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Síndromes Genes afetados Tumores relacionados Conduta Câncer de mama e ovários hereditários Principais: BRCA1 e BRCA2 Outros: TP53, CDH1, PTEN e STK11 Câncer de mama (50-85%), câncer de ovário (15-45%), câncer de próstata, câncer de pâncreas e melanomas (BRCA2). BRCA1 e 2 estão envolvidos em 3 dos 4 mecanismos de reparo do DNA. O inibidor de PARP (Olaparibe) acaba com a única via restante do reparo do DNA, causando instabilidade. Teste genético é essencial, principalmente em câncer de ovário de origem epitelial. Cuidado especial com judeus. Imuno-histoquímica: triplo negativo para receptor de estrogênio, progesterona e HER2. Mastectomia e retirada de ovários e trompas para evitar reaparecimento do tumor. Síndrome de Lynch Principais: MSH2, MLH1 Outros: MSH6, PMS2 e EPCAM Câncer de colón não-polipoide hereditário (60% lado direito), câncer de endométrio, ovários, próstata, sistema urogenital, no SNC e câncer de pele. Teste de instabilidade de satélite ou imuno-histoquímica. O diagnóstico varia muito, dependendo do gene afetado. MSH6: maior chance para câncer endometrial. Indicar histerectomia profilática de acordo com cada caso. Imuno-histoquímica: aponta negativo p/ proteínas de reparo. Às vezes, o gene MSH2 pode parecer normal, mas a deleção é da cauda de EPCAM, que é próxima de MSH2 e causa silenciamento desse gene. Tumores esporádicos: resultado pode dar falso negativo, e não é Lynch: mutação de BRAF (via do Ras), causando perda do sinal de MLH1. Antes de fazer sequenciamento de todos os genes de Lynch, é bom fazer o da BRAF v600E para economizar. Polipose adenomatosa familiar (FAP) Gene APC Herança dominante agressiva: 1/3: mutações de novo O local da mutação faz diferença: Nas extremidades, a FAP é mais branda. A FAP clássica é no meio (160-1620) e a severa também (1250-1464). Câncer de cólon, reto, intestino delgado e estômago (pólipo de glândulas fúndicas). CENTENAS de pólipos. Hipertrofia congênita do epitélio pigmentado de retina em 75% dos casos. Comum: osteomas de crânio e mandíbula, cistos epidermoides, câncer no duodeno, síndrome de Turcot associada à FAP (meduloblastomas). Tumor desmoide: principal causa de morte, tumor benigno. Originado no processo de cicatrização da cirurgia. Sequenciamento do gene APC em crianças e adolescentes, quando necessário, para planejar a colectomia – quase obrigatória e precisa ser o mais rápido possível. Colonoscopia anual com retirada de pólipos e endoscopia alta para retirar pólipos do estômago da região fúndica. Inspecionar Ampola de Vater, local comum para pólipos duodenais. A FAP atenuada é mais tardia. Síndromes Genes afetados Tumores relacionados Conduta Polipose associada ao gene MUTYH (MAP) Herança bialélica (recessiva). Gene MUTYH. Polipose adenomatosa de 0-100 pólipos. Pode ocorrer também pólipo de duodeno, polipose gástrica é rara. Os sintomas são mais tardios que a FAP clássica. Teste genético. Ao contrário das outras síndromes, a MAP é bialélica e pode ser difícil de identificar. Síndrome de Peutz-Jegher s STK11 Presença de manchas escuras na região dos lábios, gengivas, pênis, pontas dos dedos. Tendem a diminuir com a idade. Alta predisposição a câncer de mama, intestino, estômago, pâncreas, ovário e pulmão. É preciso prestar atenção: poucas síndromes afetam simultaneamente mama e colon. É uma síndrome rara, mas muito agressiva. Polipose Juvenil SMAD4, BMPR1A, PTEN Múltiplos pólipos juvenis no trato gastrointestinal. ● Cólon ● Estomago ● Intestino delgado ● Pâncreas ● Teleangiectasia hemorrágica hereditária (SMAD4 em homozigose) Teste genético e observar o SMAD4 por causa da possibilidade de hemorragia. Polipose serrilhada Não existe um gene 100% descoberto, mas usa-se o RNF43 de referência. Observar qualquer número de pólipos serrilhados proximais ao sigmoide. Elevado risco de câncer de cólon, mas não sabemos o número exato. Teste genético para o RNF43. Câncer gástrico e câncer de mama lobular em mulheres. Após diagnóstico, o único tratamento é a gastrectomia total profilática (0% de risco). ● Testar pacientes jovens, abaixo de 40 anos, com câncer gástrico. Câncer gástrico difuso hereditário CDH1 em 50% dos casos. O diagnóstico precoce é MUITO difícil. A endoscopia alta não tem acesso à submucosa, só descobrimos quando ele ulcera. ● Histórico de câncer gástrico na família (pelo menos 2). ● Câncer lobular de mama na família, recomendar mastectomia bilateral profilática para CDH1, independente de achados endoscópicos. Enquanto o paciente não faz cirurgia, devemos acompanhar semestralmente.