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Sistemas Estruturais De Aço e Madeira 05 Elementos de madeira sob flexão e compressão Comportamento de vigas de madeira Iniciaremos o nosso estudo com a apresentação das tensões que atuam nas vigas, os tipos de peças de madeira que compõem as vigas e as dimensões mínimas de contraflechas indicadas pela ABNT NBR 7190-1:2022. Nas vigas de madeira, as tensões atuantes são as normais σ de tração e compressão que agem no sentido longitudinal, ou seja, na direção paralela às fibras. Nos apoios e demais pontos de aplicação de carga pontual, a viga é submetida a tensões de compressão normal às fibras. Também temos a tensão cisalhante T na direção normal às fibras que são as tensões verticais na seção, e na direção paralela às fibras que são as tensões horizontais. Observe a seguir as tensões normais e cisalhantes e a flambagem lateral em uma viga de madeira. A flambagem lateral geralmente ocorre em vigas altas e esbeltas. É identificada quando a viga perde o equilíbrio no plano principal de flexão e consequentemente apresenta deslocamentos laterais com rotação de torção. A presença da flambagem lateral reduz a capacidade de resistência à compressão da viga e, para evitá-la, são realizadas contenções laterais intermediárias ao longo da viga. Para garantir a segurança da viga no estado-limite último, as tensões solicitantes de projeto devem ser inferiores às tensões resistentes. Para evitar a ocorrência de danos em elementos acessórios da estrutura e o desconforto visual dos usuários, os deslocamentos finais devem ser menores do que os valores-limite estabelecidos em norma para o estado-limite de deformação excessiva. Tipos construtivos Veja os tipos mais comuns de vigas de madeira: Vigas de madeira roliça Peça simples maciça, muito usada como viga em obra provisória em andaimes e escoras. Vigas de madeira lavrada Peça simples de madeira, geralmente utilizada na construção de pontes de serviço. Normalmente suas seções transversais são maiores do que as da madeira serrada e podem ser usadas peças lavradas de: 20 cm x 20 cm, 20 cm x 30 cm, 30 cm x 30 cm etc. vigas de madeira cerrada Peça simples de madeira, normalmente obedece às dimensões transversais padronizadas comercialmente. vigas de madeira microlaminada ou colada Apresentam grande importância entre os produtos industriais, pois são construídas com comportamento equivalente ao da madeira maciça, porém com dimensões muito superiores. Por exemplo, vigas retangulares de seção de 30 cm x 200 cm. Vigas compostas de peças macias por entarugamento São utilizados os tarugos para a ligação de duas ou mais peças maciças. A altura é limitada pelo tamanho das peças maciças. Vigas compostas de peças maciças com interfaces contínuas A união entre as interfaces das peças maciças é realizada por cola, pregos ou conectores de anel. A altura é limitada pelo tamanho das peças maciças. Vigas composta com alma descontínua pregada A alma é formada por tábuas ou pranchas pregadas nos flanges. São treliças de diagonais múltiplas. Viga composta com a alma formada por Placas de madeira Esse tipo de viga também pode ser feita de madeira recomposta com lascas orientadas. A ligação é feita com cola ou pregos. Permite fazer vigas compostas de grandes alturas com formas eficientes. Critérios de dimensionamento As vigas compostas, ou seja, aquelas formadas por mais de uma peça, serrada e com ligações por pregos, podem ser dimensionadas à flexão e à flexão composta como se fossem vigas maciças, desde que: Em que A e I são a área e o momento de inércia, respectivamente, da viga composta considerada como maciça. Já as vigas compostas de seção retangular que são ligadas por conectores metálicos de anel podem ser consideradas maciças no dimensionamento à flexão se: Dimensões mínimas e contraflechas De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, nas vigas, a área mínima das seções transversais é de 20 cm2 e a espessura mínima é de 5cm. Em estruturas industrializadas de madeira, as seções mínimas tanto da madeira quanto dos elementos de ligação podem ser inferiores às mencionadas na norma, desde que haja comprovação experimental ou teórica de sua eficiência. Atenção! No caso de estruturas industrializadas, cabe à empresa produtora dessas estruturas o controle de qualidade dos materiais e de sua aplicação. Quanto à contraflecha, normalmente, é especificado no projeto o seu valor para compensar os deslocamentos totais provocados pelas cargas permanentes. As vigas laminadas coladas podem ser construídas com contraflecha, para isso basta colar as lâminas com a curvatura especificada. Já para as vigas de madeira maciça, não é possível preparar as peças com contraflechas. Na verificação do estado-limite de deformação excessiva, a contraflecha pode ser deduzida a partir do deslocamento total. De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, nas peças que são dadas contraflechas, a geometria dessa contraflecha deve ser a mais próxima de uma parábola ao longo do vão. Critérios de cálculo Para o dimensionamento das vigas de madeira, é necessário realizar a verificação de dois critérios: Limitação das tensões (estado limite último) É formulada a partir da teoria clássica de resistência dos materiais, embora a madeira não apresente o comportamento linear da Lei de Hooke até a ruptura. Para peças compostas, consideramos a ineficiência das ligações com a redução dos valores de momento de inércia ou dos momentos resistentes. Limitação de deformação (estado do limite de deformação) Está relacionada aos requisitos estéticos, evitando os danos nos componentes acessórios, e visa ao conforto dos usuários, como evitar deformação exagerada em assoalhos de edificação ou ponte. É realizada por meio da limitação das flechas das vigas. Os valores-limite para as flechas de vigas são indicados pela ABNT NBR 7190-1 e estão representados na tabela para vigas biapoiadas ou contínuas e para vigas em balanço. O cálculo da deformação considera a existência ou não de materiais frágeis ligados à estrutura, como forros, pisos e divisórias, para que sejam evitados danos por meio do controle de deslocamento das vigas nesses materiais não estruturais. Confira! Podemos observar a seguir as deformações que devem ser consideradas para os casos correntes de elementos fletidos de madeira, a menos que haja restrições especiais. egundo a ABNT NBR 7190-1, as flechas em razão das ações permanentes podem ser parcialmente compensadas por contraflechas realizadas durante a construção. Porém, os valores das contraflechas não podem ser superiores a 2/3 dos deslocamentos instantâneos permanentes Além dos limites de deslocamentos indicados na tabela anterior, as flechas instantâneas devido apenas às ações variáveis não podem superar 1/500 dos vãos ou 1/250 do comprimento dos balanços correspondentes, nem o valor absoluto de 15 mm (ABNT NBR 7190-1, 2022). Também deve ser considerado o valor-limite de vibrações nas estruturas sobre as quais o público em geral pode caminhar. Devem ser evitadas vibrações que tragam desconforto aos usuários. A menor frequência natural de vibração dos elementos da estrutura do piso não pode ser inferior a 8 Hz para o caso particular de pisos sobre os quais as pessoas andem regularmente, como em residências e escritórios. Generalidades e vão teórico As vigas de madeira maciça são as mais utilizadas no Brasil. Geralmente, são disponibilizadas em madeira serrada com dimensões padronizadas e comprimento limitado em 5 m. A madeira serrada é utilizada na construção de telhados, assoalhos, casas, galpões, treliças etc. Já a madeira lavrada pode ser obtida nas regiões de madeireiras com seções transversais e comprimentos especiais, normalmente,superiores às dimensões da madeira serrada. Vejamos as considerações de dimensionamento para tipos diferentes de vigas: Vigas simples ou contínuas principais de pontes e soalhos As ancoragens devem ser adequadas, seja por meio de parafusos ou vigas de amarração, para absorver possíveis reações negativas de cargas móveis. Vigas secundárias e as pranchas de soalhos Os cálculos são realizados tratando as vigas como vigas simplesmente apoiadas sobre dois apoios, não considerando a influência favorável da continuidade. De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, para o projeto de vigas submetidas à flexão simples reta, devemos considerar o menor dos seguintes valores para o vão teórico das vigas fletidas: Distância entre eixos do apoio. Vão livre acrescido da altura da seção transversal da peça no meio do vão, não se considerando acréscimo maior que 10 cm. Ou seja: Confira a representação dessas medidas: Em que lo é a distância entre centros dos apoios, l’ é o vão livre, h é a altura da viga e l é o vão teórico de vigas. Em trechos intermediários de vigas contínuas, o vão teórico é igual à distância lo entre os centros dos apoios. Já nos trechos externos, o vão teórico é igual ao vão livre acrescido da semialtura ( h / 2 ) da viga e da semilargura do apoio intermediário. Vejamos agora as considerações para a resistência à flexão W em vigas de seção circular e, posteriormente, para vigas de seção quadrada. Vigas de seção circular O módulo resistente à flexão é aproximadamente igual ao das vigas de seção quadrada de área equivalente, as quais podem ser dimensionadas como tal. Já para as vigas de seção circular com diâmetro variável - peças roliças, desde que atendida a relação deq ≤ 1,5 * d mn pode-se calcular o diâmetro equivalente (deq) utilizando a seguinte equação: Vigas de seção quadrada Apresentam a mesma resistência tanto no plano paralelo à face quanto no plano da diagonal. Projeto de vigas de madeira Vigas maciças Segundo a ABNT NBR 7190-1:2022, para as vigas maciças submetidas à flexão com força cortante, a condição de segurança em relação às tensões tangenciais é calculada por esta equação: Em que Td é a máxima tensão de cisalhamento atuando no ponto mais solicitado da peça, Vd é a força cortante na seção de estudo, S é o momento estático da seção para o ponto em que se quer calcular a tensão, b é a largura ou somatória das larguras no ponto da seção em estudo e I é o momento de inércia da seção transversal. Já em vigas com seção transversal retangular, de largura b e altura h com área A= B*H a equação passa a ser: Quando não há determinação experimental específica, pode-se adotar: Redução da força cortante próxima aos apoios De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, em vigas com altura h que recebem forças concentradas ou distribuídas, que gerem tensões de compressão nos planos longitudinais, a uma distância 0 < z < 2h a partir do eixo do apoio, o cálculo das tensões de cisalhamento pode ser feito com uma força cortante reduzida de valor, conforme esta equação: E z tem origem no ponto teórico do apoio e z/2h é um fator redutor que anula o cortante no ponto z=0 mas retoma os valores normais de y, para z ≥ 2h. Vigas entalhadas de seção retangular Para a ABNT NBR 7190-1:2022, no caso de variações bruscas de seção retangular transversal, devido aos entalhes presentes nas vigas, devemos multiplicar a tensão de cisalhamento na seção mais fraca, de altura h1 pelo fator obtendo o valor calculado conforme a seguinte equação: Devemos também respeitar a restrição h1 ˃ 0,75 * h. Observe! Quando h1 / h < 0,75a ABNT NBR 7191-1:2022 recomenda a utilização de parafusos verticais dimensionados à tração axial para a totalidade da força cortante a ser transmitida ou o emprego de variações de seção com mísulas de comprimento não menor que três vezes a altura do entalhe, obedecendo sempre ao limite absoluto: h1/ h ≥ 0,5. Recomendações da ABNT NBR 7190-1:2022 De acordo com a Norma Brasileira 7190-1 de 2022, as vigas sujeitas à flexão simples reta, além de respeitarem as condições de segurança, devem ter sua estabilidade lateral verificada por teoria cuja validade tenha sido comprovada experimentalmente. A verificação da estabilidade lateral pode ser dispensada nos casos de vigas de seção transversal retangular de largura b e altura h medida no plano de atuação do carregamento, desde que dois requisitos sejam atendidos: Impedir as rotações nas seções extremas da viga, ou seja, nos pontos de apoio. Impedir os deslocamentos laterais nos pontos de apoio e em qualquer ponto com travamento lateral, caso exista. O comprimento L1 que é a distância entre pontos adjacentes da borda comprimida com deslocamentos laterais nos pontos de apoio e em qualquer ponto com travamento lateral, atende à seguinte condição: Veja a versão acessível da tabela apresentada. Para os casos de peças em que a condição de não seja atendida, a verificação de estabilidade pode ser dispensada desde que atenda à condição indicada na próxima tabela. Além da condição indicada pela tabela, também espera-se que a peça tenha o valor máximo de cálculo da tensão de compressão (σ c,d) atendido pela expressão: Já a estabilidade lateral de vigas de seção não retangular deve ser estudada individualmente. Segundo a ABNT NBR 7190-1:2022, com relação às peças que compõem as vigas em que a instabilidade lateral pode ocorrer, o desvio no alinhamento axial da peça, medido na metade da distância entre os apoios, deve ser limitado em: L 300 - para peças de madeira serrada ou roliça. L 500 - para peças de madeira laminada colada. O fenômeno da flambagem lateral Esse fenômeno pode ser entendido pela flexão de um elemento comprimido; assim, a parte superior da seção fica comprimida devido à ação do momento fletor com tendência de flambagem no eixo de menor momento de inércia. Devido à estabilidade da parte inferior da viga que está submetida à esforços de tração, o deslocamento lateral u é dificultado e o fenômeno ocorre pela torção Ø da seção (PFEIL; PFEIL, 2003). Para impedir a flambagem, podem ser realizadas amarrações laterais, conhecidas como contraventamento, que têm por objetivo impedir a torção da viga. Segundo Pfeil e Pfeil (2003), não é possível uma completa amarração da viga para evitar a torção na prática, por isso é necessária a verificação de segurança contra a flambagem lateral. Flexão simples As vigas são elementos que normalmente estão submetidos à flexão. Para os casos em que as vigas estejam submetidas a momento fletor cujo plano de ação contenha um eixo central de inércia da seção transversal resistente, a ABNT NBR 7190-1:2022 recomenda que a seguinte expressão seja atendida: Para as madeiras lameladas coladas cruzadas, deve-se consultar o item 6.7.4.10.2 da ABNT NBR 7190-1:2022 para determinar o módulo de resistência da peça. Para peças com fibras inclinadas de ângulos α ˃ 6, deve-se aplicar a fmd conforme apresenta o item 6.2.8 da norma. Viga retangular Observe agora as tensões de compressão e de tração para uma viga retangular com altura h e base b submetida à flexão. Para as vigas retangulares, podemos considerar as seguintes equações para as tensões de flexão de compressão e de tração, respectivamente: Como: A tensão de compressão será determinante para o dimensionamento das vigas de madeira. E teremos o cálculo das tensões de tração e compressão na flexão dado, respectivamente, por: Flexão simples oblíqua De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, para os casos de vigas com seções submetidas a momento fletor cujo plano de ação não contém um de seus eixos centrais de inércia, a condição de segurança é expressa pela maisrigorosa das condições: 0,7 - para seção retangular. 1,0 - para outras seções. Comportamento de peças comprimidas Seções transversais de peças comprimidas As peças comprimidas são encontradas em treliças, sistemas de contraventamento, colunas ou pilares isolados ou de pórticos. Podem estar submetidas tanto à compressão simples quanto à flexocompressão quando temos um carregamento excêntrico ou um momento fletor gerado por cargas transversais. Vamos observar agora as seções das peças de madeira, comprimidas na direção das fibras e que podem ser constituídas de seções transversais simples ou compostas de acordo com as seguintes descrições: Devido aos processos construtivos e de fabricação das peças de madeira em que não se pode garantir a retilinidade das peças nem a centralização do carregamento, surgem os casos de coluna com imperfeições geométricas iniciais (δ0) e de coluna de excentricidade de carga (ei). Nesses casos, ocorre a flambagem por flexão da coluna desde o início do carregamento. Veja! Embora o comportamento da madeira siga os princípios da resistência dos materiais, que será estudo em outro momento, vamos explorar agora alguns conceitos básicos sobre seu comportamento. Flambagem por flexão Uma coluna esbelta irá apresentar uma tendência de deslocamento lateral ao ser comprimida axialmente. Esse fenômeno é conhecido como flambagem por flexão e é caracterizado pela interação do esforço axial e da deformação lateral. Desse modo, a resistência da coluna dependerá da resistência do material e da sua rigidez à flexão, EI. A carga crítica de flambagem, N er considerando as condições ideais de coluna birrotulada perfeitamente retilínea, carga centrada e material elástico, é dada pela expressão: endo i o comprimento da coluna. Quando a carga aplicada é superior à carga crítica, ocorre os deslocamentos laterais e a coluna fica submetida à flexocompressão. Na prática, as colunas reais não correspondem às hipóteses da coluna ideal. Esbeltez De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, os requisitos de dimensionamento irão depender da esbeltez da peça, a qual é definida do seu índice de esbeltez, dado pela equação: Em que L0 é o comprimento de flambagem, I é o momento de inércia na direção analisada e A é a área da seção transversal. O comprimento de flambagem depende das condições de contorno, ou seja, da vinculação das extremidades das barras e pode ser determinado pela equação: Veja a versão acessível da tabela apresentada. Vale ressaltar que o índice de esbeltez de peças submetidas à compressão axial ou à flexocompressão não pode superar o valor de 140 e temos a seguinte classificação: Esbeltez relativa Segundo a ABNT NBR 7190-1:2022, os índices de esbeltez relativa são definidos pelas equações: Compressão e flexocompressão Compressão De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, para avaliar a segurança das peças submetidas à compressão axial, deve-se realizar a seguinte verificação: Já para situações em que a peça é submetida à compressão perpendicular às fibras, a condição de segurança deve ser calculada pela expressão: O valor de α n pode ser obtido na seguinte tabela: Flexocompressão A avaliação da flexocompressão é dada pela mais rigorosa das duas equações a seguir, as quais devem ser aplicadas ao ponto mais solicitado da borda mais comprimida, considerando uma função quadrática para a influência das tensões devido à força normal de compressão. Veja! Condição de estabilidade das peças Observe o comportamento de um material elástico: (a) de um material plástico e (b) de uma seção transversal submetida à flexocompressão: Generalidades As estruturas que precisam ser contraventadas são aquelas formadas por um sistema principal de elementos estruturais, dispostos com sua maior rigidez em planos paralelos entre si. O contraventamento é realizado por outros elementos estruturais com a maior rigidez em planos ortogonais aos primeiros. O objetivo é impedir deslocamentos transversais excessivos do sistema principal e garantir a estabilidade global do conjunto. De acordo com a ABNT NBR 7190-1:2022, para o dimensionamento do contraventamento, devem ser consideradas as imperfeições geométricas das peças, as excentricidades inevitáveis dos carregamentos e os efeitos de segunda ordem decorrentes das deformações das peças fletidas. Na falta de determinação específica da influência desses fatores, é permitido, na situação de cálculo, considerar uma força F1 em cada nó do contraventamento com direção perpendicular ao do plano de resistência dos elementos do sistema principal. Veja! Contraventamento de peças comprimidas Para a ABNT NBR 7190-1: 2022, as peças comprimidas pela força de cálculo Nd as quais apresentam articulações fixas em ambas as extremidades e cuja estabilidade requeira o contraventamento lateral por elementos espaçados entre si por L1 devem obedecer às condições a seguir. As forças F1d atuantes em cada um dos nós do contraventamento podem ser admitidas com o valor mínimo convencional de Nd/150, correspondente a uma curvatura inicial da peça com flechas da ordem de 1/300 do comprimento do arco correspondente. A rigidez Kbr,1 da estrutura de apoio transversal das peças de contraventamento deve assegurar que a eventual instabilidade teórica da barra principal comprimida corresponda a um eixo deformado constituído por m semiondas de comprimento L1 entre nós indeslocáveis. Ainda, em relação a rigidez Kbr1 afirmamos que deve atender, no mínimo, às seguintes condições: Os valores de αm devem ser consultados nesta tabela: Consideramos m o número de intervalos de comprimento L1 entre as (m-1) linhas de contraventamento ao longo do comprimento total L da peça principal. L1 é a distância entre elementos de contraventamento, E0,ef é o valor do módulo de elasticidade efetivo da peça principal contraventada. I2 é o momento de inércia da seção transversal da peça principal contraventada, para flexão no plano de contraventamento. A ABNT NBR 7190-1:2002 ainda afirma que, se os elementos de contraventamento forem comprimidos pelas forças F1d eles também devem ter sua estabilidade verificada. Essa verificação será dispensada quando os elementos de contraventamento forem efetivamente fixados em ambas as extremidades, de modo que eles possam cumprir sua função, sendo solicitados apenas à tração em um de seus lados. Para o contraventamento do banzo comprimido de treliças ou de vigas fletidas, admite-se o descrito acima, devendo-se considerar Nd como a força máxima de compressão atuante nas barras desse banzo ou a resultante Rcd das tensões de compressão na viga. Para as vigas, a norma afirma que, para a validade dessas hipóteses, é necessário que estejam impedidas de rotacionar em torno de seu eixo longitudinal das seções transversais de suas duas extremidades. Projeto de peças comprimidas em compressão simples Peças curtas Para o caso de colunas curtas, λ < 40 não é necessário considerar a redução da resistência à compressão devido à flambagem. Segundo Pfeil e Pfeil (2003), para a compressão simples de colunas curtas, a resistência da coluna é igual à resistência da coluna mais solicitada: Ou seja, da resistência dos materiais, basta aplicar a equação: tensão é igual à força sobre a área. Peças medianamente esbeltas Já para as peças comprimidas de esbeltez intermediária, 40 ≤ λ < 80, temos a resistência sendo afetada pela flambagem devido aos efeitos de imperfeições geométricas e da não linearidade do material. Segundo Pfeil e Pfeil (2003), existem diferentes métodos para verificar a segurança de peças sujeitas à compressãosimples. Vamos conferir! Por meio das curvas de flambagem Nesse caso, a tensão resistente f’c (menor que fc e fcr) já considera o efeito das imperfeições geométricas e da não linearidade do material. Por meio de equação de interação de esforço normal e momento fletor Em que o efeito de imperfeições geométricas é explicitado no cálculo das solicitações. Atenção! Mesmo sob uma carga centrada, a coluna fica sujeita à flexocompressão por causa das imperfeições geométricas. Caso as imperfeições fiquem dentro do limite estabelecido pela norma, os cálculos podem ser realizados para carga centrada, já que o efeito dessas imperfeições está incluído no cálculo da tensão resistente f’c pela curva de flambagem. Nos casos em que é necessário o dimensionamento para a flexocompressão, com excentricidade da carga, o valor mínimo da excentricidade é dado por: Com isso, teremos um momento máximo de projeto: A partir dos valores do momento e do esforço normal de cálculo, podemos calcular as tensões normais devido ao momento fletor e ao esforço normal. Então, verificamos a condição de segurança à compressão com flambagem (condição de estabilidade) por: A condição de flambagem deve ser verificada em cada plano de forma independente, exceto quando um plano for considerado de curta. Observe na imagem! Se além do esforço normal, a flexocompressão, a peça estiver sob ação de um momento fletor inicial Mid, o momento fletor máximo de projeto (incluindo os efeitos de imperfeicões geométricas e efeito de 2ª ordem) será: Sendo o valor mínimo de ei = h/20 em que h é a altura da seção transversal do plano de verificação. Com o momento calculado acima, verificamos a condição de segurança, também, pela seguinte equação: No projeto, além da verificação da estabilidade quanto à flambagem, devem-se verificar as condições de resistência nos casos de peças sob flexão reta e oblíqua, conforme determina as leis da resistência dos materiais. Peças esbeltas O dimensionamento para peças esbeltas, 80 ≤ λ, é realizado como o das peças medianamente esbeltas, sendo necessária a inclusão do efeito da fluência da madeira nos deslocamentos laterais da coluna, o que gera um acréscimo no momento de cálculo do projeto. É acrescentada a excentricidade Ec, e a equação passa a ser: Sendo Ng e Nq os valores característicos dos esforços normais oriundos da carga permanete e variável, respectivamente, e ᴪ1 e ᴪ2 são coeficientes para a composição da combinação de carga variável. Além de verificar a estabilidade, é fundamental realizar a análise das condições de resistência da seção. Exemplo do cálculo da carga máxima de projeto Vamos analisar agora um exemplo adaptado de Pfeil e Pfeil (2003, p. 149-150). Para um caibro de 7,5 cm x 7,5 cm de guaiçara, submetido a carregamento de longa duração e de classe de umidade 2, sujeito à compressão simples, calcular a carga máxima de projeto Nd para diversos comprimentos de flambagem considerando coluna curta e coluna medianamente esbelta. Cálculo das propriedades mecânicas Admitindo a carga de longa duração e classe 2 de umidade, a partir das tabelas a seguir, teremos: Classes de carregamento em função dos tipos madeira e de função variável Classe de umidade em função do tipo de madeira e da sua compostagem Classificação em relação à resistência Especificação de classes, em função de variáveis mecânicas e densidade Veja a versão acessível das tabelas apresentadas. Se tivermos um ϒ = 1,4 e um Kmod = 0,63, poderemos estimar os valores de da seguinte maneira: Confira na tabela a seguir o coeficiente de fluência: Em que: Coluna curta, λ < 40 Coluna curta é toda coluna contida em um intervalo entre 0 < λ, 40. Veja um exemplo da determinação de λ: Coluna medianamente esbelta, 40 ≤ λ < 80 Para esse intervalo, teremos: 86,6 cm < L0 < 173 cm. Fazendo os cálculos para L0 = 173 cm teremos: Resolvendo a equação quadrática, chegaremos a um valor próximo de: Dimensionamento à compressão simples com auxílio de tabelas A compressão simples é uma situação comum em peças de madeira devido à ligação flexível ou semirrígida entre elas. Por causa dessa frequência e da complexidade de calcular manualmente em certas situações, há interesse em desenvolver tabelas que facilitem os cálculos. Saiba mais Confira as diversas tabelas disponibilizas por Pfeil e Pfeil (2003) para a solução de problemas relativos ao dimensionamento à compressão simples. As tabelas utilizadas para o dimensionamento são baseadas na razão Ec / Fc. Aplicação prática do uso das tabelas Com o auxílio das tabelas, iremos calcular o esforço normal máximo de projeto para a peça comprimida do exemplo para L0 = 170 cm. Solução Guaiçara: Na tabela D, válida para: Obtemos: Sabendo que: Logo, o esforço normal máximo de projeto será: