Prévia do material em texto
ELETROMAGNETISMO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, e com a Educação a Distância presente em todo estado do Espírito Santo, e com polos distribuídos por todo o país. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 2 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Camila Ferreira Aguiar Eletromagnetismo / AGUIAR, C. F. - Multivix, 2023. Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2023 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 4 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS Raio 12 Gaiola de Faraday 13 Benjamin Franklin 14 Âmbar 15 Gerador de Van de Graaff 16 Cargas positivas e negativas 18 Fios de cobre 19 Isolantes e condutores 20 Ferramentas com isolantes 21 Balança de torção de Coulomb 22 Força gravitacional 23 Força gravitacional e força elétrica 26 Linhas de campo 28 Fios de torre de transmissão 31 Placa metálica 32 Esfera 32 Fluxo de água 38 Superfície Gaussiana 40 Superfície Gaussiana 40 Disco rígido 42 Transformações geométricas 43 As três simetrias fundamentais 44 Simetria cilíndrica 45 Fio condutor de simetria cilíndrica 45 Capacitor em placa de circuito 46 Esferas condutoras metálicas 49 Esferas condutoras metálicas 50 Wi-fi 50 Fluxo e superfície de fluxo 51 Volume superficial 53 Superfície fechada 55 5 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para-raios em cima de prédios 58 Soldagem 64 Eletrocardiograma 65 Trabalho realizado por um campo elétrico 68 Pilhas 71 Lanterna 72 Experimento com baterias e lâmpadas 73 Deslocamento de corrente elétrica 74 Exemplos de correntes elétricas 76 Corrente 77 Filamento de uma lâmpada 79 Torradeira 80 Flash de câmera fotográfica 82 Capacitor e campo elétrico 83 Disco rígido 89 Agulhas de bússolas e corrente em um fio 90 Ressonância magnética 91 Campo magnético criado por carga puntiforme 93 Lei de Biot-Savart 94 Ímã 96 Campo magnético gerado por uma carga positiva em movimento 97 Campo magnético produzido por um fio reto 98 3ª regra da mão direita 99 Linhas de campo magnético ao redor de um fio reto e longo 99 Campo magnético no fio 100 Aurora boreal 101 Experimento de Ampère 103 Relação entre 104 Forças magnéticas sobre cargas em movimento 105 Força magnética sobre um fio condutor de corrente 106 Anel de prata 108 Carro velho 109 Leitor de cartão 115 6 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Parque eólico 117 Integrando o campo magnético ao redor de um fio 118 Ressonância magnética 121 Experimento de indução eletromagnética de Faraday 122 Fluxo magnético 125 Autoindutância 126 Semáforo 127 Carro elétrico 129 Aumentando a corrente através de um indutor 130 Diminuindo a corrente através de um condutor 132 Cometa Hale-Bopp 133 Roteador wi-fi 134 Onda eletromagnética 141 Ímã 143 Simetria de Gauss 144 Simetria da lei de Faraday da Indução e da lei de Maxwell-Ampère 145 James Clerk Maxwell 146 Luz solar 147 Formulação de Maxwell 148 Antena parabólica para recepção de sinais de rádio e televisão 149 Radiotelescópio 151 Espectro eletromagnético 153 Frequência em hertz 153 Linhas de transmissão 155 Circuito linhas de transmissão 156 Torre de comunicação 157 Antenas comuns 158 GPS 159 Sistema de telefonia celular 160 Smartphone 161 7 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO ELETROMAGNETISMO 9 1 INTRODUÇÃO À ELETRICIDADE E CONCEITOS BÁSICOS 11 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 11 1.1 ELETROMAGNETISMO 11 1.2 CAMPO ELÉTRICO E DENSIDADE DE FLUXO 25 2. FLUXO ELÉTRICO E LEI DE GAUSS 37 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 37 2.1 LEIS DE GAUSS 37 2.2 TEOREMA DA DIVERGÊNCIA 53 3 ENERGIA, POTÊNCIA E FUNDAMENTOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS 63 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 63 3.1 ENERGIA E POTÊNCIA 64 3.2 CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA 72 4 FUNDAMENTOS DO MAGNETISMO E CAMPO MAGNÉTICO 88 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 88 4.1 CAMPO MAGNÉTICO 88 4.2 FORÇA MAGNÉTICA 100 5 LEIS DE AMPÈRE E FARADAY E APLICAÇÕES EM CIRCUITOS 114 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 114 5.1 LEI DE AMPÈRE E LEI DE FARADAY 115 5.2 INDUTÂNCIA E CAMPOS VARIANTES NO TEMPO 126 6. EQUAÇÕES DE MAXWELL E SUA RELEVÂNCIA NA ENGENHARIA ELÉTRICA 140 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 140 6.1 INTRODUÇÃO ÀS EQUAÇÕES DE MAXWELL 140 6.2 APLICAÇÕES E IMPLICAÇÕES DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL NA ENGENHARIA ELÉTRICA 149 1UNIDADE 2UNIDADE 3UNIDADE 4UNIDADE 5UNIDADE 6UNIDADE 8 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS ICONOGRAFIA 9 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO ELETROMAGNETISMO Nesta disciplina, estabeleceremos uma sólida compreensão da Lei de Cou- lomb, prosseguindo com uma exploração detalhada do Campo Elétrico e da Força Elétrica. Estudaremos conceitos fundamentais como Densidade de Fluxo Elétrico, aprofundando-nos na Lei de Gauss e no Teorema da Divergên- cia. A seção sobre eletricidade abordará, ainda, temas como Energia, Potên- cia, Corrente, Resistência Elétrica e Capacitância, todos essenciais para uma compreensão holística dos sistemas elétricos. A transição para o domínio do magnetismo nos permitirá examinar o Campo e a Força Magnética, seguidos de uma análise das leis essenciais que gover- nam os fenômenos magnéticos, como as Leis de Ampère e Faraday. O estudo de Materiais Magnéticos e Indutância nos oferecerá insights sobre a interco- nexão entre os campos elétricos e magnéticos. Finalmente, abordaremos os Campos Variantes no tempo e as renomadas Equações de Maxwell, culmi- nando na síntese da teoria eletromagnética. O objetivo desta disciplina é proporcionar aos participantes um profundo en- tendimento teórico e prático dos conceitos e leis que regem a eletricidade e o magnetismo. Esperamos que,ao final desta disciplina, os estudantes es- tejam equipados com o conhecimento e a confiança necessários para apli- car esses princípios em contextos acadêmicos e profissionais. Seu compro- misso e engajamento serão essenciais para uma experiência de aprendizado bem-sucedida e enriquecedora. UNIDADE 1 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 10 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO > Compreender a origem e a natureza das cargas elétricas, assim como a interação entre elas por meio da Lei de Coulomb. > Estabelecer uma relação entre a força elétrica e a formação de campos elétricos, identificando suas propriedades e influências sobre cargas em repouso e em movimento. 11 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 1 INTRODUÇÃO À ELETRICIDADE E CONCEITOS BÁSICOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Ao iniciar esta unidade, você será apresentado aos pilares fundamentais das interações elétricas. Começaremos com a Lei de Coulomb, uma formulação essencial que descreve a interação entre cargas elétricas. A seguir, o conceito de Campo Elétrico será desvendado, permitindo-nos compreender as influ- ências invisíveis que as cargas exercem umas sobre as outras. Progredindo, discutiremos a Força Elétrica, um conceito crucial para enten- der como as cargas interagem e se movimentam. Juntamente a isso, a Densi- dade de Fluxo Elétrico será explorada, fornecendo uma visão quantitativa da magnitude dos campos elétricos em determinadas regiões. 1.1 ELETROMAGNETISMO O estudo da eletricidade e do magnetismo, duas forças fundamentais, tem suas raízes na Grécia Antiga. Filósofos daquela época descobriram que o âm- bar friccionado atraía pedaços de palha devido à força elétrica, enquanto uma pedra específica, um ímã natural, atraía objetos de ferro por meio de uma for- ça magnética. No entanto, o entendimento profundo da relação entre essas duas forças e sua natureza interativa só viria muitos séculos depois (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Halliday; Resnick; Walker, 2023; Knight, 2009). 12 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 RAIO Fonte: © wirestock, Freepik (2023) #pratodosverem: em primeiro plano o oceano e, ao fundo, uma cidade com luzes e raios. Em sua essência, a eletricidade e o magnetismo lidam com interações entre cargas, sejam elas estáticas ou em movimento. O raio é uma manifestação de cargas e forças elétricas. Todos os objetos, por exemplo, possuem alguma forma de carga elétrica, uma vez que são compostos de átomos e moléculas formados por partículas carregadas. No entanto, a maioria é eletricamente neutra, o que significa que os efeitos da carga elétrica raramente são percebi- dos em nosso dia a dia. Mas, como pode atestar qualquer pessoa que já tenha sentido um choque ao tocar em um objeto metálico após caminhar sobre um carpete, a presença da eletricidade estática é indiscutível (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Knight, 2009). 13 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO GAIOLA DE FARADAY Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 53). #pratodosverem: uma pessoa dentro da gaiola de Faraday está protegida da alta voltagem aplicada fora da gaiola, produzindo uma enorme faísca. No entanto, foi James Clerk Maxwell, no século XIX, que consolidou as desco- bertas de Faraday e outras em uma estrutura matemática, dando origem à compreensão teórica sólida do eletromagnetismo que temos hoje (Halliday; Resnick; Walker, 2023). O vídeo conta a história do eletromagnetismo, desde os primeiros experimentos realizados na Grécia Antiga até as descobertas de cientistas como Faraday e Maxwell. Ele explica como a eletricidade e o magnetismo estão interligados e como essas descobertas revolucionaram a ciência e deram origem a diversos aparelhos eletrônicos. https://www.youtube.com/watch?v=EOrQnkL9IxY 14 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BENJAMIN FRANKLIN Fonte: © bedneyimages, Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de nota de um dólar com uma foto de Benjamin Franklin. Benjamin Franklin, o cientista e político americano, categorizou as cargas elé- tricas em positiva e negativa, utilizando sinais algébricos para facilitar cálculos (Halliday; Resnick; Walker, 2023; Hewitt, 2023): Neutralidade elétrica A maioria dos objetos possui quantidades iguais de cargas positivas e negativas, resultando em uma carga total zero. Tais objetos são, portanto, considerados eletricamente neutros. Origem das cargas As cargas proveem de partículas fundamentais do átomo. Prótons possuem carga positiva, enquanto elétrons têm carga negativa. Juntamente com os nêutrons (partículas neutras), eles formam a estrutura básica dos átomos. Movimento dos elétrons e formação de moléculas Os elétrons movem-se rapidamente dentro dos átomos. Quando dois átomos se aproximam, desequilíbrios nas forças elétricas podem causar atrações entre eles. Essas forças elétricas dão origem às ligações que mantêm os átomos unidos nas moléculas. 15 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Para eletrizar um material, deve-se criar um desbalanceamento entre elétrons e prótons. Energeticamente falando, é mais viável manipular elétrons do que prótons, pois estes estão firmemente ligados ao núcleo pelo poderoso laço da força nuclear, muito mais forte que a força elétrica que influencia os elétrons. A eletrização de um material, seja pela remoção ou adição de elétrons, pode ocorrer por métodos como atrito, contato e indução. Quando eletrizado, um material emite um campo elétrico em sua proximidade (Oliveira, 2019). Documentos de 600 a.C. evidenciam conhecimento sobre eletricidade está- tica. O termo “eletricidade” vem do grego, inspirado na palavra para âmbar. Os gregos friccionavam âmbar em roupas, observando sua atração por obje- tos pequenos, mas viam isso mais como mágica do que ciência. Em 1600, o Dr. Gilbert demonstrou que diversos materiais, além do âmbar, atraíam ou- tros objetos após fricção. Depois, o Coronel Charles Coulomb usou uma ba- lança de torção para quantificar a força entre objetos carregados. Ele desco- briu que essa força é proporcional às cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles, semelhante à lei da gravidade de Newton (Hayt; Buck, 2013). ÂMBAR Fonte: © vvonyy, Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de âmbar polido. 16 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1.1.1 FORÇA ELÉTRICA A natureza apresenta dois tipos de carga elétrica: positiva e negativa. Ge- ralmente, os objetos ao nosso redor parecem neutros porque possuem um equilíbrio aproximado entre cargas positivas e negativas, cancelando-se mu- tuamente. Os efeitos elétricos são percebidos quando esse equilíbrio é que- brado (Bauer; Westfall; Dias, 2012). Ao friccionar uma vara de vidro com um tecido, tanto o vidro quanto o pano adquirem cargas, mas de sinais diferentes. Da mesma forma, ao esfregar uma vara de plástico com pelo de animal, ambos ficam carregados, porém com cargas contrárias. Duas varas de vidro carregadas se repelirão mutuamente, assim como duas varas de plástico carregadas. No entanto, uma vara de vi- dro carregada atrairá uma de plástico carregada devido à diferença de cargas (Bauer; Westfall; Dias, 2012). • Lei das Cargas Elétricas: Cargas com sinais iguais se repelirão, enquanto cargas com sinais distintos se atrairão (Bauer; Westfall; Dias, 2012). GERADOR DE VAN DE GRAAFF Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 53). #pratodosverem: pedaços de isopor postos em um recipiente no topo de um gerador Vande Graaff, que é então carregado. (a) Os pedaços voam para fora de um recipiente plástico não condutor. (b) Os pedaços permanecem dentro de uma lata metálica. 17 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A carga elétrica é uma propriedade fundamental das partículas subatômicas que determina suas interações eletromagnéticas. Existem dois tipos principais de cargas elétricas: positiva e negativa. Cargas de sinais opostos atraem-se mutuamente, enquanto cargas de sinais iguais repelem-se (Young, 2015). O coulomb (C) é a unidade padrão para carga elétrica e é uma homenagem a Charles-Augustin de Coulomb (1736-1806). Já o ampère (A) é a unidade para corrente elétrica. Essas duas unidades, diferentemente das outras unidades básicas do SI, como metro, quilograma e segundo, são independentes e fun- damentais. Desse modo, o sistema SI é por vezes referido como sistema MKSA (metro-quilograma-segundo-ampère). A relação entre coulomb e ampère é expressa como (Bauer; Westfall; Dias, 2012): Podemos compreender o coulomb ao considerar a carga de um único elé- tron: Em que é a carga e representa a carga de um elétron e é aproximadamente: 18 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A carga é uma característica intrínseca do elétron, assim como sua massa. O próton, outro componente fundamental dos átomos, possui carga de magni- tude idêntica, mas de sinal oposto (Bauer; Westfall; Dias, 2012): CARGAS POSITIVAS E NEGATIVAS Fonte: Hewitt (2023, p. 464). #pratodosverem: três pêndulos, o primeiro com duas cargas positivas se repelindo, o segundo com duas cargas negativas se repelindo e o terceiro com uma carga positiva e uma negativa se atraindo. Na prática, o coulomb é uma unidade de carga bastante grande. Por isso, frequentemente são usadas subunidades como o microcoulomb (µC), nano- coulomb (nC) e picocoulomb (pC). O “coulomb” (simbolizado por “C”) é a unidade padrão de carga elétrica no Sistema Internacional de Unidades (SI). É definido da seguinte maneira: é a quantidade de carga elétrica transportada em 1 segundo por uma corrente de 1 ampère (Young, 2015). Benjamin Franklin também introduziu a ideia de conservação da carga. Quan- do se fricciona uma vara de plástico com pelo, elétrons são transferidos para o plástico, gerando uma carga positiva no pelo. Essa transferência não cria nem destrói cargas; apenas as redistribui (Bauer; Westfall; Dias, 2012). 19 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO • Princípio de Conservação da Carga: A quantidade total de carga em um sistema fechado permanece constante. FIOS DE COBRE Fonte: © fabrikasimf, Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de fios de cobre encapados com material isolante. Condutores Materiais que facilitam a condução de elétrons, permitindo uma transmissão eficaz da corrente elétrica. Isolantes Materiais que abstroem ou praticamente impedem a movimentação de elétrons, resistindo à passagem de corrente elétrica. Fonte: Halliday; Resnick; Walker, 2023. 20 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ISOLANTES E CONDUTORES Fonte: Knight (2009, p. 795). #pratodosverem: representação de um material isolante, apontando o núcleo, elétrons do caroço e elétrons de valência, que estão fortemente ligados. Representação de um metal, com os íons positivos do caroço e os elétrons de valência formando um mar de elétrons. Materiais que conduzem eficientemente a eletricidade são denominados condutores, como cobre, alumínio, prata, ouro e platina sendo alguns dos me- tais mais destacados. Eles são utilizados em sistemas de fiação elétrica devi- do ao seu desempenho superior e, em alguns casos, a custos relativamente baixos. O motivo de tais materiais serem bons condutores reside em sua es- trutura atômica. Nos metais, os elétrons da camada mais externa, conhecidos como elétrons de valência, estão fracamente ligados ao núcleo e, portanto, são praticamente livres para se mover pelo material. Essa mobilidade eletrô- nica permite a condução eficiente da eletricidade. Esse movimento de cargas é denominado corrente, e, no caso dos metais, os elétrons são os portadores de carga responsáveis (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Hewitt, 2023; Knight, 2009). 21 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Contrapondo-se aos condutores, temos os isolantes, que são materiais onde a condução de eletricidade é mínima ou inexistente. Vidro e muitos plásticos são exemplos clássicos de bons isolantes. Eles não permitem o movimento livre dos elétrons porque seus elétrons estão fortemente ligados aos átomos, impedindo-os de fluir facilmente. Ao carregar um isolante por fricção, ape- nas a superfície pode reter cargas em certas regiões, mas essas cargas não se movimentam de forma significativa pelo material (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Hewitt, 2023; Knight, 2009). FERRAMENTAS COM ISOLANTES Fonte: Freepik (2023) #pratodosverem: um painel com ferramentas penduradas e uma mão pegando uma ferramenta. Além dos condutores metálicos, existem outros meios que permitem a con- dução elétrica. Fluidos e tecidos orgânicos atuam como condutores, e solu- ções iônicas, como a água salgada, também conduzem eletricidade. No caso da água destilada, por si só, a condutividade é baixa. No entanto, ao adicionar sal de cozinha, sua condutividade aumenta consideravelmente devido à mo- bilidade dos íons na solução. Diferentemente dos sólidos, nos líquidos, partí- culas com cargas positivas e negativas são móveis (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Hewitt, 2023; Knight, 2009). 22 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O vídeo a seguir apresenta uma experiência de condutividade elétrica em diferentes materiais, através do uso de uma lâmpada incandescente em série ligada a uma tomada da rede elétrica e a fios que serão conectados em diferentes materiais. 1.1.2 LEI DE COULOMB No século XVIII, Charles Coulomb foi um proeminente cientista que se apro- fundou nos estudos sobre eletricidade. Ele se inspirou na técnica experimen- tal utilizada por Cavendish, que empregou uma balança de torção para deter- minar o valor da constante gravitacional G. A execução desse experimento por Coulomb não foi simples. Enquanto Cavendish podia posicionar suas massas e mantê-las estáveis, Coulomb frequentemente precisava reajustar as cargas em sua balança. Em 1785, Coulomb anunciou que a força elétrica seguia uma lei inversamente proporcional ao quadrado da distância, similar à lei gravitacional de Newton. BALANÇA DE TORÇÃO DE COULOMB Fonte: Knight (2009, p. 800). #pratodosverem: a balança de torção de Coulomb é uma barra horizontal suspensa por um fio fino com uma esfera carregada em uma extremidade. Ela está dentro de um invólucro transparente e possui uma escala para medir a rotação da barra. https://www.youtube.com/watch?v=1qTo6nvpAoQ 23 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A força elétrica, assim como a força gravitacional, decresce de acordo com o inverso do quadrado da distância entre as entidades interativas. Ela determi- na que, quando temos dois corpos carregados eletricamente e que são sig- nificativamente menores do que o espaço entre eles, a intensidade da força entre ambos é proporcional ao produto das suas cargas e inversamente pro- porcional ao quadrado da distância que os separa. Essa força é direcionada na linha reta que conecta os dois corpos carregados. Matematicamente, a Lei de Coulomb é representada como (Hayt; Buck, 2013): são quantidades positivas ou negativas de carga. R é a separaçãoentre as cargas. K é uma constante de proporcionalidade. No Sistema Internacional de Unidades, Q é medida em coulombs (C), R é a medida em metros (m) e a força F é medida em newtons (N). FORÇA GRAVITACIONAL Plutão Netuno Urano Saturno Júpiter Marte Terra Vênus Mercúrio Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem do sistema solar com o sol e os planetas. 24 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para a Força ser medida em newtons, é necessário que a constante de pro- porcionalidade seja escrita como: A constante é chamada de permissividade do espaço livre e sua unidade é (F/m). A permissividade do espaço livre (ou vácuo) é uma constante fundamental em eletromagnetismo. Ela desempenha um papel crucial na Lei de Coulomb, assim como nas equações de Maxwell, e é diretamente relacionada à velocidade da luz no vácuo. Ela é uma medida de quão “fácil” é para um campo elétrico se propagar pelo vácuo. Ela está diretamente relacionada à interação entre cargas elétricas (Knight, 2009). A constante tem uma unidade associada a ela, que é Isso é evidente quando olhamos para a Lei de Coulomb. O ‘farad’ F também será medida em . Porém, por enquanto, usaremos a unidade F/m em nossas equações (Hayt; Buck, 2013): Ao aplicar a Lei de Coulomb, lembre-se de que ela envolve forças que são ve- toriais. Em relação à Lei de Coulomb (Knight, 2009): 25 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Cargas puntiformes Ela é relevante para cargas puntiformes, que são cargas idealizadas sem tamanho real. Na prática, objetos podem ser tratados como cargas puntiformes se sua dimensão for muito menor que a distância que os separa. Aplicação da Lei de Coulomb 2 A Lei de Coulomb, originalmente, refere-se à eletrostática, ou seja, forças entre cargas estáticas. Entretanto, pode ser usada para cargas em movimento, desde que se movam muito mais lentamente que a luz. Superposição de forças elétricas Forças elétricas podem ser somadas. Se várias cargas estiverem presentes, a força total em uma carga específica é a soma das forças de todas as outras cargas. Para uma carga q_j, devido à presença de outras cargas a força elétrica total é a soma das forças individuais 1.2 CAMPO ELÉTRICO E DENSIDADE DE FLUXO Gravidade, forças elétricas e forças magnéticas são exemplos notáveis de for- ças de ação à distância. Essas forças não exigem contato direto; por exemplo, partículas carregadas exercem força uma sobre a outra, mesmo à distância (Hewitt, 2023; Knight, 2009; Young, 2015). 26 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FORÇA GRAVITACIONAL E FORÇA ELÉTRICA Fonte: Hewitt (2023, p. 417). #pratodosverem: (a) A força gravitacional faz com que o satélite orbite o planeta. (b) A força elétrica faz com que o elétron orbite o próton. Em ambas as situações, os corpos em órbita interagem através dos campos de força gerados pelo planeta e pelo próton, mesmo sem contato direto. Essa interação ocorre entre o corpo e o campo do outro. A ideia de forças agindo à distância era desconcertante para muitos pensado- res do tempo de Newton. Depois de publicar sua teoria da gravitação, muitos cientistas da época acreditavam que havia um mecanismo subjacente para essas forças. O sucesso de Newton, no entanto, impediu muitos de questioná- -lo diretamente (Knight, 2009). No final do século XVIII, com o avanço da pesquisa em eletricidade e magne- tismo, essas dúvidas ressurgiram. Um exemplo pode esclarecer isso: imagine duas partículas carregadas, A e B. Se A começa a se mover, a força que ela exerce sobre B mudará. Isso ocorre imediatamente ou há um atraso? A física newtoniana sugere que a resposta seria “imediatamente”, mas isso causava desconforto entre os cientistas (Knight, 2009). O campo elétrico é um conceito fundamental no eletromagnetismo que descreve a influência que uma carga elétrica tem sobre outras cargas em sua proximidade, mesmo sem contato direto. Pode ser pensado como uma região do espaço onde forças elétricas são sentidas por outras cargas devido à presença de uma carga fonte (Knight, 2009). 27 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO O conceito de campo elétrico é fundamental para entender como forças são exercidas entre cargas que não estão em contato direto. Imagine que uma carga positiva fixa está num ponto do espaço; ela estabelece uma região ao seu redor onde outra carga sentirá uma força, mesmo que não esteja em con- tato direto com ela. Essa região é onde o campo elétrico está presente, e a magnitude e direção desse campo em qualquer ponto determinam a força que uma carga testemunha sentirá. Por outro lado, a densidade de fluxo, frequentemente referida em termos magnéticos como densidade de fluxo magnético, é uma medida da quanti- dade de campo (seja elétrico ou magnético) que passa por uma determinada área. Para o campo elétrico, ela pode ser pensada como o número de linhas de campo elétrico que atravessam uma unidade de área. Essa densidade in- dica a “concentração” do campo em uma determinada região e é crucial para a compreensão de fenômenos como a indução eletromagnética. Ambos os conceitos, campo elétrico e densidade de fluxo, são pilares da teoria eletromagnética e permitem uma descrição mais completa e profunda das interações entre objetos carregados e o espaço ao seu redor. 1.2.1 CAMPO ELÉTRICO O valor do campo elétrico em um ponto específico no espaço é determinado pela força elétrica atuante por unidade de carga em tal ponto. Se uma car- ga experimenta uma força devido a outra carga ou distribuição de cargas, o campo elétrico no ponto onde a carga está localizada é dado por: Usando unidades SI para as quais a unidade de força é 1 N e a unidade de car- ga é 1 C, a unidade de campo elétrico é 1 newton por coulomb (1 N/C) . A direção e o sentido do campo elétrico são representados por vetores. Esses vetores indicam a direção e o sentido em que uma pequena carga de teste positiva seria afetada. Por exemplo, se uma carga é negativa, o vetor do cam- po elétrico apontará para a carga; e, se a carga é positiva, o vetor apontará para fora dela. 28 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Uma importante observação é que a própria carga que gera o campo elétrico não é influenciada por ele. Isso é exemplificado pelo princípio de que um cor- po não pode produzir uma força resultante sobre si mesmo. O campo elétrico de uma carga puntiforme (Knight, 2009; Young, 2015): Forças e campos elétricos possuem magnitude e direção, sendo represen- tados vetorialmente. Quando múltiplas forças ou campos de diversas cargas pontuais atuam em um ponto, o efeito total é a soma vetorial de cada contri- buição individual. Esse conceito é conhecido como Princípio da Superposição, que afirma que o campo elétrico total em um local é a combinação de todos os campos individuais das cargas presentes. LINHAS DE CAMPO Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 38). #pratodosverem: na figura à esquerda, linhas de campo elétrico de duas cargas puntiformes de sinais opostos. As duas possuem cargas de mesmo valor absoluto. Na figura à direita, linhas de campo de duas partículas com cargas positivas iguais. A visualização de padrões de campo elétrico é facilitada por meio de linhas desenhadas, que indicam a direção do vetor do campo elétrico em qualquer local. Essas linhas, chamadas de linhas de campo elétrico, têm características específicas: • O vetor do campo elétrico é tangente à respectiva linha em qualquer ponto. • A densidade das linhas em uma área, perpendicular a elas, reflete a magnitude do campo elétrico: uma maior densidade indica um campo mais intenso, e vice-versa.29 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Para uma única carga positiva, as linhas se projetam radialmente para fora, como se irradiassem a partir da carga. Em contraste, para uma carga única negativa, as linhas apontam para a carga. Em ambos os cenários, as linhas se aproximam mais à medida que se aproximam da carga e se estendem teori- camente ao infinito. A representação de linhas de campo elétrico segue algumas regras básicas: • As linhas originam-se em cargas positivas e terminam em cargas negativas, ou vice-versa. No caso de excesso de um tipo de carga, algumas linhas começam ou terminam no infinito. • A quantidade de linhas associadas a uma carga é proporcional à magnitude dessa carga. • As linhas de campo não se cruzam. A quantidade específica de linhas associadas a uma carga não é arbitrária. Por exemplo, se um objeto tem uma carga Q1 e outro tem Q2, o número de linhas associadas ao segundo em relação ao primeiro é proporcional às res- pectivas cargas. As linhas de campo elétrico de duas cargas opostas ilustram um padrão es- pecífico: perto das cargas, as linhas são quase radiais, com uma densidade maior de linhas entre as cargas indicando um campo elétrico forte. Para duas cargas positivas, as linhas projetam-se de cada uma delas, indo para o infinito. Isso ilustra a natureza repulsiva das forças entre cargas seme- lhantes, pois as linhas evitam a região entre as cargas. Finalmente, para uma combinação de carga positiva +2q e carga negativa -q, o número de linhas que se originam da primeira é o dobro do que termina na segunda. Assim, metade das linhas que partem da carga positiva termina na carga negativa, enquanto a outra metade se estende para cargas hipotéticas no infinito. Em distâncias maiores, o campo é semelhante ao de uma única carga +q. 30 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Este vídeo mostra como visualizar as linhas de campo elétrico usando uma cuba de vidro, eletrodos, óleo vegetal e sementes de capim. Ele também explica o conceito de blindagem eletrostática, demonstrando como as linhas de campo se formam na parte externa de um condutor, mas não no seu interior. 1.2.2 DENSIDADE DE FLUXO ELÉTRICO Objetos do dia a dia, como mesas ou béqueres com água, são percebidos como distribuições contínuas de matéria. Ainda que a estrutura atômica não seja aparente, sabemos que, se dividirmos a matéria inúmeras vezes, encon- traríamos átomos. Na prática, é útil pensar na matéria de forma contínua, usando a massa específica (quilogramas por metro cúbico) para sua descri- ção (Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). Da mesma forma, quando um objeto possui uma grande quantidade de elé- trons excedentes, como 1022 em um bastão metálico, é inviável contar cada elé- tron. Optamos por ver a carga de forma contínua e analisar sua distribuição. A densidade de fluxo elétrico também pode ser compreendida como o “número” de linhas de campo elétrico que passam perpendicularmente através de uma unidade de área. Em regiões onde o campo elétrico é forte, a densidade de fluxo elétrico é alta, e vice-versa (Serway; Jewett, 2014). https://www.youtube.com/watch?v=2Pbw_Ma7QRQ 31 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Por exemplo, um objeto de tamanho L, seja um bastão ou um fio, pode ter uma carga Q distribuída uniformemente. Usamos Q para a carga total e q para cargas pontuais. A densidade linear de carga l (coulombs por metro) re- presenta a quantidade de carga ao longo do comprimento do objeto (Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). FIOS DE TORRE DE TRANSMISSÃO Fonte: © evening_tao, Freepik (2023). #pratodosverem: fios de torre de transmissão. Quando Q é distribuída ao longo de uma linha com comprimento λ , a densi- dade linear de carga é: Nessa equação, é medido em coulombs por metro . Da mesma maneira, podemos ter cargas distribuídas sobre uma área, refe- rida como densidade superficial de carga s (coulombs por metro quadrado). Por exemplo, uma superfície quadrada de 1mmx1mm com densidade de 2,0 x 10-10 C possui ou 0,20 nC (Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). 32 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PLACA METÁLICA Fonte: © t_kimura, Freepik (2023). #pratodosverem: placa metálica retangular. Se a carga estiver uniformemente espalhada em uma superfície de área , a densidade superficial de carga é dada por: Aqui, s tem unidades de coulombs por metro quadrado (c/m2) ESFERA Fonte: © moviafilmes, Freepik (2023). #pratodosverem: esfera metálica. 33 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Quando uma carga está distribuída de forma uniforme em um volume , definimos a densidade volumétrica de carga como: Nessa equação, é expresso em coulombs por metro cúbico( c/m3). Essas representações e definições são mais práticas para objetos com cargas distribuídas de forma homogênea. Normalmente, presume-se uma distribui- ção uniforme de carga, a menos que se diga o contrário (Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). 34 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Nesta unidade, conhecemos o estudo das interações elétricas, iniciando pela definição da carga elétrica. A presença e interação dessas cargas culminam na manifestação da força elétrica, uma das quatro forças fundamentais da física. A Lei de Coulomb, fundamental nesse contexto, quantifica essa força, relacionando-a com a distância entre as cargas e suas respectivas magnitu- des. Essa lei é fundamental para compreender interações que ocorrem desde escalas subatômicas até vastos espaços cósmicos. A introdução ao campo elétrico elucidou a maneira pela qual uma carga exerce influência sobre outra, mesmo à distância. Em vez de postular ações distantes inexplicáveis, o campo elétrico apresenta um meio intermediário, demonstrando como uma carga altera o espaço ao seu redor, afetando con- sequentemente outras cargas. Esse constructo não apenas contextualiza as interações elétricas, mas estabelece um alicerce para estudos avançados em ondas eletromagnéticas e teoria quântica. Finalmente, a densidade de fluxo elétrico sintetizou os conceitos de campo e carga, fornecendo uma visão detalhada da interação do campo elétrico com superfícies específicas, sobretudo em contextos dielétricos. Essa métrica é de suma importância para campos da engenharia e física, em contextos em que as propriedades de materiais na presença de campos elétricos são cruciais. Concluindo, os princípios discutidos nesta unidade compõem uma rede in- trincada de teorias que servem de fundamento para os domínios da eletrici- dade e do magnetismo. 35 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir: 1. ARAÚJO, M. Força de Coulomb. Rev. Ciência Elem., [s. l.], v. 3, n. 1, p. 14, 2015. Disponível aqui. 2. FERREIRA, M. Campo elétrico. Rev. Ciência Elem., [s. l.], v. 2, n. 2, p. 36, 2014. Disponível aqui. 3. NARDI, L. M. C.; SILVA, C. C. A matema- tização dos estudos elétricos antes de Coulomb: as contribuições de Johann Euler no século XVIII, acompanhada de uma tradução comentada de seu Recherches sur la Cause Physique de l’Electricité. Revista Brasileira de En- sino de Física, [s. l.], v. 43, p. e20200396, 2021. Disponível aqui. 4. ROBERT, R. Densidade de carga elétrica num condutor retilíneo finito. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 25, n. 4, p. 388-391, 2003. Disponível aqui. 5. PANTOJA, G. C. Campos Conceituais e Indução Eletromagnética: Classificaçãode Problemas em Eletrodinâmica. Re- vista Brasileira de Pesquisa em Educa- ção em Ciências, [s. l.], v. 21, p. 1-33, 2021. Disponível aqui. https://rce.casadasciencias.org/rceapp/pdf/2015/014/ https://rce.casadasciencias.org/rceapp/pdf/2014/036/ https://www.scielo.br/j/rbef/a/qJvCXLzPJyNyr4XjZfhsrLG/?format=html https://www.scielo.br/j/rbef/a/5NBCVfVXQXtYdysrrvQ8Gjd/?format=pdf&lang=pt https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/24370 UNIDADE 2 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 36 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO > Descrever a relação entre o fluxo elétrico e a geometria de superfícies fechadas, aplicando o conceito da Lei de Gauss. > Aplicar o Teorema da Divergência para avaliar fluxos elétricos em diferentes configurações. 37 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 2. FLUXO ELÉTRICO E LEI DE GAUSS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, conheceremos as Leis de Gauss e o Teorema da Divergên- cia. Inicialmente, focaremos em fornecer uma base sólida sobre as Leis de Gauss, elucidando sua importância e aplicabilidade no contexto mais amplo da física. A discussão se aprofundará na aplicação dessa lei em cenários com simetrias específicas, demonstrando como facilita a análise de campos elétri- cos intrincados. Posteriormente, examinaremos a correlação essencial entre o fluxo elétrico e a carga encerrada, uma chave para desvendar a dinâmica dos campos elétricos e suas distribuições de carga associadas. Seguindo, voltaremos nossa atenção para o Teorema da Divergência, uma parte crucial do cálculo vetorial, explorando suas interpretações geométricas e físicas. Por fim, analisaremos as aplicações extensivas desse teorema em várias disciplinas da física, com uma ênfase particular no campo do eletro- magnetismo. 2.1 LEIS DE GAUSS Cálculos elétricos, especialmente na física, podem, às vezes, ser bastante com- plexos e demandar muito esforço. No entanto, existe uma técnica chamada Lei de Gauss que pode simplificar enormemente esse processo, especialmen- te nos casos em que há alguma simetria geométrica envolvida. Para aplicá-la, é essencial entender o conceito de fluxo de um campo elétrico (Bauer; Wes- tfall; Dias, 2012). 38 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FLUXO DE ÁGUA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: uma mulher loira com chapéu, avental e luvas segurando uma mangueira que esguicha água. Os pontos importantes são (Young, 2015): Vazão de água vs. fluxo de carga Assim como a água flui através de uma mangueira, as cargas elétricas fluem através de um condutor. A quantidade de água que flui através da mangueira em um determinado tempo pode ser comparada à quantidade de carga que flui através de uma área no espaço em relação ao campo elétrico. Pressão da água vs. intensidade do campo elétrico A pressão da água em uma mangueira pode ser comparada à intensidade do campo elétrico. A pressão alta pode levar a um maior fluxo de água, assim como um campo elétrico mais forte pode resultar em um maior fluxo elétrico. 39 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Direção do fluxo A água na mangueira tem uma direção específica de fluxo, do ponto de alta pressão para o ponto de baixa pressão. De forma semelhante, o fluxo elétrico tem uma direção determinada, fluindo de cargas positivas para cargas negativas. Área de seção transversal A quantidade de água que pode fluir através da mangueira é influenciada pela área da seção transversal da mangueira; da mesma forma, a quantidade de fluxo elétrico através de uma superfície é proporcional à área dessa superfície. Obstruções ao fluxo Assim como uma mangueira pode ter uma obstrução que impede o fluxo de água, um isolante pode atuar como uma barreira ao fluxo elétrico, impedindo que as cargas passem através dele. Permeabilidade do material O tipo de material que compõe a mangueira pode afetar a quantidade de água que pode fluir através dela, semelhante à como a permissividade do material pode influenciar o fluxo elétrico. Para aplicar essa lei, é necessário desenhar uma “superfície fechada” imagi- nária envolvendo as cargas e investigar a distribuição do campo elétrico ao longo dela. A lei relaciona a carga total dentro dessa superfície com o cam- po elétrico observado em todos os pontos ao redor dela, possibilitando en- tender a natureza dos campos elétricos criados por distribuições de carga (Young, 2015). 40 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUPERFÍCIE GAUSSIANA Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 51). #pratodosverem: esfera com um raio r que envolve uma carga q. Adjacente, apresenta-se um detalhe ampliado de um segmento infinitesimal da superfície com área dA. Superfície gaussiana: Superfície imaginária fechada que é utilizada na aplicação da Lei de Gauss. Geralmente é escolhida para simplificar os cálculos do fluxo elétrico através dela, mas pode haver variação. O fluxo elétrico, denotado por ϕ, representa a quantidade de campo elétrico que penetra em uma superfície específica. Esse conceito é essencialmente uma medição da influência do campo elétrico sobre uma área definida. Para calcular o fluxo elétrico, devemos entender o vetor área, denotado por . Ele é perpendicular a cada elemento de área minúscula da superfície, e seu módulo é equivalente à área do elemento, dA . SUPERFÍCIE GAUSSIANA Fonte: Halliday; Resnick; Walker (2023, p. 54). #pratodosverem: os vetores e trilhas de campo elétrico permeiam uma superfície gaussiana fictícia, de forma esférica, que circunscreve uma partícula com carga positiva de magnitude Q. 41 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A quantidade de fluxo elétrico que atravessa uma área, cujo vetor de elemen- to de área é dA , é calculada através de um produto escalar, expresso como: Aqui, E é o vetor campo elétrico e dA é o vetor área. Para entender o fluxo elétrico em uma superfície maior, calcula-se o fluxo elé- trico total, que é dado pela equação: Em que a integração é feita em toda a superfície, agregando os fluxos elétri- cos através de todos os elementos infinitesimais da superfície. É fundamental calcular o fluxo total através de uma superfície fechada. Essa medição é expressa como: Novamente, a integração ocorre ao longo de toda a superfície, proporcionan- do uma visão completa do fluxo elétrico nessa superfície fechada. A Lei de Gauss também pode ser utilizada de forma inversa: se você conhecer o campo elétrico numa região, pode inferir informações sobre a distribuição de cargas naquela área. Isso pode ser feito através da análise do campo elé- trico em vários pontos ao redor de uma superfície fechada imaginária e rela- cionando essas observações com as possíveis cargas presentes dentro dessa superfície (Young, 2015). Neste vídeo, o professor Douglas Gomes explica a Lei de Gauss para o campo elétrico. Ele aborda conceitos como linhas de campo elétrico, representação das linhas de campo, quantidade de linhas proporcional à carga elétrica e o saldo de linhas em superfícies gaussianas. https://www.youtube.com/watch?v=G0UUNYLN7gs 42 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DISCO RÍGIDO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um disco rígido espelhado. Dispositivos como discos rígidos armazenam dados em um meio magnético, e a densidade de fluxo magnético pode influenciar a quantidade de dados que podem ser armazenados. 2.1.1 APLICAÇÃO DA LEI DE GAUSS EM SIMETRIAS ESPECÍFICAS Uma distribuição decarga é considerada simétrica se, mesmo após ser sub- metida a transformações geométricas, não mostra mudanças físicas detectá- veis (Knight, 2009). 43 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO TRANSFORMAÇÕES GEOMÉTRICAS Fonte: Knight (2009, p. 851). #pratodosverem: cinco cilindros apresentando transformações distintas. O primeiro é o cilindro original. O segundo tem uma seta no sentido do comprimento do cilindro, chamada translação paralela ao eixo. O terceiro, duas setas no sentido anti-horário em volta do cilindro, chamado de rotação em torno do eixo. O quarto, uma reflexão em um plano que contém o eixo. E, o quinto, uma reflexão perpendicular ao eixo. Para averiguar a simetria de uma distribuição de carga, você pode observar vi- sualmente ou conduzir experimentos usando partículas carregadas. Se esses métodos não revelarem mudanças, a distribuição é simétrica àquela transfor- mação específica (Knight, 2009). Simetria: Refere-se à propriedade de um sistema que permite que ele seja descrito de maneira mais simples sob certas transformações geométricas, como rotação ou translação. 44 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Ao explorar a simetria cilíndrica, identifica-se que a distribuição de carga deve manter a simetria mesmo após operações como translação ao longo do eixo de simetria, rotação em torno do eixo, ou reflexões em relação a qualquer pla- no que contenha o eixo de simetria ou seja perpendicular a ele (Knight, 2009). AS TRÊS SIMETRIAS FUNDAMENTAIS Fonte: Knight (2009, p. 853). #pratodosverem: um objeto plano, saindo flechas de campo perpendiculares ao plano; um objeto cilíndrico; um objeto esférico, saindo flechas de campo radialmente ao eixo; e uma esfera com flechas de campo saindo radialmente ao centro. Esquema de um capacitor, esquema de cilindros coaxiais e de esfera concêntricas. Para calcular o campo elétrico gerado por um fio condutor longo e uniforme- mente carregado, usamos a Lei de Gauss. Visualizamos uma superfície gaus- siana como um cilindro com raio r e comprimento L, circundando o fio, que fica centralizado no seu eixo (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Knight, 2009). Devido à simetria radial, o campo elétrico formado é perpendicular ao fio e a magnitude desse campo não depende do ângulo de rotação ao redor do fio. Além disso, se considerarmos o fio extremamente longo, a aparência do cam- po elétrico permanece constante ao longo do comprimento do fio, demons- trando uma simetria de translação (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Knight, 2009). 45 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO SIMETRIA CILÍNDRICA Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 54). #pratodosverem: um cabo extenso carregado com uma densidade de carga linear l está circundado por uma superfície gaussiana configurada como um cilindro direito com um raio r e uma extensão L. No interior do cilindro, os vetores que demonstram o campo elétrico estão ilustrados. Ao aplicar a lei de Gauss para calcular o fluxo elétrico através da superfície gaussiana, percebemos que a contribuição das extremidades do cilindro é nula, uma vez que o campo elétrico é paralelo a essas superfícies. A equação resultante fornece a magnitude do campo elétrico em função da distância perpendicular r do fio (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Knight, 2009). Comparativamente, o campo elétrico criado por um fio longo decai mais len- tamente com a distância em relação ao campo gerado por uma carga pontu- al, que diminui com o quadrado da distância. FIO CONDUTOR DE SIMETRIA CILÍNDRICA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um cabo condutor de capa preta com três fios dentro. 46 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Vamos analisar o campo elétrico originado por uma folha não condutora pla- na e fina com carga positiva uniforme por unidade de área (σ > 0). Para calcu- lar o campo elétrico a uma distância “r” da superfície, usamos uma superfície gaussiana cilíndrica, com área de seção transversal “A” e comprimento “2r”, que intersecta o plano perpendicularmente. Devido à natureza infinita do plano e à carga positiva, o campo elétrico é per- pendicular às extremidades do cilindro e paralelo à sua parede lateral. Apli- cando a Lei de Gauss, podemos relacionar a carga contida no plano dentro do cilindro gaussiano (σ A) com a intensidade do campo elétrico que gera. Se a carga por unidade de área fosse negativa (), a equação derivada ainda se- ria aplicável, mas a direção do campo elétrico seria invertida, apontando para o plano, em vez de para fora dele (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Knight, 2009). No caso de uma placa condutora com grande extensão, com uma densidade de carga positiva ( ) em cada face, o campo elétrico fora do condutor é perpendicular à superfície, sendo paralelo à parede cilíndrica e perpendicu- lar à tampa externa do cilindro em uma análise gaussiana. A carga contida dentro do cilindro é , permitindo calcular a intensidade do campo elétrico fora da superfície condutora através da Lei de Gauss. Note-se que, dentro do condutor, o campo elétrico é zero, não contribuindo para o fluxo através da superfície gaussiana. CAPACITOR EM PLACA DE CIRCUITO Fonte: Knight (2009, p. 869). #pratodosverem: imagem de uma placa de circuito com capacitores. 47 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Para calcular o campo elétrico gerado por uma carga distribuída de maneira esfericamente simétrica, primeiramente analisamos uma casca esférica fina de raio e carga q. Usando uma superfície gaussiana esférica de raio r2 maior rsque e centrada na esfera carregada, aplicamos a lei de Gauss para determi- nar o módulo do campo elétrico, E. Dependendo do sinal da carga q, o campo elétrico aponta radialmente para dentro ou para fora da distribuição. Para uma superfície gaussiana com raio , o campo elétrico dentro da casca é zero, enquanto fora dela, o campo age como se toda a carga estivesse concentrada no centro da esfera. Casca esférica carregada Casca esférica com raio rs, acompanhada de uma superfície gaussiana de raio r2 > rs e uma segunda de raio r1 > rs. Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 55). #pratodosverem: representação de uma esfera mostrando os pontos r1 , r2 e rs . Análise para pontos externos à esfera Utilização de uma grande superfície gaussiana esférica, concêntrica à esfera, facilitando o cálculo do campo elétrico em pontos exteriores à esfera. Fonte: Serway; Jewett (2014, p. 27). #pratodosverem: uma esfera de raio a e superfície gaussiana de raio r. 48 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Distribuição uniforme de carga esférica Estrutura esférica com carga por unidade de superfície r e raio r, circundada por duas superfícies gaussianas esféricas, uma com raio r1 < r e outra com raio r2 > r . Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 55). #pratodosverem: representação de uma esfera mostrando os pontos r1 , r2 e r . Análise para pontos internos à esfera Emprego de uma superfície gaussiana esférica de tamanho menor que a esfera para analisar o campo elétrico em pontos internos à esfera. Fonte: Serway; Jewett (2014, p. 27). #pratodosverem: uma esfera de raio a e superfície gaussiana de raio r, menor que a. A análise é estendida para uma distribuição de carga uniforme em um vo- lume esférico de densidade de carga uniforme. Utilizando uma superfície gaussiana esférica com raio e considerando a simetria da distribui- ção de carga, determina-se que o campo elétrico gerado é perpendicular à superfície gaussiana. A partir disso, calcula-se o campo elétrico dentroda distribuição de carga e, para uma superfície gaussiana com raio r2>r , calcula-se o campo fora da distribuição. Em que é a carga total. A aplicação da Lei de Gauss em simetrias específicas – cilíndrica, pla- nar e esférica – demonstra ser uma ferramenta crucial para entender de forma mais simples e direta como os campos elétricos funcionam em diferentes configurações. 49 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 2.1.2 RELAÇÃO ENTRE FLUXO ELÉTRICO E CARGA ENCERRADA Imagine duas esferas, uma dentro da outra. A esfera interna tem um raio “a” e a externa tem um raio “b”. Agora, vamos colocar uma carga positiva Q na esfera interna. O que Faraday notou é que, ao fazer isso, uma carga negativa de igual magnitude, ou seja, -Q, aparece na esfera externa (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006). ESFERAS CONDUTORAS METÁLICAS Fonte: Hayt Jr.; Buck (2013, p. 50). #pratodosverem: visão do plano transversal de duas esferas concêntricas, mostrando o raio a da esfera interior e o raio b da esfera exterior. Você pode visualizar isso como se as cargas na esfera interna estivessem “pu- xando” cargas negativas para a esfera externa. Quanto mais carga colocamos na esfera interna, mais carga negativa aparece na esfera externa. Então, há uma relação direta ou uma “proporcionalidade” entre essas duas quantidades. Essa relação direta pode ser descrita usando o “fluxo elétrico”, representado pelo símbolo . Medido em coulombs, o fluxo é igual à carga que colocamos na esfera interna. É assim que formulamos matematicamente a observação de Faraday (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006): 50 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Vamos pensar na superfície da esfera interna. A carga Q está espalhada por toda essa superfície, que tem uma área de (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wen- tworth, 2006). ESFERAS CONDUTORAS METÁLICAS Fonte: Wentworth (2006, p. 166). #pratodosverem: três esferas. Na figura (a), uma esfera envolvida por outra, mostrada através de um plano de corte. Na figura (b), a esfera não tem o plano de corte, está fechada, e ela é aterrada. E a figura (c), mostrando a esfera interna com carga positiva e a externa com cara negativa. Vamos chamar essa densidade de fluxo elétrico de “D”. Escolhemos “D” por- que às vezes referimos a isso como densidade de fluxo de deslocamento ou densidade de deslocamento (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006). WI-FI Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de um roteador wi-fi e um robô aspirador. 51 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO No contexto das comunicações, a densidade de fluxo pode ser representada pelo número de dados (ou sinais) que passam por um canal de comunicação em um período. Então, podemos falar sobre a quantidade de carga por unidade de área: Ou Essa fórmula tem grande semelhança com a equação que descreve a inten- sidade do campo elétrico gerado por uma carga pontual (E) (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006). No espaço livre: FLUXO E SUPERFÍCIE DE FLUXO Fonte: Wentworth (2006, p. 166). #pratodosverem: o fluxo que passa por uma superfície que forma um ângulo com a direção do fluxo (a) é inferior ao fluxo que atravessa uma superfície posicionada perpendicularmente à direção do fluxo (b). 52 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A magnitude do fluxo que passa por uma superfície é calculada multiplican- do-se D pelo valor da área da superfície, que é perpendicular a D. Em que representa o ângulo entre D e a normal à superfície. Se uma carga for completamente encerrada, o fluxo que atravessa a superfí- cie fechada deve ser correspondente à carga encerrada . Um enunciado formal da Lei de Gauss é apresentado a seguir (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentwor- th, 2006): O fluxo elétrico resultante, através de qualquer superfície fechada, é igual à carga total confinada por aquela superfície. Matematicamente, é escrito como: A presença do círculo na integral significa que a integração ocorre sobre uma superfície fechada, e essa equação significa a formulação integral da Lei de Gauss, sendo uma das quatro equações de Maxwell (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wen- tworth, 2006). A Lei de Gauss se mostra eficaz para resolver questões de campos elétricos que possuem uma simetria significativa. A simetria na problemática ajuda a identificar quais variáveis afetam D e quais segmentos de D estão ativos. Logo, optamos por uma superfície fechada, chamada de superfície gaussiana, na qual o vetor diferencial de superfície aponta para fora do volume selado, estando em qualquer ponto ou alinhado com D (aqui, ) ou perpendicular a D (nesse cenário). Na porção da superfície que é perpendicular a D, é necessário que a magnitude de D permaneça constante, facilitando sua exclusão da in- tegral (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006). Essa equação pode ser simplificadamente reformulada como: 53 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 2.2 TEOREMA DA DIVERGÊNCIA A Lei de Gauss ajuda a entender como o fluxo se comporta ao redor de uma determinada área fechada, e um conceito-chave aqui é a “divergência”. A di- vergência diz quanto o campo está se espalhando ou se concentrando em um determinado ponto (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006). Divergência: É uma operação matemática que atua sobre um campo vetorial para fornecer uma medida da “fonte” ou “drenagem” do campo em um determinado ponto. Imagine que estamos observando um pequeno cubo no espaço. Nesse cubo, há um ponto central chamado e queremos entender como o cam- po se comporta nesse ponto. VOLUME SUPERFICIAL Fonte: Wentworth (2006, p. 177). #pratodosverem: um cubo disposto em coordenadas x, y e z. 54 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para descobrir, calculamos o fluxo, que é o “total” do campo que está saindo do cubo, e comparamos com a quantidade de carga dentro do cubo. Faze- mos isso para cada face do cubo e somamos esses valores. Isso dá um valor que representa quão rapidamente o campo está se espalhando (ou não) na- quele ponto, o que chamamos de “divergência” (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wen- tworth, 2006). O teorema da divergência pode ser enunciado e formulado em termos do vetor D (um campo vetorial genérico que, no contexto da sua pergunta, é a densidade de fluxo elétrico) e suas derivadas parciais em relação a cada eixo (x, y, e z). Campo vetorial: Uma quantidade que possui magnitude e direção em cada ponto no espaço. No contexto da Lei de Gauss, geralmente nos referimos ao campo elétrico como um campo vetorial, em que todo ponto no espaço é associado a um vetor que indica a força e a direção do campo elétrico naquele ponto. O teorema da divergência afirma que o fluxo líquido do campo vetorial D atra- vés da fronteira de uma região é igual à divergência de D integrada sobre o volume da região (Hayt Jr.; Buck, 2013; Wentworth, 2006). Aqui, ∇ D é o operador de divergência, que representa a divergência do campo D, e é definido como a soma das derivadas parciais de cada componente do campo D (Dx, Dy, Dz) em relação aos respectivos eixos (x, y, z): é a integral de superfície do campo D sobre uma superfície fechada S. 55 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO é a integral de volume da divergência de D sobre o volume V li- mitado pela superfície S. Esse teorema é uma ferramenta poderosa para analisar campos vetoriais, es- pecialmente em contextos físicos, como o eletromagnetismo. Neste vídeo, o professor de física explica o Teorema de Gauss e a Lei de Gauss. Ele demonstra que o fluxodo campo vetorial é igual ao divergente do vetor multiplicado pelo volume, e aplica esse teorema ao campo elétrico, obtendo a equação de Poisson. 2.2.1 INTERPRETAÇÃO GEOMÉTRICA E FÍSICA Geometricamente, o teorema da divergência relaciona o fluxo de um campo vetorial através de uma superfície fechada com a divergência do campo veto- rial em toda a região delimitada por essa superfície (Hayt Jr.; Buck, 2013). O fluxo através da superfície é uma medida de “quanto” do campo vetorial está passando por ela em um determinado momento. Geometricamente, você pode imaginar isso como a “quantidade de água” que flui através de uma “rede imaginária” que representa a superfície fechada (Hayt Jr.; Buck, 2013). SUPERFÍCIE FECHADA Fonte: Hayt Jr.; Buck (2013, p. 69). #pratodosverem: uma superfície irregular de superfície fechada S e volume V. https://www.youtube.com/watch?v=lyh0CAkGDus 56 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A integral tríplice da divergência do campo vetorial F em toda a região V é representada por . A integral de superfície do produto escalar do campo vetorial F e o vetor nor- mal unitário n sobre a superfície S que envolve V é denotada por E é a divergência do campo vetorial F, que simboliza a “taxa de expansão” em um ponto específico. O teorema da divergência é uma ferramenta que pode ajudar a analisar fe- nômenos físicos como fluxo de fluidos, campos elétricos e magnéticos, entre outros (Hayt Jr.; Buck, 2013). Integral de superfície: Uma técnica matemática que calcula a integração de uma função escalar ou vetorial sobre uma superfície. Na Lei de Gauss, é usada para calcular o fluxo elétrico através de uma superfície fechada. Fluxo de fluidos: o teorema da divergência pode ser usado para descrever como o fluxo de um fluido através de uma superfície fechada está relacionado com a divergência do campo de velocidades no interior da região. A divergên- cia positiva indica que há uma “fonte” naquela região, enquanto a divergência negativa indica um “sumidouro” (Halliday; Resnick; Walker, 2023). Campos elétricos e magnéticos: o teorema da divergência é fundamental nas equações de Maxwell, que descrevem o comportamento dos campos elé- tricos e magnéticos. Por exemplo, ele pode representar a relação entre a car- ga elétrica numa região e o fluxo do campo elétrico através da fronteira dessa região (Halliday; Resnick; Walker, 2023). Conservação de massa e energia: o teorema da divergência também pode ser usado para expressar leis de conservação de massa e energia, relacionan- do a taxa de mudança dessas grandezas dentro de uma região com o fluxo de massa ou energia através da fronteira da região (Rego, 2010). 57 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Em todas essas interpretações físicas, o teorema da divergência fornece uma maneira de conectar propriedades locais de um campo vetorial com proprie- dades globais do campo. 2.2.2 APLICAÇÕES EM ELETROMAGNETISMO E OUTRAS ÁREAS DA FÍSICA Para calcular o campo elétrico, geralmente recorre-se às leis de Gauss ou de Coulomb se a distribuição de cargas é conhecida ou se estabelece uma rela- ção entre o potencial e o campo elétrico, caso o potencial de uma área espe- cífica seja conhecido. No entanto, em muitos casos práticos, nem o potencial elétrico nem a distribuição de cargas são conhecidos (Ferraz et al., 2018). Nesse segmento, focaremos cenários categorizados como problemas de valor de fronteira em eletroestática. Nesses casos, as cargas e potenciais são identi- ficáveis apenas nas fronteiras de áreas específicas, e o objetivo é determinar o campo elétrico ‘E’ e o potencial ‘V’ nesses territórios (Ferraz et al., 2018). Até agora, analisamos campos elétricos originados de cargas em vácuo, uma configuração mais teórica que prática. Na verdade, as cargas, principalmente elétrons, estão contidas em materiais (Rego, 2010). Classificação dos materiais Materiais se dividem em condutores, com elétrons capazes de mover-se livremente, e isolantes, em que os elétrons estão vinculados firmemente aos núcleos, proibindo a transição fluida de corrente elétrica. Potencial elétrico Nos condutores, em estado eletrostático, o campo elétrico interno é nulo, o que leva a um potencial elétrico V constante na superfície, representado como . 58 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Densidade de carga superficial Todas as cargas estão localizadas na superfície, com um campo elétrico relacionado à densidade de carga superficial, dado por E= σ /ϵ0 , em que é a densidade de cargas na superfície e é a permissividade do vácuo. Momento dipolo elétrico No caso dos isolantes, os elétrons estão mais fortemente ligados, uma característica que não só impede a condução de corrente, mas possibilita a geração de campos elétricos devido a momentos de dipolo elétrico. Essa análise preliminar demonstra que os condutores são aptos para armaze- nar cargas em sua superfície, um fenômeno que pode ser calculado por meio de equações como para uma esfera condutora de raio r e carga Q, e que tem amplas aplicações, inclusive na criação de dispositivos como ca- pacitores e para-raios (Rego, 2010). PARA-RAIOS EM CIMA DE PRÉDIOS Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: na imagem, vários prédios e o céu com raios. 59 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Para-raios protegem estruturas contra danos causados por raios, oferecendo um caminho de menor resistência para a descarga elétrica se dirigir diretamente ao solo, sem passar pela estrutura. Confira este vídeo para entender seu funcionamento. https://www.youtube.com/watch?v=n6rgvmXmkhA&t=14s 60 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Nesta unidade, dedicamo-nos a um estudo aprofundado das Leis de Gauss e do Teorema da Divergência, aspectos cruciais na física, especialmente no que tange aos estudos sobre eletromagnetismo. Inicialmente, abordamos a aplicação da Lei de Gauss em contextos de sime- trias específicas. A discussão prosseguiu para contemplar a correlação intrín- seca entre fluxo elétrico e carga encerrada, proporcionando uma análise mais profunda da interação dinâmica que permeia o comportamento das cargas elétricas e dos campos que elas geram. Na sequência, focamos o Teorema da Divergência, uma estrutura teórica que se destaca não apenas no campo do eletromagnetismo, mas também em outras áreas significativas da física. Essa seção iniciou com uma análise da interpretação geométrica e física do teorema, elucidando as relações mate- máticas e simetrias subjacentes a ele. Posteriormente, as aplicações desse teorema em diferentes campos da física foram discutidas, evidenciando sua importância central na compreensão de fenômenos físicos complexos. 61 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir: 1. GOMES, A. H. Lei de Gauss sem superfí- cies gaussianas. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 40, n. 1, 2018. Disponível aqui. 2. KRAPAS, S.; ALVES, F.; DE CARVALHO, L. R. MODELOS MENTAIS E A LEI DE GAUSS. Investigações em Ensino de Ciências, [s. l.], v. 5, n. 1, p. 7-21, 2016. Disponível aqui. 3. LAGE, E. Os fundamentos do eletromag- netismo. Revista de Ciência Elementar, Porto, v. 9, n. 1, 2021. Disponível aqui. 4. OLIVEIRA, S. Uma releitura sobre a abor- dagem da Lei de Coulomb e da Lei de Gauss no Ensino de Física para os cursos de Engenharia. Revista Conexão Ciên- cia, Minas Gerais, v. 11, n. 2, 2016. Disponível aqui. 5. TONIDANDEL, D. A. V.; ARAÚJO, A. E.A. DE; BOAVENTURA, W. DO C. História da Eletricidade e do Magnetismo: da Anti- guidade à Idade Média. Revista Brasi- leira de Ensino de Física, [s. l.], v. 40, n. 4, p. e4602, 2018. Disponível aqui. https://www.scielo.br/j/rbef/a/Q7QMFqzWCVmf5drjdy93fXL/?format=pdf&lang=pt. https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/view/612 https://rce.casadasciencias.org/rceapp/pdf/2021/016/. https://rce.casadasciencias.org/rceapp/pdf/2021/016/ https://www.scielo.br/j/rbef/a/fQ4Ck9MFSK5gHxKnQJy7T3x/?format=pdf&lang=pt UNIDADE 3 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 62 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO > Distinguir e calcular as grandezas de energia e potência em circuitos elétricos simples. > Analisar o comportamento de correntes e resistências em circuitos, bem como a influência e cálculo da capacitância. 63 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 3 ENERGIA, POTÊNCIA E FUNDAMENTOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE A eletricidade é algo bastante presente em nosso cotidiano, e desempenha um papel fundamental no mundo em que vivemos hoje. A iluminação, apa- relhos eletrônicos, motores elétricos e sistemas de comunicação, tudo isso é regido pela eletricidade. Nesta unidade, exploraremos alguns conceitos relacionados à eletricidade que nos ajudarão a entender como ela funciona e quais suas aplicações. Abor- daremos cinco tópicos: energia elétrica potencial, potencial elétrico, corrente elétrica, resistência elétrica e capacitância. Ao longo desta unidade, veremos como a energia elétrica potencial é armaze- nada em cargas elétricas e como ela se transforma em potencial elétrico, uma medida da energia por unidade de carga. Estudaremos o conceito de corren- te elétrica, que é o fluxo de cargas em um circuito, responsável por fazer fun- cionar dispositivos elétricos e eletrônicos. Discutiremos também a resistência elétrica, que representa a oposição ao fluxo da corrente e desempenha um papel crucial na dissipação de energia. Por fim, entraremos no conceito de capacitância, uma propriedade elétrica que permite armazenar carga elétrica e é fundamental em dispositivos como capacitores. Ao compreender esses conceitos, você estará preparado para analisar e projetar circuitos elétricos, bem como para compreender a eletri- cidade em um nível mais profundo, permitindo que você a utilize de forma eficaz e segura em sua vida cotidiana. 64 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1 ENERGIA E POTÊNCIA Quando estudamos energia, aprendemos que um objeto possui energia po- tencial gravitacional devido à sua posição dentro de um campo gravitacional. De maneira semelhante, um objeto eletrizado tem uma energia potencial atribuída à sua posição dentro de um campo elétrico. Assim como é necessá- rio realizar trabalho para erguer um objeto de grande massa contra o campo gravitacional da Terra, é igualmente necessário realizar trabalho para mover uma partícula carregada contra o campo elétrico gerado por um outro corpo eletrizado. Esse trabalho altera a energia potencial elétrica da partícula carre- gada (Hewitt, 2023). SOLDAGEM Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: um homem com equipamento de proteção soldando e saindo faíscas. Em um tipo de soldagem, a carga elétrica se desloca entre o equipamento de solda e as partes de metal a serem soldadas. Isso produz um arco luminoso que funde as peças por causa de sua alta temperatura. O equipamento de sol- da deve ser mantido próximo às peças a serem soldadas porque existe uma grande diferença de potencial entre os dois e quanto menor for a distância entre esses condutores, maior será o campo elétrico entre eles (Young, 2015). 65 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO ELETROCARDIOGRAMA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: mulher com roupa de academia, usando um equipamento de caminhada com eletrodos no corpo, e uma tela mostra o eletrocardiograma. Os eletrodos utilizados em um eletrocardiograma (ECG) capturam variações de potencial, tipicamente não excedendo 1 mV, em distintas áreas da pele do indivíduo. Essas variações indicam as diferenças de potencial nas zonas do coração, oferecendo, assim, um método sensível para identificar possíveis irre- gularidades na atividade elétrica que regula a função cardíaca (Young, 2015). A energia potencial elétrica está associada à posição da carga elétrica em um campo elétrico. Ela descreve o trabalho necessário para mover a carga de um ponto de referência até sua posição atual, sem produzir qualquer aceleração (Young, 2015). 66 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1.1 ENERGIA Em relação a qualquer força conservativa, a variação na energia potencial oriunda de uma reconfiguração espacial de um sistema é igual ao valor nega- tivo do trabalho realizado pela força conservativa durante esse rearranjo. Em um sistema composto por duas ou mais partículas, o trabalho desempenha- do por uma força elétrica, denotado como , ao passar de um estado inicial para um estado final durante uma mudança na configuração do sistema, pode ser expresso em termos da mudança na energia potencial elétrica, re- presentada por ΔU (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014): Em que: ié a energia potencial elétrica inicial. é a energia potencial elétrica final. O trabalho realizado não depende da trajetória efetuada. A escolha de um ponto de referência para a energia potencial é importante, tanto no caso da energia potencial gravitacional quanto na energia poten- cial elétrica. Essa escolha simplifica as equações e os cálculos, tornando-os mais convenientes. No contexto da energia potencial elétrica, a configuração de referência frequentemente escolhida é aquela em que as cargas envolvi- das estão infinitamente distantes umas das outras (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). Quando essa convenção é adotada, a equação para a variação de energia po- tencial elétrica ΔU pode ser reescrita como: 67 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Nessa equação, 0 representa a energia potencial em um ponto infinitamen- te distante das cargas envolvidas, e Uf representa a energia potencial em um ponto específico próximo às cargas. Essa diferença entre as energias potenciais nos permite calcular a variação de energia potencial elétrica ΔU (Bauer, 2012). Essa convenção de energia potencial nula para distâncias infinitas é ampla- mente aceita e muito útil, especialmente quando tratamos de sistemas que envolvem cargas puntiformes. No entanto, em algumas situações físicas es- pecíficas, pode haver uma razão para escolher uma referência para a energia potencial em algum ponto do espaço que não resulte em um valor nulo de energia potencial quando a separação entre as cargas for infinita (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). Essa escolha alternativa pode ocorrer em casos em que as interações elétricas são influenciadas por outros fatores além da simples distância, como a pre- sença de outros campos elétricos ou a configuração espacial das cargas. Em tais situações, é necessário ajustar a convenção de referência para levar em consideração esses fatores adicionais e garantir que os cálculos correspon- dam à realidade física. Vamos analisar uma carga pontual, q, que se desloca sob a influência de um campo elétrico constante. O trabalho gerado por uma força constante é re- presentado é W=F∙d. Nesse caso, como a força constante é exercida por um campo elétrico constante, então: F=q∙E. Dessa forma, o trabalho realizado pelo campo é dado por (Bauer, 2012; Knight,2009; Serway; Jewett, 2014): Em que θ é o ângulo entre a força elétrica e o deslocamento. 68 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TRABALHO REALIZADO POR UM CAMPO ELÉTRICO Fonte: Bauer (2012, p. 71). #pratodosverem: na figura (a), um campo elétrico e uma carga com um ângulo com esse campo e, na figura (b), o deslocamento da carga em sentido oposto ao campo. Quando o deslocamento for paralelo ao campo elétrico θ=0°, o trabalho rea- lizado pelo campo elétrico é W=-q∙E∙d. Como a variação da energia potencial elétrica está relacionada ao trabalho realizado sobre a carga, tem-se ∆U=-We. Se q>0 (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014): Perda de energia Quando a carga positiva se desloca na mesma direção e sentido do campo elétrico, ela experimenta uma perda de energia. Isso acontece porque a força exercida pelo campo elétrico sobre a carga está direcionada no sentido oposto ao do deslocamento. Ganho de energia Se a carga positiva se move em uma direção oposta ao campo elétrico, ela acumula energia potencial. Esse ganho em energia potencial está associado à realização de trabalho contra o campo elétrico. 69 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Neste vídeo, são abordados os conceitos de energia, trabalho e potencial eletrostático, essenciais para o estudo do eletromagnetismo. 3.1.2 POTÊNCIA A energia potencial de uma partícula carregada q em um campo elétrico de- pende tanto do valor da carga quanto do campo elétrico. No entanto, há uma grandeza chamada potencial elétrico, representada por V, que é independen- te da carga da partícula e é definida em termos da energia potencial da se- guinte forma (Bauer, 2012): Ao não depender da carga q, o potencial elétrico é uma grandeza muito útil. O potencial elétrico V caracteriza uma propriedade de um ponto no espaço, mesmo que nenhuma carga q esteja presente naquele ponto. Ao contrário do campo elétrico, que é um vetor, o potencial elétrico é uma grandeza escalar, possuindo um único valor em cada ponto do espaço, mas não uma direção. O potencial elétrico em um determinado ponto representa a energia potencial que seria associada a uma unidade de carga nesse ponto. Isso explica por que a unidade de medida do potencial é joules por coulomb, também conhecida como volts (Young, 2015). https://www.youtube.com/watch?v=fHaE8AKlrH8 70 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A diferença de potencial elétrico, denotada por ΔV, entre dois pontos, inicial Vi e final Vf, pode ser expressa em termos da energia potencial elétrica nos pon- tos (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014): Combinando as equações, obtemos uma relação entre a variação de poten- cial elétrico e o trabalho realizado por um campo elétrico sobre uma carga: Assumindo que a energia potencial elétrica seja nula a uma distância infinita da carga, podemos expressar o potencial elétrico em um ponto como: Em que We,∞ é o trabalho realizado pelo campo elétrico sobre a carga para trazê-la desde o infinito até aquele ponto. O potencial elétrico pode ter valores positivos, negativos ou nulos, mas não possui uma orientação (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). Unidade do Sistema Internacional (SI) Para o potencial elétrico, usa-se o joule por coulomb (J/C), conhecido como volt (V) em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta (1745- 1827) (Bauer, 2012). Intensidade do campo elétrico Expressa em volts por metro (V/m), sendo a convenção padrão, em vez de newtons por coulomb (N/C). Diferença de potencial elétrico Comumente referida como “voltagem”, especialmente em análise de circuitos, devido ao uso da unidade V (volt). 71 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO PILHAS Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: duas pilhas verdes, mostrando seus terminais positivos e negativos. A voltagem dessa pilha é igual à diferença de potencial Vab=Va-Vb entre o ter- minal positivo e o terminal negativo (Young, 2015). Dado que partículas carregadas aceleradas por uma diferença de potencial são frequentemente empregadas em medições de grandezas físicas, uma unidade amplamente utilizada para mensurar a energia cinética de uma par- tícula carregada, seja ela um próton ou um elétron, é o elétron-volt eV: 1 eV equivale à energia ganha por um próton (com carga q = 1,602 × 10-19 C) ao ser acelerado por uma diferença de potencial de 1 V. A conversão de elétron-volts para joules é realizada conforme a equivalência 1 eV = 1,602 × 10-19 J (Bauer, 2012; Young, 2015). Neste vídeo, o professor aborda a diferença de potencial entre dois pontos em circuitos elétricos, destacando a influência da resistência interna em fontes de energia. https://www.youtube.com/watch?v=u1hM5dAxdWs 72 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.2 CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA Em um dispositivo como uma lanterna, o fluxo de corrente que emerge da lâmpada é análogo ao fluxo que adentra nela. Ou seja, a quantidade de cor- rente que entra é idêntica à que sai. A corrente não é “usada” ou consumida enquanto flui pela lâmpada (Young, 2015). LANTERNA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: uma lanterna ao lado de outras ferramentas. Corrente elétrica é o fluxo ordenado de cargas elétricas em um condutor ou circuito elétrico, geralmente em resposta a uma diferença de potencial aplicada (Young, 2015). 73 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Vamos começar analisando um experimento básico ilustrado na figura abai- xo, em que a disposição da bateria (c) é revertida em comparação com o que é demonstrado em (b). No entanto, a luminosidade da lâmpada incandescente se mantém inalterada, mesmo com a inversão da polaridade ou do sinal da diferença de potencial da bateria, o polo positivo se encontra no lado da cor cobre da bateria (Bauer, 2012). EXPERIMENTO COM BATERIAS E LÂMPADAS Fonte: Bauer (2012, p. 130). #pratodosverem: seis casos de circuitos com bateria e lâmpada: (a) circuito aberto e luz apagada; (b) circuito fechado e luz acessa; (c) circuito fechado com a bateria em sentido oposto à mostrada em b; (d) circuito com duas lâmpadas em série, ligadas fracamente; (e) circuito com duas baterias e a luz com intensidade mais forte; (f) circuito com lâmpadas em paralelo e com a intensidade normal. Observando a imagem (d), o circuito conta agora com duas lâmpadas incan- descentes conectadas em sequência, ligadas em série. Em relação ao brilho, cada lâmpada parece menos luminosa em comparação com a lâmpada indi- vidual de (c), indicando uma corrente menor que antes. Na figura (e), duas baterias estão arranjadas em série, fornecendo, assim, o do- bro da diferença de potencial ao circuito, resultando em uma lâmpada com uma intensidade maior no brilho. E, por último, na figura (f), observamos que, ao se utilizar fios distintos para conectar as duas lâmpadas a uma única bateria, cada uma delas brilha com uma intensidade luminosa semelhante à observada na (b) e (c). Esse tipo de configuração é conhecido como ligação em paralelo (Bauer, 2012). 74 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 DESLOCAMENTO DE CORRENTE ELÉTRICA Fonte: Young (2015, p. 147). #pratodosverem: (a) corrente convencional mostrando o fluxo de cargas positivas no sentido do campo elétrico; (b) cargas negativas se deslocando no sentido contrário do campo elétrico. Podemos imaginar dois materiais conduzindo eletricidade. No primeiro, as cargas em movimento são positivas, movendo-se no mesmo sentido do cam- po elétrico. No segundo,as cargas são negativas, deslocando-se em sentido oposto ao campo. No entanto, em ambos os cenários, o fluxo resultante é de cargas positivas se movendo numa mesma direção. Por convenção, a corren- te é representada pelo fluxo de cargas positivas, mesmo quando, na realida- de, os elétrons estão se movendo. Essa é a chamada “corrente convencional”. Mesmo que essa representação convencional não reflita a direção real das cargas, é adequada para análises de circuitos elétricos (Young, 2015). 75 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Este vídeo aborda o funcionamento dos resistores e capacitores, componentes essenciais na eletrônica, explorando como a resistividade dos materiais afeta a passagem de corrente elétrica e como os capacitores armazenam energia por meio de dielétricos. 3.2.1 CORRENTE A corrente elétrica i é descrita como a quantidade de carga líquida que atra- vessa um determinado ponto em um específico intervalo de tempo, sendo então dividida por esse intervalo. É importante notar que o deslocamento de- sordenado de elétrons em um condutor não é classificado como corrente elé- trica, mesmo que grandes volumes de carga transitem por um ponto especí- fico, dado que não há uma direção líquida para o fluxo da carga nesse cenário. Para uma corrente que permanece constante, a carga que é transportada pelo fluxo de corrente I ao longo de um período é: É importante destacar que a carga total é preservada, indicando que não ocorrem perdas da carga que se desloca através de um condutor. Isso signi- fica que a carga que entra em um condutor por uma extremidade é igual à que sai pela outra extremidade. Sobre a corrente elétrica (Bauer, 2012; Young, 2015): Unidade SI de corrente É o coulomb por segundo, conhecida como ampère (A). https://www.youtube.com/watch?v=e_hU6sAON2U 76 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1 ampère É igual a 1 A, que também representa 1 coulomb por segundo (1 C/s). Essa unidade foi nomeada em homenagem a André Marie Ampère (1775-1836), físico francês que deu contribuições aos estudos de eletricidade e magnetismo no começo do século XIX. “Amp” É às vezes usado como uma abreviação informal para ampère. Limite inferior de medição de correntes Está na casa dos 10 pA, geralmente associado à microscopia de tunelamento que detecta a movimentação individual de elétrons. EXEMPLOS DE CORRENTES ELÉTRICAS Fonte: Bauer (2012, p. 131). #pratodosverem: em ordem do menor para o maior, imagem de microscópio de varredura por tunelamento, neurônio, relógio de pulso, marca-passo, aparelho MP3, LED, lâmpada incandescente de 100 W, fusível de 10 A, raio, aurora boreal ou austral, cinturão de corrente heliosférica. A corrente elétrica pode ser descrita em função da velocidade com que as cargas se movem. Na imagem abaixo, observamos um condutor com seção transversal de área A e um campo elétrico direcionado da esquerda para a di- reita. Se imaginarmos que as cargas presentes no condutor são positivas, sua velocidade seguirá a direção do campo elétrico (Young, 2015). 77 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO CORRENTE Fonte: Young (2015, p. 147). #pratodosverem: corrente I fluindo através da área com seção reta A em um intervalo de tempo. Considere que há n partículas carregadas movendo-se por unidade de volu- me. Esse número, n, é chamado de concentração de partículas, e sua unidade no SI é m-3. Suponhamos que todas essas partículas se movam com a mesma velocidade, denotada por va. Em um certo intervalo de tempo, dt, cada partí- cula percorre uma distância va dt. A carga dQ que se move para fora da extre- midade direita do cilindro durante o tempo dt é expressa por (Young, 2015): Assim, a corrente I é: Definimos a densidade de corrente J como: 78 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A densidade de corrente refere-se à quantidade de corrente elétrica que flui por unidade de área em uma seção reta de um material condutor (Young, 2015). Independentemente da natureza das cargas (positivas ou negativas), a dire- ção da corrente se mantém. Por isso, podemos representar a carga q em ter- mos de seu valor absoluto, |q|, nas equações acima (Young, 2015). A corrente em um condutor é dada pelo produto da concentração de cargas em movimento, a carga individual, a velocidade e a área da seção transversal. Vale ressaltar que a densidade de corrente é um vetor, mas a corrente I é es- calar. A densidade de corrente descreve como as cargas se movem em um ponto específico, enquanto a corrente I refere-se ao fluxo de cargas através de uma extensão, como um fio (Young, 2015). Em alguns materiais, diferentes tipos de cargas podem se mover com dife- rentes velocidades. Em soluções, por exemplo, a corrente pode ser carregada por diversos tipos de íons. Para calcular a corrente total ou a densidade de corrente, consideramos a contribuição de cada tipo de carga. Para uma corrente ser constante, o condutor precisa formar um circuito fe- chado. Em tal caso, a quantidade de carga em um segmento do condutor se mantém constante ao longo do tempo. A corrente é, então, a mesma em qualquer seção do circuito. Existem dois tipos principais de corrente: contínua, onde a direção não muda, e alternada, onde a direção muda constantemente. Nesse texto, focamos ape- nas a corrente contínua. 3.2.2 RESISTÊNCIA ELÉTRICA O filamento de uma lâmpada é um fio muito fino de tungstênio, um dos pou- cos materiais que não derretem mesmo sob altas temperaturas. Para que a lâmpada funcione corretamente, o filamento precisa oferecer alta resistência, no entanto, o tungstênio possui uma resistividade intrinsecamente baixa. Por isso, o fio é meticulosamente enrolado em espirais, permitindo que um gran- de comprimento de fio se acomode em um espaço compacto (Knight, 2009). 79 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO FILAMENTO DE UMA LÂMPADA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: uma lâmpada com filamento de tungstênio acesa. A capacidade dos materiais de conduzir eletricidade varia significativamente. Enquanto um bom condutor gera uma corrente substancial sob uma cer- ta diferença de potencial, um isolante produzirá uma corrente ínfima sob as mesmas condições. A resistividade, representada por ρ, indica quão resistente um material é à passagem da corrente elétrica. Por sua vez, a resistência R expressa diretamente a oposição ao fluxo dessa corrente (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). Se aplicarmos uma diferença de potencial ΔV a um condutor, e medirmos a corrente resultante , a resistência do condutor é dada por: No SI, a unidade de resistência é o volt por ampère, também chamado de ohm , nomeado em homenagem ao físico Georg Simon Ohm. A Lei de Ohm afirma que, para uma dada diferença de potencial ΔV, a corren- te é inversamente proporcional à resistência R: 𝑖𝑖 = Δ𝑉𝑉 𝑅𝑅 80 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Certos dispositivos são descritos por sua condutância G, que é o inverso da resistência. A unidade SI para condutância é o siemens (S). Em alguns condutores, a resistividade varia dependendo da direção da cor- rente. Contudo, nesse contexto, consideraremos a resistividade constante em todas as direções (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). A resistência de um dispositivo depende de seu material e geometria. A re- sistividade está relacionada ao campo elétrico aplicado , e à densidade de corrente resultante J: A unidade do SI para a resistividade é Ωm Alguns dispositivos, como elementos de aquecimento em torradeiras, são fei- tosde níquel cromo, cuja resistividade é cerca de 50 vezes maior que a do cobre, tornando-o ideal para aplicações com aquecimento (Bauer, 2012). TORRADEIRA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de uma torradeira e de uma pessoa pegando a torrada de dentro. 81 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Em vez de resistividade, certos materiais são descritos por sua condutividade, σ , que é o inverso da resistividade. A unidade SI para condutividade é é Ωm-1. Para um condutor homogêneo com comprimento L e área de seção transver- sal constante A, a relação entre a intensidade do campo elétrico E e a diferen- ça de potencial ΔV é dada por: Em oposição à eletrostática, em que um condutor apresenta uma superfície equipotencial sem corrente fluindo através dele, quando há uma diferença de potencial, uma corrente é induzida. A magnitude da densidade de cor- rente é a corrente dividida pela área da seção transversal (Bauer, 2012; Knight, 2009; Serway; Jewett, 2014). Fazendo as relações: Rearranjando, chegamos a uma expressão para a resistência de um condutor: 3.2.3 CAPACITÂNCIA Antes de disparar o flash, a energia é acumulada em um capacitor dentro da câmera. Um capacitor é um dispositivo que pode armazenar energia na forma de um campo elétrico entre dois condutores. Em câmeras, esses con- dutores geralmente são placas ou filmes metálicos e o espaço entre eles é preenchido com um material isolante ou dielétrico (Young, 2015). 82 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FLASH DE CÂMERA FOTOGRÁFICA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: uma mulher segurando uma máquina fotográfica com flash aceso. A capacitância é uma propriedade intrínseca que indica o quanto um capa- citor pode armazenar energia em forma de carga elétrica. Ela é determinada pela forma, dimensão dos condutores e pelo material isolante posicionado entre eles. Introduzir um dielétrico, ou material isolante, entre os conduto- res de um capacitor, pode aumentar sua capacitância devido ao fenômeno da polarização que ocorre dentro desse material (Bauer, 2012; Serway; Jewett, 2014; Young, 2015). Um capacitor é composto por dois condutores separados por um material isolante ou vácuo. Quando carregado, um dos condutores acumula carga po- sitiva e o outro, carga negativa, resultando numa diferença de potencial entre eles. Mesmo que cada condutor tenha uma carga oposta, a carga líquida total do capacitor é zero. Ao mencionarmos que um capacitor tem uma carga Q, estamos nos referin- do ao fato de que um condutor tem carga +Q e o outro, -Q. Em diagramas, um capacitor pode ser representado por diferentes símbolos, em que as linhas verticais simbolizam os condutores; e as horizontais, os fios conectados. 83 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO CAPACITOR E CAMPO ELÉTRICO Fonte: Young (2015, p. 113). #pratodosverem: (a) disposição placas paralelas do capacitor, a placa de cima com Q+, área A e a uma distância d da placa de baixo, Q-. (b) vista lateral do campo elétrico E, as linhas de campo de dentro do capacitor vão do positivo para o negativo, e as linhas de campo de fora também, mas vão por fora. Um método comum para carregar um capacitor é ligar seus dois fios a uma bateria. A carga é induzida nos condutores e, depois, os fios são desconecta- dos, mantendo uma diferença de potencial, equivalente à voltagem da bate- ria entre os condutores. A relação entre a carga e a diferença de potencial de um capacitor é constan- te. Essa relação é definida como capacitância C, dada pela fórmula: 84 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Aqui, Q é o módulo da carga em cada condutor e Vab é a diferença de poten- cial entre eles. A unidade de capacitância no SI é o farad (F), em homenagem ao físico Michael Faraday. 1 F é equivalente a 1 Coulomb por Volt (C/V). A capacitância indica quanto um capacitor consegue armazenar energia. Essa capacidade é influenciada apenas pela geometria dos condutores e pelo material isolante entre eles. É crucial não confundir a abreviação C, para capa- citância, com C, para Coulombs. Capacitância é a propriedade de um componente ou sistema de armazenar energia na forma de um campo elétrico entre dois condutores, geralmente chamados de placas, que estão separados por um isolante ou pelo vácuo (Young, 2015). 85 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO CONCLUSÃO Ao final desta unidade, adquirimos um conhecimento fundamental que nos permite apreciar a amplitude e a relevância da eletricidade em nossas vidas. Ao longo deste estudo, exploramos conceitos fundamentais relacionados à eletricidade. Compreendemos que a energia elétrica potencial se aloja nas cargas, sendo descrita pelo potencial elétrico, que representa a energia por unidade de carga. Analisamos a corrente elétrica, o fluxo de cargas em circui- tos, mensurada em ampères (A), como o mecanismo que anima dispositivos elétricos. Também discutimos a resistência elétrica, cujo valor em ohms (Ω) ilustra o grau de oposição ao fluxo da corrente, influenciada pelas características dos materiais e seu design. Estudamos a potência elétrica, que determina a taxa de transferência de energia em watts (W). Além disso, nos aprofundamos na capacidade dos capacitores de armazenar energia através da capacitância, cuja magnitude em farads (F) é moldada por vários fatores, culminando na equação representativa . Esse conjunto de co- nhecimentos fornece uma base sólida para a compreensão dos fenômenos elétricos e suas aplicações práticas. Em suma, esta unidade didática nos proporcionou o conhecimento neces- sário para compreender, projetar e aplicar princípios elétricos em uma varie- dade de contextos. A eletricidade desempenha um papel insubstituível em nosso mundo moderno, e nossa compreensão aprofundada desses conceitos nos capacita a utilizá-la com eficácia e segurança, ao mesmo tempo em que nos permite explorar ainda mais os conceitos e a aplicação da eletricidade em nosso cotidiano e em nossas atividades profissionais. 86 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir: 1. CARVALHO, R. E. de; SILVA, A. P. M. A. da. Capacitor Cilíndrico Excêntrico. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 24, n. 3, p. 290-295, 2002. Disponível aqui. 2. FONSECA, A.; PENELLO, G. M. Análise de um circuito de corrente constante atra- vés dos conceitos da eletrostática. Revis- ta Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 44, p. e20210383, 2022. Disponível aqui. 3. LARA, V.; AMARAL, D. F.; DECHOUM, K. O problema dos dois capacitores revi- sitado. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 35, n. 2, abr. 2013. Disponível aqui . 4. MACEDO, D. X.; GUEDES, I. Potencial elé- trico para distribuições de cargas punti- formes: sobre a convergência de séries infinitas. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 32, n. 3, p. 1-5, jul. 2010. Disponível aqui. 5. SOUZA FILHO, M. P. et al. Demonstração didática da interação entre correntes elétricas. Revista Brasileira de Ensi- no de Física, [s. l.], v. 29, n. 4, p. 605-612, 2007. Disponível aqui. https://www.scielo.br/j/rbef/a/DBF9HFYkxvDYyKnHYjCm8ct/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/zsYBTdKTCNFhvjBDtwJ5ySH/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/Yw6BPz9fxHNvp6m59fx4m5n/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/csYHJhmDvprnN8zkGwCJysg/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/Bg8fBvHpSvpFhvzNcfXmLfS/?format=pdf&lang=pt UNIDADE 4 OBJETIVO Ao final desta unidade,esperamos que possa: 87 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO > Compreender as origens, propriedades e representações do campo magnético, permitindo identificar, analisar e visualizar padrões de fluxo magnético em variados contextos e situações. > Discernir e calcular as interações magnéticas que atuam sobre cargas em movimento e condutores com corrente, equipando- se com as ferramentas necessárias para prever e avaliar as consequências dessas forças em sistemas práticos e teóricos 88 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 4 FUNDAMENTOS DO MAGNETISMO E CAMPO MAGNÉTICO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nosso estudo começa pelo campo magnético, um conceito fundamental em física que desempenha um papel em inúmeros fenômenos e aplicações tec- nológicas. O campo magnético, originado pelo movimento das cargas elétri- cas, exerce forças consideráveis sobre materiais magnéticos, correntes elétri- cas e partículas carregadas, determinando seu comportamento e trajetória. Visualizar e analisar o comportamento dos campos magnéticos se torna mais tangível com o uso das linhas de campo magnético. Essas linhas imaginárias, que nos auxiliam a entender a estrutura e a orientação dos campos magné- ticos, são de suma importância para a compreensão do efeito de tais campos sobre diferentes materiais e correntes. Nesse contexto, temos a força magné- tica na interação entre campos magnéticos e partículas carregadas em mo- vimento. Estudaremos também acerca dos materiais magnéticos em classes como ferromagnéticos, paramagnéticos e diamagnéticos, que fornecem uma pers- pectiva aprofundada sobre as diferentes respostas desses materiais a campos magnéticos. Esses materiais e sua interação com campos magnéticos são a base para avanços tecnológicos como armazenamento de dados e sensores magnéticos. 4.1 CAMPO MAGNÉTICO O magnetismo, semelhante à eletricidade, não é um fenômeno novo. Sua presença é reconhecida desde os tempos antigos. Na China, as bússolas mag- néticas eram utilizadas por navegadores por volta do ano 1000, embora o Oci- dente só tenha se familiarizado com elas em torno de 1200. No século XVII, William Gilbert propôs a teoria de que a Terra é um ímã gigante, explicando, assim, o funcionamento das bússolas – a força magnética que direciona as agulhas das bússolas é a mesma que forma as auroras (Knight, 2009). 89 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Campo magnético: é a área ao redor de um polo magnético ou de uma partícula carregada em movimento, onde as forças magnéticas são observadas e mensuradas (Hewitt, 2023). Ímãs estão fortemente envolvidos no funcionamento de motores elétricos, na exibição de imagens em nossas TVs, no armazenamento de dados em com- putadores, entre outros. Eles desempenham um papel crucial na obtenção de imagens detalhadas do interior de nossos corpos por meio da Imagem por Ressonância Magnética (IRM), são essenciais em experimentos de física de alta energia para detectar partículas subatômicas e facilitam a levitação magnética de trens (Knight, 2009; Young, 2015). DISCO RÍGIDO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem um disco rígido. Mostra a cabeça de leitura/gravação e o disco giratório. 90 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A informação digital, representada por 0s e 1s, é armazenada em um disco rígido por trilhas compostas por segmentos que são magnetizados a favor ou contra o sentido de rotação do disco (Knight, 2009). O físico e químico dinamarquês Hans Christian Oersted ficou famoso por sua observação de que a agulha de uma bússola desviava sua direção quando pró- xima a um fio conduzindo corrente elétrica. Esse fenômeno marcou a primeira evidência concreta da relação entre eletricidade e magnetismo. Oersted tam- bém foi pioneiro na preparação do alumínio puro (Serway; Jewett, 2014). Assim, descobrimos que o espaço em torno de uma carga em movimento não possui apenas campo elétrico, mas também um campo magnético. O campo magnético não é exclusivo de cargas em movimento; ele também se manifesta ao redor de materiais magnéticos. Identificamos que o campo magnético , como o campo elétrico, é um campo vetorial, necessitando de uma descrição de seu módulo, direção e sentido para uma representação completa (Serway; Jewett, 2014). AGULHAS DE BÚSSOLAS E CORRENTE EM UM FIO Fonte: Knight (2009, p. 1001). #pratodosverem: figura (a) mostra uma bússola com um polo Norte e um polo Sul, sem corrente. Figura (b) mostra uma bússola com um polo Norte e um polo Sul, com uma corrente passando por ela. Figura (c) mostra uma bússola com um polo Norte e um polo Sul, com uma corrente passando por ela e um dedo apontando para o polo Norte. 91 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 O sentido do campo magnético é determinado pela direção para a qual o polo norte de uma bússola aponta. O campo magnético de um ímã de barra, por exemplo, pode ser mapeado com o auxílio de uma bússola, delineando linhas de campo magnético que se assemelham em conceito às linhas de campo elétrico. Para calcular campo magnético, empregamos um modelo similar ao que foi utilizado para descrever a gravidade e a eletricidade. Medindo a força mag- nética exercida sobre uma partícula de prova em um ponto específico, deter- minamos a presença e a magnitude de um campo magnético. Essa partícula de prova é uma partícula carregada, como um próton (Serway; Jewett, 2014). RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: médico de branco operando uma máquina de ressonância magnética com uma paciente deitada. Aplicações como a Imagem por Ressonância Magnética (IRM) necessitam de campos magnéticos intensos para otimizar a relação sinal- ruído. Ímãs supercondutores, feitos de bobinas supercondutoras, são usados para atingir essa intensidade elevada, pois podem produzir campos mais fortes do que ímãs comuns (Bauer; Westfall; Dias, 2012). 92 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Os resultados desse experimento se assemelham, em parte, aos observados para forças elétricas: a força magnética é proporcional à carga da partícula e oposta às cargas de sinais contrários em movimento na mesma direção. No entanto, observamos também distinções significativas. A força magnética é proporcional à velocidade da partícula e ao seno do ângulo formado com o campo magnético. A força é nula quando a partícula se move paralelamente ao campo, e atua perpendicularmente ao plano formado pela velocidade e pelo campo magnético quando a partícula se move em uma direção não pa- ralela ao campo (Serway; Jewett, 2014). A seguir, algumas diferenças entre magnetismo e eletricidade (Knight, 2009): Magnetismo e eletricidade São distintos, embora polos magnéticos e cargas elétricas exibam comportamentos semelhantes. Magnetismo Opera a distância, exemplificado pelo levantamento de clipes de papel por um ímã. Força magnética Pode ser sentida, por exemplo, ao aproximar um ímã de uma geladeira. Ímãs Têm dois polos, denominados norte e sul, mas esses termos não explicam a natureza do magnetismo. Polos Os semelhantes se repelem e os opostos se atraem de maneira análoga às cargas elétricas, mas não são idênticos a elas. 93 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Materiais magnéticos São aqueles atraídos por ímãs, como ferro, níquel e cobalto. 4.1.1 ORIGEM E PROPRIEDADES DO CAMPO MAGNÉTICO Anteriormente, mostramos o campo magnético originado por um fio com base em uma representação qualitativa.Agora, veremos uma descrição quantitativa do fenômeno. Sabemos que um fio que possui corrente, que são cargas em movimento, gera um campo magnético. Mas uma única carga em movimento se comportaria da mesma forma? A descoberta de Oersted fez os cientistas suspeitarem que sim, mas a confirmação definitiva só chegou em 1875. Foi então demonstrado que um disco giratório carregado emana efei- tos magnéticos equivalentes a um fio circular conduzindo corrente (Knight, 2009). CAMPO MAGNÉTICO CRIADO POR CARGA PUNTIFORME Fonte: Knight (2009, p. 1003). #pratodosverem: na imagem, um diagrama de uma carga pontual em movimento em um campo magnético. Um plano cinza com um vetor azul representa a velocidade da partícula. A carga pontual é representada por um pequeno círculo com um sinal de “+” nele. O campo magnético é representado por uma seta azul rotulada como “B”. 94 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Temos, assim, a afirmação de que cargas em movimento são, de fato, fontes de campos magnéticos. Consideremos uma partícula carregada q movendo- -se com uma velocidade v. O campo magnético que ela induz é calculado pela lei de Biot-Savart, que leva em consideração a distância r da carga e o ângulo entre a velocidade e r. Indução eletromagnética: esse fenômeno refere- se à geração de uma tensão em um condutor causada pelas mudanças no campo magnético ao seu redor. Quando as condições do campo magnético contido em um circuito fechado se transformam por qualquer motivo, origina-se uma tensão induzida ao longo do circuito (Hewitt, 2023). Essa equação é análoga à lei de Coulomb, com a diferença de que o campo magnético também é dependente do ângulo θ entre a velocidade da carga e a linha que vai até o campo onde o ponto é medido (r) (Knight, 2009). LEI DE BIOT-SAVART Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 218). #pratodosverem: a figura (a) mostra uma haste fina numa superfície plana com três setas apontando em diferentes direções. As setas estão rotuladas como , e . Há um ângulo entre e . A figura (b) mostra uma mão formando um ângulo de entre os dedos polegar o indicador e o dedo do meio. No polegar tem uma seta , no indicador uma seta e o dedo do meio tem uma seta . 95 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A figura (a) é uma ilustração tridimensional da lei de Biot-Savart. O campo magnético infinitesimal é perpendicular tanto ao elemento infinitesimal de corrente quanto ao vetor posição. A figura (b) é a 1ª regra da mão direita apli- cada às grandezas envolvidas na lei de Biot-Savart (Bauer; Westfall; Dias, 2012). A carga elétrica sempre produz um campo elétrico ao seu redor, independen- temente se possui movimento ou não. Quando essa carga está em movimen- to, ela gera também um campo magnético ao seu redor. Esses dois campos se somam para formar o chamado campo eletromagnético (Knight, 2009). Na medida do SI, a intensidade do campo magnético é expressa em teslas (T), uma unidade derivada da força magnética que atua sobre um fio condutor de corrente. Um tesla representa um campo magnético muito intenso, e os valores típicos encontrados na natureza e em aplicações práticas são frequentemente fra- ções de um tesla. Eletroímã: um tipo de ímã cuja origem das propriedades magnéticas está na passagem de uma corrente elétrica através dele (Hewitt, 2023). 96 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO ÍMÃ Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 217). #pratodosverem: Imagem de grande ímã preso a um guindaste levantando sucata. O ímã é circular e tem uma corrente presa a ele. O fundo é um céu azul claro. Ímãs de grande porte são muito utilizados para o manuseio de objetos metálicos volumosos. Contudo, eles não são ímãs permanentes, mas sim eletroímãs, caracterizados pela capacidade de serem ativados e desativados conforme a necessidade (Bauer; Westfall; Dias, 2012). A constante μ0, ou constante de permeabilidade, ocupa um lugar central no estudo do magnetismo, análogo ao papel da constante de permissividade no contexto elétrico. 97 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A orientação do campo magnético, segundo a regra da mão direita, é tal que é perpendicular ao plano formado por v e r, com seus vetores tangentes aos círculos circundando a trajetória da carga. CAMPO MAGNÉTICO GERADO POR UMA CARGA POSITIVA EM MOVIMENTO Fonte: Knight (2009, p. 1003). #pratodosverem: a figura mais acima, mostra uma carga q em uma trajetória apontada por uma flecha denominada “v” de velocidade e, ao redor da carga, tem o campo magnético B circular. Na figura de baixo, a carga está entrando na página e o campo magnético B circunda essa carga mostrando linhas tangentes. Uma particularidade notável é a nulidade do campo magnético ao longo da trajetória da carga, uma consequência direta do componente senoidal na equação de Biot-Savart, pois θ=0° ou 180°. 4.1.2 LINHAS DE CAMPO E REPRESENTAÇÃO GRÁFICA O campo magnético é gerado por um fio longo e reto que conduz uma cor- rente elétrica i. O campo magnético infinitesimal, dB, em um ponto P, loca- lizado a uma distância r⊥ e perpendicular ao fio é calculado pela lei de Biot- -Savart. A orientação do campo magnético é obtida pela aplicação da 1ª regra da mão direita (Bauer; Westfall; Dias, 2012). direita (Bauer; Westfall; Dias, 2012). 98 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Linhas de campo magnético: são representações que permitem visualizar a configuração do campo magnético. Quando uma bússola é colocada sobre elas, sua agulha se alinhará de forma a ficar paralela à direção das linhas, revelando a orientação do campo (Hewitt, 2023). CAMPO MAGNÉTICO PRODUZIDO POR UM FIO RETO Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 218). #pratodosverem: na figura, tem uma linha horizontal com uma linha vertical à esquerda e uma linha diagonal à direita, formando um triângulo reto. A linha horizontal é , a linha vertical é e a linha diagonal é e tem uma seta apontando para a direita. Na direção de , tem uma flecha azul e uma flecha verde i. Para calcular o campo total gerado pelo fio, consideramos a contribuição do campo da metade direita do fio e duplicamos o valor. Assim, a intensidade do campo magnético a uma distância r⊥ do fio é calculada (Bauer; Westfall; Dias, 2012) por: 99 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A aplicação da regra da mão direita oferece a orientação do campo magnéti- co. Segurando o fio com a mão direita, de forma que o polegar esteja alinhado com a direção da corrente, os dedos curvados indicarão a direção do campo magnético. 3ª REGRA DA MÃO DIREITA Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 219). #pratodosverem: uma mão fechada com o polegar para cima, o polegar aponta o sentido da corrente e os dedos a orientação do campo, anti-horário. Visualmente, se observarmos ao longo de um fio condutor de corrente, as linhas de campo magnético aparecerão como círculos concêntricos ao redor do fio. A intensidade do campo é mais forte próximo ao fio e diminui à medida que a distância aumenta, com a intensidade do campo sendo inversamente proporcional a r⊥ (Bauer; Westfall; Dias, 2012). LINHAS DE CAMPO MAGNÉTICO AO REDOR DE UM FIO RETO E LONGO Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 219). #pratodosverem: círculos concêntricos com setas no sentido horário. 100 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Existe uma interação magnética entre dois fios paralelos conduzindo corren- te. Eles influenciam-se mutuamente devido ao campo magnéticogerado por um fio que exerce força sobre as cargas em movimento no outro. A in- tensidade e a orientação desse campo são dadas pela equação do campo magnético em um fio e pela terceira regra da mão direita, respectivamente (Bauer; Westfall; Dias, 2012). CAMPO MAGNÉTICO NO FIO Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 219). #pratodosverem: (a) campo magnético produzido por um fio condutor de uma corrente. (b) Campo magnético produzido pela corrente de um fio exercendo uma força magnética sobre um outro fio condutor de uma corrente. (c) Campo magnético produzido pela corrente do segundo fio exercendo uma força magnética sobre o primeiro fio condutor de corrente. Imagine o fio 1 conduzindo uma corrente i1 para a direita. O campo magnético gerado por ele a uma distância d pode ser calculado pela equação abaixo, e sua direção é determinada pela terceira regra da mão direita. Um fio 2, paralelo ao fio 1, também conduz corrente no mesmo sentido. O campo magnético do fio 1 influencia o fio 2. 4.2 FORÇA MAGNÉTICA Como discutimos campo magnético, seu cálculo e orientação, agora focare- mos como a intensidade desse campo é quantificada medindo seu impacto em uma carga móvel pontual. 101 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Força magnética: a força magnética manifesta- se de forma notável entre ímãs, caracterizando- se pela atração recíproca entre polos opostos e repulsão entre polos similares. Quando se trata da interação entre um campo magnético e uma partícula carregada em movimento, a força magnética atua como uma força de desvio. Essa força é perpendicular tanto à direção do movimento da partícula quanto às linhas do campo magnético (Hewitt, 2023). AURORA BOREAL Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra uma aurora boreal de cor verde e rosa, refletindo no lago. 102 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Alterações no campo magnético da Terra ocasionalmente facilitam a entrada de íons na atmosfera. Quando isso ocorre, esses íons iluminam a atmosfera de maneira semelhante a uma lâmpada fluorescente, criando o espetáculo luminoso conhecido como aurora boreal no hemisfério norte e aurora austral no hemisfério sul (Hewitt, 2023). A força que um campo elétrico exerce em uma carga é dada por FE=qE. No entanto, um campo magnético não influencia cargas estacionárias; só afeta cargas em movimento (Bauer; Westfall; Dias, 2012). A força que um campo magnético exerce em uma partícula de carga , mo- vendo-se com uma velocidade , é dada pela equação: A força é perpendicular tanto à velocidade quanto ao campo magnético, con- forme indicado pela 1ª regra da mão direita. Se a carga é negativa, a direção da força é oposta. O módulo da força magnética é expresso por: Em que θ é o ângulo entre a velocidade da partícula v e o campo magnético . Se a partícula se move paralelamente ao campo, a força magnética é nula; se ela se move perpendicularmente, a força é maximizada (Bauer; Westfall; Dias, 2012). A força magnética é sempre perpendicular à velocidade e ao campo, signi- ficando que não realiza trabalho sobre a partícula. Assim, a energia cinética da partícula permanece constante, embora sua direção de movimento possa mudar (Bauer; Westfall; Dias, 2012). 103 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 4.2.1 FORÇA MAGNÉTICA EM CARGAS EM MOVIMENTO Hans Christian Oersted descobriu o impacto de uma corrente em um fio so- bre uma agulha de bússola, um fenômeno que André-Marie Ampère apro- fundou, formando a base para entender as interações magnéticas entre cor- rentes (Knight, 2009). Ampère propôs que, se um campo magnético poderia influenciar uma agu- lha de bússola, então duas correntes também deveriam interagir magneti- camente. Seu experimento com dois fios paralelos carregados confirmou a teoria. Correntes paralelas no mesmo sentido se atraem, enquanto correntes em sentidos opostos se repelem, um fenômeno inverso ao observado com cargas elétricas. EXPERIMENTO DE AMPÈRE Fonte: Knight (2009, p. 1018). #pratodosverem: na primeira imagem, dois fios com correntes na mesma direção se atraindo. Na segunda imagem, dois fios com correntes em direções opostas se repelindo. 104 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Esse resultado conduziu à compreensão de que campos magnéticos atuam sobre correntes, uma proposição baseada no fato de que todas as correntes são formadas por cargas em movimento. A natureza da força magnética se tornou mais clara com a revelação de que ela depende não apenas da mag- nitude da carga e sua velocidade, mas também da orientação relativa da ve- locidade e do campo magnético (Knight, 2009). RELAÇÃO ENTRE Fonte: Knight (2009, p. 1018). #pratodosverem: a primeira figura mostra uma partícula carregada se movendo paralelamente a um campo magnético. A segunda imagem mostra uma partícula carregada se movendo perpendicularmente a um campo magnético. A terceira imagem mostra uma partícula carregada se movendo perpendicularmente a um campo magnético com força máxima. A força magnética sobre uma carga em movimento é descrita pela equação FB=qv×B, que é uma função do produto vetorial entre a velocidade e o campo magnético. Existem quatro atributos principais da força magnética que atua em uma carga em movimento (Knight, 2009; Young, 2015): Módulo proporcional à carga A magnitude da força magnética é proporcional ao tamanho da carga. Proporcionalidade ao campo magnético A magnitude da força magnética também é proporcional à intensidade do campo magnético. 105 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Dependência da velocidade A força magnética depende da velocidade da partícula carregada e tem um contraste com a força elétrica, que é a mesma quer a carga esteja em movimento ou em repouso. Uma carga em repouso não experimenta nenhuma força magnética. Direção perpendicular A força magnética não atua na mesma direção do campo magnético ou da velocidade da partícula carregada. Ao invés disso, é perpendicular a ambos, e sua magnitude é proporcional ao componente da velocidade que é perpendicular ao campo magnético. A regra da mão direita é usada para determinar a direção da força magnética. Ao colocar o vetor velocidade e o vetor campo magnético com suas origens no mesmo ponto e girar a mão direita do vetor velocidade para o vetor campo magnético, o polegar apontará na direção da força magnética que atua sobre uma carga positiva (Young, 2015). FORÇAS MAGNÉTICAS SOBRE CARGAS EM MOVIMENTO Fonte: Knight (2009, p. 1019). #pratodosverem: a figura (a) mostra os vetores do campo magnético para a direita, no mesmo sentido da velocidade da carga e a força zero. A figura (b) mostra o vetor do campo magnético para a direita, o vetor velocidade da carga apontando para cima e a força para dentro da página. Na figura (c), o campo magnético está entrando na página, o vetor velocidade está para a direita e o vetor força aponta para cima. Na figura (d), o campo magnético está entrando na página, o vetor velocidade está para a direita e o vetor força aponta para baixo, em que a carga é negativa. Essas características da força magnética são fundamentais para entender como cargas em movimento são influenciadas por campos magnéticos (Young, 2015). 106 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 4.2.2 FORÇA MAGNÉTICA EM CONDUTORES COM CORRENTE O estudo das forças magnéticas se aprofunda com a análise de como um campo magnético uniforme influencia um longo fio condutor com corrente. FORÇA MAGNÉTICA SOBRE UM FIO CONDUTOR DE CORRENTE Fonte: Knight(2009, p. 1024). #pratodosverem: a figura (a) mostra um campo magnético uniforme representado por setas azuis apontando para cima. Há um fio condutor de corrente no campo, mas ele é paralelo ao campo, então não há força sobre ele. A figura (b) mostra um fio condutor de corrente em um campo magnético uniforme, mas dessa vez o fio é perpendicular ao campo e experimenta uma força para a esquerda. Conforme ilustrado na figura (a), um fio conduzindo corrente paralelamente ao campo magnético não experimenta força, de acordo com a propriedade de que partículas carregadas em movimento paralelo a um campo magné- tico não são submetidas a forças magnéticas. Por outro lado, a figura (b) re- vela um cenário diferente para um fio perpendicular ao campo magnético. Aplicando a regra da mão direita, observa-se que cada carga em movimento dentro do fio experimenta uma força cujo módulo é qvB, orientada à esquer- 107 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 da. Essa força é perpendicular tanto à corrente quanto ao campo magnético. Existe uma correlação entre a corrente I e a carga em movimento q. A corren- te é definida como a razão da carga em movimento pelo tempo necessário para essa movimentação I=q/Δt. O tempo é dado por Δt=l/v, assim: Em que Il=qv. Podemos fazer essa relação: Em que é o ângulo formado entre l e B. A unidade do campo magnético nesse contexto é N/A, que se alinha com a definição prévia de 1 Tesla sendo equivalente a 1 N/A. Esse desenvolvimento matemático e conceitual reafirma a aplicabilidade e a precisão da regra da mão direita para prever as direções de forças magnéticas. 4.2.3 MATERIAIS MAGNÉTICOS Nos átomos, os momentos magnéticos orbitais e de spin geralmente se anu- lam, mas, em certos materiais, os átomos têm um momento magnético neto. Quando expostos a um campo magnético, esses momentos magnéticos são influenciados por um torque, alinhando-se ao campo para minimizar a ener- gia potencial. Isso é comumente observado em materiais paramagnéticos, onde a magnetização (M), representando o total de momentos magnéticos por volume, contribui para um aumento no campo magnético interno. A magnetização é influenciada pela temperatura, conforme descrito pela lei de Curie. Esses princípios são cruciais para entender o comportamento e a efici- ência de dispositivos elétricos e magnéticos em várias aplicações. 108 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Materiais diamagnéticos têm um momento magnético total zero na ausên- cia de um campo magnético externo. No entanto, quando expostos a um, eles exibem efeitos magnéticos devido à alteração do movimento dos elétrons atô- micos, criando espiras de corrente e dipolos magnéticos induzidos opostos ao campo aplicado. Essa propriedade é consistente com a lei da indução de Fa- raday. O diamagnetismo é caracterizado por uma suscetibilidade magnética negativa e uma permeabilidade relativa ligeiramente menor que um, com essas características sendo largamente independentes da temperatura. ANEL DE PRATA Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra as mãos de uma pessoa com um anel de prata no dedo anelar. Os materiais ferromagnéticos, incluindo ferro, níquel, cobalto e suas ligas, ca- racterizam-se por intensas interações entre momentos magnéticos atômicos. Eles formam domínios magnéticos, regiões onde os momentos magnéticos atômicos estão alinhados, mesmo na ausência de um campo magnético ex- terno. Quando um campo magnético externo é aplicado, ele alinha esses do- mínios magnéticos e os expande se estiverem alinhados com o campo, en- quanto os domínios orientados opostamente encolhem. Esses materiais têm uma permeabilidade relativa Km significativamente maior do que 1, permitindo fortes magnetizações. Isso os torna especialmente úteis em ímãs permanentes e outras aplicações onde se deseja um campo mag- nético intenso. 109 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CARRO VELHO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: um carro velho, todo enferrujado em um lugar com grama. Os materiais ferromagnéticos também exibem um fenômeno chamado his- terese, onde a magnetização residual permanece mesmo após a remoção do campo externo. Para eliminar essa magnetização residual, um campo oposto é necessário. A histerese é desejável para ímãs permanentes, mas indesejável em aplicativos onde a eficiência energética é crucial, pois a histerese resulta em dissipação de energia. Sistematizando (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Young, 2015): Paramagnéticos Esses materiais se alinham com o campo magnético externo, ampliando a sua intensidade. Eles têm uma permeabilidade magnética maior que um, mas ainda próxima a ele. 110 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Diamagnéticos Materiais diamagnéticos são caracterizados por não terem momento magnético intrínseco e se opõem aos campos magnéticos externos, resultando em uma permeabilidade magnética ligeiramente menor que um. Ferromagnéticos Esses materiais são marcados por seus domínios magnéticos internos fortes e a capacidade de reter a magnetização mesmo após a remoção do campo magnético externo. 111 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO Nesta unidade, abordamos relação entre eletricidade e magnetismo, funda- mentando o estudo do eletromagnetismo. Compreendemos como os cam- pos magnéticos são gerados e influenciados por correntes elétricas e par- tículas carregadas em movimento, um conceito crítico que sustenta nossa compreensão de fenômenos naturais e tecnológicos. Exploramos a representação visual dos campos magnéticos através das linhas de campo, uma ferramenta que nos ajuda a entender sua estrutura, orienta- ção e interações complexas. Também nos aprofundamos na força magnética e sua presença dentro de determinados contextos. Examinamos, ainda, os materiais magnéticos, compreendendo suas classifi- cações e comportamentos distintos em resposta a campos magnéticos. O conhecimento adquirido é fundamental para o desenvolvimento de tecnolo- gias que dependem intensivamente da manipulação e controle de proprie- dades magnéticas. Ao final desta unidade, você deve ter uma compreensão sólida dos princípios fundamentais do eletromagnetismo, estando equipado com o conhecimen- to necessário para explorar suas aplicações práticas e teóricas. O entendimen- to adquirido aqui serve como base para estudos mais avançados, em que as nuances e complexidades do eletromagnetismo são exploradas em profun- didade, abrindo portas para inovações que moldam nosso mundo moderno. 112 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir: 1. CHAIB, J. P. M. C.; ASSIS, A. K. T. Experiên- cia de Oersted em sala de aula. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 29, n. 1, p. 41-51, 2007. Disponível aqui. 2. MARTIM, H. C.; VILARINHO, L. O. Estudo de campos magnéticos emitidos em processos de soldagem eletrodo revesti- do e TIG. Soldagem & Inspeção, [s. l.], v. 23, n. 2, p. 292-305, 2018. Disponível aqui. 3. PANTOJA, G. C.; MOREIRA, M. A. In- vestigando a implementação de uma unidade de ensino potencialmente significativa sobre o conceito de campo magnético em disciplinas de Física Ge- ral. Revista Electrónica de Investigaci- ón en Educación en Ciencias, Tandil, v. 14, n. 2, p. 1-17, 2019. Disponível aqui. 4. RAMOS, I. R. O. et al. Sobre a indução do campo eletromagnético em referenciais inerciais mediante transformações de Galileu e Lorentz. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 39, n. 2, 2017.Disponível aqui. 5. RIBEIRO, D. T.; ALMEIDA, A. M.; CARVA- LHO, P. S. Indução eletromagnética em laboratório. Revista Brasileira de Ensi- no de Física, [s. l.], v. 34, n. 4, p. 1-15, 2012. Disponível aqui. https://www.scielo.br/j/rbef/a/vG43rxQYKR8rNfSPmYJ3bGJ/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/si/a/8LfzSHmqxYQ9Mj5RkSjq3kd/?format=pdf&lang=pt http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1850-66662019000200001&lng=es&nrm=iso https://www.scielo.br/j/rbef/a/VVnDjrZXfNgxTqLfSHpBMhx/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/bWQx7cGwswNfZRgVW5Yqy3w/?format=pdf&lang=pt UNIDADE 5 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 113 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO > Aplicar a lei de Ampère e a lei de Faraday para descrever a interação entre correntes e campos magnéticos. > Compreender o conceito de indutância e sua relação com campos variantes no tempo, bem como sua influência em circuitos elétricos. 114 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 5 LEIS DE AMPÈRE E FARADAY E APLICAÇÕES EM CIRCUITOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, iremos nos aprofundar nas leis de Ampère e Faraday, que es- tão diretamente relacionadas ao funcionamento de aparelhos e dispositivos modernos. O gerador tem a função de transformar outras fontes de energia em energia elétrica, e a energia produzida pelos geradores é chamada de força eletromotriz (fem). Primeiramente, focamos o conceito de força eletro- motriz (fem), que é o trabalho realizado sobre a unidade de carga durante seu movimento do terminal negativo para o positivo. O fenômeno utilizado para explicar essa transformação de diferentes energias em energia elétrica é a indução eletromagnética. Quando ocorre variação no fluxo magnético, uma força eletromotriz é induzida, que gera a corrente no circuito. Essa relação da indução eletromagnética, que estabelece relação entre a fem induzida e a variação do fluxo magnético é o princípio fundamental da lei de Faraday. 115 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.1 LEI DE AMPÈRE E LEI DE FARADAY Para que a leitura de um cartão eletrônico seja eficaz, é necessário deslizar o cartão rapidamente pela fenda do dispositivo, em vez de mantê-lo parado. Isso é necessário para criar uma força elétrica nas cargas móveis presentes na máquina leitora de cartões (Young, 2015). LEITOR DE CARTÃO Fonte: © jcomp, Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra uma mão segurando um cartão de crédito azul sobre uma máquina de cartão de crédito preta. A maioria dos equipamentos e dispositivos modernos variados contém circui- tos elétricos integrados. A força eletromotriz (fem) é essencial para incitar uma corrente em um circuito, e frequentemente associamos uma bateria como a origem dessa fem. No entanto, para numerosos dispositivos, a eletricidade é fornecida não por uma bateria, mas por uma estação de energia elétrica (Young, 2015). 116 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A nomenclatura “força eletromotriz” pode ser considerada imprecisa, já que a fem, na realidade, não é uma força. Ela é uma medida que representa a energia por unidade de carga, semelhante ao potencial elétrico. Na unidade do Sistema Internacional (SI), a fem é medida em volts, em que 1 volt equivale a 1 joule por coulomb (1 V = 1 J/C) (Young, 2015). A indução eletromagnética é o fenômeno que explica essa transformação de energia. Ela ocorre quando o fluxo magnético através de um circuito muda, induzindo uma força eletromotriz (fem) e uma corrente no circuito. Nas usinas de energia, essa variação é geralmente alcançada pelo movimento de um ímã próximo a uma bobina, criando um fluxo magnético variável (Young, 2015). Indução eletromagnética: a ocorrência de uma voltagem induzida devido à mudança do campo magnético ao redor de espirais de fio é denominada indução eletromagnética. Esse fenômeno ocorre devido ao movimento relativo entre um campo magnético e um fio (Knight, 2009). A lei de Faraday é o princípio fundamental subjacente à indução eletromag- nética, estabelecendo uma relação entre a fem induzida e a variação do fluxo magnético em um circuito. A lei de Lenz complementa a lei de Faraday, ofe- recendo insights sobre a direção da corrente e fem induzidas (Young, 2015). 117 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARQUE EÓLICO Fonte: ©berlionemore_contributo, Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra um parque eólico com seis turbinas eólicas alinhadas. O artigo aborda a necessidade de buscar alternativas sustentáveis para a geração de energia devido aos problemas causados pelas formas convencionais de geração, que são poluentes e não renováveis. Acesse o artigo e saiba mais. A indução eletromagnética revela que um campo magnético variável pode gerar um campo elétrico e vice-versa. Esse entendimento é articulado pelas equações de Maxwell, que fornecem um quadro abrangente para analisar o comportamento dos campos elétricos e magnéticos em qualquer circuns- tância (Young, 2015). 118 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 5.1.1 ORIGENS E FORMULAÇÃO DA LEI DE AMPÈRE A figura abaixo ilustra um fio que conduz uma corrente I para dentro da pági- na e o campo magnético resultante a uma distância d. O campo magnético circunda o fio, sendo tangente em qualquer ponto ao longo de um círculo centrado no fio. Com isso em mente, é possível calcular a integral de linha do campo ao longo de um percurso circular em torno do fio (Knight, 2009). INTEGRANDO O CAMPO MAGNÉTICO AO REDOR DE UM FIO Fonte: Knight (2009, p. 1013). #pratodosverem: o diagrama mostra um círculo preto com um raio “d” e várias linhas tangentes azuis “B”. 119 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Campo magnético perpendicular Se B é perpendicular à linha em qualquer ponto ao longo dela, então a integral de linha de B pode ser expressa por: Campo magnético perpendicular Fonte: Knight (2009, p. 1013). #pratodosverem: na imagem, o desenho de uma linha curva com setas perpendiculares à sua direção. Campo magnético tangente Se B é tangente à linha de comprimento l em todos os pontos e mantém uma intensidade constante B em cada ponto, então a integral de linha pode ser calculada diferentemente, com base nesses pontos: Campo magnético tangente Fonte: Knight (2009, p. 1013). #pratodosverem: na imagem, o desenho de uma linha curva com setas tangentes à sua direção. Considerando a integração do campo magnético ao longo de um caminho fe- chado que circunda o fio, observa-se que a intensidade do campo é constante e tangente em todos os pontos do círculo. Assim, a intensidade do campo magnético relaciona-se diretamente com a corrente no fio e é independente do raio do círculo (Knight, 2009). 120 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Como o campo magnético é tangente ao círculo e possui uma intensidade constante em qualquer ponto ao longo do círculo, podemos escrever da se- guinte forma: Assim, a intensidade do campo magnético gerado por um fio que transporta uma corrente é . Então: Esse fenômeno é remanescente à lei de Gauss para campos elétricos, em que o fluxo elétrico através de uma superfície fechada depende unicamente da carga contida dentro da superfície e não do seu tamanho ou forma. A ana- logia se estende à lei de Ampère para campos magnéticos, que indica que a integral de linha do campo magnético em torno deum caminho fechado depende apenas da corrente total que passa pela área cercada pelo caminho. Assim, o resultado da equação acima mostra que (Knight, 2009): • Não depende da forma específica do caminho circundando a corrente. • Não é influenciado pelo local específico onde a corrente passa através do cami- nho fechado. • É determinado unicamente pela quan- tidade total de corrente que passa pela área contida pelo caminho de integra- ção fechado. 121 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Fonte: © fetrinka, Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra mão segurando um lápis e apontando para uma varredura do cérebro. A ressonância magnética é uma máquina em formato de cilindro que possui em solenoide de grande porte. A solenoide conduz corretes de alta intensidade, o que gera um campo magnético forte e uniforme (Knight, 2009). A lei de Ampère, assim nomeada, apesar de ter sido postulada por Maxwell após a morte de Ampère, é instrumental na análise de campos magnéticos. É necessário, contudo, distinguir correntes positivas de negativas, e a regra da mão direita serve como um guia útil. Quando os dedos de sua mão direita seguem o caminho de integração, o polegar indica a direção da corrente po- sitiva (Knight, 2009). 122 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A lei de Ampère, apesar de derivada da lei de Biot-Savart, transcende-a ao estabelecer uma generalização sobre campos magnéticos. Sua importância é mais aparente quando integrada às equações de Maxwell. 5.1.2 FORMULAÇÃO E SIGNIFICADO DA LEI DE FARADAY Na década de 1830, Michael Faraday, na Inglaterra, e Joseph Henry, nos Esta- dos Unidos, conduziram experimentos inovadores sobre a força eletromotriz (fem) induzida magneticamente. Nesses experimentos, uma bobina conecta- da a um galvanômetro não registra corrente quando um ímã está parado, um resultado esperado devido à ausência de variação e fonte de fem. No entanto, o movimento do ímã ou da bobina gera uma corrente detectada pelo galva- nômetro, conhecida como corrente induzida (Young, 2015). A substituição do ímã por uma segunda bobina ligada a uma bateria resulta em uma observação similar: a corrente induzida é registrada somente du- rante o movimento relativo entre as duas bobinas. Alterações na corrente da segunda bobina, causadas pela abertura e fechamento de um interruptor, também induzem corrente na primeira bobina, mas apenas durante as flutu- ações de corrente (Young, 2015). EXPERIMENTO DE INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA DE FARADAY Fonte: Knight (2009, p. 305). #pratodosverem: a primeira configuração é um circuito simples com um galvanômetro e uma bobina, e logo acima uma outra bobina. A segunda imagem é um circuito com uma bobina e um galvanômetro, com um imã se aproximando da bobina. A terceira imagem é um circuito com uma bobina e um galvanômetro, entrando e saindo de um imã em formato de c. Essas observações são aprofundadas em uma série subsequente de expe- rimentos. Uma bobina conectada a um galvanômetro é colocada entre os polos de um eletroímã com um campo magnético variável. A ausência de 123 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 corrente no eletroímã resulta em zero leitura no galvanômetro. No entanto, ao ativar o eletroímã, uma corrente induzida momentânea é observada, indican- do que a fem induzida está diretamente relacionada às variações no campo magnético (Young, 2015). Assim, concluímos que uma variação no campo magnético que incide sobre uma espira provoca a indução de uma corrente elétrica nela mesma. A mu- dança no campo magnético pode ser representada pela alteração na quan- tidade de linhas de campo que atravessam a área circundada pela espira (Bauer; Westfall; Dias, 2012). Conforme a lei de Faraday da indução, uma variação na quantidade de linhas de campo magnético atravessando a espira ao longo do tempo resulta na indução de uma diferença de potencial. É a taxa dessa variação que define a magnitude da diferença de potencial induzida. Isso confirma que um campo magnético variável pode, de fato, criar um campo elétrico ao redor da espira (Bauer; Westfall; Dias, 2012). Lei de Faraday: a voltagem induzida numa bobina é equivalente ao produto do número de espiras, a área da seção transversal de cada espira e a taxa de variação do campo magnético dentro das espiras. Isso significa que alterações rápidas no campo magnético podem resultar em uma maior voltagem induzida. A corrente gerada por indução eletromagnética não é determinada unicamente pela voltagem induzida, mas também pela resistência da bobina e do circuito ao qual ela está conectada (Young, 2015). Existem duas origens principais para o campo elétrico: a presença de cargas estáticas e as variações no campo magnético. Quando originado de uma car- ga estática, o campo elétrico exerce forças conservativas, que não realizam trabalho líquido ao longo de um ciclo completo. Em contrapartida, campos elétricos gerados por variações no campo magnético são não conservativos, realizando trabalho ao longo de um percurso circular (Bauer; Westfall; Dias, 124 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 2012). O campo magnético é quantificado pelo fluxo magnético, de forma análoga ao fluxo elétrico. Na lei de Gauss para campos elétricos, o fluxo elétrico foi defi- nido como a integral de superfície do campo elétrico através de um elemento de área infinitesimal. Em que dA é um vetor de módulo dA, que é perpendicular à área infinitesimal. Analogamente, o fluxo magnético é calculado como a integral de superfície do campo magnético através de um elemento de área infinitesimal numa superfície fechada. Em que B é o campo magnético em cada área infinitesimal dA de uma super- fície fechada. No entanto, enquanto a integral do fluxo elétrico em uma superfície fechada é proporcional à carga elétrica contida, a integral do fluxo magnético é sem- pre zero, indicando a inexistência de monopolos magnéticos. Assim, as linhas de campo magnético não possuem início ou fim, pois são caminhos fechados (Bauer; Westfall; Dias, 2012). Fluxo magnético: o conceito de fluxo magnético, denotado por , é fundamental na teoria eletromagnética e descreve a quantidade total de campo magnético B que atravessa uma determinada área A. No Sistema Internacional de Unidades (SI), o fluxo magnético é medido em webers (Wb), com 1 Wb equivalente ao produto de um tesla (T, a unidade de indução magnética) e um metro quadrado (m²) (Halliday; Resnick; Walker, 2023). 125 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FLUXO MAGNÉTICO Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 253). #pratodosverem: a imagem mostra uma elipse vermelha inclinada com uma seta vermelha, o vetor normal A e a direção horizontal do campo magnético B. Existe em ângulo entre A e B. Para um cenário específico, em que uma espira plana de área está exposta a um campo magnético constante, assim: Portanto, quando o campo magnético é perpendicular ao plano da espira, Se o campo magnético for paralelo ao plano da espira, A unidade de fluxo magnético é . Esta unidade rece- beu um nome especial, weber (Wb): A lei de Faraday da indução é formulada em termos de fluxo magnético e afirma que a magnitude da diferença de potencial induzida em uma espira condutora é proporcional à taxa de mudança temporal do fluxo magnético que a atravessa. A expressão matemática é: 126 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A inclusão do sinal negativo na equação é necessária, pois denota que a cor- rente induzida e, consequentemente,o campo magnético gerado por ela, opõe-se à mudança no fluxo magnético que deu origem à indução. O fluxo magnético pode ser alterado de diversas formas, incluindo mudanças na intensidade do campo magnético, alterações na área da espira ou mudan- ças no ângulo entre a espira e o campo magnético. Em cenários que envol- vem o movimento relativo de um condutor e a fonte do campo magnético, a diferença de potencial induzida é referida como força eletromotriz (fem) de movimento. 5.2 INDUTÂNCIA E CAMPOS VARIANTES NO TEMPO Imagine um circuito isolado composto por um interruptor, um resistor e uma fonte de força eletromotriz (fem), conforme ilustrado na figura abaixo. Este diagrama mostra as orientações de algumas linhas do campo magnético for- mado pela corrente no circuito. Ao fechar o interruptor, a corrente não atinge instantaneamente seu valor máximo, ε/R , devido ao fenômeno da indução eletromagnética descrito pela lei de Faraday (Serway; Jewett, 2014). AUTOINDUTÂNCIA Fonte: Young (2015, p. 347). #pratodosverem: a imagem mostra um circuito com um solenoide e uma corrente fluindo através dele. O campo magnético é representado por linhas azuis, com a direção do campo indicada por setas. 127 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 À medida que a corrente cresce progressivamente, o fluxo magnético asso- ciado, originado pela própria corrente, também aumenta. Esse aumento no fluxo magnético induz uma fem no circuito, oposta à mudança do fluxo mag- nético, um fenômeno explicado pela lei de Lenz. A resultante é um aumento gradual da corrente, um fenômeno conhecido como autoindução, pois o cir- cuito induz a fem em si mesmo. A quantificação da autoindução é obtida através da lei de Faraday, que esta- belece que a fem induzida é igual ao valor negativo da taxa de mudança do fluxo magnético. Dado que o fluxo magnético é proporcional à corrente no circuito, conclui-se que a fem autoinduzida é proporcional à taxa de variação da corrente (Serway; Jewett, 2014). SEMÁFORO Fonte: ©jcomp, Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra um semáforo com a luz verde acesa. 128 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A mudança de muitos semáforos ao aproximar um carro de um cruzamento é facilitada pela tecnologia baseada na variação da indutância. Embaixo da superfície do pavimento próximo ao cruzamento, uma bobina embutida está instalada. Essa bobina tem uma indutância específica que é sensível à presença de materiais ferromagnéticos. Quando um veículo, que contém material ferromagnético, se aproxima ou passa sobre essa bobina embutida, ocorre uma alteração na indutância da bobina, mudando a cor do semáforo (Young, 2015). Para uma bobina com espiras, de geometria fixa e com espiras proximamen- te espaçadas, essa relação pode ser expressa como (Serway; Jewett, 2014): Em que L é a indutância da bobina, uma constante proporcional à geometria da bobina e suas propriedades físicas. Portanto, a indutância de uma bobina com N espiras é calculada como: A indutância L é, portanto, uma medida da relação do número de espiras e de fluxo magnético produzido pelo indutor por unidade de corrente, assumindo que o mesmo fluxo magnético atravessa todas as espiras. A indutância tam- bém pode ser representada pela razão (Serway; Jewett, 2014): 129 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Que serve como definição universal da indutância para qualquer bobina. Analogamente à resistência, que é uma medida de oposição à corrente, a in- dutância é uma medida de oposição à mudança de corrente. A unidade de indutância no SI é o henry (H), definida como 1 volt segundo por ampère: Na prática, os valores de indutância comumente encontrados estão na faixa de milihenries (mH) ou microhenries (μH). CARRO ELÉTRICO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra uma mulher carregando um carro elétrico. O carro híbrido é equipado com um motor a gasolina e um elétrico. Em situações em que o veículo está parando, as rodas acionam o motor elétrico em sentido reverso, transformando-o em um gerador. Isso induz uma corrente elétrica que é, então, utilizada para recarregar as baterias do veículo, otimizando a eficiência energética (Young, 2015). 130 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO A indutância depende fortemente da geometria da bobina. Cálculos de in- dutância podem se tornar complexos para geometrias mais complicadas; portanto, os exemplos estudados geralmente envolvem configurações mais simplificadas, facilitando a avaliação da indutância. 5.2.1 DEFINIÇÃO, CARACTERÍSTICAS E IMPACTO DE INDUTORES Um indutor não é de grande relevância quando a corrente que passa por ele permanece constante. No caso de um indutor ideal, onde a resistência é zero, a diferença de potencial resultante de uma corrente constante também é zero (Knight, 2009). AUMENTANDO A CORRENTE ATRAVÉS DE UM INDUTOR Fonte: Knight (2009, p. 1066). #pratodosverem: na figura (a), um indutor com campo magnético do solenoide com direção para a esquerda. Na figura (b), o campo magnético tem sentido para a direita. 131 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Indutor: uma bobina incorporada a um circuito para oferecer indutância é denominada indutor. No caso de um indutor ideal, os fios que constituem a bobina são considerados desprovidos de resistência elétrica. Todo solenoide tem uma indutância característica e, quando integrado a um circuito elétrico, é referido como indutor. Isso ocorre porque a indutância se torna a característica preponderante quando uma corrente elétrica passa por ele (Bauer; Westfall; Dias, 2012; Knight, 2009). A figura (a) acima exibe um indutor com corrente constante fluindo, gerando um campo magnético que permeia suas bobinas e cria um fluxo estável. Já a figura (b) apresenta um cenário onde a corrente no indutor está aumentan- do, levando a um aumento do fluxo magnético. A lei de Lenz nos informa que uma corrente será induzida nas bobinas para contrariar essa variação, produ- zindo um campo magnético oposto. Aplicando a lei de Faraday, podemos calcular a força eletromotriz (fem) indu- zida pela variação do fluxo magnético como: Em que Φ=NΦpor espira é o fluxo total através de todas as espiras. A indutância é definida de modo que Φm=LI, assim: A fem induzida é diretamente proporcional à taxa de variação da corrente na bobina. Aqui, a corrente permanece inalterada se for constante. 132 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO DIMINUINDO A CORRENTE ATRAVÉS DE UM CONDUTOR Fonte: Knight (2009, p. 1066). #pratodosverem: na figura, um diagrama de um circuito elétrico que consiste em uma bobina de fio conectada a uma fonte de tensão, rotulada como . Na figura acima, a corrente, ainda entrando pelo lado esquerdo, está dimi- nuindo. A corrente induzida, que age para resistir à redução do fluxo magné- tico, se alinha com a direção da corrente original, criando uma diferença de potencial oposta à anterior. A corrente induzida não resiste diretamente à corrente no indutor, mas sim à sua variação, de acordo com a lei de Lenz. Essa característica faz com que seja desafiador alterar a corrente em um indutor, similar à inércia, uma resistência à mudança. Para um indutor, a diferença de potencial, conforme medida na direção da corrente, é definida por: Se a corrente se altera bruscamente, uma diferença de potencial significativa pode se desenvolver no indutor. Quando conectado a uma bateria e o in- terruptor é subitamente fechado, a rápida queda da corrente para zero gera uma voltagem elevadano indutor. Essa voltagem intensa pode ocasionar fa- íscas no espaço do interruptor ao ser aberto, evidenciando a elevada energia potencial armazenada no indutor devido à mudança rápida da corrente. 133 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.2.2 VARIAÇÕES TEMPORAIS E IMPLICAÇÕES NAS EQUAÇÕES DE MAXWELL Segundo a lei de Faraday, uma força eletromotriz é induzida em um condutor quando há uma mudança no fluxo do campo magnético que atravessa a área contida por esse condutor ao longo do tempo. Isso significa que um campo magnético em mudança pode gerar um campo elétrico (Knight, 2009). James Clerk Maxwell, um físico escocês, propôs a ideia contrária. Ele sugeriu que um campo elétrico variável poderia, por sua vez, induzir um campo mag- nético. Essa noção ficou conhecida como a hipótese de Maxwell, ilustrando a interconexão entre os campos elétricos e magnéticos (Knight, 2009). Maxwell também explicou a propagação das ondas eletromagnéticas. Ele mostrou que um campo magnético em mudança pode induzir um campo elétrico variável nas proximidades, e vice-versa, levando à formação e propa- gação de ondas eletromagnéticas. Ele provou matematicamente que essas perturbações eletromagnéticas, que se propagam no espaço devido à produ- ção mútua e sucessiva de campos elétricos e magnéticos variáveis, possuem todas as características de ondas, incluindo a capacidade de serem refletidas, refratadas e interferirem umas com as outras (Knight, 2009). COMETA HALE-BOPP Fonte: Bauer; Westfall; Dias (2012, p. 316). #pratodosverem: a imagem mostra um cometa no espaço com uma cauda azul e uma cabeça branca. Ele está cercado por um fundo preto com estrelas brancas espalhadas por toda parte. 134 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO O cometa Hale-Bopp marcou presença de forma notável em 1997 exibindo suas duas caudas distintas. A cauda branca, traçando a trajetória do cometa, é composta por poeira liberada do núcleo do cometa, vaporizada pela inten- sidade do calor solar e iluminada pela luz do sol. Por outro lado, a cauda azul, que se projeta radialmente em direção ao Sol, origina-se do gás ionizado car- regado pelo vento solar, um fluxo contínuo de partículas energéticas expeli- das pelo Sol (Bauer; Westfall; Dias, 2012). O questionamento “O que é a luz?” ecoou pela humanidade por séculos, per- manecendo sem resposta até a unificação da eletricidade e do magnetismo, conhecida hoje como eletromagnetismo. Essa teoria é articulada pelas equa- ções de Maxwell, que revelam a interdependência entre os campos elétricos e magnéticos: um campo magnético variável gera um campo elétrico, e vice- -versa. Essa interação simbiótica dá origem a ondas eletromagnéticas que se deslocam livremente pelo espaço (Young, 2015). A luz visível, como a irradiada pelo filamento de uma lâmpada incandescente, é um exemplo vívido de onda eletromagnética. Outras manifestações dessas ondas são emanadas por fontes tão diversas quanto estações base de Wi-Fi, máquinas de raios X e materiais radioativos (Young, 2015). ROTEADOR WI-FI Fonte: ©rawpixel.com, Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra mão segurando um cabo que está sendo conectado a um roteador preto. 135 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Em 1855, o renomado físico escocês James Clerk Maxwell, com menos de dois anos após sua graduação, introduziu um estudo “Sobre as Linhas de Força de Faraday”. Maxwell estava em uma missão para construir um fundamento ma- temático sólido para as teorias intuitivas de Faraday sobre campos elétricos e magnéticos (Knight, 2009). Para restaurar o equilíbrio, Maxwell sugeriu que uma variação no campo elé- trico dá origem a um campo magnético induzido, que não está atrelado à presença de correntes elétricas (Knight, 2009). Variações no campo elétrico Geram campos magnéticos, assim como alterações no campo magnético, que produzem campos elétricos. Fenômenos eletromagnéticos São delineados pelas equações de Maxwell. Onda eletromagnética É caracterizada pela presença simultânea de campos elétricos e magnéticos. Ondas eletromagnéticas que se propagam são representadas por soluções das equações de Maxwell que variam de forma senoidal com o tempo. O campo elétrico é perpendicular ao campo magnético, e ambos são perpendiculares à direção na qual a onda se propaga. Constante da velocidade da luz É derivada das propriedades intrínsecas dos campos elétricos e magnéticos. A luz é classificada como uma forma de onda eletromagnética. (Fonte: Bauer; Westfall; Dias, 2012). 136 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Apesar da ausência de evidências empíricas, Maxwell audaciosamente incor- porou essa teoria ao seu modelo de campo eletromagnético, um movimento que seria posteriormente vindicado (Knight, 2009). Infelizmente, Maxwell não viveu para ver sua teoria confirmada. Foi o físico alemão Heinrich Hertz, em 1888, quem validou empiricamente as previsões de Maxwell ao demonstrar que as ondas de rádio se propagam à velocidade da luz. Maxwell concebeu uma hipótese audaciosa: que uma perturbação eletro- magnética, caracterizada por campos elétricos e magnéticos oscilantes, po- deria viajar de um ponto do espaço para outro, desimpedida pela ausência de matéria. Esse fenômeno ondulatório, se real, seria justamente caracterizado como uma onda eletromagnética (Young, 2015). 137 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO A unidade explora as leis de Ampère e Faraday, essenciais para entender o funcionamento de dispositivos modernos que transformam várias formas de energia em eletricidade através da força eletromotriz (fem). A fem é o trabalho realizado para mover uma unidade de carga entre os terminais de um gera- dor. A transformação de energia em energia elétrica é explicada pelo fenômeno da indução eletromagnética. A variação no fluxo magnético leva à indução de uma fem, que por sua vez, gera corrente elétrica no circuito. A lei de Faraday é central para compreender a relação entre a fem induzida e a variação do fluxo magnético. Esse princípio esclarece a mecânica subjacente da indução eletromagnética e é um pilar na teoria eletromagnética. A lei de Ampère estabelece que o campo magnético é uma função direta da corrente que flui através de um circuito e não é afetado pelo caminho especí- fico que a corrente toma. As equações de Maxwell explicam como os campos elétricos e magnéticos interagem e variam mutuamente. Esse conhecimento não apenas fortalece a compreensão da indução eletromagnética, mas também fundamenta a teo- ria e a prática relacionadas às ondas eletromagnéticas. 138 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir: 1. DIAS, P. M. C.; MORAIS, R. F. Os funda- mentos mecânicos do eletromagnetis- mo. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 36, n. 3, p. 1-14, 2014. Disponível aqui. 2. DIONISIO, P. H. A força eletromotriz de movimento e os fundamentos da teoria eletromagnética clássica. Revista Brasi- leira de Ensino de Física, [s. l.], v. 32, n. 4, p. 4302-1-4302-13, 2010. Disponível aqui. 3. HESSEL, R.; FRESCHI, A. A.; SANTOS, F. J. dos. Lei de indução de Faraday: uma verificação experimental. Revista Brasi- leira de Ensino de Física, [s. l.], v. 37, n. 1, p. 1506, 2015. Disponível aqui. 4. RIBEIRO, D. T.; ALMEIDA, A. M.; CARVA- LHO, P. S. Indução eletromagnética em laboratório. Revista Brasileira de Ensi- no de Física, [s. l.], v. 34, n. 4, p. 1-15, 2012. Disponível aqui. 5. SILVA, R. T. da; CARVALHO,H. B. de. A indução eletromagnética: análise con- ceitual e fenomenológica. Revista Brasi- leira de Ensino de Física, [s. l.], v. 34, n. 4, p. 1-6, 2012. Disponível aqui. https://www.scielo.br/j/rbef/a/X448VyLDG3dqc9Kxk9yVybJ/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/jy5brzq3cbtSjrzCXn35Lps/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/XRRCJrYmcYKrxLGx9y5SXgr/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/bWQx7cGwswNfZRgVW5Yqy3w/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/WLCr3FKdGGxpHgC3L6WLPdQ/?format=pdf&lang=pt OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 139 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO UNIDADE 6 > Derivar e compreender as quatro equações de Maxwell, identificando sua importância fundamental na descrição dos fenômenos eletromagnéticos. > Relacionar as equações de Maxwell com aplicações práticas em Engenharia Elétrica, destacando sua relevância no design e análise de sistemas elétricos e eletrônicos. 140 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 6. EQUAÇÕES DE MAXWELL E SUA RELEVÂNCIA NA ENGENHARIA ELÉTRICA INTRODUÇÃO DA UNIDADE As equações de Maxwell são um conjunto de quatro equações diferenciais que descrevem como os campos elétricos e magnéticos se propagam no es- paço e no tempo. Historicamente, as equações de Maxwell marcaram uma revolução no enten- dimento humano das forças eletromagnéticas. James Clerk Maxwell (1831- 1879), um renomado físico escocês, ao consolidar as descobertas prévias de cientistas como Ampère, Faraday e outros, resultou em uma teoria unificada que explicava as complexas interações entre eletricidade e magnetismo, es- clarecendo, dessa forma, muitas das questões da eletricidade e do magnetis- mo que não estavam respondidas. A transição para o campo da engenharia elétrica demonstra a importância e a profundidade das aplicações das equações de Maxwell. Cada componente e sistema elétrico são influenciados pela aplicação dessas equações. Elas for- mam a base teórica sobre a qual os engenheiros elétricos projetam, analisam e otimizam sistemas elétricos e eletrônicos. 6.1 INTRODUÇÃO ÀS EQUAÇÕES DE MAXWELL Na década de 1860, James Clerk Maxwell desenvolveu o que ficou conhecido como contrapartida de Maxwell à lei de Faraday, em que diz que um campo magnético é gerado em qualquer região do espaço onde exista um campo elétrico variando com o tempo (Hewitt, 2023). A intensidade do campo induzido se alinha proporcionalmente à taxa de va- riação do campo que o induz. Ambos os campos induzidos, elétrico e magné- tico, formam ângulos retos entre si. 141 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ONDA ELETROMAGNÉTICA Fonte: Hewitt (2023, p. 488). #pratodosverem: a imagem mostra um diagrama de uma onda eletromagnética. A onda é representada por duas linhas senoidais, uma rosa que representa o campo elétrico e uma azul que representa o campo magnético. A onda está se propagando na direção indicada pela seta, para a direita. Onda eletromagnética: uma onda eletromagnética é um campo eletromagnético que se mantémF de forma autônoma. Ela é caracterizada como uma onda transversal, onde os campos elétrico e magnético são perpendiculares entre si. A propagação de uma onda eletromagnética ocorre com uma velocidade cujo módulo é (Knight, 2009). Maxwell fez a conexão entre as ondas eletromagnéticas e a luz. A luz, ele des- cobriu, é produzida quando cargas elétricas vibram em uma frequência espe- cífica, um espectro do qual nossos olhos são sensíveis. Maxwell também formulou os princípios fundamentais do eletromagnetismo em quatro equações icônicas, que atualmente são conhecidas como as equa- ções de Maxwell (Young, 2015). 142 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Essas equações incluem (Bauer; Westfall; Dias, 2012): Lei de Gauss para campos elétricos A quantidade total de fluxo elétrico que passa através de uma superfície fechada é diretamente proporcional à carga elétrica contida dentro da superfície. Lei de Gauss para campos magnéticos Não há fluxo magnético líquido através de uma superfície fechada; isto é, não existem monopolos magnéticos. Lei de Faraday da indução A variação no fluxo magnético através de um circuito induz um campo elétrico no contorno do circuito. Lei de Maxwell-Ampère A variação no fluxo elétrico ou a presença de uma corrente elétrica em um circuito induz um campo magnético ao redor do circuito. Quando aplicadas ao vácuo, essas equações se baseiam nas constantes elé- trica e magnética do vácuo. No entanto, na presença de um material, essas constantes, elétrica e magnética , são substituídas pela permissividade e per- meabilidade específicas desse material (Young, 2015). 143 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 61.1 FUNDAMENTOS E COMPONENTES DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL Ao analisar as equações de Maxwell, identifica-se uma falta de simetria entre os termos elétricos e os magnéticos. Essa assimetria origina-se da existência de cargas elétricas singulares e correntes derivadas de seu movimento, con- trastando com a ausência observada de cargas magnéticas isoladas. As enti- dades hipotéticas com um polo magnético singular são denominadas mo- nopolos magnéticos. No entanto, a realidade empírica evidencia que os polos magnéticos sempre coexistem – norte e sul. ÍMÃ Fonte: Hewitt (2023, p. 405). #pratodosverem: na imagem, há uma criança segurando um ímã. Inúmeros experimentos têm sido realizados para procurar a existência de monopolos magnéticos em raios cósmicos, mas em vão até agora (Bauer; Westfall; Dias, 2012). 144 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Transitando para o domínio das ondas eletromagnéticas, estas são conjun- tos oscilantes de campos elétricos e magnéticos capazes de se propagar pelo vácuo, independentes de um meio material e desvinculadas de cargas em trânsito ou correntes. A materialização experimental das ondas eletromag- néticas foi creditada a Heinrich Hertz em 1888. Utilizando um circuito RLC, Hertz induziu correntes que precipitaram descargas visíveis em um faiscador, validando a transmissão de ondas eletromagnéticas através do espaço vazio (Bauer; Westfall; Dias, 2012). O vídeo apresenta a reprodução da experiência de Hertz, que comprova a existência de ondas eletromagnéticas, conforme previsto teoricamente por Maxwell. Há uma notável simetria intrínseca nas quatro equações de Maxwell. No vá- cuo, onde não existem cargas, as primeiras duas equações se assemelham notavelmente, com variações refletidas uma na outra, exibindo uma interação espelho entre os campos elétrico e magnético (Young, 2015). SIMETRIA DE GAUSS Fonte: Young (2015, p. 327). #pratodosverem: na imagem, está escrito “no espaço vazio não existem cargas; logo, os fluxos de E e B através de qualquer superfície fechada são iguais a zero”. Abaixo do texto, existem duas equações da lei de Gauss para campos elétricos e para campos magnéticos. https://www.youtube.com/watch?v=gOtuyKrp0Xw 145 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Quando melhor para as duas últimas equações, vemos uma interconexão entre o elétrico e o magnético – um campo magnético variável dá origem a um campo elétrico, e um campo elétrico variável, reciprocamente, gera um campo magnético. Em um vácuo desprovido de corrente de condução, essas equações se tornam reflexos quase perfeitos uma da outra (Young, 2015). SIMETRIA DA LEI DE FARADAY DA INDUÇÃO E DA LEI DE MAXWELL-AMPÈRE Fonte: Young (2015, p. 327). #pratodosverem:na imagem, está escrito “no espaço vazio não existem correntes de condução, de modo que as integrais de linha de E e B em torno de qualquer percurso fechado estão relacionadas à taxa de variação de fluxo do outro campo”. E há as equações da lei de Faraday da Indução e da Lei de Maxwell-Ampère. Podemos expressar essas duas últimas equações de formas alternativas, in- serindo definições para o fluxo magnético e elétrico, e chegando, assim, a um novo conjunto de equações que continuam a refletir essa simetria marcante. Vemos novamente a simetria entre os campos elétrico e magnético – a altera- ção em um induz a criação do outro. Maxwell intuiu, a partir dessas relações, a possibilidade de ondas eletromagnéticas, oscilações que viajam através do espaço e do vácuo, impulsionadas pela interação contínua entre campos elé- tricos e magnéticos (Young, 2015). 146 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO 6.1.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E A CONSOLIDAÇÃO DA TEORIA ELETROMAGNÉTICA James Clerk Maxwell foi pioneiro em desvendar a essência intrínseca da luz. Albert Einstein exaltou o trabalho de Maxwell, classificando-o como a con- tribuição mais significativa e impactante à física desde a era de Newton (Young, 2015). JAMES CLERK MAXWELL Fonte: Young (2015, p. 411). #pratodosverem: foto em preto e branco de um homem sentado em um banco com um chapéu no colo. Ele está vestindo um terno e gravata. Nos primórdios do século XIX, quando a teoria eletromagnética ainda esta- va em seu início, os cientistas utilizavam dois sistemas distintos de unidades para quantificar a carga elétrica. Um sistema era aplicado aos problemas de eletrostática e outro aos fenômenos magnéticos associados às correntes (Young, 2015). Nos sistemas de unidades da época, as duas diferentes formas de carga elétri- ca eram caracterizadas por dimensões físicas distintas. Quando a razão entre essas cargas foi calculada, descobriu-se que ela possuía o valor numérico da velocidade da luz, (Young, 2015). 147 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LUZ SOLAR Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem do nascer do sol sobre o oceano. Em 1855, Maxwell propôs uma teoria no seu estudo “Sobre as linhas de força de Faraday”. Nele, Maxwell tentou fundamentar matematicamente as teorias pictóricas de Faraday sobre os campos eletromagnéticos. Ele estava intrigado pela ausência de simetria na teoria de Faraday, que afirmava que a mudança em um campo magnético induz um campo elétrico, mas não vice-versa (Kni- ght, 2009). Maxwell se perguntou sobre os efeitos da variação de um campo elétrico. Ele propôs, que, para manter a simetria, a mudança em um campo elétrico deve- ria, da mesma forma, induzir um campo magnético. Essa conjectura introdu- ziu a ideia de um campo magnético que não se origina de correntes elétricas (Knight, 2009). Maxwell visualizou um cenário em que um campo elétrico em expansão é acompanhado por um campo magnético induzido, configurado de maneira semelhante a um cata-vento. A orientação desse campo induzido era oposta à do campo elétrico induzido, um fenômeno que seria explicado detalhada- mente em estudos subsequentes. 148 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO FORMULAÇÃO DE MAXWELL Fonte: Knight (2009, p. 1062). #pratodosverem: a imagem consiste em dois círculos. O círculo superior tem uma seta no sentido anti-horário e o texto “um campo magnético variável cria um campo elétrico induzido”. O círculo inferior tem uma seta no sentido horário e o texto “um campo elétrico variável cria um campo magnético induzido”. Ele intuiu que campos elétricos e magnéticos poderiam ser autossustentá- veis e independentes de cargas ou correntes. Isso significava que a variação de um campo elétrico induzia um campo magnético que, por sua vez, induzia um campo elétrico, em um ciclo contínuo (Knight, 2009). Ele antecipou a existência de ondas eletromagnéticas, em que campos elé- tricos e magnéticos se mantêm mutuamente, sem a necessidade de cargas ou correntes. Maxwell previu que essas ondas teriam uma configuração espe- cífica e se moveriam a uma velocidade determinada pelas constantes funda- mentais da eletricidade e do magnetismo. 149 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Quando Maxwell calculou a velocidade dessas ondas teóricas, ficou perplexo ao descobrir que correspondiam à velocidade da luz. Esse resultado audacio- so o levou à conclusão de que a luz, de fato, consiste em ondas eletromagné- ticas. ANTENA PARABÓLICA PARA RECEPÇÃO DE SINAIS DE RÁDIO E TELEVISÃO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem de uma antena parabólica preta contra um céu azul. A confirmação experimental dessa hipótese só ocorreu décadas mais tarde. Em 1888, Heinrich Hertz demonstrou que as ondas de rádio, um tipo de onda eletromagnética, propagavam-se à velocidade da luz, validando postuma- mente as ideias visionárias de Maxwell, que faleceu em 1879 (Knight, 2009). 6.2 APLICAÇÕES E IMPLICAÇÕES DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL NA ENGENHARIA ELÉTRICA Todas as ondas eletromagnéticas viajam à velocidade da luz, mas apresen- tam variações significativas em termos de comprimento de onda e frequên- cia. A equação c=λf relaciona a velocidade da luz c, o comprimento de onda λ e a frequência f (Bauer; Westfall; Dias, 2012).. 150 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO O comprimento de onda refere-se à distância entre duas cristas consecutivas de uma onda ou, de forma equivalente, entre dois pontos idênticos e sucessivos ao longo da onda (Hewitt, 2023). Os campos elétricos E e magnético B são perpendiculares à direção de propaga- ção, caracterizando, assim, todas as ondas eletromagnéticas como transversais. Uma onda transversal é um tipo de onda em que as oscilações ou as vibrações dos pontos do meio ocorrem em uma direção perpendicular à direção de propagação da onda. Em outras palavras, as partículas do meio se movem lateralmente, para cima e para baixo, ou de lado a lado, enquanto a onda em si avança para frente (Hewitt, 2023). Esses campos E e B também são perpendiculares entre si, mantendo a rela- ção , que tem a orientação da velocidade da onda eletromagnética. A onda eletromagnética se propaga no vácuo com uma velocidade cujo mó- dulo é ; isto é, à velocidade da luz. Além disso, a amplitude dos campos elétrico e magnético estão relacionadas pela equação E=cB, indicando que a intensidade do campo elétrico é sempre proporcional à intensidade do campo magnético na onda. 151 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 RADIOTELESCÓPIO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: uma imagem de um radiotelescópio à noite. Muitos corpos celestes emitem radiações nas faixas de luz visível, radiofrequência e raios X, variando conforme sua temperatura. Esse fenômeno fundamenta a importância crescente da radioastronomia no âmbito da observação espacial. Nesse contexto, o radiotelescópio se destaca como instrumento vital. Acesse o artigo e saiba mais! O espectro eletromagnético inclui ondas de comprimentos que vão desde 1.000 m até menos de 10-12 m , e frequências que variam 105 a 1020 Hz. de . Cer- tas faixas de frequência são identificadas assim (Bauer; Westfall; Dias, 2012): https://www.scielo.br/j/rbef/a/Qv7hPbYyTq9vxqjmhQhpBSL/?format=pdf&lang=pt 152 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Espectro eletromagnético: o espectro eletromagnético compreende todas as frequências e comprimentos de ondas eletromagnéticas, desde as frequências mais baixasdas ondas de rádio até as mais altas dos raios gama (Hewitt, 2023; Young, 2015). Luz visível É categorizada como ondas eletromagnéticas perceptíveis aos nossos olhos, oscilando em comprimentos de onda que vão de 400 nm (azul) até 700 nm (vermelho). Ondas infravermelhas Apresentam comprimentos de onda ligeiramente mais longos, aproximadamente 10-4 m , e são associadas ao calor. Essas ondas são empregadas para identificar calor, e alguns animais podem ver nessa faixa, proporcionando visão noturna. Raios ultravioletas Possuem comprimentos de onda mais curtos que a luz visível, indo até menos de 10-9 m . Essas ondas podem ser nocivas à pele e são largamente filtradas pela atmosfera terrestre. No entanto, são aplicadas na esterilização de equipamentos e na produção de efeitos ópticos como a fluorescência. 153 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO Fonte: Young (2015, p. 414). #pratodosverem: o diagrama é dividido em duas partes, sendo a parte superior uma barra horizontal com diferentes cores representando diferentes comprimentos de onda e frequência. Já a parte inferior é um triângulo colorido em arco-íris representando o espectro visível com as cores “Vermelho”, “Laranja”, “Amarelo”, “Verde”, “Azul”, “Anil” e “Violeta”. FREQUÊNCIA EM HERTZ Fonte: Hewitt, 2023 #pratodosverem: imagem do diagrama do espectro eletromagnético. O espectro é mostrado como uma onda azul com diferentes tipos de ondas rotulados acima dela. Os tipos de ondas rotulados são ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama. Abaixo da onda, há uma escala mostrando a frequência em hertz. 154 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Ondas de rádio Com uma ampla gama de frequências de kHz (rádio AM) a 100Mz (rádio FM), são capazes de atravessar obstáculos que obstruem a luz visível, sendo essenciais para a comunicação e observações astronômicas. Micro-ondas Frequentemente usadas em telecomunicações e cozimento de alimentos, têm frequências em torno de 10 GHz e se propagam eficientemente pela atmosfera, refletindo-se em objetos variados. Raios X Com comprimentos de onda da ordem de 10-10m, são capazes de penetrar materiais sólidos, sendo aplicados tanto em imagiologia médica quanto em análise de estruturas cristalinas. Raios gama Emanados de núcleos radioativos, possuem comprimentos de onda extremamente curtos, cerca de 10-12m, e são conhecidos por seu potencial destrutivo em nível celular, sendo aplicados em tratamentos médicos específicos para atacar células cancerígenas e tecidos prejudiciais de difícil acesso. 6.2.1 UTILIZAÇÃO DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL EM ANÁLISE E DESIGN DE CIRCUITOS E SISTEMAS As equações de Maxwell são a base para a operação de inúmeros dispositivos que empregam princípios eletromagnéticos. Essas equações fundamentais go- vernam o comportamento e a interação de campos elétricos e magnéticos, es- tabelecendo a fundamentação teórica para a criação de antenas, linhas de trans- missão, capacitores, transformadores e motores (Passos; Oliveira; Gomes, 2019). 155 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LINHAS DE TRANSMISSÃO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: imagem de poste com linhas de transmissão. As linhas de transmissão facilitam a transferência de energia e sinais elétricos entre dois pontos, como de uma fonte a uma carga. Na análise convencional de circuitos, a distância entre os componentes e os atrasos temporais asso- ciados são muitas vezes desconsiderados. No entanto, em casos em que a distância é significativa, o atraso temporal afeta a fase e a propagação dos sinais, introduzindo a necessidade de considerar o fenômeno das ondas nas linhas de transmissão. Elementos e conexões em um circuito são categori- zados como concentrados quando o atraso temporal é mínimo, e como dis- tribuídos quando a distância e os atrasos temporais se tornam significativos (Hayt; Buck, 2013). A linha de transmissão (LT) é o primeiro contexto em que a teoria eletromag- nética se torna prática, com exemplos claros sendo encontrados em linhas de energia, telefonia e TV a cabo. Em frequências elevadas, até as trilhas em um circuito comum podem se comportar como LT, especialmente quando seu comprimento se aproxima de uma fração significativa do comprimento de onda associado. Nas análises de circuitos padrão, os fios que interconectam os componentes são frequentemente tratados como condutores ideais, onde o atraso e a perda são negligenciados. Contudo, na realidade, a fase e a ampli- tude dos sinais podem variar ao longo da LT (Wentworth, 2006). 156 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO CIRCUITO LINHAS DE TRANSMISSÃO Fonte: Wentworth (2006, p. 48). #pratodosverem: o primeiro diagrama (a) é um diagrama de circuito com uma fonte de tensão, um resistor e um capacitor. O segundo diagrama (b) é um diagrama de circuito com uma fonte de tensão, um resistor e um indutor. O terceiro diagrama (c) é um gráfico de tensão versus tempo com uma onda senoidal. No cenário (a), uma fonte aplica uma tensão senoidal através de um resistor, estando ambos conectados por um condutor considerado ideal, o que signi- fica que a tensão na fonte e no resistor estão em fase. Já em (b), a configura- ção é alterada pela introdução de uma linha de transmissão que ocupa um quarto do comprimento de onda entre a fonte e o resistor. Como resultado, no cenário (c), a tensão sobre o resistor está 90 graus defasada em relação à tensão da fonte. A complexidade surge, por exemplo, quando uma onda de tensão se propaga ao longo de uma LT e encontra uma descontinuidade, como uma carga, onde parte da onda pode ser refletida. Esse fenômeno não é considerado em aná- lises convencionais de circuitos, tornando a compreensão das LTs crucial para profissionais que lidam com circuitos de alta frequência e integrados (Wen- tworth, 2006). 157 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 TORRE DE COMUNICAÇÃO Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra uma torre de telecomunicações alta com várias antenas e pratos anexados a ela. Uma estrutura designada para transmitir energia de maneira eficaz em uma direção específica é conhecida como antena transmissora. Similarmente, a efi- ciência na conversão de campos eletromagnéticos em corrente, bem como a direção na qual a radiação é captada, são determinadas pelo design e dimen- sões da estrutura receptora, ou antena receptora (Wentworth, 2006). 158 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO ANTENAS COMUNS Fonte: Wentworth (2006, p. 443). #pratodosverem: a imagem mostra oito tipos diferentes de antenas ilustradas. Elas estão dispostas em duas fileiras de quatro e são de diferentes formas e tamanhos, incluindo circular, retangular e espiral. Em geral, uma antena pode funcionar eficientemente tanto na transmis- são quanto na recepção de sinais. Heinrich Hertz foi pioneiro na constru- ção das primeiras antenas em 1886, utilizando um dipolo para transmissão e um anel para recepção. Desde então, o design de antenas evoluiu signifi- cativamente, sendo essenciais para os sistemas modernos de comunicação (Wentworth, 2006). 6.2.2 IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS MODERNAS E AVANÇOS EM COMUNICAÇÕES Sistemas de comunicação de alta frequência requerem componentes de cir- cuito especializados. Em um cenário típico, uma antena, atuando como recep- tor, captura uma onda eletromagnética, que é então amplificada por um am- plificador de baixo ruído. Um filtro passa-faixa é utilizado para eliminarsinais e ruídos indesejados, seguido por um processo de mistura com um sinal de um oscilador local. A mistura converte o sinal para uma frequência intermediária, facilitando a amplificação e filtragem adicional. O sinal é então convertido de analógico para digital e processado por um microprocessador para produzir a saída desejada, como o som em um telefone celular (Wentworth, 2006). 159 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A frequência f de um movimento é o inverso do seu período. Se o período é o tempo necessário para completar uma oscilação, a frequência indica quantas oscilações ocorrem em uma unidade de tempo. A unidade padrão para medir a frequência no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o hertz (Hz), nomeado em reconhecimento ao trabalho de Heinrich Hertz, que comprovou a existência de ondas de rádio em 1886. Um hertz é equivalente a uma oscilação ou vibração por segundo (Hewitt, 2023). GPS Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra um painel de carro com um telefone e um GPS ligado a ele. 160 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Os telefones celulares são maravilhas da engenharia moderna, oferecendo não apenas serviços de chamadas, mas também acesso à internet, e-mail, GPS, funcionalidades de PDA e jogos. Dada a quantidade limitada de canais de frequência e o volume enorme de chamadas diárias, as cidades são divi- didas em células menores, cada uma atendida por sua própria torre celular. Cada célula opera com um conjunto distinto de canais de frequência, mini- mizando as interferências e otimizando o uso do espectro (Wentworth, 2006). Na comunicação celular, a frequência de transmissão do telefone é diferente da frequência de recepção, permitindo a comunicação bidirecional simultâ- nea. O sinal de voz analógico é convertido em digital, facilitando a transmissão eficiente e a multiplexação de usuários. O DSP executa cálculos de sinais ul- trarrápidos, enquanto o microprocessador gerencia operações como interfa- ce do usuário e acesso à memória (Wentworth, 2006). SISTEMA DE TELEFONIA CELULAR Fonte: Wentworth (2006, p. 23). #pratodosverem: a imagem mostra um diagrama de uma torre de telefonia celular e uma pessoa usando um telefone celular. A torre está no lado direito da imagem e é composta por um poste alto com várias antenas no topo. A pessoa está no lado esquerdo da imagem e está segurando um telefone celular no ouvido. As setas laranja mostram o caminho das ondas de rádio entre a torre e o telefone. A entrada RF no celular amplifica o sinal recebido e o converte para uma fre- quência mais baixa para processamento adicional. Ela também modula a fre- quência do sinal de saída para a transmissão e separa as funções de recepção 161 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 e transmissão que compartilham a mesma antena, que é projetada para ser compacta e discreta. Nas torres celulares, cada barra vertical representa um conjunto de antenas, facilitando a comunicação eficiente com múltiplos dis- positivos. SMARTPHONE Fonte: Freepik (2023). #pratodosverem: a imagem mostra uma mão de uma pessoa segurando um smartphone e um teclado sobre a mesa. Confiramos algumas definições importantes (Wentworth, 2006): Ondas Propagam-se no espaço e através de meios materiais. Antenas São responsáveis pela irradiação e recepção de ondas. 162 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO Cabos coaxiais e outras linhas de transmissão Servem como meios para a propagação de ondas. Eficiência na manipulação de sinais É alcançada através do casamento de impedâncias de linhas de transmissão. Comunicação entre torres de celular Pode ser facilitada pelo uso de fibras ópticas e componentes ópticos relacionados. Ruído e interferência entre componentes eletrônicos Afetam a performance do sistema. Micro-ondas, localizadas no espectro eletromagnético entre 300 MHz e 300 GHz, são comumente usadas em engenharia dentro da faixa de 1 a 40 GHz. Elas têm aplicação em fornos de micro-ondas, comunicações sem fio e radar. Fornos de micro-ondas usam tubos de magnétron para emitir radiação de 2,45 GHz, enquanto nas comunicações sem fio as micro-ondas permitem a transmissão de uma ampla gama de frequências sem a atenuação significa- tiva causada por obstáculos como nuvens. No radar, as micro-ondas são utili- zadas para focar feixes na detecção e rastreamento de alvos. 163 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 CONCLUSÃO As equações de Maxwell são um conjunto unificado de quatro equações que englobam as relações entre campos elétricos e magnéticos e suas fontes. Embora Maxwell não tenha originado todas essas equações, ele as consolidou e elucidou seus significados, destacando a previsão da existência de ondas eletromagnéticas. Essas quatro equações são inicialmente apresentadas no contexto do vácuo. A primeira e a segunda equações estão relacionadas à lei de Gauss para os campos elétrico e magnético, respectivamente, indicando que o fluxo do campo elétrico através de uma superfície fechada está relacionado à carga delimitada pela superfície, enquanto o fluxo do campo magnético é sempre zero, implicando a ausência de monopolos magnéticos. A terceira equação é baseada na lei de Faraday, que destaca que um campo magnético variável gera um campo elétrico. A quarta equação é uma exten- são da lei de Ampère, indicando que uma corrente elétrica e uma variação do fluxo elétrico no tempo resultam em um campo magnético. Em todos os casos, o campo elétrico total é considerado, composto tanto pelo campo eletrostático gerado por cargas estáticas quanto pelo campo elétrico induzido magneticamente, indicando a natureza abrangente e unificada das equações de Maxwell. Maxwell percebeu que existia simetria entre as equações e que essa relação demonstrava a existência de perturbações eletromagnéticas, agora conhe- cidas como ondas eletromagnéticas, que se propagam no espaço, funda- mentais para a compreensão de fenômenos como luz e ondas de rádio. Essas equações sintetizam e generalizam todas as relações conhecidas entre cam- pos elétricos, magnéticos e suas fontes, colocando-as no mesmo patamar das leis fundamentais da física, como as leis de Newton e da termodinâmica. 164 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ELETROMAGNETISMO MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir: 1. FERREIRA, G. F. L. Um enfoque didático às equações de Maxwell. Revista Brasi- leira de Ensino de Física, [s. l.], v. 37, n. 2, p. 2301-2303, 2015. Disponível aqui. 2. LIMA, M. C. de. Sobre o surgimento das equações de Maxwell. Revista Brasileira de Ensino de Física, [s. l.], v. 41, n. 4, p. e20190079, 2019. Disponível aqui. 3. NELSON, O. R.; CARNEIRO FILHO, R. Da valorização dos erros à construção das soluções apropriadas: uma estratégia didática na aprendizagem das equações de Maxwell. Revista Brasileira de Ensi- no de Física, [s. l.], v. 33, n. 3, p. 3311, 2011. Disponível aqui. 4. PASSOS, M. N. S.; OLIVEIRA, A. M. DE; GOMES, A. K. F. Aplicações das equações de Maxwell. Revista Qualif, Cubatão, v. 4, n. 4, p. 260, 2019. Disponível aqui. 5. SIQUEIRA, F. C. As equações de Maxwell e as ondas eletromagnéticas. Brazilian Journal of Development, [s. l.], v. 7, n. 9, p. 93571-93589, 2021. Disponível aqui. https://www.scielo.br/j/rbef/a/KBZ76LFGKX3BKwyp3XHMH4J/?lang=pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/rbef/a/mvghwLG3ZgQchrJxLvCLMhr/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbef/a/jQsznQFtbCkRVQNdJgYVyLw/?format=pdf&lang=pt https://intranet.cbt.ifsp.edu.br/qualif/volume04/Engenharia/Artigo_E_06_260_273.pdfhttps://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/36595 165 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REFERÊNCIAS BAUER, W.; WESTFALL, G. D.; DIAS, H. Física para universitários. Porto Alegre: Grupo A, 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551266/. Acesso em: 22 ago. 2023. FERRAZ, M. S. A. et al. Eletromagnetismo. Porto Alegre: Grupo A, 2018. Disponível em: https://in- tegrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024588/. Acesso em: 16 ago. 2023. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: volume 3. Eletromagnetismo. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2023. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788521638575/. Acesso em: 16 ago. 2023. HAYT JR., W. H.; BUCK, J. A. Eletromagnetismo. Porto Alegre: Grupo A, 2013. Disponível em: ht- tps://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551549/. Acesso em: 16 ago. 2023. HEWITT, P. G. Física conceitual. Porto Alegre: Grupo A, 2023. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582605899/. Acesso em: 22 ago. 2023. KNIGHT, R. D. Física uma abordagem estratégica: eletricidade e magnetismo. v. 3. Porto Alegre: Grupo A, 2009. E-book. ISBN 9788577805532. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca. com.br/#/books/9788577805532/. Acesso em: 22 ago. 2023. OLIVEIRA, N. A. Eletromagnetismo: teoria e aplicações. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635765/. Acesso em: 16 ago. 2023. OLIVEIRA, N. A. Eletromagnetismo: teoria e aplicações. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2019. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635765/. Acesso em: 16 ago. 2023. PASSOS, M. N. S.; OLIVEIRA, A. M. DE; GOMES, A. K. F. Aplicações das equações de Maxwell. Re- vista Qualif, Cubatão, v. 4, n. 4, p. 260, 2019. Disponível em: https://intranet.cbt.ifsp.edu.br/qualif/ volume04/Engenharia/Artigo_E_06_260_273.pdf. Acesso em: 12 out. 2023. RAMOS, A. Eletromagnetismo. São Paulo: Blücher, 2016. E-book. ISBN 9788521209706. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521209706/. Acesso em: 16 ago. 2023. RAMOS, A. Eletromagnetismo. São Paulo: Blücher, 2016. E-book. ISBN 9788521209706. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521209706/. Acesso em: 16 ago. 2023. REGO, R. A. Eletromagnetismo básico. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2010. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2668-8/. Acesso em: 16 ago. 2023. SERWAY, R. A.; JEWETT, J. W. Princípios de física: volume 3. Eletromagnetismo. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788522118069/. Acesso em: 24 ago. 2023. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551266/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024588/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024588/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638575/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638575/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551549/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551549/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582605899/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582605899/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577805532/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577805532/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521635765/ https://intranet.cbt.ifsp.edu.br/qualif/volume04/Engenharia/Artigo_E_06_260_273.pdf. https://intranet.cbt.ifsp.edu.br/qualif/volume04/Engenharia/Artigo_E_06_260_273.pdf. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2668-8/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522118069/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522118069/ 166 ELETROMAGNETISMO MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 WENTWORTH, S.M. Eletromagnetismo aplicado. Porto Alegre: Grupo A, 2008. E- -book. ISBN 9788577804269. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788577804269/. Acesso em: 16 ago. 2023. WENTWORTH, S. M. Fundamentos de eletromagnetismo com aplicações em engenharia. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2006. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/978-85-216-2670-1/. Acesso em: 16 ago. 2023. YOUNG, H. D. Física III: eletromagnetismo. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577804269/ Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788577804269/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2670-1/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2670-1/ EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS Raio Gaiola de Faraday Benjamin Franklin Âmbar Gerador de Van de Graaff Cargas positivas e negativas Fios de cobre Isolantes e condutores Ferramentas com isolantes Balança de torção de Coulomb Força gravitacional Força gravitacional e força elétrica Linhas de campo Fios de torre de transmissão Placa metálica Esfera Fluxo de água Superfície Gaussiana Superfície Gaussiana Disco rígido Transformações geométricas As três simetrias fundamentais Simetria cilíndrica Fio condutor de simetria cilíndrica Capacitor em placa de circuito Esferas condutoras metálicas Esferas condutoras metálicas Wi-fi Fluxo e superfície de fluxo Volume superficial Superfície fechada Para-raios em cima de prédios Soldagem Eletrocardiograma Trabalho realizado por um campo elétrico Pilhas Lanterna Experimento com baterias e lâmpadas Deslocamento de corrente elétrica Exemplos de correntes elétricas Corrente Filamento de uma lâmpada Torradeira Flash de câmera fotográfica Capacitor e campo elétrico Disco rígido Agulhas de bússolas e corrente em um fio Ressonância magnética Campo magnético criado por carga puntiforme Lei de Biot-Savart Ímã Campo magnético gerado por uma carga positiva em movimento Campo magnético produzido por um fio reto 3ª regra da mão direita Linhas de campo magnético ao redor de um fio reto e longo Campo magnético no fio Aurora boreal Experimento de Ampère Relação entre Forças magnéticas sobre cargas em movimento Força magnética sobre um fio condutor de corrente Anel de prata Carro velho Leitor de cartão Parque eólico Integrando o campo magnético ao redor de um fio Ressonância magnética Experimento de indução eletromagnética de Faraday Fluxo magnético Autoindutância Semáforo Carro elétrico Aumentando a corrente através de um indutor Diminuindo a corrente através de um condutor Cometa Hale-Bopp Roteador wi-fi Onda eletromagnética Ímã Simetria de Gauss Simetria da lei de Faraday da Indução e da lei de Maxwell-Ampère James Clerk Maxwell Luz solar Formulação de Maxwell Antena parabólica para recepção de sinais de rádio e televisão Radiotelescópio Espectro eletromagnético Frequência em hertz Linhas de transmissão Circuito linhas de transmissão Torre de comunicação Antenas comuns GPS Sistema de telefonia celular Smartphone ELETROMAGNETISMO 1 INTRODUÇÃO À ELETRICIDADE E CONCEITOS BÁSICOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE 1.1 ELETROMAGNETISMO 1.2 CAMPO ELÉTRICO E DENSIDADE DE FLUXO 2. FLUXO ELÉTRICO E LEI DE GAUSS INTRODUÇÃO DA UNIDADE 2.1 LEIS DE GAUSS 2.2 TEOREMA DA DIVERGÊNCIA 3 ENERGIA, POTÊNCIA E FUNDAMENTOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE 3.1 ENERGIA E POTÊNCIA 3.2 CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA 4 FUNDAMENTOS DO MAGNETISMO E CAMPO MAGNÉTICO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 4.1 CAMPO MAGNÉTICO 4.2 FORÇA MAGNÉTICA 5 LEIS DE AMPÈRE E FARADAY E APLICAÇÕES EM CIRCUITOS INTRODUÇÃO DA UNIDADE5.1 LEI DE AMPÈRE E LEI DE FARADAY 5.2 INDUTÂNCIA E CAMPOS VARIANTES NO TEMPO 6. EQUAÇÕES DE MAXWELL E SUA RELEVÂNCIA NA ENGENHARIA ELÉTRICA INTRODUÇÃO DA UNIDADE 6.1 INTRODUÇÃO ÀS EQUAÇÕES DE MAXWELL 6.2 APLICAÇÕES E IMPLICAÇÕES DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL NA ENGENHARIA ELÉTRICA _heading=h.ge4pt6hazvk1