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Inquérito Penal e Ação Penal | 
Inquérito Policial 
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DISCIPLINA 
INQUÉRITO PENAL E AÇÃO PENAL 
 
CONTEÚDO 
Inquérito Policial 
Da Incomunicabilidade do Preso 
a Provas Novas 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Inquérito Policial ------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
1.1 Da Incomunicabilidade do Preso ------------------------------------------------------------------------------------ 5 
1.2 Indiciamento -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
1.3 Pressupostos -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
1.4 Momento ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
1.5 Espécies --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
1.6 Desindiciamento --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
1.1 Sujeito passivo ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 9 
1.6.1 Membros do Ministério Público ----------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
1.6.2 Magistrados ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
1.6.3 Autoridades com prerrogativa de foro -------------------------------------------------------------------------------------- 11 
1.6.4 Crimes de lavagem de dinheiro e indiciamento do servidor público ------------------------------------------------ 13 
1.2 Conclusão do inquérito ----------------------------------------------------------------------------------------------- 13 
1.6.5 Prorrogação do prazo ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 15 
1.6.6 Natureza do prazo do inquérito policial ------------------------------------------------------------------------------------- 16 
1.6.7 Justiça Federal ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
1.6.8 Justiça Militar ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
1.6.9 Lei de drogas ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 18 
1.6.10 Economia popular ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 
1.6.11 Prisão temporária ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 
1.6.12 Quadro sinóptico -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 20 
1.3 Relatório final ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 20 
1.4 Destinatário do inquérito policial --------------------------------------------------------------------------------- 21 
1.5 Inquérito policial na ação penal privada------------------------------------------------------------------------- 21 
1.6 Providências adotadas após a remessa do inquérito policial ---------------------------------------------- 22 
1.7 Arquivamento do Inquérito Policial ------------------------------------------------------------------------------ 24 
1.7 Atribuição ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 25 
1.8 Fundamentos------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 25 
1.9 Procedimento de Arquivamento ---------------------------------------------------------------------------------- 28 
1.10 Procedimento Vigente ------------------------------------------------------------------------------------------------ 30 
1.7.1 A Nova Sistemática (atualmente suspensa) -------------------------------------------------------------------------------- 33 
1.7.2 A Antiga Sistemática -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 37 
1.7.3 Arquivamento de Inquérito de Atribuição do PGR ou PGJ com a Nova Redação do Art. 28 ------------------ 40 
1.7.4 A coisa julgada na nova sistemática do art. 28 ---------------------------------------------------------------------------- 43 
1.11 Hipóteses de Desarquivamento do Inquérito Policial-------------------------------------------------------- 43 
1.12 Espécies de Provas Novas -------------------------------------------------------------------------------------------- 45 
1.7.5 Arquivamento Implícito---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 47 
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1.7.6 Arquivamento Indireto ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 49 
1.7.7 Trancamento do Inquérito ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 51 
2 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 52 
 
 
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1 Inquérito Policial 
 
1.1 Da Incomunicabilidade do Preso 
Lima (2020) compreende que a incomunicabilidade do indiciado depende do 
despacho nos autos e será permitida somente quandoocorrer a conveniência da 
investigação ou interesse da sociedade exigir. 
Disposto no Código de Processo Penal, o Art. 21. prevê: 
A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será 
permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. 
 
Este art. 21 possuía o objetivo de impedir que o investigado preso obtivesse auxílios 
de terceiros (os quais dificultassem os trabalhos de investigação). Entretanto, o art. 21 
está revogado pelo art. 136, § 3º, IV, da Constituição Federal, pois se está vedada a 
incomunicabilidade em situação de excepcionalidade, é proibida a 
incomunicabilidade em situação de normalidade constitucional, compreende Lopes Jr 
(2020). A Constituição Federal prevê em seu art. 136 (...) que: 
§3º Na vigência do estado de defesa: (...) 
IV- é vedada a incomunicabilidade do preso. 
 
Portanto o art. 21 não foi recepcionado pela Constituição Federal, mas isto não 
significa que o art. é inconstitucional, pois a redação do código de processo penal é 
de 1941 e é anterior a da Carta Magna datada de 1988. Não é inconstitucional, pois o 
supremo adota a teoria da recepção, onde a inconstitucionalidade poderá ser 
verificada a luz da constituição vigente a época, isto é, o ano em que o ato foi editado, 
pois se reconhece a teoria da nulidade (como se o ato não tivesse existido). 
 
Segundo Lima (2020) a incomunicabilidade não deve exceder 3 dias e será decretada 
por despacho fundamentado do juiz, a requerimento do órgão do Ministério Público 
ou autoridade policial, respeitado, o direito do advogado de se comunicar com o seu 
cliente de maneira pessoal e reservadamente, mesmo que se encontre detido ou preso 
em estabelecimento civil ou militar. 
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1.2 Indiciamento 
O indiciamento é o ato exclusivo do delegado de polícia que atribui a determinada 
pessoa (até então suspeita ou investigado) a prática de uma infração penal, 
direcionando, a partir de então, as investigações. Isto é, atribuir a alguém no bojo de 
uma investigação do inquérito policial a prática de infração penal, esta é uma 
atribuição exclusiva do Delegado de Polícia, ocorrendo o indiciamento somente em 
inquérito policial. 
 
 
ATENÇÃO! NÃO CONFUNDA INDICIADO, SUSPEITO E ACUSADO, o suspeito ou 
investigado é aquele que possui frágeis indícios, isto é, há mero juízo de possibilidade 
de autoria. Já o indiciado possui contra si indícios convergentes que apontam como 
provável autor da infração, quando recebida a peça acusatória pelo magistrado, a 
figura do acusado surge (LIMA, 2020). 
 
A Lei n. 12.830/13 dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo delegado de 
polícia e segundo o art. 2º em seu §6º (...): 
O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante 
análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas 
circunstâncias. 
 
Uma análise técnica deve ser feita, a qual irá resultar em um ato fundamentado em 
indícios de materialidade e autoria. Neste ato fundamentado o delegado aponta uma 
tipificação. Desta forma, a investigação criminal é conduzida pelo Delegado de Polícia, 
não restando dúvidas da necessidade de fundamentação do indiciamento. 
 
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1.3 Pressupostos 
É indispensável a presença de elementos informativos de autoria e materialidade do 
delito. Assim, só poderá ocorrer o indiciamento a partir do momento em que é reunido 
elementos suficientes apontando a autoria da infração penal ao suspeito. Este é um 
ato fundamentado da autoridade policial e o delegado de polícia deverá cientificar o 
investigado, o atribuindo (de maneira fundamentada) a condição jurídica de 
“indiciado”, respeitando as previsões constitucionais e legais. 
 
1.4 Momento 
O indiciamento é possível durante toda a fase de investigação, desde o auto de prisão 
em flagrante, ou portaria de instauração, e o recebimento da denúncia. 
 
Assim, Lima (2020) compreende que uma vez recebida a peça acusatória, não será 
mais possível o indiciamento, pois se trata de ato próprio da fase investigatória. Alguns 
Tribunais Superiores inclusive consideram que o indiciamento formal após o 
recebimento da denúncia é um constrangimento a liberdade de locomoção 
desnecessário e causa ilegal, visto que não se justifica mais tal procedimento, próprio 
da fase inquisitorial. 
 
A respeito do ato indevido de indiciamento, temos o julgado do Supremo Tribunal 
Feral que compreende que: 
HABEAS CORPUS. PRECESSUAL PENAL. CRIME CONTRA ORDEM TRIBUTÁRIA. REQUISIÇÃO DE 
INDICIAMENTO PELO MAGISTRADO APÓS O RECEBIMENTO DENÚNCIA. MEDIDA 
INCOMPATÍVEL COM O SISTEMA ACUSATÓRIO IMPOSTO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. 
INTELIGÊNCIA DA LEI 12.830/2013. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. 
SUPERAÇÃO DO ÓBICE CONSTANTE NA SÚMULA 691. ORDEM CONCEDIDA. 1. Sendo o ato 
de indiciamento de atribuição exclusiva da autoridade policial, não existe fundamento jurídico 
que autorize o magistrado, após receber a denúncia, requisitar ao Delegado de Polícia o 
indiciamento de determinada pessoa. A rigor, requisição dessa natureza é incompatível com o 
sistema acusatório, que impõe a separação orgânica das funções concernentes à persecução 
penal, de modo a impedir que o juiz adote qualquer postura inerente à função investigatória. 
Doutrina. Lei 12.830/2013. 2. Ordem concedida. 
(HC 115015, Relator (a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 27/08/2013, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-179 DIVULG 11-09-2013) 
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A decisão monocrática do Supremo Tribunal Federal, também traz a respeito do ato 
indevido de indiciamento: 
Decisão monocrática – HC 169.731 
Min. Edson Fachin- abril de 2019. 
O exame de conveniência e oportunidade de que dispõe o Delegado de Polícia, dessarte, 
ressalvada hipótese de ilegalidade ou abuso de poder patente, não está sujeito à revisão 
judicial. 
No caso presente, ao que tudo indica, não houve excepcionalidade que justificasse a 
extraordinária atuação do Juízo singular, pois em verdade, o Delegado de Polícia, após 
conduzir investigação complexa, devidamente instruída por interceptações telefônicas e 
pedidos de quebra de sigilo, decidiu indiciar outros três acusados, mas não indiciou o ora 
paciente. 
Tal opção afigura-se legítima, dentro da margem de discricionariedade regrada de que dispõe 
a autoridade policial. Na fase embrionária em que se encontrava o feito. Nesse contexto, a 
determinação judicial de requisitar à autoridade policial o indiciamento é indevida, não só por 
interferir, sem necessidade em atribuição que, a rigor, é competência privativa do Delegado 
de Polícia, como por ser incompatível com o sistema acusatório. 
 
1.5 Espécies 
O indiciamento pode ser feito de duas maneiras, sendo: 
• INDICIAMENTO DIRETO- quando o investigado se faz presente; 
• INDICIAMENTO INDIRETO- sem a presença do investigado; 
 
Lima (2020) traz que em regra o indiciamento deve ser realizado na presença do 
investigado. Contudo, em hipótese de o investigado não ser localizado ou deixa de 
comparecer injustificadamente, é possível a realização do indiciamento indireto. 
 
1.6 Desindiciamento 
Possibilidade, por via de HC, quando verificado o indiciamento sem elementos 
mínimos de autoria e materialidade, configurando constrangimento ilegal. 
 
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O Habeas corpus é um instrumento que pode ser requerido por qualquer pessoa que 
ache que o seu direito à liberdade está sendo violado. Esta é uma garantia 
constitucional outorgada e segundo a Constituição, a garantia “beneficia quem sofre 
ou se acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, 
por ilegalidade ou abuso de poder".Disposto no Art. 5º da Constituição Federal: 
LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de 
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; 
 
1.1 Sujeito passivo 
Inicialmente, antes de tratarmos propriamente do indiciado, precisamos destacar 
algumas diferenças entre as figuras mencionadas durante uma investigação policial 
até o ingresso em juízo: suspeito, indiciado e o acusado. A figura do suspeito surge 
no início da persecução penal, enquanto a autoridade policial detém poucos 
elementos sobre a autoria do fato. Nesta fase, os indícios ainda são muito frágeis e, 
por isso, o indivíduo é chamado de suspeito, pois, recaem sobre ele meras suspeitas. 
 
Já o indiciado, objeto da nossa aula de hoje, é aquele indivíduo sobre o qual recai uma 
probabilidade maior de ser o autor da infração penal, os indícios de autoria são mais 
fortes, embora sejam comprovados apenas durante a persecução penal, mediante o 
contraditório e a ampla defesa, momento em que o indivíduo passa de indiciado para 
acusado. O termo “acusado” surge apenas após o recebimento da peça acusatória 
pelo juiz, depois de encerrado o inquérito policial. 
 
Assim, conforme destaca Renato Brasileiro de Lima (2020) “o indiciado, então, não se 
confunde com um mero suspeito (ou investigado), nem tampouco com o acusado. 
Suspeito ou investigado é aquele em relação ao qual há frágeis indícios, ou seja, há 
mero juízo de possibilidade de autoria; indiciado é aquele que tem contra si indícios 
convergentes que o apontam como provável autor da infração penal, isto é, há juízo 
de probabilidade de autoria; recebida a peça acusatória pelo magistrado, surge a 
figura do acusado”. 
 
Em consonância, Aury Lopes Jr. (2021) afirma que “uma vez realizado o indiciamento, 
o sujeito só deixará o estado de “indiciado” quando da decisão de arquivamento do 
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inquérito policial, a pedido do Ministério Público, ou quando do recebimento da 
denúncia, momento em que passará a ser chamado de “acusado” ou “réu”. Este 
instituto jurídico pressupõe a existência de indícios de autoria em um grau mais 
elevado do que na condição de mero suspeito, refletindo uma probabilidade de o 
indiciado ser o agente do crime”. 
 
Portanto, o ato de “indiciar é atribuir a autoria (ou participação) de uma infração penal 
a uma pessoa. É apontar uma pessoa como provável autora ou partícipe de um delito” 
(LIMA, 2020). Assim, em regra, qualquer pessoa poderá ocupar a posição de indiciado 
em uma investigação policial. Contudo, algumas pessoas, por ostentarem algumas 
condições especiais, demandam um tratamento diferenciado, conforme veremos na 
sequência. 
 
1.6.1 Membros do Ministério Público 
O inquérito policial instaurado contra um membro do Ministério Público (Promotor 
de Justiça), deve se seguir algumas formalidades especiais. Dispõe o parágrafo único 
do art. 41 da Lei 8.625/93 que, “quando no curso de investigação, houver indício da 
prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público, a autoridade 
policial, civil ou militar remeterá, imediatamente, sob pena de responsabilidade, 
os respectivos autos ao Procurador-Geral de Justiça, a quem competirá dar 
prosseguimento à apuração”. 
 
Assim, embora se trate de uma medida totalmente corporativista, toda vez que um 
Delegado de Polícia, no decorrer de uma investigação criminal, tiver como suspeito 
um Membro do Ministério Público, deverá, imediatamente, sob pena de 
responsabilidade, remeter os respectivos autos a procuradoria geral correspondente, 
a qual será competente para prosseguir com a investigação. 
 
1.6.2 Magistrados 
Outra situação que demanda uma atenção especial, são os inquéritos policiais 
instaurados contra os juízes/magistrados. De acordo com o parágrafo único do art. 33 
da Lei Complementar nº 33/79, “quando, no curso de investigação, houver indício da 
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prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, 
remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o 
julgamento, a fim de que prossiga na investigação”. 
 
Desta forma, assim como ocorre com os membros do Ministério Público, se no curso 
da investigação criminal surgirem indícios de que o crime tenha sido praticado por 
um magistrado, a autoridade policial autora da investigação, deverá remeter os 
respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim 
de que prossiga na investigação. 
 
Ainda, no caso do magistrado, ele possui, dentre os seus direitos, a prerrogativa de 
não ser preso em flagrante, exceto em duas situações: quando em flagrante delito por 
crime inafiançável, devendo, neste caso, imprescindível a comunicação imediata ao 
respectivo tribunal; ou quando ela for decretada pelo próprio tribunal. 
 
Art. 33 - São prerrogativas do magistrado: 
[...] 
II - não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do Órgão Especial 
competente para o julgamento, salvo em flagrante de crime inafiançável, caso em 
que a autoridade fará imediata comunicação e apresentação do magistrado ao 
Presidente do Tribunal a que esteja vinculado. 
 
1.6.3 Autoridades com prerrogativa de foro 
Inicialmente, devido a prerrogativa de função ou, como é vulgar e erroneamente 
chamada, foro privilegiado, os titulares de determinados cargos que deveriam ser 
julgados por autoridades superiores, quando tomavam posse de seus cargos, 
eventuais processos que tramitavam na justiça comum, sobre crimes comuns, eram 
remetidos ao juízo competente para o devido prosseguimento. 
 
No entanto, essa prática foi limitada pelo Supremo Tribunal Federal, o qual determina 
que, apenas serão remetidos ao tribunal superior competente, aqueles processos cujo 
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crime tenha sido praticado no exercício da função ou em razão dela, pois, o foro por 
prerrogativa de função não é uma garantia pessoa do indivíduo, mas um instituto que 
visa proteger o exercício adequado da função exercida pelo agente. 
 
Além disso, antes dessa mudança de entendimento, no julgamento do Inquérito nº 
2411 o Supremo Tribunal Federal, já tinha decidido a respeito do indiciamento das 
autoridades com prerrogativa de foro, 
(...)A prerrogativa de foro é uma garantia voltada não exatamente para os interesses do 
titulares de cargos relevantes, mas, sobretudo, para a própria regularidade das 
instituições. Se a Constituição estabelece que os agentes políticos respondem, por crime 
comum, perante o STF (CF, art. 102, I, b), não há razão constitucional plausível para que as 
atividades diretamente relacionadas à supervisão judicial (abertura de procedimento 
investigatório) sejam retiradas do controle judicial do STF. A iniciativa do procedimento 
investigatório deve ser confiada ao MPF contando com a supervisão do Ministro-Relator do 
STF. 5. A Polícia Federal não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial para apurar a 
conduta de parlamentares federais ou do próprio Presidente da República (no caso do STF). 
No exercício de competência penal originária do STF (CF, art. 102, I, “b” c/c Lei nº 8.038/1990, 
art. 2º e RI/STF, arts. 230 a 234), a atividade de supervisão judicial deve ser constitucionalmente 
desempenhada durante toda a tramitação das investigações desde a abertura dos 
procedimentos investigatórios até o eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus 
litis. 6. Questão de ordem resolvida no sentido de anular o ato formal de indiciamento 
promovido pela autoridade policial em face do parlamentar investigado. 
 
Isto é, com a decisão do Inquérito, o Supremo entendeu que, tanto a abertura do 
Inquérito Policial, em relação as autoridades com prerrogativade foro, quanto o seu 
indiciamento, só poderiam ser realizados com autorização do Supremo Tribunal 
Federal. No entanto, este julgado contraria todas as premissas da mínima intervenção 
por parte da autoridade julgadora que, somente é instado a funcionar quando se tratar 
de cláusula de reserva da jurisdição ou quando é provocado pelas partes, defendidas 
até então. A decisão do Supremo defende a intervenção necessária do poder 
judiciário, no caso de abertura do inquérito policial e para se realizar o indiciamento 
daquelas autoridades com prerrogativa de foro. 
 
Desta forma, podemos dizer que, todas as autoridades com foro por prerrogativa de 
função vão ter o seu indiciamento submetido ao crivo do tribunal competente. Isso, 
contudo, não significa dizer que o respectivo tribunal será o responsável por realizar 
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o indiciamento da autoridade, essa função será desempenhada pelo Delegado de 
Polícia 
 
1.6.4 Crimes de lavagem de dinheiro e indiciamento do servidor público 
A Lei 9.613/98 que trata sobre os crimes de lavagem de dinheiro passou por uma 
grande reforma em 2012 com o advento da Lei 12.683. Dentre muitos dispositivos, a 
nova Lei incluiu o art. 17-D, o qual prevê que “em caso de indiciamento de servidor 
público, este será afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos 
em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu 
retorno”. 
 
Assim, observe que, o funcionário indiciado por crime de lavagem de dinheiro, será, 
desde logo, afastado de suas funções, permanecendo, nestas condições, até que o juiz 
competente autorize seu retorno. Obviamente, o servidor não terá nenhum prejuízo 
com relação a sua remuneração, mas, é inegável que a situação do afastamento, gera 
um estigma sob o funcionário, pois, ainda que esteja apenas na condição de 
investigado, aos olhos alheios transmite uma imagem de culpa. 
 
Desta forma, o procedimento previsto no art. 17-D, ainda que empregado para facilitar 
o procedimento investigatório, viola o princípio constitucional da presunção de 
inocência. Contudo, de acordo com outro princípio, desta vez, o da presunção de 
constitucionalidade das leis, toda norma será considerada constitucional até que parta 
do Supremo Tribunal Federal uma declaração contraria, reconhecendo a 
inconstitucionalidade da referida norma. Portanto, ainda que o magistrado, no 
julgamento individual de cada caso, possa afastar a aplicação da norma, essa situação 
não se estende as demais. 
 
1.2 Conclusão do inquérito 
Conforme mencionamos, o inquérito policial trata-se de um procedimento transitório, 
ou seja, depois de iniciado deve ser concluído em um prazo específico, não é possível 
que a autoridade policial mantenha a investigação “ad aeternum”. Assim, de acordo 
com o disposto no art. 10 do Código de Processo Penal, o inquérito policial, depois 
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de iniciado, deverá terminar no prazo de 10 dias se o indiciado estiver preso ou em 
30 dias se o indiciado estiver solto. 
 
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido 
preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta 
hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 
dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. 
 
Para que se realize a prisão em flagrante ou preventiva do indivíduo, é necessário que 
existam alguns pressupostos. Conforme dispõe o art. 302 considera-se em flagrante 
delito quem: a) está cometendo a infração penal; b) quem acaba de cometê-la; c) é 
perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em 
situação que faça presumir ser autor da infração penal; c) é encontrado, logo depois, 
com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da 
infração. Assim, só poderá ser preso em flagrante, quem se encontrar sob estas 
condições, caso contrário a prisão será ilícita. 
 
Além disso, no caso da prisão preventiva, determina o art. 312 do Código de Processo 
Penal que esta, só poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem 
econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da 
lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria 
e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. 
 
Portanto, quando o sujeito tem sua liberdade cerceada, através da prisão processual, 
a restrição da liberdade será mantida com base em dois pressupostos, o fumus comissi 
delicti e o periculum libertatis, ou seja, de forma sucinta, significa que para manter o 
indivíduo em cárcere é necessário que exista prova do cometimento do crime e 
indícios suficientes de autoria. Assim, se, em tese, o indivíduo já está preso mediante 
essas condições, não há necessidade de prolongar o período de investigação sobre 
uma pessoa que já carrega sobre si indícios suficientes de autoria sobre a prática de 
determinado crime. 
 
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Contudo, na prática, além desses elementos que ensejam e mantêm a prisão, sabemos 
que é necessário que, durante o andamento do inquérito, algumas diligências sejam 
realizadas, como, por exemplo, os laudos periciais, que demandam algum tempo e 
podem acabar extrapolando o prazo estabelecido para a conclusão do inquérito 
policial, sendo necessário prorrogá-lo, até porque, quando ultrapassado o período do 
inquérito, o indivíduo que ainda se encontrar encarcerado, deverá, imediatamente, ter 
sua prisão relaxada, uma vez que ela se tornou ilícita. 
 
1.6.5 Prorrogação do prazo 
Em regra, o prazo do inquérito policial é improrrogável. No entanto, diante de algumas 
situações, a Lei autoriza que ele seja realizado em um período maior do que o contido 
no art. 10 do CPP – 10 dias para indiciado preso e 30 para indiciado solto. Essa questão 
é tratada de forma mais enérgica nos processos em que o indiciado está preso, pois, 
quando estamos diante de um inquérito policial cujo indiciado está solto, a 
prorrogação se torna, muitas vezes, aceitável e necessária, lembrando, é claro, do 
princípio da razoável duração do processo. 
 
Em se tratando de indiciado solto, na prática, o inquérito policial passa diversas vezes 
do Delegado de Polícia para o Promotor de Justiça e vice-versa, é uma prática comum 
da investigação, até que o inquérito esteja totalmente apto para embasar a denúncia. 
Um exemplo dessa situação, é o disposto no § 3º do já mencionado art. 10 do CPP 
que, “quando o fato for de difícil elucidação e o indiciado estiver solto a autoridade 
poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão 
realizadas no prazo marcado pelo juiz”. 
 
Por outro lado, em se tratando de indiciado preso, o Código de Processo Penal, como 
uma novidade trazida pela Lei 13.964/19, comumente conhecida como Pacote 
Anticrime, excepciona a regra da não prorrogação do prazo do inquérito policial no 
caso de indiciado preso e determina no art. 3º-B, § 2º que, “se o investigado estiver 
preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e 
ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 
15 dias, após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será 
imediatamente relaxada”. 
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No entanto, é importante destacar que, durante a elaboração desta unidade, o art. 3º-
B, § 2º do CPP encontra-se com sua eficácia suspensa devido a liminar concedida na 
ADI-6305 ajuizada pela Conamp contra alguns dispositivos do Pacote Anticrime, “que 
alterou o sistema penal brasileiro para introduzir o juiz das garantias. Segundo a 
entidade, a normainviabiliza a atuação funcional plena e fere a autonomia dos 
membros do Ministério Público, além de contrariar o sistema acusatório e os 
princípios da isonomia, da razoabilidade e da proporcionalidade” (STF, 2020). 
 
Portanto, de acordo com a atualização proposta pelo Pacote Anticrime, o prazo para 
conclusão do inquérito policial e a prorrogação ficará da seguinte forma: 
 
 PRAZO NORMAL PRORROGAÇÃO 
INDICIADO SOLTO 10 dias + 15 dias (única vez) 
INDICIADO PRESO 30 dias 
Prorrogável quantas 
vezes necessário 
 
 
1.6.6 Natureza do prazo do inquérito policial 
Existe uma divergência doutrinária quanto a natureza do prazo para conclusão do 
inquérito policial do indiciado preso, uma vez que, o prazo do indiciado solto é 
notoriamente processual, pois, não mantém nenhum reflexo penal sobre o agente 
investigado. Já, com relação ao indiciado preso, não existe uma posição pacífica ou 
majoritária na doutrina, uma parcela afirma que se trata de um prazo material, à 
medida que outros defendem ser um prazo processual. 
 
No entanto, a definição do prazo do indiciado preso não se resume a uma simples 
formalidade, o ato de considerá-lo como material ou processual representa algumas 
implicações no mundo jurídico, pois, na contagem do prazo processual não se inclui 
o dia de início e considera-se o último, além disso, neste caso, o prazo não se encerra 
nem se inicia em finais de semana ou feriados, prorrogando-se, automaticamente, 
para o próximo dia útil subsequente. Já o prazo material, correrá de acordo com o 
disposto no art. 10 do Código Penal, incluindo o dia de início e desconsiderando o dia 
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do final. Portando, a depender da natureza jurídica considerada, o inquérito policial 
pode se encerrar em datas diferentes e, caso se mantenha de forma injustificada, 
poderá gerar a ilegalidade da prisão. 
 
1.6.7 Justiça Federal 
As regras relativas ao procedimento comum, dispostas no Código de Processo Penal 
são aplicadas, essencialmente, na Justiça Comum, dado que, a Justiça Federal possui 
algumas particularidades previstas em lei própria (nº 5.010/66) que, seguindo a 
premissa do princípio da especialidade, serão aplicadas em detrimento as gerais. 
 
No entanto, dispõe o art. 66 da Lei 5.010/66 apenas sobre o prazo do encerramento 
do inquérito policial do indiciado preso e como se mantem omisso quanto ao 
indiciado solto, aplica-se, de forma subsidiária, a regra geral disposta no Código de 
Processo Penal. Assim, em se tratando de indiciado solto, o inquérito policial deverá 
ser concluído em até 30 dias, podendo ser prorrogado quantas vezes necessário, 
observando, é claro, o princípio da duração razoável do processo. Já, no caso de o 
indiciado estar preso, o prazo para conclusão do inquérito policial será de 15 dias, 
podendo ser prorrogado por igual período. Observe que, no caso da Justiça Federal, 
a possibilidade de prorrogação do inquérito policial no caso de indiciado preso existe 
desde 1966. 
 
Art. 66. O prazo para conclusão do inquérito policial será de quinze dias, quando 
o indiciado estiver prêso, podendo ser prorrogado por mais quinze dias, a pedido, 
devidamente fundamentado, da autoridade policial e deferido pelo Juiz a que 
competir o conhecimento do processo. 
Parágrafo único. Ao requerer a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito, 
a autoridade policial deverá apresentar o prêso ao Juiz. 
 
1.6.8 Justiça Militar 
Assim como na Justiça Federal, a Justiça Militar guarda alguns regramentos próprios 
com relação ao encerramento do inquérito policial. De acordo com o art. 20 do Código 
de Processo Penal Militar – CPPM, em se tratando de indiciado preso, o inquérito 
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deverá se encerrar em até 20 dias, não havendo previsão a respeito de prorrogação. 
Por outro lado, em se tratando de indiciado solto, o inquérito se encerrará em até 40 
dias, podendo ser prorrogado por mais 20. 
 
Art 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o indiciado estiver prêso, 
contado esse prazo a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no 
prazo de quarenta dias, quando o indiciado estiver sôlto, contados a partir da data 
em que se instaurar o inquérito. 
 
1.6.9 Lei de drogas 
A Lei de Drogas (nº 11.343/06) estabelece um procedimento especial para o inquérito 
policial que se realizar no seu âmbito, dispondo, no seu art. 51, que “o inquérito 
policial será concluído no prazo de 30 dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 dias, 
quando solto” e, considerando ainda a necessidade de elaboração de laudos para 
aferir a natureza da substância ilícita, estabelece, desde logo, um prazo maior para a 
conclusão do inquérito (prorrogação por igual período), resultando em 90 dias 
prorrogáveis por mais 90 quando o indiciado estiver solto, e 30 dias prorrogáveis por 
igual período quando o indiciado estiver preso. 
 
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o 
indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto. 
Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo 
juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de 
polícia judiciária. 
 
Ainda, no que diz respeito ao prazo para conclusão do inquérito de crimes de 
competência da Justiça Federal, como no caso de tráfico internacional de drogas, por 
exemplo, estamos diante de duas exceções aplicáveis ao prazo do inquérito, mas em 
virtude do princípio da especialidade permite-se a aplicação do disposto na Lei de 
Drogas, tendo em vista que seu grau de especialidade é maior com relação a conduta 
praticada. 
 
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1.6.10 Economia popular 
Diferente das situações tratadas anteriormente, a Lei dos Crimes Praticados Contra a 
Economia Popular (nº. 1.521/51) trata o prazo para encerramento do inquérito policial 
de forma singular, unificando o período de 10 dias tanto para indiciado solto, quanto 
para o indiciado preso. Assim, conforme dispõe o art. 10 da referida Lei, “os atos 
policiais (inquérito ou processo iniciado por portaria) deverão terminar no prazo de 
10 dias”. 
 
1.6.11 Prisão temporária 
Outra situação que demanda muita atenção é o prazo para conclusão do inquérito 
policial quando tiver sido decretada a prisão temporária do indiciado. Nas palavras de 
Eugênio Pacelli (2021) a prisão temporária é aquela que possui a finalidade “de 
acautelamento das investigações do inquérito policial, consoante se extrai do art. 1º, 
I, da Lei nº 7.960/89, no que cumpriria a função de instrumentalidade, isso é, de 
cautela. E será ainda provisória, porque tem a sua duração expressamente fixada em 
lei, como se observa de seu art. 2º e também do disposto no art. 2º, § 4º, da Lei nº 
8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos)”. 
 
Assim, de acordo com o art. 2º da Lei 7.960/89 a prisão temporária será decretada 
pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial ou de requerimento do 
Mistério Público, e terá o prazo de 5 dias, prorrogável por igual período no caso de 
extrema e comprovada necessidade. Contudo, em se tratando de crime hediondo ou 
equiparado – Lei n. 8.072/90 – a regra é excepcionada e, o prazo da prisão temporária, 
de 5 dias prorrogável por mais 5 aumenta para 30 dias, prorrogável por mais 30. 
 
Desta forma, por mais que o prazo para a conclusão do inquérito policial de indiciado 
preso, em regra, seja de 10 dias, no caso de sobrevir prisão temporária, o prazo 
adotado será aquele atribuído a prisão temporária. No mesmo sentido, Renato 
Brasileiro de Lima (2020) afirma que, “se a prisão temporária foi decretada para auxiliar 
nas investigações em relação a crimes hediondos e equiparados, tem-se que o prazo 
máximo para a conclusão das investigações é de 60(sessenta) dias, sendo inviável 
que, após esse interstício de 60 (sessenta) dias, a autoridade policial disponha de mais 
10 (dez) dias para finalizar o inquérito policial”. 
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1.6.12 Quadro sinóptico 
Para facilitar sua compreensão a respeito de todas essas exceções, observe a tabela 
comparativa com todos os prazos tratados até então. 
 
 INVESTIGADO 
PRESO 
INVESTIGADO 
SOLTO 
Regra geral (art. 10 c/c art. 3º-B do CPP) 10 + 15* 30 dias 
Justiça Federal 15 + 15 30 dias 
Justiça Militar 20 dias 40 + 20 
Lei de Drogas 30 + 30 90 + 90 
Crimes contra a economia popular 10 10 
Prisão temporária (crimes hediondos e 
equiparados) 
30 + 30 Ñ se aplica 
*Lembre-se que, o artigo 3º-B do CPP, incluído pelo Pacote Anticrime, está, 
atualmente, com a eficácia suspensa devido a decisão do Supremo Tribunal Federal. 
Tabela 1 – Prazos para conclusão do inquérito policial. 
Fonte: Adaptado de Lima, 2020. 
 
1.3 Relatório final 
Após finalizada a fase investigativa, a autoridade policial, através do Delegado de 
Polícia, deverá reduzir todo o procedimento em um relatório final. De acordo com o 
art. 10 do Código de Processo Penal, “a autoridade fará minucioso relatório do que 
tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente”. 
 
Conforme destaca Renato Brasileiro de Lima (2020) “cuida-se, o relatório, de peça 
elaborada pela autoridade policial, de conteúdo eminentemente descritivo, onde deve 
ser feito um esboço das principais diligências levadas a efeito na fase investigatória, 
justificando-se até mesmo a razão pela qual algumas não tenham sido realizadas, 
como, por exemplo, a juntada de um laudo pericial, que ainda não foi concluído pela 
Polícia Científica”. 
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1.4 Destinatário do inquérito policial 
Em consonância com o disposto no já citado art. 10, § 1º, após finalizado o relatório, 
será encaminhado diretamente ao juiz competente, uma vez que ele será o 
destinatário. No entanto, como bem destaca Renato Brasileiro de Lima (2020) “a 
despeito do teor referido dispositivo, por conta da adoção do sistema acusatório pela 
Constituição Federal, outorgando ao Ministério Público a titularidade da ação penal 
pública, não há como se admitir que ainda subsista essa necessidade de remessa inicial 
dos autos ao Poder Judiciário”. 
 
Assim, muitas vezes como acaba ocorrendo na prática, os autos do inquérito 
juntamente com o relatório final, embora sejam destinados ao Poder Judiciário, são 
imediatamente remetidos ao Ministério Público para adoção das medidas cabíveis, 
exceto quando haja formulação de pedidos cautelares. Na realidade, essa remessa é 
feita pelos próprios servidores públicos que, geralmente, se valem de Portarias 
existentes no próprio tribunal, que acabam autorizando essa prática. 
 
1.5 Inquérito policial na ação penal privada 
Em se tratando de ação penal privada, devem os autos aguardar iniciativa do ofendido 
ou do representante legal, legitimado, para ingressar com a demanda em juízo. A 
respeito disso, dispõe o art. 19 do Código de Processo Penal que, “nos crimes em que 
não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, 
onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão 
entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado”. 
 
Lembrando que, as investigações iniciais acerca do inquérito policial, no caso das 
ações penais privadas e públicas condicionadas a representação, só podem ser 
instauradas mediante a requisição o ofendido, caso contrário, nem essas poderiam 
ocorrer. Desta forma, consonante ao disposto no Código de Processo Penal, após o 
encerramento das investigações, o inquérito policial juntamente com o relatório final, 
serão remetidos ao juiz, que aguardará iniciativa do ofendido ou do representante 
legal, legitimado, para ingressar com a demanda em juízo. 
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1.6 Providências adotadas após a remessa do inquérito policial 
Nos crimes de ação penal pública incondicionada ou condicionada a representação 
do ofendido, após a manifestação de interesse do mesmo, os autos do inquérito 
policial são encaminhados ao Ministério Público, o qual poderá adotar uma das 
seguintes providências: 
 
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO-PENAL 
A possibilidade de oferecimento do acordo de não persecução-penal, está previsto 
no art. 28-A do Código de Processo Penal e, é uma das muitas novidades trazidas 
pelo Pacote Anticrime, com a Lei n. 13.964/19. Essa medida, nas palavras de Eugênio 
Pacelli (2021) “se restringe aos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, 
com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos e confessados pelo agente, e deverá ser 
proposto caso o Ministério Público entenda ser necessário e suficiente para a 
reprovação e prevenção do crime (art. 28-A)”. 
 
Além disso, faz com que o acusado se comprometa a realizar as seguintes condições, 
que podem ser impostas de forma alternativa ou cumulativamente: 
→ reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-
lo; 
→ renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público 
como instrumentos, produto ou proveito do crime; 
→ prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período 
correspondente à pena mínima cominada ao delito diminuída de um a dois 
terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do 
Código Penal; 
→ pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Código 
Penal, a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da 
execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos 
iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; 
→ cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério 
Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada. 
 
OFERECIMENTO DA DENÚNCIA 
Ao receber os autos do inquérito policial, o Ministério Público poderá oferecer a 
denúncia e acusar o indiciado, seguindo todo o procedimento para a instauração da 
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ação penal, assunto que trabalharemos melhor adiante. 
 
ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO 
Após verificar os autos do inquérito policial, o Promotor de Justiça responsável, 
poderá entender que, por faltarem elementos suficientes para o oferecimento da 
denúncia. A possibilidade de arquivamento do inquérito está disciplinada a partir 
do art. 17 do Código de Processo Penal, matéria que foi profundamente alterada 
pelo Pacote Anticrime com a Lei n. 13.964/19, situações que pontuaremos melhor 
na sequência. 
 
REQUISITAR DILIGÊNCIAS 
Neste caso, ao receber os autos do inquérito policial, entendendo necessário, o 
Ministério Público poderá requisitar diligências ao delegado de polícia. Essa 
possibilidade é autorizada pelo artigo 129, VIII da Constituição Federal – são funções 
institucionais do Ministério Público [...] requisitar diligências investigatórias e a 
instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas 
manifestações processuais – e pelo art. 13, II do Código Penal – incumbirá ainda à 
autoridade policial [...] realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério 
Público. 
Além disso, conforme destaca Renato Brasileiro de Lima (2020) “de acordo com o 
art. 16 do CPP, o Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito 
à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento 
da denúncia. Como exposto anteriormente, a legislação processual penal confere ao 
Delegado de Polícia discricionariedade para conduzir a investigação criminal por 
meio de inquérito policial, podendo, para tanto, requisitar perícias, informações,documentos e dados que interessem à apuração dos fatos (Lei nº 12.830/13, art. 2º, 
§§ 2º e 3º)”. 
 
REQUERER A DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA 
Ao receber os autos do inquérito policial, se o Ministério Público verificar que o juízo 
o qual está vinculado, não é o competente para julgar determinada causa, deverá 
requerer ao juiz que remeta os autos ao juízo competente. No mesmo sentido, 
Renato Brasileiro de Lima (2020) afirma que, “caso o Promotor de Justiça entenda 
que o juízo perante o qual atua não é dotado de competência para o julgamento 
do feito, deve requerer ao juiz que remeta os autos ao juiz natural”. 
 
 
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SUSCITAR UM CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
Neste caso, diferente do anterior que nenhuma autoridade tinha se manifestado a 
respeito da competência, há uma manifestação prévia de outro órgão jurisdicional 
declinando a sua competência para processar e julgar o caso. Conforme destaca 
Renato Brasileiro de Lima (2020) “quando se fala em conflito de competência, 
significa dizer que já houve prévia manifestação de outro órgão jurisdicional, daí por 
que não se pode requerer o retorno dos autos àquele juízo – deve-se, sim, suscitar 
conflito de competência”. 
 
1.7 Arquivamento do Inquérito Policial 
A Lei n. 13.964 de 2019 (denominada Pacote Anticrime) alterou e inseriu alguns 
dispositivos em diversos diplomas legais. Na época, vinte e quatro pontos da lei foram 
vetados pelo Presidente da República, contudo, aproximadamente um ano depois, o 
Congresso Nacional derrubou alguns dos vetos. Outros pontos, no entanto, tiveram 
sua eficácia suspensa pela medida liminar concedida pelo Ministro Luiz Fux – ADI 6298 
MC/DF – dentre eles, a nova redação do art. 28 do Código de Processo Penal quanto 
ao arquivamento do inquérito policial. Assim, neste tópico apresentaremos os dois 
sistemas, o antigo, que está em vigor por enquanto, e o novo, que está suspenso, mas 
pode vigorar a qualquer momento. 
 
Quando o inquérito policial é encaminhado ao Ministério Público, o promotor poderá 
optar por a) oferecer a denúncia; b) solicitar ou realizar diligências; ou c) determinar o 
arquivamento. Contudo, na atualidade, o art. 28 do Código de Processo Penal traz a 
redação dada pela Lei n. 13.964 de 2019 (denominada Pacote Anticrime) quanto ao 
procedimento do arquivamento policial, que no momento se encontra suspensa, mas 
pode vigorar a qualquer momento. 
 
 
OBSERVE QUE, na atualidade, se aplica o disposto na sistemática antiga, antes da lei 
13964/19, o arquivamento ocorre pelo requerimento do MP (promoção de 
arquivamento), seguida da concordância do juiz com homologação judicial. 
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Abaixo há um quadro comparativo com a redação atual e a antiga: 
Sistemática Atual Sistemática Antiga 
Art. 28. Ordenado o arquivamento 
do inquérito policial ou de quaisquer 
elementos informativos da mesma 
natureza, o órgão do Ministério 
Público comunicará à vítima, ao 
investigado e à autoridade policial e 
encaminhará os autos para a 
instância de revisão ministerial para 
fins de homologação, na forma da lei. 
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
Art. 28. Se o órgão do Ministério 
Público, ao invés de apresentar a 
denúncia, requerer o arquivamento 
do inquérito policial ou de quaisquer 
peças de informação, o juiz, no caso 
de considerar improcedentes as 
razões invocadas, fará remessa do 
inquérito ou peças de informação ao 
procurador-geral, e este oferecerá a 
denúncia, designará outro órgão do 
Ministério Público para oferecê-la, ou 
insistirá no pedido de arquivamento, 
ao qual só então estará o juiz 
obrigado a atender. 
 
1.7 Atribuição 
 
ATENÇÃO! O delegado de polícia não poderá realizar o arquivamento do inquérito 
em nenhuma hipótese. 
 
1.8 Fundamentos 
O Ministério Público apresenta a denúncia, o juiz analisa (recebe ou rejeita). A 
denúncia será rejeitada nas hipóteses previstas no art. 395 do Código de Processo 
Penal, mas se a denúncia é recebida, o art. 396 deverá ser contemplado, o qual 
determina a resposta a acusação (defesa preliminar), o juiz deverá analisar novamente 
a denúncia, quando possível a hipótese de absolvição sumaria será aplicada a qual 
está prevista no art. 397. 
 
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Lima (2020) compreende que o Código de Processo Penal silencia a respeito das 
hipóteses em que autoriza o arquivamento do inquérito policial, em relação às 
situações em que o Ministério Público deva oferecer denúncia. O autor cita que: 
Em que pese o silêncio do CPP, é possível a aplicação, por analogia, das hipóteses de rejeição 
da peça acusatória e de absolvição sumária, previstas nos arts. 395 e 397 do CPP, 
respectivamente. Em outras palavras, se é caso de rejeição da peça acusatória, ou se está 
presente uma das hipóteses que autorizam a absolvição sumária, é porque o Promotor de 
Justiça não deveria ter oferecido a denúncia em tais hipóteses (LIMA, 2020, p.235, grifo 
nosso). 
 
Disposto no art. 395 no Código de Processo Penal, traz as hipóteses de rejeição da 
denúncia: 
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 
2008). 
I - for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 
II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou (Incluído pela 
Lei nº 11.719, de 2008). 
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. 
 
• O inciso I traz o necessário para uma denuncia efetiva, o art 41 do Código de 
Processo Penal traz sobre a inépcia da denúncia, para uma maior compreensão 
o leia (são as formalidades necessárias para uma denúncia). Nucci (2020) 
entende que se configura inépcia da peça acusatória quando não se prestar 
aos fins aos quais se destina, ou seja, não possuir a aptidão para concentrar o 
conteúdo da imputação, permitindo ao réu a exata compreensão da amplitude 
da acusação, isso o garante a possibilidade de exercer o contraditório e a ampla 
defesa. 
 
• Já o inciso II traz o pressuposto processual e a condição da ação, o 
pressuposto processual é um requisito necessário para a validade e existência 
da relação processual, para que o processo atinja o seu fim. Já a condição da 
ação é um requisito exigido pela lei para que o órgão acusatório, ao exercer o 
direito de ação, consiga do Poder Judiciário a análise quanto à existência da 
pretensão punitiva do Estado e a possibilidade de sua efetivação (NUCCI, 2020). 
 
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• O inciso III se refere a justa causa, compreenda como o lastro probatório 
mínimo de materialidade e autoria (mais conhecido como arquivamento por 
falta de provas). 
 
O art. 396 está previsto no Código de Processo Penal disciplina os procedimentos 
ordinário e sumário: 
Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se 
não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à 
acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). 
Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir 
do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. (Redação dada pela Lei 
nº 11.719, de 2008). 
 
Se o juiz não rejeita liminarmente a peça acusatória, deverá recebê-la. Portanto, ao 
preencher as condições da ação penal, estando apta a peça acusatória, havendo justa 
causa, o magistrado deve receber a queixa ou denúncia. O acusado deverá apresentar 
argumentos para contrariar a acusação. Nucci (2020, p. 1385) compreende que “A 
vantagem dessa resposta, entretanto, quanto mais minuciosa for, é encaminhar o caso 
a eventual possibilidade de absolvição sumária (art. 397, CPP). Entretanto,atualmente, 
a resposta do acusado é obrigatória, diversamente do que ocorria antes da reforma 
processual penal de 2008”. 
 
 
ATENÇÃO! Ao ser citado por edital, se o réu não se apresentar pessoalmente ou não 
constituir defensor, o processo será suspenso, até que seja localizado. 
 
O art. 397 traz essas hipóteses da absolvição sumaria: 
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz 
deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, 
de 2008). 
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; (Incluído pela Lei nº 11.719, 
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de 2008). 
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo 
inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 
2008). 
IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 
 
Com a absolvição sumária se estabeleceu no contexto criminal uma espécie de 
julgamento antecipado do processo. 
• O inciso I traz a defesa prévia, onde se apresenta uma contra-argumentação e 
uma contraprova a qual seja tão forte que a torna manifesta a licitude da 
conduta. 
• O inciso II traz que logo após o recebimento da queixa ou denúncia, o juiz pode 
vislumbrar causa manifesta de exclusão da culpabilidade, pois o réu ofereceu 
defesa prévia. 
• O inciso III há a hipótese da atipicidade patente, pois se o fato exposto não é 
crime e a situação é evidente, o juiz deveria rejeitar a queixa ou denúncia. 
• O inciso IV o indivíduo vem a falecer por exemplo ou a prescrição ocorre. 
 
1.9 Procedimento de Arquivamento 
Relembre que a Lei n. 13.964 de 2019 (denominada Pacote Anticrime) alterou e inseriu 
alguns dispositivos em diversos diplomas legais, mas tiveram sua eficácia suspensa 
pela medida liminar concedida pelo Ministro Luiz Fux – ADI 6298 MC/DF – dentre eles, 
a nova redação do art. 28 do Código de Processo Penal quanto ao arquivamento do 
inquérito policial. Isto é, na atualidade, se aplica o disposto na sistemática antiga, antes 
da lei 13964/19, ou seja, o arquivamento ocorre pelo requerimento do MP (promoção 
de arquivamento), seguida da concordância do juiz com homologação judicial. Abaixo 
há um quadro comparativo com a redação atual e a antiga: 
 
 
 
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Redação Pacote Anticrime Sistemática Antiga 
Art. 28. Ordenado o arquivamento do 
inquérito policial ou de quaisquer 
elementos informativos da mesma natureza, 
o órgão do Ministério Público comunicará à 
vítima, ao investigado e à autoridade policial 
e encaminhará os autos para a instância de 
revisão ministerial para fins de 
homologação, na forma da lei. (Redação 
dada pela Lei nº 13.964, de 2019) 
Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, 
ao invés de apresentar a denúncia, requerer 
o arquivamento do inquérito policial ou de 
quaisquer peças de informação, o juiz, no 
caso de considerar improcedentes as razões 
invocadas, fará remessa do inquérito ou 
peças de informação ao procurador-geral, e 
este oferecerá a denúncia, designará outro 
órgão do Ministério Público para oferecê-la, 
ou insistirá no pedido de arquivamento, ao 
qual só então estará o juiz obrigado a 
atender. 
 
Na sistemática antiga, no art. 28 o juiz é fiscal do princípio da obrigatoriedade da 
ação penal, a qual é a atualmente vigente, em virtude da liminar concedida pelo Min. 
Fux que suspendeu a eficácia da nova redação. Ou seja, o Ministério Público não 
arquiva, mas sim, solicita o arquivamento para o juiz, que poderá concordar ou divergir 
do entendimento do Ministério Público. Já na sistemática atual (conhecido como 
pacote anticrime) não há a participação do juiz fiscal na nova redação do art. 28, 
inserindo o próprio Ministério Público como fiscalizador. 
 
A suspensão da eficácia da nova redação ocorreu, pois estaria a lei de maneira 
inconstitucional gerando uma ingerência indevida na forma de organização do 
Ministério Público, pois este não estaria preparado para realizar unitariamente o 
arquivamento do Inquérito Policial, desta maneira ocorreu a suspensão, permitindo 
que o Ministério seja reorganizado. 
 
 
REDAÇÃO PACOTE ANTICRIME 
 
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Art. 28 (...) § 1º Se a vítima, ou seu 
representante legal, não concordar 
com o arquivamento do inquérito 
policial, poderá, no prazo de 30 
(trinta) dias do recebimento da 
comunicação, submeter a matéria à 
revisão da instância competente do 
órgão ministerial, conforme dispuser 
a respectiva lei orgânica. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
(Vigência) 
 
Art. 28 (...) § 2º Nas ações penais 
relativas a crimes praticados em 
detrimento da União, Estados e 
Municípios, a revisão do 
arquivamento do inquérito policial 
poderá ser provocada pela chefia do 
órgão a quem couber a sua 
representação judicial. (Incluído pela 
Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
 
1.10 Procedimento Vigente 
O procedimento vigente é o anterior a redação dada pelo pacote anticrime, ou seja, 
é o procedimento antigo do Código de Processo Penal, mas lembre-se que a redação 
nova pode viger a qualquer momento. 
 
O procedimento depende do requerimento do Ministério Público, o qual não arquiva, 
mas solicita o arquivamento para o juiz, deve ocorrer uma concordância entre juiz e 
Ministério Público, pois se há divergência, Lopes Jr cita que o juiz poderá: 
[...] determinar a remessa para o procurador-geral do MP, que poderá (inclusive através de 
outro promotor designado) insistir no arquivamento (e então não restará ao juiz outra opção 
do que arquivar) ou oferecer denúncia (que voltará para aquele mesmo juiz julgar...eis o ranço 
inquisitório) (LOPES JR, p.306). 
 
No Âmbito Da Justiça Estadual o procurador geral de justiça (PGJ) delega aos 
promotores do 28, o qual realizará a análise dos processos em que há a discordância 
entre o Ministério e o Juiz. Já no Âmbito Da Justiça Federal, o órgão que possuíra 
esta competência de analisar será a câmara de coordenação e revisão (CCR). 
 
Sobre o procedimento: 
• Depende de requerimento do MP (promoção de arquivamento); 
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• Exige concordância do juiz (decorre do consenso entre MP e juiz); 
 
• Em caso de discordância, há submissão ao órgão de revisão do MP (se o juiz 
discorda do arquivamento, ocorre a submissão a revisão); 
 
• Princípio da devolução; 
 
Hipóteses de Divergência entre Ministério Público e Juiz 
O princípio da devolução tem sido aplicado em diversas hipóteses em que há 
divergência entre a posição do Ministério Público e a do Juiz. Há a remessa para que 
seja realizada uma nova análise, conhecido como o “MANDAR PELO 28”. 
Exemplos: 
1- Quando o Ministério Público recusa de maneira injustificada em oferecer a 
suspensão condicional do processo ou a proposta de transação penal: nesse 
sentido há a súmula nº 696 do Supremo Tribunal Federal, a qual expressa que: 
Súmula 696, STF. Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do 
processo, mas se recusando o promotor de justiça a propô-la, o juiz, dissentindo, remeterá a 
questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal. 
 
2- Art. 384, CPP. Mutatio libelli 
O mutatio libelli é uma mudança na acusação, a qual decorre de um novo 
elemento (circunstância) que surge contido na denúncia, por exemplo: 
Há uma denúncia por furto e no decorrer do processo descobre-se que além de furto houve 
violência no crime, tornando-se um crime de roubo há uma mudança na acusação, assim, 
mudando o fato surge circunstância nova. 
 
• Se o ministériopúblico não realizar o aditamento da denúncia, o juiz poderá 
aplicar o art. 28 do CPP ou o famoso “mandar pelo 28”. 
 
3- O acordo de não persecução penal 
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O acordo de não persecução penal é basicamente um modelo de justiça 
consensual negociada, isto é, possui o intuito de evitar encarcerar os indivíduos 
que cometem infrações de menor expressão, o fazendo admitir o erro, 
pretendendo não mais delinquir. 
 
Este é um ajuste obrigacional, o qual é celebrado entre o Ministério Público e o 
investigado, sendo assistido por advogado. 
 
• Também se aplica o art. 28 do CPP ao acordo de não persecução penal. 
Art. 28-A, CPP. §14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo 
de não persecução penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão superior, 
na forma do art. 28 deste Código. 
 
4- Arquivamento indireto 
O arquivamento indireto caracteriza um conflito positivo-negativo de atribuição 
e competência. Renato Brasileiro cita que ocorre quando “ [...] o juiz, em virtude 
do não oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, fundamentado em 
razões de incompetência da autoridade jurisdicional, recebe tal manifestação 
como se tratasse de um pedido de arquivamento (LIMA, 2020, p. 255),”. 
 
Por exemplo, o Ministério Público não poderá obrigar o Procurador-Geral da 
República a denunciar os crimes que entender não ser de sua atribuição, sob 
pena de violação da independência funcional. Assim, aplica-se o art. 28 e esse 
conflito é encaminhado para a instância revisora do Ministério Público a fim de 
ser dirimido. 
 
• Também será aplicado o art. 28 do CPP ao arquivamento indireto. 
 
5- Perdão judicial ao colaborador 
Compreenda o perdão judicial, como um poder que é conferido ao magistrado 
para não aplicar a pena prevista para a infração penal, pois se leva em 
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consideração os requisitos da colaboração premiada, sendo este, inclusive, 
causa de extinção da punibilidade. 
 
O art. 4º, § 2º da Lei das Organizações Criminosas (Lei nº 12.850/13) traz o 
perdão judicial, assim também há a aplicação do art. 28 do CPP: 
Art 4º §2º Considerando a relevância da colaboração prestada, o Ministério Público, a qualquer 
tempo, e o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do 
Ministério Público, poderão requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão judicial 
ao colaborador, ainda que esse benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, 
aplicando-se, no que couber, o art. 28 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 
(Código de Processo Penal). 
 
 
A remessa pelo 28 subsiste com a nova redação? A doutrina compreende que sim, 
quando há divergência entre juiz e ministério público se submete a instancia revisora 
do Ministério Público. 
 
1.7.1 A Nova Sistemática (atualmente suspensa) 
ART. 28. ORDENADO O ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL OU DE QUAISQUER ELEMENTOS 
INFORMATIVOS DA MESMA NATUREZA, O ÓRGÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO COMUNICARÁ À VÍTIMA, 
AO INVESTIGADO E À AUTORIDADE POLICIAL E ENCAMINHARÁ OS AUTOS PARA A INSTÂNCIA DE 
REVISÃO MINISTERIAL PARA FINS DE HOMOLOGAÇÃO, NA FORMA DA LEI. 
(REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 13.964, DE 2019) 
 
Na nova sistemática, dada pela Lei n. 13.964 de 2019, não há necessidade da chancela 
do juiz para a efetivação do arquivamento do inquérito policial, como ocorria no 
antigo sistema inquisitório, pois entende-se que tanto a análise quanto o 
arquivamento são de competência do Ministério Público como titular da ação penal 
pública (ou dominus litis). Expõe, a esse respeito, o renomado jurista Aury Lopes Junior 
(2021) que esta é uma alteração muito relevante trazida pela Lei n. 13.964/2019 “com 
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uma sistemática completamente nova para o arquivamento do inquérito (qualquer 
investigação preliminar), que agora não mais depende e arquivamento pelo juiz e, 
portanto, está muito mais acorde com a estrutura acusatória”. 
 
No entanto, conforme explica Lopes Jr., em que pese a decisão não mais ser submetida 
a homologação judicial, 
não é isenta de fundamentação, até porque, no sistema brasileiro, vigoram (ainda que com 
alguma mitigação) os princípios da obrigatoriedade e indisponibilidade da ação penal de 
iniciativa pública, de modo que ele precisará fundamentar os motivos do arquivamento, não 
sendo uma pura e simples faculdade (LOPES-JUNIOR, 2021). 
 
Assim, dentro dessa sistemática, uma vez recebido o inquérito policial, o promotor faz 
a análise e, não estando convencido da presença de indício suficiente de autoria e 
materialidade ou estando diante de uma causa de extinção da punibilidade ou de 
situação de atipicidade da conduta, ele mesmo determinará o arquivamento do 
inquérito no âmbito do Ministério Público. Essa decisão, contudo, será 
necessariamente submetida à instância revisora do Ministério Público. 
 
Na sequência, o Ministério Público deverá comunicar a autoridade policial, o 
investigado, a vítima – que terá 30 dias para manifestar sua discordância, submetendo 
a matéria para revisão por parte do órgão estruturado para esse fim no âmbito do 
Ministério Público – e o juiz das garantias, conforme prevê o art. 3º-B do Código de 
Processo Penal. 
 
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação 
criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada 
à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo -lhe especialmente: 
[...] 
IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; (Incluído pela 
Lei nº 13.964, de 2019). 
 
Além disso, se a vítima pode manifestar sua discordância, em nome da ampla defesa, 
no prazo de 30 dias a contar da ciência, o investigado também tem a possibilidade de 
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reforçar os argumentos do Ministério Público para que o procedimento permaneça 
arquivado, assim, aponta a doutrina o prazo de 30 dias para o investigado arrazoar a 
manutenção do arquivamento. 
 
 
 
Ainda que a vítima não manifeste discordância, o procedimento é necessariamente 
submetido à instância revisora do Ministério Público para ser confirmado ou 
infirmado. Durante esse prazo a vítima poderá expor suas razões de fato e de direito, 
que consistirão em um novo arrazoado, um que a instância revisora deverá 
necessariamente enfrentar para além das razões apresentadas pelo Ministério Público, 
conjugando os motivos apresentados pelo órgão de primeira instância (o Ministério 
Público) para o arquivamento do inquérito e os motivos apresentados pela vítima para 
que o inquérito seja reativado, mantido ou que enseje a propositura de uma ação 
penal. Somente então decidirá pela homologação do arquivamento. 
 
Providências Passíveis de serem tomadas pelo órgão revisor 
O órgão revisor é constituído, no âmbito da Justiça Estadual, pelo procurador da 
justiça e, no âmbito federal, pela comissão de coordenação. A instância revisora 
poderá, se concordar com o procurado da república de primeira instância, o 
arquivamento será homologado. Por outro lado, caso não concorde com os 
fundamentos do arquivamento, divergindo total ou parcialmente, “será designado 
outro membro do MP para oferecer a denúncia (não havendo óbice a que peça 
diligências complementares se entender necessário para melhor instruir a denúncia)” 
(LOPES-JUNIOR, 2021). 
 
Observe o quadro com o resumo do procedimento. 
As comunicações têm por objetivo cientificar a polícia, a autoridade policial, o 
juiz das garantias, e permitir à vítima manifestar a sua discordância. 
 
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Fonte: Núcleo EditorialFocus 
 
É oportuno frisar que a instância revisora não poderá devolver o inquérito para o 
membro do Ministério Público que requisitou o arquivamento da investigação, pois 
isso feriria o princípio da independência funcional. Desta forma, o membro do 
Ministério Público que entendeu pelo arquivamento não pode ser obrigado a 
denunciar o crime. 
 
O novo membro designado para oferecimento da denúncia será obrigado a denunciar 
uma vez que não atua em nome próprio, mas sim como longa manus do órgão revisor, 
isto é, como se fosse a mão do próprio Procurador Geral da Justiça ou da própria CCR. 
Isso é uma espécie de delegação lançada à conclusão lançada pelo órgão revisor. 
 
 
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A independência funcional é um dos princípios institucionais do Ministério Público 
dispostos no § 1º do art. 127 da Constituição Federal. Refere-se à inteira autonomia 
que o membro do Ministério Público tem no exercício de suas funções, podendo 
emitir sua convicção pessoal acerca de cada caso, sem a necessidade de se sujeitar 
nem mesmo ao posicionamento ou a ordens de superiores, e agir de acordo com o 
próprio convencimento motivado. Conforme aponta Ziesemer (2018), grande parte 
dos doutrinadores clássicos entende que a independência funcional “diz respeito à 
atuação fim do Ministério Público, que somente deve obediência à Constituição, à lei 
e sua própria consciência.” Para o autor, a independência funcional é considerada, 
mais que uma prerrogativa de atuação, uma “garantia da sociedade, de que há uma 
instituição séria e imparcial lutando por seus direitos”. 
 
1.7.2 A Antiga Sistemática 
ART. 28. SE O ÓRGÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, AO INVÉS DE APRESENTAR A DENÚNCIA, REQUERER 
O ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL OU DE QUAISQUER PEÇAS DE INFORMAÇÃO, O JUIZ, NO 
CASO DE CONSIDERAR IMPROCEDENTES AS RAZÕES INVOCADAS, FARÁ REMESSA DO INQUÉRITO OU 
PEÇAS DE INFORMAÇÃO AO PROCURADOR-GERAL, E ESTE OFERECERÁ A DENÚNCIA, DESIGNARÁ 
OUTRO ÓRGÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA OFERECÊ-LA, OU INSISTIRÁ NO PEDIDO DE 
ARQUIVAMENTO, AO QUAL SÓ ENTÃO ESTARÁ O JUIZ OBRIGADO A ATENDER 
 
Na antiga sistemática (atualmente vigente em virtude da liminar concedida pelo Min. 
Fux que suspendeu a eficácia da nova redação) havia a necessidade da chancela 
judicial para o arquivamento do inquérito. Ou seja, o Ministério Público não arquiva, 
mas solicita o arquivamento para o juiz, que poderá concordar ou divergir do 
entendimento do Ministério Público. Explica Aury Lopes Junior que, nessa sequência, 
o juiz, 
[poderá] – de forma inquisitória e incompatível com a matriz acusatória do CPP – determinar 
a remessa para o procurador-geral do MP, que poderá (inclusive através de outro promotor 
designado) insistir no arquivamento (e então não restará ao juiz outra opção do que arquivar) 
ou oferecer denúncia (que voltará para aquele mesmo juiz julgar...eis o ranço inquisitório). [...] 
Essa é a sistemática do CPP desde 1941, criticada por colocar o juiz em posição incompatível 
com a matriz acusatória constitucional (LOPES-JUNIOR, 2021). 
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O impasse nesta sistemática é que, vindo o juiz a discordar da solicitação de 
arquivamento de um inquérito no qual atua o Procurador Geral da República ou um 
Procurador Geral de Justiça, não há uma instância superior que possa revisar a 
solicitação. 
 
Observe um julgamento feito em 2020 sob a égide da sistemática antiga, o qual trata 
de um procedimento de investigação criminal (PIC), mas que é de todo aplicável ao 
inquérito policial. A divergência, neste julgamento, era referente ao fato de não haver 
necessidade da chancela judicial no caso de o procurador optar por arquivar o 
inquérito, uma vez que não existe uma instância revisora do comportamento do 
Procurador Geral da República. O julgado condiz justamente com a redação atual dada 
pelo Pacote Anticrime. 
 
ARQUIVAMENTO EM INQUÉRITO DE ATRIBUIÇÃO DO PGR OU PGJ 
MS 34730 
Órgão julgador: Primeira Turma 
Relator(a): Min. LUIZ FUX 
Julgamento: 10/12/2019 
Publicação: 24/03/2020 
Ementa: 
MINISTÉRIO PÚBLICO – CNMP. ARQUIVAMENTO DE PROCEDIMENTO DE INVESTIGAÇÃO 
CRIMINAL – PIC. PROCEDIMENTO DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO PROCURADOR-GERAL DE 
JUSTIÇA. ARQUIVAMENTO POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DESNECESSIDADE DE SUBMISSÃO 
DA DECISÃO DE ARQUIVAMENTO AO PODER JUDICIÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ART. 28 DO 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. SEGURANÇA CONCEDIDA. 
 
1. O arquivamento de Procedimento de Investigação Criminal (PIC) determinado por Procurador-
Geral de Justiça, em hipóteses de sua atribuição originária, não reclama prévia submissão ao Poder 
Judiciário, posto o arquivamento não acarretar coisa julgada material. 2. O Procurador-Geral de 
Justiça é a autoridade própria para aferir a legitimidade do arquivamento de Procedimento de 
Investigação Criminal (PIC), por isso que descabe a submissão da decisão de arquivamento ao Poder 
Judiciário nas hipóteses de competência originária do Procurador-Geral da Justiça. 3. O 
arquivamento de Procedimento de Investigação Criminal pelo Procurador-Geral de Justiça, em 
casos de sua atribuição originária, não está imune ao controle de outra instância revisora. Isso 
porque ainda há possibilidade de apreciação de recurso pelo órgão superior, no âmbito do próprio 
Ministério Público, em caso de requerimento pelos legítimos interessados, conforme dispõe o 
artigo 12, XI, da Lei 8.625/93, in verbis: “Art. 12. O Colégio de Procuradores de Justiça é composto 
por todos os Procuradores de Justiça, competindo-lhe: (...) XI – rever, mediante requerimento de 
legítimo interessado, nos termos da Lei Orgânica, decisão de arquivamento de inquérito policial ou 
peças de informações determinada pelo Procurador-Geral de Justiça, nos casos de sua atribuição 
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originária”. 4. O artigo 28 do Código de Processo Penal é plenamente aplicável ao Procedimento 
de Investigação Criminal nas hipóteses que não configurem competência originária do Procurador-
Geral de Justiça. Diferentemente, quando o chefe do Ministério Público Estadual possui 
competência originária para determinar o arquivamento de PIC, não acarretando coisa julgada 
material, não há obrigatoriedade de encaminhamento dos autos ao Poder Judiciário. 5. Ex positis, 
CONCEDO a segurança pretendida no presente mandamus para anular a determinação, contida em 
decisão do Conselho Nacional do Ministério Público, de submissão da decisão de arquivamento do 
Procedimento Investigativo Criminal, de competência originária do Procurador-Geral de Justiça, ao 
Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. (MS 34730, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, 
julgado em 10/12/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-069 DIVULG 23-03-2020 PUBLIC 24-03-2020) 
 
Esse julgado trata de uma investigação de competência originária do Ministério da 
Justiça em uma situação que não enseja coisa julgada material (ausência de provas e 
justa causa para ação penal). O Ministério da Justiça determinou o arquivamento na 
vigência da redação anterior do art. 28 sem submetê-la ao poder judiciário, em 
contrapartida, o Conselho Nacional do Ministério Público determinou que fosse 
submetido ao poder judiciário, então o Ministério da Justiça entrou com um mandado 
de segurança, o qual foi provido, tendo em vista que ele só precisaria submeter a sua 
decisão caso houvesse recurso do legítimo interessado. Ora, esse mesmo raciocínio é 
aplicado ao Procurador-Geral da República: quando ele entende pelo arquivamento 
de um processo judicial por justa causa, ele mesmo arquiva o inquérito. 
 
Percebemos, no que tange aos processos de competência originária do Procurador-
Geral de Justiça e do Procurador-Geral da República, que já existia a possibilidade de 
o inquérito policial ser arquivado

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