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Úlceras Genitais: Classificação e Tratamento

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ÚLCERAS GENITAIS
P R O F S . M O N A L I S A C A R V A L H O E 
C A R L O S E D U A R D O
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Profs. Monalisa Carvalho e Carlos Eduardo | Úlceras Genitais 2GINECOLOGIA
PROF. MONALISA
CARVALHO
APRESENTAÇÃO:
@estrategiamed
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t.me/estrategiamed
@dra.monalisacarvalho
Olá, aluno Estratégia! 
Sou a professora Monalisa Carvalho, da equipe de 
Ginecologia do Estratégia MED. Sou piauiense, formada pela 
Universidade Federal do Piauí, com residência em Ginecologia 
e Obstetrícia na mesma instituição. Durante todo o último ano 
de faculdade, estudei muito, fazia simulados e vários resumos. 
Prestei prova em três instituições e passei nas duas últimas: 
Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Piauí 
(UFPI) e SUS- SP.
Um ano após o término da residência me mudei para São 
Paulo para cursar Pós Graduação em Patologia do Trato Genital 
Inferior na Escola Paulista de Medicina (Unifesp- EPM) e hoje 
tenho título de especialista nessa área pela Associação Brasileira 
de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC). 
Atualmente sou Médica preceptora da Patologia do Trato Genital 
Inferior da Unifesp, faço mestrado na mesma instituição e atuo no 
setor privado como Colposcopista.
Nossa missão no Estratégia MED é que, através dos nossos 
recursos e da sua dedicação, você acerte as questões de qualquer 
instituição e atinja sua tão sonhada vaga na residência médica!
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Profs. Monalisa Carvalho e Carlos Eduardo| Úlceras Genitais 3GINECOLOGIA
PROF. CARLOS
ESDUARDO
APRESENTAÇÃO:
Caro colega, 
Meu nome é Carlos Eduardo e, atualmente, sou um dos 
professores de ginecologia do time Estratégia. Apesar de hoje 
estar do outro lado, não se engane, também já estive em seu 
lugar, nesse momento de tanta ansiedade e indefinição.
Fui aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de 
São Paulo e prestei prova de Residência para Ginecologia e 
Obstetrícia ao final do meu sexto ano de graduação. Lembro-me 
de como era difícil organizar os estudos sem um cronograma e 
sem um material focado nas provas. Era obrigado a recorrer a 
resumos de colegas e aos livros médicos, que muitas vezes não 
eram muito práticos. Apesar da dificuldade, fui aprovado na 
Residência Médica que tanto almejava no Hospital das Clínicas 
da FMUSP. Fui médico preceptor da Clínica Obstétrica do 
HCFMUSP, sendo responsável por cuidar da organização didática 
dos estágios de internato do quinto e do sexto anos médicos e 
também das atividades acadêmicas dos residentes do programa 
de Obstetrícia e Ginecologia da mesma instituição. Tenho pós- 
graduação em Docência e Preceptoria Médica pelo Instituto 
Albert Einstein de Ensino e Pesquisa.
Através de minha experiência pessoal e profissional, 
associada ao contato diário com candidatos e recém-aprovados 
na prova de Residência, posso dizer que estudar com um material 
focado nas provas é a melhor maneira de alcançar uma boa 
preparação. Uma boa base teórica mesclada com exercícios que 
sedimentem o conteúdo facilita muito o aprendizado. Aproveite 
este material desenvolvido com muito cuidado pela nossa equipe 
de professores. Seu empenho associado às ferramentas que 
estamos disponibilizando será o caminho mais seguro rumo à tão 
sonhada vaga de Residência.
Um grande abraço e bons estudos!
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Profs. Monalisa Carvalho e Carlos Eduardo | Resumo Estratégico | 2024 4
SUMÁRIO
1.0 INTRODUÇÃO 4
2.0 CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA 4
3.0 ÚLCERAS INFECCIOSAS DE CAUSA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL 6
3.1 SÍFILIS 6
3.2 CANCRO MOLE 7
3.3 HERPES GENITAL 8
3.3.1 TRATAMENTO 9
3.4 DONOVANOSE 10
3.5 LINFOGRANULOMA VENÉREO 12
4.0 ÚLCERAS GENITAIS NÃO INFECCIOSAS 13
4.1 ÚLCERA DE LIPSCHUTS 13
4.2 DOENÇA DE BEHÇET 13
5.0 ABORDAGEM SINDRÔMICA DAS PACIENTES COM QUEIXA DE ÚLCERA GENITAL 14
6.0 LISTA DE QUESTÕES 17
7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18
8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 18
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1.0 INTRODUÇÃO
CAPÍTULO
Úlceras genitais são lesões em que há perda de tecido epitelial, com envolvimento da epiderme e da derme, ou apenas da 
epiderme, localizadas na vulva e/ou vagina e/ou colo uterino.
Esse tema corresponde a cerca de 3% de todas as questões de ginecologia nas provas de Residência Médica. 
O que as questões costumam cobrar?
• Identificar qual patologia causa a úlcera. Para isso, fique atento às três características abaixo:
1. quantidade de lesões;
2. presença/ausência de dor;
3. status linfonodal.
• Tratamento. Neste tópico, veja não somente o tratamento para cada uma das patologias, mas também 
como o Ministério da Saúde aborda as pacientes com queixa de úlcera genital (abordagem sindrômica).
2.0 CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA
CAPÍTULO
As úlceras genitais podem ser classificadas em infecciosas e não infecciosas. O primeiro grupo, por sua 
vez, pode ser dividido em outros dois: úlcera de causa sexualmente transmissível (ISTs) e não sexualmente 
transmissível (não-IST).
Nas questões, fique muito atento à idade da paciente. A maioria das pacientes está no menacme e, nesse caso, 
você deve pensar em úlceras genitais de causa sexualmente transmissível! 
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A tabela abaixo traz as principais causas de úlceras genitais:
ETIOLOGIA DAS ÚLCERAS INFECCIOSAS
IST NÃO IST
Cancro duro (sífilis) Salmonelose
Cancro mole (cancroide) Citomegalovírus
Herpes Epstein-Barr
Donovanose (granuloma inguinal) Influenza A
Linfogranuloma venéreo Tuberculose
ETIOLOGIA DAS ÚLCERAS NÃO INFECCIOSAS
Doença de Behçet
Doença de Crohn
Úlcera de Lipschutz
Aftose bipolar de Newman
Neoplasia intraepitelial vulvar
Neoplasia invasora
Líquen plano erosivo
Traumas
Reações a drogas (doença de Steven-Johnson)
Doenças vesicobolhosas da pele
Síndrome de Reiter
Retocolite ulcerativa
Dermatose por IgA linear
Hidradenite supurativa
Idiopáticas
Relembraremos agora as principais etiologias de úlceras genitais.
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3.0 ÚLCERAS INFECCIOSAS DE CAUSA SEXUALMENTE 
TRANSMISSÍVEL
CAPÍTULO
3.1 SÍFILIS
A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, sexualmente transmissível e de evolução crônica, causada pela bactéria Treponema pallidum. 
Como essa doença tem um resumo específico, aqui falaremos apenas da forma que cursa com úlcera genital, a sífilis primária. Seguem as 
características da úlcera:
Figura 1: Cancro duro ou sífilis primária.
O tratamento padrão da sífilis primária deve ser feito com 
penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades IM, em dose única (1,2 
milhão UI em cada glúteo). Deve ser realizado o tratamento de todas 
as parcerias sexuais dos últimos 90 dias.
SÍFILIS PRIMÁRIA, CANCRO DURO OU PROTOSSIFILOMA
Agente etiológico: Treponema pallidum
Quadro clínico: úlcera única, indolor, com bordas elevadas e fundo limpo; pode haver adenopatia não fistulizante
Incubação: aparece 3 semanas após o contato sexual e desaparece em 3 - 4 semanas
Diagnóstico: clínico / microscopia de campo escuro / sorologias
Tratamento:Penicilina benzatina 2400000 UI IM
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3.2 CANCRO MOLE 
O cancro mole, também conhecido como cancroide, é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria gram-negativa 
Haemophilus ducreyi. Tem período de incubação curto, três a cinco dias, e logo após surgem pápulas raras que rapidamente se rompem e 
formam úlceras com as seguintes características:
CANCRO MOLE (Figura 2)
Múltiplas
Dolorosas
Fundo sujo/purulento
Bordas irregulares
Linfadenopatia dolorosa com fistulização em orifício único
Figura 2: Cancro mole. Observe as lesões múltiplas e com fundo sujo.
O diagnóstico é feito por meio da microscopia 
direta, que visualiza os bacilos gram-negativos 
dispostos em “cardume de peixe” (Figura 3). O 
tratamento padrão é com azitromicina 1 g, dose 
única, com tratamento de todos os parceiros sexuais 
dos 10 dias anteriores ao aparecimento da úlcera. 
Figura 3: Microscopia direta mostrando Haemophilus ducreyi (imagem em cardume de peixe)
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3.3 HERPES GENITAL
O herpes genital é uma IST causada pelo Herpes simples vírus (HSV) tipos 1 e 2, pertencentes à família Herpesviridae. O HSV é a 
principal causa de úlcera genital no mundo.
A primo-infecção herpética é assintomática na maioria dos casos (75%). A paciente pode referir pródomos, como mialgia, formigamento 
e febre baixa. Quando sintomática, a primo-infecção herpética tende a ser mais grave que as demais. Seguem as características da úlcera:
HERPES GENITAL (Figura 4)
Múltiplas vesículas de conteúdo citrino
Dolorosas
Rompimento das vesículas -> exulcerações (úlceras rasas)
Linfadenopatia inguinal dolorosa
Figura 4: Herpes genital. Observe a intensa reação inflamatória, com múltiplas vesículas e algumas úlceras. 
CANCRO MOLE OU CANCROIDE
Agente etiológico: Haemophilus ducreyi
Quadro clínico: úlceras múltiplas, dolorosas, bordas irregulares e com fundo sujo (purulento); acometimento linfonodal 
com fistulização em orifício único
Incubação: 3 a 5 dias
Diagnóstico: clínico / microscopia com presença de bactérias em disposição “em cardume de peixe”
Tratamento: Azitromicina 1 grama VO em dose única
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Após a infecção primária, uma parte dos pacientes desenvolverá novos episódios por reativação do vírus, que estão associados a 
fatores desencadeantes, como trauma, estresse e febre. Os episódios de recorrência são mais leves.
O diagnóstico deve ser feito pelas características clínicas da lesão e, caso seja optado por exame complementar, o melhor método é o 
PCR (reação em cadeia da polimerase) no material da lesão.
3.3.1 TRATAMENTO
Não existe tratamento curativo para herpes. Os antivirais apenas encurtam a duração das lesões. A tabela abaixo traz as opções 
de tratamento:A terapia supressiva é indicada quando a paciente tem seis ou mais episódios por ano.
ACICLOVIR FANCICLOVIR VALACICLOVIR
PRIMOINFECÇÃO
400mg, VO, 8/8h, 
por 7-10 dias ou
200mg, VO, 4/4h, 
por 7-10 dias
250mg, VO, 8/8h, 
por 7-10 dias
1.000mg, VO, 12/12h, 
por 7-10 dias
RECORRÊNCIA
800mg, VO, 12/12h, por 2 
dias ou
800mg, VO, 12/12h, 
por 5 dias
500mg, VO, 1x/dia + 250mg 
12/12h 
por mais 2 dias, ou 
1.000mg, 12/12h, por 1 dia
500mg, VO, 12/12h, 
por 3 dias ou
1.000mg, VO, 1x/dia, 
por 5 dias
TERAPIA DE 
SUPRESSÃO*
400mg, VO, 12/12h 250mg, VO, de 12/12h 1000mg, VO, por dia
HERPES E GRAVIDEZ
O que você precisa saber sobre herpes durante a gestação?
1. O risco de transmissão para o recém-nascido é alto para mulheres que adquiriram 
herpes no terceiro trimestre e baixo em mulheres que adquiriram na primeira metade 
da gestação ou têm história de herpes recorrente.
2. O tratamento deve ser feito com aciclovir em qualquer fase da gestação e nas 
mesmas doses das pacientes não-gestantes.
3. Caso a paciente tenha lesões genitais ativas no momento do parto, deve ser 
realizada cesariana.
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3.4 DONOVANOSE
É uma IST crônica progressiva causada pela bactéria gram-negativa Klebsiella granulomatis (antiga Calymmatobacterium granulomatis). 
O período de incubação é bastante variável, de 1 a 360 dias. Seguem as características da úlcera:
DONOVANOSE (Figura 5)
Múltiplas
Indolores
Bordas hipertróficas
Fundo granuloso, vermelho vivo, sangramento fácil
Evolução lenta e progressiva
Não há adenite
HERPES GENITAL
Agente etiológico: Herpes simples vírus 1 e 2
Quadro clínico: múltiplas vesículas dolorosas que se rompem liberando conteúdo citrino; formação de úlceras rasas e 
dolorosas; lifanedonopatia reacional 
Na primo-infecção pode haver pródromo sistêmico com mialgia, cefaleia e febre
Incubação: 2 a 26 dias
Diagnóstico: clínico / PCR / sorologia / citologia (presença de célula de Tzanck)
Tratamento: 
Primoinfecção: 400 mg, VO, 8/8h, por 7-10 dias ou 200 mg, VO, 5x/dia, por 7-10 dias
Recorrência: 400 mg, VO, 8/8h, por 5 dias ou 800 mg, VO, 12/12h, por 5 dias
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Figura 5: Donovanose.
O diagnóstico é feito através do esfregaço ou biópsia da lesão, onde são vistos os corpúsculos de Donovan (bactérias no interior de 
macrófagos, com forma em “alfinete de dama”). A primeira opção de tratamento é azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, VO, 1x/semana, por 
pelo menos 3 semanas ou até cicatrização das lesões.
Toda úlcera com evolução maior que quatro semanas deve ser biopsiada!!
DONOVANOSE OU GRANULOMA INGUINAL
Agente etiológico: Klebsiella granulomatis
Quadro clínico: úlceras múltiplas, indolores, com bordas hipertróficas, fundo granuloso, vermelho vivo e com sangramento 
fácil; evolução lenta e progressiva; sem acometimento linfonodal 
Incubação: 1 - 360 dias
Diagnóstico: clínico (evolução com mais de 4 semanas) / esfregaço ou biópsia (corpúsculos de Donovan)
Tratamento: azitromicina 1g VO 1x/semana por pelo menos 3 semanas ou até as lesões cicatrizarem
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3.5 LINFOGRANULOMA VENÉREO
O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma doença infecciosa, de transmissão exclusivamente sexual, causada pelos sorotipos L1, L2 e L3 
da Chlamydia trachomatis. A evolução da doença ocorre em três fases: 
1. Fase primária: pápula, pústula, exulceração ou erosão, indolor, muitas vezes imperceptível e desaparece sem deixar sequelas.
2. Fase secundária: ocorre disseminação linfática regional e aparece a manifestação clínica mais comum da doença, linfadenopatia 
inguinal ou femoral, geralmente unilateral e dolorosa (Figura 6). Os linfonodos fistulizam por orifícios múltiplos, no padrão 
característico de “bico de regador”.
Figura 6: Linfogranuloma venéreo.
3. Fase terciária: nessa fase, ocorrem as sequelas da doença, devido à obstrução linfática crônica que provoca elefantíase genital (na 
mulher, é denominada estiomene).
O diagnóstico de LGV deve ser considerado em todos os casos de adenite inguinal, elefantíase genital, estenose uretral ou retal. 
Comprovação laboratorial não é realizada rotineiramente. A primeira opção de tratamento é doxiciclina 100 mg, VO, de 12/12 horas, por 21 
dias. Como segunda opção, pode ser utilizada a azitromicina na mesma dosagem utilizada para Donovanose.LINFOGRANULOMA VENÉREO OU DOENÇA DE NICOLAS-FAVRE OU DOENÇA DE FREI OU LINFADENOPATIA VENÉREA
Agente etiológico: Chlamydia trachomatis (sorotipos L1, L2 e L3)
Quadro clínico:
Fase primária: úlcera genital imperceptível
Fase secundária: acometimento linfonodal com fistulização “em aspecto de bico regador”
Fase terciária: sequelas (elefantíase genital, fístulas, estenose retal)
Incubação: 4 - 30 dias
Diagnóstico: clínico / pesquisa da Chlamydia no linfonodo
Tratamento: doxiciclina 100mg VO 12/12 horas por 21 dias
Caro Aluno, a maioria das questões de prova de Residência Médica abordam uma dessas cinco patologias citadas acima. As causas de 
úlceras genitais não infecciosas que falaremos a seguir já foram cobradas e devem ser lembradas como diagnóstico diferencial das úlceras de 
causa sexualmente transmissível:
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4.0 ÚLCERAS GENITAIS NÃO INFECCIOSAS
4.1 ÚLCERA DE LIPSCHUTS
CAPÍTULO
Também conhecida como úlcera vulvar aguda, é caracterizada 
por úlceras genitais dolorosas, profundas e necróticas, associada 
à febre e linfadenopatia (Figura 7). Ocorrem mais comumente em 
adolescentes e mulheres jovens, em geral, virgens. A etiologia é 
desconhecida, mas parece estar relacionada com infecção viral. O 
tratamento deve ser apenas com sintomáticos.
Figura 7: Úlcera de Lipschutz. Observe o fundo necrótico.
4.2 DOENÇA DE BEHÇET
A doença de Behçet é uma patologia autoimune que acomete 
adultos jovens. As úlceras orais são a manifestação inicial da doença 
na maioria dos casos. As úlceras genitais são dolorosas, maiores 
que 1 cm e costumam deixar cicatrizes (Figura 8). Seu tratamento 
é feito através de corticoterapia.
Figura 8: Úlceras aftosas genitais da doença de Behçet em atividade (à 
esquerda) e após cicatrização com perfuração de pequeno lábio (à direita).
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5.0 ABORDAGEM SINDRÔMICA DAS PACIENTES COM 
QUEIXA DE ÚLCERA GENITAL
CAPÍTULO
Estrategista, muitas questões de úlceras genitais pedem especificamente a conduta baseada na abordagem sindrômica do Ministério 
da Saúde. Mas, em que constitui essa abordagem? 
Significa que você deve tratar o paciente não só baseado nas características da lesão, mas também na prevalência local dos agentes 
etiológicos. Segue o fluxograma:
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Vamos supor que você atenda a uma paciente com queixa de úlcera genital única, indolor, 
de bordos elevados e fundo limpo. Parece sífilis, não é mesmo? Pois bem, pela abordagem do 
Ministério da Saúde, você não deve tratar apenas sífilis, mas sim sífilis e cancro mole, baseado na 
prevalência dessas duas doenças e na possibilidade de coinfecção. Entendeu?
Por último, resumiremos em um fluxograma as características das principais úlceras genitais:
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7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. CARDIAL, M.F.T.; CAMPANER, A.B.; SANTOS, A.L.F.; SPECK, N.M.G.; BARBOSA, M.T.A.; MARTINS, C.M.R. Manual de diagnóstico e condutas 
em patologia do trato genital inferior. 1. ed. Rio De Janeiro: Atheneu, 2018.
2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines. Atlanta: CDC, 2015.
3. MARTINS, N.V.; RIBALTA, J.C.L. Patologia do trato genital inferior. 2. ed. São Paulo: Roca, 2014.
4. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente 
Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
5. ROYAL COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNAECOLOGISTS. Management of Genital Herpes in Pregnancy. [s.l.]: RCOG, 2014.
6. Tratado de Ginecologia Febrasgo. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.
CAPÍTULO
8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
CAPÍTULO
Fique bem atento a esse tema, pois ele “despenca nas provas”. Sempre que puder, revise o quadro no final do livro e foque, também, 
nas imagens das lesões, pois elas estão ficando cada vez mais comuns, especialmente nas principais bancas! 
E lembre-se: estamos aqui por você. Se surgirem quaisquer dúvidas, não hesite em entrar no Fórum de Dúvidas e enviar sua questão. 
Responderemos o mais brevemente possível.
Vejo você nas videoaulas ou no próximo livro digital.
Abraços,
Profª Monalisa Carvalho.
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