação do ritmo cardíaco, pois ele apresenta uma condução elétrica mais lenta, permitindo que os átrios se contraiam completamente e encham os ventrículos antes que os impulsos elétricos cheguem aos ventrículos. Feixe de His O feixe de His é uma via de células especializadas que se origina no NAV e atravessa o septo interventricular. Ele funciona como uma ponte, conduzindo os impulsos elétricos dos átrios para os ventrículos. O feixe de His se divide em dois ramos principais, o ramo esquerdo e o ramo direito. Ramo esquerdo e direito do feixe de His: O ramo esquerdo do feixe de His se estende ao longo do lado esquerdo do septo interventricular e se ramifica ainda mais para inervar o ventrículo esquerdo. O ramo direito do feixe de His se estende ao longo do lado direito do septo interventricular e inerva o ventrículo direito. Esses ramos garantem que os impulsos elétricos sejam distribuídos de maneira ordenada e coordenada aos ventrículos. Fibras de Purkinje As fibras de Purkinje são terminações finas e ramificadas das fibras do feixe de His que se estendem por todo o miocárdio ventricular. Elas são responsáveis por distribuir os impulsos elétricos rapidamente aos ventrículos, fazendo com que se contraiam de maneira sincronizada e eficiente. A rápida propagação do impulso elétrico pelas fibras de Purkinje permite que os ventrículos esquerdo e direito se contraiam quase simultaneamente, otimizando a função de bombeamento do coração. Geração e propagação do impulso elétrico A geração e propagação do impulso elétrico no coração, são processos essenciais para a coordenação das contrações cardíacas e o bombeamento eficiente de sangue para o corpo. O impulso elétrico é gerado pelo nó sinoatrial (NSA), que atua como o marca-passo natural do coração, localizado no átrio direito. O NSA dispara regularmente impulsos elétricos que se propagam pelos átrios, causando a contração atrial e o bombeamento de sangue para os ventrículos. Esses impulsos elétricos atingem o nó atrioventricular (NAV), uma estrutura localizada na junção entre os átrios e os ventrículos. O NAV funciona como um relé elétrico, garantindo que o impulso elétrico seja transmitido de maneira coordenada entre os átrios e os ventrículos. Após uma breve pausa no NAV, que permite o enchimento completo dos ventrículos, o impulso elétrico se propaga pelo feixe de His, que se divide em ramos direito e esquerdo, e então pelas fibras de Purkinje. Essa rápida propagação do impulso elétrico através do sistema de condução ventricular resulta na contração coordenada dos ventrículos e no bombeamento de sangue para a circulação pulmonar e sistêmica. A repolarização do coração, ou o retorno das células cardíacas ao seu estado elétrico inicial, ocorre após a contração e é essencial para a preparação do coração para o próximo ciclo. A geração e propagação adequadas do impulso elétrico garantem um ritmo cardíaco coordenado e eficiente, enquanto as anormalidades nesses processos podem levar a arritmias e outros problemas cardíacos. Potencial de ação cardíaco O potencial de ação cardíaco é a mudança rápida e temporária na voltagem elétrica que ocorre nas células cardíacas quando são ativadas. Essa mudança de voltagem é causada pela abertura e fechamento de canais iônicos na membrana celular, permitindo a entrada e saída de íons, como sódio, cálcio e potássio. O potencial de ação é responsável por desencadear a contração muscular e é a base do impulso elétrico que percorre o coração. Condução do impulso elétrico nos átrios Quando o NSA dispara um impulso elétrico, ele se propaga rapidamente por todo o tecido atrial, fazendo com que os átrios se contraiam de maneira sincronizada e forcem o sangue para os ventrículos. A contração atrial é coordenada por meio de um tecido condutor especializado que permite uma rápida propagação do impulso elétrico. Condução do impulso elétrico através do NAV e do feixe de His Após atravessar os átrios, o impulso elétrico chega ao nó atrioventricular (NAV). O NAV atua como um gatekeeper, atrasando brevemente a propagação do impulso elétrico para permitir que os ventrículos se encham completamente com sangue. Após esse breve atraso, o impulso elétrico é transmitido para o feixe de His, que conduzirá o impulso aos ventrículos. Condução do impulso elétrico nas fibras de Purkinje e nos ventrículos O feixe de His se divide em ramos esquerdo e direito, que se ramificam ainda mais nas fibras de Purkinje. As fibras de Purkinje transmitem o impulso elétrico rapidamente por todo o tecido ventricular, permitindo que os ventrículos se contraiam de maneira coordenada e eficiente. Essa contração ventricular sincronizada é crucial para garantir um bombeamento eficaz do sangue para os pulmões e para o resto do corpo. · Sistema de Condução Cardíaca (His-Purkinje) Ocoração é dotado de um sistema especial para (1) gerar impulsos elétricos rítmicos que causam contrações rítmicas do miocárdio e (2) conduzir os impulsos rapidamente por todo o coração. Este sistema condutor que é responsável pela sincronia dos eventos do ciclo cardíaco. Quando esse sistema funciona normalmente, os átrios se contraem aproximadamente um sexto de segundo antes da contração ventricular, o que permite o enchimento dos ventrículos antes de bombear o sangue para os pulmões e para a circulação periférica. Se átrios e ventrículos contraíssem ao mesmo tempo, o enchimento dos ventrículos não aconteceria. Outra característica especial desse sistema é que ele faz com que as diferentes porções do ventrículo se contraiam quase simultaneamente, o que é essencial para gerar pressão, com o máximo de eficiência, nas câmaras ventriculares. A imagem abaixo mostra o sistema especializado condutor e excitatório do coração, que controla as suas contrações. A figura mostra o nodo sinusal (também chamado nodo sinoatrial ou nodo SA), no qual são gerados os impulsos rítmicos normais; o feixe de Bachmann, que permite o acoplamento elétrico entre o átrio direito e átrio esquerdo; os feixes intermodais, que conduzem os impulsos do nodo sinusal ao nodo atrioventricular (nodo AV); e o próprio nodo AV, no qual os impulsos vindos dos átrios são retardados antes de passar para os ventrículos, sendo esta pausa na condução essencial para que a sístole atrial não aconteça junto com a sístole ventricular, permitindo o enchimento dos ventrículos de forma mais eficiente. O feixe AV (ou feixe de His) conduz os impulsos dos átrios para os ventrículos, e os ramos direito e esquerdo do feixe de fibras de Purkinje conduzem os impulsos cardíacos para todas as partes do miocárdio ventricular. Células Miocárdicas e seus Potenciais de Ação Agora que vimos a progressão normal da condução elétrica no sistema His-Purkinje, vamos entender como este estímulo elétrico se origina, ou seja, como ocorre o surgimento dos potenciais de ação nas células miocárdicas. Um aspecto que chama a atenção quando se fala em potencial de ação cardíaco é a grande diversidade de formas dependendo da região do coração analisada. Podemos identificar três tipos de células cardíacas, com diferentes propriedades eletrofisiológicas: (1) células musculares, presentes nas paredes atriais e ventriculares, são especializadas na contração, sendo responsáveis, assim, pelo acoplamento entre o impulso elétrico e a contração mecânica cardíaca; (2) células de condução que são especializadas na condução rápida de impulso elétrico e estão localizadas no sistema His-Purkinje, sendo essenciais para que o coração se contraia como um todo; e (3) células marca-passo, que têm propriedade de autodespolarização, sendo capazes de gerar o estímulo elétrico que se propagará pelo sistema cardíaco de condução, estando localizadas ao longo do sistema His-Purkinje, destacando-se as células marca-passo presentes no nodo sinusal. Potencial de Repouso da Membrana dos Miócitos Cardíacos O potencial transmembrana de uma célula depende, basicamente, das concentrações dos vários íons nas duas faces da membrana plasmática, portanto, dos potenciais de equilíbrio destes íons, e das condutâncias da membrana a estes íons, ou seja, da facilidade com que a membrana plasmática se deixa permear por cada um destes íons a cada momento. Deste modo, todos os íons presentes nos meios intra e extracelular podem contribuir para o potencial transmembrana de uma célula. · INÍCIO DO POTENCIAL DE AÇÃO O ciclo de feedback positivo abre os canais de sódio. Enquanto a membrana da fibra nervosa permanecer intacta, nenhum potencial de ação ocorrerá no nervo normal. No entanto, se qualquer evento causar aumento inicial suficiente no potencial de membrana de –70 milivolts em direção ao nível zero, a tensão crescente fará com que muitos canais de sódio dependentes de voltagem comecem a abrir. Essa ocorrência permite o influxo rápido de íons sódio, o que causa um aumento adicional no potencial de membrana, abrindo ainda mais canais de sódio dependentes de voltagem e permitindo mais fluxo de íons sódio para o interior da fibra. Esse processo é um ciclo de feedback positivo que, sendo forte o suficiente, continua até que todos os canais de sódio dependentes de voltagem sejam ativados (abertos). Então, dentro de outra fração de milissegundo, o potencial de membrana crescente causa o fechamento dos canais de sódio e a abertura dos canais de potássio, e o potencial de ação logo termina. O início do potencial de ação ocorre somente depois que o potencial limiar é alcançado. Um potencial de ação não ocorrerá até que o aumento inicial no potencial de membrana seja grande o suficiente para criar o feedback positivo descrito no parágrafo anterior. Isso ocorre quando o número de íons sódio que entra na fibra é maior do que o número de íons potássio que sai da fibra. Geralmente, é necessário um aumento repentino no potencial de membrana de 15 a 30 milivolts. Portanto, um aumento repentino no potencial de membrana em uma fibra nervosa calibrosa, de −70 milivolts até cerca de −55 milivolts, geralmente causa o desenvolvimento explosivo de um potencial de ação. Esse nível de –55 milivolts é considerado o limiar para a estimulação. Fase A: sístole atrial Esse é o momento da contração atrial, ou seja, da sístole atrial (pressão nos átrios = 5mmHg). Ela se inicia a partir de uma atividade elétrica (onda P) a qual é gerada e procedida de um momento de estresse, no qual há a transformação do estimulo elétrico em estímulo mecânico. Nesse momento, há a o enchimento máximo dos ventrículos, já que o átrio está ejetando seu sangue para ele. Principais eventos · Contração atrial · Enchimento máximo dos ventrículos (fase final do enchimento), o que consequentemente gera aumento do volume e aumento da pressão observado no gráfico. É dito enchimento máximo pois é a fase final de enchimento, porém a contração atrial apenas influencia em 20 a 30% do volume ventricular. A contração atrial influencia muito no enchimento ventricular somente em casos patológicos como nas estenoses das AV’s. Eletrocardiograma · Onda P · Intervalo PR Bulhas · Quarta bulha pode existir – indicando uma hipertrofia concêntrica, pois o sangue está chegando em um ventrículo pouco complacente. Obs. Nessa fase a pressão aórtica diminui. Fase B: contração isovolumétrica Essa é a fase em que os ventrículos se contraem, onde nesse momento há a representação do complexo QRS que significa justamente a despolarização de ambos os ventrículos. A sua pressão tende a subir bastante já que eles se contraem, porém, seu volume permanece igual (porque o sangue ainda não saiu do ventrículo, já que a valva semilunar ainda não se abriu), por isso essa é a fase da contração isovolumétrica. Além disso, é nesse momento que a valva mitral se fecha: perceba que a pressão é maior no ventrículo do que no átrio, logo ela tende a se fechar, certo? Em compensação, eu ainda não tenho pressão suficiente para abrir a aorta – perceba no gráfico como a pressão aórtica está ainda maior que a pressão ventricular. Principais eventos · Contração ventricular Eletrocardiograma · Complexo QRS (o início da contração corresponde ao pico da onda R) Bulhas · Primeira bulha, por fechamento da valva mitral (“TUM”) Fase C: Ejeção ventricular rápida Nesse momento, a pressão no ventrículo torna-se maior ao ponto de vencer a pressão na aorta, levando a abertura da valva aórtica. Atinge-se o máximo de pressão ventricular, que é quase igual à pressão aórtica (observe na curva), que eles dois funcionam como vasos “comunicantes”. Nesse momento ainda há diminuição do volume ventricular (que não aconteceu na fase passada pois a aorta ainda não havia recebido sangue). Principais eventos · Contração ventricular · Abertura da valva aórtica · Decréscimo da pressão atrial (olhe no gráfico) Eletrocardiograma · Segmento ST Bulhas · Não gera bulhas, já que elas são geradas por fechamentos Fase D: ejeção reduzida Nesse momento, a ejeção jáfoi rápida, agora temos uma ejeção reduzida, pois há um declínio do volume – e consequentemente da pressão, tanto do ventrículo quanto da aorta (já que o sangue está saindo dela para as artérias do corpo). Nessa hora os átrios já estão começando a se encher. Principais eventos · Contração ventricular final com declínio do volume e da pressão Eletrocardiograma · Onda T Perceba que nessa fase a pressão atrial (que caiu na fase C, de ejeção rápida) já está aumentando, pois a sístole auxilia o retorno venoso. Além disso, ao final da sístole, boa parte do sangue do ventrículo permanece neles (e não foi ejetada). Isso é normal, tendendo a diminuir em frequências cardíacas maiores ou quando a resistência vascular sistêmica diminui. Em corações muito dilatados e hipodinâmicos, esse volume residual aumenta. Fase E: relaxamento isovolumétrico O ventrículo começa a se relaxar e a partir disso a sua pressão torna-se menor que a pressão da aorta. Com este vaso com maior pressão, a valva aórtica se fecha e assim, nesse momento, gera-se a segunda bulha. Além disso, esse é o momento de relaxamento isovolumétrico, pois o ventrículo se relaxa como já foi dito e o seu volume permanece igual, já que a valva da aorta se fecha mas a mitral ainda não se abriu, ou seja, o sangue dentro dele está “igual”. Principais eventos · Relaxamento do ventrículo e por isso sua pressão cai · Fechamento da valva aórtica Bulhas · Segunda bulha Obs. Enquanto a valva aórtica estiver aberta e o ventrículo se comunicar com a aorta, as curvas de pressões de ambos irão se acompanhar no gráfico. Esse é o princípio de Arquimedes. Quando ela se fecha, há a retração elástica da aorta que auxilia na diástole. Fase F: enchimento ventricular rápido Nessa fase há o enchimento ventricular rápido. Ele está relaxado, isto é, em diástole, e a valva mitral se abriu (pressão atrial > pressão ventricular, que está relaxado), então há passagem do sangue do átrio (que já se enchia de sangue via retorno venoso desde a fase D) até o ventrículo, aumentando seu volume, apesar de sua pressão não aumentar muito – observe o gráfico. Esse enchimento do ventrículo pode produzir uma terceira bulha a qual é fisiológica (o ventrículo vibra durante o enchimento. Quando patológica significa que que o coração é grande, não se contrai direito, como em cardiopatias, ICC, chagas) à ela se parece com o cavalgar de um cavalo. Principais eventos · Relaxamento do ventrículo e seu enchimento rápido · Abertura da valva mitral Bulhas · Terceira bulha fisiológica Fase G: diástase Nesse momento o ventrículo está com enchimento mínimo, isso porque ele passou por um enchimento passivo (diástase), já que ainda não houve contração atrial. Ele está relaxado e quase todo cheio. No final dessa fase, voltamos para a etapa “A” onde há sístole atrial. Numa taquicardia essa fase é abreviada, indo logo para a contração atrial. Principais eventos · Diástase e assim enchimento mínimo do ventrículo Uma vez entendido isso, a gente pode ir um pouco mais a fundo e perceber que o período da diástole pode ser dividido em 3 etapas: 1/3 inicial (fase F) = é quando todo o sangue que se acumulou no átrio durante a sístole escorrega para o ventrículo, provocando um enchimento rápido dessas câmaras. 1/3 médio (fase G) = é o período em que o sangue que chega no átrio flui diretamente para o ventrículo e por isso se trata de um enchimento lento. 1/3 final (fase A) = corresponde à contração atrial (onda ‘a’ da pressão atrial), que ejeta o resto de sangue que ainda está nos átrios para dentro do ventrículo. · Bulhas acessórias: B4 pode acontecer na fase A (contração atrial) e B3 pode acontecer na fase F (enchimento ventricular rápido). · Volume ventricular: aumenta em A, mantém-se em B, começa a cair em C e D, mantém-se em E, começa a aumentar em F e em G. · Pressão ventricular:cresceu muito em B, C e D. Logo em E começa a declinar bastante. · Pressão atrial:aumenta em A, depois volta a cair por conta do seu relaxamento, voltando a aumentar na fase D, quando começa a se encher, e cai novamente durante fase F e G. O ciclo cardíaco é definido como uma sequência alternada de contração e relaxamento dos átrios e ventrículos para bombear o sangue por todo o corpo. O ciclo começa no início de um batimento cardíaco e termina no início de outro. Esse processo se inicia na quarta semana de gestação, quando o coração começa a se contrair. Cada ciclo cardíaco tem uma fase diastólica (diástole), na qual as câmaras do coração estão em estado de relaxamento e se enchem de sangue que recebem das veias, e uma fase sistólica (sístole), na qual as câmaras do coração se contraem, bombeando o sangue para a periferia através das artérias. Tanto os átrios quanto os ventrículos passam por estados alternados de sístole e diástole. Isto é, quando os átrios estão em diástole, os ventrículos estão em sístole e vice-versa. Informações importantes sobre o ciclo cardíaco Teste da tabela Diástole atrial Enchimento passivo do átrio Abertura das valvas atrioventriculares Sístole atrial Potencial de ação do nó sinoatrial Contração sincrônica atrial Enchimento ativo dos ventrículos Diástole ventricular Primeiro terço da fase diastólica (diástole ventricular precoce): enchimento ventricular rápido Terço médio da fase diastólica (diástole ventricular tardia): enchimento passivo ou diástase Último terço da fase diastólica (diástole atrial): enchimento ventricular devido à contração atrial (20%) Sístole ventricular Contração isovolumétrica - as valvas atrioventriculares e semilunares estão fechadas Abertura das valvas semilunares Esvaziamento do ventrículo Volume sistólico final Este artigo irá abordar as fases do ciclo cardíaco e os princípios fisiológicos subjacentes que regem esse processo. Começaremos por uma breve revisão do sistema de condução do coração e terminaremos abordando algumas alterações do ciclo cardíaco. Sistema condutor do coração Os cardiomiócitos são células únicas encontradas no coração, e que são capazes de gerar e transmitir atividade elétrica de uma célula para outra, de forma independente. Essas células se comunicam através de junções comunicantes (pontos de permeabilidade) nos discos intercalares (onde as membranas celulares se encontram). A comunicação entre os cardiomiócitos é tão eficiente que as células formam um sincício que permite os íons fluírem livre e rapidamente entre as células. Isso está na base das contrações quase simultâneas do músculo cardíaco. Existe uma área de células subespecializadas, conhecida como nó sinoatrial. Essa área se localiza próxima à abertura da veia cava superior, na parede lateral superior do átrio direito. O nó sinoatrial é capaz de se contrair mais rapidamente do que o restante do tecido cardíaco, e de transmitir um potencial de ação para os átrios direito e esquerdo através de vias condutoras preferenciais. Sendo assim, ele define o ritmo da contração cardíaca e, por isso, é conhecido como o marca-passo do coração. Existe uma área secundária de tecido condutor concentrado, conhecida como nó atrioventricular, que se localiza medial e posteriormente à valva tricúspide. Assim como o nó sinoatrial, o nó atrioventricular também possui propriedades autônomas e é capaz de gerar um potencial de ação. No entanto, essas células são mais lentas do que as do nó sinoatrial e, como resultado, atuam em resposta à atividade do nó sinoatrial. Existem vias internodais preferenciais para uma transmissão mais eficiente do impulso para o nó atrioventricular. O nó atrioventricular está ligado a uma rede de fibras que fazem seu trajeto pelo septo interventricular e depois pelas paredes dos ventrículos. O segmento inicial dessa via é chamado de feixe atrioventricular ou feixe de His. O feixe de His bifurca-se em um ramo esquerdo e um direito. O ramo esquerdo também dá origem a ramos posteriores esquerdos, que transmitem impulsos para a face posterior do ventrículo esquerdo. Ambos os ramos esquerdo e direito emitem numerosos ramos, conhecidos como fibras de Purkinje, que suprem o miocárdiodos ventrículos. Para mais informações sobre o coração e seu sistema de condução, verifique a unidade de estudos abaixo: CoraçãoExplore unidade de estudo Fases do ciclo cardíaco Os eventos do ciclo cardíaco iniciam-se com um potencial de ação espontâneo no nó sinoatrial, como descrito anteriormente. Esse estímulo causa uma série de eventos nos átrios e nos ventrículos. Todos esses eventos são “organizados” em duas fases: · diástole (quando o coração se enche com sangue) · sístole (quando o coração bombeia o sangue) Durante essas duas fases, ocorrem diversos eventos, que serão descritos nos parágrafos seguintes. Diástole atrial Átrio direito Atrium dextrum cordis 1/3 Sinônimos: Aurícula direita A diástole atrial é o primeiro evento do ciclo cardíaco. Ocorre alguns milissegundos antes de o sinal elétrico do nó sinoatrial alcançar os átrios. Os átrios funcionam como meios condutores que facilitam a passagem do sangue para o ventrículo ipsilateral, e também auxiliam a bombear o sangue residual para os ventrículos. Durante a diástole atrial, o sangue entra no átrio direito pelas veias cavas inferior e superior e no átrio esquerdo pelas veias pulmonares. Na parte inicial dessa fase, as valvas atrioventriculares estão fechadas e o sangue se acumula nos átrios. Chega um ponto em que a pressão no átrio é superior à pressão no ventrículo ipsilateral. Essa diferença de pressão resulta na abertura das valvas atrioventriculares, permitindo que o sangue flua para o ventrículo de forma passiva. Sístole atrial O nó sinoatrial inicia um potencial de ação de maneira autônoma, que se propaga por todo o miocárdio atrial. A despolarização elétrica resulta na contração simultânea dos átrios, causando um aumento adicional nas pressões atriais e forçando assim que o sangue residual dos átrios passe ativamente para os ventrículos. Diástole ventricular Durante as fases iniciais da diástole ventricular, as valvas atrioventriculares e semilunares estão fechadas. Durante essa fase, a quantidade de sangue nos ventrículos permanece constante, mas há uma queda abrupta na pressão intraventricular. Esse evento é conhecido como relaxamento isovolumétrico. Em algum momento, a pressão ventricular torna-se inferior à pressão atrial, o que leva à abertura das valvas atrioventriculares. Isso resulta no enchimento rápido dos ventrículos com sangue. No final desse processo, a maior parte do sangue passou dos átrios para os ventrículos. Além disso, um pequeno volume de sangue flui diretamente para os ventrículos a partir das veias cavas e, no final da diástole ventricular, o sangue restante nos átrios é bombeado para o ventrículo (pela contração atrial). Ao volume total de sangue presente no ventrículo no final da diástole dá-se o nome de volume diastólico final ou pré-carga. Sístole ventricular Trígono do nó atrioventricular Trigonum nodi atrioventricularis 1/3 Sinônimos: Triângulo do nó auriculoventricular, Triângulo de Koch A sístole ventricular refere-se ao período de contração dos ventrículos. O impulso elétrico chega ao nó atrioventricular logo após a despolarização atrial. Há um pequeno atraso na transmissão no nó atrioventricular, o que permite que os átrios completem sua contração antes do impulso ser transmitido para os ventrículos (e, consequentemente, antes que ocorra a despolarização ventricular). O potencial de ação passa pelo nó atrioventricular, desce pelo feixe de His e, posteriormente, para os seus ramos esquerdo e direito (fibras condutoras que percorrem o septo interventricular e se ramificam para suprir os ventrículos). Essas fibras conduzem os impulsos elétricos através de seus respectivos territórios ventriculares, levando à contração ventricular. À medida que o ventrículo começa a se contrair, o aumento da pressão ventricular excede a pressão atrial, promovendo o fechamento das valvas atrioventriculares. No entanto, nessa fase, a pressão ventricular ainda não é suficiente para abrir as valvas semilunares. Por isso, os ventrículos estão em estado de contração isovolumétrica – uma vez que, durante esse curto período de tempo, não há alteração no volume total (volume diastólico final) no ventrículo. À medida que a pressão ventricular aumenta e se torna superior à pressão nos tratos de saída (artérias pulmonares e aorta), as válvulas semilunares se abrem, permitindo que a maior parte do sangue saia do ventrículo. Essa é a fase de ejeção do ciclo cardíaco. No final da sístole, fica uma pequena quantidade de sangue no ventrículo, que é conhecida como volume sistólico final ou pós-carga (entre 40 – 50 mL de sangue). A razão entre o volume de ejeção e o volume diastólico final é chamada de fração de ejeção e geralmente é cerca de 60%. Os ventrículos voltam então a um estado de relaxamento isovolumétrico, e os átrios continuam se enchendo com sangue. O processo se inicia novamente e continua a repetir-se durante toda a vida. Faça nosso teste personalizado para aprender sobre as estruturas por onde o sangue passa durante o ciclo cardíaco! Fluxo de sangue no coraçãoComeçar o teste Diagrama de Wiggers Graças ao fisiologista estadunidense Dr. Carl J Wiggers, muitos estudantes da área da saúde nos últimos 100 anos têm uma ferramenta única para entender o ciclo cardíaco. O diagrama de Wiggers mostra a relação entre a pressão e o volume das câmaras cardíacas ao longo do tempo, juntamente com a atividade elétrica do coração. O diagrama usa as câmaras esquerdas do coração para demonstrar: · Pressão aórtica · Pressão atrial · Pressão ventricular · Volume ventricular · Eletrocardiograma (ECG) · Fonocardiograma (sons cardíacos) image1.jpeg