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Inflamação Crônica Profa. Dra. Andressa Letícia Lopes da Silva UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS MÉDICAS – CCM PROCESSOS PATOLÓGICOS GERAIS O que é? Resposta de duração prolongada (semanas ou meses), na qual inflamação, lesão tecidual e tentativas de reparo coexistem em diferentes combinações. Pode suceder a inflamação aguda, ou pode começar de forma insidiosa, como um processo latente, progressivo, sem sinais de uma reação aguda precedente. A inflamação crônica pode causar algumas doenças, como: artrite reumatóide, aterosclerose, tuberculose e doenças pulmonares crônicas. (Robbins e Cotran, 2016) desaparecendo a irritação, diminuiria também a produção de mediadores, e, em consequência, os fenômenos vasculares e exsudativos se reduziriam. 2 (Robbins e Cotran, 2016) Causas Infecções persistentes; Doenças de hipersensibilidade; Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, exógenos ou endógenos. https://anatpat.unicamp.br/laminfl11.html Características morfológicas Infiltração de células mononucleares, que incluem macrófagos, linfócitos e plasmócitos; Destruição tecidual induzida pelo agente ofensivo persistente ou pelas células inflamatórias; Tentativas de cura pela troca do tecido danificado por tecido conjuntivo, pela angiogênese (proliferação de pequenos vasos sanguíneos) e, em particular, pela fibrose; (Robbins e Cotran, 2016) • Fibrose (seta) • Destruição tecidual (cabeça de seta) • Infiltrado inflamatório (asterisco) (A) Inflamação crônica no pulmão, mostrando todos os três aspectos histológicos característicos. (1) coleção de células inflamatórias crônicas (*); (2) destruição do parênquima (alvéolos ormais são substituídos por espaços revestidos por epitélio cuboidal, cabeças de seta); e (3) substituição por tecido conjuntivo (fibrose, setas). (B) Em contraste, na inflamação aguda do pulmão (broncopneumonia aguda), os neutrófilos preenchem os espaços alveolares e os vasos sanguíneos estão congestos. 5 Macrófagos Os monócitos estimulados por GM-CSF, LPS, IFNγ e produtos bacterianos diferenciam-se em: Macrófagos M1 - Ações pró-inflamatórias; - Liberação de IL-1, TNF, IL-10, CXCL-9 (quimiocina), radicais livres do NO e O2, metaloproteinases, etc; - Estimulados por IL-4, IL-10, IL-13, IL-21, lipoxinas, resolvinas, corticosteroides, PGE2, vitamina D3 e CCR4, etc, diferenciam-se em Macrófagos M2. https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2019.00792/full Macrófagos Macrófagos M2 - Liberam citocinas anti-inflamatórias; - Fazem a remoção de restos apoptóticos e celulares; - Estímulam o reparo e a angiogênese por meio da liberação de citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento. https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2019.00792/full Macrófagos Macrófagos (Robbins e Cotran, 2016) Maturação de fagócitos mononucleares. (A) Durante as reações inflamatórias, a maioria dos macrófagos teciduais deriva de precursores hematopoéticos. Alguns macrófagos teciduais residentes de longa duração derivam de precursores embrionários que povoam os tecidos durante o início do desenvolvimento. (B) A morfologia de um monócito e macrófago ativado. 9 Linfócitos Microrganismos e outros antígenos ambientais ativam os linfócitos T e B, que amplificam e propagam a inflamação crônica; Quando ativadas, a inflamação tende a ser persistente e grave; Por causa da capacidade de secretar citocinas, os linfócitos T CD4+ promovem a inflamação e influenciam a natureza da reação inflamatória (Robbins e Cotran, 2016) Por causa da capacidade de secretar citocinas, os linfócitos T CD4+ promovem a inflamação e influenciam a natureza da reação inflamatória. Essas células T amplificam a reação inflamatória inicial que é induzida pelo reconhecimento de microrganismos e células mortas como parte da resposta imune inata. Existem três subconjuntos de células T CD4+ que secretam citocinas distintas e provocam diferentes tipos de inflamação. • As células TH1 produzem a citocina IFN-γ, que ativa os macrófagos pela via clássica. • As células TH2 secretam IL-4, IL-5 e IL-13, que recrutam e ativam eosinófilos e são responsáveis pela via alternativa de ativação de macrófagos. • As células TH17 secretam IL-17 e outras citocinas, que induzem a secreção de quimiocinas responsáveis pelo recrutamento de neutrófilos na reação. 10 Linfócitos As células TH1 produzem a citocina IFN-γ, que ativa os macrófagos pela via clássica. As células TH2 secretam IL-4, IL-5 e IL-13, que recrutam e ativam eosinófilos e são responsáveis pela via alternativa de ativação de macrófagos. As células TH17 secretam IL-17 e outras citocinas, que induzem a secreção de quimiocinas responsáveis pelo recrutamento de neutrófilos na reação. (Robbins e Cotran, 2016) Por causa da capacidade de secretar citocinas, os linfócitos T CD4+ promovem a inflamação e influenciam a natureza da reação inflamatória. Essas células T amplificam a reação inflamatória inicial que é induzida pelo reconhecimento de microrganismos e células mortas como parte da resposta imune inata. Existem três subconjuntos de células T CD4+ que secretam citocinas distintas e provocam diferentes tipos de inflamação. • As células TH1 produzem a citocina IFN-γ, que ativa os macrófagos pela via clássica. • As células TH2 secretam IL-4, IL-5 e IL-13, que recrutam e ativam eosinófilos e são responsáveis pela via alternativa de ativação de macrófagos. • As células TH17 secretam IL-17 e outras citocinas, que induzem a secreção de quimiocinas responsáveis pelo recrutamento de neutrófilos na reação. 11 Linfócitos Os macrófagos exibem antígenos para células T, moléculas expressas na membrana que ativam as células T e produzem citocinas e também estimulam as respostas das células T; Os linfócitos T ativados, produzem citocinas que recrutam e ativam macrófagos, promovendo mais apresentação de antígenos e secreção de citocinas. O resultado é um ciclo de reações celulares que alimentam e sustentam a inflamação crônica. (Robbins e Cotran, 2016) Os linfócitos e os macrófagos interagem de maneira bidirecional e essas interações desempenham papel importante na propagação da inflamação crônica (Fig. 3.20). Os macrófagos exibem antígenos para células T, moléculas expressas na membrana (chamadas coestimuladores) que ativam as células T e produzem citocinas (IL-12 e outras) e também estimulam as respostas das células T (Cap. 5). Os linfócitos T ativados, por sua vez, produzem citocinas, descritas anteriormente, que recrutam e ativam macrófagos, promovendo mais apresentação de antígenos e secreção de citocinas. O resultado é um ciclo de reações celulares que alimentam e sustentam a inflamação crônica. 12 Eosinófilos Os eosinófilos são abundantes nas reações imunomediadas por IgE e nas infecções parasitarias; Recrutamento é desencadeado por moléculas de adesão semelhantes às utilizadas pelos neutrófilos e por quimiocinas especificas (p. ex., eotaxina) derivadas de leucócitos e células epiteliais. Os eosinófilos possuem grânulos que contém proteínas básicas principais, uma proteína altamente catiônica que é toxica para parasitas, mas também provoca dano às células epiteliais do hospedeiro. Por isso, os eosinófilos são benéficos no controle das infecções parasitárias, mas também contribuem para os danos teciduais nas reações imunes, como nas alergias; (Robbins e Cotran, 2016) Mastócitos Os mastócitos (e os basófilos) expressam na sua superfície o receptor FcɛRI, que se liga à porção Fc do anticorpo IgE; Nas reações de hipersensibilidade imediata, a IgE ligada aos receptores Fc dos mastócitos reconhece especificamente o antígeno e, em resposta, as células degranulam e liberam mediadores, como histamina e prostaglandinas; Os mastócitos também estão presentes nas reações inflamatórias crônicas, e como secretam uma infinidade de citocinas, elaspodem promover reações inflamatórias. (Robbins e Cotran, 2016) Neutrófilos Inflamação crônica continua a exibir um grande número de neutrófilos, induzidos por microrganismos persistentes ou por citocinas e outros mediadores produzidos por macrófagos ativados e linfócitos T; Na infecção bacteriana crônica óssea (osteomielite), um exsudato neutrofílico pode persistir por muitos meses. Os neutrófilos também são importantes na lesão crônica pulmonar induzida pelo tabagismo e outros estímulos irritantes. (Robbins e Cotran, 2016) Tipos de inflamação crônica Inespecífica - Células mononucleares associadas a outros tipos celulares; Produtiva - Grande quantidade de fibras colágenas e de células; - Há hiperplasia do tecido, tecido fibroso e inflamação; Exsudativa - Presença de pus; - Comum em tecidos em que há pouca possibilidade de inflamação aguda; Inflamação Crônica Linfócitos Plasmócitos Novos vasos Macrófagos Pólipo Nasal epitélio nasal pseudoestratificado, ciliado, com células caliciformes e tecido conjutivo abaixo Pólipo Nasal Formação de tecido cicatricial exagerado Proliferação das células parenquimatosas Acometem as mucosas 17 Inflamação Granulomatosa Coleções de macrófagos ativados, muitas vezes com linfócitos T, e às vezes associadas à necrose central; Células epitelióides; Células gigantes multinucleadas; Tentativa celular de conter um agente agressor difícil de erradicar; Forte ativação de linfócitos T que desencadeia ativação dos macrófagos, o que pode causar lesões nos tecidos normais; (Robbins e Cotran, 2016) https://www.mypathologyreport.ca/pt/pathology-dictionary/definition-granuloma/ Inflamação Granulomatosa https://anatpat.unicamp.br/laminfl9.html Granulomas Os granulomas são encontrados em determinadas condições patológicas especificas; Citocinas derivadas das células T são responsáveis pela ativação crônica dos macrófagos e pela formação dos granulomas; A tuberculose é o protótipo da doença granulomatosa de etiologia infecciosa; http://anatpat.unicamp.br/pecasinfl18.html Granuloma tuberculose (Robbins e Cotran, 2016) Tuberculose primária (nódulo de Ghon em pulmão de adulto). O nódulo de Ghon é o primeiro granuloma tuberculoso. Geralmente ocorre na região subpleural do lobo médio (se for no pulmão direito) ou na região inferior do lobo superior ou superior do lobo inferior (se for no pulmão esquerdo), porque as regiões médias dos pulmões são as áreas mais arejadas (portanto, a probabilidade de chegarem bacilos aí é maior). Na grande maioria dos casos a lesão é pequena e de cura espontânea (detecção difícil). Aqui temos duas peças em que a lesão foi maior. Na de cima, a delimitação é boa, mas há necrose caseosa central. Na de baixo, a lesão é maior e sua delimitação é menos precisa. Se o paciente sobrevivesse, provavelmente evoluiria para uma caverna (ver adiante). 20 Granulomas Imunes Causados por vários agentes capazes de induzir resposta imune mediada por células T persistentes; Este tipo de resposta imune provoca a formação de granulomas geralmente quando o agente incitador não pode ser facilmente eliminado, como um microrganismo persistente ou um antígeno próprio; Os macrófagos ativam as células T a produzir citocinas, como a IL-2, que ativa outras células T perpetuando a resposta, e IFN- γ, que ativa os macrófagos; (Robbins e Cotran, 2016) Granuloma Tuberculose Tipo 1 http://anatpat.unicamp.br/laminfl8.html Granuloma Leishmaniose http://anatpat.unicamp.br/laminfl27.html Granulomas de corpo estranho São encontrados na resposta a corpos estranhos relativamente inertes; Ausência de resposta imunomediada por células T; Formam-se em torno de materiais como o talco (associado ao uso abusivo de drogas intravenosas), suturas ou outras fibras; Impossibilita a fagocitose por um macrófago, mas não são imunogênicos; As células epitelioides e as células gigantes são direcionadas para a superfície do corpo estranho. O material estranho geralmente pode ser identificado no centro do granuloma. (Robbins e Cotran, 2016) http://anatpat.unicamp.br/laminfl10a.html Granulomas de corpo estranho Granuloma do tipo corpo estranho ou não-imunogênico Exógenos: fio de sutura, talco, sílica, fibras de algodão Endógenos: lipídeos, cristais de urato Menos organizado, menos linfócitos https://www.ufrgs.br/patologiageral/wp- content/uploads/2015/04/corpo-estranho2.jpg Células gigantes multinucleadas TIPO LANGHANS TIPO CORPO ESTRANHO Inflamações esclerosantes Cirrose pós-necrótica http://anatpat.unicamp.br/lamfig7.html http://anatpat.unicamp.br/pecasfig5.html Inflamações esclerosantes Hepatite crônica http://anatpat.unicamp.br/lamfig4.html Inflamações esclerosantes Pancreatite crônica http://anatpat.unicamp.br/lamfig14.html http://anatpat.unicamp.br/pecasfig14.html Efeito inflamatório crônico sistêmico Caracterizado pela manutenção de níveis séricos elevados de citocinas pró-inflamatórias e proteína C reativa; CAUSAS: Produção elevada de proteínas hiperglicadas (AGEs); Ação de radicais livres; Dislipidemia; Alteração da resposta ao estresse (estresse crônico); EXEMPLOS: aterosclerose, diabetes tipo 2, obesidade, envelhecimento. Questões de fixação Em relação ao processo inflamatório crônico, analise as afirmativas, colocando entre parênteses a letra "V", quando a afirmativa for verdadeira, e a letra "F" quando a afirmativa for falsa. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. ( ) A inflamação crônica é desencadeada quando a resposta inflamatória aguda falha na eliminação do agente iniciante deste processo. ( ) A Leishmania spp é uma das causas de inflamação crônica em animais. ( ) Histologicamente, há predominância de neutrófilos e macrófagos. ( ) A resposta imunológica por linfócitos TH1 são do tipo humoral, enquanto as por linfócitos TH2 são mediadas por células. ( ) Macroscopicamente as lesões apresentam muitas vezes uma coloração branco-acizentada. Questões de fixação A inflamação crônica é uma reação dos tecidos a um agente inflamatório persistente (microrganismo ou toxina) que se prolonga por mais de seis meses. Nela, os sinais típicos da inflamação, como eritema e edema podem não ser aparentes, entretanto, ao microscópio, a inflamação é caracterizada por apresentar exsudato celular com a presença principalmente de: Plaquetas e fibrócitos. Neutrófilos e eosinófilos. Basófilos e plasmócitos. Macrófagos e linfócitos. Referências BÁSICAS: 1. Kumar V, Abbas AK, Fausto N. Patologia: bases patológicas das doenças. 9ª e 10ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2005, 2010. 2. Filho GB. Bogliolo Patologia. 8ª ed. Rio de janeiro, Guanabara Koogan, 2006. COMPLEMENTARES: 1. Franco M, Brito T, Bacchi CE, Almeida PC. (eds). Patologia-Processos Gerais. 6ª ed, São Paulo, Atheneu, 2015. 2. Kierszenbaum, A.L. Histologia e biologia celular: uma introdução à patologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. Obrigada! Dúvidas??? E-mail: le_lopess@hotmail.com WhatsApp: (82) 982305549 image1.png image2.png image3.png image4.jpeg image5.jpeg image6.jpg image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.png image16.png image17.jpeg image18.jpg image19.png image20.jpg image21.png image22.jpg image23.jpg image24.jpg image25.jpg image26.jpg image27.jpg image28.jpg image29.jpg image30.jpg image31.jpg image32.jpg image33.jpg image34.jpg image35.jpg image36.png image37.png image38.jpeg image39.png image40.jpeg