Prévia do material em texto
Figura 26.22 Comparação entre as uretras masculina e feminina. A uretra masculina mede aproximadamente 20 cm de comprimento, enquanto a uretra feminina mede cerca de 4 cm de comprimento. Quais são as três subdivisões da uretra masculina? Reflexo de micção A eliminação de urina da bexiga urinária é chamada micção. A micção ocorre por meio de uma combinação de contrações musculares involuntárias e voluntárias. Quando o volume de urina na bexiga excede 200 a 400 mℓ, a pressão intravesical aumenta consideravelmente, e receptores de estiramento em suas paredes transmitem os impulsos nervosos para a medula espinal. Esses impulsos se propagam até o centro da micção nos segmentos medulares sacrais S2 e S3 e desencadeiam um reflexo espinal chamado reflexo de micção. Neste arco reflexo, impulsos parassimpáticos do centro da micção se propagam para a parede da bexiga urinária e músculo esfíncter interno da uretra. Os impulsos nervosos provocam a contração do músculo detrusor da bexiga e o relaxamento do músculo esfíncter interno da uretra. Ao mesmo tempo, o centro de micção inibe neurônios motores somáticos que inervam o músculo esquelético esfíncter externo da uretra. Com a contração da parede da bexiga urinária e o relaxamento dos esfíncteres, ocorre a micção. O enchimento da bexiga urinária provoca uma sensação de plenitude, que inicia um desejo consciente de urinar antes de o reflexo miccional efetivamente ocorrer. Embora o esvaziamento da bexiga urinária seja um reflexo, na primeira infância aprendemos a iniciálo e interrompêlo de modo voluntário. Por meio do controle aprendido sobre o músculo esfíncter externo da uretra e determinados músculos do assoalho pélvico, o córtex cerebral pode iniciar a micção ou retardar o seu aparecimento por um período de tempo limitado. Uretra A uretra é um pequeno tubo que vai do óstio interno da uretra no assoalho da bexiga urinária até o exterior do corpo (Figura 26.22). Em homens e mulheres, a uretra é a parte terminal do sistema urinário e a via de passagem para a descarga de urina do corpo. Nos homens, também libera o sêmen (líquido que contém espermatozoides). Nos homens, a uretra também se estende do óstio interno da uretra até o exterior, mas o seu comprimento e via de passagem através do corpo são consideravelmente diferentes do que nas mulheres (Figura 26.22A). A uretra masculina primeiro atravessa a próstata, em seguida o músculo transverso profundo do períneo e, finalmente, o pênis, percorrendo uma distância de aproximadamente 20 cm. A uretra masculina, que também consiste em uma túnica mucosa profunda e uma túnica muscular superficial, é subdividida em três regiões anatômicas: (1) A parte prostática, que passa através da próstata. (2) A parte membranácea, a porção mais curta, que atravessa o músculo transverso profundo do períneo. (3) A parte esponjosa, a mais longa, que atravessa o pênis. O epitélio da parte prostática é contínuo com o da bexiga urinária e consiste em epitélio de transição, que se torna epitélio colunar estratificado ou epitélio colunar pseudoestratificado mais distalmente. A túnica mucosa da parte membranácea contém epitélio colunar estratificado ou epitélio colunar pseudoestratificado. O epitélio da parte esponjosa é composto por epitélio colunar estratificado ou colunar pseudoestratificado, exceto perto do óstio externo da uretra. Neste local, é composto por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. A lâmina própria da uretra masculina é composta por tecido conjuntivo areolar, com fibras elásticas e um plexo de veias. A túnica muscular da parte prostática é composta principalmente por fibras de músculo liso circulares superficiais à lâmina própria; estas fibras circulares ajudam a formar o músculo esfíncter interno da uretra da bexiga urinária. A túnica muscular da parte membranácea consiste em fibras musculares esqueléticas provenientes do músculo transverso profundo do períneo dispostas circularmente, que ajudam a formar o músculo esfíncter externo da uretra. Várias glândulas e outras estruturas associadas à reprodução liberam seus conteúdos na uretra masculina (ver Figura 28.9). A parte prostática da uretra contém as aberturas (1) dos ductos que transportam secreções da próstata e (2) das glândulas seminais e do ducto deferente, que liberam os espermatozoides para a uretra e fornecem secreções que neutralizam a acidez do sistema genital feminino e contribuem para a mobilidade e a viabilidade dos espermatozoides. Os ductos das glândulas bulbouretrais se abrem na parte esponjosa da uretra. Eles liberam uma substância alcalina antes da ejaculação, que neutraliza a acidez da uretra. As glândulas também secretam muco, que lubrifica a extremidade do pênis durante a excitação sexual. Ao longo da uretra, mas especialmente na parte esponjosa da uretra, as aberturas dos ductos das glândulas uretrais liberam muco durante a excitação sexual e a ejaculação. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Incontinência urinária A falta de controle voluntário sobre a micção é chamada incontinência urinária. Em lactentes e crianças menores de 2 a 3 anos de idade, a incontinência é normal, porque os neurônios para o músculo esfíncter externo da uretra não estão completamente desenvolvidos; a micção ocorre sempre que a bexiga urinária é su cientemente dilatada para estimular o re exo de micção. A incontinência urinária também ocorre em adultos. Existem quatro tipos de incontinência urinária – por estresse, de urgência, por transbordamento e funcional. A incontinência urinária por estresse é o tipo mais comum de incontinência em mulheres jovens e de meia-idade. Resulta da fraqueza dos músculos profundos do assoalho pélvico. Como resultado, todo esforço físico que aumenta a pressão abdominal, como tossir, espirrar, rir, fazer exercícios, fazer força, levantar objetos pesados e a gestação, levam à perda de urina da bexiga urinária. A incontinência urinária de urgência é mais comum em pessoas idosas e é caracterizada por desejo súbito e intenso de urinar, seguido por perda involuntária de urina. Pode ser causada por irritação da parede da bexiga urinária por infecção ou cálculos renais, acidente vascular cerebral ou encefálico, esclerose múltipla, lesão raquimedular ou ansiedade. A incontinência por transbordamento se refere à perda involuntária de pequenos volumes de urina causada por algum tipo de bloqueio ou contrações fracas da musculatura da bexiga urinária. Quando o uxo de urina é bloqueado (p. ex., por aumento da próstata ou cálculos renais) ou quando os músculos da bexiga urinária não conseguem se contrair, a bexiga ca sobrecarregada e a pressão em seu interior aumenta até que pequenos volumes de urina gotejem para fora. A incontinência urinária funcional é a perda de urina decorrente da incapacidade de chegar a um banheiro a tempo, como resultado de condições como AVC, artrite grave ou doença de Alzheimer. A escolha do tratamento adequado depende do diagnóstico correto do tipo de incontinência. Os tratamentos incluem exercícios de Kegel (ver Correlação clínica | Traumatismo do músculo levantador do ânus e incontinência urinária por estresse no Capítulo 11), treinamento da bexiga urinária, medicação e, possivelmente, até mesmo uma cirurgia. Nas mulheres, a uretra encontrase diretamente posterior à sínfise púbica; é dirigida obliquamente, inferiormente e anteriormente; e tem um comprimento de 4 cm (Figura 26.22B). A abertura da uretra para o exterior, o óstio externo da uretra, está localizada entre o clitóris e a abertura vaginal (ver Figura 28.11A). A parede da uretra feminina é constituída por uma túnica mucosa profunda e uma túnica muscular superficial. A túnica mucosa é uma membrana mucosa composta por epitélio e lâmina própria (tecido conjuntivo areolar com fibras elásticas e um plexo de veias).Perto da bexiga urinária, a túnica mucosa contém epitélio de transição, que é contínuo com o da bexiga urinária; perto do óstio externo da uretra, é composto por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Entre estas áreas, a túnica mucosa contém epitélio colunar estratificado ou colunar pseudoestratificado. A túnica muscular consiste em fibras musculares lisas dispostas circularmente e é contínua com a da bexiga urinária. Um resumo dos órgãos do aparelho urinário é apresentado na Tabela 26.7. TABELA 26.7 Resumo dos órgãos do sistema urinário. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter28.html#ch28fig9 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter11.html https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter28.html#ch28fig11 23. 24. 25. 26.9 • • ESTRUTURA LOCALIZAÇÃO DESCRIÇÃO FUNÇÃO Rins Parte posterior do abdome, entre a última vertebra torácica e L III, posteriores ao peritônio (retroperitoneais). Relacionam-se com as costelas XI e XII. Órgãos sólidos, avermelhados, em formato de feijão. Estrutura interna: três sistemas tubulares (artérias, veias, túbulos urinários). Regular o volume e a composição do sangue, ajudar a regular a pressão arterial, sintetizar glicose, liberar eritropoetina, participar da síntese de vitamina D, excretar escórias metabólicas na urina. Ureteres Posteriores ao peritônio (retroperitoneais); descem do rim até a bexiga urinária ao longo da face anterior do músculo psoas maior e cruzam para trás da pelve até alcançar a face posteroinferior da bexiga urinária anteriormente ao sacro. Tubos espessos de paredes musculares, com três camadas estruturais: túnica mucosa do epitélio de transição, túnica muscular com camadas circulares e longitudinais de músculo liso, túnica adventícia de tecido conjuntivo areolar. Tubos que transportam a urina dos rins até a bexiga urinária. Bexiga urinária Cavidade pélvica anterior ao sacro e reto nos homens e sacro, reto e vagina nas mulheres e posterior ao púbis em ambos os sexos. No sexo masculino, a face superior é recoberta por peritônio parietal; no sexo feminino, o útero recobre a face superior. Órgão oco, distensível e muscular, com forma variável dependendo da quantidade de urina que contém. Três camadas básicas: túnica mucosa interna de epitélio de transição, revestimento intermediário de músculo liso (músculo detrusor da bexiga), túnica adventícia ou túnica serosa externa sobre a face superior no sexo masculino. Órgão de armazenamento que armazena temporariamente a urina até que seja conveniente eliminá-la do corpo. Uretra Emerge da bexiga urinária em ambos os sexos. Nas mulheres, cruza o assoalho perineal da pelve até emergir entre os lábios menores do pudendo. No sexo masculino, cruza a próstata, em seguida o assoalho perineal da pelve e então o pênis até emergir em sua extremidade. Tubos de paredes nas com três camadas estruturais: túnica mucosa interna que consiste em epitélio de transição, epitélio colunar estrati cado e epitélio pavimentoso estrati cado; camada intermediária na de músculo liso circular; tecido conjuntivo no externamente. Tubo de drenagem que transporta a urina armazenada do corpo. TESTE RÁPIDO Que forças ajudam a impulsionar a urina da pelve renal para a bexiga urinária? O que é micção? Como ocorre o reflexo de micção? Como se comparam a localização, comprimento e histologia da uretra em homens e mulheres? Manejo das escórias metabólicas em outros sistemas do corpo OBJETIVO Descrever o modo como são manipuladas as escórias metabólicas do corpo. Como se viu, uma das muitas funções do sistema urinário é a eliminação de escórias metabólicas do corpo. Além dos rins, vários outros tecidos, órgãos e processos contribuem para o confinamento temporário das escórias metabólicas, transporte de escórias metabólicas destinadas à eliminação, reciclagem de materiais e excreção de substâncias tóxicas ou em excesso no organismo. Estes sistemas de manejo de escórias metabólicas incluem: Tampões corporais. Os tampões nos líquidos corporais se ligam ao excesso de íons hidrogênio (H+), evitando assim aumento da acidez dos líquidos corporais. Os tampões, como cestos de lixo, têm uma capacidade limitada; o H+, como o papel em um cesto de lixo, precisa ser eliminado do organismo • • • • • 26. 26.10 • Sangue. A corrente sanguínea transporta as escórias metabólicas, do mesmo modo que caminhões de lixo atendem a uma comunidade Fígado. O fígado é o principal local de reciclagem metabólica, como ocorre por exemplo na conversão de aminoácidos em glicose ou de glicose em ácidos graxos. O fígado também converte substâncias tóxicas em outras menos tóxicas, como a amônia em ureia. Estas funções do fígado são descritas nos Capítulos 24 e 25 Pulmões. A cada expiração, os pulmões excretam CO2, e expulsam calor e um pouco de vapor de água Glândulas sudoríferas. Especialmente durante a prática de exercícios físicos, as glândulas sudoríferas da pele ajudam a eliminar o excesso de calor, água e CO2, juntamente com pequenas quantidades de sais e ureia Sistema digestório. Por meio da defecação, o sistema digestório excreta alimentos sólidos não digeridos; escórias metabólicas; um pouco do CO2; água; sais; e calor. TESTE RÁPIDO Quais os papéis do fígado e dos pulmões na eliminação de escórias metabólicas? Desenvolvimento do sistema urinário OBJETIVO Descrever o desenvolvimento do sistema urinário. A partir da terceira semana de desenvolvimento fetal, uma porção do mesoderma ao longo da face posterior do embrião, o mesoderma intermediário, diferenciase nos rins. O mesoderma intermediário está localizado em elevações pareadas chamadas cristas urogenitais. Três pares de rins se formam no mesoderma intermediário nesta sucessão: o pronefro, o mesonefro e o metanefro (Figura 26.23). Apenas o último par permanece como os rins funcionais do recémnascido. O primeiro rim a se formar, o pronefro, é o mais superior dos três e possui um ducto pronéfrico associado. Esse ducto se abre na cloaca, a parte terminal expandida do intestino posterior, que funciona como uma saída comum para os sistemas urinário, digestório e genital. O pronefro começa a se degenerar durante a quarta semana e desaparece completamente até a sexta semana. O segundo rim, o mesonefro, substitui o pronefro. A parte retida do ducto pronéfrico, que se liga ao mesonefro, desenvolvese no ducto mesonéfrico. O mesonefro começa a degenerar por volta da sexta semana e, aproximadamente na oitava semana, quase não há sinais dele. Figura 26.23 Desenvolvimento do sistema urinário. Três pares de rins se formam no mesoderma intermediário nesta ordem: pronefro, mesonefro e metanefro. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter24.html https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter25.html 27. 28. 26.11 Quando começa o desenvolvimento dos rins? Por volta da quinta semana, uma evaginação mesodérmica, chamada broto ureteral, se desenvolve a partir da parte distal do ducto mesonéfrico perto da cloaca. O metanefro, ou rim definitivo, se desenvolve a partir do broto ureteral e do mesoderma metanéfrico. O broto ureteral forma os ductos coletores, os cálices, a pelve renal e o ureter. O mesoderma metanéfrico forma os néfrons dos rins. No terceiro mês os rins fetais começam a excretar urina no líquido amniótico circundante; na verdade, a urina fetal compõe a maior parte do líquido amniótico. Durante o desenvolvimento, a cloaca dividese no seio urogenital, para onde drenam os ductos urinário e genital, e um reto que se abre no canal anal. A bexiga urinária se desenvolve a partir do seio urogenital. Nas mulheres, a uretra se desenvolve como resultado do alongamento do curto ducto que se estende da bexiga urinária ao seio urogenital. Noshomens, a uretra é consideravelmente mais longa e mais complicada, mas também é derivada do seio urogenital. Embora os rins metanéfricos se formem na pelve, eles ascendem para o seu destino final no abdome. Ao fazêlo, recebem vasos sanguíneos renais. Embora os vasos sanguíneos inferiores geralmente degenerem conforme aparecem os superiores, às vezes os vasos inferiores não degeneram. Consequentemente, algumas pessoas (~ 30%) têm múltiplos vasos renais. Em uma condição chamada agenesia renal unilateral, apenas um rim se desenvolve (geralmente o direito), decorrente da ausência de um broto ureteral. A condição ocorre uma vez em cada 1.000 recémnascidos e geralmente afeta mais meninos do que meninas. Outras anormalidades nos rins que ocorrem durante o desenvolvimento são rins mal rodados (o hilo renal está voltado anterior, posterior ou lateralmente, em vez de medialmente); rins ectópicos (um ou ambos os rins estão em uma posição anormal, geralmente inferior); e rins em ferradura (a fusão dos dois rins, geralmente inferiormente, em um único rim em forma de U). TESTE RÁPIDO Que tipo de tecido embrionário dá origem aos néfrons? Qual tecido dá origem aos ductos coletores, aos cálices, às pelves renais e aos ureteres? Envelhecimento e sistema urinário • 29. OBJETIVO Descrever os efeitos do envelhecimento sobre o sistema urinário. Com o envelhecimento, os rins diminuem de tamanho e o fluxo sanguíneo renal assim como a filtração sanguínea diminuem. Estas mudanças no tamanho e na função renal parecem estar ligadas à redução progressiva no suprimento sanguíneo para os rins conforme o indivíduo envelhece; por exemplo, vasos sanguíneos como os glomerulares tornamse danificados ou em quantidade reduzida. A massa dos dois rins diminui de uma média de aproximadamente 300 g em jovens de 20 anos para menos de 200 g aos 80 anos, um decréscimo de aproximadamente um terço. Do mesmo modo, o fluxo sanguíneo renal e a TFG diminuem em 50% entre os 40 e 70 anos de idade. Aos 80 anos, aproximadamente 40% dos glomérulos não estão funcionando e, portanto, a filtração, a reabsorção e a secreção diminuem. As doenças renais que se tornam mais comuns com a idade incluem as inflamações renais agudas e crônicas e os cálculos renais. Em decorrência da redução na sensação de sede com a idade, os indivíduos idosos também são sensíveis à desidratação. Alterações vesicais que ocorrem com o envelhecimento incluem uma redução no tamanho e na capacidade da bexiga e o enfraquecimento dos músculos. As infecções urinárias são mais comuns nos adultos mais velhos, assim como poliúria (produção excessiva de urina), nictúria (micção excessiva à noite), aumento da frequência urinária (polaciuria), a disúria (dor à micção), retenção ou incontinência urinária e hematúria. TESTE RÁPIDO O quanto a massa renal e a taxa de filtração diminuem com a idade? Para apreciar as muitas maneiras com que o sistema urinário contribui para a homeostasia de outros sistemas do corpo, consulte Foco na homeostasia | Contribuições do sistema urinário. Em seguida, no Capítulo 27, veremos como os rins e os pulmões contribuem para a manutenção da homeostasia do volume de líquido corporal, níveis de eletrólitos nos líquidos corporais, e equilíbrio acidobásico. DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS Cálculos renais Os cristais de sais existentes na urina ocasionalmente precipitam e se solidificam e se tornam insolúveis (cálculos renais). Com frequência contêm cristais de oxalato de cálcio, ácido úrico ou fosfato de cálcio. As condições que levam à formação de cálculos incluem ingestão excessiva de cálcio, baixo consumo de água, urina anormalmente alcalina ou ácida e hiperatividade das glândulas paratireoides. Quando um cálculo se aloja no ureter, a dor pode ser intensa. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque é um procedimento que usa ondas de choque de alta energia para desintegrar cálculos renais e constitui uma alternativa à remoção cirúrgica. Quando o cálculo renal é localizado usando raios X, um dispositivo chamado litotritor fornece ondas de som breves de alta intensidade, através de um coxim cheio de gel ou água colocado sob o dorso. Durante um período de 30 a 60 min, 1.000 ou mais ondas de choque pulverizam o cálculo, produzindo fragmentos que são suficientemente pequenos para serem eliminados na urina. Infecções urinárias O termo infecção urinária é usado para descrever uma infecção de uma parte do sistema urinário ou o achado de numerosos microrganismos na urina. As infecções urinárias são mais comuns em mulheres, por causa do menor comprimento da uretra. Os sinais/sintomas incluem disuria, urgência urinária, polaciuria, lombalgia e enurese noturna. As infecções urinárias incluem uretrite, inflamação da uretra; cistite, inflamação da bexiga urinária; e pielonefrite, inflamação dos rins. Se a pielonefrite se tornar crônica, o tecido cicatricial formado nos rins pode prejudicar substancialmente sua função. Beber suco de oxicoco (cranberry) pode impedir a ligação de bactérias E. coli ao revestimento da bexiga urinária, de modo que as bactérias são mais prontamente drenadas para fora durante a micção. Doenças glomerulares Várias condições podem lesionar o glomérulo renal, direta ou indiretamente em decorrência de doenças em outras partes do corpo. Tipicamente, a membrana de filtração sofre danos, e isso aumenta a sua permeabilidade. A glomerulonefrite é uma inflamação do rim que envolve os glomérulos. Uma das causas mais comuns é uma reação alérgica às toxinas produzidas por estreptococos que recentemente infectaram outra parte do corpo, especialmente a faringe. Os glomérulos tornamse tão inflamados, tumefeitos e ingurgitados que as membranas de https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html filtração permitem que as células sanguíneas e proteínas plasmáticas entrem no filtrado. Como resultado, a urina contém muitas hemácias (hematúria) e alta concentração de proteína. Os glomérulos podem ser permanentemente danificados, levando à insuficiência renal crônica. A síndrome nefrótica é uma condição caracterizada por proteinúria (proteínas na urina) e hiperlipidemia (níveis sanguíneos elevados de colesterol, fosfolipídios e triglicerídios). A proteinúria é decorrente do aumento na permeabilidade da membrana de filtração, o que possibilita que as proteínas, especialmente a albumina, extravasem do sangue para a urina. A perda de albumina resulta em hipoalbuminemia (baixo nível sanguíneo de albumina), uma vez que a produção hepática de albumina não consegue contrabalancear o aumento das perdas urinárias. O edema, geralmente observado na região periorbital, nos tornozelos, nos pés e no abdome, ocorre na síndrome nefrótica, pois a perda de albumina do sangue diminui a pressão coloidosmótica sanguínea. A síndrome nefrótica está associada a diversas doenças glomerulares de causa desconhecida, assim como a doenças sistêmicas como diabetes melito, lúpus eritematoso sistêmico (LES), vários tipos de câncer e AIDS. Insuficiência renal A insuficiência renal consiste em diminuição ou interrupção da filtração glomerular. Na insuficiência renal aguda (IRA), os rins param totalmente (ou quase totalmente) de funcionar de modo abrupto. A principal característica da IRA é a supressão do fluxo de urina, geralmente caracterizada tanto por oligúria (débito urinário diário entre 50 mℓ e 250 mℓ quanto por anúria (débito urinário diário inferior a 50 mℓ. As causas incluem hipovolemia (p. ex., decorrente de hemorragia), diminuição do débito cardíaco, túbulos renais danificados, cálculos renais, contrastes utilizados para visualizaros vasos sanguíneos em angiografias, antiinflamatórios não esteroides e alguns antibióticos. Também é comum em pessoas que sofrem de uma doença grave ou lesão traumática compressiva; nestes casos, pode estar relacionada com a falência generalizada de órgãos, conhecida como síndrome de disfunção de múltiplos órgãos (SDMO). A insuficiência renal se manifesta de várias maneiras. Há edema decorrente da retenção de sal e água e acidose metabólica decorrente da incapacidade dos rins de excretar substâncias ácidas. No sangue, a ureia se acumula em decorrência da redução da excreção renal de escórias metabólicas e ocorre elevação dos níveis de potássio, que podem levar à parada cardíaca. Muitas vezes, há anemia, porque os rins não produzem eritropoetina suficiente para a produção adequada de eritrócitos. Uma vez que os rins já não são capazes de converter vitamina D em calcitriol, que é necessário para a absorção adequada de cálcio a partir do intestino delgado, também pode ocorrer osteomalacia. A insuficiência renal crônica (IRC) se refere ao declínio progressivo e geralmente irreversível da taxa de filtração glomerular (TFG). A IRC pode resultar de glomerulonefrite crônica, pielonefrite, doença renal policística ou perda traumática de tecido renal. A IRC se desenvolve em três fases. Na primeira fase, reserva renal diminuída, os néfrons são destruídos até que aproximadamente 75% dos néfrons funcionais são perdidos. Nesta fase, a pessoa pode não manifestar sinais ou sintomas, porque os néfrons remanescentes se ampliam e assumem a função daqueles que foram perdidos. Quando 75% dos néfrons são perdidos, a pessoa entra na segunda fase, chamada insuficiência renal, caracterizada por diminuição da TFG e aumento dos níveis sanguíneos de escórias nitrogenadas e de creatinina. Além disso, os rins não conseguem concentrar ou diluir a urina de modo efetivo. A fase final, chamada doença renal em estágio terminal (DRET), ocorre quando aproximadamente 90% dos néfrons foram perdidos. Nesta fase, a TFG diminui para 10 a 15% do normal, ocorre oligúria e os níveis sanguíneos de escórias nitrogenadas e creatinina aumentam ainda mais. As pessoas com DRET precisam de diálise e são possíveis candidatas a transplante de rim. Doença renal policística A doença renal policística (DRP) é uma das doenças hereditárias mais comuns. Na DRP, os túbulos renais apresentam centenas ou milhares de cistos (cavidades cheias de líquido). Além disso, a apoptose (morte celular programada) inadequada das células dos túbulos não císticos leva à insuficiência progressiva da função renal e, por fim, à doença renal em estágio terminal (DRET). As pessoas com DRP também podem ter cistos e apoptose no fígado, pâncreas, baço e gônadas; risco aumentado de aneurismas cerebrais; defeitos nas valvas cardíacas; e divertículos no colo intestinal. Geralmente, os indivíduos são assintomáticos até a idade adulta, quando apresentam dorsalgia, infecções urinárias, hematuria, hipertensão arterial e grandes massas abdominais. O uso de fármacos para restaurar a pressão arterial normal, a restrição de proteínas e sal na dieta e o controle das infecções urinárias podem retardar a progressão para insuficiência renal. Câncer de bexiga A cada ano, aproximadamente 12.000 norteamericanos morrem de câncer de bexiga. A doença geralmente ocorre em pessoas com mais de 50 anos, sendo três vezes mais comum em homens do que mulheres. De modo geral, é indolor durante sua evolução, mas na maior parte dos casos, hematuria é o principal sinal da doença. Menos frequentemente, as pessoas sentem dor à micção e/ou aumento da frequência de micção. Desde que a doença seja identificada e tratada precocemente, o prognóstico é favorável. Felizmente, cerca de 75% dos cânceres vesicais são restritos ao epitélio da bexiga urinária e a sua extirpação é de fácil execução por meio de cirurgia. As lesões tendem a ser de estádios baixos, o que significa que têm apenas um pequeno potencial de produzir metástases. O câncer de bexiga frequentemente é decorrente de um carcinógeno. Aproximadamente 50% de todos os casos ocorrem em tabagistas ou em pessoas que em algum momento de sua vida fumaram. O câncer também tende a se desenvolver em pessoas que estão expostas a substâncias químicas chamadas aminas aromáticas. As pessoas que lidam com couro, corante, borracha e indústrias de alumínio, assim como pintores, são frequentemente expostas a esses produtos químicos. Transplante renal O transplante renal é a transferência de um rim de um doador para um receptor cuja função renal não é mais adequada. Neste procedimento, o rim doado é colocado na pelve do receptor através de uma incisão abdominal. A artéria e a veia renais do órgão transplantado são anastomosadas a uma artéria ou veia próximas da pelve do receptor, e o ureter do rim transplantado é então conectado à bexiga urinária. Durante o transplante de rim, o paciente recebe apenas um rim, uma vez que é necessário apenas um rim para manter função renal suficiente. Os rins não funcionantes geralmente são deixados no local. Como em todos os transplantes de órgãos, os transplantados renais devem sempre estar atentos aos sinais de infecção ou rejeição do órgão. O receptor de transplante fará uso de imunossupressores pelo restante de sua vida para evitar a rejeição do órgão “estranho”. Cistoscopia A cistoscopia é um procedimento muito importante para o exame direto da túnica mucosa da uretra e da bexiga e da próstata nos homens. Neste procedimento, inserese um cistoscópio (um tubo flexível estreito com iluminação) na uretra para examinar as estruturas atravessadas por ela. Com acessórios especiais, podese coletar amostras de tecido para exame (biopsia) e remover pequenos cálculos. A cistoscopia é útil para avaliar problemas da bexiga urinária, como câncer e infecções. Também pode avaliar o grau de obstrução resultante de aumento da próstata. TERMINOLOGIA TÉCNICA Azotemia. Presença de ureia ou de outras substâncias nitrogenadas no sangue. Cistocele. Herniação da bexiga urinária. Disúria. Dor à micção. Doença renal diabética. Doença causada pelo diabetes melito em que os glomérulos são danificados. O resultado é a perda de proteínas para a urina e redução na capacidade dos rins de eliminar a água e escórias metabólicas. Enurese. Perda involuntária de urina após a idade em que o controle voluntário normalmente é alcançado. Enurese noturna. Incontinência urinária durante o sono; ocorre em aproximadamente 15% das crianças de 5 anos de idade, e geralmente desaparece espontaneamente, acometendo apenas cerca de 1% dos adultos. Pode ter uma base genética, visto que a incontinência urinária ocorre mais frequentemente em gêmeos idênticos do que em gêmeos fraternos e mais frequentemente em crianças cujos pais ou irmãos apresentavam a condição. As possíveis causas incluem capacidade vesical menor do que a normal, a falha em despertar em resposta a uma bexiga cheia, e a produção de urina acima do normal durante a noite. Estenose. Estreitamento do lúmen de um canal ou órgão oco, como pode ocorrer no ureter, na uretra ou em qualquer outra estrutura tubular do corpo. 1. 2. 26.1 1. 2. 26.2 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 26.3 1. 26.4 1. Hidronefrose. Aumento das dimensões do rim decorrente da dilatação da pelve renal e dos cálices, como resultado de obstrução ao fluxo de urina. Pode ser decorrente de anomalia congênita, estreitamento de ureter, cálculo renal ou aumento da próstata. Nefropatia. Qualquer doença dos rins. Pode ser causada pelo uso excessivo e prolongado de fármacos comoo ibuprofeno), por chumbo (decorrente da ingestão de tinta à base de chumbo) e solvente (decorrente do tetracloreto de carbono e outros solventes). Poliúria. Formação de volume excessivo de urina. Ocorre em condições como o diabetes melito e a glomerulonefrite. Retenção urinária. Falha em expelir completa ou normalmente a urina; pode ser decorrente de obstrução da uretra ou do colo da bexiga, contração nervosa da uretra ou falta de vontade de urinar. Nos homens, a próstata aumentada pode comprimir a uretra e causar retenção urinária. Se a retenção urinária for prolongada, um cateter tem de ser colocado na uretra para drenar a urina. Uremia. Níveis tóxicos de ureia no sangue, resultante de disfunção grave dos rins. Urografia excretora. Radiografia dos rins, dos ureteres e da bexiga urinária após a injeção venosa de um meio de contraste radiopaco. REVISÃO DO CAPÍTULO Conceitos essenciais Introdução Os órgãos do sistema urinário são os rins, os ureteres, a bexiga e a uretra. Depois que os rins filtram o sangue e devolvem a maior parte da água e muitos solutos para a corrente sanguínea, o restante da água e solutos constitui a urina. Resumo das funções do rim Os rins regulam a composição iônica do sangue, a osmolaridade do sangue, o volume sanguíneo, a pressão arterial e o pH do sangue. Os rins também realizam a gliconeogênese, liberam calcitriol e eritropoetina, e excretam escórias metabólicas e substâncias estranhas. Anatomia e histologia dos rins Os rins são órgãos retroperitoneais fixados à parede posterior do abdome. Três camadas de tecido circundam os rins: a cápsula fibrosa, a cápsula adiposa e a fáscia renal. Internamente, os rins consistem em córtex renal, medula renal, papilas renais, colunas renais, cálices maiores e menores e uma pelve renal. O sangue flui para o rim pela artéria renal e, sucessivamente, pelas artérias segmentares, interlobares, arqueadas e interlobulares; arteríolas glomerulares aferentes; capilares glomerulares; arteríolas glomerulares eferentes; capilares peritubulares e arteríolas retas; e veias interlobulares, arqueadas e interlobares antes de sair do rim pela veia renal. Os nervos vasomotores da parte simpática da divisão autônoma do sistema nervoso suprem os vasos sanguíneos renais e ajudam a regular o fluxo sanguíneo através dos rins. O néfron é a unidade funcional dos rins. Um néfron consiste em um corpúsculo renal (glomérulo e cápsula glomerular) e um túbulo renal. Um túbulo renal consiste em um túbulo contorcido proximal, uma alça de Henle e um túbulo contorcido distal, que flui para um ducto coletor (compartilhado por vários néfrons). A alça de Henle consiste em uma parte descendente e uma parte ascendente. O néfron cortical tem uma alça de Henle curta que entra apenas na região superficial da medula renal; o néfron justamedular tem uma alça de Henle longa que se estende ao longo da medula renal até quase a papila renal. A parede de toda a cápsula glomerular, do túbulo renal e dos túbulos consiste em uma única camada de células epiteliais. O epitélio tem características histológicas distintas nas diferentes partes do túbulo. A Tabela 26.1 resume as características histológicas do túbulo renal e do ducto coletor. O aparelho justaglomerular (AJG) consiste em células justaglomerulares de uma arteríola glomerular aferente e a mácula densa da porção final da parte ascendente da alça de Henle. Aspectos gerais da fisiologia renal Os néfrons realizam três tarefas básicas: filtração glomerular, secreção tubular e reabsorção tubular. Filtração glomerular O líquido que é filtrado pelos glomérulos entra no espaço capsular e é chamado filtrado glomerular. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 26.5 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 26.6 1. 2. 3. 26.7 1. 2. 3. 4. 26.8 1. 2. A membrana de filtração é constituída por endotélio glomerular, lâmina basal e fendas de filtração entre os pedicelos dos podócitos. A maior parte das substâncias do plasma sanguíneo atravessa facilmente o filtro glomerular. No entanto, a maior parte das células do sangue e proteínas normalmente não é filtrada. O filtrado glomerular corresponde a um máximo de 180 ℓ de líquidos por dia. Esta grande quantidade de líquido é filtrada porque o filtro é poroso e fino, os capilares glomerulares são longos e a pressão capilar é alta. A pressão hidrostática do sangue glomerular (PHSG) promove a filtração; a pressão hidrostática capsular (PHC) e a pressão coloidosmótica do sangue (PCOS) se opõem à filtração. A pressão de filtração efetiva (PFE) = PHSG – PHC – PCOS e é de aproximadamente 10 mmHg. A taxa de filtração glomerular (TFG) é o volume de filtrado formado em ambos os rins por minuto; normalmente é de 105 a 125 mℓ/min. A taxa de filtração glomerular renal depende da autorregulação, regulação neural e regulação hormonal. A Tabela 26.2 resume regulação da TFG. Reabsorção e secreção tubular A reabsorção tubular é um processo seletivo que recicla materiais do líquido tubular e os devolve à corrente sanguínea. As substâncias reabsorvidas incluem água, glicose, aminoácidos, ureia e íons, como sódio, cloreto, potássio, bicarbonato e fosfato (Tabela 26.3). Algumas substâncias que não são necessárias ao organismo são removidas do sangue e excretadas na urina via secreção tubular. Estas incluem íons (K+, H+ e NH4 +), ureia, creatinina e determinados fármacos. As vias de reabsorção incluem tanto a via paracelular (entre células tubulares) quanto a transcelular (através das células tubulares). A quantidade máxima de uma substância que pode ser reabsorvida por unidade de tempo é chamada transporte máximo (Tm). Aproximadamente 90% da reabsorção de água é obrigatória; ocorre por meio da osmose, juntamente com a reabsorção de solutos, e não é regulada por via hormonal. Os 10% restantes constituem a reabsorção facultativa de água, que varia de acordo com as necessidades do corpo e é regulada pelo hormônio antidiurético (HAD). Os íons sódio são reabsorvidos por meio da membrana basolateral via transporte ativo primário. No túbulo contorcido proximal, os íons Na+ são reabsorvidos através das membranas apicais via simportadores de Na+ glicose e contratransportadores Na+H+; a água é reabsorvida por osmose; o Cl–, o K+, o Ca2+, o Mg2+ e a ureia são reabsorvidos via difusão passiva; e o NH3 e o NH4 + são secretados. A alça de Henle reabsorve 20 a 30% do Na+, K+, Ca2+ e HCO3 – filtrado; 35% do Cl– filtrado e 15% da água filtrada. O túbulo contorcido distal reabsorve íons sódio e cloreto via simportadores Na+ Cl–. No ducto coletor, as células principais reabsorvem Na+ e secretam K+; as células intercaladas reabsorvem K+ e HCO3 – e secretam H+. A angiotensina II, aldosterona, hormônio antidiurético, peptídio natriurético atrial e paratormônio regulam a reabsorção de soluto e água, conforme resumido na Tabela 26.4. Produção de urina diluída e concentrada Se não houver hormônio antidiurético, os rins produzem urina diluída; os túbulos renais absorvem mais solutos do que água. Se houver HAD, os rins produzem urina concentrada; grandes volumes de água são reabsorvidos do líquido tubular para o líquido intersticial, aumentando a concentração de soluto na urina. O multiplicador por contracorrente estabelece um gradiente osmótico no líquido intersticial da medula renal, que possibilita a produção de urina concentrada quando existe HAD. Avaliação da função renal O exame de urina (urinálise) consiste na análise do volume e das características físicas, químicas e microscópicas de uma amostra de urina. A Tabela 26.5 resume as principais características físicas da urina normal. Quimicamente, a urina normal contém cerca de 95% de água e 5% de solutos. Os solutos normalmente incluem ureia, creatinina, ácido úrico, urobilinogênio e diversos íons. A Tabela 26.6 lista os diversos componentes anormais que podem serdetectados em um exame de urina, incluindo albumina, glicose, eritrócitos e leucócitos, corpos cetônicos, bilirrubina, urobilinogênio excessivo, cilindros e microrganismos. A depuração (clearance) renal se refere à capacidade dos rins de eliminar uma substância específica do sangue. Transporte, armazenamento e eliminação da urina Os ureteres são retroperitoneais e consistem em uma túnica mucosa, uma túnica muscular e uma túnica adventícia. Eles transportam a urina da pelve renal para a bexiga urinária, principalmente via peristaltismo. A bexiga está localizada na cavidade pélvica, posteriormente à sínfise púbica; sua função é armazenar a urina antes da 3. 4. 5. 26.9 1. 2. 26.10 1. 2. 26.11 1. 2. 1. 2. 3. 26.1 26.2 26.3 26.4 26.5 26.6 26.7 26.8 26.9 micção. A bexiga urinária é constituída por uma túnica mucosa com pregas, uma túnica muscular (músculo detrusor da bexiga) e uma túnica adventícia (túnica serosa sobre a face superior). O reflexo de micção elimina a urina da bexiga urinária por meio de impulsos parassimpáticos que provocam a contração do músculo detrusor da bexiga e o relaxamento do músculo esfíncter interno da uretra e por meio da inibição dos impulsos sobre os neurônios motores somáticos para o esfíncter externo da uretra. A uretra é um tubo que vai do assoalho da bexiga para o meio externo. Sua anatomia e sua histologia diferem em homens e mulheres. Em ambos os sexos, a uretra elimina a urina do corpo; no sexo masculino, ela também expele o sêmen. Manejo das escórias metabólicas em outros sistemas do corpo Além dos rins, vários outros tecidos, órgãos e processos contribuem para a concentração temporária das escórias, transporte de escórias destinadas à eliminação, reciclagem de material e excreção de substâncias tóxicas ou em excesso no organismo Os tampões se ligam ao excesso de H+, o sangue transporta as escórias, o fígado converte substâncias tóxicas em outras menos tóxicas, os pulmões exalam CO2, as glândulas sudoríferas ajudam a eliminar o excesso de calor e o sistema digestório elimina escórias metabólicas sólidas. Desenvolvimento do sistema urinário Os rins se desenvolvem a partir do mesoderma intermediário. Os rins se desenvolvem na seguinte sequência: pronefro, mesonefro e metanefro. Apenas o metanefro permanece e se desenvolve em um rim funcional. Envelhecimento e sistema urinário Com o envelhecimento, os rins diminuem de tamanho, seu fluxo sanguíneo diminui e filtram menos sangue. Os problemas mais comuns relacionados com o envelhecimento incluem infecções urinárias, aumento da frequência urinária, retenção ou incontinência urinária e cálculos renais. QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA Imagine a descoberta de uma nova toxina que bloqueia a reabsorção do túbulo renal, mas não afeta a filtração. Preveja os efeitos a curto prazo desta toxina. Para cada um dos seguintes resultados de exame de urina, indique se você deve se preocupar ou não e por quê: (a) urina amareloescura turva; (b) urina com odor de amônia; (c) excesso de albumina; (d) cilindros epiteliais; (e) pH de 5,5; (f) hematúria. Bruce está sentindo ondas rítmicas repentinas de dor na região inguinal. Ele notou que, embora esteja consumindo líquidos, sua produção de urina diminuiu. Qual condição está acometendo Bruce? Como é o tratamento? Como ele pode prevenir episódios futuros? RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS Os componentes do sistema urinário são os rins, ureteres, bexiga urinária e uretra. Os rins são ditos retroperitoneais porque se localizam posteriormente ao peritônio. Os vasos sanguíneos, vasos linfáticos, nervos e um ureter passam pelo hilo renal. Aproximadamente 1.200 mℓ de sangue entram nas artérias renais a cada minuto. Os néfrons corticais têm glomérulos no córtex renal superficial; suas alças de Henle curtas penetram apenas na medula renal superficial. Os néfrons justamedulares têm glomérulos profundos no córtex renal; suas alças de Henle longas se estendem através da medula renal até quase a papila renal. Esta seção deve estar passando pelo córtex renal, pois não há corpúsculos renais na medula renal. A penicilina secretada está sendo removida da corrente sanguínea. As fenestrações endoteliais (poros) nos glomérulos capilares são muito pequenas para as hemácias passarem por elas. A obstrução do ureter direito aumentaria a PHC e, assim, diminuiria a pressão de filtração efetiva no rim direito; a obstrução não teria qualquer efeito sobre o rim esquerdo. 26.10 26.11 26.12 26.13 26.14 26.15 26.16 26.17 26.18 26.19 26.20 26.21 26.22 26.23 Auto quer dizer próprio; o feedback tubuloglomerular é um exemplo de autorregulação, porque ocorre inteiramente nos rins. As junções oclusivas entre as células do túbulo formam uma barreira que impede a difusão de transportador, canal e proteínas de bomba entre as membranas apical e basolateral. A glicose entra na célula do TCP por meio de um simportador Na+glicose na membrana apical e sai por difusão facilitada através da membrana basolateral. O gradiente eletroquímico promove a circulação de Na+ para o interior da célula tubular por meio dos contratransportadores da membrana apical. A reabsorção dos solutos cria um gradiente osmótico que promove a reabsorção de água por osmose. Este é considerado um transporte ativo secundário, porque o simportador utiliza a energia armazenada no gradiente de concentração de Na+ entre o líquido extracelular e o citosol. Não é reabsorvida água neste caso, porque a parte ascendente espessa da alça de Henle é praticamente impermeável à água. Nas células principais, a aldosterona estimula a secreção de K+ e a reabsorção de Na+ por aumento da atividade das bombas de sódiopotássio e do número de canais de saída de Na+ e K+. A aldosterona e o peptídio natriurético atrial influenciam a reabsorção renal de água, juntamente com o HAD. A urina diluída é produzida quando a parte ascendente espessa da alça de Henle, o túbulo contorcido distal e o ducto coletor reabsorvem mais solutos do que água. A alta osmolaridade do líquido intersticial na medula renal é decorrente principalmente do Na+, do Cl– e da ureia. A secreção ocorre no túbulo contorcido proximal, na alça de Henle e no ducto coletor. A falta de controle voluntário sobre a micção é denominada incontinência urinária. Os três subdivisões da uretra masculina são a parte prostática, a parte membranácea e a parte esponjosa. Os rins começam a se formar durante a terceira semana de desenvolvimento. ____________ *A osmolaridade de uma solução é a medida da quantidade total de partículas dissolvidas por litro de solução. As partículas podem ser moléculas, íons ou uma mistura de ambos. Para calcular a osmolaridade, multiplique a molaridade (ver Seção 2.4) pela quantidade de partículas por molécula, quando a molécula tiver se dissolvido. Um termo semelhante, osmolalidade, é a quantidade de partículas de soluto por quilograma de água. Uma vez que é mais fácil medir os volumes das soluções do que determinar a massa de água que eles contêm, a osmolaridade é mais frequentemente usada do que a osmolalidade. A maior parte dos líquidos corporais e soluções utilizadas clinicamente é diluída e, nesse caso, há uma diferença inferior a 1% entre estas duas medidas. *O HAD não regula o canal de água mencionado anteriormente (aquaporina1). https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html#ch2-4 27.1 • • • Homeostasia hidreletrolítica e acidobásica A regulação do volume e da composição dos líquidos corporais, o controle de sua distribuição pelo corpo e o equilíbrio do pH dos líquidos corporais são cruciais para a manutenção da homeostasia e da saúde globais. No Capítulo 26, aprendemos como os rins produzem a urina. Uma função importante dos rins é ajudar a manter o equilíbrio hídrico no corpo. A água e os solutosdissolvidos nela pelo corpo constituem os líquidos corporais. Mecanismos regulatórios que envolvem os rins e outros órgãos normalmente mantêm a homeostasia dos líquidos corporais. O comprometimento de um ou de todos pode prejudicar significativamente o funcionamento dos órgãos corporais. Neste capítulo, exploraremos os mecanismos que regulam o volume e a distribuição dos líquidos corporais e examinaremos os fatores que determinam as concentrações de solutos e o pH dos líquidos corporais. Compartimentos e equilíbrio hídrico OBJETIVOS Comparar as localizações do líquido intracelular (LIC) e do líquido extracelular (LEC) Descrever os vários compartimentos de líquidos do corpo Discutir as fontes e a regulação do ganho e da perda de água e de solutos https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html • 1. 2. Explicar como os líquidos se movem entre os compartimentos. Em adultos magros, os líquidos corporais constituem entre 55% (mulheres) e 60% (homens) da massa corporal total (Figura 27.1). Os líquidos corporais são encontrados em dois “compartimentos” principais – intracelular e extracelular. Cerca de dois terços do líquido corporal constituem o líquido intracelular (LIC), também chamado citosol, o líquido dentro das células. O outro terço, chamado de líquido extracelular (LEC), se encontra fora das células e inclui todos os líquidos corporais. Cerca de 80% do LEC é o líquido intersticial, que ocupa os espaços microscópicos entre as células nos tecidos, e os outros 20% do LEC são o plasma, a porção líquida do sangue. Outros líquidos extracelulares que estão agrupados com o líquido intersticial incluem a linfa nos vasos linfáticos; o líquido cerebrospinal no sistema nervoso; o líquido sinovial nas articulações; o humor aquoso e o humor vítreo; a endolinfa e a perilinfa das orelhas e os líquidos pleural, pericárdico e peritoneal entre as túnicas serosas. Duas “barreiras” gerais separam o líquido intracelular, o líquido intersticial e o plasma sanguíneo. A membrana plasmática das células individuais separa o LIC do líquido intersticial circunjacente. Você aprendeu no Capítulo 3 que a membrana plasmática é uma barreira seletivamente permeável: ela permite que algumas substâncias a atravessem, mas impede o movimento de outras. Além disso, bombas de transporte ativo trabalham continuamente para a manutenção de concentrações diferentes de determinados íons no citosol e no líquido intersticial. As paredes dos vasos sanguíneos separam o líquido intersticial do plasma sanguíneo. Apenas nos capilares, os menores vasos do corpo, as paredes são finas e fenestradas o bastante para permitir a troca de água e de solutos entre o plasma sanguíneo e o líquido intersticial. O corpo encontrase em equilíbrio hídrico quando as quantidades necessárias de água e de solutos estão presentes e se encontram em proporções corretas entre os vários compartimentos. A água é, sem dúvida, o maior componente individual do corpo, constituindo cerca de 45 a 75% da massa corporal total, dependendo do sexo e da idade. Figura 27.1 Compartimentos do líquido corporal. O termo líquido corporal referese à água do corpo e suas substâncias dissolvidas. Qual é o volume aproximado de plasma sanguíneo em um homem magro com 60 kg? E em uma mulher de 60 kg? (Nota: 1.000 mℓ de líquido corporal têm massa de 1 kg.) Os processos de filtração, reabsorção, difusão e osmose permitem uma troca contínua de água e de solutos entre os https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html compartimentos de líquido do corpo (Figura 27.1B). Ainda assim, o volume de líquido em cada compartimento permanece notavelmente estável. As pressões que promovem a filtração de líquidos a partir dos capilares sanguíneos e a reabsorção deles de volta para os capilares podem ser revistas na Figura 21.7. Como a osmose é o principal modo de movimento aquoso entre o líquido intracelular e o líquido intersticial, a concentração de solutos nesses líquidos determina a direção do movimento da água. Como a maior parte dos solutos nos líquidos corporais são eletrólitos, compostos inorgânicos que se dissociam em íons, o equilíbrio hídrico está relacionado intimamente com o equilíbrio eletrolítico. Uma vez que a ingestão de água e de eletrólitos raramente ocorre exatamente nas mesmas proporções em que eles se encontram nos líquidos corporais, a capacidade dos rins de excretarem o excesso de água, produzindo urina diluída, ou de excretarem excesso de eletrólitos, produzindo urina concentrada, é crucial para a manutenção da homeostasia. Fontes de ganho e de perda de água corporal O corpo pode ganhar água por ingestão e pela síntese metabólica (Figura 27.2). As principais fontes de água corporal são os líquidos ingeridos (cerca de 1.600 mℓ ) e os alimentos úmidos (cerca de 700 mℓ ) absorvidos no sistema digestório, totalizando cerca de 2.300 mℓ/dia. A outra fonte de água é a água metabólica, que é produzida no corpo principalmente quando o oxigênio recebe elétrons durante a respiração aeróbica (ver Figura 25.2) e, em menor volume, durante as reações de síntese por desidratação (ver Figura 2.15). O ganho de água metabólica contribui com apenas 200 mℓ /dia. O ganho diário de água a partir dessas duas fontes totaliza cerca de 2.500 mℓ. Figura 27.2 Fontes de ganho e de perda diários de água em condições normais. Os números são os volumes médios para adultos. Normalmente, a perda diária de água é igual ao ganho diário de água. Como cada um desses fatores afeta o equilíbrio hídrico: hiperventilação? Vômitos? Febre? Diuréticos? Normalmente, o volume de líquido corporal permanece constante porque a perda de água se equipara ao ganho de água. A perda de água ocorre de quatro maneiras (Figura 27.2). Todos os dias os rins excretam cerca de 1.500 mℓ de água na urina, a pele evapora cerca de 600 mℓ (400 mℓ pela transpiração insensível – o suor que evapora antes de ser percebido como umidade – e 200 mℓ como suor), os pulmões exalam cerca de 300 mℓ de água como vapor e o sistema digestório https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter21.html#ch21fig7 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter25.html#ch25fig2 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html#ch2fig15 elimina cerca de 100 m ℓ nas fezes. Em mulheres em idade fértil, um volume adicional de água é perdido no fluxo menstrual. Em média, as perdas diárias de água totalizam cerca de 2.500 mℓ. O volume de água perdido por uma dessas vias varia consideravelmente ao longo do tempo. Por exemplo, a água pode literalmente escorrer pela pele como suor durante um esforço extenuante. Em outros casos, a água pode ser perdida na diarreia induzida por uma infecção intestinal. Regulação do ganho corporal de água O volume de água metabólica formado pelo corpo depende totalmente do nível de respiração aeróbica, que reflete a demanda de ATP pelas células corporais. Quando mais ATP é produzido, mais água é formada. O ganho corporal de água é regulado principalmente pelo volume de água ingerida, ou quanto líquido você bebe. Uma área no hipotálamo conhecida como centro da sede governa a vontade de beber. Quando a perda de água é maior do que o ganho, a desidratação – diminuição do volume e aumento da osmolaridade dos líquidos corporais – estimula a sede (Figura 27.3). Quando a massa corporal diminui cerca de 2% devido a uma perda de líquidos, ocorre desidratação moderada. A diminuição no volume sanguíneo faz com que a pressão sanguínea também diminua. Essa mudança estimula a liberação de renina pelos rins, que promove a formação de angiotensina II. O aumento dosimpulsos nervosos promovido pelos osmorreceptores no hipotálamo, disparados pelo aumento da osmolaridade sanguínea, e o aumento da concentração sanguínea de angiotensina II estimulam o centro da sede no hipotálamo. Outros sinais que estimulam a sede surgem a partir de (1) neurônios na boca que detectam o ressecamento promovido por uma diminuição no fluxo de saliva e (2) barorreceptores que detectam uma diminuição na pressão sanguínea no coração e nos vasos sanguíneos. Como resultado, a sensação de sede aumenta, o que em geral faz com que a ingestão de líquidos aumente (se houver líquido) e o volume normal de líquido retorne ao normal. De modo geral, o ganho de líquidos equilibra a perda de líquidos. Entretanto, algumas vezes, a sensação de sede não ocorre rapidamente o bastante ou o acesso aos líquidos é restrito, causando uma desidratação significativa. Isso ocorre mais frequentemente em idosos, recém nascidos/lactentes e em indivíduos confusos. Quando ocorre sudorese abundante ou perda de líquidos causada por diarreia ou vômitos, é prudente começar a reposição de líquidos corporais por intermédio da ingestão de líquidos antes mesmo de a sensação de sede aparecer. Figura 27.3 Vias pelas quais a desidratação estimula a sede. A desidratação ocorre quando a perda de água é maior que o ganho. A regulação dessas vias ocorre por feedback negativo ou positivo? Por quê? Regulação das perdas de água e de solutos Embora as perdas de água e de solutos através do suor e da exalação aumentem durante o exercício físico, a eliminação do excesso de água ou de solutos corporais ocorre principalmente pelo controle de sua perda urinária. O grau de perda de sais urinários (NaCl) é o principal fator que determina o volume de líquidos corporais. O motivo para que isso ocorra é que “a água segue os solutos” na osmose e os dois principais solutos do líquido extracelular (e da urina) são os íons sódio (Na+) e os íons cloreto (Cl–). De maneira semelhante, o principal fator que determina a osmolaridade dos líquidos corporais é o volume de perda urinária de água. Como a nossa dieta diária contém um teor altamente variável de NaCl, a excreção urinária de Na+ e de Cl– também deve variar para que a homeostasia seja mantida. Variações hormonais regulam a perda urinária desses íons, que, por sua vez, afeta o volume de sangue. A Figura 27.4 mostra a sequência de mudanças que ocorrem após uma refeição salgada. A ingestão aumentada de NaCl promove aumento nos níveis plasmáticos de Na+ e de Cl– (os principais responsáveis pela osmolaridade do líquido extracelular). Como resultado, a osmolaridade do líquido intersticial aumenta, causando um movimento de água do LIC para o líquido intersticial e, então, para o plasma. Esses movimentos de água aumentam o volume sanguíneo. Os três hormônios mais importantes que regulam a reabsorção renal de Na+ e de Cl– (e, desse modo, os íons perdidos na urina) são a angiotensina II, a aldosterona e o peptídio natriurético atrial (PNA). Quando seu corpo está desidratado, a angiotensina II e a aldosterona promovem a reabsorção urinária de Na+ e de Cl– (e de água por osmose com os eletrólitos), conservando o volume de líquidos corporais pela redução de sua perda urinária. Um aumento no volume sanguíneo, como pode ocorrer após você ingerir um volume grande de bebidas, dilata os átrios do coração, promovendo a liberação de peptídio natriurético atrial. O PNA promove a natriurese, a elevação da excreção urinária de Na+ (e de Cl–), que é seguida pela excreção de água, diminuindo o volume sanguíneo. Uma elevação no volume sanguíneo também diminui a liberação de renina pelas células justaglomerulares renais. Quando os níveis de renina diminuem, menos angiotensina II é formada. Uma diminuição nos níveis de angiotensina II de moderada para baixa aumenta a taxa de filtração glomerular e reduz a reabsorção de Na+, Cl– e água pelos túbulos renais. Além disso, menos angiotensina II promove níveis menores de aldosterona, fazendo com que a reabsorção do Na+ e do Cl– filtrados diminua nos túbulos coletores renais. Mais Na+ e Cl– filtrados permanecem no líquido tubular para serem excretados na urina. A consequência osmótica do aumento da excreção de Na+ e de Cl– é a perda de mais água pela urina, diminuindo o volume e a pressão sanguíneos. O principal hormônio que regula a perda de água é o hormônio antidiurético (HAD). Esse hormônio, também conhecido como vasopressina, é produzido pelas células neurossecretoras que se estendem do hipotálamo até a neuro hipófise. Além de estimular o mecanismo de sede, o aumento da osmolaridade dos líquidos corporais estimula a liberação de HAD (ver Figura 26.10). O HAD promove a inserção de proteínas que formam canais de água (aquaporina 2) nas membranas apicais das células principais nos túbulos coletores dos rins. Como resultado, a permeabilidade dessas células para a água aumenta. As moléculas de água se movem por osmose a partir do líquido tubular renal para as células e, então, das células para a corrente sanguínea. O resultado é a produção de um volume pequeno de urina bastante concentrada (ver Seção 26.6). A ingestão de água em resposta ao mecanismo de sede diminui a osmolaridade do sangue e do líquido intersticial. Em alguns minutos, a secreção de HAD diminui e logo seus níveis sanguíneos se aproximam de zero. Quando as células principais não são estimuladas pelo HAD, as moléculas de aquaporina 2 são removidas da membrana apical por endocitose. Como a quantidade de canais de água diminui, a permeabilidade das membranas apicais das células principais à água diminui e mais água é perdida na urina. Figura 27.4 Regulação hormonal da reabsorção renal de Na+ e de Cl–. Os três principais hormônios que regulam a reabsorção renal de Na+ e de Cl– (e, portanto, a quantidade desses íons perdida pela urina) são a angiotensina II, a aldosterona e o peptídio natriurético atrial. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html#ch26fig10 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html#ch26-6 Como o hiperaldosteronismo (secreção excessiva de aldosterona) causa edema? Em algumas condições, outros fatores além da osmolaridade sanguínea influenciam a secreção de HAD. Uma diminuição considerável no volume sanguíneo, detectada pelos barorreceptores (neurônios sensoriais que respondem ao estiramento) no átrio esquerdo e nas paredes dos vasos sanguíneos, também estimula a liberação de HAD. Na desidratação grave, a taxa de filtração glomerular diminui porque a pressão sanguínea diminui, de modo que menos água é perdida na urina. Ao contrário, a ingestão de excesso de água aumenta a pressão sanguínea, fazendo com que a taxa de filtração glomerular aumente e mais água seja perdida na urina. A hiperventilação (a respiração anormalmente rápida e profunda) pode aumentar a perda de líquidos pela exalação de mais vapor d’água. Vômitos e diarreias causam a perda de líquidos pelo sistema digestório. Finalmente, febre, suor excessivo e destruição de áreas extensas da pele por queimaduras podem causar perda excessiva de água através da pele. Em todos esses casos, o aumento da secreção de HAD ajudará a conservar os líquidos corporais. A Tabela 27.1 resume os fatores que mantêm o equilíbrio corporal de água. Movimento de água entre os compartimentos de líquidos corporais Normalmente, as células não encolhem e nem incham porque os líquidos intracelular e intersticial possuem a mesma osmolaridade. Entretanto, mudanças no osmolaridade do líquido intersticial causam desequilíbrio hídrico. Um aumento na osmolaridade do líquido intersticial retira água das células e elas encolhem levemente. Em contrapartida, a diminuiçãoda osmolaridade do líquido intersticial faz com que as células inchem. As alterações na osmolaridade frequentemente são resultado de modificações na concentração de Na+. Uma diminuição na osmolaridade do líquido intersticial, como pode ocorrer após a ingestão de um grande volume de água, inibe a secreção de HAD. Normalmente, os rins excretariam então um volume grande de urina diluída, restabelecendo a normalidade da pressão dos líquidos corporais. Como resultado, as células do corpo inchariam apenas um pouco e apenas por um período curto. Porém, quando um indivíduo consome bastante água mais rapidamente do que os rins conseguem excretála (a taxa de fluxo máximo de urina é de cerca de 15 mℓ /min) ou quando a função renal está comprometida, o resultado pode ser a intoxicação pela água, um estado em que o excesso de água corporal faz com que as células inchem de modo perigoso (Figura 27.5). Se a água e o Na+ corporais perdidos durante uma hemorragia ou suor excessivo, vômitos ou diarreia forem repostos pela ingestão de água pura, os líquidos corporais se tornam mais diluídos. Essa diluição pode fazer com que a concentração de Na+ no plasma e, então, no líquido intersticial fique abaixo dos valores normais. Quando a concentração de Na+ no líquido intersticial diminui, sua osmolaridade também diminui. O resultado final é a osmose de água do líquido intersticial para o citosol. A água que entra nas células faz com que elas inchem, produzindo convulsões, coma e, possivelmente, a morte. Para prevenir essa sequência trágica de eventos em casos de perdas graves de eletrólitos e de água, as soluções de reidratação oral (SRO) ou intravenosa incluem um pouco de sal de cozinha (NaCl). TABELA 27.1 Resumo dos fatores que mantêm o equilíbrio hídrico do corpo. FATOR MECANISMO EFEITO Centro da sede no hipotálamo Estimula a vontade de ingerir líquidos. Se a sede for satisfeita, ocorre ganho de água. Angiotensina II Estimula a secreção de aldosterona. Reduz a perda de água na urina. Aldosterona Por promover a reabsorção urinária de Na+ e de Cl–, aumenta a reabsorção de água por osmose. Reduz a perda de água na urina. Peptídio natriurético atrial (PNA) Promove natriurese, elevação da excreção urinária de Na+ (Cl–), acompanhada pela água. Aumenta a perda de água na urina. Hormônio antidiurético (HAD), também conhecido como vasopressina Promove a inserção de proteínas de canais de água (aquaporina 2) nas membranas apicais das células principais nos túbulos coletores renais. Como resultado, a permeabilidade à água dessas células aumenta e mais água é reabsorvida. Reduz a perda de água na urina. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Enemas e equilíbrio hídrico Um enema é a introdução de uma solução no reto para a extração de água (e eletrólitos) osmoticamente no intestino grosso. O aumento do volume estimula a peristalse, que promove a defecação. Os enemas são utilizados para o tratamento de constipação intestinal. Enemas constantes, especialmente em crianças pequenas, aumentam o risco de desequilíbrios hidreletrolíticos. Figura 27.5 Série de eventos na intoxicação hídrica. A intoxicação hídrica é um estado em que o excesso de água corporal faz com que as células inchem. 1. 2. 3. 4. 5. 27.2 • • Por que as soluções utilizadas para a terapia de reidratação oral contêm uma pequena quantidade de sal de cozinha (NaCl)? TESTE RÁPIDO Qual é o volume aproximado em cada um dos compartimentos de líquido no seu corpo? Como as rotas de ganho e de perda de água são reguladas pelo corpo? Por quais mecanismos a sede ajuda a regulação da ingestão de água? Como angiotensina II, aldosterona, peptídio natriurético atrial e hormônio antidiurético regulam o volume e a osmolaridade dos líquidos corporais? Quais fatores controlam o movimento de água entre o líquido intersticial e o líquido intracelular? Eletrólitos nos líquidos corporais OBJETIVOS Comparar a composição eletrolítica dos três principais compartimentos de líquidos: plasma, líquido intersticial e líquido intracelular Discutir as funções e a regulação dos íons sódio, cloreto, potássio, bicarbonato, cálcio, fosfato e magnésio. Os íons formados quando os eletrólitos se dissolvem e se dissociam possuem quatro funções gerais no corpo. (1) Como eles são confinados principalmente em compartimentos de líquidos específicos e são mais numerosos do que os não eletrólitos, determinados íons controlam a osmose de água entre os compartimentos de líquidos. (2) Os íons ajudam a manter o equilíbrio acidobásico necessário para as atividades celulares normais. (3) Os íons têm carga elétrica, permitindo a produção de potenciais de ação e potenciais graduados. (4) Vários íons agem como cofatores necessários para otimizar a atividade das enzimas. Concentrações de eletrólitos nos líquidos corporais Para comparar a carga elétrica dos íons em diferentes soluções, a concentração dos íons tipicamente é expressa em unidades de miliequivalentes por litro (mEq/litro). Essas unidades fornecem a concentração de cátions ou ânions em um dado volume de solução. Um equivalente é a carga elétrica positiva ou negativa igual à carga em um mol de H+; um miliequivalente é um milésimo de um equivalente. Lembrese de que um mol de uma substância é o seu peso molecular expresso em gramas. Para íons como sódio (Na+), potássio (K+) e bicarbonato (HCO3 –), que possuem apenas uma carga positiva ou negativa, a quantidade de mEq/litro é igual à quantidade de mmol/litro. Para íons como cálcio (Ca2+) ou fosfato (HPO4 2–), que possuem duas cargas positivas ou negativas, a carga de mEq/litro é duas vezes a quantidade de mmol/litro. A Figura 27.6 compara as concentrações dos principais eletrólitos e de proteínas aniônicas no plasma sanguíneo, no líquido intersticial e no líquido intracelular. A principal diferença entre os dois líquidos extracelulares – plasma sanguíneo e líquido intersticial – é que o plasma sanguíneo contém muitas proteínas aniônicas, ao contrário do líquido intersticial, que possui poucas. Como as membranas capilares normais são virtualmente impermeáveis às proteínas, apenas algumas proteínas plasmáticas passam dos vasos sanguíneos para o líquido intersticial. Essa diferença de concentração proteica é em grande parte responsável pela pressão coloidosmótica do sangue exercida pelo plasma sanguíneo. Nos outros aspectos, os dois líquidos são semelhantes. Figura 27.6 Concentrações de eletrólitos e de ânions proteicos no plasma, no líquido intersticial e no líquido intracelular. A altura de cada coluna representa os miliequivalentes por litro (mEq/litro). Os eletrólitos existentes nos líquidos extracelulares são diferentes daqueles presentes no líquido intracelular. Qual cátion e quais dois ânions existem em maiores concentrações no LEC e no LIC? O teor eletrolítico do LIC é consideravelmente diferente do encontrado no LEC. No líquido extracelular, o cátion mais abundante é o Na+ e o ânion mais abundante é o Cl–. Já no líquido intracelular, o cátion mais abundante é o K+ e os ânions mais abundantes são as proteínas e os fosfatos (HPO4 2–). Pelo transporte ativo de Na+ para fora das células e de K+ para dentro das células, as bombas de sódio e potássio (Na+K+ ATPases) são importantes para a manutenção da alta concentração intracelular de K+ e da alta concentração extracelular de Na+. Sódio Os íons sódio (Na+) são os íons mais abundantes no LEC, correspondendo a 90% dos cátions extracelulares. A concentração plasmática normal de Na+ é de 136 a 148 mEq/litro. Como você já aprendeu, o Na+ é crucial para o equilíbrio hidreletrolítico porque ele contribui para quase metade da osmolaridade do líquido extracelular (142 de cerca de 300 mOsm/litro). O fluxo de Na+ através de canais dependentes de voltagem na membrana plasmática também é necessário para a geração e a condução depotenciais de ação em neurônios e em fibras musculares. A ingestão diária normal de Na+ na América do Norte frequentemente excede bastante as necessidades diárias do corpo, devido principalmente ao excesso de sal dietético. Os rins excretam o excesso de Na+, porém, também podem conserválo durante períodos de carência. O nível sanguíneo de Na+ é controlado pela aldosterona, pelo hormônio antidiurético (HAD) e pelo peptídio natriurético atrial (PNA). A aldosterona aumenta a absorção renal de Na+. Quando a concentração de Na+ no plasma sanguíneo fica abaixo de 135 mEq/litro, uma condição chamada de hiponatremia, a liberação de HAD para. A falta de HAD, por sua vez, permite maior excreção de água na urina e o restabelecimento dos níveis normais de Na+ no LEC. O peptídio natriurético atrial aumenta a excreção de Na+ pelos rins quando seus níveis se encontram acima do normal, uma condição chamada de hipernatremia. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Indicadores do desequilíbrio de Na+ Se o excesso de íons sódio permanecer no corpo porque os rins não conseguem excretá-lo, a água também é retida osmoticamente. O resultado é o aumento do volume sanguíneo, elevação da pressão sanguínea e edema (acúmulo anormal de líquido intersticial). Insu ciência renal e hiperaldosteronismo (secreção excessiva de aldosterona) são duas causas de retenção de Na+. A perda urinária excessiva de Na+, por sua vez, causa perda excessiva de água, resultando em hipovolemia (volume sanguíneo anormalmente baixo). A hipovolemia relacionada com a perda de Na+ se deve mais frequentemente à secreção inadequada de aldosterona associada a insu ciência suprarrenal ou a terapia excessivamente vigorosa de diuréticos. Cloreto Os íons cloreto (Cl–) são os ânions mais prevalentes no líquido extracelular. A concentração plasmática sanguínea normal de Cl– é de 95 a 105 mEq/litro. O Cl– se move de modo relativamente fácil entre os compartimentos intra e extracelular porque a maior parte das membranas plasmáticas contêm muitos canais de vazamento de Cl– e contratransportadores. Por esse motivo, o Cl– pode ajudar a equilibrar os níveis de ânions em compartimentos diferentes de líquidos. Um exemplo é o deslocamento de cloreto que ocorre entre as hemácias e o plasma sanguíneo quando os níveis sanguíneos de dióxido de carbono aumentam ou diminuem (ver Figura 23.22B). Nesse caso, o contratransportador troca Cl– por HCO3 –, mantendo o equilíbrio correto de ânions entre o LEC e o LIC. Os íons cloreto também são parte do ácido clorídrico secretado no suco gástrico. O ADH ajuda a regular o equilíbrio de Cl– nos líquidos corporais porque ele governa a quantidade de perda de água na urina. Processos que aumentam ou diminuem a reabsorção renal dos íons sódio também afetam a reabsorção dos íons cloreto. (Lembrese de que a reabsorção de Na+ e de Cl– ocorre por simportadores Na+ Cl–.) Potássio Os íons potássio (K+) são os cátions mais abundantes no líquido extracelular (140 mEq/litro). O K+ é importante para a estabilização do potencial de repouso da membrana plasmática e na fase de repolarização dos potenciais de ação em neurônios e nas fibras musculares; o K+ também ajuda a manter o volume normal de líquido intracelular. Quando o K+ se move para dentro ou para fora das células, ele é frequentemente trocado por H+ e, desse modo, ajuda a regular o pH dos líquidos corporais. A concentração plasmática normal de K+ é de 3,5 a 5,0 mEq/litro e é controlada principalmente pela aldosterona. Quando a concentração plasmática de K+ está alta, é secretada mais aldosterona para o sangue. A aldosterona então estimula as células principais dos ductos coletores renais a secretarem mais K+ de modo que o excesso de K+ seja perdido na urina. Ao contrário, quando a concentração plasmática de K+ está baixa, a secreção de aldosterona diminui e menos K+ é excretado na urina. Como o K+ é necessário durante a fase de repolarização dos potenciais de ação, níveis anormais de K+ podem ser fatais. Por exemplo, a hiperpotassemia (concentrações sanguíneas de K+ acima do normal) pode levar à morte por causa de fibrilação ventricular. Bicarbonato Os íons bicarbonato (HCO3 –) são os ânions extracelulares mais prevalentes depois dos íons cloreto. As concentrações plasmáticas normais de HCO3 – são de 22 a 26 mEq/litro no sangue arterial sistêmico e de 23 a 27 mEq/litro no sangue https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html#ch23fig22 venoso sistêmico. A concentração de HCO3 – aumenta conforme o sangue flui através dos capilares sistêmicos porque o dióxido de carbono liberado pelas células metabolicamente ativas se combina com a água, formando ácido carbônico; o ácido carbônico, por sua vez, se dissocia em H+ e HCO3 –. Entretanto, conforme o sangue flui através dos capilares pulmonares, a concentração de HCO3 – diminui novamente conforme o dióxido de carbono é exalado. (A Figura 23.22 apresenta essas reações.) O líquido intracelular também contém uma pequena quantidade de HCO3 –. Como dito anteriormente, a troca de Cl– por HCO3 – ajuda a manter o equilíbrio aniônico completo nos LIC e LEC. Os rins são os principais reguladores da concentração sanguínea de HCO3 –. As células intercaladas dos túbulos renais podem tanto formar HCO3 – e liberálo no sangue quando seus níveis plasmáticos são baixos (ver Figura 27.8) quanto excretar o excesso de HCO3 – na urina quando seus níveis sanguíneos são muito altos. Mudanças nos níveis sanguíneos de HCO3 – são abordadas mais adiantes neste capítulo na seção sobre equilíbrio acidobásico. Cálcio Como um percentual muito grande de cálcio é armazenado nos ossos, ele é o mineral mais abundante no corpo. Cerca de 98% do cálcio dos adultos se encontra no esqueleto e nos dentes, onde ele é combinado com fosfatos, formando uma estrutura cristalizada de sais minerais. Nos líquidos corporais, o cálcio é principalmente um cátion extracelular (Ca2+). A concentração normal do Ca2+ livre no plasma sanguíneo é de 4,5 a 5,5 mEq/litro. Aproximadamente a mesma quantidade de Ca2+ se encontra ligada a várias proteínas plasmáticas. Além de contribuir para a rigidez dos ossos e dos dentes, o Ca2+ desempenha papéis importantes na coagulação sanguínea, na liberação de neurotransmissores, na manutenção do tônus muscular e na excitabilidade dos tecidos nervoso e muscular. O regulador mais importante da concentração sanguínea de Ca2+ é o paratormônio (PTH) (ver Figura 18.14). Um nível baixo de Ca2+ no plasma sanguíneo promove a liberação de mais PTH que estimula os osteoclastos no tecido ósseo a liberarem cálcio (e fosfato) da matriz extracelular óssea. Assim, o PTH aumenta a reabsorção óssea. O PTH também aumenta a reabsorção de Ca2+ do filtrado glomerular através das células dos túbulos renais de volta para o sangue e aumenta a produção de calcitriol (um tipo de vitamina D que age como hormônio), que, por sua vez, aumenta a absorção de Ca2+ a partir dos alimentos no sistema digestório. Lembrese de que a calcitonina produzida pela glândula tireoide inibe a atividade dos osteoclastos, acelera a deposição de Ca2+ nos ossos e, assim, diminui os níveis sanguíneos de Ca2+. Fosfato Cerca de 85% do fosfato nos adultos encontrase na forma de sais de fosfato de cálcio, que são os componentes estruturais dos ossos e dos dentes. Os 15% restantes estão ionizados. Três íons fosfato (H2PO4 –, HPO4 2– e PO4 3–) são ânions intracelulares importantes. No pH normal dos líquidos corporais, o HPO4 2– é a forma mais prevalente. Os fosfatos contribuem para cerca de 100 mEq/litro dos ânions no líquido intracelular. HPO4 2– é um tampão importante de H+, tanto nos líquidos corporaisquanto na urina. Embora alguns estejam “livres”, a maior parte dos íons fosfato se encontra conectado por ligações covalentes a moléculas orgânicas como lipídios, fosfolipídios, proteínas, carboidratos, ácidos nucleicos (RNA e DNA) e trifosfato de adenosina (ATP). A concentração plasmática normal de fosfato ionizado é de apenas 1,7 a 2,6 mEq/litro. Os mesmos dois hormônios que governam a homeostasia de cálcio – paratormônio (PTH) e o calcitriol – também regulam os níveis de HPO4 2– no plasma sanguíneo. O PTH estimula a reabsorção da matriz extracelular óssea pelos osteoclastos, que liberam ambos os íons fosfato e cálcio para a corrente sanguínea. Entretanto, nos rins, o PTH inibe a reabsorção dos íons fosfato enquanto estimula a reabsorção dos íons cálcio pelas células tubulares renais. Assim, o PTH aumenta a excreção urinária de fosfato e diminui os níveis sanguíneos de fosfato. O calcitriol promove a absorção tanto de fosfatos quanto de cálcio a partir do sistema digestório. O fator de crescimento de fibroblastos 23 (FGF23, do inglês fibroblast growth factor) é um polipeptídio parácrino (hormônio local) que também ajuda a regular os níveis plasmáticos de HPO4 2–. Esse hormônio diminui os níveis sanguíneos de HPO4 2– por aumentar sua excreção pelos rins e diminuir sua absorção pelo sistema digestório. Magnésio Nos adultos, cerca de 54% do magnésio corporal total fazem parte da matriz óssea como sais de magnésio. Os 46% restantes ocorrem como íons magnésio (Mg2+) no LIC (45%) e no LEC (1%). O Mg2+ é o segundo cátion intracelular mais abundante (35 mEq/litro). Funcionalmente, o Mg2+ é um cofator para determinadas enzimas necessárias para o https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html#ch23fig22 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter18.html#ch18fig14 6. 7. 27.3 • • metabolismo de carboidratos e de proteínas e para a bomba de sódio e potássio. O Mg2+ é essencial para a normalidade da atividade neuromuscular, da transmissão sináptica e da função miocárdica. Além disso, a secreção do paratormônio (PTH) depende de Mg2+. A concentração sanguínea normal de Mg2+ é baixa, de apenas 1,3 a 2,1 mEq/litro. Vários fatores regulam os níveis plasmáticos de Mg2+ variando a taxa com que ele é excretado na urina. Os rins aumentam a excreção urinária de Mg2+ em resposta à hipercalcemia, à hipermagnesemia, a aumentos do volume do líquido extracelular, a diminuições nos níveis de PTH e à acidose. As condições opostas diminuem a excreção renal de Mg2+. A Tabela 27.2 descreve os desequilíbrios que são resultantes da deficiência ou do excesso de vários eletrólitos. Pessoas em risco de desequilíbrios hidreletrolíticos incluem aquelas que dependem de outros para a ingestão de alimentos líquidos e sólidos, como crianças, idosos e pessoas hospitalizadas; tratamento médico que envolva infusões intravenosas, drenagens ou sucções e cateteres urinários; uso de diuréticos que promovam perdas excessivas de líquido e exijam aumento do aporte de líquido ou de substâncias que promovam retenção de líquidos exigindo restrição de líquidos. Finalmente, atletas e militares em ambientes extremamente quentes, período pósoperatório, casos de traumatismo ou de queimadura graves, indivíduos com doenças crônicas (insuficiência cardíaca congestiva, diabetes melito, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer), pessoas confinadas e indivíduos com níveis de consciência alterados que podem ser incapazes de comunicar suas necessidades ou de responder à sede também estão sujeitos a desequilíbrios hidreletrolíticos. TESTE RÁPIDO Quais são as funções dos eletrólitos no corpo? Nomeie três eletrólitos extracelulares importantes e três eletrólitos intracelulares importantes e indique como cada um deles é regulado. Equilíbrio acidobásico OBJETIVOS Comparar os papéis dos tampões, da exalação do dióxido de carbono e da excreção renal de H+ para a manutenção do pH dos líquidos corporais Descrever os diferentes tipos de desequilíbrios acidobásicos. Com base na nossa discussão até aqui, deve estar claro que vários íons desempenham papéis diferentes que ajudam a manter a homeostasia. Um desafio homeostático importante é a manutenção da concentração de H+ (pH) dos líquidos corporais em um nível adequado. Essa tarefa – a manutenção do equilíbrio acidobásico – é de importância crítica para a função celular normal. Por exemplo, o formato tridimensional de todas as proteínas do corpo, que permite que elas realizem funções específicas, é bastante sensível a mudanças no pH. Quando a dieta contém uma quantidade excessiva de proteínas, como ocorre normalmente na América do Norte, o metabolismo celular produz mais ácidos do que bases, o que tende a acidificar o sangue. Antes de continuar a ler esta seção do capítulo, você pode querer revisar a discussão sobre ácidos, bases e pH na Seção 2.4. TABELA 27.2 Desequilíbrios eletrolíticos do sangue. DEFICIÊNCIA EXCESSO ELETRÓLITO* NOME E CAUSAS SINAIS E SINTOMAS NOME E CAUSAS SINAIS E SINTOMAS Sódio (Na+) 136 a 148 mEq/litro A hiponatremia pode ser causada por diminuição na ingestão de sódio; aumento da perda de sódio por vômitos, diarreia, de ciência de aldosterona ou pela ingestão de alguns diuréticos; e pela ingestão excessiva de água. Fraqueza muscular; tontura, cefaleia e hipotensão; taquicardia e choque; confusão mental, torpor e coma. A hipernatremia pode ocorrer com a desidratação, a privação de água ou por excesso de sódio na dieta ou em líquidos intravenosos; causa hipertonicidade do LEC, que “puxa” água das células corporais, causando a desidratação celular. Sede intensa, hipertensão, edema, agitação psicomotora e convulsões. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html#ch2-4 Cloreto (Cl–) 95 a 105 mEq/litro A hipocloremia pode ser causada por vômitos excessivos, hidratação excessiva, de ciência de aldosterona, insu ciência cardíaca congestiva e terapia com determinados diuréticos como a furosemida. Espasmos musculares, alcalose metabólica, respiração super cial, hipotensão e tetania. A hipercloremia pode ser causada pela desidratação devido à perda de água ou à privação de água; excesso de ingestão de cloreto ou por insu ciência renal grave, hiperaldosteronismo, determinados tipos de acidose e alguns fármacos. Letargia, fraqueza, acidose metabólica e respiração rápida e profunda. Potássio (K+) 3,5 a 5,0 mEq/litro A hipopotassemia pode ser causada pela perda excessiva de potássio por causa de vômitos ou diarreia, diminuição da ingestão de potássio, hiperaldosteronismo, doença renal e terapia com alguns diuréticos. Fadiga muscular, paralisia ácida, confusão mental, aumento da formação de urina, respiração super cial e modi cações no ECG, incluindo achatamento da onda T. A hiperpotassemia pode ser resultado da ingestão excessiva de potássio, de insu ciência renal, de de ciência de aldosterona, de lesões de tecidos corporais por esmagamento ou por transfusão de sangue hemolisado. Irritabilidade, náuseas, vômitos, diarreia, fraqueza muscular; pode causar a morte por induzir brilação ventricular. Cálcio (Ca2+) Total = 9,0 a 10,5 mg/dℓ; ionizado = 4,5 a 5,5 mEq/litro A hipocalcemia pode ser causada pelo aumento da perda de cálcio, pela redução da ingestão de cálcio, pelo aumento dos níveis de fosfato ou pelo hipoparatireoidismo. Dormência e formigamento dos dedos; re exos hiperativos, cólicas musculares, tetania e convulsões; fraturas ósseas; espasmos nos músculos laríngeos que podem causar a morte por as xia. A hipercalcemia pode ser causada por hiperparatireoidismo, alguns tipos de câncer, ingestão excessiva de vitamina D e pela doença óssea de Paget. Letargia,fraqueza, anorexia, náuseas, vômitos, poliúria, prurido, dor nos ossos, depressão, confusão, parestesia, torpor e coma. Fosfato (HPO4 2–) 1,7 a 2,6 mEq/litro A hipofosfatemia pode ser causada pelo aumento das perdas urinárias, pela diminuição da absorção intestinal ou pelo aumento de seu uso. Confusão, convulsões, coma, dor torácica e muscular, dormência e formigamento dos dedos, diminuição da coordenação, perda de memória e letargia. A hiperfosfatemia ocorre quando os rins não conseguem excretar o excesso de fosfato, como ocorre na insu ciência renal; também pode ser resultado do aumento da ingestão de fosfatos ou da destruição das células corporais, com liberação de fosfatos para o sangue. Anorexia, náuseas, vômitos, fraqueza muscular, re exos hiperativos, tetania e taquicardia. Magnésio (Mg2+) 1,3 a 2,1 mEq/litro A hipomagnesemia pode ser causada por ingestão inadequada ou perda excessiva na urina ou nas fezes; também ocorre no alcoolismo, na desnutrição, no diabetes melito e na terapia diurética. Fraqueza, irritabilidade, tetania, delirium, convulsões, confusão, anorexia, náuseas, vômitos, parestesias e arritmias cardíacas. A hipermagnesemia ocorre na insu ciência renal ou por causa de aumento na ingestão de Mg2+, como nos antiácidos que contém Mg2+; também ocorre na de ciência de aldosterona e no hipotireoidismo. Hipotensão, fraqueza muscular ou paralisia, náuseas, vômitos e funcionamento mental alterado. *Os valores são as faixas normais para os níveis plasmáticos sanguíneos em adultos. Em um indivíduo saudável, vários mecanismos ajudam a manter o pH do sangue arterial sistêmico entre 7,35 e 7,45. (Um pH de 7,4 corresponde a uma concentração de H+ de 0,00004 mEq/litro = 40 nEq/litro.) Como as reações metabólicas produzem frequentemente um excesso considerável de H+, a ausência de qualquer mecanismo para a retirada de H+ faria com que os níveis de H+ nos líquidos corporais aumentassem até um nível letal. A homeostasia da concentração de H+ 1. 2. 3. dentro de uma faixa estreita é essencial para a sobrevivência. A remoção de H+ dos líquidos corporais e sua eliminação subsequente pelo corpo dependem dos três mecanismos principais a seguir: Sistemas tampão. Os tampões agem rapidamente para ligar temporariamente o H+, removendo o excesso altamente reativo de H+ da solução. Assim, os tampões aumentam o pH dos líquidos corporais, porém não removem o H+ do sangue. Expiração de dióxido de carbono. Aumentando a frequência e a profundidade respiratórias, mais dióxido de carbono pode ser exalado. Em alguns minutos isso reduz os níveis de ácido carbônico no sangue, o que eleva o pH sanguíneo (reduz os níveis sanguíneos de H+). Excreção renal de H+. O mecanismo mais lento, porém o único modo de eliminar outros ácidos além do ácido carbônico, é por sua excreção pela urina. Nós estudaremos cada um desses mecanismos com mais detalhes nas seções a seguir. Ações dos sistemas tampão A maior parte dos sistemas tampão no corpo consiste em um ácido fraco e o sal daquele ácido, que funciona como uma base fraca. Os tampões evitam modificações rápidas e drásticas no pH dos líquidos corporais por converterem ácidos e bases fortes em ácidos e bases fracos em frações de segundo. Os ácidos fortes diminuem o pH mais acentuadamente do que os ácidos fracos porque os ácidos fortes liberam H+ mais rapidamente e, desse modo, fornecem mais íons hidrogênio livres. De modo semelhante, uma base forte eleva o pH mais acentuadamente do que as fracas. Os principais sistemas tampão dos líquidos corporais são o sistema tampão proteico, o sistema tampão ácido carbônicobicarbonato e o sistema tampão de fosfato. Sistema tampão proteico O sistema tampão proteico é o tampão mais abundante no LIC e no plasma sanguíneo. Por exemplo, a proteína hemoglobina é um tampão especialmente bom dentro dos eritrócitos e a albumina é a principal proteína de tamponamento no plasma sanguíneo. As proteínas são compostas por aminoácidos, moléculas orgânicas que contêm pelo menos um grupo carboxila (–COOH) e pelo menos um grupo amino (–NH2); esses grupos são os componentes funcionais do sistema tampão proteico. O grupo carboxílico livre em uma extremidade de uma proteína age como um ácido liberando H+ quando o pH se eleva; ele se dissocia da seguinte maneira: O H+ é então capaz de reagir com qualquer OH– em excesso na solução, formando água. O grupo amino livre na outra extremidade da proteína pode agir como uma base por se combinar com o H+ quando o pH diminui, da seguinte maneira: Desse modo, as proteínas podem tamponar tanto ácidos quanto bases. Além do terminal carboxílico e do grupo amino, cadeias laterais que podem tamponar H+ estão presentes em 7 dos 20 aminoácidos. Como já foi dito anteriormente, a proteína hemoglobina é um tampão importante de H+ nas hemácias (ver Figura 23.22). Conforme o sangue flui através dos capilares sistêmicos, o dióxido de carbono (CO2) passa das células teciduais para as hemácias, onde ele se combina com a água (H2O), formando ácido carbônico (H2CO3). Uma vez formado, o H2CO3 se dissocia em H+ e HCO3 –. Ao mesmo tempo que o CO2 entra nas hemácias, a oxiemoglobina (Hb–O2) doa seu oxigênio para as células teciduais. A hemoglobina reduzida (desoxiemoglobina) capta a maior parte do H+. Por esse motivo, a hemoglobina reduzida é em geral escrita como Hb–H. As reações a seguir resumem essas relações: https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html#ch23fig22 Sistema tampão ácido carbônicobicarbonato O sistema tampão ácido carbônicobicarbonato se baseia no íon bicarbonato (HCO3 –), que pode agir como uma base fraca, e no ácido carbônico (H2CO3), que pode agir como um ácido fraco. Como você já aprendeu, o HCO3 – é um ânion importante tanto no LEC quanto no LIC (ver Figura 27.6). Como os rins também sintetizam HCO3 – novo e reabsorvem o HCO3 – filtrado, esse tampão importante não é perdido na urina. Se houver um excesso de H+, o HCO3 – pode agir como uma base fraca e remover o excesso de H+ da seguinte maneira: Em seguida, o H2CO3 se dissocia em água e dióxido de carbono e o CO2 é exalado pelos pulmões. Ao contrário, se houver falta de H+, o H2CO3 pode agir como um ácido fraco e fornecer H+ da seguinte maneira: No pH 7,4, a concentração de HCO3 – é de cerca de 24 mEq/litro e a concentração de H2CO3 é de cerca de 1,2 mmol/litro, sendo assim, os íons bicarbonato superam numericamente as moléculas de ácido carbônico na proporção de 20 para 1. Como CO2 e H2O se combinam para formar H2CO3, esse sistema tampão não consegue proteger contra mudanças no pH causadas por problemas respiratórios em que há excesso ou falta de CO2. Sistema tampão do fosfato O sistema tampão do fosfato age por intermédio de um mecanismo semelhante àquele do sistema tampão ácido carbônicobicarbonato. Os componentes do sistema tampão do fosfato são os íons fosfato de dihidrogênio (H2 PO4 –) e fosfato de monohidrogênio (HPO4 2–). Lembrese de que os fosfatos são os principais ânions no líquido intracelular e menos importantes nos líquidos extracelulares (ver Figura 27.6). O íon fosfato de dihidrogênio age como um ácido fraco e é capaz de tamponar bases fortes como OH–, da seguinte maneira: O íon fosfato de monohidrogênio consegue tamponar o H+ liberado por um ácido forte como o ácido clorídrico (HCl), atuando como uma base fraca: Como a concentração de fosfatos é maior no líquido intracelular, o sistema tampão de fosfato é um regulador importante do pH no citosol. Ele também age em um grau menor nos líquidos extracelulares e tampona ácidos na urina. O H2 PO4 – é formado quando excesso de H+ no líquido dos túbulos renais se combina com HPO4 2– (ver Figura 27.8). O H+ que se torna parte do H2PO4 – passapara a urina. Essa reação é um modo pelo qual os rins ajudam a manter o pH sanguíneo pela excreção de H+ na urina. Expiração de dióxido de carbono O simples ato de respirar também é importante na manutenção do pH dos líquidos corporais. O aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) nos líquidos corporais eleva a concentração de H+ e, desse modo, diminui o pH (faz com que os líquidos corporais se tornem mais ácidos). Como H2CO3 pode ser eliminado na forma de CO2, ele é chamado de ácido volátil. Por outro lado, a diminuição da concentração de CO2 nos líquidos corporais eleva o pH (torna os líquidos corporais mais alcalinos). Essa interação química é ilustrada pelas seguintes reações reversíveis: Mudanças na frequência e na intensidade respiratórias podem alterar o pH dos líquidos corporais em poucos minutos. Com o aumento da ventilação, mais CO2 é exalado. Quando os níveis de CO2 diminuem, a reação é deslocada para a esquerda (setas inferiores, a concentração de H+ cai e o pH sanguíneo aumenta. Duplicar a respiração aumenta o pH em cerca de 0,23 unidade, de 7,4 para 7,63. Se a ventilação for mais lenta do que o normal, menos dióxido de carbono é exalado. Quando os níveis de CO2 aumentam, a reação é deslocada para a direita (setas superiores), a concentração de H+ aumenta e o pH sanguíneo diminui. A redução da ventilação para 25% do normal diminui o pH em 0,4 unidade, de 7,4 para 7,0. Esses exemplos mostram o efeito poderoso das alterações respiratórias no pH dos líquidos corporais. O pH dos líquidos corporais e a frequência e a intensidade respiratórias interagem através de uma alça de feedback negativo (Figura 27.7). Quando a acidez sanguínea aumenta, a diminuição do pH (aumento da concentração de H+) é detectada por quimiorreceptores centrais no bulbo e por quimiorreceptores periféricos nos glomos paraaórticos e caróticos e ambos estimulam o grupo respiratório dorsal no bulbo. Como resultado, o diafragma e outros músculos respiratórios se contraem com mais força e de modo mais frequente, de modo que mais CO2 é exalado. Conforme menos H2CO3 se forma e há menos H+, o pH sanguíneo aumenta. Quando a resposta normaliza o pH sanguíneo (concentração de H+), ocorre um retorno ao equilíbrio acidobásico. A mesma alça de feedback negativo atua se o nível sanguíneo de CO2 aumentar. A ventilação aumenta, o que remove mais CO2, reduzindo a concentração de H+ e elevando o pH sanguíneo. Ao contrário, se o pH do sangue se elevar, o centro respiratório é inibido e a frequência e a intensidade respiratórias diminuem. A diminuição da concentração sanguínea de CO2 apresenta o mesmo efeito. Quando a respiração diminui, o CO2 se acumula no sangue de modo que a concentração de H+ aumenta. Excreção renal de H+ As reações metabólicas produzem ácidos não voláteis como o ácido sulfúrico em uma taxa de cerca de 1 mEq de H+ por dia para cada quilograma de massa corporal. O único modo de eliminar essa enorme carga ácida é pela excreção de H+ na urina. Dada a magnitude dessas contribuições para o equilíbrio acidobásico, não é surpreendente que a insuficiência renal possa levar rapidamente à morte. Figura 27.7 Regulação por feedback negativo do pH sanguíneo pelo sistema respiratório. A expiração do dióxido de carbono diminui a concentração sanguínea de H+. Se você prender a respiração por 30 s o que pode ocorrer com o pH do seu sangue? Como você aprendeu no Capítulo 26, as células tanto dos túbulos contorcidos proximais (TCP) quanto nos ductos coletores dos rins secretam íons hidrogênio no líquido tubular. Nos TCP, contratransportadores Na+H+ secretam H+ https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html conforme reabsorvem Na+ (ver Figura 26.13). Entretanto, ainda mais importante para a regulação do pH dos líquidos corporais são as células intercaladas do ducto coletor. As membranas apicais de algumas células intercaladas possuem bombas de próton (H+ ATPases) que secretam H+ no líquido tubular (Figura 27.8). As células intercaladas podem secretar H+ contra um gradiente de concentração de modo que a urina pode ser até mil vezes (3 unidades de pH) mais ácida do que o sangue. O HCO3 – produzido pela dissociação do H2CO3 dentro das células intercaladas atravessa a membrana basolateral por intermédio de contratransportadores Cl–HCO3 – e, então, se difunde para os capilares peritubulares (Figura 27.8A). O HCO3 – que entra no sangue desse modo é novo (não filtrado). Por esse motivo, o sangue que deixa o rim na veia renal pode ter uma concentração de HCO3 – mais alta do que o sangue que entra no rim pela artéria renal. Curiosamente, um segundo tipo de células intercaladas possui bombas de prótons em sua membrana basolateral e contratransportadores Cl–HCO3 – em sua membrana apical. Essas células intercaladas secretam HCO3 – e reabsorvem H+. Assim, os dois tipos de células intercaladas ajudam a manter o pH dos líquidos corporais de dois modos – por excretar o excesso de H+ quando o pH dos líquidos corporais é muito baixo e por excretar o excesso de HCO3 – quando o pH é muito alto. Parte do H+ secretado no líquido tubular do ducto coletor é tamponada, mas não por HCO3 –, cuja maioria foi filtrada e reabsorvida. Outros dois tampões se combinam com o H+ no ducto coletor (Figura 27.8B). O tampão mais abundante no líquido tubular do ducto coletor é o HPO4 2– (íon monohidrogeno fosfato). Além disso, existe uma pequena quantidade de NH3 (amônia). O H+ se combina com o HPO4 2– formando H2PO4 – (íon dihidrogeno fosfato) e com o NH3, formando NH4 + (íon amônio). Como esses íons não conseguem se difundir de volta para as células tubulares, eles são excretados na urina. A Tabela 27.3 resume os mecanismos que mantêm o pH dos líquidos corporais. Alterações do equilíbrio ácidobásico A faixa normal de pH do sangue arterial sistêmico é entre 7,35 (= 45 nEq de H+/litro) e 7,45 (= 35 nEq de H+/litro). A acidose (ou acidemia) é uma condição na qual o pH sanguíneo se encontra abaixo de 7,35; a alcalose (ou alcalemia) é uma condição na qual o pH sanguíneo se encontra acima de 7,45. O principal efeito fisiológico da acidose é a depressão do SNC causada pela depressão da transmissão sináptica. Se o pH do sangue arterial sistêmico for menor do que 7, a depressão do sistema nervoso é tão intensa que o indivíduo fica desorientado, comatoso e pode morrer. Pacientes com acidose grave geralmente morrem enquanto estão em coma. Um efeito importante da alcalose, por sua vez, é a excitabilidade excessiva tanto do SNC quanto dos nervos periféricos. Os neurônios conduzem os impulsos repetidamente, mesmo quando não são estimulados pelos estímulos normais; os resultados são nervosismo, espasmos musculares e, até mesmo, convulsões e morte. Figura 27.8 Secreção de H+ pelas células intercaladas no ducto coletor. HCO3 – = íon bicarbonato; CO2 = dióxido de carbono; H2O = água; H2CO3 = ácido carbônico; Cl– = íon cloreto; NH3 = amônia; NH4 + = íon amônio; HPO4 2– = íon fosfato de monohidrogênio; H2 PO4 – = íon fosfato de dihidrogênio. A urina pode ser até mil vezes mais ácida do que o sangue por causa da operação das bombas de prótons nos ductos coletores renais. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html#ch26fig13 Quais seriam os efeitos de um fármaco que bloqueasse a atividade da anidrase carbônica? TABELA 27.3 Mecanismos que mantêm o pH dos líquidos corporais. MECANISMO COMENTÁRIOS Sistemas tampão A maioria consiste em um ácido fraco e seu sal, que age como uma base fraca. Eles evitam alterações drásticas no pH dos líquidos corporais. Proteínas Os tampões mais abundantes nas células corporais e no sangue. A hemoglobina dentro doseritrócitos é um bom tampão. Ácido carbônico-bicarbonato Regulador importante do pH sanguíneo. Os tampões mais abundantes no líquido extracelular (LEC). Fosfatos Tampões importantes no líquido intracelular e na urina. Exalação de CO2 Com o aumento da exalação de CO2, o pH se eleva (menos H+). Com a diminuição da exalação de CO2, o pH diminui (mais H+). Rins Os túbulos renais secretam H+ na urina e reabsorvem HCO3 – de modo que ele não seja perdido na urina. Uma modificação no pH sanguíneo que leve à acidose ou à alcalose pode ser contrabalanceada pela compensação, a resposta fisiológica a um desequilíbrio acidobásico que age para normalizar o pH do sangue arterial. A compensação pode ser completa se o pH retornar aos valores normais, ou parcial se o pH do sangue arterial sistêmico ainda ficar abaixo de 7,35 ou acima de 7,45. Se um indivíduo apresentar alterações no pH sanguíneo por causas metabólicas, a hiperventilação ou a hipoventilação podem ajudar a retornar o pH para a faixa da normalidade; esse tipo de compensação, chamada de compensação respiratória, ocorre em alguns minutos e alcança seu máximo em algumas horas. Entretanto, se um indivíduo apresentar alteração do pH sanguíneo por causas respiratórias, então a compensação renal – modificações na secreção de H+ e na reabsorção de HCO3 – pelos túbulos renais – pode ajudar a reverter a mudança. A compensação renal pode começar em alguns minutos, mas ela leva dias para alcançar sua eficiência máxima. Na discussão a seguir, repare que tanto a acidose respiratória quanto a alcalose respiratória resultam da alteração na pressão parcial de CO2 (PCO2 ) no sangue arterial sistêmico (a faixa de normalidade é de 35 a 45 mmHg). Ao contrário, tanto a acidose metabólica quanto a alcalose metabólica são distúrbios resultantes de modificações na concentração de HCO3 – (a faixa de normalidade é de 22 a 26 mEq/litro no sangue arterial sistêmico). Acidose respiratória A característica da acidose respiratória é uma PCO2 anormalmente alta no sangue arterial sistêmico – acima de 45 mmHg. A expiração inadequada de CO2 faz com que o pH sanguíneo diminua. Qualquer condição que diminua o movimento de CO2 do sangue para os alvéolos pulmonares e, então, para a atmosfera causa o acúmulo de CO2, de H2CO3 e de H+. Essas condições incluem enfisema, edema pulmonar, lesão ao centro respiratório no bulbo, obstrução das vias respiratórias ou distúrbios nos músculos envolvidos com a respiração. Se o problema respiratório não for muito grave, os rins podem ajudar a elevar o pH sanguíneo de volta à faixa de normalidade pelo aumento da excreção de H+ e da reabsorção de HCO3 – (compensação renal). O objetivo no tratamento da acidose respiratória é aumentar a exalação de CO2, como, por exemplo, fornecendo terapia ventilatória. Além disso, a administração intravenosa de HCO3 – pode ser útil. Alcalose respiratória Na alcalose respiratória, a PCO2 do sangue arterial sistêmico alcança níveis menores de 35 mmHg. A causa na queda da PCO2 e o aumento resultante no pH é a hiperventilação, que ocorre em condições que estimulam o grupo respiratório dorsal no tronco encefálico. Essas condições incluem deficiência de oxigênio por causa de grandes altitudes ou de doença pulmonar, acidentes vasculares cerebrais ou ansiedade grave. Novamente, a compensação renal pode levar o pH de volta para a faixa de normalidade se os rins forem capazes de diminuir a excreção de H+ e a reabsorção de HCO3 –. O tratamento 1. 2. 3. 4. 8. 9. 10. 27.4 da alcalose respiratória tem como objetivo aumentar os níveis de CO2 no sangue. Um tratamento simples é fazer com que o indivíduo inale e exale em um saco de papel por um período curto; como resultado, o indivíduo inalará uma concentração de CO2 acima do normal. Acidose metabólica Na acidose metabólica, os níveis de HCO3 – no sangue arterial sistêmico diminuem para valores abaixo de 22 mEq/litro. Tal tipo de declínio nesse importante sistema tampão faz com que o pH do sangue diminua. Três situações podem diminuir os níveis sanguíneos de HCO3 –: (1) perda real de HCO3 –, como pode ocorrer na diarreia grave ou na disfunção renal; (2) acúmulo de um ácido diferente do ácido carbônico, como pode ocorrer na cetose (descrita na Correlação Clínica | Cetose, na Seção 25.4); ou (3) falha na excreção de H+ proveniente do metabolismo das proteínas da dieta pelos rins. Se o problema não for muito grave, a hiperventilação pode devolver o pH sanguíneo à faixa da normalidade (compensação respiratória). O tratamento da acidose metabólica consiste na administração de soluções intravenosas de bicarbonato de sódio e na correção da causa da acidose. Alcalose metabólica Na alcalose metabólica, a concentração de HCO3 – no sangue arterial sistêmico se encontra acima de 26 mEq/litro. Uma perda não respiratória de ácido ou uma ingestão excessiva de fármacos alcalinos faz com que o pH sanguíneo aumente até níveis acima de 7,45. Excesso de vômito do conteúdo gástrico, que resulta em uma perda substancial de ácido clorídrico, provavelmente é a causa mais frequente de alcalose metabólica. Outras causas incluem aspiração gástrica, o uso de determinados diuréticos, distúrbios endócrinos, ingestão excessiva de fármacos alcalinos (antiácidos) e desidratação grave. A compensação respiratória por intermédio da hipoventilação pode retornar o pH sanguíneo à faixa da normalidade. O tratamento da alcalose metabólica consiste na administração de soluções líquidas para a correção das deficiências de Cl–, de K+ e de outros eletrólitos, além da correção da causa da alcalose. A Tabela 27.4 resume as acidoses e alcaloses respiratórias e metabólicas. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Diagnóstico das alterações do equilíbrio acidobásico A causa de uma alteração do equilíbrio acidobásico pode ser diagnosticada frequentemente pela avaliação cuidadosa de três fatores em uma amostra de sangue arterial sistêmico: pH, concentração de HCO3 – e PCO2 . Esses três valores na química sanguínea são examinados na seguinte sequência: Repare se o pH está alto (alcalose) ou baixo (acidose). Veri que qual valor – PCO2 ou HCO3 – – está fora da faixa da normalidade e poderia ser a causa da mudança de pH. Por exemplo, poderia ser causada por PCO2 baixa ou HCO3 – alto. Se a causa for uma alteração da PCO2 , o problema é respiratório, mas se a causa for uma alteração do HCO3 –, o problema é metabólico. Agora, observe o valor que não corresponde à mudança de pH observada. Se ele estiver dentro da faixa da normalidade, não há compensação. Se ele estiver fora da faixa da normalidade, uma compensação está ocorrendo e corrigindo parcialmente o desequilíbrio do pH. TESTE RÁPIDO Explique como cada um dos seguintes sistemas tampão ajuda na manutenção do pH dos líquidos corporais: proteínas, tampões de ácido carbônicobicarbonato e fosfatos. Defina acidose e alcalose. Diferencie entre acidose e alcalose respiratórias e metabólicas. Quais são os principais efeitos fisiológicos da acidose e da alcalose? Envelhecimento e homeostasia hidreletrolítica e acidobásica OBJETIVO https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter25.html#ch25-4 • • • • • • • Descrever as mudanças nos equilíbrios hidreletrolítico e acidobásico que podem ocorrer durante o envelhecimento. TABELA 27.4 Resumo das acidoses e das alcaloses. CONDIÇÃO DEFINIÇÃO CAUSAS COMUNS MECANISMO COMPENSATÓRIO Acidose respiratória Aumento da PCO2 (> 45 mmHg) e diminuição no pH (< 7,35) se não houver compensação. Hipoventilação causada por en sema, edema pulmonar, traumatismo no centro respiratório, obstrução das vias respiratórias ou disfunção dos músculos da respiração. Renal: aumento da excreção de H+; aumento da reabsorção de HCO3 –. Se a compensação for completa,o pH estará dentro da faixa de normalidade, porém a PCO2 estará alta. Alcalose respiratória Diminuição da PCO2 (< 35 mmHg) e aumento do pH (> 7,45) se não houver compensação. Hiperventilação causada por de ciência de oxigênio, doença pulmonar, AVC ou ansiedade grave. Renal: diminuição da excreção de H+; diminuição da reabsorção de HCO3 –. Se a compensação for completa, o pH estará dentro da faixa de normalidade, porém a PCO2 estará baixa. Acidose metabólica Diminuição na concentração de HCO3 – (< 22 mEq/litro) e diminuição no pH (< 7,35) se não houver compensação. Perda de íons bicarbonato por causa de diarreia, acúmulo de ácidos (cetose), disfunção renal. Respiratória: hiperventilação, que aumenta a perda de CO2. Se a compensação for completa, o pH estará dentro da faixa de normalidade, porém a concentração de HCO3 – estará baixa. Alcalose metabólica Aumento da concentração de HCO3 – (> 26 mEq/litro) e aumento no pH (> 7,45) se não houver compensação. Perda de ácidos por causa de vômitos, aspiração gástrica ou uso de determinados diuréticos; ingestão excessiva de fármacos alcalinos. Respiratória: hipoventilação, que diminui a perda de CO2. Se a compensação for completa, o pH estará dentro da faixa de normalidade, porém a concentração de HCO3 – estará alta. Existem diferenças significativas entre os adultos e os recémnascidos/lactentes, especialmente os prematuros, em relação à distribuição de líquidos, à regulação hidreletrolítica e ao equilíbrio acidobásico. Assim, os recémnascidos/lactentes apresentam mais problemas do que os adultos nessas áreas. As diferenças estão relacionadas com as seguintes condições: Proporção e distribuição de água. A massa corporal total de um recémnascido é composta por cerca de 75% de água (e pode chegar a 90% em um prematuro); a massa corporal total de um adulto é composta por cerca de 55 a 60% de água. (O percentual “adulto” é alcançado por volta do segundo ano de vida.) Os adultos têm duas vezes mais água no LIC do que no LEC, porém o oposto ocorre nos prematuros. Como o LEC está mais sujeito a mudanças do que o LIC, as perdas ou ganhos rápidos de água corporal são muito mais críticas nos recémnascidos/lactentes. Levando em consideração que a ingestão de líquidos e sua eliminação são aproximadamente sete vezes maiores nos recém nascidos/lactentes do que nos adultos, pequenas mudanças no equilíbrio hídrico podem resultar em anomalias graves Taxa metabólica. A taxa metabólica dos recémnascidos e lactentes é cerca de duas vezes maior do que a dos adultos. Isso causa produção de mais escórias e ácidos metabólicos, que podem causar o desenvolvimento de acidose Desenvolvimento funcional dos rins. Os rins dos recémnascidos apresentam cerca de metade da eficiência para concentração de urina quando comparados com os adultos. (O desenvolvimento funcional não está completo até o fim do primeiro mês após o nascimento.) Como resultado, os rins dos recémnascidos não conseguem concentrar urina nem livrar o corpo do excesso de ácidos tão eficientemente quanto os rins adultos Área de superfície corporal. A razão entre a área de superfície corporal e o volume corporal dos lactentes é cerca de três vezes maior do que a dos adultos. A perda de água através da pele é significativamente mais alta nos lactentes do que nos adultos Frequência respiratória. A frequência respiratória mais alta nos recémnascidos e lactentes (cerca de 30 a 80 incursões por minuto) promove uma perda maior de água pelos pulmões. A alcalose respiratória pode ocorrer porque essa ventilação mais elevada elimina mais CO2 e diminui a PCO2 Concentrações de íons. Os recémnascidos possuem concentrações de K+ e de Cl– maiores do que os adultos. Isso gera uma tendência à acidose metabólica. Quando comparados com crianças e adultos jovens, os idosos frequentemente apresentam menor capacidade de manter • • • • 11. 27.1 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. o equilíbrio hidreletrolítico e acidobásico. Com o aumento da idade, é comum a diminuição do volume de líquido intracelular e aumento da concentração corporal total de K+ por causa do declínio da massa muscular esquelética e do aumento da massa de tecido adiposo (que contém pouca água). As diminuições das funções respiratória e renal associadas à idade podem comprometer o equilíbrio acidobásico por diminuírem a exalação de CO2 e a excreção de excesso de ácidos na urina. Outras mudanças renais, como a diminuição do fluxo sanguíneo, diminuem a taxa de filtração glomerular e reduzem a sensibilidade ao hormônio antidiurético, comprometendo a capacidade de manter o equilíbrio hidreletrolítico. Por causa de diminuição na quantidade e da eficiência das glândulas sudoríferas, a perda de água através da pele diminui com a idade. Por causa dessas mudanças associadas à idade, os idosos são suscetíveis a vários distúrbios hidreletrolíticos: Desidratação e hipernatremia ocorrem frequentemente por causa de aporte inadequado de líquidos ou por causa de perda de mais água do que Na+ em vômitos, nas fezes ou na urina A hiponatremia pode ocorrer por causa de aporte inadequado de Na+; pelo aumento da perda de Na+ na urina, em vômitos ou em diarreias; ou pela perda da capacidade dos rins de produzir urina diluída A hipopotassemia ocorre frequentemente em idosos que utilizam de modo crônico laxantes para aliviarem a constipação intestinal ou que utilizam diuréticos que depletam K+ para o tratamento de hipertensão arterial ou de doença cardíaca A acidose pode ocorrer por causa da redução da capacidade dos pulmões ou dos rins de compensarem os desequilíbrios acidobásicos. Uma causa de acidose é a diminuição da produção de amônia (NH3) pelas células tubulares renais, que, assim, não está disponível para se combinar com H+ e ser excretada na urina como NH4 +; outra causa é a redução da exalação de CO2. TESTE RÁPIDO Por que os bebês experimentam mais problemas com os equilíbrios de líquidos, de eletrólitos e acidobásico do que os adultos? REVISÃO DO CAPÍTULO Conceitos essenciais Compartimentos e equilíbrio hídrico Os líquidos corporais incluem a água e os solutos dissolvidos nela. Cerca de dois terços dos líquidos corporais se encontram dentro das células e são chamados de líquido intracelular (LIC). O outro terço, chamado de líquido extracelular (LEC), inclui o líquido intersticial; o plasma sanguíneo e a linfa; o líquido cerebrospinal; os líquidos do sistema digestório; o líquido sinovial; os líquidos oculares e das orelhas; os líquidos pleural, pericárdico e peritoneal e o filtrado glomerular. Equilíbrio hídrico significa que existem os volumes necessários de água e de solutos e apresentam a proporção correta entre os vários compartimentos. Uma substância inorgânica que se dissocia em íons quando em solução é chamada de eletrólito. A água é o maior componente individual do corpo. Ela contribui para 45 a 75% da massa corporal total, dependendo da idade, do sexo e do percentual de tecido adiposo. O ganho e a perda diários de água são de 2.500 mℓ cada. As fontes de ganho de água são os líquidos e os alimentos ingeridos, além da água produzida pela respiração celular e pelas reações de síntese por desidratação (água metabólica). A água é perdida pelo corpo pela urina, pela evaporação a partir da superfície da pele, pela exalação de vapor d’água e pela defecação. Nas mulheres, o fluxo menstrual é uma fonte adicional de perda de água corporal. O ganho de água corporal é regulado pelo ajuste do volume de água, principalmente bebendo mais ou menos líquidos. O centro da sede no hipotálamo governa a vontade de beber. Embora volumes elevados de água e de solutos sejam perdidos pelo suor e pela expiração durante o exercício, a perda de excesso de água ou de excesso de solutos no corpo depende principalmente da regulação da excreção urinária.A perda urinária de NaCl é o principal determinante do volume de líquidos corporais; o volume de água perdida na urina é o principal determinante da osmolaridade dos líquidos corporais. A Tabela 27.1 resume os fatores que regulam o ganho e a perda de água no corpo. A angiotensina II e a aldosterona reduzem a perda urinária de Na+ e de Cl– e, desse modo, aumentam o volume de líquidos corporais. O PNA promove a natriurese, o aumento da excreção de Na+ (e de Cl–), diminuindo o volume de sangue. O principal hormônio que regula a perda de água e, portanto, a osmolaridade dos líquidos corporais é o hormônio antidiurético (ADH). Um aumento na osmolaridade do líquido intersticial retira água das células e elas encolhem levemente. Uma diminuição na osmolaridade do líquido intersticial faz com que as células inchem. Muito frequentemente, uma mudança na osmolaridade 10. 27.2 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 27.3 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 27.4 1. 2. ocorre por causa de uma modificação na concentração de Na+, o soluto predominante no líquido intersticial. Quando um indivíduo consome água mais rapidamente do que seus rins conseguem excretála ou quando a função renal está comprometida, o resultado pode ser a intoxicação hídrica, quando as células incham perigosamente. Eletrólitos nos líquidos corporais Os íons formados quando os eletrólitos se dissolvem nos líquidos corporais controlam a osmose da água entre os compartimentos de líquidos, ajudam a manter o equilíbrio acidobásico e têm corrente elétrica. As concentrações de cátions e de ânions são expressas em unidades de miliequivalentes/litro (mEq/litro). O plasma sanguíneo, o líquido intersticial e o LIC contêm vários tipos e concentrações de íons. Os íons sódio (Na+) são o íon extracelular mais abundante. Eles estão envolvidos na transmissão dos impulsos, na contração muscular e no equilíbrio hidreletrolítico. Os níveis de Na+ são controlados pela aldosterona, pelo HAD e pelo peptídio natriurético atrial. Os íons cloreto (Cl–) são o principal ânion extracelular. Eles desempenham um papel na regulação da pressão osmótica e na formação de HCl no suco gástrico. Os níveis de Cl– são controlados indiretamente pelo hormônio antidiurético e pelos processos que aumentam ou diminuem a reabsorção renal de Na+. Os íons potássio (K+) são o cátion mais abundante no líquido intracelular. Eles têm uma participação crucial no potencial de repouso da membrana e no potencial de ação dos neurônios e das fibras musculares; ajudam a manter o volume de LIC e contribuem para a regulação do pH. Os níveis de K+ são controlados pela aldosterona. Os íons bicarbonato (HCO3 –) são o segundo ânion mais abundante no líquido extracelular. Eles são o tampão mais importante no plasma sanguíneo. O cálcio é o mineral mais abundante no corpo. Os sais de cálcio são componentes estruturais dos ossos e dos dentes. O Ca2+, que é um cátion principalmente extracelular, age na coagulação sanguínea, na liberação de neurotransmissores e na contração muscular. Os níveis de Ca2+ são controlados principalmente pelo PTH e pelo calcitriol. Os íons fosfato (H2PO4 –, HPO4 2– e PO4 3–) são ânions principalmente intracelulares e seus sais são componentes estruturais dos ossos e dos dentes. Eles também são necessários para a síntese de ácidos nucleicos e de ATP e participam em reações de tamponamento. Seus níveis são controlados pelo PTH e pelo calcitriol. Os íons magnésio (Mg2+) são cátions principalmente intracelulares. Eles agem como cofatores em vários sistemas enzimáticos. A Tabela 27.2 descreve os desequilíbrios causados pela deficiência ou pelo excesso de eletrólitos corporais importantes. Equilíbrio acidobásico O equilíbrio acidobásico geral do corpo é mantido pelo controle da concentração de H+ nos líquidos corporais, especialmente no LEC. O pH normal do sangue arterial sistêmico é de 7,35 a 7,45. A homeostasia do pH é mantida por sistemas tampão, pela exalação de CO2, pela excreção renal de H+ e pela reabsorção renal de HCO3 –. Os sistemas tampão importantes incluem proteínas, tampões de ácidocarbônicobicarbonato e fosfatos. Um aumento na exalação de dióxido de carbono aumenta o pH do sangue; uma diminuição na exalação de CO2 diminui o pH do sangue. Nos túbulos proximais convolutos dos rins, contratransportadores Na+H+ secretam H+ conforme reabsorvem Na+. Nos túbulos coletores renais, algumas células intercaladas reabsorvem K+ e HCO3 – e secretam H+; outras células intercaladas secretam HCO3 –. Dessa maneira, os rins podem aumentar ou diminuir o pH dos líquidos corporais. A Tabela 27.3 resume os mecanismos que mantém o pH dos líquidos corporais. A acidose ocorre quando o pH do sangue arterial sistêmico se encontra abaixo de 7,35; seu principal efeito é a depressão da parte central do sistema nervoso. A alcalose ocorre quando o pH do sangue arterial sistêmico se encontra acima de 7,45; seu principal efeito é a excitabilidade excessiva do SNC. A acidose e a alcalose respiratórias são distúrbios causados por mudanças na PCO2 sanguínea, enquanto a acidose e a alcalose metabólicas são distúrbios associados a mudanças na concentração sanguínea de HCO3 –. A acidose e a alcalose metabólicas podem ser compensadas por mecanismos respiratórios (compensação respiratória); a acidose e a alcalose respiratórias podem ser compensadas por mecanismos renais (compensação renal). A Tabela 27.4 resume os efeitos das acidoses e das alcaloses respiratórias e metabólicas. Pela avaliação do pH do sangue arterial sistêmico e dos valores referentes às concentrações de HCO3 – e de PCO2 , é possível descobrir a causa de um desequilíbrio acidobásico. Envelhecimento e homeostasia hidreletrolítica e acidobásica Com o aumento da idade, ocorre diminuição do volume de LIC e de K+ por causa do declínio da massa muscular esquelética. A diminuição da função renal com o envelhecimento afeta negativamente o equilíbrio hidreletrolítico. 1. 2. 3. 27.1 27.2 27.3 27.4 27.5 27.6 27.7 27.8 QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA Roberta está nos estágios iniciais da gravidez e está vomitando muito nos últimos dias. Ela está fraca, confusa e foi levada para a emergência de um hospital. O que você suspeita que aconteceu com o equilíbrio acidobásico da Roberta? Como o corpo dela tentaria compensar? Quais eletrólitos estariam afetados pelos vômitos e como seus sinais/sintomas refletem esses desequilíbrios? Henrique está na unidade de terapia intensiva porque sofreu um infarto do miocárdio grave há 3 dias. Os exames de laboratório apresentam os seguintes valores a partir de uma amostra de sangue arterial: pH 7,30, HCO3 – = 20 mEq/litro, PCO2 = 32 mmHg. Diagnostique o estado acidobásico do paciente e decida se está ocorrendo compensação. Nesse verão, Sam está treinando para uma maratona correndo 16 km por dia. Descreva as mudanças que ocorrem em seu equilíbrio de líquidos conforme ele treina. RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS O volume de plasma sanguíneo é igual à massa corporal × o percentual da massa corporal que é líquido corporal × a proporção do líquido corporal que é LEC × a proporção do LEC que é plasma × o fator de conversão (1 ℓ/kg). Para homens, o volume de plasma sanguíneo = 60 kg × 0,60 × 1/3 × 0,20 × 1 ℓ/kg = 2,4 ℓ. Usando cálculos semelhantes, o volume de plasma sanguíneo feminino é de 2,2 ℓ. Hiperventilação, vômitos, febre e diuréticos aumentam a perda de líquido. Existe um mecanismo de feedback negativo porque o resultado (aumento do aporte de líquido) é o oposto do estímulo inicial (desidratação). O aumento dos níveis de aldosterona promove reabsorção renal anormalmente alta de NaCl e de água, expandindo o volume sanguíneo e elevando a pressão sanguínea. Por causa do aumento da pressão sanguínea, mais líquido é filtrado para fora dos capilarese se acumula no líquido intersticial, causando edema. Se uma solução utilizada para a terapia de reidratação oral contiver um pouco de sódio, tanto o sódio quanto a água serão absorvidos no sistema digestório, o volume sanguíneo aumentará sem diminuição da osmolaridade e não ocorrerá intoxicação hídrica. No LEC, o principal cátion é o Na+ e os principais ânions são o Cl– e o HCO3 –. No LIC, o principal cátion é o K+ e os principais ânions são as proteínas e os fosfatos orgânicos (p. ex., ATP). Prender sua respiração faz com que o pH sanguíneo diminua levemente conforme CO2 e H+ se acumulam no sangue. Um inibidor de anidrase carbônica reduz a secreção de H+ para a urina e reduz a reabsorção de Na+ e de HCO3 – para o sangue. Ele tem efeito diurético e pode causar acidose (diminuição do pH sanguíneo) por causa da perda de HCO3 – na urina. Sistema genital e homeostasia Os órgãos genitais masculinos e femininos trabalham em conjunto para produzir descendentes. Além disso, os órgãos genitais femininos contribuem para sustentar o crescimento dos embriões e fetos. A reprodução sexual é o processo pelo qual os organismos geram descendentes pela produção de células germinativas chamadas gametas. Depois que o gameta masculino (espermatozoide) se une ao gameta feminino (oócito secundário) – em um evento chamado de fertilização – a célula resultante contém um conjunto de cromossomos de ambos os pais. Os homens e as mulheres têm órgãos genitais anatomicamente distintos, que são adaptados para produzir gametas, facilitar a fertilização e, nas mulheres, sustentar o crescimento do embrião e do feto. Os órgãos genitais masculinos e femininos podem ser agrupados por função. As gônadas – testículos nos homens e ovários nas mulheres – produzem gametas e secretam hormônios sexuais. Vários ductos então armazenam e transportam os gametas, e as glândulas sexuais acessórias produzem substâncias que protegem os gametas e facilitam o seu deslocamento. Por fim, estruturas de suporte, como o pênis nos homens e o útero nas mulheres, ajudam no transporte de gametas; o útero é também o local para o crescimento do embrião e do feto durante a gestação. A ginecologia é o ramo da medicina especializado no diagnóstico e tratamento das doenças do sistema genital feminino. Como observado no Capítulo 26, a urologia é o estudo do sistema urinário. Os urologistas também diagnosticam e tratam doenças e distúrbios do sistema genital masculino. O ramo da medicina que lida com os distúrbios do sexo masculino, especialmente a infertilidade e a disfunção sexual, é chamado de andrologia. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html 28.1 • • 1. 2. 3. 4. Sistema genital masculino OBJETIVOS Descrever a localização, a estrutura e as funções dos órgãos do sistema genital masculino Discutir o processo de espermatogênese nos testículos. Os órgãos do sistema genital masculino incluem os testículos, um sistema de ductos (epidídimo, ducto deferente, ductos ejaculatórios e uretra), glândulas sexuais acessórias (glândulas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais) e várias estruturas de apoio, incluindo o escroto e o pênis (Figura 28.1). Os testículos (gônadas masculinas) produzem espermatozoides e secretam hormônios. O sistema de ductos transporta e armazena os espermatozoides, auxilia em sua maturação, e liberaos para o meio externo. O sêmen contém espermatozoides mais as secreções produzidas pelas glândulas sexuais acessórias. As estruturas de apoio têm várias funções. O pênis entrega os espermatozoides no aparelho reprodutivo feminino e o escroto contém os testículos. FUNÇÕES DO SISTEMA GENITAL MASCULINO Os testículos produzem espermatozoides e o hormônio masculino testosterona. Os ductos transportam, armazenam e auxiliam na maturação dos espermatozoides. As glândulas sexuais acessórias secretam a maior parte da porção líquida do sêmen. O pênis contém a uretra, uma passagem para a ejaculação de sêmen e excreção de urina. Figura 28.1 Órgãos masculinos da reprodução e estruturas adjacentes. Os órgãos genitais são adaptados para produzir novos indivíduos e transmitir material genético de uma geração para a seguinte. Quais são os grupos de órgãos genitais nos homens, e quais são as funções de cada grupo? Escroto O escroto, a estrutura que contém os testículos, consiste em pele solta e tela subcutânea subjacente. Ele está pendurado na raiz (parte anexa) do pênis (Figura 28.1A). Externamente, o escroto parece uma bolsa de pele ímpar separada em porções laterais por uma crista mediana chamada de rafe do escroto. Internamente, o septo do escroto divide o escroto em dois sacos, cada um contendo um testículo (Figura 28.2). O septo do escroto é constituído por uma tela subcutânea e tecido muscular chamado músculo dartos, que é composto de feixes de fibras de músculo liso. O músculo dartos também é encontrado na tela subcutânea do escroto. Associado a cada testículo no escroto está o músculo cremaster, várias pequenas bandas de músculo esquelético que descem como uma extensão do músculo oblíquo interno do abdome por meio do funículo espermático para circundar os testículos. A localização do escroto e a contração de suas fibras musculares regulam a temperatura dos testículos. A produção normal de espermatozoides demanda uma temperatura de aproximadamente 2 a 3 °C abaixo da temperatura corporal central. Esta temperatura reduzida é mantida no escroto porque ele está fora da cavidade pélvica. Em resposta a temperaturas frias, os músculos cremaster e dartos se contraem. A contração dos músculos cremaster move os testículos para mais perto do corpo, onde eles podem absorver o calor do corpo. A contração do músculo dartos reduz o volume do escroto (de aspecto enrugado), o que reduz a perda de calor. A exposição ao calor inverte essas ações. Figura 28.2 O escroto, a estrutura que contém os testículos. O escroto é composto por pele solta e uma tela subcutânea subjacente e contém os testículos. Quais músculos ajudam a regular a temperatura dos testículos? Testículos Os testículos são um par de glândulas ovais no escroto com aproximadamente 5 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro (Figura 28.3). Cada testículo tem massa de 10 a 15 g. Os testículos se desenvolvem perto dos rins, na parte posterior do abdome, e geralmente começam sua descida para o escroto por meio dos canais inguinais (passagem na parede anteroinferior do abdome; ver Figura 28.2) durante a segunda metade do sétimo mês do desenvolvimento fetal. Figura 28.3 Anatomia (interna e externa) de um testículo. Os testículos são as gônadas masculinas, que produzem espermatozoides haploides. Quais camadas de tecido revestem e protegem os testículos? Uma túnica serosa chamada de túnica vaginal do testículo, que é derivada do peritônio e se forma durante a descida dos testículos, recobre parcialmente os testículos. Uma coleção de líquido seroso na túnica vaginal do testículo é chamada de hidrocele. Esta pode ser causada por lesões nos testículos ou inflamação do epidídimo. Em geral, não é necessário tratamento. Internamente à túnica vaginal do testículo, o testículo é circundado por uma cápsula fibrosa branca composta por tecido conjuntivo denso irregular, a túnica albugínea; esta se estende internamente formando septos que dividem o testículo em uma série de compartimentos internos chamados lóbulos dos testículos. Cada um dos 200 a 300 lóbulos dos testículos contêm de 1 a 3 túbulos bem enrolados, os túbulos seminíferos contorcidos, onde os espermatozoides são produzidos. O processo pelo qual os túbulos seminíferos contorcidos dos testículos produzem esperma é chamado de espermatogênese. Os túbulosseminíferos contêm dois tipos de células: as células espermatogênicas, as células formadoras de esperma, e as células sustentaculares ou células de Sertoli, que têm várias funções no apoio à espermatogênese (Figura 28.4). Célulastronco chamadas espermatogônias se desenvolvem a partir das células germinativas primordiais que surgem a partir do saco vitelino e entram nos testículos durante a quinta semana de desenvolvimento. Nos testículos embrionários, as células germinativas primordiais se diferenciam em espermatogônias, que permanecem dormentes durante a infância e começam a produzir espermatozoides ativamente na puberdade. Em direção ao lúmen do túbulo seminífero contorcido estão camadas de células progressivamente mais maduras. Da menor para a maior maturidade estão os espermatócitos primários, espermatócitos secundários, espermátides e espermatozoides. Depois que um espermatozoide é formado, ele é liberado para o lúmen do túbulo seminífero. Incorporado entre as células espermatogênicas nos túbulos seminíferos estão grandes células sustentaculares ou células de Sertoli, que se estendem da membrana basal ao lúmen do túbulo. Internamente a membrana basal e espermatogônias, junções oclusivas unem células sustentaculares vizinhas. Estas junções formam uma obstrução conhecida como barreira hematotesticular, porque as substâncias devem passar primeiro pelas células sustentaculares antes de poderem alcançar o espermatozoide em desenvolvimento. Ao isolar os gametas em desenvolvimento do sangue, a barreira hematotesticular evita uma resposta imune contra antígenos de superfície da célula espermatogênica, que são reconhecidas como “estranhas” pelo sistema imune. A barreira hematotesticular não inclui as espermatogônias. As células de Sertoli apoiam e protegem as células espermatogênicas em desenvolvimento de várias maneiras. Elas nutrem os espermatócitos, espermátides e espermatozoides; fagocitam o excesso de citoplasma das espermátides conforme o desenvolvimento avança e controlam os movimentos das células espermatogênicas e a liberação do espermatozoide no lúmen dos túbulos seminíferos. Elas também produzem líquido para o transporte do espermatozoide, secretam o hormônio inibina e regulam os efeitos da testosterona e do FSH (hormônio foliculoestimulante). Nos espaços entre túbulos seminíferos adjacentes existem aglomerados de células chamadas células intersticiais ou células de Leydig (Figura 28.4). Estas células secretam testosterona, o androgênio mais prevalente. Um androgênio é um hormônio que promove o desenvolvimento de características masculinas. A testosterona também promove a libido no homem (impulso sexual). CORRELAÇÃO CLÍNICA | Criptorquidia A condição em que os testículos não descem para o escroto é chamada de criptorquidia; ela ocorre em aproximadamente 3% das crianças a termo e aproximadamente 30% dos prematuros. A criptorquidia bilateral não corrigida resulta em esterilidade, porque as células envolvidas nas fases iniciais da espermatogênese são destruídas pela temperatura mais elevada da cavidade pélvica. A chance de câncer de testículo é 30 a 50 vezes maior quando existe criptorquidia. Os testículos de aproximadamente 80% dos lactentes com criptorquidia descerão espontaneamente durante o primeiro ano de vida. Quando os testículos não descem, a condição pode ser corrigida cirurgicamente, de preferência antes dos 18 meses de idade. Espermatogênese Antes de ler esta seção, consulte o tópico da divisão celular reprodutiva no Capítulo 3, Seção 3.7. Preste especial atenção às Figuras 3.33 e 3.34. Nos seres humanos, a espermatogênese leva de 65 a 75 dias. Começa com a espermatogônias, que contêm o número diploide (2n) de cromossomos (Figura 28.5). As espermatogônias são tipos de célulastronco; quando sofrem mitose, algumas espermatogônias permanecem próximo da membrana basal dos túbulos seminíferos em um estado não diferenciado, para servir como um reservatório de células para a divisão celular futura e subsequente produção de espermatozoides. O restante das espermatogônias perde contato com a membrana basal, espremese através das junções oclusivas da barreira hematotesticular, sofre alterações de desenvolvimento e diferenciase em espermatócitos primários. Os espermatócitos primários, como as espermatogônias, são diploides (2n); ou seja, contêm 46 cromossomos. Pouco depois de se formar, cada espermatócito primário replica seu DNA e então começa a meiose (Figura 28.5). Na meiose I, pares de cromossomos homólogos se alinham na placa metafásica, e ocorre o crossingover. Em seguida, o fuso meiótico puxa um cromossomo (duplicado) de cada par para um polo oposto da célula em divisão. As duas células formadas pela meiose I são chamadas de espermatócitos secundários. Cada espermatócito secundário tem 23 cromossomos, o número haploide (n). Cada cromossomo dentro de um espermatócito secundário, no entanto, é constituído https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3-7 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig33 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig34 por 2 cromátides (2 cópias do DNA) ainda ligadas por um centrômero. Não há replicação de DNA nos espermatócitos secundários. Figura 28.4 Anatomia microscópica dos túbulos seminíferos e estágios de produção de espermatozoides (espermatogênese). As setas indicam a progressão das células espermatogênicas, de menos maduras para mais maduras. Respectivamente, (n) e (2n) se referem a números diploides e haploides de cromossomos. A espermatogênese ocorre nos túbulos seminíferos dos testículos. Quais células secretam testosterona? Na meiose II, os cromossomos se alinham em fila indiana ao longo da placa metafásica, e as duas cromátides de cada cromossomo se separam. As quatro células haploides resultantes da meiose II são chamadas de espermátides. Portanto, um único espermatócito primário produz quatro espermátides por meio de dois episódios de divisão celular (meiose I e meiose II). Durante a espermatogênese ocorre um processo único. Conforme as células espermatogênicas proliferam, elas não conseguem completar a separação citoplasmática (citocinese). As células permanecem em contato por meio de pontes citoplasmáticas ao longo de todo o seu desenvolvimento (ver Figuras 28.4 e 28.5). Este padrão de desenvolvimento provavelmente é responsável pela produção sincronizada de espermatozoides em qualquer área do túbulo seminífero. Também pode ser importante para a sobrevivência de metade dos espermatozoides contendo um cromossomo X e metade contendo um cromossomo Y. O cromossomo X maior pode transportar os genes necessários para a espermatogênese que estão faltando no cromossomo Y menor. Figura 28.5 Eventos na espermatogênese. As células diploides (2n) têm 46 cromossomos; as células haploides (n) têm 23 cromossomos. A espermiogênese envolve a maturação das espermátides em espermatozoides. Qual é o resultado da meiose I? A fase final da espermatogênese, a espermiogênese, consiste no desenvolvimento de espermátides haploides em espermatozoides. Não ocorre divisão celular na espermiogênese; cada espermátide se torna um espermatozoide único. Durante este processo, as espermátides esféricas se transformam no espermatozoide delgado e alongado. Um acrossomo (descrito em breve) formase no topo do núcleo, que se condensa e se alonga, um flagelo se desenvolve, e as mitocôndrias se multiplicam. As células sustentaculares eliminam o excesso de citoplasma que se desprende. Por fim,os espermatozoides são liberados de suas conexões com as células sustentaculares, em um evento conhecido como espermiação. O espermatozoide então entra no lúmen do túbulo seminífero. O líquido secretado pelas células sustentaculares “empurra” os espermatozoides ao longo de seu caminho em direção aos ductos dos testículos. Neste momento, os espermatozoides ainda não conseguem se deslocam sozinhos. Espermatozoide A cada dia, aproximadamente 300 milhões de espermatozoides concluem o processo de espermatogênese. Um espermatozoide tem aproximadamente 60 μm de comprimento e contém várias estruturas que são adaptadas para alcançar e penetrar um oócito secundário (Figura 28.6). As principais partes de um espermatozoide são a cabeça e a cauda. A cabeça pontiaguda e achatada do espermatozoide mede aproximadamente 4 a 5 μm de comprimento. Ela contém um núcleo com 23 cromossomos bem acondicionados. Englobando os dois terços anteriores do núcleo está o acrossomo, uma vesícula semelhante a capa preenchida com enzimas que ajudam o espermatozoide a penetrar no oócito secundário para promover a fertilização. Entre as enzimas estão as proteases e a hialuronidase. A cauda de um espermatozoide é subdividida em quatro partes: colo, peça intermediária, peça principal e peça terminal. O colo é a região encontrada imediatamente atrás da cabeça, que contém centríolos. Os centríolos formam os microtúbulos que compreendem o restante da cauda. A peça intermediária contém mitocôndrias dispostas em espiral, que fornecem energia (ATP) para a locomoção dos espermatozoides até o local da fertilização e para o metabolismo do espermatozoide. A peça principal é a parte mais longa da cauda, e a peça terminal é a parte distal e afilada da cauda. Uma vez ejaculados, a maior parte dos espermatozoides não sobrevive por mais de 48 h no sistema genital feminino. Figura 28.6 Partes de um espermatozoide. Aproximadamente 300 milhões de espermatozoides amadurecem a cada dia. Quais são as funções de cada parte de um espermatozoide? Controle hormonal da função testicular Embora os fatores de iniciação sejam desconhecidos, na puberdade, determinadas células neurosecretoras do hipotálamo aumentam a sua secreção de hormônio liberador de gonadotropina (GnRH). Este hormônio estimula, por sua vez, os gonadotropos na adenohipófise a aumentar sua secreção de duas gonadotropinas, o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio foliculoestimulante (FSH). A Figura 28.7 mostra os hormônios e as alças de feedback negativo que controlam a secreção de testosterona e a espermatogênese. O LH estimula as células intersticiais que estão localizadas entre os túbulos seminíferos a secretar o hormônio testosterona. Este hormônio esteroide é sintetizado a partir do colesterol nos testículos e é o principal androgênio. É lipossolúvel e se difunde facilmente das células intersticiais para o líquido intersticial e, em seguida, para o sangue. A testosterona, via feedback negativo, suprime a secreção de LH pelos gonadotropos da adenohipófise e suprime a secreção de GnRH pelas células neurossecretoras do hipotálamo. Em algumas célulasalvo, como aquelas dos órgãos genitais externos e da próstata, a enzima 5alfarredutase converte a testosterona em outro androgênio, chamado di hidrotestosterona (DHT). O FSH atua indiretamente ao estimular a espermatogênese (Figura 28.7). O FSH e a testosterona atuam sinergicamente nas células sustentaculares estimulando a secreção da proteína de ligação a androgênios (ABP) no lúmen dos túbulos seminíferos e no líquido intersticial em torno das células espermatogênicas. A ABP se liga à testosterona, mantendo a sua concentração elevada. A testosterona estimula as etapas finais da espermatogênese nos túbulos seminíferos. Uma vez alcançado o grau de espermatogênese necessário para as funções reprodutivas masculinas, as células sustentaculares liberam inibina, um hormônio proteico assim chamado por inibir a secreção de FSH pela adenohipófise (Figura 28.7). Se a espermatogênese ocorrer muito lentamente, menos inibina é liberada, o que possibilita maior secreção de FSH e aumento da espermatogênese. A testosterona e a dihidrotestosterona se ligam aos mesmos receptores de androgênios, que se encontram no interior dos núcleos das célulasalvo. O complexo hormônioreceptor regula a expressão do gene, ativando alguns genes e desativando outros. Em decorrência dessas alterações, os androgênios produzem vários efeitos: Figura 28.7 Controle hormonal da espermatogênese e ações da testosterona e dihidrotestosterona (DHT). Em resposta à estimulação pelo FSH e testosterona, as células sustentaculares secretam proteína de ligação a androgênios (ABP). As linhas vermelhas tracejadas indicam a inibição por feedback negativo. A liberação de FSH é estimulada pelo GnRH e inibida pela inibina; a liberação de LH é estimulada pelo GnRH e inibida pela testosterona. • • Quais células secretam inibina? Desenvolvimento prénatal. Antes do nascimento, a testosterona estimula o padrão masculino de desenvolvimento dos ductos do sistema genital e a descida dos testículos para o escroto. A dihidrotestosterona estimula o desenvolvimento dos genitais externos (descritos na Seção 28.5). A testosterona também é convertida no encéfalo em estrogênios (hormônios feminilizantes), que podem atuar no desenvolvimento de determinadas regiões do encéfalo em homens Desenvolvimento das características sexuais masculinas. Na puberdade, a testosterona e a dihidrotestosterona realizam o desenvolvimento e o alargamento dos órgãos sexuais masculinos e o desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas. As características sexuais secundárias distinguem os homens das mulheres, mas não têm um papel direto na reprodução. Estes incluem o crescimento muscular e esquelético que resulta em ombros largos e • • 1. 2. 3. 4. 5. quadris estreitos; os pelos faciais e torácicos (dentro dos limites da hereditariedade) e a presença de mais pelos em outras partes do corpo; o espessamento da pele; o aumento da secreção das glândulas sebáceas e o aumento da laringe e consequente engrossamento da voz Desenvolvimento da função sexual. Os androgênios contribuem para o comportamento sexual masculino e espermatogênese, e para o desejo sexual (libido) em homens e mulheres. Lembrese de que o córtex da glândula suprarrenal é a principal fonte de androgênios nas mulheres Estimulação do anabolismo. Os androgênios são hormônios anabólicos; isto é, estimulam a síntese de proteínas. Este efeito é evidente no maior peso dos músculos e massa óssea que é observado na maior parte dos homens em comparação às mulheres. Um sistema de feedback negativo regula a produção de testosterona (Figura 28.8). Quando a concentração de testosterona no sangue aumenta até um determinado nível, isso inibe a liberação de GnRH pelas células hipotalâmicas. Como resultado, há menos GnRH no sangue portal que flui do hipotálamo para a adenohipófise. Os gonadotropos na adenohipófise então liberam menos LH, de modo que a concentração de LH no sangue sistêmico cai. Com menos estimulação pelo LH, as células intersticiais dos testículos secretam menos testosterona, e há um retorno à homeostasia. Se a concentração de testosterona no sangue cai muito, no entanto, o GnRH é novamente liberado pelo hipotálamo e estimula a secreção de LH pela adenohipófise. O LH, por sua vez, estimula a produção de testosterona pelos testículos. TESTE RÁPIDO Descreva a função do escroto na proteção dos testículos de flutuações na temperatura. Descreva a estrutura interna de um testículo. Onde osespermatozoides são produzidos? Quais são as funções das células sustentaculares e das células intersticiais (células de Leydig)? Descreva os principais eventos da espermatogênese. Qual parte de um espermatozoide contém enzimas que ajudam o espermatozoide a fertilizar um oócito secundário? Quais são os papéis do FSH, LH, testosterona e inibina no sistema genital masculino? Como é controlada a secreção desses hormônios? Ductos do sistema genital nos homens Ductos do testículo A pressão produzida pelo líquido que é secretado pelas células sustentaculares empurra os espermatozoides e o líquido ao longo do lúmen dos túbulos seminíferos e, em seguida, por uma série de ductos muito curtos chamados de túbulos seminíferos retos (ver Figura 28.3A). Os túbulos seminíferos retos levam a uma rede de ductos no testículo chamados de rede do testículo. Da rede do testículo, os espermatozoides se movem por uma série de ductos eferentes enrolados no epidídimo, que se esvaziam em um tubo único chamado de ducto do epidídimo. Figura 28.8 Controle por feedback negativo dos níveis sanguíneos de testosterona. Os gonadotropos da adenohipófise produzem o hormônio luteinizante (LH). Quais hormônios inibem a secreção de FSH e LH pela adenohipófise? Epidídimo O epidídimo é um órgão em forma de vírgula de aproximadamente 4 cm de comprimento que fica ao longo da margem posterior de cada testículo (ver Figura 28.3A). Cada epidídimo consiste principalmente em ductos do epidídimo bem enrolados. Os ductos eferentes do testículo se unem aos ductos do epidídimo na parte maior e superior do epidídimo, chamada de cabeça do epidídimo. O corpo do epidídimo é a parte média estreita, e a cauda do epidídimo é a parte inferior menor. Na sua extremidade distal, a cauda do epidídimo continua como o ducto deferente (discutido a seguir). Os ductos do epidídimo mediriam aproximadamente 6 m de comprimento se fossem desenrolados. São revestidos por epitélio pseudoestratificado e circundados por camadas de músculo liso. As superfícies livres das células cilíndricas contêm estereocílios, que apesar de seu nome são microvilosidades longas e ramificadas (não cílios) que aumentam a área de superfície para a reabsorção de espermatozoides degenerados. O tecido conjuntivo em torno da túnica muscular se insere nas alças do ducto do epidídimo e transporta os vasos sanguíneos e nervos. Funcionalmente, o epidídimo é o local de maturação dos espermatozoides, processo pelo qual o espermatozoide adquire motilidade e a capacidade de fertilizar um óvulo. Isto ocorre ao longo de um período de aproximadamente 14 dias. O epidídimo também ajuda a impulsionar os espermatozoides pelos ductos deferentes durante a excitação sexual, pela contração peristáltica do seu músculo liso. Além disso, o epidídimo armazena espermatozoides, que permanecem viáveis aqui por até vários meses. Qualquer espermatozoide armazenado que não seja ejaculado durante esse período de tempo é, por fim, reabsorvido. Ducto deferente No interior da cauda do epidídimo, o ducto do epidídimo tornase menos enrolado e o seu diâmetro aumenta. Além deste ponto, o ducto é conhecido como ducto deferente (ver Figura 28.3A). O ducto deferente, que mede aproximadamente 45 cm de comprimento, ascende ao longo da margem posterior do epidídimo através do funículo espermático e, em seguida, entra na cavidade pélvica. Ele contorna o ureter e passa lateralmente e desce pela face posterior da bexiga urinária (ver Figura 28.1A). A parte terminal dilatada do ducto deferente é a ampola (ver Figura 28.9). A túnica mucosa do ducto deferente é composta por epitélio pseudoestratificado e lâmina própria (tecido conjuntivo areolar). A túnica muscular é composta por três camadas de músculo liso; as camadas interna e externa são longitudinais, e a camada do meio é circular. Funcionalmente, o ducto deferente transporta os espermatozoides, durante a excitação sexual, do epidídimo em direção à uretra por contrações peristálticas de seu revestimento muscular. Como o epidídimo, o ducto deferente também pode armazenar espermatozoides durante vários meses. Qualquer espermatozoide armazenado que não seja ejaculado durante esse período é, por fim, reabsorvido. Funículo espermático O funículo espermático é uma estrutura de suporte do sistema genital masculino que ascende a partir do escroto (ver Figura 28.2). Ele consiste na porção do ducto deferente que ascende através do escroto, na artéria testicular, nas veias que drenam os testículos e levam testosterona para a circulação (o plexo pampiniforme), nos nervos autônomos, nos vasos linfáticos e no músculo cremaster. O funículo espermático e o nervo ilioinguinal atravessam o canal inguinal, uma passagem oblíqua na parede abdominal anterior ligeiramente superior e paralela à metade medial do ligamento inguinal. O canal, que mede aproximadamente 4 a 5 cm de comprimento, tem origem no anel inguinal profundo (abdominal), uma abertura em forma de fenda na aponeurose do músculo transverso do abdome; o canal termina no anel inguinal superficial (subcutâneo) (ver Figura 28.2), uma abertura discretamente triangular na aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome. Nas mulheres, o ligamento redondo do útero e o nervo ilioinguinal passam através do canal inguinal. O termo varicocele se refere a uma protuberância no escroto decorrente da dilatação das veias que drenam os testículos. Em geral é mais aparente quando a pessoa está em pé e geralmente não requer tratamento. Ductos ejaculatórios Cada ducto ejaculatório mede aproximadamente 2 cm de comprimento e é formado pela união do ducto da glândula seminal e a ampola do ducto deferente (Figura 28.9). Os curtos ductos ejaculatórios formamse imediatamente superiores à base (parte superior) da próstata e passam inferior e anteriormente através da próstata. Eles terminam na parte prostática da uretra, onde ejetam os espermatozoides e secreções das glândulas seminais pouco antes da liberação do sêmen da uretra para o exterior. FUNÇÕES DAS SECREÇÕES DAS GLÂNDULAS SEXUAIS ACESSÓRIAS 1. 2. 3. As glândulas seminais secretam um líquido viscoso alcalino que ajuda a neutralizar o ácido do sistema genital feminino, fornece frutose para a produção de ATP pelos espermatozoides, contribui para a motilidade e viabilidade do espermatozoide, e ajuda o sêmen a coagular após a ejaculação. A próstata secreta um líquido leitoso discretamente ácido que contém enzimas que quebram as proteínas de coagulação das glândulas seminais. As glândulas bulbouretrais secretam um líquido alcalino que neutraliza o meio ácido da uretra e do muco que lubri ca o revestimento da uretra e a ponta do pênis durante a relação sexual. Figura 28.9 Localização dos vários órgãos genitais acessórios em homens. A próstata, a uretra e o pênis foram seccionados para mostrar detalhes internos. A uretra masculina tem três subdivisões: a parte prostática, a parte membranácea e a parte esponjosa (peniana). 6. 7. 8. 9. 10. Qual glândula sexual acessória contribui para a maior parte do líquido seminal? Uretra Nos homens, a uretra é o ducto terminal compartilhado dos sistemas reprodutivo e urinário; serve como uma passagem tanto para o sêmen quanto para a urina. Medindo aproximadamente 20 cm, passa através da próstata, dos músculos profundos do períneo e do pênis; é subdividida em três partes (ver Figuras 28.1 e 26.22). A parte prostática da uretra mede 2 a 3 cm de comprimento e passa através da próstata. Conforme esse ducto continua inferiormente, passa através dos músculos profundos do períneo, onde é conhecido como parte membranácea da uretra. A parte membranácea da uretra mede aproximadamente 1 cm decomprimento. Quando esse ducto passa através do corpo esponjoso do pênis, é conhecido como parte esponjosa da uretra, que mede aproximadamente 15 a 20 cm de comprimento. A parte esponjosa da uretra termina no óstio externo da uretra. A histologia da uretra masculina pode ser revista na Seção 26.8. TESTE RÁPIDO Quais ductos transportam os espermatozoides para o interior dos testículos? Descreva a localização, estrutura e funções do ducto do epidídimo, ducto deferente e ducto ejaculatório. Forneça as localizações das três subdivisões da uretra masculina. Trace o curso dos espermatozoides ao longo do sistema de ductos a partir dos túbulos seminíferos em direção à uretra. Liste as estruturas no interior do funículo espermático. Glândulas sexuais acessórias Os ductos do sistema genital masculino armazenam e transportam os espermatozoides, mas as glândulas sexuais acessórias secretam a maior parte da porção líquida do sêmen. As glândulas sexuais acessórias incluem as glândulas seminais, a próstata e as glândulas bulbouretrais. Glândulas seminais O par de glândulas seminais são estruturas enroladas em forma de bolsa que medem aproximadamente 5 cm de comprimento e se encontram posteriormente à base da bexiga urinária e anteriormente ao reto (Figura 28.9). Por meio dos ductos das glândulas seminais, elas secretam um líquido viscoso alcalino que contém frutose (um açúcar monossacarídio), prostaglandinas e proteínas de coagulação, que são diferentes das do sangue. A natureza alcalina do líquido seminal ajuda a neutralizar o meio ácido da uretra masculina e do sistema genital feminino, que de outro modo inativariam e matariam os espermatozoides. A frutose é utilizada para a produção de ATP pelos espermatozoides. As prostaglandinas contribuem para a mobilidade e a viabilidade dos espermatozoides e podem estimular as contrações do músculo liso no sistema genital feminino. As proteínas de coagulação ajudam o sêmen a coagular após a ejaculação. O líquido secretado pelas glândulas https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html#ch26fig22 https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter26.html#ch26-8 seminais normalmente constitui aproximadamente 60% do volume do sêmen. Próstata A próstata é uma glândula única em forma de rosca, aproximadamente do tamanho de uma bola de golfe. Ela mede cerca de 4 cm de um lado a outro, aproximadamente 3 cm de cima a baixo, e cerca de 2 cm de anterior a posterior. Encontrase inferiormente à bexiga urinária e circunda a parte prostática da uretra (Figura 28.9). A próstata aumenta de tamanho lentamente desde o nascimento até a puberdade. Em seguida, se expande rapidamente até aproximadamente os 30 anos de idade; após esse período, seu tamanho normalmente permanece estável até os 45 anos, quando podem ocorrer novos aumentos. A próstata secreta um líquido leitoso e ligeiramente ácido (pH de aproximadamente 6,5) que contém diversas substâncias. (1) O ácido cítrico do líquido prostático é usado pelos espermatozoides para a produção de ATP por meio do ciclo de Krebs. (2) Várias enzimas proteolíticas, como o antígeno prostático específico (PSA), pepsinogênios, lisozima, amilase e hialuronidase, que por fim quebram as proteínas de coagulação das glândulas seminais. (3) A função da fosfatase ácida secretada pela próstata é desconhecida. (4) A plasmina seminal do líquido prostático é um antibiótico que pode destruir as bactérias. A plasmina seminal pode ajudar a diminuir a quantidade de bactérias que ocorrem naturalmente no sêmen e no sistema genital inferior da mulher. As secreções da próstata entram na parte prostática da uretra por meio de diversos canais prostáticos. As secreções prostáticas constituem aproximadamente 25% do volume do sêmen e contribuem para a motilidade e viabilidade dos espermatozoides. Glândulas bulbouretrais O par de glândulas bulbouretrais mede aproximadamente o tamanho de ervilhas. Elas se encontram inferiormente à próstata em ambos os lados da parte membranácea da uretra, no interior dos músculos profundos do períneo, e seus ductos se abrem para dentro da parte esponjosa da uretra (Figura 28.9). Durante a excitação sexual, as glândulas bulbouretrais secretam um líquido alcalino na uretra que protege os espermatozoides que passam ao neutralizar os ácidos da urina na uretra. Também secretam um muco que lubrifica a ponta do pênis e a túnica mucosa da uretra, diminuindo a quantidade de espermatozoides danificados durante a ejaculação. Alguns homens liberam uma ou duas gotas de muco durante a estimulação sexual e a ereção. Esse líquido não contém espermatozoides. Sêmen O sêmen é uma mistura de espermatozoides e líquido seminal, um líquido que consiste nas secreções dos túbulos seminíferos, glândulas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais. O volume de sêmen em uma ejaculação típica é de 2,5 a 5 mililitros (mℓ), com 50 a 150 milhões de espermatozoides por mℓ. Quando a contagem cai abaixo de 20 milhões/mℓ, há probabilidade de o homem ser infértil. É necessária uma quantidade muito grande de espermatozoides para a fertilização bemsucedida, porque apenas uma pequena fração por fim alcança o oócito secundário. Apesar da leve acidez do líquido prostático, o sêmen tem um pH ligeiramente alcalino de 7,2 a 7,7, em decorrência do pH mais elevado e maior volume do líquido proveniente das glândulas seminais. A secreção prostática confere ao sêmen um aspecto leitoso, e os líquidos das glândulas seminais e glândulas bulbouretrais lhe dão uma consistência pegajosa. O líquido seminal fornece aos espermatozoides um meio de transporte, nutrientes e proteção do ambiente ácido hostil da uretra masculina e da vagina feminina. Uma vez ejaculado, o sêmen coagula em menos de 5 min, em decorrência da presença de proteínas de coagulação das glândulas seminais. O papel funcional da coagulação do sêmen não é conhecido, mas as proteínas envolvidas são diferentes daquelas que causam a coagulação do sangue. Depois de aproximadamente 10 a 20 min, o sêmen se reliquefaz, porque o antígeno prostático específico (PSA) e outras enzimas proteolíticas produzidas pela próstata quebram o coágulo. A liquefação anormal ou tardia do sêmen coagulado pode causar uma imobilização completa ou parcial do espermatozoide, inibindo desse modo o seu movimento ao longo do colo do útero. Depois de passar pelo útero e tubas uterinas, os espermatozoides são afetados pelas secreções da tuba uterina em um processo chamado de capacitação (ver Seção 28.2). A presença de sangue no sêmen é chamada de hemospermia. Na maior parte dos casos, é causada pela inflamação dos vasos sanguíneos que revestem as glândulas seminais; geralmente é tratada com antibióticos. Pênis O pênis contém a uretra e é uma passagem para a ejaculação do sêmen e a excreção de urina (Figura 28.10). Ele tem uma forma cilíndrica e é composto por um corpo, uma glande e uma raiz. O corpo do pênis é constituído por três massas cilíndricas de tecido, cada uma circundada por tecido fibroso chamado de túnica albugínea (Figura 28.10). As duas massas dorsolaterais são chamadas de corpos cavernosos do pênis. A massa médioventral menor, o corpo esponjoso do pênis, contém a parte esponjosa da uretra e a mantém aberta durante a ejaculação. A pele e uma tela subcutânea envolvem todas as três massas, que consistem em tecido erétil. O tecido erétil é composto por diversos seios sanguíneos (espaços vasculares) revestidos por células endoteliais e circundados por músculo liso e tecido conjuntivo e elástico. A extremidade distal do corpo esponjoso do pênis é uma região um pouco aumentada, em forma de bolota, chamada de glande do pênis; a sua margem é a coroa. A uretradistal aumenta no interior da glande do pênis e forma uma abertura terminal em forma de fenda, o óstio externo da uretra. Recobrindo a glande em um pênis não circuncidado está o frouxamente ajustado prepúcio do pênis. A raiz do pênis é a porção de inserção (porção proximal). Consiste no bulbo do pênis, a continuação posterior expandida da base do corpo esponjoso do pênis, e o ramo do pênis, as duas porções separadas e cônicas do corpo cavernoso do pênis. O bulbo do pênis está ligado à face inferior dos músculos profundos do períneo e é fechado pelo músculo bulboesponjoso, um músculo que auxilia na ejaculação. Cada ramo do pênis se dobra lateralmente para longe do bulbo do pênis para se inserir no ísquio e ramo púbico inferior, e é circundado pelo músculo isquiocavernoso (ver Figura 11.13). O peso do pênis é suportado por dois ligamentos que são contínuos com a fáscia do pênis. (1) O ligamento fundiforme do pênis surge a partir da parte inferior da linha alba. (2) O ligamento suspensor do pênis surge a partir da sínfise púbica. Após a estimulação sexual (visual, tátil, auditiva, olfatória ou imaginada), fibras parassimpáticas da porção sacral da medula espinal iniciam e mantêm uma ereção, o alargamento e o enrijecimento do pênis. As fibras parassimpáticas produzem e liberam óxido nítrico (NO). O NO faz com que o músculo liso das paredes das arteríolas que irrigam o tecido erétil relaxe, o que possibilita que estes vasos sanguíneos se dilatem. Isso, por sua vez, faz com que grandes volumes de sangue entrem no tecido erétil do pênis. O NO também faz com que o músculo liso do tecido erétil relaxe, resultando em dilatação dos seios sanguíneos. A combinação de fluxo sanguíneo aumentado e dilatação dos seios sanguíneos resulta em uma ereção. A expansão dos seios sanguíneos também comprime as veias que drenam o pênis; a desaceleração do fluxo de saída do sangue ajuda a manter a ereção. Figura 28.10 Estrutura interna do pênis. O detalhe em (B) mostra particularidades da pele e da fáscia. O pênis contém a uretra, uma via comum para o sêmen e para a urina. https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter11.html#ch11fig13 Quais massas de tecido formam o tecido erétil do pênis, e por que elas se tornam rígidas durante a excitação sexual? CORRELAÇÃO CLÍNICA | Circuncisão A circuncisão é um procedimento cirúrgico em que uma parte ou todo o prepúcio do pênis é removido. Geralmente é realizada alguns dias após o nascimento, e é feita por motivos sociais, culturais, religiosas e (mais raramente) clínicos. Embora a maioria dos médicos não encontrem uma justi cativa clínica para a circuncisão, alguns acham que ela tem benefícios, como menor risco de infecções urinária, a proteção contra o câncer de pênis e, possivelmente, um menor risco de DST. Na verdade, estudos feitos em várias aldeias africanas encontraram menores taxas de infecção pelo HIV entre os homens circuncidados. O termo priapismo se refere à ereção persistente e geralmente dolorosa do pênis que não envolve desejo ou excitação sexual. A condição pode durar várias horas e é acompanhada por dor espontânea e à palpação. É decorrente de anormalidades nos vasos sanguíneos e nervos, geralmente em resposta à medicação usada para produzir ereções em homens que de outro modo não são capazes de alcançálas. Outras causas incluem transtornos da medula espinal, leucemia, anemia falciforme ou um tumor pélvico. A ejaculação, a poderosa liberação do sêmen pela uretra para o ambiente externo, é um reflexo simpático coordenado pela parte lombar da medula espinal. Como parte do reflexo, o músculo liso do esfíncter na base da bexiga urinária se fecha, impedindo que seja expelida urina durante a ejaculação, e a entrada de sêmen na bexiga urinária. Mesmo antes de a ejaculação ocorrer, contrações peristálticas no epidídimo, no ducto deferente, nas glândulas seminais, nos ductos ejaculatórios e na próstata impulsionam o sêmen para a parte peniana (esponjosa) da uretra. Normalmente, isso leva à emissão de um pequeno volume de sêmen antes da ejaculação. A emissão também pode ocorrer durante o sono (polução noturna). A musculatura do pênis (músculos bulboesponjoso, isquiocavernoso e transverso superficial do períneo), que é irrigada pelo nervo pudendo, também se contrai durante a ejaculação (ver Figura 11.13). Quando a estimulação sexual do pênis termina, as arteríolas que irrigam o tecido erétil do pênis se estreitam e a musculatura lisa no interior do tecido erétil se contrai, tornando os seios sanguíneos menores. Isso alivia a pressão sobre as veias que irrigam o pênis e possibilita que elas drenem o sangue. Consequentemente, o pênis volta ao seu estado flácido. CORRELAÇÃO CLÍNICA | Ejaculação precoce https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter11.html#ch11fig13 11. 12. 13. 28.2 • • • • • • • A ejaculação precoce é ejaculação que ocorre demasiadamente cedo, como por exemplo antes, durante ou logo após a penetração. Geralmente é causada por ansiedade, outras causas psicológicas ou por um prepúcio ou glande do pênis anormalmente sensível. Para a maior parte dos homens, a ejaculação precoce pode ser superada por meio de várias técnicas (como comprimir o pênis entre a glande e o corpo do pênis conforme a ejaculação se aproxima), terapia comportamental ou medicação. TESTE RÁPIDO Explique resumidamente os locais e as funções das glândulas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais. O que é sêmen? Qual é a sua função? Explique os processos fisiológicos envolvidos na ereção e na ejaculação. Sistema genital feminino OBJETIVOS Descrever a localização, estrutura e funções dos órgãos do sistema genital feminino Discutir o processo de oogênese nos ovários. Os órgãos do sistema genital feminino (Figura 28.11) incluem os ovários (gônadas femininas); as tubas uterinas; o útero; a vagina; e órgãos externos, que são coletivamente chamados de pudendo feminino (também conhecido como vulva). As glândulas mamárias são consideradas parte do tegumento e do sistema genital feminino. Ovários Os ovários, que são as gônadas femininas, são um par de glândulas semelhantes a amêndoas sem casca em tamanho e forma; são homólogas aos testículos. (Neste caso, homóloga significa que dois órgãos têm a mesma origem embrionária.) Os ovários produzem (1) gametas, os oócitos secundários que se desenvolvem em óvulos maduros após a fertilização, e (2) hormônios, incluindo a progesterona e os estrogênios (hormônios sexuais femininos), a inibina e a relaxina. Os ovários, um em cada lado do útero, descem até a margem da parte superior da cavidade pélvica durante o terceiro mês de desenvolvimento. Vários ligamentos os prendem em sua posição (Figura 28.12). O ligamento largo do útero, que é uma prega do peritônio parietal, se insere aos ovários por uma dobra de duas camadas de peritônio chamada de mesovário. O ligamento úteroovárico ancora os ovários no útero, e o ligamento suspensor do ovário os insere na parede pélvica. Cada ovário contém um hilo, o ponto de entrada e saída para os vasos sanguíneos e nervos com os quais o mesovário está ligado. Histologia do ovário Cada ovário consiste nas seguintes partes (Figura 28.13): O epitélio germinativo é uma camada de epitélio simples (prismático baixo ou escamoso) que recobre a superfície do ovário. Sabese agora que o termo epitélio germinativo em seres humanos não é correto, porque esta camada não dá origem aos óvulos; o nome surgiu porque, antigamente, acreditavase que originasse os óvulos. Descobriuse recentemente que as células que produzem os óvulos surgem a partir do saco vitelino e migram para os ovários durante o desenvolvimento embrionário A túnica albugínea é uma cápsulaesbranquiçada de tecido conjuntivo denso irregular localizada imediatamente profunda ao epitélio germinativo O córtex do ovário é a região imediatamente profunda à túnica albugínea. Ele consiste em folículos ovarianos (descritos adiante) circundados por tecido conjuntivo denso irregular que contém fibras colágenas e células semelhantes a fibroblastos chamadas células estromais A medula do ovário é profunda ao córtex do ovário. A margem entre o córtex e a medula não pode ser distinguida, mas a medula é constituída por tecido conjuntivo mais frouxamente disposto e contém vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. Os folículos ovarianos estão no córtex e consistem em oócitos em várias fases de desenvolvimento, além das células que os circundam. Quando as células circundantes formam uma única camada, são chamadas células foliculares; mais tarde no desenvolvimento, quando se formam diversas camadas, elas são chamadas células granulosas. As células circundantes nutrem o oócito em desenvolvimento e começam a secretar estrogênios conforme o folículo cresce 27 Homeostasia Hidreletrolítica e Acidobásica 28 Sistemas Genitais